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Sistema de Ensino Presencial Conectado serviço social angélica andrade sousa silva o papel do assistente social na efetivação dos direitos de INCLUSÃO DA CRIANÇA autista Palmas-TO 2017 angélica andrade sousa silva o papel do assistente social na efetivação dos direitos de INCLUSÃO DA CRIANÇA autista Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Norte do Paraná - UNOPAR, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Serviço Social. Orientadora: Prof (a) Maria Angela Santini. Palmas-TO 2017 DEDICATÓRIA Eu dedico este trabalho a todas as crianças autistas e suas famílias, que lutam todos os dias por seus direitos e pela inclusão social. Em especial, ao meu amado filho Isaque, que desde então ao descobrimos o autismo em sua vida, tem nos ensinado a valorizar pequenos momentos, conquistas e a amar incondicionalmente. Dedico á minha amada mãe, que sem a sua força, seus cuidados e amor por nós jamais conseguiria chegar até aqui. Dedico também ao meu amado pai Gildo (In memoriam), que nos deixou tão cedo, mas que tinha o sonho, como da minha mãe de nos ver formados. agradecimentos Agradeço primeiro a Deus, por permitir que tudo acontecesse, com saúde, força e persistência em todos os momentos de minha vida. A minha mãe Ednelza Sousa, que sempre acreditou no meu potencial, e nas horas difíceis deu todo apoio que precisei. Obrigada minha heroína por tudo e por cuidar de nós incansavelmente. Á meu esposo Eurinaldo Ferreira, pelo incentivo, força e paciência. Obrigada por jamais deixar desistir diante de um momento muito difícil que é o diagnostico de autismo. Sem sua força a caminhada seria muito mais complicada. Te amo meu amor. Ao meu irmão Renato Sousa, por seu incentivo, apoio, cuidado, paciência e por me orientar nesse presente trabalho. Muito obrigada. Agradeço ao Dr.Rivas Porto e meu cunhado Erivan de Andrade por terem me orientado e ajudado neste trabalho, que foi de grande valia. Terão meus eternos agradecimentos. Agradeço á orientadora Fabiana Borges, por proporcionar o conhecimento não apenas racional, mas a manifestação de caráter e efetividade da educação no processo de minha formação profissional. E por compreender no momento em que desabei em tristeza com suas palavras de carinho, me fortaleceu. Agradeço aos orientadores Orleando Pascoal, Lylian de Barros e Carmina Maldonado pelas orientações, pelo aprendizado, que foram de muita importância em meus estudos e pra minha vida. Agradeço a todos os meus familiares pelas orações, carinho e amor. “As crianças especiais, assim como as aves, são diferentes em seus vôos. Todas, no entanto, são iguais em seu direito de voar.” Jesica Del Carmen Perez SILVA, Angélica Andrade Sousa. O papel do assistente social na efetivação dos direitos de inclusão da criança autista 2017. Total de 50 paginas. Trabalho de Conclusão de Curso em Serviço Social – Centro de Ciências Empresariais e Sociais Aplicadas, Universidade Norte do Paraná, Palmas, 2017. RESUMO O presente trabalho é uma pesquisa bibliográfica que visa refletir sobre o papel do Assistente Social na inclusão da criança autista. A motivação para o estudo está relacionada com o fato de que, no estado do Tocantins, os estudos que abordam esta questão são escassos, principalmente sobre os direitos de inclusão da criança com Transtorno do Espectro Autista e sua família nos programas de assistência social. Assim posto, elegeu se como foco de estudo uma revisão da literatura especializada da área do Serviço Social no campo da Saúde Mental, bem como um levantamento da legislação nesses domínios. Para a consecução do trabalho, foi adotado o modelo de pesquisa qualitativa de natureza básica cujos objetivo foi explorar, com base na interpretação, os textos teóricos acadêmicos e os textos da legislação que abordam a função do Assistente Social no campo da Saúde Mental. Os resultados do levantamento bibliográfico revelam que o referido profissional assume papel central na efetivação dos direitos da criança autista, posto que a sua atividade é interativa e atravessa diversas esferas sociais na consecução da assistência social. Palavras-chave: Serviço Social. Acessibilidade. Autismo infantil. Inclusão. Direitos Sociais. SILVA, Angelica Andrade Sousa Social Assistant role in the autistic child inclusion rights effectiveness. 2017. Total 50 of sheets. Work of completion of course (undergraduate social service) – Center of Applied Business and Social sciences, North University of Parana, Palmas, 2017. ABSTRACT The present estudy is a bibliographical research that aims to reflect on the role of the Social Worker in the inclusion of the autistic child. The motivation for the study is related to the fact that, in the state of Tocantins, the studies that address this issue are scarce, mainly about the inclusion children rights with Autism Spectrum Disorder and their family in social assistance programs. Thus, the main focus of the research was the review of specialized literature on Social Work field and Mental Health, as well as a survey of the legislation in these domains. In order to achieve the main aims, a qualitative research model of basic nature was adopted, whose objective was to explore the interpretation of theoretical academic texts and the texts legislation texts that deal with the role of the Social Worker in the field of Mental Health. The results of the bibliographical survey show that this professional assumes a central role in the autistic children's rights protection, since their activity is interactive and crosses several social spheres in the achievement of social assistance. Keywords: Social Service. Accessibility. Childhood autism. Inclusion. Social rights. INTRODUÇÃO O presente trabalho se inscreve como estudo que visa refletir sobre o papel do Assistente Social (doravante AS) na inclusão de pessoas com Transtorno de Espectro Autista (TEA), com ênfase na fase infantil. Considerando a escassez de estudos que abordam esta questão no estado do Tocantins, principalmente no que diz respeito a inclusão da criança autista e da sua família na sociedade, o propósito da pesquisa aqui apreendida foi contribuir com um referencial teórico-conceitual e das bases legais sobre a atividade colaborativa do AS no campo da saúde mental, com vistas a preencher o vazio existente no âmbito das atividades do AS no contexto da necessidades da criança autista na capital tocantinense. Na enquete feita em bibliotecas digitais das universidades, nos periódicos da Capes e CNPq, não foi detectado pesquisas que tratem da temática do autismo envolvendo questões familiares e suas necessidades. Assim posto, elegeu-se como foco do estudo, aqui representado, responder o seguinte questionamento: “De que maneira a literatura especializada na área de Serviço Social, a legislação neste domínio e no campo da saúde mental têm apresentado á função do assistente social em atividades e/ou serviços envolvendo a criança com TEA”. Das justificativas do estudo A realização do presente trabalho se justifica devido ao fato de que o autismo é uma problemática humana ainda desconhecida e/ou menosprezada pelas autoridades e até mesmo desconhecida pela sociedade. Assim, faz-se necessário, como propósito de elaborar com as pesquisas na área de Serviço Social com estudos que visem trazer contribuições teóricas que possibilitem a reflexão e discussões sobre essa condição de pessoas e sua inclusão social. Dos objetivos da pesquisa Assim sendo, o objetivocentral da presente pesquisa é contribuir para a construção de conhecimento sobre a relação do trabalho prestado pelo profissional de serviço social na sociedade desta década, colocando em discussão o ponto de vista da literatura especializada neste campo sobre a questão da inclusão da criança autista. No entanto, com o propósito de alcançar o objetivo geral da pesquisa, os seguintes objetivos específicos servirão elementos estruturantes do trabalho. “Descrever de que maneira a questão da criança autista e sua família tem sido abordado no âmbito das pesquisas do serviço social”. “Comparar a visão de pesquisadores da área de serviço social sobre a temática”. “Identificar no levantamento da literatura especializada os conceitos de autismo e como a criança tem sido tratada e incluída na sociedade”. O presente trabalho está organizado, além de sua introdução, em três partes. A 1ª seção trata da revisão dos aportes da literatura especializada do Serviço Social no campo da Saúde Mental e da legislação que orienta e regula as atribuições do AS e os direitos do autista infantil. Na 2ª segunda seção, discute-se a metodologia utilizada na realização do trabalho, o tipo de pesquisa, os seus objetivos, procedimentos e o cronograma de execução. Na 3ª seção, retoma-se à questão norteadora do estudo, coloca-se em discussão a análise seguida da reflexão acerca dos resultados obtidos com o cruzamento do que dizem os textos teóricos e os textos da legislação sobre o papel do AS e os direitos da criança autista. E na sequência, segue as conclusões do estudo. REVISÃO DA LITERATURA E DA LEGISLAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA ASSISTÊNCIA DA CRIANÇA AUTISTA Nesta parte do trabalho, propõe-se elaborar um referencial teórico, com base na revisão da literatura especializada da área do Serviço Social no campo da Saúde Mental e na retomada da legislação que norteia esses domínios. Assim, inicia-se esta seção discutindo o objeto de trabalho do AS que aqui pretende-se explorar, qual seja: a inclusão da criança portadora de TEA e sua família nos programas de assistência social. O objetivo desta seção é colocar em destaque a complexidade do quadro em se inscreve a atividade do AS na busca de solução para fazer valer os direitos dos usuários, visto que o seu fazer não ocorre isolado da interação com os agentes das diversas instâncias sociais e dos conhecimentos teórico-metodológico e das bases legais. Inclusão da criança com Transtorno de Espectro Autista (TEA) Na trajetória histórica da humanidade, os séculos XVIII e XIX foram vistos como períodos em que as pessoas com necessidades especiais eram concebidas e tratadas como se fossem pessoas doentes, portadoras de anormalidades. Devido a essa condição, esses sujeitos eram ignorados pela sociedade de então. No Brasil, a história do atendimento da criança, o artigo de Perez e Passone (2010), discute a institucionalização da infância como objeto de controle do Estado. Os autores mostram os as principais normalizações e legislações que têm regulado o tratamento oferecido à criança no contexto brasileiro desde os tempos da a República Velha (1889 a 1930); do autoritarismo populista da era de Vargas (1930 a 1945), quando do surgimento da instituição do Serviço de Assistência ao Menor (SAM). Segundo os autores, esta entidade foi criada com o propósito de manter a “contenção-repressão infanto-juvenil; a expansão centralizada das políticas sociais sob a democracia populista” (PEREZ; PASSONE, 2010, p. 651-652), que dominou o período de 1945 a 1964, que fora, igualmente, caracterizado pelo declínio das ações do SAM, ocasionado, subsequentemente, pela emergência da Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor – Funabem –, sob o domínio do governo ditatorial (1964 a 1985). O Quadro 1 colocado em destaque, a seguir, ilustra o que acaba de ser mencionado e dá uma ideia de que a questão da criança com deficiência no Brasil, tem, bastante clara, a sua história sociopolítica, no diz respeito ao seu tratamento e atendimento. Quadro 1 - Contextualização histórica do atendimento à infância no Brasil (1889-1985) Períodos Principais normalizações e legislações Principais Características Primeiros passos: Marcos legais e normalizações (1889-1930) Código Criminal do Império (1830) Lei do Ventre Livre (1871) Código Penal da Republica (1890) Código de Menores (1927) Infância como objeto de atenção e controle do Estado Estratégia medica-jurídica-assistencial Autoritarismo Populista e serviço Assistência ao Menor (1930-1945) Departamento Nacional da Criança (Decreto-Lei n. 2.024 de 1940) Serviço de Assistência ao Menor Decreto n. 3.799 de 1941) Estabelecer a Legião Brasileira de Assistência Avanço estatal do serviço social de atendimento infantil Organização da proteção à maternidade e à infância Democracia Populista (1945-1964) Serviço de Colocação Familiar (Lei n. 560 de 1949) Serviço Nacional de Merenda Escolar (Decreto n. 37.106 de 1955) Instituto de Adoção (Decreto-Lei n. 4.269 de 1957) Leis da Diretrizes e Bases da Educação (Decreto-Lei n. 4.024 de 1961) Manutenção do aparato legal Regulamentação dos serviços de adoção Ditadura militar e a Fundação Nacional Do Bem-Estar do Menor (1964-1985) Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (Decreto n. 4.513 de 1964) Diminuição da idade penal para 16 anos (Lei n. 5.258 de 1967) Acordo Entre o Fundo das Nações Unidas Infância e o Governo dos Estados Unidos do Brasil (Decreto n. 62.125 de 1968) Código de Menor (Lei n. 6.697 de 1979) “Doutrina da situação Irregular do menor” Reordenamento institucional repressivo Instituição do Código de Menores de 1979 Contradições entre a realidade vigente e as recomendações das convenções internacionais sobre o direito da infância Fonte: Perez e Passone (2010, p. 652) Porém, foi a partir do século da década de 30 do XX, conforme expõe o trabalho monográfico de Martins (2011, 11), “é que se passou a aceitar essas pessoas na sociedade e as mesmas passaram a ter direitos, assim como qualquer ser humano”, como ocorreu, a partir da intervenções da Conferência Mundial sobre Educação para todos, realizada na Tailândia em 1990, que contou com a participação de autoridades, gestores e educadores, o que favoreceu o surgimento de uma conceitualização sobre as necessidades humanas, o que veio a despertar na sociedade contemporânea, um nova forma de olhar o comportamento da criança autista. Como resultado da referida conferência, a Declaração de Salamanca (1994), conduzida pelo governo da Espanha, com intervenção da Unesco, na Conferência Mundial sobre as Necessidades Especiais, foram reconhecidos os direitos de crianças, jovens e adultos com necessidades especiais, no que diz respeito ao acesso da educação. Esses acontecimentos, em nível internacional, contribuíram o surgimento de leis (cf. LDB, 1996, destinada ao direito da inclusão educacional) e da Lei nº 12.764 de 27 de dezembro de 2012, que dispõe sobre Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Embora essas leis defendem o direito da criança com necessidades especiais, no estado do Tocantins, esta política ainda não alcançou uma abrangência significativa e, nem mesmo, resultados abrangentes. A falta de interesse das autoridades e de recursos humanos e financeiros nesta direção, ainda é um grande desafio para as famílias com crianças portadoras das referidas demandas, principalmente, com relação à preparação de profissionais que estejam adequadamente sintonizados com a reais necessidades da criança autista. Segundo dispõe o artigo 2º da Lei nº 12.764/2012, a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (doravante TEA), estão amparadas por um conjunto de diretrizes da Política Nacional de Proteção dos Direitos desses sujeitos. I - a intersetorialidade no desenvolvimento das ações e das políticas e no atendimento à pessoa comtranstorno do espectro autista; II - a participação da comunidade na formulação de políticas públicas voltadas para as pessoas com transtorno do espectro autista e o controle social da sua implantação, acompanhamento e avaliação; III - a atenção integral às necessidades de saúde da pessoa com transtorno do espectro autista, objetivando o diagnóstico precoce, o atendimento multiprofissional e o acesso a medicamentos e nutrientes; IV - (VETADO); V - o estímulo à inserção da pessoa com transtorno do espectro autista no mercado de trabalho, observadas as peculiaridades da deficiência e as disposições da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente); VI - a responsabilidade do poder público quanto à informação pública relativa ao transtorno e suas implicações; VII - o incentivo à formação e à capacitação de profissionais especializados no atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista, bem como a pais e responsáveis; VIII - o estímulo à pesquisa científica, com prioridade para estudos epidemiológicos tendentes a dimensionar a magnitude e as características do problema relativo ao transtorno do espectro autista no País. Parágrafo único. Para cumprimento das diretrizes de que trata este artigo, o poder público poderá firmar contrato de direito público ou convênio com pessoas jurídicas de direito privado (BRASIL, 2012) Esses pressupostos legais carecem ainda de ações do governo estadual e municipal no contexto tocantinense, para que se possa afirmar que, neste estado, existem condições e serviços sociais que atendam às necessidades do autista. Sobre esta questão, destaca-se, com maior urgência a implantação de ações que contemplem o parágrafo VII colocado em destaque no referido parágrafo. Alega-se aqui que, dentre os profissionais que podem colaborar, de maneira mais efetiva, para a inclusão de criança com TEA, é o assistente social, já que este profissional detém conhecimento sobre os diferentes contextos da sociedade, bem como da demanda por projetos e/ou programas nesta direção. Retomando o artigo de Perez e Passone (2010), sobre o que foi discutido nesta parte do presente trabalho, os autores afirmam que o repertório de leis em discussão, [...[ criou condições de assegurar as diretrizes de políticas sociais básicas com capacidade de atender às necessidades primordiais da população [...] como saúde, educação, cultura, alimentação, esporte, lazer e profissionalização, considerado o acesso aos direitos sociais uma dimensão da cidadania (PEREZ; PASSONE, 2010, p. 663). . Com base nos aportes dos referidos, o quadro 2, a seguir, esboça a contextualização dos serviços assistenciais prestados à criança desde à década de 80. Quadro 2 - Contextualização histórica do atendimento à infância no Brasil (1985-2006) Períodos Principais normalizações e legislações Principais características Redemocratização e Estatuto da Criança e do Adolescente (1985-2006) Constituição da República Federativa do Brasil (1988) Adoção da Convenção Internacional dos direitos das Crianças (Decreto Legislativo n. 28 de 1990) Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069 de 1990) Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.242 de 1991) Lei Orgânica da Saúde Lei Orgânica da Assistência Social (Lei n. 8.742 de 1993) Criação do Ministério da Previdência e Assistência social (Medida Provisória n. 813 de 1995) Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n. 9.394 de 1996) Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Portaria n. 458 de 2001) Criação da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (Lei n. 10.683 de 2003) Criação do Programa Bolsa-Família (Lei n. 10.683 de 2003) Substituição do Ministério da Previdência e Assistência Social pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (Lei n. 10.869 de 2004) Política Nacional de Assistência Social (Resolução CNAS n. 145 de 2004) Novo padrão político, jurídico e social Institucionalização da infância e da adolescência como sujeito de direitos Descentralização, municipalização, controle e participação social Norma Operacional Básica do Sistema único de Assistência social (Resolução CNAS n. 130 de 2005) Lei Orgânica de Segurança Alimentar (Lei n. 11.246 de 2006) Plano Nacional de Promoção, Proteção e defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (Resolução n. I de 2006/Canada) Consolidação de um sistema de proteção social (saúde, previdência, educação, assistência e desenvolvimento social, trabalho) Reestruturação do aparato de controle e policiamento Fonte: Prerz e Passone (2010, p. 664) Tendo discutido nesta subseção a trajetória dos serviços socais prestados à criança, conforme atesta os Quadros 1 e 2, na sequência, discute-se os direitos do sujeito infantil com TEA. Dos direitos da criança autista Além do que foi exposto na subseção anterior, vale destacar os direitos da criança com TEA. O artigo 3 do texto oficial, em questão, faz menção aos direitos humanos que ampara a criança portadora de atendimento social. Art. 3o São direitos da pessoa com transtorno do espectro autista: I - a vida digna, a integridade física e moral, o livre desenvolvimento da personalidade, a segurança e o lazer; II - a proteção contra qualquer forma de abuso e exploração; III - o acesso a ações e serviços de saúde, com vistas à atenção integral às suas necessidades de saúde, incluindo: a) o diagnóstico precoce, ainda que não definitivo; b) o atendimento multiprofissional; c) a nutrição adequada e a terapia nutricional; d) os medicamentos; e) informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento; IV - o acesso: a) à educação e ao ensino profissionalizante; b) à moradia, inclusive à residência protegida; c) ao mercado de trabalho; d) à previdência social e à assistência social. Parágrafo único. Em casos de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do espectro autista incluída nas classes comuns de ensino regular, nos termos do inciso IV do art. 2o, terá direito a acompanhante especializado (BRASIL, 2012). Além do estudo deste texto de lei, buscou-se, na presente pesquisa, entender de que maneira está disposto na legislação o direito da criança com TEA. Para tanto, a pesquisa feita, a partir do levantamento realizado sobre o repertório das leis que amparam esses sujeitos, evidenciou-se que as ações sociais em torno dessa problemática, só vieram a se despontar no início desta década, conforme discussão mais adiante. O Quadro 3, a seguir, coloca em destaque os textos de leis revisados no presente estudo. Eles dispõem sobre os direitos de pessoas comprovadamente portadoras de deficiências. Quadro 03 - Diretrizes orientadoras da inclusão de pessoas com deficiência Lei nº 13.146/2015 Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. Código Civil Traz disposições sobre a capacidade civil da pessoa e sobre a ação de interdição. Lei nº 7.853/1989 Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência e sua integração social, dentre outros pontos Lei nº 10.098/2000 Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promo- ção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Lei nº 10.048/2000 Dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica. Decreto nº 3.691/2000 Regulamenta a Lei nº 8.899, de 29 de junho de 1994, que dispõe sobre o transporte de pessoas com deficiência no sistema de transporte coletivo interestadual. Decreto nº 5.626/ 2005 Regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), e o art. 18 da Lei nº10.098, de 19 de dezembro de 2000. Decreto nº 5.904/ 2006 Regulamenta a Lei nº 11.126, de 27 de junho de 2005, que dispõe sobre o direito da pessoa com deficiência visual de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo acompanhada de cão-guia. Decreto nº 6.214/2007 Regulamenta o benefício de prestação continuada da assistência social devido à pessoa com deficiência e ao idoso. Decreto nº 7.612/2011 Institui o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Plano Viver sem Limite. Fonte: Cartilha_Direitos das Pessoas com Deficiência e Direitos Humanos_CV.indd 13 No levantamento feito sobre esses documentos reguladores do amparo à pessoa com deficiência, não foi detectado disposições em favor dos sujeitos portadores de TEA. Esta observação revela que, na história das leis brasileiras, a pessoa autista sempre esteve desamparada da proteção legal. Porém, foi somente com o lançamento da Lei nº 12.764/2012 e da Lei nº 13.146 de 6 de julho de 2015, as quais instituem o conjunto da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), e das quais decorreu a criação da Cartilha de Direitos das Pessoas com Deficiência e Direitos Humanos, em 2016, é que os autistas foram contemplados com documentos oficiais fazendo a eles menções especificas de seus direitos. Recentemente, com a Lei Federal nº 12.764/2012, a pessoa acometida por Transtorno do Espectro do Autismo, passou a ser considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais. O autismo é caracterizado por prejuízos na interação social e na comunicação e por interesse em atividades repetitivas e restritas e comportamento estereotipados. (BRASIL, 2016, p. 15). Conforme explicita o excerto da Cartilha, a criança com TEA é vista, no âmbito da lei de ampara ao autista, como uma pessoa deficiente. Alega-se aqui, que nem todos os casos de TEA, se enquadra nesta situação, pois depende do tipo de transtorno, conforme revelado nos estudos mais recentes sobre a problemática (SILVA; GAIATO, REVELES, 2012). É dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa com deficiência, com prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à habitação, a educação, à profissionalização, ao trabalho, à previdência social, à habilitação e à reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultua, ao desporto, ao turismo, ao lazer, à informação, à comunicação, aos avanços científicos e tecnológicos, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre decorrentes da Constituição Federal, da Convenção sobre os Direitos da Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo e das leis e de outras normas que garantam sem bem-estar pessoal, social e econômico (Art. 8º do Estatuto da Pessoa com Deficiência, BRASIL, 2015). Tendo abordado sobre o fato de que a inclusão da criança autista está amparada pela legislação brasileira até o momento, na próxima subseção, discute-se os conceitos do Transtorno do Espectro Autista. O que é o TEA? Julga-se aqui relevante abordar os conceitos de TEA, embora muito se tem discutido na literatura da Saúde Mental acerca de sua conceituação, no campo dos estudos acadêmicos na área social, o seu entendimento, nem sempre tem sido discutido amplamente. Por esta razão, dedica-se a esta temática a presente seção. O TEA: Definições e interpretações No levantamento da literatura especializada sobre o autismo, há diversas interpretações sobre esta problemática. A obra de Stelzer(2010), traz uma compreensão sócio histórica e cultural do termo que, segundo o autor: [...] tem origem no grego: “autos” que significa “próprio” [ e ] destaca que o termo “idiotia”, de origem grega tem o mesmo significado de “autismo”, de origem latina, descrevendo uma pessoa que vive em seu próprio mundo, uma pessoa fechada ou reclusa (STELZER,2010, p. 6). Já o estudo de Silva (2012, p. 17), aponta o autismo como a “dificuldade social, da comunicação e comportamental” do indivíduo. Na visão da autora, trata-se de um problema relacionado à capacidade de alguém de interagir com os outros. De acordo com a autora, o autismo pode ser entendido como um transtorno do desenvolvimento neurológico do humano e que, pode se iniciar, segundo Silva (2012, p. 11) antes mesmo dos 3 anos de idade. Definida por alterações significativas na comunicação verbal e não-verbal, nos comportamentos repetitivos e restritos e na interação social da criança com TEA. A pessoa já nasce com o transtorno, ela não “vira autista”, sendo que os sintomas podem ser percebidos em diferentes idades. Tendo em vista que as dificuldades no convívio social, para os autistas são grandes, por vezes, a criança é excluída socialmente, o que leva à complicação do quadro em que se encontra. Por outro lado, há aquelas que desenvolvem progressivamente os sinais da TEA, enquanto outras atingem um período importante de evolução em um ritmo normal ou, às vezes, também, retrocedendo. Nos dias atuais, muitos têm sido os estudos sobre a problemática da TEA, porém, as suas causas ainda não forma evidenciadas. O caso é mais comum em crianças do sexo masculino que, segundo Varela (2013), o caso pode ser, também ter suas origens na hereditariedade. Dito em outros temos, segundo o autor, existe probabilidade de um irmão nascer autista. Vale ressaltar que não cura para o referido transtorno, mas há tratamentos que podem levar a criança a um desenvolvimento significativo atingindo, portanto, o melhoramento da qualidade de vida. E do mesmo modo, não há medicamentos específicos, apenas nos casos em que existem outras doenças associadas ao autismo, sendo, assim necessário, o acompanhamento. Ainda segundo Varella (2013), a cada 100 pessoas, pelo menos uma é portadora de autismo. Os sintomas começam a se instalar nos três primeiros anos de vida, mas nem sempre são notados pelos pais, o que prejudica o tratamento. No levantamento da literatura acerca do TEA, Da Costa e Nunesmaia (1998, p. 25) discutem que o seu diagnostico se baseia, principalmente, no quadro clínico do paciente, posto que não há ainda conhecimento cientifico que identifique um marcador biológico que o caracterize. Segundo os autores, desde a década de 80 do século passado, diversos dispositivos (escalas, questionários e critérios) visando uniformizar os diagnósticos do TEA têm sido utilizados. Dentre eles, mais recentemente, surgiu uma versão fazendo menção a uma série de distúrbios mentais que auxilia na formulação de critérios e diagnósticos mais detalhados do autismo infantil. Quadro 4. Características e fases do desenvolvimento do autismo infantil Período do desenvolvimento Características clínicas Recém-nascido parece diferente dos outros bebês parece não precisar de sua mãe raramente chora (“um bebê muito comportado”) torna-se rígido quando é pego no colo às vezes muito reativo aos elementos e irritável Segundo e o Terceiro Anos indiferente aos contatos sociais comunica-se mexendo a mão do adulto o único interesse pelos brinquedos, consiste em alinhá-lo ntolerância à novidade nos jogos procura estimulações sensoriais como ranger os dentes, esfregar e arranhar superfícies, fitar fixamente detalhes visuais, olhar mãos em movimentos ou objetos com movimentos circulares. particularidade motora: bater palmas, andar na ponta dos pés, balançar a cabeça, girar em torno de si mesmo Quarto e o Quinto Anos ausência do contato visual, jogos: ausência de fantasias, de imaginação, de jogos de representação linguagem limitada ou ausente - ecolalia - inversão pronominal anomalias do ritmo do discurso, do tom e das inflexões resistência às mudanças no ambiente e nas rotinas Fonte: Adaptado de Da Costa e Nunesmaia (1998, p. 25) Tendo por base as discussões postas até o momento, constata-se que a questão do TEA, ainda é um desafio para os profissionais dasaúde, da educação e do serviço social, e bem como para as famílias. Por essa razão, logo, pode-se se inferir que a inclusão social dos autistas, por parte dos assistentes sociais, carece de uma mudança nos paradigmas sociopolíticos, culturais e, sobretudo, sobre a formação, preparação e/ou atualização dos agentes empenhados (ou que virão atuar neste campo) a serviço da inclusão da criança com TEA. Neste caso, é imprescindível, do mesmo modo, o acompanhamento das famílias que enfrentam o desafio da referida problemática. Contribuições da Assistência Social Nas discussões anteriores discorreu-se sobre um dos segmentos de atuação do AS, o campo da Saúde Mental, como é caso do autismo infantil. Nos dias atuais, devido a escassez de recursos humanos e financeiros na Saúde, as políticas públicas tem buscado no Serviço Social, a mão de obra dos AS, com vistas a preencher o vazio existente na esfera dos profissionais do serviço público. Nesse âmbito, tem surgido diversas atribuições e/ou funções que têm demando a força de trabalho do AS, mais particularmente, na inclusão de pessoas deficientes. Por esta razão, aqui se discute as contribuições do profissional de Serviço Social, a sua relevância neste domínio, a teorias e a legislação que tematizam e orientam esta profissão. O papel do Assistente Social (AS) na concretização dos direitos da criança com TEA No âmbito das políticas de saúde mental, o AS desempenha papel relevante na implementação deste tipo política. Este profissional, conforme explicita o Art. 4º da Lei nª 8. 662 de 7 de junho de 1993, são competências do Assistente Social: I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares; II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil; III - encaminhar providências, e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população; IV - (Vetado); V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos; VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais; VII - planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais; VIII - prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II deste artigo; IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade; X - planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Serviço Social; XI - realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades (BRASIL, 1993). Assim posto, as questões que envolvem os direitos sociais do público infantil com TEA, no âmbito das atividades do Serviço Social que visam a concretização de políticas de saúde mental, o referido profissional assume função central na realização das ações em prol do melhoramento do quadro clinico em que se encontra a criança autista. A intervenção do AS, conforme revela o texto de lei mencionado, confere a este agente autonomia e capacidade de agir nos programas e projetos sociais destinados ao melhoramento do bem-estar das pessoas na sociedade. O estudo realizado por Nietsche (2011), aponta que a ação do AS, se inscreve numa atividade que visa colocar em pratica programas de intervenção direcionados à socialização e a concretização dos direitos do cidadão e de sua família. Na visão da autora, a atuação desse profissional não deve ter como foco apenas a criança, mas sobretudo a família da mesma. E nesse domínio, a competência do AS deve estar centrada na observação e no entendimento das mudanças societárias, buscando empreender a conquista de uma sociedade mais justa e democrática, no que diz respeito a consolidação de um projeto de cidadania e justiça social, quando se trata da proteção de direitos daqueles que encontram sob a sua responsabilidade. Ainda evocando as contribuições do trabalho de Nietsche (2011), no que tange às atividades do AS, os seus aportes orientam que este sujeito, ao lidar com a criança com TEA, seria indispensável que o mesmo envide esforços na busca pela compreensão das especificidades da expressão de cada contexto social e as particularidades de cada pessoa autista. Com base nesta visão, infere-se que o trabalho do AS é uma atividade que requer múltiplas interações e/ou relações com as diversas situações e condições dos autistas, o que sua vez, requer do AS competências de planejar e organizar projetos sociais atravessando as fronteiras da área do Serviço Social adentrando em outros domínios, tais como a psicologia, a história, a sociopolítica e a cultura que abrange tanto os domínios de atuação do AS e dos pacientes implicados na prestação de seu serviço. Assim, a discussão posta até aqui leva a pensar que o AS é um profissional que pode exercer diversas funções atravessando, assim, os vários espaços ocupacionais, principalmente, quando se trata do trabalho com crianças e adolescentes autistas. Como exemplificação do acaba se mencionado, cita-se aqui o caso da assistência e previdência social, a educação especial seja nas escolas regulares e particulares e os estabelecimentos (os centros de atenção) psicossocial infanto-juvenil. Conforme explicita a Lei 8.662/1993 supramencionada, compete ao AS, a orientação da população (indivíduos e grupos de diferentes camadas sociais), empenhando-se na construção de projetos sociais que faça valer o uso dos recursos humanos e financeiros do Estado destinados ao Serviço Social. Por meio dessas ações, o AS está autorizado, segundo a referida base legal, promover, através de programas e projetos sociais, a garantia da prevalência de seus direitos no trabalho de planejamento, organização e administração dos benefícios e serviços prestados à comunidade (BRASIL, 1993) No caso da pessoa autista que não possua sua própria autonomia decorrente de problemática, é o AS, enquanto profissional a serviço do bem estar social, que se ocuparia de intervir sobre essa questão buscando dar encaminhamentos para que a pessoa com TEA possa alcançar os seus direitos de autonomia. Neste caso, o AS deve empreender a socialização de informações, conduzir ações que permite a inserção da criança autista e sua família nos programas, nos serviços a serem prestados a seu favor, bem como da conscientização sobre os seus próprios direitos. A esse respeito, estudo de Nietsche (2011, p. 20-21) esclarece que, o acesso do sujeito com TEA (e sua família) aos seus direitos, pode favorecer a abertura de caminhos que adquiram a autonomia necessária, o que pode auxiliar no melhoramento do quadro de dificuldade dos mesmos. Porém, a mesma autora adverte que, para auxiliar os aludidos sujeitos, não bastaria que os mesmos tivessem acesso apenas aos seus direitos, serviços e programas a eles assegurados, mas que seria urgente, do mesmo modo, uma análise da qualidade e da auto sustentabilidade das ações sociais e seus serviços a favor dos autistas. Tendo por base as contribuições de Nietsche, em outros termos, pode se inferir que intervenção do trabalho do AS não termina apenas na inclusão, ou seja, é preciso que esta seja autossustentável. O trabalho Trindade (2012) chama atenção para o fato de que certos segmentos dos AS tendem a fomentar práticas terapêuticas e abordagens individuais focalizando a condição socioeconômica do sujeito e as causasde seus problemas. Na visão da autora, o AS é um profissional dotado do sendo de responsabilidade que age em favor de ações viabilizando condições necessárias para que o atendimento social se efetive. Neste campo, o seu trabalho está direcionado à organização dos recursos materiais básicos e necessários para que ocorra o atendimento e a garantia de direitos sociais da pessoa. Sobre esta questão, a autora explana que: Os profissionais viabilizam orientações sobre direitos trabalhistas, previdenciários e sobre as questões jurídicas que possam facilitar a vida laborativa e familiar do usuário; realizam encaminhamentos a outros serviços de apoio, conseguem liberar recursos materiais, inserem os usuários em organizações ou entidades. (TRINDADE, 2012, p.78) No entanto, com base nas palavras de Trindade, é preciso desenvolver o sendo crítico de que, não é suficiente apenas apontar os direitos do usuário, principalmente se o mesmo não tem autonomia de seus próprios direitos e ou acesso de como alcançá-los. Mas seria urgente, neste caso, buscar na esfera administrativa ou até mesmo jurídica os mecanismos legais que fazem menção aos encaminhamentos necessários para que o usuário seja beneficiado, efetivamente, com aquilo que é de seu direito. Em se tratando dos direitos e garantias assegurados pela legislação, no que se referem à criança com TEA, o AS, segundo a mesma autora, deve intervir fazendo uso dos mecanismos legais, acionar os órgãos de proteção e defesa do cumprimento dos deveres do Estado sobre a pessoa e a concretização/efetivação de seus direitos. Nesta arena, o serviço do AS não é uma atividade isolada, e sua consecução depende da interação com a sua própria equipe e de outras buscando relações de forças internas e externas (um trabalho multiprofissional), para que, assim, a criança e sua família sejam incluídas nos programas sociais. Contribuições da Assistência Social, concepções de inclusão e integração social da criança autista: No levantamento bibliográfico sobre o surgimento do Serviço Social no Brasil, foi identificado que a sua emergência e a sua institucionalização, remontam aos anos que compreenderam as décadas de 30 e 40 do século passado. A referida atividade se constituiu no contexto dos processos sociopolíticos que geraram as condições sócio-históricas necessárias para que a profissão iniciasse o seu percurso histórico no cenário brasileiro” (SILVA; SILVA; SOUZA JUNIOR, 2015, p. 3). E as suas origens, enquanto profissão, na partilha do trabalho social, está intimamente ligada ao contexto dos movimentos do operariado do início do século XX. Sobre esta questão, é preciso rememorar que as discussões que envolveram as questões sociais, nesse período, foram fortemente influenciadas pelas decisões do Estado, das populações dominantes e das intervenções da Igreja. Sobre essas questões, os processos sociopolíticos tiveram impactos significantes na formação dos conceitos do é denominado, nos dias atuais de Serviço Social. Conforme apontado na obra intitulada “Relações sociais e Serviço Social no Brasil” de Marilda Iamamoto O Serviço Social se gesta e se desenvolve como profissão reconhecida na divisão Social do trabalho tendo por pano de fundo o desenvolvimento capitalista industrial e a expansão urbana, processos esses aqui apreendidos sob o ângulo das novas classes sociais emergentes – a constituição e expansão do proletariado e a burguesia industrial – e das modificações verificadas na composição dos grupos e frações de classes que compartilham o poder de Estado em conjunturas históricas específicas ( IAMAMOTO, 1990, p. 77). Em trabalho recente, a mesma autora ressalta que a referida profissão se inscreve na divisão do trabalho contemporâneo, e o seu surgimento teve é oriundo de um amplo movimento social “de bases confessionais, articulado à necessidade de formação doutrinária e social do laicato, para uma presença mais ativa da Igreja Católica no ‘mundo temporal’, nos inícios da década de 30”. Esses movimentos estiveram relacionados a uma tentativa de recuperar os domínios e privilégios perdidos nas relações que existiram entre Igreja e Estado (IAMAMOTO, 2011, p. 18). Sobre a profissão no campo do Serviço Social, o Conselho Regional de Serviço Social – CRESS, também, regulamentado pela Lei 8.662, de 7 de julho de 1993, explana que a criação do Serviço Social no Brasil em 1936 ocorreu com a criação da primeira escola neste domínio, se tornando, mais tarde a atual Faculdade de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Entretanto, as suas raízes doutrinárias são de natureza filantrópica, tendo como referência o pensamento social da Igreja, de caráter humanista conservador, o que contraria os ideários liberais e marxistas.[1: Informações obtidas no sitio eletrônico do Conselho Regional de Serviço Social – CRESS 17ª Região, jurisdição do Estado do Espírito Santo com sede na cidade de Vitória, disponível em: <http://www.cresses.org.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=47&Itemid=55>. Acesso: 10 oct. 2017. ] O sitio eletrônico do CRESS explana a trajetória do Serviço Social brasileiro descrevendo as etapas de sua evolução. O quadro 5, a seguir, sintetiza o percurso sócio histórico e político da atividade dos profissionais nesta área. Quadro 5 – Trajetória do Serviço Social no Brasil Década de 1930 Origem do Serviço Social brasileiro e criação da primeira escola de formação de profissionais neste campo. Década de 1960 A profissão passou pelo Movimento de Reconceituação – processo de difusão e integração sociopolítica difundido entre os países da América Latina com propósitos de renovação e atualização no âmbito teórico, metodológico, técnico/operativo e político Década de 1980 Surgimento dos cursos de mestrado e doutorado; avanços dos direitos sociais tratados na Constituição de 1988 Décadas de 1990,2000 e 2010 Surgimento das novas funções e práticas profissionais nos domínios da seguridade social (previdência, saúde, assistência social) e outras políticas sociais Fonte:http://www.cress-es.org.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=47&Itemid=55 Conforme exposto no Quadro 5, o Serviço Social no Brasil, em comparação com os países norte-americanos (Estados Unidos e Canadá) e europeus (França e Inglaterra), se apresenta como uma profissão recente. Naqueles continentes, a maioria dos países aderiram aos modelos de compartilhamento do trabalho capitalista, a partir das últimas décadas do século XIX (BOGADO; BRANCO, 2009). Assim, o despontar da área do Serviço Social no contexto brasileiro, surge de forma tardia. Ainda explorando o Quadro 3, nota-se que o Serviço Social brasileiro sofre evolução significativa, deste a década de 1980, no que diz respeito aos estudos acadêmicos com a criação dos cursos de graduação e pós-graduação. Isto revela o caráter da profissão neste campo que, segundo revela a Lei Orgânica da Assistência Social ( Lei nº 8.742), trata-se de uma profissão de nível superior, assim, a profissional nesta área, só estará habilitado ao exercício da profissão quando o mesmo estiver registrado no CRESS, que o credenciaria a assumir as competências e atribuições privativas do Assistente Social. Porém, no tange mercado de trabalho neste campo no Brasil, a sua evolução deixa a desejar, principalmente, no dominio privado. Já na esfera pública, são os governantes os principais empregadores. Segundo o CRESS/ES, “hoje conta com mais de 85 mil Assistentes Sociais em todo o país” e iniciativa privada, ONG’s e outros tipos de organizações com e sem fins lucrativos“ são as instâncias sociais que acolhem a força de trabalho qualificada neste segmento. No que tange aos regulamentos, com base no levantamento feito do repertório dos textos oficiais direcionados aos domínios do Serviço Social, constatou-se que a atividade dos profissionais nesta área está orientada por diversasdiretrizes. Dentre elas, se destacam documentos de leis que estende o trabalho do AS à diversas possibilidades de atuação, quais sejam: à saúde, à saúde mental, à gestão do serviços assistencial, o gerenciamento de programas e projetos de inclusão de crianças, jovens, adultos e idosos, à previdência social, promoção de ações direcionadas ao encaminhamento e as difusão dos direitos do cidadão ao serviços social, aos programas de educação inclusiva, preparação e/ou orientação de profissionais com vistas à atuação neste segmento. O Quadro 6 dá conta do repertorio dos textos legais que norteiam as atividades do AS nas múltiplas esferas em os serviços de assistência sociais são demandados. Quadro 6 - Leis e Decretos específicas do profissional de Serviço Social Lei 8662/93 - Profissão do Assistente Social Publicada no Diário Oficial da União de 08 de junho de 1993, a Lei 8.662/93 dispõe sobre a profissão de Assistente Social, já com a alteração trazida pela Lei nº 12.317, de 26 de agosto de 2010. Para conhecer essa lei na íntegra, clique aqui. Lei nº 12.317, de 26 de agosto de 2010 Acrescenta dispositivo à Lei no 8.662, de 7 de junho de 1993, para dispor sobre a duração do trabalho do Assistente Social. Para conhecer essa lei na íntegra, clique aqui. Diretrizes curriculares para os cursos de Serviço Social Resolução no. 15, de 13 de Março de 2002 Constituição Federal de 1988 CF/1988 Título VIII - Da Ordem Social Lei Orgânica da Saúde Lei nº 8.080, de 19 de Setembro de 1990 Política Nacional de Saúde Mental Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001 Loas – Lei Orgânica da Assistência Social Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993 Política Nacional do Idoso Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994 e Decreto nº 1.948, de 3 de julho de 1996 Estatuto do Idoso Lei no 10.741, de 1º de outubro de 2003 Política Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência Decreto nº 3.298 - de 20 de dezembro de 1999 e Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989 Estatuto da Criança e do Adolescente Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990 Sobre a Previdência Social Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 e Lei nº 9.720 - de 30 de novembro de 1998 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996 Estágio de Estudantes Lei 11.788 (Estágio de Estudantes) Fonte: http://cressto.org.br/newcress/index.php?option=com_jdownloads&view=viewcategory&catid=3&Itemid=779 O repertorio de diretrizes constantes no Quadro 6 revela que a atividade do AS é múltipla e diversa. Sendo assim, é preciso levar em conta que a formação e/ou preparação deste profissional requer atualização e avaliação continua, posto que o mesmo exerce funções complexas, já que o seu trabalho requer esforços (físico, psíquico) e entendimento de diversas categorias, tais como relações públicas e/ou sociais, culturas, políticas, econômicas, entre outras. Dito em outros termos, o trabalho do AS se realiza com e através das relações humanas, o que torna as atribuições dos profissionais desta área, demasiadamente complexa, conforme explicitam, a seguir, o Quadro 7 sintetiza os Princípios Fundamentais da Ética Profissional daqueles que exercem o métier de AS. Quadro 7 – Princípios e fundamentais éticos do profissional em Serviço social Responsabilidade para com a liberdade, autonomia e exercício da cidadania dos sujeitos Reconhecimento da liberdade ao valor ético central e das demandas políticas a ela inerentes – autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais; Responsabilidade para com a defesa dos direitos humanos Defesa intransigente dos direitos humanos, recusa do arbítrio e do autoritarismo; Empreendimento de ações que visam a promoção e concretização dos direitos sociais Ampliação e consolidação da cidadania considerada tarefa primordial de toda sociedade, com vistas à garantia de direitos civis, sociais e políticos das classes trabalhadoras; Empreendimento de ações objetivando a defesa e implantação e socialização de atos democráticos na participação política e na produção de recursos Defesa do aprofundamento da democracia enquanto socialização da participação política e da riqueza socialmente produzida; Esforços na busca da igualdade e na manutenção da justiça social e na acessibilidade dos bens e serviços dispensados socialmente Posicionamento em favor da equidade e justiça social que assegure universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem como sua gestão democrática; Empreendimento de ações na promoção da igualdade e no reconhecimento das diferenças humanas e sociais Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças; Empenho no projeto de capacitação de si mesmo na busca da atualização do conhecimento Garantia do pluralismo, através do respeito às correntes profissionais democráticas existentes e suas expressões teóricas, e compromisso com o constante aprimoramento intelectual; Ciência que seu projeto profissional ocorre nas múltiplas e diversas relações sociais Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação exploração de classe, etnia e gênero; Interação e articulação com as questões do meio social Articulação com os movimentos de outras categorias profissionais que partilhem dos princípios deste Código e com a luta geral dos trabalhadores; Comprometimento para com a efetivação dos serviços prestadas à sociedade Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional; Reconhecimento das diferenças sociais Exercício do Serviço Social sem ser discriminado nem discriminar, por questões de inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, opção sexual, idade e condição física. Fonte: Adaptado do Código de Ética Profissional dos Assistentes Sócias (1993) METODOLOGIA DA PESQUISA Neste tópico apresenta-se os princípios metodológicos adotados na realização da pesquisa. Expõe-se, no primeiro momento, o tipo de pesquisa utilizada e a justificativa do seu objetivo, do modelo escolhido, dos procedimentos utilizados, bom como seu percurso, a partir do cronograma que foi traçado para a sua realização. Tipo de pesquisa A presente pesquisa, é de natureza básica, que conforme a explanação de Gil (1991, p.2), é um tipo de estudo que “objetiva gerar conhecimentos novos, úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista”, tendo como compromisso “verdades e interesses universais”. Para tanto, buscou-se como procedimento de abordagem do problema, uma investigação de caráter qualitativo, que de acordo com Minayo (1995), esta modalidade de construção de conhecimento: [...[ responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (MINAYAO, 1995, p. 21-22); Assim posto, visando alcançar o objetivo geral deste trabalho, a pesquisa desenvolvida assumiu o foco exploratório centrado na interpretação de alguns textos da literatura especializada na área de Serviço Social. Sobre o estudo de cunho exploratório, na argumentação de Gil (2002, p. 41), a relevância deste procedimento de geração do conhecimento cientifico “[...] tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito”, e nele, envolvendo o levantamento bibliográficocomo forma de melhor compreender o problema pesquisado priorizando, se assim, como é o caso do presente trabalho, uma pesquisa bibliográfica como fonte de interpretação dos saberes já construídos no âmbito acadêmico acerca da temática proposta. Para a consecução do trabalho, foram considerados os aportes de obras acadêmicas (monografia, artigos e livros) e as conjunto das leis que orientam e regulamentam a questão da inclusão da criança autista mediada pelo AS. A pesquisa em questão seguiu o seguinte cronograma. Quadro 8 – Cronograma de execução da pesquisa Cronograma jan. fev mar abr mai jun jul ag set out Definição da temática X X Levantamento bibliográfico da pesquisa X X X X X X X Formulação da base teórica X X X X X X X X X Formulação dos método e técnicas X X X X X Redação do projeto de pesquisa X X X Entrega do projeto X Aprofundamento dos referencias teóricos X X X Seleção dos textos da pesquisa X X X Análise do material selecionado X X X X Redação do TCC X X X X Entrega do TCC X Fonte: Elaboração própria Tendo aqui apresentado e explanado acerca dos procedimentos metodológicos da pesquisa, na sequência, expõe-se as argumentações analíticas com foco nas bases teóricas e legais que orientam e regulam as atividades do AS, em conformidade com os objetivos do estudo, visando responder à pergunta norteadora do trabalho. ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO AMBITO DA SAÚDE MENTAL Nesta parte da pesquisa, discute-se o que diz a literatura especializada na área do Serviço Social e da Saúde Mental, bem como o que revela a legislação sobre o trânsito do AS na busca de solução para a problemática que permeia a acessibilidade dos direitos da criança com TEA e sua família pensando no contexto da capital palmense no Estado do Tocantins. Além dos referenciais bibliográficos e da base legal, ou seja, do levantamento das leis recorrentes na área do Serviço Social e da Saúde Mental, foi observado, nos sítios eletrônicos do CRESS/TO, da Secretaria estadual e municipal de Serviço Social Palmas, as ações desses órgãos concernentes ao TEA. Conforme já foi antecipado na parte introdutória do trabalho, a escassez de referenciais informativos, teóricos, metodológicos, eventos, oficinas, trabalhos comunitários, centros de atendimentos e outras ações específicas direcionadas à criança autista, no contexto de Palmas, capital do Tocantins, motivou o presente estudo. Na capital tocantinense, devido a falta de especialistas, o atendimento do autista ocorre, em sua grande maioria, nos centros médicos e consultórios da fonoaudióloga e da terapeuta ocupacional. Assim, infere-se que há uma lacuna nesse contexto, principalmente, no que diz respeito ao suporte de estudos científicos que instruem os profissionais, as famílias a empreender ações de difusão do conhecimento e informações acerca dos direitos das crianças com TEA. [2: ] Na próxima subseção, coloca-se em destaque as discussões que visam a responder à pergunta norteadora da pesquisa. O papel do Assistente Social na intervenção do autismo infantil: da teoria à legislação Conforme já antecipado, o presente trabalho visa construir uma base de saber sobre como a teoria e a legislação da área do Serviço Social, no âmbito da Saúde Mental, orientam o trabalho interventivo do AS, particularmente, o caso da inclusão da criança autista e sua família nos programas de assistência social. A realização do estudo seguiu objetivos (cf. parte introdutória) que estão orientados por uma pergunta que norteou a pesquisa, qual seja: De que maneira a literatura especializada na área de Serviço Social e a legislação neste domínio orientam e regulam a intervenção do Assistente Social no campo da saúde mental da criança com TEA? As argumentações, a seguir, visam responder aos objetivos traçados e a este questionamento do trabalho. Das orientações teóricas A Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), lei nº 8.742, aprovada em 07/12/1993, regulamenta a Política de Assistência Social e inclui como um dos seus beneficiários específicos, a pessoa portadora de deficiência. Primeiro, estabelece como um dos objetivos da assistência social a habilitação e reabilitação, bem como a promoção de sua integração à vida social (art.2º, IV) e, segundo, implementa o Benefício de Prestação Continuada (BPC) (CFESS, 2007, p.12). Conforme já discutido na revisão da literatura especializada, o Serviço social no Brasil, é uma atividade recente, em comparação com os países desenvolvidos. Segundo Iamamoto (2008), esta profissão, desde o seu surgimento, na década de 30, tem passado por movimentos sociais que alteraram, significantemente, as atribuições do AS, que anteriormente, estavam direcionadas apenas ao usuário, sem levar em consideração as origens de suas condições e seu quadro de clinico. Os apontamentos da autora revelam que a profissão do agente do Serviço Social sofreu evolução nos modos de ver e compreender a problemática que em que se encontra o usuário. As palavras de Dias (2003), corroboram os dizeres de Iamamoto, ao mencionar que o cotidiano de trabalho do AS, a sua atividade não ocorre isoladamente, posto que as novas formas de divisão do trabalho, na contemporaneidade, demanda deste profissional uma atuação em equipe, de natureza multiprofissional. As afirmações do autor fazem menção que o AS assume, nos dias atuais, diversos papeis atuando nos vários domínios que o Serviço Social adquiriu com as reformas das políticas públicas do Estado, ao longo das últimas duas décadas. Os apontamentos de Dias chamam atenção para o fato de que, a profissão do AS, nos dais atuais, requer por uma lado, a competência de saber conviver com a diversidade social, independentemente de suas diferenças indenitárias, do nível social, de raça, gênero, grau de instrução. E por outro, o saber multidisciplinar, isto é, adquirir competências no processo de atualização de seus próprios conhecimentos, objetivando tornar o atendimento ao usuário mais efetivo, como é o caso da criança autista, possibilitando lhe que tenha acessibilidade aos seus direitos, enquanto cidadão, na reabilitação de suas condições físicas e mentais. Sobre esta questão, o aporte de Santos (2012), mostra o quadro social de desafios e de responsabilidade em que se inscreve a multiprofissionalidade do AS nos atuais. Como prática profissional, o Assistente Social deve coordenar e executar programas de enfrentamento à pobreza, que assegurarem a elevação da autoestima, o acesso a bens, serviços e renda para segmentos mais vulnerabilizados pela situação de pobreza e exclusão social, desenvolver programas violados para o atendimento aos grupos de maior risco, realizar e disponibilizar estudos e pesquisas no âmbito das Políticas Sociais (SANTOS, 2012, p.13). Por das palavras do autor citado, infere-se que o AS é um ator multiprofissional, e que o objeto de seu trabalho é o ser humano inserido nas relações sociopolíticas. Por esta razão, interpretar o seu fazer com foco apenas no atendimento do usuário, seria minimizar o potencial de sua força laborativa, já que ele é um profissional que se envereda nas demais esferas socais na busca de solução para os problemas do público que está sob a sua responsabilidade. O que acaba de ser exposto acerca da atuação multiprofissional do AS, encontra respaldo no estudo de Fraga (2009), que considera o Serviço Social como uma atividade portadora de princípios de valorização do ser humano, por se tratar de um terreno onde o AS, antes, durante e depois da execução de sua tarefa, estuda e analisa as condições em que o sujeito se encontra, e nelas intervindo com o propósito deempreender a inclusão do mesmo nos programas de benefícios que lhe são de direito. Desta forma, percebe-se que atuação do profissional do Serviço Social abrange as diversas instâncias da sociedade: saúde, educação, empresa pública e privada, instituição filantrópica, entre outras. Porém, no que diz respeito à ação multiprofissional do AS, o trabalho de Teixeira (2002, p.5), logra à literatura especializada da área uma contribuição bastante pertinente ao apontar que a competência do AS nos diversos setores do serviço público e privado está intimamente vinculado à responsabilidade de um técnico habilitado, com formação acadêmica em serviço social. Conforme já discutido na seção 2, para o exercício da profissão de AS, as instâncias reguladoras requer uma formação de nível superior. Logo, infere-se que este agente porta conhecimentos acadêmicos, além dos saberes construídos na prática, no confronto do dia a dia, em face dos desafios de colocar em execução o seu plano de trabalho, bem como no cumprimento de suas atribuições. A respeito do que acaba de ser mencionado, Melo (2004), chama atenção para o fato de que, é no âmbito do confronto dos desafios da realização ode sua atividade que o AS, se constitui enquanto um profissional que busca a integração do sujeito com o meio social. E nele, busca alternativas para a solução dos problemas que surgem nas diversas relações sociopolíticas e econômicas envolvendo as família, o trabalho e a comunidade. A pesquisa de Teixeira (2010) complementa as afirmações feitas até aqui, pois traz esclarecimentos pertinentes para o entendimento do papel importante que AS exerce, quando de suas intervenções sobre as questões que surgem no campo da Saúde Mental. A obra consultada explana que as intervenções realizadas pelo AS ocorrem, em sua grande maioria sobre questões educativas e práticas, posto que seu trabalho tem a função de orientar os processos de assistência de casos de negligência familiar ou das instituições governamentais. Logo, uma das ações mais recorrentes no trabalho do AS está direcionado à tomada de providências cabíveis, e neste quadro de complexidade, o AS deve agir munido dos dispositivos legais, como no caso da criança autista, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a lei nº 7.853 de 24 de outubro de 1989 que dispõe sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência onde relata através do Artigo 2º: Ao Poder Público e seus órgãos cabe assegurar ás pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos a educação, a saúde, ao trabalho, ao lazer, a previdência social, ao amparo à infância e à maternidade, e de outros que, decorrentes da Constituição e das leis, propiciem seu bem-estar pessoal, social e econômico (BRASIL, 1990, Art. 2º ). Tendo como ponto de partida o ECA, a implementação desta lei, no âmbito da criança autista, requer a implantação de uma série de programas e projetos que estejam articulados e integrados à serviço do atendimento de suas necessidades, e que o AS está habilitado para conduzir conforme dispõe a Lei 8.742, de 7 de dezembro de 1993, que regulamenta esta profissão. Sobre esta questão da inclusão social à criança, o papel do AS, da família e do Estado está previsto na Constituição Federal de1988, que revela que os seus direitos vão além do mero atendimento ou de informações acerca da acessibilidade de seus benefícios, mas sobretudo o direito à vida na sociedade. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda a forma de negligencia, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (BRASIL, 1988, Art. 227). Com base nessa disposição legal e nos apontamentos de Dias (2003), os assistentes sociais são profissionais que trabalham, especificamente, com questões sociais de diversa natureza: o cotidiano dos sujeitos no trabalho, na família, no âmbito habitacional, na saúde, na assistência social pública. Acerca da afirmação feita, Melo (2004), explana que a atividade desenvolvido pelo AS funciona como um dos eixos essências do processo de inclusão social, visto que o seu papel está centrado na busca, do resgate da cidadania da criança, e neste domínio, o de rever e reinterpretar a base legal e a literatura que fundamentam a Ética Profissional do Serviço Social e seu Código de Ética Profissional de 1993, que são dispositivos relevantes e necessário para se avançar sobre essas questões. Retomando, mais uma vez o aporte de Iamamoto (2008) nas circunstancias que envolvem o trabalho do AS com a criança deficiente (o autista), o papel do agente do Serviço Social precisa estar voltado para o entendimento da situação em que ela se encontra, particularmente, quando se tratar de uma criança oriunda de camadas sociais desfavorecidas, que, por sua vez, se encontra vulnerável aos fatores que provocam a dupla exclusão, a saber, a deficiência e a pobreza. Sobre está problemática, a autora opina que Uma pessoa com deficiência carente, obrigatoriedade precisa de informações sobre direitos e acesso a todos os serviços existentes. Portanto, o objetivo do Serviço Social é viabilizar o acesso ao atendimento, encaminhamento aos serviços sócios assistenciais existentes, como expressão do direito de quem deles necessitam. Também a garantia de fornecimento de informações corretas e apropriadas dos de mandatários (IAMAMOTO, 2008, p.18). Assim, além do conhecimento de mundo oriundo da formação acadêmica, da experiência vivenciada no trabalho, das relações entre os seus pares no domínio e no confronto com as atividades do cotidiano, e o conhecimento das leis que regem o seu metier, o AS precisa estar em sintonia com os dispositivos legais imediatos que aparam os direitos da criança. Neste sentido, mais especificamente, apreender e implementar as disposições do ECA, em favor da mesma. Ao empreender esse tipo de ação, seria necessário, que leve em consideração o entendimento desta diretriz, buscando compreender que, a partir de seu lançamento, começaram a emergir mudanças significativas que garantem os direitos do sujeito com TEA fundamentadas por uma estrutura organizacional dividida em duas partes, quais sejam, os direitos necessários de modo geral e os encaminhamentos especiais da política de atendimento, os quais regulamentam o reconhecimento das entidades, a fiscalização, as medidas de proteção, as práticas de ato infracional, as medidas socioeducativas, as medidas pertinentes aos pais ou responsáveis, o Conselho Tutelar, o acesso à justiça (da infância e da juventude), os procedimentos quanto à apuração de irregularidades nas entidades e as administrações das normas, dos recursos, da função do Ministério Público, do advogado, da proteção judicial dos interesses individuais, difusos e coletivos, e dos crimes e infrações administrativas ( NASCIMENTO; LEITE, 2015 p. 137) Essas afirmações levam a inferir que o AS tenha ciência de que os direitos e deveres reconhecidos pelo ECA devem ser respeitados e efetivados no contexto de qualquer tarefa que envolva a sua intervenção, seja no ambito governamental: União, Estado, Municípios, Distrito Federal ou no cotidiano da sociedade civil. E suas ações na aplicação do ECA devem estar direcionadas a assegurar o desenvolvimento pessoal, intelectual e social para todas as crianças e adolescentes do Brasil. De acordo com o Art. 3º do ECA, [...] a criança e o adolescente gozam de todos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta lei, assegurando-se, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade (BRASIL, 1990,Art. 3º) Segundo Nascimento e Leite (2015), a efetivação dos referidos direitos os órgãos aos quais competem a implantação e implementação dos mesmos devem dar encaminhamentos a uma série de ações instituídas na política de atendimento da criança. O art. 87 do ECA (1990, p.25), prevê as seguintes ações: I- Políticas sociais básicas; II- Políticas e programas de assistência social, em caráter supletivo, para aqueles que necessitem; III- Serviços especiais de prevenção e atendimento médico e psicossocial às vítimas de negligencia, maus-tratos, exploração, abuso, crueldade e opressão; IV- Serviços de identificação e localização de pais, responsável crianças e adolescentes desaparecidos; V- Proteção jurídico-social por entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente (BRASIL, 1990, Art. 87) Conforme explicita o Art 87 do ECA, a ações previstas são de competência de instâncias nas quais o AS está a cargo da execução dos programas sociais, segundo o Art. 88 da mesma diretriz. I- Municipalização do atendimento; II- Criação de conselhos municipais, estaduais e nacional dos direitos da criança e do adolescente, órgãos deliberativos e controladores das ações em todos os níveis, assegurada a participação popular partidária por meio de organismos representativos; III- Criação e manutenção de programas específicos, observado a descentralização político-administrativa; IV- Manutenção dos fundos nacionais, estaduais e municipais vinculados aos respectivos conselhos dos direitos da criança e do adolescente; V- Integração operacional de órgão do Judiciário, Ministério Público, Defensoria, Segurança Pública e Assistência social, preferencialmente em um mesmo local, para efeito de agilização do atendimento inicial a adolescente a quem se atribui autoria de ato infracional; VI- Mobilização da opinião pública no sentido da indispensável participação dos diversos segmentos e da sociedade. (ECA, 1990, Art.88). Embora a referida diretriz funciona como elemento administrativo e jurídico que serve como ferramenta de proteção aos direitos da criança com TEA, no estado do Tocantins as ações em curso, no campo da assistência social a ela direcionada, ainda não saíram do papel, e nem mesmo se tornaram ações concretas, posto que os serviços dispensados priorizam apenas o atendimento em clinicas e hospitais da rede particular na capital tocantinense. Assim sendo, retomando a contribuição do trabalho de Nascimento e Leite (2015), no que refere ao cumprimento das medidas na assistência social. Para as autoras: Tais medidas constituem a garantia de que os direitos da criança e do (a) adolescente estão vinculados a iniciativas descentralizadas entre as esferas governamentais, não-governamentais e sociedade civil, através de projetos, programas e serviços socioassistenciais nos diferentes aspectos, que perpassam o processo de elaboração, execução, fiscalização, financiamento e de avaliação e monitoramento dessas ações (NASCIMENTO; LEITE, 2015, p. 139) Em uma linha de raciocínio convergente com o exposto aqui, até momento, o CFESS (2010) chama atenção para a necessidade de o AS, nos dias atuais, encarar o desafio da humanização, que [...] é a criação de uma nova cultura de atendimento, pautada na centralidade dos sujeitos na construção coletiva do SUS. Para que essa proposta se consolide é preciso que os trabalhadores estejam motivados, com condições de trabalho dignas e salários compatíveis. A defesa dessa concepção de humanização encontra-se respaldada no projeto ético político do Serviço Social, devendo ser compromisso e preocupação profissional CFESS, 2010 (p. 52-54). Diante da complexidade em que inscreve o trabalho do AS, o mesmo deve assumir a relevância de sua participação na elaboração dos protocolos assistenciais que regem rotinas de sua tarefa que, neste caso, precisa estar investida em um plano de preparação continua e permanente das equipes sintonizada com a revisão do modelo de atenção que é dispensado à saúde. Porém, vale ressaltar ainda, a necessidade de avaliar, continuamente, as dificuldades e/ou limitações apresentadas pelos agentes que compõem o coletivo de trabalho em saúde. No entanto, cabe também ao AS o entendimento da relevância de motivar a participação dos usuários nesse processo, posto que a Política Nacional de Humanização não pode ocorrer desvinculada dos fundamentos que norteiam a política de saúde e a garantia dos princípios do SUS, tendo como referência o Projeto de Reforma Sanitária. Nestas circunstâncias, conforme instrui o CFESS (2010), as ações de articulação dos assistentes sociais na equipe de saúde devem: esclarecer as suas atribuições e competências para os demais profissionais da equipe de saúde; elaborar junto com a equipe propostas de trabalho que delimitem as ações dos diversos profissionais por meio da realização de seminários, debates, grupos de estudos e encontros; construir e implementar, junto com a equipe de saúde, propostas de treinamento e capacitação do pessoal técnico administrativo com vistas a qualificar as ações administrativas que tem interface com o atendimento ao usuário, tais como: a marcação de exames e consultas, e a convocação da família e/ou responsável nas situações de alta e óbito; incentivar e participar junto com os demais profissionais de saúde da discussão do modelo assistencial e da elaboração de normas, rotinas e da oferta de atendimento da unidade, tendo por base os interesses e demandas da população usuária. Isso exige o rompimento com o modelo assistencial baseado na procura espontânea e no tratamento isolado das doenças; garantir a inserção do Serviço Social em todos os serviços prestados pela unidade de saúde (recepção e/ou admissão, tratamento e/ou internação e alta), ou seja, atender o usuário e sua família, desde a entrada do mesmo na unidade por meio de rotinas de atendimento construídas com a participação da equipe de saúde; identificar e trabalhar os determinantes sociais da situação apresentada pelos usuários e garantir a participação dos mesmos no processo de reabilitação, bem como a plena informação de sua situação de saúde e a discussão sobre as suas reais necessidades e possibilidades de recuperação, face as suas condições de vida; realizar em conjunto com a equipe de saúde (médico, psicólogo e/ou outros), o atendimento à família e/ou responsáveis em caso de óbito, cabendo ao assistente social esclarecer a respeito dos benefícios e direitos referentes à situação, previstos no aparato normativo e legal vigente tais como, os relacionados à previdência social, ao mundo do trabalho (licença) e aos seguros sociais (Danos Pessoais causados por Veículos Automotores por via Terrestre – DPVAT), bem como informações e encaminhamentos necessários, em articulação com a rede de serviços sobre sepultamento gratuito, translado (com relação a usuários de outras localidades), entre outras garantias de direitos41; participar, em conjunto com a equipe de saúde, de ações socioeducativas nos diversos programas e clínicas, como por exemplo: na saúde da família, na saúde mental, na saúde da mulher, da criança, do adolescente, do idoso, da pessoa com deficiência (PCD), do trabalhador, no planejamento familiar, na redução de danos, álcool e outras drogas, nas doenças infectocontagiosas (DST/AIDS, tuberculose, hanseníase, entre outras) e nas situações de violência sexual e doméstica; planejar, executar e avaliar com a equipe de saúde ações que assegurem a saúde enquanto direito; avaliar as questões sociofamiliares que envolvem o usuário e/ou sua família, buscando favorecer a participação de ambos no tratamento de saúde proposto pela equipe; participar do projeto de humanização da unidade na sua concepção ampliada, sendo transversal a todo o atendimento da unidade e não restrito à porta de entrada, tendo como referência o projeto de Reforma Sanitária; realizar a notificação, junto com a equipe multiprofissional, frente a uma situação constatada e/ou suspeita de violênciaaos segmentos já explicitados anteriormente, às autoridades competentes, bem como verificar as providências cabíveis, considerando sua autonomia e o parecer social do assistente social ( CFESS, 2010 p. 52-54). Analisando o referencial dos conhecimentos necessários, para atuação do AS, em contextos complexos, como é caso da capital tocantinense, as contribuições do CFESS (2010), apontam, as ações socioeducativas, como centrais no funcionamento das atividades deste profissional no campo da saúde. O conceito de ações socioeducativas está relacionado ao trabalho de orientação, reflexão e socialização de informações individuais ou coletivas destinadas ao usuário, as famílias e a população” de uma determinada comunidade. Assim posto, dentre as ações socioeducativas que podem ser empreendidas pelo AS, na busca do melhoramento e implementação efetiva do atendimento à criança autista, destacam-se as seguintes atividades: sensibilizar os usuários acerca dos direitos sociais, princípios e diretrizes do SUS, rotinas institucionais, promoção da saúde e prevenção de doenças por meio de grupos socioeducativos; democratizar as informações da rede de atendimento e direitos sociais por meio de ações de mobilização na comunidade; realizar debates e oficinas na área geográfica de abrangência da instituição; • realizar atividades socioeducativas nas campanhas preventivas; democratizar as rotinas e o funcionamento da unidade por meio de ações coletivas de orientação; socializar informações e potencializar as ações socioeducativas desenvolvendo atividades nas salas de espera; elaborar e/ou divulgar materiais socioeducativos como folhetos, cartilhas, vídeos, cartazes e outros que facilitem o conhecimento e o acesso dos usuários aos serviços oferecidos pelas unidades de saúde e aos direitos sociais em geral; mobilizar e incentivar os usuários e suas famílias para participar no controle democrático dos serviços prestados; realizar atividades em grupos com os usuários e suas famílias, abordando temas de seu interesse CFESS (2010, p. 54-56). Além das atividades mencionadas, o CFESS (2010), apontam ainda as ações de mobilização, participação e controle social. Elas estão direcionadas à: [...] mobilização e participação social de usuários, familiares, trabalhadores de saúde e movimentos sociais em espaços democráticos de controle social (conselhos, conferências, fóruns de saúde e de outras políticas públicas) e nas lutas em defesa da garantia do direito à saúde CFESS (2010, p. 57), As metas objetivadas priorizam as atividades voltadas para a organização dos dispositivos administrativos e legais de amparo aos usuários entendidos nesse âmbito enquanto sujeitos políticos, com direitos fazer suas reivindicações na agenda pública da saúde. As ações de mobilização, participação e controle social, assumem função importante no plano das estratégias da Saúde da Família e podem ser entendidas como uma das contribuições relevantes do AS, no terreno das atividades do Serviço Social. Nesse campo, são consideradas as seguintes ações: estimular a participação dos usuários e familiares para a luta por melhores condições de vida, de trabalho e de acesso aos serviços de saúde; mobilizar e capacitar usuários, familiares, trabalhadores de saúde e movimentos sociais para a construção e participação em fóruns, conselhos e conferências de saúde e de outras políticas públicas; contribuir para viabilizar a participação de usuários e familiares no processo de elaboração, planejamento e avaliação nas unidades de saúde e na política local, regional, municipal, estadual e nacional de saúde; articular permanentemente com as entidades das diversas categorias profissionais a fim de fortalecer a participação social dos trabalhadores de saúde nas unidades e demais espaços coletivos; participar da ouvidoria da unidade com a preocupação de democratizar as questões evidenciadas pelos usuários por meio de reuniões com o conselho diretor da unidade bem como com os conselhos de saúde (da unidade, se houver, e locais ou distritais), a fim de coletivizar as questões e contribuir no planejamento da instituição de forma coletiva; participar dos conselhos de saúde (locais, distritais, municipais, estaduais e nacional), contribuindo para a democratização da saúde enquanto política pública e para o acesso universal aos serviços de saúde46; contribuir para a discussão democrática e a viabilização das decisões aprovadas nos espaços de controle social e outros espaços institucionais; estimular a educação permanente dos conselheiros de saúde, visando ao fortalecimento do controle social, por meio de cursos e debates sobre temáticas de interesse dos mesmos, na perspectiva crítica; estimular a criação e/ou fortalecer os espaços coletivos de participação dos usuários nas instituições de saúde por meio da instituição de conselhos gestores de unidades e outras modalidades de aprofundamento do controle democrático; incentivar a participação dos usuários e movimentos sociais no processo de elaboração, fiscalização e avaliação do orçamento da saúde nos níveis nacional, estadual e municipal; participar na organização, coordenação e realização de préconferências e/ou conferências de saúde (local, distrital, municipal, estadual e nacional); democratizar junto aos usuários e demais trabalhadores da saúde os locais, datas e horários das reuniões dos conselhos de políticas e direitos, por local de moradia dos usuários, bem como das conferências de saúde, das demais áreas de políticas sociais e conferências de direitos; socializar as informações com relação a eleição dos diversos segmentos nos conselhos de políticas e direitos; estimular o protagonismo dos usuários e trabalhadores de saúde nos diversos movimentos sociais; • identificar e articular as instâncias de controle social e movimentos sociais no entorno dos serviços de saúde CFESS (2010, p. 59-60), CONCLUSÕES Toda criança possui a sua história e, ao longo de seu desenvolvimento, ela enfrenta desafios de natureza diversa. Porém, mesmo com a declaração de leis a seu favor, o mundo a sua volta foi construído, como é caso da sociedade brasileira que tem priorizado, com mais atenção e parcimônia, os direitos e vontades dos adultos, concebendo a criança como um sujeito ingênuo e incapaz. Na contemporaneidade brasileira, no que tange aos direitos da criança autista, a sua situação, não difere muito dos tempos antigos, (cf. revisão da literatura nas seções 1 e 2), quando a sociedade as deixava de lado sem atender as suas reais necessidades específicos e proteção. Esta afirmação está fundamentada na observação da realidade dos fatos que caracterizam a incipiência dos serviços de assistência social dispensados aos autistas infantis e suas famílias em diversas regiões do Brasil, como é o caso de Palmas, Tocantins. Tanto a literatura quanto o repertorio das leis aqui revisados revelaram que, ao longo da história dos movimentos sociopolíticos e econômicos, as questões de reconhecimento, cuidados e direitos da criança têm sido relegados, principalmente, quando se trata de famílias oriundas da camada social menos favorecida. Sobre esta questão, Corassa (2010, 64) adverte que, devido ao fato de a criança não produzir bens, na sociedade capitalista, na maioria dos casos, acabava sendo excluída. Logo, infere-se que, na maioria dos casos, a sociedade está mais organizada para os adultos, do que para a criança. Esta assertiva encontra sustentação, quando pensamos que no Brasil, foi somente, a partir da Constituição Federal de 1988, e com a regulamentação, do (ECA) Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei nº. 8069 de 13 de Julho de 1990, que a criança passou a ser entendida como um humano e/ou sujeito de direitos à vida. No tange à revisão da legislação realizada na presente pesquisa, notou-se que, a partir do lançamento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990), que houve inovações significantes naárea das políticas públicas destinada a este segmento. E assim, tanto a infância quanto a juventude passaram a ser prioridades nos documentos reguladores dos governantes. Esse fato trouxe, igualmente, mudanças importantes nas condições e situações das famílias, da sociedade e do Estado. No levantamento da literatura especializada e de sua legislação no campo estudado neste trabalho, ficou constatado que o Assistente Social transita nos múltiplos setores e áreas de atuação do Serviço Social e da Saúde. E nesses dois terrenos, o mesmo assume papel relevante na implementação das políticas públicas do Estado. Este fato demonstra que o trabalho do AS, vai além do mero atendimento de pessoas e atravessa as organizações públicas e privadas na sociedade. Nas referidas áreas, o AS age sintonizado diretamente com as questões da saúde pública infantil que constitui o objeto de reflexão da pesquisa realizada. Por esta razão, defende-se na conclusão deste trabalho monográfico, a necessidade de se compreender a função do AS, no campo saúde, enquanto uma estratégia e/ou alternativa sustentável de implantação de ações em favor do sujeito autista e sua família, em contextos em que o Serviço Social ainda não alcançou a sua consolidação enquanto profissão a favor dos direitos democráticos da pessoa, no que diz respeito ao atendimento e a sua inclusão efetiva nos programas de assistência social. Com base nos textos (acadêmicos e das leis brasileiras) examinados na presente pesquisa, ficou evidenciado que as autoridades governamentais e/ou gestores, nem sempre têm interesse de implementar uma Política Social destinada à implantação de infraestruturas e a preparação de recursos humanos para a assistência social à população. Este fato afeta o desenvolvimento das práticas do AS, o que, por sua vez, impede o acesso das famílias e suas crianças a seus direitos. Tendo em vista as questões, aqui levantadas, o presente trabalho é um ponto de partida para mais pesquisas no segmento aqui estudado. Considerando que o texto acadêmico não é um conhecimento pronto e acabado, espera-se que as suas lacunas sejam preenchidas com mais estudos nesta mesma direção. A pesquisa realizada possibilitou o entendimento de que há muito a ser feito. em prol dos direitos à saúde e a inclusão da população brasileira (em especifico no estado do Tocantins), acerca da efetivação de Políticas Sociais destinadas ao segmento da criança autista e da preparação do AS neste domínio. Assim deixamos como encaminhamento, para outras pesquisas, o estudo in locus do funcionamento do Serviço Social em contextos complexos, conforme o proposto neste trabalho e, igualmente, pesquisas de como AS, nesses mesmos contextos, implementam a inclusão da criança autista. REFERÊNCIAS BOCADO, Francielle Toscano; BRANCO, Patrícia Martins Castelo. Fundamentos, históricos, teóricos e metodológicos do serviço social I. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da Republica Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988. São Paulo: Fisico e contribuinte, 1988. BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente: Lei nº. 8.069, de 13 de junho de 1990. Diário oficial [da] Republica Federativa do Brasil, Brasília, 16 de julho, 1990. BRASIL, Lei 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Dispõe sobre a organização da assistência Social e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 8 dez. 1993. P.18769. 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