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Comunicação e Política – BIB22025 João Cerbaro Resenha: Transformações da Política na Era da Comunicação de Massa Wilson Gomes é professor de Teoria da Comunicação, pesquisador e orientador no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas na Universidade Federal da Bahia. Mestre e Doutor em Filosofia em Roma, e graduado em Teologia também em Roma. Doutorou-se em 1988 com uma tese sobre a ideia de construção da realidade no Idealismo Alemão, na Fenomenologia e na Hermenêutica. Em 1998, realizou estágio pós-doutoral em Cinema na Universidade de São Paulo. Desde 1989 ele ensina, pesquisa e orienta na área de Comunicação, nas especialidades de comunicação e política e democracia digital. É autor de Transformações da política na era da comunicação de massa, de Jornalismo, fatos e interesses, como também participou do livro de Rousiley Maia sobre comunicação e democracia. A respeito do livro analisado (Transformações da Política na Era da Comunicação de Massa), há muitas as qualidades que o recomendam, obra de um pesquisador amadurecido, preocupado com o rigor conceitual, reunindo e reelaborando textos do próprio Wilson publicados nos últimos dez anos, tendo a ambição de apresentar um quadro geral das relações entre a política e a mídia nas sociedades contemporâneas. É um livro que redigido com clareza e muitas vezes instigante, o livro parece destinado a integrar o elenco de leituras obrigatórias para os pesquisadores da área no Brasil, embora minha opinião seja muito vaga, pois não tenho completo conhecimento a respeito dessa área. Independentemente das críticas, Transformações da política na era da comunicação de massa é sempre uma leitura que pode ser bem proveitosa. O primoroso capítulo 6, dedicado à “política da imagem”, demonstra a habilidade de Wilson para desfazer entraves conceituais e trazer um pouco de ordem em diversos temas em que os abusos de linguagem ou o excesso de metáforas geram uma confusão permanente. Assim, a desvinculação radical entre “imagem pública” e imagem visual (p. 246-247), tornada óbvia após a leitura do texto, resolve uma inconsistência que compromete muitas pesquisas da área. Segundo Wilson, o campo profissional da política (porque tem todo o conjunto da sociedade como clientela e audiência) depende, talvez mais do que qualquer outro, de comunicação, de conexão com toda a sociedade e, portanto, está todo o tempo envolvido em processos de interação social. Como não há interação sem representação de papéis, é um errado imaginar uma sociedade com um grau zero de teatralização do poder, pensar alguma forma social de onde fosse possível dispensar a dramaturgia política e o manejo social das impressões políticas através das representações na cena política dominante, não importante qual seja. A seção dedicada à revisão da ideia de “espetáculo político”, no último capítulo, também é um excelente e seguro ensino para a compreensão de um termo com um uso tão expandido que chegou a comprometer sua utilidade. Na era da comunicação de massa, não há nenhuma ferramenta do jogo político que tenha permanecido intangível às transformações, quaisquer que sejam as formas que elas tenham tomado. Através da reflexão do autor é possível descartar posicionamentos que afirmam a presença de um novo modelo de atividade política. Wilson Gomes entende uma novidade presente nas condições em que o mesmo fazer político se realiza agora centrado na lógica da mídia. Esses dispositivos, em si não devem ser tidos como favoráveis ou contrários à criação de um espaço público democrático. Isso passa necessariamente pelo maior engajamento da sociedade e pela superação de interesses setoriais que, na maioria das vezes, frustra a construção e a defesa de interesse geral e a luta pela visibilidade de suas demandas. Enfim, o advento dos meios de comunicação de massa inaugurou uma nova arena para os debates públicos. Se até o início do século XIX o político falava para um público localizado no par espaço-tempo, por meio de um encontro face a face, com as novas mídias, essa audiência se tornou reduzida e constituída por um público de massa. Nesse novo contexto, a mídia passou a ocupar uma posição de destaque, isso porque se transferiu para os meios de comunicação a responsabilidade de tornar públicas as ações localizadas nos bastidores do poder. Entretanto, para a política figurar entre os itens que fazem parte da agenda dos media, foi necessário que ela adaptasse seu modo de operação ao discurso midiático, passando por um efeito de dramatização da política, segundo o autor Wilson Gomes.