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Medicina - Letícia Ataíde ANATOMIA E FISIOLOGIA DO SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO Sêmen É o liquido ejaculado durante o ato sexual. Composto por espermatozoides (10%), líquidos da vesícula seminal (60%), líquido da próstata (30%), e pequenas quantidades de liquido das glândulas mucosas, especialmente as bulbouretrais. O liquido prostático dá ao sêmen uma aparência leitosa, e os líquidos das vesículas seminais e das glândulas mucosas dão ao sêmen o aspecto mucoso. Uma enzima coaguladora, do liquido prostático, também faz com que o fibrinogênio do liquido da vesícula seminal forme um coágulo fraco de fibrina que segura o sêmen nas regiões profundas da vagina onde se situa o colo uterino. Alguns minutos depois o coágulo é dissolvido pela ação da fibriolisina, formada a partir da pré- fribriolisina prostática. Ou seja, nos primeiros minutos após a ejaculação o esperma permanece imóvel, por causa da viscosidade do coágulo. À medida que o coágulo se dissolve, o espermatozoide torna-se altamente móvel. Vesículas seminais: A vesícula é tubo tortuoso revestido por um epitélio secretor, que secreta um material mucoso contendo frutose, ácido cítrico e outras substâncias nutritivas, assim como grandes quantidades de prostaglandinas e fibrinogênio. As prostaglandinas auxiliam na fertilização de duas maneiras: (1) reagindo com o muco cervical feminino, tornando-o mais receptivo ao espermatozoide. (2) possivelmente, induzindo contrações peristálticas reversas para trás, no útero e nas trompas de falópio., movendo os espermatozoides em direção ao ovário. Cada vesícula seminal esvazia seu conteúdo no ducto ejaculatório imediatamente após o canal deferente ter despejado os espermatozoides, aumentando consideravelmente o volume do sêmen. Assim, o liquido da vesícula compõe a maior parte do sêmen e serve para o arraste dos espermatozoides através do ducto ejaculatório e da uretra. Próstata Secreta um liquido fino, leitoso, contendo cálcio, íon citrato, íon fosfato, enzima de coagulação e uma pós-fribrinolisina. É ligeiramente alcalino, característica muito importante para fertilização, o que ajuda a neutralizar a acidez dos outros líquidos seminais durante a ejaculação, uma vez que o liquido do canal deferente é relativamente ácido auxiliando a inibir a fertilidade do sptz, além disso, as secreções vaginais femininas também são ácidas – com pH DE 3,5 a 4. Os espermatozoides não adquirem a mobilidade necessária até que o pH dos líquidos que o envolvem seja aproximadamente de 6 a 6,5. Saco escrotal, testículo e epidídimo O testículo é um órgão par (direito e esquerdo), situado numa bolsa músculo-cutânea, denominada saco escrotal que está localizada logo atrás do pênis, na região anterior do períneo. Cada testículo tem forma ovoide, com o grande eixo quase vertical, e ligeiramente achatado no sentido lateromedial, do que decorre apresentar duas faces, duas bordas e duas extremidades. As faces são lateral e medial, as bordas anterior e posterior e a extremidades superior e inferior. A borda posterior é ocupada de cima a baixo por uma formação cilíndrica, mais dilatada para cima, que o epidídimo. A metade superior da borda posterior do testículo representa propriamente o hilo do mesmo, recebendo a denominação especial de mediastino do testículo. É através do mediastino que o testículo se comunica propriamente com o epidídimo. O testículo é envolto por uma cápsula de natureza conjuntiva, branco-nacarada que se chama túnica albugínea, a qual envia para o interior do testículo delgado septos conhecidos como séptulos dos testículos, os quais subdividem-nos em lóbulos. Nos lóbulos dos testículos encontramos grande quantidade de finos longos e sinuosos ductos, de calibre quase capilar, que são denominados túbulos seminíferos contorcidos. É nesses túbulos seminíferos contorcidos que se formam os espermatozoides. Os túbulos seminíferos convergem para o mediastino do testículos e vão se anastomosando, constituindo túbulos seminíferos retos, os quais se entrecruzam formando uma verdadeira rede (de Haller) ao nível do mediastino. No mediastino, os túbulos seminíferos retos desembocam em dez a quinze dúctulos eferentes, que do testículo vão à cabeça do epidídimo. 80% de cada testículo compreende a cerca de 900 túbulos seminíferos que contém as células germinativas (espermatogônias), células de sertoli e espermatozoides em vários estágios de desevolvimento. Os outros 20% correspondem ao tecido conjuntivo de sustentação, contendo as células de Leyding, secretoras de testosterona, vasos sanguíneos e linfáticos. Os sptz são transferidos dos túbulos seminíferos – cada túbulo seminífero está ligado a uma membrana basal, em que estão situadas as células germinativas e as células de sertoli – através dos ductos denominados ductos retos, ao epidídimo, onde são armazenados. Dali são transferidos pelo ducto deferente ao ducto ejaculatório, para emissão. Células De Sertoli: entre elas podem ser vistos sptz em diversos estágios de desenvolvimento, sendo os mais maduros mais próximos da superfície luminal do túbulo. Enrtre as células de sertoli as junções estreitas fornecem uma barreira efetiva ao sangue, impedindo que os produtos do esperma cheguem a corrente sanguínea, o que provocaria uma resposta imune. O seu citoplasma também Medicina - Letícia Ataíde filtra efetivamente qw substâncias circulantes, impedindo-as de atingir as células ali em desenvolvimento. Células intersticiais ou de Leyding: síntese hormonal da testosterona. Elas são praticamente inexistentes durante a infância, época em que os testículos quase não secretam testosterona, porém elas são numerosas no recém-nascido nos primeiros meses e vida e no homem adulto após a puberdade. Caso o epitélio germinativo seja destruído por raios X ou calor excessivo, essas células não são facilmente destruídas, e geralmente continuam a produzir testosterona. Epidídimo: Estende-se longitudinalmente na borda posterior do testículo. Ele apresenta uma dilatação superior que ultrapassa o pólo superior do testículo, que é denominada cabeça; um seguimento intermediário que é o corpo e inferiormente, uma porção mais estreitada, que é a cauda do epidídimo. Na cabeça do epidídimo, os ductos eferentes dos testículos continuam por ductos novamente muito tortuosos que em seguida vão se anastomosando sucessivamente para constituir um único tubo que é o ducto do epidídimo. Este ducto é tão sinuoso que ocupa um espaço de aproximadamente dois centímetros de comprimento, quando na realidade ele tem seis metros de extensão. Inferiormente, a cauda do epidídimo, tendo no interior o ducto do epidídimo, encurva-se em ângulo agudo para trás e para cima, dando seguimento ao ducto deferente. É justamente nessa curva constituída pela cauda do epidídimo e inicio do ducto deferente que ficam armazenados os espermatozoides até o momento do ato sexual, em que são levados para o exterior. A primeira porção do ducto deferente é mais ou menos sinuosa e ascende imediatamente por trás do epidídimo. Tanto o testículo como o epidídimo e a primeira porção do ducto deferente são diretamente envoltos por uma membrana serosa que é a túnica vaginal. Assim como a pleura ou o pericárdio, a túnica vaginal apresenta um folheto que envolve diretamente aqueles órgãos, sendo denominado lâmina visceral. Posteriormente aos órgãos supracitados, a lâmina visceral da túnica vaginal se reflete de cada lado, para se continuar com a lâmina vaginal. Entre a lâmina visceral e a lâmina parietal da túnica vaginal, permanece um espaço virtual denominado cavidade vaginal. A cavidade vaginal contém uma pequena quantidade de líquido que facilita o deslizamento entre as duas lâminas. Saco escrotal: O escroto é uma bolsa músculo-cutânea onde estão contidos os testículos, epidídimo e a primeira porção dos ductos deferentes. Cada conjunto desses órgãos (direito e esquerdo) ocupa compartimento completamente separados, uma vez que o escroto é subdividido em duas lojas por um tabique sagital mediano denominado septo do escroto. Superficialmente esse septo corresponde a uma rafe cutânea (linha rugosa mediana), bem evidente. O escroto é constituído por camadas de tecido diferentes que se estratificam da periferia para a profundidade, nos sete planos seguintes: Cútis: é a pele, fina enrugada que apresenta pregas transversais e com pelos esparsos. Na linha mediana encontramos a rafe do escroto. Túnica dartos: constitui um verdadeiro músculo cutâneo, formado por fibras musculares lisas. Tela subcutânea: é constituída por tecido conjuntivo frouxo. Fáscia espermática externa: é uma lâmina conjuntiva que provem das duas fáscias de envoltório do músculo oblíquo externo do abdome, que desce do ânulo inguinal superficial para entrar na constituição do escroto. Fáscia cremastérica: representado por uma delgada lâmina conjuntiva que prende inúmeros feixes de fibras musculares estriados de direção vertical. No conjunto, essas fibras musculares constituem o músculo cremáster e derivam das fibras do músculo oblíquo interno do abdome. Fáscia espermática interna: lâmina conjuntiva que deriva da fáscia transversal. Túnica vaginal: serosa cujo folheto parietal representa a camada mais profunda do escroto, enquanto o folheto visceral envolve o testículo, epidídimo e inicio do ducto deferente. Glândula bulbouretral São duas formações pequenas, arredondadas e algo lobuladas, de coloração amarela e tamanho de uma ervilha. Estão próximas do bulbo e envolvidas por fibras transversas do esfíncter uretral. Localizam-se inferiormente a próstata e drenam suas secreções (Mucosa) para a parte esponjosa da uretra. Sua secreção é semelhante ao muco, entra na uretra durante a excitação sexual. Constituem 5% do líquido seminal. Durante a excitação sexual, as glândulas bulbouretrais secretam uma substância alcalina que protege os espermatozoides e também secretam muco, que lubrifica a extremidade do pênis e o revestimento da uretra, diminuindo a quantidade de espermatozoides danificados durante a ejaculação. Ducto deferente O ducto deferente é um longo e fino tubo par, de paredes espessas, o que permite identifica-lo facilmente pela palpação, por se apresentar como um cordão uniforme, liso e duro, o que o distingue dos elementos que o cercam, que são de consistência muito branca. Medicina - Letícia Ataíde Funículo espermático: conjunto de estruturas anatômicas e seus envoltórios relacionados ao testículo, os quais atravessam o canal inguinal. O funículo espermático esquerdo é mais longo, o que significa que o testículo esquerdo permanece em nível mais baixo que o direito. É constituído por artérias, veias, linfáticos, nervos (ramo genital do nervo genitofemoral) e ducto deferente. Artéria Testicular - caminha entre as malhas do plexo anterior. Artéria do Ducto Deferente Artéria Cremastérica As veias formam dois plexos um anterior e outro posterior em relação ao ducto deferente – o plexo venoso anterior é o mais volumoso (pampiniforme). Próximo à sua terminação o ducto deferente apresenta uma dilatação que recebe o nome de ampola do ducto deferente. Ducto ejaculatório É um fino tubo, que inicia nos ductos deferentes, penetram pela face posterior da próstata, atravessando seu parênquima, e abrem-se um em cada pequeno orifício, de cada lado, no colículo seminal da uretra prostática. Cada indivíduo do sexo masculino tem 2 destes vasos Estruturalmente o ducto ejaculatório assim como a vesícula seminal, tem a mesma constituição do ducto deferente, apresentando três túnicas concêntricas: adventícia, muscular e mucosa. Para a emissão, em que os espermatozoides são depositados na uretra prostática, onde há a mistura dos componentes do sêmen, seguida da ejaculação. Durante a ejaculação, o sémen é expulso da uretra prostática pela contração rítmica da musculatura perineal, que o impele pelo restante da uretra em direção à extremidade do pénis. Pênis É o órgão erétil e copulador masculino. Ele é representado por uma formação cilindroide que se prende à região mais anterior do períneo, e cuja extremidade livre é arredondada. O pênis, portanto, poderia ser subdividido em Raiz, Corpo e Glande. O tecido que tem a capacidade de se encher e esvaziar de sangue forma três cilindros, dos quais dois são pares (direito e esquerdo) e se situam paralelamente, por cima (considerando-se o pênis em posição horizontal ou semi-ereto) e o terceiro é ímpar e mediano, e situa-se longitudinalmente, por baixo dos dois precedentes. Os dois cilindros superiores recebem o nome de Corpos Cavernosos do pênis e o inferior, de Corpo Esponjoso do pênis. Os corpos cavernosos do pênis iniciam-se posteriormente, por extremidades afiladas que se acoplam medialmente, aos ramos inferiores da pube, recebendo o nome de ramos dos corpos cavernosos. Cada ramo do corpo cavernoso é envolto longitudinalmente pelas fibras do músculo isquiocavernoso do mesmo lado, que o fixa ao respectivo ramo inferior da pube, constituindo a raiz do pênis. Para frente, o bulbo continua com o corpo esponjoso, o qual vai se afinando paulatinamente e se aloja no sulco mediano formado e inferiormente pelos dois corpos cavernosos. No plano frontal em que os corpos cavernosos terminam anteriormente, o corpo esponjoso apresenta uma dilatação cônica, cujo nome é descentrado, isto é, o centro do mesmo não corresponde ao grande eixo do corpo esponjoso; dilatação essa denominada glande. O rebordo que contorna a base da glande recebe o nome de coroa da glande.No ápice da glande encontramos um orifício, que é o óstio externo da uretra. Nesse óstio vem se abrir a uretra esponjosa, que percorre longitudinalmente o centro do corpo esponjoso, desde a face superior do bulbo do pênis, onde a mesma penetra. Na união da glande com o restante do corpo do pênis, forma-se um estrangulamento denominado colo Envolvendo a parte livre do pênis encontramos uma cútis fina e deslizante, conhecida por Prepúcio. Medicina - Letícia Ataíde GAMETOGÊNESE 1. Espermatogênese Ao longo do desenvolvimento embrionário, as células germinativas primordiais migram para o testículo, onde elas se tornam espermatogônias. Na puberdade (geralmente entre 12 e 14 anos), as espermatogônias proliferam rapidamente por divisões mitóticas. Algumas iniciam a meiose para tornarem-se espermatócitos primários e continuam através da divisão meiótica I, tornando-se espermatócitos secundários. Após o término da divisão meiótica II, os espermatócitos secundários produzem as espermátides, que se diferenciam formando os espermatozoides. Ao nascimento, ac células germinativas do homem podem ser reconhecidas nos cordões sexuais dos testículos como células grandes e claras, circundadas por células de sustentação – derivam do epitélio germinativo da gonada, da mesma maneira que as células folicurares tornam-se células de sustentação ou de Sertoli. Imediatamente após a puberdade os cordões sexuais adquirem uma luz e tornam-se túbulos seminíferos, aproximadamente, na mesma ocasião, as células germinativas dão origem às espermatogônias. A espermatogênese ocorre nos túbulos seminíferos durante a vida sexual ativa – após o ínicio do processo no organismo torna-se contínuo durante a vida – como resultado da estimulação pelos hormônios gonadotrópicos da glândula hipófise anterior, começando, aproximadamente,aos 13 anos de idade e continuando pela maior parte do restante da vida, mas se reduzindo acentuadamente na velhice. No primeiro estágio da espermatogênese, as espermatogônias migram entre as células de Sertoli em direção ao lúmen central dos túbulos seminíferos. As células de Sertoli são grandes, com envoltório citoplasmático exuberante que envolve a espermatogônia em desenvolvimento, durante todo o trajeto até o lúmen central do túbulo. A espermatogônia que cruza a barreira até a camada das células de Sertoli é progressivamente modificada e alargada, para formar os grandes espermatócitos primários. Cada um deles, por sua vez, passa por divisão meiótica para formar dois espermatócitos secundários. Poucos dias depois, estes também se dividem formando espermátides que são, eventualmente, modificadas transformando-se em espermatozoides. Obs: espermiogênese: extensas alterações estruturais que acontecem em cada espermátide para produzir um espermatozoide, dentre elas: (a) a formação do acrossomo – irá cobrir a superfície nuclear e contem enzimas digestivas; (b) condensação do núcleo – contém um número haploide; (c) formação da cauda; (d) eliminação de parte do citoplasma – corpúsculos residuais. Após a espermiogênese, os sptz são liberados na lúmen dos túbulos seminíferos por um processo de espermiação – daí viajam ao epidídimo por 24h, quando ocorre a maturação subsequente dos sptz, envolvendo a perda do seu citoplasma e o ganho de motilidade. (Pode-se dizer que essa etapa diferencia para preparar à fertilização, mas sozinha não completa esse preparo!) Durante as transformações do estágio de espermatócitos para o de espermátides, os 46 cromossomos (23 pares de cromossomos) do espermatócito se dividem, e então 23 cromossomos vão para uma espermátide e os outros 23 para a outra espermátide. Os genes cromossômicos também se dividem e, assim, somente metade das características genéticas do possível feto é fornecida pelo pai, enquanto a outra metade provém do oócito fornecido pela mãe. Todo o período de espermatogênese, da espermatogônia ao espermatozóide, dura, aproximadamente, 74 dias – ou 64 dias. 2. Estocagem do Espermatozoide no Epidídimo O espermatozoide requer muitos dias para passar pelo túbulo do epidídimo, com 6 metros de comprimento, após sua formação nos túbulos seminíferos. O espermatozoide retirado dos túbulos seminíferos e das porções iniciais do epidídimo não é móvel e não pode fertilizar o óvulo. Entretanto, após o espermatozoide permanecer no epidídimo por 18 a 24 horas, ele desenvolve a capacidade da mobilidade, embora muitas proteínas inibitórias no líquido epididimário ainda impeçam a mobilidade final, até depois da ejaculação. Os dois testículos do adulto humano formam até 120 milhões de espermatozoides por dia. Desses, pequena quantidade pode ser estocada no epidídimo, mas a maioria é estocada no canal deferente. Eles podem permanecer armazenados, mantendo sua fertilidade, por pelo menos 1 mês. Durante esse tempo, eles são mantidos no estado inativo, profundamente reprimido por múltiplas substâncias inibitórias presentes nas secreções dos ductos. Por sua vez, com alto nível de atividade sexual e de ejaculações, a armazenagem pode durar por menos de alguns dias. Após a ejaculação, os espermatozoides ficam móveis e também capazes de fertilizar o óvulo, processo chamado de maturação. As células de Sertoli e o epitélio do epidídimo secretam líquido nutriente especial que é ejaculado junto com o espermatozoide. Esse líquido contém hormônios (incluindo testosterona e estrogênio), enzimas e nutrientes especiais essenciais para a maturação dos espermatozoides. 3. Fisiologia Do Espermatozoide Maduro Os espermatozoides normais móveis e férteis são capazes de apresentar movimentos flagelares em meio líquido com velocidades de 1 a 4 mm/min. A atividade do espermatozoide é muito aumentada em meio neutro ou ligeiramente alcalino, como o existente no sêmen ejaculado, mas é muito deprimida em meio ligeiramente ácido. Meio fortemente ácido pode causar a morte rápida do espermatozoide. A atividade do espermatozoide aumenta muito com a elevação da temperatura, mas isso também aumenta sua atividade metabólica, fazendo com que a sua vida se encurte consideravelmente. Embora o espermatozoide possa viver por muitas semanas no estado reprimido nos duetos genitais dos testículos, a expectativa de vida do espermatozoide ejaculado, no trato genital feminino, é somente de 1 a 2 dias. Medicina - Letícia Ataíde Espermatozoides anormais inférteis, comparados com um espermatozoide normal à direita. Cada espermatozoide é composto pela cabeça e pela cauda. Na cabeça se encontra o núcleo condensado da célula, com apenas a membrana plasmática e camada citoplasmática delgada, envolvendo sua superfície. Na parte externa dos dois terços anteriores da cabeça, se encontra o capuz espesso, chamado de acrossomo formado principalmente pelo aparelho de Golgi. Este contém várias enzimas semelhantes às encontradas nos lisossomos de célula típica, incluindo a hialuronidase (que pode digerir filamentos de proteoglicanos dos tecidos) e potentes enzimas proteolíticas (que podem digerir proteínas). Essas enzimas têm papel importante, possibilitando que o esperma entre no óvulo e o fertilize. A cauda do espermatozoide, chamada de flagelo, tem três componentes principais: (1) o esqueleto central, constituído por 11 microtúbulos, chamados coletivamente de axonema —cuja estrutura é semelhante à dos cílios encontrados na superfície de outros tipos de células; (2) membrana celular fina recobrindo o axonema; e (3) o conjunto de mitocôndrias envolvendo o axonema na porção proximal da cauda (chamada de corpo da cauda ou peça intermediária da cauda). O movimento de vaivém da cauda (movimento flagelar) permite a mobilidade do sptz. Esse movimento é consequência do deslocamento rítmico longitudinal entre os túbulos anterior e posterior que compõem o axonema. A energia para esse processo é fornecida como ATP, sintetizado pelas mitocôndrias no corpo da cauda. O sptz normal se move em meio líquido com velocidade de 1 a 4 mm/min. Isso faz com que ele se mova, através do trato genital feminino, em busca do óvulo. Axonema: Feixe de microtúbulos e proteínas associadas que formam o cerne de cílios e flagelos em uma célula eucariótica, responsável pelos seus movimentos. 4. Regulação da espermatogênese O LH – da hipófise anterior - estimula as células intertisciais (de Leydig) a secretar testosterona, a qual, então, se difunde através da membrana basal aos túbulos seminíferos. (prolactina e inibina facilitam a estimulação dessas células pelo LH) A Testosterona, que é convertida na maior parte em diidrotestosterona, é essencial para o crescimento e a divisão da espermatogônia – sendo essencial também para as etapas finais da espermatogênese. Ela também estimula a a formação de receptores de FSH nas células de Sertoli. Uma vez formados os receptores, as células de Sertoli serão estimuladas pelo FSH, para que a sua função seja dar apoio à espermatogênese, incluindo as mitoses inicias e a espermiogênese (sem essa estimulação esse processo de conversão das espermátides em espermatozóides não ocorre). O FHS e a testosterona estimulam a síntese de uma proteína ligadora de androgênios (ABP) que transporta os estrogênios e a testosterona ao liquido tubular seminífero, para dar suporte a espermatogênese. O FHS também estimula as células de sertoli a converter testosterona em Estrogênio, que parece ser necessário a espermiogênese. O Hormônio Do Crescimento finalmente age, ajudado a fornecer a base metabólica estável para a função testicular normal. E, mais especificamente, promove a divisãomitótica precoce da espermatogônia. Em sua ausência, como no caso dos anões hipofisários, a espermatogênese é severamente deficiente ou ausente, causando, assim, infertilidade Fatores De Crescimento como inibina e ativina também são sintetizados nas células de Sertoli, e possuem um papel endócrino na regulação da secreção de gonadotrofina pela hipófise anterior. A Ocitocina – produzida pelas células de Leydig – demonstrou estimular a motilidade de ambos os túbulos seminíferos e do epidídimo. 5.Espermatogênese Anormal O epitélio dos túbulos seminíferos pode ser destruído por várias doenças. Por exemplo, a orquitebilateral (inflamação) dos testículos, resultante de caxumba,causa esterilidade em alguns homens afetados. Alguns meninos também nascem com o epitélio tubular degenerado, em consequência da constrição dos duetos genitais ou de outras anormalidades. Finalmente, outra causa da esterilidade, geralmente temporária, é a temperatura excessiva dos testículos. Efeito do Número de Espermatozoides sobre a Fertilidade. A quantidade usual de sêmen ejaculado durante cada coito é de aproximadamente 3,5 mililitros, e em cada mililitro de sêmen existe, em média, 120 milhões de espermatozoides, embora mesmo nos homens ―normais‖, esse número possa variar de 35 a 200 milhões. Isso significa que, em média, um total de 400 milhões de espermatozoides é geralmente presente em cada ejaculação. Quando o número de espermatozoides em cada mililitro cai abaixo de 20 milhões, é provável que o indivíduo seja infértil. Assim, embora um só espermatozoide seja suficiente para fertilizar o óvulo por motivos desconhecidos, a ejaculação deve conter quantidade enorme de espermatozoides, para somente um deles fertilizar o óvulo. Efeito da Morfologia dos Espermatozoides e da Motilidade sobre a Fertilidade. Às vezes, o homem tem quantidade normal de espermatozoides, mas, mesmo assim, é infértil. Quando isso ocorre, algumas vezes se encontram anormalidades físicas em metade dos espermatozoides, como duas cabeças, cabeças com formas anormais ou caudas anormais. Outras vezes, os espermatozoides parecem ser estruturalmente normais, mas por motivos desconhecidos, eles não são móveis ou só são relativamente móveis. Sempre que a maioria dos espermatozoides é morfologicamente anormal ou não apresenta motilidade, é provável que a pessoa seja infértil, embora o restante dos espermatozoides pareça ser normal. Efeito da Temperatura sobre a Espermatogênese. O aumento da temperatura dos testículos pode impedir a espermatogênese, por causar degeneração da maioria das células dos túbulos seminíferos, além das espermatogônias. Tem-se afirmado que a razão para que os testículos estejam localizados no saco escrotal é para manter a temperatura dessas glândulas abaixo da temperatura interna do corpo embora, geralmente, ela seja de apenas 2°C abaixo da temperatura interna. Nos dias frios, os reflexos escrotais fazem com que a musculatura do saco escrotal se contraia, puxando os testículos para perto do corpo para manter esse diferencial de 2°C. Assim, o saco escrotal atua como mecanismo de resfriamento para os testículos (mas, resfriamento controlado), sem o Medicina - Letícia Ataíde qual a espermatogênese poderia ser deficiente durante o clima quente. 6. Ato Sexual Masculino Integração do Ato Sexual Masculino na Medula Espinal. Embora os fatores psíquicos geralmente tenham papel importante no ato sexual masculino, podendo iniciá-lo ou inibi-lo, a função cerebral provavelmente não é necessária para a sua realização, uma vez que a estimulação genital apropriada pode provocar a ejaculação em alguns animais, e, às vezes, em humanos, mesmo após suas medulas espinais terem sido seccionadas acima da região lombar. O ato sexual masculino resulta de mecanismos reflexos inerentes integrados na medula espinal sacral e lombar, e esses mecanismos podem ser iniciados por estimulação psíquica proveniente do cérebro, ou da estimulação sexual real dos órgãos sexuais, mas geralmente, é combinação de ambas. Estágios do Ato Sexual Masculino Lubrificação: É Função Parassimpática. Os impulsos parassimpáticos durante a estimulação sexual, além de promover a ereção, induzem a secreção mucosa pelas glândulas uretrais e bulbouretrais. Esse muco flui pela uretra, auxiliando a lubrificação durante a relação sexual. No entanto, a maior parte da lubrificação do coito é fornecida pelos órgãos sexuais femininos, muito mais do que pelos masculinos. Sem lubrificação satisfatória, o ato sexual masculino dificilmente é satisfatório porque o intercurso não lubrificado produz sensações dolorosas e irritativas que inibem as sensações de excitação sexual, em vez de excitá-las. Emissão e Ejaculação: São Funções dos Nervos Simpáticos. A emissão e a ejaculação são o clímax do ato sexual masculino. Quando o estímulo sexual fica extremamente intenso, os centros reflexos da medula espinal começam a emitir impulsos simpáticos que deixam a medula, pelos níveis T-12 a L-2, e passam para os órgãos genitais por meio dos plexos nervosos simpáticos hipogástrico e pélvico, iniciando a emissão precursora da ejaculação. A emissão começa com a contração do canal deferente e da ampola promovendo a expulsão dos espermatozoides para a uretra interna. As contrações da camada muscular da próstata, seguidas pela contração das vesículas seminais, então expelem os líquidos prostático e seminal também para a uretra, forçando os espermatozoides para a frente. Todos esses líquidos se misturam na uretra interna com o muco já secretado pelas glândulas bulbouretrais, formando o sêmen. O processo até esse ponto é chamado de emissão. O enchimento da uretra interna com sêmen provoca sinais sensoriais que são transmitidos pelos nervos pudendos para as regiões sacrais da medula espinal, dando a sensação de plenitude súbita nos órgãos genitais internos. Além disso, esses sinais sensoriais promovem as contrações rítmicas dos órgãos genitais internos e contrações dos músculos isquiocavernoso e bulbocavernoso, que comprimem as bases do tecido erétil peniano. Esses efeitos associados induzem aumentos rítmicos e ondulatórios da pressão do tecido erétil do pênis, dos duetos genitais e da uretra, que ―ejaculam‖ o sêmen da uretra para o exterior. Esse processo final é chamado de ejaculação. Ao mesmo tempo, contrações rítmicas dos músculos pélvicos, e mesmo de alguns músculos do tronco, causam movimentos de propulsão da pélvis e do pênis, que também auxiliam a propelir o sêmen para os recessos mais profundos da vagina e, talvez, mesmo levemente, para o colo do útero. Esse período todo de emissão e ejaculação é chamado de orgasmo masculino. No final, a excitação sexual masculina desaparece quase inteiramente, em 1 a 2 minutos e a ereção cessa, processo chamado de resolução. 7. “Capacitação” dos Espermatozoides Embora os espermatozoides sejam considerados ―maduros‖ quando deixam o epidídimo, sua atividade é mantida sob controle por múltiplos fatores inibitórios secretados pelo epitélio do dueto genital. Portanto, quando lançados inicialmente no sêmen, eles são incapazes de fertilizar o óvulo. No entanto, ao entrar em contato com os líquidos do trato genital feminino, ocorrem múltiplas mudanças que ativam o espermatozoide para os processos finais de fertilização. Essas alterações conjuntas são chamadas de capacitação do espermatozoide que, normalmente, requerem de 1 a 10 horas. Acredita-se que algumas mudanças que ocorrem são as seguintes: a) Os líquidos das trompas de Falópio e do útero eliminam os vários fatores inibitórios que suprimem a atividade dos espermatozoides nos duetos genitais masculinos. b) Enquanto os espermatozoides permanecem no líquido dosduetos genitais masculinos, eles estão continuamente expostos a muitas vesículas flutuantes dos túbulos seminíferos, que contêm grande quantidade de colesterol, o qual é continuamente adicionado à membrana celular que cobre o acrossomo do espermatozoide, fortalecendo essa membrana e impedindo a liberação de suas enzimas. Após a ejaculação, os espermatozoides depositados na vagina se movem para cima na cavidade uterina, afastando-se das vesículas de colesterol e, assim, gradualmente perdem, nas próximas horas, a maior parte do excesso de colesterol. Por isso, a membrana da cabeça dos espermatozoides (o acrossomo) fica muito mais fraca. c) A membrana dos espermatozoides fica também muito mais permeável aos íons cálcio, e, assim, o cálcio agora entra no espermatozoide em abundância, mudando a atividade do flagelo, dando a ele um potente movimento de chicote, ao contrário de seu movimento prévio ondulante e fraco. Além disso, os íons cálcio causam alterações na membrana celular que cobre a ponta do acrossomo, tornando possível a liberação rápida e fácil das enzimas pelo acrossomo, à medida que os espermatozoides penetram a massa de células granulosas que envolvem o óvulo e, mais ainda, quando ele tenta penetrar a zona pelúcida do próprio óvulo. Assim, alterações múltiplas ocorrem durante o processo de capacitação. Sem elas, o espermatozoide não pode seguir seu percurso para o interior do óvulo, causando a fertilização. 8. Enzimas do Acrossomo, "Reação do Acrossomo" e Penetração do Óvulo Grande quantidade de enzimas proteolíticas e de hialuronidase estão armazenadas no acrossomo do espermatozoide. A hialuronidase despolimeriza os polímeros do ácido hialurônico no cimento intercelular, que mantém juntas as células granulosas ovarianas. As enzimas proteolíticas digerem as proteínas nos elementos estruturais das células teciduais, que ainda aderem ao óvulo. Quando o óvulo é expelido do folículo ovariano para a trompa de Falópio, ele ainda carrega múltiplas camadas de células granulosas. O esperma deve dissolver essas camadas de células granulosas, antes de fertilizar o óvulo e, então, deve penetrar através do revestimento espesso do óvulo a zona pelúcida. Para que isso ocorra, as enzimas estocadas no acrossomo começam a ser liberadas. Quando o espermatozoide atinge a zona pelúcida do óvulo, a membrana anterior do espermatozoide se liga especificamente às proteínas receptoras na zona pelúcida. Em seguida, todo o acrossomo se dissolve rapidamente, e todas as enzimas acrossômicas são liberadas. Em alguns minutos, essas enzimas Medicina - Letícia Ataíde abrem uma via de penetração para a passagem da cabeça do espermatozoide através da zona pelúcida, para dentro do óvulo. Em 30 minutos, as membranas celulares da cabeça do espermatozoide e do oócito se fundem, formando uma só célula. Ao mesmo tempo, os materiais genéticos do espermatozóide e do oócito se combinam para formar genoma celular completamente novo, contendo as mesmas quantidades de cromossomos e genes do pai e da mãe. Esse é o processo de fertilização, o embrião então começa a se desenvolver. Por Que Somente um Espermatozóide Penetra o Oócito? Com a enorme quantidade de espermatozoides, por que somente um penetra o oócito? A razão não é completamente entendida, mas alguns minutos após o espermatozoide ter penetrado a zona pelúcida do óvulo, os íons cálcio se difundem através da membrana do oócito e provocam a liberação, por exocitose, de vários grânulos corticais do oócito, para o espaço perivitelínico. Esses grânulos contêm substâncias que permeiam todas as regiões da zona pelúcida e impedem a ligação de espermatozoide adicional, fazendo com que qualquer espermatozoide que tenha começado a se ligar se solte. Assim, quase nunca ocorre a entrada de mais de um espermatozoide no oócito, durante a fertilização. Medicina - Letícia Ataíde ANATOMIA E FISIOLOGIA DO SISTEMA REPRODUTOR FEMININO Os órgãos internos estão no interior da pelve e consistem dos ovários, tubas uterinas ou ovidutos, útero e vagina. Os órgãos externos são superficiais ao diafragma urogenital e acham-se abaixo do arco púbico. Compreendem o monte do púbis, os lábios maiores e menores do pudendo, o clitóris, o bulbo do vestíbulo e as glândulas vestibulares maiores. Estas estruturas formam a vulva ou pudendo feminino. As glândulas mamárias também são consideradas parte do sistema genital feminino. Ovários O ovário é um órgão par comparável a uma amêndoa com aproximadamente 3 cm de comprimento, 2 cm de largura e 1,5 cm de espessura. Ele está situado por trás do ligamento largo do útero e logo abaixo da tuba uterina, sendo que seu grande eixo se coloca paralelamente a esta. Em virtude do 1/3 distal da tuba uterina normalmente estar voltada para baixo, o ovário toma uma posição vertical, com uma extremidade dirigida para cima e outra para baixo. Na puberdade os ovários começam a secretar os hormônios sexuais, estrógeno e progesterona. As células dos folículos maduros secretam estrógeno, enquanto o corpo lúteo produz grandes quantidades de progesterona e pouco estrógeno. Esses hormônios transformam a ―menina‖ em ―mulher‖. Tuba uterina Possui duas Funções: 1) Transportar o óvulo do ovário ao útero; 2) Local onde ocorre a fertilização do óvulo pelo espermatozoide. É um tubo par que se implanta de cada lado no ângulo latero- superior do útero, e se projeta lateralmente, representando os ramos horizontais do tubo – irregular quanto ao calibre, ele vai se dilatando à medida que se afasta do útero, apresentando aproximadamente 10 cm de comprimento., abrindo-se distalmente por um verdadeiro funil de borda franjada. A tuba uterina divide-se em 4 regiões, que no sentido médio- lateral são: PARTE UTERINA, ISTMO, AMPOLA E INFUNDÍBULO. A PARTE UTERINA é a porção intramural, isto é, constitui o segmento do tubo que se situa na parede do útero. No início desta porção da tuba, encontramos um orifício denominado óstio uterino da tuba, que estabelece sua comunicação com a cavidade uterina. A ISTMO é a porção menos calibrosa, situada junto ao útero. A AMPOLA é considerada o local onde normalmente se processa a fecundação do óvulo pelo espermatozoide. O INFUNDÍBULO é a porção mais distal da tuba, que pode ser comparado a um funil cuja boca apresenta um rebordo muito irregular, tomando o aspecto de franjas, que têm o nome de fímbrias da tuba. O infundíbulo abre-se livremente na cavidade do peritôneo por intermédio de um forame conhecido por óstio abdominal da tuba uterina. Comumente o infundíbulo se ajusta sobre o ovário, e as fimbrias poderiam ser comparadas grosseiramente aos dedos de uma mão que segurasse por cima, uma laranja. Estruturalmente a tuba uterina é constituída por quatro camadas concêntricas de tecidos que são, da periferia para a profundidade, a túnica serosa, tela subserosa, túnica muscular e túnica mucosa. A túnica muscular, representada por fibras musculares lisas, permite movimentos peristálticos à tuba, auxiliando a migração do óvulo em direção ao útero. A túnica mucosa é formada por células ciliadas e apresenta numerosas pregas paralelas longitudinais, denominadas pregas tubais. Vagina É o órgão copulador da mulher. Superiormente a vagina se comporta como um tubo cilíndrico para envolver a porção vaginal da cérvix uterina, e inferiormente ela se achata transversalmente para coincidir com o pudendo feminino, num orifício denominado óstio da vagina, que na mulher virgem, é obturado parcialmente por um diafragma mucoso, denominado hímen. A vagina apresenta duas paredes, uma anterior e outra posterior, as quais permanecem acoladas na maior parte de sua extensão, representando uma cavidade virtual. Todasuperfície mucosa é pregueada transversalmente, pregas essas conhecidas por rugas vaginais. GLÂNDULAS VESTIBULARES MAIORES São duas pequenas formações (0,5 cm de diâmetro cada) situadas de um e de outro lado do orifício vaginal, em contato com a extremidade posterior de cada massa lateral do bulbo do vestíbulo. São arredondadas ou ovais e parcialmente sobrepostas posteriormente pelos bulbos do vestíbulo. Secretam uma substância rica em muco, que umedece e lubrifica o vestíbulo. Útero Medicina - Letícia Ataíde O útero é um órgão oco, impar e mediano, em forma de uma pera invertida, achatada na sentido antero-posterior, que emerge do centro do períneo, para o interior da cavidade pelvina. Ao nível do corpo do útero, a mucosa se apresenta lisa, ao passo que na cérvix é muito pregueada, cujas pregas lembram as folhas de palma e por isso são chamadas de pregas espalmadas. O útero está situado entre a bexiga urinaria, que está para frente, e o reto, que está para trás. As paredes do útero são constituídas por camadas concêntricas, que da periferia para a profundidade, são as túnicas serosas ou perimétrio, tela subserosa, túnica muscular ou miométrio e túnica mucosa ou endométrio. O Perimétrio é representado pelo peritoneu visceral que recobre tanto a parte visceral como a intestinal do órgão ao nível das bordas laterais do mesmo, os dois folhetos expandem-se lateralmente para constituir os Ligamentos Largos do Útero. O Miométrio é formado por uma espessa camada de fibras musculares lisas que se distribuem, da periferia para a profundidade, em 3 planos: longitudinal, plexiforme e circular. O Endométrio forra toda a cavidade uterina. O endométrio papel muito importante por ocasião da gravidez. A Tela Subserosa é representada por uma fina camada de tecido conjuntivo quer se interpõem entre a túnica serosa e a túnica muscular. OVULOGÊNESE – CRESCIMENTO DO FOLÍCULO OVARIANO A ovogênese é a sequência de eventos, pelos quais as ovogônias são transformadas em ovócitos maduros. Esse processo de maturação inicia-se antes do nascimento e é completado depois da puberdade. continuando-se até a menopausa – a cessação permanente da menstruação (sangramento associado aos ciclos menstruais). Maturação Pré-natal dos Ovócitos Durante a vida fetal inicial, a superfície externa do ovário é coberta pelo epitélio germinativo, que embriologicamente é derivado do epitélio das cristas germinativas. As ovogônias proliferam-se por divisão mitótica e crescem para formar os ovócitos primários antes do nascimento; por essa razão, não se observa nenhuma ovogônia nas meninas. Tão logo o ovócito primário se forma, as células fusiformes do estroma ovariano (o tecido de suporte do ovário), se reúnem em torno do ovócito e formam uma única camada de células epiteliais foliculares, achatadas que são então as chamadas células da granulosa. O ovócito primário circundado por essa camada de células constitui um folículo primordial. O ovócito primário é logo envolvido por uma camada de material glicoprotéico acelular e amorfo — a zona pelúcida. Os ovócitos primários iniciam a primeira divisão meiótica antes do nascimento, mas a prófase não se completa até a adolescência. Acredita-se que as células foliculares que circundam o ovócito primário secretem uma substância conhecida como inibidor da maturação do ovócito, que age mantendo estacionado no estágio de prófase da divisão meiótica. Obs. A medida que o ovócito primário cresce durante a puberdade, as células foliculares epiteliais se tornam cubóides, e depois colunares, formando um folículo primário. Maturação Pós-natal dos Ovócitos Após o nascimento, não se forma mais nenhum ovócito primário, o que contrasta com a contínua produção de espermatócitos primários no homem. Os ovócitos primários permanecem em repouso nos folículos ovarianos até a puberdade. Geralmente um folículo amadurece a cada mês, e ocorre a ovulação, exceto quando são usados contraceptivos orais. A duração prolongada da primeira divisão meiótica (até 45 anos) pode ser responsável, em parte, pela alta frequência de erros meióticos, tais como a não-disjunção (falha na separação dos cromossomos pareados), que ocorre com o aumento da idade materna. Os ovócitos primários em prófase suspensa (dictióteno) são vulneráveis aos agentes ambientais como a radiação. Com início na puberdade, quando FSH e LH da hipófise anterior começam a ser secretados em quantidades significativas, os Medicina - Letícia Ataíde ovários,em conjunto com alguns dos folículos em seu interior, começam a crescer. O primeiro estágio de crescimento folicular é o aumento moderado do próprio óvulo, cujo diâmetro aumenta por duas a três vezes. Então segue-se o crescimento de outras camadas das células da granulosa em alguns dos folículos, conhecidos como folículos primários. Durante os primeiros dias de cada ciclo sexual mensal feminino, as concentrações de FSH e de LH, secretados pela hipófise anterior, aumentam de leve a moderadamente e o aumento do FSH é ligeiramente maior do que o de LH e o precede em alguns dias. Esses hormônios, especialmente o FSH, causam o crescimento acelerado de seis a 12 folículos primários por mês. O efeito inicial é a rápida proliferação das células da granulosa, levando ao aparecimento de muitas outras camadas dessas células. Além disso, as células fusiformes derivadas do interstício ovariano, agrupam-se em diversas camadas por fora das células da granulosa, levando ao aparecimento de segunda massa de células, denominadas teca, que se dividem em duas camadas. Na teca interna, as células adquirem características epitelioides semelhantes às das células da granulosa e desenvolvem a capacidade de secretar mais hormônios sexuais esteroides (estrogênio e progesterona). A camada externa, a teca externa, se desenvolve formando a cápsula de tecido conjuntivo muito vascular, que passa a ser a cápsula do folículo em desenvolvimento. Depois da fase proliferativa inicial do crescimento que dura alguns dias, a massa de células da granulosa secreta o líquido folicular que contém concentração elevada de estrogênio, um dos hormônios sexuais femininos mais importantes. O acúmulo desse líquido leva ao aparecimento do antro dentro da massa de células da granulosa. O crescimento inicial do folículo primário até o estágio antral (folículo secundário) só é estimulado, principalmente, pelo FSH. Então, ocorre crescimento muito acelerado, levando a folículos ainda maiores, denominados folículos vesiculares. Esse crescimento acelerado é causado pelos seguintes fatores: (1) o estrogênio é secretado no folículo e faz com que as células da granulosa formem quantidades cada vez maiores de receptores de FSH, o que leva a efeito de feedback positivo, já que torna as células da granulosa ainda mais sensíveis ao FSH. (2) O FSH hipofisário e os estrogênios se combinam para promover receptores de LH nas células originais da granulosa, permitindo, assim, que ocorra a estimulação pelo LH além da estimulação do FSH, e provocando aumento ainda mais rápido na secreção folicular. (3) A maior quantidade de estrogênio na secreção folicular mais a grande quantidade de LH da hipófise anterior agem em conjunto, causando a proliferação das células teçais foliculares e aumentando também a sua secreção. Quando os folículos antrais ou folículo secundário começam a crescer, seu crescimento ocorre de modo quase explosivo. O próprio diâmetro do óvulo aumenta também por mais de três a quatro vezes, representando aumento total do diâmetro do óvulo de até 10 vezes, ou aumento de sua massa da ordem de 1.000 vezes. Enquanto o folículo aumenta, o óvulo permanece incrustado na massa de células da granulosa localizadaem um polo do folículo. Após 1 semana ou mais de crescimento —mas antes de ocorrer a ovulação —um dos folículos começa a crescer mais do que os outros; os outros cinco a 11 folículos em desenvolvimento involuem (processo denominado atresia) e diz-se então que esses folículos ficam atrésicos. Não se sabe qual a causa da atresia, mas já foi sugerida a seguinte hipótese: as grandes quantidades de estrogênio do folículo em crescimento mais rápido agem no hipotálamo, deprimindo a secreção mais intensa de FSH pela hipófise anterior, bloqueando, dessa forma, o crescimento posterior dos folículos menos bem desenvolvidos. Portanto, o folículo maior continua a crescer por causa de seus efeitos de feedback positivo intrínsecos, enquanto todos os outros folículos param de crescer e, efetivamente, involuem. Esse processo de atresia é importante, pois normalmente permite que apenas um dos folículos cresça o suficiente todos os meses para ovular o que, em termos gerais, evita que mais de uma criança se desenvolva em cada gravidez. O folículo único atinge diâmetro de 1 a 1,5 centímetro na época da ovulação, quando é denominado folículo maduro. Com a maturação do folículo, o ovócito primário aumenta de tamanho e, imediatamente antes da ovulação, completa a primeira divisão meiótica para dar origem a um ovócito secundário e ao primeiro corpo polar. Entretanto, diferentemente do estágio correspondente na espermatogênese, a divisão do citoplasma é desigual. O ovócito secundário recebe quase todo o citoplasma e o primeiro corpo polar recebe muito pouco. O corpo polar é uma célula pequena, não-funcional, que logo degenera. Na ovulação, o núcleo do ovócito secundário inicia a segunda divisão meiótica, mas progride apenas até a metáfase, quando, então, a divisão é interrompida. Se um espermatozoide penetra o ovócito secundário, a segunda divisão meiótica é completada e a maior parte do citoplasma é novamente mantida em uma célula, o ovócito fecundado. A outra célula, o segundo corpo polar, uma célula também pequena e não-funcional, logo degenera. Assim que o segundo corpo polar é extrudido, a maturação do ovócito se termina. Existem cerca de dois milhões de ovócitos primários nos ovários de uma menina recém-nascida, mas muitos regridem durante a infância, de modo que na adolescência não mais que 40.000 permanecem. Destes, somente cerca de 400 tornam-se ovócitos secundários e são expelidos na ovulação durante o período reprodutivo. Poucos desses ovócitos, se algum, tornam-se maduros. O número de ovócitos que ovulam é bastante reduzido nas mulheres que tomam pílulas contraceptivas porque os hormônios contidos nas pílulas impedem a ovulação. Transporte do Ovócito Na ovulação, o ovócito secundário é expelido do folículo ovariano com o fluido folicular que escapa. Durante a ovulação, as extremidades fimbriadas da tuba uterina aproximam-se intimamente do ovário. As expansões digitiformes da tuba — as fimbrias — movem-se para frente e para trás sobre o ovário. A ação de varredura das fimbrias e a corrente de fluido produzida pelos cílios das células da mucosa das fimbrias "varrem" o ovócito secundário para o infundíbulo afunilado da tuba. O ovócito passa para a ampola da tuba principalmente como resultado da peristalse — os movimentos alternados de contração e relaxamento da parede da tuba — em direção ao útero. Ovulação A ovulação na mulher que tem ciclo sexual de 28 dias se dá 14 dias depois do início da menstruação. Um pouco antes de ovular, a parede externa protuberante do folículo incha rapidamente e a pequena área no centro da cápsula folicular, denominada estigma, projeta-se como um bico. Em 30 minutos ou mais, o líquido começa a vazar do folículo através do estigma, e cerca de 2 minutos depois o estigma se rompe inteiramente, permitindo que líquido mais viscoso, que ocupava a porção central do folículo, seja lançado para fora. O líquido viscoso carrega consigo o óvulo cercado por massa de milhares de pequenas células da granulosa, denominada coroa radiada. O LH é necessário para o crescimento folicular final e para a ovulação. Sem esse hormônio, até mesmo quando grandes quantidades de FSH estão disponíveis, o folículo não progredirá ao estágio de ovulação. Cerca de 2 dias antes da ovulação (por motivos que ainda não estão totalmente entendidos, mas que serão discutidos em mais Medicina - Letícia Ataíde detalhes adiante no capítulo), a secreção de LH pela hipófise anterior aumenta bastante, por seis a 10 vezes e com pico em torno de 16 horas antes da ovulação. O FSH também aumenta por cerca de duas a três vezes ao mesmo tempo, e FSH e LH agem sinergicamente causando a rápida dilatação do folículo, durante os últimos dias antes da ovulação. O LH tem ainda efeito específico nas células da granulosa e teçais, convertendo-as, principalmente, em células secretoras de progesterona. Portanto, a secreção de estrogênio começa a cair cerca de 1 dia antes da ovulação, enquanto quantidades cada vez maiores de progesterona começam a ser secretadas. É nesse ambiente de (1) crescimento rápido do folículo, (2) menor secreção de estrogênio após fase prolongada de sua secreção excessiva e (3) início da secreção de progesterona que ocorre a ovulação. Sem o pico pré-ovulatório inicial do LH, a ovulação não ocorreria. Essa grande quantidade de LH secretado pela hipófise anterior causa rápida secreção dos hormônios esteroides foliculares, contendo progesterona. Dentro de algumas horas ocorrem dois eventos, ambos necessários para a ovulação: (1) a teca externa (a cápsula do folículo) começa a liberar enzimas proteolíticas dos lisossomos, o que causa a dissolução da parede capsular do folículo e o consequente enfraquecimento da parede, resultando em mais dilatação do folículo e degeneração do estigma. (2) Simultaneamente, ocorreu rápido crescimento de novos vasos sanguíneos na parede folicular e, ao mesmo tempo, são secretadas prostaglandinas (hormônios locais que causam vasodilatação) nos tecidos foliculares. Esses dois efeitos promovem transudação de plasma para o folículo, contribuindo para sua dilatação. Por fim, a combinação da dilatação folicular e da degeneração simultânea do estigma faz com que o folículo se rompa, liberando o óvulo. Corpo Lúteo – Fase “Lútea” do Ciclo Ovariano Durante as primeiras horas depois da expulsão do óvulo do folículo, as células da granulosa e teçais internas remanescentes se transformam rapidamente, para células lute-ínicas.Elas aumentam em diâmetro por duas a três vezes e ficam repletas de inclusões lipídicas que lhes dão aparência amarelada. Esse processo é chamado de luteiniza-ção,e a massa total de células é denominada corpo lúteo, que é mostrado na Figura 81-4. Suprimento vascular bem desenvolvido também cresce no corpo lúteo. As células da granulosano corpo lúteo desenvolvem vastos retículos endoplasmáticos lisos intracelulares, que formam grandes quantidades dos hormônios sexuais femininos progesterona e estrogênio(mais progesterona do que estrogênio durante a fase lútea). As células teçais formam basicamente os androgênios androstenediona e testosterona, em vez dos hormônios sexuais femininos. Entretanto, a maioria desses hormônios também é convertida pela enzima aromatase nas células da granulosa em estrogênios, os hormônios femininos. O corpo lúteo cresce normalmente até cerca de 1,5 centímetro em diâmetro, atingindo esse estágio de desenvolvimento 7 a 8 dias após a ovulação. Então ele começa a involuir e efetivamente, perde suas funções secretórias, bem como sua característica lipídica amarelada, cerca de 12 dias depois da ovulação, passando a ser o corpus albicans que, durante as semanas subsequentes, é substituído por tecido conjuntivo e absorvido aolongo de meses. Função Luteinizante do LH. A alteração das células da granulosa e teçais internas em células luteínicas depende essencialmente do LH secretado pela hipófise anterior. Na verdade, é a função que dá nome ao LH —―luteinizante‖, significado de ―amarelado‖. A luteinização também depende da extrusão do óvulo do folículo. Um hormônio local, ainda não caracterizado no líquido folicular, denominado fator inibidor da luteinização,parece controlar o processo de luteinização até depois da ovulação. O corpo lúteo é órgão muito secretor, produzindo grande quantidade de progesteronae estrogênio.Uma vez que o LH (principalmente o secretado durante o pico ovulatório) tenha agido nas células da granulosa e teçais, causando a luteinização, as células luteínicas recém-for-madas parecem estar programadas para seguir a sequência pré-ordenada de (1) proliferação, (2) aumento e (3) secreção seguida por (4) degeneração. Tudo isso ocorre em aproximadamente 12 dias. Outro hormônio com quase as mesmas propriedades do LH, a gonado-tropina coriônicasecretada pela placenta, pode agir no corpo lúteo prolongando sua vida — geralmente durante, pelo menos, os primeiros 2 a 4 meses de gestação. Involução do Corpo Lúteo e Início do Próximo Ciclo Ovariano. O estrogênio, em especial, e a progesterona, em menor extensão, secretados pelo corpo lúteo durante a fase luteínica do ciclo ovariano, têm potentes efeitos de feedbackna hipófise anterior, mantendo inten-sidades secretórias reduzidas de FSH e de LH. Além disso, as células luteínicas secretam pequenas quantidades do hormônio inibina,a mesma inibina secretada pelas células de Sertoli nos testículos masculinos. Esse hormônio inibe a secreção pela hipófise anterior, especialmente a secreção de FSH. O resultado são concentrações sanguíneas reduzidas de FSH e de LH, e a perda desses hormônios, por fim, faz com que o corpo lúteo se degenere completamente, processo denominado involuçãodo corpo lúteo. A involução final normalmente se dá ao final de quase 12 diasexatos da vida do corpo lúteo, em torno do 269dia do ciclo sexual feminino normal, 2 dias antes de começar a menstruação. Nessa época, a parada súbita de secreção de estrogênio, progesterona e inibina pelo corpo lúteo remove a inibição por feedback da hipófise anterior, permitindo que ela comece a secretar novamente quantidades cada vez maiores de FSH e LH. O FSH e o LH dão início ao crescimento de novos folículos, começando novo ciclo ovariano. A escassez de progesterona e estrogênio, nesse momento, também leva à menstruação uterina. Ciclo Endometrial Mensal Associado à produção cíclica mensal de estrogênios e progesterona pelos ovários, temos um ciclo endometrial no revestimento do útero, que opera através dos seguintes estágios: (1) proliferação do endométrio uterino; (2) desenvolvimento de alterações secretórias no endométrio; e (3) descamação do endométrio que conhecemos como menstruação. Fase Proliferativa (Fase Estrogênica) do Ciclo Endometrial, Ocorrendo Antes da Ovulação. No início de cada ciclo mensal, grande parte do endométrio descamou pela menstruação. Após a menstruação, resta apenas pequena camada de estroma endometrial, e as únicas células epiteliais restantes são as localizadas nas porções remanescentes profundas das glândulas e criptas do endométrio. Sob a influência dos estrogênios secretados em grande quantidade pelo ovário, durante a primeira parte do ciclo ovariano mensal, as células do estroma e as células epiteliais proliferam rapidamente. A superfície endometrial é reepitelizada 4 a 7 dias após o início da menstruação. Em seguida, durante a próxima semana e meia antes de ocorrer a ovulação, a espessura do endométrio aumenta bastante, devido ao crescente número de células estromais e ao crescimento progressivo das glândulas endometriais e novos vasos sanguíneos no endométrio. Na época da ovulação, o endométrio tem 3 a 5 milímetros de espessura. As glândulas endometriais, especialmente as da região cervical, secretam um muco fino e pegajoso. Os filamentos de muco efetivamente se alinham ao longo da extensão do canal cervical, formando canais que ajudam a guiar o espermatozóide na direção correta da vagina até o útero. Medicina - Letícia Ataíde Fase Secretora (Fase Progestacional) do Ciclo Endometrial Ocorrendo Após a Ovulação. Durante grande parte da última metade do ciclo mensal, depois de ter ocorrido a ovulação, progesterona e estrogênio são secretados em grande quantidade pelo corpo lúteo. Os estrogênios causam leve proliferação celular adicional do endométrio durante essa fase do ciclo, enquanto a progesterona causa inchaço e desenvolvimento secretório acentuados do endométrio. As glândulas aumentam em tortuosidade; excesso de substâncias secretórias se acumula nas células epiteliais glandulares. Além disso, o citoplasma das células estromais aumenta; depósitos de lipídios e glicogênio aumentam bastante nas células estromais; e o aporte sanguíneo ao endométrio aumenta ainda mais, em proporção ao desenvolvimento da atividade secretora e os vasos sanguíneos ficam muito tortuosos. No pico da fase secretória, cerca de 1 semana depois da ovulação, o endométrio tem espessura de 5 a 6 milímetros. A finalidade geral dessas mudanças endometriais é a de produzir endométrio muito secretor, que contenha grande quantidade de nutrientes armazenados, para prover condições apropriadas para a implantação do óvulo fertilizado durante a última metade do ciclo mensal. A partir do momento em que o óvulo fertilizado chega à cavidade uterina, vindo da trompa de Falópio (o que ocorre 3 a 4 dias depois da ovulação), até o momento em que o óvulo se implanta (7 a 9 dias depois da ovulação), as secreções uterinas, chamadas de ―leite uterino‖ proporcionam nutrição para o óvulo em suas divisões iniciais. Em seguida, quando o óvulo se implanta no endométrio, as células trofoblásticas na superfície do ovo implantado (no estágio de blastocisto), começam a digerir o endométrio e a absorver as substâncias endometriais armazenadas, disponibilizando, assim, grande quantidade de nutrientes para o embrião recém-implantado. Menstruação Se o óvulo não for fertilizado, cerca de 2 dias antes do final do ciclo mensal, o corpo lúteo no ovário subitamente involui e a secreção dos hormônios ovarianos (estrogênio e progesterona) diminui. Segue-se a menstruação. A menstruação é causada pela redução de estrogênio e progesterona, especialmente da progesterona, no final do ciclo ovariano mensal. O primeiro efeito é a menor estimulação das células endometriais por esses dois hormônios, seguida rapidamente pela involução do próprio endométrio, para cerca de 65% da sua espessura prévia. Em seguida, durante as 24 horas que precedem o surgimento da menstruação, os vasos sanguíneos tortuosos que levam às camadas mucosas do endométrio ficam vasoespásticos, supostamente devido a algum efeito da involução, como a liberação de material vasoconstritor — possivelmente um dos tipos vasoconstritores das prostaglandinas, presentes em abundância nessa época. O vasoespasmo, a diminuição dos nutrientes ao endométrio e a perda de estimulação hormonal desencadeiam necrose no endométrio, especialmente dos vasos sanguíneos. Consequentemente, o sangue primeiro penetra a camada vascular do endométrio, e as áreas hemorrágicas crescem rapidamente durante período de 24 a 36 horas. Gradativamente, as camadas externas necróticas do endométrio se separam do útero em locais de hemorragia, até que cerca de 48 horas depois de surgir a menstruação todas as camadas superficiais do endométrio tenham descarnado. A massa de tecido descarnado e de sangue na cavidade uterina mais os efeitos contráteis das prostaglandinas ou de outrassubstâncias no descarnado em degeneração agem em conjunto, dando início a contrações que expelem os conteúdos uterinos. Durante a menstruação normal, aproximadamente 40 mililitros de sangue e mais 35 mililitros de líquido seroso são eliminados. O líquido menstruai normalmente não se coagula porque uma fibrinolisina é liberada em conjunto com o material endometrial necrótico. Se houver sangramento excessivo da superfície uterina, a quantidade de fibrinolisina pode não ser suficiente para evitar a coagulação. A presença de coágulos durante a menstruação, muitas vezes representa evidência clínica de patologia uterina. Quatro a 7 dias após o início da menstruação, a perda de sangue para, porque nesse momento, o endométrio já se reepitalizou. Leucorreia: Durante a menstruação, enorme quantidade de leucócitos é liberada em conjunto com o material necrótico e o sangue. É provável que alguma substância liberada pela necrose endometrial cause tal eliminação de leucócitos. Como resultado desses leucócitos e possivelmente, de outros fatores, o útero é muito resistente a infecções durante a menstruação, muito embora as superfícies endometriais estejam desprotegidas. Trata-se de evento extremamente protetor.