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MEDICINA LEGAL SEXOLOGIA FORENSE Por Roberto Lobo ATUALIZADO EM 08/05/2017[1: As FUCS são constantemente atualizadas e aperfeiçoadas pela nossa equipe. Por isso, mantemos um canal aberto de diálogo (setordematerialciclos@gmail.com) com os alunos da #famíliaciclos, onde críticas, sugestões e equívocos, porventura identificados no material, são muito bem-vindos. Obs1. Solicitamos que o e-mail enviado contenha o título do material e o número da página para melhor identificação do assunto tratado. Obs2. O canal não se destina a tirar dúvidas jurídicas acerca do conteúdo abordado nos materiais, mas tão somente para que o aluno reporte à equipe quaisquer dos eventos anteriormente citados. ] SEXOLOGIA FORENSE Caros alunos do Ciclos, elaborei este material me baseando principalmente em questões voltadas para os cargos da área jurídica. O material está bastante completo e supre perfeitamente o estudo para cargos jurídicos. CONCEITO DE SEXOLOGIA A Sexologia Forense é a parte da Medicina Legal que estuda as questões médico-biológicas e as perícias ligadas aos delitos contra a dignidade e a liberdade sexual. PERÍCIAS PERÍCIA DA CONJUNÇÃO CARNAL Conjunção carnal é o coito vaginal, isto é, a relação de contato do pênis com a vagina, com ou sem ejaculação. Na mulher que não teve conjunção carnal, o exame do hímen adquire importância. No caso de vítima virgem, a perícia de coito vaginal se fundamenta no estudo da integridade himenal. Por outro lado, nos caso de mulheres de vida sexual pregressa ou hímen complacente, a perícia se baseia na: Presença de gravidez, Presença de esperma na cavidade vaginal, Presença de fosfatase ácida ou de glicoproteína P30 (de procedência do líquido prostático) ou Contaminação venérea profunda. O hímen é a membrana que circunda o orifício de entrada da vagina. É variável em forma e tamanho e tem uma abertura única (o óstio himenal), que pode existir em número maior ou até mesmo não existir. Sua borda pode ser regular, irregular ou picotada, nesse último caso assemelhando-se a rupturas incompletas (sinônimo de entalhe), devendo o legista fazer a diferenciação: RUPTURA X ENTALHE (CAI MUITO!) RUPTURA ENTALHE Se estendem até as borda (Completos) Não se estendem até as bordas (incompletos) As bordas se coaptam (se encaixam) As bordas não se coaptam As bordas apresentam cicatriz As bordas são do mesmo tecido do hímen Sob luz ultravioleta, apresenta-se pálida Apresenta-se mais vermelha São assimétricos São geralmente simétricos Ângulo em forma de V Ângulo arredondado Se as rupturas são recentes, podem apresentar retalhos sangrantes, com hiperemia, edema, equimose. Não sendo recentes, as bordas já foram cicatrizadas (reepitalizadas), com coloração rósea, primeiramente, e esbranquiçada depois. Lógico que não ocorre a reunião dos retalhos himenais, mas tão somente a cicatrização das suas bordas. A consolidação da rotura leva de 3 a 30 dias. Estando a mulher em posição ginecológica, ao se dividir o hímen em quadrantes, tem-se dois superiores e dois inferiores. Quando a relação se der na posição tradicional, a ruptura ocorrerá nos quadrantes inferiores. A elasticidade do hímen também é variável, oferecendo maior ou menor resistência à penetração do pênis. #ATENÇÃO - NEM SEMPRE O HÍMEN SE ROMPE COM A CONJUNÇÃO CARNAL. O hímen pode ter uma elasticidade tal que não se rompa com a penetração do pênis. Quando isso ocorre, o hímen é chamado complacente. Para fins periciais, não fornece subsídios para o diagnóstico da virgindade. Himens não complacentes também podem não romper, por exemplo quando estiver muito lubrificada, ou o pênis for muito pequeno. Outras vezes, a presença de muitos entalhes aumenta o orifício e não há ruptura com a penetração. Após um parto, as rupturas aumentam, restando apenas fragmentos de hímen, os quais são chamados de CARÚNCULAS MIRTIFORMES. Logo, as carúnculas mirtiformes indicam que a vítima já pariu. #CAIUEMPROVA – Foi considerada INCORRETA a seguinte alternativa: A verificação da presença de hímen íntegro e complacente em jovem vítima de suposto abuso sexual é suficiente para que o perito médico legista conclua que não houve conjunção carnal. SINAIS DE POSSIBILIDADE E SINAIS DE CERTEZA Existem duas classes de sinais que a perícia procura identificar para constatar a ocorrência de conjunção carnal: Os sinais que indicam possibilidade, e os sinais de certeza, que levam ao diagnóstico. Sinais de possibilidade (duvidosos, que não levam ao diagnóstico): Lesões nos lábios menores e maiores da vulva Equimoses, pontos hemorrágicos, escoriações Presença de pelos, dor Manchas de sêmen na roupa etc. Sinais que caracterizam a conjunção carnal (sinais certos) Ruptura (já vimos que é diferente de entalhe) do hímen, no caso de mulher virgem, caracterizada por: Sangramento evidente nos 3 primeiros dias Secreção na região das rupturas: duram de 6 a 12 dias Equimoses locais: duram até 6 dias Cicatrizam em aproximadamente 20 dias Lembrar que a não ruptura não dá certeza de que não houve conjunção carnal, como vimos. Presença de espermatozoide no fundo do saco vaginal: CONFIRMA A CONJUNÇÃO, INDEPENDENTEMENTE DE HAVER RUPTURA HIMENAL. Gera diagnóstico de conjunção carnal, pouco importando o tipo de hímen. Presença de doenças venéreas: Apenas algumas doenças venéreas, no fundo da vagina, que só se reproduzem por contato (ex.: cancro sifilítico, cancróides, granulomas e condilomas presentes no fundo da vagina). Gravidez: Confirmatório, mesmo com hímen integro. Presença de fosfatase ácida: presença, na vagina, de enzima que só existe no líquido espermático, MESMO NOS VASECTOMIZADOS (já caiu em prova). Para boa parte da doutrina, a presença de fosfatase ácida não é confirmatória, porque essa enzima está presente também em alguns órgãos, tecidos e secreções, em baixas concentrações (6 a 20 u.K.A/mL). A próstata produz altas taxas de fosfatase ácida nos valores de 400 a 8000u.K.A/mL. Assim, o achado de alto teor dessa enzima no conteúdo vaginal (ACIMA DE 300UK) indica (É INDÍCIO, DIFERENTE DA P30 QUE É CONSTATAÇÃO) que houve ejaculação intravaginal. Presença de glicoproteína P30 - é confirmatório de conjunção carnal. PRESENÇA DE FOSFATASE ÁCIDA GLICOPROTEÍNA P30/PSA Orientação Certeza #CAIUEMPROVA - São sinais doutrinários em Medicina Legal de que houve conjunção carnal com uma mulher, que evidenciava hímen não complacente roto, EXCETO: A) presença de entalhes no hímen. B) gravidez. C) presença de esperma na vagina ou canal vaginal. D) presença de fosfatase ácida acima de 300 U.K./mLno canal vaginal. E) presença de glicoproteína P30 no canal vaginal. Gabarito: Letra A. Os testes utilizados para identificar se há ou não esperma são: Reação de Florence (iodatada) Método de Barbério (solução de ácido pícrico) - Consiste na utilização de ácido pícrico sobre a mancha, pois este forma cristais amarelos ao reagir com a espermina. SORO ANTI-ESPERMA OU DE CORIN-STOCKIS - consiste na obtenção de imagens microscópicas de espermatozóides coloridos, com o uso de reagentes como a solução de eritrosina amoniacal. Quanto à coleta, deve ser cuidadosa (swab = cotonete), com exames a fresco e com coloração pela TÉCNICA CHRISTMAS TREE ou hematoxilina-eosina. #ATENÇÃO - As ausências de espermatozoides na vagina e no canal anal não afastam definitivamente as ocorrências de conjunção carnal e do coito anal PERÍCIA EM ATO LIBIDINOSO DIVERSO DA CONJUNÇÃO CARNAL Ato libidinoso é todo ato praticado com a finalidade de satisfazer com ou sem ejaculação o apetite sexual. Pode ser coito anal, oral, apalpadas... PERÍCIA NO COITO ORAL O coito oral é chamado também de felação (já caiu em prova). É preciso realizar o exame da secreção bucal o mais precocemente possível. As lesões são raras, dificultando a constatação, tanto nos lábios como na cavidade bucal. O diagnóstico de certeza é feitoatravés de provas biológicas que identifiquem o sêmen na boca e das possíveis manifestações tardias de doenças sexualmente transmissíveis na mucosa bucal. Pode-se também realizar a pesquisa de glicoproteína P30 ou PSA na secreção oral. PERÍCIA DE COITO ANAL O orifício anal é diferente do vaginal, permanece fechado por conta da ação do esfíncter anal. O esfíncter é composto tanto por músculos cuja contração não controlamos (esfíncter interno), como músculos que controlamos (esfíncter externo). Quando relaxado, o orifício anal assume seu diâmetro original. Por outro lado, se contraído, faz com que a pele da região anal fique pregueada. Quando ocorre o coito anal é possível perceber sinais dele resultantes, como: Lesões anais e perianais (períneo é a região entre o ânus e a vagina). São expressas por equimoses, escoriações... FÍSTULA RETOVAGINAL – ruptura dos tecidos entre o reto e a vagina As linhas de força da pele do ânus estão dispostas no sentido radiado, fazendo com que qualquer lesão nesse local assuma a forma de fenda ou triângulo (chamada de RÁGADE). Se mais recentes – radiadas e sangrantes Se mais antigas – triangulares e esbranquiçadas #ATENÇÃO - Sinal de Winston Johnston - ocorre com a cópula anal mediante violência. É uma rotura triangular que tem a base na borda do ânus e o vértice no períneo anal. A existência de doença venérea na região anal não indica necessariamente que houve coito anal, pois pode decorrer de secreção que escorreu da vagina. Já no homem, é sinal mais confiável de que houve relação anal. #ATENÇÃO - Também pode-se chegar ao diagnóstico do coito anal pela comprovação da fosfatase ácida e da glicoproteína P30 ou PSA, que se mostram em forma de traços na secreção retal, mesmo quando os autores são vasectomizados. #CAIUEMPROVA – Foi considerada CORRETA a seguinte alternativa: A ruptura himenal recente só pode ocorrer em cadáver feminino e a rágade, em cadáver de ambos os sexos. PERÍCIA DA GRAVIDEZ Gravidez é o intervalo de tempo decorrido entre o momento de fecundação, com a fixação do óvulo na parede uterina, e a expulsão do feto através do parto. O ciclo gravídico se inicia com o óvulo se alojando na parede uterina, após a fecundação. A partir deste momento, durante aproximadamente 9 meses, o óvulo irá se desenvolver, transformando-se inicialmente em um embrião, que se desenvolve até o 3° mês, e a partir de então temos o feto propriamente dito, que se desenvolve até o momento do parto. Este período é marcado pela amenorréia, ou ausência de menstruação. O ciclo gravídico termina com a expulsão do feto e seus anexos (dequitação), realizada durante o parto. Após o parto, o organismo feminino passa por um processo de volta às condições pré-gravídicas, marcado pelo reinício dos ciclos menstruais, chamado de puerpério. #ATENÇÃO - Importância para o direito - Lembrar que a gravidez constitui agravante de pena!!! SINAIS DE PROBABILIDADE DE GRAVIDEZ (INDÍCIOS) Amenorréia – Ausência de menstruação. É só indício, pois disfunções hormonais, perturbações emocionais, desnutrição e obesidade, por exemplo, também podem causa-la Modificações no tamanho do útero (ventre) – Não é certeza, pois processos inflamatórios e tumores também causam. Modificações pigmentares – Principalmente nos mamilos, abdômen e rosto. Mais uma vez, disfunções hormonais também podem causar (CLOASMA). Máscara da grávida – manchas na face. Alterações nas mamas - Engurgitamento mamário, pigmentação areolar, rede de Haller, saliência dos tubérculos de Montgomery. Enjoos e vômitos (Êmesis) Sinal de Klüge - Coloração arroxeada da vulva, quer por gravidez, quer por tumores abdominais, especialmente do aparelho genital feminino; Sinal de Jacquemien - Cianose da vagina Sinal de Budin - Os dedos que tocam sentem os fundos de saco vaginais almofadados Sinal de Oseander - Pulsação vaginal intensamente perceptível Sinal de Reil-Hegar - Ao toque bimanual detecta-se moleza e compressibilidade característica, na região situada anatomicamente entre o colo e o corpo uterino; Sinal de Puzos - Baloiço do útero aumentado de volume, em toque ginecológico bimanual. É, também, apenas mais um sinal de probabilidade, pois indica útero cheio, mas não afirma gravidez. SINAIS DE CERTEZA DA GRAVIDEZ: Batimentos cardíacos fetais Movimentos fetais perceptíveis Ultrassonografia – identifica o saco gestacional com 5 semanas, o embrião com 7 e a cabeça com 11. Dosagem de GONADOFRINA CORIÔNICA – Hormônio produzido pela placenta. Na urina, positiva com 2 semanas de amnorreia (4 de gestação). No sangue, basta alguns dias de amnorreia, a partir de 2 semanas de gestação. Sinal de Piscacek - é a deformação irregular produzida pelo feto no interior da matriz, provocadora de assimetria uterina. ANOMALIAS DA GRAVIDEZ: SUPERFECUNDAÇÃO SUPERFETAÇÃO GRAVIDEZ EXTRAUTERINA De dois óvulos da mesma ovulação, na mesma relação ou de relações diferentes. No primeiro são gêmeos. No segundo caso são filhos de pais diferentes. Fecundação de óvulos de ovulações diferentes, resultando em gêmeos com evolução e nascimento desigual. Implantação do embrião fora do útero. Gravidez equitópica é aquela que ocorre fora do lugar correto (útero). Gravidez tubária é aquela em que o embrião é implantado na trompa. PERÍCIA DO PARTO Também de suma importância para direito, podendo esclarecer crimes como aborto, infanticídio (o puerpério), sonegação e substituição de recém-nascidos, atribuição de parto alheio ou próprio... #ATENÇÃO - No tocante ao infanticídio, há discordância na doutrina quanto à conceituação do chamado estado puerperal. Assim, optou o código penal por falar em influência do estado puerperal, mas durante ou logo após o parto, limitando assim a ampla interpretação obstétrica (recondução do organismo do fim do parto até a volta de condições gravídicas). O parto se divide em 3 fases: dilatação, expulsão e dequitação. Para o direito, começa com a dilatação (já será homicídio ou infanticídio, NÃO MAIS ABORTO). SINAIS DE PARTO RECENTE Vulva inchada Lesões vaginais e perineais, se parto vaginal Mamas (hipertrofia dos tubérculos de MONTGOMERY) turgidas, com aureola pigmentada e secreção de colostro nos 2 primeiros dias, Leite a partir do 3 dia, encerrando-se ao 20º, caso não haja amamentação Flacidez e relaxamento do abdômen, com pigmentação da linha alba Estrias gravídicas Carúnculas mirtiformes – São os restos do hímen, se parto vaginal Colo do útero semiaberto Lóquio – Secreção que escoa dos genitais Sangnolento – até o 3º dia Serosangnolento – 4 a 8 dias Desaparecimento – a partir do 12º dia #CAIUEMPROVA - Retalhos de hímen roto pelo parto vaginal, os quais se retraem constituindo verdadeiros tubérculos em sua implantação, correspondem a carúnculas mirtiformes. SINAIS DE PARTO ANTIGO Pigmentação da aréola Pigmentação da linha alba Carúnculas mirtiformes Cicatrizes do períneo Orifício do colo do útero em fenda. NA MULHER QUE NÃO PARIU (NULIPARA) OU QUE FEZ CESÁRIA, O COLO DO ÚTERO É CIRCULAR. PERÍCIA DO ABORTO O aborto é a interrupção da gravidez. INDEPENDE DA EXPULSÃO DO FETO. O exame pericial, nos casos de abortamento, consiste no diagnóstico de gravidez pregressa. Em caso de óbito, a autópsia permitirá o exame dos genitais internos e dos pulmões, pois frequentemente detectam-se células de placenta no tecido pulmonar. Constituem crime: Aborto honorífico - provocado para resguardar a honra da mulher que engravidou. Pratica-se o aborto como forma de esconder a gravidez. Aborto estético - provocado com vistas a preservar a beleza do corpo da mulher. Seriam os casos de modelos etc. Aborto miserável ou econômico-social – Provocado por não haver condições econômicas e sociais para a criança viver com dignidade, evitando-se assim o seu nascimento. É também criminalizado em nosso país. Aborto eugênico, eugenésico ou piedoso – visa evitar que nasça uma criança com graves defeitos genéticos. A legislação brasileira não permite expressamenteessa prática. Atenção para o caso do anencéfalo, que é atípico. Aborto criminoso - pressupõe conduta dolosa humana que determina a supressão do nascituro. Não constituem crime: Aborto natural ou espontâneo - ocorrido de forma espontânea. O próprio organismo da mãe rejeita (expulsa) o ser em desenvolvimento. Aborto acidental - provocado por fatalidades (quedas, choques etc.). Aborto permitido ou legal - quando a lei admite o aborto voluntariamente provocado (não há crime). Subdivide-se em: aborto terapêutico ou necessário e aborto sentimental, humanitário ou ético. #DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA - inf. 661 do STF - Interrupção de gravidez de feto anencéfalo. É inconstitucional a interpretação segundo a qual a interrupção da gravidez de feto anencéfalo seria conduta tipificada nos arts. 124, 126 e 128, I (aborto necessário) e II (aborto sentimental), do CP. A interrupção da gravidez de feto anencéfalo é atípica. Não se exige autorização judicial para que o médico realize a interrupção de gravidez de feto anencéfalo. Precisamos ficar atentos para um recente julgado do STF sobre o assunto. Vejamos: #DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA - Inf. 849 do STF - Interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação - A interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação provocada pela própria gestante (art. 124) ou com o seu consentimento (art. 126) não é crime. É preciso conferir interpretação conforme a Constituição aos arts. 124 a 126 do Código Penal – que tipificam o crime de aborto – para excluir do seu âmbito de incidência a interrupção voluntária da gestação efetivada no primeiro trimestre. A criminalização, nessa hipótese, viola diversos direitos fundamentais da mulher, bem como o princípio da proporcionalidade Meios abortivos: Tóxicos: de origem vegetal ou mineral. Agem causando intoxicação da gestante podendo causar o aborto e até a morte da gestante. Mecânicos: Diretos: usados na cavidade vaginal (duchas alternadas), no colo do útero (dilatadores mecânicos), na cavidade uterina (curetagem, etc). Indiretos: mais raros, representado pelos traumatismos abdominais. #ATENÇÃO - Quanto à utilização da "pílula do dia seguinte": Se a vida começasse com a fecundação, seria aborto. No entanto, para o direito, a vida começa com a nidação (quando o óvulo fecundado se prende à parede do útero). Logo, a pílula não caracteriza o aborto. A fecundação ocorre na trompa. O ÓVULO FECUNDADO CAMINHA NA DIREÇÃO DO ÚTERO E SE FIXA (NIDAÇÃO). A "PÍLULA DO DIA SEGUINTE" NÃO DEIXA O ÓVULO SE FIXAR. PARA OS QUE ENTENDEM QUE A VIDA COMEÇA COM A NIDAÇÃO (MAIORIA), A "PÍLULA DO DIA SEGUINTE" NÃO É UM MEIO ABORTIVO. PERÍCIA DO INFANTICÍDIO Art. 123, do Código Penal. Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após. Durante o parto - período que vai desde a rotura das membranas até a expulsão do feto da placenta Logo após o parto, sob a influência do estado puerperal - tem um sentido mais psicológico do que cronológico. É um estado e não um tempo definido. O estado puerperal é justificado pelo trauma psicológico e pelas condições do processo fisiológico do parto (angústia, inflamação, dores, sangramento e extenuação), cujo resultado traria o estado confusional capaz de levar a mãe ao gesto criminoso. Logo, devemos diferenciar, de início, puerpério de estado puerperal. Puerpério é o período que se inicia com a expulsão do feto e eliminação da placenta, estendendo-se por 6 a 8 semanas. Já estado puerperal é um período mais um estado psicológico do que um período cronológico. É uma alteração temporária da puérpera anteriormente sadia, que diminui sua capacidade de entendimento e libera seus instintos. Como as alterações psíquicas do estado puerperal não mais existem por ocasião da perícia psiquiátrica, em decorrência do seu caráter fugidio, torna-se difícil o diagnóstico diante de uma mulher que se encontra dentro dos padrões da normalidade mental. Vejamos que perícias podem ser realizadas: PERÍCIA DA PLACENTA Havendo dúvidas quanto à ocorrência do crime, o exame da placenta pode identificar alterações que justifiquem a morte intrauterina do feto. PERÍCIA DA MÃE Sinais de parto (já vimos) Caracterização do estado puerperal Critério psicológico – A mulher queria ocultar desonra de uma gravidez ilegítima? Critério físico-psíquico – Baseado na instabilidade devido ao desgaste do trabalho de parto Se a mulher tem histórico de doença mental Se a gravidez era indesejada Se houve tentativa anterior de abortamento PERÍCIA DA CRIANÇA A função da perícia na criança é caracterizar: O estado de infante nascido ou o estado de recém-nascido (diagnóstico do tempo de vida); A vida extra-uterina (diagnóstico do nascimento com vida); A causa da morte do infante (diagnóstico do mecanismo de morte); Quanto à intervenção pericial, CHAMADA CRUCIS PERITORUM, por sua complexidade para afirmar o crime de infanticídio, exige-se para a sua caracterização os seguintes elementos: Prova de ser nascente; Prova de infante nascido; Prova de recém-nascido; Prova de vida extrauterina autônoma; Época da morte; Diagnóstico da causa jurídica da morte do infante; Exame somatopsíquico da puérpera. I. PROVA DE FETO NASCENTE O ser nascente poderá ser morto durante o parto, ou seja, antes de ter respirado. Mostrando ao exame pericial as lesões causadoras da morte com as características das produzidas em vida, como a coagulação do sangue, o afluxo leucocitário, a bossa sero-sanguinolenta etc. As lesões encontram-se na parte que primeiro apontar na vagina, geralmente na cabeça, e têm as características de lesões vitais, como processo inflamatório, sangue coagulado... #ATENÇÃO - Aqui não tem indicação da docimasia hidrostática pulmonar de Galeno (veremos adiante, ainda nesta FUC), nem de outras provas respiratórias, por isso o perito usará as docimasias circulatórias, já que, embora o ser nascente não tenha respirado, o sangue, entretanto, circulava nas artérias. PERCEBA QUE PODE HAVER NASCIMENTO COM VIDA MESMO SEM O FETO TER RESPIRADO. II. PROVA DE INFANTE NASCIDO Conforme ensina a doutrina, o infante nascido é o que acabou de nascer, respirou, mas não recebeu nenhum cuidado especial. Aquele que, tendo sido expulso do álveo materno, não recebeu nenhuma assistência, especialmente quanto à higiene corporal, ou ao tratamento do cordão umbilical. É por isso que o corpo apresenta-se, total ou parcialmente, recoberto por sangue materno ou fetal, o que se reveste de fundamental importância para a afirmação pericial de que o crime ocorreu logo após o parto. Pode apresentar bossa ou TUMOR DO PARTO, que é a saliência violácea do couro cabeludo, consequência da compressão da cabeça pelo colo do útero. Desaparece em 3 dias. O infante nascido apresenta cordão umbilical úmido, brilhante e da cor azulada, podendo estar ligado ou não à placenta. III. PROVA DE RECÉM-NASCIDO O conceito médico-legal de recém-nascido abrange um período que vai desde os primeiros cuidados de higienização corporal, com consequente remoção do sangue materno ou fetal, e de tratamento do cordão umbilical até o 7º dia do nascimento. O recém-nascido apresenta tumor do parto em regressão, induto sebáceo nas dobras da pele e cordão umbilical achatado, seco. #ATENÇÃO - Importância do cordão umbilical Diferencia infante nascido de recém nascido Orienta a perícia dando mais ou menos o tempo de vida do recém-nascido. Ajuda para a caracterização do infanticídio. O corte do cordão umbilical denota lucidez da mãe que fez o próprio parto, por exemplo, descaracterizando o infanticídio. INFANTE NASCIDO RECÉM-NASCIDO Cordão umbilical úmido, brilhante e da cor azulada, podendo estar ligado ou não à placenta. Cordão umbilical achatado e seco IV. Prova de vida extrauterina autônoma (atenção!!!) Para a comprovação do nascimento com vida, ou seja, de que o ser humano respirou, utiliza-se obrigatoriamenteum conjunto de provas denominadas docimasias, além das provas ocasionais (presença de corpo estranho nas vias respiratórias, presença de substancias alimentares no tubo digestivo...) PULMÃO QUE NÃO RESPIROU QUE RESPIROU Menor Maior (ocupa toda a cavidade torácica Vermelho pardo Vermelho claro Aspecto uniforme Consistência esponjosa e crepita Bordas finas Quando espremido sai ar e sangue As docimásias baseiam-se na possível existência de sinais de vida, manifestados principalmente nas funções RESPIRATÓRIAS, DIGESTIVAS E CIRCULATÓRIAS (não são apenas respiratórias). O laudo pericial deve obrigatoriamente esclarecer qual a docimásia pulmonar ou respiratória empregada para a afirmação conclusiva de que a vítima nasceu com vida, pois a não obediência a esta metodização desprove a perícia médico-legal da necessária fundamentação para comprovar a materialidade do infanticídio. Vejamos cada uma delas: DOCIMÁSIA HIDROSTÁTICA PULMONAR DE GALENO -Baseia-se na densidade do pulmão que respirou e do que não respirou. Pulmão que respirou - densidade entre 0,70 a 0,80. Em condições normais de pressão e temperatura a densidade da água é de 1,0. Posto em recipiente contendo água em temperatura ambiente, pulmão que respirou forçosamente flutuará, pois seu peso específico é mais leve que o da água; Pulmão que não respirou - não sobrenadará, por ter peso específico maior que o da água, ou seja, em torno de 1,40 a 1,92. -Só tem valor até 24h após a morte, porque começa a putrefação e os gases podem atrapalhar. -Tem 4 fases DOCIMÁSIA HISTOLÓGICA DE BALTHAZARD Consiste no exame microscópico dos pulmões DOCIMÁSIA RADIOLÓGICA DE BORDAS Os campos pleuropulmonares de quem respirou apresentam-se aos raios X com tonalidade escurecida. Os pulmões de quem não respirou, bem como os dos portadores de graus variáveis de atelectasia, ou pneumonia, mostram opacidade aos raios de Roentgen, em forma de punho ou triangular, o que diminui o valor prático da prova DOCIMÁSIA SIÁLICA DE DINITZ-SOUZA Consiste na pesquisa de saliva no estômago do feto. A reação positiva é um indicativo de que existiu vida extra-uterina DOCIMÁSIA GASTRINTESTINAL DE BRESLAU Tem indicação em recém-nascido espostejado, do qual só se tem o abdômen. Verifica ar no tubo digestivo. Consiste na imersão em água do aparelho GASTRINTESTINAL separado em vários segmentos por prévias ligaduras da cárdia, do piloro, da porção terminal do intestino delgado e do reto, observando-se se sobrenadam, ou não, todos ou alguns DOCIMÁSIA AURICULAR DE WREDEN-WENDT-GÉLÉ É praticada em infante espostejado do qual só se tem a cabeça. Baseia-se na existência de ar no ouvido médio, aí levado através das trompas de Eustáquio, nos primeiros movimentos respiratórios e de deglutição do infante nascido vivo DOCIMÁSIA DO NERVO ÓPTICO DE MIRTO Quando houver apenas o crânio, sem sinal de putrefação, deve-se examinar, macroscópica e microscopicamente, a mielinização do nervo óptico, que se inicia após as primeiras 12 horas do nascimento, completando-se em torno do quarto ou quinto dia DOCIMÁSIA EPIMICROSCÓPICA PNEUMOARQUITETÔNICA DE HILÁRIO VEIGA DE CARVALHO Corta-se o pulmão, previamente lavado em formalina, goteja-se glicerina sobre os fragmentos colocados numa placa de Petri e observa-se os com objetiva de imersão: se houve respiração autônoma, os alvéolos pulmonares mostram-se regularmente distribuídos e arredondados, com refringência contrastada em fundo negro; em caso contrário, visualiza-se um fundo negro sem imagens. No pulmão putrefeito, as cavidades cheias de gás de putrefação são grandes, disformes e de distribuição irregular DOCIMÁSIA HIDROSTÁTICAS DE ICARD Complementam a docimásia pulmonar de Galeno nos casos duvidosos ou quando apenas a 4.ª fase se positivou. Elas são feitas por aspiração e por imersão em água quente; Espreme o pulmão com duas lâminas. DOCIMÁSIA TÁCTIL DE NERO ROJAS No pulmão que respirou sentem-se pela palpação, um crepitar característico e a sensação esponjosa, e, no que não respirou, uma consistência carnosa. DOCIMÁSIA PLÊURICA DE PLACZEK Na cavidade pleural normalmente existe pressão negativa; ela não pode ser encontrada no infante que não respirou DOCIMÁSIA PNEUMO-HEPÁTICA DE PUCCINOTTI Segundo esse autor, é possível concluir se houve ou não respiração autônoma pela determinação da quantidade de sangue encontrada no fígado e no pulmão. Este, se respirou, mostra peso específico menor que o do fígado DOCIMÁSIA DIAFRAGMÁTICA DE PLOQUET A abertura da cavidade toracoabdominal do cadáver permite visualizar as hemicúpulas diafragmáticas em convexidade exagerada, caso os pulmões não tenham respirado, e em posição horizontalizada, quando a respiração autônoma existiu DOCIMÁSIA ÓPTICA OU VISUAL DE BOUCHUT A inspeção direta do pulmão registra aspecto hepatizado do órgão, quando o feto não respirou, e superfície em mosaico, se ocorreu respiração autônoma DOCIMÁSIA HEMATO-PNEUMO-HEPÁTICA DE SEVERI Consiste na colheita de sangue no fígado e no pulmão, determinando-se, cuidadosamente, as taxas de hemoglobina; se forem idênticas, obviamente não houve respiração. Em contrapartida, taxa de hemoglobina mais alta no sangue do pulmão fala a favor de respiração autônoma Pessoal, eu sei que parece muito. Coloquei todas para o material ficar completo. Mas, realizando questões, vocês poderão ver as que caem mais. Por exemplo, as de Galeno, de Icard, de Breslau e de Mirto são bastante recorrentes em provas. SEXUALIDADE ANÔMALA E CRIMINOSA (PARAFILIAS) Sexualidade anômala é uma modificação do instinto sexual. Vamos ver as que caem em provas: ONANISMO Impulso obsessivo em ficar excitando os órgãos genitais PEDOFILIA É a predileção sexual por crianças. ANAFRODISIA Diminuição do apetite sexual do homem. FRIGIDEZ Diminuição do libido na mulher. EROTISMO OU AFRODISIA É o apetite sexual acentuado. SATIRÍASE Ereção quase contínua, com ejaculações repedidas PRIAPISMO Ereção sem desejo AUTO-EROTISMO É a manifestação da sexualidade que, para a satisfação sexual, não depende de parceiro nem de masturbação, depende apenas da imaginação EROTOMANIA É a fixação maníaca de alta morbidez, em que o indivíduo se fixa em alguém fora do campo de seu relacionamento (amor platônico) MIXOSCOPIA (VOYEURISMO) Consiste no prazer em presenciar a relação sexual de terceiros. JÁ CAIU EM PROVA! FETICHISMO Desejo por objeto ou parte do corpo. PIGMONIALISMO (ICONOLAGNIA/ICONOMANIA) O indivíduo enamora pela sua criação (desenhos e estátuas). FROTTEURISMO Esfregar o órgão sexual em outras pessoas. Se esfregar no ônibus, por exemplo. JÁ CAIU EM PROVA. RIPAROFILIA Atração por mulheres grávidas, menstruadas ou sujas. JÁ CAIU EM PROVA. NINFOMANIA Desejo exaltado da mulher EXIBICIONISMO Prazer em exibir os órgãos NARCISISMO Admiração pelo próprio corpo LUBRICIDADE SENIL Atração de idosos, muitas vezes impotentes, por pessoas muito mais jovens. CRONOINVERSÃO Amor pelo sexo oposto com grande diferença de idade GERONTOFILIA Atração de jovens por idosos EDIPISMO Atração do filho pela mãe ELETRISMO Atração da filha pelo pai SADISMO Excitação ao causar maus tratos MASOQUISMO Satisfação sexual ao sofrer dor e humilhação NECROFILIA Relação sexual com cadáveres BESTIALISMO OU ZOOFILIA Satisfação sexual com animais DONJUANISMO Prazer na conquista COPROLALIA Desejo sexual de ouvir ou ler dizeres eróticos ou obscenos antes da prática sexual, sem os quais não consegue se excitar DOLISMO Atração sexual por bonecos e manequins BIBLIOGRAFIA Esse material é uma fusão das seguintes fontes: - Med Leg DC. Delton Croce & Delton Croce Júnior Manual de Medicina Legal 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. - Medicina Legal e Noções de Criminalística – Neusa Bittar – Editora Juspodivm - Livro de GenivalVeloso França - Anotações pessoais de aulas.