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Curso de Psicologia
Processos Psicossomáticos
2016
Disciplina: PROCESSOS PSICOSSOMÁTICOS
Ementa: Fundamentos históricos e epistemológicos da Psicossomática. Relações entre psiquismo, subjetividade e corpo. Abordagens teóricas sobre o sintoma psicossomático e o seu significado. Psicossomática e neurociências. O sintoma psicossomático: a relação com a subjetividade e estrutura do sujeito. Sintomas. Afeto. Consequências Físicas. A interação corpo e mente: o início de uma doença. Disfunções hormonais Hiper ou hipossexualidade. Trato gastrintestinal. Sistema muscular. Aparelho Respiratório. Coração e aparelho Circulatório. Pressão Sanguínea. Pele. Olhos. Hipocondria. Saúde mental e psicologia ambiental: territorialidade, privacidade, interação humano-ambientais, atenção e educação ambiental. Possibilidades de tratamento e intervenção: psicoterapia psicanalítica, psicoterapia em instituições médicas, grupo terapêutico. Terapia e Profilaxia.
Bibliografia Básica:
ANGERAMI-CAMON, Valdemar A. (org). Psicossomática e a psicologia da dor. 2 ed. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
FILHO, Júlio de Mello; BURD, Mirian (cols.) Psicossomática hoje. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
SPINELLI, Maria R. Introdução à Psicossomática. São Paulo: Atheneu, 2009.
Bibliografia Complementar:
HISADA, Sueli. Conversando sobre psicossomática. 2 ed. São Paulo: Revinter, 2011.
TEIXEIRA, Eneas Rangel. Psicossomática no cuidado em saúde: atitude transdisciplinar. São Caetano do Sul: Yendis, 2009.
VOLICH, Rubens Marcelo; FERRAZ, Flávio C.; RANÑA, Wagner. Psicossoma III: interfaces da psicossomática. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006.
VOLICH, Rubens Marcelo. Psicossomática. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005.
SAMI, Ali. Manual de terapias psicossomáticas. Porto Alegre: Artmed, 2004.
PHILIPPI, Arlindo Júnior; PELICIONI, Maria Cecília F. Educação Ambiental e sustentabilidade. São Paulo: Manole, 2005.
RESUMO: O presente estudo abrange o entendimento do fenômeno de adoecimento, enfatizando a influência dos fatores emocionais na gênese de inúmeras doenças psicofisiológicas. Destacando a correlação entre as estruturas orgânicas e o psiquismo do sujeito no aparecimento e curso das enfermidades, com o intuito de melhor entender e tratar o ser humano que apresenta algum transtorno somático. Uma vez que o sintoma que se revela no corpo denota a necessidade de compreender mutuamente psique e soma (corpo), o referido estudo teve por finalidade investigar o processo psicossomático de emoções, estresses e conflitos psíquicos em suas manifestações corpóreas, além de tentar identificar as características, tanto do sujeito como de suas desordens, que são subjacentes às somatizações, perpassando também pelo contexto histórico da psicossomática. A área da psiconeurimunologia que estuda a etiologia das enfermidades corporais a partir do entendimento global da pessoa, também foi apresentada neste estudo. Abordou-se, ainda, a área da fisiologia e sua importante relação com o processo das emoções e os distúrbios somáticos. Para tal realizou-se pesquisa bibliográfica que proporcionou uma extensa visão sobre a área da psicossomática, denotando a relevância dos fatores biopsicossociais para a compreensão integral do paciente e sua doença. Assim, entende-se a atualidade deste tema que instiga o entendimento de todo processo de adoecimento conforme a influência da carga afetivo-emocional, o que se constitui em desenvolvimento proeminente para os estudos da medicina e psicologia da contemporaneidade.
Palavras-chave: psicossomática, corpo, emoções, doenças somática
INTRODUÇÃO
	A relação mente e corpo vem assumindo importância significativa no contexto da medicina no século atual, permitindo uma nova visão do fenômeno da doença, passando os fatores emocionais a serem mais evidentes. A correlação do psiquismo com as estruturas orgânicas vem sendo percebida de forma diferente da visão até então predominante, baseada na dicotomia mente e corpo.
O termo medicina psicossomática começou a ser utilizado nas primeiras décadas do século XX e foi consagrado quando em 1939 foi criada nos Estados Unidos uma sociedade médica com este nome passando então a ser editada uma publicação mensal de divulgação e pesquisas, editando estudos referentes a esse tema (MELLO, 2002).
A medicina psicossomática refere-se ao estudo detalhado da relação entre psiquismo e organismo do sujeito, incluindo reações individuais a certas doenças assim como as implicações pessoais e a sua conduta social, motivadas pela doença. Ocupa-se em valorizar tanto os mecanismos psíquicos como os físicos que intervêm na enfermidade de todo paciente, além de salientar a influência que estes dois fatores exercem mutuamente sobre si e sobre o indivíduo como pessoa (PAIVA, 1994).
Prossegue o autor afirmando que a finalidade da psicossomática é a de pesquisar e esclarecer a inter-relação dos processos psicológicos e os fisiopatológicos visando o melhor entendimento e tratamento do ser humano.
O processo da psicossomática consiste em uma das respostas psíquicas mais comuns utilizadas pelo ser humano, para externar sua dor mental. Logo, o ato de somatizar funciona como uma primitiva forma de comunicação não-verbal que promove a leitura de certos conflitos que não conseguem ser manifestados pelo indivíduo através da palavra (ZIMERMAN, 2005).
O sintoma que se manifesta no corpo refere-se a um sinal que objetiva transmitir informação de que algo não está em conformidade no organismo do indivíduo, indicando, então, a necessidade de se analisar essa possível desarmonia encontrada nos processos psicossomáticos a partir de uma compreensão mútua entre corpo e psique (DETHLEFSEN & DAHLKE, 2006).
Diante do exposto, com este estudo buscou-se proporcionar maior compreensão da psicossomática, ou seja, a aplicação do enfoque psicológico nos estudos dos transtornos corporais, principalmente abordando sua etiologia (fisiológica e psicológica); diagnóstico, enfocando fatores emocionais e estresse; além do tratamento que visa o entendimento global da pessoa, conforme esclarece a área da psiconeuroimunologia.
De igual forma, a importância e atualidade deste tema, bem como a pouca pesquisa existente instiga a uma compreensão do processo de adoecimento sob a ótica da psicossomática proporcionando, assim, importante subsídio não somente para a minha formação acadêmica, como para a prática profissional.
O referido trabalho objetivou a investigação do processo psicossomático de emoções ou conflitos psíquicos em suas manifestações corporais. Teve como objetivos específicos identificar os tipos de conflitos existentes nas somatizações; compreender os processos de interação mente e corpo; refletir sobre o contexto histórico da psicossomática, além de procurar expor a relação entre emoção e distúrbio orgânico.
DESENVOLVIMENTO
2.1. Histórico da Psicossomática
O estudo da psicossomática situa-se entre o funcionamento mental e o funcionamento somático. Abrange as variações que na história da pessoa, manifestam-se de forma predominantemente corporal ou psíquica, dependendo das circunstâncias e dos recursos orgânicos e psicológicos de cada um, destacando-se desta forma, como um dos importantes aspectos da medicina atual (KOROVSKY, 1993).
Na década de 30 os psicólogos Ferenczi e Rodeck realizaram estudos sobre as relações mente-corpo, pois os mesmos reconheciam a importância das raízes emocionais de doenças orgânicas. Mais tarde, na década de 40, os psicanalistas Alexander e French iniciaram importante estudo em pacientes com hipertensão, úlcera, asma e colites. Os estudos destes pesquisadores foram de extrema importância para a medicina, contribuindo inclusive para a fundação da Associação Americana de Medicina Psicossomática que possibilitou um ímpeto maior às novas investigações (MELLO, 2002).
De acordo com o mesmo autor, alguns pesquisadores franceses e americanos observaram em alguns pacientes, características comuns tanto na forma de lidar com as emoções como na forma de pensar sobre elas. Estespacientes foram então, denominados como psicossomáticos e, esse pensar foi denominado como pensamentos operatórios ou alextimia, caracterizados como a ausência de palavras para nomear as emoções.
Atualmente pode-se dizer que a abordagem psicossomática visa o entendimento da tríade corpo-mente-contexto, ressaltando a dinâmica e as modificações experienciadas pela pessoa em diferentes contextos os quais envolvem fatores biológicos, psicológicos e sociais (ANGERAMI-CAMON, 2001).
O fenômeno psicossomático apresenta-se em três tempos bem definidos, tendo início em algum trauma na infância (que pode ter sido uma perda de grande significância, do tipo morte ou separação), a evocação desse trauma (algum acontecimento que o faz relembrar desse trauma), e a expectativa da repetição, quando está, então, estabelecida a enfermidade (ANDERSEN, 2007).
Conforme Spnelli (2007) o movimento psicossomático surgiu no Brasil a partir da década de sessenta, período em que se estabelecia uma revolução entre Psicologia e Medicina buscando-se respostas para um melhor entendimento das doenças funcionais que não encontravam uma integração entre corpo e mente na prática da medicina.
2.2. Fisiologia: Breves Noções Sobre o Sistema Neuroendócrino e Imunológico
Torna-se relevante falar sobre os sistemas do organismo que estão interligados ao processo das emoções, corpo e distúrbios somáticos, neste referido estudo.
O Sistema Límbico tem a função de iniciar a avaliação das situações que o indivíduo vivencia, bem como, dos fatos e eventos de vida. Nesse processo considera distintos elementos tais como a personalidade prévia, a experiência vivida, as circunstâncias atuais e as normas culturais. É esse sistema que também estabelece diversas interações entre os sistemas nervoso, endócrino e imunológico, fazendo interagir as percepções corticocerebrais com o hipotálamo (BALLONE, 2002).
De acordo com Selye (1959) foi o fisiologista francês Claude Bernard quem introduziu o conceito de homeostase do organismo, esclarecendo que o mesmo refere-se à capacidade do indivíduo em manter a constância de seu equilíbrio interno, independente de todas as modificações que ocorrem no meio ambiente.
Quanto ao sistema endócrino, este desempenha as funções de integração e controle das atividades metabólicas do organismo. Compõe-se de glândulas endócrinas que funcionam individualmente, em série ou em paralelo, sendo que suas ações estão interligadas (GUYTON e HALL, 1998).
A glândula timo tem por funções o pré-processamento dos linfócitos “T” (início intra-útero), que são responsáveis pela imunidade celular. Entre os glóbulos brancos do sangue, alguns procedem dos órgãos linfáticos, outros da medula dos ossos. Essas células também são parte importante do sistema defensivo, especialmente contra infecções (SELYE, 1959).
O sistema imunológico do organismo se destaca por impedir que o mesmo contraia determinadas doenças. A imunidade surge de um processo exercido por funções celulares e hormonais, formando assim, o referido sistema. Logo, a função imunológica representa uma complexa rede onde o anticorpo reconhece o antígeno e então, este passa a não ser tolerado, denominando-se esta ação como reação auto-imune (CHIOZZA, 1987).
Quando se trata de assuntos relacionados ao estresse e doenças psiquiátricas, o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal é o eixo mais estudado. Um estresse físico ou psicológico causa uma série de respostas fisiológicas, em que a principal é a liberação de cortisol pelas glândulas adrenais. Para responder a um determinado tipo de estímulo, os neurônios do hipotálamo secretam peptídeos que estimulam a produção e liberação de adrenocorticotrofina (ACTH) pela adeno-hipófise(KAPCZINSKI et. al., 2004).
Os corticóides além de agirem sobre as inflamações, o metabolismo mineral e a taxa de açúcar; também produzem outros efeitos como na pigmentação da pele, em reações emocionais e na pressão arterial (SEELEY e TATE, 1997).
 Assim, entende-se, então, que será possível desenvolver terapias eficazes e específicas para os transtornos psiquiátricos e psicossomáticos a partir da compreensão detalhada das funções de integração e do funcionamento de cada tipo de neurotransmissores bem como de suas falhas em determinadas condições fisiopatológicas. Sabendo-se que o sistema nervoso central (SNC) tem a capacidade de unir informações provenientes tanto de fontes externas como internas (Kapczinski et. al 2004).
2.3. Psiconeuroimunologia
Na década de 70 o psicólogo Robert Ader e o imunologista Nicholas Conhem realizaram experimentos em ratos, observando a alteração do sistema imunológico dos mesmos, com o surgimento doenças e até a morte, e, a partir desses experimentos, adquiriram força os estudos sobre a relação entre cérebro e sistema imunológico; e tais descobertas fisiológicas, juntamente com vários estudos clínicos de doenças que vão do resfriado comum à AIDS, deram origem à área da Psiconeuroimunologia (REY, 2007).
Conforme este autor, a Psiconeuroimunologia é a ciência que estuda a interação entre o sistema psíquico e neurológico e ainda o seu nível de influência sobre o comportamento da imunidade do corpo e da saúde de uma maneira geral. Segundo diversas pesquisas perceberam-se que os pensamentos e as emoções são realmente capazes de determinar as condições de funcionamento da imunidade do corpo e fazê-la eficaz ou falha em seu trabalho de defesa, o que consequentemente pode determinar uma condição saudável ou enferma.
Assim, a psiconeuroimunologia estuda a relação entre o Sistema Nervoso Central (SNC) e o Sistema Imunológico, bem como as perturbações que se refletem em um e em outro, referindo-se como uma nova área da medicina.
Essa área também explica porque situações emocionais como a ansiedade, a depressão, o ódio, a insegurança, a angústia, o medo e todo o tipo de estresse, interferem diretamente na formação de diversos distúrbios cutâneos (EVELINE, 2007).
Esta autora ainda comenta que entre os exemplos típicos de distúrbios cutâneos associados ao sistema psiconeuroimunológico estão: a psoríase, o vitiligo, as alergias, a acne, a alopécia (calvície), a tricotilomania (arrancamento compulsivo dos cabelos), a rosácea e a hiperidrose (excesso de transpiração). A maioria dos estudos a respeito destas dermatoses mostra que seu surgimento ou agravamento estão fortemente ligados a pensamentos ou emoções que produzem elevados níveis de estresse no organismo.
O homem moderno vive constantemente tensões emocionais, prejudicando seu sistema nervoso e assim, causando distúrbios psicossomáticos, especialmente quando se trata de indivíduos já com baixa resistência no organismo. Estas seriam as chamadas organoneuroses que se definem como as doenças orgânicas que o sujeito apresenta como consequência de conflitos emocionais (SILVA, 1959). Na psiconeuroimunologia estuda-se este aspecto psíquico na díade saúde/doença, desempenhando papel ativo em sua progressão, recidiva, e, provavelmente, no aparecimento da doença.
Conforme diversas descobertas e estudos, considerando-se a gênese de algumas patologias como o câncer, a psiconeuroimunologia se destaca como recente campo de pesquisas. Este campo trata de um modelo multifatorial patológico, que busca evidenciar a importância de um modelo terapêutico multidisciplinar.
A psiconeuroimunologia busca enfatizar, então, a presença do aspecto psicológico nas doenças, referindo-se ao estudo das interações entre fatores psicológicos com o sistema nervoso e o sistema imunológico. Logo, as pesquisas nessa área se centram no papel que os fatores psicológicos podem desempenhar na suscetibilidade a infecções (PINEL, 2005).
2.4. Estresse e suas Consequências
O termo estresse surgiu para designar as forças envolvidas em uma situação de ameaça à homeostase. Também é referido como qualquer mudança física ou psicológica que rompe o equilíbrio do organismo (altera a homeostase).  O organismo reage ao estresse ativando um complexo repertório de respostas comportamentais e fisiológicas (KAPCZINSKI et. al., 2004).
O estresse,seja de natureza física, psicológica ou social, compreende um conjunto de reações fisiológicas, as quais, sendo exageradas em intensidade e duração, acabam causando um desequilíbrio no organismo, muitas vezes com efeitos danosos (BALLONE, 2002). Já há algumas doenças cuja etiologia psicológica está comprovada, são elas: asma brônquica, urticária, doenças infecciosas, artrite reumatóide, colite ulcerativa, neuplasias (câncer), esclerodermia, lupus eritematoso sistêmico, dermatomiosite (MOTTA, 2005).
Ao passar por uma situação muito difícil, estressante ou problemática o corpo fica diferente, ocorre o processo chamado de somatização, ou seja, a transferência para o corpo do que deveria ser vivido e suportado apenas na mente. Segundo os profissionais que trabalham na área da psicossomática, todas as pessoas acabam provocando mudanças no corpo ao enfrentar determinadas situações emocionais, principalmente as que produzem estresse e ansiedade. O que diferencia é a intensidade e a freqüência com que isso acontece, ou seja, quando certos eventos ocasionais se tornam transtornos repetitivos e acabam se tornando crônicos (IWASSO, 2005).
Os desenganos, as desilusões, as frustrações, as decepções, as preocupações penosas, a dor moral, as indecisões; acarretam descargas emocionais, desgastando o sistema nervoso. Surgem, então, diversos males psíquicos e desordens somáticas (SILVA, 1959). A resposta imune ao estresse se dá através de uma ação conjunta entre o sistema nervoso, sistema endócrino e sistema imunológico. Por excesso de intensidade ou duração do estresse pode surgir alguma doença atrelada a qualquer desses sistemas (BALLONE, 2002).
O estresse psicossocial pode caracterizar-se por situações de perda tais como mortes, divórcio, viuvez, entre outras. E também envolve eventos que demandem a capacidade de reajustamento do sujeito, ou seja, sua tendência a avaliar as situações como estressantes ou não, de acordo com seus recursos e habilidades. As emoções sucessivas e reiteradas que desgastam a resistência nervosa, explicam o aparecimento de sinais de estafa, que surgem precoce ou tardiamente, sob diferentes formas de transtornos somáticos (SILVA, 1959).
2.5. Fatores Emocionais
Dentre os fatores responsáveis pelo surgimento, curso e evolução das doenças, os fatores emocionais destacam-se como um dos mais relevantes, fatores tais como decorrentes dos relacionamentos interpessoais, estresses sociais e estrutura da personalidade (RAMOS, 1994).
De acordo com Pinel (2005) pesquisas recentes destacam a influência significativa de características de personalidade na tendência ao desencadeamento do câncer, destacando aspectos de comportamentos que o sujeito tende a apresentar tais como emoções negativas, amabilidade exagerada, alta conformidade social, fuga de conflitos, sutileza patológica, entre outros. Uma vez que esses sujeitos apresentam dificuldades em saber lidar com emoções adversas, estas acabam sendo somatizadas de diferentes maneiras.
Determinados fatores biopsicossociais como isolamento, carência de suporte social, carência afetiva e pobreza, incidem sobre a personalidade dos indivíduos predispostos, possibilitando o surgimento de novas desordens somáticas o que denota a forte associação entre algumas disposições do comportamento e meio ambiente com o desenvolvimento de patologias somáticas (SILVA, 1959).
A base da estrutura da personalidade da pessoa enferma compreende tendências à regressão, à passividade, dependência e sensibilidade às frustrações. Essa sensibilidade é uma característica que está na base da construção do comportamento, deixando a pessoa mais vulnerável a qualquer infecção ou lesão corporal bem como em sua auto-estima (ANGERAMI-CAMON, 2001). 
A incidência dos fatores psíquicos e das causas ditas psicógenas aparece como papel de destacada importância na gênese das somatizações. Os diversos estados emocionais despertados pelas contingências da vida como frustrações, desgostos, disputas, desilusões, remorsos, etc. podem agir como fatores desencadeantes (SILVA, 1959).
Cabe destacar, então, que a doença somática, mesmo apresentando caráter desviante e regressivo, se destaca como alternativa de estabelecimento do equilíbrio do organismo, que até então, não conseguiu lidar de modo mais saudável e evoluído com suas tensões internas e externas. Os sonhos e a capacidade de fantasiar são importantes funções de proteção e regulação do equilíbrio do organismo; mas muitos indivíduos apresentam essas capacidades deficitariamente, ou seja, apresentam níveis precários de funcionamento desses recursos (VOLICH, 2003).
Raiva, paixão, tristeza, medo e uma série de emoções causam alterações no organismo, liberando ou inibindo a produção de substâncias, como adrenalina, cortisol e serotonina. Desse modo, a desordem no corpo desencadeia o aparecimento dos sintomas, mas o local escolhido depende da herança genética e racial de cada pessoa, além da composição física e das reações da pessoa. O indivíduo tende a somatizar nas áreas do corpo que já estão mais fragilizadas ou já tiveram um problema no passado (IWASSO, 2005).
2.6. O Corpo Doente – da Emoção à Lesão
O aumento do interesse no estudo da influência de fatores psicossociais sobre as doenças imunológicas ocorreu devido às discussões freqüentes envolvendo a influência de fatores psicológicos na suscetibilidade e desenvolvimento de determinadas doenças.
As doenças podem ser divididas em dois tipos quanto à sua origem; a) doenças de origem externa que são aquelas causadas por desequilíbrios adquiridos no ambiente, e b) as de origem interna que apresentam como gênese um desequilíbrio emocional. Para qualquer transtorno seja ele de ordem emocional quanto comportamental, há um órgão, ou víscera ou ainda um sistema orgânico que será afetado. (MACIOCIA apud MIORIM, 2006).
Clinicamente, há uma ampla variedade de transtornos psicofisiológicos associados à ansiedade, entre eles os transtornos cardiovasculares, digestivos, sexuais, transtornos alimentares, dermatológicos, além de asma, cefaléias, síndrome pré-menstrual, dependência química, debilidade do sistema imune, etc. As classificações tradicionais dos transtornos psicofisiológicos descrevem tais doenças como relacionadas a variáveis psicológicas (BALLONE, 2007).
Atualmente há dados suficientes para se afirmar que as emoções positivas (alegria, felicidade, amor) potencializam a saúde, enquanto as emoções negativas (raiva, tristeza, ansiedade) tendem a comprometê-la. Por exemplo, em períodos de estresse, quando as pessoas desenvolvem muitas reações emocionais negativas, é mais provável que surjam certas doenças relacionadas com o sistemaimunológico, como por exemplo, gripe, herpes, diarréias, ou outras infecções ocasionadas por vírus oportunistas. Em contrapartida, o bom humor, o riso, a felicidade, têm se mostrado como fatores eficientes na manutenção e ou recuperação da saúde (BALLONE, 2007).
Cada vez que uma pessoa não consegue suportar no plano psíquico uma situação, ela acaba produzindo ou agravando sintomas e doenças que se manifestam no corpo. Palpitações, gastrite e dores de cabeça estão entre os sintomas mais comuns, mas a somatização pode deixar o organismo com menos defesas para doenças sérias, como câncer, além de prejudicar, por exemplo, a recuperação de uma cirurgia (IWASSO, 2005).
3. Considerações Finais
A realização deste estudo buscou evidenciar a abordagem da psicossomática como uma área de compreensão do indivíduo, existindo em múltiplos níveis e domínios de igual importância, não devendo ser fragmentado, segundo o modelo biomédico. Conseguiu-se, assim, compreender o processo de emoções e conflitos psíquicos nas manifestações corporais, onde o ser humano é visto como um sistema complexo em que se destacam os fatores biopsicossociais na origem de suas enfermidades orgânicas.
Uma vez que o ser humano está constantemente interagindo com outros sistemas, como: meio ambiente, pessoas, cultura, etc.; assim compreende-se que o modelo psicossomático visa o desenvolvimento deprocessos naturais de cura para os indivíduos, em conformidade com os programas de saúde convencionais. A psicossomática como abordagem interdisciplinar busca a compreensão da saúde humana, como destaca Limonge apud Miorim (2006), sendo enfatizados os fatores orgânicos, psíquicos e sociais.
Destaca-se a relevância dos aspectos emocionais, muitas vezes desconsiderados pelo saber médico-clínico, como fatores de extrema influência no desencadeamento, curso e prognóstico de diversas patologias. O quanto se deve atentar para características de personalidade, intensidade de emoções ditas negativas, estresse, fatores sócio-culturais, entre tantos outros, para uma melhor compreensão da enfermidade apresentada pelo sujeito.
Em se tratando da área da medicina, compreendeu-se que as emoções afetam o sistema límbico (cérebro) e também os impulsos nervosos (hipotálamo), influenciando ainda, o centro nervoso simpático e parassimpático. Por isso entende-se que o impulso nervoso que se originou de uma indisposição emocional é logo transmitido a um órgão relevante, considerando-se aí, um dos processos de interação mente e corpo, como um dos pontos discutidos nesse estudo.
Outra área que trouxe muitas colaborações para o entendimento da relação mente e corpo é a psiconeuroimunologia que compreende a interação e as perturbações entre o Sistema Nervoso Central (SNC) e o Sistema Imunológico. Tais sistemas, segundo expõe Ballone (2001), são os avaliadores dos elementos externos ao sujeito, servindo como defesa do mesmo e também a uma melhor adaptação à realidade externa em que vive o indivíduo.
O estresse físico, psicológico ou social, também foi identificado como fator de forte influência sob o organismo do indivíduo, desencadeando diversas reações fisiológicas (SELYE, 1959). Tais reações sendo muito intensas acabam causando desequilíbrio ao organismo como perturbações nervosas e emocionais, úlceras, pressão alta, doenças cardiovasculares, renais, entre outras (BALLONE, 2002). Assim entende-se o sintoma psicossomático como um conflito com intensa carga emocional em que não houve a possibilidade de ser elaborado pela consciência do indivíduo, portanto, teve de ser encaminhado para o corpo (soma).
De acordo com as informações precedentes, compreende-se o surgimento da psicossomática como uma reação salutar à medicina tradicional, que se define como examinadora apenas do corpo, do puramente físico. Conforme o atual conhecimento relativo ao mecanismo das emoções se reconhece a influência dos estados emocionais, dos anseios, das desilusões, das paixões, dos conflitos de consciência e das frustrações sobre as diversas funções corpóreas sujeitas que estão, incessantemente, às mínimas oscilações que se verificam no estado emocional.
A constatação da influência da carga afetivo-emocional na gênese de muitas enfermidades constitui-se em desenvolvimento proeminente para os estudos da medicina e psicologia na atualidade.
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Psicossomática e a Psicanálise
Autor:  Rosimeri Bruno Lopes | Publicado na Edição de:  Abril de 2012
Resumo: o presente trabalho segue, em traços gerais, uma organização onde se apresenta conceitos, histórico e algumas concepções psicanalíticas do fenômeno psicossomático. Não se trata de uma revisão extensiva de toda a teoria existente, mas sim da tentativa de integração de algumas propostas.
Palavras-Chave: Psicossomática, psicanálise, neuroses
Introdução
Nas últimas décadas a palavra “psicossomática” passou a ser usual tanto no meio médico e psicológico quanto no meio da comunidade científica, sendo que também já não era novidade no meio das sociedades psicanalíticas, que desde as manifestações de conversão da histeria reveladas por Freud, no início da forma do pensar psicanalítico, colocam os analistas frente às questões do adoecimento do corpo.
A palavra psicossomática determina uma nova visão da abordagem das doenças, as quais passam a ser entendidas como parte de um processo mais amplo do que somente aos sintomas que se manifestam. Quando usamos a expressão “doença psicossomática” dizemos que a causa é psicológica, mas a pessoa apresenta mudanças clínicas detectáveis por exames de laboratório, ou seja, o corpo da pessoa está tendo danos físicos - chamamos de doença psicossomática.
Em psicossomática, nas últimas décadas, os avanços da investigação psicanalítica, e outros não psicanalíticos, tornaram de interesse para o psicanalista não somente a contribuição da Psicanálise para a psicossomática, mas também a desta para aquela. Estudos recentemente publicados corroboram a eficácia terapêutica da Psicanálise e de tratamentos baseados na teoria psicanalítica bem como sufragam a tese de que a psicoterapia, incluindo-se a psicanaliticamente orientada, conquanto exija longo tempo do terapeuta, não se revela dispendiosa em relação a outros tratamentos, se considerados custos e benefícios.
As lesões psicossomáticas são caracteristicamente enigmáticas, pois tanto podem aparecer como que “do nada” e do mesmo modo que se apresentaram vão embora. Ou, ainda, podem se agravar e colocar em risco a vida do sujeito, como um agravamento do quadro ou até mesmo a morte.
Atualmente a Psicossomática apresenta-se como um grande campo de conhecimentos a ser mais bem compreendido, embora não se defina exatamente como uma área do saber. Assim como em muitas disciplinas, principalmente as de natureza integrativa ainda há a muito a ser feito, no sentido de compor e relacionar o saber acumulado acerca de processos isolados do ser humano, tanto a nível físico, como social e psíquico, em um único todo.
O artigo tem como objetivo apresentar de forma breve, o desenvolvimento das idéias de algumas escolas psicossomáticas, bem como alguns conceitos de psicossomática e as fundamentações teóricas de abordagem psicanalítica, visando à compreensão das manifestações somáticas e da etiologia das neuroses e psiconeuroses.
1 Conceitualização
A psicossomática é uma ciência interdisciplinar que integra diversas especialidades da medicina e da psicologia para estudar os efeitos de fatores sociais e psicológicos sobre processos orgânicos do corpo e sobre o bem-estar das pessoas. A palavra psicossomática, na visão dos profissionais de saúde que compreendem o ser humano de forma integral, não pode ser compreendida como um adjetivo para alguns tipos de sintomas, pois tanto a medicina quanto a psicologia estão percebendo que não existe separação ideal entre mente, corpo, alma e espírito. Então, psicossomática é um termo que pode ser empregado para qualquer tipo de sintoma, seja ele físico, emocional, psíquico, espiritual, profissional, relacional, comportamental, social ou familiar. [2]
Segundo Eksterman (1992), a Medicina Psicossomática é um estudo das relações mente-corpo com ênfase na explicação psicológica dos sintomas corporais. O termo também pode ser compreendido, tal como descreve Mello Filho (1992), como "uma ideologia sobre a saúde, o adoecer e sobre as práticas de saúde, é um campo de pesquisas sobre estes fatos e, ao mesmo tempo, uma prática, a prática de uma medicina integral".
A psicossomática é a ciência que estuda as doenças orgânicas com descarga no corpo, isto é, uma lesão de órgão ou sistema provocado por alguma disfunção do sistema nervoso. Na psicossomática, pensa-se a realidade na sua unidade, considerando os aspetos biológicos e psicológicos. Interessa-se pelos aspetos de interação causa/efeito, a pessoa como um todo na sua perspectiva biológica e relacional, isto é, pensar a realidade na sua totalidade: a entidade biológica e a entidade psicológica. [1]
De acordo com Holmes (1997) há uma diferença entre os transtornos somatoformes e transtornos psicossomáticos: nos dois tipos de transtornos as causas são psicológicas, e os sintomas são físicos. A distinção entre eles é que nos distúrbios somatoformes não há lesão física (ex., um indivíduo reclama de dor no estômago e na verdade não há nada fisicamente errado com o órgão), enquantocom os distúrbios psicossomáticos, há lesão física (ex., úlceras envolvem lesões no revestimento do estômago) (MOURA, 2008).
2 Breve Histórico
Segundo Moura (2008) o termo “psicossomático” foi utilizado pela primeira vez em 1818 por Heinroth, psiquiatra alemão, ao fazer referência a insônia e a influência das paixões na tuberculose, epilepsia e cancro.  No século seguinte as descobertas de Freud permitiram uma melhor compreensão desses fenômenos. Em 1922 Deutsch reintroduziu esse termo em Viena.
Antes da psicanálise, entendia-se que as doenças eram causadas por agentes externos. Havia, é claro, muitas iniciativas em tentar compreender a relação corpo e mente. O próprio surgimento do termo psicossomática em 1828 por Johann Heinroth testemunha isto. Ele postula que paixões sexuais são importantes para a manifestação de doenças como tuberculose, epilepsia e câncer, ressaltando a importância dos aspectos físicos e psíquicos integrados nos processo de adoecer (VOLICH, 2000, p. 43).
A psicossomática evoluiu das investigações psicanalíticas que contribuem para o campo com informações acerca da origem inconsciente das doenças, e mais especificamente dos estudos das paralisias e anestesias histéricas originados das contribuições pré - psicanalíticas de Jean-Martin Charcot e Josef Breuer. [2]
A expressão doença psicossomática foi utilizada inicialmente para referir-se apenas a certas doenças como a úlcera péptica, asma brônquica, hipertensão arterial e colite ulcerativa onde as correlações psicofísicas eram muito nítidas posteriormente foi-se percebendo que tal concepção é potencialmente válida para todas as doenças (MELLO FILHO, 2005).
Segundo Cardoso (2005), a história da psicossomática poderia ser dividida em duas grandes correntes: de um lado, as correntes inspiradas nas teorias psicanalíticas e com base no conceito de doença psicossomática; de outro lado, a inspiração biológica, alicerçada no conceito de stress.
Já Mello Filho (1992) considera três fases distintas na evolução da Psicossomática: a inicial ou psicanalítica, em que foi estudada, entre outros assuntos, a origem inconsciente das doenças e o fenômeno de regressão; a intermédia ou behaviorista, na qual houve uma tentativa para enquadrar os estudos feitos em humanos e animais nas ciências exatas; e a atual ou multidisciplinar, em que é dada importância às influências sociais e se considera a Psicossomática como atividade de interação e integração de dados de diferentes áreas do saber.
Segundo Cardoso (1995), no fim do século XIX o campo da psicossomática veio a estender por dois grandes ramos de investigação. O primeiro ramo da história da psicossomática se refere à Escola Americana, representada por Franz Alexander e Dunbar, cuja via de investigação tem como ponto de partida o modelo médico, onde estes procuram correlacionar determinados tipos de personalidades com doenças orgânicas específicas. As contribuições da Escola Psicossomática Americana, especificamente Alexander e Dunbar, e as de Cannon e Selye foram fundamentais para a consolidação do movimento psicossomático, assim como para a influência sobre uma medicina integral e humanista.
O segundo grande ramo das investigações psicossomáticas foi formada pelos integrantes da chamada Escola Psicossomática de Paris, composta entre outros por Pierre Marty, de M’Uzan, David e Fain, tentaram elaborar uma teoria da economia psicossomática atribuindo uma grande parte da etiologia a um determinismo multifatorial com forte participação biológica. Para eles, falar de “doenças psicossomáticas” é um equívoco, preferindo chamar de “pacientes psicossomáticos” àqueles cuja manifestação sintomática preponderante aparece no plano orgânico e não no psíquico. A falta de recurso psíquico para a elaboração dos conflitos decorreria a sua característica preponderantemente “psicossomática” e o conseqüente desequilíbrio psicossomático com a ocorrência de desorganizações orgânicas progressivas (CARVALHO , s.d.).
3 Psicanálise e a Psicossomatica
A psicanálise não só deu origem a psicossomática e criou as bases para a terapia psicossomática, mas permanece sendo também para esta uma referência permanente e essencial. Embora a Psicossomática e Psicanálise estejam estreitamente ligadas, as duas ciências não se confundem (PRIMO, s.d).
As indagações sobre as relações entre o psíquico e o somático percorrem toda a obra de Freud. Os primeiros trabalhos sobre a histeria permitiram-lhe reconhecer a influência do funcionamento psíquico nos sintomas somáticos, onde se evidencia a relação entre histeria e sexualidade, apresentando-se também a noção de conversão, através da qual o conflito psíquico seria transposto para o soma, carregando o sintoma de significado simbólico. Freud partiu daqui para construir uma teoria metapsicológica em que o corpo recebeu progressivamente lugar de destaque, podendo ser simultaneamente fonte da pulsão e agente da sua satisfação (GANHÃO, 2009).
De acordo com Cardoso (1995), o maior legado de Freud para as investigações psicossomáticas se deve ao conceito de conversão individual. Esse termo conversão foi utilizado por Freud para explicar a transposição de um conflito psíquico na tentativa de resolvê-lo em termos de sintomas somáticos, motores ou sensitivos. ”
Na obra de Freud, as formulações que mais se aproximam do que se conhece atualmente como psicossomática estão em sua definição de neuroses atuais. Freud mencionou um grupo de neuroses de transferência que se assemelham ás afecções psicossomáticas denominando-as neurose atuais e classificando-as em neurastenia e neurose de angústia. A neurastenia tinha origem na satisfação sexual realizada de forma inadequada e nas neuroses de angústia, o sujeito não obtém uma descarga de excitação sexual, produzindo angústia diante da relação sexual incompleta (GERMANO 2010).
Germano (2010) salienta ainda que Freud, ao pensar sobre o corpo, acabou por desenvolver o conceito de conversão somática, que seria uma junção do psíquico e do físico remetendo a outra cena. Freud denominou conversão a uma manifestação somática idêntica ao desejo em que está em jogo uma satisfação substitutiva de uma fantasia de conteúdo sexual e onde esta outra cena fala do sujeito através de seu corpo.
Na primeira tópica, com a introdução do conceito de Inconsciente, Freud pôs em causa definitivamente a dicotomia clássica corpo-alma, revelando uma nova leitura das relações entre soma e psique. Como afirma Lionço (2008): “o inconsciente seria uma espécie de lugar de passagem, processo no qual se tornaria impossível distinguir o corporal do psíquico, que estariam articulados numa espécie de curto-circuito”
Na segunda tópica, Eksterman (1992), diz que: “quando o id se transforma em ego é o ponto central da intersecção da Psicanálise com a Psicossomática”. Nas palavras do autor: “se pudéssemos dissecar todos os componentes comprometidos na transformação do id em ego, teríamos provavelmente respondido aos enigmas que subsistem entre a mente e o corpo”. Ainda em Eksterman, ao falar sobre a origem da mente, Freud afirmou que a atividade corporal origina o id e este, por sua vez, diferencia uma camada mais superficial – o ego –, quando em contato com o mundo exterior.
Aparentemente, Freud não se interessou pelas consequências efetivamente psicossomáticas de suas descobertas, pelo ao menos no sentido de enveredar pela medicina clínica e incluir na fisiologia das doenças físicas uma psicopatologia psicodinâmica, em outros termos, questões psicológicas relativas ao balanço consciente/ inconsciente presentes nas doenças do corpo. Foram seus discípulos imediatos que perceberam essa relação com a Medicina em geral, notadamente Felix Deutsch, Otto Fenichel, Georg Groddeck e finalmente um emigrante para os Estados Unidos, também discípulo direto de Freud, Franz Alexander (EKSTERMAN, s.d).
Passados mais de cem anos do surgimento da psicanálise, atualmente há um campo de conhecimento denominado hoje como psicossomática psicanalítica do qual compartilham diversos autores e posicionamentos,em que há um acordo em se considerar uma multiplicidade de causas para o adoecer relacionados com conflitos inconscientes. (MELLO, 2009)
3.1 Os Tipos de Neurose e a Psicossomática
Os estudos iniciais de Freud sobre as neuroses ficaram marcados pela distinção que ele fazia entre as chamadas neuroses atuais e as psiconeuroses. Ocorre que, aos poucos, o conceito de neurose atual foi deixando de aparecer em seus trabalhos, como que sendo colocado à parte do campo propriamente psicanalítico. No entanto, é interessante observar-se, hoje em dia, como muitos dos aspectos por ele descritos como peculiares às neuroses atuais podem se articular com aquilo que se compreende atualmente como campo da psicossomática (FERRAZ, 2005).
Ferraz (2005) diz ainda que a neurose é classificada em dois grandes grupos: Neuroses atuais (neurastenia, neurose de angústia e hipocondria) e da psiconeurose (histeria e obsessões), existindo ainda a ocorrência, muito freqüente, de casos em que os sintomas de ambos os grupos aparecem combinados.
Para Freud, a principal diferença entre as neuroses atuais e as psiconeuroses podia ser estabelecida por meio da etiologia: enquanto as primeiras eram tidas como conseqüência, por interferência química, de impedimentos da satisfação sexual na vida atual, as psiconeuroses eram vistas como conseqüência, por intermediação psíquica, de fixações e desvios da libido na infância (JUNQUEIRA, 2006).
Segundo Andrade (1995), fica evidente que a causa é sem dúvida de natureza sexual em ambos os casos, mas enquanto na neurose atual a causa deve ser buscada nas desordens da vida sexual atual, nas psiconeuroses a origem está na vida passada. Por outro lado, enquanto na neurose atual a etiologia é de natureza somática, na histeria e na obsessão ela se encontra no domínio psíquico. Na neurose de angústia este fator somático seria a ausência de descarga da excitação sexual, enquanto na neurastenia seria sua satisfação inadequada (pela masturbação, por exemplo).
Do ponto de vista etiológico e no que concerne ao seu mecanismo interno, a neurose atual tem a sua origem não em conflitos psíquicos, mas em acontecimentos do tempo presente. Isto é, seus sintomas resultam diretamente da ausência ou da inadequação da satisfação sexual atual, e não de eventos importantes da vida passada. Eles não são, portanto, nem uma expressão simbólica de um desejo recalcado, nem sobre determinados por uma motivação inconsciente (ANDRADE, 1995).
Interessante pensar como Freud pontua, nesses mecanismos das neuroses atuais, que uma ação psíquica produz efeitos fisiológicos e vice-versa. Pois diante de uma ação inadequada nas formas de conduzir a vida sexual, uma resposta corporal se impõe ao implicar que a energia sexual somática encontre vias de escoamento secundárias através do corpo. Porem, tal escoamento acaba por produzir efeitos psíquicos como o cansaço, a irritação, a angústia difusa, etc. (PINHEIRO, 2008).
Nas psiconeuroses os sintomas provêm do recalcado num processo de insucesso do recalcamento e de retorno do recalcado, enquanto que nas neuroses atuais não há mediação psíquica e a patologia reflete, diretamente, uma economia sexual perturbada, conseqüência de um excesso ou insuficiência de descarga, seria a realidade a tomar maior importância, ficando o conflito fora do acesso do sujeito. (CARDOSO, 1995).
Clinicamente, as neuroses atuais e as psiconeuroses aparecem mescladas, simultaneamente. De acordo com o dizer de Freud, a neurose atual está contida na psiconeurose, configura-se como “grão de areia no centro da pérola”, seu núcleo. Ou seja, através da manifestação de uma neurose atual, alcança-se uma complexidade psiconeurótica, rastreando-se os seus sintomas. Portanto, as neuroses atuais e as psiconeuroses, intrinsecamente ligadas, aparecem simultaneamente sem qualquer problema de contradição fenomenológica (QUINTELLA, 2003).
De acordo com Trombini (2004), os sintomas das Neuroses atuais basicamente são:
Neurastenia: Caracterizada pelo cansaço, pela cefaléia, digestão difícil, prisão de ventre e diminuição da atividade sexual pelo uso excessivo da masturbação.
Sintomas hipocondríacos. Dores, mal-estares e preocupações como conseqüência de uma falta de energia sexual dos órgãos.
Neurose de angústia: Dominada por um contínuo estado de ansiedade, acompanhada de seus equivalentes somáticos (respiração difícil, alterações do ritmo cardíaco, vertigens, sudorese)
E das Psiconeuroses:
Histeria: Alterações da sensibilidade, paralisia de um membro, cegueira, desmaio ou crise convulsiva.
Neurose obsessiva: Pensamentos obsessivos e rituais compulsivos
Os distúrbios da neurose atual são caracterizados por sintomas de natureza corpórea, sem lesões orgânicas. Freud, porém, acreditava que a sua causa não fosse psicológica, como no caso das psiconeuroses, mas somática, sempre de origem sexual. Pensava que os sintomas derivassem do acúmulo de mal estar físico e de toxinas para problemáticas de natureza “atual”, ou seja, não ligadas ao passado, mas ao presente. Eles eram resultado de uma alteração do metabolismo, devido a uma vida sexual inadequado (TROMBINI, 2004).
A diferença entre a neurose de angústia e a histeria é que a conversão nesta última se dá no plano psíquico que, não encontrando outro caminho para a excitação, reverte-se no corpo, enquanto que na neurose de angústia a tensão física não encontra meios para passar para o psíquico conservando-se no plano físico. Acrescenta-se que a causa desencadeante da neurose de angústia não seria de uma patologia psíquica e se reverteria ao somático, “não dependeria do recalcamento de uma representação e do deslocamento de seu afeto” (CHEMAMA,1995).
Conclusão
As contribuições da psicanálise para a teoria psicossomática são valiosas, no sentido de que qualquer que seja o momento de sua elaboração, a teoria psicossomática permanece estreitamente ligada à psicopatologia e mais especificamente à noção de psiconeurose. Nesse contexto, podemos destacar a relevância dos benefícios que a visão psicossomática trouxe para a compreensão dos pacientes somatizadores, auxiliando os profissionais da psicologia e da área da saúde o entendimento da etiologia das doenças psicossomáticas, dos pacientes e das queixas trazidas pelos mesmos. O estudo mais moderno da psicossomática apresenta uma visão integrada, ou seja, um olhar voltado para o indivíduo e não á doença.
REFERENCIAS
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João Pessoa, 26 de agosto de 1995. CARDOSO, Natalia Maria Pitarma.(1995) Doença Oncológica e Alexitimia. Contributo Pessoal. Dissertação de Mestrado. Universidade de Coimbra.
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[2] Psicossomática. In Wikipedia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicoss o m%C 3%A1tica. Acesso em 07 de dezembro de 2011.
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