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Processo Penal II – Segundo Estágio
Procedimento especial é todo aquele previsto no âmbito do Código de Processo Penal ou de Leis Especiais para as hipóteses legais específicas, incorporando regras próprias de tramitação processual visando à apuração dos crimes que constituem o objeto de sua disciplina.
PROCEDIMENTO DOS CRIMES CONTRA HONRA (ART.519 A 523)
Trata-se, na verdade, de rito em que atos são idênticos aos previstos para o procedimento comum ordinário, agregando-se, apenas, as seguintes modificações:
Previsão de audiência de tentativa de conciliação previamente ao recebimento da inicial acusatória (art. 520 do CPP);
 Art. 520.  Antes de receber a queixa, o juiz oferecerá às partes oportunidade para se reconciliarem, fazendo-as comparecer em juízo e ouvindo-as, separadamente, sem a presença dos seus advogados, não se lavrando termo.
Possibilidade de serem deduzidas, em determinados casos, as exceções da verdade e da notoriedade do fato (art. 523 do CPP).
Art. 523.  Quando for oferecida a exceção da verdade ou da notoriedade do fato imputado, o querelante poderá contestar a exceção no prazo de dois dias, podendo ser inquiridas as testemunhas arroladas na queixa, ou outras indicadas naquele prazo, em substituição as primeiras, ou para completar o máximo legal
OBS: É importante destacar que o procedimento dos arts. 519 a 523 do CPP é aplicável tão somente às hipóteses em que a pena máxima cominada ao crime for superior a dois anos de prisão.
Atos que compõem o rito:
Ajuizamento da ação penal e audiência de tentativa de conciliação: oferecida a queixa-crime (máximo de oito testemunhas, exceto as não compromissadas, conforme se infere do art. 401), deverá o magistrado, antes de recebê-la, ordenar a notificação do querelante e do querelado para comparecerem à audiência de tentativa de conciliação (art. 520 do CPP), a qual se realizará sem a presença de advogados. Evidentemente, sendo a queixa manifestamente inepta, deve o juiz indeferi-la de plano (art. 395 do CPP), não sendo necessário aprazar a audiência. Aprazada, porém, que venha a ser a solenidade judicial, nela serão ouvidas as partes separadamente, iniciando-se pelo querelante e, depois, pelo querelado. Após ouvi-los, entendendo viável o acerto, o juiz buscará promover o entendimento entre as partes. Havendo a conciliação, será assinado termo de desistência da ação penal, arquivando-se o feito. Frise-se que no termo não serão mencionados os acontecimentos havidos na audiência, tão somente o resultado. Por outro lado, se restar inexitosa a tentativa conciliatória, caberá ao juiz proceder ao seu recebimento, ordenando a citação do réu para resposta em 10 dias (art. 396 do CPP).
 Recebimento da queixa-crime, citação e resposta à acusação: não havendo conciliação, o magistrado, verificando não ser o caso de rejeição da inicial com fundamento no art. 395 do CPP, receberá a queixa, determinando a citação do querelado para responder à acusação em dez dias (art. 396), oportunidade em que poderá o advogado arguir preliminares e alegar tudo o que interessa à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário (art. 396-A).
Exceção da verdade e exceção da notoriedade do fato (art. 523): contemporaneamente à apresentação da resposta (arts. 396 e 396-A do CPP), poderá o querelado, em petição distinta, apresentar exceção da verdade ou exceção da notoriedade do fato.
A exceção da verdade consiste na oportunidade assegurada ao réu para demonstrar a veracidade das afirmações consideradas ofensivas pelo querelante.
Prosseguimento segundo o rito ordinário: apresentada resposta à acusação (arts. 396 e 396-A), tenha sido ou não oferecida a exceção da verdade (ou da notoriedade do fato), caberá ao magistrado analisar a possibilidade de absolvição sumária do acusado (art. 397 do CPP). Sendo este o caso – de absolvição –, não será necessário instruir a exceção da verdade e suspender o processo criminal, cabendo ao juiz, desde logo, mesmo antes da intimação do autor da ação penal para contestar a exceção, proceder à referida absolvição. Não sendo esta a hipótese, aprazará audiência de instrução para, daí a no máximo 60 dias (art. 400, caput), serem ouvidas as testemunhas arroladas tanto quanto ao fato objeto da ação penal quanto àqueles consignados na exceção da verdade, bem como interrogado o réu. Produzida a prova oral segundo a ordem legal, facultará o juiz às partes requerer diligências (art. 402). Não requeridas diligências ou sendo estas indeferidas, as partes apresentarão alegações orais e, depois, será proferida decisão, sem prejuízo da possibilidade de o magistrado, considerando a complexidade dos fatos ou o número de acusados, substituir tais alegações por memoriais escritos e proferir, após, sentença em dez dias (art. 403, § 3.º). Se, opostamente, as diligências requeridas tiverem sido deferidas, após o cumprimento destas, as partes serão notificadas para apresentarem memoriais escritos (art. 404, parágrafo único).
Sentença: Vencida a instrução e apresentadas alegações pelas partes, não sendo o caso de querelante com foro privilegiado (caso em que, como veremos adiante, o julgamento da exceção da verdade desloca-se para o tribunal competente), proferirá o juiz sentença final, apreciando, inicialmente, a exceção da verdade e, no momento seguinte, a imputação realizada na inicial acusatória. Se entender que a exceção procede, o juiz absolverá o querelado, determinando as providências para que seja o querelante (no caso de ação penal privada) ou o funcionário público (no caso de ação penal pública), processado criminal ou administrativamente em razão do fato por ele praticado e cuja veracidade foi afirmada no julgamento da exceptio veritatis. Se, ao contrário, o juiz considerar improcedente a exceção da verdade, passará ao julgamento do mérito da ação penal intentada, absolvendo ou condenando o querelado.
DIFAMAÇÃO – Fato que descrito que atinge a honra objetiva, o fato não é criminoso, já a calúnia o fato é criminoso.
Injúria – atribui uma qualidade negativa
Em regra são de ação privada, e se for injúria real ou de natureza pública a ação será de ação pública.
Em regra são de menor potencial ofensivo a pena máxima não ultrapassar dois anos, e tramitam no JECRIM, existem exceções por isto será processado na justiça comum. Alguns crimes contra honra estão previstos no código militar ou código penal.
Os crimes contra a honra são processados também na justiça comum.
  Art. 581.  Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença:
        I - que não receber a denúncia ou a queixa;
OBS: Em regra tais crimes são da natureza pública privada e de menor potencial ofensivo tramitando no JECRIM e obedecem ao procedimento sumaríssimo. Poderá também tais crimes ser julgados na justiça eleitoral ou militar, excepcionalmente adotaram o procedimento especial previsto no art. 519, CPP que tem por particularidades a existência de audiência de reconciliação a pós o oferecimento da queixa, bem como a apresentação da exceção da verdade pelo acusado adotando-se o procedimento sumário a partir da análise de absolvição sumária. 
PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO DOS CRIMES RELACIONADOS A DROGAS (LEI11.343/2006)
Síntese do procedimento judicial previsto na Lei 11.343/2006
Na sistemática dos arts. 48 a 59 da Lei de Drogas, o procedimento de apuração das infrações é bastante simples: Oferecida a denúncia pelo Ministério Público, segue-se a notificação do acusado para oferecer defesa prévia, por escrito, em dez dias (art. 55, caput), momento em que poderá arguir preliminares, invocar teses defensivas, acostar documentos e arrolar testemunhas (art. 55, § 1.º). Apresentada a defesa, decidirá o juiz pela rejeição ou pelo seu recebimento da denúncia (art. 55, § 4.º). Se receber a inicial, designará data para audiência de instrução e julgamento, ordenando a citação pessoal do acusado (art. 56). Nessaaudiência, o réu será interrogado, realizando-se, em seguida, a inquirição das testemunhas. Encerrada a instrução, procede-se aos debates orais, primeiro a acusação, depois a defesa (art. 57). Encerrados os debates, será proferida sentença pelo Juiz ou, se não o fizer de imediato, no prazo de dez dias (art. 58).
Não obstante essa simplicidade do rito, com a vigência da Lei 11.719/2008, o procedimento da Lei de Drogas foi alcançado pela regra do art. 394, § 4.º, que determina a aplicação irrestrita a todos os procedimentos de Primeiro Grau dos arts. 395 a 397 do Código de Processo Penal. Com isso, fez-se necessária a adaptação do rito de apuração dos crimes relacionados a drogas ao novo regramento, contemplando-se, em suas fases, as normatizações estabelecidas pelos referidos dispositivos do
CPP.
Em decorrência, na atualidade, deve-se observar a seguinte sequência de atos.
Denúncia (art. 54): oferecimento, no prazo de dez dias (se não for o caso de arquivamento ou de requisição de diligências), a contar do recebimento do inquérito policial, de relatório de Comissão Parlamentar de Inquérito ou de peças de informação pelo Ministério Público. Trata-se de prazo único, não importando se o indiciado está preso ou solto. Se tal prazo for ultrapassado injustificadamente, e se for o caso de indiciado preso, configurar-se-á, em tese, constrangimento ilegal, possibilitando a sua liberação. Sendo hipótese de indiciado solto, nenhuma consequência processual advirá do excesso de prazo, conquanto, se injustificado, possa responder agente do Parquet disciplinarmente. Cinco é o número máximo de testemunhas a serem arroladas na denúncia, nos termos do art. 54, III, da Lei 11.343/2006.
 
Notificação do acusado para defesa preliminar (art. 55): conclusa a denúncia ao magistrado e não sendo o caso de rejeição liminar, este providenciará a notificação do acusado para oferecer resposta (tratada como defesa prévia no art. 55, caput, e como defesa preliminar no § 1.º do mesmo artigo) pelo prazo de dez dias, oportunidade em que poderá arguir preliminares, invocar todas as razões de defesa que julgar pertinentes, acostar documentos, especificar provas e arrolar até cinco testemunhas. No mesmo prazo dessa defesa, poderá o acusado opor exceções (exceção de incompetência do juízo, de litispendência, de coisa julgada, de ilegitimidade e de suspeição do juiz), as quais serão processadas em apartado, nos termos dos arts. 95 a 113 do CPP (art. 55, § 2.º), e não importarão em suspensão do processo, salvo quando, tratando-se de exceção de suspeição, a parte contrária reconhecer a relevância dos argumentos do excipiente, conforme reza o art. 102 do CPP.
 E se o acusado, conquanto regularmente notificado, não apresentar resposta à notificação no prazo legal? Nessa hipótese, deverá o magistrado nomear defensor para oferecê-la, tendo este o prazo de dez dias para tanto (art. 55, § 3.º).
Decisão do juiz de recebimento ou rejeição da inicial (art. 55, §§ 4.º e 5.º): apresentada a defesa, o juiz, em cinco dias, deverá decidir se rejeita a denúncia, caso entenda ocorrentes quaisquer das situações arroladas no art. 395 do CPP, ou se a recebe. Se entender necessário, previamente a essa decisão, poderá, no prazo de dez dias, determinar a apresentação do preso, bem como a realização de diligências, exames e perícias. 
A decisão de rejeição da denúncia deverá ser fundamentada, explicitando o Juiz os motivos pelos quais assim entendeu. 
Questiona-se, todavia, se também o recebimento da inicial também deve ser motivado. Muitos entendem que sim, argumentando que, se o rito contempla uma fase preliminar de defesa, não haveria sentido facultar ao juiz o recebimento da inicial sem refutar os argumentos expostos pelo defensor do acusado. Todavia, a maioria entende que não há essa necessidade, mesmo porque o recebimento da denúncia possui conteúdo decisório mitigado, dispensando-se fundamentação a respeito43. 
De acordo com o art. 56, § 1.º, tratando-se o réu de servidor público e sendo acusado de tráfico ilícito de entorpecentes, poderá o magistrado determinar, sempre fundamentadamente, seu afastamento do local em que exerce a atividade de interesse público.
Citação do acusado e designação de dia e hora para audiência (art. 56): dispõe o art. 56 da Lei 11.343/2006 que, recebida a inicial, designará o juiz data para a audiência de interrogatório, instrução, debates e julgamento, determinando, também, a citação do réu e a notificação do Ministério Público, do assistente, se for o caso, e requisitará os laudos periciais necessários. 
Na verdade, neste momento é que surge a dificuldade em se harmonizar a disciplina procedimental da Lei de Drogas com o que dispõe o art. 394, § 4.º, do CPP. O impasse decorre, sobretudo, do fato de que a Lei de Drogas, no art. 55, § 1.º, contempla, como vimos (letra b, retro), a apresentação, pelo denunciado, de uma defesa prévia em momento anterior ao recebimento da peça vestibular, ao passo que os arts. 396 e 396-A do CPP preveem o oferecimento de resposta à acusação pelo réu posteriormente a essa fase. Ocorre, porém, que o art. 55, § 1.º, da Lei 11.343/2006 e o art. 396 do CPP possuem regras praticamente idênticas. Observe-se:
 Art. 55, § 1.º, da Lei 11.343/2006: Na resposta, consistente em defesa preliminar e exceções, o acusado poderá arguir preliminares e invocar todas as razões de defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas que pretende produzir e, até o número de 5 (cinco), arrolar testemunhas.
 Art. 396-A do Código de Processo Penal: Na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário.
Diante disso, indaga-se a necessidade de se assegurar ao acusado, no rito em exame, ambos os momentos de defesa, já que o teor das arguições, nas duas hipóteses, é praticamente idêntico. Existem duas orientações aqui:
Coexistem os dois momentos de defesa: segundo esse entendimento, logo após o recebimento da exordial, deverá o juiz determinar a citação do acusado para a resposta a que alude o art. 396, oportunidade em que poderá o advogado insistir nos argumentos já utilizados na defesa prévia apresentada antes do recebimento da denúncia com base no art. 55, § 1.º, da Lei de Drogas, ou invocar novas teses. Depois, será facultado ao magistrado absolver sumariamente o réu, se entender ocorrentes quaisquer das hipóteses do art. 397 do CPP. Não sendo esse o caso, deverá aprazar audiência de instrução e julgamento na forma prevista no art. 56 e seguintes da Lei de Drogas.
Não se aplica ao rito de drogas o momento de resposta previsto no art. 396 do CPP: leva-se em consideração, nesse caso, que, dada a identidade entre o que dispõe o art. 55, § 1.º, da Lei de Drogas e o art. 396-A do CPP, não só por uma questão de economia processual, como também pela aplicação do princípio da especialidade (prevalência do rito especial), apenas a defesa prevista no primeiro deles será facultada, restando prejudicada a manifestação rotulada no segundo. Trilhando-se essa linha de pensamento, logo após o recebimento da denúncia, verificará o magistrado a possibilidade de absolver sumariamente o acusado com base no art. 397 do CPP. Não o fazendo, procederá à citação para audiência de interrogatório, instrução, debates e julgamento referida no art. 56 e seguintes da Lei de Drogas.
Audiência de interrogatório, instrução, debates e julgamento (art. 57): essa audiência deverá ser aprazada, dentro de, no máximo, 30 dias após o recebimento da denúncia, salvo se determinada perícia para atestar dependência de drogas, caso em que o prazo é aumentado para 90 dias. Na data aprazada, procederá o juiz ao interrogatório do acusado e, depois, à oitiva de todas as testemunhas arroladas. Ao final, realizam-se os debates orais, concedendo-se a palavra, sucessivamente,ao Ministério Público e ao defensor, para sustentação oral, possuindo cada qual o prazo de 20 minutos, prorrogáveis por mais dez, a critério do juiz. Entretanto, há um problema aqui. Como vimos nos tópicos anteriores, as alterações introduzidas pela Lei 11.719/2008 no Código de Processo Penal deslocaram, no procedimento comum ordinário, no procedimento do júri e no procedimento comum sumário, o interrogatório para o momento posterior à produção da prova oral em audiência (arts. 400, 411 e 531 do CPP, respectivamente), circunstância esta bastante favorável ao acusado já que, em regra, os depoimentos das testemunhas são prestados diante do réu e, não bastasse, tem ele, antes de iniciar o seu interrogatório, direito de entrevista reservada com seu defensor (art. 185, § 5.º, do CPP), prerrogativas estas que permitem, ao prestar sua versão dos fatos, adequá-la ao relato das testemunhas, contrapor esses relatos, justificar fatos narrados etc. Ocorre que, no procedimento da Lei de Drogas, o interrogatório está previsto para antes da produção do restante da prova oral, o que, em comparação com os demais ritos, vem em prejuízo do réu. Nesse contexto, alguns passaram a sustentar que, também na apuração dos crimes tipificados na Lei 11.343/2006, o interrogatório deve ser realizado após a prova testemunhal. Em suma, de acordo com essa linha de pensamento, aplica-se o procedimento dos arts. 55 e seguintes daquela lei, deslocando-se, porém, o interrogatório para o final da instrução. Não é esse o entendimento dominante, prevalecendo a orientação de que o interrogatório do acusado por crimes relacionados a drogas deve obedecer ao rito previsto na legislação especial, sendo, portanto, realizado antes da oitiva das testemunhas de acusação.
Sentença: encerrados os debates, o juiz proferirá sentença imediatamente, podendo, porém, optar por determinar que lhe venham os autos conclusos para proferir sentença em momento posterior, em dez dias.
Resumo: São particularidades desse procedimento os seguintes: confecção do laudo de constatação indicando materialidade, o relatório que não é meramente descrito nos termos do artigo 52, inciso I, o prazo para conclusão do inquérito nos termos do artigo 51, o prazo para oferecimento da denúncia se o réu está preso ou solto nos termos doa art. 55 e art.54, o número de testemunhas nos termos do art.54, o número de seguintes, a fase de notificação art.55, o prazo para designação de audiência que será elastecido se o magistrado entender a necessidade de exame pericial para constatar a de permanência química art56, §2. E finalmente o interrogatório sendo o último ato da coleta de provas em audiência. 
PROCEDIMENTO DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (ARTS. 513 A 518 DO CPP)
Destina-se à apuração dos crimes praticados por funcionários públicos contra a administração pública.
O conceito de funcionário público, para efeitos penais, é bastante amplo, incluindo quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública, a este se equiparando, também, quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública (art. 327 do CP).
E, quanto aos crimes funcionais, podem ser classificados em próprios ou impróprios. Os primeiros são aqueles em que a conduta apenas é ilícita quando praticada por um funcionário público, não havendo qualquer tipificação caso perpetrada pelo particular, tal como ocorre com os delitos de prevaricação e de abandono de função. Os segundos, aqueles cuja conduta é penalmente relevante independentemente de ser ou não o agente funcionário público, modificando-se tão somente a tipificação do crime, como é o caso do peculato, que é o crime resultante da apropriação ou furto perpetrado por funcionário público, ações estas que, se praticadas por particulares, terão enquadramento nos arts. 155 ou 168 do Estatuto Repressivo. Sem embargo dessa distinção, desde que o agente seja um funcionário público ou a ele equiparado no exercício da função pública e que o delito esteja sendo praticado contra a administração pública, tanto os crimes funcionais próprios como os impróprios serão processados segundo o rito especial ditado pelo Código de Processo Penal. É o caso das infrações previstas nos arts. 312 a 326 do CP e no 3.º da Lei 8.137/1990.
Frise-se que, tratando-se de crimes cometidos por funcionários públicos, ainda que nesta condição, contra particular, não há a incidência do rito especial. É, por exemplo, o caso das condutas tipificadas no art. 150, § 2.º, do CP e no art. 151, § 3.º, do CP. Do mesmo modo, crimes praticados por particulares contra a administração pública (arts. 328 a 337 do CP) e crimes contra a administração da justiça (arts. 338 a 359 do CP) também não seguem o rito especial em análise.
Atos que compõem o procedimento
Na apuração dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, estabelece o Código de Processo Penal procedimento diferenciado conforme o caráter inafiançável ou afiançável do delito.
Tratando-se de crime inafiançável, o rito previsto é praticamente idêntico ao procedimento comum ordinário, dele se diferenciando apenas em razão do que prevê o art. 513 do CPP, no sentido de que a queixa ou a denúncia será instruída com documento ou justificação que façam presumir a existência do delito ou com declaração fundamentada da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas, sugerindo esta última parte do dispositivo a possibilidade de oferecimento da inicial sem a prova pré-constituída da materialidade do crime.
Por outro lado, sendo hipótese de crime afiançável, estabelece o art. 514 do CPP que, antes do recebimento da inicial, deve o acusado ser notificado para apresentação de defesa preliminar, seguindo-se, de resto, a disciplina do procedimento comum ordinário.
Na atualidade, tendo em vista a nova disciplina introduzida pela Lei 12.403/2011 ao Código de Processo Penal, tal distinção perdeu completamente a relevância. Isto porque, nos termos do art. 323 do CPP alterado pela referida lei, são inafiançáveis apenas os crimes de racismo, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo, os crimes definidos como hediondos e aqueles cometidos por grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. Considerando que, neste rol, não está inserido qualquer dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, infere-se que tais delitos, agora, são todos afiançáveis. Deste modo, independentemente de qual tenha sido o crime praticado, para definição do procedimento deve-se conciliar o rito ditado pelos arts. 514 a 518 do CPP com o estabelecido no art. 394, § 4.º (redação da Lei 11.719/2008) do mesmo Código, ao prever que as disposições dos arts. 395 a 398 aplicam-se a todos os procedimentos de primeiro grau. Lembre-se que o art. 395 respeita às causas que autorizam a rejeição liminar da denúncia ou da queixa; o art. 396, ao prazo de dez dias para que o acusado possa responder à acusação; o art. 396-A, ao teor dessa resposta; e o art. 397, aos motivos que permitem ao julgador decidir antecipadamente pela absolvição do réu, antes mesmo de iniciar-se a fase instrutória. Quanto ao art. 398, sua referência é imprópria, pois se trata de disposição revogada.
Neste contexto, infere-se que, na atual concepção legislativa, o procedimento de apuração dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos compõe-se da seguinte ordem de atos:
Oferecimento da denúncia e da queixa-crime: a inicial deverá observar os requisitos do art. 41 do CPP, instruída, ainda, com os documentos ou justificações que façam presumir a existência do crime ou declaração fundamentada quanto à impossibilidade de fazê-lo (art. 513). Não previsto número diferenciado de testemunhas, poderão ser arroladas até o máximo de oito (descontadas as não compromissadas), o que se conclui não apenaspela simetria deste procedimento com o rito comum ordinário (a diferença está, unicamente, na fase de defesa preliminar que antecede ao recebimento da denúncia), como em razão da aplicação subsidiária do procedimento ordinário aos procedimentos especiais determinada pelo art. 394, § 5.º.
Autuação e notificação para resposta preliminar em 15 (quinze) dias (art. 514): não sendo o caso de rejeição liminar com fundamento no art. 395 do CPP, determinará o juízo a notificação do acusado para responder à acusação. Segundo a norma do art. 514 do CPP, essa notificação deverá ser pessoal ao acusado, e, se não localizado ou residente em comarca distinta, deve o magistrado proceder à nomeação de defensor dativo para apresentá-la. Perceba-se que, a despeito da explicitude do art. 514, parágrafo único, determinando a nomeação de defensor dativo para oferecer a defesa quando se encontrar o acusado fora da jurisdição do juiz, há forte tendência doutrinária em aceitar que a notificação seja feita, sim, por meio de cartaprecatória, compreendendo-se, pois, descabida a vedação legal.
Deliberação quanto ao recebimento ou rejeição da inicial: apresentada a defesa preliminar, os autos serão conclusos ao magistrado, que terá duas opções:
Rejeitar a denúncia ou a queixa, se verificar a ocorrência de qualquer das hipóteses do art. 395 do CPP ou se concluir no sentido da inexistência do crime ou da improcedência da ação (art. 516 do CPP).
Receber a exordial acusatória, ordenando, então, a citação do acusado para, em dez dias, responder à acusação com base no art. 396 do CPP, ocasião em que poderá o advogado arguir preliminares e alegar tudo o que interessa à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário (art. 396-A).
Prosseguimento segundo os termos do rito comum ordinário (art. 518 do CPP): recebida a exordial, ordenada a citação do réu e apresentada a resposta do acusado (arts. 396 e 396-A), determinará o magistrado o prosseguimento do processo nos exatos termos previstos para o procedimento ordinário. Isto significa que, a partir deste momento, caberá ao magistrado analisar a possibilidade de absolvição sumária do acusado com base em qualquer das hipóteses referidas no art. 397 do CPP. Não sendo o caso de absolvição sumária nesta etapa, aprazará o juiz audiência de instrução e interrogatório para daí a no máximo 60 dias (art. 400, caput). Em audiência, produzida a prova oral segundo a ordem legal, facultará o magistrado às partes requerer diligências (art. 402). Não requeridas diligências ou sendo estas indeferidas pelo juízo, as partes apresentarão alegações orais e, depois, será proferida decisão, sem prejuízo da possibilidade de o magistrado, considerando a complexidade dos fatos ou o número de acusados, substituir tais alegações por memoriais escritos e proferir, após, sentença em dez dias (art. 403, § 3.º). Sendo, opostamente, requeridas e deferidas diligências, após o cumprimento destas, as partes serão notificadas para apresentarem memoriais escritos, sendo, depois, proferida a sentença (art. 404, parágrafo único).
Resumo: Os crimes funcionais são aqueles praticados por funcionários públicos no exercício de suas funções contra a administração pública presentes no código penal a partir do artigo 312. Como particularidades desse procedimento destacaram a fase de notificação para que o funcionário público ofereça a defesa em 15 dias, não se exigindo segundo a maioria doutrinária capacidade postulatória e sendo a notificação obrigatória, gerando causa de nulidade relativa à omissão do magistrado.
O STJ através da súmula 330 passou a entender que se a denúncia decorre de investigação através de inquérito policial será adotado o procedimento comum, por sua vez se a denuncia decorre de investigação por outro procedimento, por exemplo, administrativo adota-se o procedimento especial.
O entendimento majoritário é que será adotado esse procedimento se o funcionário público está no exercício das funções, ou seja, estando aposentado ou tendo sido exonerado não será notificado, e ainda se no exercício das funções poderá o juiz ao condenar, determinar com efeito da condenação a perda do cargo art.92.
Se o funcionário possui prerrogativa de foro pela função que exerce será processado e julgado perante tribunal de justiça ou tribunais superiores adotando-se nesse caso rito especial previsto n a lei 8038/90.
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER (LEI 11.340/2006)
Considerações gerais
A Lei 11.340/2006, rotulada como Lei Maria da Penha, entrou em vigor em 22.09.2006, com o objetivo de fornecer instrumentos eficazes no combate à violência doméstica e familiar praticada contra a mulher.
Na verdade, a preocupação em implementar mecanismos que importassem em maior punição a essa ordem de violência surgiu bem antes da lei em exame, como se constata da Lei 10.455/2002, que acrescentou parágrafo único ao art. 69 da Lei 9.099/1995, incorporando a medida cautelar de afastamento do agressor do lar conjugal, a ser decretada pelo juiz no âmbito do Juizado Especial Criminal, no caso de violência doméstica; e, ainda, da Lei 10.886/2004, que previu um subtipo de lesão corporal de natureza leve, aumentando a pena mínima de três para seis meses de detenção caso praticada em caráter de violência doméstica.
Tais iniciativas, contudo, não foram suficientes para reduzir os índices de agressão contra a mulher, obrigando-se o legislador à adoção de medidas mais enérgicas e eficazes, as quais vieram consubstanciadas na Lei 11.340/2006.
Conceito e formas de violência doméstica e familiar contra a mulher
Abrangência
Dispõem os arts. 5.º e 7.º da Lei Maria da Penha:
Art. 5.º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer
ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou
psicológico e dano moral ou patrimonial:
I – no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de
pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;
II – no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;
III – em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação.
Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual.
Art. 7.º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:
I – a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;
II – a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise a degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;
III – a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;
IV – a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentospessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;
V – a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
Como se vê, nesses dispositivos estabeleceu a Lei 11.340/2006 a extensão conceitual do que seja a violência doméstica e familiar, disciplinando, outrossim, as respectivas formas. Estas definições são importantes, pois delas depende o enquadramento do caso concreto na sistemática protetiva instituída no aludido diploma legal. Ocorre que referidos dispositivos inserem conceitos demasiadamente genéricos, permitindo, por exemplo, que se entenda configurada violência doméstica a partir de um sofrimento sexual por omissão em razão da negativa do marido em se relacionar intimamente com a esposa (art. 5.º, caput), situação esta que, no mínimo, é questionável e não pode ser comparada, em termos de gravidade, à hipótese de uma agressão física por ele praticada.
Considerando esta circunstância – a abrangência da Lei Maria da Penha – e tendo em vista que a sua interpretação não pode conduzir a absurdos, conclui-se necessário verificar, casuisticamente, o enquadramento ou não da conduta do agente aos termos da Lei 11.340/2006, evitando-se, assim, excessos interpretativos que impliquem vulgarizar a aplicação das importantes normas protetivas inseridas no âmbito desse diploma.
E esta prudência na interpretação da conduta configuradora de violência sujeita às normas da Lei Maria da Penha é ainda mais necessária se levado em conta que muitos crimes tipificados no Código Penal ou em leis extravagantes podem, em princípio, ser alcançados pela normatização nela contemplada.
Pois bem, com o objetivo de evitar excessos interpretativos, o Superior Tribunal de Justiça, em sua composição majoritária, consolidou o entendimento no sentido de que, para o enquadramento dos fatos à disciplina protetiva da Lei Maria da Penha, mostra-se necessária a presença de determinados requisitos, muito especialmente relação íntima de afeto, motivação de gênero e situação de vulnerabilidade. Logo, não se constando, no caso concreto, situação de violência em contexto caracterizado por relação de poder e submissão revelados pela presença cumulativa dos mencionados requisitos, deixa de incidir a Lei 11.340/2006. Insistimos: é sempre necessário verificar as peculiaridades do caso. Uma relação de namoro, por exemplo, pode reclamar ou não a incidência da Lei Maria da Penha. Assim, um relacionamento passageiro não é apto a atrair a aplicação da referida lei. Tratando-se, ao contrário, de relação relativamente duradoura, incide o diploma.
Sujeitos
Para ser sujeito passivo (ofendido) tutelado pela lei em exame, é necessário, em tese, que se enquadre no conceito biológico de “mulher”, não importando aspectos etários (criança, adolescente, adulto, idoso). Irrelevantes, também, questões relacionadas à preferência sexual da mulher (heterossexual, bissexual ou homossexual), conforme interpretação que se extrai do art. 5.º, parágrafo único. Sem embargo, discute-se a possibilidade de aplicação das normas protetivas instituídas pela Lei Maria da Penha à hipótese de transexuais e travestis. Muito embora, no âmbito do STJ, já se tenha decidido que “o sujeito passivo é a mulher, uma vez que a violência perpetrada pressupõe uma relação caracterizada pelo poder e submissão sobre esta”, acertado afirmar que, na verdade, as medidas protetivas da Lei Maria da Penha podem (e devem) ser aplicadas em favor de qualquer pessoa (desde que comprovado que a violência leve teve ocorrência dentro de um contexto doméstico, familiar ou de relacionamento íntimo). Não importa se a vítima é transexual, homem, avô ou avó etc. Tais medidas foram primeiramente pensadas para favorecer a mulher (dentro de uma situação de subordinação, de submetimento). Ora, todas as vezes que essas circunstâncias acontecerem (âmbito doméstico, familiar ou de relacionamento íntimo, submissão, violência para impor um ato de vontade, etc.) nada impede que o Judiciário, fazendo bom uso da Lei Maria da Penha e do seu poder cautelar geral, venha em socorro de quem está ameaçado ou foi lesado em seus direitos.
À margem de toda essa discussão, reitere-se que, em linhas gerais, tem predominado nos tribunais, inclusive no STJ61, o entendimento de que somente naqueles casos em que a violência de gênero é praticada contra a mulher é que se permite a aplicação de medidas protetivas de urgência com vistas a eliminar ou amenizar o perigo e a alcançar o objetivo humanitário e jurídico da Lei 11.340/2006.
Por outro lado, em relação ao sujeito ativo (autor da infração) da violência, poderá ser qualquer pessoa coligada à ofendida por vínculo afetivo, familiar ou doméstico, independentemente de pertencer ao sexo masculino ou feminino. Afinal, a Lei Maria da Penha não faz qualquer restrição quanto ao gênero de quem agride, mas sim ao gênero de quem sofre a agressão. Em resumo, é o gênero da vítima que conduz à incidência da Lei 11.340/2006. Logo, aplica-se a lei à mulher que agride outra mulher com quem tenha relação afetiva, de marido contra esposa, de filho ou filha contra mãe, de neto contra avó, de travesti contra mulher, de companheiro contra companheira etc. Sem embargo desse raciocínio, que espelha a visão majoritária, deve-se atentar que há orientação em sentido oposto, vale dizer, de que a Lei Maria da Penha não se aplica aos casos de agressão que envolvam duas mulheres, por não ocorrer, nessas hipóteses, situação de hipossuficiência.
A não aplicação dos institutos despenalizadores da Lei 9.099/1995 (art. 41)
Estabelece o art. 41 da Lei 11.340/2006 que aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher não se aplica a Lei 9.099/1995, independentemente da quantidade e natureza da pena prevista no tipo penal incriminador.
A proibição de que se aplique a Lei 9.099/1995 aos crimes abrangidos pela Lei Maria da Penha traz consequências importantes, a saber:
Apuração mediante a instauração de inquérito policial, não se podendo cogitar da lavratura de simples termo circunstanciado.
Proibição quanto à aplicação dos institutos da transação penal, suspensão condicional do processo e composição dos danos cíveis como forma de conduzir à extinção da punibilidade. Neste sentido, a propósito, a Súmula 536 do STJ, dispondo que “a suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha”.
A inicial acusatória deverá assumir, obrigatoriamente, a forma escrita, vedadas a denúncia e a queixa orais, tal como previsto no rito dos Juizados Especiais Criminais.
Afastada a competência dos Juizados Especiais Criminais, também não haverá possibilidade de serem interpostos recursos às Turmas Recursais, devendo aqueles ser apreciados, portanto, pelo Tribunal de Justiça.
Opostamente ao preceituado na Lei 9.099/1995 em relação às infrações de menor potencial ofensivo, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher ficam autorizadas a prisão em flagrante e a lavratura do respectivo auto, assim como o arbitramento de fiança e a instauração de inquérito policial (com a medida paralela prevista no art. 12, III e §§ 1.º e 2.º, da Lei 11.340/2006).
No tocante ao procedimento judicial de apuração dos crimes cometidos no contexto da Lei Maria da Penha, será o procedimento comum ordinário, se for o caso de infração a que a pena máxima privativa da liberdade seja igual ou superior a quatro anos de prisão (art. 394, § 1.º, I); o procedimento comum sumário, se for hipótese de infração a que a pena máxima privativa da liberdade seja inferior a quatro anos de prisão (art. 394, § 1.º, II); ou o procedimento especial adequado à modalidade delituosa em questão (é o caso do procedimento do júri, se for hipótese de infração dolosa contra a vida – art. 394, § 3.º).
Neste contexto, depreende-se que, na pendência da criação dos aludidos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher,ao juiz criminal, além de sua competência nessa própria esfera (penal), caberá atender questões atinentes às medidas protetivas de urgência (art. 22), que, na maioria, têm evidente caráter cível, assim procedendo em razão da delegação legal de competência que lhe é determinada pelo art. 33 e com o objetivo de garantir o atendimento imediato à mulher vítima de violência doméstica e familiar.
Perceba-se que tal competência exige a combinação de dois fatores:
Primeiro: Tenha sido a violência praticada contra a mulher.
Segundo: A mulher deverá fazer parte do âmbito doméstico, familiar ou de relacionamento íntimo do agente do fato.
Logo, não importa o local em que seja praticada a violência (em casa ou fora dela), já que não será o lugar da ofensa que estabelecerá a competência das varas criminais. Importa, isto sim, o vínculo mantido com o agente do fato. Exemplo: duas amigas, durante um passeio, se desentendem em razão do interesse afetivo manifestado por ambas em relação a uma terceira pessoa. Em razão disto, trocam tapas, gerando lesões corporais leves recíprocas. Neste caso, não incidirá a Lei 11.340/2006, pois a hipótese não se enquadra no conceito de violência doméstica e familiar. Haverá, então, a incidência da Lei 9.099/1995. Agora, se, na mesma hipótese, as lesões tiverem sido perpetradas por duas mulheres homossexuais conviventes e motivadas, por exemplo, por ciúmes em decorrência do interesse sentimental manifestado por uma delas em prol de uma outra pessoa, daí sim as infrações estariam sujeitas às regras da Lei 11.340/2006, alheias ao âmbito da Lei 9.099/1995.
E quando se tratar de processo por crime doloso contra a vida cometido no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher? Nesta hipótese, já decidiu o STJ que, “ressalvada a competência do Tribunal do Júri para o processo e julgamento dos crimes dolosos contra a vida, não importa nulidade o processamento do feito perante o Juizado Especial Criminal e de Violência Doméstica, até a fase de pronúncia”66. Independentemente, nada impede que leis locais de organização judiciária disciplinem, nestes mesmos casos, a competência da Vara do Júri para o processo em todas as suas fases.
Medidas protetivas (arts. 11, 22, 23 e 24)
Estabelece a Lei Maria da Penha diversas medidas de proteção à mulher, com natureza jurídica e iniciativas distintas:
Medidas a cargo da autoridade policial (art. 11): trata-se de medidas de ordem administrativa, a serem adotadas por ocasião do atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar:
I – garantir proteção policial, quando necessário, comunicando de imediato ao Ministério Público e ao Poder Judiciário;
II – encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto Médico Legal;
III – fornecer transporte para a ofendida e seus dependentes para abrigo ou local seguro, quando houver risco de vida;
IV – se necessário, acompanhar a ofendida para assegurar a retirada de seus pertences do local da ocorrência ou do domicílio familiar;
V – informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os serviços disponíveis.
b) Medidas protetivas de urgência: subdividem-se em duas ordens, dispondo o art. 19 que poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimento do Ministério Público ou da ofendida (conforme o caso, como veremos a seguir):
b.1) Medidas protetivas destinadas ao agressor (art. 22): uma vez constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras:
I – suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei 10.826,
de 22.12.2003;
II – afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida;
III – proibição de determinadas condutas, entre as quais:
aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor; contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida;
IV – restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar; 
V – prestação de alimentos provisionais ou provisórios. As medidas previstas nos incisos I, II e III são cautelares de natureza penal. Assim, caso se relacionem a uma infração penal de natureza pública, tem-se entendido que podem ser requeridas ao juiz unicamente pelo Ministério Público e não pela ofendida. Isto ocorre, também, porque tais medidas não objetivam apenas a proteção da vítima, mas se destinam também e precipuamente ao ofensor. Não há unanimidade, porém, a respeito dessa legitimidade exclusiva.
Por outro lado, no tocante às medidas previstas nos incisos IV e V, possuindo natureza civil (direito de família), podem ser requeridas pela ofendida, obviamente, por intermédio de advogado.
b.2) Medidas protetivas destinadas à ofendida (arts. 23 e 24): estas medidas podem ser de caráter pessoal (art. 23) e de caráter patrimonial (art. 24).
Em relação às medidas de caráter pessoal, além de outras, o juiz poderá determinar, caso seja necessário, as seguintes providências (art. 23):
I – encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento;
II – determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio, após afastamento do agressor;
III – determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos;
IV – determinar a separação de corpos.
No âmbito patrimonial, o juiz poderá determinar medidas para a proteção dos bens da sociedade conjugal ou daqueles de propriedade particular da mulher. As medidas, que poderão ser concedidas liminarmente e sem prejuízo de outras, são as seguintes (art. 24):
I – restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida;
II – proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra, venda e locação de propriedade em comum, salvo expressa autorização judicial;
III – suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor;
IV – prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a ofendida.
Ora, no caso do art. 23, incisos I e II, trata-se de medidas de ordem administrativa. Em que pese atribuída ao juiz a respectiva determinação, nada impede sejam providenciadas diretamente pelo Ministério Público, a teor da faculdade conferida pelo art. 26, incisos I e II.
No que tange às previsões do art. 23, incisos III e IV, envolvendo questões afetas ao direito de família, bem como às medidas estatuídas nos incisos do art. 24, que têm natureza patrimonial, devem ser requeridas pela ofendida ao Poder Judiciário, por intermédio de advogado.
Outra questão relevante concerne às consequências advindas para o agressor na hipótese de descumprimento de medidas protetivas de urgência. Ora, conforme examinaremos no tópico seguinte (10.16.7), a violação dessas medidas, caso presentes os fundamentos previstos nos arts. 311 e 312 do Código de Processo Penal, pode ensejar a decretação da prisão preventiva do agente (art. 313, III, do CPP). Logo, a indagação que se põe é a seguinte: além da sujeição à custódia cautelar, o agressor que descumprir medida protetiva de urgência incorre também em crime de desobediência (art. 330 do CP)? Muitos entendem que não, pois a Lei 11.340/2006 estabelece sanção específica para a hipótese de violação de medida protetiva de urgência, qual seja, a possibilidade de decretação da prisão preventiva. Neste sentido, inclusive, é a orientação consolidada no STJ, para quem o crime de desobediência é subsidiário e somente se caracteriza nos casos em que o descumprimento da ordem emitida pela autoridade não é objeto de sançãoadministrativa, civil ou processual, o que não ocorreria aqui, já que, em sua ótica, na hipótese de descumprimento das medidas protetivas emanadas no âmbito da Lei Maria da Penha, admite-se requisição de auxílio policial e também a decretação da prisão, nos termos do art. 313 do Código de Processo Penal, com o objetivo de garantir a execução da ordem da autoridade, afastando, desse modo, a caracterização do delito previsto no art. 330 do Código Penal68. Com a devida vênia, discordamos desse entendimento, compreendendo que o descumprimento dessas medidas importa sim no cometimento do delito do art. 330 do CP. Não se ignora que, na visão da jurisprudência moderna, se considera não configurado o crime de desobediência quando a norma que motivou a ordem judicial estabelecer, para a hipótese de descumprimento, sanção de natureza extrapenal. Ocorre que a possibilidade de decretação da prisão preventiva não caracteriza uma sanção, muito menos de caráter extrapenal, mas sim uma providência acauteladora dos interesses da vítima de abuso. Nesse contexto, inexistindo a previsão de sanção própria para a desobediência de medida protetiva, a consequência é a tipicidade, à luz do art. 330 do CP, da conduta relacionada ao descumprimento do comando judicial.
Possibilidade de prisão preventiva (art. 20)
A Lei Maria da Penha dispõe no art. 20 que, em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal, caberá a prisão preventiva do agressor, decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial.
A previsão incorporada ao inciso III do art. 313 do CPP, pela Lei 11.340/2006, é aplicável, unicamente, aos crimes dolosos. Considera-se que, ao fazer menção a crimes praticados com violência, insere o art. 313, III, de forma implícita, a conduta consciente e deliberada do agente em causar um dano às categorias de vítimas arroladas, daí emergindo a ideia de dolo, e não a de culpa.
O inciso III do art. 313 da Lei Adjetiva Penal pode abranger qualquer espécie de crime doloso, independentemente da natureza da pena (detenção ou reclusão), de aspectos subjetivos do criminoso ou da reprimenda máxima cominada ao crime. Em suma, não incide, aqui, a restrição existente no art. 313, I, do CPP, que condiciona a decretação da custódia a que seja a pena cominada superior a quatro anos de prisão, bastando que seja perpetrado mediante violência doméstica e familiar e que se configurem as situações mencionadas nos arts. 5.º e 7.º da Lei 11.340/2006.
O decreto de prisão preventiva, tratando-se de violência doméstica e familiar, será admitido:
Para assegurar a eficácia das medidas protetivas de urgência previstas nos arts. 22, 23 e 24 da Lei 11.340/2006. É preciso ficar demonstrado que, se não for decretada a prisão, tais medidas, por si, serão ineficazes para a garantia da vítima.
Quando, mesmo não ocorrendo a situação anterior (possibilidade de ineficácia de medidas protetivas previamente aplicadas), houver risco à integridade física do ofendido, justificando-se, então, a prisão preventiva decretada com base no art. 313, III, no intuito de proteção à vítima. Isto quer dizer, em suma, que, muito embora o referido inciso III preveja a decretação da prisão preventiva para garantir a execução de medidas protetivas de urgência, tal dicção legal não torna impositivo que exista prévio deferimento dessa ordem de medidas, bastando, dado o caráter protetivo das disposições da Lei 11.340/2006, que estejam demonstrados o premente risco à integridade física da vítima e a necessidade de preservá-la da atuação nefasta do agressor. Daí por que nada impede que a prisão seja decretada, independentemente de existirem medidas protetivas pretéritas desrespeitadas. Mesmo porque o art. 20 da Lei Maria da Penha prevê que a qualquer tempo a prisão preventiva poderá ser decretada. E nada refere sobre a necessidade do descumprimento de eventual medida protetiva fixada.
Pedindo vênia aos adeptos da posição oposta, aderimos à orientação majoritária, qual seja, a de que, efetivamente, é possível tal decretação, pois não haveria sentido algum excluir da Lei Maria da Penha, que tem natureza eminentemente protetiva da mulher, a possibilidade de prisão preventiva nos crimes de ação penal privada.
De resto, para evitar tautologia, remetemos o leitor ao capítulo 11, item 11.7.8.3, em que abordado, com a necessária profundidade, o instituto da prisão preventiva nos crimes que envolvam violência doméstica e familiar não apenas contra a mulher, como também contra criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa portadora de deficiência.
A retratação da representação nos crimes de ação penal pública condicionada (art. 16)
O art. 16 da Lei 11.340/2006 preconiza que, nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida, somente será admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público.
Da leitura desse dispositivo constata-se, de plano, que insere uma inadequação legislativa, eis que não se trata, propriamente, de renúncia à representação a situação nele posta, já que por renúncia compreende-se um fato impeditivo, que ocorre antes da realização do ato e não após este se encontrar perfectibilizado. Enfim, não há como renunciar algo que já está feito. Compreende-se, então, que, na realidade, o que pretendeu o legislador no art. 16 da Lei 11.340/2006 foi estabelecer a possibilidade de retratação da representação, condicionando a sua validade a que seja feita perante o juiz, ouvido o Ministério Público.
Perceba-se que o precitado art. 16, de modo implícito, autoriza ao magistrado aferir, diante do caso concreto, acerca da real espontaneidade do ato de retratação da vítima. Se, porventura, constatar o juiz que razões outras motivaram o desinteresse da ofendida no prosseguimento da ação penal (ingerência ou coação do agressor, por exemplo), poderá desconsiderar esta sua manifestação de vontade e, por conseguinte, determinar o prosseguimento da ação penal.
Outro aspecto a ser atentado é o de que tal audiência não é obrigatória em todos os processos por crime de ação penal pública condicionada envolvendo violência doméstica e familiar contra a mulher, devendo ser realizada apenas quando houver prévia manifestação da vítima no sentido da retratação da representação e desde que isto ocorra antes do recebimento da inicial. A contrario sensu, vale dizer, se a vítima não toma a iniciativa de levar ao conhecimento da autoridade policial ou judiciária sua vontade em se retratar, não pode o juiz designar ex officio essa audiência, visando, por exemplo, a ratificar a representação já oferecida.
Considerando esse impasse, a Procuradoria-Geral da República intentou perante o STF a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.424, objetivando conferir ao art. 16 da Lei 11.340/2006 interpretação conforme a Constituição Federal para que fosse restringida a sua aplicação apenas aos crimes em que a necessidade de representação esteja prevista em ato normativo distinto da Lei 9.099/1995 (por exemplo, o crime de ameaça, que se procede mediante ação penal pública condicionada por força do art. 147, parágrafo único, do Código Penal).
No julgamento dessa ação, em 9 de fevereiro de 2012, compreendeu o Plenário do STF que, efetivamente, nos crimes de lesão corporal leve e culposa praticados contra a mulher no ambiente doméstico, atua-se mediante ação penal pública incondicionada, independentemente da representação da vítima, entendimento este que afasta, na hipótese, a possibilidade de aplicação do art. 16 da Lei Maria da Penha. Posteriormente, editou o STJ a Súmula 542 prevendo que “a ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada”. Não obstante, tem-se afirmado permanecer a necessidade de representação para crimes em que esta exigência venha disposta em diplomas diversos da Lei 9.099/1995, como ode ameaça e os cometidos contra a dignidade sexual.
Resumo: A lei é dirigida à mulher, mais há jurisprudência no sentido de ampliar o sujeito passivo, mas a mulher é sujeito passivo por excelência.
Não se aplica aos casos da lei Maria da Penha as regras do sumaríssimo, por vedação do art.4.
Formas de violência: física, psicológica, moral, sexual, patrimonial.
Súmula 600do STJ – fala sobre o art.5, Inc III, da lei.Se o caso concreto não estiver prescrito no art.5, inc III, da lei Maria da penha, não há caso de violência domestica ou familiar.
Necessidade de inquérito policial, haja vista a complexidade dos casos e a nãoaplicação so procedimento sumaríssimo, inclusive, é cabível flagrante, mesmo sendo crime de menor potencial ofensivo.
Prazo de 48 horas para que o magistrado aplique medidas protetiva, o que pode, nesse prazo, acontecer mais vulnerabilidade á vitima.
Art.11e 12 medidas a serem tomadas pela autoridade policial
Art. 16
Art. 14 – o juizado de violência domestica
Art. 24 A. descumprimento das medidas protetivas de urgência.
 
 REVISÃO CRIMINAL
Conceito.
A revisão criminal é medida que tem por objetivo a desconstituição da decisão judicial condenatória transitada em julgado. Assim como ocorre em relação ao habeas corpus, também não possui natureza recursal, apesar de se encontrar prevista no Código de Processo Penal como tal. É, enfim, uma verdadeira ação, tanto que não está sujeita a prazos, podendo ser deduzida, inclusive, após a morte do réu. Ademais, o próprio Código refere-se à procedência da revisão (art. 626 do CPP), juízo este próprio de ações, pois quando se trata de recurso fala-se em provimento.
Quanto aos pressupostos da revisão criminal, consistem: existência de uma decisão judicial condenatória e ocorrência de trânsito em julgado.
Existência de decisão judicial condenatória
Não se admite a utilização da revisão criminal nem de qualquer outra via impugnativa para a desconstituição da sentença absolutória. A esta regra ressalva-se apenas a hipótese de absolvição imprópria (absolvição acompanhada de medida de segurança), modalidade de veredicto aplicável ao autor da infração penal que, à época do fato, se encontre completamente incapaz, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, de compreender o caráter ilícito de sua
conduta e de se autodeterminar segundo esse entendimento (arts. 26 e 97 do CP, c/c o art. 386, parágrafo único, III, do CPP). Justifica-se esta exceção ao cabimento da ação revisional na circunstância de que a medida de segurança, na hipótese referida, é aplicada diante da impossibilidade jurídica de condenação (o inimputável por doença mental é isento de pena, ex vi do art. 26, caput, do CP), praticamente substituindo o juízo condenatório. Neste contexto, nada mais sensato do que permitir o ingresso da revisão criminal contra a decisão de absolvição imprópria objetivando-se a absolvição própria do imputado, isto é, sem a imposição de medida de segurança, tendo em vista, por exemplo, prova nova no sentido de que tenha o sentenciado agido ao amparo de excludentes de ilicitude.
Objeto: Sentença penal condenatória TJ
Finalidade: Reexaminar uma decisão junto ao TJ. Embora nosso sistema constitucional e processual penal esteja direcionado no sentido de que os tribunais de jurisdição superior têm competência implícita para rever as decisões proferidas por juízos com jurisdição inferior, é preciso ter em mente que a revisão criminal não se consubstancia em recurso propriamente dito, possuindo, isto sim, a natureza de uma ação, de competência originária dos tribunais. Destarte, pode ocorrer que competente para julgar a revisão criminal seja o próprio órgão que proferiu o julgamento objeto de revisão. É o que ocorre, por exemplo, no âmbito do Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, j, da CF) e do Superior Tribunal de Justiça (art. 105, I, e, da CF), competentes que são para o julgamento das revisões criminais propostas contra suas próprias decisões.
Um pouco mais ampla é a competência atribuída aos Tribunais de Justiça dos Estados e Tribunais Regionais Federais. Isso porque incumbirá a estes Colegiados o julgamento da revisão, independentemente de ter sido a decisão proferida por juiz de 1.º grau ou por eles próprios em única (ação penal originária) ou em última (julgamento de recursos) instância. Aliás, no caso dos TRFs, a Constituição Federal possui texto expresso neste sentido, incorporado ao seu art. 108, I, “b”, ao dispor que “compete aos Tribunais Regionais Federais processar e julgar originariamente as revisões criminais e as ações rescisórias de julgados seus ou dos juízes federais da região”. 
Legitimidade para o ajuizamento: Segundo dispõe o art. 623 do CPP, “a revisão criminal pode ser pedida pelo próprio réu ou por procurador legalmente habilitado ou, no caso de morte do réu, pelo cônjuge, ascendente, descendente ou irmão”.
Ausência de prazo para o ingresso: Ao contrário do que ocorre com a ação rescisória cível, inexiste prazo para o ingresso da revisão criminal, podendo ela ser ajuizada em qualquer tempo, mesmo depois de cumprida ou extinta de qualquer modo a pena imposta ao réu (art. 622), até mesmo depois de sua morte.
Essa flexibilidade temporal com que se permite o ajuizamento da revisão justifica-se na circunstância de que o seu objetivo é, primordialmente, evitar a consolidação de uma injustiça com a subsistência da decisão condenatória.
Hipóteses: 
Sanar injustiça
Restabelecer a dignidade do acusado
Resgatar a memória do falecido condenado.
Resumo:
OBs: Só é possível ingressar com uma nova revisão criminal se aparecer novas provas art. I,II e III do CPP.
Obs: a revisão criminal sendo uma ação penal rescisória e tendo por objeto uma sentença penal condenatória transitado em julgado, será dirigida ao tribunal competente nos termos do art. 624 do cpp, podendo ser esses tribunais o STF, STJ e os TRF´s, bem como os TJ se fazem necessário que o requerimento seja dirigido ao presidente do tribunal e sendo recebido se afará visto ao MP que emitirá um parecer após, o relato proferira a decisão em 10 dias. A RC que haverá absolvição implica o restabelecimento de todos os direitos que foram perdidos em virtude da condenação. Necessário também esclarecer, que poderá também ser objeto da RC, a sentença absolutória imprópria, ou seja, aquela que obsolve o agente, aplicando a finalidade dessa revisão, não é tão somente a obtenção da liberdade, mais ainda, o resgate da dignidade.
Obs: Quanto à R, temos os as hipóteses num rol taxativo previsto no art. 621do CPP, temos ainda, a legitimidade exposta no art.603 quanto ao prazo art.622.
Obs: O juiz pode rejeitar o RC se as novas provas trazidas na ação, não forem sufucientes para “desbancar” as supostamente falsas. 
HABEAS CORPUS
Conceito
O habeas corpus é ação autônoma de impugnação, constitucionalmente estabelecida, objetivando preservar ou restabelecer a liberdade de locomoção ilegalmente ameaçada ou violada.
Natureza jurídica
“Conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder” (art. 5.º, LXVIII, da CF).
Apesar de previsto pelo Código de Processo Penal no Título II do Livro III, que trata dos recursos em geral, não possui natureza recursal, o que se evidencia, inclusive, pela circunstância de que pode ser impetrado a qualquer tempo (não está sujeito a prazos).
Classificação
Habeas corpus repressivo ou liberatório, cabível na hipótese de já ter sido consumado o constrangimento ilegal à liberdade de locomoção. Nesse caso, concedida a ordem, será expedido alvará de soltura com o intuito de restabelecimento da liberdade (art. 660, § 1.º, do CPP).
Habeas corpus preventivo, impetrado quando houver fundado receio de constrangimento ilegal à liberdade de locomoção. Necessário referir que a ameaça de prisão que justifica a concessão da ordem não pode se caracterizar como um temor remoto ou merasuspeita. É preciso que seja, efetivamente, ameaça séria e concreta, devidamente demonstrada, quanto à iminência de prisão ilegal. Não basta a possibilidade, sendo preciso a probabilidade do constrangimento à liberdade. Deferido, expede-se salvo-conduto, impedindo-se, pelo fato objeto do habeas corpus, que ocorra a segregação (art. 660, § 4.º, do CPP). “O habeas corpus preventivo tem cabimento quando, de fato, houver ameaça à liberdade de locomoção, isto é, sempre que fundado for o receio de ser o paciente preso ilegalmente. E tal receio haverá de resultar de ameaça concreta de iminente prisão” (STJ, AgRg no HC 108.655/SP, DJ 16.03.2009).
O constrangimento ilegal
O art. 647 do CPP refere-se à coação ilegal como fundamento principal da impetração do habeas corpus. Em sequência, o art. 648 do mesmo estatuto contempla as hipóteses nas quais se considera ilegal o constrangimento, arrolando as seguintes:
Hipóteses:
Quando não houver justa causa (art. 648, I)
Justa causa é conceito que não se confunde com a justiça ou injustiça da decisão. Há justa causa para uma coação quando estiver prevista em lei e quando observados seus requisitos. Por exemplo, inexiste justa causa para que o delegado de polícia determine, por ato seu, a prisão para averiguações do suspeito, pois tal modalidade segregatória não possui previsão legal. Também inexiste justa causa para que o juiz decrete a prisão preventiva de alguém quando ausentes indícios suficientes de autoria, eis que, apesar de prevista essa prisão em lei, não estão atendidos seus requisitos. Agora, há justa causa para o deferimento judicial de prisão temporária de suspeito de latrocínio quando evidenciado que a segregação é imprescindível ao êxito das investigações policiais.
Quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei (art. 648,II).
A hipótese abrange duas possibilidades: primeira, o esgotamento do tempo previsto em lei para a prisão, o que ocorre, por exemplo, quando, terminado o prazo da prisão temporária e sua prorrogação, não for o indivíduo posto em liberdade; e, segunda, quando detectado excesso no prazo legalmente estabelecido para a prática de determinados atos (v.g., conclusão do inquérito policial, oferecimento da denúncia etc.) ou quando superada a soma dos prazos individuais que compõem cada fase do procedimento (no rito processual previsto para o crime de tráfico de drogas, por exemplo, o tempo para a conclusão do processo tem sido fixado pela jurisprudência em 252 dias2). De qualquer forma, neste último caso, é necessária cautela na apreciação, sempre se considerando que “o excesso de prazo não resulta de mera soma aritmética, sendo necessária, em certas circunstâncias, uma maior dilação do prazo em virtude das peculiaridades de cada caso concreto”.
Deve-se observar, ainda, que, por construção jurisprudencial, o reconhecimento do excesso de prazo na prisão condicionase a que não esteja vencida a fase da pronúncia ou encerrada a instrução criminal, regras estas predispostas nas Súmulas 52 e 64 do STJ, respectivamente.
E não é só. Quando se trata de reconhecer o excesso de prazo como fundamento para a concessão da ordem de habeas corpus, devem ser considerados, além dos critérios estabelecidos nos referidos verbetes do STJ, os seguintes:
Atraso processual decorrente exclusivamente de diligências suscitadas pela acusação, não sendo motivado por manobras protelatórias da defesa (Súmula 21 do STJ); e
Inércia injustificada do Poder Judiciário no impulso processual, em violação ao princípio da razoável duração do processo consagrado no art. 5.º, LXXVIII, da CF.Para evitar tautologia, remetemos, neste enfoque, o leitor ao Capítulo 11, item 11.7.12, em que tratamos do excesso de prazo sob a ótica do princípio da razoabilidade.
Quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo (art. 648, III)
Contempla-se aqui a hipótese em que a coação, apesar de prevista em lei e mesmo se atendidos os seus requisitos legais, tenha sido determinada por autoridade incompetente para a prática do ato. Exemplo: A decretação de prisão preventiva de um promotor de justiça por juiz de 1.º grau, com violação manifesta das regras que disciplinam a competência em razão da função e o privilégio de foro que assiste ao agente do Ministério Público.
Quando houver cessado o motivo que autorizou a coação (art. 648, IV)
Nesta hipótese o constrangimento não decorre de ilegalidade ou abuso de poder, sendo legal na sua origem. Entretanto, posteriormente, deixam de subsistir as razões que o motivaram. Logo, se não determinada a sua cessação (do constrangimento), faculta-se a impetração de habeas corpus para que seja alcançado esse objetivo.
Exemplos:
Se decretada a prisão preventiva do acusado unicamente para fins de conveniência da instrução criminal, quando encerrada essa fase do processo, impõe-se a imediata revogação da segregação.
Se o acusado está preso, tão somente, para fins de cumprimento da pena, finda esta, deverá ser posto em liberdade, pois cessado o motivo que autorizou a segregação.
Quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza (art.648, V).
A previsão legal tem em vista hipótese de prisão por crime afiançável, não sendo, porém, arbitrada fiança em favor do paciente. Aqui, a impetração do habeas corpus não visa a sua liberação, mas, unicamente, o arbitramento da fiança, conforme se vê do art. 660, § 3.º, do CPP ao dispor que, “se a ilegalidade decorrer do fato de não ter sido o paciente admitido a prestar fiança, o juiz arbitrará o valor desta, que poderá ser prestada perante ele, remetendo, neste caso, à autoridade os respectivos autos, para serem anexados aos do inquérito policial ou aos do processo judicial”.
Quando o processo for manifestamente nulo (art. 648, VI)
Assim como no inciso anterior, esta modalidade de habeas corpus também possui efeito específico, vale dizer, não visa diretamente à liberdade do paciente, mas sim a anulação total ou parcial do processo e, se for o caso, sua renovação (art. 652 do CPP). Entre as hipóteses mais comuns de impetração do writ com base no art. 648, VI, encontram-se:
O indeferimento do pedido de anulação total ou parcial do processo. Neste caso, a parte poderá optar entre aguardar a sentença e tentar obter a anulação por meio de preliminar de apelação, ou impetrar imediatamente o habeas corpus visando com isso alcançar esse objetivo antes da fase decisória.
A decisão que indefere o reconhecimento da ilicitude de meio de prova juntado aos autos (art. 157, caput e § 3.º, do CPP). Nesta hipótese, é importante ter em vista que o conhecimento do remédio heroico condiciona-se a que não seja necessário exame aprofundado dos elementos de convicção trazidos pelo impetrante, uma vez que o habeas corpus é ação constitucional que pressupõe ilegalidade ou abuso de poder flagrantes, isto é, que possam ser demonstrados de plano. A propósito, consolidada a posição dos Tribunais, compreendendo que “a ação de habeas corpus não comporta dilação probatória, dado o seu rito célere e cognição sumária, voltados para afastar ilegalidade manifesta que comprometa a liberdade de ir e vir do cidadão, razão pela qual é inadmissível o exame de questões que demandam aprofundado exame do conjunto fático-probatório, próprio do processo de conhecimento, como a tese de ilicitude na colheita da prova porquanto decorrente de violência policial” (STJ, HC 133.795/RJ, DJ 21.09.2009).
Quando extinta a punibilidade (art. 648, VII)
Trata-se da hipótese na qual a ilegalidade do constrangimento decorre da circunstância de já se encontrar extinta a punibilidade pela prescrição ou outra causa. Neste caso, o habeas corpus objetiva apenas o reconhecimento de que a punibilidade está extinta com o consequente arquivamento do inquérito policial ou processo. Destarte, se preso o paciente, a sua liberação ocorrerá em decorrência dessa extinção, não se constituindo o móvel direto da impetração.
Exemplo:
Considere-se que, após o trânsito em julgado da sentençade condenação, encontrando-se o indivíduo a cumprir pena, sobrevenha a revogação do tipo penal que incriminava a conduta pela qual responsabilizado. Diante disso, ingressa ele perante a vara de execuções com pedido de extinção da punibilidade em decorrência da abolitio criminis, com fundamento no art. 66 da Lei 7.210/1984, dispondo que “compete ao juiz da execução: I – aplicar aos casos julgados lei posterior que de qualquer modo favorecer o condenado”. Imagine-se que este seu requerimento seja indeferido pelo magistrado. Poderá o apenado, nesta hipótese, interpor agravo, por ser este o recurso cabível contra qualquer decisão proferida no âmbito das execuções criminais (art. 197 da LEP). No entanto, pela urgência em obter a prestação jurisdicional e pelo constrangimento que importa mantê-lo preso apesar de descriminada a conduta pelo qual condenado, mais adequada será a impetração de habeas corpus, com fundamento no art. 648, VII, do CPP, objetivando, por meio desta via, a extinção da punibilidade com fundamento no art. 107, III, do CP4. Repise-se que a utilização do habeas corpus em vez do recurso legalmente previsto para o insurgimento é medida excepcional, admitida apenas em situações de grave e evidente constrangimento ou ameaça de constrangimento à liberdade de locomoção.
Mas atenção: De acordo com a Súmula 695 do STF, não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade. Ocorre que, declarada a extinção da punibilidade pelo cumprimento integral da pena, não mais persiste a restrição ou ameaça à liberdade de locomoção.
Sujeitos do habeas corpus
1. Paciente:
Assim é considerado quem sofre ou está ameaçado de sofrer o constrangimento à sua liberdade de locomoção.
Apenas pessoas físicas podem ser pacientes no habeas corpus, não sendo admitida a impetração do remédio heroico em favor de pessoas jurídicas. Isso porque, por definição constitucional, o writ destina-se à proteção da liberdade de locomoção violada ou ameaçada, o que não acontece com relação à pessoa jurídica5. Necessário enfatizar que, ainda que tenha a Lei 9.605/1998, ao tratar dos crimes ambientais, estabelecido a possibilidade de responsabilização penal da pessoa jurídica, nem assim será possível considerá-la paciente do habeas corpus, pois não há, nesse caso, liberdade de locomoção a ser tutelada.
E quanto a diretores, gerentes ou sócios que venham a ter sua liberdade constrangida ou ameaçada em razão de ilícitos praticados no comando da pessoa jurídica? Evidentemente, podem estes ser pacientes no habeas corpus, que, neste caso, objetivará a proteção de suas liberdades enquanto pessoas físicas.
2. Coator:
É quem exerce ou determina o constrangimento ilegal.
O coator pode ser tanto uma autoridade quanto o particular. Isto ocorre porque a Constituição Federal, ao tratar do habeas corpus, estabeleceu a possibilidade de seu cabimento “sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder”. Ora, se, por um lado, apenas a autoridade pode abusar do poder que detém ou lhe é delegado, por outro a ilegalidade pode ser cometida tanto pela autoridade quanto pelo particular.
Exemplo:
Indivíduo que, por solicitação de parentes interessados em usufruir de seus bens, é internado, injustificadamente, em clínica particular sob o fundamento de que se encontra em surto psicótico. Este constrangimento à sua liberdade de locomoção, além de caracterizar evidente cárcere privado (art. 148 do CP), ainda enseja a impetração de habeas corpus para que seja restabelecida a sua liberdade de ir e vir.
3. Impetrante:
Trata-se da pessoa que impetra o habeas corpus, podendo ser qualquer pessoa do povo em favor de outrem e, inclusive, o próprio paciente em seu favor.
Para a impetração do habeas corpus, não se exige a presença de advogado. Basta ver que a Lei 8.906/1994, no seu art. 10, § 1.º, estabelece que “não se inclui na atividade privativa de advocacia a impetração de habeas corpus em qualquer instância ou tribunal”.
E não se requer, também, capacidade civil, podendo, em tese, a petição ser subscrita por insano mental e até por indivíduo menor, ainda que não assistidos. Por óbvio, nestes casos é de se observar a hipótese concreta, atendo-se, sempre, à razoabilidade. Perceba-se que, desde que alguém assine a seu rogo, o próprio analfabeto pode ser impetrante (art. 654, § 1.º, “c”, do CPP).
Reconhece-se legitimidade para a pessoa jurídica impetrar habeas corpus em favor de pessoa física, assinando a petição, nesse caso, o seu representante legal. Neste sentido, o STJ: “É possível a impetração de habeas corpus por pessoa jurídica em favor de um de seus sócios, pois não se deve antepor restrições a uma ação cujo escopo fundamental é preservar a liberdade do cidadão contra quaisquer ilegalidades ou abusos de poder”.
O Ministério Público, igualmente, pode impetrar habeas corpus em favor de outrem, pois nada o impede. Afinal, mesmo quando parte, atua o promotor de justiça como espécie de “parte imparcial”, não podendo comungar de situações que importem em constrangimento ilegal ao investigado, indiciado ou réu.
Resumo: 
 O procedimento do habeas corpos se dá de forma simples e célere, assim recebido o pedido será requisitada informação ao coautor sobre a violação ao direito de ir e vim em seguida poderá ser ouvido o ministério público, se o procedimento ocorre em segunda instância sendo decidido o que foi pedido por maioria de voto. É necessário acrescentar que é possível a concessão de liminar beneficiando o paciente, necessário também informar que o pedido será dirigido a autoridade imediatamente superior àquele que praticar a violência ou ameaça os direitos de ir e vim, assim se a coação foi cometida pela autoridade policial o pedido será dirigido ao juízo de 1º grau, por sua vez se foi praticado pelo magistrado ou MP será o pedido dirigido ao tribunal de justiça, se juiz federal ao TRF, podendo também ser dirigido ao STF nas hipóteses do art. 102 e 105 da constituição federal. 
Segundo o STF através das súmulas 693 e 695 não cabe habeas corpos contra decisão condenatória a pena de multa como também não será cabível quando já é extinta a pena privativa de liberdade.
O mandado de segurança é uma ação de impugnação pouco utilizada no processo penal com fundamento no art. 5º da CF e na lei 12.016/2009, visa proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas copos ou por habeas data contra ilegitimidade ou abuso de poder praticado por autoridade pública devendo ser proposta no prazo decadencial de 120 dias.

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