2 Atenção à mulher no pré natal de risco habitual
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2 Atenção à mulher no pré natal de risco habitual

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Atenção à mulher no pré-natal de risco habitual

A assistência pré-natal adequada por profissional competente e atualizado, com a detecção e a intervenção precoce das situações de risco, bem como um sistema ágil de referência hospitalar, além da qualificação da assistência ao parto (humanização, direito à acompanhante de livre escolha da gestante, ambiência, boas práticas, acolhimento com classificação de risco – ACCR), são os grandes determinantes dos indicadores de saúde relacionados à mãe e ao bebê que têm o potencial de diminuir as principais causas de mortalidade materna e neonatal.
Dessa forma, a não realização ou realização inadequada dessa assistência na atenção à gestante tem sido relacionada a maiores índices de morbimortalidade materna (NUNES, 2016; ARAÚJO, 2017). Mas, no Brasil, nas últimas décadas, há evidências de diminuição nas razões de óbitos maternos e grande ampliação do acesso aos serviços de saúde, porém, os indicadores de mortalidade materna e neonatal ainda estão distantes do que se consideraria aceitável e desejável. Importante ressaltar que um número expressivo de mortes maternas e neonatais é evitável por ações dos serviços de saúde, ou seja, por atenção ao pré-natal, ao parto ou ao nascimento (WHO, 2012).
O objetivo do acompanhamento pré-natal é assegurar o desenvolvimento da gestação, permitindo o parto de um recém-nascido saudável, sem impacto para a saúde materna, inclusive abordando aspectos psicossociais e as atividades educativas e preventivas. Talvez o principal indicador do prognóstico ao nascimento seja o acesso à assistência pré-natal. Os cuidados assistenciais no primeiro trimestre são utilizados como um indicador maior da qualidade dos cuidados maternos (BRASIL, 2013).
A atenção à mulher no pré-natal de risco habitual torna-se um momento privilegiado para discutir e esclarecer questões que são únicas para cada mulher e seu parceiro, aparecendo de forma individualizada, sem julgamentos nem preconceitos, de forma que permita à mulher falar de sua intimidade com segurança, fortalece a gestante no seu caminho até o parto e ajuda a construir o seu conhecimento sobre si mesma, contribuindo para que tanto o parto quanto o nascimento sejam tranquilos e saudáveis. A compreensão dos processos psicoafetivos que permeiam o período gravídico-puerperal deve ser potencializada na escuta e abordagem das equipes.
É um momento intenso de mudanças, descobertas, aprendizados e uma oportunidade para os profissionais de saúde investirem em estratégias de educação e cuidado em saúde, visando o bem-estar da mulher e da criança, assim como a inclusão do pai e/ou parceiro (quando houver) e família, desde que esse seja o desejo da mulher. (BRASIL, 2016). É cada vez mais frequente a participação do pai no pré-natal, devendo sua presença ser estimulada durante as atividades de consulta e de grupo, para o preparo do casal para o parto.
A relação estabelecida entre os profissionais de saúde e os usuários deve ser baseada no acolhimento, mediante atitudes profissionais humanizadoras, que compreendem iniciativas tais como as de: se apresentar; chamar os(as) usuários pelo nome; prestar informações sobre condutas e procedimentos que devam ser realizados; escutar e valorizar o que é dito pelas pessoas; garantir a privacidade e a confidencialidade das informações; e incentivar a presença do(a) acompanhante, entre outras iniciativas semelhantes
A consulta de enfermagem no pré-natal tem como objetivo propiciar condições para a promoção da saúde da gestante e a melhoria na sua qualidade de vida, mediante uma abordagem contextualizada e participativa. Além da competência técnica, o enfermeiro deve demonstrar interesse pela gestante e pelo seu modo de vida, ouvindo suas queixas e considerando suas preocupações e angústias. Para isso, o enfermeiro deve fazer uso de uma escuta qualificada com acolhimento, a fim de proporcionar a criação de vínculo.
Segundo Brasil (2013), o acolhimento da gestante na atenção básica implica a responsabilização pela integralidade do cuidado a partir da recepção da usuária com escuta qualificada e a partir do favorecimento do vínculo e da avaliação de vulnerabilidades de acordo com o seu contexto social, entre outros cuidados. Prestar assistência humanizada à mulher desde o início de sua gravidez é uma das atribuições da enfermagem nas equipes de AB.
Seguindo um fluxograma de atendimento após confirmação da gravidez o enfermeiro e a equipe devem acolher a mulher e permitir que ela aborde os seus medos, sentimentos, ideias e expectativas, expresse suas preocupações e suas angústias, fornecendo todas as informações necessárias e respostas às indagações da mulher, de seu companheiro e da família. Iniciar o pré-natal o mais precocemente possível com a realização da 1ª consulta; explicar a rotina do acompanhamento pré-natal, sequência de consultas, visitas domiciliares e grupos educativos; cadastrar a gestante no sistema de informação; Preencher o cartão da gestante; Realizar os testes rápidos para HIV e sífilis, fazem parte do atendimento. Informar à gestante a maternidade de referência, para que possa visitá-la a deixará mais tranquila quanto à hora do parto.
Durante a consulta, deve proceder com anamnese, avaliação nutricional, exame físico geral e específico, solicitação de exames, prescrever suplementação de ferro e ácido fólico e realizar a avaliação do risco gestacional, garantindo a atenção resolutiva e a articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência.
No pré-natal deverão ser fornecidos à mulher: O Cartão da Gestante, com a identificação preenchida; O calendário de vacinas e suas orientações e a solicitação dos exames de rotina. Oferecer orientações sobre a alimentação e o acompanhamento do ganho de peso gestacional; cuidados de higiene; incentivar o aleitamento materno exclusivo até os seis meses, a participação nas atividades educativas individuais e coletivas (reuniões e visitas domiciliares). Importante a criação de espaços de educação em saúde (sala de espera, escoas, comunidade), onde as gestantes podem ouvir e falar sobre suas vivências e consolidar informações importantes sobre a gestação e outros assuntos que envolvem a saúde da criança, da mulher e da família.
Alguns aspectos que devem ser abordados nas ações educativas: a importância do pré-natal; realização de atividade física; nutrição; preparo para o parto; as mulheres grávidas devem ser informadas dos seus direitos e benefícios em relação à maternidade, para a maioria das mulheres, é seguro continuar trabalhando durante a gravidez; os sinais de alerta (sangramento vaginal, dor de cabeça, transtornos visuais, dor abdominal, febre, perdas vaginais, dificuldade respiratória e cansaço) e a necessidade de assistência em cada caso. Os grupos educativos para adolescentes devem ser exclusivos dessa faixa etária, devendo abordar temas de interesse do grupo.
Além das orientações, o enfermeiro deve referenciar a gestante para atendimento odontológico; encaminhar a gestante para imunização antitetânica e influenza, quando a paciente não estiver imunizada; referenciar a gestante para serviços especializados quando o procedimento for indicado e agendar consultas subsequentes.
Para cada localidade, então, deve ser desenhado o fluxo que as usuárias podem percorrer no sistema de saúde, a fim de lhes proporcionar uma assistência integral. Por exemplo: definição do local onde serão realizados os diversos exames complementares, solicitados conforme avaliação da equipe e de acordo com os protocolos clínicos locais; qual será o hospital de referência para a realização do parto das gestantes dessa localidade e para o encaminhamento das urgências/ emergências obstétricas e intercorrências clínicas/obstétricas; onde será realizado o pré-natal de alto risco, entre outros detalhes (BRASIL, 2013).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número adequado seria igual ou superior a 6 (seis) consultas médicas e de enfermagem interligadas e a continuidade no atendimento, no