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PORTFOLIO IDENTIDADE NACIONAL, JESSICA BRAGA

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Por exemplo, na era da construção da nacionalidade não existe a idéia da miscigenação das três raças que atualmente se diz terem criado a nação brasileira, mas apenas a dos índios e brancos. Não se desejava a mistura com os negros, porque se tratavam de escravos, com isso eles eram excluídos da idéia de mistura. 
Embora o brasileiro tenha passado a ser conhecido como acolhedor, cordial e agradável, escondia-se por entre os panos o povo cheio de preconceito e a exclusão que existia sobre certas classes, em relação a gênero, raça, cor e sexualidade. Acreditava-se que o negro deveria ser extinto da sociedade, para só assim existir uma raça “pura”, não exaltavam a mistura que existia, e sim a tinham como excluída, impura, foi este o chamado “embranquecimento cultural”. As mulheres eram desvalorizadas, diminuídas e tratadas como posse, e os homossexuais eram condenados pela literatura. (FIORIN, 2009)
“O melhoramento era o afastamento do negro, considerado rude, sem cultura, incivilizado, e a aproximação com o branco, modelo da sociedade brasileira; a piora era a aproximação com o negro.( FIORIN, 2009)”
Segundo Pinto, 2016, com a chegada de Getúlio Vargas à presidência após a Revolução de 1930, se fortaleceu um esforço nacional da parte do Estado para a difusão de uma cultura brasileira unânime. A Era Vargas representou um novo momento de centralização política, com o auxílio da criação de instituições que pretendiam padronizar práticas administrativas, como o Ministério do Trabalho e a política de oferta de uma educação básica comum. Padronizar os currículos escolares buscava interligar um conteúdo nacional através do processo educativo institucional, com isso levou também a uma erradicação dos traços culturais das minorias étnicas que não eram admitidos como constituintes identitários.
Os anos 1930 foram sem dúvida o momento de explosão do nacionalismo, tanto na política quanto no próprio futebol. No cenário político este movimento foi impulsionado pelo governo de Getúlio Vargas e no futebol os símbolos nacionalistas se fortalecem após a profissionalização deste esporte, em 1933, tendo seu ápice na Copa de 1938. Os movimentos de construção da nação partiram do Rio de Janeiro e abrangeram todo o Brasil. (SILVA e CARVALHO, 2016)
De acordo com Silva e Carvalho, 2016, por meio constitucional, em 1937 a impressa passou a ser subordinada ao poder público. No projeto educativo criado pelo Estado Novo, o Estado se impõe como único interlocutor legítimo para falar com e pela sociedade. O que torna evidente o empenho do governo no sentido de usufruir das manifestações da cultura popular como fonte de disseminação da ideologia oficial.
Durante o governo Getulista foram criados diversos instrumentos de educação coletiva com intuito de promover o ensino de bons hábitos. Os cidadãos passaram a serem “educados” pelo rádio, cinema, esporte, música popular. A cultura popular foi usada para singularizar o Brasil e para a reconceituação e a exaltação do sentido positivo de “popular”. (SILVA e CARVALHO, 2016)
“No século XX o Estado e os intelectuais de várias correntes teórico-ideológico lançam-se na busca do Brasil. Durante as ações do projeto de invenção da nação os discursos, interpretações e a própria imagem de identidade e memória nacional tem seus rumos ditados pelos intelectuais. Ao longo da Era Vargas são criados símbolos nacionais que concentram a cultura popular. O samba e o futebol são vistos como símbolos de nacionalidade e se tornam ferramentas de divulgação do ideal de unidade nacional. Contudo há quem qualifica os símbolos nacionais criados pelos homens de ação e pensamento – políticos e intelectuais, como ferramenta de alienação e de não representação da cultura popular. Tomamos como exemplo o futebol que era defendido por muitos e igualmente criticado. (SILVA E CARVALHO, 2016)
Entre as camadas populares, o futebol havia se tornado sua maior paixão, e antes de sua regulamentação, em abril de 1941, ele sofreu muitas interferências do Governo. O maior interesse de Vargas no futebol era a influência que este tinha sobre a população, a popularidade deste esporte se mostrava como um meio para propagar a ideologia oficial do Estado. A impressa foi um importante veículo de propaganda e controle utilizado por Vargas, e serviu também para disseminar a idéia do Brasil como o “país do futebol”. Na formação da identidade nacional e do nacionalismo durante a era Vargas, o futebol é apresentado nos jornais como um símbolo de harmonia, sem conflitos e sendo um esporte coletivo. (SILVA e CARVALHO, 2016)
“Entre as décadas de 1940 e 1960, a construção da identidade nacional passou a ser realizada levando em consideração a luta contra o que era considerado uma influência colonial, do que era vindo da Europa ou dos EUA. A partir da década de 1960, com a ditadura militar e sua centralização autoritária e repressiva, aliadas à difusão da televisão pelos domicílios, um novo momento de difusão de elementos culturais foi conhecido. As telenovelas passaram também a auxiliar na exposição de práticas sociais consideradas expoentes da brasilidade. (PINTO, 2016)”
De acordo com Pinto, 2016, a partir deste período, com a entrada cada vez maior do capital estrangeiro em nossa economia e a apresentação de um modo de vida mais próximo do estadunidense, tiveram forte influência sobre o processo contínuo de formação da identidade nacional, momento que ainda estamos vivenciando no século XXI. 
É importante ressaltar que nossa cultura surgiu baseada na diversidade de três raças diferentes, índios, portugueses e negros, mesmo que estes últimos não sejam citados pela história como povo integrante dessa mistura, já que se tratavam de escravos e eram considerados uma raça impura.
Conhecer todo o processo de construção que deu origem a nossa nacionalidade é relevante a todos os brasileiros, sabermos de onde viemos, quem somos e o que definiu nossas características como país. E para nós, futuros assistentes sociais, é ainda mais importante, pois seremos agentes de garantia de direitos e precisamos conhecer nossa identidade e nossa formação para atuarmos com conhecimento e segurança.
3. Considerações finais
Com base nas pesquisas realizadas, podemos perceber que a construção de nossa identidade partiu da idéia de desligar o Brasil de Portugal, fazendo assim se tornar uma nação independente, com seus costumes, raças predominantes e características. Ao passar dos anos diversos fatores tiveram grande influência em nossa cultura, como as imigrações, a literatura e a política.
Como brasileiros, devemos conhecer nossa história para sabermos quem somos de fato, e pelo o que devemos lutar. Já no âmbito acadêmico e profissional de Serviço Social, precisamos entender este processo de formação para termos consciência de onde surgiram os direitos e deveres de nosso povo, já que seremos nós, os agentes que protegerão e garantirão que estes sejam cumpridos.
Este processo é gradativo e constante, pois as pessoas e as influências sempre mudam, nosso país estará sempre em evolução e cabe a nós nos mantermos atualizados e cientes do povo que somos, o que nos deu origem e o que tem nos transformado ao longo do tempo.
4. Referências Bibliográficas
SILVA, Kelen Katia Prates e CARVALHO, Eduardo Souza de. A construção da identidade nacional durante a era vargas: os políticos, os intelectuais e o futebol. Revista Outras Fronteiras, Cuiabá-MT, vol. 3,n. 1,jan/jun, 2016.
PINTO, Tales dos Santos. Construção da identidade brasileira. 2016. Disponível em <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiadobrasil/a-identidade-nacao-brasileira.htm >. Acesso em: 10 de outubro de 2017.
FIORIN, José Luiz. A construção da identidade nacional brasileira. Bakhtiniana, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 115-126, 1o sem. 2009.

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