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Resumo anti-inflamatórios esteroidais

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MEDICAMENTO ANTI-INFLAMATÓRIOS ESTEROIDAIS
Os medicamentos anti-inflamatórios esteroidais (corticoides, corticosteroides ou glicocorticoides) são drogas que agem semelhantemente ao cortisol endógeno, hormônio relacionado com o metabolismo da glicose e das proteínas, além de sua função antagonista das respostas imunológicas e inflamatórias.
Estes medicamentos apresentam as mesmas funções que os AINEs, mas exercem ainda uma ação imunossupressora.
EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE-ADRENAL
Os glicocorticoides (sejam eles, endógenos ou exógenos), tem a capacidade de inibir a secreção de CRF pelo hipotálamo, agindo em nível de alça longa de feedback negativo.
Por isso, os pacientes que fizeram uso de altas doses de corticoides exógenos por um período prolongado não podem suspender tal droga de uma maneira abrupta. Estes pacientes, quando não necessitam mais do hormônio exógeno, devem fazer uma retirada gradativa da droga (o chamado desmame). Isso é necessário para que o hipotálamo tambem seja desinibido de maneira gradativa e volte a secretar CRF. Caso a retirada seja feira de maneira abrupta, o hipotálamo não reinicia a ativação do eixo imediatamente, mas de maneira crescente e moderada, fazendo com que o paciente sofra com a falta de cortisol durante esse período, o que caracteriza um quadro de falência adrenal secundaria ou iatrogênica.
MECANISMO DE AÇÃO DOS GLICOCORTICOIDES
Quando o indivíduo faz uso de corticoide, ao chegar ao sangue a droga se liga à albumina. Desta maneira, o fármaco ainda se apresenta na sua forma inativa (fração ligada do fármaco). De forma semelhante, o cortisol endógeno se liga a outra proteína plasmática circulante, a globulina ligante de cortisol (alfa-2-globulina), sendo esta fração ligada também a sua forma inativa. Ambos os tipos de cortisol (endógeno e exógeno) devem desassociar das proteínas plasmáticas para só assim adentrar na célula e ativar o seu receptor intracelular
*Durante um processo inflamatório intenso, o organismo expressa uma grande quantidade de alfa-2-globulina induzindo a inativação em larga escala do cortisol endógeno. Devido a esse déficit de ativação do cortisol endógeno, faz-se necessário a administração de cortisol exógeno.
Os glicocorticoides então, depois que se desassociarem da albumina e se ligarem aos receptores nas células, vão ter duas ações:
Ativando o fator de transcrição anexina-1 (chamada antigamente de lipocortina-1), fator responsável por INIBIR a enzima fosfolipase A2, que quebra os fosfolipídios da membrana para formar ácido araquidônico. Interferindo assim, na formação de todos os produtos da quebra do ácido araquidônico por meio das enzimas cicloxigenase e lipoxigenase.
Estabilizam a membrana celular do mastócito, e, dos leucócitos inibindo a liberação de histamina assim como de fatores quimiotáxicos, e, de mediadores inflamatórios, o que reduz o influxo de leucócitos para o local da inflamação.
*Todos os corticoides têm alguma atividade mineralocorticoide. Isto ocorre porque a aldosterona (que é um mineralocorticoide) é quimicamente semelhante ao cortisol e, eles têm atividade parcial nos receptores do outro. A aldosterona age o rim, promovendo a retenção de agua e sódio e excreção de potássio, realiza ainda vasoconstricção. Portanto, pacientes hipertensos precisam evitar corticoides com ação mineralocorticoide (como a hidrocortisona), utilizando, assim, outros que apresentam minimamente este caráter (dexametasona e betametasona).
AÇÕES FARMACOLÓGICAS DOS GLICOCORTICOIDES
METABOLISMO DA GLICOSE:
Aumentam os níveis de glicose no sangue (são hiperglicemiantes). Podendo levar à diabetes em pacientes que fazem uso deste tipo de droga por tempo prolongado.
Em pacientes diabéticos que necessitam do uso de glicocorticoides, deve-se fazer uma revisão posológica dos medicamentos hipoglicemiantes, aumentando as doses destes medicamentos.
METABOLISMO DAS PROTEINAS:
O uso de corticoides pode levar a uma degeneração da musculatura esquelética, levando o indivíduo a quadros de astenia. Isto ocorre porque eles estimulam a expressão de proteases que passam a degradar proteínas deste tecido.
METABOLISMO DOS LIPÍDEOS:
Intensificam a ação de catecolaminas endógenas (principalmente, a adrenalina e a noradrenalina).
O tecido adiposo apresenta receptores adrenérgicos do tipo beta3 que, quando ativados por catecolaminas endógenas, desencadeia uma via de transdução de sinal que envolve o aumento dos níveis de AMPc nas células.
Este efeito estimula a ativação de uma proteína cinase A (PKA) que passa a fosfolirar lipases responsáveis por degradar lipídeos e aumentar as concentrações de ácidos graxos livres que passam a se depositar em regiões não tão comuns.
Isto caracteriza uma redistribuição anormal de gordura que, ao se fazer uso de corticoide por tempo prolongados, passa a caracterizar a chamada síndrome de Cushing:
MMSS e MMII emagrecidos devido à perda de massa muscular; 
Deposito de gordura no tronco, no pescoço, nas costas e na face (facies de lua cheia); 
Ruborização da face; 
Pele fina e frágil e com presença de algumas lesões hipercromicas (estrias); 
Nervosismo;
Hipertensão, diabetes e osteoporose.
METABOLISMO ÓSSEO:
Podem gerar osteoporose. Isto acontece porque:
Inibem a absorção de cálcio no TGI.
Estimulam a excreção de Ca2+ pelos rins.
Inibem os osteoblastos e ativam os osteoclastos.
*O uso de corticoides para mulheres que vivem no climatério e que já possui baixos níveis de estrógeno (hormônio osteoprotetor), deve ser extremamente pré-avaliado quanto ao risco/beneficio;
INDICAÇÕES CLÍNICAS
ADMINISTRAÇÃO: 
Via oral, tópica, aerossol e parenteral.
TERAPIA ANTI-INFLAMATÓRIA E IMUNOSUPRESSORA:
A resposta anti-inflamatória de um AINEs é muito mais rápida que de um corticoide, pois este ainda tem que atuar no nucleo para só então alterar a maquinaria enzimática da célula. Porém, o corticoide é muito mais potente, pois são imunossupressores. São utilizados em:
Doenças auto-imunes, inflamatórias, asma, distúrbios alérgicos, do colágeno, dermatológicos, gastrintestinais, hematológicas, oftálmicas, orais, respiratórias.
Choque anafilático.
Doenças neurológicas, síndrome nefrótica, alguns tipos de neoplasias, tireoidite não-supurativa, tumores císticos de tendão ou aponeurose, redução de edema cerebral e, profilaxia e tratamento de rejeição de órgão em transplante.
Outra indicação consiste em gestante com possibilidade de parto prematuro e com maturação inadequada dos pulmões, com o objetivo de acelerar o processo fisiológico, estimulando a síntese de surfactante para induzir a maturidade pulmonar (neste caso, o agente de eleição é a betametasona).
PRINCIPAIS REPRESENTANTES
Todos os glicocorticoides exercem os mesmos efeitos. As diferenças são essencialmente quantitativas, devido a variações na potência dos compostos, são classificados em:
A hidrocortisona (cortisona) é a forma ativa do cortisol. A sua dupla função (mineralocorticoide e glicocorticoide) faz com que ela seja a droga de escola na insuficiência da suprarrenal.
Quando a ação mineralocorticoide não é o foco principal e sim a anti-inflamatória e imunossupressora, a prednisona é a droga de escolha. No entanto, trata-se de um fármaco inativo, que precisa ser metabolizado no fígado à predinisolona, daí a preferência por esta última em hepatopatas e crianças.
Para a administração sistêmica, temos a metilpredinisolona, utilizada nos quadros mais graves.
INTERAÇÕES:
Diversas drogas e condições clinicas interferem na farmacologia dos corticoides. Em tais casos, deve-se aumentar ou diminuir a dose, a fim de evitar efeitos colaterais ou uma crise de insuficiência adrenal. As principais interações são:
PRINCIPAIS EFEITOS ADVERSOS
Os principais efeitos com a terapia de longo prazo, são:
Grande dificuldade na cicatrização de leões pois estas drogas promovem a transcrição genica da colagenase, enzima responsável por degradar o colágeno.
Susceptibilidade a infecções.
Maior probabilidade de surgirem ferimentos por diminuição