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PROFESSOR ESP. ALEXANDRE SILVA POROSKI
(prof.poroski@uniplaclages.edu.br)
Curriculum vitae
Graduação em Direito (UNIPLAC/Lages - 1998)
Especialização em Segurança Social (UNIPLAC/Lages/SC - 2001) Especialização
em Direito Penal (UNIASSELVI/Indaial/SC - 2015) Especialização em Direito
Processual Penal (FAEL/Lapa/PR - 2019) Especialização em Direito Ambiental e
Sustentabilidade (FAEL/Lapa/PR - 2021), Especialização em Criminologia (IBRA –
FABRAS/Brasília/DF, 2021) Especialização em Segurança Pública (IBRAS -
FAECH/Uberlândia/MG, 2022) Pós-graduado stricto sensu em Ambiente e Saúde,
Mestrado Acadêmico/PPGAS (UNIPLAC – 2024)
Professor da Disciplina de Criminologia (DIREITO/UNIPLAC/LAGES) Professor
da Disciplina de Clínica I/Execução Penal (DIREITO/UNIPLAC/LAGES) Professor
da Disciplina de Execução Penal (DIREITO/UNIPLAC/LAGES) Professor da
Disciplina de Criminologia (ACADEPOL/FLORIANÓPOLIS) Agente de Polícia
Civil (CPP/LAGES/SC)
“O Direito Penal é o primeiro
amor dos grandes estudantes,
fascinados pelo conteúdo
humano, pela palpitação social,
pela intensidade dos dramas,
pela glória das legendas. O
Direito Penal fornece a
emulsão vivificante ao berçário
das vocações jurídicas”
Roberto Lyra
Módulo I
Introdução
ao Estudo do
Direito Penal
Introdução
O fato social é sempre o ponto de partida na formação
da noção do Direito
fato social
contrário à
norma
ilícito jurídico
ILÍCITO PENAL
O Estado estabelece normas jurídicas com
a finalidade de combater esses ilícitos
Conjunto de normas
jurídicas
DIREITO =
PENALEstudo
- Do crime
- Da pena
- Do delinqüente
Código Penal
O Código Penal vigente é o
Decreto-Lei nº 2848
de 07 de dezembro de 1940
É dividido em:
• PARTE GERAL - dos artigos 1º ao 120
• PARTE ESPECIAL - dos artigos 121 ao 361
Conceito de Direito Penal
Von Liszt define o Direito Penal como “o conjunto das
prescrições emanadas do Estado, que ligam ao crime – como
fato – à pena, como conseqüência”
Crítica: o direito penal, hoje, não se preocupa somente com a pena.
Tanto que existem as medidas de seguranças (inimputáveis)
Damásio E. de Jesus dá uma definição mais completa de
Direito Penal, afirmando que ele consiste em:
“Um conjunto de normas que ligam ao crime, como
fato, à pena como conseqüência e disciplinam
também as relações jurídicas daí derivadas, para
estabelecer a aplicabilidade das medidas de
segurança e a tutela do direito de liberdade em
face do poder de punir do Estado"
Caracteres do Direito Penal O Direito
Penal, por regular as relações do indivíduo com a sociedade,
pertence ao Direito Público. Isso porque em um dos lados da
relação jurídica nascida com a prática do crime temos a figura do
Estado, que exercerá o direito de punir e do outro lado teremos o
indivíduo, detentor do direito à liberdade.
SUJEITO
que tem o
prática
do crime faz nascer relação entre
Direito à Liberdade (princípio da legalidade)
ESTADO
que tem o
Direito de Punir
(“jus puniendi”)
Verifica-se que mesmo nas hipóteses em que a ação se movimenta
por iniciativa do particular (AÇÃO PRIVADA),
o direito de punir continua a pertencer exclusivamente ao Estado
Caracteres do Direito
Penal O Direito Penal é ciência
cultural,
normativa, valorativa e finalista
CULTURAL porque pertence à classe das ciências do "dever-ser" e
não à do "ser". Ele diz como as coisas, em verdade, deveriam ser.
NORMATIVA, porque tem a finalidade de estudar a norma, ou seja, a
regra de conduta.
VALORATIVA porque o Direito coloca uma hierarquia entre as
normas, não lhes dando o mesmo valor.
FINALISTA porque tem como fim a defesa da sociedade, através da
proteção de bens jurídicos fundamentais.
É ainda, sancionador porque através da cominação da sanção
(previsão de penas), protege outra norma jurídica
de natureza extra-penal.
E é também é dogmático porque expõe o seu direito através de
normas jurídicas, exigindo o seu cumprimento sem reservas.
Direito Penal subjetivo e
Direito Penal objetivo
O Direito Penal tem na
sanção seu meio de ação
SUBJETIVO OBJETIVO
É o direito de punir do Estado
(“jus puniendi”).
Esse direito tem limites no Direito
Penal Objetivo (= conjunto de
normas), não sendo ilimitado.
É o próprio ordenamento jurídico
penal, correspondendo, portanto,
à sua definição.
É, justamente, o conjunto de
normas colocadas pelo Estado
para regular as relações
humanas.
Direito Penal comum e
Direito Penal especial
Comum [Federal e Estadual]
JUSTIÇA
Especial [Justiça do Trabalho, Justiça
Eleitoral, Justiça Militar]
O critério para diferenciação entre o
Direito Penal COMUM e ESPECIAL
reside no órgão encarregado de
aplicar o direito objetivo
COMUM ESPECIAL
Aplica-se a todos os cidadãos. Se a
aplicação do direito ao caso concreto
não demandar jurisdições próprias,
sua qualificação será de norma penal
comum.
Tem seu campo de incidência restrito a
uma classe de cidadãos conforme
qualidades particulares.
Se a norma objetiva somente se
aplicar por meio de órgãos especiais
constitucionalmente previstos, a
norma terá caráter especial.
Direito Penal
material e
Direito Penal
formal
MATERIAL
(substantivo)
FORMAL (adjetivo)
É representado pela Lei Penal,
que define as condutas típicas e
estabelece as sanções.
É o Direito Processual Penal que
determina as regras de aplicação
do Direito Penal substantivo.
• crítica: O Direito Processual Penal
não é complemento do Direito Penal
material e sim, um Direito autônomo
que não pode ser considerado
“adjetivo” do Direito Penal
Módulo II
Princípios
fundamentais do Direito
Penal
Introdução
BRASIL
Estado
Democrático
de Direito
Justa interpretação e
aplicação da lei
Definição de
condutas delituosas
DIREITO PENAL
Princípios Constitucionais
Princípio da legalidade
➢ Princípio da Reserva legal
artigo 5° , XXXIX, da CF
artigo 1° do CP
"Não há crime sem lei
anterior que o defina.
Não há pena sem prévia cominação legal."
CRIME LEI PENA
Portanto: a analogia, os costumes e os princípios gerais de
direito não podem instituir delitos ou penas
Princípio da legalidade
Entendimento Jurisprudencial:
“PENAL E PROCESSUAL. TRÁFICO DE ENTORPECENTES E
ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. PENA-BASE ACIMA DO
PREVISTO LEGALMENTE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO
IDÔNEA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL CARACTERIZADO.
ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. FIXAÇÃO DA PENA-BASE
ACIMA DO PATAMAR ESTABELECIDO NO ART. 8º DA LEI
8.072/90 E DE PENA PECUNIÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF.
ORDEM CONCEDIDA. A aplicação da pena-base fora do
patamar estabelecido pela referida norma e a
imposição de pena pecuniária aos condenados pela
prática do delito de associação para o tráfico de
entorpecentes configura constrangimento ilegal, pois
viola o princípio da legalidade.”
Princípio da anterioridade da lei
➢ artigo 5° , XXXIX, da CF
➢ artigo 1° do CP
"Não há crime sem lei
anterior que o defina.
Não há pena sem prévia cominação legal."
ENTROU EM VIGOR A
JOÃO PRATICOU CONDUTA A
LEI X QUE INCRIMINA
A CONDUTA AJOÃO NÃO PODE
SER PUNIDO PELA
10/04/04 20/09/05
CONDUTA A QUE
PRATICOU
Princípio da irretroatividade
da lei penal mais severa
➢ artigo 5° , XL, da CF
artigo 2° do CP
“A lei
penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu."
JOÃO PRATICOU
CONDUTA A
CUJA PENA ERA
DE 6 A 20 ANOS
ENTROU EM
VIGOR A LEI X
QUE
DETERMINA QUE
A CONDUTA A
TERÁ PENA DE
15 A 30 ANOS
,
JULGAMENTO
DE JOÃO
A LEI X
NÃO
RETROAGE
JOÃO
NÃO PODE
SER PUNIDO
COM PENA
10/04/19
20/07/20
DE 15 A 30 ANOS 30/01/21
Princípio da irretroatividade
da lei penal mais severa
➢ Diferente se:
JOÃO PRATICOU
CONDUTA BCUJA PENA ERA DE
8 A 12 ANOS
ENTROU EM VIGOR
A LEI Y QUE
DETERMINA QUE A
CONDUTA B TERÁ
PENA DE 4 A 6
ANOS
,
JULGAMENTO
DE JOÃO
A LEI Y
RETROAGE JOÃO
SERÁ PUNIDO
10/04/04 20/09/05
COM PENA 30/01/06 DE
4 A 6 ANOS
Princípio da insignificância
Tal princípio está ligado aos chamados crimes de bagatela
(ou delito de lesão mínima)
Segundo ele, o Direito Penal só deve intervir nos casos de lesão de
certa gravidade, reconhecendo a atipicidade do fato nas hipóteses
de perturbações jurídicas mais leves.
conduta
REQUISITOS DESVALOR Neste
sentido, as seguintes decisões:
dano
culpabilidade
“Princípio da insignificância - Aplicabilidade - Descaminho - Aquisição de
objetos no exterior em pequena quantidade e de valores reduzidos, sem a
devida documentação - Adequação social da conduta.” (RT-753/706)
“Furto - Agente que subtrai uma cédula de um real - Aplicação do princípio
da insignificância - Absolvição decretada.” (RT-738/652)
Princípio da insignificância
Mínima ofensividade da conduta
do agente;
Ausência de periculosidade social
REQUISITOS
da ação;
Reduzissímo grau de
reprovabilidade do comportamento;
Inexpressividade da lesão jurídica
provocada.
Princípio da presunção do
estado de inocência
➢ artigo 5° , LVII, da CF
"Ninguém será
considerado culpado até
o
trânsito em julgado de sentença penal condenatória."
TRÂNSITO EM
JULGADO DE SENTEÇA
CONDENATÓRIA
= ➢ RÉU CULPADO
➢ EXECUÇÃO DA PENA
NÃO CABE MAIS NENHUM RECURSO
Neste sentido:
"Rol dos culpados - Lançamento do nome do réu - Impossibilidade
antes do trânsito em julgado da sentença condenatória -
Consagração do princípio constitucional da presunção da
inocência."(RESE 134.320-3/4 - 4° C., j.20.6.94)
Princípio do "ne bis in idem"
Ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo fato.
Duplo significado:
➢ PENAL MATERIAL: ninguém pode sofrer duas penas em face de
um mesmo crime
➢ PROCESSUAL: ninguém pode ser processado e julgado duas
vezes pela mesma conduta.
EXEMPLO:
AMATA BUSO DE EXPLOSIVO
= qualificadora (art. 121,2º, III)
= agravante (art. 61, II, d)
O USO DO EXPLOSIVO NÃO PODERÁ SER LEVADO EM CONTA PARA
QUALIFICAR E AGRAVAR A PENA NO MESMO CRIME.
Princípio do “in dúbio pro reo”
O acusado da prática de uma infração penal em seu julgamento final,
havendo dúvida deverá ser absolvido.
Corolário do campo das provas, tal princípio deve ser aplicado toda
vez que houver dúvida, a interpretação deve ser feita de maneira
mais favorável ao réu.
HAVENDO DÚVIDA EM
RELAÇÃO A QUALQUER
CIRCUNSTÂNCIA DO
CASO
A DECISÃO TEM QUE SER
NO SENTIDO DE
FAVORECER O RÉU
Princípio da Dignidade da Pessoa
Humana
“A República Federativa do Brasil, ... , constitui-se em Estado
Democrático de Direito e tem como fundamentos:
III - a dignidade da pessoa humana;” (art. 1º, III da CF)
➢ Este princípio é fundamento da República e do
Estado Democrático de Direito assim, o homem,
antes de ser considerado como cidadão, vale
como pessoa.
➢ Defender a dignidade do ser humano significa
protegê-lo de ações arbitrárias e indevidas por
parte do Estado ou de todos aqueles que detém
poder sobre outrem.
➢ A intervenção jurídico-penal jamais deve
servir-se de instrumento vexatório ou
repugnante, mesmo que seja contra o pior dos
delinqüentes, devendo a razão estar acima de
tudo para tratar a criminalidade.
Convenção Americana de
Direitos Humanos 1969 -
Pacto de San José da Costa Rica
Preâmbulo
Os Estados Americanos signatários da presente Convenção, reafirmando
seu propósito de consolidar neste Continente, dentro do quadro das
instituições democráticas, um regime
➢ de liberdade pessoal e de justiça social,
➢ fundado no respeito dos direitos humanos essenciais;
➢ reconhecendo que os direitos essenciais da pessoa humana não
derivam do fato de ser ela nacional de determinado Estado, mas sim do
fato de ter como fundamento os atributos da pessoa humana (...);
➢ reiterando que, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos
Humanos, só pode ser realizado o ideal do ser humano livre, isento do
temor e da miséria, se forem criadas condições que permitam a cada
pessoa gozar dos seus direitos econômicos, sociais e culturais, bem
como dos seus direitos civis e políticos.
Módulo III
Fontes do
Direito Penal
lugar de
onde
provém
a norma de Direito
Introdução FONTES
FONTES DE
PRODUÇÃO
(MATERIAL)
DIREITO PENAL
FONTES DE
CONHECIMENTO
(FORMAL)
FONTES DE PRODUÇÃO
Quem é o órgão competente para a produção das leis penais?
FONTE
MATERIAL= órgão encarregado da elaboração
da norma penal
ESTADO
O Brasil é composto de
compete à União
legislar sobre
Direito Penal (artigo
22, I da CF)
alguns entes federativos: •
União
• Estados-membros
• Municípios
• Distrito Federal
FONTES DE CONHECIMENTO
Como o direito penal se revela?
fonte
FONTES
FORMAI
S
formal
imediata
fonte
formal
mediatas
LEI
costumes e
princípios
gerais do
direito
Fonte Formal IMEDIATA
A única fonte imediata de conhecimento é a lei
Através dela, o Direito se revela imediatamente, de forma
direta.
NORMA LEI
➢ Mandamento de um
comportamento normal,
retirado do senso
comum da coletividade
➢ refere-se ao
conteúdo ➢ pode estar
em um ou mais
dispositivos legais
➢ ato em que se
expressa a função
legislativa do Estado ➢
texto
➢ simples veículo de
norma
A lei é o texto como expressão formal. Compõe o dispositivo. A norma é
o significado jurídico desta, é a expressão do dever ser jurídico.
O texto é o veículo
, enquanto a norma é o dever ser veiculado.
Classificação
das normas
penais As normas penais
classificam-se em:
1. normas penais incriminadoras
2. normas penais não incriminadoras:
➢ permissivas
➢ explicativas
(ou finais ou complementares)
Normas Penais Incriminadoras
descreve uma conduta ilícita (contrária ao direito, ao
ordenamento jurídico), impondo uma sanção ao
agente.
norma penal
incriminadora
preceito
= +primário
preceito
secundário
definição do
comportamento
humano ilícito
exposição da
sanção que se
associa à
conduta
➢EXEMPLO: o legislador não diz expressamente que "matar é crime".
Ele descreve a conduta "matar alguém", estabelecendo determinada
sanção. Assim, o princípio imperativo que deve ser obedecido (não
matar ninguém) não está de maneira expressa na norma penal.
Somente quando uma conduta se amolda a uma norma penal
incriminadora é que o Estado adquire o direito concreto de
punir.
Normas Penais
Não Incriminadoras
PERMISSIVAS:
determinam a licitude ou a não punibilidade de certas
condutas, embora estas sejam típicas em face das normas
incriminadoras. Exemplos: arts. 20 a 27, 28, parágrafo segundo
e art. 128 do CP.
gravidez
A
MÉDICA
PRATICA
ABORTO COM
CONSENTIMENT
O
B
GESTANTE
resultante de
estupro
norma penal incriminadoraart. 128, II
art. 126
norma penal permissiva
TORNA A CONDUTA
LÍCITA
Normas Penais
Não Incriminadoras
EXPLICATIVAS:
➢ Também chamadas finais ou complementares Esclarecem o
conteúdo das outras, ou delimitam o âmbito de sua
aplicação
Exemplos: artigos 4°, 5°, 7°, 10 a 12, 33, 327 do CP.
Peculato - Art. 312 - Apropriar-se o
funcionário público de
dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou
particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo,
em proveito próprio ou alheio:
Art. 327 - Considera-se funcionário
público,
para os efeitos penais, quem,
embora transitoriamente ou sem
remuneração, exerce cargo,
emprego ou função pública.
NORMA
EXPLICATIVA
Normas Penais em Branco ➢ Necessitam
de complementação (de outro diploma) para que se possa compreender o
âmbito de aplicação de seupreceito primário.
EM SENTIDO GENÉRICO:
são aquelas cujo
complemento está contido
em norma procedente de
outra instância legislativa,
como, por exemplo, uma
portaria ou decreto.
EM
SENTIDO ESTRITO:
são aquelas em que o
complemento da norma é
determinado pela mesma
fonte formal da norma
incriminadora, ou seja, a lei é
complementada por outra lei.
Normas Penais em
Branco EXEMPLOS:
GENÉRICA:
Art. 269 - Deixar o
médico de denunciar à
autoridade pública doença
cuja notificação é
ESTRITA:
Art. 237 - Contrair
casamento
conhecendo a
existência de
impedimento que lhe cause a
compulsória.
O rol de doenças
está no
nulidade.
Esses
impedimentos estão no
Código Sanitário Estadual. art.183, I e VIII do CC.
Sebastián Soler: “No entanto, a lei penal em branco não pode ser
entendida como uma carta branca outorgada a determinado poder
para que assuma funções repressivas, e, sim, deve ser entendido
como o reconhecimento de uma faculdade meramente
regulamentar.”
Fonte Formal MEDIATA
1. Costume
conjunto de normas de comportamento a que pessoas
obedecem de maneira uniforme (ELEMENTO OBJETIVO) e
constante pela convicção de sua obrigatoriedade
(ELEMENTO SUBJETIVO)
ESPÉCIES
"contra legem"
"secundum legem"
"praeter legem"
Conflita com a lei sem poder
de modificá-la
Esclarece e auxilia na
aplicação dos
dispositivos legais
Cobre lacunas,
especificando o conteúdo ou
a extensão da lei
Fonte Formal MEDIATA
2. Princípios gerais do direito
o artigo 4° da LICC permite que, nas
hipóteses em que a lei for
omissa, o juiz poderá utilizar-se dos princípios
gerais de direito, para solucionar a
questão.
No entanto, somente pode suprir as normas penais
não incriminadoras. Não pode criar crimes nem
cominar penas.
Módulo IV
INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL
Introdução
➢ Interpretar é retirar o significado e a extensão de uma norma em
relação à realidade. É buscar o verdadeiro significado e alcance da lei
afim de aplicá-la aos casos concretos da vida real.
➢ Por mais clara que seja a letra da lei penal, ela não prescinde de
interpretação tendente a explicar-lhe o significado, o justo
pensamento, a sua real vontade.
O que se busca com a interpretação?
A vontade da lei ou do legislador?
Há duas correntes:
1. A primeira afirma que o intérprete deve perseguir a vontade do legislador.
(Escola Exegética).
2. Já a segunda sustenta a busca da vontade da lei.
NOSSO ENTENDIMENTO: A lei independe de seu passado,
importando apenas o que está contido em seus preceitos.
ESPÉCIES DE INTERPRETAÇÃO
QUANTO AO
SUJEITO
QUANTO
AO MODO
• gramatical
• lógica
QUANTO AO
RESULTADO
• autêntica • declarativa • doutrinária •
restritiva • jurisprudencial • extensiva
Quanto ao sujeito
autêntica
doutrinária jurisprudencial
= legislativa
emana do legislador
• contextual
Feita no próprio
texto da lei (art. 150
e §4º do CP –
“casa”)
• não contextual
Feita por outra lei de
edição posterior
• Feita pelos
estudiosos do
Direito em livros,
artigos, teses...
• Doutrina =
conjunto de
estudos jurídicos
de qualquer
natureza
= judicial
Feita pelos Tribunais,
mediante a
reiteração de seus
julgamentos
Quanto ao modo
gramatical lógica = literal ou sintática
= teleológica
• O intérprete deve recorrer ao
que dizem as palavras
• No entanto, a simples análise
gramatical, muitas vezes, não é
suficiente, porque pode levar a
conclusão aberrante
• Consiste na indagação da
vontade e da finalidade da lei
• A interpretação teleológica se
vale dos seguintes elementos:
"ratio legis“ (razão da lei)
sistemático
histórico
Direito Comparado
extra penal (político-social)
extrajurídico
Ocorrendo contradição entre as conclusões da interpretação
literal e lógica, deverá prevalecer a segunda, uma vez que
atende às
exigências do bem comum e aos fins da lei.
Quanto ao resultado
declarativa
restritiva extensiva
• Dá à lei seu
sentido literal –
sem extensão,
nem restrição.
• Corresponde
EXTAMENTE ao
intuito do
legislador.
• A linguagem
da lei diz mais
do que o
pretendido pela
sua vontade.
• Mostra-se
necessária a
restrição do
alcance das
palavras da lei
até o seu real
significado.
• O texto legal
diz menos do
que queria
dizer.
• Mostra-se
necessária a
ampliação do
alcance das
palavras da lei
para que a letra
corresponda à
vontade do
texto
Princípio "in dubio pro reo" em matéria
de interpretação da lei penal
O que fazer quando persiste a dúvida quanto à vontade da norma?
Admitir que a dúvida deva ser resolvida
contra o agente ("in dubio pro societate")
Admitir que seja resolvida contra o agente
CAMINHOS
ou contra a sociedade, segundo o
livre convencimento do intérprete
Resolver a questão da forma mais
favorável ao agente
NOSSO ENTENDIMENTO: no caso
de irredutível dúvida entre o
espírito e a letra da lei, é força
acolher, em matéria penal, irrestritamente, o princípio "in
dubio pro reo".
Interpretação
Progressiva = adaptativa ou evolutiva
Faz-se adaptando a lei às necessidades e concepções do
presente. Afinal, não pode o juiz ficar alheio às transformações
sociais, científicas e jurídicas.
A lei deve acompanhar as mudanças do ambiente, assim como
sua evolução. Ela não pode parar no tempo. Entretanto, não
podemos, a todo momento, alterá-la, devendo haver as devidas
adequações.
Os limites dessa interpretação, perfeitamente legítima, restam
determinados pela interpretação extensiva.
"doença mental" da psiquiatria DEVEM
EXEMPLOS
"coisa móvel"
SEGUIR
OS
AVANÇOS da indústria
Interpretação analógica
A interpretação analógica é permitida toda vez que após
uma seqüência casuística segue-se uma fórmula genérica,
que deve ser interpretada de acordo com os casos
anteriormente elencados.
EXEMPLO:
Art. 121, §2º, IV, do CP Se o
homicídio é cometido: seqüência casuística
“à traição, emboscada, ou mediante dissimulação ou
outro recurso que dificulte ou torne impossível a
defesa do ofendido.” fórmula genérica
Assim, o outro recurso deve ser semelhante à traição,
emboscada ou dissimulação (caráter insidioso).
Trata-se de uma hipótese de interpretação analógica, em que a
própria lei determina que se estenda seu conteúdo.
Analogia
ANALOGIA INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA
Aplicar a uma hipótese não
regulada por lei disposição
relativa a um caso
semelhante
Na interpretação, o legislador
deixa claro que a lei deseja que
a norma abranja casos
semelhantes aos já descritos
fundamento da
analogia
“ubi eadem legis ratio, ibi
eadem legis dispositio”
= onde há a mesma
razão, aplica-se o
natureza jurídica da
analogia
• forma de auto
integração da lei
• não é fonte mediata do
Direito Penal
requisitos da
analogia
1. fato analisado não
regulado pelo legislador.
2. legislador, no entanto,
tenha regulado situação
semelhante. 3.
semelhança entre a
situação regulada e a não
prevista.
mesmo direito
Espécies de Analogia
“in bonam partem”
“in malam partem”
= em benefício da parte
no caso de leis penais não
incriminadoras é perfeitamente
permitido o uso da analogia a
favor da parte
= em malefício da parte
não pode ser usada para criar
crimes ou penas, os quais o
legislador não tenha determinado
(princípio da reserva legal)
EXEMPLOS:
Art. 128 do CP - Não se pune o aborto
praticado por médico: II - se a
gravidez resulta de estupro
(...)
Art. 269 do CP - Deixar o
médico de denunciar à
autoridade pública doença cuja
notificação é compulsória
Se um fisioterapeuta deixar de
denunciar nesse caso, ele não
Também não se pune o médico
se a gravidez resulta de
atentadoviolento ao pudor =
ANALOGIA in bonam partem
pode ser punido
= ANALOGIA in malam partem
Módulo V
APLICAÇÃO DA LEI PENAL
EFICÁCIA DA
LEI PENAL NO TEMPO
Introdução
➢ a LEI PENAL nasce, vive e morre
sanção
promulgação publicação
revogação
é o ato pelo qual
o Presidente da
República aprova
e confirma uma
lei. Com ela, a lei
está completa.
Ela transforma
um “projeto de
lei” em “lei”
ato pelo qual se
atesta a
existência da lei e
se determina a
todos que a
observem. Sua
finalidade é
conferir-lhe
autenticidade
ato pelo qual a
lei se torna
conhecida de
todos,
tornando-se,
assim, seu
cumprimento
obrigatório
expressão
genérica que
traz a idéia de
cessação da
existência de
regra
obrigatória
sanção
promulgação publicação
revogação
Em regra, o fato, para
ser punido, deve ser
cometido entre o
momento em que a lei
nasce – tornando-se
obrigatória – até o
momento em que ela
morre – é revogada
"tempus regit
actum"
tácita
o novo texto é
incompatível com o
anterior ou regula
inteiramente a matéria
precedente
• derrogação
autoridade da lei cessa
em parte
• ab-rogação a lei se
extingue totalmente
expressa
a lei,
expressamente,
determina a
cessação da
vigência da
norma anterior
Tempo do crime
Em que momento podemos dizer que a infração foi
praticada?
teoria da atividade: momento em que o agente
executa a conduta criminosa – ação ou omissão –
independentemente do momento do resultado
TRÊS
TEORIAS
teoria do
resultado: momento da produção
do
resultado, independentemente do
momento da ação ou da omissão.
teoria
da ubiqüidade: tanto o momento
da ação ou
da omissão quanto o momento do
resultado.
Art. 4°: "Considera-se
praticado o crime no momento da
ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do
resultado" = teoria da atividade
Regra de aplicação da Lei
Penal no Tempo
NÃO RETROAGE NÃO ULTRA-AGE EFICÁCIA DA LEI
ENTRADA
FATO FATO FATO EM VIGOR REVOGAÇÃO
• REGRA•
EXCEÇÃO
"tempus regit actum“
a lei penal NÃO retroage e NÃO
ultra-age
salvo para beneficiar o réu
(art. 5º, XL da CF e art. 2º p.
único do CP)
para beneficiar o réu CONCLUSÃO a lei penal
não retroagirá, salvo
Conflitos de lei penal no tempo
1) a lei nova suprime normas incriminadoras
anteriormente existentes = (abolitio criminis)
2004 - “P” pratica
conduta “X”
2005 – LEI “A” =
conduta “X” deixa de
ser crime
“P” não
será punido
= abolitio
criminis
2) a lei nova incrimina fatos
antes considerados lícitos,
permitidos = (novatio legis
incriminadora)
2002 - “M” pratica
conduta “Y”
2004 – LEI “B” =
conduta “Y”
passa a ser crime
“M” não
será punido
= novatio legis
incriminadora
3) a lei nova modifica o regime anterior,
agravando a situação do sujeito = (novatio
legis in pejus)
2000 - “J” pratica
conduta “W” com
pena de 4 a 6 anos
2003 – LEI “C” =
conduta “W”
pena de 10 a 15 anos
“J” será punido
com pena de 4
a 6 anos
= novatio legis
in pejus
4) a lei nova modifica o regime
anterior, beneficiando o sujeito =
(novatio legis in mellius)
2001 - “K” pratica
conduta “Z” com
pena de 7 a 9 anos
2002 – LEI “D” =
conduta “Z”
pena de multa
“K” será punido
com pena de multa = novatio legis in mellius
Abolitio Criminis
lei posterior que deixa de considerar um fato como
crime (art. 2º, caput do CP)
Fundamento:
A ab-rogação de lei penal incriminadora supõe que o
Estado já não mais considera aquele fato contrário aos interesses da
sociedade.
Natureza jurídica:
Constitui fato jurídico extintivo da punibilidade
(art. 107, III do CP). O Estado, portanto, perde a possibilidade de
punir o agente.
Exclusão de todos os efeitos
jurídico-penais:
1) Se a persecução criminal
ainda não foi movimentada, o processo não poderá sequer ser iniciado.
2) Se o processo estiver em andamento, deverá ser trancado mediante
decretação da extinção da punibilidade.
3) Se já existe sentença condenatória com trânsito em julgado, a
pretensão executória não pode ser efetivada.
4) Se o condenado está cumprindo pena, deve ser decretada a
extinção da punibilidade, devendo o sujeito ser solto.
5) Cessam todos os efeitos da condenação.
Novatio Legis in Pejus
1. A sanção imposta hoje ao crime é mais grave em qualidade que a
da lei precedente.
2. A sanção imposta hoje, embora da mesma qualidade, é mais severa
quanto à maneira de execução.
3. A quantidade da pena em abstrato é aumentada. 4. A quantidade
da pena em abstrato é mantida, mas a maneira de sua fixação é mais
rígida que a determinada pela lei anterior. 5. Inclusão de qualificadoras
antes inexistentes.
6. Lei nova suprime benefícios determinados pela lei anterior, referente
à suspensão ou interrupção da execução da pena.
7. Lei nova exclui causas de extinção da punibilidade. 8. Lei nova
exclui escusas absolutórias anteriormente existentes. 9. Lei nova exclui
causas de exclusão da ilicitude ou da culpabilidade.
ATENÇÃO! todas as vezes que a lei nova
prejudica o sujeito, ela não poderá retroagir
Novatio Legis in Mellius
Lei nova inclui circunstâncias que beneficiam o sujeito. Lei
nova cria causas extintivas da punibilidade não reconhecidas
pela lei anterior.
Lei nova permite a obtenção de benefícios não permitidos ou
facilita sua obtenção.
Lei nova acresce causas de exclusão da ilicitude, da
culpabilidade, ou escusas absolutórias, antes inexistentes. Lei
nova exclui a concessão de extradição.
Lei nova que comina penas menos rigorosa (em qualidade,
quantidade ou modo de execução).
ATENÇÃO! O princípio da retroatividade da lei
mais benéfica é incondicional, podendo aplicar
se aos fatos anteriores, ainda que decididos por
sentença condenatória transitada em julgado
(art. 2º, p. único do CP)
Lei Intermediária
LEI
MAIS BENÉFICA
ULTRA-AGE APLICANDO-SE
A FATOS
OCORRIDOS
DURANTE A SUA VIGÊNCIA
2003
Lei “A” pena de
3 a 6
anos
FATO
2004
Lei “B” pena de
1 a 4
anos
2005
Lei “C”
pena de
9 a 12 anos
REGRA:
VIGÊNCIA E APLICAÇÃO DA LEI
“C”
RETROAGE PARA BENEFICIAR O RÉU
APLICANDO-SE A FATOS PASSADOS
Leis Penais
Temporárias e Excepcionais Leis
com vigência previamente estipulada
TEMPORÁRIAS
EXCEPCIONAIS
pelo legislador – com dia
determinado para início e fim
de sua aplicação
Leis promulgadas em casos
excepcionais (calamidade
pública, guerras, revoluções,
epidemias...) com vigência
restrita à duração do caso
“A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de
sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram,
aplica-se ao fato praticado durante a sua vigência.“ (art. 3º do
CP)
Fundamento: Esse dispositivo visa impedir que, tratando-se
de leis
previamente limitadas no tempo, possam ser frustradas as suas
sanções por expedientes astuciosos no sentido de retardamento dos
processos penais.
EXEMPLO:
ULTRA-AGE
Lei EXCEPCIONAL
ou
TEMPOR
ÁRIA
FATO
APLICANDO-SE A
FATOS OCORRIDOS
DURANTE A SUA
VIGÊNCIA
JULGAMENTO
Essa LEI (ainda que mais BENÉFICA) não retroagirá para
alcançar fatos ocorridos anteriormente a sua vigência.
Nenhuma outra LEI (ainda que mais BENÉFICA) retroagirá
para alcançar fatos ocorridos durante a vigência de leis
excepcionais ou temporárias.
Contagem de prazo
O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo.
Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário
comum. (art. 10 do CP)
➢ O dia é o lapso temporal entre meia-noite e meia-noite.
➢ O mês é contado de determinado dia à véspera do mesmo dia do mês seguinte,
terminando às 24 horas, pouco importando quantos são os dias de cada mês. ➢ O
ano é contado de certo dia às 24 horas da vésperado dia de idêntico número do
mesmo mês do ano seguinte, não importando seja bissexto qualquer deles.
Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de
direitos, as frações de dia.
(art. 11 do CP)
EXEMPLO:
A
condenado a
06
Janeiro 2000
25
Janeiro
2003 A terá cumprido
3 anos e 20 dias a pena
Módulo VI
APLICAÇÃO DA LEI PENAL
EFICÁCIA DA LEI PENAL NO ESPAÇO
Lugar do Crime
Art. 6°: "Considera-se praticado o crime no lugar em que
ocorreu a ação ou omissão , no todo ou em parte , bem como
onde se produziu ou devia produzir-se o resultado."
= teoria da
ubiqüidade
CRIME
CONSUMADO CRIME TENTADO
EFEITO
INTERMÉDIO
LUGAR
DO CRIME
ONDE ACONTECERAM TODOS OS
ATOS EXECUTÓRIOS
ONDE ACONTECEU ALGUM DOS ATOS
EXECUTÓRIOS
ONDE ACONTECEU O RESULTADO
ONDE ACONTECEU
O IMPEDIMENTO
PARA O RESULTADO
Eficácia da Lei Penal no Espaço
➢ Existem cinco princípios, previstos no Código,
para tentar solucionar os conflitos penais no espaço
Princípio da
territorialidade
Princípio da
nacionalidade
Princípio da
defesa
Princípio da
justiça penal
universal
Princípio da
representação
A lei penal somente tem aplicação no
território do Estado que a criou.
A lei penal do Estado é aplicável a seus
cidadãos, não importando onde eles se
encontrem. O que importa é a
nacionalidade do sujeito.
Tal princípio leva em conta a
nacionalidade do bem jurídico lesado
pelo crime, sem se importar com o local
de sua prática ou com a nacionalidade
do agente.
Determina o poder de cada Estado punir
qualquer crime, pouco importando a
nacionalidade do delinqüente e da
vítima, ou onde ele foi praticado.
a lei penal de determinado Estado
também é aplicada aos delitos
cometidos em aeronaves e embarcações
privadas, quando
realizados no estrangeiro e aí
não venham a ser julgados
Princípios adotados pelo CP
princípio da
territorialidade REGRA ART. 5º CP
princípio da
proteção
Art. 7°,I,
e § 3° do CP
E
XCEÇ
Õ
E
Sprin
cípio da
justiça
Art. 7°,II,
universal
princípio da
nacionalidade
ativa
princípio da
representação
“a” do CP
Art. 7°,II, “b” do CP
Art. 7°,II, “c” do CP
Territorialidade
Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de
convenções, tratados e regras de direito
internacional, ao crime cometido no território
nacional.
território
nacional
conceito jurídico: o território abrange
todo o espaço em que o Estado exerce
sua soberania
O solo ocupado pela corporação política
com limites reconhecidos
Regiões separadas do solo principal
Rios, lagos e mares interiores
Golfos, baías e portos
A faixa de mar exterior, que corre ao
longo da costa e constitui o "mar
territorial“ (= 12 milhas)
Todo espaço aéreo correspondente
Embarcações e aeronaves, em
determinadas situações
Embarcações e Aeronaves
EMBARCAÇÕES
PÚBLICAS
ou a
serviço do
SÃO
TERRITÓRIO
BRASILEIRO
Em qualquer
lugar
AERONAVES
Art. 5º, §1º CP
EMBARCAÇÕES
AERONAVES
GOVERNO
BRASILEIRO
MERCANTES ou
de
PROPRIEDADE
SÃO
que estiverem
TERRITÓRIO
BRASILEIRO
Apenas em
território
EMBARCAÇÕES
SÃO
PRIVADA
de
PROPRIEDADE
nacional
TERRITÓRIO
BRASILEIRO
AERONAVES Art. 5º,
§2º CP
PRIVADA
Quando
estiverem em território
nacional
ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL :
“Crime cometido a bordo de navio mercante estrangeiro em águas
territoriais Brasileiras - Prática que importa perturbação da
tranqüilidade da nação - Aplicação da lei penal nacional -
Incidência do art.301 do Código de Bustamante* afastada, tanto
mais quando os países de nacionalidade de autor e vítima e da
bandeira do navio não são signatários da Convenção de Havana
de 1928.
Ementa oficial: Penal. Crime cometido a bordo de navio mercante.
Aplicação da lei penal brasileira. Código de Bustamante. Ao crime
cometido em águas territoriais do Brasil a bordo de navio mercante
de outra nacionalidade se aplica a lei penal brasileira, afastada a
incidência do art.301 do Código de Bustamante, por importar a sua
prática em perturbação da tranqüilidade do nosso País, tanto mais
quando os países de nacionalidade de autor e vítima e da bandeira
do navio não são signatários da Convenção de Havana de
1929."(RHC 853, BA, Sexta Turma, j.12.11.90, rel. Ministro Dias Trindade
- DJU 3.12.90, RT-665/353)”
* Convenção de Direito Internacional Privado, de
Havana, de 13/08/1929 assinada pelo Presidente
Washington Luis Pereira De Sousa
Extraterritorialidade
INCONDICIONADA –
ART. 7º, I
Ficam sujeitos à lei brasileira – INDEPENDENTEMENTE DE
QUALQUER CONDIÇÃO – embora cometidos no estrangeiro:
➢ Os crimes contra a vida ou a liberdade do Presidente da
República;
➢ Os crimes contra o patrimônio ou a fé pública da União, do
Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa
pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação
instituída pelo Poder Público;
➢ Os crimes contra a administração pública, por quem está a seu
serviço;
➢ O crime de genocídio, quando o agente for brasileiro ou
domiciliado no Brasil;
Extraterritorialidade
CONDICIONADA –
ART. 7º, II
Ficam sujeitos à lei brasileira embora cometidos no estrangeiro:
➢ crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a
reprimir;
➢ crimes praticados por brasileiro no estrangeiro;
➢ delitos praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras,
mercantes ou de propriedade privada, quando em território
estrangeiro e aí não sejam julgados;
Desde que cumpridas as seguintes
CONDIÇÕES:
(TODAS)
Entrar o agente
do delito, em
território nacional
– pouco importando
se o ingresso é ou
não voluntário, se
sua presença é
longa ou rápida, se
veio a passeio ou a
negócio, legal ou
clandestinamente.
Ser o fato punível,
também, no país
em que foi ele
cometido – pouco
importando se o
ingresso é ou não
voluntário, se sua
presença é longa ou
rápida, se veio a
passeio ou a
negócio, legal ou
clandestinamente.
Estar o crime incluído
entre aqueles pelos
quais a lei brasileira
admite a extradição –
A Lei de Estrangeiro (Lei
n° 6.815/80) impede a
extradição em alguns casos.
Não ter sido absolvido no
estrangeiro ou não ter aí cumprido
a pena - se o agente foi absolvido ou
cumpriu a pena no estrangeiro, ocorre
uma causa de extinção da punibilidade.
Se, por sua vez, a sanção foi cumprida
parcialmente, novo processo pode ser
instaurado no Brasil (art. 8º CP)
Não ter sido o sujeito perdoado no
estrangeiro ou, por outro motivo,
não estar extinta a punibilidade,
segundo a lei mais favorável.
Crime cometido por estrangeiro
contra brasileiro fora do Brasil (art. 7º, §3°)
Aplica-se a lei brasileira desde que cumpridas as seguintes
CONDIÇÕES:
➢ que não tenha sido pedido ou tenha sido negada a
extradição ➢ que haja requisição do Ministro da Justiça
Cumulativamente com TODAS as CONDIÇÕES anteriores:
1. Entrar o agente do delito, em nosso território.
2. Ser o fato punível, também, no país em que foi ele
cometido;
3. Estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei
brasileira admite a extradição;
4. Não ter sido absolvido no estrangeiro ou não ter aí
cumprido a pena;
5. Não ter sido o sujeito perdoado no estrangeiro ou, por
outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo
a lei mais favorável.
Pena cumprida no Estrangeiro
A pena cumprida no estrangeiro
atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime,
quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas.
(Art. 8º CP)
➢ FUNDAMENTO: proibição do "bis in idem"
EXEMPLOS:
“A” recebeu pena de multa no estrangeiro e
PENAS
DIVERSAS
PENAS
IDÊNTICAS
ATENUA COMPUTA
uma pena de reclusão, no
Brasil. A pena de multa que
foi paga no estrangeiro
atenua,obrigatoriamente, a
pena privativa de liberdade
imposta no Brasil.
“A” recebeu
pena de
detenção de 2 anos no
estrangeiro e uma pena de
detenção de 5 anos, no
Brasil. A pena de detenção
que foi cumprida no
estrangeiro é computada,
(5 – 2 = 3)
obrigatoriamente, na pena de
reclusão imposta no Brasil
(=DETRAÇÃO).
INTRODUÇÃO
CONTRAVENÇÃO PENAL = Espécie de INFRAÇÃO PENAL
de pequeno potencial ofensivo
(Decreto-Lei 3688/41)
CONCEITO DE CRIME
Materialmente tem-se o crime sob o ângulo ontológico.
Procura-se
explicar porque o legislador colocou determinada conduta como
infração, sujeitando-a a uma sanção penal.
Para Manzini, no sentido material: “o delito é a ação ou
omissão, imputável a uma pessoa, lesiva ou perigosa a interesse
penalmente protegido, constituída de determinados elementos e
eventualmente integrada por certas condições, ou acompanhada de
determinadas circunstâncias previstas em lei.”
Formalmente conceitua-se o crime sob o aspecto da
técnica jurídica,
do ponto de vista da lei.
CRIME = FATO TÍPICO ILÍCITO +
OU
CRIME = FATO TÍPICO ILÍCITO
+
+ culpável
Requisitos, elementos e
circunstâncias do crime
• Faltando um dos requisitos NÃO há crime.
• São REQUISITOS GENÉRICOS porque estão presentes em todos os crimes.
VERBO (que descreve a conduta)
ELEMENTOS
OBJETO MATERIAL (bem
protegido) SUJEITO ATIVO
e SUJEITO PASSIVO
• São peças que, se retiradas, fazem desaparecer o crime
(= atipicidade
absoluta) ou o transformam em outro crime (= atipicidade relativa).
CIRCUNSTÂNCIAS
dados que aumentam ou
diminuem as conseqüências
jurídica
• Mexem, portanto, na pena do delito.
O CRIME na
Teoria Geral do Direito
acontecimento SEM capacidade
de produzir EFEITOS
JURÍDICOS
NATURAL FENÔMENOS DA NATUREZA
NÃO JURÍDICO
AÇÃO HUMANA
FATO
NATURAL
FENÔMENOS DA NATUREZA
ATO
JURÍDICO
JURÍDICO
acontecimento
COM
capacidade de
produzir
EFEITOS
JURÍDICOS
com efeito jurídico
VOLUNTÁRIO
AÇÃO HUMANA
com efeito jurídico
INVOLUNTÁRIO
ATO
ILÍCITO
CRIME
Sujeito ativo do crime
CONCEITO
Sujeito ativo do delito é aquele que pratica o fato
descrito na norma penal incriminadora.
Somente o homem pode delinqüir, não podendo ser
sujeitos ativos de crimes animais ou coisas.
• TERMINOLOGIA
➢ Para o Código Penal = “agente”
➢ No inquérito = “indiciado”
➢ Durante o processo = “acusado”, “denunciado” ou “réu” ➢ Aquele
que sofreu sentença condenatória = “sentenciado” ou “condenado”
➢ Na execução da pena privativa de liberdade: “preso”, “recluso” ou
“detento”
➢ Sob o ponto de vista biopsíquico = “criminoso” ou “delinqüente”