A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
102 pág.
Apostila Teorias da Comunicacao

Pré-visualização | Página 9 de 24

gays etc.) 
imagens da audiência 
códigos profissionais 
{ 
dominante - hegemônica 
oposicional - contestária 
negociada - mesclada ou 
“contraditória” 
{ 
PARA LER MAIS: 
ESCOSTEGUY, Ana Carolina. “Os Estudos Culturais”. In: HOHLFELDT, 
Antonio, MARTINO, Luiz C. & FRANÇA, Vera Veiga. Teorias da Comuni- 
cação. Petrópolis, Vozes, 2001, pp. 151-70. 
HALL, Stuart. Da Diáspora - identidades e mediações culturais. Belo Ho- 
rizonte, UFMG/UNESCO, 2003. 
MATTELART, Armand & NEVEU, Érik. Introdução aos Estudos Culturais. 
São Paulo, Parábola Editorial, 2004. 
SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). O Que é, Afinal, Estudos Culturais? Belo 
Horizonte, Autêntica, 2000. 
 
 
ESTUDO DAS ROTINAS PRODUTIVAS (SOCIOLOGIA DOS EMISSORES) 
Se, de um lado, os estudos sobre os fenômenos da Comunicação 
começavam a lançar bases para estudos da recepção (vide Estudos 
Culturais), por outro houve algumas tentativas de se sistematizar alguns 
aspectos que envolvem a produção dos conteúdos midiáticos (em 
particular, dos jornalísticos). Parte-se para uma análise das rotinas 
produtivas nas redações jornalísticas. 
- início de tudo: Kurt Lewin (1947), em estudo sobre decisões envolvendo 
a compra de alimentos para uma casa ou restaurante. Lewin comparou 
sistema com o processo de produção da informação. A quem decidia sobre 
os produtos a serem adquiridos, Lewin chamou de gatekeeper. 
David White (1950): análise do caso de “Mr. Gates”, que selecionava, 
dentre os despachos de telex que chegavam à redação em que trabalhava, 
quais matérias eram importantes e quais não eram. Resultado: 
90% das matérias = lixo (falta de espaço/histórias repetidas/má redação); 
10% das matérias = publicadas 
David White não percebeu critério lógico para a escolha. 
Bruce Westley & Malcolm MacLean (1957): percebem prática do 
gatekeeping como prática “institucional”, não individual (pressão da 
empresa); além disso, para eles, os jornalistas trabalham conforme a 
imagem e o gosto dos seus públicos. 
John T. McNelly (1959): percebe que há vários gatekeepers na esfera 
midiática em geral (jornais, rádios, TVs etc.) 
Warren Breed (1955): estudo que analisa as formas pelas quais se dá o 
“controle social nas redações”, através de seis características básicas: 
1) autoridade institucional e sanções; 
2) sentimentos de dever / estima para com seus superiores; 
3) aspirações à mobilidade profissional; 
4) caráter agradável do trabalho; 
5) ausência de grandes conflitos inter-grupais; 
6) o fato de a notícia ter um valor. 
Breed acrescenta depois uma sétima característica: o grupo de referência. 
 
 
Para alguns, análise de Breed visibiliza os critérios subjetivos que 
interferem na produção de uma notícia; assim, passamos do gatekeeping 
para o newsmaking, para a análise dos modos e rotinas de produção em 
um jornal, ou seja, o que faz algo ser notícia (newsworthiness). 
Mais precisamente: notícia passa a ser aquilo que se adequa à linha 
editorial de cada jornal, não algo que seja “particular” do jornalista. Para 
Peter Golding e Phillip Elliot (1979), passa-se da noção de “distorção 
voluntária” para a “distorção involuntária” (unwitting bias). Denis McQuail 
(1985) define quatro tipos de distorção, sendo as duas primeiras mais 
facilmente localizáveis e as duas últimas mais “invisíveis”: 
- posição partidária (voluntária e explícita) 
- propaganda (involuntária e explícita) 
- ideologia (voluntária e implícita) 
- unwitting bias (involuntária e implícita) 
De modo geral, o modus operandi do jornalista diz respeito a dois grupos 
de fatores (geralmente desconhecidos do público em geral): 
1) a cultura profissional do jornalista (a naturalização das práticas 
profissionais); 
2) a organização do trabalho e suas e processos produtivos (convenções 
que acabam por definir a noticiabilidade de um fato). 
Exemplos de naturalização: 
1) depoimento (fonte) = texto editado (em tempo, tamanho); 
2) opção (atual) pelo relato lógico, não cronológico; 
3) texto jornalístico = indexical (só se refere ao referente, raramente ao 
modo como ele próprio - texto - é produzido). 
4) uso de recursos lingüísticos similar ao dos textos históricos e científicos: 
“apagamento” do sujeito enunciador. 
Conseqüências: 
1) superficialidade e acontextualidade (em relação aos textos históricos e 
científicos), pois enfoque é maior no “o quê?”, “como?”, “onde?” etc., e 
menor - muitas vezes - no “por quê?”). Paradoxo: quanto (de informação) 
em quanto tempo / espaço. 
 
 
2) Importâncias e hierarquizações se dão conforme certas características: 
- critérios de noticiabilidade: grau / nível dos envolvidos no fato + impacto 
sobre país / interesse nacional + número de pessoas envolvidas no fato / 
capacidade de evolução do assunto. 
- critérios do produto: disponibilidade / acessibilidade ao material + 
brevidade + ideologia da notícia (desvio é melhor do que rotina) + 
atualidade + qualidade + equilíbrio (balanceamento dos fatos). 
- critérios dos MCM: existência de apoio visual (imagens, fotos) + 
freqüência do fato (aparecerá uma vez ou várias?) + formato (duração / 
tamanho / formato da matéria). 
- critérios do público (imaginado) 
- critérios de concorrência: fragmentação exagerada / exacerbada (boxes : 
rubricas etc.) + expectativas recíprocas (um pensa no que o outro vai 
escrever / publicar) + expectativas recíprocas que desencorajam inovações 
+ modelos de referência (“se FSP vai dar...” ou “se O Globo não der...”). 
Em suma: fato de atender potencialmente boa parte desses critérios para 
se tornar um “acontecimento jornalístico”. Por isso, diz Adriano Duarte 
Rodrigues, “o fato cria a notícia, a notícia cria o fato”. 
Rotinas produtivas: dizem respeito ao cotidiano das redações. 
- recolha de informações (fontes, agências, press-kits, releases, 
agendamento de datas e fatos etc.); 
- seleção de informações (conhecimento prévio + qualidade visual + 
visibilidade / existência nos MCM); 
- apresentação das informações (edição, diagramação, 
“recontextualização”, hierarquização dos fatos e “apagamento do público”). 
Problemas do newsmaking: 
1) o going native (assemelhamento do estrangeiro ao pesquisado); 
2) o “não estranhamento” (como jornalista se “afasta” de colegas 
/ realidade?); 
3) após conhecer rotinas, difícil não pensar na mesma lógica do jornalista. 
 
 
CULTURA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA 
Regras peculiares ao universo midiático: 
temporalidade + narrativa + critérios para visibilização de fontes 
- temporalidade própria: fatos devem ser “diários” ou “diarizáveis” 
(suitáveis), mas também devem acabar coincidindo com o horário do 
fechamento dos MCM. Acaba levando a imprensa a tentar antecipar certos 
fatos (“jornalismo antecipatório”). 
- narrativa própria: edição + hierarquização + seleção e/ou omissão de 
fatos + apagamento do sujeito. 
- acesso aos MCM (por parte das fontes) - para Pierre Bourdieu, há três 
mecanismos de acessibilidade aos meios, que são a obediência e a 
adaptação a: 
- tempo (poder de síntese); 
- tema sugerido (imposto por veículo); 
- linguajar cotidiano (proibição ao uso de jargões). 
Para Dominique Wolton, essa relação é mais profunda, uma vez que TV 
“aproxima” as realidades (culturas de elite e de massa). Relações entre 
mídia e fontes (intelectuais) se dão de cinco modos: 
- intelectuais midiáticos (fazem uso racional, sistemático e “natural” da TV; 
geralmente não pertencem à Academia); 
- intelectuais estrategistas (usam mídia visando aumento da própria 
influência pessoal; atacam TV mas querem estar nela); 
- intelectuais usuários (usam mídia quando necessário, dado seu poder de 
transmissão de informações úteis / importantes); 
- intelectuais