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Introdução Os rins exercem múltiplas funções que podem ser didaticamente caracterizadas como filtração, reabsorção, homeostase, funções endocrinológica e metabólica. A função primordial dos rins é a manutenção da homeostasia, regulando o meio interno predominantemente pela reabsorção de substâncias e íons filtrados nos glomérulos e excreção de outras substâncias ( SODRÉ et al, 2007). Em geral, os exames laboratoriais que avaliam a função renal tentam estimar a taxa de filtração glomerular (TFG), definida como o volume plasmático de uma substância que pode ser completamente filtrada pelos rins em uma determinada unidade de tempo. A TFG é uma das mais importantes ferramentas na análise da função renal, sendo também um indicador do número de néfrons funcionais ( SODRÉ et al, 2007). Normalmente, o rim filtra 120 mL/min de sangue e o depura de produtos finais do metabolismo protéico, enquanto previne a perda de solutos específicos, proteína (particularmente a albumina) e os componentes celulares encontrados no sangue. Na prática clínica, a avaliação da TFG é realizada empregando-se substâncias de produção endógena e que são eliminadas pelos rins (SNB, 2011) . A uréia é o principal metabólito nitrogenado derivado da degradação de proteínas pelo organismo, sendo 90% excretados pelos rins e correspondendo a aproximadamente 75% do nitrogênio não-protéico excretado. O restante da uréia é eliminado basicamente pelo trato gastrintestinal e pela pele. Apesar de ser filtrada livremente pelo glomérulo, não ser reabsorvida nem secretada ativamente, a uréia é um fraco preditor da TFG, pois 40%-70% retornam para o plasma por um processo de difusão passiva, que é dependente do fluxo urinário ( SODRÉ et al, 2007). A principal utilidade clínica da uréia parece estar na determinação em conjunto com a creatinina. A razão uréia sérica/creatinina sérica pode indicar estados patológicos diferentes. Em valor abaixo do esperado ela pode ser encontrada em patologias como a necrose tubular aguda, baixa ingestão de proteínas, condições de privação alimentar ou redução da síntese de uréia por insuficiência hepática. A análise dessa razão elevada pode ser feita de forma dicotomizada com a creatinina dentro do valor de referência, indicando processos que levam a diminuição do fluxo sanguíneo renal, aumento na ingestão protéica, ou sangramento gastrintestinal; e com a creatinina acima do valor normal, denotando processos obstrutivos pós-renais, como tumores ou estenose de vias urinárias ( SODRÉ et al, 2007). A creatinina é um produto residual da creatina. A transformação de creatina em creatinina acontece no tecido muscular, no qual 1%-2% da creatina livre se converte espontânea e irreversivelmente em creatinina todos os dias. A creatinina é filtrada livremente no glomérulo. Ao contrário da uréia, a creatinina é ativamente secretada em uma pequena parcela, mas o suficiente para superestimar a TFG. A quantidade secretada não é constante e depende do indivíduo e da concentração plasmática desse analito, dificultando sobremaneira a determinação de uma constante de secreção. Apesar de superestimar a TFG e depender da massa muscular, o clearance de creatinina continua sendo um dos marcadores mais usados na avaliação da função renal ( SODRÉ et al, 2007). O ácido úrico é um produto resultante do metabolismo das purinas, que são constituintes de todas as células do organismo e da maioria dos produtos alimentares. Os níveis de urato são mantidos à custa de excreção do excedente da produção diária, quer através do rim, que elimina cerca de dois terços dessa produção, quer através do intestino, que excreta o restante (MIGUEL & MEDIAVILLA, 2011). A concentração do ácido úrico no soro vai variar de acordo com diversos fatores de um individuo para o outro, como: sexo, dietas, constituição genética, gravidez e outros, os indivíduos mais afetados são os homens, nas mulheres os níveis costumam ser baixos devido à presença do estrogênio que ajuda na eliminação do ácido pelos rins. Quando é ultrapassada a concentração máxima de saturação no sangue (aproximadamente 6,8 mg/dL), aumenta o risco de cristalização, sobretudo na presença de condições favoráveis, como a diminuição da temperatura local ou do pH, que acontecem essencialmente nas extremidades. E indica uma desordem no metabolismo das substâncias que se origina de defeitos na eliminação, ocorrendo a hiperuricemia e doenças devido a esse aumento como artrite gotosa (MIGUEL & MEDIAVILLA, 2011). Objetivo A aula prática teve como objetivo ensinar e orientar os alunos a determinação do perfil renal (ácido úrico, creatinina, ureia), por método enzimático colorimétrico em um acadêmico voluntário. Materiais e Método Materiais e Reagentes: Máscara facial Touca Descartável Luvas Garrote Algodão Papel Toalha Álcool 70% Seringa de 5ml descartável Agulha 25x8 descartável Tubo com gel separador (Tampa Vermelha) Descarte para agulhas Lixo “branco” – Material Contaminado Caneta para identificação de tubo Curativo adesivo Estante para Tubos Tubos de vidro (secos) Microtubo de 1,5ml Ponteiras Descartáveis Cubetas para espectrofotômetro Água Destilada Kits de reagentes (Ureia Color, Creatinina e Ácido úrico) Equipamentos: Centrífuga para tubos Banho-Maria Espectrofotômetro Cronômetro Pipetas Automáticas Procedimentos: Primeiramente, o grupo organizou a bancada com todos os materiais necessários para a realização da prática e de acordo com disposição para doação voluntária do colega de grupo foi feito os seguintes procedimentos. Identificou o tubo com o nome do colega voluntário; Realizou a coleta de acordo com as instruções e passos da primeira aula prática em tubo a vácuo; Colocou o tubo com amostra no Banho-Maria para acelerar o tempo de coagulação; Com auxilio da pipeta foi coletado da parte superior o soro e colocado em um eppendorf; As dosagens de acordo com as instruções de uso do kit; Iniciou-se com a dosagem de creatinina; a preparação do reagente de trabalho foi procedimento de outro grupo; Pipetou se o reagente de trabalho e a amostra em um tubo nestas proporções; Reagente de trabalho 1mL A Amostra 0,1mL O tubo foi homogeneizado e transferido para cubeta, e levado ao espectrofotômetro para medir a absorbância; Dosagem de ácido úrico; foram separados 3 tubos e adicionado em cada um as seguintes concentrações. B P A 1,0mL reagente 1,0mL do reagente 1,0mL do reagente enzimático 0,02mL do padrão 0,02mL da amostra Os tubos foram homogeneizados e colocados no banho-maria a 37°C por 10 minutos. Posteriormente os tubos foram transferido para cubeta e levados para medir a absorbância no espectrofotômetro. Dosagem de Ureia Colorimétrico B P A 1,0mL reagente 1,0mL do reagente 1,0mL do reagente enzimático 0,01mL do padrão 0,01mL da amostra Os tubos foram homogeneizados e colocados em banho-maria por 5 minutos. Levando ao espectrofotômetro para medir a absorbância em 600nm. Dosagem de Ureia UV-Cinético 1,0 mL do reagente A 0,01mL da amostra Os tubos foram homogeneizados Levando ao espectrofotômetro para medir as absorbâncias após 30 e 60 segundos em 340 nm. Anotado os resultados. Descarte dos materiais utilizados. Limpeza da bancada. Resultados Cálculos da dosagem de Creatinina Creatinina (mg/dL) = [ Amostra (A2 – A1) / Padrão (A2 – A1) ] x 3 Creatinina (mg/dL) = [ Amostra (0,272) / Padrão (0,170-0,100) ] x 3 Creatinina (mg/dL) = 0,272/0,07 x3 Creatinina (mg/dL) = 11,6 Valor de referência Amostra Referência Soro/Plasma 0,4-1,30mg/dL Cálculo da dosagem de Ácido úrico Ácido Úrico (mg/dL) = (Absorbância do Teste / Absorbância do Padrão) x 8 Fator de calibração = 8 / Absorbância do Padrão Ácido úrico (mg/dL)= Absorbância do Teste x Fator Ácido Úrico (mmol/L) = mg/dL x 0,0595. Ácido Úrico (mg/dL) = (50,6/ 46,3) x 8= 8,72 Fator de calibração = 8 / 46,3= 0,172 Ácido úrico (mg/dL) = 50,6 x 0,172= 8,70 Ácido Úrico (mmol/L) = 8,72 x 0,0595= 0,518 Valor de referência Soro Homens 2,5 a 7,0 mg/dL Mulheres 1,5 a 6,0 mg/dL Cálculo da dosagem de Ureia Color Uréia (mg/dL) = (Abs.doTeste ÷ Abs.do Padrão) x70 Fator de calibração = 70÷Absorbância do Padrão Uréia (mg/dL) = Absorbância do Teste x Fator Absorbância do teste = 0,280 Absorbância do padrão = 0,590 Uréia (mg/dL) = (0,280÷0,590) x 70 = 33,2 Fator de calibração = 70 ÷ 0,590 = 118,6 Uréia (mg/dL) = 118,6 x 0,280 = 33,2 Valor de referência Soro 15 a 40 mg/dL Cálculo da dosagem de Ureia-UV Ureia (mg/dL) = (A do Teste /A do Padrão) x 70 Fator de calibração = 70 /A do Padrão Ureia (mg/dL) = A do Teste x Fator Ureia (mmol/L) = mg/dL x 0.167 Amostra Abs. após 30 segundos = 1,820; Abs. após 60 segundos= 1,780 A do amostra = 0,040 Padrão Abs. após 30 segundos= 1,810; Abs. após 60 segundos= 1,745 A do Padrão = 0,065 Ureia (mg/dL) = (0,040 /0,065) x 70= 43 Fator de calibração = (70 / 0,065) = 1077 Ureia (mg/dL) = 0,040 x 1077 = 43 Valor de referência Soro 15 a 40 mg/dL Discussão A análise do perfil renal da voluntária apresentou resultado alto na dosagem de creatinina, que em valores aumentados pode estar associado a lesão dos vasos sanguíneos dos rins (glomerulorefrite) causada, por exemplo, por infecções ou processos autoimunes, infecções renais (pielonefrite), destruição de túbulos renais (necrose tubular aguda) causada, por exemplo, por substâncias tóxicas, obstrução do trato urinário por cálculos ou outros problemas e redução do fluxo de sangue para os rins, causada por choque, desidratação, insuficiência cardíaca congestiva ou aterosclerose. Os níveis de ureia color apresentou resultados correspondente com seu valor de referência. Mas, os níveis da amostra pelo método de ureia UV, apresentaram resultados elevados. A diferença dos métodos está nos substratos que catalisam a reação, no método UV, a velocidade de diminuição da concentração de NADH é proporcional a concentração de ureia na amostra, medida pelo espectrofotômetro em 340 nm. Já na Ureia Color, a hidrolise da ureia que em presença de salicilato, hipoclorito e nitroprussiato produzem a cor azul de indofenol, a qual possui um máximo de absorção em torno de 600 nm, sendo proporcional à concentração de ureia presente na amostra. O ácido úrico apresentou-se acima do valor de referência e pode estar relacionados a produção excessiva de ácido úrico ou por eliminação deficiente. Causas de produção excessiva incluem câncer metastático, mieloma múltiplo, leucemias, linfomas, anemias hemolíticas, policitemia, quimioterapia, radioterapia, alguns medicamentos, dieta rica em proteínas e alguns distúrbios hereditários. Relacionando os aumentos de ácido úrico, ureia e creatinina, estes podem estar associados ao quadro de insuficiência renal, que incluem a creatinina e ácido úrico elevado. Sendo a diabetes e a hipertensão as causas mais comuns da doença renal. Referências Bibliográficas BAYNES, John W. Dominiczak , Marek H.. Bioquímica Médica. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. MIGUEL, Cláudia; MEDIAVILLA, Maria Jesús. Abordagem actual da gota. Acta Médica Portuguesa, v. 24, n. 5, 2011. Peres, Luis Alberto Batista, et al. "Biomarkers of acute kidney injury." Jornal Brasileiro de Nefrologia 35.3 (2013): 229-236. Portal da Diálise [ON LINE]. Disponível em:<https://www.portaldadialise.com/articles/gota-pode-levar-a-doenca-renal-cronica>. Acesso em 27 de Outubro de 2016. Sociedade Brasileira de Nefrologia [ONLINE]. Disponível em: <http://arquivos.sbn.org.br/pdf/biomarcadores.pdf>. Acesso em 27 de Outubro de 2016. SODRÉ, Fábio L.; COSTA, Josete Conceição Barreto; LIMA, José Carlos C. Avaliação da função e da lesão renal: um desafio laboratorial:[revisão]. J. bras. patol. med. lab, v. 43, n. 5, p. 329-337, 2007.