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PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 1 APRESENTAÇÃO Caro Aluno, Você está recebendo um material inovador, designer ousado, elaborado para fornecer subsídios que o auxiliem a completar seus estudos. Neste volume, encontrará os assuntos correspondentes a Português 3ª Série do Ensino Médio. Os conteúdos selecionados permitem que você desenvolva competências que o conduzam a: ? Ser capaz de continuar aprendendo; ? Preparar-se para o trabalho; ? Desenvolver o senso crítico e estético; ? Inferir a teoria a partir da prática. Abra, leia, aproveite e vença todos os obstáculos, pois o sucesso vai depender de seu esforço pessoal, logo: • Você precisa ler todo material de ensino; • Você deve realizar todas as atividades propostas • Você precisa organiza-se para estudar. Nesse contexto, Göethe recomenda: “Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você pode começar. A coragem contém em si mesma o poder, o gênio e a magia”. Bom Estudo! Equipe do Polivalente COLÉGIO INTEGRADO POLIVALENTE “Qualidade na Arte de Ensinar” PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 2 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO ............................................................................................. 1 SUMÁRIO ....................................................................................................... 2 INTRODUÇÃO................................................................................................. 7 PORTUGUÊS ................................................................................................... 8 REALISMO...................................................................................................... 9 CARACTERISTICAS DO REALISMO................................................................................................. 9 EXERCÍCIOS ............................................................................................................................. 9 NATURALISMO............................................................................................. 10 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 10 TESTE ..................................................................................................................................... 11 GRAMÁTICA ................................................................................................. 12 FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO......................................................................... 12 FRASE ......................................................................................................................................... 12 ORAÇÃO ...................................................................................................................................... 13 PERÍODO..................................................................................................................................... 13 ANÁLISE SINTÁTICA DA ORAÇÃO................................................................................................ 13 TERMOS ESSENCIAIS ................................................................................... 13 SUJEITO...................................................................................................................................... 13 SUJEITO AGENTE E PACIENTE..................................................................................................... 14 PREDICADO................................................................................................................................. 14 TERMOS INTEGRANTES ................................................................................ 15 (TERMOS ASSOCIADOS AO NOME ................................................................ 15 E AO VERBO)................................................................................................ 15 OBJETO DIRETO .......................................................................................................................... 15 OBJETO INDIRETO ...................................................................................................................... 15 COMPLEMENTO NOMINAL ........................................................................................................... 15 AGENTA DA PASSIVA .................................................................................................................. 16 TERMOS ACESSÓRIOS.................................................................................. 16 ADJUNTO ADNOMINAL................................................................................................................ 16 ADJUNTO ADVERBIAL ................................................................................................................. 16 APOSTO....................................................................................................................................... 16 VOCATIVO................................................................................................................................... 16 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 16 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO.................................................................................................... 19 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO.................................................................................................... 19 PARNASIANISMO......................................................................................... 20 CARACTERÍSTICAS DO PARNASIANISMO.................................................................................... 20 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 20 SIMBOLISMO ............................................................................................... 21 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 22 TESTE ..................................................................................................................................... 23 GRAMÁTICA ................................................................................................. 24 IDENTIFICAÇÃO DO PERIODO SIMPLES E COMPOSTO ................................. 24 ORAÇÕES COORDENADAS ............................................................................ 24 ORAÇÕES COORDENADAS ASSINDÉTICAS................................................................................... 24 ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS....................................................................................... 24 COLÉGIO INTEGRADO POLIVALENTE “Qualidade na Arte de Ensinar” PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 3 ORAÇÃO SUBORDINADAS ............................................................................ 25 ORAÇÃO SUBORDINADA E ORAÇÃO PRINCIPAL.......................................................................... 25 ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS..................................................................................... 25 ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS ....................................................................................... 26 ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS ................................................................................26 QUADRO RESUMO ....................................................................................................................... 27 ORAÇÕES REDUZIDAS................................................................................................................. 27 ORAÇÃO REDUZIDAS DE INFINITIVO.......................................................................................... 28 ORAÇÕES REDUZIDAS DE GERÚNDIO.......................................................................................... 28 ORAÇÕES REDUZIDAS DE PARTICIPIO........................................................................................ 28 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 28 PRÉ-MODERNISMO....................................................................................... 30 MOMENTO HISTÓRICO ................................................................................................................ 30 CARACTERÍSTICAS...................................................................................................................... 31 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 31 LIMA BARRETO............................................................................................................................ 32 OBRAS......................................................................................................................................... 32 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 33 EUCLIDES DA CUNHA .................................................................................................................. 34 OBRAS......................................................................................................................................... 35 TEXTO: O HOMEM ................................................................................................................... 35 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 35 MONTEIRO LOBATO..................................................................................................................... 36 OBRAS......................................................................................................................................... 36 TEXTO: JECA TATU.................................................................................................................. 37 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 37 AUGUSTO DOS ANJOS ................................................................................................................. 38 OBRAS......................................................................................................................................... 38 TEXTO: PSICOLOGIA DE UM VENCIDO .................................................................................... 39 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 39 GRAÇA ARANHA .......................................................................................................................... 40 OBRAS......................................................................................................................................... 40 TEXTO: CANAÃ........................................................................................................................ 40 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 41 GRAMATICA: ORDEM DAS PALAVRAS NA FRASE .......................................... 43 CASOS ESPECIAIS DE COLOCAÇÃO.............................................................................................. 43 GRAFIA E EMPREGO DOS PORQUÊS ............................................................. 43 SINTAXE DE CONCORDÂNCIA ...................................................................... 43 CONCORDÂNCIA NOMINAL .......................................................................... 43 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 45 CONCORDÂNCIA VERBAL ............................................................................. 46 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 48 MODERNISMO .............................................................................................. 50 CONTEXTO HISTÓRICO ............................................................................................................... 50 MODERNISMO BRASILEIRO......................................................................................................... 50 A SEMANA DA ARTE MODERNA.................................................................................................... 50 FASES DO MODERNISMO BRASILEIRO ........................................................................................ 52 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 53 TESTE ..................................................................................................................................... 53 GRAMATICA: COLOCAÇÃO DOS PRONOMES OBLIQUOS ÁTONOS.................. 55 PRÓCLISE.................................................................................................................................... 55 MESÓCLISE ................................................................................................................................. 56 ÊNCLISE...................................................................................................................................... 56 PRONOME OBLÍQUO ÁTONO........................................................................................................ 56 PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 4 NAS LOCUÇÕES VERBAIS ............................................................................................................ 56 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 56 TEXTO: TEM GENTE QUE NÃO ESTÁ BRINCANDO......................................................................... 58 COMPREENSÃO DO TEXTO........................................................................................................... 58 PEQUENA REVISÃO DE ORTOGRAFIA...................................................................................... 59 MODERNISMO 1ª FASE................................................................................. 60 MOMENTO HISTÓRIO .................................................................................................................. 60 CARACTERISTICAS...................................................................................................................... 61 GERAÇÃO DE 1922 - 1930 ........................................................................................................... 61 GERAÇÃO DE 1930 - 1945 ........................................................................................................... 61 AS CORRENTES MODERNISTAS ................................................................................................... 62 MÁRIO DEANDRADE ................................................................................................................... 63 OBRAS......................................................................................................................................... 64 TEXTO: MACUNAÍMA............................................................................................................... 64 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 64 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 65 OSWALD DE ANDRADE ................................................................................................................ 66 OBRAS......................................................................................................................................... 66 TEXTO: MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE JOÃO MIRAMAR.............................................................. 66 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 67 MANUEL BANDEIRA..................................................................................................................... 68 OBRAS......................................................................................................................................... 69 TEXTO: A ESTRELA.................................................................................................................. 69 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 69 TEXTO: NOVA POÉTICA .............................................................................................................. 70 CASSIANO RICARDO LEITE ......................................................................................................... 71 OBRAS......................................................................................................................................... 71 TEXTO: LADAINHA I.................................................................................................................... 72 EXERCÍCIO ............................................................................................................................. 72 ANTONIO CASTILHO DE ALMEIDA MACHADO.............................................................................. 72 OBRA........................................................................................................................................... 72 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 72 GRAMÁTICA: ................................................................................................ 73 REGENCIA NOMINAL E VERBAL.................................................................... 73 REGENCIA NOMINAL ................................................................................................................... 73 REGENCIA VERBAL...................................................................................................................... 74 REGENCIA DE ALGUNS VERBOS................................................................................................... 74 EXERCÍCIO ............................................................................................................................. 75 TEXTO: CONVERSA DE BOTEQUIM .......................................................................................... 77 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 77 MODERNISMO – 2ª FASE.............................................................................. 78 MOMENTO HISTÓRICO ................................................................................................................ 78 AS TRANSFORMAÇÕES DO PERÍODO GETULISTA......................................................................... 78 A LITERATURA DA 2ª FASE .......................................................................... 78 POESIA ....................................................................................................................................... 78 PROSA......................................................................................................................................... 79 EXERCICIOS ........................................................................................................................... 79 GRACILIANO RAMOS................................................................................................................... 80 OBRAS......................................................................................................................................... 80 TEXTO: SÃO BERNARDO.......................................................................................................... 80 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 80 TEXTO: VIDAS SECAS ............................................................................................................. 81 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 82 JOSÉ LINS DO REGO.................................................................................................................... 82 PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 5 OBRAS......................................................................................................................................... 83 TEXTO: MENINO DE ENGENHO................................................................................................ 83 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 83 JORGE AMADO............................................................................................................................ 84 OBRAS......................................................................................................................................... 84 TEXTO: CAPITÃES DE AREIA................................................................................................... 85 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 85 ÉRICO VERÍSSIMO ...................................................................................................................... 86 OBRAS......................................................................................................................................... 86 TEXTO: O TEMPO E O VENTO................................................................................................... 86 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 87 RACHEL DE QUEIROZ .................................................................................................................. 88 OBRAS......................................................................................................................................... 88 TEXTO: O QUINZE................................................................................................................... 89 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 90 CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE .............................................................................................90 OBRAS......................................................................................................................................... 91 TEXTO: POEMA DE SETE FACES............................................................................................... 92 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 92 MURILO MONTEIRO MENDES ...................................................................................................... 93 OBRAS.................................................................................................................................... 93 EXERCÍCIO ............................................................................................................................. 93 JORGE MATEUS DE LIMA ............................................................................................................. 94 OBRAS......................................................................................................................................... 94 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................... 94 MARCUS VINICIUS DE MORAES................................................................................................... 95 OBRAS......................................................................................................................................... 96 TEXTO: SONETO DO MAIOR AMOR.......................................................................................... 96 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 97 CECILIA MEIRELES...................................................................................................................... 98 OBRAS......................................................................................................................................... 98 TEXTO: MOTIVO...................................................................................................................... 98 TEXTO: RETRATO.................................................................................................................... 99 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 99 TEXTO: A DOCE CANÇÃO......................................................................................................... 99 COMPREENSÃO DO TEXTO ...................................................................................................... 99 TESTE ................................................................................................................................... 100 PÓS-MODERNISMO .................................................................................... 102 CONTEXTO HISTÓRICO ............................................................................................................. 102 DA QUEDA DE GETÚLIO AOS ANOS DE JK (1945-1956)............................................................. 102 OS ANOS JK (1956-1960) ......................................................................................................... 102 JÂNIO, JANGO E A DITADURA (1961-1964) .............................................................................. 102 OS ANOS DE AUTORITARISMO (1964-1984)............................................................................. 102 A PRODUÇÃO LITERARIA DA TERCEIRA FASE OU PÓS-MODERNISMO........ 102 CARACTERISTICAS.................................................................................................................... 103 PROSA....................................................................................................................................... 103 POESIA ..................................................................................................................................... 103 TEATRO..................................................................................................................................... 103 CRÔNICA................................................................................................................................... 104 EXERCÍCIOS ......................................................................................................................... 104 CLARICE LISPECTOS ................................................................................................................. 105 OBRAS....................................................................................................................................... 105 PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 6 EXERCÍCIOS ......................................................................................................................... 105 TEXTO: HISTÓRIA DE COISA ................................................................................................ 107 COMPREENSÃO DO TEXTO .................................................................................................... 108 TEXTO: TENTAÇÃO................................................................................................................ 108 COMPREENSÃO DO TEXTO .................................................................................................... 109 GUIMARÃES ROSA..................................................................................................................... 109 OBRAS....................................................................................................................................... 110 TEXTO: GRANDE SERTÃO: VEREDAS ..................................................................................... 110 COMPREENSÃO DO TEXTO .................................................................................................... 111 JOÃO CABRAL DE MELO NETO ................................................................................................... 112 OBRA......................................................................................................................................... 113 TEXTO: TECENDO A MANHÃ .................................................................................................. 113 EXERCÍCIOS ......................................................................................................................... 113 DO CONCRETISMO AOS POETAS DA INTERNET .......................................... 114 CONCRETISMO .......................................................................................................................... 116 NEOCONCRETISMO (POESIA SOCIAL)....................................................................................... 117 POESIA-PRÁXIS ........................................................................................................................ 117 POEMA-PROCESSO .................................................................................................................... 118 POESIA MARGINAL DOS ANOS 70 ............................................................................................. 118 BONS POETAS, COM OU SEM RÓTULOS...................................................................................... 118 POETAS DA INTERNET –............................................................................................................ 118 A POESIA VIRTUAL “MARGINAL” .............................................................................................. 118 (IN)VERDADES......................................................................................................................... 119 EXERCÍCIOS .........................................................................................................................119 TEXTO: SOBRE O SENTAR-/ESTAR NO MUNDO ..................................................................... 121 PÓS-MODERNISMO: ................................................................................... 122 TRADIÇÃO E RENOVAÇÃO .......................................................................... 122 A PROSA BRASILEIRA NA VIRADA DO SÉCULO ......................................................................... 122 O PANORAMA POLÍTICO BRASILEIRO....................................................................................... 122 O PÓS-MODERNISMO E A PROSA BRASILEIRA: DOS ANOS 60 AO FINAL DO SÉCULO...................................................................................................... 123 AS VERTENTES PÓS-MODERNAS E AS TRADICIONAIS............................................................... 123 EXERCÍCIO ........................................................................................................................... 124 A PRODUÇÃO LITERARIA NO BRASIL – PRINCIPAIS AUTORES E OBRAS.... 125 QUINHENTISMO........................................................................................................................ 125 BARROCO.................................................................................................................................. 125 ARCADISMO .............................................................................................................................. 126 ROMANTISMO - POESIA ............................................................................................................ 126 ROMANTISMO – PROSA............................................................................................................. 126 ROMANTISMO - TEATRO............................................................................................................ 126 REALISMO................................................................................................................................. 126 NATURALISMO .......................................................................................................................... 127 PARNASIANISMO...................................................................................................................... 127 SIMBOLISMO ............................................................................................................................ 127 PRÉ-MODERNISMO.................................................................................................................... 127 MODERNISMO – 1ª FASE........................................................................................................... 127 MODERNISMO – 2ª FASE: POESIA............................................................................................. 128 MODERNISMO 2ª FASE: PROSA................................................................................................. 128 PÓS-MODERNISMO ................................................................................................................... 128 PRODUÇÕES CONTEMPORÂNEAS............................................................................................... 129 PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 7 INTRODUÇÃO Você esta recebendo o módulo de Português relativo ao Ensino Médio. Você terá contato com teorias importantes que vão proporcionar um desempenho eficiente durante o seu Curso. Este material didático foi produzido pela Equipe do Colégio Polivalente, como uma contribuição que orientará a Educação de Jovens e Adultos, terceiro segmento, constituídos de 1ª, 2ª e 3ª séries do Ensino Médio. Nossa linha de trabalho abre um caminho atraente e seguro pelas seqüências das atividades – leitura, interpretação, reflexão – e por fazer com que o aluno aprenda aliando a teoria à pratica. Nessa busca temos aprendido que desenvolvemos competências quando vamos além daquilo que é esperado de um aluno, quando fazemos, mais do que apenas cumprir com o nosso dever. Foi assim que nos tornamos pioneiros com iniciativas como a “Educação a Distância”, alternativa que aparece como solução para aqueles que buscam conhecimento acadêmico, não tiveram acesso à educação na época certa, e têm pouca disponibilidade de tempo. Para viabilizar iniciativas como essa não bastou uma decisão do Polivalente. Contamos com a colaboração de muitos profissionais, trazendo informações, visões, experiências, tecnologias, todos com o objetivo em comum: a coragem de mudar na busca de um ensino de qualidade. A coordenação e Tutores/Professores irá acompanhá-lo em todo o seu percurso de estudo, onde as suas dúvidas serão sanadas, bastando para isso acessar o nosso site: www.colegiopolivalente.com.br. Equipe Polivalente COLÉGIO INTEGRADO POLIVALENTE “Qualidade na Arte de Ensinar” PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 8 PORTUGUÊS No mundo em que vivemos, a linguagem perpassa cada uma de nossas atividades, individuais e coletivas. Verbais ou não verbais, as linguagens se cruzam, se completam e se modificam incessantemente, acompanhando o movimento de transformação do ser humano e suas formas de organização social. É por meio da linguagem que interagimos com outras pessoas, próximas ou distantes, informando, esclarecendo e defendendo nosso ponto de vista. É pela linguagem que é expressa toda forma de opinião, de informação e de ideologia. Também é por meio da linguagem que o homem tem se expressado, no transcorrer da História, registrando o resultado de suas idéias, emoções e inquietações. Neste módulo continuamos a passear pela literatura. Ler e estudar Literatura é compreender nossa condição essencialmente humana; é compreender que somos apenas homens, que sentem, sonham, amam, sofrem e buscam ser felizes. Faremos uma pequena revisão das escolas vistas no modulo II, dando suporte para as próximas etapas de estudo – Modernismo, Pós-Modernismo e Contemporânea - esperando que seja um meio agradável, dinâmico e enriquecedor de conhecer o mundo da literatura e da cultura da qual você faz parte. COLÉGIO INTEGRADO POLIVALENTE “Qualidade na Arte de Ensinar” PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 9 REALISMO Na segunda metade do século XIX começa a acontecer uma reação aos ideais românticos que dominavam as letras e as artes nesse período. Isso porque estavam ocorrendo profundas transformações na sociedade européia, que exigiam uma nova postura diante da realidade. A Europa estava vivendo a segunda fase da Revolução Industrial, ao mesmo tempo que se desenvolvia e propagava o pensamento cientifico e as doutrinas filosóficas e sociais: • O pensamento dialético de Hegel (tese, antítese e síntese). • O positivismo de Augusto Comte. • O socialismo cientifico de Marx e Engels. • O evolucionismo de Darwin. Publica-se, na França, em 1857, a obra “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert, que é considerado o primeiro romance realista da literatura universal Em 1867, Émile Zola lança “Thérèse Raquin”, obra que inaugura o romance naturalista. Nessa época, Ernest Renan publica os vários volumes que formam “As origens do Cristianismo”, tem que Cristo e a história do Cristianismo são analisadas sem o caráter divino, místico. CARACTERISTICAS DO REALISMO • Objetivismo - Aparece como negação do subjetivismoromântico e nos mostra o homem voltado para aquilo que esta diante e fora dele: o não – eu. • Universalismo, em lugar do personalismo. • Preocupação com o presente e com o contemporâneo, contrapondo ao nacionalismo e à volta ao passado. Os autores realistas são adeptos do determinismo e, segundo eles, a obra de arte seria determinada pelo bem, influenciados pelo avanço das ciências daí se falar em cientificismo nas obras desse período. Outra características dos autores desse período: eles eram antimonárquicos e defendiam abertamente o ideal republicano, eram anticlericais. Realismo é denominação genérica de uma escola literária que abrange as tendências realistas, naturalistas e a poesia parnasiana. A tendência realista, presente na obra de Machado de Assis, engloba narrativas voltadas para a análise psicológica e crítica à sociedade, através de personagens capitalistas. O romance realista é documental, retrato de uma época. Além de suas “Memórias Póstumas...” pertencem também a Machado de Assis as obras Quinca Borba/ Dom Casmurro? Esaú e Jacó/Memorial de Aires. EXERCÍCIOS 1. Vamos testar nosso conhecimento resolvendo a cruzadinha. a R b E c A d L e I f S g M h O a) Iniciada no século XVIII a Revolução _________ entra em uma nova fase, caracterizada pela utilização do aço, do petróleo e da eletricidade. b) Característica realista em oposição ao subjetivismo romântico. c) “Madame ___________”, de Gustave Flaubert, primeiro romance realista da literatura universal. d) Característica realista que substitui o personalismo. e) ___________ Zola inaugurou o romance realista em 1867. f) Doutrina filosófica de Augusto Comte. g) Autor de “O Ateneu”. h) Autor de “O Cortiço”. 02. (FEI-SP) Uma literatura que se preocupa com os aspectos sociológicos da obra e faz um romance de tese documental, e outra faz um romance de tese experimental. Aponte respectivamente, o nome dessas estéticas. ______________________________________ ______________________________________ 03. (CEFET-MG) “O _____________ se tingirá de ________________, no romance e no conto, sempre que fizer personagens e enredos se submeterem ao destino cego das “leis naturais” que a ciência da época julgava ter codificado; ou se dirá ________________ na poesia, à medida que se esgotar no lavor do verso tecnicamente perfeito”. No texto acima, preencham-se as lacunas, respectivamente, com: a) Realismo / Naturalismo / Parnasianismo. b) Romantismo / Naturalismo / Parnasianismo. c) Realismo / Naturalismo / Simbolismo. d) Romantismo / Modernismo / Parnasianismo. e) Romantismo / Modernismo / Simbolismo. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 10 04. (PUC-RS) Em relação a Machado de Assis, é possível afirmar que o autor: a) Caracteriza-se por produzir obras exclusivamente realistas. b) Em “Quincas Borba” analisa a desagregação psicológica e financeira de Rubião. c) Utiliza a terceira pessoa do singular como foco narrativo em “Dom Casmurro”. d) Propõe enredo, ação e tempo da narrativa em seqüência linear. e) Evita o emprego, cão e tempo da narrativa em seqüência linear. 05. (F.C. Chagas-SP) Mesmo retratando objetivamente a vida, o Realismo dá-lhe sentido, interpreta-ª O romancista acumula fatos, a fim de documentar a realidade sobre a qual escreve, e a própria seleção que empreende tem por objetivo conferir o encadeamento lógico entre um fato e outro. Assim, podemos concluir que, no romance realista: a) Há tendência do predomínio da narração sobre a descrição. b) Há tendência do predomínio da descrição sobre a narração. c) O autor interfere a todo instante para explicar o significado do que narrou. d) A descrição é amplamente usada, a fim de conferir à narração um caráter sempre mais verossímil. e) A narração está reduzida a limites mínimos. NATURALISMO A tendência naturalista é marcada pela vigorosa análise social a partir de grupos humanos marginalizados, valorizando-se traves dos quais se enfatiza a natureza animal do homem, o qual deixa- se levar por seus instintos naturais. Obras: “O Mulato”, “O Cortiço”, “Casa de Pensão” (Aluísio Azevedo); “O Ateneu” (Raul Pompéia). Observe um fragmento do capítulo III da obra “O Cortiço”, de Aluisio Azevedo. “Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu, de uma assentada, sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência? de neblina as derradeiras notas da última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudades perdido em terra alheia. A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, umedecia o ar e punha-lhe um farto acre de sabão ordinário. As pedras do chão, esbranquiçadas no lugar da lavagem e em alguns pontos azuladas pelo anil, mostravam uma palidez, grisalha? e triste, feita de acumulações de espumas secas. Entretanto, das portas surgiram cabeças congestionadas de sono; ouviram-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas, pigarreava-se grosso por toda a parte; começavam as xícaras a tilintar; o cheiro quente do café aquecia, suplantando todos os outros; trocavam-se de janelas as primeiras palavras, os bons-dias; reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pequenada cá fora traquinava já, e lá dentro das casas vinham choros abafados de crianças que ainda não andam. No confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes que altercavam,? sem se saber onde, grasnar de marrecos, cantar de galos, cacarejar de galinhas. De alguns quartos saíam mulheres que vinham pendurar cá fora, na parede, a gaiola, espanejando- se à luz nova do dia”. EXERCÍCIOS 1. Responda as questões abaixo: Os itens seguintes identificam características naturalistas da obra Aluisio Azevedo. Localize e reescreva as frases em que tais características podem ser observadas: a) O romance funciona como um documento da realidade social. ______________________________________ ______________________________________ b) Preferência por tipos rudes e vulgares. ______________________________________ ______________________________________ c) Escolha de cenários rústicos. ______________________________________ ______________________________________ ______________________________________ ? indolência – insensibilidade; apatia; negligencia; desânimo. ? grisalha – cinzento; pardo; ruço ou arruçado (cabelo, barba). ? altercar – disputar; debater acaloradamente; discutir com ardor. Nas situações em que eu não souber o que fazer, pararei para ouvir a orientação de Deus. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 11 2. O lugar onde se passam os acontecimentos é um dado fundamental nessa obra, atuando como se fosse algo muito poderoso, governando a vida daqueles que ali habitam. Os elementos que confirmam essa firmação são: a) A abertura de portas e janelas; as pessoas ao redor das bicas; o barulho das portas das latrinas b) A hora; despertador do cortiço; a roupa lavada. c) Cabeças congestionadas de sono; amplos bocejos; o cheiro do café. d) Muitas conversas, crianças brincando; barulho de risos e vozes.e) Barulho de portas sendo abertas; crianças brincando; barulho de conversas. 03. Esse fragmento apresenta-se bastante dinâmico sem, no entanto, possuir muita ação. De onde provém esse dinamismo? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 4. Podemos dizer que esse trecho do romance é bastante significativo, em relação às características do naturalismo porque: a) Detém-se na análise psicológica dos personagens. b) Reconstitui uma sociedade provinciana. c) Apresenta os indivíduos de uma maneira alienadora. d) É rico em informações sobre o cortiço e as pessoas que o habitam. e) Desvenda-se a contribuição do meio para o romance brasileiro. TESTE 01. (FEI) No romance, considerado, em 1881, como o marco inicial do Naturalismo no Brasil, o autor procura fazer uma critica severa ao clero na figura do cônego Diogo; critica, também, a mentalidade atrasada, provinciana e preconceituosa dos habitantes de São Luis do Maranhão. O romance referido e seu autor são respectivamente: a) “O Mulato” – Aluisio Azevedo. b) “Memórias Póstumas de Brás Cubas” – Machado de Assis. c) “O cortiço” – Aluisio de Azevedo. d) “O Crime do Padre Amaro” – Eça de Queiroz. e) “O Missionário” – Inglês de Sousa. 02. (FEI) – “O rumor crescia, condensando-se; o zunzun de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se? discussões e rezingas?; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava. Gritava-se Sentia-se naquela fermentação sangüínea, naquela guia viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente satisfação de respirar sobre a terra”. O fragmento acima mostra características de que escola literária? a) Arcadismo b) Romantismo c) Naturalismo d) Simbolismo e) Modernismo 03. (USF-SP) Pode-se entender o Naturalismo como uma particularização do Realismo que: a) Se volta para a Natureza a fim de analisar-lhe os processos cíclicos de renovação. b) Pretende expressar com naturalidade a vida simples dos homens rústicos nas comunidades primitivas. c) Defende a arte pela arte, isto é, desvinculada de compromissos com a realidade social. d) Analisa as perversões sexuais, condenando-as em nome da moral religiosa. e) Estabelece um nexo de causa e efeito entre alguns fatores sociológicos e a conduta dos personagens. 04. (FUVEST-SP) “E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, a multiplicar-se como larvas no esterco”. O fragmento de O cortiço, romance de Aluisio Azevedo, apresenta uma características fundamental do Naturalismo. Qual? a) Uma compreensão psicológica do Homem. b) Uma compreensão biológica do Mundo. c) Uma concepção idealista do Universo. d) Uma concepção religiosa da vida. e) Uma visão sentimental da natureza. 05. (UFPA) Os personagens realistas/naturalistas têm seus destinos marcados pelo determinismo, identifica-se esse determinismo: a) Pela preocupação dos autores em criar personagens sem defeitos físicos ou morais. b) Pelas forças atávicas e/ou sociais que condicionam a conduta dessas criaturas. ? ensarilhar – dobrar em sarrilho; formar sarilho com; emaranhar; enredar; andar sem descanso de um lado para outro. ? rezingar – resmungar; altercar; recalcitrar; disputar; murmurar. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 12 c) Por ser fruto, especialmente, da imaginação e da fantasia dos autores. d) Por se notar a preocupação dos autores de voltarem para o passado ou para o futuro ao criarem seus personagens. e) Por representarem a tentativa dos autores nacionais de reabilitar uma faculdade perdida do homem: o senso de mistério. 06. (UFRS) No romance “O Cortiço< de Aluisio Azevedo, a sintonia com os ideais naturalistas é acentuada pela seguinte característica básica da história: a) O personagem sobrepõe-se ao ambiente. b) O coletivo sobrepõe-se ao individual. c) O psicológico sobrepõe-se ao social. d) O trabalho sobrepõe-se ao capital. e) A força sobrepõe-se à razão. 07. (CESGRANRIO-RJ) No enunciado “com exceção do escalão mais alto dos analistas”, a forma com exceção de pode ser substituída sem alteração fundamental de sentido, por: a) até b) inclusive c) menos d) não constante e) apesar de 08. (CESGRANRIO-RJ) Assinale o período em que ocorre a mesma relação significativa indicada pelos termos destacados em: “A atividade cientifica é tão natural quanto qualquer outra atividade econômica”: a) Ele era tão aplicado, que em pouco tempo foi promovido. b) Quanto mais estuda, menos aprende. c) Tenho tudo quanto quero. d) Sabia a lição tão bem como eu. e) Todos estavam exaustos, tanto que se recolheram logo. (F.C. CHAGAS-PR) As questões de 09 a 12 apresentam um período que você deve modificar, iniciando-o conforme se sugere, mas sem alterar a idéia contida no primeiro. Como resultado, outras partes da frase sofrerão alterações. Assinale a alternativa que contém o exemplo adequado ao novo período. 09. Como não gostava de revelar seus sentimentos, passava frequentemente por antipático. Comece com: Passava... a) conquanto b) à medida. c) Embora. d) uma vez que e) conforme _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 10. A audiência fora marcada, mas o secretário não quis receber os professores. Comece com: O secretário... a) por seguinte, marcou-se. b) mesmo tendo sido marcada. c) então marcaram. d) por isso foi marcada. e) contudo, marcariam. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 11. A ser verdadeira a sua história, nada mais poderá ser feito. Comece: Nada mais... a) caso b) porque c) conforme d) embora e) enquanto _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 12. Por mais que se esforçasse, não alcançava bons resultados. Comece com: Esforçava-se muito... a) para alcançar b) alcançando assim c) contudo não alcançava d) porque não alcançasse. e) até que alcançasse. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ GRAMÁTICA FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO FRASE Sempre que você usar uma palavra ou uma série de palavras suficiente para comunicar-se com alguém, você estará usando uma frase. Por isso, toda frase deve ter sentido completo. A frase pode ser breve ou longa. Eis alguns exemplos de frases breves: Socorro! Silêncio! Note: uma só palavra foi suficiente para que houvesse a comunicação. Todo mundo entende o que queremos quando pedimos: Socorro! Silêncio! E eu lhe garanto mais: todo mundo sabe o que fazer, quando gritamos: Fogo! Vejamos agora, exemplo de frase longa: O tempoestá nublado. Note: nesse caso o autor usou uma série de palavras para completar o pensamento, para dizer PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 13 tudo o que desejava uma palavra não seria suficiente para que houvesse a comunicação. Frase é, portanto a expressão verbal de um pensamento. ORAÇÃO Vejamos estes exemplos: A fanfarra desfilou na avenida. As festas juninas estão chegando Cada um desses exemplos representa uma oração. Isto porque cada um deles contém um verbo. É o verbo que caracteriza a oração. Por outras palavras: onde houver um verbo, haverá necessariamente uma oração. Cada um dos exemplos acima é, ao mesmo tempo, oração (porque cada um tem o seu sujeito e o seu predicado) e frase (porque cada um tem sentido completo). AS DIFERENÇAS ENTRE FRASES E ORAÇÃO • A frase precisa ter sentido completo. • Toda oração possui verbo • Nem toda frase apresenta verbo. Exemplos: O menino é bonito. (oração, porque há verbo). Que menino bonito! (frase, porque embora não haja verbo, o sentido está completo. Podemos concluir, agora, que frase pode ser oração, oração pode ser frase, mas nem toda frase é oração. PERÍODO Período é a frase estruturada em oração ou orações. Sempre termina por ponto, ponto final, ponto de exclamação, ponto de interrogação ou reticências. O período classifica-se em: SIMPLES Aquele constituído por uma só oração. Essa oração chama-se absoluta. Fui à livraria ontem. COMPOSTO Aquele constituído por mais de uma oração: Fui à livraria ontem e comprei vários livros. A maneira mais fácil e prática de saber quantas orações existem num período é contar os verbos: num período haverá tantas orações, quanto forem os verbos nele existentes. ANÁLISE SINTÁTICA DA ORAÇÃO Como se sabe, o período simples é constituído de uma oração, chamada absoluta. Em toda oração, há um ou vários termos Termos é uma unidade de função. Os termos da oração classificam-se em: essenciais, integrantes e acessórios. TERMOS ESSENCIAIS Os termos essenciais da oração são dois: sujeito e predicado. SUJEITO É o termo da oração do qual se faz uma declaração. Essa declaração pode ser de ação, de estado ou de qualidade. Exemplos: • Roberto come bastante (ação) • Amanda está preocupada. (estado) • O cachorro é peludo (qualidade) PREDICADO É o termo da oração que declara alguma coisa do sujeito. O predicado pode declarar uma ação, um estado ou uma qualidade do sujeito. Exemplos: • Bruno joga futebol. (ação) • A menina está alegre. (estado) • As flores são bonitas. (qualidade) SUJEITO O sujeito é constituído por um núcleo e por palavras secundárias. O núcleo (palavra mais importante) é sempre um substantivo ou um pronome e as palavras secundárias podem ser artigos, adjetivos, etc. O sujeito classifica-se em: SIMPLES É aquele que apresenta apenas um núcleo: • O garfo é um talher. COMPOSTO É aquele que apresenta dois ou mais núcleos • O garfo e a colher são talheres. DETERMINADO (CLARO OU OCULTO) Claro é aquele que vem expresso na oração: Eu fui ao cinema. Oculto é aquele que não vem expresso na oração, mas é facilmente determinado: (Nós) Estivemos em sua casa ontem. Obs.: o sujeito oculto também recebe os nomes de elíptico e fossilizado. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 14 INDETERMINADO É aquele que não está expresso na oração e não pode ou não se quer identificar. O sujeito indeterminado ocorre em dois casos: a) Com o verbo na terceira pessoa do plural. Ex.: Encontraram o seu automóvel naquela rua. b) Com o verbo na terceira pessoa do singular, acompanhado do pronome “se”. Ex.: Dançava-se muito no nosso tempo. Obs.: É preciso não confundir duas construções aparentemente iguais. O pronome “se” nem sempre funciona como indeterminador do sujeito; pode funcionar como partícula apassivadora ou pronome reflexivo. • Pronome “se” índice de indeterminação do sujeito O pronome “se” funciona como índice de indeterminação do sujeito junto a verbos intransitivos ou transitivos acompanhados de complemento preposicionado. Exemplos: ? Trabalha-se muito aqui Sujeito indeterminado - o verbo trabalhar é intransitivo. - o pronome “se” é índice de indeterminação do sujeito. ? Precisa-se de empregados. Sujeito indeterminado - o verbo precisar é transitivo indireto (observe a preposição de) - o pronome “se” é índice de indeterminação do sujeito. • Pronome “se” apassivador Quando o pronome “se” agrega-se a um verbo transitivo direto que não vêm seguido de preposição, pode ser analisado como partícula apassivadora. Para tirar qualquer dúvida, transporta-se o verbo para a voz passiva com o verbo ser (passiva analítica). Se essa transformação for possível, o pronome “se” deve-se ser analisado como partícula apassivadora e o sujeito estará sempre presente na oração. Suponhamos a seguinte oração: Comprou-se muita mercadoria. O verbo é transitivo direto e não vem seguido de preposição. É possível converter o verbo para a voz passiva analítica: foi comprada muita mercadoria. Teremos então a seguinte análise: Comprou- se muita mercadoria verbo transitivo direto na voz passiva sintética partícula apassivadora sujeito determinado ORAÇÃO SEM SUJEITO É aquele que apenas expressa um fato que não é atribuído a nenhum ser. A oração sem sujeito ocorre em três casos: 1º - Com o verbo haver no sentido de existir. Ex.: Houve poucas reprovações no curso de inglês. 2º - Com os verbos ser, estar e fazer quando indicam tempo. Ex.: Era uma manhã maravilhosa. 3º - Com os verbos anoitecer, chover, nevar, ventar e outros, que indicam fenômenos atmosféricos. Ex.: Ventava muito ontem à noite. Nessas orações não há sujeito. Constituem a enunciação pura e absoluta de um fato, através do predicado. São constituídas com esses verbos impessoais, na 3ª pessoa do singular. SUJEITO AGENTE E PACIENTE Agente é aquele que pratica a ação do verbo na voz ativa. Ex.: Nós fizemos o trabalho. Paciente é aquele que sofre a ação do verbo na voz passiva. Ex.: Os trabalhos foram feitos por nós. Obs.: Os pronomes indefinidos: alguém, ninguém, quando empregados como sujeito, são classificados normalmente como sujeito simples. Ex.: Ninguém viu a chave. PREDICADO A classificação do predicado baseia-se no tipo de verbo da frase. Alguns verbos indicam ação (cair, correr, dormir, escrever, falar, sentar); outros verbos indicam estado ou qualidade (ser, estar, ficar, parecer). Há três tipos de predicado: PREDICADO NOMINAL É aquele que se constitui de verbo de ligação (indicam estado ou qualidade) mais predicativo. Ex.: Nosso colega está doente. O núcleo do predicado nominal é o predicativo. Ex.: Nosso colega está doente. Predicativo é o termo que ajuda o verbo de ligação a comunicar estado ou qualidade do sujeito. Ex.: Aquela menina é triste. As crianças parecem felizes. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 15 PREDICADO VERBAL É aquele que se constitui de verbo intransitivo ou transitivo. Ex.: O helicóptero sobrevoou a praia. O núcleo do predicativo verbal é o verbo. Ex.: O helicóptero sobrevoou a praia.• VERBO INTRANSITIVO é aquele que não necessita de complemento verbal do tipo de objeto direto / indireto, normalmente, vem acompanhado de adjunto adverbial. Ex.: O passarinho voou alto. • VERBO TRANSITIVO é o que necessita de complemento. O verbo transitivo pode ser direto, indireto e direto e indireto. • TRANSITIVO DIRETO é o verbo que necessita de complemento sem auxilio de preposição: objeto direto. Ex.: Minha equipe venceu a partida. • TRANSITIVO INDIRETO é o verbo que necessita de complemento com auxilio de preposição: objeto indireto. Ex.: Ela precisa de um esparadrapo. • TRANSITIVO DIRETO E INDIRETO (BITRANSITIVO) é o verbo que necessita ao mesmo tempo de complemento sem auxilio de preposição e de complemento com auxilio de preposição: objeto direto e indireto. Ex.: Demos / uma simples colaboração // a vocês. objeto direto PREDICADO VERBO-NOMINAL Predicado verbo-nominal é aquele que se constitui de verbo intransitivo mais predicativo do sujeito ou de verbo transitivo mais predicativo do objeto. Ex.: Os rapazes voltaram vitoriosos. (vitoriosos = predicativo do sujeito) O predicado verbo-nominal apresenta dois núcleos: o verbo (intransitivo ou transitivo) e o predicativo (do sujeito ou do objeto). Ex.: Os ônibus saíram atrasados. • PREDICATIVO DO SUJEITO é o termo que, no predicado verbo-nominal, ajuda o verbo intransitivo a comunicar estado ou qualidade do sujeito. Ex.: Os atletas voltaram cansados. Os aviões chegaram atrasados. • PREDICATIVO DO OBJETO é o termo que, no predicado verbo-nominal, ajuda o verbo transitivo a comunicar estado ou qualidade do objeto direto ou indireto. Ex.: A agremiação nomeou Sérgio tesoureiro. O juiz tornou pública a sentença. TERMOS INTEGRANTES (TERMOS ASSOCIADOS AO NOME E AO VERBO) Chamam-se termos integrantes da oração os que completam a significação transitiva dos verbos e nomes. Integram (completam) o sentido da oração, sendo, por isso, indispensáveis à compreensão do enunciado. São os seguintes: • Complemento verbal (objeto direto e objeto indireto • Complemento nominal • Agente da Passiva OBJETO DIRETO É o que completa os verbos de predicação incompleta, não regido, normalmente, de preposição. Ex.: Papai comprou carne. Encontrei uma moeda. OBJETO INDIRETO É o complemento verbal regido de preposição. Representa, ordinariamente, o ser a que se destina ou se refere a ação verbal. Ex.: As crianças precisam de carinho. Não gosto de perfumes. COMPLEMENTO NOMINAL Completa um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), nem sempre com preposição, ligado a palavra que não têm sentido completo. Ex.: Ele é útil. A palavra útil, não diz tudo, porque não explica a quem ele é útil; precisa, então, de um complemento (que é o complemento nominal). Ex.: Ele é útil ao patrão. Ele é útil à sociedade. Outro exemplo: Se dissemos “Ficou satisfeito” não sabemos o que o deixou satisfeito. Para completar o sentido da f rase é preciso acrescentar uma outra palavra: Ex.: Ficou satisfeito com as notas. Ficou satisfeito com o aumento. As palavras que completam o sentido de “satisfeito” são o complemento nominal (completam o nome “satisfeito”). Ex.: Mostra respeito às leis. Tem amor pelas crianças. Presta obediência aos superiores. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 16 AGENTA DA PASSIVA Indica o ser que pratica a cão quando o verbo está na voz passiva. Ex.: Os mapas foram elaborados pelo guia. (a ação de elaborar os mapas foi praticada pelo guia). A refeição é preparada pela nutricionista. (a ação de preparar a refeição é praticada pela nutricionista). TERMOS ACESSÓRIOS Termos acessórios são os que desempenham na oração uma função secundária, qual seja a de limitar o sentido dos substantivos ou exprimir alguma circunstância. São três os termos acessórios da oração: adjunto adnominal; adjunto adverbial e aposto. ADJUNTO ADNOMINAL É o termo que vem junto (adjunto) do nome (adnominal). Para achar o adjunto adnominal determina-se primeiramente o núcleo (a palavra principal) de um conjunto de palavras. A palavra ou palavras que acompanharem o núcleo serão o adjunto ou adjuntos adnominais. Ex.: O meu amigo mandou-me um cartão interessante. O meu amigo • palavra principal ou núcleo = amigo; • palavras que acompanham o núcleo = o, meu (adjunto adnominais). Um cartão interessante • palavra principal ou núcleo = cartão; • palavra que acompanham o núcleo = um, interessante (adjuntos adnominais). Os adjuntos adnominais podem ser expressos: ? pelos adjetivos: água fresca; terra fértil ? pelos artigos: o mundo, as ruas. ? pelos pronomes adjetivos: nosso tio, este lugar, muitas coisas. ? pelos numerais: dois homens, quinto ano. ? pelas locuções ou expressões adjetivas introduzidas pela preposição de, e que exprimem qualidade, posse, origem, fim ou outra especificação: presente de rei (régio); qualidade: livro do mestre (indica a posse do livro). ADJUNTO ADVERBIAL É o advérbio ou expressão que funciona como um advérbio. Classifica-se em: • de afirmação: Realmente, está frio. • de negação: Não vou. • de dúvida: Talvez viaje à noite. • de tempo: Saiu cedo. Saiu às 3 horas. • de lugar: Mora longe. Fiquei aqui. • de modo: Escreve devagar. Lê bem. • de intensidade: Corre bastante. Estuda muito. • de companhia: Passeia com os pais. Trabalha com o amigo. APOSTO É uma palavra ou expressão que explica ou esclarece desenvolve ou resume outro termo da oração. Exemplos: O Amazonas, 444 3444 21 Amazonas) o é que o (explica caudaloso rio , atravessa grande região Conquistaram a lua, 4444 34444 21 lua) a é que o (explica terra da satelite . O autor do romance, 4444 34444 21 romance) doautor o foi quem (explica Assis de Machado , ficou famoso. VOCATIVO É um chamamento, pode referir-se a pessoas, animais, entidades sobrenaturais. Vocativo é um termo à parte. Não pertence à estrutura da oração, por isso, não se anexa nem ao sujeito nem ao predicado. Ex.:Não faça isso, menina. João, dê-me seu livro. Saia daí, Lulu. Deus, vinde em meu auxílio. EXERCÍCIOS 01. (Unimep-SP) Quando a oração não tem sujeito, o verbo, fica na terceira pessoa do singular. Esta afirmação pode ser comprovada em: a) Chegou o pacote de livros. b) Existe muita gente amedrontada. c) Ainda há criança sem escola. d) Não procede a acusação contra ele. e) É proibida a entrada. 02. (UM-SP) O sujeito é simples e determinado em: a) Há somente um candidato ao novo cargo, doutor? b) Vive-se bem ao ar livre. c) Na reunião de alunos, só havia pais. d) Que calor, filho! e) Viam-se eleitores indecisos durante a pesquisa. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 17 03. “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retumbante...” O sujeito desta afirmação com que se inicia o Hino Nacional é: a) indeterminado b) “Um povo heróico” c) “as margens plácidas” d) “do Ipiranga” e) “o brado retumbante” 04. Assinale a oração cujo sujeito não é indeterminado. a) Soa um toque áspero de trompa. b) Falou-se de tudo na reunião c) Precisa-se de carpinteiro. d) Batem à porta. e) nda 05. (UEPG-PR) Sónum caso a oração é sem sujeito. Assinale-o a) Faltavam três dias para o batismo b) Houve por improcedente à reclamação do aluno c) Só me resta uma esperança. d) Havia tempo suficiente para as comemorações. e) nda 06. Assinale a alternativa em que ocorre sujeito composto: a) Deus, Deus, que farei? b) Os livros contemplei, os quadros e as outras obras. c) Nós, os homens do futuro, venceremos. d) Foram João e Maria. e) Ontem foi João e José, hoje. 07. “Que há entre a vida e a morte”? a) O sujeito do verbo haver é o pronome interrogativo que. b) Tem-se uma oração sem sujeito. c) Sujeito indeterminado d) O sujeito está oculto. e) O sujeito é “uma certa ponte”. 08. (Omec-SP) Assinale a frase em que há sujeito indeterminado. a) Compram-se jornais velhos. b) Confia-se em suas palavras. c) Chama-se José o sacerdote. d) Choveu muito. e) É noite. 09. Assinale a análise correta do termo grifado: A terra era povoada de selvagens. a) objeto direto b) objeto indireto c) agente da passiva d) complemento nominal e) adjunto adverbial. 10. (UM-SP) “E quando o brotinho lhe telefonou dias depois, comunicando que estudava o modernismo, e dentro do modernismo sua obra, para o que o professor lhe sugerira contato pessoal com o autor, ficou assanhadíssimo e paternal ao mesmo tempo” Os verbos destacados são, respectivamente. a) transitivo direto, transitivo indireto, de ligação, transitivo direto e indireto. b) transitivo direto e indireto, transitivo direto, transitivo indireto, de ligação c) transitivo indireto, transitivo direto e indireto, transitivo direto, de ligação d) transitivo indireto, transitivo direto, transitivo direto e indireto, de ligação. e) transitivo indireto, transitivo direto e indireto, de ligação, transitivo direto. 11. Em “E quer que ela evoque a eloqüência da boca de sombra...”, o termo eloqüência funciona como: a) sujeito b) objeto direto c) objeto indireto d) aposto e) vocativo 12. Na oração “O timbre da vogal, o ritmo da frase dão alma à elocução”, o trecho grifado é: a) adjunto adverbial b) objeto indireto c) objeto direto d) sujeito e) nda 13. “Angélica, animada por tantas pessoas, tomou- lhe o pulso e achou-o febril”. Febril, sintaticamente é: a) objeto direto b) complemento nominal c) predicativo do objeto direto d) predicativo do sujeito e) adjunto adverbial 14. (FGV-RJ) Assinale a análise correta do termo destacado: “Ao fundo, as pedrinhas claras pareciam tesouros abandonados”. a) predicativo do sujeito b) adjunto adnominal c) objeto direto d) complemento nominal e) predicativo do objeto direto 15. (F. Araraquara-SP) O professor entrou apressado. O destaque indica: a) predicado nominal b) predicado verbo-nominal c) predicado verbal d) adjunto adverbial e) nda Desvenda os meus olhos Senhor, para que eu contemple as maravilhas da tua lei. Salmo 119:18 PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 18 16. Assinale a alternativa que não apresentam complemento nominal. a) Tão indolente era, que se tornou homem vazio de idéias. b) Ficou esperançoso na vitória da bondade sobre a maldade. c) A resposta do profeta feriu o sentimento de toda a nação. d) Foi aplaudido efusivamente porque falou favoravelmente a todos. 17. Indique a alternativa em que o predicado é verbo-nominal. a) Desde então ficou desconfiado. b) Eu ia caminhando pela avenida c) Encontrei Maria Clara mais envelhecida. d) Viajarei amanhã de manhã. 18. Numa oração do tipo “As meninas assistiram alegres ao espetáculos”, temos: a) predicado verbal b) predicado verbo-nominal c) predicado nominal d) aposto e) vocativo 19. Assinale a alternativa que contenha vocativo. a) Choravam amargamente o seu destino b) Nós, os verdadeiros patriotas... c) Eu vou! d) Os doces comi, as frutas e algo mais. e) Beijo-vos as mãos, senhor rei. 20. (FACENS-SP) Assinale a alternativa em que o verbo é transitivo direto. a) Comprei um terreno e construí a casa. b) Os guerreiros dormem agora. c) O cego não vê. d) João parece zangado e) nda 21. (FOC-SP) Na sentença em que aparece o vocábulo inexistente, o sujeito é: a) determinado oculto b) determinado expresso c) indeterminado d) inexistente. 22. (UFU-MG) No período “Quando enxotada por mim foi pousar na vidraça”, qual a função sintática de por mim? a) objeto direto b) sujeito c) complemento nominal d) agente da passiva e) objeto indireto 23. Assinale a alternativa que apresenta verbo intransitivo. a) Derrubaram a casa b) Paulinho chegou agora de Marilia. c) Não concordo com isso. d) Ouvi o trovão e) Acredito em fantasmas. 24. (FMit-MG) Em todas as orações o termo em destaque está corretamente analisado exceto em: a) Existe, nesta cidade, um carpinteiro. (objeto direto) b) É importante o apoio dos operários. (sujeito) c) Já tínhamos certeza da derrota. (complemento nominal) d) O estudante permaneceu inalterável. (predicativo) e) Renato, o engenheiro, logo protestou. (aposto) 25. (BAURU-SP) Assinale a alternativa em que a expressão destacada tem à função de complemento nominal. a) A cidade de Londres merece ser conhecida por todos. b) A curiosidade do homem incentiva-o à pesquisa. c) O respeito ao próximo é dever de todos. d) O coitado do velho mendigava pela cidade. e) O receio de errar dificulta o aprendizado das línguas. 26. (FUVEST-SP) Assinale a oração que começa com um adjunto adverbial de tempo. a) Com certeza havia um erro no papel do banco. b) No dia seguinte Fabiano voltou à cidade. c) Na porta, (...) enganchou as rosetas das esporas. d) Não deviam trata-las assim. e) O que havia era safadeza. 27. (U.E.Londrina-PR) Assinale a alternativa correspondente ao período onde há agente da passiva. a) O rapaz foi preso por um investigador, compadre do Bertolão. b) O coração não resistiu à prova. c) Não o sabíamos doente. d) Tão grande e forte, não era resistente à bebida. e) Seu apartamento fora interditado poucas horas depois do crime. 28. Os verbos destacados em “...escreveria meu nome em um papel e faria contas com um lápis na mão” são respectivamente: a) transitivo direto e indireto – ligação b) transitivo direto – transitivo direto c) intransitivo – transitivo direto d) transitivo direto e indireto – transitivo direto e indireto e) transitivo indireto – transitivo direto 29. (FEI-SP) Em: “Pagar-lhe-ei a dívida, João”. O verbo pagar é: a) transitivo direto e indireto b) transitivo direto c) transitivo indireto d) intransitivo e) aposto Amado Deus da paz, nossa confiança esta em ti. Ajuda-nos a guardar pacientemente pela Tua resposta, no Teu tempo. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 19 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo principio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferentes métodos: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.. (Machado de Assis, in Memórias Póstumas de BrásCubas) 01. Pode –se afirmar, com base nas idéias do autor- personagem, que se trata: a) de um texto jornalístico b) de um texto religioso c) de um texto cientifico d) de um texto autobiográfico e) de um texto teatral 02. Para o autor-personagem, é menos comum: a) começar um livro por seu nascimento b) não começar um livro por seu nascimento, nem por sua morte. c) começar um livro por sua morte. d) não começar um livro por sua morte e) começar um livro ao mesmo tempo pelo nascimento e pela morte. 03. Deduz-se do texto que o autor-personagem: a) está morrendo b) já morreu c) não quer morrer d) não vai morrer e) renasceu. 04. As semelhanças entre o autor e Moises é que ambos:é que ambos: a) escreveram livros b) se preocupam com a vida e a morte c) não foram compreendidos d) valorizam a morte e) falam sobre suas mortes 05. A diferença entre o autor e Moisés é que: a) o autor fala da morte; Moises, da vida. b) o livro do autor é de memórias; o de Moisés, religioso. c) o autor começa pelo nascimento; Moisés, pela morte. d) Moisés começa pelo nascimento; o autor, pela morte. e) o livro do autor é mais novo e galante do que o de Moisés. 06. Deduz-se pelo texto que o Pentateuco: a) não fala da morte de Moisés. b) foi lido pelo autor do texto. c) foi escrito por Moisés. d) só fala da vida de Moisés. e) serviu de modelo ao autor do texto. 07. Autor defunto está para campa, assim como defunto autor para: a) intróito b) principio c) cabo d) berço e) fim 08. Dizendo-se um defunto autor, o autor destaca seu (sua): a) conformismo diante da morte. b) tristeza por se sentir morto. c) resistência diante dos obstáculos trazidos pela nova situação d) otimismo quanto ao futuro literário e) atividade apesar de estar morto INTERPRETAÇÃO DE TEXTO Não existe essa coisa de um ano sem Senna, dois anos sem Senna... Não há calendário para a saudade. (Adriana Galisteu, no Jornal do Brasil) 01. Segundo o texto, a saudade: a) aumenta a cada ano. b) é maior no primeiro ano. c) é maior da data do falecimento d) é constante e) incomoda muito. 02. A segunda oração do texto tem um claro valor: a) concessivo d) condicional b) temporal e) proporcional c) causal 03. A repetição da palavra não exprime: a) dúvida d) confiança b) convicção e) esperança c) tristeza 04. A figura que consiste na repetição de uma palavra no inicio de cada membro da frase, como no caso da palavra não, chama-se: a) anáfora b) silepse c) sinestesia d) pleonasmo e) metonímia Graças, Senhor, pelas bênçãos de cada dia. Perdoa-nos por as tomarmos como garantidas e por nos lamuriarmos. Ajuda- nos a nos contentarmos em nossos pensamentos e palavras. Em nome de Jesus. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 20 PARNASIANISMO A poesia parnasiana zelava sobretudo pela composição perfeita do verso, procurando fugir dos cacoetes? românticos, como a banalidade dos temas o descuido das composições, que seriam sanados pela razão, pela ciência e pelos valores que a sociedade cultivava. O papel do poeta seria esculpir o poema, criar o Belo, sem preocupações de origem social ou moral. Entre seus representantes, no Brasil podemos citar: Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Olavo Bilac, entre outros. CARACTERÍSTICAS DO PARNASIANISMO • perfeição na forma • Correção e equilíbrio da linguagem • Sobriedade no emprego de figuras. • Musicalidade dos versos • Emprego de rimas raras. • Fuga dos sentimentos vagos • Riqueza vocabular • Ênfase discritiva nos pequenos objetos (vasos, estatuetas, ...) • Culto da beleza escultural • Simplicidade artística • Culto da “arte pela “arte”. • Preferência pela forma soneto EXERCÍCIOS VASO GREGO Esta, de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo,? a um novo deus servia. Era o poeta de Teos? que a suspendia Então e, ora repleta ora esvazada?, A taça amiga aos dedos seus tinia. Toda de roxas pétalas colmada? Depois... Mas o lavor da taça dmira. Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às bordas Finas hás de lhe ouvir, canora e doce. Ignota? voz, qual se da antiga lira Fosse a encantada música das cordas, Qual se essa a voz de Anacreonte fosse. (Alberto de Oliveira) ? cacoetes – Mau habito corporal; sestro; trejeito; momice; tique. ? Olimpo – segundo a mitologia grega, morada dos deuses. ? Poeta de Teos – referencia a Anacreonte, poeta grego natural de Teos (séc. VI aC), famoso por suas canções de amor irônicas e melancólicas. ? esvazada – esvaziada. ? colmada – coberta, cheia. ? ignota –ignorada, desconhecida. 01. Aponte três características parnasianas presentes no texto. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ Leia atentamente este outro poema parnasiano: REMORSO Às vezes uma dor me desespera... Nestas ânsias? e dúvidas em que ando, Cismo? e padeço, neste outono, quando Calculo o que perdi na primavera Versos e amores sufoquei calando, Sem os gozar numa explosão sincera... Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera Mais viver, mais pensar e amar cantando! Sinto o que esperdicei na juventude; Choro neste começo de velhice, Mártir? da hipocrisia? ou da virtude. Os beijos que não tive por tolice, Por timidez o que sofrer não pude, E por pudor? os versos que não disse! (Olavo Bilac) 02. Nesse poema, temos um “eu” que lamenta, na idade madura, certas coisas que deixou de fazer quando jovem: a) Quais as metáforas que indicam essas duas fases da vida? ______________________________________ ______________________________________ ______________________________________ b) Que tipo de lamentação é feita pelo poeta? ______________________________________ ______________________________________ ______________________________________ ______________________________________ ? ânsia – aflição; desejo ardente; perturbação causada pela incerteza. ? cismo – prevenido; desconfiado. ? mártir – pessoas que sofreu tormentos ou a morte por sustentar a fé cristã; indivíduo que sofre por causa de suas crenças ou opiniões; pessoa que sofre muito. ? hipocrisia – afetação de uma virtude, de um sentimento louvável que não se tem; impostura; fingimento; falsa devoção. ? pudor – sentimento de pejo ou timidez, produzido pelo que, pode ferir a decência, a honestidade ou a modéstia; vergonha; seriedade. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 21 03. As coisas que o “eu” do soneto não fez corresponder atitudes fundamentais para qualquer ser humano. São elas: a) cismar, padecer, calcular. b) sufocar, calar, gozar. c) amar, sofrer, compor. d) viver, pensar e amar. e) chorar, sofrer, dizer. 04. (FEI-SP) São características do Parnasianismo, do qual Olavo Bilac é legitimo representante: a) Predomínio da razão, individualismo. b) Determinismo biológico, retorno à Idade Média. c) Culto da forma, arte pela arte. d) Objetividade, sentimentalismo exagerado. e) Nenhuma das alternativas. 05. (FESP) A designação “arte pela arte” aplica-se a quetipo de tendência: a) Conceptivista b) Cultista c) Parnasiana d) Simbolista e) Modernista 06. (CENTEC-BA) Todos os itens apresentam características do Parnasianismo, exceto: a) Prevalência de formas de composição poética. b) Anseio de liberdade criadora c) Preocupação com a perfeição formal. d) Gosto pela precisão descritiva e) Ideal de objetividade no tratamento dos temas. 07. Assinale a informação correta. a) Embora o Parnasianismo buscasse a perfeição da forma, não conseguiu superar a liberdade e o descuido da forma dos românticos. b) Superar o sentimento, doentio já dos românticos, foi a única preocupação do Parnasianismo. c) Embora o Parnasianismo seja a poesia da Escola Realista, não se preocupou com a objetividade ou com a fidelidade ao objeto. d) Para o Parnasianismo valiam somente os temas que não tivessem sido explorados antes, não dando nenhum valor aos temas nacionais. e) nda 08. Abandonou os cursos de Medicina e Direito para dedicar-se ao jornalismo e à literatura. Estreou em 1888, com Poesias, obra que de imediato, o consagrou. Estamos nos referindo a que representante da nossa literatura. a) Raimundo Correia b) Olavo Bilac c) Machado de Assis d) Monteiro Lobato e) Vicente de Carvalho SIMBOLISMO Consultando o “Novo Dicionário de Língua Portuguesa”, de Aurélio Buarque de Holanda, vamos encontrar: SÍMBOLO 1. Aquilo que, por semelhança, representa ou substitui outra coisa. 2. Aquilo que, por sua forma ou sua natureza, evoca, representa ou substituiu num determinado contexto, algo abstrato ou ausente. 3. Aquilo que tem valor evocativo, mágico, místico. Daí podemos concluir que o símbolo representa ou substitui alguma coisa, geralmente abstrata; evoca, traz alguma coisa à imaginação, à lembrança; pode ter valor mágico, místico e pode admitir mais de uma interpretação. Assim, a literatura simbolista nos apresenta, basicamente, todas essas características. Diferencia- se, nesse aspecto, do Parnasianismo – objetivo, claro quase cientifico e aproxima-se da subjetividade dos românticos do começo do século. Essa literatura surgiu nas duas últimas décadas do século XIX, na Europa, período em que a sociedade se apoiava principalmente em duas classes sociais: os capitalistas, que viviam de lucros, e uma classe média em crise. Marcada por intenso progresso cientifico e tecnológico, a economia da época, no entanto, não conseguiu escapar de uma profunda crise que atingia o continente – é o período da Grande Depressão. Surgem os partidos socialistas, que pregam o fim do capitalismo, atraindo para suas organizações a classe operária, enfraquecida depois de um século de industrialização. O materialismo, do período anterior, começa a ser questionado e, desse questionamento, emergem valores esquecidos, que voltam a ser cultivados: • A metafísica: que a ciência expulsara da filosofia • O misticismo, o sonho, a fé, a religião. • A análise do subconsciente e do inconsciente. Como características do Simbolismo podemos observar: • Conteúdo das obras relacionado com o espiritual, o místico e o subconsciente. • Concepção mística da vida. • Interesse maior pelo particular e individual do que pelo geral ou pelo universal. • Tom altamente poético. • Tentativa de afastamento da realidade e da sociedade contemporânea. • Conhecimento intuitivo e não lógico. • Ênfase na imaginação e na fantasia. • Desprezo à Natureza em troca do místico e do sobrenatural. • Arte pela arte. • Pouco interesse pelo enredo e ação na narrativa. Linguagem ornada, colorida, Obrigada, Senhor, pela força que tu nos dás para enfrentarmos as decisões importantes. Amém. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 22 exótica?, poética, com palavras escolhidas pelo ritmo e sonoridade. Os principais representantes do Simbolismo no Brasil são: Cruz e Souza, Alphonsus de Guimarães e Emiliano Perneta, poeta paranaense. Para completar o estudo sobre Simbolismo leia com atenção os poemas a seguir: EXERCÍCIOS AMOR Nas largas mutações? perpétuas do universo o amor é sempre o vinho energético, irritante... Um lago de luar nervoso e palpitante... Um sol dentro de tudo altivamente imerso. Não há para o amor ridículos preâmbulos?, nem mesmo as convenções as mais superiores; e vamos pela vista assim como os noctâmbulos? a fresca exalação salúbrica das flores... e somos uns completos, celebres artistas na obra racional do amor – na heroicidade, com essa intrepidez? dos sábios transformistas. Cumprimos uma lei que a selva nos dirige e amamos com vigor e vitalidade, a cor, os tons, a luz que a natureza exige!... (Cruz e Souza, Obra completa. Rio de janeiro, Aguilar, 1961) CÁRCERE DAS ALMAS Ah! Toda alma num cárcere ?anda presa, Soluçando olhando, entre as grades No calabouço? olhando imensidades, Mares, estrelas, tardes, natureza. Tudo se veste de uma igual grandeza Quando a alma entre grilhões as liberdades Sonha e, sonhando, as imortalidades Rasga no etéreo? Espaço da Pureza. ? exótica – que não é indígena; estrangeiro; esquisito; extravagante; desajeitado; alienígena. ? mutações – mudança; alteração; substituição; volubilidade; inconstância; variação devida a alguma alterações da constituição hereditária com aparecimento de caráter inexistente nas gerações anteriores. ? Preâmbulo – introdução; prefácio; exposição inicial; discurso preliminar; parte preliminar de uma lei. ? noctâmbulo – que anda de noite; noctívago; sonâmbulo. ? intrepidez – coragem; destemor; afoiteza; audácia. ? cárcere – prisão subterrânea; cadeia; masmorra; ? calabouço – cárcere; masmorra; prisão subterrânea. ? etéreo – sublime; puro; elevado; celeste. Ó almas presas, mudas e fechadas Nas prisões colossais e abandonadas, Da Dor no calabouço, atroz?, funéreo?! Nesses silêncios solitários, graves, Que chaveiro do Céu possui as chaves Para abrir-vos as portas do Mistério?! (Cruz e Souza, Obra completa. Rio de janeiro, Aguilar, 1961) 01. Com relação ao soneto Cárcere das Almas é correto afirmar que: a) O cárcere das almas é Deus. b) O cárcere das almas é o infinito c) O cárcere das almas é o corpo d) O cárcere das almas é o espaço e) O cárcere das almas é o calabouço. 02. Voltando ao poema podemos firmar que o poeta: a) Explica claramente qual é o cárcere das almas. b) Sugere, de maneira simbólica, qual é esse cárcere. c) Se compadece das almas abandonadas. d) Compara a grandiosidade das almas ao infinito. e) Invoca o chaveiro do céu para libertar as almas. 03. Através de muita simbologia, o poeta nos revela que a alma sonha com: a) imensidades, mares, calabouços, grilhões, grades, pureza. b) Trevas, grades, calabouço, mares, estrelas, natureza. c) Grilhões, liberdades, imortalidades, prissões, chaveiro, mistério. d) Cárcere, trevas, grades, calabouços, mares, estrelas. e) Imensidade, mares, estrelas, natureza, imortalidade, pureza. 04. O conceito de vida sugerido em Cárcere das Almas: a) O da existência da verdadeira vida, no céu, após a morte b) a vida é triste e repleta de sofrimentos. c) Os grilhões que nos prendem à vida são fortes. d) As almas presas, mudas e fechadas sofrem muito. e) A vida tem que ser silenciosa para serem abertas as portas do céu. 05. Compare os poemas Amor e Cárcere das Almas. Qual deles é mais ritmado? Explique. ______________________________________ ______________________________________ ____________________________________________________________________________ ______________________________________ ? atroz – que não tem piedade; desumano; cruel; pungente; monstruoso; feroz. ? funéreo – fúnebre. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 23 06. No poema Amor, o poeta sugere que: a) O amor é formal e intransigente. b) O amor é boêmio e sábio. c) O amor é instável, volúvel. d) O amor não respeita convenções. e) O amor nos torna artistas vigorosos. TESTE 01. Do imenso mar maravilhoso, amargos marulhos murmurem compungentes, Cânticos virgens de emoções latentes Do sol nos mornos, mórbidos letargos... A estrofe acima apresenta características de um poeta: a) Romântico b) Barroco c) Modernista d) Simbolista e) Parnasiano. 02. (PUC-RS) O ser que é ser e que jamais vacila Nas guerras imortais entre sem susto Leva consigo este brasão augusto Do grande amor, da grande fé tranqüila Os abismos carnais da triste argila Ele os vence sem ânsia e sem custo Fica sereno, num sorriso justo, Enquanto tudo em derredor oscila. Fugindo do mundo material, a poesia simbolista de Cruz e Souza, como ilustram as duas estrofes, busca a: a) Utopia b) Transcendência c) Amargura d) Humildade e) Saudade 03. (PUC-RS) Mãos que os lírios invejam; mãos eleitas Para aliviar de Cristo os sofrimentos Cujas velas azuis parecem feitas Da mesma essência astral dos óleos bentos. O vocabulário litúrgico, a religiosidade, a musicalidade da estrofe acima vinculam-na ao a) Romantismo d) Impressionismo b) Parnasianismo e) Modernismo c) Simbolismo 04. (F. Objetivo-SP) A negação do Positivismo, do Materialismo e das estéticas nelas fundamentadas; a criação poética como fruto do inconsciente, da intuição, da sugestão, da associação de imagens e idéias; o tom vago, impreciso, nebuloso; o uso acentuado de sinestesias e intensa musicalidade são características do: a) Realismo d) Romantismo b) Simbolismo e) Parnasianismo c) Naturalismo 05. (UEL-PR) Assinale a alternativa que contém apenas características da estética Simbolista. a) Temática social; hermetismo; valorização dos tons fortes; materialismo; antítese. b) Temática intimista; ocultismo; valorização dos tons fortes; espiritualidade; sinestesia. c) Temática intimista; hermetismo; valorização do branco e da transparência; espiritualidade sinestesia. d) Temática bucólica; hermetismo; valorização do branco e da transparência; espiritualidade; antítese. e) Temática bucólica; ocultismo; valorização das tonalidades verdes; materialismo; sinestesia. 06. (UFV-MG) Eternas, imortais, origens vivas da Luz, do Aroma, segredantes vozes do mar e luares de contemplativas vagas visões, volúpicas, velozes... Aladas alegrias sugestivas De asa radiante e branca de albornozes, tribos gloriosas, fúlgidas, altivas, de condores e de águias e albatrozes Espiritualizai nos Astros louros, Do sol entre os clarões imorredouros toda esta dor que na minh’alma clama... Quero vê-la, subir cantando Nas chamas das Estrelas, dardejando Nas luminosas sensações da chama (Cruz e Souza) Das alternativas que seguem, apenas uma NÃO corresponde à leitura interpretativa do poema. Assinale-a: a) Visão objetiva da realidade, em que a técnica sobrepõe-se à imaginação. b) Preferência por uma luminosidade que torna os elementos nebulosos e imprecisos. c) Valorização da sinestesia, acentuando a correspondência entre imagens acústicas, visuais e olfativas. d) Sublimação, através dos astros, de toda a dor que a alma clama. e) Predomínio da sugestão e uso de símbolos para a representação do mundo. 07. (FMU/FIAM-SP) O poeta simbolista tem outra visão da natureza e do mundo. Para ele, o que importa é: a) a impassibilidade, o rigor formal, a busca da perfeição. b) a valorização do gosto burguês, o nacionalismo, a tradição c) a realidade social, o combate ao idealismo, o racionalismo d) o elemento pitoresco, o final inesperado, a caricatura e) a analogia profunda entre a realidade aparente e a realidade oculta das coisas, a sugestão, a musicalidade PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 24 GRAMÁTICA IDENTIFICAÇÃO DO PERIODO SIMPLES E COMPOSTO PERÍODO É o conjunto de termos que constitui um pensamento completo. Pode-ser: SIMPLES Possui uma oração. A lua clareava o campo COMPOSTO Possui duas ou mais orações. Falava devagar, mas não escondia sua inquietação (2 orações) Para a formação do período composto podemos usar dois processos sintáticos: a coordenação ou subordinação. Na coordenação, as orações se sucedem igualitariamente, sem que umas dependam sintaticamente das outras. O período composto por coordenação é constituído de orações independentes. Estas, ou vêm ligadas pelas conjunções coordenativas, ou, estão simplesmente justapostas, isto é, sem conectivo que as enlace. Ex.: O Guerreiro cristão atravessou a cabana / e sumiu-se na treva. Agachou-se, / apanhou uma pedra / e atirou-a. Na subordinação, pelo contrário, há orações que dependem sintaticamente de outras, isto é, que são termos (sujeito, objeto, complemento, etc) de outras. O período composto por subordinação consta de uma oração principal e de uma ou mais orações dependentes ou subordinadas. Ex.: • Malha-se o ferro / enquanto está quente. Malha-se o ferro = oração principal enquanto está quente = oração subordinada. • Estavam reunidos / porque precisavam discutir o assunto. Estavam reunidos = oração principal porque precisavam discutir o assunto = oração subordinada. ORAÇÕES COORDENADAS ORAÇÕES COORDENADAS ASSINDÉTICAS São aquelas que não possuem conjunção: • Entrou, olhou a todos, tornou a sair apressadamente. (três orações coordenadas assindéticas). ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS São aquelas que se unem através de conjunções coordenativas. Classificam-se em: COORDENADAS ADITIVAS Expressam idéia de adição, de soma ou de seqüência de ações. Unem-se por conjunções aditivas. Principais conjunções: e, nem (e não), não só... mas também, não só... como também • Estuda e trabalha. • Não estuda nem trabalha. • Não só deves molhar as plantas, mas também adubá-las. COORDENADAS ADVERSATIVAS São aquelas que dão idéia de oposição, de contraste Unem-se por conjunções adversativas. Principais conjunções: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto. • O caminho era longo, no entanto era agradável. • “O professor é muito gentil, porém ninguém me tira da cabeça que ele é palmeirense.” (Lourenço Diaféria) COORDENADAS ALTERNATIVAS Dão idéia de escolha, de alternativa. Unem-se por conjunções alternativas. Principais conjunções: ou, ou...ou, já...já, quer...quer. • Irá à festa ou ira ao cinema. • Venha agora ou perderá a vez. • Quer você queira quer não queira, sairei agora. COORDENADAS CONCLUSIVAS São aqueles que uma conclusão. Unem-se por conjunções conclusivas. Principais conjunções: portanto, logo, por conseguinte, pois (após o verbo), por isso, • Vives mentindo, logo não mereces fé. • Tudo esta em ordem, portanto não devemos nos preocupar. COORDENADAS EXPLICATIVAS Exprimem um motivo, uma razão, uma explicação. Unem-se por conjunções explicativas. Principais conjunções: que, porque, pois (antes do verbo). • Toma um táxi, pois estás atrasado• Leve-lhe flores, que ela aniversaria amanhã. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 25 ORAÇÃO SUBORDINADAS ORAÇÃO SUBORDINADA E ORAÇÃO PRINCIPAL A oração subordinada vem sempre dependente de uma outra, chamada oração principal. Exemplo: • Pedi / que tivessem calma. Pedi = oração principal. que tivesse calma = oração subordinada. A primeira oração é principal porque pede, sintaticamente, um termo que a segunda possui. A segunda oração é subordinada porque completa o sentido da primeira, da qual depende, funcionando como objeto direto. OBS.: Só existe oração principal em período em que há oração subordinada. As orações subordinadas classificam-se em: adverbiais, adjetivas e substantivas. ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS As subordinadas adverbiais classificam-se de acordo com as conjunções que as introduzem. Portanto, classificam-se em: CAUSAIS Expressam causa, motivo, razão do evento registrada pelo verbo da oração principal. Principais conjunções: porque, pois que, visto como, visto que, já que, uma vez que, desde que, como, porquanto etc. • Não fará inscrição, visto que não possui documentos. • Já que você esta em casa, cuide das crianças. COMPARATIVAS Fazem uma comparação com a ação registrada pelo verbo da ação principal. Representam o segundo termo de uma comparação. Principais conjunções: como, assim como feito (= como, do mesmo modo que), o mesmo que (= como), tal e qual, (tal) qual, (tal) como, (tão ou tanto) como, (mais ou menos) que, (mais ou menos) do que, (tanto ou tão) quanto etc • Está tão interessado quanto seu irmão. • “Os olhos falam mais que a boca.” (Otto Lara Resende) CONCESSIVAS Expressam uma concessão à idéia registrada pelo verbo da oração principal, ou seja, concedem a possibilidade de uma oposição, de um fato novo, mesmo que contraditório. Exprimem um fato que se concede, que se admite. Principais conjunções: embora, ainda que, conquanto, mesmo que, por mais que se bem que, em que (=embora), dado que, nem que, sem que (+ embora não), por mais que, por menos que etc. • Embora seja tarde, irá visitar o amigo. • Coma, meu filho, nem que seja um pouquinho. • Foi condenado sem que pudesse apresentar as provas de sua inocência. CONDICIONAIS Indicam um fato necessário à ocorrência, ou não, da ação expressa pelo verbo da oração principal. Exprimem, portanto, uma hipótese ou uma condição. Principais conjunções: se, caso, contanto que, salvo se, sem que (= se não), a menos que, a não ser que, dado que, desde que, que. • Caso telefonem, me avise. • Não poderei encontrar essa rua, a menos que você me desenhe o caminho. • Irei a praia, contanto que não chova CONFORMATIVAS Indicam um acordo, uma conformidade entre o acontecimento que exprimem e a ação registrada pelo verbo da oração principal. Estabelecem, portanto, um acordo ou uma conformidade entre os eventos enunciados nas orações Principais conjunções: conforme, como (=conforme), segundo, consoante. • Segundo me contaram, não há sobreviventes. • Conforme a pesquisa, 88% dos alunos passaram. CONSECUTIVAS Expressam um efeito, um resultado, uma conseqüência resultante da ação registrada pelo verbo da oração principal. Principais conjunções: que (normalmente precedido de termos intensificadores: tão, tanto, tal, tamanho), de modo que, de sorte que, de maneira que, de forma que etc. • Fazia tanto frio, que meus dedos estavam endurecidos. • Essa gente fazia um barulho tal que assustava os transeuntes. FINAIS Expressam o objetivo, a finalidade da ação registrada pelo verbo da oração principal. Principais conjunções: para que, a fim de que, que (= para que), porque etc. • Expliquei a situação, a fim de que a jovem compreendesse tudo. • Acenei-lhe para que se aproximasse. PROPORCIONAIS Expressam proporcionalidade em relação ao verbo da oração principal. Principais conjunções: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto mais... mais, quanto menos... menos etc. • Á medida que ouvia os conselhos, acalma- se. • Quanto mais o povo sabe, mais quer saber. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 26 TEMPORAIS Expressam uma circunstância de tempo em relação ao fato registrado pelo verbo da oração principal. Principais conjunções: quando, enquanto, sempre que, logo que, antes que, assim que, cada vez que, depois que, até que etc. • Cada vez que saia de casa, esquecia as chaves e os óculos. • Retificariam o traçado, logo que tivessem os dados da estrada. ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS As orações subordinadas adjetivas são as que têm o valor e a função dos adjetivos. São introduzidas, normalmente, pelos pronomes relativos: que (o qual, a quais, as quais), quem, cujo, onde (no qual, na qual) e referem-se a um termo antecedente que pode ser um substantivo ou pronome. Ex.: Há coisas / que nos convém. Há dois tipos de orações subordinadas adjetivas: explicativas e restritivas. EXPLICATIVAS Explicam ou esclarecem, à maneira de aposto, o termo antecedente, atribuindo-lhe uma qualidade que é inerente, ou acrescentando-lhe uma informação desnecessária. Esse tipo de oração adjetiva sempre se apresenta separada da oração principal por virgulas. • Meu pai, que é meu amigo, sempre me auxilia. • Aquele aluno, que sempre foi estudioso, passou nos exames vestibulares. RESTRITIVAS São aquelas que, funcionando como um adjetivo, restringem a significação de um substantivo ou pronome da oração principal, particularizando-o. Elas têm valor de adjuntos adnominais, não podem ser omitidas, pois são indispensáveis ao sentido do período, e não se apresentam isoladas por vírgulas. • O jovem que se esforça progride. • Escolheu o caminho que era mais curto. • A candidata que se interessar venha procura-me. ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS Começam por uma conjunção integrantes. Têm o valor e função de um substantivo, por isso, podem ser classificadas como: SUBJETIVAS É aquela que funciona como sujeito da oração principal. Os verbos que comumente aparecem nesse tipo de oração são: ? os usados na 3ª pessoa do singular: ser, admirar, preocupar, cumprir, acontecer, parece, convir, ungir, importar etc.; ? os que se apresentam na voz passiva, tanto na analítica como na sintética: esperar, saber, provar, decidir, constatar, anunciar, dizer etc. • Constatou-se que a verdade dos fatos era outra. • É prudente / que você tenha boa educação. • Convém / que estudes. • Seria melhor / que te apressasses. OBJETIVAS DIRETAS É aquela que funciona como objeto direto da oração principal. • Não sei /se disse isso / a você. • Ele julga / que o rapaz é inocente. • Quero / que representes a classe. OBJETIVAS INDIRETAS É aquela que funciona como objeto indireto da oração principal. É sempre introduzida por preposição. • Eu não me oponho / a que ele viaje. • Lembre-se / de que haverá a reunião. • O homem insistia / em que eu levasse o livro. PREDICATIVAS É aquela que funciona como predicativo da oração principal, na qual aparece o verbo de ligação, mais comumente p verbo ser. • Eu não sou / quem você pensa • Isto parece / que vai longe. • Seu receio / era que chovesse. COMPLETIVAS NOMINAIS É aquela que funciona como complemento nominal de um substantivo ou de um adjetivoda oração principal. Também é regida de preposição. • Tive medo / de que você fosse reprovado. • Tenho a certeza / de que ele virá. • Temos esperança / de que dê tudo certo para você. APOSITIVAS É aquela que funciona como aposto de um termo da oração principal. • Explicou sua teoria: / que o sol explodirá. • Só desejo uma coisa: / que vivam felizes. • Só lhe peço isso: / não me queira mal. Se tomar as asas da alva, Se habitar nas extremidades do mar, Até ali a tua mão me guiará E a tua destra me susterá. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 27 QUADRO RESUMO QUADRO DOS TIPOS DE PERIODO PERÍODO SIMPLES • Oração absoluta PERÍODO COMPOSTO • por coordenação • por subordinação • por coordenação e subordinação QUADRO DOS TIPOS DE ORAÇÃO ORAÇÃO ABSOLUTA ORAÇÃO COORDENADA • SINDÉTICA • aditiva • adversativa • alternativa • conclusiva • explicativa • SUBSTANTIVA • subjetiva • objetiva direta • objetiva indireta • predicativa • completiva nominal • apositiva • ADJETIVA • restritiva • explicativa ORAÇÃO SUBORDINADA • ADVERBIAL • condicional • causal • comparativa • conformativa • concessiva • final • consecutiva • proporcional • temporal ORAÇÕES REDUZIDAS Até agora, analisamos orações subordinadas, que são introduzidas por com junção ou pronome relativo, tendo o verbo no modo indicativo, imperativo ou subjuntivo. Essas orações são chamadas de desenvolvidas. As vezes, porém, as orações subordinadas não se iniciam por conjunção subordinativa nem por pronome relativo e têm o verbo numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio. Essas orações são chamadas de reduzidas. Veja alguns exemplos: • É necessário / conversarmos com o professor. or. subordinada reduzida de infinitivo • É necessário / que conversarmos com o professor. or. subordinada desenvolvida • Chegando a Porto Alegre, / telefone-me. or. subordinada reduzida de gerúndio • Quando chegar a Porto Alegre, / telefone-me. or. subordinada desenvolvida • Acabadas as provas, / fomos comemorar. or. subordinada reduzida de participio • Quando acabaram as provas, / fomos comemorar. or. subordinada desenvolvida “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrario, terá luz da vida” (João 8.12) PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 28 ORAÇÃO REDUZIDAS DE INFINITIVO Podem vir ou não precedidas de preposição. Eis alguns tipos de oração subordinada reduzida de infinitivo. ADVERBIAL 1. Subjetiva • Era difícil andar. • Seria necessário atualizar permanentemente a definição de pobreza. (Milton Santos) 2. Objetiva direta • Os editores resolveram não divulgar a notícia. 3. Objetiva indireta • O único objetivo dos alunos consistia em passar de ano. 4. Completiva nominal • Sentiu vontade de sair do palco. 5. Predicativa • Seu único objetivo é divertir- se. 6. Apositiva • Prometi-lhes apenas isto: espera-los até às dez horas. ADJETIVA • Comprei uma máquina de lavar roupa. ADVERBIAL 1. Causal • Morreu de tanto tossir. • Por serem preguiçosos, não leram o livro. 2. Concessiva • Apesar de sentir medo, enfrentou à situação. 3. Condicional • Não entre sem apresentar documento. 4. Consecutiva • A demissão do chefe foi complicada, a ponto de causar revolta nos funcionários. 5. Final • O contribuinte precisa fazer controle dos gastos para não ter surpresa. (Folha de S. Paulo) 6. Temporal • Ao começar o século, ainda éramos um satélite da França. (Nosso século) ORAÇÕES REDUZIDAS DE GERÚNDIO Podem ser adjetivas e adverbiais: ADJETIVA • Encontrei os alunos dançando no meio da sala. ADVERBIAL 1. Causal • Não vendo o semáforo, bateu o carro 2. Concessiva • Estando despreparado, passou no vestibular. 3. Condicional • Havendo demanda, haverá produção maior (Visão) 4. Modal • Por aqui passou Garrincha, inventando dribles e alegrias. (Armando Nogueira) ORAÇÕES REDUZIDAS DE PARTICIPIO Também podem ser adjetivas ou adverbiais: ADJETIVA • O gato dormia sobre a roupa jogada no chão. ADVERBIAL 1. Temporal • Acabada a reunião, fomos ao clube. 2. Causal • Decepcionado com o trabalho, mudou de profissão. 3. Concessiva • Advertido do perigo, continuava lutando. 4. Condicional • Aceitas as condições do contrato, estaríamos arruinados. EXERCÍCIOS 01. (Fuvest-SP) Assinalar a alternativa apresenta orações de mesma classificação que as deste período: “Não se descobriu o erro, e Fabiano perdeu os estribos”. a) Pouco a pouco o ferro do proprietário queimava os bichos de Fabiano. b) Foi até a esquina, parou, tomou fôlego. c) Depois que aconteceu aquela miséria, temia passar ali. d) Tomavam-lhe o gado quase de graça e ainda inventavam juro. e) Não podia dizer em voz alta que aquilo era um furto, mas era. 02. No período “Paredes ficaram tontas, animais enlouqueceram e as plantas caíram”, temos: a) duas orações coordenadas assindéticas e uma oração subordinada substantiva; b) três orações subordinadas substantivas; c) três orações coordenadas; d) quatro orações; e) uma oração principal e duas orações subordinadas. 03. “Podem acusar-me: estou coma consciência tranqüila”. Os dois pontos (:) do período acima poderiam ser substituídos por vírgula, explicitando-se o nexo entre as duas orações pela conjunção: a) portanto d) pois b) e e) embora c) como 04. Julgue os itens quanto à correta classificação das orações: a) Não sei o que fiz ? adjetiva restritiva b) Ainda que estude, não passará ? adverbial condicional c) Como não me ouviram, gritei ? adverbial conformativa. d) Assim que a vi, perdi o rumo ? adverbial temporal. e) Ela tanto pediu que foi atendida ? adjetiva restritiva. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 29 05. (Fuvest-SP) Dentre os períodos transcritos abaixo, um é composto por coordenação e contém uma oração coordenada sindética adversativa. Assinalar a alternativa correspondente a este período: a) A frustração cresce e a desesperança não cede. b) O que dizer sem resvalar para o pessimismo, a crítica pungente ou a auto-absorvição? c) É também ocioso pensar que nós, da tal elite, temos riqueza suficiente para distribuir. d) Em termos mundiais somos irrelevantes como potencia econômica, mas ao mesmo tempo extremamente representativos como população. e) nda. 06. (Unimep-SP) “Mauro não estudou nada e foi aprovado!” Apesar de “e”, normalmente aditivo, a oração destacada é: a) adversativa b) conclusiva c) explicativa d) alternativa e) causal; 07. “Nossa má-consciência espoja-se na cama da insônia: esse homem fez o que tínhamos vontade de fazer e nunca ousamos.” A primeira e a terceira orações são, respectivamente: a) coordenada sindética e subordinada substantiva; b) coordenada sindética e subordinada adjetiva; c) coordenada assindética e coordenada assindética; d) coordenada assindética e subordinada adjetiva; e) coordenada assindética e subordinada substantiva. 08. Eis as armas de que tanto gostas. Classifique a oração grifada usando a seguinteconvenção: a) oração principal b) oração coordenada c) oração subordinada adjetiva d) oração subordinada substantiva e) oração subordinada adverbial 09. No período “Ele, que nasceu rico, acabou na miséria”, a oração grifada é: a) coordenada sindética explicativa; b) subordinada adjetiva explicativa; c) subordinada adjetiva restritiva; d) subordinada adverbial comparativa; e) coordenada sindética conclusiva. 10. Fiz-lhe sinal que se calasse. A oração grifada classifica-se como: a) subordinada adverbial final; b) subordinada adverbial concessiva; c) subordinada adverbial consecutiva; d) subordinada adverbial comparativa; e) subordinada adverbial temporal. 11. Bebia que era uma lástima. A oração grifada classifica-se como: a) subordinada adverbial final b) subordinada adverbial concessiva c) subordinada adverbial consecutiva; d) subordinada adverbial comparativa e) subordinada adverbial temporal 12. No período: É necessário que tenhamos confiança no próximo”. a oração grifada é: a) subordinada substantiva objetiva direta; b) subordinada substantiva subjetiva c) subordinada substantiva predicativa; d) subordinada adjetiva restritiva. e) subordinada adverbial temporal. 13. No período ; “Sou favorável a que o prendam”, a oração grifada é: a) subordinada substantiva completiva, nominal. b) subordinada substantiva objetiva direta. c) subordinada substantiva objetiva indireta. d) coordenada sindética explicativa. e) subordinada substantiva subjetiva. 14. (Cescea-SP) Em: “Verdades há que não devem ser publicadas.” a oração destacada é: a) subordinada substantiva objetiva direta. b) subordinada substantiva predicativa. c) subordinada relativa adjetiva. d) subordinada substantiva completiva nominal. e) subordinada reduzida. 15. (Fuveste-SP) No período: “Ainda que fosse bom jogador, não ganharia a partida.” a oração destacada encerra idéia de: a) causa d) proporção b) concessão e) temporal c) condição 16. (FEI-SP) Indique a alternativa que apresenta uma oração subordinada substantiva apositiva: a) Ele falou: “eu o odeio”. b) Não preciso de você: sei viver sozinho. c) Sabendo que havia um grande estoque de roupas na loja, quis ir vê-las: era doida por vestidos novos. d) Fez três tentativas, alias, quatro. Nada conseguiu. e) Havia apenas um meio de salva-la: falar a verdade. 17. (FESP) Em relação ao trecho: “Ao sir o enterro, abraçou-se ao caixão, aflita: vieram tirá-la e levá-la para dentro”, é incorreto afirmar que: a) há uma oração subordinada adverbial. b) uma das orações é reduzida de infinitivo. c) trata-se de um período composto por coordenação e subordinação. d) há apenas uma oração coordenada sindética. e) a primeira oração é principal. Quando nos arriscamos a fazer o que Deus nos pede, vivenciamos bênçãos inesperadas. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 30 18. (Fuvest-SP) “Maria das Dores entra e vai abrir o comutador. Detenho-a: não quero luz.” Os dois pontos ( : ) usados acima estabelecem uma relação de subordinação entre as orações. Que tipo de subordinação? a) temporal d) concessiva b) final e) conclusiva c) causal 19. (Internet – Vestibular)Basta arrumar o homem (...) e o mundo fica arrumado! A noção expressa pela primeira oração, em relação à segunda é: a) concessão d) comparação b) causa e) condição c) tempo 20. “A lua estava cercada de um halo cor de leite. Ia chover.” O sujeito da oração “Ia chover” é: a) determinado: a chuva d) inexistente b) indeterminado e) oracional c) oculto 21. Em: “Não tenho conhecimento da denuncia” o termo grifado é: a) objeto indireto b) objeto direto c) sujeito d) complemento nominal e) agente da passiva 22. (MACKENZIE) Classifique a oração grifada: “Sem estudar”, você será reprovado”. a) reduzida de infinitivo, concessiva b) reduzida de infinitivo, conformativa c) reduzida de infinitivo, condicional d) subordinada adverbial causal e) subordinada adverbial temporal. 23. (MACKENZIE) Na frase: “Não vendo o poste, colidiu com ele”, a oração grifada encerra a idéia de: a) concessão d) modo b) causa e) finalidade c) condição 24. (MACKENZIE) Classifique a oração grifada: “Sabendo que seria preso, ainda assim saiu à rua.” a) reduzida de gerúndio, conformativa b) subordinada adverbial condicional c) subordinada adverbial causal d) reduzida de gerúndio, concessiva e) reduzida de gerúndio, final. 25. (CESCEA) No período: “Não só chorou mas também bateu o pé”, há: a) oração subordinada concessiva b) oração subordinada comparativa c) oração coordenada alternativa d) oração coordenada aditiva e) oração coordenada adversativa 26. No período simples, a oração é chamada: a) simples d) assindética b) sindética e) principal c) absoluta PRÉ-MODERNISMO MOMENTO HISTÓRICO Enquanto a Europa se prepara para a Primeira Guerra Mundial, o Brasil começa a viver, a partir de 1894, um novo período de sua história republicana: com a posse do paulista Prudente de Morais, primeiro presidente civil, inicia-se a “República do café-com-leite”, dos grandes proprietários rurais, em substituição à “República da Espada” (governos do Marechal Deodoro e do Marechal Floriano). É a época áurea da economia cafeeira no Sudeste; é o momento da entrada de grandes levas de imigrantes, notadamente os italianos; é o esplendor da Amazônia, com o ciclo da borracha; é o surto de urbanização de São Paulo. Os antigos escravos eram marginalizados e os imigrantes europeus que chegavam para trabalhar nas lavouras ou nas indústrias recém- criadas eram submetidos a condições de trabalho aviltantes?. O Nordeste vivia a estagnação econômica e bandos de cangaceiros assaltavam propriedades. As secas levavam à morte milhares de sertanejos e outros tantos eram facilmente arregimentados na formação de seitas místicas, lideradas por beatos ou conselheiros, tornando-se fanáticos?, pela desesperança e pela crença numa solução divina para males que, na verdade, tinham origem econômica. Mas toda esta prosperidade vem deixar cada vez mais claros os fortes contrastes da realidade brasileira. É, também, o tempo de agitações sociais. Do abandonado Nordeste parte, os primeiros gritos de revolta. Em fins do século XIX, na Bahia, ocorre a revolta de Canudos, tema de Os Sertões, de Euclides da Cunha; nos primeiros anos do século XX, o Ceará é palco de conflitos, tendo como figura central o padre Cícero, o famoso ? aviltantes – humilhados; deprimido; desonrado; desprezado. ? fanático – Quem se julga inspirado por Deus, que se dedica exageradamente a alguém ou alguma coisa. Excesso zelo religioso; faccionismo partidário; adesão cega a uma doutrina; dedicação excessiva; paixão. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 31 “Padim Ciço”; em todo o sertão vive-se o tempo do cangaço, com a figura lendária de Lampião. O Rio de Janeiro assiste, em 1904, a uma rápida mas intensa revolta popular, sob o pretexto aparente de lutar contra a vacinação obrigatória idealizada por Oswaldo Cruz; na realidade, tratava- se de uma revolta contra o alto custo de vida, o desemprego e os rumos da República. Em 1910, há outra importante rebelião, desta vez dos marinheiros liderados por João Cândido, o “almirante negro”, contra o castigo corporal, conhecida como a “Revolta da Chibata”. Ao mesmo tempo, em São Paulo, as classes trabalhadoras,sob a orientação anarquista?, iniciam os movimentos grevistas por melhores condições de trabalho. Essas agitações são sintomas da crise na “República do café-com-leite”, que se tornaria mais evidente na década de 1920, servindo de cenário ideal para os questionamentos da Semana de Arte Moderna. CARACTERÍSTICAS Apesar de o Pré-Modernismo não constituir uma “escola literária”, apresentando individualidades muito fortes, com estilos às vezes antagônicos? – como é o caso, por exemplo, de Euclides da Cunha e de Lima Barreto -, podemos perceber alguns pontos em comum entre as principais obras pré-modernistas: ? apesar de alguns conservadorismos, são obras inovadoras, apresentando uma ruptura com o passado, com o academismo; a linguagem de Augusto dos Anjos, ponteada de palavras “não poéticas” como cuspe, vômito, escarro, vermes era uma afronta à poesia parnasiana ainda em vigor; ? a denuncia da realidade brasileira, negando o Brasil literário herdado do Romantismo e do Parnasianismo; o Brasil não oficial do sertão ? anarquista – partidário do anarquismo; anarquia – negação do principio da autoridade; Doutrina baseada numa apreciação otimista da natureza humana, e segundo o qual se considera o governo ou a dominação como um mal. ? antagônicos – contrario, oposto, inimigo. nordestino, dos caboclos interioranos, dos subúrbios, é o grande tema do Pré- Modernismo; ? o regionalismo, montando-se um vasto painel brasileiro: o Norte e o Nordeste com Euclides da Cunha; o Vale do Paraíba e o interior paulista com Monteiro Lobato; o Espírito Santo com Graça Aranha; o subúrbio carioca com Lima Barreto; ? os tipos humanos marginalizados: o sertanejo nordestino, o caipira, os funcionários públicos, os mulatos; ? uma ligação com fatos políticos, econômicos e sociais contemporâneos, diminuindo a distância entre a realidade e a ficção. São exemplos: Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto (retrata o governo de Floriano e a Revolta da Armada), Os sertões de Euclides da Cunha (um relato da Guerra de Canudos), Cidades mortas de Monteiro Lobato (mostra a passagem do café pelo Vale do Paraíba paulista), e Canaã, de Graça Aranha (um documento sobre a imigração alemã no Espírito Santo). EXERCÍCIOS 01. Que revoltas marcam a história do Brasil na última década do século XIX e nos princípios do século XX? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Que classe era o sustentáculo do poder civil nas primeiras décadas da República? _________________________________________ _________________________________________ 03. Qual era a situação da classe trabalhadora nas primeiras décadas da República? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. O que se entende por Pré-Modernismo? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. Que fatos podem ser tomados para assinalar, didaticamente, os limites da literatura pré- modernista no Brasil? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 32 06. O que se pode criticar em muitos escritores do período compreendido entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 07. (FCC-BA) Obra pré-modernista eivada de informações históricas e cientificas, primeira grande interpretação da realidade brasileira, que, buscando compreender o meio áspero em que vivia o jagunço nordestino, denunciava uma campanha militar que investia contra o fanatismo religioso advindo da miséria e do abandono do homem do sertão. Trata-se de: a) O Sertanejo, de José de Alencar. b) Pelo Sertão, de Afonso Arinos. c) Os sertões, de Euclides da Cunha d) Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. e) Sertão, de Coelho Neto. 08. O regionalismo foi uma características marcante dos autores brasileiros do inicio do século XX. Escreva, com relação a cada autor, a região por ele retratada, bem como uma de suas obras características: a) Euclides da Cunha _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ b) Monteiro Lobato _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ c) Lima Barreto _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 09. O Pré-Modernismo, apesar de alguns conservadorismo, são obras inovadoras, apresentando: a) a fuga da matéria e a busca da região do espírito. b) ruptura com o passado. c) linguagem figurada musical, colorida e rica. d) Fidelidade ao abjeto, sem desfigurá-la. e) preocupação cientifica dos fenômenos apresentados. LIMA BARRETO Lima Barreto, contrariando os seus contemporâneos, procurou nas classes populares e no desmarcaramento da vida cotidiana da pequena burguesia a matéria dos seus romances e contos. Isto, aliado ao sarcasmo com o qual ironizava os políticos e literatos da época, fez com que fosse pouco apreciado no seu tempo. Seu desprezo ao artificialismo e à retórica parnasiana levou-o a escrever numa linguagem simples, algumas vezes até desleixada, o que lhe valeu muitas criticas. Porém, deixou- nos um valioso registro do Rio de Janeiro da sua época. Dentre os seus romances, destacam-se Recordações do escrivão Isaías Caminha, obra que denuncia a preconceito racial, a mediocridade e a falsa concepção de imprensa e literatura; Numa e a ninfa, que segundo Francisco de Assis Barbosa, “é o mais belo poema em prosa que já se escreveu sobre o Rio de Janeiro, na descrição da sua vida urbana e suburbana”, e tem como inspiração a trama política que levaria à presidência o marechal Hermes da Fonseca; e Triste fim de Policarpo Quaresma, romance do qual extraímos o texto a seguir. OBRAS ROMANCE ? Recordações do escrivão Isaias Caminha (1909) ? Triste fim de Policarpo Quaresma (1915) ? Numa e a ninfa (1915) ? Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919) ? Os bruzundangas (1923) (póstumo) ? Clara dos Anjos (1948) (póstumo) CONTO ? Histórias e Sonhos (1920) Obs.: As obras de Lima Barreto tiveram, na época, pouca aceitação. O modernismo, porem, valorizou-as e o autor conquista, dia a dia, mais admiradores. Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as cousas fizeste com sabedoria; Cheia está a terra das tuas riquezas. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.61033 TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA (Lima Barreto) Triste fim de Policarpo Quaresma conta a história de um nacionalista ingênuo, Policarpo Quaresma, que acredita em um Brasil forte, rico e soberano, e quer salvá-lo dos políticos corruptos. Entretanto, esse exaltado patriotismo só provoca risos e acaba por custar-lhe o internamento num hospício. Tendo apoiado o marechal Floriano, volta- se contra o seu governo por considerá-lo incompetente e desumano. Ao presenciar a escolha de antiflorianistas para fuzilamento, escreve, indignado, uma carta ao presidente. No dia seguinte, é preso e fuzilado. Desde dezoito anos o tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois que fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada... O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das suas coisas de tupi, do folklore?, as suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma! O tupi encontrou a incredulidade geral, o riso, a mofa?, o escárnio?; e levou-o à loucura. Uma decepção. E a agricultura? Nada. As terras não eram ferazes e ela não era fácil como diziam os livros. Outra decepção. E, quando o seu patriotismo se fizera combatente, o que achara? Decepções. Onde estava a doçura de nossa gente? Pois ele não a viu combater como feras? Pois não a via matar prisioneiros, inúmeros? Outra decepção. A sua vida era uma decepção, uma série, melhor, um encadeamento de decepções. A pátria que quisera ter era um mito; era um fantasma criado por ele no silencio do seu gabinete. Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a política que julgava existir, havia. A que existia de fato, era a do Tenente Antonino, a do doutor Campos, a do homem do Itamarati?. E bem pensando, mesmo na sua pureza, o que vinha a ser a Pátria? Não teria levado toda a sua vida norteado? por uma ilusão, por uma idéia a menos, sem base, sem apoio, por um Deus ou uma Deusa cujo império de esvaia?? (LIMA BARRETO, Triste fim de Policarpo Quaresma. 11ª ed. São Paulo, Ática, 1993. p. 175.) ? folklore (folclore) – estudo e conhecimento das tradições de um povo, expressas nas suas lendas, crenças, canções e costumes. ? mofa - zombaria ? escarnio – menosprezo; mofa; zombaria. ? Itamarati – Nome do palácio que, no Rio de Janeiro, serviu de sede do Ministério das Relações Exteriores. ? norteado – orientar, guiar. ? esvair – dissipar, desaparecer. COMPREENSÃO DO TEXTO 01. O texto retrata Policarpo Quaresma: o “Nacionalista”. a) Identifique características que comprovem essa afirmação. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ b) Como este traço de Quaresma repercute nas pessoas? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. O que Policarpo Quaresma pensa sobre a índole do povo brasileiro? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. Explique com suas palavras “A pátria que quisera ter era um mito”. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Que sonha Quaresma defendeu em toda sua vida? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. (UFPB) No romance Triste fim de Policarpo Quaresma: I O narrador apresenta-se na terceira pessoa, relatando fatos vividos pelo protagonista, sempre a se debater por objetivos inatingíveis. II O narrador, personagem principal da história, à custa da própria vida, toma consciência da realidade degradada em que vive. III O narrador, personagem secundário da história, conta a trajetória do major Quaresma na sua luta em defesa dos valores nacionais. IV O narrador, onisciente, revela os pensamentos mais íntimos do personagem principal. Estão corretas somente as afirmativas: a) I e II b) I e III c) I e IV d) II e III e) II e IV PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 34 06. (CESCEM-SP) Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto é: a) um livro de memórias em que a personagem- título, através de um artifício narrativo, conta as atribulações de sua vida até a hora da morte. b) a história de um visionário e nacionalista fanático que busca, ingenuamente, resolver sozinho os males sociais de seu tempo. c) uma autobiografia, em que o autor, sob a capa da personagem-título, expõe sua insatisfação em relação à burocracia carioca. d) o relato das aventuras de um nacionalista ingênuo e fanático que lidera um grupo de operação no inicio dos tempos republicanos. e) o retrato da vida e morte de um humilde burocrata, conformado, a contragosto, com a realidade social de seu tempo. 07. (UFVi-MG) Assinale a alternativa que estabelece uma perfeita correlação entre as colunas: (1) poeta romântico da primeira fase (2) poeta romântico byroniano (3) poeta romântico condoreiro (4) poeta parnasiano (5) poeta simbolista (6) romancista pré-modernista (7) autor de Os sertões ( ) Lima Barreto ( ) Olavo Bilac ( ) Cruz e Souza ( ) Euclides da C unha ( ) Gonçalves de Magalhães ( ) Álvares de Azevedo ( ) Castro Alves a) 3, 4, 6, 7, 1, 2, 5 b) 6, 1, 7, 3, 5, 2, 4 c) 7, 1, 4, 3, 2, 5, 6 d) 6, 4, 5, 7, 1, 2, 3 e) 5, 6, 4, 7, 1, 2, 3 08. (UFRGS-RS) Lima Barreto é um autor que se caracteriza por criar tipos: a) rústicos, ligados ao campo b) aristocratas, ligados ao campo c) aristocratas, ligados à cidade d) burgueses, ligados à cidade e) populares, ligados ao subúrbio. 09. (UFPA) A segunda metade do século XIX caracterizou-se aqui no Brasil por uma confluência de vários estilos de época, por vezes até contraditórios entre si. Neste período temos, por exemplo, manifestações de: a) simbolista b) impressionista c) parnasiano d) ultra-romântico e) romântico EUCLIDES DA CUNHA Sua obra máxima é Os Sertões, um ensaio sociológico e histórico em torno da Guerra de Canudos. Fatores geográficos, raciais e históricos determinam as ações dos jagunços rebeldes. Na primeira parte – A terra -, o autor analisa o condicionamento geográfico com o clima exercendo um papel preponderante na formação do meio e do homem, produto desse meio. Aborda o problema geológico do sertão, principalmente baiano, descrevendo a terra; estudando o clima, as secas, a flora da região; examinando a problemática do semideserto. Na segunda parte – O homem -, temos a análise da miscigenação e seus efeitos. Trata da formação racial do brasileiro, frisando a gênese do sertanejo – comparado magistralmente em sua vida, procedimento, rações e trabalho com o gaúcho. Na última parte – A luta-, a descrição do conflito resultante. Contudo, o autor peca pelo estilo retórico-discursivo, muitas vezes barroco e pomposo, mas que de modo algum retira o alto nível e a importância de Os sertões, no qual se percebe a formação positivista e a óptica determinista do escritor. É difícil enquadrar a obra de Euclidesnesta ou naquela escola literária. O estilo é vibrátil, nervoso, vivo e irônico. As figuras e comparações surpreendem. O vocabulário é preciso, vastíssimo, bizarro, às vezes. O período, por isso, é com freqüência rebuscado. São freqüentes os períodos longos. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 35 OBRAS ROMANCE ? Os sertões (1902) ? Peru versus Bolívia (1907) ? Contrastes e confrontos (1907) ? A margem da história (1909) ? Canudos: diário de uma expedição(1939) publicação póstuma. TEXTO: O HOMEM De repente, uma variante trágica. Aproxima-se a seca. O sertanejo adivinha-a e prefixa-a graças ao ritmo singular com que se desencadeia o flagelo?. Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e pouco invadida pelo limbo? candente? que irradia do Ceará. Buckle, em página notável, assinala a anomalia? de se não afeiçoar nunca, o homem, às calamidades naturais que o rodeiam. Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o peruano; e no Peru as crianças ao nascerem têm o berço embalado pelas vibrações da terra. Mas o nosso sertanejo, faz exceção à regra. A seca não o apavora. É um complemento à sua vida tormentosa, emoldurando-a em cenários tremendos. Enfrenta-a, estóico?. Apesar das dolorosas tradições que conhece através de um sem-número de terríveis episódios, alimenta a todo o transe esperanças de uma resistência impossível. CUNHA, Euclides da, Os sertões, 29 ed. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1979. p. 92 EXERCÍCIOS 01. Como Euclides da Cunha representa o sertanejo? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Estabeleça diferença entre o sertanejo e o peruano. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ ? flagelo – azzorrague; açoite; chicote; chibata; calamidade; castigo; peste; tortura; filamento vibrátil de certos protozoários, dos espermatozóides e de algumas outras células. ? limbo – orla, rebordo; extremidade. ? candente – em brasa; que esta queimando, ardendo, inflamando. ? anomalia – anormalidade. ? estóico – impassível diante da dor ou do infortúnio. 03. Por que Buckie caracteriza como uma “anomalia” quando se fere refere ao sertanejo? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Destaque do texto uma passagem que demonstra ser o flagelo da seca algo repetitivo e bastante conhecido pelo sertanejo. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. Cite três obras de Euclides da Cunha. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 06. Com relação à linguagem, o que caracteriza a obra de Lima Barreto? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 07. Ainda com relação à linguagem, qual a característica da obra Os sertões, de Euclides da Cunha? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 08. Associe: A – século XVII B – século XVIII C – século XIX D – século XX 1. ( ) Romantismo 2. ( ) Seiscentismo 3. ( ) Arcadismo 4. ( ) Modernismo 5. ( ) Realismo 6. ( ) Naturalismo 7. ( ) Parnasianismo 09. Não aparece na obra Os Sertões: a) Antônio Conselheiro b) Policarpo Quaresma c) Moreira César d) Marechal Floriano e) Canudos Cada dia te bendirei, e louvarei o teu nome. Grande é o Senhor, e muito digno de louvor. A sua grandeza é inescrutável. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 36 MONTEIRO LOBATO Lobato é, sem duvida, o maior escritor da literatura infanto- juvenil brasileira. Com ele ocorre uma verdadeira revolução no gênero, até então marcada por textos de preocupação moralistas, patrióticas e ufanistas, que, ao invés de divertirem as crianças, procuravam doutriná-las. Ao rejeitar os modelos tradicionais, levou as crianças a se divertirem com reflexão, modernidade e assimilação de valores universais. Sua produção infanto-juvenil constitui a parte mais importante da sua obra. Embora Monteiro Lobato fosse um homem que acreditasse no progresso, cometeu o equivoco momentâneo de criticar os modernistas de 22, de buscavam uma arte de reforma. Formou-se em Direito em São Paulo. Depois de breve tempo como promotor dedica-se à agricultura, não obtendo êxito. É nesta época que escreve os primeiros contos, aproveitando o abundante material que colhe em contato com os caboclos do vale do Paraíba. Cria a figura imortal do Jeca Tatu. Em 1917 estabelece- se em São Paulo, onde se entrega à atividade de editor. Luta pelo “pregresso social e mental de nossa gente”. Promove o livro brasileiro. Ficou célebre a campanha de Lobato pela exploração do petróleo e ferro nacionais. É o criador da Literatura Infantil brasileira. Construiu um verdadeiro universo infantil, vivificando os brinquedos da criança. Suas obras infantis são conhecidas em numerosos países. Como contista é comparado a Machado de Assis. Gozou e goza de imensa popularidade. O estilo de Lobato é inconfundível, dá vida a tudo que conta. O vocabulário é vasto, rico, adequado, incorporando naturalmente os regionalismos. A ironia é freqüente. Às vezes, chega à dramaticidade e ao patético. A inquirição psicológica não o preocupa. OBRAS CONTOS: ? Urupês (1918) ? Cidades mortas (1919) ? Negrinha (1920) ? A onda verde (1921) ? Mundo da lua (1923) ? O macaco que se fez homem (1923) LITERATURA INFANTO-JUVENIL ? A Chave do Tamanho ? As caçadas de Pedrinho ? A reforma da natureza ? Memórias de Emília ? O poço do Visconde ? O pica-pau amarelo ? O saci ? Os 12 trabalhos de Hércules ? O minotauro ? Reinações de Narizinho ? Viagem ao céu. ? O Marques de Rabicó ? Novas Reinações de Narinho ? Aritmética da Emília ROMANCES ? O choque das raças ou o presidente negro (1926) Obs.: Escreveu também crônicas e memórias de viagens. Charge feita por Belmonte, na qual Lobato faz uma "Campanha" pelo petróleo no Brasil PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 37 TEXTO: JECA TATU (Monteiro Lobato) Em Urupês (1918), Monteiro Lobato cria a figura do Jeca Tatu, o caipira atrasado e indolente?. Mais tarde, Lobato se conscientiza de que o tipo era uma conseqüência de problemas socioeconômicos e da ausência de reformas que dessem ao homem do campo condições de desenvolvimento. Jeca Tatu em charge feita por Belmonte Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade! Jeca mercador, Jeca lavrador, Jeca filosofo... Quando comparece às feiras, todo mundo logo adivinha o que ele traz: sempre coisas que a natureza derrama pelo mato e ao homem só custa o gesto de espichar a mãoe colher (...) Nada mais. Seu grande cuidado é espremer todas as conseqüências da lei do menor esforço – e nisto vai longe. Começa na morada. Sua casa de sapé e lama faz sorrir aos bichos que moram em toca e gargalhar ao joão-de-barro. Pura biboca? de bosquímano?. Mobília, nenhuma. A cama é uma ? indolente – negligente; sem atividade; ocioso; preguiçoso; vadio; desanimado. ? biboca – casa humilde, com cobertura de palha. ? bosquímano – individuo dos bosquímanos, povo sul-africano. espipada? esteira de peri? posta sobre o chão batido. Às vezes se dá ao luxo de um banquinho de três pernas – para os hóspedes. Três pernas permitem equilíbrio; inútil, portanto, meter a quarta, o que ainda o obrigaria a nivelar o chão. Para que assentos, se a natureza os dotou de sólidos, rachados calcanhares sobre os quais se sentam? Nenhum talher. Não é a munheca? um talher completo – colher, garfo e faca a um tempo? Seus remotos? avós não gozaram maiores comodidades. Seus netos não meterão quarta perna ao banco. Para quê? Vive-se bem sem isso. Se pelotas de barro caem, abrindo seteiras? na parede, Jeca não se move a repô-las. Ficam pelo resto da vida os buracos abertos, a entremostrarem nesgas? de céu. Quando a palha do teto, apodrecida, greta? em fendas por onde pinga a chuva, Jeca, em vez de remendar a tortura, limita-se, cada vez que chove, a aparar numa gamelinha? a água gotejante... Remendo... Para quê? se uma casa dura dez anos e faltam “apenas” nove para que ele abandone aquela? Esta filosofia economiza reparos. (MONTEIRO LOBATO, Urupês, São Paulo, Brasiliense, 1948. p. 245-6) COMPREENSÃO DO TEXTO 01. O que podemos concluir ao compararmos a personagem de Monteiro Lobato com o índio Peri, de José de Alencar, e os bravos e orgulhosos caboclos dos romances regionalistas do mesmo período? _____________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Em Jeca Tatu, Monteiro Lobato investe contra a idealização do caboclo, apontando algumas das suas características negativas. Qual delas é a mais criticada no texto? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ ? espipada – esticada; estendida. ? peri – (ou piri) – espécie de junco do qual se fazem esteiras; piripiri. ? munheca - mão ? remotos – antigo, distante. ? seteiras - frestas ? nesgas – pequeno espaço. ? gretar - rasgar ? gamelinha – vasilha de madeira ou barro. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 38 03. “Jeca mercador, Jeca lavrador, Jeca filosofo...” Este parágrafo refere-se ao Jeca de Monteiro Lobato ou aos caboclos dos romances românticos? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Você crê que Monteiro Lobato queria chamar a atenção para uma realidade que deveria ser mudada ou pretendeu apenas ridicularizar o caboclo? Por quê? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. Segundo você, que reformas e ações governamentais podem contribuir para a melhoria das condições de vida do homem do campo? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 06. A poesia pré-modernista: a) Foi francamente parnasiana, desprezando as diretrizes simbolistas. b) Foi tipicamente simbolista, mantendo-se distante da parnasiana. c) Embora de poucos autores importantes, apresenta um volume de obras bem superiores à prosa. d) Não pode desenvolver-se automaticamente, embora os grandes nomes da época Realista já não exercessem nenhuma influência. e) Foi de produção modesta em relação à prosa. Mas apresenta alguns nomes, como Augusto dos Anjos, que não podem ser relegados a um plano secundário. 07. Quais as três obras regionalistas de Monteiro Lobato? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ AUGUSTO DOS ANJOS A poesia de Augusto dos Anjos caracteriza-se pela crueza dos temas, que giram em torno da morte e da doença, focalizando hospitais, necrotérios, hospícios, cadáveres e micróexotismo da linguagem, carregada de vocábulos científicos e, por um agudo pessimismo diante da vida. Apesar de influenciado pelo Parnasianismo e pelo Simbolismo, antecipa “descobertas” moder- nistas, tais como a desvinculação da palavra poética do seu compromisso com o belo, a utilização de frases nominais e de recursos impressionistas e expressionistas. À visão do mundo harmonioso das elites da época, da literatura “sorriso da sociedade”, Augusto dos Anjos contrapôs um outro, de decomposição, angustia e sofrimento, em que se percebe a inquietação filosófica do poeta sobre o enigma do Universo e da própria vida. TEMÁTICA MATERIALISTA Augusto se inspira na matéria e no domínio desta sobre as coisas. O poeta vê-se preso, envolvido, corrompido e chamado por ela, minada ainda por uma angustia profunda e negativista. Assim não alcançou o espírito, o amor, o lirismo das coisas. VOCABULÁRIO CIENTIFICO Augusto é o primeiro poeta que consegue empregar poeticamente, e com freqüência, palavras científicas (tiradas da Química, da Física e da Biologia), as únicas que, possivelmente, poderiam manifestar suas ideais materialistas. Veja, por exemplo, o texto Psicologia de um Vencido. OBRAS POESIA ? Eu (1912) ? Eu e outras poesias (1920), publicação póstuma. Deus nos ensina e nos fala por meio de nossas experiências diárias. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 39 TEXTO: PSICOLOGIA DE UM VENCIDO Eu, filho do carbono e do amoníaco. Monstro de escuridão e rutilância?, Sofro, desde a epigênese? da infância, A influencia má dos signos do zodíaco. Profundissimamente hipocondríaco?, Este ambiente me causa repugnância?... Sobe-me à boca uma ânsia análoga? à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme – este operário das ruínas Que o sangue podre das carnificinas? Come e à vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade? inorgânica da terra! ANJO, Augusto dos. “Psicologia de um vencido”. In: Poesia e prosa. São Paulo, Ática, 1977, p. 64. EXERCÍCIOS 01. Um dos elementos da renovação de Augusto dos Anjos é a desvinculação da palavra do seu compromisso com o belo, dessacralizando-a e incluindo vocábulos até então apoéticos.Que exemplos podemos retirar do texto para exemplificar essa afirmação? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. A incorporação de termos científicos na poesia de Augusto dos Anjos revela que tipo de influência? _________________________________________ _________________________________________ 03. Por influência simbolista – sobretudo de Baudelaire e sua poesia da decomposição -, a imagem da decadência é comum na poesia de Augusto dos Anjos. No poema, essa imagem se realiza no plano físico ou espiritual? Qual o seu agente? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ ? rutilância - brilho ? epigênese – teoria da formação dos seres por gerações graduais. ? hipocondríaco – que tem mania de doença; triste; melancólico. ? repugnância – qualidade de repugnante; escrúpulo, relutância; aversão; asco. ? análoga – ponto de semelhança entre coisas diferentes. ? carnificina – mortandade; extermínio. ? frialdade – frieza; desinteresse. 04. A angústia diante da vida, a imagem da decomposição da carne e a linguagem exótica – alguns dos elementos caracterizadores da poesia de Augusto dos Anos – estão presentes nesse poema. Exemplifique cada um deles com elementos do poema. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. A que autor pré-modernista se refere cada um dos comentários a seguir? a) “Os dramas humildes, as tragédias da classe média encontraram nele um grande, fiel e enternecido intérprete. Mas soube retratar, com agudeza e sarcasmo, os meios políticos e as redações dos jornais, mostrando aspectos curiosos e dolorosos.” (Fernando Góis) _________________________________________ _________________________________________ b) “Vislumbrando na matéria orgânica uma vocação fatal para o sofrimento, o poeta concebia o espetáculo da vida como um permanente encaminhar-se para a dissolução.” (José Paulo Paes) _________________________________________ _________________________________________ c) “Nesses capítulos informados pela mais exaustiva erudição cientifica (geológica, orográfica, climatológica, hidrográfica, botânica, zoológica, antropológica, etnográfica, folclórica, sociológica e, mesmo, psiquiátrica), tanta multiplicidade de fatos e de interpretações destina-se a iluminar, com a luz crua e violenta da evidência, o meio asperamente conflituoso em que sofre o jagunço nordestino.” (Alfredo Bosi) _________________________________________ _________________________________________ d) “Os romances que escreveu e que no tempo não alcançaram a repercussão merecida porque o autor, como homem, vivia como que à margem da sociedade, mostram um escritor dos mais característicos que tivemos, um artista que tinha a paixão da sua cidade, dos bairros distantes, dos subúrbios de funcionários, num tempo em que as serenatas e o violão eram a nota pitoresca dos arrabaldes cariocas.” (Fernando Góis) _________________________________________ _________________________________________ e) “Mesmo que sua poesia não tenha sido ‘descoberta’ pelos primeiros modernistas, não há como negar, no Eu, a configuração de alguns procedimentos caracterizadores da transformação poética (em sentido amplo) desencadeada pelo Modernismo e por atitudes estéticas que lhe foram precursoras.” (Lúcia Helena) _________________________________________ _________________________________________ PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 40 f) “A contradição moderno-antimodernista leva-o a uma crítica injusta e violenta à pintura de Anita Malfatti, fato cultural mais importante antes da Semana da Arte Moderna.” (PUC-RS) _________________________________________ _________________________________________ 06. Que atitude comum caracteriza a postura literária de autores pré-modernistas como Lima Barreto, Graça Aranha, Monteiro Lobato e Euclides da Cunha? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ GRAÇA ARANHA Foi um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras. Formado em Direito, foi aluno de Tobias Barreto, exerceu a magistratura no interior do Estado do Espírito Santo, fato que lhe iria fornecer matéria para um de seus mais notáveis trabalhos - o romance Canaã, publicado com grande sucesso editorial em 1902. Ao traçar-lhe o perfil o romancista Afrânio Peixoto se manifestara da seguinte forma: "Magistrado, diplomata, romancista, ensaísta, escritor brilhante, às vezes confuso, que escrevia pouco, com muito ruído." Na França publicou, em 1911, o drama Malazarte. De 1920, já no Brasil, é A estética da vida e, três anos mais tarde, A correspondência de Joaquim Nabuco e Machado de Assis. Na famosa Semana da Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo, Graça Aranha profere, em 13/02/1922, a conferência intitulada: "A emoção estética na arte moderna". Iniciou-se uma fase agitada nos círculos literários do país. Graça Aranha é considerado um dos chefes do movimento renovador de nossa literatura, fato que vai acentuar-se com a conferência "O Espírito Moderno", lida na Academia Brasileira de Letras, em 19 de junho de 1924, na qual o orador declarou: "A fundação da Academia foi um equívoco e foi um erro". O romancista Coelho Netto deu pronta resposta a Graça Aranha: "O brasileirismo de Graça Aranha, sem uma única manifestação em qualquer das grandes campanhas libertadoras da nossa nacionalidade, é um brasileirismo europeu, copiado do que o conferente viu em sua carreira diplomática, apregoado como uma contradição à sua própria obra." Em 18 de outubro de 1924, Graça Aranha comunicou o seu desligamento da Academia por ter sido recusado o projeto de renovação que elaborara: "A Academia Brasileira morreu para mim, como também não existe para o pensamento e para a vida atual do Brasil. Se fui incoerente aí entrando e permanecendo, separo-me da Academia pela coerência." Diplomata aposentado, Graça Aranha regressara ao Brasil pouco depois do término da 1ª. Guerra Mundial. O Acadêmico Afonso Celso tentou, em 19 de dezembro do referido ano, promover o retorno de Graça Aranha às lides acadêmicas. Este, contudo, três dias depois, agradeceu o convite, acrescentando: "A minha separação da Academia era definitiva", e, mais: "De todos os nossos colegas me afastei sem o menor ressentimento pessoal e a todos sou muito grato pelas generosas manifestações em que exprimiram o pesar da nossa separação". Em 1930 surgia Viagem Maravilhosa, derradeiro? romance do autor de Canaã, obra em que a opinião dos críticos da época se dividiu em louvores e ataques. OBRAS ? Canaã (1902) romance ? Estética da Vida (1921) ensaio ? O Espírito Moderno (1925) ensaio ? A Viagem maravilhosa (1927) romance TEXTO: CANAÃ É a melhor obra de Graça Aranha. Tem como palco Porto do Cachoeiro, no Espírito Santo, onde o autor fora juiz. Os imigrantes alemães, Milkau e Lentz que muito se estimam, defendem teses opostas: o primeiro prega a paz, a igualdade e harmoniaentre os homens; o segundo defende a superioridade da raça ariana. O romance continua com a prisão de Maria, acusada de infanticídio?. Maria tinha sido expulsa de casa por ser mãe solteira e dera à luz em tal abandono que os porcos lhe devoraram a criança. Milkau salva-a e buscam ambos Canaã, onde não haverá maldade mas só amor. Num desses passeios foram até uma colônia, que ainda não tinham visto. À porta estava ? derradeiro – último; extremo; final; postimeiro. ? infanticídio – assassínio do recém-nascido, morte dada a uma criança. José Pereira da Graça Aranha nasceu em 21 de junho de 1868, na capital do Estado do Maranhão, filho de Temistocles da Silva Maciel Aranha e de Maria da Glória da Graça. Faleceu no Rio de Janeiro, em 26 de janeiro de 1931. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 41 um ancião, que os convidou a repousar um pouco, e, enquanto a família se entretinha nos arranjos domésticos e no trato dos animais, os dois amigos ficaram a conversar com o velho. Falaram da Alemanha, e o ancião narrou-lhe sem demora traços da sua vida . Era um veterano do exercito prussiano, cuja memória estava cheia de lembranças da última guerra. Lentz se interessava pelos pormenores dessas histórias, e o velho falava satisfeito e vaidoso de entreter os jovens. Na sua narrativa imaginosa passava cidades estranhas, destilavam exércitos, estrondeava o tumulto das batalhas, desabavam cargas de cavalaria, a chuva oblíqua da metralha mudava em lama sanguinolenta a miserável e inquieta poeira humana, varrida em turbilhões heróicos pelo tufão da Conquista. O velho soldado terminou por contar que uma vez, num reconhecimento, caíra do cavalo e por cima do peito lhe passara num galope o animal de um camarada, e como, abandonado, a vomitar sangue, fora por um acaso colhido na estrada. Desde então dera baixa e emigrara para o Brasil, onde o clima quente lhe mantinha a vida... A essas lembranças misturava outros episódios da invasão, quadros da cultura estrangeira apenas entrevista e que recolhera à retina com essa sensação de deslumbramento maravilhoso, como a que ficava do minuto de um Bárbaro no seio da civilização... Ainda o apavorava o terror da disciplina. Escapara de ser fuzilado, porque uma noite de dezembro, em França fazendo parte de uma guarnição, exigira dos moradores da casa onde se acampara uns cobertores. E essa extorsão, além do que era permitido reclamar, ele ia pagando com a vida. Lentz aplaudiu então a força imortal, que comandava e era temida... E sorria como havia muito tempo não lhe era dado. Entusiasmado, o veterano, ergueu-se, e caminhando trôpego, levou os vizinhos para dentro da casa para mostrar-lhes velhos retratos de reis, vistas da Prússia, estampas da guerra. Tudo era antigo, mobílias, quadros e lembranças. Tudo ali era uma volta ao Passado. Em caminho para a colônia, disse Lentz: ― Que consolo senti indo à casa desse velho! Parecia ter penetrado um instante no passado intato da Prússia. ― Mas é preciso não amares demais esse passado - observou Milkau. ― E por que não me retemperarei nas fontes da minha raça? ― perguntou Lentz, com um tom enfático de superioridade. ― Por quê? Porque ― respondeu Milkau – o que estimas nesse passado é exatamente o que ele tem de humilhante e vergonhoso. Amas o seu espírito de destruição, o demônio que o agitava, a alma senhoril, a servidão, a guerra, o sangue, tudo o que separa e destrói... Dia a dia será reduzido o campo da veneração? pelas instituições da Antiguidade. Amemos o sacrifício feito pelo amor humano, a ciência, a arte... Mas aquele amor inconsiderado por tudo o que é passado, tudo o que foi, é um dos sopros mais poderosos para a desordem universal. E eu tenho que o estudo das coisas antigas, o prestigio das próprias letras mortas ? veneração – Ato ou efeito de venerar; reverencia; culto; preito. que é objeto de veneração; muito respeitado. são outros tantos venenos que acordavam a alma do homem de hoje e dão um encanto crescente ao mistério da autoridade... Os que se colocam no passado, aqueles cujas almas se fazem artificialmente antigas, esses são os verdadeiros inimigos do gênero humano, são os pregadores da desordem, os profetas do tédio e da morte. ― Tu sabes bem ― interrompeu Lentz ―, não é tudo do passado que eu amo, mas regozijo- me quando testemunho nele a ostentação das fortes qualidades humanas da nossa Pátria. ― E que benefício resulta dessa força, dessa grandeza da Pátria? ― Oh! Exatamente o que nela venero é a tendência imperial, a fibra belicosa?, a expansão universal, a tenacidade?, o gênio militar, a disciplina... ― as que é a Pátria? ― A Pátria... ora Milkau, tu não sabes? É a raça, uma civilização particular que nos fala no sangue, o nosso eu, a nossa própria projeção no mundo, a soma de nós mesmos multiplicados ao infinito. Não há ninguém que fuja da sua atmosfera... Imortal! ― Não, meu querido Lentz, a Pátria é uma abstração? transitória e que vai morrer... Sobre ela nada se fundou. Nem arte, nem religião, nem ciência. Nada absolutamente nada tem uma forma elevada, sendo patriótico. O gênio humano é universal... A Pátria é o aspecto secundário das coisas, uma expressão da política, a desordem, a guerra. A Pátria é pequena, mesquinha?, uma limitação para o amor dos homens, uma restrição que é preciso quebrar. (GRAÇA ARANHA, Canaã, fragmento) EXERCÍCIOS 01. Qual a opinião de cada um sobre uma sociedade fraternal? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. E sobre a relação sociedade/força? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ ? belicosa – guerreira; combativa. ? tenacidade – qualidade de tenaz; teimosia; assiduidade; contumácia; apego; avareza; dureza. ? abstração – absorto; abstrato; concentração; alheamento; .abstraimento. ? mesquinha – privado do necessário; insignificante; pobre; infeliz; estéril; não generoso; avarento; avaro. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 42 03. Você acredita em uma sociedade como aquela proposta por Milkau? Justifique a sua resposta. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. De que trata Canaã? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. Numere a primeira coluna pela segunda: 1. Graça Aranha4. Euclides da Cunha 2. Lima Barreto 5. Coelho Neto 3. Humberto de Campos ( ) Os sertões ( ) O Espírito Moderno ( ) Canaã ( ) Triste Fim de Policarpo Quaresma ( ) Memórias ( ) Contrastes e Confrontos ( ) Rec. do Escr. Isaías Caminha ( ) A Capital Federal ( ) À Margem da História ( ) Rei Negro 06. O autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma é um pré-modernista e aborda em seus romances a vida simples dos pobres e dos mestiços. Reveste seu texto com a linguagem descontraída dos menos privilegiados socialmente. O autor descrito acima é: a) Euclides da Cunha b) Graça Aranha c) Manuel Bandeira d) Lima Barreto e) Graciliano Ramos 07. Obra que opõe a supremacia ariana e a energia do dominador sobre o mestiço fraco à harmonia entre os povos. a) Vidas Secas b) Negrinha c) Clara dos Anjos d) Canaã e) Malasarte 08. Assinale a alternativa em que estejam presentes duas características do trabalho literário de Augusto dos Anjos. a) utiliza termos científicos e é pessimista. b) angustia-se com a decomposição da carne e fala na Dor. c) causou escândalo por sua linguagem, por seu vocabulário incorreto e de mau gosto. d) faz versos com linguagem técnica da Física, Química e Biologia e acredita que as forças da matéria conduzem ao Mal e ao Nada. e) contempla a destruição sem interferir e preocupa-se com os efeitos da Dor na sociedade. 09. (PUC-RS) É um dos traços mais característicos do Pré-Modernismo, época literária do inicio do século XX: a) ênfase dada a temas universais, em detrimento dos nacionais; b) o culto do subjetivismo, a ênfase dada ao individualismo do autor; c) a busca de motivos e temas bucólicos e pastoris que denunciassem o crescimento das cidades industrializadas. d) a despreocupação de problemas referentes à realidade cotidiana. e) a problematização de nossa realidade social e cultura. 10. (UFRS) Uma atitude comum caracteriza a postura literária de autores pré-modernistas, a exemplo de Lima Barreto, Graça Aranha, Monteiro Lobato e Euclides da Cunha. a) a necessidade de superar, em termos de um programa definido, as estéticas românticas e realistas. b) a pretensão de dar um caráter definitivamente brasileiro à nossa literatura, que julgavam por demais europeizada. c) uma preocupação com o estudo e com a observação da realidade brasileira. d) a necessidade de fazer crítica social, já que o Realismo havia sido ineficaz nessa matéria. e) o aproveitamento estético do que havia de melhor na herança literária brasileira, desde suas primeiras manifestações. 11. (PUC-RS) Na figura de ___________, Monteiro Lobato criou o símbolo do brasileiro abandonado ao seu atraso a miséria pelos poderes públicos. a) O cabeleira d) Blau Nunes b) Jeca Tatu e) Augusto Mastraga c) João Miramar 12. (FAU-SP) Criador da literatura infantil brasileira. Criticado por seu agnosticismo, pois era influenciado pelo evolucionismo, positivismo e materialismo de fins de século passado. a) Monteiro Lobato b) Jorge de Lima c) Rui Barbosa d) José de Anchieta e) José Lins do Rego Amado Deus, ajuda-nos a estar Contigo sempre, pois Tu nunca nos abandonas e as Tuas misericórdias se renovam a cada amanhecer. Hoje é dia de nascer no novo para Deus. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 43 GRAMATICA: ORDEM DAS PALAVRAS NA FRASE Há em português uma ordem normal de colocação dos termos, chamados ordem direta, que obedece aos seguintes princípios gerais: ? sujeito antes do predicado. ? predicado imediatamente após o sujeito. ? Os complementos após as palavras a que se referem. ? os adjetivos depois dos substantivos. ? a preposição entre as palavras ligadas. Havendo deslocação dessa ordem, teremos a ordem inversa. Exemplo: • O compadre expôs o objeto de sua visita. (ordem direta) • Expôs o compadre de sua visita o objeto. (ordem inversa) CASOS ESPECIAIS DE COLOCAÇÃO 1. O sujeito deverá ser colocado após o verbo: a) quando este estiver na voz passiva sintética ou pronominal: • alugam-se casas. b) nas orações interrogativas, não sendo o sujeito representado por pronomes interrogativos: • Que disse ele? Vendeu ele a casa? c) quando o verbo estiver numa das formas nominais (gerúndio, particípio ou infinitivo): • Terminada a aula, os alunos retiraram-se em algazarra. • Ao terminar a aula, todos corriam para casa. • Terminando a aula, os alunos retiram-se. 2. A colocação do adjetivo antes ou depois do substantivo pode modificar o seu significado: • Grande homem (= ilustre) • homem grande (= alto) 3. Os numerais, normalmente colocados antes dos substantivos, deverão ser pospostos quando indicarem hierarquia de reis e papas: • D. Pedro I (primeiro) • Luís X (décimo) • Pio XI (onze) • João XXIII (vinte e três) GRAFIA E EMPREGO DOS PORQUÊS PORQUE Separado e sem acento. É usado em dois casos: ? quando inicia ou introduz uma oração interrogativa. • Porque você fez isso? ? quando o que é pronome relativo. • Este é o caminho por que passo diariamente. (porque = pelo qual) POR QUÊ Separado e com acento. É usado quando aparece no final de uma oração interrogativa. • Você ficou por quê? PORQUE Junto e sem acento. É usado quando for conjunção. • Alice faltou às aulas porque estava doente. PORQUÊ Junto e com acento. Usamos “porquê”, quando for substantivo. • Eis o porquê da questão. SINTAXE DE CONCORDÂNCIA Concordância é o principio sintático segundo o qual as palavras dependentes se harmonizam, nas suas flexões, com as palavras de que dependem. Assim: ? os adjetivos, pronomes artigos e numerais concordam em gênero e número com os substantivos determinados (concordância nominal) ? o verbo concordará com o seu sujeito em número e pessoa (concordância verbal). CONCORDÂNCIA NOMINAL 1. Quando o adjetivo se referir a um só nome, o substantivo concorda com ele em gênero e número. • Boa árvore não dá maus frutos. 2. Quando o adjetivo se referir a dois ou mais substantivos do mesmo gênero e do singular e vier posposto, toma o gênero deles e vai facultativamente, para o singular ou plural. • Disciplina, ação e coragem digna (ou dignas). Porém: • Dedicado o pai, o filho e o irmão. (adjetivo anteposto concordará com o mais próximo). 3. Quando o adjetivo se referir a dois ou mais substantivos de gêneros diferentes e do singular e vier posposto, poderá ir para o masculino plural ou concordar com o mais próximo. • Escolheste lugar e hora maus. • Escolheste lugar e hora má. Porém: • Sinto eterno amor e gratidão. (adjetivo anteposto concordará com o mais próximo). PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 44 4. Quando o adjetivo se referir a dois ou mais substantivos de gêneros diferentes e do plural e vier posposto, tomará o plural masculino ou concordará com o mais próximo. • Rapazes e moças estudiosos (ou estudiosas). 5. Quando o adjetivo se referir a dois ou mais substantivos de gênero e número diferente e vier posposto, poderá concordar com o mais próximo ou ir para o plural masculino. • Primos, primas, e irmãs educadíssimas (ou educadíssimos). 6. Pode o adjetivo ainda concordar com o mais próximo quando os substantivos são ou podem ser considerados sinônimos. • Gratidão e reconhecimento profundo.7. Quando dois ou mais adjetivos se referem ao mesmo substantivo determinado pelo artigo, ocorrem três tipos de construção: • Estudo as línguas inglesas e francesa. • Estudo a língua inglesa e a francesa. • Estudo a língua inglesa e francesa. 8. As palavras: mesmo, próprio e só (quando equivale a sozinho) concordam segundo a regra geral em gênero e número com a palavra a que se referem. Só quando equivale a somente é advérbio e invariável. • Ela mesma me avisou. • Vocês próprios me trouxeram a notícia. • Nós não estivemos sós. • Só eles não concordaram. Obs.: A expressão a sós é invariável. • Gostaria de ficar a sós por uns momentos. 9. Anexo, incluso, junto, bastante e nenhum, concordam, normalmente, com os substantivos a que se referem. • Segue anexa a cópia do contrato. • Vão inclusos os requerimentos. • Seguem juntas as notas. • Bastantes pessoas ignoram esse plural. • Homens nenhuns, nenhumas causas. Observações: ? Alerta e menos são sempre invariáveis. • Estamos alerta. • Há situações menos complicadas. • Há menos pessoas no local. ? Em anexo é sempre invariável. • Seguem, em anexo, as fotografias. 10. Meio – meia, como adjetivo concordam em gênero e número com o substantivos que modificam, mas como advérbio meio permanece invariável. Observação: Como adjetivo, modifica o substantivo; como advérbio, modifica o adjetivo, o verbo e o próprio advérbio. • Já é meio-dia e meia (hora). (substantivo) • Comprei dois meios litros de leite. (substantivo) • Quero meio quilo de café. (substantivo) • Ele sentia-se meio cansado. (adjetivo) • Elas pareciam meio tontas. (adjetivo) • Minha mãe está meio exausta. (adjetivo) Estão nesse caso palavras como: pouco, muito, bastante, barato, caro, meio, longe, etc. 11. Dado e visto e qualquer outro particípio concordam com o substantivo a que se referem. • Dados os conhecimentos (substantivo masculino) • Dadas as condições (substantivo feminino) • Vistas as dificuldades (substantivo feminino) 12. As expressões um e outro e nem um nem outro são seguidas de um substantivo singular. • ... mas aprovei um e outro ato. • ... mas uma e outra coisa duraram. Porém: Quando um e outro for seguido de adjetivo, o substantivo fica no singular e o adjetivo vai para o plural. • Uma e outra parede sujas. • Um e outro lado escuros. 13. A palavra possível em o mais ... possível, o pior possível, o melhor possível, mantém-se invariável. • Praias o mais tentadoras possível. Porém: Com o plural os mais, os menos, os piores, os melhores, a palavra possível vai para o plural. • Praias as mais tentadoras possíveis. 14. A palavra obrigado concorda com o nome a que se refere. • Muito obrigado (masculino singular) • Muito obrigada (feminino singular) • Eles disseram muito obrigados (masculino plural) 15. O verbo ser mais adjetivo. Nós predicados nominais em que ocorre o verbo ser mais um adjetivo, formando expressões do tipo é bom, é claro, é evidente, etc., há duas construções: ? se o sujeito não vem precedido de nenhum modificador, tanto o verbo quanto o adjetivo ficam invariáveis. • Empada é bom. • É proibido entrada. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 45 ? se o sujeito vem precedido de modificador, tanto o verbo quanto o predicativo, tanto o verbo quanto o predicativo concordam regularmente. • A empada é boa. • É proibida a entrada. 16. Concordância do Adjetivo (Predicativo) ? Predicativo do Sujeito: concorda com o sujeito em número e gênero: • As crianças estavam tristonhas. ? Predicativo do Objeto: ― Se o objeto direto for simples o adjetivo predicativo concorda em gênero e número com o objeto. • Trouxeram-na desmaiada. ― Se o objeto direto for composto o adjetivo predicativo deverá flexionar-se no plural e no gênero dos objetos. • A justiça declarou criminosas a atriz e suas amigas. 17. Substantivo ligados por ou: o adjetivo concorda com o mais próximo ou, então, vai para o plural. • Uma flor ou um fruto saboroso OU saborosos. 18. Dois ou mais ordinais determinando o substantivo: este ficará no singular ou no plural. • a primeira e segunda ferida (OU feridas) do coração. EXERCÍCIOS 01. (F.C.Chagas-BA) Assinale a alternativa que completa corretamente o período: __________ de exigências! Ou será que não __________ os sacrifícios que __________ por sua causa? a) Chega - bastam - foram feitos b) Chega - bastam - foi feito c) Chegam - basta - foi feito d) Chegam - basta - foram feitos e) chegam - bastam - foi feito 02. Assinale a alternativa em que ocorre erro na concordância do verbo ser e do predicativo. a) É perigoso contratos muito longos. b) Foi arriscada a sua proposta. c) E necessário atitudes desse tipo. d) Não parecia, mas era claro sua intenção. e) Cerveja gelada é bom para a saúde. 03. Assinale a alternativa em que ocorra algum erro de concordância nominal. a) Saiba que você cometeu um crime de lesa- majestade. b) Estejam alertas, pois o inimigo não manda aviso. c) Há menos indecisões do que parece. d) Permitiram-me que as deixo só e) Ele sentiu que precisava ficar a sós. 04. Assinale, dentre as frases abaixo, as opções corretas quanto à concordância nominal. a) É meio-dia e meia. b) É proibido entrada. c) É proibido a entrada. d) Seguem anexo os documentos e) Seguem anexo notas fiscais. f) Envio inclusas as faturas. g) É permitido a entrada. Questões de 5 a 9 – responda segundo o código: a) apenas correta a I b) Apenas correta a II. c) Apenas correta a III d) Todas corretas e) Todas erradas. 05. I É expressamente proibido a entrada. II Maçã é muito bom para os dentes. III Será necessária tal atitude? 06. I Encontrei rapazes e moças estudiosos. II Considero Teresa e Reinaldo estudioso. III Nas férias, li bastante livros. 07. I Encontrei uma e outra janela aberta. II Marta estava meia preocupada. III Seguia anexo ao envelope uma lista de preços. 08. I Li, nas férias, belos contos e fábulas. II Observe o quinto e o sexto capítulo. III Ali, funciona uma escola de primeiro e segundo graus. 09. I Na sala, havia lugares bastantes para todos. II Eu mesmo, uma mulher experiente, cometo erros infantis. III É necessário, neste momento, a exatidão dos fatos. 10. (Belas Artes-SP) Marque a alternativa que preencha adequadamente as lacunas do período abaixo: Ela estava __________ irritada e, à __________ voz, porém com __________ razões, dizia __________ desaforos. a) meio meia bastantes bastantes b) meia meia bastante bastante c) meia meia bastante bastantes d) meio meia bastante bastante e) nda Se permitirmos que Deus escolha o nosso caminho, descobriremos novas bênçãos. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 46 11. Assinale o item que apresenta erra de concordância: a) Os fatos falam por si só. b) Ele estuda a história e a mitologia egípcia.] c) Estes produtos custam cada vez mais caro. d) Ela mesma nos agradeceu 12. Assinale a frase errada: a) Ela mesmo fez o discurso de posse. b) Seguem anexas as fotografias da solenidade de colação de grau c) O exercício encontra-se nas páginas um e dois. d) Nós próprios assumimos a responsabilidade. e) Os meninos ficaram alerta. 13. Complete as frases abaixo utilizandomeio (ou suas variações). a) Ela estava __________ aborrecida com sua atitude. b) Luciana anda __________ preocupada com sua saúde. c) A porta está __________ aberta. d) Tomou sozinho __________ garrafa de vinho. e) Ele chegou ao meio dia e __________ 14. Complete as frases abaixo utilizando bastante ou bastantes. a) __________ alunos foram ao acampamento. b) Não havia __________ motivos para ele faltar. c) Compareceram àquele lugar __________ vezes. d) Elas falam __________ alto. e) Eram alunas __________ simpáticas. 15. Preencha as frases abaixo utilizando adequadamente a palavra entre parênteses. a) Eram assuntos __________ interessantes. (muito) b) Os exercícios foram resolvidos __________ vezes. (muito) c) Os livros custaram __________ (caro) d) Naquela loja, havia mercadorias __________ (barato) e) Paguei __________ aquela moto. (caro) 16. Nas frases abaixo, ocorrem erros com relação à sintaxe de concordância. Reescreva-as, corrigindo-as. a) Aspirina é boa para dor de cabeça. b) É proibida entrada de menores de dezoito anos. c) Escolheu oportunos momentos e hora para sari. d) Era necessário a presença de todos na reunião. e) É vedado a entrada de estranhos. 17. (UM-SP) Marque a alternativa cuja seqüência preencha adequadamente as lacunas do seguinte período: Nós __________ socorremos o rapaz e a moça __________ __________. a) mesmos bastante machucados b) mesmo bastantes machucados c) mesmos bastantes machucados d) mesmo bastante machucada e) mesmos bastantes machucada. CONCORDÂNCIA VERBAL O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa com as seguintes regras: 1. Sujeito composto anteposto ao verbo: Este fica no plural. • O pai, a mãe e o filho estão ausentes. 2. Sujeito composto posposto ao verbo: Esse pode concordar com o núcleo mais próximo ou com todos os núcleos indo para o plural. • Está ausente o pai, a mãe e o filho. • Estão ausentes o pai, a mãe e o filho. 3. Sujeito composto por pronomes pessoais diferentes: O verbo vai para o plural concordando com a pessoa que possui prioridade gramatical (ou seja), 1ª pessoa prevalece sobre 2ª 3 ª; 2ª pessoa prevalece sobre a 3ª). • Eu, tu, ele e ela somos bons amigos. (eu – nós) • Tu, ele e ela sois bons amigos. (tu – vós) • Ela e tu ireis embora. (tu – vós) 4. Sujeito composto: Tendo seus núcleos ligados por não só ... mas também, tanto ... quanto, não só ... como, o verbo concorda com o mais próximo ou vai para o plural. • Não só a moça, mas também o príncipe estariam pobres. Obs.: Caso se trate de uma simples comparação, o verbo fica no singular. • Este aumento de salário, assim como o anterior, não compensou. 5. Sujeito ligado por “com”: O verbo irá para o plural se indicar cooperação na ação, visto que a preposição forma verdadeiro sujeito composto, equivalente a e; se a preposição com exprimir circunstância de companhia, o verbo fica no singular. • Napoleão com seus soldados invadiram a Europa. • Egas Monis, com a mulher e os filhos apresentou-se ao rei da Espanha. 6. Sujeito ligado por “ou”: Levar-se-á em conta para o verbo ficar: ? no singular: • exclusão: Pedro ou Paulo será eleito. • sinonímia: A glotologia? ou a lingüística é uma ciência que se ocupa da linguagem humana. ? no plural: • inclusão: O calor ou o frio excessivo prejudicam certas plantas. (ou = e) • antonímia: O choro ou o riso constituíam o viver daquela gente. ? glotologia – ciência que estuda os princípios gerais da formação e evolução da linguagem. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 47 • retificação: O ladrão ou os ladrões não deixaram nenhum vestígio. Porém: Na antecipação do verbo, da-se concordância com o mais próximo. • Nenhum vestígio de sua presença deixou o autor ou autores do crime. 7. Sujeito representados por “um e outro”: O verbo pode ficar no singular ou no plural. • Um e outro testemunho o condenavam (ou condenava). 8. Sujeitos representados por “um ou outro”: O verbo fica no singular. • Uma ou outra pode alugar a casa. 9. Sujeito representado por “nem um, nem outro”: Exige o verbo no singular. • Afirma-se que nem um, nem outro falou a verdade. 10. Sujeito representado por expressão como “a maioria de” (a maior parte, parte de) + um nome no plural: O verbo irá para o singular ou plural. • A maioria dos doidos ali metidos estão ou está em perfeito juízo. 11. Sujeito representado por um coletivo: O verbo fica no singular, embora em escritores clássicos se encontrem exemplos de concordância não com o coletivo, mas com a idéia de plural que ele encerra (silepse). • Mas nem sempre o povo acerta. 12. Sujeito representado pela palavra “que” pronome relativo: O verbo concorda em número e pessoa com o antecedente da palavra “que”. • Fui eu que te vesti do meu sudário. • Não és tu que me dás felicidade. 13. Sujeito representado pelo pronome “quem”: O verbo vai para a 3ª pessoa do singular, ou concorda com o sujeito da oração principal. • Mas não sou eu quem está em jogo. (ou “estou”) 14. Sujeito composto seguido de um aposto resumidor: O verbo concorda com a palavra resumidora e não com o sujeito composto. • Jogos, convenções, espetáculos, nada o distraía. • Desvios, fraudes, roubos, tudo era permitido. 15. Verbo + pronome apassivador “se”: Concorda com o sujeito paciente em número e pessoa. • Ouviam-se aplausos no salão. • Compram-se livros usados. • Vendem-se apartamentos. 16. Verbo + índice de indeterminação do sujeito “se”: Fica o verbo na 3ª pessoa do singular. • Precisa-se de carpinteiros. • Gosta-se de praias naquela região. • Necessita-se de outras explicações. 17. Verbos impessoais: Ficam, normalmente, na 3ª pessoa do singular: ? O verbo haver no sentido de existir, acontecer. • Havia dois alunos no corredor. • Houve fatos estranhos naquela cidadezinha. ? Os que indicam fenômenos da natureza: chover, ventar, nevar, gear, etc. ? Os verbos haver, fazer, estar, ir, ser (com referencias a tempo). • Há três dias que não o vejo. • Faz quatro meses que não nado. • Vai em dois anos ou pouco mais... • É cedo. • Está frio. Entretanto: ― O verbo ser concorda com o predicativo. • São dez horas. • É uma hora. ― Os verbos existir, acontecer, são pessoais, ou seja, admitem sujeito e concordam com ele. • Existem duas manchas na parede. (sujeito = duas manchas) • Aconteceram fatos estranhos. (sujeito = fatos) ― Nas locuções verbais, o verbo impessoal transmite a sua impessoalidade para o verbo auxiliar. • Vai haver novas oportunidades. (não há sujeito) • Está fazendo dez anos que... Porém: • Vão existir novas oportunidades. (existir = verbo pessoal) • Estavam acontecendo coisas estranhas. (estar = verbo pessoal) 18. O verbo “dar”, “bater” + hora(s): Esses verbos concordam com o sujeito expresso hora(s). • Deram há pouco nove horas! • Bateram devagar dez horas! Porém: Se, na oração, vem a palavra relógio, funcionando como sujeito, o verbo concordará com ela em número e pessoa. • Que horas deu o relógio? • Vai dar dez horas o relógio da Sé. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 48 19. O verbo “ser”: ? Com as palavras tudo, isto, isso, aquilo, o que e o predicativo no plural, o verbo ser tambémpode ir para o plural ou ficar no singular. • Tudo eram memórias na infância. • Isto não são coisas que você possa dizer. • Tudo são flores. ? O sujeito que dá nome a pessoa concorda com o verbo ser. • O filho é as alegrias do pai. ? O sujeito que dá nome a algo pede o verbo concordando com o predicativo no plural. • O problema são as suas dívidas. ? O pronome pessoal sujeito ou predicativo pede a concordância do verbo com ele. • Ele era todo ouvidos e angustia. • O trouxa neste caso fui eu. ? As experiências é muito, é pouco, é mais de, é menos de, é tanto, quando indicam preço, quantidade, peso ficam com o verbo no singular. • Duas horas não é tanto assim. • Oitocentos gramas é muito. ? Em horas, data e distancias, o verbo ser é impessoal e concorda com o predicativo. • Hoje são quatorze de outubro. predicativo • Hoje é dia quatorze de outubro. predicativo • É zero hora em São Paulo. • São dez horas da manhã. • São cem quilômetros daqui até lá. Observação: Em datas, o verbo ser pode concordar com a idéia da palavra dia, mesmo que ela não apareça. • Hoje é 6 de outubro. EXERCÍCIOS 01. (UFV-MG) Em todas as frases abaixo, a concordância verbal está incorreta, exceto na: a) Qual de nós chegamos primeiro ao topo da montanha? b) Os Estados Unidos representa uma segurança para todo o Ocidente. c) Recebei. Vossa Excelência, os protestos de nossa estima. d) Sem a educação, não podem haver cidadãos conscientes. e) Sobrou-me uma folha de papel, uma caneta e uma borracha. 02. Indique a alternativa correta: a) Tratavam-se de questões fundamentais. b) Comprou-se terrenos no subúrbio. c) Reformam-se termos. d) Obedeceram-se aos severos regulamentos. e) Precisam-se de datilógrafas. 03. (Fuvest-SP) Qual a frase com erro de concordância? a) Para o grego antigo a origem de tudo se deu no caos. b) Do caos, massa informe, nasceu a terra, ordenadora e mãe de todos os seres. c) Com a terra tem-se assim o chão, a firmeza de que o homem precisava para seu equilíbrio. d) Ela mesma cria um ser semelhante que a protege: o céu. e) Do seu estrelada, em amplexo com a terra, é que nascerá todos os seres viventes. 04. A relação de verbos que completam, convenientemente e respectivamente, as lacunas dos períodos abaixo é: I Hoje __________ 30 de janeiro. II Trinta quilômetros ___________ é muito. III Já __________ uma e vinte. IV __________ ser duas horas. a) são / são / eram / Devem. b) é / são / era / Deve. c) é / é / era / Devem. d) são / é / era / Deve. e) são / é / eram / Deve. 05. (F.C.Chagas-BA) Elas ________ providenciaram os atestados, que enviaram __________ às procurações, como instrumentos __________ para os fins colimados. a) mesmas, anexos, bastantes. b) mesmo, anexo, bastante. c) mesmas, anexo, bastante. d) mesmo, anexos, bastante. e) mesmas, anexos, bastante. 06. (U.E.Londrina-PR) Ao esforço e à seriedade __________ ao estudo é que __________ os louvores que ele tem recebido ultimamente. a) consagrado, devem ser atribuídos. b) consagrada, deve ser atribuído. c) consagrados, devem ser atribuídos. d) consagradas, deve ser atribuído. e) consagrados, deve ser atribuído. 07. Nas cinco alternativas, há duas concordâncias verbais erradas. Indique-as. a) Eu, tu e nossos amigos iremos no mesmo avião. b) Tu e meus amigos ireis no mesmo trem. c) Tu e meus amigos irão no mesmo automóvel. d) V. Exª, eles e aqueles garotos seguireis depois. e) Margarida e vossa tia seguireis primeiro. Graças de dou, visto por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem. (Salmo 139:14) PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 49 08. O verbo concorda em número e pessoa com o sujeito. Portanto, não está correta a alternativa: a) Faltam ainda seis meses para o vencimento. b) Existem fortes indícios de melhoria geral. c) Não provém daí os males sofridos. d) Os fatos que o perturbam são bem poucos. e) Serão considerados válidos tais argumentos 09. (Internet) Há complemento nominal em: a) Você devia vir cá fora receber o beijo da madrugada. b) ...embora fosse quase certa a sua possibilidade de ganhar a vida c) Ela estava na janela do edifício. d) ...sem saber ao certo se gostávamos dele. e) Pouco depois começaram a brincar de bandido e mocinho de cinema. 10. (Internet) Em que caso o SE funciona como pronome apassivador? a) ...a rua inteira, atravancada, sabia que se estava perpetrando um assalto ao banco. b) Moleques de caminho corriam em todas as direções, atropelando-se uns aos outros. c) ...melancias rolavam, tomates esborrachavam- se. d) Os grupos divergentes chocavam-se. e) Mas a mulher já se trancara lá dentro. 11. Quando __________ dez minutos para o término da aula, __________ na lousa as tarefas de casa. a) faltar / serão escritos. b) faltar / serão escritas. c) faltar / será escrito d) faltarem / serão escritas. e) faltarem / será escrito. 12. Conheci-a, __________ poucos dias, mas não __________ novas oportunidades para encontrá-la. a) deve haver / faltará. b) devem haver / faltar/ao. c) deve haver / faltarão d) devem haver / faltarão. e) devem haver / faltará. 13. Assinale a frase que contém um erro no que diz respeito ao emprego do verbo “fazer”: a) Faz três anos que regressaram. b) Fazem-se muitos trabalhos apressadamente. c) Já deve fazer dois anos que vieram para o Brasil. d) Vão fazer dois anos que lá estive pela última vez. e) Aqui faz verões terríveis. 14. Assinale a alternativa em que a concordância está incorreta, segundo o uso clássico da língua portuguesa. a) Mais de um jogador publicou a notícia. b) Ele e tu irão ao teatro. c) Sou eu quem paga. d) Não fui eu a que chegou primeiro. e) Cada um dos jogadores daquele quadro já ganhou um prêmio. 15. Este ano, __________ as festas que __________, que eu não comparecerei a nenhuma. a) pode haver / haver b) podem haver / houverem c) pode / haver / houverem d) pode haver / houverem e) pode haverem / houver 16. Assinale a alternativa incorreta. a) Precisam-se alunos especializados. b) Precisa-se de alunos especializados. c) Precisa-se de alunos competentes. d) Assiste-se a filmes nacionais. e) Obedeça-se aos regulamentos. 17. (Técnico do Tesouro Nacional) Assinale a alternativa errada: a) Vossa Senhoria apresentou sugestões muito boas em seu último relatório. b) Senhor secretário, comunica-lhe que Sua excelência , o Senhor Ministro da Fazenda, não participará da Reunião. c) Vossa Excelência recebestes muitos aplausos por causa de vossas atitudes corajosas. d) Esperamos que Vossa Excelência realize as obras que estão previstas em seu planos. e) Encaminho a V. Sª o processo Nº 15.424/84 que trata de assunto de seu interesse. 18. (Fuvest-SP) Num dos provérbios abaixo não se observa a concordância prescrita pela gramática: a) Não se apanham moscas com vinagre. b) Casamento e mortalha no céu se talha. c) Quem ama o feio bonito lhe parece. d) De boas ceias, as sepulturas estão cheias. e) Quem cabras não tem e cabritos vende de algum lugar lhe vêm. 19. (UFV-MG) Em todas as frases abaixo a concordância verbal está incorreta, exceto: a) Qual de nós chegamos primeiro ao topo da montanha? b) Os Estados Unidos representa uma segurança para todo o ocidente. c) Recebei Vossa Excelência, os protestos de nossa estima. d) Sem cidadãos conscientes. e) Sobrou-me uma folhade papel, uma caneta e uma borracha. 20. Assinale a alternativa em que ocorre erro em relação à norma culta: a) Existem praias tão lindas... b) Havia folhas secas pelo chão. c) Devem haver livros ali... d) Aqui é bom porque não há ratos. e) Devem existir outros caminhos. Quando confiamos em Deus, sempre há esperança no futuro. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 50 MODERNISMO CONTEXTO HISTÓRICO O início do século XX foi marcado por um extraordinário desenvolvimento cientifico e tecnológico, dos quais são exemplos o telegrafo, a eletricidade, o telefone, o cinema, o automóvel e o avião; a teoria da relatividade, de Einstein e a teoria psicanalítica, de Freud. Vivia-se a euforia da chamada belle époque, com a valorização do conforto e do “bem viver”. Entretanto desde o final do século XIX, os países europeus passam por constantes sobressaltos, resultantes da instabilidade e das competições políticas, o que acelerava a corrida armamentista. Em 1914, começa a Primeira Guerra Mundial, de proporções até então desconhecidas pela humanidade, que passa a descrer nos sistemas políticos, sociais e filosóficos e a questionar os valores de seu tempo. A primeira Guerra Mundial provocou, no mundo inteiro, alterações profundas. Mas já antes de estourar o conflito, circulavam e impunham-se, aos poucos, idéias e tentativas estéticas novas. Marinetti (1876 – 1944), criador do Futurismo, já lançara seu manifesto em 1909, em Paris, exigindo liberdade total para a Literatura que devia acompanhar a era cientifica e tecnológica que se vivia. Oswaldo de Andrade trouxe da Europa para o Brasil, em 1912, as diretrizes do Manifesto Futurista. Aqui, e daí por diante, confundiram-se por bom tempo os qualificativos futuristas e modernistas. Em 1917, Anita Malfaatti (1898 – 1964) expôs em São Paulo trabalhos seus inspirados no cubismo europeu. Monteiro Lobato atacou-a com o violento artigo Paranóia ou Mistificação?, que provocou a adesão de muitos à pintora paulista. Aos poucos, em São Paulo, os jovens descontentes foram-se unindo em torno de um ideal comum de renovação. Programaram e promoveram a célebre Semana da Arte Moderna (1922), inicio oficial do Modernismo. Surgem vários movimentos de vanguarda na Europa que influenciaram o Modernismo brasileiro, entre eles: • O Futurismo, movimento lançado pelo poeta italiano Marinettie, 1909, que propunha a destruição do passado, a exaltação da vida moderna, o culto da máquina e da velocidade, pregando uma arte voltada para o futuro, agressiva e violenta, enaltecendo a guerra, o militarismo e o patriotismo. • O cubismo que, na pintura, decompunha os objetos da realidade cotidiana em diferentes planos geométricos para sugerir a sua estrutura global, como se fossem vistos de diferentes ângulos. Na poesia, valorizava o subjetivismo, a ilogicidade, a frase nominal, o tempo presente, a enumeração caótica e o humor. Na pintura, um dos exemplos é Picasso. Na literatura, Oswaldo de Andrade, com Memórias sentimentais de João Miramar. • O Dadaísmo, ou movimento Dada, lançado em Zurique, pelo romeno Tristan Tzara, em 1916, reflete a atmosfera pessimista da Primeira Guerra Mundial. O nome, escolhido ao acaso, nada significava para Tristan Tzara. Pregava a destruição de todos os valores culturais da sociedade que fazia a guerra, instalando o absurdo, o ilógico e o incoerente. Buscava-se assim uma antiarte, irracional e anárquica. Daí o automatismo psíquico, as livres associações, a invenção de palavras, a exaltação da total liberdade de criação, o sarcasmo, a irreverência e a aproximação com o mundo dos loucos e das crianças. • O Surrealismo lançado na França, em 1924, valorizava o passado, buscava a emancipação total do homem fora da lógica, da razão, da família, da pátria, da moral e da religião. Influenciados pela teoria psicanalítica de Freud, os surrealistas conferiam importância ao sonho e à exploração do inconsciente, praticando o automatismo psíquico e a expressão libertada da censura e sem o controle da razão. MODERNISMO BRASILEIRO No Brasil, os governos das oligarquias iam se sucedendo. Minas e São Paulo repartiam o poder, desfavorecendo as camadas empobrecidas da população, os operários e os trabalhadores rurais. À época da Semana de Arte Moderna, o quadro brasileiro era de crises sucessivas, que acabam por gerar a Revolução de 1930, quando Getúlio Vargas assume o poder. Nascido sob as influências das vanguardas européias, o Modernismo brasileiro, em sua primeira fase (1922-1930), começou pelo combate às características estéticas tradicionais e conservadoras (cujo melhor exemplo era o Parnasianismo), ansioso pela liberdade de linguagem e afirmação dos novos valores estéticos que pretendia. Foi a chamada fase heróica do Modernismo brasileiro. A SEMANA DA ARTE MODERNA PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 51 O modernismo brasileiro não começou em 1922. Desde 1912, com o retorno de Oswald de Andrade da Europa, onde teve contato com as vanguardas, vários acontecimentos delinearam as mudanças que estavam surgindo nas artes brasileiras. Porém, o mês de fevereiro de 1922 é o marco histórico do Modernismo brasileiro Teatro Municipal de São Paulo: palco da Semana da Arte Moderna Nos dias 13, 15 e 17, com a participação de Oswaldo de Andrade, Menotti del Picchia, Mário de Andrade, Graça Aranha, Ronald de Carvalho, Vitor Brecheret, Anita Malfatti, Villa-Lobos, Di Cavalcanti e muitos outros, o Teatro Municipal de São Paulo torna-se o centro de uma verdadeira “amostra” das idéias modernistas. São lidos manifestos e poemas; expõem-se quadros e esculturas; músicas são executadas. Tudo diante de um público que reagiu com vaias e apupos. Estava “oficialmente” inaugurado o período de combate dos primeiros modernistas, que investiam, sobretudo, contra os sólidos valores parnasianos. Um dos cartazes da “Semana”, satirizando os grandes nomes da música, da literatura e da pintura. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 52 FASES DO MODERNISMO BRASILEIRO Costuma-se dividir o Modernismo brasileiro em três fases. Entretanto, este é um recurso apenas didático. Poetas de uma determinada fase continuaram produzindo, alguns passando por tendências diferencias, mudando e aprimorando sua linguagem e temas. PRIMEIRA FASE (1922-1930) ou fase heróica: de combate e destruição, quando ocorre a libertação e renovação da linguagem e são afirmados os valores estéticos do movimento. SEGUNDA FASE (1930-1945) ou fase construtiva: de estabilização das conquistas, de preocupação social e de tendência introspectiva. TERCEIRA FASE (1945 em diante) ou fase de reflexão: de ponderação sobre a linguagem (metalinguagem), com o retorno a alguns modelos estilisticos tradicionais, ao que se soma uma temática universalista. A partir de 1950, surgem novas tendências em poesias, como o Concretismo, o Neoconcretismo, a Poesia-praxis e o Poema- processo. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 53 EXERCÍCIOS 01, Quais os movimentos da vanguarda européia que influenciaram o Modernismo brasileiro? _________________________________________ __________________________________________________________________________________ _________________________________________ 02. O que refletiam os movimentos da vanguarda européia? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. (FIUbe-MG) O modernismo brasileiro preocupava-se em criar uma arte essencialmente brasileira. Entretanto, alguns dos primeiros escritores desse movimento estético, no Brasil, sofreram influências: a) do futurismo d) da arte popular b) do concretismo e) da arte cinética c) do Hiper-Realismo 04. A seguir apresentamos trechos de alguns manifestos da vanguarda européia. Observe o seu conteúdo e escreva o nome do movimento a que pertence cada um deles: a) “1. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e da temeridade. 2. A coragem, a audácia e a rebelião serão os elementos essenciais de nossa poesia. 3. Até agora, a literatura exaltou a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono. Nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, o passo rápido, o salto mortal, a bofetada e o soco. 4. Nos afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu com uma beleza nova: a velocidade...” ______________________________________ ______________________________________ b) “Eu escrevo um manifesto e não quero nada e, contudo, digo algumas coisas e, por principio, sou contra os manifestos, como sou também contra os princípios, decilitros para medir o valor moral de cada frase. Demasiadamente cômodo: a aproximação foi inventada pelos impressionistas. Escrevo este manifesto para demonstrar como se pode fazer ao mesmo tempo as ações mais contraditórias (...) sou contra a ação e a favor da contradição contínua, mas também sou pela afirmação. Não sou nem pelo pró nem pelo contra e não quero explicar nada porque odeio o bom senso.” ______________________________________ ______________________________________ c) “Escreva depressa, sem um assunto preconcebido, suficientemente depressa para não parar e não ter a tentação de reler. A primeira frase virá sozinha, tanto é verdade que a cada segundo existe uma frase estranha ao nosso pensamento consciente que só deseja exteriorizar-se.” 05. Que evento marca didaticamente o inicio da primeira fase do Modernismo brasileiro? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 06. Quais os principais grupos ou movimentos surgidos na primeira fase do Modernismo brasileiro? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 07. Quais as fases do Modernismo brasileiro na primeira metade do século XX e qual a característica fundamental de cada uma delas? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ TESTE 01. A poesia modernista caracteriza-se, formalmente, pelo predomínio de: a) versos regulares, metrificados, sem rima. b) versos brancos, sem metrificação regular, com estrofes. c) versos livres, sem metrificação regular, sem rima. d) versos regulares, metrificados, com rima. e) versos irregulares, com rima e preferência pelo soneto. 02. (UCP-PR) Movimento literário brasileiro que recebeu influências de vanguardas européias tais como o Futurismo e o Surrealismo: a) Modernismo d) Realismo b) Parnasianismo e) Simbolismo c) Romantismo 03. (UCP-PR) Baseando-se no trecho abaixo, responda ao código: Trem de Ferro “Café com pão Café com pão Café com pão Virge Maria que foi isto maquinista” (Manuel Bandeira) I A significação do trecho provém da sugestão sonora. II O poeta utiliza expressões da fala popular brasileira. III A temática e a estrutura do poema contrariam o programa poético do Modernismo. a) Se I, II e III forem corretas. b) Se I e II forem corretas e III incorreta. c) Se I, II e III forem incorretas. d) Se I for incorreta e II e III corretas. e) Se I e II forem incorretas e apenas III correta. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 54 04. Critico feroz do Modernismo, grande incentivador da disseminação da cultura, defensor dos valores e riquezas nacionais; conhecido, particularmente, pela sua grande obra infantil, em que se destacam os personagens do Sítio do Pica-Pau amarelo. O nome do autor a que se refere a alternativa acima é: a) Lima Barreto d) José Lins do Rego b) Monteiro Lobato e) Mário de Andrade c) Cassiano Ricardo 05. Não é característica do Modernistas: a) Total liberdade de forma b) Nacionalismo c) Fuga da realidade exterior d) Linguagem do momento. e) Temática do presente. 06. (FCMS-SP) Movimentos: I Pau-Brasil II Verde-Amarelo III Antropofagia Associe: ( ) resposta ao conservadorismo manifestado pelo movimento da Anta. ( ) revalorização do primitivo, através de uma arte que redescobrisse o Brasil. ( ) proposição de uma estrutura nacionalista. A associação correta é: a) I – 2; II – 3; III – 1 b) I – 3; II – 2; III – 1 c) I – 1; II – 2; III – 3 d) I – 3; II – 1; III – 2 e) NDA 07. (FIUbe-MG) A poesia modernista, sobretudo a da primeira fase (1922-1928): a) utiliza-se de vocabulário sempre vago e ambíguo que apreenda estados de espírito subjetivos e indefinidos. b) faz uma síntese dos pressupostos poéticos que norteavam a linguagem parnasiano – simbolista. c) incentiva a pesquisa formal com base nas conquistas parnasianas, a ela anteriores. d) enriquece e dinamiza a linguagem inspirando-se na sintaxe clássica. e) confere ao nível coloquial da fala brasileira a categoria de valor literário. 08. (UFPE-PE) I Com o Modernismo, desenvolveu-se a preocupação de valorização de nossa tradição artística, sobretudo teve um verdadeiro trabalho de retomada crítica da nossa produção literária do passado. II A Semana de Arte Moderna foi, não resta dúvida, um acontecimento marcado por idéias renovadoras; não se pode negar, contudo o fato de ter desencadeado certas conseqüências negativas; uma delas, por exemplo, foi certo clima de intranqüilidade, tanto no aspecto social como no ideológico. III A primeira fase do movimento modernista no Brasil foi marcada por um comportamento iconoclasta; a utilização do poema-piada, da liberdade de expressão, do coloquialismo na linguagem literária atestam certo nível de irreverência típica desta fase. Responda conforme o texto acima: a) Se as três estiverem certas. b) Se I e II estiverem certas. c) Se II e III estiverem certas. d) Se I e II estiverem certas. e) Se nenhuma estiver certa. 09. (UCP-PR) Em que contexto social se desenvolve o Modernismo brasileiro? I hegemonia dos proprietários rurais de São Paulo e Rio de Janeiro II Ascensão da burguesia industrial III elevado número de imigrantes fixando-se no eixo centro-sul IV urbanização progressiva a) I e IV d) II, III e IV b) I, II, III e IV e) II e III c) III e IV 10. Formaram a 1ª geração modernista: a) Mario de Andrade, Guilherme de Almeida, Érico Veríssimo b) Oswaldo de Andrade, Jorge Amado, Guimarães Rosa c) Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Oswaldo de Andrade d) Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida, Jorge Amado e) Anchieta, Mário de Andrade, Olavo Bilac 11. Ano em que se realizou a “Semana de Arte Moderna”: a) 1917 d) 1919b) 1920 e) 1922 c) 1932 12.Grupo romântico ligado à luta pelo abolicionismo: a) 1º grupo d) 4º grupo b) 2º grupo e) 5º grupo c) 3º grupo 13. Retrata a vida urbana e suburbana do Rio de Janeiro; ironiza o empreguismo, a burocracia, os preconceitos: a) Graça Aranha b) Lima Barreto c) Monteiro Lobato d) Cruz e Sousa e) Afrânio Peixoto Celebrai com jubilo ao Senhor, todas as terras. Servi ao Senhor com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico. (Salmo 100:1-2) PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 55 14 (FATEC-SP) Assinale a alternativa incorreta: a) Nos primeiros vinte anos deste século, a produção literária brasileira é marcada por diversidades, abrangendo, ao mesmo tempo, obras que questionam a realidade social e obras voltadas para os lugares comuns herdados de autores anteriores. b) Pode-se afirmar que um dos traços modernos de Euclides da Cunha é o compromisso com os problemas de seu tempo. c) A importância da obra de Lima Barreto situa-se no plano de conteúdo, a partir do qual se revela seu caráter polemico; a linguagem descuidada, porem, revela pouca consciência estética, em virtude de sua formação literária precária. d) O estilo parnasiano permanece influenciando autores e caracterizando boa parte da obra poética escrita durante o período pré- modernista. e) Graça Aranha faz parte do conjunto mais significativo de escritores do Pré-Modernismo. Nos anos anteriores à Semana de Arte Moderna, Graça Aranha interveio a favor da renovação artística a que se propunham os escritores modernistas. 15. (UEM-PR) Assinale o que for correto. a) No século XX, vanguardas são os movimentos artísticos que se desenvolvem antes, durante e após a I Guerra Mundial. b) Concretismo, Cubismo, Futurismo, Dadaísmo são manifestações da postura demolidora assumida pela arte do século XX. c) O Futurismo lançou-se contra o passado e sonhou uma superliteratura no século da velocidade. d) Para os dadaístas não havia passado, nem futuro: o que havia era a guerra, o nada. e) Os artistas brasileiros, entusiasmados com os ísmos europeus, buscam em suas obras criar o perfil de identidade nacional, sem macaquear as sugestões européias. f) Da Semana de Arte Moderna, ocorrida em 1922, em São Paulo, só participaram poetas e ficcionistas. g) Heitor Villa-Lobos participou da Semana de Arte Moderna. GRAMATICA: COLOCAÇÃO DOS PRONOMES OBLIQUOS ÁTONOS Os pronomes oblíquos átonos (fraco) me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes, conforme sua posição junto ao verbo podem ser: • proclíticos (antepostos ao verbo) Não me agrada tal coisa. • mesolítico (intercalados ao verbo) Ver-te-ei depois. • enclítico (posposto ao verbo) Decidiram-se rapidamente. Essas três colocações dos pronomes átonos denominam-se, respectivamente, próclise, mesóclise e ênclise. PRÓCLISE Quando há antes do verbo, palavras que atraem o pronome como: 1. Com advérbios (não, nunca, jamais, aqui, ali, amanhã, já) • Jamais nos imaginaram capazes disso. • Aqui se vive bem. Obs.: Se houver vírgula depois do advérbio, prevalece a ênclise. • Ontem, deram-me a notícia. 2. Com pronomes indefinidos (tudo, ninguém, nada, etc). • Nada o fazia desistir. • Ninguém o castigou. 3. Conjunções subordinativas (que, visto que, se, de que, pois, etc) • Esperamos que nos avisem a hora da saída. • Irei, se me aprouver. 4. Os pronomes relativos (que, quem, qual, etc.) • Há pessoas que nos querem bem. 5. Nas orações optativas cujo sujeito estiver anteposto ao verbo. • Deus o guarde! 6. Nas orações exclamativas iniciadas por palavras ou expressões exclamativas. • Os céus te favoreçam! • Como te iludes! 7. Nas orações interrogativas iniciadas por uma palavra interrogativa. • Quem lhe disse isso? • Por que te afliges tanto? 8. A preposição em quando vier junto com verbos no gerúndio. • Em se tratando de poesia, prefiro a atual. Deus é o nosso refugio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Salmo 46:1 PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 56 9. Qualquer palavra de sentido negativo: não, nunca, jamais, ninguém. • Nunca me viram lá. MESÓCLISE Quando o verbo estiver no futuro do presente (eu estudarei) ou no futuro do pretérito (eu estudaria), desde que antes do verbo não haja palavra que exija a próclise. • Convencê-lo-ia a aceitar. • Dar-te-ei um abraço. ÊNCLISE Os pronomes átonos estarão em ênclise: 1. Nos períodos iniciados pelo verbo (que não seja o futuro), pois, na língua culta, não se abre a frase com pronome oblíquo. • Levantei-me, assim que ele saiu. • Vai-se a primeira pomba despertada. 2. Nas orações coordenadas sindéticas. • Eles chegaram e fizeram-se alheios. • Estudam ou divertem-se. 3. Usa-se a ênclise com as seguintes formas verbais: − Gerúndio (não precedido da preposição em) • Recusou o convite, fazendo-se de ocupado. − Imperativo afirmativo • Prepara-te para saltar. − Infinitivo não flexionado, precedido da preposição a: • Todos corriam a ouvi-lo. 4. Nas frases imperativas afirmativas. • Romano, escuta-me. PRONOME OBLÍQUO ÁTONO NAS LOCUÇÕES VERBAIS Quando o verbo principal da locução estiver no infinitivo ou no gerúndio, há duas ocorrências: − Se a locução vem precedida da palavra atrativa, o pronome pode ocorrer antes do verbo auxiliar ou depois do verbo principal, isto é, nos dois extremos da locução, nunca no meio. • Não lhe posso dizer nada. • Não posso dizer-lhe nada. • Nada nos estava faltando. • Nada estava faltando-nos. − Se alocução não vem precedida de palavra atrativa o pronome obliquo pode ocorrer depois do verbo auxiliar ou depois do verbo principal. • Devo-lhe dizer algumas palavras. • Devo dizer-lhe algumas palavras. • Vinham-me acompanhando duas pessoas. • Vinham acompanhando-me duas pessoas. Quando o verbo principal estiver no particípio, há, também, duas situações: − Se a locução vem precedida de palavra atrativa, o pronome obliquo ocorre apenas antes do verbo auxiliar, já que nunca ocorre ênclise com o particípio. • Não me tinham avisado do fato. − Se a locução não vem precedida de palavra atrativa, o pronome obliquo ocorre depois do verbo auxiliar. • Tinham-me avisado do fato. Obs.: Quando, nas locuções verbais, o verbo auxiliar ocorre no futuro do presente ou no futuro do pretérito, valem as regras enunciadas acima, ressalvando-se que, com essas formas verbais nunca ocorre a ênclise, que deve ser substituída pela mesóclise. • Ter-se-ia discutido outro problema. • Poder-se-á dizer o contrario disso. EXERCÍCIOS 01. Assinale as frases em que há erro de colocação do pronome pessoal átono. a) Não amá-lo era impossível. b) Ele deve vencer porque se esforçou muito. c) Desejo contar-te um caso interessante d) Proteger-te-ia se isso me fosse possível. e) É verdade; nunca desejaram-lhe tanta felicidade como hoje. 02. (FCMS-SP) Há um erro de colação pronominal em: a) Sempre a quis como namorada. b) Os soldados não lhe obedeceram às ordens. c) Todos me disseram o mesmo. d) Recusei a idéia que apresentaram-me. e) Quando o cumprimentaram, ela desmaiou. 03. Em: “È uma dor canalha que te dilacera.”, o pronome átono te está proclítico ao verbo: a) por causada conjunção integrante que; b) por causa do pronome relativo que; c) por causa da expressão dor canalha; d) a afirmação que encabeça o teste está errada, pois o pronome átono te não está proclítico ao verbo, e sim mesoclítico. 04. Assinale as opções gramaticalmente corretas à colocação pronominal. a) Sobre aquela ocorrência, os alunos tinham prevenido-o há alguns dias. b) Nesta circunstâncias, amparemo-lo com todo o carinho. c) Quanto ao emprego, não aceitando-o, oferecê- lo-ei a outro amigo. d) Não sei se me não deves agradecer. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 57 05. (FEI-SP) Assinale a alternativa em que o pronome obliquo átono esteja colocado de maneira correta, segundo a norma culta gramatical. a) Talvez tenha solicitado0me o pedido. b) Jamais convidei-o para compor minha equipe. c) Se for necessário, calarei-me. d) Até lá muitos só se terão arrependido. e) Não maltratá-lo-ei nunca. 06. Em ___________ os bailes dos clubes ___________ achar que ___________ poucos festejos carnavalescos nesta cidade. a) excluindo-se / poderia-se / fazem-se. b) se excluindo / poderia-se / se fazem. c) excluindo-se / poder-se ia / fazem-se. d) excluindo-se / poderia / fazem. e) se excluindo / poder-se-ia / se fazem. 07. Assinale a única alternativa incorreta quanto à colocação pronominal. a) Agora, ajeite-se como quiser. b) Agora, convenci-me da verdade. c) Se se pode ir, vai-se. d) Quanta honra nos dá sua visita. e) Quanta honra encontrá-la. 08. (UFPB) A colação do pronome átono está incorreta apenas em: a) “...não poderia consultá-lo à fraca luz da masmorra.” b) “Nunca mais vê-los-ia, nunca!” c) “Quaresma, porém, enganava-se em parte.” d) “Mas, ‘seu’ tenente, deixe-me escrever à minha mãe...” e) “O que fazia sofrer era aquela semivida de moça, mergulhada na loucura e na modéstia.” 09. Está correta a colocação do pronome obliquo átono em: a) Aqui estuda-se com determinação e coragem. b) Aqui, estuda-se com determinação e coragem. c) Aqui, se estuda com determinação e coragem. d) Aqui estuda-se-á com determinação e coragem. e) Se estuda aqui com determinação e coragem. 10. Há um erro de colocação pronominal em: a) “Sempre a quis como namorada.” b) “Os soldados não lhe obedeceram as ordens.” c) “Todos me disseram o mesmo.” d) “Recusei a idéia que apresentaram-me.” e) “Quando a cumprimentaram, ela desmaiou.” 11. Assinale a única alternativa em que a forma pronominal está correta: a) Não há mais ciúmes entre eu e ele. b) Papai deu o carro para eu dirigir. c) Contra os alunos e eu estava o diretor. d) Sem você e eu ninguém fará nada. 12. Examine as frases abaixo. I Aqui, despedimo-nos. II Aqui se arruma tudo. III Nada me preocupa. IV Contei sem magoar-te os ouvidos! Ocorre erro na colocação dos pronomes: a) na I e na II, apenas b) na III e na IV, apenas c) na I e na III, apenas d) na II em na IV, apensa e) em nenhuma das frases. 13. Assinale o item no qual a colocação dos pronomes está correta. a) Vender-vo-la-íamos por quê? Devolvida-me a carta, partirei. Eles e elas se desculparam. Deram-mos. O que não deve dizer-se? b) Tenho queixado-me com razão. Deram-nos Depois de devolvido-lhe o recibo, ficarei sossegado. O que não se deve dizer? Tens a obrigação de me pagares tudo. c) Deus te abençoe! Será proveitoso estudando a lição e não decorando-ª O que não deve-se dizer? Irei, quando convidar-me-ão. Se se quiser, tudo irá bem. d) Valha-me Jesus! Ó João, se levante! Tendo alcançado-te nas provas. Não se as procuram. O que me preocupa, é esta prova. e) Peça e dar-se-lhe-á. Por que vo-las venderíamos? O livro, meus amigos, hei de devolver-lho. A carta e o dinheiro não os remeterei logo. O que se não deve dizer? 14. Assinale a alternativa em que o pronome está mal colocado: a) Lá, disseram-me que entrasse logo. b) Aqui me disseram que saísse. c) Posso ir, se me convidarem. d) Irei, se quiserem-me. e) Estou pronto. Chamem-me 15. O pronome oblíquo está mal colocado em: a) Devemos-lhe contar isto. b) Devemos contar-lhe isto. c) Não lhe devemos contar isto. d) Deveríamos ter-lhe contado isto. e) Deveríamos ter contado-lhe isto. 16. (FEI-SP) Apresente a expressão “A máquina o fará por nós”: a) com pronome mesoclítico; _________________________________________ _________________________________________ b) com próclise dos dois pronomes. _________________________________________ _________________________________________ Cristo conta conosco para fazer com que o mundo saiba que Ele Se importa. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 58 TEXTO: TEM GENTE QUE NÃO ESTÁ BRINCANDO 1 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 O Trabalho é proibido até os 14 anos de idade no Brasil. No entanto, é uma das mais rendosas fontes de lucro, baseada numa das mais hipócritas omissões do Estado e da sociedade. Quando algo danoso deve ser justificado, buscam-se variáveis de comparação de natureza ainda mais prejudicial, transformando o objeto em defensável ou, o que é pior, em elogiável como solução alternativa àquele mesmo elemento de comparação. É o que acontece, no Brasil, em relação à exploração do trabalho infantil. Argumentos em defesa do trabalho infantil comparam-se ao abandono, ao tráfico, à vida nas ruas, à falta de escolas, ao roubo e à delinqüência. Mais construtivo e menos hipócrita seria, contudo, comparar a exploração da mão- de-obra infantil com as brincadeiras, o estudo, o esporte e a convivência familiar e comunitária, direitos assegurados na Constituição e reconhecidos internacionalmente. Quando o dever da sobrevivência individual e familiar não recair mais sobre a própria criança, esta poderá exercer plenamente seus direitos de brincar e estudar, construindo a sobrevivência e a qualidade de vida de toda a sociedade. Cerca de dois milhões de crianças entre 10 e 13 anos, trabalham no Brasil, contrariando a Constituição Federal. Se considerarmos os adolescentes de 14 a 18 anos, esse número sobre para 7,5 milhões. Eles estão no campo e nas grandes cidades, cumprindo jornadas em condiçõ O trabalho infantil está intimamente ligado à pobreza dos adultos. Somente uma política de empregos e programas de renda mínima, aliados à reforma agrária, poderão solucionar o problema. É possível e necessário, entretanto, coibir essa prática criminosa, respeitando os direitos das crianças e adolescentes em todos os segmentos sociais. Onde há uma criança trabalhando, certamente há um adulto explorando e, por perto, um adulto desempregado. Em outubro de 1996, o Presidente da República encaminhou projeto de lei ao Congresso Nacional que proíbe qualquer tipo de trabalho antes dos 14 anos. O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê o trabalho na condição de aprendiz, antes dos 14 anos, não especificando idade mínima para seu inicio. (Adaptado do Relatório Azul – Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, Assembléia Legislativa/RS, 1996) COMPREENSÃO DO TEXTO 01. Segundo o texto, uma das formas para garantir a sobrevivência e a qualidade de toda a sociedade é assegurar a) que a criança possa trabalhar com tranqüilidade. b) que os pais da criança decidam se ela deve ou não trabalhar. c) os direitos da criança de estudar e brincar, contidos na Constituição. d) o direito da criança de decidir sobreo que é melhor para ela e sua família. 02. Para justificar o trabalho infantil no Brasil, segundo o primeiro parágrafo do texto, são usados argumentos de a) que não existe trabalho infantil no pais, pois existe uma lei que é cumprida proibindo-o até os 14 anos. b) que não existe trabalho infantil no país, mas sim uma hipócrita omissão do estado e da sociedade em relação a esse assunto. c) elogio ao menor trabalhador de 14 anos, que prefere trabalhar e sustentar sua família ao invés de brincar e se divertir. d) defesa, comparando-o ao abandono, o trafico, à vida nas ruas, à falta de escolas, ao roubo e à delinqüência, sendo estes argumentos hipócritas. 03. Para solucionar o problema do trabalho infantil no Brasil, segundo o texto, seria necessário a) coibir essa prática criminosa, respeitando o direito das crianças e dos adolescentes de trabalharem somente nos finais de semana. b) haver uma política de emprego e programas de renda mínima, aliados à reforma agrária. c) prever, no Estatuto da Criança e do Adolescente, o trabalho na condição de aprendiz, antes dos 15 anos. d) haver uma política de emprego e de renda mínima para todas as crianças. 04. No texto, a palavra que (l. 46) é um pronome relativo e refere-se a) ao Presidente da República b) ao Congresso Nacional c) ao Projeto de lei d) à criança trabalhando 05. O trecho “...buscam-se variáveis de comparação de natureza ainda mais prejudicial...” (l. 6 e 7) pode ser substituído na voz passiva por a) variáveis de comparação de natureza ainda mais prejudicial são buscadas. b) variáveis de comparação de natureza ainda mais prejudicial buscaram-se. c) variáveis de comparação de natureza ainda mais prejudicial devem ser buscadas. d) variações de comparação de natureza ainda mais prejudicial foram buscadas. 06. Em relação ao projeto de lei enviado ao Congresso Nacional pelo Presidente da República em 1996 (l. 45 e 46), pode-se afirmar que o mesmo prevê. a) o trabalho na condição de aprendiz antes dos 16 anos. b) qualquer tipo de trabalho antes dos 14 anos. c) idade máxima para o trabalho infantil. d) a proibição do trabalho, em qualquer condição, antes dos 14 nos. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 59 07. No trecho “Cerca de dois milhões de crianças...” (l. 26), a expressão sublinhada significa a) somente d) aproximadamente b) a respeito de e) a menos que 08. A palavra hipócrita (l. 4) tem o mesmo sentido que a) dissimuladas d) pecados b) lacunas e) erros 09. Os verbos construindo (l. ) respeitando (l. ), trabalhando (l. ) pertencem a uma das formas nominais, que é o a) particípio d) infinitivo b) indicativo e) gerúndio 10. A palavra coibir (l. 39) poderia ser substituída, sem prejuízo do seu significado no texto, por a) aceitar d) incentivar b) impedir e) rever PEQUENA REVISÃO DE ORTOGRAFIA Aproveite e relembre algumas palavras importantes da Língua Portuguesa 01. Complete as lacunas com S ou Z: concreti___ar parali___ar a___ilo atra___ado a___eite finlande___a bu___ina poeti___a qui___esse fi___esse sal___icha turque___a proe___a co___inha repu___er 02. Complete asa lacunas com S, SS ou Ç: regre___ão compre___ão reten___ão repul___ão exten___ão ob___e___ão ab___ecado tranmi___ão conver___ão e___pontâneo pê___ego morda___a marque___a mi___ão ancio___o 03. Complete com X ou CH: en___urrada ___arque rou___inol me___ilhão co___eiro li___eiro co___ilar ei___o quei___a en___cher cai___a fai___a en___ame amei___a en___oval 04. Complete com G ou J: penu___em can___ic o___eriza ___en___bre la___e gor___eio a___iota ma___estade ti___ela berin___ela lison___ear relo___io pedá___io falan___e vi___ília 05. (UM-SP) Aponte a alternativa que apresenta todas as palavras grafadas corretamente: a) enxada – bondoso – bexigo – revezamento b) faxina – tóxico – canalisar – nobreza c) eresia – canzarrão – caxumba – hesitar d) hêxito – gorjeio – algema – pesquisa e) hegemonia – cangica – xadrez - vazio 06. (EFOA-MG) Escolha a alternativa que preenche corretamente os espaços abaixo: __________ você não resolveu todas as questões da prova? Creio que é __________ você não sabe o __________ das regras. Talvez seja essa a causa __________ você não conseguiu sucesso. a) Porque – porque – por quê – porque; b) Por que – por que – porquê – por que; c) Por que, porque, porquê, por que; d) Porque, por quê – porque – porque; e) Por que – por que – porque por que 07. (UFMS) Selecione dentre as palavras que estão nos parênteses aquela que preenche corretamente o espaço em branco. a) A empresa pagou __________ multa por ter poluído o rio. (vultosa/vultuosa) b) O médico __________ rigorosa dieta à paciente. ( prescreveu / proscreveu) c) O candidato a presidente do time fez __________ de vários ingressos para o jogo de domingo (sessão/cessão/seção) d) O juiz __________ lhe é pena que merecia (infringue/infringiu). 08. (EFOA-MG) Assinale a alternativa em que todas as lacunas devem ser preenchidas com a letra i. a) calcár___o - ___ncorporar – ag___ota b) escar___o – d___lapidar - ___mpecilho c) d___spêndio – d___stilação – cad___ado d) ___ntumescer – d___gladiar – balgu___ana e) rést___a – mer___tíssimo – g___ada 09. (USF-SP) Chegou a __________ um pedido de __________, mas as palavras lhe saíam quase __________. a) improvissar – excusar – inaldiveis b) improvisar – escusar – inaudíveis c) improvisar – excusar – inaudíveis d) improvizar – escusar – inaudíveis e) improvizar – excusar - inaldíveis 10. (FEI-SP) Identifique a alternativa cujas palavras preenchem corretamente os espaços em branco: A __________ do vestibular gera uma grande __________ no jovem e o deixa __________ quando ao resultados. a) espectativa – tensão – exitante b) expectativa – tensão – hezitante c) expectativa – tensão – hesitante d) espectativa – tensão – excitante e) espectativa – tenção – excitante 11. Há erro no emprego de vocábulo em: a) Irás à casa dele à toa; adiantará. b) Que mau humor! c) Há meses não vinhas aqui. d) O menino cria cães demais. e) Não entendi; ele tampouco. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 60 MODERNISMO 1ª FASE Realizada a Semana de Arte Moderna e ainda sob os ecos das vaias e gritaria, tem início uma primeira fase modernista, que se estende de 1922 a 1930, caracterizada pela tentativa de definir e marcar posições. Este é, portanto um período rico em manifestos e revistas de vida efêmera: são grupos em busca de definição Nessa década, a economia mundial caminha para um colapso que se concretizaria na quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929. O Brasil vive os últimos anos da chamada República Velha, ou seja, o período de domínio político das oligarquias ligadas aos grandes proprietários rurais. Não por mera coincidência, a partir de 1922, com a revolta militar do Forte de Copacabana, o Brasil passa por um momento realmente revolucionário, que culmina com a Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas. Assim é que, a partir de 1930 e se estendendo até 1945, o movimento modernista vive uma segunda fase, refletindo as transformações por que passa o país, que entra numa nova etapa de sua vida republicana, levando os artistas nacionais a se posicionarem diante dessa nova realidade. MOMENTO HISTÓRIO “Nesse processo verificamos a seriação das manifestaçõespolítico-militares iniciadas com os disparos dos canhões de Copacabana, em 1922, e encerradas com o internamento da Coluna prestes na Bolívia. Tais manifestações, inequivocamente de classe média, assinalavam o crescente na disputa pelo poder. Nele verificamos, ainda, a seriação de manifestações de rebeldia artística a que se convencionou chamar Movimento Modernista, também tipicamente de classe média.” Nelson Werneck Sodré, em seu livro História da Literatura brasileira, ao analisar a década de 1920/30. Um mês após a realização da Semana de Arte Moderna, a política brasileira vive dois momentos importantes: a 1º de março, a eleição para a escolha do sucessor de Epitácio Pessoa na Presidência da República, com a vitória do mineiro Artur Bernardes sobre Nilo Peçanha; nos dias 25, 26 e 27 de março, a realização, no Rio de Janeiro, do congresso de fundação do Partido Comunista Brasileiro. A Eleição d2 1922 ocorre em meio a grave crise econômica e, contrariando a norma da República do café-com-leite, polariza-se entre as candidaturas de Artur Bernardes (representante das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais) e Nilo Peçanha (representante das oligarquias de Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul). Trata-se de uma disputa motivada por interesses pessoais e locais, e não por propostas diferentes de governo. Entretanto, o acirramento do quadro político e a agitação da campanha eleitoral trazem à tona o descontentamento de importante setor da sociedade: a classe média, representada por jovens oficiais militares, que exige mudança e tenta impedir a posse de Artur Bernardes. O processo revolucionário tem início com a revolta dos militares do Forte de Copacabana, a 5 de julho de 1922; o movimento, entretanto, dura apenas 24 horas e termina com a caminhada fatal, pelas ruas de Copacabana, de 17 jovens militares e um civil contra mais de 3 000 soldados das forças governamentais. Esse episódio, conhecido como Os 18 do Forte, significou, nas palavras do historiador Edgar Carone, “o sacrifício por um ideal”, ficando gravado como símbolo de luta. Os primeiros anos do governo de Artur Bernardes são marcados por um constante estado de sítio, censura à imprensa e intervenções nos estados. No entanto, essas medidas não são suficientes para estancar a marcha revolucionária: a 5 de julho de 1924, dois anos após os acontecimentos de Copacabana, estoura uma revolução em São Paulo em que os militares exigem o fim da corrupção, maior representatividade política, voto secreto e justiça. O movimento dos tenentes em São Paulo dura aproximadamente um mês e termina com a retirada dos revoltosos em direção ao interior, onde se encontram com tropas vindas do Rio Grande do Sul, comandadas pelo capitão Luís Carlos Prestes. Para dar continuidade à luta, a saída é a formação de uma coluna com aproximadamente 1 000 homens, sob o comando de Prestes, que correria o Brasil, difundindo os idéia os ideais revolucionários. Após percorrer 24 000 Km e enfrentar tropas do exercício, forças regionais, jagunços e os cangaceiros de Lampião, a Coluna Prestes embrenha-se em território boliviano. O período de 1922 a 1930 é também caracterizado por definições no quadro político- partidário: em 1922, sob o impacto da Revolução Russa, dá-se a criação do Partido Comunista, que contou entre seus fundadores com vários elementos egressos das lutas anarquistas; em 1926 surge o Partido Democrático, de larga penetração entre a pequena burguesia paulista e que teve, entre seus fundadores, Mário de Andrade. A situação política e social brasileira vive momentos de aparente calma com a eleição de Washington Luís para a sucessão de Artur Bernardes. Mas na realidade, o país caminhava para o fim desse período de convulsões sociais com a ocorrência da Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, iniciando-se uma nova era da história. Mário de Andrade dá o seu depoimento: “Mil novecentos e trinta... Tudo estourava, políticas, famílias, casais de artistas, estéticas, amizades profundas. O sentido destrutivo e festeiro do movimento modernistas já não tinha mais razão de PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 61 ser, cumprido o seu destino legitimo. Na rua, o povo amotinado gritava: - Getulio! Getulio!...” CARACTERISTICAS O período de 1922 a 1930 é o mais radical do movimento modernista, justamente em conseqüência da necessidade de definições e do rompimento de todas as estruturas do passado. Daí o caráter anárquico desta primeira fase modernista e seu forte sentido destruidor, assim definido por Mário de Andrade. Ao mesmo tempo que se procura o moderno, o original e o polêmico, o nacionalismo se manifesta em suas múltiplas facetas: uma volta às origens, a pesquisa das fontes quinhentistas, a procura de uma língua brasileira” (a língua falada pelo povo nas ruas), as paródias, numa tentativa de repensar a história e a literatura brasileira, e a valorização do índio verdadeiramente brasileiro. É o tempo dos manifestos nacionalistas do Pau- Brasil e da Antropofagia, dentro da linha comandada por Oswaldo de Andrade, e dos manifestos do Verde-Amarelismo e do grupo da Anta, que já trazem as sementes do nacionalismo fascista comandado por Plínio Salgado. Como se percebe já no final da década de 20, a postura nacionalista apresenta duas vertentes distintas: de um lado, um nacionalismo crítico, consciente, de denúncia da realidade brasileira, identificado com as correntes políticas de extrema direita. O Modernismo foi um movimento que tentou a completa ruptura com o passado, com o acadêmico, o rotineiro, o convencional; daí apresentar as seguintes características: TOTAL LIBERDADE DE FORMA A nova Escola deu ao escritor a ilimitada liberdade de criar normas próprias para produzir a obra que devia ser individual e livre de qualquer limitação externa. NACIONALISMO Procurou empregar a linguagem brasileira, tanto no vocabulário como na sintaxe, abandonando os padrões tradicionais eu tiravam muito da beleza e originalidade da obra. Pretendeu colocar como temática exclusiva o universo brasileiro (cultura, folclore, problemática urbana e regional, o homem) Quis criar uma literatura intrinsecamente brasileira, fruto de nossa civilização, de nossas aspirações, de nossa gente. A LINGUAGEM DO MOMENTO Isto é, simples, direta, coloquial, livre dos grilhões da gramática, com um vocábulo acessível, comum, objetivo e imagens diretas. O VERSO LIVRE Que libertou a poesia dos cânones parnasianos. Embora tenha nascido antes do Modernismo, foi por este adotado e largamente empregado. TEMÁTICA DO PRESENTE Os modernistas inspiraram-se na atualidade que viveram, principalmente no quotidiano, na máquina, na sociedade, envolvente, na política, na burguesia, nos problemas regionais, na civilização industrial. GERAÇÃO DE 1922 - 1930 É a geração que definiu e implantou o Modernismo no Brasil, formada principalmente pelo grupo que promoveu a Semana de Arte Moderna. As características foram destrutiva, anárquica, nacionalista extremada (alguns ainda apaixonados pelo primitivismo através da pesquisa folclórica e indígena); apelou para o sarcasmo e ironia (com poemas-piadas), para a ousadia de figuras e de linguagem, que devia ter liberdade absoluta. Servem de exemplo Paulicéia Desvairada e Macunaíma. Houve o predomínio da poesia sobre a prosa. GERAÇÃO DE 1930 - 1945 Constituída por diversos elementos da primeira geração, agora mais amadurecidos, que passam de “uma faze critica a uma fase criadora” e por valores novos. Ascaracterísticas foram construtivas, usando da liberdade com bom-senso, buscndo o equilíbrio dda forma e da linguagem, valorizando algumas formas fixas (o soneto, a balada, por exemplo) e voltando-se mais para os problemas do homem. A prosa passa a ter grande importância, principalmente através do romance. Capa do catálogo da exposição de Artes Plásticas da Semana de Arte Moderna, desenhada por Di Cavalcanti PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 62 AS CORRENTES MODERNISTAS Depois da união inicial em torno da Semana, os modernistas dividiram-se em grupos e movimentos que refletiam orientação estéticas e ideológicas diversas: MOVIMENTO PAU-BRASIL Tinha como objetivo a revalorização dos elementos primitivos da nossa cultura, através da crítica ao falso nacionalismo e da valorização de obras que redescobrissem o Brasil, seus costumes, sua cultura, seus habitantes e suas paisagens. Dele participaram, principalmente: Oswaldo de Andrade, Mário de Andrade, Raul Bopp, Alcântara Machado e Tarsila do Amaral (pintora). PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 63 MOVIMENTO VERDE-AMARELO Liderado por Plínio Salgado, Cassiano Ricardo e Menotti del Picchia, e tendo uma postura nacionalista, repudiava tudo que fosse cultura importada e tentava mostrar um Brasil grandioso. Entretanto, acabou por revelar uma visão reacionária, sobretudo através de Plínio Salgado, que viria a ser o principal líder do integralismo, movimento político brasileiro de extrema direita baseado nos moldes fascistas. MOVIMENTO ANTROPOFÁGICO Radicalização do Movimento Pau-Brasil, foi lançado em 1928, e opunha-se ao conservadorismo do movimento Verde-Amarelo. Seus participantes eram os mesmos do Movimento Pau-Brasil. MOVIMENTO ESPIRITUALISTA Procurou conciliar o passado com o futuro e manteve-se preso às influencias simbolistas. A universalidade dos temas, o mistério, as questões existenciais e o espiritualismo caracterizam, de maneira geral, a produção desta corrente que assimilou as renovações da linguagem modernista. Tasso da Silveira, Augusto Frederico Schimidt, Murilo Araújo, Adelino Magalhães, Murilo Mendes e Cecília Meireles são os principais poetas que se aglutinaram em torno dessas idéias. MÁRIO DE ANDRADE Intelectual de múltiplas facetas, Mário de Andrade, além de poeta, romancista e contista, foi crítico literário, professor de piano e de historia da musica e um estudioso apaixonado do folclore brasileiro. Fundou o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e foi professor da Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ), onde regeu a cadeira de Filosofia e História da Arte. Participante ativo do movimento modernista brasileiro e a mais importante figura da geração de 22, deixou- nos uma obra vasta e importante. Estreou com um livro de influencias parnasianas e simbolistas. Mas Paulicéia desvairada (1922) seria o primeiro livro do Modernismo brasileiro. Neste, o poeta focaliza aspectos humanos, sociais e políticos de São Paulo, em versos livres, de métrica informal, subvertendo os valores estéticos até então vigentes. Palavras, expressões, flashes e fragmentos articulam-se numa tentativa de apreender a alma urbana de São Paulo, ora lhe celebrando a paisagem, ora criticando a burguesia, ora tentando expressar sua visão da cidade. No “Prefácio interessantíssimo”, que abre Paulicéia desvairada, o poeta dá-nos a sua fórmula de elaboração do poema: “impulso inconsciente + escrita livre + técnica posterior = poesia” Losango cáqui (1926) é, segundo o próprio Mário, composto de sensações, idéias, alucinações, brincadeiras, liricamente anotadas. Nele o poeta expressa o seu antimilitarismo. Em Clã da jabuti (1927) e Remate de males (1930), o poeta procura apreender a “alma nacional”, aproveitando-se de temas folclóricos. Em Lira paulistana (1946), Mário de Andrade volta-se novamente para aspectos de São Paulo, aliando ao tema da cidade natal uma poesia de inquietações sociopolíticas e individuais. Desse livro é o poema a seguir: Na rua Aurora eu nasci Na aurora da minha vida E numa aurora cresci. No largo do Paissandu Sonhei, foi luta renhida, Fiquei pobre e me vi nu. Nesta rua Lopes Chaves Envelheço, e envergonhado Nem sei quem foi Lopes Chaves. Mamãe! me dá essa lua, Ser esquecido e ignorado Como esses nomes de rua. ANDRADE, Mário de. “Lira paulista.” In: Poesias completas. 4. ed. São Paulo, Martins, 1974. p. 248-9. A obra ficcionista de Mário de Andrade pode ser dividida em duas vertentes: a primeira trata do universo familiar da burguesia paulistana e da gente do povo ⎯ Amar, verbo intransitivo e a série de contos que publicou. A segunda origina-se do aproveitamento de lendas indígenas, mitos, anedotas populares e elementos do folclore nacional, com os quais compôs sua obra-prima, Macunaíma. O herói apresenta traços bem definidos, como a preguiça, o deboche, a irreverência, a malandragem, a sensualidade, o individualismo e o sentimentalismo. Entretanto, o caráter do herói muda de um episódio para outro, o que justifica qualifica-lo de “herói sem nenhum caráter”. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 64 OBRAS POESIA ? Há uma gota de sangue em cada poema (1917); ? Paulicéia desvairada (1922); ? Losango cáqui (1926); ? Clã do jabuti (1927); ? Remate de males (1930); ? Lira paulistana (1946), publicação póstuma. FICÇÃO ? Amar, verbo intransitivo (1927); ? Macunaíma (1928); ? Os contos de Belozarte (1934); ? Contos novos (1946), publicação póstuma. ENSAIO ? A escrava que não é Isaura (1925); ? Aspectos da literatura brasileira (1934); ? O empalhador de passarinhos (1944). TEXTO: MACUNAÍMA Mário de Andrade Macunaíma? parte do interior da selva amazônica rumo a São Paulo, para reaver o amuleto que ganhara de sua mulher, que subira aos céus desgostosa com a morte do filho. Macunaíma, junto com seus irmãos Jiguê e Maanape, participa de várias façanhas até recuperar o amuleto que estava em poder de Venceslau Pietro Pietra (o gigante Piaimã). Contudo, perde-o novamente, enganado pela Uiara (divindade dos rios e dos lagos). Desiludido e sozinho depois da morte dos irmãos, ? Macunaíma – figura lendária da mitologia indígena, recolhida por Mário de Andrade no livro Vom Roraima zum Orinoco, do etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg, que, entre 1911 e 1913, fez pesquisas junto às tribos do extremo norte do Brasil. Segundo o alemão, “o nome do mais elevado herói da tribo, Macunaíma, contém como partes componentes a palavra macku, ‘mau’ e o sufixo aumentativo –ima, ‘grande’”. resolve subir aos céus e deixar-se transformar na constelação da Ursa Maior. O trecho seguinte narra as transformações de Macunaíma e seus irmãos, ao se banharem nas águas de uma cova avistada na rocha, quando seguiam para São Paulo pelo rio Araguaia. Então Macunaíma enxergou numa lapa? bem no meio do rio uma cova cheia d’água. E a cova era que-nem a marca dum pé-gigante. Abicaram?. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé?, do tempo em que andavapregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume? dele. E ninguém seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas?. Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé. Porém a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar com a cor do bronze novo. (...) ― Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz. Maanape então é que foi se lavar, mas Jiguê esborrifara toda a água encantada pra fora da cova. Tinha só um bocado lá no fundo e Maanape conseguiu molhar só a palma dos pés e das mãos. Por isso ficou negro bem filho da tribo dos Tupanhumas. Só que as palmas das mãos e dos pés dele são vermelhas por terem se limpado na água santa. ANDRADE, Mário de. Macunaíma: o herói sem nenhum caráter, 28 ed. Belo Horizonte, Villa Rica, 1992 p. 29-30. COMPREENSÃO DO TEXTO 01. Alegoria é a exposição de um pensamento sob forma figurada. O texto lido é uma representação alegórica de quê? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ ? lapa – grande pedra ou laje que forma um abrigo ? Abicar – encalhar propositadamente com a proa. ? Sumé – São Tomé. Segundo a lenda, há no Brasil várias marcas dos pés de São Tomé em sua peregrinação apostólica, antes do descobrimento. ? pretume - preto ? tapanhumas – tribo lendária de ameríndios do Brasil. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 65 02. Que reação de Macunaíma não conduz com o que se espera de um herói, prenunciando o anti- herói? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. A cultura popular e o folclore fundamentam a construção da obra “Macunaíma”. Retire do texto elementos que justifiquem essa afirmação. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Mário de Andrade valoriza a lógica e a razão nesse texto? Por quê? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. Caracterize Macunaíma a partir de suas ações no texto. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ EXERCÍCIOS 01. Não é obra de Mario de Andrade: a) Losango Cáqui b) O empalhador de Passarinho c) Macunaíma d) Martim Cererê e) Clã de Jabuti 02. Assinale a informação incorreta a) Mário de Andrade promoveu o folclore, a literatura e a música nacional. b) Mário de Andrade foi a figura do Modernismo que finda no mesmo ano de sua morte. c) Em 1942 Mário de Andrade fez, numa conferencia, o balanço do Modernismo. d) Há duas obras de Mário de Andrade de inspiração paulistana: Paulicéia Desvairada e Lira Paulistana. e) Nra 03. Use V para verdadeiro e F para falso: a) ( ) O Modernismo deu ao artista total liberdade formal para a criação da obra. b) ( ) O modernismo quis implantar uma literatura nacional, mas de importação, não de exportação. c) ( ) O Primeiro Congresso de Regionalistas do Nordeste realizou-se em 1927 em Recife. d) ( ) O Modernismo foi, enquanto sobreviveu, nacionalista extremado, anárquico. e) ( ) “A civilização industrial” em nada afetou o Modernismo que esteve sempre afastado do público e do momento histórico. 04. (UFRGS) Associe as obras aos autores. 1. Mário de Andrade 2. Oswaldo de Andrade ( ) Serafim Ponte Grande ( ) Amar, verbo intransitivo ( ) Paulicéia Desvairada ( ) A escrava que não é Isaura ( ) Memórias sentimentais de João Miramar. A relação numérica, de cima para baixo, que estabelece seqüência de associações corretas, é: a) 1 – 2 – 2 – 1 – 1 b) 2 – 1 – 1 – 1 – 2 c) 2 – 2 – 1 – 2 – 1 d) 1 – 1 – 2 – 2 – 1 e) 2 – 1 – 2 – 1 - 1 05. (PUC-RS) A Semana de Arte Moderna, realizada em _________, __________, marca __________ do Modernismo no Brasil. a) 1917 – em São Paulo – o advento b) 1920 – em São Paulo – a preparação c) 1921 – no Rio de Janeiro – a consagração d) 1922 – no Rio de Janeiro – o início e) 1922 – em São Paulo – a oficialização. 06. (UFRGS) Considere as afirmações sobre o seguinte poema de Mário de Andrade: “Eu sou feliz porque a Terra é uma bola. A bola gira, Gira o universo, Giro também, Sou Gira, Sou Louco, Sou Oco. Sou homem!... Sou tudo o que vocês quiserem, Mas que sou eu? I O uso do verso livre e a exploração do espaço gráfico são marcas evidentes da modernidade do poema; a constituição das rimas, no entanto, revela uma forte influencia romântica. II O poeta se expressa no poema como um homem que se reconhece múltiplo e que está à procura de uma idoneidade. III Palavras como “Gira (verso 5) e “Louco” (verso 6) podem sugerir a idéia de que o poeta se vê marginalizado no mundo em que vive. Quais são corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas III d) Apenas II e III e) Todas estão corretas. A paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus. Filipenses 4:7 PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 66 OSWALD DE ANDRADE Oswald de Andrade buscou uma poesia que expressasse o genuinamente brasileiro e percorresse, desde os tempos coloniais, a vida rural e urbana do país, que procurou ver com o olhar ingênuo da criança e o da pureza primitiva do índio. Reaproveitando textos dos primeiros viajantes (sobretudo de Caminha), escreveu poemas breves, em versos livres e brancos, com linguagem coloquial, humor e paródia, recusando a estrutural discursiva do verso tradicional. Seus romances mais importantes são Memórias sentimentais de João Miramar e Serafim Ponte Grande. Memórias sentimentais de João Miramar é considerado a primeira grande realização da prosa modernista. Rompendo com esquemas tradicionais da narrativa, a obra é construída a partir de fragmentos justapostos, de blocos que rompem com a seqüência discursiva e de capítulos relâmpagos, assemelhando-se à justaposição das imagens cinematográficas, o que impossibilita uma leitura linear da história e deixa a cargo do leitor a recomposição da narrativa. A paródia, a técnica cubista (aproximação de elementos distanciados, como a pintura de um olho sobre uma perna, por exemplo), a frase sincopada, as elipses que devem ser preenchidas pelo leitor, a linguagem infantil e poética, e outras inovações fazem das Memórias uma obra revolucionária para a sua época. O recurso metonímico, dentro da técnica cubista, é levado ao extremo, como nesta passagem em que empresta a uma porta as mangas de camisa e as barbas de quem foi abri-la: “Um cão ladrou à porta barbuda em mangas de camisa e uma lanterna bicor mostrou os iluminados na entrada da parede.” OBRAS POESIA ? Pau-Brasil (1925) ? Primeiro Cadernode poesia Oswaldo de Andrade (1927) ROMANCE ? Trilogia do exílio: I Os condenados (1922), II A estrela do absinto (1927), III A escada vermelha (1934); ? Memórias sentimentais de João Miramar (1924); ? Serafim Ponte Grande (1933); ? Marco zero I: A revolução melancólica (1944) ? Marco Zero II: Chão (1946). TEATRO ? O homem e o cavalo (1943); ? O rei da vela (1937); ? A morta (1937); O rei Floquinhos (infantil) (1953). TEXTO: MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE JOÃO MIRAMAR 3. GARE DO INFINITO Papai estava doente na cama e vinha um carro e um homem e o carro ficava esperando no jardim. Levaram-me para uma casa velha que fazia doces e nos mudamos para a sala do quintal onde tinha uma figueira na janela. No desabar do jantar noturno a voz de mamãe lá me buscar para reza do anjo que carregou meu pai. 8. FRAQUE DO ATEU Sai de D. Matilde porque marmanjo não podia continuar na classe com meninas. Matricularam-me na escola-modelo das tiras de quadro ns paredes alvas escadarias e um cheiro de limpeza. Professora magrinha e recreio alegre começou a aula da tarde um bigode de arame espetado no grande professor Seu Carvalho PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 67 No silêncio tique-taque da sala de jantar informei mamãe que não havia Deus porque Deus era a natureza. Nunca mais vi o Seu Carvalho que foi para o inferno. ANDRADE, Oswald de. Memórias sentimentais de João Miramar, São Paulo, Difel, 1964 p. 60-2 EXERCÍCIOS 01. Que fases da vida de João Miramar estão representadas nos capítulos transcritos? _________________________________________ _________________________________________ 02. Que parágrafo do capítulo 3 uma expressão característica da linguagem infantil. _________________________________________ _________________________________________ 03. Destaque do capítulo 3 a metonímia que registra a força do luto materno na memória do narrador. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Identifique a figura de linguagem existente na expressão “No silencio tique-taque da sala de jantar...” _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. Que inovações rompe os esquemas tradicionais da narrativa neste fragmento? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 06. Porque seu Carvalho perdeu o emprego de professor? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 07. O que representa Paulicéia desvairada no contexto da obra de Mário de Andrade? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 08. “Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis Com cabelos mui pretos pelas espáduas E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas Que de nós as muito bem olharmos Não tínhamos nenhuma vergonha” O trecho acima, de Oswaldo de Andrade, exemplifica um recurso bastante utilizado pelos modernistas. De que se trata? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 09. Em qual das suas obras Oswaldo de Andrade mais alterna poesia e prosa? _________________________________________ _________________________________________ 10. Identifique os autores das seguintes obras: ? Pau-Brasil - ___________________________ ? O rei da vela - _________________________ ? Remate de males - _____________________ ? Os condenados - _______________________ ? A escrava que não é Isaura; - _____________ _______________________________________ ? Losango cáqui - ________________________ ? Amar, verbo intransitivo - ________________ _______________________________________ ? Eu - _________________________________ ? O macaco que se fez homem - _____________ _______________________________________ 11. Como devemos entender nacionalista modernista? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 12. Caracterize a primeira e a segunda geração modernista. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 13. Quando se realizou a semana da Arte Moderna? _________________________________________ _________________________________________ 14. Em que esteve empenhado Mario de Andrade? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 15. Cite os principais acontecimentos que precederam a Semana de Arte Moderna. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 16. Não é obra de Mário de Andrade; a) Losango Cáqui b) O empalhador de Passarinho c) Macunaíma d) Martim Cererê e) Cia de Jabuti PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 68 O Capoeira - “Qué apanha sordado? - O quê? - Qué apanha? Pernas e cabeças na calçada.” ANDRADE, Oswaldo de. In: Poesias reunidas. 5. ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1071. p. 89, 93-4, 125, 157. 17. Destaque duas características modernistas presentes nos textos acima. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 18. Comente o último verso de “Vício da fala”: “E vão fazendo telhados”. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 19. Qual a posição de Oswaldo de Andrade em relação à língua portuguesa? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 20. (FIUBE-MG) A poesia modernista, sobretudo a da primeira fase (1922-1928): a) utiliza-se de vocabulário sempre vago e ambíguo que apreenda estados de espírito subjetivos e indefiníveis. b) faz uma síntese dos pressupostos poéticos que norteavam a linguagem parnasiano-simbolista. c) incentiva a pesquisa formal com base nas conquistas parnasianas, a ela anteriores. d) enriquece e dinamiza a linguagem, inspirando-se na sintaxe clássica. e) confere ao nível coloquial da fala brasileira a categoria de valor literário 21. (UnB-DF) Assinale a afirmativa incorreta: a) O movimento modernista brasileiro tem a Semana de Arte Moderna como seu marco cronológico. b) A literatura regionalista surgiu com o Modernismo. c) A primeira fase do nosso Modernismo caracterizou-se por um aspecto demolidor e combativo. d) Um dos objetivos do Modernismo brasileiro foi a formação da consciênciacriadora nacional. e) Pelo seu caráter pouco complexo, podemos configurar o Modernismo numa visão clara, sintética e definidora. MANUEL BANDEIRA Manuel Bandeira estreou em 1917, com A cinza das horas, publicando a seguir Carnaval (1919), ambos ainda com resíduos parnasianos e simbolistas, mas já revelando um poeta de espírito renovador. Com O ritmo dissoluto (1924), aproxima-se mais do Modernismo. O livro Libertinagem (1930) é definitivamente modernista. Nele encontramos a incorporação da linguagem coloquial e popular e a temática do dia-a-dia. O caráter da sua poesia é marcada pelo tom confidencial, pelo desejo insatisfeito, pela amargura e por referencias autobiográficas relacionadas com a sua doença (a tuberculose) com os lugares onde morou (sobretudo o bairro da Lapa, no Rio de Janeiro) e com a família. Buscou na própria vida inspiração para seus grandes temas: de um lado, a família, a morte, a infância no Recife, o rio Capibaribe; de outro, a constante observação da rua por onde transitam os mendigos, as prostitutas, os pobres meninos carvoeiros, as Irenes pretas, os carregadores de feira livre, todos falando o português gostoso do Brasil. E, em tudo, o humor, certo ceticismo, uma ironia por vezes amarga, a tristeza e a alegria dos homens, a idealização de um mundo melhor – enfim, um canto de solidariedade ao povo. Daí o poeta não entender o escândalo que sua poesia provocava, como ele comenta em seu livro Itinerário de Pasárgada: “No entanto, quando chegava à janela, o que me detinha os olhos, e a meditação, não era nada disso: era o becozinho sujo embaixo, onde vivia tanta gente pobre – lavadeiras e costureiras, fotógrafos do Passeio Público, garçons de cafés. Esse sentimento de solidariedade com a miséria é que tentei pôr no “Poema do beco”, com a mesma ingenuidade com que mais tarde escrevi um poema sobre o boi morto que vi passar numa cheia do Capibaribe. Fiquei, pois, surpreendido ao ver que faziam de um e de outro poema pedras de escândalo.” Manuel Bandeira não participou diretamente da Semana mas, foi um verdadeiro pregador do ideário modernista – o que lhe valeu ser chamado por Mário de Andrade de São João do Modernismo. Só o Senhor Deus faz do impossível uma realidade. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 69 Bandeira dominou magistralmente o verso livre. Alcançou uma simplicidade de linguagem e de forma a ponto de dispensar a pontuação. Foi mestre nos mais diversos ritmos. Sua poesia é bastante autobiográfica, de fundo melancólico e, com certa freqüência, irônica. É, possivelmente, o melhor poeta modernista. OBRAS POESIA ? A cinza das horas (1917); ? Carnaval (1919); ? Ritmo dissoluto (1924); ? Libertinagem (1930); ? Estrela da manhã (1936); ? Lira dos cinquent’anos (1940); ? Belo, belo (1948); ? Estrela da vida inteira (1966). PROSA ? Crônicas da província do Brasil (1937); ? Guia de Ouro Preto (1938); ? Itinerário de Pasárgada (1954); ? Andorinh, andorinha (1966). TEXTO: A ESTRELA Manuel Bandeira Vi uma estrela tão alta, Vi uma estrela tão fria! Vi uma estrela luzindo? Na minha vida vazia. Era uma estrela tão alta! Era uma estrela tão fria! Era um estrela sozinha Luzindo no fim do dia. Por que da sua distância Para a minha companhia Não baixava aquela estrela? Por que ta\o alta luzia? E ouvir-a na sombra funda Responder que assim fazia Para dar uma esperança Mais triste ao fim do meu dia. BANDEIRA, Manuel. “A estrela”. In: Estrela da vida inteira: poesia reunidas 3 ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1973, p. 164. ? luzir – emitir luz, irradiar claridade, brilhar. COMPREENSÃO DO TEXTO 01. Que elemento comum caracteriza o eu-lírico e a estrela? Que versos das duas primeiras estrofes justificam a resposta? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Que características do poema demonstram a permanência de alguns elementos do Romantismo na poesia de Bandeira? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. A beleza de um poema não depende da quantidade de meios empregados: rimas ricas, vocabulário erudito e pomposo hipérbatos, raras figuras de linguagem etc. Como Manuel Bandeira demonstra isto em seu poema? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Que versos contém um paradoxo e reforçam a atmosfera melancólica do poema? Explique esse paradoxo. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. Primeira obra de Manuel Bandeira: a) Carnaval b) Libertinagem c) A Cinza das Horas d) Ritmo Dissoluto e) Estrela da Manhã 06. (FIUbe-MG) A poesia modernista, sobretudo a da primeira fase (1922-1928): a) utiliza-se de vocabulário sempre vago e ambíguo que apreenda estados de espírito subjetivos e indefiníveis. b) faz uma síntese dos pressupostos poéticos que norteavam a linguagem parnasiano-simbolista. c) incentiva a pesquisa formal com base nas conquistas parnasianas, a ela anteriores. d) enriquece e dinamiza a linguagem, inspirando-se na sintaxe clássica. e) confere ao nível coloquial da fala brasileira a categoria de valor literário. Até nos momentos mais sombrios da vida, quando nos sentimos mais sozinhos, Deus está ao nosso lado. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 70 TEXTO: NOVA POÉTICA Vou lançar a teoria do poeta sórdido. Poeta sórdido: Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida. Vai um sujeito, Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco [muito bem engomada e, na primeira [esquina passa um caminhão, salpica-lhe o [paletó ou a calça de uma nódoa de lama: É a vida. O poema deve ser como a nódoa no brim: Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero. Sei que a poesia [e também orvalho. Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as [virgens cem por cento e as amadas que [envelheceram sem maldade. (Manuel Bandeira, Belo belo) 07. Afirma-se: I A poesia é vista como forma de romper a rotina e o conformismo, segundo se lê nos versos “O poema deve ser como a nódoa no brim:/ Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero”. II Contrapõe-se a poesia-nódoa à poesia- orvalho, cuja existência o eu lírico não reconhece. III poema representa a adesão da poesia à realidade material; o poeta sórdido será aquele que fundir poesia e cotidiano. No quadro da poesia de Manuel Bandeira, os versos de “Nova Poética” autorizam o que se afirma em: a) I e II apenas b) I apenas c) I e III apenas d) II e III apenas e) I, II e III 08. Assinale a alternativa em que a(s) palavras grifada(s) traz(em) à frase sentido de posse. a) Sai um sujeito de casa. b) As amadas que envelheceram. c) Aquele em cuja poesia,d) Fica para as menininhas. e) Leitor satisfeito de si. 10. As barreiras entre os gêneros literários tornaram-se tênues no Modernismo, que, à procura de um expressão nova, trouxe à prosa características da poesia e vice-versa; ou, algumas vezes, alternou numa mesma obra poesia e prosa de ficção. Um texto que espelha semelhante situação é: a) Memórias sentimentais de João Miramar b) São Bernardo c) Triste fim de Policarpo Quaresma d) O auto da Compadecida e) Lição de coisas 10. Considere os trechos do poema: I Poeta sórdido: Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida. II Sei que a poesia é também orvalho. Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as [virgens cem por cento e as amadas que [envelheceram sem maldade. O poeta mencionado em I e a poesia referida em II podem-se associar, respectivamente, às estéticas. a) modernista e pós-simbolista b) modernista e barroca c) simbolista e modernista. d) parnasiana e pós-modernista. e) árcade e pós-simbolista. 11. (PUC-RS) “O que eu adoro em tua natureza, Não é o profundo instinto material Em teu flanco aberto como uma ferida. Nem tua pureza. Nem tua impureza. O que eu adoro em ti – lastima-me e consola- me! O que eu adoro em ti, é a vida.” A estrofe acima é um exemplo do traço de _____________ e de _____________ que existe na obra de Manuel Bandeira. a) rebeldia – ódio pela vida b) melancolia – indiferença pelo mundo c) ternura – paixão pela existência d) saudade – medo ao cotidiano e) amargura – conformismo com o destino 12. (UCP-PR) Ano decisivo para o Modernismo brasileiro é 1917), já que nele aparecem produções que iriam revolucionar a arte literária brasileira. Da lista abaixo, o que apareceu pela primeira vez em 1917: a) Wilson Martins: O Modernismo e Mario da Silva Brito: Antecedentes da Semana de Arte Moderna. b) Monteiro Lobato: Urupês e Manuel Bandeira: Carnaval. c) Anita Malfatti: “Homem amarelo” e “Mulher de cabelos verdes” e Di Cavalcanti: “Carnaval”. d) Mário de Andrade: Paulicéia desvairada e Graça Aranha: Canaã. e) Menotti del Picchia: Juca Mulato e Manuel Bandeira: A cinza das horas. 13. Cite algumas obras de Manuel Bandeira. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ Não importa o que enfrentamos, Deus nós dá alegria. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 71 14. (F.M.ABC-SP) De Manuel Bandeira, é valido dizer que: a) foi um poeta típico do período crepuscular anterior ao Modernismo. b) voltou-se sobretudo para o mundo interior, procurando captar, com sua sensibilidade delicada, as nuanças da sombra, do indefinido, da morte. c) foi um dos grandes agitadores da literatura brasileira e, em sua obra, salientam-se experiências semânticas que fazem dele um precursor da poesia concreta. d) soube conciliar a notação intimista com o registro do mundo exterior e sua obra poética abrange desde poemas de tom parnasiano até experiências concretistas. e) exaltou a cidade natal, fez a apologia da preguiça criadora, valorizou os mitos amazônicos. 15. (FMU-SP) O tema da pátria distante foi retomado por muitos poetas. Um deles, Oswaldo de Andrade, do Modernismo. São características do Modernismo: a) linguagem coloquial; valorização do nacional; tom irônico; liberação absoluta da forma b) nacionalismo; tom irônico; linguagem retórica; liberdade de composição. c) saudosismo; crítica social; verde-amarelismo; regras rígidas de composição d) linguagem retórica; nacionalismo; regras rígidas de composição. e) linguagem retórica; liberdade de composição; cientificismo; tom irônico. 16. (UFVi-MG) Assinale a alternativa em que há uma característica que não corresponde ao Modernismo em sua primeira fase (a de São Paulo, 1922). a) Ruptura radical e audaciosa em relação às posições estéticas do passado, quebra total da rotina literária. b) Caráter turbulento, polemista, de demolição de valores. c) Exaltação exagerada de fatores como mocidade e tempo; o novo, nesta fase, foi erigido como um valor em si. d) Movimento de inquietação e de insatisfação; os novos se lançaram à luta em nome da originalidade, da liberdade de pesquisa estética e do direito de “errar”. e) Apesar de toda a radicalidade do grupo, é unânime a preocupação dos modernistas com o purismo da linguagem. CASSIANO RICARDO LEITE Como outros modernistas da primeira fase, Cassiano Ricardo estreou sob influencia parnasiano-simbolistas. Contudo, sua inquietação estética fez com que chegasse à experiências das vanguardas poéticas da segunda metade do século XX. Com Vamos caçar papagaios (1926) e Martim- Cererê(1928), o poeta entra em sua fase nacionalista, “verde- amarelista”, em que predomina a brasilidade dos temas. Em O sangue das horas (1943) e Um dia depois do outro (1947), encontramos poeta voltado para a reflexão sobre o destino humano e para os sentimento de solidão, melancolia, frustração, angustia e perplexidade diante da vida. Com Jeremias sem chorar (1964) e Os sobreviventes (1917), o poeta assimila as conquistas do Concretismo. Nessas obras, o mundo eletrônico, a conquista do espaço e a corrida armamentista são vistos como uma ameaça à vida humana. OBRAS POESIA ? Dentro da noite (1915); ? A frauta de Pã (1917); ? Borrões de Verde e Amarelo (1925); ? Vamos caçar papagaios (1926); ? Martim-Cererê ou O Brasil dos meninos, dos poetas e dos heróis (1928); ? Deixa estar jacaré (1931); ? Marcha para o Oeste (1940); ? O sangue das horas (1943); ? Um dia depois do outro (1947); ? Jeremias sem chorar (1963); ? Os sobreviventes (1917). Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei. Salmo 119:18 PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 72 TEXTO: LADAINHA I Por se tratar de uma ilha deram-lhe o nome de iha de Vera Cruz. Ilha cheia de graça Ilha cheia de pássaros Ilha cheia de luz. Ilha verde onde havia mulheres morenas e nuas anhangás a sonhar com histórias de luas e cantos bárbaros de pajés em poracés batendo os pés. Depois mudaram-lhe o nome pra terra de Santa Cruz. Terra cheia de graça Terra cheia de pássaros Terra cheia de luz. A grande Terra girassol onde havia guerreiros de tangas e onças ruivas deitadas à sombra das árvores mosqueadas de sol. Mas como houvesse, em abundância, certa madeira cor de sangue cor de brasa é como o fogo da manhã selvagem fosse um brasido no carvão noturno de paisagem, e como a Terra fosse de árvores vermelhas e se houvesse mostrado assaz gentil, deram-lhe o nome de Brasil. Brasil cheio de graça Brasil cheio de pássaros Brasil cheio de luz. (Martim Cererê) EXERCÍCIO 01. Complete com V para verdadeiro e F para falso: 1. ( ) A Geração de 22 foi aquela que definiu e implantou o Modernismo no Brasil. 2. ( ) O modernismo é a Escola que maior dificuldade oferece para uma exata caracterização pois tem evoluído constantemente. 3. ( ) O Modernismo foi um movimento que teve uma completa sintonia com o passado. 4. ( ) A poesia de Mário de Andrade é bastante autobiográfica de fundo melancólico e, com certa freqüência, irônica. 5. ( ) Cassiano Ricardo começou no Parnasianismo. 6. ( ) Amar, Verbo Intransitivo e Macunaímasão de autoria de Cassiano Ricardo. 7. ( ) Com o Modernismo Cassiano Ricardo volta- se para os motivos nacionais, o folclore, o primitivismo. 8. ( ) Pode-se afirmar que na década de 20/30 o Modernismo tomou conta de todo o território nacional. 9. ( ) A prosa passa a ter grande importância, principalmente através do romance na geração de 30. ANTONIO CASTILHO DE ALMEIDA MACHADO Importante contrista da primeira fase do Modernismo, Alcântara Machado retratou a vida e as gentes de São Paulo, com predileção pelo imigrante italiano. Nos bairros populares, suas personagens vivem as cenas do cotidiano: a partida de futebol, as brigas de rua, as festas etc. Diminuindo a distância entre a língua falada e a escrita, incorporou a linguagem popular, os italianismos e uma sintaxe simples, o que resultou numa prosa leve e num estilo moderno. OBRA CONTOS E NOVELAS ? Pathé-baby (1926); ? Brás, Bexiga e Barra Funda (1927); ? Laranja da China (1928); ? Mana Maria (1936); ? Novelas paulistana (1961) – reunião das três obras anteriores. EXERCÍCIOS 01. Cite as principais características do Modernismo. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Que grupos modernistas se formaram no Rio de Janeiro, entre 20 e 30? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ ________________________________________ PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 73 GRAMÁTICA: REGENCIA NOMINAL E VERBAL Regência é o processo sintático no qual um termo depende gramaticalmente de outro. A palavra que depende é chamada de termo regido e a palavra da qual outra depende é chamada de termo regente. Observe: Termo Regente é o elemento que pode outro para lhe completar o sentido. Termo Regido é o elemento que completa o sentido de outro e que pode ser ligado ao regente por meio de preposição. Exemplo: A menina gosta de maçã. (regente) preposição (regido) A regência classifica-se em: nominal e verbal. REGENCIA NOMINAL Certos substantivos e adjetivos admitem mais de uma regência. A escolha desta ou daquela preposição deve, no entanto, subordinar-se aos ditames da clareza e da eufonia e adequar-se aos diferentes matizes do pensamento. Apresentamos aqui uma pequena relação de substantivos e adjetivos, acompanhados de suas preposições mais usuais: acessível a afável com, para com agradável a alheio a amante de amor a, de, para, para com análogo a ânsia de, por ansioso de, para, por apaixonado com, de, por apto a, para atenção a, para, sobre, com, para com atenciosos a, com, para com aversão a, em, para, por benéfico a capaz de, para certo de compatível com compreensível a comum a, de constante em contente com, de, em, por contíguo a contrário a cuidadoso com curioso de, por desatento a descontente com desejoso de desfavorável a diferente de digno de entendido em essencial para estima a, por, de estranho a fácil de falta a, com, contra, para com favorável a feliz com, de, em por fértil de, em generoso com gosto a, de, para, por em grato a hábil em habituado a horror a hostil a idêntico a impossível de impróprio para incompatível com indeciso em independente de, em indiferente a inveja a, de jeito de, para leal a lento em liberal com natural de necessário a negligente em nocivo a obediência a orgulhoso com, de, por parco em, de paralelo a passível de perito em permissivo a perpendicular a pertinaz em possível de posterior a prejudicial a pródigo com, de, em pronto a, para, em próximo a, de respeito a, de responsável por rico de, em seguro de, em semelhante a sensível a simpatia a, para, com, por útil a, para versado em PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 74 REGENCIA VERBAL Regência verbal é significação dos verbos. Há verbos que admitem mais de uma regência, sem mudar de sentido. Exemplo: ? Cumpriremos o nosso dever = Cumpriremos com o nosso dever. Outros verbos, pelo contrário, assumem outra significação quando se lhes muda a regência: ? Aspirei o aroma das flores = sorver, absorver. ? Aspirei ao sacerdócio = desejar, pretender. REGENCIA DE ALGUNS VERBOS ASSISTIR 1. Transitivo direto ou indireto, indistintamente, quando significa prestar assistência, confortar, ajudar, proteger, servir, sendo que hodiernamente, há nítida tendência para o objeto direto: ? O médico assiste o doente”. ? O médico já não o assistia. ? As enfermeiras assistem aos doentes. ? “O certo é que retribuíam de imediato o alimento e a estima com que lhes assistíamos”. (Ciro dos Anjos) ? “O sacerdote que lhe assistia na hora do trespasse.” (RB) ? Deus sempre assistirá a seus servos”. ? Ele assiste o bispo no desempenho de suas funções,” 2. Transitivo indireto (preposição a) no sentido de presenciar, estar presente a: ? “Algumas famílias, de longe, na calçada, assistiam ao espetáculo”. (A.M.) ? “Populares assistiam à cena aparentemente apáticos e neutros”. (E.V.) ? Por que não assistes às aulas? ? “Eu desejava assistir à extinção daquelas aves amaldiçoadas”. (Graciliano Ramos) Se o objeto for pronome pessoa, não se usam as formas lhe, lhes, mas a ele(s), a ela(s): ? “Todos têm assistido a elas (às corridas de touros)” (R.S.) ? “O vencedor nestes jogos guerreiros tinha de receber um prêmio das mãos do principal personagem que assistia a eles”. (A.H.) 3. É transitivo indireto na acepção de favorecer, caber, pertencer (direto ou razão, a alguém), mas, neste caso, pode construir-se com a forma pronominal lhe(s): ? “Que direito lhe assistia de julgar Jacinto?” (Urbano Tavares Rodrigues) ? “Ao dono da loja assiste razão de gabar-se como o fez, por sua iniciativa”. (Carlos Drummond de Andrade) 4. Constrói-se com a preposição em, no sentido de morar, residir: ? “Sou obrigado por esta desgraçada posição de deputado a assistir mais algum tempo na capital”. (C.C.B.) ASPIRAR 1. É transitivo direto quando significa sorver, tragar, respirar (ar, perfume, pó). ? “Há máquinas que aspiram o pó do assoalho.” (J.M.C.) ? “Calixto aspirou o aroma ds flores...” (C.C.B.) 2. É transitivo indireto quando significa pretender, desejar. Neste caso, o objeto indireto vem introduzido pela preposição a (ou por), não admitindo a substituição pela preposição a (ou por), não admitindo a substituição pela forma pronominal lhe (ou lhes), mas somente por a ele(s) ou a ela(s). ? “Sua vigilância esperava-me, no íntimo, fazendo-me aspirar, com à libertação.” (Ciro dos Anjos) ? “Aspiram a altas dignidades. ? “O orador aspira à notoriedade...” (C.L.) ? Aspiro a ser médico. ? Não invejo a essas honrarias nem aspiro a elas. ESQUECER 1. Na acepção própria de olvidar, sair da lembrança, este verbo constrói-se, tradicionalmente: a) seja com objeto direto: ? “Esqueceu desentendimentos e grosserias, um entusiasmo verdadeiro encheu-lhe a alma pequenina”. (Graciliano Ramos) b) seja como objeto indireto introduzido pela preposição de, quando pronominal:? “Tenda de lutar para obter melhoria de situação, foi-se esquecendo dos deveres religiosos.” (Carlos Drummond de Andrade) 2. Do cruzamento destas duas construções resultou uma terceira, sem o pronome reflexivo, mas com o objeto introduzido por de: ? Esqueceu os deveres religiosos. ? Esqueceu dos deveres religiosos. ? Esqueceu-se dos deveres religiosos. Tal construção, considerada viciosa pelos gramáticos, mas muito freqüente no colóquio diário, já se vem insinuando na linguagem literária, principalmente, quando o complemento de esquecer é um infinitivo. Sirva de exemplo este passo: PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 75 ? “Bento esqueceu modestamente de mencionar as outras coisas que tem sido, na paz e na guerra, em que são incontáveis”. (Érico Veríssimo) 3. Também não é raro na língua atual o tipo sintático esquecer-se que, com elipse da preposição. ? “Não se esqueça porém que outro virá destruir tudo isto que constrói”. (Mário de Andrade) Finalmente, à semelhança de lembrar-se, o verbo esquecer-se admite uma construção de estrutura diversa das que até agora examinamos. Os elementos que nestes funcionam como objeto (direto ou indireto) vão figurar nela como sujeito. Assim no seguinte exemplo de Ciro dos Anjos: ? “Esqueceram-me todas as mágoas, e comecei a gostar desse Belmiro que olhava para o salão como se estivesse contemplando o mar.” OBEDECER E DESOBEDECER Transitivo indireto. ? Devemos obedecer aos sinais de trânsito. PAGAR Transitivo direto e indireto. ? Já paguei um jantar a você. (preposição) Obs.: Os verbos Pagar, Perdoar e Atender, quando se referem a pessoas virão com preposição, caso contrário, sem preposição. PERDOAR Transitivo direto e indireto. ? Já perdoei aos meus inimigos as ofensas (preposição) QUERER Transitivo direto, quando significa desejar. ? Todos querem um lugar ao Sol. Transitivo indireto, quando significa gostar de. ? Quero bem a vocês todas. CHEGAR Atingir ao ponto para onde caminha. (pede a preposição a) ? Cheguei ao hotel à noite. PREFERIR Transitivo direto e indireto, significando gostar mais de. ? Prefiro Comunicação à Matemática. (aquilo que não gosto, vem com preposição “a”) GOSTAR Transitivo direto, quando significa experimentar. ? Ele gostou o leite e verificou que está bom. Transitivo indireto, quando significa ter afeição a. ? Não gostei do seu plano. PRECISAR Transitivo direto, quando indica com exatidão. ? Precisei bem o problema. Transitivo indireto, quando indica ter necessidade. ? O diretor precisa da nossa colaboração. ANSIAR Na acepção de causar mal-estar, angustiar, é transitivo direto. ? O cansaço ansiava-o. Transitivo indireto (preposição por) e, às vezes, como transitivo direto, significando desejar ardentemente. ? Ansiava pelo novo dia que vinha nascendo. EXERCÍCIO 01. Assinale a alternativa que preencha corretamente os espaços. Posso informar __________ senhores __________ ninguém, na reunião, ousou aludir __________ tão delicado assunto. a) aos / de que / o b) aos / de que / ao c) aos / que / à d) os / que / à e) os / de que / a 02. Assinale a alternativa que apresenta erros. a) Esqueci o nome dele. b) Esqueci de meu irmão. c) Esqueceu-me o nome dele. d) Nunca me esqueceu esse fenômeno. e) Esqueci-me do nome dele. 03. Assinale a frase onde a regência do verbo assistir está errada. a) Assistimos um belo espetáculo de dança a semana passada. b) Não assisti à missa. c) Os médicos assistiram os doentes durante a epidemia. d) O Técnico assiste os jogadores. O amor de Deus por cada um de nós é pessoal, poderoso e apaixonado. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 76 04. Embora pobre e falto ___________ recursos, foi fiel _____________ ela, que _____________ queria bem com igual constância. a) em / a / o b) em / para / o c) de / para / o d) de / a / lhe e) de / para / lhe 05. Assinale o item em que a regência do verbo proceder contraria a norma culta da língua. a) O juiz procedeu ao julgamento b) Não procede este argumento. c) Procedo um inquérito. d) Procedia de uma boa família. e) Procede-se cautelosamente em tais situações. 06. Assinale a única alternativa em cuja frase a regência verbal foi corretamente usada. a) Obedecer as leis é obrigação de todos. b) Por gratidão, os filhos querem muito seus pais. c) Vimos-lhes o rosto pálido e magro. d) Juro amar-lhe por toda a vida. e) Desta vez assisti o jogo sem ficar nervoso. 07. Onde há erro de regência verbal? a) Esqueceram-lhe os compromissos assumidos. b) Nós lhe lembramos o compromisso assumido. c) Eu esqueci os compromissos assumidos. d) Não me lembram tais palavras. e) Lembro-me que tais eram a suas palavras. 08. Observe as frases: I Eu __________ perdôo, irmãos, todas as suas faltas. II Eram muitos os débitos: já __________ paguei todos. III Não __________ convido porque estou atrasado. IV Cientifiquei-__________ a hora do exame. Para realizar a regência verbal correta, você colocaria os na lacuna: a) da frase I apenas; b) das frases II, III e IV; c) da frase II apenas; d) ou não colocaria os em nenhuma delas, usando lhes. e) nda 09. (FEI-SP) Assinale a alternativa em que a regência do verbo sublinhado contraria a norma culta da língua: a) Ele queria aos pais, contudo não queria os livros. b) A vida a que aspirava era uma ilusão. c) Peri ficou imobilizado por centenas de lanças que visavam o meu peito. d) Jamais me esquecerei daquele fato marcante em minha vida. e) Avisaram-no que a reunião começaria no horário marcado? 10. (Cesgranrio-RJ) Assinale a opção cuja lacuna não pode ser preenchida pela preposição entre parênteses: a) uma companheira desta, ______ cuja figura os mais velhos se comoviam (com) b) uma companheira desta, _______ cuja figura já nos referimos anteriormente (a) c) uma companheira desta, ______ cuja figura havia um ar de grande dama decadente (em) d) uma companheira desta, ______ cuja figura andara todo o regimento apaixonado (por) e) uma companheira desta, ______ cuja figuras as crianças se assustavam (de) 11. (UEL-PR) Cônscio ______ sua grande responsabilidade, desempenhou-se muito bem ______ tarefas ______ foi incumbido. a) em – nas – que b) de – nas – que c) com – das – a que d) em – às – de que e) de – das – de que 12. Assinale a frase que não apresenta erro de regência verbal. a) Acredite, estimo-lhe deveras, minha amiga! b) Prefiro mais um calhambeque que ande do que um cavalo que me derrube. c) Assisti ao espetáculo de que você tanto gostou. d) As amoras são as frutas que mais gosto. e) Não a obedecerei mais, pois já me sinto adulto. 13. (UFSCar-SP) Assinale a frase correta quanto à regência: a) A peça que assistimos foi muito boa. b) Estes são os livros que precisamos. c) Esse foi um ponto que todos se esqueceram. d) Guimarães Rosa é o escritos que mais aprecio. e) O ideal que aspiramos é conhecido por todos. 14. (OSEC-SP) Se você preferir ler ______ sair, não deixe de folhear os livros ______ conteúdo o professor fez referência. a) a - a cujo b) a - cujo c) do que - cujo o d) do que - cujo e) do que - de cujo o 15. (UFPR) Assinale a alternativa que substitui corretamente as palavras destacadas: 1. Assistimosà inauguração da piscina. 2. O governo assiste os flagelados. 3. Ele aspirava a uma posição de maior destaque. 4. Ele aspira o aroma das flores. 5. O aluno obedece aos mestres. a) lhe, os, a ela, a ele, lhes b) lhe, os, a ela, o, lhes c) a ela, os, a, a ele, os d) a ela, a eles, lhe, lhe, lhes e) lhe, a eles, a ela, o, lhes DEUS quer nos dar muito mais do que pedimos. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 77 TEXTO: CONVERSA DE BOTEQUIM Noel Rosa e Vadico Seu garçom faça o favor de me trazer depressa uma boa média que não seja requentada, um pão bem quente com manteiga à beça, um guardanapo e um copo d’água bem gelada. Feche a porta da direita com muito cuidado, que não estou dispostos a ficar exposto ao sol. Vá perguntar ao seu freguês do lado qual foi o resultado do futebol... Se você ficar limpando a mesa, não me levanto nem pago a despesa. Vá pedir ao seu patrão uma caneta, um tinteiro, um envelope e um cartão. Não se esqueça de me dar palito e um cigarro pra espantar mosquito. Vá dizer ao charuteiro que me empreste umas revistas, um cinzeiro e um isqueiro... Telefone ao menos uma vez para 34-4333 o ordene ao seu Osório que me mande um guarda-chuva aqui pro nosso escritório. Seu garçom, me empreste algum dinheiro, que eu deixei o meu com o bicheiro. Vá dizer ao seu gerente que pendure este despesa no cabide ali na frente... COMPREENSÃO DO TEXTO 1. O boêmio mostra ser possuidor de dois hábitos ou vícios tipicamente brasileiros. Quais? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 2. O sambista era freguês habitual de botequim. Por sua conversa, vê-se que conhecia os truques e os ardis desse mister. Assinale a expressão que não caracteriza um desses truques. a) Média requentada. b) Pão dormido. c) Manteiga escassa. d) Água bem gelada e) Limpar mesa com o freguês sentado. 03. O boêmio pretendia demorar-se bastante. Assinale a passagem que sugere esta intenção. a) “...faça o favor de me trazer depressa uma boa média”. b) “Não se esqueça de me dar palito...” c) “Seu garçom, me empreste algum dinheiro...” d) “Vá pedir ao seu patrão uma caneta, um tinteiro, um envelope e um cartão...” e) “Vá dizer ao seu gerente que pendure esta despesa na cabide ali na frente.” 04. Percebe-se no boêmio um sentimento de irritação a represália quando: a) o garçom fecha a porta da cozinha. b) o charuteiro não lhe manda as revistas. c) imagina que a média está requentada. d) o garçom fica limpando a mesa. e) nota a falta do guarda-chuva. 05. Serviria para espantar mosquito: a) o guardanapo. b) a fumaça do cigarro. c) o cigarro. d) o palito. e) a revista. 06. Em certa parte da conversa, dá o sambista à sua mesa de botequim uma denominação curiosa. Assinale as palavras do texto que justificam esta designação. a) charuteiro, revistas, mosquito, isqueiro. b) Sol, gelada, futebol, despesa. c) Caneta, tinteiro, envelope, cartão. d) Freguês, garçom, patrão, gerente. e) bicheiro, futebol, guarda-chuva, cigarro. 07. O sambista ignorava: a) o resultado do futebol. b) a ausência do guarda-chuva. c) a utilidade do guardanapo. d) o bicho que deu. e) que lhe faltava dinheiro. 08. Assinale a expressão popular que pode ser aplicada a uma das passagens do texto: a) Pôr as barbas de molho. b) Comer com os olhos. c) Malhar em ferro frio. d) Estar na pindaíba e) Acender uma vela a Deus e outra ao Diabo. 09. Para um freguês do tipo do sambista, a principal qualidade do garçom tem de ser a: a) violência d) eficiência b) honestidade e) modéstia. c) paciência 10. A sua condição de freguês sem dinheiro: a) tornou-se humilde e sossegado. b) não modificou sua conduta arrogante e agressiva. c) fé-lo ter mais comedimento em suas solicitações. d) levou-o a tentar a sorte no jogo do bicho. e) obrigou-o a bajular o garçom e o botequineiro. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 78 MODERNISMO – 2ª FASE Recebendo como herança todas as conquistas da geração de 1922, a segunda fase do Modernismo brasileiro se estende de 1930 a 1945. Período extremamente rico tanto quanto à produção poética como à prosa, reflete um conturbado momento histórico: no plano internacional, vive-se a depressão econômica, o avanço do nazi-fascismo e a Segunda Guerra Mundial; no plano interno, dá-se a ascensão de Getúlio Vargas e a consolidação de seu poder com a ditadura do Estado Novo. Assim é que, a par das pesquisas estéticas, o universo temático se amplia e o artista apresenta-se preocupado com o destino dos homens, o “estar-no-mundo”. Em 1945, com o fim da guerra, as explosões atômicas, a criação da ONU e, no plano nacional, a derrubada de Getúlio Vargas, abre-se um novo período na história literária do Brasil. MOMENTO HISTÓRICO “Este é tempo de partido, tempo de homens partidos Em vão percorremos volumes, viajamos e nos colorimos. A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua. Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos. As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.” Carlos Drummond de Andrade, primeiros versos de “Nosso templo”, 1945. O período que vai de 1930 a 1945 é, talvez, o de maiores transformações vividas pelo século XX, bem como o responsável pela configuração política do mundo atual. Em 1930, têm início os quinze anos da ditadura de Getúlio Vargas. Com o objetivo de obter apoio junto às massas, Getúlio toma uma série de medidas: o país é dotado de uma legislação trabalhista e previdenciária, decreta-se o salário mínimo e adotam-se providencias para a criação de um partido trabalhista. Em 1945, é decretada a anistia para os presos políticos e são convocadas eleições para dezembro. Porém, as suspeitas de um novo golpe getulista, naquele ano, provocam o descontentamento dos militares, que, num movimento liderado pelo general Góis Monteiro, depõem o ditador. AS TRANSFORMAÇÕES DO PERÍODO GETULISTA Entre as transformações ocorridas no período, destacam-se: • a expansão industrial do Brasil, causada primeiramente pela depressão de 29 e, no período de 1940-45, pelas dificuldades de comercio exterior provocadas pela Segunda Guerra Mundial; • o desenvolvimento dos transportes rodoviário e aéreo; • o crescimento das cidades e o surgimento do proletariado urbano, e os conseqüentes problemas de habitação, criminalidade, saneamento etc. • a criação de universidades, a implantação do ensino técnico e o aumento da rede escolar, sobretudo a de 1º grau, com cerca de quarenta mil escolas em 1939; • o desenvolvimento da imprensa, o aumento do número de bibliotecas e a construção de prédios públicos, o que contribuiu para a valorização da arquitetura no Brasil. A LITERATURA DA 2ª FASE POESIA A geração de 30, despreocupada com as questões imediatas de 22 (o nacionalismo, o folclore, a destruição dos esquemas do passado etc.), voltava-se para as questões universais do homem e para os problemas da sociedade capitalista. É o que se dá por exemplo, na poesia de Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes e Jorge Lima. Cecília Meireles PORTUGUÊS ENSINO MÉDIOIII Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 79 Em Vinicius de Morais e Cecília Meireles, a temática universalizante também estará presente, embora suplantada por uma poesia personalista. Por outro lado, alguns dos mais importantes poetas de 30, entre eles Murilo Mendes, Jorge de Lima e Cecília Meireles, incorporariam a religiosidade e o misticismo em seus poemas. Finalmente, é preciso observar que a geração de 30 não processou uma mudança repentina e tão pouco se limitou àquele período. Os poetas de 22, então mais amadurecidos, continuariam em plena atividade, paralelamente aos de 30, e destes também continuariam produzindo e se renovando até o século XX. PROSA Nos anos 30, a ficção dá novo salto qualitativo com o aparecimento de escritores de grande importância, que se distribuem basicamente em três vertentes: PROSA REGIONALISTA As raízes do regionalismo já se encontravam no século anterior, com O sertanejo, de José de Alencar, e O Cabeleira, de Franklin Távora. Em 1926, cria-se o Centro Regionalista e realiza-se o Primeiro Congresso Brasileiro de Regionalismo, resultante de uma intensa campanha de revalorização das tradições regionais, sobretudo por meio do sociólogo Gilberto Freire. A preocupação com a revalorização do Nordeste deve-se em parte ao deslocamento do eixo econômico e cultural para o Sul, quando a indústria açucareira começa a decair. O regionalismo de 30 soube revelar o drama da seca e das retiradas, a submissão do homem ao latifundiário, a ignorância e as mazelas políticas da região Nordeste. A bagaceira de José de Almeida, é a obra inaugural, e seu prefácio, intitulado “Antes que me falem”, constitui um autêntico manifesto do regionalismo de então. A seguir, publicam-se, entre outros, O Quinze (1930), de Rachel de Queiroz, O país do carnaval (1931), de Jorge Amado, e Menino de engenho (1932), de José Lins do Rego. Em 1938, Graciliano Ramos publica Vidas secas, a obra máxima do romance nordestino. PROSA URBANA José Geraldo Vieira, Érico Veríssimo e Marques Rebelo são os que mais se destacaram ao retratar o ambiente e as personagens das grandes cidades de então. PROSA INTIMISTA Os conflitos humanos e as questões psicológicas aparecem nas obras de Lúcio Cardoso, Dionélio Machado e Otávio de Faria. No final do período, surge um dos maiores nomes da literatura brasileira, Clarice Lispector, que merece considerações à parte. Clarice Lispector EXERCICIOS 01. Quais as tendências da poesia da segunda fase do Modernismo brasileiro? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Quais os principais poetas da segunda fase do Modernismo brasileiro? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. Na prosa, qual a novidade apresentada pela geração de 30? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Quais os principais autores de romances regionalistas surgidos na segunda fase do Modernismo? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. Além do regionalismo, quais as outras vertentes da prosa da segunda fase e quais os autores que nelas se destacam? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 06. (F. Carlos Chagas) Relacionando o período literário que se inicia em 1928 ao período imediatamente anterior, podemos dizer que: a) A década de 30 é continuação natural do; movimento de 22, acrescentando-lhe o tom anárquico e a atitude aventureira. b) O segundo momento abandonou a atitude destruidora, buscando uma recomposição de valores e a configuração de nova ordem estética. c) A década de 20 representa uma desagregação das idéias e dos temas tradicionais; a de 30 destrói as formas ortodoxas da expressão. d) As propostas literárias da década de 20 só se veriam postas em prática no decênio seguinte. e) O segundo momento do modernismo assumiu como armas de combate o deboche, a piada, o escândalo e a agitação. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 80 GRACILIANO RAMOS É considerado o melhor ficcionista do Modernismo. Já é um clássico de nossa literatura. De maneira geral, seus romances caracterizam-se pelo inter-relacionamento entre as condições sociais e a psicologia das personagens que se soma uma linguagem precisa, “enxuta” e despojada, de períodos curtos, mas de grande força expressiva. É geralmente classificado regionalista nordestino. Na verdade conciliou o regionalismo com o romance psicológico pois foi constante sua preocupação de fixar a panorâmica interior de cada um dos personagens. Chegou a personificar a cachorra Baleia. Seu romance de estréia, Caetés (1933), conta um caso de adultério ocorrido numa pequena cidade do interior nordestino e não está à altura das obras subseqüentes. São Bernardo (1934), uma de suas obras-primas, narra a ascensão de Paulo Honório, rico proprietário da fazenda São Bernardo. Com o objetivo de ter um herdeiro, Paulo casa-se com Madalena, uma professora de idéias progressistas. O ciúme e a incompreensão de Paulo Honório levam-na ao suicídio. Trata-se de um romance admirável, não só pela caracterização da personagem, mas também pelo tratamento dado à problemática da coisificação dos indivíduos. Angustia (1936) é a história de uma só personagem, quer vive a remoer a sua angustia por ter cometido um crime passional. Vidas Secas (1938), é um romance formado por capítulos independentes, constituindo um todo. Apresenta a vida subumana de uma família de nordestinos – Fabiano, Sinhá Vitória, os dois filhos e a cachorra Baleia – fugindo da seca. É a luta pela sobrevivência, embora totalmente dominados e condicionados pelos elementos. Entre suas obras autobiográficas, destaca- se Memórias do cárcere 91953), depoimento sobre as condições dramáticas de sua prisão durante o governo do ditador Getúlio Vargas. OBRAS ROMANCE ? Caetés (1933); ? São Bernardo (1934); ? Angústia (1936); ? Vidas secas (1938). CONTO ? Insônia (1947) MEMÓRIAS ? Infância (1945); ? Memórias do cárcere (1953); ? Linhas tortas (1962); ? Viventes das Alagoas (1962), as duas últimas publicadas postumamente. INFANTIS ? Histórias de Alexandre (1944); ? Histórias incompletas (1946). TEXTO: SÃO BERNARDO Bichos. As criaturas que me serviram durante anos eram bichos. Havia bichos domésticos, como o Padilha, bichos do mato, como Casimiro Lopes, e muitos bichos para o serviço do campo, bois mansos. Os currais que se escoram uns aos outros, lá embaixo, tinham lâmpadas elétricas. E os bezerrinhos mais taludos soletravam a cartilha e aprendiam de cor os mandamentos da lei de Deus. Bichos. Alguns mudaram de espécies e estão no exército, volvendo à esquerda, volvendo à direita, fazendo sentinela. Outros buscaram pastos diferentes. Se eu povoasse os currais, teria boas safras, depositaria dinheiro nos bancos, compraria mais terrae construiria novos currais. Para quê? Nada disso me traria satisfação. RAMOS, Graciliano, São Bernardo. 44 ed. Rio de Janeiro, Record, 1985. p. 182-3 COMPREENSÃO DO TEXTO 01. De que maneira Paulo Honório revela o seu total desapreço pelas pessoas que o serviram durante anos? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ Não importa quão longe perambulamos, Deus vai conosco. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 81 02. Paulo Honório estabelece, de certa forma, uma hierarquia entre as pessoas que o serviram. Como se dá isso? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. Nessa hierarquização, quais podem ser considerados os mais subservientes e conformados? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Para Paulo Honório só havia uma diferença entre o curral dos animais e as moradias dos seus empregados. Que diferença é essa? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. O suicídio de sua mulher, Madalena, causa em Paulo Honório um sentimento de insatisfação existencial. Em que parágrafo ele manifesta esse sentimento? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 06. Assinale a informação incorreta sobre Graciliano Ramos: a) Possuía um estilo conciso, sem exagero realista apresentando somente o essencial. b) Escreveu romance e contos, alimentado pelo filão memorialista. c) É autor de São Bernardo, Vidas Secas e Caetés. d) Fez romance regionalista, especialmente nordestino; desprezou totalmente a psicologia dos personagens. e) n.r.a. 07. Não aconteceu antes da Semana de Arte Moderna: a) Exposição de Anita Malfatti b) Oswald de Andrade trouxe da Europa diretrizes do Manifesto Futurista c) Publicação de Juca Mulato. d) Publicação da revista Klaxon e) Publicação de Há Uma Gota de Sangue em Cada Poema 08. Ponha em ordem cronológica usando as letras do alfabeto: ( ) Revista Festa ( ) Manifesto Antropófago ( ) Manifesto Anta ( ) Manifesto Pau-Brasil ( ) Manifesto Verdamarelista TEXTO: VIDAS SECAS Graciliano Ramos Vidas secas é uma das obras- primas de Graciliano Ramos e da literatura brasileira. O romance focaliza uma família de retirantes (Fabiano, Sinhá Vitória e os dois filhos do casal) castiga da pela seca e pela caatinga?, oprimida pelos que detinham o poder de mando e nivelada a bichos e coisas, assimilando em seus traços físicos e comportamentos a aridez e ressequidão da terra. Vejamos um trecho em que o narrador descreve o início da viagem dos retirantes famintos que fugiam da seca. A catinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O vôo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos?. ⎯ Anda, excomungado?. O pirralho? não se mexeu, e Fabiano desejou mata-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário ⎯ e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde. Tinha deixado os caminhos, cheios de espinhos e seixos, fazia horas que pisavam a margem do rio, a lama seca e rachada que escaldava os pés. Pelo espírito atribulado do sertanejo passou a idéia de abandonar o filho naquele descampado. Pensou nos urubus, nas ossadas, coçou a barba ruiva e suja, irresoluto, examinou os arredores. Sinhá Vitória estirou o beiço indicando vagamente ? caatinga – O mesmo que catinga. Mata que já foi roçada; vegetação típica do sertão nordestino. ? moribundo – que, ou o que esta a morrer; que vai acabar; agonizante amortecido. ? excomungado – que sofreu excomunhão, indivíduo que sofreu pena de excomunhão; indivíduo que procede mal. ? pirralho – criançola; individuo de pequena estatura. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 82 uma direção e afirmou com alguns sons guturais? que estavam perto. Fabiano meteu a faca na bainha, guardou-a no cinturão, acocorou-se, pegou no pulso do menino, que se encolhia, os joelhos encostados ao estômago, frio como um defunto. Aí a cólera desapareceu e Fabiano teve pena. Impossível abandonar o anjinho aos bichos do mato. Entregou a espingarda a Sinhá Vitória, pôs o filho no cangote, levantou-se agarrou os bracinhos que lhe caíam sobre o peito, moles, finos como cambitos?. Sinhá Vitória aprovou esse arranjo, lançou de novo a interjeição gutural, designou os juazeiros invisíveis. E a viagem prosseguiu, mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande. RAMOS, Graciliano. Vidas secas, 37 ed. Rio de Janeiro , Record, 1977. p. 10. COMPREENSÃO DO TEXTO 01. Como o narrador caracteriza o cenário da seca? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Transcreva do texto a expressão que demonstra que Fabiano assimilara em um dos seus traços psicológicos a aridez e ressequidão da terra. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. Ao comunicar-se com Fabiano, a linguagem de Sinhá Vitória aparece nivelada aos bichos. Que expressões do texto justificam essa afirmação? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Que passagem do texto caracterizam a fraqueza e subnutrição do menino doente? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ ? gutural – relativo ou pertencente à garganta; diz-se do som emitido na garganta. ? cambitos – Galho fino; perna fina. JOSÉ LINS DO REGO A ficção de José Lins do Rego é, no fundo memorialista. Reconstrói o mundo em que nasceu e se criou, as histórias que ouviu na infância e a tradição de que foi testemunha Por isso, seus livros nascem dos problemas gerados por um “sistema patriarcalista, escravocrata e latifundiário”, em decadência. Tanto que W. Martins (in Memórias, pág. 273) afirma que José Lins do Rego “sempre esteve voltado para o passado. Sua obra é sombria e pessimista”. Sem muita psicologia, prende pela linguagem de um agradável contador de histórias nordestino. Segundo o próprio autor, sua obra de ficção pode ser dividida em: • ciclo da cana- de-açúcar: Menino de engenho, Doidinho,Bangüê, Usina e Fogo morto; • ciclo do cangaço, do misticismo e da seca: Pedra Bonita e Cangaceiros; • obra independentes : O moleque Ricardo, Pureza e Riacho Doce. As obras do chamado ciclo da cana-de-açúcar são as mais importantes, destacando-se Fogo morto ⎯ sua obra- prima ⎯ é composta de três partes, em cada uma um personagem central: o seleiro José Amaro, o coronel Lula, o dono do decadente Engenho Santa Fé e o Capitão Vitorino, espécie de D. Quixote do interior. Nelas, o autor procura retratar o início da decadência dos senhores de engenho, o advento da usina de açúcar, com seus métodos modernos de produção, e a formação de uma nova estrutura econômica e social na região açucareira do Nordeste. Esquecer as mágoas do passado nos liberta para viver totalmente no presente. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 83 OBRAS ROMANCES ? Menino de engenho (1932); ? Doidinho (1933); ? Bangüê (1934); ? O moleque Ricardo (1934); ? Usina (1936); ? Pureza (1937); ? Pedra Bonita (1938); ? Riacho Doce (1939); ? Água-mãe (1941); ? Fogo morto (1943); ? Eurídice (1947); ? Cangaceiros (1953). TEXTO: MENINO DE ENGENHO Coitado do Santa Fé! Já o conheci de fogo morto. E nada é mais triste do que engenho de fogo morto. Uma desolação de fim de vida, de ruína, que dá à paisagem rural uma melancolia de cemitério abandonado. Na bagaceira?, crescendo, o mata- pasto? de cobrir gente, o melão entrando pelas fornalhas, os moradores fugindo para outro engenho, tudo deixado para um canto, e até os bois de carro vendidos para dar de comer aos seus donos. Ao lado da prosperidade e da riqueza do meu avô, eu vira ruir, até no prestígio de sua autoridade, aquele simpático velhinho que era o Coronel Lula de Holanda, com o seu Santa Fé caindo aos pedaços. Todo barbado, como aqueles velhos dos álbuns antigos, sempre que saía de casa era de cabriolé? e de casimira preta. A sua vida parecia um mistério. Não plantava um pé de cana e não pedia um tostão emprestado a ninguém. REGO, José Lins do. Menino de engenho. 33 ed Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984. p. 121-3. ? Bagaceira – Pátio onde são depositados os detritos da cana moída; o próprio ambiente dos engenhos. ? mata-pasto – arbusto. ? cabriolé – carruagem leve de duas rodas. COMPREENSÃO DO TEXTO 01. Explique o sentido da expressão fogo morto em “E nada é mais triste do que um engenho de fogo morto”. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Destaque do texto uma passagem que comprove o seu caráter memorialista. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. Destaque do texto alguns elementos que indique a decadência do engenho Santa Fé. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. O texto pertence a que ciclo da obra de José Lins do Rego? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. Qual o romance de estréia de Graciliano Ramos? _________________________________________ _________________________________________ 06. A problemática da posse e da coisificação do ser humano encontra-se expressa de maneira excepcional em que obra de Graciliano Ramos? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 07. O que caracteriza a linguagem ficcional de Graciliano Ramos? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 08. Como pode ser dividido o conjunto da obra de José Lins do Rego? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 09. O que caracteriza as obras de José Lins do Rego pertencentes ao chamado ciclo da cana-de- açúcar? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 84 JORGE AMADO É lírico e realista ao mesmo tempo. E este romantismo supre a deficiência de análise psicológica dos personagens que nascem espontaneamente nas obras do autor. Observe-se ainda, que o humor é importante na linguagem de Jorge Amado. Quase todas as suas obras giram em torno da Bahia, preocupado em apresentar o procedimento, as crenças e lendas dos humildes, dos de cor, dos trabalhadores, enfim os problemas sociais daquela terra. Costuma-se dividir a obra de Jorge Amado em duas fases. A primeira iniciada com o romance O país do carnaval (1931), caracteriza-se pelo forte conteúdo político e pela denuncia das injustiças sociais, o que muitas vezes dá um caráter panfletário e tendencioso à obras aí incluídas. O esquematismo psicológico das obras dessa primeira fase leva a uma divisão do mundo em heróis (marginais, vagabundos, operários, prostitutas, meninos abandonados, marinheiros etc) e vilões (a burguesia urbana e os proprietários rurais). Terras do sem-fim (1942) é uma exceção entre os romances da primeira fase, constituindo uma das obras-primas do autor. A segunda fase inicia-se com a publicação de Gabriela cravo e canela (1958). Fugindo ao panfletarismo e ao esquematismo pasicologico, Jorge Amado passa a contruir seus romances com elementos folclóricos e populares: os costumes afro- brasileiros, a comida típica, o candomblé, os terreiros, a capoeira etc. O mundo dos marginalizados torna-se preconceituoso, sem regras severas de conduta social, o que lhes permite um elevado grau de liberdade existencial. OBRAS ROMANCES ? O pais do carnaval (1931); ? cacau (1933); ? Suor (1934); ? Jubiabá (1935); ? Mar morto (1936); ? Capitães de Areia (1937); ? Terras do sem-fim (1942); ? São Jorge do Ilhéus (1944); ? Seara Vermelha (1946); ? Os subterrâneos da liberdade (1952); ? Gabriela, cravo e canela 1958); ? Dona Flor e seus dois maridos (1967); ? Tenda dos milagres (1970); ? Teresa Batista cansada de Guerra (1973); ? Tieta do agreste (1977); ? Farda, fardão, camisola de dormir (1979); ? Navegação de cabotagem (1992). PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 85 NOVELAS ? Os velhos Marinheiros (1961); ? Os pastores da noite (1964). BIOGRAFIAS ? ABC de Castro Alves (1941); ? O cavaleiro da esperança (1945) – V ida de Luís Carlos Prestes. TEATRO ? O amor de Castro Alves, reeditado como O amor do soldado (1947). TEXTO: CAPITÃES DE AREIA Jorge Amado O romance Capitães de Areia, de Jorge Amado, é um documento sobre a vida dos meninos de rua de Salvador. A sua primeiraedição (1937) foi apreendida e queimada em praça pública pouco depois de implantada a ditadura de Getúlio Vargas. No trecho a seguir, o narrador nos conta como Pedro Bala, aos quinze anos, assumiu a liderança de um grupo que dormia num velho armazém abandonado do cais do porto. É aqui também que mora o chefe dos Capitães de Areia: Pedro Bala. Desde cedo foi chamado assim, desde os seus cinco anos. Hoje tem quinze anos. Há dez que vagabundeia nas ruas da Bahia. Nunca soube de sua mãe, seu pai morrera de um balaço. Ele ficou sozinho e empregou anos em conhecer a cidade. Hoje sabe de todas as suas ruas e de todos os seus becos. Não há venda, quitanda, botequim que ele n ao conheça. Quando se incorporou aos Capitães da Areia (o cais recém- construído atraiu para as suas areias todas as crianças abandonadas da cidade) o chefe era Raimundo Caboclo, mulato avermelhado e forte. Não durou muito na chefia o caboclo Raimundo. Pedro Bala era muito mais ativo, sabia planejar os trabalhos, sabia tratar com os outros , trazia nos olhos e na voz a autoridade de chefe. Um dia brigaram. A desgraça de Raimundo foi puxar uma navalha e cortar o rosto de Pedro, um talho que ficou para o resto da vida. Os outros se meteram e como Pedro estava desarmado deram razão a ele e ficaram esperando a revanche, que não tardou. Uma noite, quando Raimundo quis surrar Barandão, Pedro tomou as dores do negrinho e rolaram na luta mais sensacional a que as areias do cais jamais assistiram. Raimundo era mais alto e mais velho. Porém Pedro Bala, o cabelo loiro voando, a cicatriz vermelha no rosto, era de uma agilidade espantosa e desde esse dia Raimundo deixou não só a chefia dos Capitães de Areia, como o próprio areal. Engajou tempos depois num navio. Todos reconheceram os direitos de Pedro Bala à chefia, e foi dessa época que a cidade começou a ouvir falar nos Capitães da Areia, crianças abandonadas que viviam do furto. AMADO, Jorge. Capitães da areia. 50. ed. Rio de Janeiro, Record, 1980. p. 26-7. COMPREENSÃO DO TEXTO 01. Pela leitura do texto, pode-se concluir que o romance pretende denunciar que tipo de problema? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Que fato da vida de Pedro Bala pode ser considerado como o elemento desencadeador de sua vida de menino de rua? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. Que características de Pedro Bala fizeram dele o líder do grupo? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Mesmo sendo um grupo de marginalizados, os meninos demonstravam senso de justiça entre os membros do grupo. Que fato narrado comprova essa afirmação? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 86 05. (F.C. Chagas – SP) A obra de Jorge Amado, em sua fase inicial, aborda o problema da: a) seca periódica que devasta a região da pecuária do Piauí. b) decadência da aristocracia da cana-de-açúcar diante do aparecimento das usinas c) luta pela posse de terras na região cacaueira de ilhéus. d) vida nas salinas, que destrói paulatinamente os trabalhadores. e) aristocracia cafeeira, que se vê à beira da falência com a crise de 29. ÉRICO VERÍSSIMO Costuma-se dividir a obra de Érico Veríssimo em três grupos: Romance urbano: Clarissa, Caminhos cruzados, Um lugar ao sol, Olhai os lírios do campo, Saga e O resto é silencio. As obras dessa fase registram a vida da pequena burguesia porto- alegrense, com uma visão otimista, às vezes lírica, às vezes crítica, e com uma linguagem tradicional, sem maiores inovações estilísticas. Romance histórico: O tempo e o vento. A trilogia de Érico Veríssimo procura abranger duzentos anos da história do Rio Grande do Sul, de 1745 a 1945. O primeiro volume (O continente) narra a conquista de São Pedro pelos primeiros colonos e é considerado o ponto mais alto de toda a sua obra. Romance político: O senhor embaixador, O prisioneiro e Incidente em Antares. Escritos durante o período da ditadura militar (1964-1985), denunciam os males do autoritarismo e as violações dos direitos humanos. Dessa série destaca-se Incidente em Antares. OBRAS ROMANCE ? Clarisse (1932); ? Caminhos cruzados (1935); ? Música ao longe (1935); ? Um lugar ao sol (1936); ? Olhai os lírios do campo (1938); ? Saga (1940); ? O resto é silencio (1942); ? O tempo e o vento – I: O continente (1949), ? II: O retrato (1951), ? III: O arquipélago (1961); ? O senhor embaixador (1965); ? O prisioneiro (1967); ? Incidente em Antares (1971). CONTO E NOVELA ? Fantoches (1932); ? Noite (1954). MEMÓRIAS ? Solo de clarinete I (1973); ? Solo de clarineta II (1975). ? Publicou ainda várias obras de literatura infantil, além de narrativas de viagens. TEXTO: O TEMPO E O VENTO A trilogia de Érico Veríssimo narra a saga? de uma família e de uma cidade do Rio Grande do Sul, desde suas origens, em 1745, até 1945. O trecho a seguir, extraído do primeiro volume, focaliza a personagem Ana Terra. Muitos anos mais tarde, Ana Terra costumava sentar-se na frente de sua casa para pensar no passado. E no seu pensamento como que ouvia o vento de outros tempos e sentia o tempo passar, escutava vozes, via caras e lembrava-se de coisas... O ano de 81 trouxera um acontecimento triste para velho Maneco: Horácio deixara a fazenda, contragosto do pai, e fora para o Rio Pardo, onde se casara com a filha de um tanoeiro? e se ? saga – narração; história fabulosa. ? tanoeiro – aquele que faz ou conserta barris, tinas, dornas etc. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 87 estabelecera com uma pequena venda. Em compensação, nesse mesmo ano Antônio casou-se com Eulália Moura, filha dum colono açoriano dos arredores do Rio Pardo, e trouxe a mulher para a estância, indo ambos viver no puxado que tinham feito no rancho. Em 85 uma nuvem de gafanhotos desceu sobre a lavoura deitando a perder toda a colheita. Em 86, quando Pedrinho se aproximava dos oitos anos, uma peste atacou o gado e um raio matou um dos escravos. Foi em 86 mesmo ou no ano seguinte que nasceu Rosa, a primeira filha de Antônio e Eulália? Bom. A verdade era que a criança tinha nascido pouco mais de um ano após o casamento. Dona Henriqueta cortara-lhe o cordão umbilical com a mesma tesoura de podar com que separara Pedrinho da mãe. E era assim que o tempo se arrastava, o sol nascia e se sumia, a lua passava por todas as fases, as estações iam e vinham, deixando sua marca nas árvores, na terra, nas coisas e nas pessoas. E havia períodos em que Ana perdia a conta dos dias. Mas entre as cenas que nunca mais lhe saíram da memória estavam as da tarde em que dona Henriqueta fora para a cama com uma dor aguda no lado direito, ficara se retorcendo durante horas, vomitando tudo que engolia, gemendo e suando frio. E quando Antônio terminou de encilhar? o cavalo para ir até o Rio Pardo buscar recursos, já era tarde demais. A mãe estava morta.Era inverno e ventava. VERÍSSIMO, Érico. O tempo e o vento I: O continente. Porto Alegre, Globo, 1956.p. 185. COMPREENSÃO DO TEXTO 01. Percebe-se no texto o embate de duas forças. Qual delas simboliza o que é permanência (Memória) e qual simboliza o que é passagem (destruição)? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Que forma verbal, predominante no texto, dá- lhe caráter memorialistico? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. Na marcação do tempo, um acontecimento positivo vem acompanhado de uma dúvida. Que acontecimento é esse? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ ? encilhar – arrear, aparelhar. 04. Segundo a epigrafe que abre a obra, retirada do Eclesiastes, “Uma geração vai, e outra geração vem; porém a terra para sempre permanece”, em que parágrafo do texto também está presente essa visão cíclica, predominante no romance? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. Que elemento deixa as suas marcas nas árvores, na terra, nas coisas e nas pessoas? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 06. Como pode ser dividida a obra de Érico Veríssimo? Exemplifique. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 07. Qual a característica marcante da primeira fase da obra de Jorge Amado? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 08. Que elementos entram na composição dos romances de Jorge Amado, sobretudo se consideramos as obras da segunda fase? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 09. Cite quatro obras de Jorge Amado e quatro de Érico Veríssimo. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 10. O autor de Macunaíma é: a) Oswaldo de Andrade b) Jorge Amado c) Murilo Mendes d) Mário de Andrade e) Menotti Del Picchia 11. São Bernardo é obra escrita por: a) Jorge Amado b) José Lins do Rego c) Érico Veríssimo d) Graciliano Ramos e) Guimarães Rosa PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 88 12. (FATEC-SP) Nessa questão associam-se autor, obra e personagem da obra citada. Analise as proposições, tendo em vista as associações corretas. I Graciliano Ramos: São Bernardo (Paulo Honório). José Lins do Rego: Fogo morto (Capitão Vitorino Carneiro da Cunha). II Érico Veríssimo: Olhai os lírios do campo (Olívia) Jorge Amado: Jubiabá (Jubiabá). III Rachel de Queiroz: O Quinze (Conceição). Graciliano Ramos: Vidas secas (Sinhá Vitória). IV José Lins do Rego: Capitães de areia (Pedro Bala). Érico Veríssimo: O tempo e o vento (Fabiano). V Jorge Amado: Menino de engenho (Carlos). José Américo de Almeida: A bagaceira (Ana Terra). A propósito dessa questão, pode-se afirmar que: a) Todas as associações estão corretas em todas as proposições. b) nenhuma proposição apresenta todas as associações corretas. c) apenas as associações das proposições I, II e III estão corretas. d) apenas as associações dos proposições I, II e IV estão corretas. e) apenas as associações das proposições II, III e V estão corretas. 13. (FEMP-PA) Quanto a aspectos da atividade literária de José Lins do Rego e Jorge Amado: I Destacam-se como contadores de história em que o homem simples do Nordeste, com seus defeitos e virtudes, é personagem constante em seus romances. II Tornaram-se marcantes a presença da infância e da adolescência em seus romances – daí o caráter memorialista que suas obras de maior destaque tiveram. III Destacaram-se também na arte de fazer o verso – especialmente o soneto. IV Foram combatidos, por determinados setores da critica, pela utilização, em inúmeras passagens de seus romances, de uma linguagem marcadamente coloquial. V Evitaram, sempre que possível, ao longo da atividade literária, a abordagem de questões de ordem social e política. a) I, II, V b) II, IV, V c) III, IV, V d) II, III e) I, IV RACHEL DE QUEIROZ Estréia em livro no ano de 1930, publicando o romance O Quinze; nos anos seguintes milita no Partido Comunista Brasileiro , e em 1937 é presa por suas idéias esquerdistas. A partir de 1940 dedica-se à crônica jornalística e ao teatro. Em 1977, quebrou velha tradição ao ser a primeira mulher a pertencer à Academia Brasileira de Letras. A obra de Rachel de Queiroz é marcada pelo forte caráter regionalista dos romances modernistas: o Ceará, sua gente, sua terra, as secas, são notas constantes em seus romances, escritos numa linguagem fluente e de diálogos fáceis, o que resulta em uma narrativa dinâmica. Os primeiros romances – O Quinze e João Miguel – apresenta a coexistência do social e do psicológico, sendo entretanto o primeiro superior ao segundo. Em Caminhos de Pedras atinge o ponto máximo da literatura engajada e esquerdizante: é o seu romance mais social, mais político; foi publicado em 1937, no início do Estado Novo de Getúlio Vargas. A partir de então, em decorrência da situação adversa, a romancista vai abandonando o aspecto social de sua obra, ao mesmo tempo em que passa a valorizar a análise psicológica, diretriz que se pode perceber no seu romance As três Marias. OBRAS ROMANCES ? O Quinze (1930); ? João Miguel (1932); ? Caminhos de Pedra (1937); ? As Três Marias (1939, a obra-prima) TEATRO ? Lampião (1953) ? A Besta Maria do Egito (1958) Nasceu em Fortaleza, Ceará, a 17 de novembro de 1910. Sua infância foi vivida parte na capital cearense, parte na fazenda da família no interior do estado, com rápidas passagens por Belém do Pará e Rio de Janeiro; essa instabilidade deveu-se à seca de 1915, que atingiu a propriedade da sua família. Em 1927, já formada no curso normal, inicia sua colaboração em jornais escrevendo crônicas. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 89 TEXTO: O QUINZE O romance mais popular de Rachel de Queiroz é, sem dúvida. O Quinze, cujo título refere-se à grande seca de 1915, vivida pela escritora em sua infância. Na narrativa, destacam- se duas situações: primeiro, a seca e as conseqüências acarretadas tanto para o vaqueiro Chico Bento e sua família,como para Vicente grande proprietário de gado; em outro plano, a relação efetiva entre Vicente, moço puro mas rude, e Conceição, moça culta de capital. Apesar de ser um romance social, de denuncia, é interessante notar que não situa a má distribuição das propriedades como problema maior do Nordeste, e sim o drama da seca; grandes proprietários e pobres trabalhadores são pintados com as mesmas c ores: são ambos heróicos, e igualmente batidos pelo inimigo comum – a seca. O trecho a seguir mostra-nos Chico Bento e família no terceiro dia da retirada em direção à capital, Fortaleza. “Chegou a desolação da primeira fome. Vinha seca e trágica, surgindo no fundo sujo dos sacos vazios, na descarnada nudez das latas raspadas. ⎯ Mãezinha, cadê a janta? ⎯ Cala a boca, menino! Já vem! ⎯ Vem lá o quê!... Angustiado, Chico Bento apalpava os bolsos... nem um triste vintém azinhavrado?... Lembrou-se da rede nov, grande e de listras que comprara em Quixadá por conta do vale de Vicente. Tinha sido para a viagem. Mas antes dormir no chão do que ver os meninos chorando, com a barriga roncando de fome. Estavam lá na estrada do Castro. E se arrancharam debaixo dum velho pau-branco seco, nu e retorcido, a bem dizer ao tempo, porque aqueles cepos apontados para o céu não tinham nada de abrigo. O vaqueiro saiu com a rede, resoluto: ⎯ Vou ali naquela bodega, ver se dou um jeito... Voltou mais tarde, sem a rede, trazendo uma rapadura e um litro de farinha: ? azinhavre – o mesmo que azibre, camada de hidrocarbonato de cobre, de cor verde, que se forma nos objetos de cobre exposta à umidade. ⎯ Tá aqui. O homem disse que a rede estava velha, só deu isso, e ainda por cima se fazendo de compadecido... Faminta, a meninada avançou; e até Mocinha, sempre mais ou menos calada e indiferente, estendeu a mão com avidez. Contudo, que representava aquilo para tanta gente? Horas depois, os meninos gemiam: ⎯ Mãe, tou com fome de novo... ⎯ Vai dormir, dianho! Parece que ta espiritado?! Soca um quarto de rapadura no bucho e ainda fala em fome! Vai dormir! E Cordulina deu o exemplo, deitando-se com o Duquinha na tipóia muito velha e remendada. A redinha estalou, gemendo. Cordulina se ajeitou, macia e ficou quieta, as pernas de fora, dando ao menino o peito rechupado. Chico Bento estirou-se no chão. Logo, porém uma pedra aguda lhe machucou as costelas. Ele ergue-se, limpou uma cama na terra, deitou-se de novo. ⎯ Ah! minha rede! Ô chão duro dos diabos! E que fome! Levantou-se, bebeu um gole na cabaça. A água fria, batendo no estômago limpo, deu-lhe uma pancada dolorosa. E novamente estendido de ilharga, inutilmente procurou dormir. A rede de Cordulina que tentava um balanço, para enganar o me nino – pobrezinho! o peito estava seco como uma sola velha! – gemia, estalando mais, nos rasgões. E o intestino vazio se enroscava como uma cobra faminta, e em roncos surdos rosfolegava furioso: rum, rum, rum... De manhã cedo, Mocinha foi ao Castro, ver se arranjava algum serviço, uma lavagem de roupa, qualquer coisa que lhe desse para ganhar uns vinténs. Chico Bento também já não estava no rancho. Vagueava à toa, diante das bodegas, à frente das casas, enganando a fome e enganando a lembrança que lhe vinha, constante e impertinente, da meninada chorando, do Duquinha gemendo: ‘Tô tum fome! dá tumê!’ Parou. Num quintalejo?, um homem tirava o leite a uma vaquinha magra. Chico Bento estendeu o olhar faminto para a lata onde o leite subia, branco e fofo como um capucho?... E a mão servil, acostumada à sujeição do trabalho, estendeu-se maquinalmente num pedido... mas a língua ainda orgulhosa endureceu na boca e não articulou a palavra humilhante. A vergonha da atitude nova o cobriu todo; o gesto esboçado se retraiu, passadas nervosas o afastaram. Sentiu a cara ardendo e um engasgo angustioso na garganta. ? espiritado – seguaz do espiritismo; espiritista. ? quintalejo – pequeno quintal. ? capucho – capulho – invólucro da flor; cápsula dentro da qual se forma o algodão. Semente preta de algodão. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 90 Mas dentro da sua turbação lhe zunia ainda aos ouvidos: ‘Mãe, dá tumê!...’ E o homenzinho ficou, espichando os peitos secos de sua vaca, sem ter a menor idéia daquela miséria que passara tão perto, e fugira, quase correndo...” QUEIROZ, Rachel de. O Quinze, 25 ed. Rio de Janeiro, J. Olimpio, 1979. p. 33-5. COMPREENSÃO DO TEXTO 01. Você percebe uma diferença entre a linguagem do narrador e a dos personagens? Comente-a. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Fala-se muito em uma “indústria da saca”, ou seja, o fato de pessoas se beneficiarem com a seca, explorando de uma forma ou de outra os retirantes. No texto apresentado, percebe-se essa situação? Em que trecho? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. Trace um perfil de Chico Bento a partir de elementos fornecidos pelo texto. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Cite três romances de Rachel de Queiroz. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. Assinale o item correto: a) O regionalismo modernista é igual ao romântico. b) A ficção da primeira geração modernista é superior à da segunda geração. c) Manuel Bandeira é considerado o melhor ficcionista do Modernismo. d) O romance psicológico do Modernismo amplia-se com a análise de costumes. e) O primeiro romance modernista foi o Quinze de Rachel de Queiroz. 06. Não é da linha primitivista da Geração de 22: a) Martim Cererê b) Cobra Norato c) Macunaíma d) Juca Mulato e) NRA 07. Qual a característica marcante nas obras de Rachel de Queiroz? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 08. Qual o romance de Rachel de Queiroz mais social e político publicado em 1937.? _________________________________________ _________________________________________ CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Drummond é, sem duvida, o maior poeta brasileiro do século XX. Sua estréia deu-se em 1930, com Alguma poesia. De maneira geral, os poemas desse livro procuram retratar a vida à sua volta. Fala-nos de cenas do cotidiano, de paisagens, de lembranças, fotografando a realidade, retratando a “vida besta”, como no poema abaixo: Cidadezinha qualquer Casa entre bananeiras mulheres entre laranjeiras pomar amor cantar. Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Devagar... as janelas olham. Êta vida besta, meu Deus. Op.cit., 86. Por outro lado o poeta manifesta o seu pessimismo e a sua personalidade reservada, tímida, desconfiada, de um poeta que nasceu “para ser gauchena vida”; outras vezes, deixa transparecer uma fina ironia e humor, utilizando-se também do poema-piada, herança dos modernistas da primeira fase, como no exemplo a seguir: PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 91 Anedota Búlgara Era uma vez um czar naturalista que caçava homens. Quando lhe disseram que também se caçam borboletas e andorinhas, ficou muito espantado e achou uma barbaridade. Op. cit., p. 91 Em brejo das almas (1934), o poeta evolui, abandonando o descritivismo, e acentua o humor de seus versos. Drummond interioriza-se, manifestando um sentimento de decepção e amargura, de falta de sentido da existência ou de solução para o destino. Alem disso, acentua a temática amorosa, num lirismo contido e por vezes irônico. Sentimento do mundo (1940) representa uma mudança na trajetória do poeta. Diante dos horrores da guerra, da consciência de um mundo injusto e brutal, nasce o desejo de solidarizar-se, e o poeta abre mais espaço para o “outro” em sua poesia. É o momento de voltar-se para “o tempo presente, os homens presentes, a vida presente”, compreender os homens e construir um mundo melhor. Desse livro é o poema a seguir: Mãos dadas Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. ......................................................................... Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente Op. cit., p. 132. Em 1942, Drummond publica Poesias, título geral de doze novos poemas, inclusive o antológico “José”, que antecipam tematicamente A rosa do povo (1945). Ambas as obras têm em comum o fato de condenarem a vida de nossos dias, mecânica e estúpida, sem humanidade. A rosa do povo, livro que se destaca na obra do poeta, tem como temas principais o medo, a angustia, a guerra, a solidão dos homens e a escravidão ocasionada pelo progresso. A partir de então, Drummond acentua a temática do passado e do presente, a meditação poética sobre as razões da existência, a problemática da condição humana e o mistério do destino do homem; ao que se somam suas reflexões sobre o fazer poético e a incorporação das experiências dos concretistas. De Amor, amores (1975) em diante, o sensualismo e o erotismo encontraram um espaço maior em sua poesia. Procurando nos fatos mais corriqueiros a matéria de sua prosa, escrita com ironia e humor, Drummond revelou-se também um mestre da crônica. OBRAS POESIA ? Alguma poesia (1930); ? Brejo das almas (1934); ? Sentimento do mundo (1940); ? Poesias (1942); ? A rosa do povo (1945); ? Claro enigma (1951); ? Viola de bolso (1952); ? Fazendeiro do ar e poesia até agora (1953); ? Viola de bolso novamente encordoada (1968); ? Poemas (1959); ? A vida passada a limpo (1959); ? Lição de coisas (1962); ? Versíprosa (1967); ? Boitempo (1968); ? Menino antigo (1973); ? As impurezas do branco (1973); ? Amor, amores (1975); PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 92 ? Discurso de primavera e algumas sombras (1978); ? A paixão medida (1980); ? Corpo (1984); ? O amor natural (1987), entre outros PROSA ? Confissões de Minas (1944); ? Contos de aprendiz (1951); ? Passeios na ilha (1952); ? Fala amendoeira (1957); ? A bolsa e a vida (1962); ? Cadeira de balanço (1966); ? Caminhos de João Brandão (1970); ? O poder ultrajovem (1972); ? De noticias e não-noticias faz-se a crônica (1974; ? 70 historinhas (1978); ? Boca de luar (1984), entre outros. TEXTO: POEMA DE SETE FACES Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche? na vida. As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos. O bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. Porém meus olhos não perguntam nada. O homem atrás do bigode é sério, simples e forte. Quase não conversa. Tem poucos, raros amigos o homem atrás dos óculos e do bigode. Meus Deus, porque me abandonaste se sabias que eu não era Deus se sabias que eu era fraco. Mundo mundo vasto mundo. se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração. Eu não devia te dizer mas essa lua mas esse conhaque botam a gente comovido como diabo. ANDRADE, Carlos Drummond de. “Poema de sete faces”. In: Poesia e prosa. 5 ed. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979. p. 70. ? gauche – fr. [gôshi] Deslocado, desajustado, à esquerda dos acontecimentos. COMPREENSÃO DO TEXTO 01. Que relação se pode estabelecer entre o título do poema e o número de estrofes? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Que elemento comum identifica o poeta e o anjo? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. Há uma aparente desconexão entre as várias estrofes, como se o poeta registrasse flashes da realidade. Identifique cada uma das estrofes, a partir da idéia básica de cada uma delas, que assinalamos a seguir: a) flash do adulto sério, reservado; _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ b) nascimento do poeta; _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ c) percepção de mundo inquieto, que poderia ser mais belo; _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ d) desajustamento entre à realidade interior e a exterior, aliado à percepção da sexualidade. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Em que verso o poeta utiliza uma passagem bíblica? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 05. Em que estrofe o poeta descobre-se impotente diante do mundo? Transcreva o verso que evidencia essa sensação. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 06. (PUC-RS) São obras de Carlos Drummond de Andrade, exceto: a) A Rosa do Povo, Sentimento do Mundo. b) Lição de coisas, Claro Enigma. c) Morte e Vida Severina, Libertinagem. d) Boitempo, Menino Antigo. e) Corpo, Amar se aprende amando. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 93 MURILO MONTEIRO MENDES Partindo das primeiras experiências modernistas, Murilo Mendes, sempre preocupado em renovar permanentemente a sua expressão poética, chegou em seus últimos trabalhos a uma total liberdade de criação e experimentação.Murilo Mendes é um poeta de curiosa trajetória no Modernismo brasileiro: das sátiras e poemas-piadas ao estilo oswaldiano, caminha para uma poesia religiosa, sem perder contato com a realidade social; o próprio poeta afirma que o social não se opõe ao religioso. Tal fato lhe permite acompanhar todas as transformações vividas pelo século XX, quer no campo econômico e político – a guerra foi tema de vários de seus poemas -, quer no campo artístico, sendo o poeta modernista brasileiro mais identificado com o Surrealismo europeu. Seu livro de estréia, Poemas (1930), contém uma crítica irônica à sociedade técnica e mecanizada. Nele, encontramos a figura da mulher simbolizando a “seiva da vida”. Essa visão crítica será retomada em O visionário (publicado em 1941, mas com poemas escritos entre 1930 e 1933), no qual se acentua a tentativa de expressão surrealista, já manifestada no primeiro livro, exprimindo um sentimento de angustia diante de um mundo absurdo e conturbado. Observe, no poema a baixo, extraído de O visionário, o registro de uma realidade fantástica, surrealista. Metade pássaro A mulher do fim do mundo Dá de comer às roseiras, Dá de beber às estátuas, Dá de sonhar aos poetas. A mulher do fim do mundo Chama a luz com um assobio. Faz a virgem virar pedra, Cura a tempestade, Desvia o curso dos sonhos. Escreve cartas ao rio, Me puxa do sono eterno Para os seus braços que cantam. MENDES, Murilo. “Metade pássaro”. In: Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1994.p. 223-4. Com tempo e eternidade (1935), escrito em colaboração com Jorge de Lima, inicia-se uma vertente significativa da poesia de Murilo Mendes: a religiosidade empenhada na crítica da desumanização da vida. Essa crítica também está presente no livro A poesia em pânico (1937). As metamorfoses (1944), Mundo enigma (1945) e Poesia liberdade (1947) documentam uma visão trágica do mundo: as injustiças, as tiranias, as guerras. Convergência (1970) é uma obra inovadora do ponto de vista formal, na qual o poeta rompe com a linearidade discursiva, cria neologismos e explora ao extremo as possibilidades fônicas das silabas e sufixos, dos recursos sonoros, os mais variados. Neste livro, Murilo Mendes traduz em palavras os novos tempos e se integra às novas tendências da arte literária. OBRAS POESIA ? Poemas (1930); ? História do Brasil (1932); ? Tempo e eternidade (1935), com colaboração com Jorge de Lima; ? A poesia em pânico (1937); ? O visionário (1941); ? As metamorfoses (1944); ? Mundo enigma (1945), ? Poesia liberdade (1947); ? Contemplação de Ouro Preto (1954); ? Poesias (1959); ? Siciliana (1959); ? Tempo espanhol (1959); ? Poliedro (1962); ? Convergência (1970). PROSA ? O discípulo de Emaús (1945); ? A idade de serrote (1968); ? Transistor (1980), antologia. EXERCÍCIO Leia atentamente os versos: “Os cavalos da aurora derrubando pianos Avançam furiosamente pelas portas da noite. O poeta calça nuvens ornadas de cabeças gregas E ajoelha-se ante a imagem de Nossa Senhora das Vitórias Enquanto os primeiros ruídos de carrocinhas de leiteiros Atravessam o céu de açucenas e bronze.” Com qual dos movimentos de vanguarda do século XX se identificam esses versos de Murilo Mendes? Justifique a resposta _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 94 JORGE MATEUS DE LIMA A exemplo de Murilo Mendes, Jorge de Lima também trilhou caminhos curiosos na literatura brasileira: de poeta parnasiano em XIV alexandrinos, chega a uma poesia social paralela a uma poesia religiosa. A poesia social apresenta belas composições quando Jorge de Lima assume a coloração regional, usando a memória de um menino branco marcado por uma infância repleta de imagens dos engenhos e de negros trabalhando em regime de escravidão. Em seus primeiros livros, Jorge de Lima privilegia o soneto e esmera-se com um vocabulário bem ao gosto parnasiano. Dessa fase são os livros: XIV alexandrinos (1914), Poemas (1927), Novos poemas (1929), Poemas escolhidos (1932) e Poemas negros, que embora publicados em 1947, tem marcas estilísticas da primeira fase. A partir de Poemas (1927), Jorge de Lima adere ao Modernismo, com textos marcados por cenas da infância, pelo sentimento nacionalista, por referencias ao Nordeste e pela forte influencia de elementos do folclore negro. Em sua segunda fase o poeta apresenta-se bastante envolvido com problemas religiosos e metafísicos, voltado para temas do catolicismo e aprimorando o verso livre e a expressão metafórica. Pertencem a essa fase os livros: Tempo e eternidade (1935), A Túnica inconsútil (1938), Anunciação e encontro de Mira-Celi (1943) e Livro de sonetos (1949). Finalmente, com invenção de Orfeu (1952), obra da terceira fase, o poeta consolida-se, afirma- se e se supera, como que confirmando todas as suas qualidades. Trabalhando conscientemente sobre o modelo épico de Camões, Jorge de Lima apropria-se dos clássicos numa técnica de colagem em que aparecem, além de Camões, Dantes, Milton e Virgílio. Mitos luso-brasileiros fundem-se com suas leituras e seu conhecimento histórico na busca de interpretar simbolicamente a relação do homem com o universo. OBRAS POESIA ? XIV alexandrinos (1914); ? O mundo do menino impossível (1925); ? Poemas (1927); ? Novos poemas (1929); ? Poemas escolhidos (1932); ? Tempo e eternidade (1935), em colaboração com Murilo Mendes; ? Quatro poemas negros (1937); ? A túnica inconsútil (1938); ? Anunciação e encontro de Mira-Celi (1943); ? Poemas negros (1947); ? Livro de sonetos (1949); ? Invenção de Orfeu (1952). ROMANCE ? O anjo (1934); ? Calunga (1935). EXERCÍCIOS 01. Que desejos podem ser depreendidos no livro Sentimento do mundo, de Carlos Drummond de Andrade? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Quais os temas marcantes em A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. A sátira e a ironia estão presentes em que obra de Murilo Mendes? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Que obra de Murilo Mendes foi publicada em colaboração dom Jorge de Lima? _________________________________________ _________________________________________ 05. Que movimento de vanguarda do início do século influenciou estes versos de Murilo Mendes? A mulher do fim do mundo Dá de comer às roseiras, Dá de beber às estatuas, Dá de sonhar aos poetas. _________________________________________ _________________________________________ Continue a orar até que chegue uma resposta. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 95 06. Em que livro se acentua a influência do Concretismo na obra de Murilo Mendes? _________________________________________ _________________________________________07. O que caracteriza a primeira fase da obra poética de Jorge de Lima? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 08. Que obra de Jorge de Lima é profundamente marcada pela intertextualidade? _________________________________________ _________________________________________ 09. (UCP-PR Dada uma seqüência de romancistas, formada por machado de Assis, Lima Barreto e Jorge Amado, aponte a alternativa que apresenta, obedecendo a essa disposição, uma obra de cada autor: a) D. Casmurro, Casa de pensão, Tenda dos milagres b) Esaú e Jacó, Triste fim de Policarpo Quaresma, Terras do sem-fim. c) Memorial de Aires, Urupês, Gabriela, cravo e canela. d) Memórias póstumas de Brás Cubas, Recordações do escrivão Isaías Caminha, A bagaceira e) Quincas Borba, Iaiá Garcia, Tieta do Agreste. 10. Segue a linha católica a partir de O tempo e a Eternidade. a) Guilherme de Almeida b) Cecília Meireles c) Carlos Drummond de Andrade d) Jorge de Lima e) Vinícius de Moraes 11. Sua poesia é bastante autobiográfica, de fundo melancólico e, com certa freqüência irônica. A informação se refere a: a) Mário de Andrade b) Murilo Mendes c) Jorge de Lima d) Guilherme de Almeida e) Manuel Bandeira 12. Marcha para o Oeste é de: a) Cassiano Ricardo b) Plínio Salgado c) Oswaldo de Andrade d) Menotti del Picchia e) Érico Veríssimo 13. Dividiu suas obras em ciclos: ciclo da cana-de- açúcar e ciclo do cangaço. a) Mário de Andrade b) José Lins do Rego c) Graciliano Ramos d) Jorge Amado e) Guimarães Rosa MARCUS VINICIUS DE MORAES Em um primeiro momento, a obra de Vínicius pode ser dividida em duas fases: ? Místico-religiosa; ? encontro com o mundo material e cotidiano. A primeira fase compreende os livros: O caminho para a distância (1933); Forma e exegese (1935); Ariana, a mulher (1936); Novos poemas (1938) e Cinco elegias (1943), este último um livro de transição. Em O caminho para a distância, o poeta manifesta sua preocupação religiosa e sua angustia diante do mundo, revelando também o seu conflito entre o sensualismo e o sentimento religioso. O amor é tido como um elemento negativo que ligando-o ao mundo terreno, impede a libertação do espírito. A partir de Forma e exegese, os versos ganham liberdade expressiva e tornam-se mais extensos. O poeta volta-se para o cotidiano, sem contudo abandonar o desejo de transcendência . A mulher torna-se a figura central de sua poesia, envolta por um forte misticismo, divinizada; e o poeta procura harmonizar sensualismo e erotismo com os apelos espirituais. O tom é declamatório, e os versos longos nos lembram versículos bíblicos. Essa primeira fase, segundo o próprio Vinícius, termina com Ariana, a mulher. Cinco elegias seria o livro de transição. Em Cinco elegias, o poeta incorpora elementos do cotidiano, mantendo ainda o tom religioso, e aproxima-se um pouco mais das conquistas dos modernistas de 22. Desse livro é o trecho a seguir, da célebre “Elegia desesperada”: PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 96 ........................................................................ E no longo capítulo das mulheres, Senhor, tende piedade das mulheres Castigai minha alma, mas tende piedade das mulheres Enlouquecei meu espírito, mas tende piedade das mulheres Ulcerai minha carne, mas tende piedade das mulheres! Tende piedade da moça feia que serve na vida De casa, comida e roupa lavada da moça bonita Mas tende piedade ainda na moça bonita Que o homem molesta – que o homem não presta, não, Meu Deus! Tende piedade das moças pequenas das ruas transversais Que de apoio na vida só têm Santa Janela da Consolação E sonham exaltadas nos quartos humildes Os olhos perdidos e o seio na mão. ......................................................................... Op. cit., p. 171-2 A partir de Poemas, sonetos e baladas, dá- se a superação de angustia e da melancolia. O poeta integra-se à realidade, e sua poesia adquire um ritmo mais tranqüilo e uma expressão mais coloquial, enxuta, simples e direta. Nessa fase, sua temática ganha novas características universalizantes e sociais, o que se exemplifica no poema “O operário em construção”, do qual destacamos a seguinte estrofe: ......................................................................... De fato, como podia Um operário em construção Compreender por que um tijolo Valia mais do que um pão? Tijolos ele empilhava Com pá, cimento, esquadria Quanto ao pão, ele o comia... Mas fosse comer tijolo! E assim o operário ia Com suor e com cimento Erguendo uma casa aqui Adiante um apartamento Além uma igreja, à frente Um quartel e uma prisão: Prisão de que sofreria Não fosse, eventualmente Um operário em construção. Op. cit., p. 293. Poeta lírico por excelência, em sua segunda fase Vinícius alia temas modernos à mais apurada forma clássica de composição, o soneto, deixando- nos algumas obras-primas. OBRAS POESIAS ? O caminho para a distância (1933); ? Forma a exegese (1935); ? Ariana, a mulher (1936); ? Novos poemas (1938); ? Cinco elegias (1943); ? Poemas, sonetos e baladas (1946); ? Pátria minha (1949); ? Livro de sonetos (1957); ? Novos poemas II (1957). CRÔNICA ? Para viver um grande amor (1962); ? Para uma menina com uma flor (1966). TEATRO ? Orfeu da Conceição (1956), em versos; ? Procura-se uma rosa (1961), em colaboração com Pedro Bloch e Gláucio Gil; ? Cordélia e o peregrino (1965), em versos. OBRAS COMPLETA Publicada em vida do autor e organizada com a sua assistência, reagrupa com outros títulos as suas obras e incorpora textos esparsos? e o conjunto de suas canções. TEXTO: SONETO DO MAIOR AMOR Maior amor nem mais estranho existe Que o meu, que não sossega a coisa amada E quando a sente alegre, fica triste E se a vê descontente, dá risada. E que só fica em paz se lhe resiste O amado coração, e que se agrada Mais da eterna aventura em que persiste Que de uma vida mal aventurada?. Louco amor meu, que quando toca, fere E quando fere vibra, mas prefere ferir a fenecer? – e vive a esmo? Fiel à sua lei de cada instante Desassombrado?, doido, delirante Numa paixão de tudo e de si mesmo. MORAES, Vinicius de. “Soneto do maior amor”.”In:Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1985.p.202. ? esparsos – espargido; derramado; espalhado; entornado; disperso; difundido. ? mal-aventurada – infeliz, desventurado. ? fenecer – acabar, morrer. ? a esmo – Ao acaso, sem rumo. ? desassombrado – corajoso, exposto, franco. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 97 COMPREENSÃO DO TEXTO 01. O que o eu-lírico leva em consideração para definir o seu amor como um amor “estranho”? Exemplifique. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Que estrofe contém a idéia de que a graça do amor é a conquista e de que é melhor arriscar- se no amor do que levar uma vida sem graça? Justifique, destacando as expressões que opõem uma possibilidade a outra. _________________________________________ __________________________________________________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. O poema lírico deve ser rico em musicalidade. Que recurso sonoro se destaca na terceira estrofe deste soneto? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Identifique o verso em que o eu-lírico declara amar, além da pessoa amada, o próprio sentimento de amar. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 98 CECILIA MEIRELES Cecília Meireles distingue-se, de imediato pela técnica esmerada com que construiu seus poemas. Insuperável nos metros curtos. Cecília Meireles preferiu tomar como ponto de partida de sua trajetória poética o livro Viagem (1939), pelo qual recebeu o premio da Academia Brasileira de Letras, Rejeitou, portanto, os seus três primeiros livros de influência parnasiana e temática mística. Viagem, livro que demonstra maior maturidade poética, apesar de manter-se dentro dos padrões tradicionais, ultrapassa o primeiro momento do Modernismo brasileiro (anedótico e nacionalista). Ao gosto pela tradição, soma-se uma visão filosófica e universalizante. As indagações sobre a brevidade da vida, o sentido da existência, a solidão e a incompreensão humana, presentes em Viagem, permaneceriam em quase toda a sua obra, perpassada por um sentimento de pessimismo e desencanto. Cecília Meireles, por ter seguido um caminho muito pessoal, não pode ser enquadrada em um movimento ou em uma estética determinados. Seus versos, geralmente curtos, de conteúdo lírico tradicional e bastante pessoais, têm raízes simbolistas e caracterizam-se pela musicalidade, descritivismo e imagens sensoriais. São seus temas preferidos: a natureza, que é apreendida amorosamente pelos sentidos; o mundo e a vida, fugazes, corroídos impiedosamente pelo tempo; a beleza, sempre efêmera; o passado, que nada mais é que “a dor da ausência”. Um dos pontos altos de sua obra poética é o Romanceiro da Inconfidência (1953), que lhe custou pesquisas históricas e no qual, empregando o melhor de sua técnica, revela o seu amor à pátria e a sua admiração pelos mártires da Inconfidência Mineira. OBRAS POESIA ? Espectros (1919); ? Nunca mais... e Poema dos poemas (1923); ? Baladas para El-rei (1925); ? Viagem (1939); ? Vaga música (1942); ? Mar absoluto (1945); ? Retrato Natural (1949); ? Amor em Leonoreta (1952); ? Doze noturnos da Holanda e O aeronauta (1952); ? Romanceiro da Inconfidência e Poemas escritos na Índia (1953) ? Pequeno oratória da Santa Clara (1955); ? Pistóia, cemitério militar brasileiro (1955); ? Canções (1956); Romance de Santa Cecília (1957); ? Metal rosicler (1960); ? Solambra (1963); ? Ou isto ou aquilo (1964); ? Crônica trovada... (1965). As duas últimas obras foram publicadas postumamente. TEXTO: MOTIVO “Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidas, Não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, ⎯ não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: ⎯ mais nada.” MEIRELES, Cecília. In: Flor de poemas. 6 ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984. p. 63. PORTUGUÊS ENSINO MÉDIO III Proibida reprodução deste material em parte ou no todo, propriedade do CIP – Lei n° 9.610 99 TEXTO: RETRATO “Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: ⎯ Em que espelho ficou perdida a minha face?” MEIRELES, Cecília. In: Flor de poemas. 6 ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984.p. 63. COMPREENSÃO DO TEXTO 01. Destaque versos, dos poemas anteriores, que comprovem uma característica marcante da obra de Cecília Meireles: a fugacidade do tempo. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Cecília Meireles trabalha muito bem o ritmo de seus poemas. Destaque os versos que determinam o ritmo do poema “Retrato”. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. Ainda em relação ao poema “Retrato”, como é trabalhada a adjetivação? Destaque dois adjetivos e comente-os. _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 04. Em “Motivos”, Cecília Meireles aborda uma temática comum à segunda fase do Modernismo. Que temática é essa? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ TEXTO: A DOCE CANÇÃO Pus-me a cantar minha pena com uma palavra tão doce, de maneira tão serena, que até Deus pensou que fosse felicidade ⎯ e não pena. Anjos de lira dourada debruçaram-se da altura. Não houve, no chão, criatura de que eu não fosse invejada, pela minha voz tão pura. Acordei a quem dormia, fiz suspirarem defuntos. Um arco-íris de alegria da minha boca se erguia pondo o sonho e a vida juntos. O mistério do meu canto, Deus não soube, tu não viste. Prodígio imenso do pranto: ⎯ todos perdidos de encanto, só eu morrendo de triste! Por assim tão docemente meu mal transformar em verso, oxalá Deus não o aumente, para trazer o Universo de pólo a pólo contente. MEIRELES Cecília. “A doce canção,” In: Obra poética. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1983. p. 156. COMPREENSÃO DO TEXTO 01. Que características o eu-lírico atribui ao seu canto? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 02. Por que se pode dizer que não havia motivo para as outras criaturas sentirem inveja do canto? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ 03. Qual o temor manifestado pelo eu-lírico na última estrofe? _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ _________________________________________ O amor de Deus pode degelar