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Saúde Mental Resumo
HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA 
Crenças Primitivas
-Pessoas com doenças mentais eram destituídas de alma e que a único maneira para que o bem-estar fosse alcançado seria o retorno da alma, espíritos sobrenaturais haviam entrado no corpo, a cura era o exorcismo.
-Havia pecado contra deus
Idade média 
Loucura como possessão diabólica feita por iniciativa própria ou apedido de alguma bruxa. Alojamento do diabo no corpo da pessoa, ou o demônio altera percepções e emoções da pessoa.
- Alguns foram para a fogueira
Doentes mentais severos ou violentos eram acorrentados, escorraçados, submetidos a jejuns prolongados sob a alegação de estarem possuídos pelo demônio.
HIPÓCRATES (400 a.c)
-Afastamento do sobrenatural. 
-irregularidade na interação dos quatro líquidos corporais –Sangue; Bile negra; Bile amarela e fleuma. humores. 
-tratamento por indução a vômitos e diarreia mediante substâncias catárticas potentes. 
- “os reformadores da Revolução Francesa delegaram a Phillipe Pinel (1745-1826), a tarefa era humanizar e dar sentido terapêutico aos hosp. Gerais. Mesmo com reformadores médicos bem intencionados, como Pinel, conseguiram amenizar as condições dos manicômios, porém, ainda não existiam tratamentos de rotina efetivos no começo do sec. XXI. 
- o isolamento era definido como algo terapêutico e indispensável. 
-Tratamento alienista/ cérebro em repouso, longe de distúrbios, vividez reprimida. 
-o internato torna-se medida médica. Pinel transforma o asilo em instancia perpétua de julgamento, o louco era vigiado, ridicularizado nos seus erros. Controle ético e não terapêutico. 
-Pinel volta os tratamentos do sec. XVII E XVIII – banho para refrescar os espíritos, injetar sangue fresco para remover a circulação perturbada. 
- ducha para punição, quando o louco cometia um erro. Não mais para refrescar ou acalmar. 
- a cura significava reinculcar-lhe sentimentos de dependência, humildade, culpa, reconhecimento que são a armadura moral da vida familiar. Meios para consegui-los: ameaça, castigo, privações alimentares, humilhações, tudo que infantilizava e culpabilizava o louco. 
- a loucura adquire status de doença mental, tornando-se objeto de um novo saber. 
BRASIL – PERÍODO COLONIAL 
- assistência medica e hospitalar dependiam das irmandades religiosas – santa casa de misericórdia, albergue para pobres, órfãos, inválidos e loucos. Eram amontoados em porões insalubres, sem assistência médica, entregues a guardas e carcereiros, seus delírios e agitações eram reprimidos por espancamentos e contenções. 
- 1567, fundado o hosp. Da santa casa de misericórdia no rio de janeiro. 
HOSP. NACIONAL DOS ALIENADOS – PRAIA VERMELHA 1842 
-A psiquiatria no Brasil, surge com a função de tomar para si a normatização social – transformar todos os excluídos da sociedades em normais. 
- 1830 – médicos alienistas – pressão para construção de um hospício para os alienados – celebrar a maioridade do monarca Pedro II – pressão da elite política e da elite médica – ideia da criação do hospício Pedro II, Rio de Janeiro, 1841. 
-1852 – conclusão da obra do hospital Pedro II (durou 10 anos) – administrado pela santa casa de misericórdia que era anexa ao hospital. 
-1887, Dr. João Carlos Teixeira Brandão, dispensou as irmãs de caridade, que eram responsáveis pelos serviços de enfermagem e pela administração interna do hospício, pois eram acusadas de colabora e acobertar os maus tratos causados pelos guardas aos doentes. 
-escola para formação de pessoal de enfermagem e capacitação dos guardas e serviçais do hospício para atividade profissional específica, ainda inexistente no país. A enfermagem psiquiátrica brasileira surgiu no hospício para, vigiar, controlar e reprimir. 
- as primeiras instituições psiquiátricas surgiram no Brasil em meio a um contexto de ameaça a à ordem e à paz social, objetivando a necessidade de tratamento segundo as teorias e técnicas já em pratica na Europa. (Indicação social: remoção e exclusão do elemento perturbador visando a segurança dos cidadãos. – indicação clínica: intenção de curá-los.) 
- divisão da psiquiatria empírica e psiquiatria científica, a laicização do asilo (retirada do caráter religioso) – posterior a proclamação da república. 
- sec. XX – “reforma” – insuficiência do asilo; produção das colônias agrícolas. 
- reforma psiquiatrica desde o sec. XIX. / Juliano Moreira (1872-1933) defensor das colônias agrícolas para alienados, doente mental deve ser tratado com o auxílio do trabalho, ideia disseminada no Brasil. 
HIDROTERAPIA: banho longo quente e/ou frio por imersão ou ducha. 
MALARIOTERAPIA: febre induzida pela inoculação do germe da malária, causando convulsão (Julius Wagner, 1917 em Viena.) 
INSULINOTERAPIA: aplicação de insulina em altas dosagens provocando convulsões – coma e sofrimento físico intenso para tratar esquizofrenia (Manfred, 1927, Berlim). 
- inicio do sec. XIX – ideias de Esquirol – médico contemporâneo de Pinel – espaço para isolar o louco – atividade psiquiátrica nasce no Brasil com internações dos doentes mentais. 
- no Brasil, a loucura é apropriada pelo saber médico, torna-se então alienação mental. Surge a necessidade de atuação terapêutica. 1881 vão ser criadas as cadeiras de clínicas das moléstias mentais das escolas médicas do Rio de Janeiro. 
- 1930 – estado novo- hospícios reformados e ampliados, centro de toda política mental. 1950 hospitais se tornam estaduais. 
HISTÓRIA DA ENFERMAGEM PSIQUIATRICA BRASILEIRA 
-1890- escola profissional de enfermeiros e enfermeiras, criada no hosp. Nacional dos alienados, com objetivo de formação de enfermeiros psiquiátricos para trabalhar nos hospícios. Onde surgiu a enfermagem psiquiátrica no 
Brasil. 
- o governo provisório da republica, manda buscar na França, enfermeiras leigas para organizar uma escola de enfermeiros no hospício nacional dos alienados. Foi a primeira tentativa de sistematização de ensino de enfermagem no Brasil. Escola francesa no sistema Nightingale. 
- era atributo da enfermagem realizar os cuidados direto com o doente mental, a manutenção da ordem no interior do espaço asilar, vigiar e disciplinar o doente que perdeu a razão, higienização do paciente, alimentação, adm. de medicamentos, aplicação de terapias de choque. 
- 1923 a enfermagem é iniciada fora dos hospitais, na área da saúde pública. Com o aumento da população urbana, deteriorização das condições de higiene e saneamento, proliferação de cortiços e favelas, foco e reservatórios de vetores de doenças infecciosas. 
-1949, lei 775, disciplina de enfermagem psiquiátrica obrigatória no curso de graduação. 
- período posterior a II guerra mundial –comunidades terapêuticas – relacionamento entre equipe terapêutica e pacientes – apontando para o processo de desinstitucionalização
Fim do séc. XIX – o Enfermeiro assistia o médico nos procedimentos psiquiátricos diários – necessidades físicas; Administravam-se como drogas sedativas – whisky, clorofórmio, paraldeído, banhos contínuos com imersão, duchas frias ou quentes. 
Brasil: 1890 - Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras – hoje Escola de Enfermagem Alfredo Pinto – RJ; Enfermeiro – papel custodial – executando o que era prescrito pelo médico; 1913 a Enfermagem Psiquiátrica foi introduzida no currículo de Enfermagem; 
REFORMA PSIQUIATRICA
Lei 10216 de 2001 – dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadores de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental; 
- Reforma Psiquiátrica: 
- Modelo hospitalocêntrico → Novo Modelo (Extra-muros). 
- - CAPS e Atenção Básica.
Primeiras propostas e ações para a reorientação da assistência: 
- II Congresso Nacional do MTSM (Bauru, SP), em 1987, adota o lema “Por uma sociedade sem manicômios. 
- I Conferência Nacional de Saúde Mental (Rio de Janeiro). 
- surgimento do primeiro CAPS no Brasil, na cidade de São Paulo, em 1987 
-Repercussão Nacional: processo de intervenção, em 1989, da Secretaria Municipal de Saúde de Santos (SP) em um hospital psiquiátrico,a Casa de Saúde Anchieta, local de maus-tratos e mortes de pacientes. a possibilidade de construção de uma rede de cuidados efetivamente substitutiva ao hospital psiquiátrico. 
-1989- entrada no Congresso Nacional o Projeto de Lei do deputado Paulo Delgado (PT/MG), que propõe a regulamentação dos direitos da pessoa com transtornos mentais e a extinção progressiva dos manicômios no país.
-É somente no ano de 2001, após 12 anos de tramitação no Congresso Nacional, que a Lei Paulo Delgado é sancionada no país. 
-O processo de desinstitucionalização de pessoas longamente internadas é impulsionado, com a criação do Programa “De Volta para Casa”. 
CONSOLIDAÇÃO COMO POLÍTICA OFICIAL DO GOVERNO FEDERAL 
Lei Federal 10.216 
Redireciona a assistência em saúde mental.
Tratamento em serviços de base comunitária. 
Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais.
Não institui mecanismos claros para a progressiva extinção dos manicômios
Impõe novo impulso e novo ritmo para o processo de Reforma Psiquiátrica no Brasil. 
Lei 10216 
São direitos da pessoa portadora de transtorno mental: 
I – ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades;
II – ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade;
III – ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração;
IV – ter garantia de sigilo nas informações prestadas;
V – ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária;
VI – ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis;
VII – receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento;
VIII – ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis;
IX – ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental 
Art. 6o A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos. Parágrafo único. São considerados os seguintes tipos de internação psiquiátrica:
I – internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário;
II – internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro;
III – internação compulsória: aquela determinada pela Justiça 
RAPS
COMPONENTES E PONTOS DE ATENÇÃO do RAPS
Na Atenção Básica • Unidade Básica de Saúde; • Núcleo de Apoio a Saúde da Família; • Consultório de Rua; • Apoio aos Serviços do componente Atenção 
Residencial de Caráter Transitório; • Centros de Convivência e Cultura. Atenção Psicossocial Estratégica • Centros de Atenção Psicossocial nas suas diferentes modalidades. 
Atenção de Urgência e Emergência • SAMU 192; • Sala de 
Estabilização; • UPA 24 horas e portas hospitalares de atenção à urgência /pronto socorro, Unidades Básicas de Saúde. 
Atenção Residencial de Caráter Transitório • Unidade de Acolhimento; • Serviço de Atenção em Regime Residencial. Atenção Hospitalar • Enfermaria especializada em hospital geral; • Serviço Hospitalar de Referência (SHR) para Atenção às pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas.
 Estratégia de Desinstitucionalização • Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT); • Programa de Volta para Casa (PVC). Estratégias de Reabilitação Psicossocial • Iniciativas de Geração de Trabalho e Renda; • Empreendimentos Solidários e Cooperativas 
Sociais. 
CAPS 
Possibilidade de organização de uma rede substitutiva ao Hospital Psiquiátrico no país.
Função dos CAPS prestar atendimento clínico em regime de atenção diária; 
Promover a inserção social das pessoas com transtornos mentais através de ações intersetoriais;
Regular a porta de entrada da rede de assistência em saúde mental na sua área de atuação e dar suporte à atenção à saúde mental na rede básica. 
TIPOS DE CAPS: 
CAPS l 
165 pac/mês – aut. Proc. De alto custo. Para municípios com 20mil e 70 mil habit. 
8h de func. 
Semi-intensivo 50 pac/mês. 
Não intensivo 90 pac/mês. 
Intensivo 25 pac/mês. 
CAPS I: 
Atende pessoas de todas as faixas etárias que apresentam prioritariamente intenso sofrimento psíquico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes, incluindo aqueles relacionados ao uso de substâncias psicoativas, e outras situações clínicas que impossibilitem estabelecer laços sociais e realizar projetos de vida. Indicado para municípios ou regiões de saúde com população acima de 15 mil habitantes. Equipe mínima: 1 médico com formação em saúde mental; 1 enfermeiro; 3 profissionais de nível universitário*, 4 profissionais de nível médio**.1 
CAPS II 
08h as 17h ou 18h ou até 21h. 
Municípios com população entre 70 mil e 200mil habit. 
CAPS II: 
Atende prioritariamente pessoas em intenso sofrimento psíquico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes, incluindo aqueles relacionados ao uso de substâncias psicoativas, e outras situações clínicas que impossibilitem estabelecer laços sociais e realizar projetos de vida. Indicado para municípios ou regiões de saúde com população acima de 70 mil habitantes. Equipe mínima: 1 médico psiquiatra; 1 enfermeiro com formação em saúde mental; 4 profissionais de nível superior*, 6 profissionais de nível médio**. 
CAPS AD II - 
Álcool e drogas 
População superior a 70mil. 
CAPS I CAPS II = características: a- responsabilizar-se, sob coordenação do gestor local, pela organização da demanda e da rede de cuidados em saúde mental no âmbito do seu território. 
CAPS III 
Acolhimento noturno 24hr. 
Para população acima de 200mil. 
Características: constituir-se em serviço ambulatorial de atenção contínua, durante 24hr. Diariamente, incluindo feriados e fds
CAPS III: 
Atende prioritariamente pessoas em intenso sofrimento psíquico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes, incluindo aqueles relacionados ao uso de substâncias psicoativas, e outras situações clínicas que impossibilitem estabelecer laços sociais e realizar projetos de vida. Proporciona serviços de atenção continua, com funcionamento 24 horas, incluindo feriados e finais de semana, ofertando retaguarda clínica e acolhimento noturno a outros serviços de saúde mental, inclusive CAPSad. Indicado para municípios ou regiões de saúde com população acima de 150 mil habitantes. Equipe mínima: 2 médicos psiquiatras; 1 enfermeiro com formação em saúde mental, 5 profissionais de nível universitário*, 8 profissionais de nível médio**. 
Para o período de acolhimento noturno, a equipe deve ser composta por: 3 técnicos/auxiliares de Enfermagem, sob supervisão do enfermeiro do serviço, 1 profissional de nível médio da área de apoio. Para as 12 horas diurnas, nos sábados, domingos e feriados, a equipe deve ser composta por: 1 profissional de nível universitário*, 3 técnicos/auxiliares de Enfermagem, sob supervisão do enfermeiro do serviço, 1 profissional de nível médio da área de apoio. 
CAPSi II 
Serviço infantil 
Cerca de 200 mil habit.
 CAPSi: 
Atende crianças e adolescentes que apresentam prioritariamente intenso sofrimento psíquico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes, incluindo aqueles relacionados ao uso de substâncias psicoativas, e outras situações clínicas que impossibilitem estabelecer laços sociais e realizar projetos de vida. Indicado para municípios ou regiões com população acima de 70 mil habitantes. Equipe mínima: 1 médico psiquiatra, ou neurologista ou pediatra com formação em saúde mental; 1 enfermeiro, 4 profissionais de nível superior***, 5 profissionais de nível médio**. 
REDUÇÃO DE LEITOS HOSPITALARES PELO 
AUMENTO DE TRATAMENTO ALTERNATIVOS 
RESIDÊNCIAS TERAPÊUTICAS 
- PROPOSTA DO MS 
- são casas localizadas no espaço urbano, constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas portadoras de transtornos mentais graves, egressas de hospitais psiquiátricos ou não reintegraçãona comunidade. 
Deve acolher, no máximo, oito moradores; Um cuidador é designado para apoiar os moradores nas tarefas, dilemas e conflitos cotidianos do morar, do coabitar e do circular na cidade, em busca da autonomia do usuário; Cada residência deve estar referenciada a um Centro de Atenção Psicossocial e operar junto à rede de atenção à saúde mental dentro da lógica do território. 
PROGRAMA DE VOLTA PARA CASA 
Um dos instrumentos mais efetivos para a reintegração social das pessoas com longo histórico de hospitalização
Criado pela lei federal 10.708, encaminhada pelo presidente Lula ao Congresso, sancionada em 2003.
Pagamento mensal De um auxílio-reabilitação, no valor de R$240,00 
Saúde Mental
Estado de bem estar em que o indivíduo reconhece suas próprias habilidades, pode lidar com seus estresses normais da vida, pode trabalhar de forma produtiva e frutífera, e é capaz de contribuir para a sua comunidade.
O que é Transtorno Mental? 
Entendem-se como Transtornos Mentais e Comportamentais as condições caracterizadas por alterações do modo de pensar e/ou do humor (emoções), e/ou por alterações do comportamento associadas à angústia expressiva e/ou deterioração do funcionamento psíquico global (OMS/ONU) 
Ambiente Terapêutico
Local adequado, tranquilo, limpo e arejado, que estimularia a promoção da saúde. Evitar ambiente desfavorável, como local sujo, úmido, escuro, dentre outros fatores ambientais que compromete a saúde do paciente. As atribuições do enfermeiro estão envolvidas principalmente, em colocar o indivíduo em um ambiente terapêutico adequado, onde a natureza tem um papel fundamental na sua recuperação.
Atitude Terapêutica: É o uso de condutas que contribuem para a recuperação do cliente.
Relacionamento interpessoal é um conceito do âmbito da sociologia e psicologia que significa uma relação entre duas ou mais pessoas. Este tipo de relacionamento é marcado pelo contexto onde ele está inserido, podendo ser um contexto familiar, escolar, de trabalho ou de comunidade.
Tipos de relações interpessoais 
• Relação social; • Relação íntima; • Relação terapêutica 
Peplau: Teoria das Relações Interpessoais em Enfermagem 
• O enfermeiro deve compreender claramente a si mesmo para cuidar do outro – RT enfermeiro - paciente; 
• Fases da RT: Orientação; Identificação; Exploração; Resolução; 
• Papéis do enfermeiro na RT: estranho, professor, líder, substituto etc
Relacionamento Terapêutico 
Estabelecer relações terapêuticas com os clientes é uma das habilidades mais importantes do enfermeiro. Embora seja importante em todas as especialidades de enfermagem, a relação terapêutica é essencialmente crucial para o sucesso de intervenções junto a clientes que precisam de cuidados psiquiátricos, pois a própria relação e a comunicação associada a ela embasam o tratamento e o êxito” (VIDEBECK, 2012) 
Componentes da relação terapêutica 
• Confiança; • Interesse genuíno; • Empatia; • Aceitação; • Consideração positiva; Auto percepção; • Uso terapêutico do self; 
Confiança 
• Cliente observa palavras e ações congruentes; 
• Demonstrar interesse, manter as promessas, ouvir o cliente, ser honesto; • A confiança é destruída quando o cliente observa inconsistências entre o que o enfermeiro disse. 
Exemplo: É dito ao cliente que o enfermeiro trabalhará com ele todas as sextas-feiras, às 10h da manhã, mas, na semana seguinte, ocorre uma conferência no mesmo horário e o enfermeiro não aparece. 
Interesse genuíno 
• Enfermeiro confortável consigo mesmo e autêntico; 
• O cliente percebe quando alguém está exibindo comportamento desonesto, artificial; 
Exemplo: O enfermeiro compartilha uma experiência de frustração com o atraso de um colega, porém não é útil compartilhar experiência de infidelidade ao parceiro. 
Empatia 
• Habilidade do enfermeiro de perceber sentidos e significados do cliente e comunicar-lhe essa compreensão; • Ser capaz de se colocar no lugar do outro não significa ter as mesmas experiências; • O enfermeiro imagina os sentimentos frente às experiências vividas; 
Aceitação 
• O enfermeiro não reage com irritação nem responde negativamente a explosões, raivas ou ações dos clientes; • Não aceita comportamentos inapropriados, mas o valor da pessoa; • 
Estabelece limites na relação com o cliente, de modo firme e claro. 
Exemplo: O cliente coloca a mão na cintura da enfermeira. 
Reação apropriada: “Sr. João, não coloque a mão em mim. Estamos trabalhando no esclarecimento da sua relação com a sua namorada, e não há necessidade de que você me toque. Vamos em frente. 
Reação inapropriada: “Sr. João, pare com isso! (Aos gritos) O que deu em você? Vou embora, talvez volte amanhã. 
Consideração positiva 
• Atitude de não julgamento incondicional; • Chamar o cliente pelo nome, ouvir e responder com sinceridade. 
Cliente: “Fiquei furioso, gritei e xinguei minha mãe por uma hora” 
Enfermeiro: 
1) “Não acredito que você fez isso!” 
2) “E o que aconteceu depois? 
Auto percepção 
• O enfermeiro precisa conhecer a si mesmo! 
• JANELA DE JOHARI 
Conhecido Pelo Eu Não conhecido pelo Eu. 
Conhecido pelos outros I ‘’ Eu Aberto’’ II ‘’Eu Cego’’ 
Não conhecido pelos outros III ‘’ Eu Secreto’’ IV ‘’Eu Desconhecido
Uso terapêutico do self 
• Com o desenvolvimento da auto percepção e o começo do entendimento das próprias atitudes, o enfermeiro pode começar a usar aspectos de sua personalidade, experiências, valores, sentimentos, inteligência, necessidades, habilidades de enfrentamento e percepções para estabelecer relações terapêuticas com os clientes. 
. 
Relacionamento Terapêutico 
• Enfocada nas necessidades, experiências, sentimentos e ideias apenas do cliente; • Contrato entre cliente e enfermeiro define as áreas a serem trabalhadas e avaliam o resultado; • O enfermeiro deve evitar que a relação com o cliente passe a ser mais social, focalizando, constantemente, as necessidades do cliente e não as próprias. 
Estabelecimento da relação terapêutica - Fases 
• Orientação; • Trabalho: identificação do problema e investigação; • Término. 
Fase de orientação 
• Começa no encontro com o cliente e termina quando este começa a identificar os problemas a serem examinados; • Enfermeiro estabelece papéis, objetivo do encontro e parâmetros dos encontros subsequentes; identifica os problemas do cliente e esclarece expectativas; • Enfermeiro deve ler previamente sobre o cliente, se auto avaliar em relação ao cliente; • Estabelecer confiança, criar ambiente terapêutico, estabelecer contrato com cliente; • Sigilo com responsabilidade; • Enfermeiro documenta os problemas do cliente com intervenções planejadas. 
Fase de Trabalho 
• Identificação do problema: o cliente identifica questões ou assuntos que causam problemas; 
• Investigação: o enfermeiro orienta o cliente a examinar sentimentos e reações e a desenvolver habilidades para lidar com eles, bem como estabelecer uma autoimagem mais positiva; 
• Manter a relação; • Reunir mais dados; • Explorar percepções da realidade; • Desenvolver mecanismos positivos para lidar com as situações; • Promover um autoconceito positivo; • 
Encorajar a verbalização de sentimentos; • Facilitar a mudança de comportamento; • Enfrentar a resistência; • Avaliar o progresso e redefinir objetivos, se apropriado; • Fornecer ao cliente oportunidade de praticar novos comportamentos; • Promover a independência. 
Fase de Término 
• Começa quando os problemas são resolvidos e termina com o fim da relação; • Atentar para o comportamento do cliente: perda, simulação, raiva etc. 
Comportamentos que impedem o Relacionamento Terapêutico 
• Limites inapropriados; • Sentimentos de simpatia e incentivos à dependência do cliente; • Não aceitação e atitude de evitar. 
Recursos terapêuticos 
• Estímulo para a descrição de experiências, pensamentos e sentimentos; 
• Oferecimento de apoio; 
• Promoção de um ambiente terapêutico. 
• A experiência do sofrimento e dotranstorno mental. 
• A descrição favorece o alívio da ansiedade, a busca de ajuda e a compreensão por parte de outras pessoas. 
• Competência do enfermeiro em comunicação humana e estratégias de comunicação terapêutica. 
Ambiente terapêutico 
• Promoção e recuperação da saúde mental em ambiente terapêutico e seguro, desenvolvido pela equipe de saúde de forma interdisciplinar, com o cliente e sua família. 
• Inclui pessoas, local, estrutura física e clima emocional. 
• Características: estrutura física e características sociointeracionais. 
Considerações finais 
• Destaca-se a importância da comunicação no desenvolvimento do processo de enfermagem e do relacionamento terapêutico; 
• Relacionamento terapêutico. 
• Quanto aos recursos terapêuticos, é prerrogativa dos enfermeiros a implementação e gerência, que devem ser planejados em equipe interdisciplinar. 
IMPASSES TERAPÊUTICOS: 
- RESISTÊNCIA: tentativa do paciente de não perceber os aspectos que geram ansiedade nele próprio. Resistência natural ou defesa. Má vontade do paciente de aceitar as mudanças. 
Ex.: conversa superficial, intensificação dos sintomas, desatenção nas consultas, atraso. 
- TRANSFERÊNCIA: resposta inconsciente em que o paciente experimenta sentimentos e atitudes pela enfermeira que estavam originalmente associados a figuras significativas na vida pregressa do paciente. Os dois princípios típicos são: reações hostis e as reações dependentes. 
- CONTRATRANSFERÊNCIA: é um impasse terapêutico criado pela enfermeira, e não pelo paciente. É a transferência aplicada à enfermeira. Pode se apresentar em 3 tipos: reação de amor e preocupação intensa, reações de hostilidade ou aversão intensa, reação de ansiedade intensa geralmente em resposta a um resistência do paciente. 
Ex.: dificuldade de criar empatia com o paciente em determinados aspectos do problema
Peplau identificou diversos papéis da enfermagem que são assumidos durante a relação terapêutica
1.Estranha: A enfermeira é um estranha para o cliente. O cliente também é um estranho para a enfermeira. 
-A aceitação do paciente como ele é;
-Tratar o paciente como um estranho emocionalmente capaz e se relacionando com ele nestas bases até que evidências demonstrem o contrário.
2.A Pessoa de Recursos: Aquele que proporciona informações necessárias, específicas, que auxiliam na compreensão de um problema ou de uma situação nova
3.A professora: Neste papel a enfermeira identifica as necessidades de aprendizado e fornece as informações necessárias para o cliente ou família afim de melhorar a situação do tratamento. 
4.Lider:Pessoa que realiza o processo de iniciação e de manutenção das metas de um grupo ou individual através da interação.
5.A substituta: No subconsciente, clientes geralmente percebem enfermeiras como símbolos de outros indivíduos. Elas podem ver a enfermeira como uma figura materna, um parente, um professor antigo ou outra enfermeira pela qual já tenha sido cuidado. 6.Conselheira: A enfermeira utiliza técnicas interpessoais para ajudar os clientes a aprender a se adaptar às dificuldades ou às mudanças das experiências de vida.
COMUNICAÇÃO NÃO TERAPÊUTICA 
• Pôr o paciente à prova • Comunicação unidirecional • Dupla mensagem •Desconfirmação 
• Bateria de perguntas • Frases estereotipadas ou frases feitas • Julgar o comportamento 
• Manter-se na defensiva • Não saber ouvir • Linguagem inacessível.
COMUNICAÇÃO TERAPÊUTICA 
• Consiste na habilidade do profissional em utilizar seu conhecimento sobre comunicação para ajudar a pessoa a enfrentar seus problemas, a conviver com as demais, a ajustar-se ao que não pode ser mudado e a enfrentar os bloqueios à auto realização. • Experiência de aprendizagem mútua e emocional corretiva para o paciente; • Auto realização, auto aceitação e incentivo de auto respeito genuíno; • Claro senso de identidade pessoal e um nível intensificado de integração pessoal. 
TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO TERAPÊUTICA 
• Grupo de Expressão - ajudam a descrição da experiência e a expressão de pensamentos e sentimentos. 
• Grupo de Clarificação - ajudam o esclarecimento do que foi expresso pelo cliente. 
• Grupo de Validação – permite a existência de significação comum do que é expresso. 
Grupo de Expressão 
• Ouvir reflexivamente • Usar terapeuticamente o silêncio • Verbalizar aceitação • Verbalizar interesse • Usar frases com sentido aberto ou reticentes • Repetir comentários ou últimas palavras ditas pelo paciente • Fazer perguntas• Devolver a pergunta feita • Usar frases descritivas • Permitir que o paciente escolha o assunto • Colocar em foco a ideia principal 
• Verbalizar dúvidas • Dizer não • Estimular a expressão de pensamentos adjacente • Usar terapeuticamente o humor. 
ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM NA PROPOSTA ATUAL DO ATENDIMENTO PSIQUIÁTRICO. 
- A prática contemporânea da enfermagem psiquiátrica ocorre em um contexto social e ambiental. Ela engloba as dimensões da competência clínica, defesa do paciente e da família, responsabilidade física, colaboração interdisciplinar, responsabilidade social e parâmetros ético-legais. 
- crise: distúrbio interno que resulta de um evento estressante ou de uma ameaça percebida a si próprio. É um estado de desequilíbrio e um aumento na ansiedade. A crise torna-se grande no momento do desajustamento, a fissura no sistema adaptativo do indivíduo. 
- caminha-se para um a enfermidade mental bem caracterizada pelo acúmulo de crises que deterioram o sistema de segurança individual pelo seu desgaste repetitivo. 
PAPEL DA ENFERMAGEM: 
- fazer avaliações biopsicossociais da saúde que sejam sensíveis à cultura; 
- idealizar e implementar planos de tratamento para pacientes e familiares com problemas complexos de saúde e condições patológicas; 
- participar em atividades de gerenciamento de caso, como organização, avaliação, negociação, coordenação e integração de serviços e benefícios para os indivíduos e as famílias. 
-fornece um mapa de cuidados de saúde para indivíduos, famílias e grupos a fim de encaminhá-los para os recursos comunitários de saúde mental, incluindo os profissionais e sistemas sociais mais adequados. 
-promover a saúde mental e controlar os efeitos da doença mental, através de ensino e aconselhamento. 
-fornece os cuidados para o paciente fisicamente doentes com problemas psicológicos e pacientes psiquiátricos com problemas físicos. 
Funções que compõem o papel do enfermeiro em saúde mental e psiquiátrica 
Criar e manter o ambiente terapêutico. 
Atuar como figura significativa. 
Educar cliente e familiares sobre saúde mental. 
Gerenciar o cuidado. 
Realizar a terapia do cotidiano (relações interpessoais) 
Atuar em equipe interdisciplinar. 
Participar e criar ações comunitárias para a saúde mental. 
Participar da elaboração de políticas de saúde mental.
Prevenção em saúde mental. 
Prevenção Primária A prevenção primária se refere a população saudável. Inclui promoção e manutenção da saúde e prevenção da doença. 
Prevenção Secundária Envolve o trabalho de detecção precoce e assistência imediata à pessoa em situação de crise ou com transtorno mental. 
Prevenção terciária Envolve a redução de incapacidades, se houver, os mecanismos de enfrentamentos de prejuízo sem decorrência de transtornos mentais e a reabilitação do cliente.

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