Logo Passei Direto
Buscar

Direito Empresarial e do Consumidor II

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
UNIDADE 1
DIREITO EMPRESARIAL
ObjETIvOS DE APRENDIzAgEM
 A partir desta unidade, você será capaz de:
	compreender as formas de como se estabelecem as obrigações 
comerciais utilizando-se da visão sistêmica do Direito Empresarial; 
	identificar as relações comerciais e empresariais, com suas 
respectivas obrigações, a ponto de facilitar no seu dia a dia 
profissional.
TÓPICO 1 – DADOS HISTÓRICOS DO DIREITO 
EMPRESARIAL 
TÓPICO 2 – CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL
TÓPICO 3 – DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA 
TÓPICO 4 – DA SOCIEDADE ANÔNIMA
TÓPICO 5 – TÍTULOS DE CRÉDITO
TÓPICO 6 – RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E 
FALÊNCIA
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em seis tópicos. Ao final de cada 
um deles você encontrará atividades que o(a) ajudarão a fixar os 
conhecimentos adquiridos.
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
 DADOS HISTÓRICOS DO DIREITO 
EMPRESARIAL
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 1
O comércio nasceu da própria necessidade dos seres humanos conviverem 
harmoniosamente na sociedade. O seu desenvolvimento deveu-se, inequivocamente, ao 
surgimento da moeda, pois, com seu uso, as riquezas começaram a circular muito mais 
rapidamente, pois o seu transporte tornou-se muito mais simples e prático do que transportar 
mercadorias para troca.
Nasceu, assim, a economia de mercado e, com ela, a figura do comerciante, que 
se coloca entre o produtor e o consumidor, ou seja, torna-se aquele que compra e vende 
mercadorias, cujas diferenças de valores atingem seu objetivo: o lucro.
A evolução dos conceitos levou à remodelação do Direito Comercial. Ou seja, no auge da 
Segunda Guerra Mundial, com o advento do Código Civil Italiano, unificou-se o direito privado, 
juntando em uma única codificação o Direito Civil e o Direito Comercial, dando origem ao que 
chamamos, atualmente, de Direito Empresarial.
UNIDADE 1
2 SURgIMENTO DO COMÉRCIO E 
 EvOLUÇÃO HISTÓRICA 
Se nós fizermos uma breve pesquisa aos achados pré-históricos, veremos que os 
homens viviam em completa bruteza, aproximando-se do estado irracional, vagando em famílias 
ou em bandos, comandados por um chefe, em constante combate pela sobrevivência. 
Nessa forma primitiva de sociedade, devido à agressividade então reinante, não 
havia ambiente propício para que se desenvolvesse o fenômeno que, hoje, chamamos de 
comércio.
UNIDADE 1TÓPICO 14
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
Após muitos séculos, a humanidade chegou ao entendimento de que cada ser humano 
necessitou do seu semelhante para pôr em execução grandes expedições de caça e para 
defender-se de animais, conforme nos dá notícias a Paleontologia.
Os estudos históricos demonstram que os grupos menos agressivos foram se 
aproximando cada vez mais, e passaram a se juntar em torno de templos e outros lugares 
considerados sagrados, para a celebração de eventos festivos e religiosos. Em decorrência 
desses encontros, começou a ganhar espaço a concepção de trocarem, uns com os outros 
aqueles bens que lhes eram desnecessários ou excedentes.
E foi assim que surgiu o que podemos considerar a forma embrionária do comércio: a 
troca direta.
Mas as negociações realizadas pela simples troca eram muito limitadas. O possuidor 
de determinado produto tinha de encontrar alguém que detinha aquele outro bem de que ele 
precisava, na qualidade e na quantidade desejada. Porém, havia o problema em determinar o 
valor dos bens a serem trocados.
Era preciso, portanto, achar um meio que permitisse uma facilitação nas trocas e 
simplificasse o cálculo das mercadorias a serem trocadas, ou seja, algo que fosse tanto um 
instrumento de troca e medida comum de valor, além de ser facilmente transportável.
Não demorou muito para que tal elemento, chamado moeda, surgisse.
Desde que surgiu a moeda, mesmo em sua forma rudimentar e primitiva, medindo 
e determinando valores, sobrepondo a troca direta, iniciou-se uma nova atividade: a dos 
intermediários entre o produtor e o consumidor, ou seja, a atividade do comerciante, cujo 
trabalho passou a ser exercido habitualmente, com intuito de lucro.
Na Idade Antiga, povos primitivos, como os fenícios, destacaram-se pelo exercício da 
atividade comercial, porém sem poder ainda falar-se na existência de um direito comercial, 
com regras e princípios próprios.
IMP
OR
TAN
TE! �
Caro(a) acadêmico(a)! Rodrigues (2004, p. 15) explica sobre o 
assunto:
O comércio desenvolveu-se em larga escala entre 
as civilizações primitivas, mas, a despeito disso, 
não se pode afirmar, pela escassez de elementos 
históricos, haver nas remotas sociedades um direito 
autônomo, com princípios, normas e institutos 
sistematizados, voltado à regulamentação da 
atividade mercantil.
UNIDADE 1 TÓPICO 1 5
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
Foi durante a Idade Média, contudo, que o comércio já atingira um nível mais avançado, 
e já era uma característica de praticamente todos os povos. É neste período da história que 
se costuma apontar o surgimento do Direito Comercial, juntamente com o renascimento das 
cidades (burgos) e, principalmente, do comércio marítimo. Surgem as chamadas Corporações 
de Ofício, que logo assumiram relevante papel na sociedade da época, conseguindo obter, 
inclusive, uma certa autonomia em relação à nobreza feudal.
Esta primeira fase do Direito Comercial compreende os usos e costumes mercantis, 
observados na disciplina das relações jurídico-comerciais. E na elaboração deste direito não 
havia ainda nenhuma participação do Estado. Cada corporação tinha seus próprios usos e 
costumes, e os aplicava através de cônsules, que eram os magistrados escolhidos/eleitos 
pelos próprios associados para reger as relações entre os seus membros. Daí por que alguns 
autores usam a expressão “codifi cação privada” do Direito Comercial.
FONTE: Adaptado de: <http://conhecendodireitos.blogspot.com.br/2011/11/direito-comercial-ou-direito.
html>. Acesso em: 18 fev. 2013.
IMP
OR
TAN
TE! �
Ainda sobre a primeira fase do Direito Comercial, Requião (2003, p. 
10-11) esclarece:
É nessa fase histórica que começa a se cristalizar o 
Direito Comercial, deduzido das regras corporativas 
e, sobretudo, dos assentos jurisprudenciais das 
decisões dos cônsules, juízes designados pela 
corporação para, em seu âmbito, dirimirem as 
disputas entre comerciantes. Diante da precariedade 
do direito comum para assegurar e garantir as 
relações comerciais, fora do formalismo que o direito 
romano remanescente impunha, foi necessário, de 
fato, que os comerciantes organizados criassem 
entre si um direito costumeiro, aplicado internamente 
na corporação por juízes eleitos pelas suas 
assembleias: era o juízo consular, ao qual tanto deve 
a sistematização das regras do mercado. 
Outra característica marcante desta fase inicial do Direito Comercial é o seu caráter 
subjetivista, ou seja, era o direito dos membros das corporações. Comentando o assunto, Coelho 
(2003, p.13) assim se manifesta: “Resultante da autonomia corporativa, o Direito Comercial de 
entãose caracteriza pelo acento subjetivo e somente se aplica aos comerciantes associados à 
corporação. [...] Adota-se, assim, um critério subjetivo para defi nir seu âmbito de incidência”. 
Desse modo, era necessário que uma das partes de determinada relação fosse 
comerciante para que fosse a mesma disciplinada pelo Direito Comercial - ius mercatorum -, 
em detrimento dos demais direitos. 
UNIDADE 1TÓPICO 16
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
As fontes do ius mercatorum eram os estatutos das corporações mercantis, o 
costume mercantil e a jurisprudência da cúria dos mercadores. [...] O costume 
nascia da constante prática contratual dos comerciantes: as modalidades 
consideradas vantajosas convertiam-se em direito; as cláusulas contratuais 
transformavam-se, uma vez generalizadas, no conteúdo legal dos contratos. Por 
último, os comerciantes designados pela corporação compunham os tribunais 
que decidiam as controvérsias comerciais. (GALGANO, 1990, p. 40).
Sobre o ius mercatorum, Galgano (1990, p. 39) muito bem destaca:
O ius mercatorum nasce, portanto, como um direito diretamente criado pela 
classe mercantil, sem a mediação da sociedade política; nasce como um 
direito imposto em nome de uma classe, e não em nome da comunidade 
no seu conjunto. É imposto aos eclesiásticos, aos nobres, aos militares, aos 
estrangeiros. Pressuposto da sua aplicação é o mero fato de se haverem 
estabelecido relações com um comerciante.
Por fi m, é interessante notar a revolução que o Direito Comercial, nesta fase, provocou 
na doutrina contratualista, rompendo com a teoria contratual, até o momento disciplinada 
pelo direito romano. Isto ocorreu em Roma, com os ideais de segurança e estabilidade da 
classe dominante, atrelando o contrato ao instituto da propriedade. O contrato era apenas 
um instrumento através do qual se adquiria ou se transferia a propriedade de uma coisa.
FONTE: Adaptado de:<pt.scribd.com/.../Andre-Luiz-Santa-Cruz-Ramos-Direito-Empresarial-...>.Acesso 
em: 18 fev. 2013.
Esta concepção de estabilidade das relações jurídicas pelo contrato, inerente ao direito 
romano, obviamente, entrava em choque com os ideais da classe mercantil em ascensão, 
que tinha preferência oposta, ou seja, pela mudança, pela instabilidade, ganhando espaço o 
princípio da liberdade na forma de celebração dos contratos.
DIC
AS!
Estimado (a) acadêmico(a)!
Após tanta informação, para descansarmos um pouco, convido-o(a) 
para assistir a um fi lme chamado “O Mercador de Veneza”, lançado no 
ano de 2004 e estrelado pelo ator Al Pacino. Este está baseado numa 
peça de William Shakespeare que foi escrita entre os anos de 1594 
e 1597 e retrata muito bem a primeira fase do Direito Comercial.
Vale a pena ver!
UNIDADE 1 TÓPICO 1 7
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
Com o fim do período medieval, surgem no cenário geopolítico mundial os grandes Estados 
Nacionais Monárquicos que, representados na figura do monarca absoluto, vão submeter os 
seus súditos, incluindo a classe dos comerciantes, a um direito posto através do controle estatal 
das relações comerciais, que outrora eram reguladas por parte dos próprios mercadores, através 
das corporações de ofício e seus juízos consulares.
Tal assim foi que, em 1804 e 1808, respectivamente, foram editados na França o Código 
Civil e o Código Comercial, inaugurando assim a segunda fase do Direito Comercial, marcado 
por um sistema jurídico estatal destinado a disciplinar as relações jurídico-comerciais.
IMP
OR
TAN
TE! �
Prezado(a) acadêmico(a)!
Sobre este período da história do comércio, Galgano (1990, p. 43) 
relata que: “A classe mercantil deixa de ser artífice do seu próprio 
direito. O Direito Comercial experimenta uma dupla transformação: 
o que foi direito de classe transforma-se em direito do Estado; o que 
foi direito universal converte-se em direito nacional”.
A codificação napoleônica divide claramente o direito privado: de um lado, o Direito Civil, 
regido pelo Código Civil, um corpo de leis que atendia aos interesses da burguesia fundiária, 
pois estava centrado no direito de propriedade; e de outro, o Direito Comercial, regulado pelo 
Código Comercial, que seguia o espírito da burguesia comercial e industrial, valorizando a 
riqueza mobiliária.
A divisão do direito privado em duas grandes partes cria a necessidade de estabelecimento 
de um critério que delimitasse a incidência de cada uma destas legislações nas diversas relações 
ocorridas no dia a dia dos cidadãos. Para tanto, criou-se a Teoria dos Atos de Comércio, que 
tinha como atribuição principal aplicar as normas do Código Comercial a quem praticasse os 
denominados “atos de comércio”.
Por outro lado, não envolvendo a relação jurídica à prática destes atos, seria ela regida 
então pelas normas do Código Civil. 
2.1 A CODIFICAÇÃO NAPOLEÔNICA E A
 TEORIA DOS ATOS DE COMÉRCIO
UNIDADE 1TÓPICO 18
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
DIC
AS!
 Caro(a) acadêmico(a)! Como sugestão de leitura, 
para maior aprofundamento do tema convido à 
leitura da obra: 
COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de direito 
comercial. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. 
A partir da página 7, o autor retrata de modo claro 
e sucinto essas mudanças ocorridas no Direito 
Comercial, no início do século XIX, na França, 
o que acabou originando a divisão do direito 
privado em dois códigos: o Código Civil e o Código 
Comercial (Code de Commerce). 
Contudo, o sistema francês passou a apresentar deficiências, uma vez que trazia 
dificuldades ao intérprete da lei, ao avaliar a aplicabilidade do Direito Comercial ou do Direito Civil no 
caso concreto, até pela própria ausência de uma definição satisfatória do que são atos de comércio.
 
Ademais, outras atividades econômicas, tão importantes quanto o comércio, não se 
encontravam na enumeração legal dos atos de comércio. Algumas delas desenvolveram-se 
posteriormente, como, por exemplo, a prestação de serviços.
Há ainda outras delas, como bem atesta Coelho (2003, p. 15-16):
A exclusão da negociação de imóveis do âmbito de incidência do Direito Comercial 
pelo Code de Commerce - que não se reproduz em outras legislações adeptas da 
Teoria dos Atos de Comércio, a exemplo do código italiano de 1882, é, por vezes, 
relacionada a um caráter sacro de que se revestiria a propriedade imobiliária ou 
pela tardia distinção entre circulação física e econômica dos bens. Porém, esta 
exclusão só pode ser satisfatoriamente explicada à luz de considerações políticas 
e históricas, ou seja, a partir da necessidade de a burguesia francesa preservar 
a sua identidade na luta contra o feudalismo.
Outro problema detectado na época, em virtude da aplicação da Teoria dos Atos de 
Comércio, referia-se aos chamados atos mistos, ou seja, aqueles que eram comerciais para apenas 
uma das partes (na venda de produtos aos consumidores, por exemplo, o ato era comercial para 
o comerciante vendedor e civil para o consumidor adquirente). Nestes casos, aplicavam-se as 
normas do Código Comercial para a solução de eventual litígio. Por esta razão, alguns estudiosos 
denunciaram o retorno ao corporativismo do direito mercantil, como na época de vigência das 
chamadas corporações de ofício, fazendo o cidadão se submeter às normas distintas em razão, 
simplesmente, da qualidade da pessoa com quem contratava.
Apesar da existência de tais críticas, a teoria francesa dos atos decomércio foi adotada 
por quase todas as codificações mercantis modernas, inclusive a do Brasil, através do Código 
Comercial de 1850.
Contudo, em virtude do modelo francês não abranger atividades econômicas tão ou 
UNIDADE 1 TÓPICO 1 9
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
mais importantes que o comércio de bens, tais como: a prestação de serviços, a agricultura, 
a pecuária e a negociação imobiliária. Tal fato fez surgir um novo critério, mais de cem anos 
após a edição dos códigos napoleônicos e em plena Segunda Guerra Mundial.
2.2 O CÓDIGO CIVIL ITALIANO DE 1942 E
 A TEORIA DA EMPRESA
Em 1942, a Itália editou um novo Código Civil, trazendo um novo sistema delimitador 
da incidência do regime jurídico comercial: a teoria da empresa.
 Além disso, o Código Civil Italiano promoveu uma unificação formal do direito privado, 
disciplinando, em uma única lei, as relações civis e comerciais. O Direito Comercial entrou, 
assim, na sua terceira fase, passando a adotar o conceito da empresarialidade.
Na teoria da empresa, o Direito Comercial não se limita a regular apenas as relações 
jurídicas em que ocorra a prática de um determinado ato definido em lei como ato de comércio, 
ou com alguns atos, mas com uma forma específica de exercer uma atividade econômica: a 
forma empresarial.
Vejamos ainda o ensinamento de Bulgarelli (2000, p. 19): “Nos dias que correm, 
transmudou-se (o Direito Comercial) de mero regulador dos comerciantes e dos atos de 
comércio, passando a atender à atividade sob a forma de empresa, que é o atual fulcro do 
Direito Comercial”.
Assim, restou superada a dificuldade existente na teoria francesa, passando a teoria da 
empresa a enquadrar qualquer atividade econômica, desde que exercida profissionalmente e 
destinada a produzir ou fazer circular bens ou serviços.
2.3 O DIREITO COMERCIAL NO BRASIL
No Brasil Colônia, o Direito Comercial Brasileiro estava intrinsecamente ligado ao 
Direito Português. Foi somente em 18 de agosto de 1769, através da edição da Lei da Boa 
Razão, que foi permitida a aplicação de leis e normas de nações cristãs para resolver litígios 
de natureza mercantil.
Assim, ao longo da história brasileira, o ramo do Direito Empresarial já recebeu três 
diferentes denominações: 
UNIDADE 1TÓPICO 110
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
1- Direito Mercantil: sendo o primeiro nome usado a partir de 1553, quando surgiu a primeira 
obra sobre o assunto, através dos jesuítas. 
 
2 - Direito Comercial: foi o segundo, adotado a partir da publicação da Lei nº 556, de 25 de 
junho de 1850, qual seja, o Código Comercial Brasileiro.
3 - Direito Empresarial: seu nome atual, que passou a ser empregado mediante a publicação 
da Lei nº 10.406, em 10 de janeiro de 2002, o atual Código Civil, que revogou a Primeira Parte 
(Arts. 1º a 456) do Código Comercial. 
Assim, o Código Civil de 2002 unifica parcialmente o Direito Comum e o Direito 
Comercial, da mesma forma que o Código Civil Italiano, trazendo em seu âmago o denominado 
“Direito de Empresa”. 
Quanto à denominação no Brasil, de uma forma bem resumida podemos afirmar que, 
ao longo da história, o Direito Empresarial já recebeu três diferentes denominações:
FIGURA 1 - DENOMINAÇÕES DO DIREITO COMERCIAL
FONTE: O autor 
UNIDADE 1 TÓPICO 1 11
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
LEITURA COMPLEMENTAR
DIREITO EMPRESARIAL
Luiz Braz Mazzafera
Pela primeira vez, de certa feita, dois seres humanos trocaram bens entre si. Nessa 
primeira troca, observam-se claramente dois aspectos: um social e outro econômico. O aspecto 
social decorre da utilização mútua dos objetos permutados, e o econômico, o primeiro passo 
dado no sentido de fazer circular riquezas. Da generalização desse hábito de permutar bens 
nasceu a economia de troca ou escambo.
Nos primórdios da fundação de Roma, cidade que virá a tornar-se um dos grandes 
centros do poder e da cultura da humanidade, o comércio era proibido aos cidadãos. Já ao 
tempo de Numa, os comerciantes se uniam em corporações, embora a agricultura continuasse 
a ser considerada profissão honrosa do cidadão romano.
A evolução impôs, por final, o conceito Commercium est emendi vendedique invicem 
jus (o comércio é o direito de comprar e vender mutuamente). O desenvolvimento do comércio 
deveu-se inequivocamente ao surgimento da moeda, porque, com seu uso, as riquezas 
começaram a circular muito mais rapidamente e o transporte de moedas é muito mais simples 
e prático do que transportar mercadorias para troca.
Nasceu, assim, a economia de mercado, e com ela a figura do comerciante, que se coloca 
entre o produtor e o consumidor, ou seja, torna-se aquele que compra e vende mercadorias e 
de cujas diferenças de valores atinge seu objetivo: o lucro.
 
A palavra comércio tem sua origem no latim, composta de cum (preposição) e de merx 
(substantivo), de onde, comércio, comerciar, comercial e comerciante.
A economia de mercado referida, cada vez mais ágil e dinâmica, passa a exigir proteção 
àqueles que dela participavam. Surgem, então, as regras, obrigações, direitos e penalidades 
e, como seria natural, o Direito Comercial.
 
Com todo este lastro histórico, chegamos à Idade Média, quando, então, o Direito 
Comercial floresce, notadamente na Itália. A maioria dos autores acorda que nesta época 
se encontram os primórdios, as origens reais, dos títulos de crédito, quando, em face dos 
riscos decorrentes dos roubos durante o transporte de dinheiro e de outros valores, surge a 
necessidade da transferência desse encargo a terceiros.
Significa isso a troca (câmbio) de dinheiro presente (pecúnia proesenti), no ato, com 
dinheiro ausente, futuro (pecúnia absenti) e, nessa troca de valor presente com o valor futuro, era 
UNIDADE 1TÓPICO 112
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
essencial a existência de uma distância entre os locais da entrega e do recebimento (distancia 
loci). Sem esta distância, que necessariamente implicava risco, o câmbio era considerado um 
empréstimo usurário e, como tal, condenado pelas leis eclesiásticas.
Em 1808 começa a vigorar o Código de Napoleão e, posterior a ele, firma-se o 
Liberalismo Econômico, segundo o qual até pessoas não comerciantes podiam responder 
judicialmente por atos de comércio.
Finalmente, vamos nos referir ao que já é uma aceitação unânime, ou seja, não 
mais falar-se em Direito Comercial e sim em Direito Empresarial, denominação muito mais 
abrangente, uma verdadeira imposição de nosso tempo.
Exige-se, hoje, a inclusão, entre as atribuições decorrentes do exercício do comércio 
e da indústria, de obrigações pertinentes às leis do trabalho, da previdência social, da saúde 
do transporte, do seguro, etc.
Fala-se, então, no Direito Empresarial, o qual abrange as disciplinas de Direito 
Comercial, de Direito Tributário, de Direito Previdenciário, estendendo-se até parte do Direito 
Civil, notadamente no capítulo dos contratos e da insolvência civil.
No sistema em que se vive, sistema capitalista, a parte central da atividade econômica 
é ocupada pela empresa, e nela fulgura oempresário, cujo objetivo principal é o lucro. Com 
este lucro, o empresário faz reaplicações e reinvestimentos geradores de mais empregos, mais 
arrecadação de impostos, maior e melhor consumo através da livre concorrência, resultando 
isto tudo, como consequência, na melhoria de vida da população.
Em resumo, o verdadeiro empresário é um decisivo fator de progresso e bem-estar 
social, cabendo-lhe, ainda, o inteiro risco por todas as iniciativas tomadas. Aliás, saliente-se, 
o risco lhe é inerente, pois que, nas atividades comerciais e industriais, é o empresário o único 
cidadão contemplado com a falência. 
 
Dentro desta concepção, mercê, portanto, ao verdadeiro empresário, todo respeito pelo 
patriótico trabalho que desempenha. 
FONTE: MAZZAFERA, Luiz Braz. Notas introdutórias do Capítulo I. In: Curso básico de Direito 
Empresarial. Bauru: EDIPRO, 2003. 
UNIDADE 1 TÓPICO 1 13
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico você viu que:
• O Direito Empresarial de hoje, na forma adotada pelo Direito brasileiro, é originado de uma 
evolução histórica, marcada por três fases:
• A primeira fase atingiu o seu auge na Idade Média, com o surgimento do D ireito Comercial, 
juntamente com o renascimento das cidades e principalmente do comércio marítimo, quando 
surgiram as chamadas Corporações de Ofício.
• A segunda fase, tendo como marco inicial os anos de 1804 e 1808, quando, respectivamente, 
foram editados na França o Código Civil e o Código Comercial, um sistema jurídico estatal 
destinado a disciplinar as relações jurídico-comerciais.
• A terceira fase, que iniciou em 1942, na Itália, com a edição de um novo Código Civil, 
trazendo a teoria da empresa, unindo formalmente o direito privado, disciplinando, em uma 
única lei, as relações civis e comerciais.
UNIDADE 1TÓPICO 114
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
AUT
OAT
IVID
ADE �
Considerando a Leitura Complementar ao final deste tópico, respondam em grupo às 
seguintes questões:
1 Explique os aspectos social e econômico das primeiras trocas de objetos.
2 Como nasceu a economia de mercado?
3 Por que se diz que o desenvolvimento do comércio deveu-se inequivocamente ao 
surgimento da moeda?
4 O que poderá ser apontado atualmente como o foco da atividade econômica?
5 Aponte o principal objetivo da atividade do empresário. 
6 Explique a afirmação do autor de que “o verdadeiro empresário é um decisivo fator de 
progresso e bem-estar social”.
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL E 
EMPRESÁRIO
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 2
Com a publicação do Código Civil Brasileiro em 2002, não mais se utiliza a denominação 
“Direito Comercial”, mas sim “Direito Empresarial”. Neste tópico estudaremos o conceito deste 
importante ramo do Direito Civil e também as condições necessárias para ser empresário. 
Também serão analisadas neste tópico as quatro condições para caracterizar o 
empresário, as quais são:
● O exercício de atividade econômica.
● Atividade organizada.
● Profissionalismo 
● A finalidade do lucro.
Vamos em frente?
UNIDADE 1
2 CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL
O Direito Empresarial é um ramo do Direito Privado que “disciplina sobre a vida do 
empresário e das empresas, com nova estrutura aos diversos tipos de sociedades empresariais 
contidas no novo Código Civil”. (OLIVEIRA, 2003, p. 111).
Assim, o Direito Empresarial é um ramo do Direito Privado que consiste de um conjunto 
de normas referentes à pessoa do empresário, seja ele individual ou coletivo, disciplinando sua 
UNIDADE 1TÓPICO 216
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
atividade, economicamente organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços, 
de forma a atender ao mercado consumidor.
3 O EMPRESÁRIO 
Como o Direito Empresarial é relativo à pessoa do empresário, abordaremos a 
seguir os principais aspectos a ela relacionados e relevantes para melhor estudo do Direito 
Empresarial. 
3.1 CONCEITO DE EMPRESÁRIO 
Na nova modalidade legislativa adotada pelo D ireito brasileiro, sempre que alguém 
explora atividade econômica privada para habitual exercício da produção ou circulação de 
bens ou de serviços, é considerado um empresário. Este exerce sua atividade através do 
estabelecimento comercial ou industrial, do qual é o titular e no qual se encontram os bens 
para o seu comércio ou para sua indústria. 
Contudo, para o empresário exercer sua atividade é preciso um mínimo de organização 
dos fatores da produção de bens ou de serviços para o mercado em geral. 
IMP
OR
TAN
TE! �
Vejamos o conceito dado pelo Artigo 966 do Código Civil Brasileiro: 
“Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade 
econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de 
serviços”.
Em decorrência do conceito dado pelo código civilista, são identificadas quatro condições 
para caracterizar o empresário:
1. Exercício de atividade econômica: consiste na geração de riqueza através da produção 
e circulação de bens ou serviços. A sua função essencial é a de produzir bens ou serviços 
para atender ao mercado de consumo.
2. Atividade organizada: o empresário é aquele que organiza a empresa, articulando os três 
UNIDADE 1 TÓPICO 2 17
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
fatores da produção: capital, trabalho e tecnologia. Neste entendimento, considera-se que 
alguém dirige e ordena o trabalho próprio ou de terceiras pessoas e organiza bens de 
capital, que também podem ser próprios ou de terceiros, para exercer determinada atividade 
econômica.
3. Profi ssionalismo: é o exercício da atividade econômica de forma habitual, de forma pessoal 
ou por sua conta, com o objetivo de lucro. Pessoas que agem em nome do empresário são 
apenas seus prepostos ou auxiliares.
4. Finalidade do lucro: a fi nalidade do lucro é o quarto elemento do conceito de empresário. 
O Código Civil menciona apenas atividade econômica, sem referir-se expressamente ao 
objeto lucrativo. No entanto, interpretando-se sistematicamente o Código Civil, verifi ca-se 
que a atividade econômica signifi ca, na realidade, atividade com fi m lucrativo.
FONTE: Adaptado de: <www.cursomarcato.com.br/admin/mod.../oempresrionocdigocivil.do...>. Acesso 
em: 19 fev. 2013.
Portanto, o empresário é aquele que exerce profi ssionalmente atividade econômica 
organizada, através do estabelecimento empresarial, para o efetivo exercício da produção ou 
circulação de bens ou de serviços. Ou seja, é o titular da empresa, que possui a iniciativa da 
sua criação e que a dirige, correndo o risco inerente à atividade empresarial.
FIGURA 2 - CONDIÇÕES PARA CARACTERIZAÇÃO DO EMPRESÁRIO
FONTE: O autor (2012), com base na legislação. 
Do conceito de empresário são excluídos aqueles que exercem profi ssão intelectual, 
de natureza científi ca, literária ouartística, ainda com o auxílio de colaboradores, salvo se o 
exercício da profi ssão constituir elemento de empresa, conforme determina o parágrafo único 
do art. 966, a saber:
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profi ssão intelectual, de 
natureza científi ca, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, 
salvo se o exercício da profi ssão constituir elemento de empresa.
UNIDADE 1TÓPICO 218
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
Desta forma, o legislador estabelece que os que exercem atividade econômica de 
natureza intelectual não são considerados empresários, como, por exemplo, os profissionais 
liberais.
3.2 REQUISITOS PARA A CARACTERIZAÇÃO 
 DO EMPRESÁRIO
Além do exercício da atividade econômica organizada, do profissionalismo e do fato 
de visar ao lucro, há o requisito da inscrição do empresário no Registro Público de Empresas 
Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais, o qual o próprio Código Civil determina a observância 
desta regra.
IMP
OR
TAN
TE! �
Vejamos o art. 967 do Código Civil: É obrigatória a inscrição do 
empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva 
sede, antes do início de sua atividade.
Essa inscrição concede o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado ou do 
próprio Distrito Federal, conforme determina o art. 1.166 do CC: A inscrição do empresário, ou 
dos atos constitutivos das pessoas, ou as respectivas averbações, no registro próprio, 
asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado.
Assim, antes de iniciar a atividade empresarial, é obrigatória a inscrição, que é feita 
na sede do órgão responsável pela inscrição, notadamente no Estado onde está a sede da 
empresa, mediante requerimento que contenha:
1. o seu nome, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o regime de bens;
2. a firma, com a respectiva assinatura;
3. o capital;
4. o objeto e a sede da empresa.
O artigo 971 do Código Civil garante tratamento favorecido, diferenciado e simplificado 
ao empresário rural e ao pequeno empresário (art. 971 do CC). 
UNIDADE 1 TÓPICO 2 19
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
Por sua vez, o empresário individual que deseja abrir uma filial, sucursal ou agência em 
outro Estado da Federação ou no Distrito Federal, deverá também, primeiramente, providenciar 
a averbação no respectivo Registro Público de Empresas Mercantis daquela jurisdição.
UNI
É o que determina o artigo 969 do Código Civil e seu parágrafo único: 
O empresário que instituir sucursal, filial ou agência, em lugar sujeito 
à jurisdição de outro Registro Público de Empresas Mercantis, neste 
deverá também inscrevê-la, com a prova da inscrição originária.
Parágrafo único: Em qualquer caso, a constituição do estabelecimento 
secundário deverá ser averbada no Registro Público de Empresas 
Mercantis da respectiva sede. (BRASIL, 2013).
Agora que você já entendeu as condições para que alguém seja considerado empresário, 
vamos conhecer as espécies de empresário que existem em nosso ordenamento: empresário 
individual e empresários reunidos na forma de sociedade de pessoas, a qual denominamos 
de sociedade empresária.
3.3 TIPOS DE EMPRESÁRIO
No Direito Empresarial Brasileiro há dois tipos de empresários:
1 Empresário Individual.
2 Empresário na forma de sociedade de pessoas (sociedade empresária).
Como mencionamos acima, no Direito Empresarial Brasileiro há dois tipos de empresários:
 O empresário individual: que é representado pela pessoa física, através de seu nome 
civil, completo ou abreviado. Quando for uma pessoa física, o empresário deverá ter plena 
capacidade civil e estar legalmente livre para praticar atividades empresariais. 
O segundo tipo de empresário é o organizado na forma de sociedade de pessoas 
(sociedade empresária). Quando se tratar de uma sociedade de pessoas, os atos empresariais 
serão praticados em nome da pessoa jurídica. 
UNIDADE 1TÓPICO 220
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
Vejamos cada um destes tipos, em separado.
3.4 EMPRESÁRIO INDIVIDUAL
Como visto, o empresário é a pessoa que organiza uma atividade econômica a fi m de 
produzir ou fazer circular bens ou serviços. Contudo, tal exercício realizado na pessoa física, 
de forma única e exclusiva, recebe o nome de “individual”.
Portanto, o empresário individual é a própria pessoa física, que utiliza o seu próprio 
nome no exercício de sua atividade empresarial. 
IMP
OR
TAN
TE! �
É o que determina o art. 1.156 do Código Civil: 
O empresário opera sob fi rma constituída por seu 
nome completo ou abreviado, aditando-lhe, se quiser, 
designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero 
de atividade. (BRASIL, 2013). 
Por outro lado, “fi rma” é o nome que este empresário adota para ser conhecido na sua 
atividade empresarial. Em consequência, a fi rma individual utilizada pela pessoa física em 
seu estabelecimento empresarial não pode ser diferente da forma de seu nome civil. 
Portanto, denomina-se o empresário individual a pessoa física capaz, que atua em seu 
próprio nome civil, abreviado ou completo e que explora com habitualidade (profi ssionalmente) 
atividade econômica organizada para a produção de bens ou de serviços, tendo como objetivo 
o lucro.
Contudo, a lei não considera empresário individual quem exerce profi ssão intelectual, 
de natureza científi ca, literária ou artística, ainda que com o auxílio de colaboradores, salvo 
se o exercício da profi ssão constituir elemento de empresa. 
FONTE: Adaptado de: <http://www.univercidade.br/cursos/graduacao/direito/pdf/sumulasdeaulas/
TEORIA_GERAL_DO_DIREITO_CIVIL.pdf>. Acesso em: 19 fev. 2013.
Ou seja, se esses profi ssionais constituírem uma sociedade, uma empresa para explorar 
sua atividade, como no caso de sociedade de advogados, de médicos, de engenheiros, de 
contadores, passam a ser considerados também empresários.
UNIDADE 1 TÓPICO 2 21
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
3.4.1 Composição de firma individual
O já mencionado artigo 1.156 do Código Civil permite ao empresário individual o uso 
de seu nome civil, completo ou abreviado, e, se desejar, a adição de determinado qualificativo 
que melhor o identifique, ou que realce sua atividade.
Assim, a firma, o nome pelo qual o empresário passa a ser conhecido, será sempre o 
próprio nome civil do titular da empresa, podendo adotar o nome abreviado, mas mantendo o 
sobrenome. Portanto, um empresário que se chama José dos Anzóis poderá ter como firma 
josé dos Anzóis ou j. Anzóis. Esse nome poderá, ainda, ser acrescido de uma palavra 
capaz de identificar a si próprio ou a sua atividade, especialmente nos casos em que já existir 
cadastrado na Junta Comercial um nome empresarial idêntico.
Se, por exemplo, o empresário for um indivíduo magro, poderá adotar a firma j. Anzóis, 
o magrela. Mas se for atividade de açougue, poderá utilizar na firma o nome j. Anzóis, o 
açougueiro.
IMP
OR
TAN
TE! �
O próprio parágrafo único do art. 1.163 do Código Civil determina 
que o nome de empresário individual deve ser distinto de qualquer 
outro já inscrito no mesmo registro: “Se o empresário tiver nome 
idêntico ao de outros já inscritos, deverá acrescentar designação que 
o distinga”. (BRASIL, 2013).
3.4.2 Da capacidade para a atividade de empresário
 individualPara iniciar a exploração de atividade empresarial, a capacidade da pessoa é condição 
essencial para que o negócio jurídico seja válido. Se praticado por pessoa incapaz civilmente, 
não será juridicamente válido.
UNIDADE 1TÓPICO 222
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
IMP
OR
TAN
TE! �
Assim dispõe o Art. 972 do C.C.: “Podem exercer atividade de 
empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e 
não forem legalmente impedidos”. (BRASIL, 2013).
3.4.3 Requisitos para o exercício da atividade 
 de empresário individual
De acordo com o artigo anteriormente citado, são dois os requisitos para o exercício 
da atividade empresarial:
1. Capacidade para o exercício da profissão.
2. Não estar legalmente impedido de exercer sua atividade.
 
Neste sentido, podem ser empresários aquelas pessoas que estiverem no pleno gozo 
da capacidade civil, que são os maiores de 18 anos. Em resumo: atualmente, os maiores de 
18 anos de idade, que não forem legalmente impedidos, podem ser empresários individuais.
Como a atividade empresarial implica a prática de negócios jurídicos, é fundamental 
que quem os realize esteja em pleno gozo da capacidade civil. As pessoas têm capacidade 
plena com 18 anos completos e os emancipados.
 Não têm capacidade civil os absolutamente e os relativamente incapazes, nos termos 
da legislação civil.
3.4.3.1 Absolutamente incapazes
O art. 3º do C.C. enumera os absolutamente incapazes:
São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: 
I – Os menores de dezesseis anos. 
II – Os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário 
discernimento para a prática desses atos. 
III – Os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. 
UNIDADE 1 TÓPICO 2 23
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
(BRASIL, 2013).
Por conseguinte, a lei civil não admite que o absolutamente incapaz exerça atividade 
empresarial. Contudo, há exceções à regra dada pelo artigo 974 do Código Civil:
Poderá, o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar 
a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança. 
(BRASIL, 2013).
Continua o artigo em seu parágrafo 1º:
Nos casos deste artigo, procederá autorização judicial após exame das circuns-
tâncias e dos riscos da empresa, bem como da conveniência em continuá-la, 
podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou 
representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos 
adquiridos por terceiros. (BRASIL, 2013).
 
Assim, o exercício empresarial pelo incapaz, mesmo sua continuidade da atividade antes 
exercida por ele mesmo, quando era capaz, poderá ser realizado quando autorizado por ordem 
judicial, com a assistência de seus pais, pelo autor da herança ou por representante legal. 
Contudo, ficam protegidos dos riscos da atividade empresarial os bens que o incapaz 
já possuía ao tempo da sucessão ou da interdição, nos termos do artigo 974, parágrafo 2º do 
Código Civil.
3.4.3.2 Relativamente incapazes 
O art. 4.º do Código Civil enumera os relativamente incapazes: 
São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de exercê-los: 
 
I – os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
 
II – os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência 
mental, tenham o discernimento reduzido;
III – os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; 
IV – os pródigos. (BRASIL, 2013).
As considerações descritas em relação ao absolutamente incapaz valem também para 
o relativamente incapaz.
UNIDADE 1TÓPICO 224
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
3.4.3.3 Emancipação
Antes de completar 18 anos de idade, pode o menor tornar-se plenamente capaz. É o 
que se verifica por meio da emancipação, conforme determina o artigo 5º do Código Civil, em 
seu parágrafo único:
Cessará, para os menores, a incapacidade:
I – pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instru-
mento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença 
do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos;
II – pelo casamento;
III – pelo exercício de emprego público efetivo;
IV – pela colação de grau em curso de ensino superior;
V – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de 
emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos 
tenha economia própria. (BRASIL, 2013).
 
O emancipado continua menor, mas se torna capaz para o exercício da atividade 
empresarial. Evidentemente, se o menor se estabelecer sem economia própria, necessitará 
da autorização paterna ou materna para obter a emancipação.
3.4.3.4 Dos impedimentos ao exercício da atividade 
 empresarial
O Direito Brasileiro enumera as pessoas impedidas de exercer atividades de empresário 
individual, embora sejam elas capazes. Eis algumas:
1 Os funcionários públicos, estaduais e municipais.
2 O Presidente da República.
3 O governador do Estado.
4 O prefeito.
5 Os magistrados vitalícios e membros do Ministério Público.
6 Os falidos (enquanto não forem legalmente reabilitados, tendo sido declaradas extintas todas 
as suas obrigações).
UNIDADE 1 TÓPICO 2 25
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
7 Os médicos, na exploração de farmácia.
IMP
OR
TAN
TE! �
O Código Civil, no seu art. 973, trata do assunto abordado: 
A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de 
empresário, se a exercer, responderá pelas obrigações contraídas. 
(BRASIL, 2013).
Os magistrados, quais sejam, os juízes, desembargadores e ministros dos tribunais 
superiores, não podem exercer a atividade de empresário ou participar de sociedade empresária, 
inclusive de economia mista, exceto como acionista ou cotista. Não podem, no entanto, exercer 
cargo de direção, tais como gerentes, diretores, nem serem membros de Conselho Fiscal.
Já os médicos são proibidos de exercer a profi ssão com interação ou dependência 
de farmácia, indústria farmacêutica, óptica ou qualquer organização destinada à fabricação, 
manipulação, promoção ou comercialização de produtos de prescrição médica, qualquer que 
seja sua natureza. Também não podem os médicos exercer simultaneamente a Medicina e a 
Farmácia, tal como determina a Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.931/2009.
Já os médicos são proibidos de exercer a profi ssão com interação ou dependência 
de farmácia, indústria farmacêutica, óptica ou qualquer organização destinada à fabricação, 
manipulação, promoção ou comercialização de produtos de prescrição médica, qualquer que 
seja sua natureza. Também não podem os médicos exercer simultaneamente a Medicina e a 
Farmácia, tal como determina a Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.931/2009.
FONTE: Disponível em: <www.portalmedico.org.br/notasdespachos/CFM/2012/1_2012.pdf>. Acesso 
em: 19 fev. 2013.
Os funcionários públicos não podem exercer individualmente a atividade empresarial, 
mas podem ser acionistas, cotistas ou comanditários, não podendo, em hipótese alguma, 
assumir a gerência ou a administraçãode uma sociedade. A desobediência a essa proibição 
da Lei nº 1.711, de 1952, art. 195, incisos VI e VII, não invalida os atos praticados, mas sujeita 
os infratores a penas administrativas, tais como sua demissão.
3.4.3.5 Responsabilidade do empresário individual
Conforme decisões dos tribunais, em empresas individuais a responsabilidade por 
obrigações contraídas recai sobre os patrimônios individuais dos respectivos titulares. 
UNIDADE 1TÓPICO 226
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
IMP
OR
TAN
TE! �
Vejamos a decisão do Superior Tribunal de Justiça no Acórdão proferido 
no Recurso Especial nº 227393/PR (DJ 29/11/1999): 
Tratando-se de firma individual, há identificação 
entre empresa e pessoa física, posto não constituir 
pessoa jurídica, não existindo distinção para efeito de 
responsabilidade entre a empresa e seu único sócio.
Tratando-se de empresário individual, não é possível separar sua firma de sua pessoa 
civil, para fins de responsabilidade patrimonial.
Contudo, com a edição da Lei n◦ 12.441/2011, passou a ser permitida a criação da 
Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), a qual autoriza a uma única pessoa 
física ser titular de todo o capital, devidamente integralizado.
Esse capital não poderá ser inferior a cem vezes o valor do maior salário mínimo vigente 
no país, sendo que a quantia deve estar disponível em dinheiro, bens ou direitos.
A nova modalidade jurídica restringe a responsabilidade do empresário individual ao 
capital da empresa, não comprometendo a totalidade de seu patrimônio pessoal. 
2.4.3.6 Perda da qualidade de empresário individual
Em várias situações pode cessar a qualidade de empresário singular:
1 Pela morte.
2 Pela desistência voluntária ou abandono da profissão.
3 Pela falência.
A morte, além de simbolizar o fim da vida da pessoa humana, para fins de direito também 
causa a extinção do empresário individual, tendo em vista que não pode haver a transferência 
de sua qualidade para seus herdeiros.
Por sua vez, a desistência voluntária ou abandono da profissão é causa de extinção da 
qualidade de empresário individual, justamente porque a própria pessoa física do empresário 
é a força motriz que impulsiona a atividade empresarial.
UNIDADE 1 TÓPICO 2 27
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
Por fim, a falência é uma das formas de extinção, a qual será objeto de estudo no final 
desta unidade, precisamente no Tópico 6.
UNIDADE 1TÓPICO 228
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, a respeito do Direito Empresarial, você viu que:
	Com o advento do Novo Código Civil brasileiro, não se fala mais em “Direito Comercial”, mas, 
sim, em “Direito Empresarial”, sendo este um conjunto de normas referentes à pessoa do 
empresário, seja ele individual ou coletivo.
	Para que a pessoa possa ser empresário, deve possuir capacidade civil e não estar 
legalmente impedida. Além do mais, a fim de caracterizar o empresário, há a necessidade de 
preenchimento de quatro condições básicas, tais como: o exercício de atividade econômica, 
atividade organizada, o profissionalismo e a finalidade lucratividade.
UNIDADE 1 TÓPICO 2 29
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
AUT
OAT
IVID
ADE �
Para melhor fixação do que estudamos neste tópico, classifique V para as sentenças 
verdadeiras e F para as falsas:
( ) Para ser empresário, não é necessária a inscrição na Junta Comercial.
( ) Existem limitações ao exercício da atividade empresarial.
( ) A firma é o nome pelo qual o empresário individual será conhecido.
( ) O patrimônio do empresário individual não responde por dívidas da empresa.
( ) Uma das condições para a caracterização do empresário é o profissionalismo.
( ) O lucro é o principal objetivo da atividade empresarial.
( ) A morte do empresário individual não significa a perda de sua qualidade de 
empresário individual.
( ) O empresário individual poderá acrescentar à sua firma uma designação, caso já 
exista firma igual registrada.
( ) Para que uma pessoa possa ser empresária, ela deve ter capacidade civil e não 
estar legalmente impedida de exercer esta atividade.
( ) O juiz de Direito pode ser empresário.
( ) A firma deve coincidir com o nome civil do empresário individual. 
( ) No requerimento a ser encaminhado à Junta Comercial para o registro da firma 
individual não é necessário estar apontado o valor do capital da empresa.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F – V - V – F – V – V – F – V – V – F – V – F .
b) ( ) F – V – F – V – F – F – F – V – V – F – V – F.
c) ( ) V – V – V – V – F – F – F – F – F – V - F – F .
d) ( ) F – F –F – F – V – V – V – F – F – F – V – V.
UNIDADE 1TÓPICO 230
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 3
Este tópico é dedicado às sociedades empresariais, que nascem do esforço de várias 
pessoas em nome de um objetivo comum, o lucro. Iniciaremos pelo conceito legal deste tipo 
de sociedade.
Também estudaremos como são celebrados os contratos de sociedade e os requisitos 
do contrato social, assim como o requisito essencial para que ganhe a personalidade jurídica.
Vamos aos estudos!
UNIDADE 1
2 CONCEITO
Sobre as sociedades empresariais, determina o artigo 981 do Código Civil: 
Celebram contrato de sociedade as pessoas que, reciprocamente, se obrigam a 
contribuir com bens ou serviços para o exercício de atividade econômica e a partilha, 
entre si, dos resultados. (BRASIL, 2013).
Da leitura deste dispositivo legal podemos afirmar que uma sociedade empresarial 
se forma quando duas ou mais pessoas se reúnem com o propósito de combinarem esforços 
e bens, objetivando repartir entre si os proveitos obtidos. Para alcançarem seus objetivos, 
exercem atividade de natureza econômica, voltada para a produção e circulação de bens ou 
para a prestação de serviços.
Para uma sociedade ganhar personalidade jurídica é necessária a inscrição de seu 
contrato ou estatuto social (ato constitutivo) no registro que lhe é peculiar.
UNIDADE 1TÓPICO 332
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
Todas as sociedades que possuem seu ato constitutivo inscrito no órgão competente 
são reconhecidas pelo ordenamento jurídico como sujeitos de direito e equiparadas às pessoas 
físicas. 
3 CONSTITUIÇÃO DE UMA SOCIEDADE
Uma sociedade, na forma empresarial ou simples, é constituída mediante contrato social.
IMP
OR
TAN
TE! �
Prezado(a) acadêmico(a)! Segundo o artigo 997 do Código Civil:
“A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou 
público. [...]”. (BRASIL, 2013).
O contrato social, por sua vez, deve conter, necessariamente, as seguintes cláusulas:
I – nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se 
pessoas naturais, e a firma ou denominação, nacionalidade e sede dos sócios, 
se jurídicas;
II – denominação, objeto, sede e prazo dasociedade;
III – capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo 
compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária;
IV – quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la;
V – prestações a que se obriga o sócio cuja contribuição consista em serviços;
VI – pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, bem como 
seus poderes e atribuições;
VII – a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas;
VIII – se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações 
sociais. 
(BRASIL, 2013).
A sociedade somente adquire personalidade jurídica (sujeito de direitos) quando seu 
contrato social estiver arquivado nos registros próprios.
UNIDADE 1 TÓPICO 3 33
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
4 DISTINÇÃO ENTRE SOCIEDADE E ASSOCIAÇÃO
Uma sociedade empresária é formada por duas ou mais pessoas, que se comprometem a 
juntar capital ou trabalho para a realização de um fim lucrativo. Seu objetivo é, po r tan to , 
econômico. Por outro lado, a lei prevê também a sociedade sem fins lucrativos ou econômicos. 
São as chamadas associações.
IMP
OR
TAN
TE! �
Conforme o artigo 53 do Código Civil:
 Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem 
para fins não econômicos. (BRASIL, 2013).
Mesmo não tendo finalidade lucrativa, nada impede que uma associação de caráter 
cultural, ou altruísta, mantenha uma atividade econômica apenas para sobreviver.
A questão está na destinação dos lucros, ou seja, na associação os lucros são destinados 
à consecução dos objetivos ideais dos associados. Na sociedade empresária, por sua vez, os 
lucros são repartidos entre os sócios.
A sociedade, assim como a associação, tem início com a inscrição dos seus atos 
constitutivos no órgão correspondente.
5 SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS
Aquelas sociedades que não possuem seu contrato inscrito (depositado) no Registro 
Público competente são chamadas de não personificadas. São exemplos: as sociedades em 
comum ou por conta de participação que, por consequência, não são pessoas jurídicas.
Essa publicidade decorrente da sua inscrição no órgão competente é para que terceiros 
tomem conhecimento de sua existência, do grau de responsabilidade dos sócios e do conteúdo 
do seu contrato social.
UNIDADE 1TÓPICO 334
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
IMP
OR
TAN
TE! �
Por isso, o art. 987 do Código Civil determina: “Os sócios, nas relações 
entre si ou com terceiros, somente por escrito podem provar a 
existência da sociedade, mas os terceiros podem prová-la de qualquer 
modo”. (BRASIL, 2013). 
Além disso, as sociedades não personificadas estão impossibilitadas de participar de 
licitações, nas modalidades de concorrência pública (Lei nº 8.666/93). E mais: não é permitido 
a ela contratar com o poder público (CF, art.195, & 3º), abrir conta bancária, ter patrimônio em 
seu nome etc.
5.1 ESPÉCIES DE SOCIEDADES NÃO 
 PERSONIFICADAS 
 São duas as espécies de sociedades não personalizadas: 
 
● Sociedade em comum: é a sociedade irregular ou de fato, cuja principal consequência de 
sua existência é a responsabilidade ilimitada das pessoas físicas/jurídicas dos sócios pelas 
obrigações sociais, sendo que os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial, do 
qual os sócios são titulares em comum. Além do mais, todos os sócios respondem solidária 
e ilimitadamente pelas obrigações sociais.
● Sociedade em conta de participação: numa sociedade em conta de participação, conforme 
artigo 990 do Código Civil, sua constituição independe de qualquer formalidade e pode provar-se 
por todos os meios de direito, sem contar que o contrato social produz efeito somente entre os 
sócios e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade 
jurídica à sociedade.
A sociedade em conta de participação constitui-se de duas ou mais pessoas, uma delas, 
necessariamente, em cujo nome girarão os negócios, também denominada de sócio ostensivo, 
que aparece perante terceiros como empresário. O outro sócio é o oculto, que não aparece nem 
trata com terceiros. Toda a responsabilidade pelos negócios é do sócio ostensivo.
UNIDADE 1 TÓPICO 3 35
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
IMP
OR
TAN
TE! �
Como determina o artigo 991 do Código Civil: na sociedade em conta 
de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida 
unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua 
própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos 
resultados correspondentes. 
(BRASIL, 2013).
“A falência do sócio ostensivo acarreta a dissolução da sociedade e a liquidação da 
respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quirografário”. (BRASIL, 2013).
6 SOCIEDADES PERSONIFICADAS
O surgimento das primeiras sociedades foi em decorrência da evolução histórica do 
empresário individual, tendo em vista a necessidade do agrupamento de comerciantes com a 
finalidade de enfrentar a concorrência.
Com a evolução dos conceitos, as sociedades passaram também a adquirir personalidade 
jurídica, pelo registro do seu ato constitutivo (contrato social) no órgão público competente, 
sendo, portanto, um sujeito de direito.
As sociedades que possuem seu ato constitutivo devidamente inscrito no órgão 
competente são chamadas de sociedades personificadas.
Há duas espécies de sociedades personificadas:
1 A sociedade simples.
2 A sociedade empresária.
6.1 SOCIEDADE SIMPLES
O art. 982 do Código Civil Brasileiro faz a delimitação entre as sociedades empresárias 
e as sociedades simples: salvo as exceções expressas, considera-se empresária a 
sociedade que tem por objetivo o exercício de atividade própria de empresário sujeita 
a registro (art. 967); e, simples, as demais. (BRASIL, 2013).
UNIDADE 1TÓPICO 336
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
Portando, a sociedade empresária é a pessoa jurídica que exerce, profissionalmente, 
atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. Porém, 
deve, antes do início de sua atividade, ter obrigatoriamente inscrito seus atos constitutivos no 
Registro Público competente.
Já as sociedades simples não são estruturadas empresarialmente e decorrem das 
antigas sociedades civis que visam ao lucro.
Sobre as sociedades simples, assim explica Fiúza (2004, p. 888):
A sociedade simples é aquela constituída para o exercício de atividades que 
não sejam estritamente empresariais, como ocorre nos casos das atividades 
rurais, educacionais, médicas ou hospitalares, de exercício de profissões 
liberais nas áreas de engenharia, arquitetura, ciências contábeis, consultoria, 
auditoria, pesquisa científica, artes, esportes e serviço social. 
 
Inclusive, de acordo com o que determina o artigo 1150 do Código Civil, o registro da 
sociedade simples é efetuado em lugar diverso das sociedades empresariais. Ou seja, perante 
o Registro Civil das Pessoas Jurídicas: 
O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro Público de 
Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais, e asociedade simples 
ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas 
fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de 
sociedade empresária. (BRASIL, 2013). 
É importante salientar que também são exemplos de sociedades simples as cooperativas, 
conforme determina o artigo 982 do Código Civil.
6.2 SOCIEDADE EMPRESÁRIA
Sociedade empresária é a pessoa jurídica que exerce, profissionalmente, atividade 
econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços.
Há vários tipos de sociedade empresária a serem escolhidos pelos sócios, dentro de 
suas adequações e objetivos.
1 Da sociedade em nome coletivo.
2 Da sociedade em comandita simples.
3 Da sociedade limitada.
4 Da sociedade anônima.
UNIDADE 1 TÓPICO 3 37
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
5 Da sociedade em comandita por ações.
Veja a figura a seguir.
FIGURA 3 - TIPOS DE SOCIEDADES EMPRESARIAIS 
FONTE: O autor 
6.3 CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES 
 QUANTO À RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS
Quanto ao critério da classificação dos sócios em face à sua responsabilidade perante 
a sociedade empresária, estas recebem a seguinte classificação:
● Sociedade ilimitada: quando os sócios respondem ilimitadamente pelas obrigações sociais. 
Significa que, se o patrimônio social não for suficiente para o pagamento dos credores da 
sociedade, o saldo poderá ser exigido dos sócios, nos seus patrimônios particulares.
● Sociedade mista: é aquela em que uma parte dos sócios tem responsabilidade limitada e outra 
tem responsabilidade ilimitada.
● Sociedade limitada: t odos os sócios têm responsabilidade limitada ao capital social 
integralizado na sociedade, não respondendo com seus patrimônios particulares pelas 
obrigações sociais.
Estes tipos de sociedade, quanto à responsabilidade dos sócios, podem ser assim 
subdivididas:
UNIDADE 1TÓPICO 338
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
1 Sociedade Ilimitada: sociedade em nome coletivo.
2 Sociedade Mista: a) sociedade em comandita simples.
 b) sociedade em comandita por ações.
3 Sociedade Limitada: a) Sociedade limitada.
 b) Sociedade anônima.
IMP
OR
TAN
TE! �
Dentre essas sociedades, são importantes apenas: a sociedade 
limitada, em primeiro plano, e a sociedade anônima, em segundo. 
Conforme observa Borba (1997, p. 62):
As demais praticamente inexistem, pois, envolvendo 
a responsabilidade ilimitada de todos ou de alguns 
sócios, perderam a preferência do meio comercial. 
[...] Assim, as que existiam foram transformadas, e 
novas não se constituíram. Restam pouquíssimas, 
sendo sempre citada, como exemplo remanescente 
de sociedade em nome coletivo, “Klabin Irmãos & 
Cia”, mantida como tal por apreço à tradição.
6.4 SOCIEDADE EM NOME COLETIVO
A sociedade em nome coletivo é o tipo societário em que todos os sócios têm obrigações 
ilimitadas, respondendo particularmente com seus bens pelos compromissos sociais. Porém, 
é importante frisar que esta responsabilidade é subsidiária, uma vez que os bens pessoais 
dos sócios somente serão utilizados para pagamento de dívidas quando inexistirem bens 
suficientes da própria sociedade.
UNI
É o que diz o art. 1.024 do Código Civil: “Os bens particulares dos 
sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão 
depois de executados os bens sociais”. (BRASIL, 2013). 
Além do mais, somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em nome 
coletivo.
UNIDADE 1 TÓPICO 3 39
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
6.5 SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES 
Numa sociedade em comandita simples há duas categorias de sócios: os comanditados, 
que são pessoas físicas, responsáveis solidária e ilimitadamente com seus patrimônios 
particulares pelas obrigações sociais, de forma subsidiária; e os comanditários, obrigados 
somente pelo valor de suas quotas, devendo o contrato social discriminar a qual categoria os 
sócios pertencem.
 
Os sócios comanditados são os administradores da sociedade e somente eles podem 
usar a firma ou a razão social, integrando inclusive o seu nome na firma da sociedade. Desse 
modo, a firma ou a razão social será composta do nome, por extenso ou abreviadamente, de 
um, alguns ou de todos os sócios comanditados.
Ao sócio comanditário, por sua vez, é vedado utilizar o seu nome na razão social ou 
até mesmo praticar qualquer ato de gestão interna ou externa da sociedade, sob pena deste 
assumir responsabilidade solidária e ilimitada.
UNI
Os comanditários limitam-se ao direito de fiscalizar os negócios 
sociais. Diz o art. 1021 do C.C.: Salvo estipulação que determine 
época própria, o sócio pode, a qualquer tempo, examinar os livros e 
documentos, e o estado da caixa e da carteira da sociedade. (BRASIL, 
2013).
6.6 SOCIEDADE EM COMANDITA POR AÇÕES
De acordo com o artigo 1.090 do Código Civil: A sociedade em comandita por ações 
tem o capital dividido por ações, regendo-se pelas normas relativas à sociedade anônima, 
sem prejuízo das modificações constantes deste Capítulo, e opera sob firma ou denominação. 
(BRASIL, 2013).
Neste tipo de sociedade há duas categorias de sócios:
a) Diretores: que têm responsabilidade subsidiária e ilimitada pelas obrigações sociais.
UNIDADE 1TÓPICO 340
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
b) Acionistas: que respondem apenas pelo valor das ações subscritas ou adquiridas.
Portanto, a sociedade possui sócios de responsabilidade limitada e de responsabilidade 
ilimitada.
A sociedade em comandita por ações pode, em lugar de fi rma, adotar denominações 
designativas do objeto social, aditada da expressão “comandita por ações”. Esta sociedade 
não tem conselho de administração, mas precisa ter assembleia geral e conselho fi scal.
Por fi m, a assembleia geral não pode, sem o consentimento dos diretores, mudar o 
objeto essencial da sociedade, prorrogar-lhe o prazo de duração, aumentar ou diminuir o capital 
social, criar debêntures ou partes benefi ciárias.
FONTE: Disponível em: <www.procon.sp.gov.br/texto.asp?id=671>. Acesso em: 26 fev. 2013.
6.7 DA SOCIEDADE COOPERATIVA
As sociedades cooperativas são criadas para a prestação de serviços aos seus 
associados, sendo esta sua característica básica.
Bulgarelli (2000, p. 34) afi rma sobre o propósito básico da cooperativa o seguinte:
Encontra-se e se exprime na formação de uma empresa comum, formada 
pelos que têm as mesmas necessidades, empresa, essa, capaz de atendê-
-los proporcionalmente. [...] Sociologicamente (a cooperativa), adotou como 
fundamento a lei da cooperação, e não a da concorrência; economicamente, 
tem como fi nalidade a melhoria das condições econômicas através da criação de 
uma empresa de interesse comum, destinada a prestar serviços a seus asso-
ciados, afastando os intermediários, que encarecem indevidamente os custos.
Atua, assim, a cooperativa no mercado, eliminando intermediários e obtendo, em razão 
disto, maiores vantagens patrimoniais. É próprio destas sociedades realizarem negócios, embora 
em seu nome, para o sócio, a quem irão defl uir os resultados positivos, chamados de “sobras”.
FONTE: Disponível em: <www.jusbrasil.com.br/.../djsp-judicial-1a-instancia-capital-04-07-201...>.Acesso 
em: 26 fev. 2013.
Em apoio a este entendimento, explica Ricardo Mariz de Oliveira (1996, p. 65) que “(as 
cooperativas) existem para trabalhar por seus associados, e, por isto mesmo, os lucros que 
são gerados por seu intermédio não lhes pertencem, nem originalmente, porque originalmente 
eles já se destinam aos que atuam em atividades econômicas de forma cooperada”.
UNIDADE 1 TÓPICO 3 41
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
Desta feita, a Lei nº 5.764, de 16.11.1971, que é a lei federal que trata especialmente 
das sociedades cooperativas, adotou os princípios doutrinários do cooperativismo, aprovados 
em 1966, pelo Congresso de Viena. Ou seja, adesão livre, gestão democrática, retorno dos 
excedentes aos associados proporcionalmente às operações realizadas junto à cooperativa, 
juros limitados sobre o capital e desenvolvimento da educação cooperativa. 
Reconheceu, outrossim, o princípio da cooperação e a fi nalidade não lucrativa da 
sociedade. 
O capital é ilimitado e variável, em conformidade com o número de associados que 
entrem ou saiam. Há impossibilidade do ingresso na cooperativa de quem opere no mesmo 
campo econômico (art. 29, § 4º da Lei Cooperativista).
O retorno das sobras na proporção às operações realizadas (o que implica rigoroso 
controle dessas operações), a igualdade de direitos entre os associados (arts. 37, 38, § 3º 
e 42) e a impossibilidade de distribuição de qualquer espécie de benefício às quotas-partes 
do capital, ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, fi nanceiros ou não, em favor de 
quaisquer associados ou terceiros, impossibilita que se utilize a cooperativa como fachada 
para evasão fi scal.
FONTE: Adaptado de: <https://www.plenum.com.br/plenum_jp/lpext.dll/.../14bb?...>. Acesso em: 26 fev. 
2013.
O retorno das sobras líquidas é atribuído, em proporção, às operações que o associado 
tiver efetuado com a sociedade e não em função do valor ou quantidade das quotas que possuir. 
Isto quer dizer que, como regra, o produto econômico do trabalho dos associados a eles retorna 
(deduzidos, por exemplo, os custos da cooperativa).
FONTE: Disponível em: <www.iob.com.br/bibliotecadigitalderevistas/bdr.dll?f...>. Acesso em: 26 fev. 2013
Aqui temos importante aspecto a diferenciar as cooperativas de outras sociedades que 
costumam remunerar os sócios, de acordo com sua participação no capital. Por isso é que o 
associado não passa a usufruir de qualquer vantagem diretamente pelo fato de possuir quotas-
partes. Estas servem, basicamente, para injetar capital social que possibilite o funcionamento da 
cooperativa. O associado não passa a exercer qualquer outro direito pelo fato de ser quotista.
6.8 DA SOCIEDADE LIMITADA
A sociedade limitada surgiu tendo como garantia aos sócios a não afetação de seu 
UNIDADE 1TÓPICO 342
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
patrimônio particular pelas dívidas da sociedade, salvo se o sócio praticou ato com excesso 
de poderes ou infração da lei, do contrato social ou estatutos.
A lei exige que os sócios-quotistas apenas integralizem o capital social.
É o que determina o art. 1.052 do Código Civil: Na sociedade limitada, a responsabilidade 
de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente 
pela integralização do capital social. (BRASIL, 2013).
Assim, uma vez integralizado o capital social, cessa a responsabilidade dos sócios, e 
os seus bens particulares não respondem pelas obrigações sociais.
Contudo, se não houver a integralização do total do capital social, previsto no contrato 
social, a responsabilidade entre os sócios será solidária até que seja completado o montante 
do capital que falta, mesmo que um deles já tenha completado a sua parte no capital.
6.8.1 Constituição da sociedade
A sociedade poderá ser constituída através de instrumento particular ou por instrumento 
público, sendo que em qualquer hipótese será inscrito (depositado) no “registro público 
competente”, dentro dos 30 dias subsequentes à sua constituição.
No caso do socioquotista não integralizar a sua parte no capital social, os outros sócios 
podem tomá-la para si ou transferi-la a terceiros, excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe 
o que houver pago, deduzidos os juros de mora, as prestações estabelecidas no contrato e 
as despesas.
6.8.2 Formação do seu nome social
A sociedade pode adotar tanto firma social ou denominação. Ambas devem sempre ser 
seguidas da palavra Limitada, que pode ser usada abreviadamente: Ltda. (C.C., art. 1.158). A 
omissão da palavra Limitada determina a responsabilidade solidária e ilimitada.
a) Firma ou razão social: conforme o § 1º do art. 1.158 do Código Civil: A firma será composta 
com o nome de um ou mais sócios, desde que pessoas físicas, de modo indicativo da 
relação social. (BRASIL, 2013).
 Deverá ser acrescida da palavra LTDA, ou Limitada. Sempre que se omitir o nome 
UNIDADE 1 TÓPICO 3 43
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
de pelo menos um deles, acrescentam-se as palavras & Cia. Ltda. Por exemplo, se José dos 
Anzóis e Ambrósio de Abreu constituem uma sociedade limitada, esta poderá ter como nome 
empresarial: José dos Anzóis & Cia. Ltda., ou Anzóis & Abreu Ltda. 
Caso ocorra o falecimento, exclusão ou retirada do sócio que emprestou seu nome 
para a formação do nome social, deverá ser procedida uma alteração do contrato social. Uma 
vez que, de acordo com o art. 1.165 do Código Civil: o nome de sócio que vier a falecer, 
for excluído ou se retirar, não pode ser conservado na firma social. (BRASIL, 2013).
b) Denominação: pode ser composta por uma expressão fantasia, sendo permitido nela figurar 
o nome de um ou mais sócios. Deve designar o objeto da sociedade. Seu nome deve sempre ser 
acrescido da palavra limitada. Por exemplo: Anzóis Oficina Mecânica Ltda. 
6.8.3 Da administração 
O contrato social deve determinar quem possui os poderes de representação da 
sociedade, ou seja, o administrador. Terceiros, não sócios, podem ser administradores da 
sociedade, como acontece nas sociedades anônimas, desde que o contrato permita e haja a 
aprovação unânime dos sócios. 
IMP
OR
TAN
TE! �
Dispõe o art. 1.061 do Código Civil que: 
se o contrato permitir administradores não sócios, 
a designação deles dependerá da aprovação da 
unanimidade dos sócios, enquanto o capital não 
estiver integralizado, e de dois terços, no mínimo, 
após a integralização. (BRASIL, 2013).
Importante salientar que, havendo excesso de mandato ou atos praticados com violação 
do contrato ou da lei, o sócio-gerente responde, perante a sociedade e perante terceiros, 
limitadamente, com os seus bens particulares.
6.8.4 Das quotas e sua transferência
Numa sociedade limitada, o capital social divide-se em: quotas, iguais ou desiguais, 
cabendo uma ou diversas a cada sócio.
UNIDADE 1TÓPICO 344
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
Em caso de omissão do contrato, segundo o artigo 1.057 do Código Civil Brasileiro, 
um dos sócios pode ceder suas quotas a terceiros, sem a anuência dos demais sócios, desde 
que não haja oposição de titulares de mais de um quarto do capital social.
6.8.5 Conselho fiscal
O contrato social ou o estatuto social pode instituir conselho fiscal composto de três ou 
mais membrose respectivos suplentes, sócios ou não, residentes no país, eleitos na assembleia 
anual. Os sócios minoritários que representarem um quinto do capital social poderão indicar 
pelo menos um membro do conselho fiscal.
A função deste órgão social, além daquelas estipuladas no próprio contrato social, é 
a de fiscalizar a atuação dos administradores da sociedade, exigindo destes a prestação de 
informações, além do exame de livros e papéis da sociedade.
6.9 DA SOCIEDADE ANÔNIMA
As sociedades anônimas ou companhias são uma espécie de sociedade empresarial, 
reguladas por lei especial, qual seja, a Lei nº 6.404/1976. São formadas, a maior parte das 
vezes, com o objetivo de realização de grandes empreendimentos e que necessitam do 
emprego de elevado valor para a formação de seu capital social, o que geralmente necessita 
da participação de muitas pessoas, os chamados acionistas.
EST
UDO
S F
UTU
RO
S! �
Prezado(a) acadêmico(a)! Tendo em vista a grande importância que 
o tema Sociedade Anônima possui no 
Direito Eempresarial, vamos abordá-lo com profundidade no Tópico 4.
UNIDADE 1 TÓPICO 3 45
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico apresentamos conceitos de sociedades não personificadas e 
personificadas.
• Aprendemos que as sociedades não personificadas são aquelas que não possuem seus 
atos constitutivos (contrato social) depositados (inscritos) no registro público competente. 
Temos como exemplos as sociedades em comum ou por conta de participação, que, por 
consequência, não são pessoas jurídicas.
• Por sua vez, as sociedades personificadas são aquelas que estão legalmente constituídas. 
São exemplos: a sociedade em nome coletivo, a sociedade em comandita simples, a sociedade 
limitada, a sociedade anônima, a sociedade em comandita por ações e as sociedades 
cooperativas.
UNIDADE 1TÓPICO 346
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
AUT
OAT
IVID
ADE �
Responda às questões:
1 Sobre a Sociedade Empresária, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir 
com bens ou serviços para o exercício de atividade econômica e a partilha entre si dos resultados.
b) ( ) Celebram contrato de sociedade somente as pessoas físicas.
c) ( ) Numa sociedade empresária de responsabilidade ilimitada, o capital social é dividido 
em ações.
d) ( ) A sociedade empresária é formada por uma pessoa, que se compromete a juntar capital 
ou trabalho para a realização de um fim lucrativo.
2 Sobre as Sociedades Empresariais, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Aquelas sociedades que não possuem seu contrato inscrito (registrado e arquivado) 
no registro público competente são chamadas de não personificadas.
b) ( ) A sociedade anônima é a sociedade irregular ou de fato, cuja principal consequência 
de sua existência é a responsabilidade ilimitada das pessoas físicas/jurídicas dos sócios pelas 
obrigações sociais, sendo que os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial do 
qual os sócios são titulares em comum. Além do mais, todos os sócios respondem solidária 
e ilimitadamente pelas obrigações sociais.
c) ( ) Numa sociedade em comandita por ações, sua constituição independe de qualquer 
formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito, sem contar que o contrato 
social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em 
qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade.
d) ( ) As sociedades anônimas não são estruturadas empresarialmente, e decorrem das antigas 
sociedades civis que visam ao lucro. 
3 Quanto ao critério da classificação dos sócios em face da sua responsabilidade perante 
a sociedade empresária, assinale as alternativas CORRETAS:
a) ( ) Sociedade mista: todos os sócios têm responsabilidade limitada ao capital social 
integralizado na sociedade, não respondendo com seus patrimônios particulares pelas 
obrigações sociais. 
b) ( ) Sociedade ilimitada: quando os sócios respondem ilimitadamente pelas obrigações 
sociais. Significa que, se o patrimônio social não for suficiente para o pagamento dos 
credores da sociedade, o saldo poderá ser exigido dos sócios, nos seus patrimônios 
particulares. 
c) ( ) Sociedade mista: é aquela em que parte dos sócios tem responsabilidade limitada 
e outra tem responsabilidade ilimitada.
d) ( ) Sociedade limitada: todos os sócios têm responsabilidade limitada ao capital social 
integralizado na sociedade, não respondendo com seus patrimônios particulares pelas 
obrigações sociais. 
 
4 Com relação às regras que disciplinam a situação do socioquotista da sociedade limitada, 
assinale a alternativa CORRETA.
a) ( ) Todos os sócios têm responsabilidade limitada ao capital social integralizado na 
sociedade, não respondendo com seus patrimônios particulares pelas obrigações sociais.
b) ( ) As quotas podem ser integralizadas pelos sócios por valores representados em 
dinheiro, bens ou prestação de serviços, respondendo solidariamente todos os sócios pela 
exata estimação dessas contribuições.
c) ( ) Mesmo sendo integralizado o capital social, a responsabilidade dos sócios e os seus 
bens particulares continuam respondendo pelas obrigações sociais.
d) ( ) As quotas representam a necessária divisão do capital social em partes iguais, sendo 
as deliberações consideradas de acordo com o número de quotas de cada sócio.
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
DA SOCIEDADE ANÔNIMA
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 4
A sociedade anônima ou companhia é uma sociedade de capitais, regida por um 
“estatuto social”. É regulada por lei especial, qual seja, a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 
1976, com as alterações sofridas pela Lei nº 9.457, de 5 de maio de 1997 e Lei nº 10.303, de 
31 de outubro de 2001.
O próprio Código Civil de 2002, em seu artigo 1.089, determina que a sociedade anônima 
seja regida por lei especial, aplicando-se somente nos casos omissos as disposições do código.
UNIDADE 1
2 CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS 
A sociedade anônima caracteriza-se por: 
1 Divisão do capital social em ações. 
2 Limitação da responsabilidade dos acionistas ao valor das ações subscritas ou adquiridas. 
3 Livre acessibilidade das ações. 
2.1 DO CAPITAL SOCIAL 
A sociedade anônima tem o seu capital dividido em parcelas iguais, a que se 
UNIDADE 1TÓPICO 448
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
convencionou chamar de ações, obrigando-se, cada sócio ou acionista, somente pelo preço 
de emissão das ações que subscrever ou adquirir. 
É importante salientar que a cessão ou transferência das ações ao novo acionista não 
afeta a estrutura da sociedade. Por serem ações livremente negociáveis (característica básica), 
nenhum dos acionistas pode impedir o ingresso de quem quer que seja no quadro associativo 
de uma sociedade anônima aberta. As sociedades anônimas de capital fechado já possuem 
outra dinâmica.
2.2 RESPONSABILIDADE DOS ACIONISTAS
Pago o valor da subscrição, termina a responsabilidade do acionista.
UNI
Lembremos que:
- Subscrição é uma promessa de compra de ações.
- Integralizaçãoé o pagamento da subscrição.
A garantia de terceiros, de credores da sociedade, estará, então, unicamente no capital 
social. É por isso que a companhia é eminentemente de capital, justamente porque vive em 
torno dele.
Vale salientar que, enquanto na sociedade limitada a responsabilidade do sócio é 
considerada em função do valor de sua cota no capital social, na sociedade anônima a 
responsabilidade não se limita ao valor de mercado das ações subscritas ou adquiridas (cotação 
em bolsa de valores), mas, sim, ao preço de sua emissão.
3 ObjETO SOCIAL
A sociedade anônima tem o seu objeto social determinado no seu estatuto social, sendo 
que este deve ter um fim lucrativo, desde que não seja contrário à lei e à ordem pública. Por 
isso, a sociedade anônima é sempre empresária, independentemente de seu objeto.
UNIDADE 1 TÓPICO 4 49
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
4 NOME EMPRESARIAL
Toda sociedade anônima deve adotar um nome sob o qual exerce sua atividade 
comercial. A denominação pode conter nomes de pessoas, como o do fundador, ou de quem 
tenha auxiliado para o êxito da sociedade.
UNI
Vejamos o artigo 3º da Lei nº 6.404: A sociedade será designada por 
denominação acompanhada das expressões ‘companhia’ ou sociedade 
anônima’, expressas por extenso ou abreviadamente, mas vedada a 
utilização da primeira ao final. (BRASIL, 2013).
Por exemplo: Casa José dos Anzóis S/A, Anzóis Cia. de Seguros ou, ainda, Cia. Rhodia 
do Brasil.
A proibição do uso da palavra companhia no final da denominação visa evitar qualquer 
confusão com a firma ou razão social da “sociedade em nome coletivo”.
Por fim, a lei não permite usar ao mesmo tempo as expressões companhia e sociedade 
anônima no seu nome social.
5 ESPÉCIES DE SOCIEDADE ANÔNIMA
Há duas espécies de sociedade anônima:
a) A companhia aberta.
b) A companhia fechada.
A companhia aberta é aquela que capta recursos junto ao público, tendo seus valores 
mobiliários ou ações negociados em bolsa de valores. 
UNIDADE 1TÓPICO 450
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
UNI
Diz a Lei nº 6.404/76, art. 4º: Para os efeitos desta lei, a companhia 
é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão 
estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores 
mobiliários. (BRASIL, 2013). 
Contudo, para que uma sociedade anônima tenha suas ações ou valores mobiliários de 
sua emissão admitidos na Bolsa de Valores ou no mercado de valores mobiliários, é necessário 
que ela obtenha do Governo Federal a devida autorização, qual seja, da Comissão de Valores 
Mobiliários. 
A aberta ao público tem livre acessibilidade de suas ações. Tem as suas ações 
negociadas no mercado de valores mobiliários, por intermédio das Bolsas de Valores.
A fechada, por sua vez, não tem suas ações negociadas no referido mercado de valores 
mobiliários, ou não as coloca à venda ao público.
IMP
OR
TAN
TE! �
Vejamos o que determina o art. 36 da Lei nº 6.404: O estatuto da 
companhia fechada pode impor limitações à circulação das ações 
nominativas, contanto que regule minuciosamente tais limitações.
6 OS vALORES MObILIÁRIOS
Há, portanto, duas espécies de sociedade anônima: a companhia aberta e a companhia 
fechada. Somente a aberta é que procura captar recursos financeiros no mercado pela emissão 
de papéis. Estes representam valores mobiliários. São eles: as ações, partes beneficiárias, 
debêntures, ou bônus de subscrição, e as notas promissórias.
7 AÇÕES
O capital social de uma sociedade anônima é formado pelas ações. Quem as adquire 
UNIDADE 1 TÓPICO 4 51
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
passa a ser sócio da sociedade. O preço de emissão das ações não se confunde com o valor 
nominal ou de mercado. 
As ações são representadas por documentos que têm a natureza de títulos de crédito. 
Como títulos de crédito, elas podem ser negociadas e transferidas, sem que isso venha a 
modificar o ato constitutivo ou a organização da sociedade.
Formou-se, então, um verdadeiro mercado concernente, principalmente às ações. É o 
denominado mercado de capitais ou mobiliários. Ou seja, um mercado especial em que são 
realizados contratos de compra e venda de ações, debêntures e demais valores emitidos pelas 
companhias, realizado geralmente por intermédio das Bolsas de Valores, que é uma pessoa 
jurídica de direito privado, constituída por diversas sociedades corretoras e que tem por objeto 
manter um local de encontro adequado para os negócios de seus associados. A sua principal 
finalidade é negociar os títulos emitidos pelas sociedades anônimas abertas.
8 ESPÉCIES DE AÇÕES
As ações se apresentam sob diversas categorias e, de acordo com a lei, podem ser 
assim classificadas:
1 Quanto às vantagens oferecidas ao seu titular.
2 Quanto à forma de sua circulação.
8.1 QUANTO ÀS VANTAGENS QUE AS AÇÕES 
 CONFEREM AOS SEUS TITULARES
Quanto às vantagens que as ações conferem a seus titulares, elas podem ser de três 
espécies: ordinárias, preferenciais e de fruição.
8.1.1 Ações ordinárias
As ações ordinárias são aquelas que conferem ao titular os direitos de participar nos 
dividendos e de participar das assembleias de uma companhia aberta, deliberando a respeito 
da vida societária por intermédio de seu voto. Tem ele, pois, o direito de votar e ser votado para 
eleger ou se eleger presidente, vice-presidente, um dos diretores ou a outro cargo qualquer.
UNIDADE 1TÓPICO 452
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
 Não é demais lembrar que, em regra, cada ação dá direito a um voto. Se o acionista for 
titular de 100 ações ordinárias, por exemplo, terá ele 100 votos nas assembleias, deliberando a 
respeito da vida da sociedade. Vale dizer, os votos não são tomados pelo número de pessoas, 
mas pelo número de ações. 
8.1.2 Ações preferenciais 
As ações preferenciais são aquelas que atribuem ao titular determinados privilégios 
ou preferências. Esses privilégios podem, por exemplo, consistir na prioridade, na distribuição 
dos lucros ou dividendos da sociedade ou no reembolso do capital quando a sociedade tiver 
de ser liquidada. 
 
As ações preferenciais podem ou não conferir o direito de voto aos seus titulares. A 
ação preferencial só dará direito de voto se o estatuto assim o dispuser. Basta a omissão no 
Estatuto para que cada ação corresponda a um voto.
O número de ações preferenciais sem direito a voto, ou sujeitas à restrição no 
exercício desse direito, não pode ultrapassar 50% do total das ações emitidas. É o que 
prescreve a Lei de Sociedade Anônima nº § 2, do art. 15. (BRASIL, 2013).
Se a sociedade prevê expressamente no estatuto o não direito de voto, o titular das ações 
preferenciais poderá adquirir: o exercício desse direito se a companhia, pelo prazo previsto 
no estatuto, não superior a 3 (três) exercícios consecutivos, deixar de pagar os dividendos 
fixos ou mínimos a que fizerem jus, direito que conservarão até o pagamento [...],conforme 
determina o § 1º do art. 111 da Lei de Sociedade Anônima. Essa tomada de posição do nosso 
legislador é para evitar abusos por parte dos administradores da sociedade.
8.1.3 Ações de fruição
As ações de fruição são aquelas emitidas em substituição às ações ordinárias ou 
preferenciais que tiverem sido totalmente amortizadas pela sociedade. Melhor explicando, 
quando uma sociedade anônima vai entrar em liquidação, ela antecipa aos acionistas as 
importâncias do valor das ações. 
Uma vez pagas as importâncias das ações, em seu lugar a sociedade poderá distribuir 
aos sócios outras espécies, denominadas ações de fruição, de posse das quais os acionistas 
continuarão a ter os seus direitos na sociedade, fazendo jus aos dividendos e tomando parte 
nas deliberações sociais se, neste último caso, as ações substituídas lhe derem direito a voto.
UNIDADE 1 TÓPICO 4 53
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
 Evidentemente, por ocasião da liquidação da sociedade, os acionistas não mais receberão 
as importâncias correspondentes ao valor das ações. Essas já foram pagas antecipadamente, 
por ocasião da amortização. Trata-se, portanto, de uma operação excepcional.
8.2 QUANTO À FORMA DE SUA CIRCULAÇÃO
Era a classificação utilizada anteriormente à Lei nº 8.021/1990, que extinguiu as ações 
ao portador e as endossáveis, criando as ações nominativas e escriturais.
São nominativas as ações registradas em um livro da sociedade emissora, denominado 
“Registro de Ações Nominativas”. Tais ações só podem ser transferidas por meio de um termo de 
cessão no referido livro, ocasião em que haverá a assinatura do cedente e do cessionário.
Portanto, as nominativas circulam mediante registro no livro próprio da companhia, 
diferentemente das ações escriturais, que são representadas por certificados.
8.3 DEBÊNTURES
Quando uma companhia necessita de empréstimo, talvez para desenvolver-se, e não 
deseja um empréstimo bancário, pratica a emissão de títulos negociáveis, as debêntures, 
colocando-as em circulação à disposição do público. Quem as adquire passa a ser credor da 
sociedade. Caso esta deixe de pagá-las, o credor poderá propor ação de execução com base 
nesse título.
Para a companhia poder negociar no mercado, as debêntures podem ter garantia real, 
conter cláusula de correção monetária com base nos coeficientes fixados para correção de 
título de dívida pública, participação nos lucros da companhia, render juros fixos ou variáveis 
de reembolso.
As debêntures podem ser convertidas em ações. Assim, há duas espécies de debêntures:
as debêntures simples e as debêntures conversíveis em ações.
9 CONSTITUIÇÃO DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS
A sociedade anônima é constituída por dois modos diferentes:
UNIDADE 1TÓPICO 454
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
a) Pela subscrição do capital por pessoa que deseja constituí-la, dando-se a essa espécie de 
constituição de simultânea ou por subscrição particular. 
 
b) Pela subscrição do capital do apelo ao público, havendo, neste caso, a constituição sucessiva 
ou por subscrição pública. 
9.1 CONSTITUIÇÃO POR SUBSCRIÇÃO 
 PARTICULAR OU SIMULTÂNEA 
Ocorre quando dois ou mais subscritores de todo o capital social se reúnem em 
assembleia de fundação, deliberam a constituição por subscrição particular e, ao cabo da 
subscrição de todo o capital, dão por constituída definitivamente a sociedade. Além da 
constituição por meio de assembleia geral dos subscritores, poderá processar-se também por 
escritura pública.
 
Entretanto, para constituir-se, deve atender a três requisitos:
1 Subscrição, por pelo menos duas pessoas naturais e/ou jurídicas, de todo o capital social 
fixado no estatuto da companhia.
2 Realização, como entrada, de 10%, no mínimo, do preço de emissão das ações subscritas 
em dinheiro.
3 Depósito, no Banco do Brasil S/A, ou em outro estabelecimento bancário autorizado pela 
CVM, da parte do capital realizado em dinheiro. Se o subscritor entrar com bens, fica isento 
do depósito.
O depósito de 10% no estabelecimento bancário deverá ser feito em nome do subscritor 
e a favor da sociedade em organização, que só o levantará depois de haver adquirido 
personalidade jurídica.
Constituída a companhia, por deliberação da assembleia geral, a diretoria eleita ou 
nomeada providenciará o arquivamento dos documentos constitutivos (um exemplar do 
estatuto social, prova do depósito bancário, duplicata da ata em que se deliberou a constituição 
da sociedade etc.) na Junta Comercial, para fins de aquisição da personalidade jurídica e 
funcionamento regular.
UNIDADE 1 TÓPICO 4 55
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
9.2 CONSTITUIÇÃO SUCESSIVA OU POR 
 SUBSCRIÇÃO PÚBLICA
Ocorre quando uma ou mais pessoas, denominadas fundadoras da companhia, elaboram o 
“projeto do estatuto e o prospecto e contratam uma financeira para servir de intermediária” 
no lançamento das ações na bolsa de valores ou no mercado de balcão. 
Assinado o prospecto pelos fundadores e pela financeira, faz-se, então, o registro da 
constituição perante a CVM, que fará um estudo sobre a viabilidade econômica e financeira 
do empreendimento, sobre o projeto do estatuto e sobre o prospecto.
Se a CVM estiver de acordo, publica-se a oferta de subscrição das ações.
10 ACIONISTAS
O acionista é sócio da sociedade anônima. Não o sócio que se associa a outrem para 
constituir uma sociedade empresária de natureza contratual, mas apenas o possuidor de ações 
integrantes do capital social da sociedade anônima.
10.1 DIREITOS DOS ACIONISTAS
No momento em que uma pessoa adquire ações de uma companhia, passa a participar 
da sociedade, tendo os seguintes direitos:
• Participar dos lucros sociais.
• Participar do acervo da companhia, em caso de liquidação.
• Preferência para adquirir novas ações, quando houver aumento de capital.
• Fiscalizar a gestão dos negócios sociais, comparecendo nas assembleias.
• Votar nas deliberações sociais, desde que seja possuidor de ações que lhe deem esse 
direito.
• Retirar-se da sociedade nos casos previstos em lei.
UNIDADE 1TÓPICO 456
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
10.2 O ACIONISTA CONTROLADOR
Acionista controlador é a pessoa física ou jurídica, ou um grupo de pessoas vinculadas 
por acordo de voto, que tem a maioria de votos nas deliberações da assembleia geral, podendo 
eleger os administradores e, assim, dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento 
dos órgãos da companhia. 
 FONTE: Adaptado de: <xa.yimg.com/kq/groups/.../AULA+PODER+DE+CONTROLE.ppt>. Acesso em: 
27 fev. 2013.
10.3 DEVERES E RESPONSABILIDADES DO 
 ACIONISTA CONTROLADOR 
Ao acionista controlador, a lei impõe deveres e responsabilidades para com os demais 
acionistas da sociedade, respondendo ele pelos danos causados por atos praticados com 
abuso de poder. 
São modalidades de exercício abusivo de poder: 
• Orientar a companhia para fi m estranho ao objeto social ou levá-la a favorecer outra 
sociedade, brasileira ou estrangeira, em prejuízo da participação dos acionistas minoritáriosnos lucros, no acervo da companhia ou na economia nacional.
 
• Promover a liquidação de companhia próspera com o fi m de obter, para si ou para outrem, 
vantagens indevidas.
• Promover alteração estatutária, emissão de valores mobiliários ou adoção de políticas ou 
decisões que não tenham por fi m o interesse da companhia e visem causar prejuízo aos 
acionistas minoritários, aos investidores em valores mobiliários emitidos pela companhia.
• Eleger administrador ou fi scal que sabe inapto, moral ou tecnicamente.
• Induzir ou tentar induzir administrador ou fi scal a praticar ato ilegal.
• Contratar com a companhia, diretamente ou através de outrem, ou de sociedade na qual 
tenha interesse, em condições de favorecimento.
• Aprovar ou fazer aprovar contas irregulares de administradores, para favorecimento pessoal, 
ou deixar de apurar denúncia que saiba ou devesse saber procedente.
FONTE: Adaptado de: <www.idevanlopes.com.br/.../Aula%205%20-%20Sociedades%20Estat...>. Acesso 
em: 27 fev. 2013.
UNIDADE 1 TÓPICO 4 57
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
11 ÓRgÃOS SOCIAIS
O funcionamento de uma sociedade anônima depende de sua organização, que é 
composta por diversos órgãos sociais. Se for uma companhia aberta terá:
• Assembleia geral.
• Conselho de Administração.
• Diretoria.
• Conselho Fiscal.
O Conselho de Administração é facultativo nas companhias fechadas.
12 ASSEMbLEIA gERAL
A assembleia geral é a reunião dos acionistas que deliberam sobre matéria de interesse 
geral da sociedade. É um órgão deliberativo.
O art. 121 da Lei das S.A. dispõe o seguinte: 
A assembleia geral, convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto, tem poderes 
para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que 
julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento. (BRASIL, 2013).
 Portanto, é o órgão máximo da organização, pois tem o poder para resolver todos os 
negócios relativos ao objeto da companhia.
É de competência privativa da assembleia geral:
• Reformar o estatuto social.
• Eleger ou destituir, a qualquer tempo, os administradores e fiscais da companhia.
• Tomar, anualmente, as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações 
financeiras por eles apresentadas.
• Autorizar os administradores a confessar a falência e pedir concordata.
UNIDADE 1TÓPICO 458
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
12.1 ESPÉCIES DE ASSEMBLEIAS
As assembleias gerais poderão ser de duas espécies: ordinárias e extraordinárias.
12.1.1 Assembleia geral ordinária
A assembleia geral ordinária é obrigatória uma vez ao ano e deve ser realizada nos 
quatro primeiros meses após o término do exercício social, para:
• Tomar as contas dos administradores, examinar, discutir e votar as demonstrações 
financeiras.
• Deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos.
• Eleger os administradores e os membros do conselho fiscal, quando for o caso. 
• Aprovar a correção da expressão monetária do capital social. (art.167). 
12.1.2 Assembleia geral extraordinária
A assembleia geral extraordinária será convocada para os fins destinados no edital 
de convocação. Como o próprio nome diz, a assembleia geral extraordinária é reservada a 
deliberações excepcionais, podendo até aprovar ou discutir assunto da alçada da ordinária, 
desde que a reunião seja fora da época legal destinada à ordinária. 
12.2 PROCEDIMENTO
A convocação da assembleia geral compete, em primeiro lugar, ao conselho de 
administração, se houver. Não existindo esse órgão, caberá aos diretores.
A convocação também pode ser feita:
UNIDADE 1 TÓPICO 4 59
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
• Pelo conselho fi scal, quando o órgão de administração retardar a convocação da assembleia 
geral ordinária por mais de um mês ou, no caso de assembleia geral extraordinária, sempre 
que motivos graves ou urgentes a justifi carem.
• Por qualquer acionista, quando os administradores retardarem por mais de sessenta dias 
a convocação.
• Por acionistas que representem 5%, no mínimo, do capital votante, quando os administradores 
não atenderem, no prazo de oito dias, ao pedido de convocação que apresentarem 
devidamente fundamentado, com indicação das matérias a serem tratadas.
FONTE: Adaptado de: <www.camara.gov.br/.../prop_mostrarintegra;jsessionid...PL>. Acesso em: 27 fev. 
2013.
Para se realizar uma assembleia, deve-se fazer a convocação por intermédio de anúncios 
publicados, por três vezes no mínimo, no órgão ofi cial do Estado ou da União, conforme o lugar 
da sede social, ou em outro jornal de grande circulação editado no local da sede da companhia.
FONTE: Adaptado de: <www.conjur.com.br/.../normas_publicacoes_legais_sociedades_anoni...>. Acesso 
em: 27 fev. 2013.
A primeira convocação na companhia aberta deverá ser feita com quinze dias de 
antecedência, no mínimo, contando o prazo da publicação do primeiro anúncio. Não se realizando 
a assembleia por falta de quorum, será publicado novo anúncio. A segunda convocação com 
antecedência mínima de oito dias.
FONTE: Disponível em: <www.sitesa.com.br/contabil/biblioteca/contratos/sa/53.rtf>. Acesso em: 4 mar. 
2013.
Os acionistas sem direito de voto podem comparecer à assembleia geral e discutir a 
matéria submetida à deliberação.
Durante o funcionamento da assembleia, as deliberações devem seguir a disciplina 
prevista na “ordem do dia”, conforme consta da convocação e publicação. Em livro próprio, será 
lavrada uma ata, que consiste no registro sucinto dos acontecimentos ocorridos na reunião.
A assembleia terá um presidente e um secretário escolhidos pelos acionistas presentes, 
salvo disposição do estatuto. As deliberações da assembleia geral são, em regra, tomadas 
por minoria absoluta (50% mais um) de votos de acionistas com direito a voto.
UNIDADE 1TÓPICO 460
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
12.3 QUORUM DE INSTALAÇÃO DA ASSEMBLEIA 
 GERAL
Ressalvadas as exceções legais, a assembleia geral instalar-se-á, em primeira 
convocação, com a presença de acionistas que representem no mínimo ¼ do capital social 
com direito de voto. Em segunda convocação, instalar-se-á com qualquer número, conforme 
determina a Lei de Sociedade Anônima, no art.125.
FONTE: Adaptado de: <www.jucemg.mg.gov.br ›... › Informações › Documentação para Registro>. 
Acesso em: 4 mar. 2013.
13 CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
As companhias abertas terão, obrigatoriamente, conselho de administração, conforme 
determina o art. 138 da Lei de Sociedade Anônima.
O conselho de administração é um órgão de deliberação colegiado e tem a função 
precípua de fi xar a orientação geral dos negócios da companhia.
Compete à assembleia geral dos acionistas votantes, geralmente ao acionista 
controlador, eleger ou destituir o conselho de administração; a este, por sua vez, cabe o direito 
de eleger ou destituir os diretores.
13.1 COMPOSIÇÃO DO CONSELHO DE 
 ADMINISTRAÇÃO 
Os membros do conselho de administração precisam ser obrigatoriamente acionistas da 
sociedade e pessoas naturais residentes no país. 
 
O conselho de administraçãoserá composto, no mínimo, por três membros. O estatuto 
deve estabelecer o número de conselheiros. O prazo de gestão não poderá ser superior a 
três anos, permitida a reeleição. 
13.2 COMPETÊNCIA DO CONSELHO DE 
 ADMINISTRAÇÃO
Além da competência de fi xar a orientação geral dos negócios sociais, destaca-se a de 
UNIDADE 1 TÓPICO 4 61
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
fiscalizar a gestão de diretores, examinar, a qualquer tempo, os livros e papéis da companhia, 
solicitar informações sobre contatos celebrados, ou em vias de celebração, e quaisquer outros 
atos, de acordo com o estabelecido no item III do art. 142.
14 DIRETORIA
A diretoria tem a função de representar a sociedade. É um órgão executivo das 
deliberações da assembleia geral dos acionistas ou do conselho de administração, conforme 
o caso.
Será a diretoria composta de dois ou mais diretores, conforme o estabelecido no estatuto 
social. O prazo de gestão não será superior a três anos, permitida a reeleição.
Os membros do conselho de administração, até o máximo de 1/3, poderão ser eleitos 
para os cargos de diretores.
Só podem ser nomeadas para a diretoria pessoas naturais residentes no país, podendo 
ser acionistas ou não da sociedade.
15 CONSELHO FISCAL
Nas sociedades anônimas, a fiscalização dos negócios sociais é feita através do 
Conselho Fiscal. É o órgão incumbido de examinar a marcha dos negócios da companhia 
e de manifestar-se sobre os atos da administração. Assim, ao menos um dos membros do 
conselho fiscal deverá comparecer às reuniões da assembleia geral e responder aos pedidos 
de informações formulados pelos acionistas. 
Os pareceres de seus membros poderão ser apresentados e lidos na assembleia 
geral dos acionistas, independentemente de publicação e ainda que a matéria não conste 
da ordem do dia, de acordo com a Lei de Sociedade Anônima no art. 164 e parágrafo único. 
Enfim, a função precípua do conselho é a de fiscalizar os atos da administração social, tanto 
do conselho como da diretoria.
 
 O Conselho Fiscal será composto de, no mínimo, 3 (três) e, no máximo, 5 
(cinco) membros, e suplentes em igual número, acionistas ou não, eleitos pela assembleia 
geral, é o que determina o § 1º do art. 161.(BRASIL, 2013).
UNIDADE 1TÓPICO 462
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
Na constituição do conselho fi scal serão observadas as seguintes normas:
• Os titulares de ações preferenciais sem direito a voto terão direito de eleger, por votação em 
separado, um membro e seu respectivo suplente. Igual direito terão os acionistas minoritários, 
desde que representem, em conjunto, 10% (dez por cento) ou mais das ações com direito 
a voto.
FONTE: Disponível em: <www.cvm.gov.br/port/descol/respdecis.asp?File=5633-2.HTM>. Acesso em: 
4 mar. 2013.
• O acionista controlador tem o direito de eleger um membro a mais em relação aos grupos 
minoritários e titulares de ações preferenciais. Assim, se o conselho fi scal possuir cinco 
membros, os grupos minoritários elegem um. O grupo dos titulares das ações preferenciais, 
os grupos minoritários têm o direito de eleger um e o controlador dois.
Somente poderão fazer parte do conselho fi scal as pessoas naturais, residentes no 
país, diplomadas em curso de nível superior, ou que tenham exercido, pelo prazo mínimo de 
três anos, cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fi scal, exceto nas localidades 
em que não houver pessoas habilitadas, em número sufi ciente, para o exercício da função.
UNIDADE 1 TÓPICO 4 63
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico apresentamos os seguintes conceitos inerentes às sociedades 
anônimas:
	Aprendemos que as sociedades anônimas, ou companhias, são regidas por lei especial, e 
que podem ser de capital aberto ou fechado.
	Identificamos que o capital social das companhias é constituído por ações que, se forem de 
capital aberto, poderão ser negociadas no mercado mobiliário, com a prévia autorização da 
Comissão de Valores Mobiliários.
	Verificamos que, para o seu funcionamento, existem vários órgãos sociais, como a assembleia 
geral, conselho de administração, diretoria, conselho fiscal, todos com responsabilidades e 
atribuições bem definidas por lei.
UNIDADE 1TÓPICO 464
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
AUT
OAT
IVID
ADE �
Responda às questões:
1 Considerando a doutrina relativa às espécies de nomes comerciais, assinale a alternativa 
CORRETA:
a) ( ) Toda sociedade anônima deve adotar um nome sob o qual exerce sua atividade comercial.
b) ( ) A omissão do termo “limitada” na denominação social não implica necessariamente a 
responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores da firma. 
c) ( ) A utilização da expressão “sociedade anônima” pode indicar a firma de sociedade por 
comandita ou empresária. 
d) ( ) O registro do nome comercial na Junta Comercial de um estado garante à sociedade 
constituída a exclusividade da utilização internacional da denominação registrada. 
2 Sobre a Sociedade Anônima, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Nas companhias de capital fechado a responsabilidade pessoal e ilimitada do acionista termina 
com o pagamento do valor da subscrição do capital social.
( ) A cessão e transferência das ações ao novo acionista afeta a estrutura da sociedade.
( ) As S/A são regidas legalmente e exclusivamente pelo Código Civil brasileiro.
( ) A S/A também pode ter fins não lucrativos.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) F – F – V – F.
( ) V – F – F – F.
( ) F – V – F – F.
( ) F – F – F – V.
3 Sobre a Sociedade Anônima, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) A Sociedade Anônima é uma sociedade empresária. 
( ) O capital social das companhias é dividido em cotas sociais.
( ) A partir do registro do seu Estatuto Social na Junta Comercial, a sociedade ganha personalidade 
jurídica.
( ) As sociedades anônimas, quanto à responsabilidade dos sócios, podem ser limitadas ou 
ilimitadas.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) V – F – V – F.
( ) F – F – V – V.
( ) V – V – F – F .
( ) V – F – F – V.
4 Sobre a Sociedade Anônima, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para 
as falsas:
( ) As Sociedades Anônimas são classificadas em duas espécies: abertas ou fechadas.
( ) As S/A de capital fechado são aquelas que têm suas cotas negociadas no mercado 
mobiliário. 
( ) O preço de emissão de uma ação não se confunde com o valor nominal ou de mercado.
( ) Para uma companhia negociar suas ações na bolsa de valores, é necessária prévia autorização 
da CVM.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F – V – V - V.
b) ( ) V – V – V – F.
c) ( ) v – F – v – v.
d) ( ) V – F – V – V.
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
TÍTULOS DE CRÉDITO
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 5
Você certamente já recebeu ou já assinou um cheque, uma nota promissória ou outro 
documento que representa um crédito. Estes títulos de crédito são bastante comuns em nosso 
dia a dia.
Neste tópico você estudará os principais títulos de crédito e entenderá a função e o 
funcionamento de cada um deles.Iniciaremos nosso estudo pelo surgimento do crédito.
UNIDADE 1
2 DO SURgIMENTO DO CRÉDITO
O crédito, inegavelmente, tem um papel muito importante na história do homem. Para 
isso, basta uma rápida retrospectiva em suas relações econômicas. 
Já mencionamos antes que, nos primórdios de nossa civilização, toda relação econômica 
movia-se com base na troca, no escambo. Mais tarde, porém, percebeu-se o interesse comum 
das pessoas em determinados bens, que passaram a servir como base das trocas, como 
produtos de intermediação, como, por exemplo: o sal, o gado, as argolas, os fios e bambus.
 Posteriormente, chegou-se à fase do metalismo, na qual o ouro, a prata e o bronze 
eram utilizados para servir como instrumentos de troca, sendo aceitos por todos. 
Após esse período, criou-se o dinheiro, o instrumento de troca por excelência, que, no 
dizer de Carvalho de Mendonça (apud ALMEIDA, 1998, p. 1):
UNIDADE 1TÓPICO 566
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
é a mercadoria por todos voluntariamente aceita para desempenhar as funções 
intermediárias nas aquisições de outras mercadorias e na obtenção de serviços 
indispensáveis, satisfazendo as necessidades humanas no convívio social. É 
ainda o meio normal de pagamento.
Porém, a evolução dos instrumentos de troca não parou por aí, pois a engenhosidade 
humana, frente às necessidades que surgiram, criou uma "nova moeda", que permitiria trocar 
dinheiro presente por dinheiro futuro. De fato, fruto do intelecto do homem, surgiu o crédito.
Porém, a evolução dos instrumentos de troca não parou por aí, pois a engenhosidade 
humana, frente às necessidades que surgiram, criou uma "nova moeda", que permitiria trocar 
dinheiro presente por dinheiro futuro. De fato, fruto do intelecto do homem, surgiu o crédito.
FONTE: Adaptado de: <utjurisnet.tripod.com/artigos/080.html>. Acesso em: 4 mar. 2013.
E para que servia este crédito? Servia para suprir a falta de dinheiro das pessoas 
que não dispunham do capital necessário no momento da conclusão do negócio, mas que 
o teriam futuramente. Com base nisso, geralmente o outro contratante dava-lhe um crédito. 
Isto é, acreditava em sua palavra e concluía o negócio, tendo em vista o dinheiro futuro, ou 
lhe emprestava a quantia necessária para depois recebê-la. O crédito era, como ainda o é, 
baseado na confi ança, na crença na palavra do outro (daí também a origem etimológica da 
palavra, que, segundo Requião, vem de "credere", de "creditum", ato de confi ança, fé, crença).
Por isso pode-se conceituar crédito como sendo "a confi ança que uma pessoa inspira 
à outra cumprir, no futuro, obrigação atualmente assumida”. (REQUIÃO, 1995, p. 318).
Este crédito, geralmente em dinheiro, passou a ser representado por um papel, um 
título, que dava mais segurança ao credor de que efetivamente o devedor honraria a palavra 
e pagaria o débito.
Porém, este título ou cártula era simplesmente representativo do crédito, não tendo a 
mesma força de troca, por exemplo, que tem o dinheiro.
Assim, o crédito não tinha grande função prática senão na relação em que havia sido 
originado, na qual permitia, repita-se, a troca de dinheiro presente por dinheiro futuro. Porém, não 
podia tal título ser transferido a outrem de forma rápida, por estar vinculado à causa originária 
de sua existência. Não servia, pois, como útil instrumento de troca, como forma de pagamento.
Assim, o crédito não tinha grande função prática senão na relação em que havia sido 
originado, na qual permitia, repita-se, a troca de dinheiro presente por dinheiro futuro. Porém, não 
podia tal título ser transferido a outrem de forma rápida, por estar vinculado à causa originária 
de sua existência. Não servia, pois, como útil instrumento de troca, como forma de pagamento.
FONTE: Adaptado de: <utjurisnet.tripod.com/artigos/080.html>. Acesso em: 4 mar. 2013.
Com relação a esse período, relata-nos Waldemar Ferreira (1962, p. 181) que "esses 
entraves para a circulação de tais títulos se fi zeram sentir sobremodo no mundo dos negócios. 
Havia a necessidade de suprimir a exigência da causa para que eles se pudessem transmitir”. 
E complementa:
Para o homem de negócios, nada de maior utilidade haveria do que obter 
certifi cado ou título que pudesse transferir, com a mesma facilidade que 
qualquer bem móvel, e lhe conferisse direito próprio, justifi cado pela exibição 
do título à prestação, nele de qualquer maneira incluída, sem necessidade 
de fazer descer sua perquirição até o credor primitivo, em cujos direitos se 
UNIDADE 1 TÓPICO 5 67
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
houvesse investido. (FERREIRA, 1962).
3 TEORIA gERAL DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
3.1 CONCEITO E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS 
 DO TÍTULO DE CRÉDITO
3.1.1 Conceito
Cesare Vivante (1981, p. 1981) conceitua título de crédito:
IMP
OR
TAN
TE! �
O Código Civil Brasileiro (Lei n◦ 10.406/2002), em seu art. 887, 
também conceitua o título de crédito: Art. 887. O título de crédito, 
documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele 
contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei. 
(BRASIL, 2013).
O Código Civil de 2002 trata especificamente sobre os títulos de crédito, do artigo 887 
ao artigo 926.
UNIDADE 1TÓPICO 568
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
3.1.2 Principais características (ou princípios) 
 dos títulos de crédito
Um documento, para ser um título de crédito, deve apresentar duas características: a 
literalidade e a autonomia. Além disso, há também a cartularidade, que é a materialização do 
título em uma cártula, ou seja, em um papel. 
DIC
AS!
Releia o conceito de título de crédito que vimos acima. Neste conceito 
você pode reconhecer o princípio da cartularidade, quando se diz que 
ele é um documento necessário para o exercício do direito nele contido.
O princípio da cartularidade é, pois, o próprio documento para representar o crédito. 
Sem o título, seria totalmente impossível exigir o direito nele contido. O credor, para exercer 
seu direito de cobrança, necessita do título. Sem ele, o devedor não estará obrigado a pagar.
A literalidade refere-se ao conteúdo do texto, significando que tudo o que consta 
no título de crédito não mais se discute. Uma nota promissória, por exemplo, é um título de 
crédito desde o seu nascedouro, e o devedor, subscrevendo-a, não pode, posteriormente, por 
em dúvida o seu conteúdo, que passa a valer pelo que nele está contido. Não se discute, por 
exemplo, o valor e o prazo contidos no título, porque o devedor, ao emitir a nota promissória, 
reconheceu o seu conteúdo.
A autonomia do título de crédito refere-se à sua circulação e à segurança de quem 
o recebe. De uma forma bem simplificada, pode-se explicar que o título circula e aquele que 
o possuir terá o direito de receber o crédito nele representado de quem nele consta como 
devedor. Ou seja, não ficará o credor exposto ao risco de não receber o crédito em razão de 
circunstâncias ocorridas anteriormente entre o devedor e o credor anterior. Por exemplo, se 
o título estiver com o credor, o devedor não poderá eximir-se do pagamento, alegando que já 
pagou ao credor anterior ou que foi coagido a assiná-lo, por o título ser autônomo. 
Trata-se, pois, a autonomia de um fator de segurança das relações econômicas travadas 
por meio de títulos de crédito. Se estiver de boa-fé, poderá, sim, o credor, exercitar seu direito 
creditório, posto que o direito constituídona cártula seja autônomo, independe das relações 
entre seus anteriores possuidores. É como se, ao se adquirir de boa-fé um título de crédito, 
passassem a inexistir todas as relações anteriores que o envolveram. 
UNIDADE 1 TÓPICO 5 69
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
IMP
OR
TAN
TE! �
Esta característica é expressamente prevista na Lei nº 2.044/1908, em 
seu art. 43: As obrigações cambiais são autônomas e independentes 
umas das outras. [...] (BRASIL, 2013).
3.2 CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
Os títulos de crédito podem ser classificados quanto: à causa, ao emitente, à emissão, 
à circulação. Veja o quadro a seguir, que traz as principais classificações:
QUADRO 1 - CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
A – Quanto à Causa
Abstratos: deles não se interroga a origem. São exemplos: Letra 
de Câmbio, Nota Promissória, Cheque.
Causais: ligam-se à origem (dizem respeito à compra e venda de 
mercadorias e prestação de serviço). São exemplos: as duplicatas 
e ações.
b – Quanto ao Emitente
Públicos: são emitidos por pessoas jurídicas de Direito Público: 
União, Estados, Municípios, Territórios, Autarquias.
Privados: compreendem os títulos emitidos por particulares, civil 
ou comerciante.
C – Quanto à Emissão
Individuais ou singulares: são títulos acessórios que se 
contrapõem ao título principal ao qual se referem. Ex.: cheques e 
duplicatas.
Em série ou em massa: emitidos em geral a longo prazo 
(prestações periódicas, juros, dividendos etc.).
D – Quanto à Circulação
Ao portador: os títulos de crédito ao portador são os transferíveis 
por tradição. O proprietário presume-se ser o portador do título. Não 
obedece a formalidade alguma. Transfere-se de forma simples e 
rápida. Entretanto, o devedor poderá opor exceção ao seu portador 
fundando-se em direito pessoal ou em nulidade de sua obrigação. 
É o que determina o artigo 906 do Código Civil Brasileiro.
Nominativos: são os títulos cuja propriedade se transfere por 
endosso, portanto diferem dos nominativos. 
À ordem: se um título de crédito tiver inserido, pelo seu emitente, 
a cláusula à ordem, perderá sua condição de simples título 
nominativo, passando a circular pelo endosso que, sendo em 
branco, fará com que circule como título ao portador.
FONTE: Os autores (2009), com base na doutrina de Rubens Requião (1995)
UNIDADE 1TÓPICO 570
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
3.3. CONCEITOS IMPORTANTES
Também são bastante usuais nos títulos de crédito institutos como o endosso, o aval, o 
protesto, entre outros. Também é importante que entendamos os mecanismos de apresentação e 
algumas medidas judiciais necessárias para o recebimento do crédito. Iniciaremos pelo endosso.
3.3.1 Endosso
Conforme Amador Paes de Almeida (2005, p. 23), “o endosso é o meio pelo qual se 
transfere a propriedade de um título [...]”, sendo que, em havendo a entrega do título transfere-
se a posse deste, conforme dispõe o art. 893 do Código Civil: a transferência do título de 
crédito implica a de todos os direitos que lhe são inerentes. (BRASIL, 2013).
O endosso é efetuado com a assinatura do endossante ou de alguém com poderes 
especiais para assinar em seu lugar (mandatário), no verso da letra, conforme dispõe o art. 8º 
do Decreto nº 2.044/1908. Ou seja, para “a validade do endosso é bastante a assinatura do 
próprio punho do endossante no verso da letra [...] ou em folha ligada a este, sob pena de não 
produzir efeitos cambiais”. (ALMEIDA, 2005, p. 40).
 De uma forma bem simplificada, podemos classificar o endosso em próprio e impróprio.
Quando aquele que endossa o título, chamado endossante, transfere a propriedade 
do título, e sua titularidade, este fica co-obrigado pelo pagamento do título, ou seja, caso o 
sacado não o pague, o beneficário ou o tomador poderá cobrar dele. Este é o endosso próprio.
O endosso próprio é subdividido em endosso em preto, que é aquele: 
que menciona expressamente o nome do endossatário, isto é, do beneficiário 
do endosso. É indispensável a assinatura de próprio punho do endossante ou 
de mandatário especial, como indispensável é a indicação do endossatário 
[...] No endosso em branco, omite-se o nome do endossatário, limitando-se 
o endossante a firmar de próprio punho a sua assinatura no verso do título. 
(ALMEIDA, 2005, p. 42- 43).
Já o endosso impróprio, “sem privar o titular dos seus direitos cambiais, transfere ao 
mandatário o exercício e a conservação destes direitos”. (ALMEIDA, 2005, p. 42). Não transfere 
a titularidade do crédito, mas apenas possibilidade ao detentor do exercício de seus direitos. 
São espécies de endosso impróprio o endosso-mandato, também conhecido como 
UNIDADE 1 TÓPICO 5 71
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
“endosso procuração”, é aquele que confere ao endossatário a possibilidade de agir como 
representante do endossante, exercendo os direitos inerentes ao título; e o endosso-caução, 
em que o título fica em garantia (penhor) em favor do credor do endossante.
Por fim, vejamos um exemplo de endosso:
FIGURA 4 - ENDOSSO
FONTE: Cartório de Distribuição Rui Barbosa do Distrito Federal. Disponível em: <http://www.
distribuidordf.com.br/exec/default_1.asp?idp=44>. Acesso em: 15 fev. 2013.
3.3.2 Aval
Da doutrina de Amador Paes de Almeida colhe-se que “Aval é garantia de pagamento 
firmada por terceiro”. (ALMEIDA, 2005, p. 48).
 
Ao avalizar um título, o avalista garante o pagamento do título. Caso o devedor não o 
faça, assumindo obrigações cambiais iguais às do mesmo, como dispõe expressamente o art. 
32 da Lei Uniforme de Genebra, adotado pelo Brasil através do Decreto nº 57.663, de 24 de 
janeiro de 1966, sendo, porém, autônoma. Ou seja, o “avalista, dado o aval, se obriga ainda 
UNIDADE 1TÓPICO 572
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
que nula, inexistente ou ineficaz a obrigação principal. Daí não ser lícito ao avalista arguir em 
sua defesa falta de causa na origem do título”. (ALMEIDA, 2005, p. 48).
ATEN
ÇÃO!
Aval e fiança não se confundem! O aval é concedido nos títulos de crédito 
e a fiança nos contratos. O aval é obrigação autônoma, como vimos 
acima, o que não acontece com a fiança, que é obrigação acessória. 
Nulo o contrato, nula a fiança. Porém, em ambos será necessária 
a autorização do cônjuge (outorga uxória ou autorização marital), 
conforme exige o Código Civil de 2002.
3.3.3 Protesto
O protesto é o “ato formal extrajudicial que objetiva conservar e ressalvar direitos”, 
podendo assim ser caraterizado como uma providência que o credor toma para tornar público 
que o título foi apresentado para aceite ou para pagamento sem que o devedor ou o aceitante 
tenham tomado esta providência. Com o protesto, o credor torna público, inclusive aos 
demais co-obrigados pelo título, que nem uma nem outra providência foi tomada por parte do 
sacado ou aceitante, respectivamente. Assim, com o protesto, o portador prova aos demais 
co-obrigados que não recebeu a quantia representada no título, ou ainda, que o título não foi 
aceito ou devolvido. 
O protesto não é obrigatório contra o devedor principal para que se possa entrar na 
justiça, a fim de obter o pagamento. “Todavia, conquanto facultativo relativo aos obrigados 
principais: aceitante e seu respectivo avalista, que lhe é equiparado para todos os efeitos – o 
protesto se faz indispensável quando setrata de coobrigados: sacador, endossantes e seus 
avalistas”. (ALMEIDA, 2005, p. 388). 
É importante salientar que a falta do protesto obrigatório gerará a perda do direto 
de regresso contra o sacador, endossadores e avalistas, conforme o art. 32 do Decreto nº 
2.044/1908.
O protesto deve ser realizado no lugar onde a obrigação deve ser satisfeita encaminhando-
se o título a um cartório que se chama Tabelionato. É este que encaminha ao devedor um aviso 
de que o título foi apontado para protesto. 
O devedor ou coobrigado disporá de três dias a contar da notificação para pagar ou 
sustar o protesto, sendo que esta última providência é tomada judicialmente, como através de 
UNIDADE 1 TÓPICO 5 73
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
advogado que precisará provar porque o protesto não deverá ser lavrado (ex.: a duplicata é 
nula porque não está vinculada a uma compra e venda). 
O cancelamento do protesto somente acontecerá mediante pagamento com entrega do 
título em cartório ou com a concessão pelo credor de um documento formal, chamado “carta 
de anuência”, ou ainda mediante decisão judicial, como mencionamos acima. 
3.3.4 Prescrição
Como mencionamos acima, o título cambial vincula o devedor e seus obrigados à 
obrigação nele representada. Porém, esta vinculação não poderá ser eterna. Em não havendo 
o adimplemento, o credor deverá ir a juízo para receber o valor constante do título. O meio 
legal posto à sua disposição se chama “ação executiva”. Porém, quando o credor fica inerte, ou 
seja, não toma as providências necessárias ao recebimento do crédito, diz-se que seu direito 
“prescreveu”, e o título se transforma em um título comum, que perde esta força. Restarão ao 
credor caminhos um pouco “mais longos”, como a ação de cobrança e a ação monitória. 
Os prazos prescricionais estão previstos em lei e dependem do tipo de título, como 
veremos a seguir.
4 TÍTULOS DE CRÉDITO EM ESPÉCIE
Agora que conhecemos a Teoria Geral dos Títulos de Crédito, estudaremos 
especificamente os títulos de crédito em espécie. Para nosso estudo vamos nos limitar aos 
mais comumente usados no dia a dia das empresas. 
Inicialmente, veja o quadro a seguir, que traz os títulos e a legislação que os regulamenta:
QUADRO 2- ESPÉCIES DE TÍTULO DE CRÉDITO
1. Títulos mais comumente usados
- Letra de Câmbio: Decreto n° 2.044, de 31/08/1908; 
Decreto n° 57.663, de 24/01/1966. 
- Nota Promissória: Decreto n° 2.044, de 31/08/1908; 
Decreto n° 57.663, de 24/01/1966. 
- Duplicata Mercantil: Lei n° 5.474, de 18/07/1968; 
Resolução MF/BACEN n° 102, de 1968. 
- Cheque: Lei n° 7.357, de 02/09/1985.
2. Títulos de Crédito Industrial
- Cédula de Crédito Industrial.
- Nota de Crédito Industrial. 
Decreto-Lei n° 413, de 09/01/1969.
UNIDADE 1TÓPICO 574
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
3. Títulos de Crédito Rural
- Nota Promissória Rural.
- Duplicata Rural.
- Cédula Rural Pignoratícia.
- Cédula Rural Hipotecária.
- Cédula Rural Pignoratícia e Hipotecária.
- Nota de Crédito Rural.
Decreto-Lei n° 167, de 14.02.1967.
4. Títulos da Dívida Agrária
Decreto n° 578, de 24 de junho de 1992 – Dá nova 
regulamentação ao lançamento dos Títulos da Dívida 
Agrária. 
5. Títulos de Crédito Comercial - Cédula de Crédito Comercial.Lei n° 6.840, de 3 de novembro de 1980.
6. Títulos de Crédito Bancário
Cédula de Crédito Bancário.
Lei n° 4.728, de 14/07/1965 (disciplina o mercado 
de capitais e estabelece medidas para o seu 
desenvolvimento), e a Medida Provisória n° 2.160-25, 
de 23/08/2001, que dispõe sobre a Cédula de Crédito 
Bancário.
7.Títulos de Crédito à Exportação
- Cédula de Crédito à Exportação.
- Nota de Crédito à Exportação.
 Lei n° 6.313, de 16.12.1975.
8. Títulos de Crédito Comercial
- Cédula de Crédito Comercial.
- Nota de Crédito Comercial.
Lei n° 6.840, de 03.11.1980.
9. Outros títulos de Crédito
Debêntures, ações, letras imobiliárias, warrants, 
conhecimento de transporte, títulos da dívida pública, 
cédula hipotecária, partes beneficiárias, bilhete de 
mercadoria, certificados de depósitos, certificados 
de investimentos, nota de crédito comercial etc. Os 
títulos societários têm seu fundamento legal na Lei n◦ 
6.404/1976 (dispõe sobre as sociedades por ações).
FONTE: O autor, com base na legislação brasileira.
UNI
Será interessante que você tenha em mãos a legislação apontada como 
reguladora de cada um dos títulos de crédito. Você pode obtê-la no 
seguinte endereço: <http://www. planalto.gov.br>.
4.1 LETRA DE CÂMBIO
É o Decreto n◦ 2.044/1908 que regulamenta a Letra de Câmbio e a Nota Promissória, 
trazendo o conceito e os requisitos deste título:
Art. 1º A letra de câmbio é uma ordem de pagamento e deve conter requisitos, 
lançados, por extenso, no contexto:
I. A denominação “letra de câmbio” ou a denominação equivalente na língua 
em que for emitida.
UNIDADE 1 TÓPICO 5 75
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
II. A soma de dinheiro a pagar e a espécie de moeda.
III. O nome da pessoa que deve pagá-la. Esta indicação pode ser inserida 
abaixo do contexto.
IV. O nome da pessoa a quem deve ser paga. A letra pode ser ao portador 
e também pode ser emitida por ordem e conta de terceiro. O sacador pode 
designar-se como tomador.
V. A assinatura de próprio punho do sacador ou do mandatário especial. A 
assinatura deve ser firmada abaixo do contexto. (BRASIL, 2013).
A letra de câmbio é, pois, um título à ordem, que se cria mediante o saque. Como 
salienta Amador Paes de Almeida (2005, p. 23):
O sacador cria a letra. Conhecido também como doador, ele saca o título dando 
ordem ao sacado, na qual se consigna o valor a pagar e o dia do vencimento. 
Este, o sacado, é o devedor, aquele que aceitando a letra virá pagá-la na 
ocasião do vencimento. [...] o tomador é o beneficiário, que poderá ser um 
terceiro ou confundir-se com o próprio sacador, o que não é raro ocorrer. 
A letra de câmbio é, assim, uma ordem que o emitente, chamado sacador, dá ao sacado 
para que pague o valor constante do título ao beneficiário ou tomador. A emissão deste título 
se chama saque. Assim, para entender seu mecanismo, suponha que: A deve para C e tem 
crédito com B. Ao invés de B pagar para A, através da letra de câmbio, A (sacador) dá uma 
ordem de pagamento para B (sacado) pagar para C (beneficiário). Por isso, se diz que a letra 
de câmbio é uma ordem de pagamento. O título pode circular e ser transferido de uma pessoa 
para a outra através do endosso, como vimos acima, devendo haver o aceite do sacador. O 
pagamento poderá ser garantido por aval. 
Veja um modelo de letra de câmbio:
FIGURA 5 - MODELO DE LETRA DE CÂMBIO
FONTE: Disponível em: <http://www.marcoevangelista.com.br/titulos_de_credito.htm>. 
Acesso em: 5 mar. 2013.
UNIDADE 1TÓPICO 576
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
4.2 NOTA PROMISSÓRIA
O conceito e os requisitos da nota promissória também são trazidos pelo art. 54 do 
Decreto nº 2.044/1908. Observe:
Art. 54. A nota promissória é uma promessa de pagamento e deve conter estes 
requisitos essenciais, lançados, por extenso, no contexto:
I. a denominação de “Nota Promissória” ou termo correspondente, na língua 
em que for emitida;
II. a soma de dinheiro a pagar;
III. o nome da pessoa a quem deve ser paga;
IV. a assinatura do próprio punho do emitente ou do mandatário especial. 
(BRASIL, 2013).Estes requisitos são essenciais, ou seja, são indispensáveis para a validade do título. 
Outros requisitos são apontados pela doutrina como não essenciais:
a) a data e o lugar da emissão;
b) a época do vencimento;
c) o lugar do pagamento. 
Na ausência dos requisitos não essenciais mencionados, obedece-se às 
seguintes regras:
I - pode o portador inserir a data e o lugar da emissão;
II - será pagável à vista;
III - será pagável no domicílio do emitente. (ALMEIDA, 2005, p. 104)
Veja um modelo de Nota Promissória.
FONTE: Disponível em: <http://www.bigleilao.com.br/utilitarios/promissoria/form-promissoria.
htm>. Acesso em: 5 mar. 2013.
FIGURA 6 - MODELO DE NOTA PROMISSÓRIA
UNIDADE 1 TÓPICO 5 77
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
A prescrição da Nota Promissória, conforme determinado no art. 70 da Lei Uniforme de 
Genebra, disciplinado pelo Decreto nº 57.663, de 24 de janeiro de 1966, o qual definiu para as 
ações contra o aceitante dessas letras de crédito, ocorre nos seguintes prazos: 
- 3 anos: do portador contra o emitente ou avalista;
- 1 ano: do portador contra o endossante(s);
- 6 meses: dos endossantes uns contra os outros. (BRASIL, 2013).
4.3 CHEQUE
Pode-se conceituar o cheque como sendo “o título revestido de determinadas 
formalidades legais, contendo uma ordem de pagamento à vista, passada em favor próprio ou 
de terceiro”. (ALMEIDA, 2005, p. 111).
Esta ordem pressupõe a existência de fundos em um banco denominado sacado que 
cumprirá a ordem do emitente, pagando a quantia representada no cheque ao beneficiário. 
Desde 1990, o cheque não pode ser ao portador, ou seja, deverá ser nominal.
No Brasil, aplica-se ao cheque a Lei Uniforme de Genebra (Decreto nº 57663/66), além 
da Lei n◦ 7.357/85, que o regulamenta e que dispõe em seu art. 1º. 
Que são requisitos do cheque:
I – a denominação “cheque” inscrita no contexto do título e expressa na língua 
em que é regido;
II - a ordem incondicional de pagar quantia determinada;
III – o nome do banco ou instituição financeira que deve pagar (sacado);
IV – a indicação do lugar de pagamento; 
V – a indicação da data e do lugar de emissão;
VI – a assinatura do emitente (sacador), ou de seu mandatário com poderes 
especiais. (BRASIL, 2013).
 Dos requisitos mencionados, na verdade não são essenciais o do lugar do 
pagamento e o da emissão. Já que na falta de tais indicações é considerado o 
lugar designado junto ao nome do sacado (banco); designados vários lugares, o 
cheque é pagável no primeiro deles; inexistindo indicação, o cheque é pagável 
no lugar de sua emissão. Não indicando o lugar da emissão, considera-se 
emitido o cheque no lugar indicado junto ao nome do emitente (sacador). 
(ALMEIDA, 2005, p. 116).
O cheque tem implícita a causa “à ordem”, significa dizer que se transmite normalmente 
mediante endosso, conforme dispõe o art. 17 da Lei nº 7.357/85, que pode ser feito no verso ou 
anverso do cheque. A figura do avalista também é possível no cheque, sendo que esta garantia 
poderá ser lançada no verso (com a expressão “por aval”) ou anverso do título. 
Quanto às espécies de cheque, em resumo, podemos destacar as seguintes: a) cheque 
visado; b) cheque administrativo; c) cheque cruzado; d) cheque para ser creditado em conta.
UNIDADE 1TÓPICO 578
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
a) Cheque visado: é aquele em que há uma confirmação da existência de fundos para 
compensá-lo através de um visto, certificado ou declaração equivalente (BRASIL, 2013) do 
banco sacado colocado no verso do título. Em razão deste visto, o dinheiro correspondente 
fica reservado na conta do emitente ou sacador do cheque, durante o prazo de apresentação 
do cheque.
b) Cheque administrativo: o cheque administrativo é o “cheque emitido pelo próprio banco, 
contra si mesmo”. “Passado (emitido ou sacado) contra o próprio sacador (o banco)”. 
(ALMEIDA, 2005, p. 159). O cheque administrativo deverá ser necessariamente nominal, 
por expressa exigência legal. (art. 9º. III da Lei do Cheque).
c) Cheque cruzado: é aquele em que são colocadas duas linhas paralelas em seu anverso, 
o que determina que o cheque só poderá ser depositado, não sendo assim possível seu 
saque em dinheiro, mas apenas o depósito em banco. Se houver o nome de um banco 
entre as duas linhas, somente no banco indicado é que o cheque poderá ser depositado. 
d) Cheque para se apresentar em conta: neste tipo de cheque, o emitente identifica a conta 
do credor para depósito, não sendo possível seu pagamento em dinheiro.
Para que seja liquidado, o cheque deverá ser apresentado ao banco, dentro de um 
determinado prazo, de acordo com o tipo de cheque. Conforme o art. 11 da Resolução nº 1.682 
do Banco Central de 31 de janeiro de 1990, são os seguintes os prazos, a contar do saque: 
• Cheque da “mesma praça”  30 dias
• Cheque de “praças diferentes”  60 dias
Vejamos um modelo de cheque.
FIGURA 7 - MODELO DE CHEQUE
UNIDADE 1 TÓPICO 5 79
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
FONTE: Cartório de Distribuição Rui Barbosa do Distrito Federal. Disponível em: 
<http://www.distribuidordf.com.br/exec/default_1.asp?idp=44>. Acesso em: 15 fev. 2013.
IMP
OR
TAN
TE! �
Art. 6º O cheque poderá ser devolvido por um dos motivos a seguir classifi cados: 
Cheque sem provisão de fundos 
11 - Cheque sem fundos - 1ª apresentação. 
12 - Cheque sem fundos - 2ª apresentação. 
13 - Conta encerrada. 
14 - Prática espúria. 
Impedimento ao pagamento 
21 - Contraordem (ou revogação) ou oposição (ou sustação) ao pagamento pelo emitente ou 
pelo portador. 
22 - Divergência ou insufi ciência de assinatura. 
23 - Cheques emitidos por entidades e órgãos da administração pública federal direta e indireta, 
em desacordo com os requisitos constantes do artigo 74, 2º, do Decreto-Lei nº 200, de 
25.02.67. 
24 - Bloqueio judicial ou determinação do Banco Central do Brasil. 
25 - Cancelamento de talonário pelo banco sacado. 
26 - Inoperância temporária de transporte. 
Art. 6º O cheque poderá ser devolvido por um dos motivos a seguir classifi cados: 
Cheque sem provisão de fundos 
11 - Cheque sem fundos - 1ª apresentação. 
12 - Cheque sem fundos - 2ª apresentação. 
13 - Conta encerrada. 
14 - Prática espúria. 
Impedimento ao pagamento 
21 - Contraordem (ou revogação) ou oposição (ou sustação) ao pagamento pelo emitente ou 
pelo portador. 
22 - Divergência ou insufi ciência de assinatura. 
23 - Cheques emitidos por entidades e órgãos da administração pública federal direta e indireta, 
em desacordo com os requisitos constantes do artigo 74, 2º, do Decreto-Lei nº 200, de 
25.02.67. 
24 - Bloqueio judicial ou determinação do Banco Central do Brasil. 
25 - Cancelamento de talonário pelo banco sacado. 
26 - Inoperância temporária de transporte.A Resolução nº 1.682 do Banco Central de 31 de janeiro de 1990, 
em seu art. 06, estabelece os motivos pelos quais o cheque pode ser 
devolvido pela instituição fi nanceira:
UNIDADE 1TÓPICO 580
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
27 - Feriado municipal não previsto. 
 Cheque com irregularidade 
31 - Erro formal (sem data de emissão, com o mês grafado numericamente, ausência de 
assinatura, não registro do valor por extenso). 
32 - Ausência ou irregularidade na aplicação do carimbo de compensação. 
33 - Divergência de endosso. 
34 - Cheque apresentado por estabelecimento bancário que não o indicado no cruzamento em 
preto, sem o endosso-mandato. 
35 - Cheque fraudado, emitido sem prévio controle ou responsabilidade do estabelecimento 
bancário ("cheque universal"), ou ainda com adulteração da praça sacada. 
 Apresentação indevida 
41 - Cheque apresentado a banco que não o sacado. 
42 - Cheque não compensável na sessão ou sistema de compensação em que apresentado. 
43 - Cheque devolvido anteriormente pelos motivos 21, 22, 23, 24 e 31, não passível de 
reapresentação em virtude de persistir o motivo da devolução. 
44 - Cheque prescrito. 
45 - Cheque emitido por entidade obrigada a realizar movimentação e utilização de recursos 
fi nanceiros do Tesouro Nacional mediante ordem bancária. 
49 - Remessa nula, caracterizada pela reapresentação de cheque devolvido pelos motivos 12, 
13, 14, 43, 44 e 45, podendo a devolução ocorrer a qualquer tempo. 
27 - Feriado municipal não previsto. 
 Cheque com irregularidade 
31 - Erro formal (sem data de emissão, com o mês grafado numericamente, ausência de 
assinatura, não registro do valor por extenso). 
32 - Ausência ou irregularidade na aplicação do carimbo de compensação. 
33 - Divergência de endosso. 
34 - Cheque apresentado por estabelecimento bancário que não o indicado no cruzamento em 
preto, sem o endosso-mandato. 
35 - Cheque fraudado, emitido sem prévio controle ou responsabilidade do estabelecimento 
bancário ("cheque universal"), ou ainda com adulteração da praça sacada. 
 Apresentação indevida 
41 - Cheque apresentado a banco que não o sacado. 
42 - Cheque não compensável na sessão ou sistema de compensação em que apresentado. 
43 - Cheque devolvido anteriormente pelos motivos 21, 22, 23, 24 e 31, não passível de 
reapresentação em virtude de persistir o motivo da devolução. 
44 - Cheque prescrito. 
45 - Cheque emitido por entidade obrigada a realizar movimentação e utilização de recursos 
fi nanceiros do Tesouro Nacional mediante ordem bancária. 
49 - Remessa nula, caracterizada pela reapresentação de cheque devolvido pelos motivos 12, 
13, 14, 43, 44 e 45, podendo a devolução ocorrer a qualquer tempo. 
(BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2013). 
Após o prazo de seis meses, não será mais possível receber o cheque. Após este prazo, 
o cheque perde sua força executiva, cabendo apenas ao benefi cário cobrá-lo judicialmente 
através de ação monitória ou de cobrança.
IMP
OR
TAN
TE! �
 O cheque pós-datado, que na prática se chama “pré-datado”, muito 
usado no dia a dia, desvirtua o cheque como “ordem de pagamento 
à vista”. É por isso que o art. 32 da Lei n◦ 7.357/85 é claro ao dispor 
que o cheque apresentado antes da data indicada como de emissão 
é pagável no dia da apresentação. Apesar disso, já existem decisões 
judiciais reconhecendo que o cheque, neste caso, se transforma em 
uma promessa de pagamento, uma espécie de nota promissória, 
porque decorrente de um acordo entre as partes e, assim sendo, 
deve ser respeitado o prazo de apresentação nele constante. (BRASIL, 
2013).
UNIDADE 1 TÓPICO 5 81
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
O pagamento do cheque pode ser impedido através da sustação, que deve ser requerida 
diretamente ao banco sacado.
4.4 DUPLICATA
A duplicata é um título de crédito emitido em razão de uma compra e venda mercantil, 
representada em uma fatura. A fatura “é uma nota do vendedor, descrevendo a mercadoria, 
discriminando a sua qualidade e quantidade, fixando-lhe o preço. É, portanto, uma prova do 
contrato de compra e venda mercantil”. (ALMEIDA, 2005, p. 183). 
Do exposto acima é possível entender que a duplicata é um título causal, ou seja, 
depende da existência de uma fatura que legitima sua omissão. Se isso não acontecer, 
estaremos diante do que se conhece como “duplicata fria”, tecnicamente chamada de “duplicata 
simulada”, que inclusive é crime. A duplicata também se transmite por endosso e seu pagamento 
pode ser garantido por aval.
Na emissão da duplicata, segundo a Lei nº 5.474/68 e Resolução 102 do Conselho 
Monetário Nacional que a disciplina, devem ser observados os seguintes requisitos: 
- A denominação “duplicata”.
- A data de emissão.
- O número de ordem.
- O número da fatura da qual foi extraída.
- Data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista.
- O nome e o domicílio do vendedor e do comprador.
- A importância a pagar, em algarismos e por extenso.
- A praça de pagamento.
- A cláusula à ordem (a cláusula “não à ordem” somente pode ser inserida no 
título por endossante, e, como o vendedor saca a seu favor, ele, necessaria-
mente, é o primeiro endossante do título).
- A declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obrigação de pagá-la. 
A ser assinada pelo comprador, como aceite cambial (o comprador deve ser 
identificado com nome, domicílio e documento: RG, CPF etc.) e a assinatura 
do emitente (seguindo, a indicação de seu nome e domicílio). (BRASIL, 2013).
A duplicata deverá, segundo a lei, ser enviada para “aceite” do sacado, o que corresponde 
ao reconhecimento da existência da dívida, e sua falta poderá ser motivo de protesto, assim 
como a falta de devolução do título e a falta de pagamento. 
Para a cobrança judicial através de ação executiva, a duplicata sem aceite deverá ser 
acompanhada do comprovante de entrega de mercadoria e do protesto, e a ação ajuizada nos 
prazos máximos previstos na Lei nº 5.474/68, em seu art. 18: 
Em 3 anos, contados da data do vencimento do título, contra o sacado e 
respectivos avalistas. 
Em 1 ano, contando da data do protesto, contra os endossantes e respectivos 
UNIDADE 1TÓPICO 582
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
avalistas.
Em 1 ano, contando da data em que haja sido efetuado o pagamento do título, 
de qualquer dos co-obrigados, uns contra os outros. A duplicata poderá também 
ser referente a uma prestação de seviços. (BRASIL, 2013). 
Veja um modelo de duplicata.
FIGURA 8 – MODELO DE DUPLICATA
FONTE: Cartório de Distribuição Rui Barbosa do Distrito Federal. Disponível em: 
 <http://www.distribuidordf.com.br/exec/default_1.asp?idp=44#duplicata>. Acesso em: 
 5 mar. 2013.
UNIDADE 1 TÓPICO 5 83D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
RESUMO DO TÓPICO 5
Neste tópico você viu que:
• A história do surgimento do crédito no mundo, como instrumento necessário a suprir a falta 
de dinheiro das pessoas que não dispunham do capital necessário no momento da conclusão 
do negócio, mas que o teriam futuramente.
• O conceito e as características dos títulos de crédito: autonomia, literalidade e carturalidade.
• Os conceitos de endosso, aval e protesto.
● As características, requisitos e os vários títulos de crédito em espécie, admitidos pelo Direito 
Brasileiro, quais sejam: a Letra de Câmbio, Nota Promissória, Duplicata Mercantil, Cheque, 
Cédula de Crédito Industrial, Nota de Crédito Industrial, Nota Promissória Rural, Duplicata 
Rural, Cédula Rural Pignoratícia, Cédula Rural Hipotecária, Cédula Rural Pignoratícia e 
Hipotecária e a Nota de Crédito Rural.
UNIDADE 1TÓPICO 584
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
AUT
OAT
IVID
ADE �
Para a fixação do conteúdo deste tópico, assinale a alternativa CORRETA:
1 A nota promissória é uma:
a ( ) Ordem de pagamento.
b ( ) Promessa de pagamento.
c ( ) Forma de pagamento.
2 Sobre o protesto de título é correto afirmar:
a ( ) É dispensável contra o devedor principal como regra geral.
b ( ) É sempre indispensável.
c ( ) É condição essencial para cobrança perante o devedor.
3 O aval:
a ( ) É uma obrigação acessória.
b ( ) É uma obrigação autônoma.
c ( ) É uma obrigação principal.
4 A nota promissória em que não consta a data do vencimento:
a ( ) Não é válida.
b ( ) Considera-se com vencimento à vista.
c ( ) Considera-se com vencimento no exercício financeiro seguinte ao da sua emissão.
5 Esta característica do título de crédito refere-se ao fato de que o título vale pelo que nele está 
escrito:
a ( ) Autonomia.
b ( ) Literalidade. 
c ( ) Exigibilidade.
6 Sobre o cheque administrativo, pode-se dizer que:
a ( ) É o cheque passado pela administração pública a seus fornecedores.
b ( ) É o cheque emitido pelo banco sacado contra si mesmo.
c ( ) É o cheque emitido pelo administrador de uma empresa pública.
7 Tratando-se um cheque de cheque cruzado:
a ( ) Este somente poderá ser depositado.
b ( ) Este somente poderá ser sacado no caixa do banco.
c ( ) Perde sua validade, pois está rasurado.
8 Sobre a duplicata é correto afirmar:
a ( ) É título causal, porque depende da existência de uma fatura.
b ( ) Não depende de fatura para ser emitida.
c ( ) Para a cobrança judicial através de ação executiva, a duplicata sem aceite não precisa 
estar acompanhada do comprovante de entrega de mercadoria e do protesto.
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E 
FALÊNCIA
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 6
Neste último tópico nos dedicaremos ao estudo da situação de insolvência que pode 
acometer as sociedades empresárias quando estas deixam de cumprir seus compromissos 
financeiros.
A Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, traz as disposições legais que regulamentam 
esta situação, concedendo aos empresários instrumentos para que sua situação seja revertida 
através da recuperação da empresa. Caso não seja possível esta recuperação, haverá a 
liquidação forçada dos ativos da empresa, a que comumente denominamos de falência. 
 Não sendo possível obter esse benefício, prevê a lei a liquidação forcada de seu 
patrimônio para que, com o saldo apurado, sejam pagos os credores. Essa última denomina-
se falência.
UNIDADE 1
2 DA RECUPERAÇÃO DA EMPRESA
Como dissemos acima, trata-se de um instrumento legal que permite à sociedade 
convocar seus credores, propondo-lhes um plano de recuperação. Existem duas espécies de 
recuperação da empresa: a extrajudicial e a judicial.
2.1 DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL
Por este sistema, a Lei nº 11.101/1995 permite à sociedade-devedora que convoque 
UNIDADE 1TÓPICO 686
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
seus credores ou parte destes (por classe) - exceto empregados e fi sco -, propondo-lhes um 
plano de recuperação. Este plano será materializado em um documento, uma espécie de 
contrato particular e que será assinado pela devedora e credores. Também poderá ser objeto 
de aprovação em assembleia geral de credores que vier a ser convocada extrajudicialmente, 
para tal fi m. Este plano, que determinará a ordem dos pagamentos, privilegiando os trabalhistas, 
depois de aprovado poderá ser apresentado à homologação judicial, passando a obrigar todos 
os credores, mesmo os dissidentes. Os juízes devem relutar em decretar falência, para evitar 
desemprego e destruição de ativos. Se o plano for rejeitado pelo juiz, devolve-se aos credores 
signatários o direito de exigir seus créditos (§2º. do art.165 da Lei de Falência). 
2.2 DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL
A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação de crise econômico-
fi nanceira do devedor, a fi m de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego 
dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo assim a preservação 
da empresa.
A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação de crise econômico-
fi nanceira do devedor, a fi m de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego 
dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo assim a preservação 
da empresa.
FONTE: Disponível em: <www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista..>. Acesso em: 5 
mar. 2013.
O empresário negocia o plano de recuperação com todos os seus credores, inclusive 
trabalhadores e fi sco, visando, principalmente, à concessão de prazos e condições especiais 
para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas. Se em 180 dias não houver acordo, 
o Judiciário poderá decretar a falência. 
A empresa devedora peticionará ao juiz, requerendo a recuperação, expondo as causas 
concretas de sua situação patrimonial e as razões da crise econômico-fi nanceira que atravessa. 
Estando cumpridas as exigências legais, o juiz defere, permite o processamento de pedido da 
recuperação judicial, nomeando um administrador judicial.
IMP
OR
TAN
TE! �
Conforme ensina Amador Paes de Almeira (2009, p. 200), “o 
administrador não é um simples representante do falido, mas um órgão 
ou agente auxiliar da justiça. Serve a bem do interesse público e para 
consecução da fi nalidade do processo da falência. Age por direito próprio 
em seu nome, no cumprimento dos deveres que a lei lhe impõe”.
UNIDADE 1 TÓPICO 6 87
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
Após esta decisão, o devedor deverá apresentar o plano de recuperação em juízo, no 
prazo improrrogável de 60 dias, a contar da data da concessão do processamento, sob pena 
de decretação da falência.
Veja então estas fases na fi gura a seguir.
FIGURA 9 – NOME
 FONTE: O autor
Esta fórmula legal só poderá ser utilizada se o empresário estiver em dia com as 
obrigações legais e se, no momento do pedido, a empresa estiver exercendo regularmente 
suas atividades há mais de dois anos. Na fase de recuperação não poderá haver pedido de 
falência por parte dos credores.
As microempresas e as empresa de pequeno porte poderão apresentar plano especial 
de recuperação judicial no prazo improrrogável de 60 dias da publicação da decisão que deferir 
o processamentoda recuperação judicial, sob pena de convolação em falência. 
FONTE: Adaptado de: <www.viajus.com.br/viajus.php?pagina=artigos&id=1617...>. Acesso em: 5 mar. 
2013.
O plano abrangerá exclusivamente os créditos quirografários, os quais serão 
pagos em até 36 parcelas mensais, iguais e sucessivas, corrigidas monetariamente e 
acrescidas de juros de 12% a.a. Preverá, ainda, o pagamento da primeira parcela no 
prazo máximo de 180 dias, contados da distribuição do pedido de recuperação judicial.
FONTE: Adaptado de: <www.douglasfreitas.adv.br/dl_fi le.php?arquivo=down/arq..>. Acesso em: 5 
mar. 2013.
3 FALÊNCIA
UNIDADE 1TÓPICO 688
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
3.1 CONCEITO
Falência é o processo judicial através do qual o empresário é obrigado a liquidar o seu 
patrimônio em benefício dos credores, ocasião em que se arrecada o patrimônio do falido e são 
verifi cados os créditos, apurando-se o ativo e procurando solver o passivo, porque a situação 
de insolvência é irreversível. É o que se chama popularmente de “bancarrota”.
3.2 CARACTERIZAÇÃO DO ESTADO DE FALÊNCIA
Quando o empresário não tem condições de solver suas obrigações, está caracterizada 
a sua insolvência. Mas, para instalar-se o estado de falência, é necessária a concorrência de 
três pressupostos: 1) a qualidade de empresário devedor; 2) a insolvência do devedor; 3) a 
declaração judicial da falência.
1. A qualidade de empresário devedor: a falência só cabe contra o empresário individual 
e conta com a sociedade empresária. Não conta a empresa pública, sociedade de economia 
mista, instituição fi nanceira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de 
previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade 
seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores 
(LF, art. 2º, I E II). 
FONTE: Disponível em: <www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=250164>. 
Acesso em: 5 mar. 2013.
1. A insolvência do devedor: dispõe o art. 94 da Lei das Falências que será detectada falência 
do devedor que:
 Ι. sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida 
materializada em título ou títulos executivos protestados, cuja soma ultrapasse 
o equivalente a 40 salários-mínimos na data do pedido de falência. Os credores 
podem reunir-se em litisconsórcio a fi m de perfazer este limite;
ΙΙ. executado por qualquer quantia líquida não paga, não deposita e não 
nomeia à penhora bens sufi cientes dentro do prazo legal;
ΙΙΙ. prática qualquer dos seguintes atos, exceto se fi zer parte do plano de 
recuperação judicial:
a. procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança mão de meios 
ruinosos ou fraudulentos para realizar pagamentos;
b. realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o objetivo de retardar 
pagamentos ou fraudar credores, negócio simulado ou alienação de parte ou 
totalidade de seu ativo a terceiro, credor ou não;
c. transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento de 
todos os credores e sem fi car com os bens sufi cientes para solver o passivo;
d. simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de 
burlar a legislação ou a fi scalização ou para prejudicar credor;
e. dá ou reforça garantia ao credor por dívida contraída anteriormente, sem 
UNIDADE 1 TÓPICO 6 89
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
ficar com bens livres e desembaraçados suficientes para saldar o seu passivo;
f. ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos suficientes 
para pagar os credores; abandona estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu 
domicílio, do local de sua sede ou de seu principal estabelecimento;
g. deixa de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no plano de 
recuperação judicial. (BRASIL, 2013).
Esses são os casos especiais de caracterização dos chamados atos de falência.
2. A declaração judicial da falência: normalmente, a falência é requerida por um dos credores 
quirografários, que exibe títulos da dívida vencida (nota promissória, duplicata, cheque etc.) 
e a prova de caracterização da impontualidade do devedor, para o que junta a certidão de 
protesto. É feito, então, um requerimento que diz o motivo da falência. O pedido de falência, 
seja qual for a sua fundamentação, deverá ser convenientemente instruído para servir de base 
à decisão do juiz.
Em seguida, é dada ao devedor a oportunidade de defender-se:
a. Se o fundamento do pedido de falência for o da impontualidade (art. 94, I), 
dentro do prazo de contestação o empresário devedor poderá suspender a 
falência depositando o valor da dívida acompanhada da defesa. Evidentemente, 
feito o depósito, não haverá a declaração da falência, ocasião em que a ação 
se converte em cobrança individual. De qualquer maneira, poderá o requerido 
pagar a dívida dentro desse prazo ou promover a devida defesa. Ainda dentro 
do prazo de contestação, o devedor poderá pleitear sua recuperação judicial 
(LF, art. 95).
b. Se fundado o pedido na ocorrência do chamado ato de falência (art. 94, III), 
a defesa do devedor empresário, que recebe o nome de embargos, deverá ser 
apresentada também dentro do prazo de contestação. Será uma defesa com 
produção mais ampla de prova, devido à complexidade do fato apresentado. 
(BRASIL, 2013). 
Finalmente, cabe ao juiz decretar ou não a falência. Se decretar através de sentença 
fundamentada, nomeará o administrador judicial e marcará prazo para que os credores se 
habilitem, prazo esse que deverá ser de 15 dias. Não observado esse prazo, as habilitações 
de crédito serão recebidas como retardatárias.
 A decretação de falência determina o vencimento antecipado das dívidas do devedor e 
dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis. O juízo da falência é indivisível e competente 
(todas as ações deverão ser necessariamente julgadas pelo mesmo juiz) para conhecer todas as 
ações sobre bens, interesses e negócios do falido, ressalvadas as causas trabalhistas e fiscais. 
Todas as ações terão prosseguimento com o administrador judicial, que deverá ser 
intimado para representar a massa falida, sob pena de nulidade do processo.
 Vejamos o que dispõe o artigo 81 da Lei nº 11.101/1995:
Art. 81. A decisão que decreta a falência da sociedade com sócios 
ilimitadamente responsáveis também acarreta a falência destes, que ficam 
UNIDADE 1TÓPICO 690
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
sujeitos aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade 
falida e, por isso, deverão ser citados para apresentar contestação, se assim 
o desejarem. (BRASIL, 2013).
Aplica-se ao sócio que tenha se retirado voluntariamente ou que tenha sido excluído da 
sociedade, há menos de dois anos. Quanto às dívidas existentes na data do arquivamento da 
alteração do contrato, no caso de não terem sido solvidas até a data da alteração do contrato, 
no caso de não terem sido solvidas até a data da decretação da falência. 
Aplica-se ao sócio que tenha se retirado voluntariamente ou que tenha sido excluído da 
sociedade, há menos de dois anos. Quanto às dívidas existentes na data do arquivamento da 
alteração do contrato, no caso de não terem sido solvidas até a data da alteração do contrato, 
no caso de não terem sido solvidas até a data da decretação da falência. 
FONTE: Adaptado de: <www.mp.ce.gov.br/esmp/.../14_Pedro.Thiago.Costa.de.Freitas.pdf>. Acesso 
em: 5 mar. 2013.
A sentença que acolhe o pedido docredor encerra a primeira fase do processo falencial, 
conhecida como etapa pré-falencial. Ato contínuo, desencadeia-se a segunda fase, a do 
processo de execução propriamente dito, chamada etapa falencial, que é constituída por uma 
série de atos destinados à expropriação dos bens do devedor, a fi m de satisfazer seus credores. 
A partir do momento em que a sentença transita em julgado (ou seja, quando dela não 
cabe mais recurso), ingressa-se no terreno da execução coletiva, ocasião em que o juiz nomeia 
o administrador judicial.
O administrador judicial será profissional idôneo, preferencialmente advogado, 
economista, administrador de empresas ou contador, ou pessoa jurídica especializada. A ele 
será atribuída a missão especial de arrecadar todos os bens do empresário falido. Todos os 
credores quirografários deverão vir ao juízo da falência, provando os seus direitos, seus créditos.
Finalmente, o administrador judicial promoverá a venda dos bens da massa, através 
do leilão público, e pagará os credores.
Primeiramente, paga-se a dívida aos credores privilegiados, tais como: os credores 
trabalhistas, os tributários, os credores com direitos reais de garantia etc. Do que sobrar, 
recebem os credores quirografários. Com isso, fi ca encerrada defi nitivamente a insolvência.
Pelo exposto, tem-se que a falência é um processo de execução coletiva em que são 
apurados o ativo e o passivo, pagando-se os credores na preferência de seus créditos.
O falido fi ca inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação 
da falência e até a sentença que extingue suas obrigações, respeitando o disposto no §1º do 
art.181 da Lei de Falência. (Os efeitos da falência perdurarão até cinco anos após a extinção da 
punibilidade, podendo, contudo, cessar antes pela reabilitação penal), e poderá ser condenado 
pela prática de crime falimentar previsto na Lei de Falências em seus arts. 168 a 178.
UNIDADE 1 TÓPICO 6 91
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
4 DA CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS
A Lei de Falências estabelece as diferentes espécies de créditos, preferências e 
privilégios a alguns credores, determinados pela própria natureza da respectiva obrigação. 
A Lei nº 11.101/2005, em seus artigos 83 e 84, dispõe sobre os créditos na falência, 
classifi cando-os em:
a) créditos derivados da legislação do trabalho;
b) créditos com garantia real;
c) créditos tributários;
d) créditos com privilégio especial;
e) créditos com privilégio geral;
f) créditos quirografários;
g) as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais 
ou administrativas, inclusive as multas tributárias;
h) créditos subordinados;
i) créditos extraconcursais. (BRASIL, 2013).
UNI
Os artigos 83 e 84 da Lei nº 11.101/2005 dispõem sobre a classifi cação 
dos créditos.
Seção II
Da Classifi cação dos Créditos
Art. 83. A classifi cação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem:
I – os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e cinquenta) salários 
mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho;
II - créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado;
III – créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de constituição, excetuadas 
as multas tributárias;
IV – créditos com privilégio especial, a saber:
a) os previstos no art. 964 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002;
b) os assim defi nidos em outras leis civis e comerciais, salvo disposição contrária desta lei;
Art. 83. A classifi cação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem:
I – os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e cinquenta) salários 
mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho;
II - créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado;
III – créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de constituição, excetuadas 
as multas tributárias;
IV – créditos com privilégio especial, a saber:
a) os previstos no art. 964 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002;
b) os assim defi nidos em outras leis civis e comerciais, salvo disposição contrária desta lei;
UNIDADE 1TÓPICO 692
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
c) aqueles a cujos titulares a lei confi ra o direito de retenção sobre a coisa dada em garantia;
V – créditos com privilégio geral, a saber:
a) os previstos no art. 965 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002;
b) os previstos no parágrafo único do art. 67 desta lei;
c) os assim defi nidos em outras leis civis e comerciais, salvo disposição contrária desta lei;
 
VI – créditos quirografários, a saber:
a) aqueles não previstos nos demais incisos deste artigo;
b) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu 
pagamento;
c) os saldos dos créditos derivados da legislação do trabalho que excederem o limite estabelecido 
no inciso I do caput deste artigo;
VII – as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, 
inclusive as multas tributárias;
VIII – créditos subordinados, a saber:
a) os assim previstos em lei ou em contrato;
b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício.
§ 1º Para os fi ns do inciso II do caput deste artigo, será considerado como valor do bem 
objeto de garantia real a importância efetivamente arrecadada com sua venda, ou, no caso 
de alienação em bloco, o valor de avaliação do bem individualmente considerado.
§ 2º Não são oponíveis à massa os valores decorrentes de direito de sócio ao recebimento 
de sua parcela do capital social na liquidação da sociedade.
§ 3º As cláusulas penais dos contratos unilaterais não serão atendidas se as obrigações 
neles estipuladas se vencerem em virtude da falência.
§ 4º Os créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados quirografários.
 Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com precedência 
sobre os mencionados no art. 83 desta lei, na ordem a seguir, os relativos a:
I – remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares, e créditos derivados da 
legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados 
após a decretação da falência;
II – quantias fornecidas à massa pelos credores;
III – despesas com arrecadação, administração, realização do ativo e distribuição do seu produto, 
bem como custas do processo de falência;
IV – custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido vencida;
V – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial, 
nos termos do art. 67 desta lei, ou após a decretação da falência, e tributos relativos a 
c) aqueles a cujos titulares a lei confi ra o direito de retenção sobre a coisa dada em garantia;
V – créditos com privilégio geral, a saber:
a) os previstos no art. 965 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002;
b) os previstos no parágrafo único do art. 67 desta lei;
c) os assim defi nidos em outras leis civis e comerciais, salvo disposição contrária desta lei;
 
VI – créditos quirografários, a saber:
a) aqueles não previstos nos demais incisos deste artigo;
b) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu 
pagamento;
c) os saldos dos créditos derivados da legislação do trabalho que excederem o limite estabelecido 
no inciso I do caput deste artigo;
VII – as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas,inclusive as multas tributárias;
VIII – créditos subordinados, a saber:
a) os assim previstos em lei ou em contrato;
b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício.
§ 1º Para os fi ns do inciso II do caput deste artigo, será considerado como valor do bem 
objeto de garantia real a importância efetivamente arrecadada com sua venda, ou, no caso 
de alienação em bloco, o valor de avaliação do bem individualmente considerado.
§ 2º Não são oponíveis à massa os valores decorrentes de direito de sócio ao recebimento 
de sua parcela do capital social na liquidação da sociedade.
§ 3º As cláusulas penais dos contratos unilaterais não serão atendidas se as obrigações 
neles estipuladas se vencerem em virtude da falência.
§ 4º Os créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados quirografários.
 Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com precedência 
sobre os mencionados no art. 83 desta lei, na ordem a seguir, os relativos a:
I – remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares, e créditos derivados da 
legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados 
após a decretação da falência;
II – quantias fornecidas à massa pelos credores;
III – despesas com arrecadação, administração, realização do ativo e distribuição do seu produto, 
bem como custas do processo de falência;
IV – custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido vencida;
V – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial, 
nos termos do art. 67 desta lei, ou após a decretação da falência, e tributos relativos a 
UNIDADE 1 TÓPICO 6 93
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
fatos geradores ocorridos após a decretação da falência, respeitada a ordem estabelecida 
no art. 83 desta lei. (BRASIL, 2013).
fatos geradores ocorridos após a decretação da falência, respeitada a ordem estabelecida 
no art. 83 desta lei. (BRASIL, 2013).
FONTE: Disponível em: <www.senado.gov.br/sf/senado/advocacia/pdf/ADI3424.pdf>. Acesso em: 5 
mar. 2013.
ALMEIDA (2010, p. 251-253), referenciando Sampaio de Lacerda, sobre o assunto 
explica:
Se na falência os bens do devedor constituem a garantia comum dos 
credores, evidentemente que o produto da venda deles deve ser dividido 
proporcionalmente ao valor dos créditos. A falência é, de fato, processo 
igualitário, isto é, que visa colocar todos os credores na mesma igualdade 
(pars conditio creditorum). Essa igualdade, todavia, não deve ser considerada 
de modo absoluto. Corresponde a uma igualdade de credores dentro de cada 
classe. De fato, como a falência não altera os direitos materiais dos credores, 
para que esses direitos sejam respeitados na execução coletiva, impõe-se a 
sua classifi cação, a fi m de que cada credor receba o que legitimamente lhe 
é devido. Há, portanto, créditos que, por sua natureza ou qualidade, fogem à 
repartição proporcional e gozam de prioridade no pagamento.
UNIDADE 1TÓPICO 694
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
RESUMO DO TÓPICO 6
Neste tópico você aprendeu:
• Que a Lei nº 11.101/2005 regula o processo de recuperação judicial e falência no Brasil.
• A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação de crise econômico-financeira da 
empresa, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores 
e dos interesses dos credores.
• A falência é o processo judicial através do qual o empresário é obrigado a liquidar o seu 
patrimônio em benefício dos credores, ocasião em que se arrecada o patrimônio do falido 
e são verificados os créditos, apurando-se o ativo e procurando solver o passivo, porque a 
situação de insolvência é irreversível. A Lei nº 11.101/2005 classifica os créditos dos credores 
na recuperação judicial e falência em: créditos derivados da legislação do trabalho; créditos 
com garantia real; créditos tributários; créditos com privilégio especial; créditos com privilégio 
geral; créditos quirografários; as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das 
leis penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias; créditos subordinados e créditos 
extraconcursais.
UNIDADE 1 TÓPICO 6 95
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
AUT
OAT
IVID
ADE �
Responda às questões a seguir:
1 Cite as formas de recuperação das empresas.
2 Cite qual o efeito da falência em relação às dívidas do falido. 
3 Qual o prazo de inabilitação do empresário falido para exercer qualquer atividade 
empresarial?
4 Como se caracteriza o estado de insolvência?
UNIDADE 1TÓPICO 696
D
I
R
E
I
T
O
E
M
P
R
E
S
A
R
I
A
L
E
D
O
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
AVAL
IAÇÃ
O
Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da 
Unidade 1, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade.

Mais conteúdos dessa disciplina