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Manutenção da Cadeia Asséptica em Cirurgia Oral

Aula sobre manutenção da cadeia asséptica em cirurgia oral: define assepsia/antissepsia/desinfecção; detalha limpeza do ambiente (pré, operatória, concorrente, terminal), proteção de superfícies, descarte de resíduos, processamento e esterilização de instrumentos e agentes químicos.

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Cirurgia Oral 1 Aula 4 – Manutenção da Cadeia Asséptica Paolla Barboza 
 
Manutenção da Cadeia Asséptica em Cirurgia Oral 
Conjunto de medidas para evitar a contaminação no ambiente cirúgico 
 
Obs: Pasteur separou as eras pré e pós esterilização. Marco importante para procedimentos cirúgicos. 
 
Assepsia: conjunto de medidas que visa controlar o número de organismos em determinado local. 
Conceito mais amplo. Dentro desse conjunto estão limpeza, deseinfecção, esterilização... 
 
Antissepsia: redução no número de microorganismos em superfícies vivas. 
Desinfecção: redução no número de microorganismos em superfícies inanimadas 
 
Doenças potencialmente transmissíveis na prática clínica: 
 
 
A antissepsia é importante pois trabalhamos com a alta rotação (“spray de microorganismos”), materiais 
perfuro-cortantes. 
 
Para a manutenção da cadeia asséptica: 
· Preparo do ambiente cirúgico 
o Limpeza do ambiente 
1. Preparatória – acontece em até 10 minutos antes da cirurgia (remover poeira com pano 
umedecido, desinfetar superfícies com alcool 70%). 
2. Operatória – no momento em que se está fazendo a cirurgia e espalha material 
contaminante no ambiente (ex: derrubar uma gaze com sangue. Por isso é importante 
ter dupla barreira, barreira impermeável na mesa). 
Caso aconteça de derrubar material contaminante: 
- Cobrir locais atingidos com papel toalha 
- Colocar solução desinfetante sobre o papel toalha 
- Deixar em contato por 30 minutos 
- Remover o papel toalha e o resíduo 
- Recolocar o material desisfetante na área afetada 
- Aguardar mais 10 minutos 
- Esfregar pano limpo embebido na solução desinfetante na área afetada 
3. Concorrente – após o término da cirurgia (equipamentos, móveis e piso) 
4. Terminal – limpeza do ambiente depois da ultima cirurgia do dia. 
- Semanalmente: expurgo e sanitários; 
- Quinzenalmente: sala de espera; 
- Mensalmente: áreas administrativas. 
o Proteção das superfícies 
Todas a superfícies a serem tocadas durante a cirurgia devem ser cobertas por barreiras 
esterilizadas (campos de tecido ou descartáveis), que serão removidas ao final da cirurgia. 
Antes de colocar a luva estéril, NÃO POSSO COLOCAR A MÃO EM NADA QUE ESTEJA 
ESTÉRIL. Depois que coloco a luva estéril, NÃO POSSO MAIS ENCOSTAR EM 
SUPERFÍCIE NENHUMA QUE NÃO ESTEJA ESTÉRIL. 
o Descarte de resíduos 
- Biológicos: pérfuro-cortantes, gaze e algodão contaminados, sangue e secreções 
coletados, dentes e outros. 
- Químicos: resíduos mercuriais de amálgama, líquidos reveladores de película radiográfica, 
medicações vencidas. 
Tudo recolhido por coleta especial. 
 
 
· Preparo do equipamento, instrumental e material cirúgico 
Classificação quanto ao risco de contaminação: 
o Críticos 
Sangue – esterilização 
o Semi-críticos 
Mucosa hígida – desinfecção 
o Não críticos 
Pele hígida – lavados e secos 
 
 Descontaminação do instrumental – imersão em ácido peracético (glutaraldeído foi proibido e 
hipoclorito é corrosivo). 
 Limpeza do instrumental – manual: água e detergente neutro; limpadores enzimáticos: água e 
detergente enzimático – descontamina mas nao dispensa ação mecânica; automatizada: limpadoras 
ultrassônicas. 
 Enxágue do instrumental – utilizando-se água corrente e potável; diminui a deterioração do 
instrumental. 
 Secagem do instrumental – campos/toalhas exclusivos; evitar a interferência da umidade no 
processamento posterior; 
 
Autoclave – campos duplos de tecido (sms); grau cirúrgico; pacotes de papel crepado; caixa 
metálicas com 40% de perfuração (importante para a circulação do vapor dentro da caixa). 
 
Estufa – pacotes especiais que suportem altas temperatura; caixas metálicas fechadas; ESTÁ 
PROIBIDA PELA ANVISA. 
Agentes químicos – solução aquosa de glutaraldeído a 2% (proibido); óxido de etileno (utilizado 
para esterilizar materiais plásticos); formaldeído (proibido); ácido peracético (a 2% - 60 minutos). 
 
 Obs: O armazenamento do instrumental deve ser em meio exclusivo para este fim, em local 
limpo e protegido do meio externo. 
 
o Alcool etílico 
Desinfecção de nível intermediário 
Concentração de 70% em peso ou 77% em volume 
3 aplicações de 30 segundos com intervalo de 1 a 2 minutos entre elas 
 
o Iodóforos 
Desinfecção de nível intermediário 
Alcool iodado: alcool 70% + 0,5 a 1% de iodo livre 
Oxida metais como cromo, ferro e alumínio 
 
o Glutaraldeído 
Desinfecção de alto nível 
Concentração de 2% - 30 minutos 
Não pode misturar metais diferentes 
Irritante aos olhos e à pele 
 
o Cloro 
Desinfecção de nível intermediário 
Concentração de 1% - imersão por 20 minutos (corrosivo) 
É muito eficaz para desinfecção de piso 
 
o Ácido peracético 
Desinfecção de alto nível 
Concentração de 0,5% para superfícies e 1% para imersão (10 minutos) 
Atóxico, levemente irritante e sem atividade residual 
 
 Tubetes anestésicos: Não podem ser submetidos a imersão pois é permeável – melhor solução: 
fricção com alcool 70% por 30 segundos 
 Alta rotação: sempre deve estar esterilizada em procedimentos cirúrgicos 
 
· Preparo da equipe cirúgica – operador, auxiliar e assistentes 
o Paramentação 
- Roupa limpa (hospital) 
- Propés (hospital) 
- Gorro – protege contra gotículas de saliva, aerossóis e sangue; deve recobrir TODO o 
cabelo, comprimento e franja 
- Máscara – deve ser usada em ambientes onde ocorre a formação de aerossóis, 
independente do atendimento direto ao paciente – em caso de infecção ativa, usar a 
máscara especial N95. Não pendurar no pescoço nem manipular durante e após o uso; 
trocar em caso de tosse ou espirro; diminui o poder de filtragem com o tempo de uso; 
máscaras de tecido têm poros grandes 
- Óculos – protege mucosa ocular de contaminantes e acidentes; deve ter vedação 
periférica; indicado para profissional e paciente; após cada atendimento devem ser 
descontaminados. 
- Avental (após lavagem e antissepsia das mãos) 
- Luvas – reduzem até 50% do volume de sangue em caso de corte acidental; Não tocar 
na parte externa ao removê-las; Manter as mãos acima do nível da cintura. 
o Antissépticos 
- Degermantes: produzem espuma, devem ser removidos 
- Tópicos: devem permanecer em contato com a pele ou mucosa 
- Tinturas: soluções alcoólicas 
 
 
 
o Lavagem/antissepsia das mãos 
Retirar anéis, relógio, pulseiras. 
Usar sabão líquido. 
- Uso de sabão antisséptico 
- Escova ou esponja com degermante 
- Sequência: unhas, dedos, dorso, palma e dorso das mãos, antebraço até cotovelo. 
Mão deve ficar sempre acima da cintura após a lavagem. 
Secagem deve ser feita com papel que jogará fora depois (procedimentos nao cirurgicos), 
nunca com toalha. Se for cirurgia, a secagem deve ser feita com campo cirúgico esterilizado. 
 
o Avental/Jaleco 
Deve estar esterilizado 
Trocar em cada cirurgia 
Após o uso, guardar em saco plástico e lavar separadamente 
Não é substituído pela roupa branca 
Evitar decotes, bolsos e botões 
Preferir mangas longas e comprimento até os joelhos 
Retirar toda vez que sair de ambiente clínico 
 
· Preparo do paciente 
Adequação do meio bucal 
Orientação de bochechos pré-operatórios 
 
Obs: A antissepsia intrabucal SEMPRE precede a extrabucal 
 
 
Ø EVITE ACIDENTES: 
 
§ Não entorte ou reencape agulhas 
§ Cuidado com sua presença na mesa clínica 
§ Deixe o dedo longe das agulhas durante procedimento de anestesia ou sutura; não o 
use para apoio dos tecidos 
§ Cuidado com a manipulação de bisturis, use instrumento auxiliar e superfície fixa como 
apoio na remoção da lâmina 
§ Materiais pérfuro-cortantes são os primeiros a serem retirados da mesa clínica 
§ Continue atento na lavagem, secagem e acondicionamento do instrumental após seu 
uso

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