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Prévia do material em texto

PROFESSOR ESP. ALEXANDRE SILVA POROSKI 
(prof.poroski@uniplaclages.edu.br) 
Curriculum vitae 
Graduação em Direito (UNIPLAC/Lages - 1998) 
Especialização em Segurança Social (UNIPLAC/Lages/SC - 2001) Especialização 
em Direito Penal (UNIASSELVI/Indaial/SC - 2015) Especialização em Direito 
Processual Penal (FAEL/Lapa/PR - 2019) Especialização em Direito Ambiental e 
Sustentabilidade (FAEL/Lapa/PR - 2021), Especialização em Criminologia (IBRA – 
FABRAS/Brasília/DF, 2021) Especialização em Segurança Pública (IBRAS - 
FAECH/Uberlândia/MG, 2022) Pós-graduado stricto sensu em Ambiente e Saúde, 
Mestrado Acadêmico/PPGAS (UNIPLAC – 2024) 
Professor da Disciplina de Criminologia (DIREITO/UNIPLAC/LAGES) Professor 
da Disciplina de Clínica I/Execução Penal (DIREITO/UNIPLAC/LAGES) Professor 
da Disciplina de Execução Penal (DIREITO/UNIPLAC/LAGES) Professor da 
Disciplina de Criminologia (ACADEPOL/FLORIANÓPOLIS) Agente de Polícia 
Civil (CPP/LAGES/SC) 
“O Direito Penal é o primeiro 
amor dos grandes estudantes, 
fascinados pelo conteúdo 
humano, pela palpitação social, 
pela intensidade dos dramas, 
pela glória das legendas. O 
Direito Penal fornece a 
emulsão vivificante ao berçário 
das vocações jurídicas” 
Roberto Lyra 
Módulo I 
Introdução 
ao Estudo do 
Direito Penal 
Introdução 
O fato social é sempre o ponto de partida na formação 
da noção do Direito 
fato social 
contrário à 
norma 
ilícito jurídico 
ILÍCITO PENAL 
O Estado estabelece normas jurídicas com 
a finalidade de combater esses ilícitos 
Conjunto de normas 
jurídicas 
DIREITO = 
PENALEstudo 
- Do crime 
- Da pena 
- Do delinqüente 
Código Penal 
O Código Penal vigente é o 
Decreto-Lei nº 2848 
de 07 de dezembro de 1940 
É dividido em: 
• PARTE GERAL - dos artigos 1º ao 120 
• PARTE ESPECIAL - dos artigos 121 ao 361 
Conceito de Direito Penal 
 Von Liszt define o Direito Penal como “o conjunto das 
prescrições emanadas do Estado, que ligam ao crime – como 
fato – à pena, como conseqüência” 
Crítica: o direito penal, hoje, não se preocupa somente com a pena. 
Tanto que existem as medidas de seguranças (inimputáveis) 
 Damásio E. de Jesus dá uma definição mais completa de 
Direito Penal, afirmando que ele consiste em: 
“Um conjunto de normas que ligam ao crime, como 
fato, à pena como conseqüência e disciplinam 
também as relações jurídicas daí derivadas, para 
estabelecer a aplicabilidade das medidas de 
segurança e a tutela do direito de liberdade em 
face do poder de punir do Estado" 
Caracteres do Direito Penal O Direito 
Penal, por regular as relações do indivíduo com a sociedade, 
pertence ao Direito Público. Isso porque em um dos lados da 
relação jurídica nascida com a prática do crime temos a figura do 
Estado, que exercerá o direito de punir e do outro lado teremos o 
indivíduo, detentor do direito à liberdade. 
SUJEITO 
que tem o 
prática 
do crime faz nascer relação entre 
Direito à Liberdade (princípio da legalidade) 
ESTADO 
que tem o 
Direito de Punir 
(“jus puniendi”) 
Verifica-se que mesmo nas hipóteses em que a ação se movimenta 
por iniciativa do particular (AÇÃO PRIVADA), 
o direito de punir continua a pertencer exclusivamente ao Estado 
Caracteres do Direito 
Penal O Direito Penal é ciência 
cultural, 
normativa, valorativa e finalista 
 CULTURAL porque pertence à classe das ciências do "dever-ser" e 
não à do "ser". Ele diz como as coisas, em verdade, deveriam ser. 
 NORMATIVA, porque tem a finalidade de estudar a norma, ou seja, a 
regra de conduta. 
 VALORATIVA porque o Direito coloca uma hierarquia entre as 
normas, não lhes dando o mesmo valor. 
 FINALISTA porque tem como fim a defesa da sociedade, através da 
proteção de bens jurídicos fundamentais. 
É ainda, sancionador porque através da cominação da sanção 
(previsão de penas), protege outra norma jurídica 
de natureza extra-penal. 
E é também é dogmático porque expõe o seu direito através de 
normas jurídicas, exigindo o seu cumprimento sem reservas. 
Direito Penal subjetivo e 
Direito Penal objetivo 
O Direito Penal tem na 
sanção seu meio de ação 
SUBJETIVO OBJETIVO 
É o direito de punir do Estado 
(“jus puniendi”). 
Esse direito tem limites no Direito 
Penal Objetivo (= conjunto de 
normas), não sendo ilimitado. 
É o próprio ordenamento jurídico 
penal, correspondendo, portanto, 
à sua definição. 
É, justamente, o conjunto de 
normas colocadas pelo Estado 
para regular as relações 
humanas. 
Direito Penal comum e 
Direito Penal especial 
Comum [Federal e Estadual] 
JUSTIÇA 
Especial [Justiça do Trabalho, Justiça 
Eleitoral, Justiça Militar] 
O critério para diferenciação entre o 
Direito Penal COMUM e ESPECIAL 
reside no órgão encarregado de 
aplicar o direito objetivo 
COMUM ESPECIAL 
Aplica-se a todos os cidadãos. Se a 
aplicação do direito ao caso concreto 
não demandar jurisdições próprias, 
sua qualificação será de norma penal 
comum. 
Tem seu campo de incidência restrito a 
uma classe de cidadãos conforme 
qualidades particulares. 
Se a norma objetiva somente se 
aplicar por meio de órgãos especiais 
constitucionalmente previstos, a 
norma terá caráter especial. 
Direito Penal 
material e 
Direito Penal 
formal 
MATERIAL 
(substantivo) 
FORMAL (adjetivo) 
É representado pela Lei Penal, 
que define as condutas típicas e 
estabelece as sanções. 
É o Direito Processual Penal que 
determina as regras de aplicação 
do Direito Penal substantivo. 
• crítica: O Direito Processual Penal 
não é complemento do Direito Penal 
material e sim, um Direito autônomo 
que não pode ser considerado 
“adjetivo” do Direito Penal 
Módulo II 
Princípios 
fundamentais do Direito 
Penal 
Introdução 
 
BRASIL 
Estado 
Democrático 
de Direito 
Justa interpretação e 
aplicação da lei 
Definição de 
condutas delituosas 
DIREITO PENAL 
Princípios Constitucionais 
Princípio da legalidade 
➢ Princípio da Reserva legal 
artigo 5° , XXXIX, da CF 
artigo 1° do CP 
"Não há crime sem lei 
anterior que o defina. 
Não há pena sem prévia cominação legal." 
CRIME LEI PENA 
Portanto: a analogia, os costumes e os princípios gerais de 
direito não podem instituir delitos ou penas 
Princípio da legalidade 
 Entendimento Jurisprudencial: 
“PENAL E PROCESSUAL. TRÁFICO DE ENTORPECENTES E 
ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. PENA-BASE ACIMA DO 
PREVISTO LEGALMENTE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO 
IDÔNEA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL CARACTERIZADO. 
ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. FIXAÇÃO DA PENA-BASE 
ACIMA DO PATAMAR ESTABELECIDO NO ART. 8º DA LEI 
8.072/90 E DE PENA PECUNIÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 
INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. 
ORDEM CONCEDIDA. A aplicação da pena-base fora do 
patamar estabelecido pela referida norma e a 
imposição de pena pecuniária aos condenados pela 
prática do delito de associação para o tráfico de 
entorpecentes configura constrangimento ilegal, pois 
viola o princípio da legalidade.” 
Princípio da anterioridade da lei 
➢ artigo 5° , XXXIX, da CF 
➢ artigo 1° do CP 
"Não há crime sem lei 
anterior que o defina. 
Não há pena sem prévia cominação legal." 
ENTROU EM VIGOR A 
JOÃO PRATICOU CONDUTA A 
LEI X QUE INCRIMINA 
A CONDUTA AJOÃO NÃO PODE 
SER PUNIDO PELA 
10/04/04 20/09/05 
CONDUTA A QUE 
PRATICOU 
Princípio da irretroatividade 
da lei penal mais severa 
➢ artigo 5° , XL, da CF 
artigo 2° do CP 
“A lei 
penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu." 
JOÃO PRATICOU 
CONDUTA A 
CUJA PENA ERA 
DE 6 A 20 ANOS 
ENTROU EM 
VIGOR A LEI X 
QUE 
DETERMINA QUE 
A CONDUTA A 
TERÁ PENA DE 
15 A 30 ANOS 
, 
JULGAMENTO 
DE JOÃO 
A LEI X 
NÃO 
RETROAGE 
JOÃO 
NÃO PODE 
SER PUNIDO 
COM PENA 
10/04/19 
20/07/20 
DE 15 A 30 ANOS 30/01/21 
Princípio da irretroatividade 
da lei penal mais severa 
➢ Diferente se: 
JOÃO PRATICOU 
CONDUTA BCUJA PENA ERA DE 
8 A 12 ANOS 
ENTROU EM VIGOR 
A LEI Y QUE 
DETERMINA QUE A 
CONDUTA B TERÁ 
PENA DE 4 A 6 
ANOS 
, 
JULGAMENTO 
DE JOÃO 
A LEI Y 
RETROAGE JOÃO 
SERÁ PUNIDO 
10/04/04 20/09/05 
COM PENA 30/01/06 DE 
4 A 6 ANOS 
Princípio da insignificância 
 Tal princípio está ligado aos chamados crimes de bagatela 
(ou delito de lesão mínima) 
 Segundo ele, o Direito Penal só deve intervir nos casos de lesão de 
certa gravidade, reconhecendo a atipicidade do fato nas hipóteses 
de perturbações jurídicas mais leves. 
conduta 
REQUISITOS DESVALOR Neste 
sentido, as seguintes decisões: 
dano 
culpabilidade 
“Princípio da insignificância - Aplicabilidade - Descaminho - Aquisição de 
objetos no exterior em pequena quantidade e de valores reduzidos, sem a 
devida documentação - Adequação social da conduta.” (RT-753/706) 
“Furto - Agente que subtrai uma cédula de um real - Aplicação do princípio 
da insignificância - Absolvição decretada.” (RT-738/652) 
Princípio da insignificância 
Mínima ofensividade da conduta 
do agente; 
Ausência de periculosidade social 
REQUISITOS 
da ação; 
Reduzissímo grau de 
reprovabilidade do comportamento; 
Inexpressividade da lesão jurídica 
provocada. 
Princípio da presunção do 
estado de inocência 
➢ artigo 5° , LVII, da CF 
"Ninguém será 
considerado culpado até 
o 
trânsito em julgado de sentença penal condenatória." 
TRÂNSITO EM 
JULGADO DE SENTEÇA 
CONDENATÓRIA 
= ➢ RÉU CULPADO 
➢ EXECUÇÃO DA PENA 
NÃO CABE MAIS NENHUM RECURSO 
Neste sentido: 
"Rol dos culpados - Lançamento do nome do réu - Impossibilidade 
antes do trânsito em julgado da sentença condenatória - 
Consagração do princípio constitucional da presunção da 
inocência."(RESE 134.320-3/4 - 4° C., j.20.6.94) 
Princípio do "ne bis in idem" 
 Ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo fato. 
 Duplo significado: 
➢ PENAL MATERIAL: ninguém pode sofrer duas penas em face de 
um mesmo crime 
➢ PROCESSUAL: ninguém pode ser processado e julgado duas 
vezes pela mesma conduta. 
EXEMPLO: 
AMATA BUSO DE EXPLOSIVO 
= qualificadora (art. 121,2º, III) 
= agravante (art. 61, II, d) 
O USO DO EXPLOSIVO NÃO PODERÁ SER LEVADO EM CONTA PARA 
QUALIFICAR E AGRAVAR A PENA NO MESMO CRIME. 
Princípio do “in dúbio pro reo” 
 O acusado da prática de uma infração penal em seu julgamento final, 
havendo dúvida deverá ser absolvido. 
 Corolário do campo das provas, tal princípio deve ser aplicado toda 
vez que houver dúvida, a interpretação deve ser feita de maneira 
mais favorável ao réu. 
HAVENDO DÚVIDA EM 
RELAÇÃO A QUALQUER 
CIRCUNSTÂNCIA DO 
CASO 
A DECISÃO TEM QUE SER 
NO SENTIDO DE 
FAVORECER O RÉU 
Princípio da Dignidade da Pessoa 
Humana 
“A República Federativa do Brasil, ... , constitui-se em Estado 
Democrático de Direito e tem como fundamentos: 
III - a dignidade da pessoa humana;” (art. 1º, III da CF) 
➢ Este princípio é fundamento da República e do 
Estado Democrático de Direito assim, o homem, 
antes de ser considerado como cidadão, vale 
como pessoa. 
➢ Defender a dignidade do ser humano significa 
protegê-lo de ações arbitrárias e indevidas por 
parte do Estado ou de todos aqueles que detém 
poder sobre outrem. 
➢ A intervenção jurídico-penal jamais deve 
servir-se de instrumento vexatório ou 
repugnante, mesmo que seja contra o pior dos 
delinqüentes, devendo a razão estar acima de 
tudo para tratar a criminalidade. 
Convenção Americana de 
Direitos Humanos 1969 - 
Pacto de San José da Costa Rica 
Preâmbulo 
Os Estados Americanos signatários da presente Convenção, reafirmando 
seu propósito de consolidar neste Continente, dentro do quadro das 
instituições democráticas, um regime 
➢ de liberdade pessoal e de justiça social, 
➢ fundado no respeito dos direitos humanos essenciais; 
➢ reconhecendo que os direitos essenciais da pessoa humana não 
derivam do fato de ser ela nacional de determinado Estado, mas sim do 
fato de ter como fundamento os atributos da pessoa humana (...); 
➢ reiterando que, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos 
Humanos, só pode ser realizado o ideal do ser humano livre, isento do 
temor e da miséria, se forem criadas condições que permitam a cada 
pessoa gozar dos seus direitos econômicos, sociais e culturais, bem 
como dos seus direitos civis e políticos. 
Módulo III 
Fontes do 
Direito Penal 
lugar de 
onde 
provém 
a norma de Direito 
Introdução FONTES 
FONTES DE 
PRODUÇÃO 
(MATERIAL) 
DIREITO PENAL 
FONTES DE 
CONHECIMENTO 
(FORMAL) 
FONTES DE PRODUÇÃO 
Quem é o órgão competente para a produção das leis penais? 
FONTE 
MATERIAL= órgão encarregado da elaboração 
da norma penal 
ESTADO 
O Brasil é composto de 
compete à União 
legislar sobre 
Direito Penal (artigo 
22, I da CF) 
alguns entes federativos: • 
União 
• Estados-membros 
• Municípios 
• Distrito Federal 
FONTES DE CONHECIMENTO 
Como o direito penal se revela? 
fonte 
FONTES 
FORMAI
S 
formal 
imediata 
fonte 
formal 
mediatas 
LEI 
costumes e 
princípios 
gerais do 
direito 
Fonte Formal IMEDIATA 
A única fonte imediata de conhecimento é a lei 
Através dela, o Direito se revela imediatamente, de forma 
direta. 
NORMA LEI 
➢ Mandamento de um 
comportamento normal, 
retirado do senso 
comum da coletividade 
➢ refere-se ao 
conteúdo ➢ pode estar 
em um ou mais 
dispositivos legais 
 
 
 
➢ ato em que se 
expressa a função 
legislativa do Estado ➢ 
texto 
➢ simples veículo de 
norma 
A lei é o texto como expressão formal. Compõe o dispositivo. A norma é 
o significado jurídico desta, é a expressão do dever ser jurídico. 
O texto é o veículo
, enquanto a norma é o dever ser veiculado. 
Classificação 
das normas 
penais As normas penais 
classificam-se em: 
1. normas penais incriminadoras 
2. normas penais não incriminadoras: 
➢ permissivas 
➢ explicativas 
(ou finais ou complementares) 
Normas Penais Incriminadoras 
 descreve uma conduta ilícita (contrária ao direito, ao 
ordenamento jurídico), impondo uma sanção ao 
agente. 
norma penal 
incriminadora 
preceito 
= +primário 
preceito 
secundário 
definição do 
comportamento 
humano ilícito 
exposição da 
sanção que se 
associa à 
conduta 
➢EXEMPLO: o legislador não diz expressamente que "matar é crime". 
Ele descreve a conduta "matar alguém", estabelecendo determinada 
sanção. Assim, o princípio imperativo que deve ser obedecido (não 
matar ninguém) não está de maneira expressa na norma penal. 
Somente quando uma conduta se amolda a uma norma penal 
incriminadora é que o Estado adquire o direito concreto de 
punir. 
Normas Penais 
Não Incriminadoras 
 PERMISSIVAS: 
determinam a licitude ou a não punibilidade de certas 
condutas, embora estas sejam típicas em face das normas 
incriminadoras. Exemplos: arts. 20 a 27, 28, parágrafo segundo 
e art. 128 do CP. 
gravidez 
A 
MÉDICA 
PRATICA 
ABORTO COM 
CONSENTIMENT
O 
B 
GESTANTE 
resultante de 
estupro 
norma penal incriminadoraart. 128, II 
art. 126 
norma penal permissiva 
TORNA A CONDUTA 
LÍCITA 
Normas Penais 
Não Incriminadoras 
 EXPLICATIVAS: 
➢ Também chamadas finais ou complementares Esclarecem o 
conteúdo das outras, ou delimitam o âmbito de sua 
aplicação 
Exemplos: artigos 4°, 5°, 7°, 10 a 12, 33, 327 do CP. 
Peculato - Art. 312 - Apropriar-se o 
funcionário público de 
 
dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou 
particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, 
em proveito próprio ou alheio: 
Art. 327 - Considera-se funcionário 
público, 
 
para os efeitos penais, quem, 
embora transitoriamente ou sem 
remuneração, exerce cargo, 
emprego ou função pública. 
NORMA 
EXPLICATIVA 
Normas Penais em Branco ➢ Necessitam 
de complementação (de outro diploma) para que se possa compreender o 
âmbito de aplicação de seupreceito primário. 
EM SENTIDO GENÉRICO: 
são aquelas cujo 
complemento está contido 
em norma procedente de 
outra instância legislativa, 
como, por exemplo, uma 
portaria ou decreto. 
EM 
SENTIDO ESTRITO: 
são aquelas em que o 
complemento da norma é 
determinado pela mesma 
fonte formal da norma 
incriminadora, ou seja, a lei é 
complementada por outra lei. 
Normas Penais em 
Branco EXEMPLOS: 
GENÉRICA: 
Art. 269 - Deixar o 
médico de denunciar à 
autoridade pública doença 
cuja notificação é 
ESTRITA: 
Art. 237 - Contrair 
casamento 
conhecendo a 
existência de 
impedimento que lhe cause a 
 
compulsória. 
 
O rol de doenças 
está no 
nulidade. 
Esses 
impedimentos estão no 
 
Código Sanitário Estadual. art.183, I e VIII do CC. 
Sebastián Soler: “No entanto, a lei penal em branco não pode ser 
entendida como uma carta branca outorgada a determinado poder 
para que assuma funções repressivas, e, sim, deve ser entendido 
como o reconhecimento de uma faculdade meramente 
regulamentar.” 
Fonte Formal MEDIATA 
1. Costume 
conjunto de normas de comportamento a que pessoas 
obedecem de maneira uniforme (ELEMENTO OBJETIVO) e 
constante pela convicção de sua obrigatoriedade 
(ELEMENTO SUBJETIVO) 
ESPÉCIES 
"contra legem" 
"secundum legem" 
"praeter legem" 
Conflita com a lei sem poder 
de modificá-la 
Esclarece e auxilia na 
aplicação dos 
dispositivos legais 
Cobre lacunas, 
especificando o conteúdo ou 
a extensão da lei 
Fonte Formal MEDIATA 
2. Princípios gerais do direito 
 o artigo 4° da LICC permite que, nas 
hipóteses em que a lei for 
omissa, o juiz poderá utilizar-se dos princípios 
gerais de direito, para solucionar a 
questão. 
 No entanto, somente pode suprir as normas penais 
não incriminadoras. Não pode criar crimes nem 
cominar penas. 
Módulo IV 
INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL 
Introdução 
➢ Interpretar é retirar o significado e a extensão de uma norma em 
relação à realidade. É buscar o verdadeiro significado e alcance da lei 
afim de aplicá-la aos casos concretos da vida real. 
➢ Por mais clara que seja a letra da lei penal, ela não prescinde de 
interpretação tendente a explicar-lhe o significado, o justo 
pensamento, a sua real vontade. 
O que se busca com a interpretação? 
A vontade da lei ou do legislador? 
Há duas correntes: 
1. A primeira afirma que o intérprete deve perseguir a vontade do legislador. 
(Escola Exegética). 
2. Já a segunda sustenta a busca da vontade da lei. 
NOSSO ENTENDIMENTO: A lei independe de seu passado, 
importando apenas o que está contido em seus preceitos. 
ESPÉCIES DE INTERPRETAÇÃO 
QUANTO AO 
SUJEITO 
QUANTO 
AO MODO 
• gramatical 
• lógica 
 
 
QUANTO AO 
RESULTADO 
• autêntica • declarativa • doutrinária • 
restritiva • jurisprudencial • extensiva 
 
Quanto ao sujeito 
autêntica 
doutrinária jurisprudencial 
= legislativa 
emana do legislador 
• contextual 
Feita no próprio 
texto da lei (art. 150 
e §4º do CP – 
“casa”) 
• não contextual 
Feita por outra lei de 
edição posterior 
• Feita pelos 
estudiosos do 
Direito em livros, 
artigos, teses... 
• Doutrina = 
conjunto de 
estudos jurídicos 
de qualquer 
natureza 
= judicial 
Feita pelos Tribunais, 
mediante a 
reiteração de seus 
julgamentos 
 
 
Quanto ao modo 
gramatical lógica = literal ou sintática 
= teleológica 
• O intérprete deve recorrer ao 
que dizem as palavras 
• No entanto, a simples análise 
gramatical, muitas vezes, não é 
suficiente, porque pode levar a 
conclusão aberrante 
• Consiste na indagação da 
vontade e da finalidade da lei 
• A interpretação teleológica se 
vale dos seguintes elementos: 
"ratio legis“ (razão da lei) 
sistemático 
histórico 
Direito Comparado 
extra penal (político-social) 
extrajurídico 
Ocorrendo contradição entre as conclusões da interpretação 
literal e lógica, deverá prevalecer a segunda, uma vez que 
atende às 
exigências do bem comum e aos fins da lei. 
 
Quanto ao resultado 
declarativa 
restritiva extensiva 
• Dá à lei seu 
sentido literal – 
sem extensão, 
nem restrição. 
• Corresponde 
EXTAMENTE ao 
intuito do 
legislador. 
• A linguagem 
da lei diz mais 
do que o 
pretendido pela 
sua vontade. 
• Mostra-se 
necessária a 
restrição do 
alcance das 
palavras da lei 
até o seu real 
significado. 
• O texto legal 
diz menos do 
que queria 
dizer. 
• Mostra-se 
necessária a 
ampliação do 
alcance das 
palavras da lei 
para que a letra 
corresponda à 
vontade do 
texto 
Princípio "in dubio pro reo" em matéria 
de interpretação da lei penal 
O que fazer quando persiste a dúvida quanto à vontade da norma? 
Admitir que a dúvida deva ser resolvida 
contra o agente ("in dubio pro societate") 
Admitir que seja resolvida contra o agente 
CAMINHOS 
ou contra a sociedade, segundo o 
livre convencimento do intérprete 
Resolver a questão da forma mais 
favorável ao agente 
NOSSO ENTENDIMENTO: no caso 
de irredutível dúvida entre o 
espírito e a letra da lei, é força 
acolher, em matéria penal, irrestritamente, o princípio "in 
dubio pro reo". 
Interpretação 
Progressiva = adaptativa ou evolutiva 
 Faz-se adaptando a lei às necessidades e concepções do 
presente. Afinal, não pode o juiz ficar alheio às transformações 
sociais, científicas e jurídicas. 
 A lei deve acompanhar as mudanças do ambiente, assim como 
sua evolução. Ela não pode parar no tempo. Entretanto, não 
podemos, a todo momento, alterá-la, devendo haver as devidas 
adequações. 
 Os limites dessa interpretação, perfeitamente legítima, restam 
determinados pela interpretação extensiva. 
"doença mental" da psiquiatria DEVEM 
EXEMPLOS 
"coisa móvel" 
SEGUIR 
OS 
AVANÇOS da indústria 
Interpretação analógica 
 A interpretação analógica é permitida toda vez que após 
uma seqüência casuística segue-se uma fórmula genérica, 
que deve ser interpretada de acordo com os casos 
anteriormente elencados. 
EXEMPLO: 
Art. 121, §2º, IV, do CP Se o 
homicídio é cometido: seqüência casuística 
“à traição, emboscada, ou mediante dissimulação ou 
outro recurso que dificulte ou torne impossível a 
defesa do ofendido.” fórmula genérica 
Assim, o outro recurso deve ser semelhante à traição, 
 
emboscada ou dissimulação (caráter insidioso). 
Trata-se de uma hipótese de interpretação analógica, em que a 
própria lei determina que se estenda seu conteúdo. 
Analogia 
ANALOGIA INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA 
Aplicar a uma hipótese não 
regulada por lei disposição 
relativa a um caso 
semelhante 
Na interpretação, o legislador 
deixa claro que a lei deseja que 
a norma abranja casos 
semelhantes aos já descritos 
fundamento da 
analogia 
“ubi eadem legis ratio, ibi 
eadem legis dispositio” 
= onde há a mesma 
razão, aplica-se o 
natureza jurídica da 
analogia 
• forma de auto 
integração da lei 
• não é fonte mediata do 
Direito Penal 
requisitos da 
analogia 
1. fato analisado não 
regulado pelo legislador. 
2. legislador, no entanto, 
tenha regulado situação 
semelhante. 3. 
semelhança entre a 
situação regulada e a não 
prevista. 
mesmo direito 
Espécies de Analogia 
“in bonam partem” 
“in malam partem” 
= em benefício da parte 
no caso de leis penais não 
incriminadoras é perfeitamente 
permitido o uso da analogia a 
favor da parte 
= em malefício da parte 
não pode ser usada para criar 
crimes ou penas, os quais o 
legislador não tenha determinado 
(princípio da reserva legal) 
 
EXEMPLOS: 
Art. 128 do CP - Não se pune o aborto 
praticado por médico: II - se a 
gravidez resulta de estupro 
(...) 
 
Art. 269 do CP - Deixar o 
médico de denunciar à 
autoridade pública doença cuja 
notificação é compulsória 
Se um fisioterapeuta deixar de 
denunciar nesse caso, ele não 
Também não se pune o médico 
se a gravidez resulta de 
atentadoviolento ao pudor = 
ANALOGIA in bonam partem 
pode ser punido 
= ANALOGIA in malam partem 
Módulo V 
APLICAÇÃO DA LEI PENAL 
EFICÁCIA DA 
LEI PENAL NO TEMPO 
Introdução 
➢ a LEI PENAL nasce, vive e morre 
sanção 
promulgação publicação 
revogação 
é o ato pelo qual 
o Presidente da 
República aprova 
e confirma uma 
lei. Com ela, a lei 
está completa. 
Ela transforma 
um “projeto de 
lei” em “lei” 
ato pelo qual se 
atesta a 
existência da lei e 
se determina a 
todos que a 
observem. Sua 
finalidade é 
conferir-lhe 
autenticidade 
ato pelo qual a 
lei se torna 
conhecida de 
todos, 
tornando-se, 
assim, seu 
cumprimento 
obrigatório 
expressão 
genérica que 
traz a idéia de 
cessação da 
existência de 
regra 
obrigatória 
sanção 
promulgação publicação 
revogação 
Em regra, o fato, para 
ser punido, deve ser 
cometido entre o 
momento em que a lei 
nasce – tornando-se 
obrigatória – até o 
momento em que ela 
morre – é revogada 
"tempus regit 
actum" 
tácita 
o novo texto é 
incompatível com o 
anterior ou regula 
inteiramente a matéria 
precedente 
• derrogação 
autoridade da lei cessa 
em parte 
• ab-rogação a lei se 
extingue totalmente 
expressa 
a lei, 
expressamente, 
determina a 
cessação da 
vigência da 
norma anterior 
Tempo do crime 
Em que momento podemos dizer que a infração foi 
praticada? 
teoria da atividade: momento em que o agente 
 
executa a conduta criminosa – ação ou omissão – 
independentemente do momento do resultado 
TRÊS 
TEORIAS 
teoria do 
resultado: momento da produção 
do 
resultado, independentemente do 
momento da ação ou da omissão. 
teoria 
da ubiqüidade: tanto o momento 
da ação ou 
 
da omissão quanto o momento do 
resultado. 
Art. 4°: "Considera-se 
praticado o crime no momento da 
ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do 
resultado" = teoria da atividade 
Regra de aplicação da Lei 
Penal no Tempo 
NÃO RETROAGE NÃO ULTRA-AGE EFICÁCIA DA LEI 
ENTRADA 
FATO FATO FATO EM VIGOR REVOGAÇÃO 
• REGRA• 
EXCEÇÃO 
"tempus regit actum“ 
a lei penal NÃO retroage e NÃO 
ultra-age 
salvo para beneficiar o réu 
(art. 5º, XL da CF e art. 2º p. 
único do CP) 
para beneficiar o réu CONCLUSÃO a lei penal 
não retroagirá, salvo 
Conflitos de lei penal no tempo 
1) a lei nova suprime normas incriminadoras 
anteriormente existentes = (abolitio criminis) 
2004 - “P” pratica 
conduta “X” 
2005 – LEI “A” = 
conduta “X” deixa de 
ser crime 
“P” não 
será punido 
= abolitio 
criminis 
2) a lei nova incrimina fatos 
antes considerados lícitos, 
permitidos = (novatio legis 
incriminadora) 
2002 - “M” pratica 
conduta “Y” 
2004 – LEI “B” = 
conduta “Y” 
passa a ser crime 
“M” não 
será punido 
= novatio legis 
incriminadora 
3) a lei nova modifica o regime anterior, 
agravando a situação do sujeito = (novatio 
legis in pejus) 
2000 - “J” pratica 
conduta “W” com 
pena de 4 a 6 anos 
2003 – LEI “C” = 
conduta “W” 
pena de 10 a 15 anos 
“J” será punido 
com pena de 4 
a 6 anos 
= novatio legis 
in pejus 
4) a lei nova modifica o regime 
anterior, beneficiando o sujeito = 
(novatio legis in mellius) 
2001 - “K” pratica 
conduta “Z” com 
pena de 7 a 9 anos 
2002 – LEI “D” = 
conduta “Z” 
pena de multa 
“K” será punido 
com pena de multa = novatio legis in mellius 
Abolitio Criminis 
lei posterior que deixa de considerar um fato como 
crime (art. 2º, caput do CP) 
 Fundamento: 
A ab-rogação de lei penal incriminadora supõe que o 
Estado já não mais considera aquele fato contrário aos interesses da 
sociedade. 
 Natureza jurídica: 
Constitui fato jurídico extintivo da punibilidade 
(art. 107, III do CP). O Estado, portanto, perde a possibilidade de 
punir o agente. 
 Exclusão de todos os efeitos 
jurídico-penais: 
1) Se a persecução criminal 
ainda não foi movimentada, o processo não poderá sequer ser iniciado. 
2) Se o processo estiver em andamento, deverá ser trancado mediante 
decretação da extinção da punibilidade. 
3) Se já existe sentença condenatória com trânsito em julgado, a 
pretensão executória não pode ser efetivada. 
4) Se o condenado está cumprindo pena, deve ser decretada a 
extinção da punibilidade, devendo o sujeito ser solto. 
5) Cessam todos os efeitos da condenação. 
Novatio Legis in Pejus 
1. A sanção imposta hoje ao crime é mais grave em qualidade que a 
da lei precedente. 
2. A sanção imposta hoje, embora da mesma qualidade, é mais severa 
quanto à maneira de execução. 
3. A quantidade da pena em abstrato é aumentada. 4. A quantidade 
da pena em abstrato é mantida, mas a maneira de sua fixação é mais 
rígida que a determinada pela lei anterior. 5. Inclusão de qualificadoras 
antes inexistentes. 
6. Lei nova suprime benefícios determinados pela lei anterior, referente 
à suspensão ou interrupção da execução da pena. 
7. Lei nova exclui causas de extinção da punibilidade. 8. Lei nova 
exclui escusas absolutórias anteriormente existentes. 9. Lei nova exclui 
causas de exclusão da ilicitude ou da culpabilidade. 
ATENÇÃO! todas as vezes que a lei nova 
 
prejudica o sujeito, ela não poderá retroagir 
Novatio Legis in Mellius 
 Lei nova inclui circunstâncias que beneficiam o sujeito. Lei 
nova cria causas extintivas da punibilidade não reconhecidas 
pela lei anterior. 
 Lei nova permite a obtenção de benefícios não permitidos ou 
facilita sua obtenção. 
 Lei nova acresce causas de exclusão da ilicitude, da 
culpabilidade, ou escusas absolutórias, antes inexistentes. Lei 
nova exclui a concessão de extradição. 
 Lei nova que comina penas menos rigorosa (em qualidade, 
quantidade ou modo de execução). 
ATENÇÃO! O princípio da retroatividade da lei 
 
mais benéfica é incondicional, podendo aplicar 
se aos fatos anteriores, ainda que decididos por 
sentença condenatória transitada em julgado 
(art. 2º, p. único do CP) 
Lei Intermediária 
LEI 
MAIS BENÉFICA 
ULTRA-AGE APLICANDO-SE 
A FATOS 
OCORRIDOS 
 
DURANTE A SUA VIGÊNCIA 
2003 
Lei “A” pena de 
3 a 6 
anos 
FATO 
2004 
Lei “B” pena de 
1 a 4 
anos 
2005 
Lei “C” 
pena de 
9 a 12 anos 
REGRA: 
VIGÊNCIA E APLICAÇÃO DA LEI 
“C” 
RETROAGE PARA BENEFICIAR O RÉU 
APLICANDO-SE A FATOS PASSADOS 
Leis Penais 
Temporárias e Excepcionais Leis 
com vigência previamente estipulada 
TEMPORÁRIAS 
EXCEPCIONAIS 
pelo legislador – com dia 
determinado para início e fim 
de sua aplicação 
Leis promulgadas em casos 
excepcionais (calamidade 
pública, guerras, revoluções, 
epidemias...) com vigência 
restrita à duração do caso 
“A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de 
sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, 
aplica-se ao fato praticado durante a sua vigência.“ (art. 3º do 
CP) 
 Fundamento: Esse dispositivo visa impedir que, tratando-se 
de leis 
previamente limitadas no tempo, possam ser frustradas as suas 
sanções por expedientes astuciosos no sentido de retardamento dos 
processos penais. 
EXEMPLO: 
ULTRA-AGE 
 
Lei EXCEPCIONAL 
ou 
TEMPOR
ÁRIA 
FATO 
APLICANDO-SE A 
FATOS OCORRIDOS 
DURANTE A SUA 
 
VIGÊNCIA 
JULGAMENTO 
Essa LEI (ainda que mais BENÉFICA) não retroagirá para 
alcançar fatos ocorridos anteriormente a sua vigência. 
Nenhuma outra LEI (ainda que mais BENÉFICA) retroagirá 
para alcançar fatos ocorridos durante a vigência de leis 
excepcionais ou temporárias. 
Contagem de prazo 
 O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. 
Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário 
comum. (art. 10 do CP) 
➢ O dia é o lapso temporal entre meia-noite e meia-noite. 
➢ O mês é contado de determinado dia à véspera do mesmo dia do mês seguinte, 
terminando às 24 horas, pouco importando quantos são os dias de cada mês. ➢ O 
ano é contado de certo dia às 24 horas da vésperado dia de idêntico número do 
mesmo mês do ano seguinte, não importando seja bissexto qualquer deles. 
 Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de 
direitos, as frações de dia. 
(art. 11 do CP) 
EXEMPLO: 
A 
condenado a 
06 
Janeiro 2000 
25 
Janeiro 
2003 A terá cumprido 
3 anos e 20 dias a pena 
Módulo VI 
APLICAÇÃO DA LEI PENAL 
EFICÁCIA DA LEI PENAL NO ESPAÇO 
Lugar do Crime 
Art. 6°: "Considera-se praticado o crime no lugar em que 
ocorreu a ação ou omissão , no todo ou em parte , bem como 
onde se produziu ou devia produzir-se o resultado." 
= teoria da 
ubiqüidade 
CRIME 
CONSUMADO CRIME TENTADO 
EFEITO 
INTERMÉDIO 
LUGAR 
DO CRIME 
 
ONDE ACONTECERAM TODOS OS 
ATOS EXECUTÓRIOS 
 
ONDE ACONTECEU ALGUM DOS ATOS 
EXECUTÓRIOS 
ONDE ACONTECEU O RESULTADO 
 
ONDE ACONTECEU 
O IMPEDIMENTO 
 
 
PARA O RESULTADO 
Eficácia da Lei Penal no Espaço 
➢ Existem cinco princípios, previstos no Código, 
para tentar solucionar os conflitos penais no espaço 
Princípio da 
territorialidade 
Princípio da 
nacionalidade 
Princípio da 
defesa 
Princípio da 
justiça penal 
universal 
 
 
 
 
Princípio da 
representação 
A lei penal somente tem aplicação no 
território do Estado que a criou. 
A lei penal do Estado é aplicável a seus 
cidadãos, não importando onde eles se 
encontrem. O que importa é a 
nacionalidade do sujeito. 
Tal princípio leva em conta a 
nacionalidade do bem jurídico lesado 
pelo crime, sem se importar com o local 
de sua prática ou com a nacionalidade 
do agente. 
Determina o poder de cada Estado punir 
qualquer crime, pouco importando a 
nacionalidade do delinqüente e da 
vítima, ou onde ele foi praticado. 
a lei penal de determinado Estado 
também é aplicada aos delitos 
cometidos em aeronaves e embarcações 
privadas, quando 
realizados no estrangeiro e aí 
não venham a ser julgados 
Princípios adotados pelo CP 
princípio da 
territorialidade REGRA ART. 5º CP 
princípio da 
proteção 
Art. 7°,I, 
e § 3° do CP 
E
XCEÇ
Õ
E
Sprin
cípio da 
justiça 
Art. 7°,II, 
universal 
princípio da 
nacionalidade 
ativa 
princípio da 
representação 
“a” do CP 
Art. 7°,II, “b” do CP 
Art. 7°,II, “c” do CP 
Territorialidade 
Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de 
convenções, tratados e regras de direito 
internacional, ao crime cometido no território 
nacional. 
 
território 
nacional 
conceito jurídico: o território abrange 
todo o espaço em que o Estado exerce 
sua soberania 
O solo ocupado pela corporação política 
com limites reconhecidos 
Regiões separadas do solo principal 
Rios, lagos e mares interiores 
Golfos, baías e portos 
A faixa de mar exterior, que corre ao 
longo da costa e constitui o "mar 
territorial“ (= 12 milhas) 
Todo espaço aéreo correspondente 
Embarcações e aeronaves, em 
determinadas situações 
Embarcações e Aeronaves 
EMBARCAÇÕES 
PÚBLICAS 
ou a 
serviço do 
SÃO 
TERRITÓRIO 
BRASILEIRO 
Em qualquer 
lugar 
 
AERONAVES 
Art. 5º, §1º CP 
EMBARCAÇÕES 
AERONAVES 
GOVERNO 
BRASILEIRO 
MERCANTES ou 
de 
PROPRIEDADE 
SÃO 
que estiverem 
TERRITÓRIO 
BRASILEIRO 
Apenas em 
território 
 
EMBARCAÇÕES 
SÃO 
PRIVADA 
de 
PROPRIEDADE 
nacional 
TERRITÓRIO 
BRASILEIRO 
AERONAVES Art. 5º, 
§2º CP 
PRIVADA 
 
Quando 
estiverem em território 
 
nacional 
 
ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL : 
“Crime cometido a bordo de navio mercante estrangeiro em águas 
territoriais Brasileiras - Prática que importa perturbação da 
tranqüilidade da nação - Aplicação da lei penal nacional - 
Incidência do art.301 do Código de Bustamante* afastada, tanto 
mais quando os países de nacionalidade de autor e vítima e da 
bandeira do navio não são signatários da Convenção de Havana 
de 1928. 
Ementa oficial: Penal. Crime cometido a bordo de navio mercante. 
Aplicação da lei penal brasileira. Código de Bustamante. Ao crime 
cometido em águas territoriais do Brasil a bordo de navio mercante 
de outra nacionalidade se aplica a lei penal brasileira, afastada a 
incidência do art.301 do Código de Bustamante, por importar a sua 
prática em perturbação da tranqüilidade do nosso País, tanto mais 
quando os países de nacionalidade de autor e vítima e da bandeira 
do navio não são signatários da Convenção de Havana de 
1929."(RHC 853, BA, Sexta Turma, j.12.11.90, rel. Ministro Dias Trindade 
- DJU 3.12.90, RT-665/353)” 
* Convenção de Direito Internacional Privado, de 
Havana, de 13/08/1929 assinada pelo Presidente 
Washington Luis Pereira De Sousa 
Extraterritorialidade 
INCONDICIONADA – 
ART. 7º, I 
 Ficam sujeitos à lei brasileira – INDEPENDENTEMENTE DE 
QUALQUER CONDIÇÃO – embora cometidos no estrangeiro: 
➢ Os crimes contra a vida ou a liberdade do Presidente da 
República; 
➢ Os crimes contra o patrimônio ou a fé pública da União, do 
Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa 
pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação 
instituída pelo Poder Público; 
➢ Os crimes contra a administração pública, por quem está a seu 
serviço; 
➢ O crime de genocídio, quando o agente for brasileiro ou 
domiciliado no Brasil; 
Extraterritorialidade 
CONDICIONADA – 
ART. 7º, II 
 Ficam sujeitos à lei brasileira embora cometidos no estrangeiro: 
➢ crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a 
reprimir; 
➢ crimes praticados por brasileiro no estrangeiro; 
➢ delitos praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, 
mercantes ou de propriedade privada, quando em território 
estrangeiro e aí não sejam julgados; 
Desde que cumpridas as seguintes 
CONDIÇÕES: 
 
(TODAS) 
Entrar o agente 
do delito, em 
território nacional 
– pouco importando 
se o ingresso é ou 
não voluntário, se 
sua presença é 
longa ou rápida, se 
veio a passeio ou a 
negócio, legal ou 
clandestinamente. 
Ser o fato punível, 
também, no país 
em que foi ele 
cometido – pouco 
importando se o 
ingresso é ou não 
voluntário, se sua 
presença é longa ou 
rápida, se veio a 
passeio ou a 
negócio, legal ou 
clandestinamente. 
Estar o crime incluído 
entre aqueles pelos 
quais a lei brasileira 
admite a extradição – 
A Lei de Estrangeiro (Lei 
n° 6.815/80) impede a 
extradição em alguns casos. 
Não ter sido absolvido no 
estrangeiro ou não ter aí cumprido 
a pena - se o agente foi absolvido ou 
cumpriu a pena no estrangeiro, ocorre 
uma causa de extinção da punibilidade. 
Se, por sua vez, a sanção foi cumprida 
parcialmente, novo processo pode ser 
instaurado no Brasil (art. 8º CP) 
Não ter sido o sujeito perdoado no 
estrangeiro ou, por outro motivo, 
não estar extinta a punibilidade, 
segundo a lei mais favorável. 
Crime cometido por estrangeiro 
contra brasileiro fora do Brasil (art. 7º, §3°) 
Aplica-se a lei brasileira desde que cumpridas as seguintes 
CONDIÇÕES: 
➢ que não tenha sido pedido ou tenha sido negada a 
extradição ➢ que haja requisição do Ministro da Justiça 
Cumulativamente com TODAS as CONDIÇÕES anteriores: 
1. Entrar o agente do delito, em nosso território. 
2. Ser o fato punível, também, no país em que foi ele 
cometido; 
3. Estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei 
brasileira admite a extradição; 
4. Não ter sido absolvido no estrangeiro ou não ter aí 
cumprido a pena; 
5. Não ter sido o sujeito perdoado no estrangeiro ou, por 
outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo 
a lei mais favorável. 
Pena cumprida no Estrangeiro 
A pena cumprida no estrangeiro 
atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, 
quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas. 
(Art. 8º CP) 
➢ FUNDAMENTO: proibição do "bis in idem" 
EXEMPLOS: 
“A” recebeu pena de multa no estrangeiro e 
PENAS 
DIVERSAS 
PENAS 
IDÊNTICAS 
ATENUA COMPUTA 
uma pena de reclusão, no 
Brasil. A pena de multa que 
foi paga no estrangeiro 
atenua,obrigatoriamente, a 
pena privativa de liberdade
 imposta no Brasil. 
“A” recebeu 
pena de 
detenção de 2 anos no 
estrangeiro e uma pena de 
detenção de 5 anos, no 
Brasil. A pena de detenção 
que foi cumprida no 
estrangeiro é computada, 
 
(5 – 2 = 3) 
obrigatoriamente, na pena de 
reclusão imposta no Brasil 
(=DETRAÇÃO). 
INTRODUÇÃO 
 
CONTRAVENÇÃO PENAL = Espécie de INFRAÇÃO PENAL 
 
de pequeno potencial ofensivo 
(Decreto-Lei 3688/41) 
CONCEITO DE CRIME 
Materialmente tem-se o crime sob o ângulo ontológico. 
Procura-se 
explicar porque o legislador colocou determinada conduta como 
infração, sujeitando-a a uma sanção penal. 
Para Manzini, no sentido material: “o delito é a ação ou 
omissão, imputável a uma pessoa, lesiva ou perigosa a interesse 
penalmente protegido, constituída de determinados elementos e 
eventualmente integrada por certas condições, ou acompanhada de 
determinadas circunstâncias previstas em lei.” 
Formalmente conceitua-se o crime sob o aspecto da 
técnica jurídica, 
do ponto de vista da lei. 
CRIME = FATO TÍPICO ILÍCITO + 
OU 
CRIME = FATO TÍPICO ILÍCITO 
+ 
+ culpável 
Requisitos, elementos e 
circunstâncias do crime 
• Faltando um dos requisitos NÃO há crime. 
• São REQUISITOS GENÉRICOS porque estão presentes em todos os crimes. 
VERBO (que descreve a conduta) 
ELEMENTOS 
OBJETO MATERIAL (bem 
protegido) SUJEITO ATIVO 
e SUJEITO PASSIVO 
• São peças que, se retiradas, fazem desaparecer o crime 
(= atipicidade 
 
 
absoluta) ou o transformam em outro crime (= atipicidade relativa). 
CIRCUNSTÂNCIAS 
dados que aumentam ou 
diminuem as conseqüências 
jurídica 
 
• Mexem, portanto, na pena do delito. 
O CRIME na 
Teoria Geral do Direito 
acontecimento SEM capacidade 
de produzir EFEITOS 
JURÍDICOS 
NATURAL FENÔMENOS DA NATUREZA 
NÃO JURÍDICO 
AÇÃO HUMANA
FATO 
NATURAL 
FENÔMENOS DA NATUREZA 
ATO 
JURÍDICO 
JURÍDICO 
acontecimento 
COM 
capacidade de 
produzir 
EFEITOS 
JURÍDICOS 
com efeito jurídico 
VOLUNTÁRIO 
AÇÃO HUMANA 
com efeito jurídico 
INVOLUNTÁRIO 
 
ATO 
ILÍCITO 
CRIME 
Sujeito ativo do crime 
 CONCEITO 
Sujeito ativo do delito é aquele que pratica o fato 
descrito na norma penal incriminadora. 
Somente o homem pode delinqüir, não podendo ser 
sujeitos ativos de crimes animais ou coisas. 
• TERMINOLOGIA 
➢ Para o Código Penal = “agente” 
➢ No inquérito = “indiciado” 
➢ Durante o processo = “acusado”, “denunciado” ou “réu” ➢ Aquele 
que sofreu sentença condenatória = “sentenciado” ou “condenado” 
➢ Na execução da pena privativa de liberdade: “preso”, “recluso” ou 
“detento” 
➢ Sob o ponto de vista biopsíquico = “criminoso” ou “delinqüente”

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