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Art. 1º Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena 
sem prévia cominação legal. 
 Princípio: Nullum crimen, nulla poena sine praevia lege. 
Base constitucional: Constituição Federal, art. 5º, XXXIX 
 
Com efeito, o princípio da legalidade corresponde aos 
enunciados dos arts. 5º, XXXIX, da Constituição Federal e 1º do 
Código Penal (“não há crime sem lei anterior que o defina, nem 
pena sem prévia cominação legal”) e contém, nele embutidos, 
dois princípios diferentes: o da reserva legal, reservando para o 
estrito campo da lei a existência do crime e sua correspondente 
pena (não há crime sem lei que o defina, nem pena sem 
cominação legal), e o da anterioridade, exigindo que a lei esteja 
em vigor no momento da prática da infração penal (lei anterior e 
prévia cominação). Assim, a regra do art. 1º, denominada 
princípio da legalidade, compreende os princípios da reserva 
legal e da anterioridade. 
Aspectos do princípio da legalidade 
a) Aspecto político: 
Trata-se de garantia constitucional fundamental do homem. O 
tipo exerce função garantidora do primado da liberdade porque, 
a partir do momento em que somente se pune alguém pela 
prática de crime previamente definido em lei, os membros da 
coletividade passam a ficar protegidos contra toda e qualquer 
invasão arbitrária do Estado em seu direito de liberdade. O 
princípio contém uma regra — segundo a qual ninguém poderá 
ser punido pelo poder estatal, nem sofrer qualquer violação em 
seu direito de liberdade — e uma exceção, pela qual os 
indivíduos somente serão punidos se, e quando, vierem a 
praticar condutas previamente definidas em lei como 
indesejáveis. 
Podemos, portanto, assim resumir: o princípio da legalidade, no 
campo penal, corresponde a uma aspiração básica e 
fundamental do homem, qual seja, a de ter uma proteção contra 
qualquer forma de tirania e arbítrio dos detentores do exercício 
do poder, capaz de lhe garantir a convivência em sociedade, sem 
o risco de ter a sua liberdade cerceada pelo Estado, a não ser nas 
hipóteses previamente estabelecidas em regras gerais, abstratas 
e impessoais. 
b) Aspecto histórico: 
Tal princípio foi traduzido na conhecida fórmula em latim nullum 
crimen, nulla poena sine praevia lege por Paul Johann Anselm 
von Feuerbach (1775-1833), considerado o pai do direito penal 
moderno. Originariamente, surgiu pela primeira vez na Magna 
Charta Libertatum, documento de cunho libertário imposto pelos 
barões ingleses ao rei João Sem Terra, no ano de 1215. Seu art. 
39 previa que nenhum homem livre poderia ser submetido a 
pena não prevista em lei local. Constou também da Constituição 
Carolina germânica de 1532. Entretanto, foi só no final do século 
XVIII, já sob influência do Iluminismo, que o princípio ganhou 
força e efetividade, passando a ser aplicado com o objetivo de 
garantir segurança jurídica e conter o arbítrio. Em 1762, com a 
Teoria do Contrato Social, de Rousseau, o princípio da legalidade 
teve um grande impulso: o cidadão só aceitaria sair de seu 
estado natural e celebrar um pacto para viver em sociedade, se 
tivesse garantias mínimas contra o arbítrio, dentre as quais a de 
não sofrer punição, salvo nas hipóteses previamente elencadas 
em regras gerais, objetivas e impessoais.Dois anos mais tarde, 
em 1764, o marquês de Beccaria, em sua consagrada obra Dos 
delitos e das penas, influenciado por Rousseau, escrevia: “só as 
leis podem decretar as penas dos delitos e esta autoridade deve 
residir no legislador, que representa toda a sociedade unida pelo 
contrato social”. Com a Revolução Francesa, acabou consagrado 
na Declaração de Direitos do Homem, de 26 de agosto de 1789, 
em seu art. 8º, vindo também a constar da Constituição daquele 
país. A Teoria da Separação dos Poderes, preconizada por 
Montesquieu, contribuiu decisivamente para impedir que o juiz, 
usurpando função própria do Legislativo, considerasse condutas 
assim não contempladas pelo legislado. 
c) Aspecto jurídico: somente haverá crime quando existir 
perfeita correspondência entre a conduta praticada e a previsão 
legal. Tal aspecto ganhou força com a teoria de Binding, segundo 
a qual as normas penais incriminadoras não são proibitivas, mas 
descritivas; portanto, quem pratica um crime não age contra a 
lei, mas de acordo com esta, pois os delitos encontram-se 
pormenorizadamente descritos em modelos legais, chamados de 
tipos. Cabe, portanto, à lei a tarefa de definir e não proibir o 
crime (“não há crime sem lei anterior que o defina”), propiciando 
ao agente prévio e integral conhecimento das consequências 
penais da prática delituosa e evitando, assim, qualquer invasão 
arbitrária em seu direito de liberdade. 
Obs. 1: como só há crime quando presente a perfeita 
correspondência entre o fato e a descrição legal, torna-se 
impossível sua existência sem lei que o descreva. Conclui-se que 
só há crime nas hipóteses taxativamente previstas em lei. 
Obs. 2: as medidas de segurança não são penas, possuindo 
caráter essencialmente preventivo; no entanto, resta-lhes um 
certo caráter aflitivo, pelo que, diante da inexistência de norma 
expressa a respeito, sujeitam-se ao princípio da reserva legal e 
da anterioridade, ao contrário do que dispunha o art. 75 da 
antiga Parte Geral do Código Penal. 
Princípios inerentes ao princípio da legalidade: são dois: reserva 
legal e anterioridade da lei penal. 
1º) Princípio da reserva legal: somente a lei, em seu sentido 
mais estrito, pode definir crimes e cominar penalidades, pois “a 
matéria penal deve ser expressamente disciplinada por uma 
manifestação de vontade daquele poder estatal a que, por força 
da Constituição, compete a faculdade de legislar, isto é, o poder 
legislativo” 38. 
a) Reserva absoluta de lei: nenhuma outra fonte subalterna 
pode gerar a norma penal, uma vez que a reserva de lei proposta 
pela Constituição é absoluta, e não meramente relativa. Nem 
seria admissível que restrições a direitos individuais pudessem 
ser objeto de regramento unilateral pelo Poder Executivo. Assim, 
somente a lei, na sua concepção formal e estrita, emanada e 
aprovada pelo Poder Legislativo, por meio de procedimento 
adequado, pode criar tipos e impor penas. 
2º) Princípio da anterioridade da lei penal: é necessário que a lei 
já esteja em vigor na data em que o fato é praticado. “Dado o 
princípio da reserva legal, a relação jurídica é definida pela lei 
vigente à data do fato.Tempus regit actum” 46 . Um dos efeitos 
decorrentes da anterioridade da lei penal é a irretroatividade, 
pela qual a lei penal é editada para o futuro e não para o 
passado. A proibição da retroatividade não se restringe às penas, 
mas a qualquer norma de natureza penal, ainda que da Parte 
Geral do Código Penal. Como regra, podemos estabelecer o 
seguinte: toda e qualquer norma que venha a criar, extinguir, 
aumentar ou reduzir a satisfação do direito de punir do Estado 
deve ser considerada de natureza penal. Do mesmo modo, as 
normas de execução penal que tornem mais gravoso o 
cumprimento da pena, impeçam ou acrescentem requisitos para 
a progressão de regime não podem retroagir para prejudicar o 
condenado, porque aumentam a satisfação do jus punitionis. 
 
A irretroatividade não atinge somente as penas, como também 
as medidas de segurança, uma vez que o art. 75 da antiga Parte 
Geral não foi repetido pela Lei n. 7.209/84. 
6. IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL 
Art. 2º Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa 
de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os 
efeitos penais da sentença condenatória. Parágrafo único. A lei 
posterior, que de qualquer modofavorecer o agente, aplica-se 
aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença 
condenatória transitada em julgado.

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