Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Medicina - Letícia Ataíde 
ANATOMIA E FISIOLOGIA DO SISTEMA REPRODUTOR 
MASCULINO 
Sêmen 
É o liquido ejaculado durante o ato sexual. Composto por 
espermatozoides (10%), líquidos da vesícula seminal (60%), líquido 
da próstata (30%), e pequenas quantidades de liquido das glândulas 
mucosas, especialmente as bulbouretrais. 
O liquido prostático dá ao sêmen uma aparência leitosa, e os 
líquidos das vesículas seminais e das glândulas mucosas dão ao 
sêmen o aspecto mucoso. 
Uma enzima coaguladora, do liquido prostático, também faz 
com que o fibrinogênio do liquido da vesícula seminal forme um 
coágulo fraco de fibrina que segura o sêmen nas regiões profundas 
da vagina onde se situa o colo uterino. Alguns minutos depois o 
coágulo é dissolvido pela ação da fibriolisina, formada a partir da pré-
fribriolisina prostática. Ou seja, nos primeiros minutos após a 
ejaculação o esperma permanece imóvel, por causa da viscosidade 
do coágulo. À medida que o coágulo se dissolve, o espermatozoide 
torna-se altamente móvel. 
Vesículas seminais: 
A vesícula é tubo tortuoso revestido por um epitélio secretor, que 
secreta um material mucoso contendo frutose, ácido cítrico e outras 
substâncias nutritivas, assim como grandes quantidades de 
prostaglandinas e fibrinogênio. 
 As prostaglandinas auxiliam na fertilização de duas 
maneiras: (1) reagindo com o muco cervical feminino, tornando-o 
mais receptivo ao espermatozoide. (2) possivelmente, induzindo 
contrações peristálticas reversas para trás, no útero e nas trompas de 
falópio., movendo os espermatozoides em direção ao ovário. 
Cada vesícula seminal esvazia seu conteúdo no ducto 
ejaculatório imediatamente após o canal deferente ter despejado os 
espermatozoides, aumentando consideravelmente o volume do 
sêmen. Assim, o liquido da vesícula compõe a maior parte do sêmen 
e serve para o arraste dos espermatozoides através do ducto 
ejaculatório e da uretra. 
Próstata 
Secreta um liquido fino, leitoso, contendo cálcio, íon citrato, 
íon fosfato, enzima de coagulação e uma pós-fribrinolisina. É 
ligeiramente alcalino, característica muito importante para fertilização, 
o que ajuda a neutralizar a acidez dos outros líquidos seminais 
durante a ejaculação, uma vez que o liquido do canal deferente é 
relativamente ácido auxiliando a inibir a fertilidade do sptz, além 
disso, as secreções vaginais femininas também são ácidas – com pH 
DE 3,5 a 4. Os espermatozoides não adquirem a mobilidade 
necessária até que o pH dos líquidos que o envolvem seja 
aproximadamente de 6 a 6,5. 
 
 
Saco escrotal, testículo e epidídimo 
O testículo é um órgão par (direito e esquerdo), situado numa 
bolsa músculo-cutânea, denominada saco escrotal que está 
localizada logo atrás do pênis, na região anterior do períneo. Cada 
testículo tem forma ovoide, com o grande eixo quase vertical, e 
ligeiramente achatado no sentido lateromedial, do que decorre 
apresentar duas faces, duas bordas e duas extremidades. 
As faces são lateral e medial, as bordas anterior e posterior e 
a extremidades superior e inferior. A borda posterior é ocupada de 
cima a baixo por uma formação cilíndrica, mais dilatada para cima, 
que o epidídimo. A metade superior da borda posterior do testículo 
representa propriamente o hilo do mesmo, recebendo a denominação 
especial de mediastino do testículo. É através do mediastino que o 
testículo se comunica propriamente com o epidídimo. 
O testículo é envolto por uma cápsula de natureza conjuntiva, 
branco-nacarada que se chama túnica albugínea, a qual envia para o 
interior do testículo delgado septos conhecidos como séptulos dos 
testículos, os quais subdividem-nos em lóbulos. 
Nos lóbulos dos testículos encontramos grande quantidade 
de finos longos e sinuosos ductos, de calibre quase capilar, que são 
denominados túbulos seminíferos contorcidos. É nesses túbulos 
seminíferos contorcidos que se formam os espermatozoides. 
Os túbulos seminíferos convergem para o mediastino do 
testículos e vão se anastomosando, constituindo túbulos seminíferos 
retos, os quais se entrecruzam formando uma verdadeira rede (de 
Haller) ao nível do mediastino. No mediastino, os túbulos seminíferos 
retos desembocam em dez a quinze dúctulos eferentes, que do 
testículo vão à cabeça do epidídimo. 
 80% de cada testículo compreende a cerca de 900 túbulos 
seminíferos que contém as células germinativas 
(espermatogônias), células de sertoli e espermatozoides 
em vários estágios de desevolvimento. Os outros 20% 
correspondem ao tecido conjuntivo de sustentação, 
contendo as células de Leyding, secretoras de 
testosterona, vasos sanguíneos e linfáticos. 
 Os sptz são transferidos dos túbulos seminíferos – cada 
túbulo seminífero está ligado a uma membrana basal, em 
que estão situadas as células germinativas e as células de 
sertoli – através dos ductos denominados ductos retos, ao 
epidídimo, onde são armazenados. Dali são transferidos 
pelo ducto deferente ao ducto ejaculatório, para emissão. 
 Células De Sertoli: entre elas podem ser vistos sptz em 
diversos estágios de desenvolvimento, sendo os mais 
maduros mais próximos da superfície luminal do túbulo. 
Enrtre as células de sertoli as junções estreitas fornecem 
uma barreira efetiva ao sangue, impedindo que os produtos 
do esperma cheguem a corrente sanguínea, o que 
provocaria uma resposta imune. O seu citoplasma também 
Medicina - Letícia Ataíde 
filtra efetivamente qw substâncias circulantes, impedindo-as 
de atingir as células ali em desenvolvimento. 
 
 Células intersticiais ou de Leyding: síntese hormonal da 
testosterona. Elas são praticamente inexistentes durante a 
infância, época em que os testículos quase não secretam 
testosterona, porém elas são numerosas no recém-nascido 
nos primeiros meses e vida e no homem adulto após a 
puberdade. Caso o epitélio germinativo seja destruído por 
raios X ou calor excessivo, essas células não são facilmente 
destruídas, e geralmente continuam a produzir testosterona. 
 
 Epidídimo: 
Estende-se longitudinalmente na borda posterior do testículo. 
Ele apresenta uma dilatação superior que ultrapassa o pólo superior 
do testículo, que é denominada cabeça; um seguimento intermediário 
que é o corpo e inferiormente, uma porção mais estreitada, que é a 
cauda do epidídimo. 
Na cabeça do epidídimo, os ductos eferentes dos testículos 
continuam por ductos novamente muito tortuosos que em seguida 
vão se anastomosando sucessivamente para constituir um único tubo 
que é o ducto do epidídimo. Este ducto é tão sinuoso que ocupa um 
espaço de aproximadamente dois centímetros de comprimento, 
quando na realidade ele tem seis metros de extensão. 
Inferiormente, a cauda do epidídimo, tendo no interior o ducto do 
epidídimo, encurva-se em ângulo agudo para trás e para cima, dando 
seguimento ao ducto deferente. 
É justamente nessa curva constituída pela cauda do epidídimo e 
inicio do ducto deferente que ficam armazenados os 
espermatozoides até o momento do ato sexual, em que são levados 
para o exterior. 
A primeira porção do ducto deferente é mais ou menos sinuosa e 
ascende imediatamente por trás do epidídimo. 
Tanto o testículo como o epidídimo e a primeira porção do ducto 
deferente são diretamente envoltos por uma membrana serosa que é 
a túnica vaginal. Assim como a pleura ou o pericárdio, a túnica 
vaginal apresenta um folheto que envolve diretamente aqueles 
órgãos, sendo denominado lâmina visceral. Posteriormente aos 
órgãos supracitados, a lâmina visceral da túnica vaginal se reflete de 
cada lado, para se continuar com a lâmina vaginal. Entre a lâmina 
visceral e a lâmina parietal da túnica vaginal, permanece um espaço 
virtual denominado cavidade vaginal. A cavidade vaginal contém uma 
pequena quantidade de líquido que facilita o deslizamento entre as 
duas lâminas. Saco escrotal: 
O escroto é uma bolsa músculo-cutânea onde estão contidos 
os testículos, epidídimo e a primeira porção dos ductos deferentes. 
Cada conjunto desses órgãos (direito e esquerdo) ocupa 
compartimento completamente separados, uma vez que o escroto é 
subdividido em duas lojas por um tabique sagital mediano 
denominado septo do escroto. Superficialmente esse septo 
corresponde a uma rafe cutânea (linha rugosa mediana), bem 
evidente. 
O escroto é constituído por camadas de tecido diferentes que 
se estratificam da periferia para a profundidade, nos sete planos 
seguintes: 
Cútis: é a pele, fina enrugada que apresenta pregas 
transversais e com pelos esparsos. Na linha mediana encontramos a 
rafe do escroto. 
Túnica dartos: constitui um verdadeiro músculo cutâneo, 
formado por fibras musculares lisas. 
Tela subcutânea: é constituída por tecido conjuntivo frouxo. 
Fáscia espermática externa: é uma lâmina conjuntiva que 
provem das duas fáscias de envoltório do músculo oblíquo externo do 
abdome, que desce do ânulo inguinal superficial para entrar na 
constituição do escroto. 
Fáscia cremastérica: representado por uma delgada lâmina 
conjuntiva que prende inúmeros feixes de fibras musculares estriados 
de direção vertical. No conjunto, essas fibras musculares constituem 
o músculo cremáster e derivam das fibras do músculo oblíquo interno 
do abdome. 
Fáscia espermática interna: lâmina conjuntiva que deriva da 
fáscia transversal. 
Túnica vaginal: serosa cujo folheto parietal representa a 
camada mais profunda do escroto, enquanto o folheto visceral 
envolve o testículo, epidídimo e inicio do ducto deferente. 
Glândula bulbouretral 
 
São duas formações pequenas, arredondadas e algo 
lobuladas, de coloração amarela e tamanho de uma ervilha. Estão 
próximas do bulbo e envolvidas por fibras transversas do esfíncter 
uretral. Localizam-se inferiormente a próstata e drenam suas 
secreções (Mucosa) para a parte esponjosa da uretra. 
Sua secreção é semelhante ao muco, entra na uretra 
durante a excitação sexual. Constituem 5% do líquido seminal. 
Durante a excitação sexual, as glândulas bulbouretrais 
secretam uma substância alcalina que protege os espermatozoides e 
também secretam muco, que lubrifica a extremidade do pênis e o 
revestimento da uretra, diminuindo a quantidade de espermatozoides 
danificados durante a ejaculação. 
Ducto deferente 
O ducto deferente é um longo e fino tubo par, de paredes 
espessas, o que permite identifica-lo facilmente pela palpação, por se 
apresentar como um cordão uniforme, liso e duro, o que o distingue 
dos elementos que o cercam, que são de consistência muito branca. 
Medicina - Letícia Ataíde 
Funículo espermático: conjunto de estruturas anatômicas e 
seus envoltórios relacionados ao testículo, os quais 
atravessam o canal inguinal. 
O funículo espermático esquerdo é mais longo, o que significa 
que o testículo esquerdo permanece em nível mais baixo que o 
direito. 
É constituído por artérias, veias, linfáticos, nervos (ramo 
genital do nervo genitofemoral) e ducto deferente. 
 Artéria Testicular - caminha entre as malhas do plexo 
anterior. 
 Artéria do Ducto Deferente 
 Artéria Cremastérica 
 As veias formam dois plexos um anterior e outro posterior 
em relação ao ducto deferente – o plexo venoso anterior é o 
mais volumoso (pampiniforme). 
Próximo à sua terminação o ducto deferente apresenta uma 
dilatação que recebe o nome de ampola do ducto deferente. 
 Ducto ejaculatório 
É um fino tubo, que inicia nos ductos deferentes, penetram 
pela face posterior da próstata, atravessando seu parênquima, e 
abrem-se um em cada pequeno orifício, de cada lado, no colículo 
seminal da uretra prostática. Cada indivíduo do sexo masculino tem 2 
destes vasos 
Estruturalmente o ducto ejaculatório assim como a vesícula 
seminal, tem a mesma constituição do ducto deferente, apresentando 
três túnicas concêntricas: adventícia, muscular e mucosa. 
 Para a emissão, em que os espermatozoides são 
depositados na uretra prostática, onde há a mistura dos componentes 
do sêmen, seguida da ejaculação. Durante a ejaculação, o sémen é 
expulso da uretra prostática pela contração rítmica da 
musculatura perineal, que o impele pelo restante da uretra em 
direção à extremidade do pénis. 
Pênis 
É o órgão erétil e copulador masculino. 
Ele é representado por uma formação cilindroide que se 
prende à região mais anterior do períneo, e cuja extremidade livre é 
arredondada. 
 O pênis, portanto, poderia ser subdividido em Raiz, Corpo e 
Glande. 
 
 
O tecido que tem a capacidade de se encher e esvaziar de 
sangue forma três cilindros, dos quais dois são pares (direito e 
esquerdo) e se situam paralelamente, por cima (considerando-se o 
pênis em posição horizontal ou semi-ereto) e o terceiro é ímpar e 
mediano, e situa-se longitudinalmente, por baixo dos dois 
precedentes. 
Os dois cilindros superiores recebem o nome de Corpos 
Cavernosos do pênis e o inferior, de Corpo Esponjoso do pênis. 
Os corpos cavernosos do pênis iniciam-se posteriormente, 
por extremidades afiladas que se acoplam medialmente, aos ramos 
inferiores da pube, recebendo o nome de ramos dos corpos 
cavernosos. 
Cada ramo do corpo cavernoso é envolto longitudinalmente 
pelas fibras do músculo isquiocavernoso do mesmo lado, que o fixa 
ao respectivo ramo inferior da pube, constituindo a raiz do pênis. 
Para frente, o bulbo continua com o corpo esponjoso, o qual 
vai se afinando paulatinamente e se aloja no sulco mediano formado 
e inferiormente pelos dois corpos cavernosos. 
No plano frontal em que os corpos cavernosos terminam 
anteriormente, o corpo esponjoso apresenta uma dilatação cônica, 
cujo nome é descentrado, isto é, o centro do mesmo não 
corresponde ao grande eixo do corpo esponjoso; dilatação 
essa denominada glande. 
O rebordo que contorna a base da glande recebe o 
nome de coroa da glande.No ápice da glande encontramos 
um orifício, que é o óstio externo da uretra. Nesse óstio vem 
se abrir a uretra esponjosa, que percorre longitudinalmente o 
centro do corpo esponjoso, desde a face superior do bulbo do 
pênis, onde a mesma penetra. Na união da glande com o 
restante do corpo do pênis, forma-se um estrangulamento 
denominado colo 
Envolvendo a parte livre do pênis encontramos uma 
cútis fina e deslizante, conhecida por Prepúcio. 
 
 
Medicina - Letícia Ataíde 
 GAMETOGÊNESE 
 
1. Espermatogênese 
 Ao longo do desenvolvimento embrionário, as células 
germinativas primordiais migram para o testículo, onde elas 
se tornam espermatogônias. Na puberdade (geralmente entre 
12 e 14 anos), as espermatogônias proliferam rapidamente 
por divisões mitóticas. Algumas iniciam a meiose para 
tornarem-se espermatócitos primários e continuam através 
da divisão meiótica I, tornando-se espermatócitos 
secundários. Após o término da divisão meiótica II, os 
espermatócitos secundários produzem as espermátides, que 
se diferenciam formando os espermatozoides. 
 
Ao nascimento, ac células germinativas do homem podem ser 
reconhecidas nos cordões sexuais dos testículos como células 
grandes e claras, circundadas por células de sustentação – derivam 
do epitélio germinativo da gonada, da mesma maneira que as células 
folicurares tornam-se células de sustentação ou de Sertoli. 
Imediatamente após a puberdade os cordões sexuais adquirem uma 
luz e tornam-se túbulos seminíferos, aproximadamente, na mesma 
ocasião, as células germinativas dão origem às espermatogônias. 
A espermatogênese ocorre nos túbulos seminíferos durante a 
vida sexual ativa – após o ínicio do processo no organismo torna-se 
contínuo durante a vida – como resultado da estimulação pelos 
hormônios gonadotrópicos da glândula hipófise anterior, começando, 
aproximadamente,aos 13 anos de idade e continuando pela maior 
parte do restante da vida, mas se reduzindo acentuadamente na 
velhice. 
No primeiro estágio da espermatogênese, as 
espermatogônias migram entre as células de Sertoli em direção ao 
lúmen central dos túbulos seminíferos. As células de Sertoli são 
grandes, com envoltório citoplasmático exuberante que envolve a 
espermatogônia em desenvolvimento, durante todo o trajeto até o 
lúmen central do túbulo. A espermatogônia que cruza a barreira até a 
camada das células de Sertoli é progressivamente modificada e 
alargada, para formar os grandes espermatócitos primários. Cada um 
deles, por sua vez, passa por divisão meiótica para formar dois 
espermatócitos secundários. Poucos dias depois, estes também se 
dividem formando espermátides que são, eventualmente, 
modificadas transformando-se em espermatozoides. 
Obs: espermiogênese: extensas alterações estruturais que 
acontecem em cada espermátide para produzir um espermatozoide, 
dentre elas: (a) a formação do acrossomo – irá cobrir a superfície 
nuclear e contem enzimas digestivas; (b) condensação do núcleo – 
contém um número haploide; (c) formação da cauda; (d) eliminação 
de parte do citoplasma – corpúsculos residuais. Após a 
espermiogênese, os sptz são liberados na lúmen dos túbulos 
seminíferos por um processo de espermiação – daí viajam ao 
epidídimo por 24h, quando ocorre a maturação subsequente dos 
sptz, envolvendo a perda do seu citoplasma e o ganho de motilidade. 
(Pode-se dizer que essa etapa diferencia para preparar à 
fertilização, mas sozinha não completa esse preparo!) 
Durante as transformações do estágio de espermatócitos 
para o de espermátides, os 46 cromossomos (23 pares de 
cromossomos) do espermatócito se dividem, e então 23 
cromossomos vão para uma espermátide e os outros 23 para a outra 
espermátide. Os genes cromossômicos também se dividem e, assim, 
somente metade das características genéticas do possível feto é 
fornecida pelo pai, enquanto a outra metade provém do oócito 
fornecido pela mãe. 
Todo o período de espermatogênese, da espermatogônia 
ao espermatozóide, dura, aproximadamente, 74 dias – ou 64 
dias. 
 
2. Estocagem do Espermatozoide no Epidídimo 
O espermatozoide requer muitos dias para passar pelo túbulo 
do epidídimo, com 6 metros de comprimento, após sua formação nos 
túbulos seminíferos. O espermatozoide retirado dos túbulos 
seminíferos e das porções iniciais do epidídimo não é móvel e não 
pode fertilizar o óvulo. Entretanto, após o espermatozoide 
permanecer no epidídimo por 18 a 24 horas, ele desenvolve a 
capacidade da mobilidade, embora muitas proteínas inibitórias no 
líquido epididimário ainda impeçam a mobilidade final, até depois da 
ejaculação. 
Os dois testículos do adulto humano formam até 120 milhões 
de espermatozoides por dia. Desses, pequena quantidade pode ser 
estocada no epidídimo, mas a maioria é estocada no canal deferente. 
Eles podem permanecer armazenados, mantendo sua fertilidade, por 
pelo menos 1 mês. Durante esse tempo, eles são mantidos no 
estado inativo, profundamente reprimido por múltiplas substâncias 
inibitórias presentes nas secreções dos ductos. Por sua vez, com alto 
nível de atividade sexual e de ejaculações, a armazenagem pode 
durar por menos de alguns dias. 
Após a ejaculação, os espermatozoides ficam móveis e 
também capazes de fertilizar o óvulo, processo chamado de 
maturação. As células de Sertoli e o epitélio do epidídimo secretam 
líquido nutriente especial que é ejaculado junto com o 
espermatozoide. Esse líquido contém hormônios (incluindo 
testosterona e estrogênio), enzimas e nutrientes especiais essenciais 
para a maturação dos espermatozoides. 
 
3. Fisiologia Do Espermatozoide Maduro 
Os espermatozoides normais móveis e férteis são capazes de 
apresentar movimentos flagelares em meio líquido com velocidades 
de 1 a 4 mm/min. A atividade do espermatozoide é muito aumentada 
em meio neutro ou ligeiramente alcalino, como o existente no sêmen 
ejaculado, mas é muito deprimida em meio ligeiramente ácido. Meio 
fortemente ácido pode causar a morte rápida do espermatozoide. 
A atividade do espermatozoide aumenta muito com a 
elevação da temperatura, mas isso também aumenta sua atividade 
metabólica, fazendo com que a sua vida se encurte 
consideravelmente. Embora o espermatozoide possa viver por muitas 
semanas no estado reprimido nos duetos genitais dos testículos, a 
expectativa de vida do espermatozoide ejaculado, no trato genital 
feminino, é somente de 1 a 2 dias. 
Medicina - Letícia Ataíde 
 
Espermatozoides anormais inférteis, comparados com um 
espermatozoide normal à direita. 
Cada espermatozoide é composto pela 
cabeça e pela cauda. Na cabeça se encontra o 
núcleo condensado da célula, com apenas a 
membrana plasmática e camada 
citoplasmática delgada, envolvendo sua 
superfície. Na parte externa dos dois terços 
anteriores da cabeça, se encontra o capuz 
espesso, chamado de acrossomo formado 
principalmente pelo aparelho de Golgi. Este 
contém várias enzimas semelhantes às 
encontradas nos lisossomos de célula típica, 
incluindo a hialuronidase (que pode digerir 
filamentos de proteoglicanos dos tecidos) e 
potentes enzimas proteolíticas (que podem digerir proteínas). Essas 
enzimas têm papel importante, possibilitando que o esperma entre no 
óvulo e o fertilize. 
A cauda do espermatozoide, chamada de flagelo, tem três 
componentes principais: (1) o esqueleto central, constituído por 11 
microtúbulos, chamados coletivamente de axonema —cuja estrutura 
é semelhante à dos cílios encontrados na superfície de outros tipos 
de células; (2) membrana celular fina recobrindo o axonema; e (3) o 
conjunto de mitocôndrias envolvendo o axonema na porção proximal 
da cauda (chamada de corpo da cauda ou peça intermediária da 
cauda). 
O movimento de vaivém da cauda (movimento flagelar) 
permite a mobilidade do sptz. Esse movimento é consequência do 
deslocamento rítmico longitudinal entre os túbulos anterior e posterior 
que compõem o axonema. A energia para esse processo é fornecida 
como ATP, sintetizado pelas mitocôndrias no corpo da cauda. 
O sptz normal se move em meio líquido com velocidade de 1 
a 4 mm/min. Isso faz com que ele se mova, através do trato genital 
feminino, em busca do óvulo. 
 
 Axonema: Feixe de microtúbulos e 
proteínas associadas que formam o 
cerne de cílios e flagelos em uma 
célula eucariótica, responsável pelos 
seus movimentos. 
 
4. Regulação da espermatogênese 
 O LH – da hipófise anterior - estimula as células intertisciais (de 
Leydig) a secretar testosterona, a qual, então, se difunde através 
da membrana basal aos túbulos seminíferos. (prolactina e inibina 
facilitam a estimulação dessas células pelo LH) 
 A Testosterona, que é convertida na maior parte em 
diidrotestosterona, é essencial para o crescimento e a divisão da 
espermatogônia – sendo essencial também para as etapas finais 
da espermatogênese. Ela também estimula a a formação de 
receptores de FSH nas células de Sertoli. 
 Uma vez formados os receptores, as células de Sertoli serão 
estimuladas pelo FSH, para que a sua função seja dar apoio à 
espermatogênese, incluindo as mitoses inicias e a 
espermiogênese (sem essa estimulação esse processo de 
conversão das espermátides em espermatozóides não ocorre). 
 O FHS e a testosterona estimulam a síntese de uma proteína 
ligadora de androgênios (ABP) que transporta os estrogênios e 
a testosterona ao liquido tubular seminífero, para dar suporte a 
espermatogênese. 
 O FHS também estimula as células de sertoli a converter 
testosterona em Estrogênio, que parece ser necessário a 
espermiogênese. 
 O Hormônio Do Crescimento finalmente age, ajudado a fornecer 
a base metabólica estável para a função testicular normal. E, 
mais especificamente, promove a divisãomitótica precoce da 
espermatogônia. Em sua ausência, como no caso dos anões 
hipofisários, a espermatogênese é severamente deficiente ou 
ausente, causando, assim, infertilidade 
 Fatores De Crescimento como inibina e ativina 
também são sintetizados nas células de Sertoli, e possuem um 
papel endócrino na regulação da secreção de gonadotrofina 
pela hipófise anterior. 
 A Ocitocina – produzida pelas células de Leydig – 
demonstrou estimular a motilidade de ambos os túbulos 
seminíferos e do epidídimo. 
 
5.Espermatogênese Anormal 
 
 
 
 
 
O 
epitélio dos 
túbulos 
seminíferos pode ser destruído por várias doenças. Por exemplo, a 
orquitebilateral (inflamação) dos testículos, resultante de 
caxumba,causa esterilidade em alguns homens afetados. Alguns 
meninos também nascem com o epitélio tubular degenerado, em 
consequência da constrição dos duetos genitais ou de outras 
anormalidades. Finalmente, outra causa da esterilidade, geralmente 
temporária, é a temperatura excessiva dos testículos. 
 Efeito do Número de Espermatozoides sobre a Fertilidade. 
A quantidade usual de sêmen ejaculado durante cada coito é de 
aproximadamente 3,5 mililitros, e em cada mililitro de sêmen existe, 
em média, 120 milhões de espermatozoides, embora mesmo nos 
homens ―normais‖, esse número possa variar de 35 a 200 milhões. 
Isso significa que, em média, um total de 400 milhões de 
espermatozoides é geralmente presente em cada ejaculação. 
Quando o número de espermatozoides em cada mililitro cai abaixo de 
20 milhões, é provável que o indivíduo seja infértil. Assim, embora um 
só espermatozoide seja suficiente para fertilizar o óvulo por motivos 
desconhecidos, a ejaculação deve conter quantidade enorme de 
espermatozoides, para somente um deles fertilizar o óvulo. 
 Efeito da Morfologia dos Espermatozoides e da Motilidade 
sobre a Fertilidade. 
Às vezes, o homem tem quantidade normal de espermatozoides, 
mas, mesmo assim, é infértil. Quando isso ocorre, algumas vezes se 
encontram anormalidades físicas em metade dos espermatozoides, 
como duas cabeças, cabeças com formas anormais ou caudas 
anormais. Outras vezes, os espermatozoides parecem ser 
estruturalmente normais, mas por motivos desconhecidos, eles não 
são móveis ou só são relativamente móveis. Sempre que a maioria 
dos espermatozoides é morfologicamente anormal ou não apresenta 
motilidade, é provável que a pessoa seja infértil, embora o restante 
dos espermatozoides pareça ser normal. 
 Efeito da Temperatura sobre a Espermatogênese. 
O aumento da temperatura dos testículos pode impedir a 
espermatogênese, por causar degeneração da maioria das células 
dos túbulos seminíferos, além das espermatogônias. Tem-se 
afirmado que a razão para que os testículos estejam localizados no 
saco escrotal é para manter a temperatura dessas glândulas abaixo 
da temperatura interna do corpo embora, geralmente, ela seja de 
apenas 2°C abaixo da temperatura interna. Nos dias frios, os reflexos 
escrotais fazem com que a musculatura do saco escrotal se contraia, 
puxando os testículos para perto do corpo para manter esse 
diferencial de 2°C. Assim, o saco escrotal atua como mecanismo de 
resfriamento para os testículos (mas, resfriamento controlado), sem o 
Medicina - Letícia Ataíde 
qual a espermatogênese poderia ser deficiente durante o clima 
quente. 
6. Ato Sexual Masculino 
 Integração do Ato Sexual Masculino na Medula Espinal. 
 Embora os fatores psíquicos geralmente tenham papel importante 
no ato sexual masculino, podendo iniciá-lo ou inibi-lo, a função 
cerebral provavelmente não é necessária para a sua realização, 
uma vez que a estimulação genital apropriada pode provocar a 
ejaculação em alguns animais, e, às vezes, em humanos, mesmo 
após suas medulas espinais terem sido seccionadas acima da 
região lombar. O ato sexual masculino resulta de mecanismos 
reflexos inerentes integrados na medula espinal sacral e lombar, e 
esses mecanismos podem ser iniciados por estimulação psíquica 
proveniente do cérebro, ou da estimulação sexual real dos órgãos 
sexuais, mas geralmente, é combinação de ambas. 
 Estágios do Ato Sexual Masculino 
 Lubrificação: É Função Parassimpática. Os impulsos 
parassimpáticos durante a estimulação sexual, além de promover a 
ereção, induzem a secreção mucosa pelas glândulas uretrais e 
bulbouretrais. Esse muco flui pela uretra, auxiliando a lubrificação 
durante a relação sexual. No entanto, a maior parte da lubrificação 
do coito é fornecida pelos órgãos sexuais femininos, muito mais do 
que pelos masculinos. Sem lubrificação satisfatória, o ato sexual 
masculino dificilmente é satisfatório porque o intercurso não 
lubrificado produz sensações dolorosas e irritativas que inibem as 
sensações de excitação sexual, em vez de excitá-las. 
 Emissão e Ejaculação: São Funções dos Nervos 
Simpáticos. A emissão e a ejaculação são o clímax do ato sexual 
masculino. Quando o estímulo sexual fica extremamente intenso, 
os centros reflexos da medula espinal começam a emitir impulsos 
simpáticos que deixam a medula, pelos níveis T-12 a L-2, e 
passam para os órgãos genitais por meio dos plexos nervosos 
simpáticos hipogástrico e pélvico, iniciando a emissão precursora 
da ejaculação. 
A emissão começa com a contração do canal deferente e da 
ampola promovendo a expulsão dos espermatozoides para a uretra 
interna. As contrações da camada muscular da próstata, seguidas 
pela contração das vesículas seminais, então expelem os líquidos 
prostático e seminal também para a uretra, forçando os 
espermatozoides para a frente. Todos esses líquidos se misturam na 
uretra interna com o muco já secretado pelas glândulas bulbouretrais, 
formando o sêmen. O processo até esse ponto é chamado de 
emissão. 
O enchimento da uretra interna com sêmen provoca sinais 
sensoriais que são transmitidos pelos nervos pudendos para as 
regiões sacrais da medula espinal, dando a sensação de plenitude 
súbita nos órgãos genitais internos. Além disso, esses sinais 
sensoriais promovem as contrações rítmicas dos órgãos genitais 
internos e contrações dos músculos isquiocavernoso e 
bulbocavernoso, que comprimem as bases do tecido erétil peniano. 
Esses efeitos associados induzem aumentos rítmicos e ondulatórios 
da pressão do tecido erétil do pênis, dos duetos genitais e da uretra, 
que ―ejaculam‖ o sêmen da uretra para o exterior. Esse processo final 
é chamado de ejaculação. Ao mesmo tempo, contrações rítmicas dos 
músculos pélvicos, e mesmo de alguns músculos do tronco, causam 
movimentos de propulsão da pélvis e do pênis, que também auxiliam 
a propelir o sêmen para os recessos mais profundos da vagina e, 
talvez, mesmo levemente, para o colo do útero. 
Esse período todo de emissão e ejaculação é chamado de 
orgasmo masculino. No final, a excitação sexual masculina 
desaparece quase inteiramente, em 1 a 2 minutos e a ereção cessa, 
processo chamado de resolução. 
 
 
 
 
7. “Capacitação” dos Espermatozoides 
Embora os espermatozoides sejam considerados ―maduros‖ 
quando deixam o epidídimo, sua atividade é mantida sob controle por 
múltiplos fatores inibitórios secretados pelo epitélio do dueto genital. 
Portanto, quando lançados inicialmente no sêmen, eles são 
incapazes de fertilizar o óvulo. No entanto, ao entrar em contato com 
os líquidos do trato genital feminino, ocorrem múltiplas mudanças que 
ativam o espermatozoide para os processos finais de fertilização. 
Essas alterações conjuntas são chamadas de capacitação do 
espermatozoide que, normalmente, requerem de 1 a 10 horas. 
Acredita-se que algumas mudanças que ocorrem são as seguintes: 
a) Os líquidos das trompas de Falópio e do útero 
eliminam os vários fatores inibitórios que suprimem 
a atividade dos espermatozoides nos duetos 
genitais masculinos. 
b) Enquanto os espermatozoides permanecem no 
líquido dosduetos genitais masculinos, eles estão 
continuamente expostos a muitas vesículas 
flutuantes dos túbulos seminíferos, que contêm 
grande quantidade de colesterol, o qual é 
continuamente adicionado à membrana celular que 
cobre o acrossomo do espermatozoide, 
fortalecendo essa membrana e impedindo a 
liberação de suas enzimas. Após a ejaculação, os 
espermatozoides depositados na vagina se movem 
para cima na cavidade uterina, afastando-se das 
vesículas de colesterol e, assim, gradualmente 
perdem, nas próximas horas, a maior parte do 
excesso de colesterol. Por isso, a membrana da 
cabeça dos espermatozoides (o acrossomo) fica 
muito mais fraca. 
c) A membrana dos espermatozoides fica também 
muito mais permeável aos íons cálcio, e, assim, o 
cálcio agora entra no espermatozoide em 
abundância, mudando a atividade do flagelo, dando 
a ele um potente movimento de chicote, ao 
contrário de seu movimento prévio ondulante e 
fraco. Além disso, os íons cálcio causam alterações 
na membrana celular que cobre a ponta do 
acrossomo, tornando possível a liberação rápida e 
fácil das enzimas pelo acrossomo, à medida que os 
espermatozoides penetram a massa de células 
granulosas que envolvem o óvulo e, mais ainda, 
quando ele tenta penetrar a zona pelúcida do 
próprio óvulo. 
Assim, alterações múltiplas ocorrem durante o processo de 
capacitação. Sem elas, o espermatozoide não pode seguir seu 
percurso para o interior do óvulo, causando a fertilização. 
 
8. Enzimas do Acrossomo, "Reação do Acrossomo" e 
Penetração do Óvulo 
Grande quantidade de enzimas proteolíticas e de 
hialuronidase estão armazenadas no acrossomo do espermatozoide. 
A hialuronidase despolimeriza os polímeros do ácido hialurônico no 
cimento intercelular, que mantém juntas as células granulosas 
ovarianas. As enzimas proteolíticas digerem as proteínas nos 
elementos estruturais das células teciduais, que ainda aderem ao 
óvulo. 
Quando o óvulo é expelido do folículo ovariano para a trompa 
de Falópio, ele ainda carrega múltiplas camadas de células 
granulosas. O esperma deve dissolver essas camadas de células 
granulosas, antes de fertilizar o óvulo e, então, deve penetrar através 
do revestimento espesso do óvulo a zona pelúcida. Para que isso 
ocorra, as enzimas estocadas no acrossomo começam a ser 
liberadas. Quando o espermatozoide atinge a zona pelúcida do óvulo, 
a membrana anterior do espermatozoide se liga especificamente às 
proteínas receptoras na zona pelúcida. Em seguida, todo o 
acrossomo se dissolve rapidamente, e todas as enzimas 
acrossômicas são liberadas. Em alguns minutos, essas enzimas 
Medicina - Letícia Ataíde 
abrem uma via de penetração para a passagem da cabeça do 
espermatozoide através da zona pelúcida, para dentro do óvulo. Em 
30 minutos, as membranas celulares da cabeça do espermatozoide e 
do oócito se fundem, formando uma só célula. Ao mesmo tempo, os 
materiais genéticos do espermatozóide e do oócito se combinam 
para formar genoma celular completamente novo, contendo as 
mesmas quantidades de cromossomos e genes do pai e da mãe. 
Esse é o processo de fertilização, o embrião então começa a se 
desenvolver. 
 
 Por Que Somente um Espermatozóide Penetra o 
Oócito? Com a enorme quantidade de espermatozoides, por que 
somente um penetra o oócito? A razão não é completamente 
entendida, mas alguns minutos após o espermatozoide ter penetrado 
a zona pelúcida do óvulo, os íons cálcio se difundem através da 
membrana do oócito e provocam a liberação, por exocitose, de vários 
grânulos corticais do oócito, para o espaço perivitelínico. Esses 
grânulos contêm substâncias que permeiam todas as regiões da 
zona pelúcida e impedem a ligação de espermatozoide adicional, 
fazendo com que qualquer espermatozoide que tenha começado a se 
ligar se solte. Assim, quase nunca ocorre a entrada de mais de um 
espermatozoide no oócito, durante a fertilização. 
 
 
 
Medicina - Letícia Ataíde 
ANATOMIA E FISIOLOGIA DO SISTEMA 
REPRODUTOR FEMININO 
 Os órgãos internos estão no interior da 
pelve e consistem dos ovários, tubas uterinas ou 
ovidutos, útero e vagina. 
 Os órgãos externos são superficiais ao 
diafragma urogenital e acham-se abaixo do arco púbico. 
Compreendem o monte do púbis, os lábios maiores e 
menores do pudendo, o clitóris, o bulbo do vestíbulo e 
as glândulas vestibulares maiores. Estas estruturas 
formam a vulva ou pudendo feminino. As glândulas 
mamárias também são consideradas parte do sistema genital feminino. 
 
Ovários 
O ovário é um órgão par comparável a uma amêndoa com 
aproximadamente 3 cm de comprimento, 2 cm de largura e 1,5 cm de 
espessura. 
Ele está situado por trás do ligamento largo do útero e logo 
abaixo da tuba uterina, sendo que seu grande eixo se coloca 
paralelamente a esta. Em virtude do 1/3 distal da tuba uterina 
normalmente estar voltada para baixo, o ovário toma uma posição 
vertical, com uma extremidade dirigida para cima e outra para baixo. 
Na puberdade os ovários começam a secretar os 
hormônios sexuais, estrógeno e progesterona. As células dos 
folículos maduros secretam estrógeno, enquanto o corpo lúteo 
produz grandes quantidades de progesterona e pouco estrógeno. 
Esses hormônios transformam a ―menina‖ em ―mulher‖. 
Tuba uterina 
 Possui duas Funções: 
1) Transportar o óvulo do ovário ao útero; 
2) Local onde ocorre a fertilização do óvulo pelo 
espermatozoide. 
 
É um tubo par que se implanta de cada lado no ângulo latero-
superior do útero, e se projeta lateralmente, representando os ramos 
horizontais do tubo – irregular quanto ao calibre, ele vai se dilatando 
à medida que se afasta do útero, apresentando aproximadamente 10 
cm de comprimento., abrindo-se distalmente por um verdadeiro funil 
de borda franjada. 
A tuba uterina divide-se em 4 regiões, que no sentido médio-
lateral são: PARTE UTERINA, ISTMO, AMPOLA E INFUNDÍBULO. 
A PARTE UTERINA é a porção intramural, isto é, constitui o 
segmento do tubo que se situa na parede do útero. No início desta 
porção da tuba, encontramos um orifício denominado óstio uterino da 
tuba, que estabelece sua comunicação com a cavidade uterina. 
A ISTMO é a porção menos calibrosa, situada junto ao útero. 
A AMPOLA é considerada o local onde normalmente se 
processa a fecundação do óvulo pelo espermatozoide. 
O INFUNDÍBULO é a porção mais distal da tuba, que pode 
ser comparado a um funil cuja boca apresenta um rebordo muito 
irregular, tomando o aspecto de franjas, que têm o nome de fímbrias 
da tuba. O infundíbulo abre-se livremente na cavidade do peritôneo 
por intermédio de um forame conhecido por óstio abdominal da tuba 
uterina. Comumente o infundíbulo se ajusta sobre o ovário, e as 
fimbrias poderiam ser comparadas grosseiramente aos dedos de 
uma mão que segurasse por cima, uma laranja. 
Estruturalmente a tuba uterina é constituída por quatro 
camadas concêntricas de tecidos que são, da periferia para a 
profundidade, a túnica serosa, tela subserosa, túnica muscular e 
túnica mucosa. A túnica muscular, representada por fibras 
musculares lisas, permite movimentos peristálticos à tuba, auxiliando 
a migração do óvulo em direção ao útero. A túnica mucosa é formada 
por células ciliadas e apresenta numerosas pregas paralelas 
longitudinais, denominadas pregas tubais. 
Vagina 
É o órgão copulador da mulher. 
Superiormente a vagina se comporta como um tubo cilíndrico 
para envolver a porção vaginal da cérvix uterina, e inferiormente ela 
se achata transversalmente para coincidir com o pudendo feminino, 
num orifício denominado óstio da vagina, que na mulher virgem, é 
obturado parcialmente por um diafragma mucoso, denominado 
hímen. 
A vagina apresenta duas paredes, uma anterior e outra 
posterior, as quais permanecem acoladas na maior parte de sua 
extensão, representando uma cavidade virtual. Todasuperfície 
mucosa é pregueada transversalmente, pregas essas conhecidas por 
rugas vaginais. 
 GLÂNDULAS VESTIBULARES MAIORES 
São duas pequenas formações (0,5 cm de diâmetro cada) 
situadas de um e de outro lado do orifício vaginal, em contato com a 
extremidade posterior de cada massa lateral do bulbo do vestíbulo. 
São arredondadas ou ovais e parcialmente sobrepostas 
posteriormente pelos bulbos do vestíbulo. Secretam uma substância 
rica em muco, que umedece e lubrifica o vestíbulo. 
Útero 
Medicina - Letícia Ataíde 
O útero é um órgão oco, impar e mediano, em forma de uma 
pera invertida, achatada na sentido antero-posterior, que emerge do 
centro do períneo, para o interior da cavidade pelvina. Ao nível do 
corpo do útero, a mucosa se apresenta lisa, ao passo que na cérvix é 
muito pregueada, cujas pregas lembram as folhas de palma e por 
isso são chamadas de pregas espalmadas. 
O útero está situado entre a bexiga urinaria, que está para 
frente, e o reto, que está para trás. 
As paredes do útero são constituídas por camadas 
concêntricas, que da periferia para a profundidade, são as túnicas 
serosas ou perimétrio, tela subserosa, túnica muscular ou miométrio 
e túnica mucosa ou endométrio. 
 O Perimétrio é representado pelo peritoneu visceral que 
recobre tanto a parte visceral como a intestinal do órgão ao nível 
das bordas laterais do mesmo, os dois folhetos expandem-se 
lateralmente para constituir os Ligamentos Largos do Útero. 
 O Miométrio é formado por uma espessa camada de fibras 
musculares lisas que se distribuem, da periferia para a 
profundidade, em 3 planos: longitudinal, plexiforme e circular. 
 O Endométrio forra toda a cavidade uterina. O endométrio 
papel muito importante por ocasião da gravidez. 
 A Tela Subserosa é representada por uma fina camada de 
tecido conjuntivo quer se interpõem entre a túnica serosa e a túnica 
muscular. 
 
 
OVULOGÊNESE – CRESCIMENTO DO FOLÍCULO 
OVARIANO 
A ovogênese é a sequência de eventos, pelos quais as 
ovogônias são transformadas em ovócitos maduros. Esse processo 
de maturação inicia-se antes do nascimento e é completado depois 
da puberdade. continuando-se até a menopausa – a cessação 
permanente da menstruação (sangramento associado aos ciclos 
menstruais). 
Maturação Pré-natal dos Ovócitos 
Durante a vida fetal inicial, a superfície externa do ovário é 
coberta pelo epitélio germinativo, que embriologicamente é derivado 
do epitélio das cristas germinativas. As ovogônias proliferam-se por 
divisão mitótica e crescem para formar os ovócitos primários antes do 
nascimento; por essa razão, não se observa nenhuma ovogônia nas 
meninas. Tão logo o ovócito primário se forma, as células 
fusiformes do estroma ovariano (o tecido de suporte do ovário), se 
reúnem em torno do ovócito e formam uma única camada de células 
epiteliais foliculares, achatadas que são então as chamadas células 
da granulosa. O ovócito primário circundado por essa camada de 
células constitui um folículo primordial. O ovócito primário é logo 
envolvido por uma camada de material glicoprotéico acelular e 
amorfo — a zona pelúcida. 
 Os ovócitos primários iniciam a primeira divisão 
meiótica antes do nascimento, mas a prófase não se completa 
até a adolescência. Acredita-se que as células foliculares que 
circundam o ovócito primário secretem uma substância 
conhecida como inibidor da maturação do ovócito, que age 
mantendo estacionado no estágio de prófase da divisão 
meiótica. 
 
Obs. A medida que o ovócito primário cresce durante a 
puberdade, as células foliculares epiteliais se tornam cubóides, e 
depois colunares, formando um folículo primário. 
 
 
 
Maturação Pós-natal dos Ovócitos 
 
Após o nascimento, não se forma mais nenhum ovócito 
primário, o que contrasta com a contínua produção de 
espermatócitos primários no homem. Os ovócitos primários 
permanecem em repouso nos folículos ovarianos até a puberdade. 
Geralmente um folículo amadurece a cada mês, e ocorre a ovulação, 
exceto quando são usados contraceptivos orais. 
A duração prolongada da primeira divisão meiótica (até 45 
anos) pode ser responsável, em parte, pela alta frequência de erros 
meióticos, tais como a não-disjunção (falha na separação dos 
cromossomos pareados), que ocorre com o aumento da idade 
materna. Os ovócitos primários em prófase suspensa (dictióteno) são 
vulneráveis aos agentes ambientais como a radiação. 
Com início na puberdade, quando FSH e LH da hipófise 
anterior começam a ser secretados em quantidades significativas, os 
Medicina - Letícia Ataíde 
ovários,em conjunto com alguns dos folículos em seu interior, 
começam a crescer. 
 O primeiro estágio de crescimento folicular é o aumento 
moderado do próprio óvulo, cujo diâmetro aumenta por duas a três 
vezes. Então segue-se o crescimento de outras camadas das células 
da granulosa em alguns dos folículos, conhecidos como folículos 
primários. 
Durante os primeiros dias de cada ciclo sexual mensal 
feminino, as concentrações de FSH e de LH, secretados pela hipófise 
anterior, aumentam de leve a moderadamente e o aumento do FSH é 
ligeiramente maior do que o de LH e o precede em alguns dias. 
Esses hormônios, especialmente o FSH, causam o crescimento 
acelerado de seis a 12 folículos primários por mês. O efeito inicial é a 
rápida proliferação das células da granulosa, levando ao 
aparecimento de muitas outras camadas dessas células. Além disso, 
as células fusiformes derivadas do interstício ovariano, agrupam-se 
em diversas camadas por fora das células da granulosa, levando ao 
aparecimento de segunda massa de células, denominadas teca, que 
se dividem em duas camadas. Na teca interna, as células adquirem 
características epitelioides semelhantes às das células da granulosa 
e desenvolvem a capacidade de secretar mais hormônios sexuais 
esteroides (estrogênio e progesterona). A camada externa, a teca 
externa, se desenvolve formando a cápsula de tecido conjuntivo 
muito vascular, que passa a ser a cápsula do folículo em 
desenvolvimento. 
Depois da fase proliferativa inicial do crescimento que dura 
alguns dias, a massa de células da granulosa secreta o líquido 
folicular que contém concentração elevada de estrogênio, um dos 
hormônios sexuais femininos mais importantes. O acúmulo desse 
líquido leva ao aparecimento do antro dentro da massa de células da 
granulosa. 
O crescimento inicial do folículo primário até o estágio antral 
(folículo secundário) só é estimulado, principalmente, pelo FSH. 
Então, ocorre crescimento muito acelerado, levando a folículos ainda 
maiores, denominados folículos vesiculares. 
Esse crescimento acelerado é causado pelos seguintes 
fatores: (1) o estrogênio é secretado no folículo e faz com que as 
células da granulosa formem quantidades cada vez maiores de 
receptores de FSH, o que leva a efeito de feedback positivo, já que 
torna as células da granulosa ainda mais sensíveis ao FSH. (2) O 
FSH hipofisário e os estrogênios se combinam para promover 
receptores de LH nas células originais da granulosa, permitindo, 
assim, que ocorra a estimulação pelo LH além da estimulação do 
FSH, e provocando aumento ainda mais rápido na secreção folicular. 
(3) A maior quantidade de estrogênio na secreção folicular 
mais a grande quantidade de LH da hipófise anterior agem em 
conjunto, causando a proliferação das células teçais foliculares e 
aumentando também a sua secreção. 
Quando os folículos antrais ou folículo secundário começam a 
crescer, seu crescimento ocorre de modo quase explosivo. O próprio 
diâmetro do óvulo aumenta também por mais de três a quatro vezes, 
representando aumento total do diâmetro do óvulo de até 10 vezes, 
ou aumento de sua massa da ordem de 1.000 vezes. Enquanto o 
folículo aumenta, o óvulo permanece incrustado na massa de células 
da granulosa localizadaem um polo do folículo. 
Após 1 semana ou mais de crescimento —mas antes de 
ocorrer a ovulação —um dos folículos começa a crescer mais do que 
os outros; os outros cinco a 11 folículos em desenvolvimento 
involuem (processo denominado atresia) e diz-se então que esses 
folículos ficam atrésicos. 
Não se sabe qual a causa da atresia, mas já foi sugerida a 
seguinte hipótese: as grandes quantidades de estrogênio do folículo 
em crescimento mais rápido agem no hipotálamo, deprimindo a 
secreção mais intensa de FSH pela hipófise anterior, bloqueando, 
dessa forma, o crescimento posterior dos folículos menos bem 
desenvolvidos. Portanto, o folículo maior continua a crescer por 
causa de seus efeitos de feedback positivo intrínsecos, enquanto 
todos os outros folículos param de crescer e, efetivamente, involuem. 
Esse processo de atresia é importante, pois normalmente 
permite que apenas um dos folículos cresça o suficiente todos os 
meses para ovular o que, em termos gerais, evita que mais de uma 
criança se desenvolva em cada gravidez. O folículo único atinge 
diâmetro de 1 a 1,5 centímetro na época da ovulação, quando é 
denominado folículo maduro. 
Com a maturação do folículo, o ovócito primário aumenta de 
tamanho e, imediatamente antes da ovulação, completa a primeira 
divisão meiótica para dar origem a um ovócito secundário e ao 
primeiro corpo polar. Entretanto, diferentemente do estágio 
correspondente na espermatogênese, a divisão do citoplasma é 
desigual. 
O ovócito secundário recebe quase todo o citoplasma e o 
primeiro corpo polar recebe muito pouco. O corpo polar é uma célula 
pequena, não-funcional, que logo degenera. Na ovulação, o núcleo 
do ovócito secundário inicia a segunda divisão meiótica, mas progride 
apenas até a metáfase, quando, então, a divisão é interrompida. 
Se um espermatozoide penetra o ovócito secundário, a 
segunda divisão meiótica é completada e a maior parte do citoplasma 
é novamente mantida em uma célula, o ovócito fecundado. A outra 
célula, o segundo corpo polar, uma célula também pequena e 
não-funcional, logo degenera. Assim que o segundo corpo polar é 
extrudido, a maturação do ovócito se termina. 
 
 Existem cerca de dois milhões de ovócitos primários nos 
ovários de uma menina recém-nascida, mas muitos regridem 
durante a infância, de modo que na adolescência não mais que 40.000 
permanecem. Destes, somente cerca de 400 tornam-se ovócitos 
 secundários e são expelidos na ovulação durante o período 
reprodutivo. Poucos desses ovócitos, se algum, tornam-se maduros. O 
número de ovócitos que ovulam é bastante reduzido nas mulheres que 
tomam pílulas contraceptivas porque os hormônios contidos nas pílulas 
impedem a ovulação. 
 
 
 
 Transporte do Ovócito 
Na ovulação, o ovócito secundário é expelido do folículo 
ovariano com o fluido folicular que escapa. Durante a ovulação, as 
extremidades fimbriadas da tuba uterina aproximam-se intimamente 
do ovário. As expansões digitiformes da tuba — as fimbrias — 
movem-se para frente e para trás sobre o ovário. 
A ação de varredura das fimbrias e a corrente de fluido 
produzida pelos cílios das células da mucosa das fimbrias "varrem" o 
ovócito secundário para o infundíbulo afunilado da tuba. O ovócito 
passa para a ampola da tuba principalmente como resultado da 
peristalse — os movimentos alternados de contração e relaxamento 
da parede da tuba — em direção ao útero. 
 
 
Ovulação 
A ovulação na mulher que tem ciclo sexual de 28 dias se dá 
14 dias depois do início da menstruação. Um pouco antes de ovular, 
a parede externa protuberante do folículo incha rapidamente e a 
pequena área no centro da cápsula folicular, denominada estigma, 
projeta-se como um bico. Em 30 minutos ou mais, o líquido começa a 
vazar do folículo através do estigma, e cerca de 2 minutos depois o 
estigma se rompe inteiramente, permitindo que líquido mais viscoso, 
que ocupava a porção central do folículo, seja lançado para fora. O 
líquido viscoso carrega consigo o óvulo cercado por massa de 
milhares de pequenas células da granulosa, denominada coroa 
radiada. 
O LH é necessário para o crescimento folicular final e para a 
ovulação. Sem esse hormônio, até mesmo quando grandes 
quantidades de FSH estão disponíveis, o folículo não progredirá ao 
estágio de ovulação. 
Cerca de 2 dias antes da ovulação (por motivos que ainda 
não estão totalmente entendidos, mas que serão discutidos em mais 
Medicina - Letícia Ataíde 
detalhes adiante no capítulo), a secreção de LH pela hipófise anterior 
aumenta bastante, por seis a 10 vezes e com pico em torno de 16 
horas antes da ovulação. O FSH também aumenta por cerca de duas 
a três vezes ao mesmo tempo, e FSH e LH agem sinergicamente 
causando a rápida dilatação do folículo, durante os últimos dias antes 
da ovulação. O LH tem ainda efeito específico nas células da 
granulosa e teçais, convertendo-as, principalmente, em células 
secretoras de progesterona. Portanto, a secreção de estrogênio 
começa a cair cerca de 1 dia antes da ovulação, enquanto 
quantidades cada vez maiores de progesterona começam a ser 
secretadas. 
É nesse ambiente de (1) crescimento rápido do folículo, (2) 
menor secreção de estrogênio após fase prolongada de sua secreção 
excessiva e (3) início da secreção de progesterona que ocorre a 
ovulação. Sem o pico pré-ovulatório inicial do LH, a ovulação não 
ocorreria. 
Essa grande quantidade de LH secretado pela hipófise 
anterior causa rápida secreção dos hormônios esteroides foliculares, 
contendo progesterona. Dentro de algumas horas ocorrem dois 
eventos, ambos necessários para a ovulação: (1) a teca externa (a 
cápsula do folículo) começa a liberar enzimas proteolíticas dos 
lisossomos, o que causa a dissolução da parede capsular do folículo 
e o consequente enfraquecimento da parede, resultando em mais 
dilatação do folículo e degeneração do estigma. (2) 
Simultaneamente, ocorreu rápido crescimento de novos vasos 
sanguíneos na parede folicular e, ao mesmo tempo, são secretadas 
prostaglandinas (hormônios locais que causam vasodilatação) nos 
tecidos foliculares. Esses dois efeitos promovem transudação de 
plasma para o folículo, contribuindo para sua dilatação. Por fim, a 
combinação da dilatação folicular e da degeneração simultânea do 
estigma faz com que o folículo se rompa, liberando o óvulo. 
 
Corpo Lúteo – Fase “Lútea” do Ciclo Ovariano 
Durante as primeiras horas depois da expulsão do óvulo do 
folículo, as células da granulosa e teçais internas remanescentes se 
transformam rapidamente, para células lute-ínicas.Elas aumentam 
em diâmetro por duas a três vezes e ficam repletas de inclusões 
lipídicas que lhes dão aparência amarelada. Esse processo é 
chamado de luteiniza-ção,e a massa total de células é denominada 
corpo lúteo, que é mostrado na Figura 81-4. Suprimento vascular 
bem desenvolvido também cresce no corpo lúteo. 
As células da granulosano corpo lúteo desenvolvem vastos 
retículos endoplasmáticos lisos intracelulares, que formam grandes 
quantidades dos hormônios sexuais femininos progesterona e 
estrogênio(mais progesterona do que estrogênio durante a fase 
lútea). As células teçais formam basicamente os androgênios 
androstenediona e testosterona, em vez dos hormônios sexuais 
femininos. Entretanto, a maioria desses hormônios também é 
convertida pela enzima aromatase nas células da granulosa em 
estrogênios, os hormônios femininos. 
O corpo lúteo cresce normalmente até cerca de 1,5 
centímetro em diâmetro, atingindo esse estágio de desenvolvimento 
7 a 8 dias após a ovulação. Então ele começa a involuir e 
efetivamente, perde suas funções secretórias, bem como sua 
característica lipídica amarelada, cerca de 12 dias depois da 
ovulação, passando a ser o corpus albicans que, durante as semanas 
subsequentes, é substituído por tecido conjuntivo e absorvido aolongo de meses. 
Função Luteinizante do LH. A alteração das células da 
granulosa e teçais internas em células luteínicas depende 
essencialmente do LH secretado pela hipófise anterior. Na verdade, é 
a função que dá nome ao LH —―luteinizante‖, significado de 
―amarelado‖. A luteinização também depende da extrusão do óvulo 
do folículo. Um hormônio local, ainda não caracterizado no líquido 
folicular, denominado fator inibidor da luteinização,parece controlar o 
processo de luteinização até depois da ovulação. 
O corpo lúteo é órgão muito secretor, produzindo grande 
quantidade de progesteronae estrogênio.Uma vez que o LH 
(principalmente o secretado durante o pico ovulatório) tenha agido 
nas células da granulosa e teçais, causando a luteinização, as 
células luteínicas recém-for-madas parecem estar programadas para 
seguir a sequência pré-ordenada de (1) proliferação, (2) aumento e 
(3) secreção seguida por (4) degeneração. Tudo isso ocorre em 
aproximadamente 12 dias. Outro hormônio com quase as mesmas 
propriedades do LH, a gonado-tropina coriônicasecretada pela 
placenta, pode agir no corpo lúteo prolongando sua vida —
geralmente durante, pelo menos, os primeiros 2 a 4 meses de 
gestação. 
 Involução do Corpo Lúteo e Início do Próximo Ciclo 
Ovariano. 
O estrogênio, em especial, e a progesterona, em menor 
extensão, secretados pelo corpo lúteo durante a fase luteínica do 
ciclo ovariano, têm potentes efeitos de feedbackna hipófise anterior, 
mantendo inten-sidades secretórias reduzidas de FSH e de LH. 
Além disso, as células luteínicas secretam pequenas 
quantidades do hormônio inibina,a mesma inibina secretada pelas 
células de Sertoli nos testículos masculinos. Esse hormônio inibe a 
secreção pela hipófise anterior, especialmente a secreção de FSH. O 
resultado são concentrações sanguíneas reduzidas de FSH e de LH, 
e a perda desses hormônios, por fim, faz com que o corpo lúteo se 
degenere completamente, processo denominado involuçãodo corpo 
lúteo. 
A involução final normalmente se dá ao final de quase 12 
diasexatos da vida do corpo lúteo, em torno do 269dia do ciclo sexual 
feminino normal, 2 dias antes de começar a menstruação. Nessa 
época, a parada súbita de secreção de estrogênio, progesterona e 
inibina pelo corpo lúteo remove a inibição por feedback da hipófise 
anterior, permitindo que ela comece a secretar novamente 
quantidades cada vez maiores de FSH e LH. O FSH e o LH dão início 
ao crescimento de novos folículos, começando novo ciclo ovariano. A 
escassez de progesterona e estrogênio, nesse momento, também 
leva à menstruação uterina. 
 
 
 
 
Ciclo Endometrial Mensal 
Associado à produção cíclica mensal de estrogênios e 
progesterona pelos ovários, temos um ciclo endometrial no 
revestimento do útero, que opera através dos seguintes estágios: (1) 
proliferação do endométrio uterino; (2) desenvolvimento de 
alterações secretórias no endométrio; e (3) descamação do 
endométrio que conhecemos como menstruação. 
 Fase Proliferativa (Fase Estrogênica) do Ciclo 
Endometrial, Ocorrendo Antes da Ovulação. 
 No início de cada ciclo mensal, grande parte do endométrio 
descamou pela menstruação. Após a menstruação, resta apenas 
pequena camada de estroma endometrial, e as únicas células 
epiteliais restantes são as localizadas nas porções remanescentes 
profundas das glândulas e criptas do endométrio. Sob a influência 
dos estrogênios secretados em grande quantidade pelo ovário, 
durante a primeira parte do ciclo ovariano mensal, as células do 
estroma e as células epiteliais proliferam rapidamente. A superfície 
endometrial é reepitelizada 4 a 7 dias após o início da menstruação. 
Em seguida, durante a próxima semana e meia antes de 
ocorrer a ovulação, a espessura do endométrio aumenta bastante, 
devido ao crescente número de células estromais e ao crescimento 
progressivo das glândulas endometriais e novos vasos sanguíneos 
no endométrio. Na época da ovulação, o endométrio tem 3 a 5 
milímetros de espessura. 
As glândulas endometriais, especialmente as da região 
cervical, secretam um muco fino e pegajoso. Os filamentos de muco 
efetivamente se alinham ao longo da extensão do canal cervical, 
formando canais que ajudam a guiar o espermatozóide na direção 
correta da vagina até o útero. 
Medicina - Letícia Ataíde 
 Fase Secretora (Fase Progestacional) do Ciclo 
Endometrial Ocorrendo Após a Ovulação. 
Durante grande parte da última metade do ciclo mensal, depois de ter 
ocorrido a ovulação, progesterona e estrogênio são secretados em 
grande quantidade pelo corpo lúteo. Os estrogênios causam leve 
proliferação celular adicional do endométrio durante essa fase do 
ciclo, enquanto a progesterona causa inchaço e desenvolvimento 
secretório acentuados do endométrio. As glândulas aumentam em 
tortuosidade; excesso de substâncias secretórias se acumula nas 
células epiteliais glandulares. Além disso, o citoplasma das células 
estromais aumenta; depósitos de lipídios e glicogênio aumentam 
bastante nas células estromais; e o aporte sanguíneo ao endométrio 
aumenta ainda mais, em proporção ao desenvolvimento da atividade 
secretora e os vasos sanguíneos ficam muito tortuosos. No pico da 
fase secretória, cerca de 1 semana depois da ovulação, o endométrio 
tem espessura de 5 a 6 milímetros. 
A finalidade geral dessas mudanças endometriais é a de 
produzir endométrio muito secretor, que contenha grande quantidade 
de nutrientes armazenados, para prover condições apropriadas para 
a implantação do óvulo fertilizado durante a última metade do ciclo 
mensal. 
 A partir do momento em que o óvulo fertilizado chega à 
cavidade uterina, vindo da trompa de Falópio (o que ocorre 3 a 4 dias 
depois da ovulação), até o momento em que o óvulo se implanta (7 a 
9 dias depois da ovulação), as secreções uterinas, chamadas de 
―leite uterino‖ proporcionam nutrição para o óvulo em suas divisões 
iniciais. 
 Em seguida, quando o óvulo se implanta no endométrio, as 
células trofoblásticas na superfície do ovo implantado (no estágio de 
blastocisto), começam a digerir o endométrio e a absorver as 
substâncias endometriais armazenadas, disponibilizando, assim, 
grande quantidade de nutrientes para o embrião recém-implantado. 
Menstruação 
Se o óvulo não for fertilizado, cerca de 2 dias antes do final 
do ciclo mensal, o corpo lúteo no ovário subitamente involui e a 
secreção dos hormônios ovarianos (estrogênio e progesterona) 
diminui. Segue-se a menstruação. 
A menstruação é causada pela redução de estrogênio e 
progesterona, especialmente da progesterona, no final do ciclo 
ovariano mensal. O primeiro efeito é a menor estimulação das células 
endometriais por esses dois hormônios, seguida rapidamente pela 
involução do próprio endométrio, para cerca de 65% da sua 
espessura prévia. Em seguida, durante as 24 horas que precedem o 
surgimento da menstruação, os vasos sanguíneos tortuosos que 
levam às camadas mucosas do endométrio ficam vasoespásticos, 
supostamente devido a algum efeito da involução, como a liberação 
de material vasoconstritor — possivelmente um dos tipos 
vasoconstritores das prostaglandinas, presentes em abundância 
nessa época. 
O vasoespasmo, a diminuição dos nutrientes ao endométrio e 
a perda de estimulação hormonal desencadeiam necrose no 
endométrio, especialmente dos vasos sanguíneos. 
Consequentemente, o sangue primeiro penetra a camada vascular do 
endométrio, e as áreas hemorrágicas crescem rapidamente durante 
período de 24 a 36 horas. Gradativamente, as camadas externas 
necróticas do endométrio se separam do útero em locais de 
hemorragia, até que cerca de 48 horas depois de surgir a 
menstruação todas as camadas superficiais do endométrio tenham 
descarnado. A massa de tecido descarnado e de sangue na cavidade 
uterina mais os efeitos contráteis das prostaglandinas ou de outrassubstâncias no descarnado em degeneração agem em conjunto, 
dando início a contrações que expelem os conteúdos uterinos. 
 
Durante a menstruação normal, aproximadamente 40 
mililitros de sangue e mais 35 mililitros de líquido seroso são 
eliminados. O líquido menstruai normalmente não se coagula porque 
uma fibrinolisina é liberada em conjunto com o material endometrial 
necrótico. Se houver sangramento excessivo da superfície uterina, a 
quantidade de fibrinolisina pode não ser suficiente para evitar a 
coagulação. A presença de coágulos durante a menstruação, muitas 
vezes representa evidência clínica de patologia uterina. 
Quatro a 7 dias após o início da menstruação, a perda de sangue 
para, porque nesse momento, o endométrio já se reepitalizou. 
 Leucorreia: Durante a menstruação, enorme 
quantidade de leucócitos é liberada em conjunto com o material 
necrótico e o sangue. É provável que alguma substância liberada 
pela necrose endometrial cause tal eliminação de leucócitos. Como 
resultado desses leucócitos e possivelmente, de outros fatores, o 
útero é muito resistente a infecções durante a menstruação, muito 
embora as superfícies endometriais estejam desprotegidas. Trata-se 
de evento extremamente protetor.

Mais conteúdos dessa disciplina