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Osteomielite A osteomielite é uma infecção dos ossos. Extensão de uma infecção dos tecidos moles (úlcera de pressão ou vascular infectada, infecção incisional) Contaminação direta do osso por uma cirurgia óssea, fratura aberta ou lesão traumática (ferimento por arma de fogo) Disseminação hematógena (pelo sangue) a partir de outros locais de infecção (amígdalas infectadas, furúnculos, dentes infectados, infecções no trato respiratório superior). A osteomielite decorrente da disseminação hematógena ocorre tipicamente num osso, numa área de traumatismo ou de resistência diminuída, possivelmente por um trauma subclínico (não-aparente). O osso torna-se infectado por uma das três seguintes maneiras: Paciente PAF, masculino, 53 anos de idade, lesado medular há quatro anos devido a acidente motociclístico. É independente, dirige carro adaptado e locomove-se em cadeira de rodas. Referiu que há cerca de duas semanas iniciou quadro de dor, limitação funcional do punho esquerdo e de aparecimento súbito. 1 - Foi atendido em pronto-socorro ortopédico, apresentando radiografias de punho sem alterações aparentes, sendo então diagnosticado como contusão do punho pelo excesso de esforço na cadeira de rodas e durante a fisioterapia, sendo-lhe prescrita imobilização por luva gessada por sete dias e anti-inflamatórios. 2 - Procurou outro serviço após sete dias, com queixa de piora da dor, do edema e da limitação funcional, sem outros sinais ou sintomas. Radiografias do punho mostraram pequena área de reabsorção óssea no segmento distal do corpo do escafóide, sendo então diagnosticada fratura do mesmo; prescrita imobilização gessada para escafóide e analgésicos. Estudo de caso 3 - Após três dias de uso do gesso, o paciente retornou com piora da dor, do edema e agora apresentando leve flogose (Inflamação) dorsal no punho e volar (palma da mão) na topografia do escafóide, com exame radiológico mantendo a mesma imagem, sendo então diagnosticada celulite, após retirada do aparelho gessado. Foram prescritos anti-inflamatórios e analgésicos. 4 - Após três dias, o paciente procurou o Hospital Regional de SC, apresentando dor intensa mesmo com o uso dos medicamentos, piora da flogose, e derrame articular, além de febre e queda do estado geral. Nas radiografias do punho observamos a mesma lesão osteolítica, sem características de fratura. A ressonância magnética (RM) ponderada mostrou destruição restrita ao pólo distal do escafóide, sem comprometimento total do osso. Solicitado hemograma, que evidenciou leucocitose (13.000). Baseado no quadro clínico-radiológico, foi feita hipótese de osteomielite aguda do escafóide. Foi realizada punção articular, com saída de pus, e a bacterioscopia revelou presença de vários cocos isolados na amostra examinada. Em decorrência, foi realizada artrotomia do punho (exposição cirúrgica da articulação), debridamento, limpeza cirúrgica e curetagem do escafóide. No ato cirúrgico foi observada lesão erosiva dos rebordos do escafóide. FISIOPATOLOGIA Entre 70 e 80% das infecções ósseas são causadas por Staphylococcus aureus. Outros organismos patogênicos que são encontrados frequentemente na osteomielite incluem espécies Proteus e Pseudomonas e Escherichia coli. A incidência de infecções hospitalares por organismos anaeróbicos Gram-negativos resistentes à penicilina vem aumentando. A resposta inicial à infecção consiste em inflamação, aumento da vascularização e edema. Depois de 2 ou 3 dias, há trombose dos vasos sanguíneos na área, ocasionando isquemia e necrose óssea. Quando a infecção é trazida pelo sangue, o início é comumente súbito, ocorrendo com frequência em associação às manifestações clinicas e laboratoriais da septicemia (p.ex., calafrios, febre alta, pulso rápido, mal-estar geral). Os sintomas sistêmicos podem, a princípio, obscurecer os sinais locais. Quando se entende através do córtex do osso, a infecção envolve o periósteo e os tecidos moles. A área infectada se torna dolorida, tumefeita e extremamente hipersensível. O paciente pode descrever uma dor pulsátil constante, que se intensifica com o movimento em consequência da pressão do pus acumulado. Não há sintomas se septicemia quando a osteomielite ocorre pela disseminação de uma infecção adjacente ou contaminação direta. A área mostra-se tumefeita, quente, dolorida e hipersensível ao toque. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS (SINAIS E SINTOMAS) O paciente com osteomielite crônica apresenta um trato fistuloso drenando secreção continuamente ou tem períodos recorrentes de dor, inflamação, tumefação e drenagem de secreções. A infecção de baixa intensidade desenvolve-se no tecido cicatricial, por ter um suprimento sanguíneo diminuído. Paciente AVS. Radiografia com sinais de osteomielite crônica da tíbia, fratura patológica (A) e não consolidação após seis semanas (B). Transformação maligna da úlcera em carcinoma espinho-celular (C). Na osteomielite aguda, os achados radiográficos iniciais demonstram tumefação dos tecidos moles. Em cerca de 2 semanas, evidenciam-se áreas de descalcificação irregular, necrose óssea, elevação do periósteo e formação de novo osso. Cintilografias ósseas por radioisótopos, especialmente a cintilografia com leucócitos marcados por isótopos, e a aquisição de imagens por ressonância magnética (RM) ajudam no diagnóstico definitivo imediato. Os estudos sanguíneos revelam leucocitose uma elevação d VHS. Estudos de cultura da ferida e de hemocultura apropriados são realizados para identificar a terapia antibiótica apropriada. DIAGNÓSTICOS E EXAMES Na osteomielite crônica, observam-se às radiografias grandes cavidades irregulares, periósteo elevado, sequestros ósseos ou densas formações ósseas. As cintilografias ósseas podem ser realizadas para identificar áreas de infecção. A VHS e a contagem de leucócitos geralmente se mostram normais. Pode evidenciar anemia, associada à infecção crônica. Faz-se a cultura do abscesso para determinar o organismo infeccioso e a terapia antibiótica apropriada. A terapia antibiótica IV é iniciada tão logo são obtidos os espécimes para cultura, com base na suposição de que a infecção decorre de um organismo estafilocócico que é sensível a penicilinas semi-sintéticas ou a cefalosporinas. O objetivo é controlar a infecção antes do suprimento sanguíneo da área diminuir em consequência da trombose. A administração continuada por todo o dia é necessária para obter um nível sanguíneo terapêutico elevado e duradouro do antibiótico. Conhecidos os resultados da cultura e dos estudos de sensibilidade, prescreve-se um antibiótico ao qual o organismo causador seja sensível. A terapia antibiótica IV é continuada por 3 a 6 semanas. Depois que a infecção parece ter sido controlada, pode-se administrar o antibiótico oralmente por até 3 meses. Para aumentar a absorção da medicação administrada oralmente, os antibióticos não devem ser dados com alimento. TERAPIA FARMACOLÓGICA O debridamento cirúrgico é indicado em casos de infecção crônica, mas é reservado para pacientes com uma osteomielite aguda que não responda à terapia antibiótica. O osso infectado é exposto cirurgicamente, o material purulento e necrótico é retirado e a área é irrigada com solução salina estéril. Contas impregnadas com antibiótico são colocadas na ferida para aplicação direta de antibiótico durante 2 a 4 semanas. A antibioticoterapia IV é mantida. Quando a osteomielite é crônica, os antibióticos são medidas adjuvantes ao desbridamento cirúrgico. É realizada uma sequestrectomia (remoção de invólucro suficiente para permitir ao cirurgião remoção do sequestro). Em muitos casos, é removido osso suficiente para converter uma cavidade profunda num pires raso (craterização). Todo o osso e a cartilagem mortos e infectados devem ser removidos para que possa ocorrer a consolidação permanente. Um sistema fechado de irrigação por sucção pode ser usado para a remoção dos restos celulares. A irrigação da ferida usando-se solução salina fisiológica estéril pode ser realizada por 7a 8 dias. Dor aguda relacionada a agente lesivo biológico caracterizado por mudanças no parâmetro fisiológico. (00132) NOC: Aliviar a dor do paciente – 48h NIC: Imobilizar a área afetada com uma tala a fim de diminuir a dor e espasmos musculares; Monitorar os sinais vitais do paciente; Administrar medicação conforme prescrição médica; Realizar a elevação da área afetada a fim de reduzir edema e desconfortos causados pela Osteomielite. Mobilidade física prejudicada relacionada a dor caracterizado por desconforto. (00085) NOC: Melhorar a mobilidade física do paciente – 48h NIC: Orientar o paciente sobre os cuidados durante a mobilização da área afetada; Estimular o paciente a realizar movimentos dentro de sua limitação física; Auxiliar o paciente durante a sua mobilização; Diagnósticos de Enfermagem O processo de enfermagem descrito acima mostra que a osteomielite é de difícil diagnóstico, visto que seus sinais e sintomas podem ser confundidos com diversas outras patologias, e que o diagnóstico precoce é de extrema importância para o tratamento. O papel do enfermeiro é de suma importância durante o tratamento da osteomilite, promovendo os cuidados necessários, garantindo que o paciente seja orientado de forma correta e assegurando que o tratamento será realizado de forma satisfatória. Conclusão