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Agosto 2017 PROF: CRISTIANE DAEMON, MSc, PMP CONCRETO PRÉ-MOLDADO PROJETO E DIMENSIONAMENTO AULA 2 - PROJETO Prof. Cristiane Daemon, MSc, PMP 2 SUMÁRIO DO CURSO: 1) Introdução. 2) Produção das estruturas de concreto pré-moldado. 3) Projeto das estruturas de concreto pré-moldado. 4) Ligações entre elementos pré-moldados. 5) Componentes de edificações. 6) Aplicações: galerias, canais, reservatórios e pontes. 7) Elementos de produção especializada: lajes nervuradas, painéis alveolares e estacas. 3 NA AULA 1, VIMOS: 1) Introdução 1.1) Exemplos de Aplicações 1.2) Definições 1.3) Breve Histórico 1.4) Vantagens e Desvantagens 1.5) Tipos de Concreto Pré-Moldado 2) Produção dos Pré-Moldados 2.1) Execução dos Elementos 2.2) Transporte 2.3) Montagem 4 AULA 2: 3) Projeto das Estruturas Pré-moldadas 3.1) Princípios e Recomendações Gerais 3.2) Forma dos Elementos Pré-moldados 3.3) Projeto e Análises Estruturais 3.4) Tolerâncias e Folgas 3.5) Cobrimento da Armadura 3.6) Situações Transitórias 3.7) Estabilidade Global de Edifícios 5 3. PROJETO DAS ESTRUTURAS PRÉ-MOLDADAS Particularidades do projeto das estruturas de concreto pré-moldado • Necessidade de considerar outras situações de cálculo além da situação final da estrutura. • As situações transitórias podem apresentar solicitações mais desfavoráveis que àquelas da situação definitiva. • Particularidades das ligações entre os elementos pré- moldados. • Na concepção de sistemas construtivos com concreto pré- moldado, muitas vezes os aspectos construtivos preponderam sobre os aspectos estruturais (facilidades de manuseio, transporte, montagem, execução das ligações, etc.). 6 3. PROJETO DAS ESTRUTURAS PRÉ-MOLDADAS Exemplos de Situações Transitórias: 7 Desmoldagem Transporte Armazenamento Montagem 3. PROJETO DAS ESTRUTURAS PRÉ-MOLDADAS Ligações simples x Ligações complexas: 8 • Possibilitam a transmissão de momentos fletores; • Difíceis de executar e mais caras; • Reduz a velocidade de execução. Ligações complexas (rígidas) Ligações simples (articuladas) • Acarretam elementos mais solicitados à flexão; • Estrutura com pouca capacidade de redistribuição de esforços. 3. PROJETO DAS ESTRUTURAS PRÉ-MOLDADAS Concepção dos Sistemas Construtivos: 9 Viga Contínua: • Ligações rígidas; • Alternativa usual em concreto moldado no local. Debs,2000 3. PROJETO DAS ESTRUTURAS PRÉ-MOLDADAS Concepção dos Sistemas Construtivos: 10 Sucessão de tramos: • Ligações articuladas; • Alternativa usual em concreto pré-moldado. Debs,2000 3. PROJETO DAS ESTRUTURAS PRÉ-MOLDADAS Passarela em Arco Pré-moldado: 11 Debs,2000 3. PROJETO DAS ESTRUTURAS PRÉ-MOLDADAS Passarela em Arco Pré-moldado: 12 Debs,2000 3. PROJETO DAS ESTRUTURAS PRÉ-MOLDADAS Características do projeto das estruturas de concreto pré-moldado Conhecimento de todas as etapas envolvidas na produção: • Necessário para o cálculo estrutural nas situações transitórias; • Importante na concepção da estrutura, em sua divisão em elementos e na definição da seção transversal dos elementos. Melhor detalhamento dos desenhos e das especificações, visando reduzir as improvisações nas etapas de construção. 13 3.1 PRINCÍPIOS E RECOMENDAÇÕES GERAIS Princípios Gerais para o projeto de estruturas de concreto pré-moldado: 14 Conceber o projeto da obra visando a utilização de concreto pré-moldado Minimizar o número de ligações Minimizar o número de tipos de elementos Utilizar elementos de mesma faixa de peso Resolver as interações da estrutura com as outras partes da construção. 3.1 PRINCÍPIOS E RECOMENDAÇÕES GERAIS Interações da estrutura com as outras partes da construção No projeto estrutural devem ser previstas as interações com: • Instalações (hidráulicas, sanitárias, elétricas, de águas pluviais, ar condicionado etc.) ; • Esquadrias; • Impermeabilização; • Isolamento térmico. Podem ser utilizados pilares vazados para passagem de condutos para águas pluviais, por exemplo. 15 3.1 PRINCÍPIOS E RECOMENDAÇÕES GERAIS Estrutura com previsão de passagem de instalações 16 Debs,2000 3.1 PRINCÍPIOS E RECOMENDAÇÕES GERAIS Estrutura com previsão de passagem de instalações 17 Debs,2000 3.1 PRINCÍPIOS E RECOMENDAÇÕES GERAIS Utilização de pilar vazado no sistema de escoamento de águas pluviais 18 Debs,2000 3.1 PRINCÍPIOS E RECOMENDAÇÕES GERAIS Minimizar o número de tipos de elementos Padronização da produção; Utilização elementos que desempenham mais de uma função. 19 Debs,2000 3.1 PRINCÍPIOS E RECOMENDAÇÕES GERAIS Divisão da estrutura em elementos pré-moldados Apenas 2 ligações, em geral articulações; Limitações de transporte (usado geralmente para pré- moldados de canteiro). 20 Três ligações, em geral articulações; Limitações de transporte; Não há facilidade de execução e de manuseio. Debs,2000 3.1 PRINCÍPIOS E RECOMENDAÇÕES GERAIS Divisão da estrutura em elementos pré-moldados Quatro ligações (duas articulações e dois engastamentos; Não há problemas de transporte, mas os elementos não tem facilidade de manuseio; Articulações próximas ao ponto de momento fletor nulo no caso da estrutura sem ligações. 21 Debs,2000 (1) Emprego de tirante junto ao topo do pilar é comum nestes casos. 3.1 PRINCÍPIOS E RECOMENDAÇÕES GERAIS Divisão da estrutura em elementos pré-moldados 22 Cinco ligações, sendo necessariamente duas rígidas; Elementos retos de mais fácil produção e manuseio; No pilar da esquerda, a ligação com a fundação poder ser uma articulação. Debs,2000 (2) Este tipo de representação corresponde à ligação com transmissão de momento fletor. 3.1 PRINCÍPIOS E RECOMENDAÇÕES GERAIS Divisão de lajes em elementos pré-moldados 23 Elementos dispostos em uma direção. Um elemento disposto em duas direções; Somente para pequenos vãos (limitação de transporte e montagem). Debs,2000 3.1 PRINCÍPIOS E RECOMENDAÇÕES GERAIS Sub-divisão de elementos estruturais em pré-moldados 24 Emprego da pós-tração praticamente obrigatório. Duas formas: • Com a montagem do elemento no local de utilização definitivo com auxílio de cimbramento; • Com a montagem do elemento no canteiro e posterior colocação no local de utilização definitivo. Debs,2000 3.1 PRINCÍPIOS E RECOMENDAÇÕES GERAIS Coordenação Modular 25 Relacionamento entre as dimensões dos elementos e a dimensão da construção por meio de uma dimensão básica Padronização dos componentes da estrutura Redução ou eliminação de adaptações de componentes Escolha do componente mais apropriado entre os similares existentes 3.1 PRINCÍPIOS E RECOMENDAÇÕES GERAIS Coordenação Modular 26 Debs,2000 3.1 PRINCÍPIOS E RECOMENDAÇÕES GERAIS Coordenação Modular 27 Arranjo nos cantos e nos cruzamentos Debs,2000 3.2 FORMA DOS ELEMENTOS PRÉ-MOLDADOS 28 No projeto de elementos pré-moldados procura-se minimizar o peso dos elementos: • variando a forma da seção transversal; • variando a forma do elemento ao longo do seu comprimento. Análise da forma da seção transversal de elementos submetidos à flexão: parâmetro “m” desenvolvido por Basler. 𝑚 = 𝑀𝑟𝑒𝑠 𝑔 Mres = momento resistente à tração; h = altura da seção transversal; g = peso próprio do elemento por unidade de comprimento. 3.2 FORMA DOS ELEMENTOS PRÉ-MOLDADOS 29 Admitindo-se comportamento elástico linear: 𝑚 = 1 2 𝜅 𝜎𝑎𝑑𝑚 𝛾 = coeficiente de rendimento mecânico da seção; kinf e ksup = distâncias da extremidade do núcleo central ao centróide da seção; sadm = tensão admissível determinada em função da resistência do concreto; g = peso específico do material composto. 𝜅 = 𝑘𝑖𝑛𝑓 + 𝑘𝑠𝑢𝑝 3.2 FORMA DOS ELEMENTOS PRÉ-MOLDADOS 30 O coeficiente depende somente da geometria da seção transversal: Debs,2000 3.2 FORMA DOS ELEMENTOS PRÉ-MOLDADOS 31 Para reduzir o peso dos elementos, deve-se aumentar o valor de m: • Aumentando o valor do rendimento da seção (); • Aumentando a resistência do concreto; • Reduzindo o peso específico do concreto A redução do consumo de materiais pode ser obtida também variando a forma do elemento ao longo do seu comprimento (variando a largura ou altura do elemento; ou utilizando elementos vazados). 3.2 FORMA DOS ELEMENTOS PRÉ-MOLDADOS 32 Elementos sem abertura entre os banzos Debs,2000 3.2 FORMA DOS ELEMENTOS PRÉ-MOLDADOS 33 Elementos com abertura entre os banzos Debs,2000 3.2 FORMA DOS ELEMENTOS PRÉ-MOLDADOS 34 Elementos com armadura externa rígida: Esse caso corresponde a elementos pré-modados, em geral de seção parcial, com parte da armadura externa rígida, de forma que pelo menos nas situações transitórias tem-se elemento misto concreto-aço. Debs,2000 3.2 FORMA DOS ELEMENTOS PRÉ-MOLDADOS 35 Elementos com armadura externa rígida: 3.2 FORMA DOS ELEMENTOS PRÉ-MOLDADOS 36 Elementos com armadura externa rígida: Debs,2000 3.2 FORMA DOS ELEMENTOS PRÉ-MOLDADOS Aspectos importantes no concreto pré-moldado: 37 Emprego de concretos de alta resistência Emprego de protensão com armadura pré-tracionada Uso de formas que conduzam a elementos de menor peso 3.3 PROJETOS E ANÁLISES ESTRUTURAIS Atenção nos projetos de concreto pré-moldado: 38 • Estruturas mais esbeltas • Ligações articuladas Vibração Excessiva • Cuidados especiais no arranjo dos elementos e detalhes construtivos Colapso progressivo 3.3 PROJETOS E ANÁLISES ESTRUTURAIS Aspectos a serem considerados 39 Comportamento dos elementos isoladamente (situações transitórias) Possíveis mudanças no esquema estático (viga bi-apoiada x contínua) Análise do comportamento da estrutura pronta (após ligações definitivas) Incertezas na transmissão de forças nas ligações Ajustes na introdução dos coeficientes de segurança Disposições construtivas específicas 3.3 PROJETOS E ANÁLISES ESTRUTURAIS Mudanças no esquema estático 40 Debs,2000 3.3 PROJETOS E ANÁLISES ESTRUTURAIS Incertezas na transmissão de forças nas ligações 41 Debs,2000 O MC-CEB/90 recomenda que os apoios devem ser projetados para um momento de torção acidental Tad. Vd = componente vertical da reação de apoio Exemplo de pórtico: 3.3 PROJETOS E ANÁLISES ESTRUTURAIS Desvios no dimensionamento dos elementos 42 Debs,2000 O MC-CEB/90 recomenda que a estabilidade lateral devida à flexão e à torção deve ser estudada considerando uma imperfeição inicial “e”. 3.3 PROJETOS E ANÁLISES ESTRUTURAIS Variações volumétricas (retração, temperatura, fluência) 43 Debs,2000 O MC-CEB/90 recomenda considerar uma força horizontal no dimensionamento do apoio da viga (Hd). 3.3 PROJETOS E ANÁLISES ESTRUTURAIS Ajustes na introdução do coeficiente de segurança 44 Os coeficientes de ponderação das resistências dos materiais podem ser reduzidos desde que haja um grande controle na execução. O item 8.1 da nova norma de pré-moldados (NBR9062:2017) prevê os seguintes fatores de ponderação: Pré-fabricados: gc = 1,3 gs = 1,10 Pré-moldados: gc = 1,4 gs = 1,15 3.3 PROJETOS E ANÁLISES ESTRUTURAIS Disposições construtivas específicas 45 Painéis alveolares: não há armadura transversal, tratamento diferenciado para tensão limite de cisalhamento. Cobrimento da armadura diferenciado. Tubos, postes e dormentes são objeto de recomendações específicas. Valores diferenciados para o comprimento mínimo de apoio de viga e componentes de laje. Dimensionamento e verificação experimental dos elementos e das ligações (muitas repetições). 3.4 TOLERÂNCIAS E FOLGAS Problemas que podem ocorrer na colocação das vigas 46 Debs,2000 3.4 TOLERÂNCIAS E FOLGAS 47 • Diferença entre a dimensão básica e a executada Desvio • Valor máximo aceito para o desvio Tolerância 3.4 TOLERÂNCIAS E FOLGAS 48 Tolerâncias Execução Locação Montagem 3.4 TOLERÂNCIAS E FOLGAS 49 • Para assegurar a adequada montagem da construção Construtibilidade • Para considerar no projeto estrutural as possíveis variações das forças nas ligações e nos elementos Estrutural • Para assegurar que a construção seja aceitável em relação a estética Visual • Para estabelecer uma faixa de aceitabilidade e responsabilidade Contratual Razões para estabelecimento de tolerâncias 3.4 TOLERÂNCIAS E FOLGAS 50 Tolerâncias de fabricação para elementos pré- moldados segundo a NBR9062:2017 (tabela 2) L é o comprimento do elemento pré-moldado 3.4 TOLERÂNCIAS E FOLGAS 51 Tolerâncias de fabricação para elementos pré- moldados segundo a NBR9062:2017 (tabela 2) 3.4 TOLERÂNCIAS E FOLGAS 52 NBR 9062:2017 - Tolerâncias No cálculo e dimensionamento dos elementos, ligações e da estrutura resultante, devem ser considerados os efeitos desfavoráveis das folgas sobre as ações e solicitações. 3.4 TOLERÂNCIAS E FOLGAS 53 NBR 9062:2017 – Tolerâncias de montagem: 3.4 TOLERÂNCIAS E FOLGAS 54 NBR 9062:2017 – Imperfeições de montagem: Excentricidades de desaprumo da estrutura montada • O dimensionamento dos pilares deve considerar desaprumos; • A excentricidade deve ser considerada igual a H/400 em ambas as direções do pilar; • H corresponde aos valores de h1, h2, h3 e assim sucessivamente. 3.5 COBRIMENTO 55 O cobrimento tem a finalidade de proteger a armadura e garantir transferência adequada de tensões da armadura para o concreto. Os valores do cobrimento da armadura e da qualidade do concreto devem ser escolhidos em função do grau de agressividade do ambiente. Para elementos pré-moldados (item 9.2.1.1.1), aplica-se a NBR6118:2014. Para elementos pré-fabricados, aplica-se o item 9.2.1.1.2 da NBR9062:2017. NBR 9062:2017 – Item 9.2.1.1 3.5 COBRIMENTO 56 NBR 9062:2017 – Item 9.2.1.1.2 • Cobrimento mínimo de elementos pré-fabricados: 3.5 COBRIMENTO 57 Influência do cobrimento e da qualidade do concreto na proteção da armadura: 57 Debs,2000 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Aspectos a serem considerados 58 Efeito dinâmico devido à movimentação do elemento Valores específicos relativos à segurança Esforços solicitantes nas situações transitórias Dimensionamento dos dispositivos de içamento Tombamento e estabilidade lateral de vigas devido a vínculos incompletos 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Efeito dinâmico devido à movimentação do elemento59 A norma NBR9062:2017 permite, na falta de uma análise estrutural dinâmica, o emprego de um coeficiente para considerar o efeito dinâmico das ações: 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Efeito dinâmico devido à movimentação do elemento 60 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Efeito dinâmico devido à movimentação do elemento 61 A norma NBR9062:2017 menciona no item 5.3.2.3: “ O posicionamento do elemento sobre os apoios no veículo durante o transporte deve ser estudado de maneira que a frequência natural de vibração do elemento esteja suficientemente afastada da frequência de excitação do sistema de transporte.” 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Efeito dinâmico devido à movimentação do elemento 62 O PCI fornece o coeficiente de amplificação dinâmica de forma mais detalhada para a fase de desmoldagem, incluindo a aderência na fôrma: 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Esforços solicitantes que ocorrem nas situações transitórias 63 As solicitações nas situações transitórias podem diferir das situações definitivas tanto em intensidade quanto em sentido (o que pode ser mais crítico). As solicitações nas situações transitórias dependem basicamente da forma de içamento do elemento. As seguir estão apresentadas algumas situações típicas para elementos lineares e painéis, ilustrando o cálculo dos momentos fletores. 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Momentos fletores em elementos lineares devido ao Içamento 64 Debs,2000 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Momentos fletores em elementos lineares devido ao Armazenamento 65 Debs,2000 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Momentos fletores em elementos lineares devido a Rotação (manuseio) 66 Debs,2000 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Momentos fletores em painéis devido ao içamento 67 Debs,2000 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Momentos fletores em painéis devido ao içamento 68 Debs,2000 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Perda de equilíbrio de corpo rígido 69 Debs,2000 A segurança ao tombamento deve ser verificada a partir da análise do equilíbrio do corpo rígido, considerando o efeito do vento e a não linearidade da viga: 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Verificação simplificada da estabilidade lateral da viga 70 Debs,2000 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Estabilidade lateral de vigas (NBR 9062:2017 item 6.1) 71 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Dimensionamento de dispositivos de içamento 72 Alças de içamento São as mais utilizadas 4 X o peso a ser levantado Alças de cordoalhas Não usar: CA-50 e CA-60* *Devido a falta de ductilidade 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Capacidade das alças de cordoalha de ½” (12.7mm) 73 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Formas das alças de içamento e força na perna mais solicitada 74 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Dimensionamento das alças Consiste na verificação da resistência da barra e ancoragem da mesma no concreto. Verificação da resistência da barra (coef. de seg. igual a 4): 4𝐹𝑘 ≤ 𝜋𝜙2 4 fyk Fk ou Fmax é a força na perna mais solicitada da alça. • Para a barra de aço CA-25 (fyk = 250 Mpa), resulta: 𝜙 ≥ 4,5 𝐹𝑘 Com em mm e Fk em kN 75 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Dimensionamento das alças Verificação da resistência da barra (continuação) • Devido à forte curvatura da barra da alça, deve ser feita uma redução (a) na resistência da barra. • Considerando essa redução resulta: 𝜙 ≥ 4,5 𝐹𝑘/ 𝛼 • a é dado pela tabela: 76 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Dimensionamento das alças Verificação da ancoragem da barra no concreto • Para o caso de ancoragem exclusivamente por aderência pode-se calcular o comprimento da ancoragem, considerando a tensão de aderência constante: 𝑙𝑏 = 𝜙 4 𝑓𝑦𝑑 𝑓𝑏𝑑 fbd é o valor da resistência de aderência conforme item 9.3.2.1 da NBR6118:2014. 77 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Detalhamento das alças de içamento e formas de ruptura 78 Debs,2000 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Situações típicas da fase de montagem que devem ser consideradas no projeto A fase de montagem de estruturas de concreto pré-moldado deve ser objeto de grande atenção devido, principalmente, à atuação de cargas não simétricas, ação do vento, desvios de execução dos elementos e de montagem. Muitas vezes as ligações não são efetivadas logo após a colocação dos elementos pré-moldados. Existe indicação de que ¾ dos problemas das estruturas de concreto pré-moldado ocorrem durante a fase de montagem. Durante a fase de montagem devem ser verificadas as condições de segurança, levando em conta a ação do vento e os desvios dos elementos. Se for necessário pode-se recorrer a ligações ou escoramentos provisórios. 79 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Caso típico do efeito de cargas não simétricas: montagem de painéis de laje sobre viga pré-moldada Como os painéis não são colocados simetricamente, é necessário considerar a excentricidade da carga para um certo número de painéis (produz torção na viga e na ligação com o pilar). 80 Debs,2000 Efeito de cargas não simétricas durante a montagem de painéis de laje. 3.6 SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS Situações típicas da fase de montagem que devem ser consideradas no projeto Efeito de carregamento não simétrico em pilares. A colocação dos elementos é inicialmente feita em uma das faces do edifício. 81 Debs,2000 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Estabilidade Global das estruturas de concreto pré-moldado de edifícios: Devem ser levados em conta os efeitos de segunda ordem. Sistemas estruturais em concreto pré-moldado de edifícios: Parede portante. Esqueleto: • Pilares engastados na base e vigas articuladas; • Pilares e vigas formando pórticos; • Emprego de paredes de contraventamento ou núcleos. 82 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Pilares engastados na base e vigas articuladas: Os pilares se comportam como vigas em balanço em relação às ações laterais. Uso limitado a edifícios de pequena altura. 83 Debs,2000 SISTEMA ESTRUTURAL COMPORTAMENTO EM RELAÇÃO ÀS AÇÕES QUE PRODUZEM TOMBAMENTO 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Pilares e vigas formando pórticos: Emprego de ligações entre vigas e pilares que transmitem momento fletor. 84 Debs,2000 SISTEMA ESTRUTURAL COMPORTAMENTO EM RELAÇÃO ÀS AÇÕES QUE PRODUZEM TOMBAMENTO 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Emprego de paredes de contraventamento ou núcleos: As paredes de contraventamento e núcleos se constituem na estrutura principal para garantir a estabilidade global, contraventando os demais pilares. 85 Debs,2000 SISTEMA ESTRUTURAL COMPORTAMENTO EM RELAÇÃO ÀS AÇÕES QUE PRODUZEM TOMBAMENTO 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Transferência de tensões em paredes pré-moldadas devido à ação lateral No caso das estruturas de parede portante, pode-se recorrer a algumas paredes para resistir às ações laterais. 86 Debs,2000 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Comportamento de lajes como diafragma As lajes desempenham um papel importante que é a transferência dos esforços em seu plano, para os elementos que compõem o sistema de contraventamento. 87 Debs,2000 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Verificação da estabilidade global (parâmetro a) Se o valor de a for menor que os limites indicados, não é necessário considerar os efeitos globais de segunda ordem. 𝛼 = 𝑁𝑘 (𝐸𝐼)𝑒𝑞 ≤ 𝛼𝑙𝑖𝑚𝛼𝑙𝑖𝑚 = 0,2 + 0,1𝑛 para n 3 𝛼𝑙𝑖𝑚 = 0,6 para n 4 • n = número de pavimentos; • h = altura total do edifício medida do topo da fundação; • Nk = soma de todas as cargas verticais atuantes; • (EI)eq = rigidez à flexão equivalente na direção considerada. 88 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Verificação da estabilidade global (segunda ordem) Se o valor de a for maior que os limites indicados, é necessário considerar os efeitos globais de segunda ordem: Análise “P–D” , através de cálculo iterativo (uso de software específico de análise estrutural); Processos simplificados: os efeitos de 2ªordem globais são considerados multiplicando-se os momentos de 1ªordem que causam tombamento na estrutura por um coeficiente: • Processo do coeficiente gz; • Processo de Hogeslag; • Processo de amplificação do momento. 89 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Processo do coeficiente gz O coeficiente gz, que multiplica os momentos que tendem a produzir o tombamento da estrutura, é dado pela expressão: 𝛾𝑧 = 1 1− Δ𝑀𝑑 𝑀1𝑑 Md = g M1d M1d = momento de 1ª ordem na base da estrutura devido às ações que tendem a produzir seu tombamento; DMd = primeira avaliação do momento de 2ªordem, calculado com a estrutura deslocada pelo momento de primeira ordem. 90 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Processo do coeficiente gz No cálculo dos deslocamentos da estrutura pode-se considerar a rigidez à flexão reduzida das vigas com: Pilares e vigas formando pórticos: • Vigas: (EI)red = 0,4EI • Pilares: (EI)red = 0,7EI Pilares engastados na base e vigas articuladas: • Vigas: (EI)red = 0,4EI • Pilares: (EI)red = 0,4EI Se gz < 1,1 : não é necessário considerar efeitos globais de 2ªordem. Se 1,1 < gz < 1,2 : multiplicam-se os esforços devidos aos momentos de 1ªordem por gz. 91 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Processo de Hogeslag O coeficiente g, que multiplica os momentos que tendem a produzir o tombamento da estrutura, é dado pela expressão: 𝛾 = 𝛽 𝛽−1 𝛽 = 𝐹𝑟𝑒𝑓 𝐹𝑣𝑑 M1d = momento de 1ª ordem devido às ações que tendem a produzir o tombamento da estrutura. Md = g M1d 92 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Processo de Hogeslag Fe = parcela correspondente a considerar a fundação indeformável Ff = parcela correspondente a deformabilidade da fundação Kf = rigidez da fundação (momento para produzir giro unitário) le = comprimento de flambagem h = altura dos pilares 1 𝐹𝑟𝑒𝑓 = 1 𝐹𝑒 + 1 𝐹𝑓 𝐹𝑒 = 𝜋2(𝐸𝐼)𝑒𝑞 𝑙𝑒 2 𝐹𝑓 = 𝐾𝑓 ℎ 93 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Processo de Hogeslag (nomenclatura) 94 Comprimento de flambagem de pilares de pórticos de um andar com pilares engastados e vigas apoiadas: Debs,2000 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Processo de Hogeslag Para considerar a não linearidade física do material, é sugerida a seguinte rigidez à flexão reduzida: (𝐸𝐼)𝑟𝑒𝑑= 𝐸𝐼 3 EI = rigidez à flexão com o momento de inércia da seção integral. O valor de b fornece uma indicação da situação da estrutura em relação à estabilidade: 95 Valor de b Situação b 10 Correta 10 > b 5 Aceitável b < 5 Desaconselhável b 1 Incorreta 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Processo da Amplificação dos Momentos (Moment Magnification Method - PCI) Nesse processo são considerados os efeitos de segunda ordem locais e globais. O momento de segunda ordem global é dado por: Md = d M1d 𝛿 = 1 1− 𝐹𝑣𝑑 𝐹𝑒 d = fator de amplificação do momento devido às ações que produzem deslocamentos laterais no pórtico; M1d = momento de cálculo na extremidade do elemento, devido às ações que produzem deslocamentos laterais no pórtico. Fvd = somatório das forças verticais de cálculo; Fe = somatório das forças de flambagem (análogo Hogeslag). 96 3.7 ESTABILIDADE GLOBAL DE EDIFÍCIOS Processo da Amplificação dos Momentos (Moment Magnification Method - PCI) No manual do PCI são indicadas algumas formas de considerar a redução da rigidez. A mais simples é: (𝐸𝐼)𝑟𝑒𝑑= 𝐸𝐼/2,5 1+𝛽𝑑 bd leva em conta a fluência do concreto. O coeficiente bd afeta as parcelas de M1d de ações de longa duração (ações verticais permanentes com o desaprumo da estrutura). Para o caso do vento, que é em geral ação principal para esta verificação, bd = 0, resultando em: (EI)red = 0,4 EI 97 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • ACKER, V.A. , 2002, Manual de Sistemas Pré-Fabricados de Concreto, FIB. • DEBS, M.K.El, 2000, Concreto Pré-moldado: Fundamentos e Aplicações, EESC-USP - Universidade de São Carlos. • LÚCIO, V. e CHASTRE, C., 2012, Estruturas Pré-Moldadas no Mundo: Aplicações e Comportamento Estrutural, Fundação da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade NOVA de Lisboa. • MELO, C.E.E. et al, 2007, Manual MUNTE de projetos em pré-fabricados de concreto, PINI. • CEB-FIP model code 1990 – Comité Euro-International du Béton. Bulletin d´Information, n.203-205 • PCI – Precast/Prestessed Concrete Institute, 1992. Design Handbook: precast and prestessed concrete. 4ed. Chicago, PCI. 98 NORMAS BRASILEIRAS Normas utilizadas para o projeto: • ABNT NBR 9062:2017–Projeto e execução de estruturas de concreto pré- moldado –Procedimento • ABNT, NBR-6118:2014 – Projetos de Estruturas de Concreto – Procedimento • ABNT, NBR-6120:2000 – Cargas para o Cálculo de Estruturas de Edificações. • ABNT, NBR-6123:2013 – Forças devidas ao vento em Edificações. • ABNT, NBR-8681:2004 – Ações e Segurança nas Estruturas – Procedimento. 99 NORMAS BRASILEIRAS Outras normas : •ABNT NBR 12655:2015 –Concreto –Preparo, controle e recebimento – Procedimento. •ABNT NBR 14931:2003 –Execução de estruturas de concreto – Procedimentos. •ABNT NBR14861:2011 -Lajes Alveolares pré-moldadas de concreto protendido (comissão de estudos painéis) •ABNT NBR 15146: 2011 -Controle Tecnológico do Concreto –Qualificação de Pessoal (parte 3) •ABNT NBR 16258: 2013 -Estacas pré-fabricadas de Concreto •ABNT NBR 16475 :2017-Painéis e Parede de Concreto Pré-Moldado – Requisitos e Procedimentos. 100 PERGUNTAS? 101 OBRIGADA! 102