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Metodologia 
para construção 
de Protocolos 
Comunitários
Protocolos comunitários são regras internas criadas pela própria 
comunidade. Tais regras refletem as suas características tradicionais, 
o modo como a comunidade se relaciona interna e externamente. 
definem também alguns procedimentos, critérios e instrumentos de 
gestão territorial e de manejo e uso sustentável de recursos naturais. 
Essa cartilha descreve a metodologia de construção de protocolos 
comunitários que foi desenvolvida pela Rede GTA no arquipélago do 
Bailique, Amapá. Esperamos que esse modelo de protocolo comunitário 
possa ser replicado em outros territórios, transformando-se em um 
instrumento de empoderamento dos povos e comunidades tradicionais.
Ciclo das Oficinas 
e dos Encontrões
EQUIPE DO PROJETO
Coordenador Rubens Gomes
ArticuladorES LocaIS Geová Alves, Marcelo Apel (oficinas 1 e 2)
TécnicaS de Campo Mariana Chaubet, Jaqueline Sanches (oficinas 1 e 2) 
Consultora Roberta Peixoto Ramos
DIRETORIA DA REDE GTA
Presidente Rubens Gomes (OELA)
Secretária Maria do Rosario Costa Ferreira (MIQCB) 
Tesoureira Marilene Oliveira Machado (CEFTBAM)
Conselheira NACIONAL Francisca da Cruz Freitas
ESCRITÓRIO NACIONAL EM BRASÍLIA
Secretária Executiva Enilde Jacobina
Financeiro Janaina Rodrigues
Assessoria de Comunicação Ingrid Sinimbu, Juliana Pinto
REDE GTA AMAPÁ
Coordenador Regional Henrique Vasconcelos (RAEFAP)
Parceria Institucional
Presidente da OELA Carlos Cesar Durigan
Parceiros locais
Conselho Comunitário do Bailique (CCB) Paulo Rocha, Antonio Luiz Cordeiros Lopes
Colônia de Pescadores (Z–5) Florivaldo Mota Rocha
Instituto Estadual de Florestas do AmapÁ (IEF)
GRUPO DE APOIO
COMUNIDADE SÃO JOÃO BATISTA Raimundo Vilhena Cordeiro, Juvanete Mira Rocha, Ana Silvia Mira Rocha
COMUNIDADE NOSSA SENHORA APARECIDA Erasmo Mira Rocha, Fátima Mira Rocha
COMUNIDADE MACEDÔNIA Antônio José Marques da Costa Filho, Arlen Vieira da Costa
COMUNIDADE CARNEIRO Hernando Ferreira Marques
COMUNIDADE Vila Progresso Bismarck Farias dos Santos, Uellington Ferreira Farias
COMUNIDADE PONTA DO CURUÁ Arlan Costa
COMUNIDADE Buritizal Ruane Barbosa Pacheco, Maria da Conceição
Cooperação Técnica
CGEN / DPG / SBF / MMA
PUBLICAÇÃO
PROJETO GRÁFICO e design Start Digital
ILUSTRAÇÕES João Tiago Picoli
revisão Amélia Gonzales
AGRADECIMENTOS
Luiz Carlos Joels, João Matos, Tasso Azevedo, Carlos Potiara
CONTATO
rubensgomes@oela.org.br
ÍNDICE
1 6A CONSTRUÇÃO DOS PROTOCOLOS COMUNITÁRIOS
2 10CONSIDERAÇÕES SOBRE A METODOLOGIA
3 20OFICINA 1
4 34OFICINA 2
5 54I ENCONTRÃO
6 58OFICINA 3
7 70OFICINA 4
8 74II ENCONTRÃO
INTRODUÇÃO0
O s países que ratificaram o Protocolo de Nagoia buscam hoje implementar os objeti-
vos da Convenção da Diversidade Bio-
lógica – CDB, sendo guiados pelo ter-
ceiro pilar, que é garantir a repartição 
justa e equitativa dos benefícios, sem 
perder de vista as outras questões, 
como a conservação da diversidade 
biológica e a utilização sustentável dos 
seus componentes. 
Em paralelo a este processo, os 
usuários (em especial o setor indus-
trial) vêm se articulando para este novo 
momento. Eles estão criando suas pró-
prias organizações para ajudá-los no 
desenvolvimento deste novo bioco-
mércio e desenvolvendo seus próprios 
padrões de certificações, assim como 
seu modelo de protocolos, sendo o bio-
cultural o mais conhecido.
Entretanto, as características 
impressas neste modelo de protocolo 
não atendem às reais necessidades 
dos POVOS E COMUNIDADES TRA-
DICIONAIS. Por isso, buscamos outras 
referências. Não precisamos apenas 
de um Protocolo que nos prepare 
para fazer negócios com as empresas. 
Queremos um modelo mais amplo, 
que possibilite uma real apropriação 
do nosso território, de nossa cultura 
e história. E que nos ajude a levantar 
CONHECER 
PARA 
DEFENDER
5
a verdadeira situação dos nossos 
estoques de recursos naturais para 
avaliarmos a melhor forma de uso. 
Do mesmo modo, necessita-
mos conhecer as legislações interna-
cionais (a CDB, Protocolo de Nagoia, a 
Convenção 169 da OIT), nacional e 
estadual (marco regulatório em vigor 
referente ao acesso e repartição de 
benefício) e as políticas públicas que 
se referem a povos e comunidades 
tradicionais. Temos consciência de 
nossa responsabilidade em conser-
var a biodiversidade promovendo o 
uso sustentável dos recursos naturais, 
com intuito de propiciar o nosso bem
-estar e gerar riquezas para o país. 
Por isso, nós da Rede Grupo 
do Trabalho Amazônico – Rede GTA 
(a maior rede de movimentos socio- 
ambientais da Amazônia), em par-
ceria com a Regional GTA/Amapá, 
o Conselho Comunitário do Baili-
que, Colônia de Pescadores Z-5, IEF, 
CGEN/DPG/SBF/MMA, juntamente 
com 36 comunidades do Arquipé-
lago do Bailique, com apoio da AVI-
NA e Fundo Vale, desenvolvemos 
um instrumento de proteção aos 
nossos direitos que possibilitará às 
nossas comunidades implementar 
o seu plano de gestão de território, 
o manejo e o uso sustentável dos 
recursos naturais. 
Esse instrumento, descrito 
aqui nessa cartilha, chama-se Pro-
tocolo Comunitário, que definimos 
como REGRAS INTERNAS CRIADAS 
PELA PRÓPRIA COMUNIDADE. Tais 
regras refletem as suas caracterís-
ticas tradicionais, o modo como a 
comunidade se relaciona interna e 
externamente. E definem também 
alguns procedimentos, critérios e 
instrumentos de gestão territorial e 
de manejo e uso sustentável de re-
cursos naturais.
Esperamos que esse mode-
lo de Protocolo Comunitário possa 
ser replicado em outros territórios, 
transformando-se num instrumento 
de empoderamento dos povos e co-
munidades tradicionais. 
Rubens Gomes
Presidente da Rede GTA
1
7
A CONSTRUÇÃO 
DOS PROTOCOLOS 
COMUNITÁRIOS1
A CONSTRUÇÃO DOS PROTOCOLOS COMUNITÁRIOS1
A construção de protocolos co-munitários tem como objetivo empoderar povos e comuni-
dades tradicionais para dialogar com 
qualquer agente externo de modo 
igualitário, fortalecendo o entendimen-
to da comunidade dos seus direitos e 
deveres e estabelecendo a importân-
cia da conservação da biodiversidade 
e de seu uso sustentável. Além disso é 
uma importante ferramenta de gestão 
de territórios, assim como do controle 
e da forma de uso de recursos naturais.
Esse projeto está sendo desen-
volvido pela Rede Grupo de Trabalho 
Amazônico (Rede GTA) e tem como 
apoiadores o Fundo Vale e a Fundação 
Avina. Tem como parceiros a Regional 
Amapá da Rede GTA, o Conselho Co-
munitário do Bailique (CCB), a Colônia 
Z-5 de Pescadores, o Instituto Estadu-
al de Florestas do Amapá e o DPG/
CGEN/Ministério do Meio Ambiente. 
Para a Rede GTA, Protocolos 
Comunitários são REGRAS INTERNAS 
CRIADAS PELA PRÓPRIA COMUNI-
DADE. Tais regras refletem as suas 
características tradicionais, o modo 
como a comunidade se relaciona in-
terna e externamente, e definem tam-
bém alguns procedimentos, critérios e 
instrumentos de gestão territorial e de 
manejo e uso de recursos naturais. 
A criação de Protocolos Comu-
nitários tem como base internacional 
a Convenção sobre a Diversidade Bio-
lógica (CDB) e o Protocolo de Nagoia. 
A nível nacional, a Rede GTA recorreu 
inicialmente à Metodologia da Certifi-
cação Socioparticipativa desenvolvida 
pela Rede, além da legislação nacional 
vigente sobre acesso a recursos ge-
néticos e conhecimentos tradicionais 
associados. 
O desenvolvimento de um pro-
jeto de construção de protocolo comu-
nitário deve ter três fases. A primeira, 
ano I do projeto, é o desenvolvimento 
do protocolo comunitário da comu-
nidade (metodologia descrita nessa 
cartilha). A segunda fase, ano II, é refe-
rente a melhorias de arranjos produti-
vos, onde a comunidade trabalha para 
identificar potencialidades econômicas 
no seu território e através do seu proto-
colo inicia acordoscomerciais em dife-
rentes áreas. A terceira fase, ano III, é o 
momento em que a comunidade de-
senvolve a certificação socioparticipati-
va de seus produtos, com o objetivo de 
aumento de renda e melhoria na quali-
dade da produção. Essas fases são in-
terligadas, sendo que os anos II e III do 
projeto são essenciais para fortalecer o 
protocolo comunitário da comunidade 
que foi desenvolvido no primeiro ano. 
9
Essa cartilha é referente a 
primeira fase do projeto e essa me-
todologia foi desenvolvida durante a 
construção do protocolo comunitá-
rio do Bailique–AP, entre Outubro de 
2013 e Dezembro de 2014. 
2
11
CONSIDERAÇÕES 
SOBRE A 
METODOLOGIA2
CONSIDERAÇÕES SOBRE A METODOLOGIA2
A metodologia desenvolvida pe-la Rede GTA para a construção de protocolos comunitários 
possibilita sua replicação em outras 
comunidades tradicionais. Entretan-
to, é necessário ressaltar que se trata 
apenas de um guia, não de um manual. 
Portanto, deve ser adaptada à realida-
de de cada região e comunidade.
Os passos necessários para a 
construção dessa metodologia estão 
expostos a seguir.
Passo 1
Consentimento Livre, 
Prévio e Informado 
Lembrando que um Protocolo Co-
munitário DEVE SER CRIADO PELA 
PRÓPRIA COMUNIDADE, é preciso 
entender que a metodologia apenas 
oferece os instrumentos necessários 
para a construção deste processo. Não 
é papel da metodologia influenciar o 
conteúdo de regras ou procedimentos. 
A comunidade é inteiramente respon-
sável pelo conteúdo do seu Protocolo 
Comunitário. No entanto, para ser, de 
fato, um instrumento de proteção de 
território e do conhecimento tradicional 
associado ao patrimônio genético, este 
OFICINA 
CONSULTA 
A R CAPACITAÇÃO
A capacitação é quando as lideranças 
das comunidades são informadas 
sobre como será o desenvolvimento 
do Projeto de Construção do 
Protocolo Comunitário. Nessa oficina, 
são discutidos os seguintes conteúdos: 
, Introdução básica da lei brasileira 
de Acesso a Recursos Genéticos 
e Conhecimento Tradicional 
Associado, Convenção da 
Diversidade Biológica (CDB), 
Protocolo de Nagoia e 
Convenção 169 da Organização 
Internacional do Trabalho (OIT).
, Exemplo concreto de um caso de 
Acesso ao Patrimônio Genético 
e Conhecimento Tradicional 
Associado para ilustrar a 
importância desse assunto.
, Apresentação sobre potencial do 
biocomércio.
, Apresentação específica sobre o 
que é um Protocolo Comunitário, 
como fazemos para construir 
um e qual será o papel da 
comunidade nesse processo.
13
É importante dar a oportunidade para as lideranças esclarecerem qualquer 
dúvida que possa surgir durante o processo de capacitação. 
B R CONSENTIMENTO COMUNITÁRIO
A segunda etapa é o processo de consentimento livre, prévio e 
informado. Para isso é necessário que todas as pessoas que não sejam 
da comunidade se retirem da sala e deixem apenas as lideranças ou 
representantes se reunirem para deliberarem se querem ou não participar 
do projeto. A tomada de decisão deve ser escrita em uma Ata e assinada 
por todos os presentes. 
C R DISCUSSÃO DE TEMAS DO PROTOCOLO
Se a comunidade votar por aceitar o projeto, o próximo passo é estimular 
uma discussão inicial com as lideranças e/ou representantes das 
comunidades/associações comunitárias sobre as possibilidades de temas 
para a realização do Protocolo. As lideranças são divididas em grupos e 
cada uma recebe a sugestão de dois temas para serem discutidos. 
A pergunta feita é: Olhando esses temas, o que seria importante ter no 
seu Protocolo Comunitário?
Os temas propostos são: identidade, recursos naturais, território, 
desafios, riscos, oportunidades, melhorias na comunidade e problemas 
sociais. Os participantes, no entanto, têm a liberdade de discutir outros 
tópicos que acharem mais importantes para a comunidade (temas 
sugestões da Rede GTA). As ideias discutidas são colocadas em uma 
cartolina e, no fim da reunião, há uma apresentação para todo o grupo. 
É importante entender que esses temas não necessariamente 
formarão parte do Protocolo Comunitário da comunidade. Eles servem, 
porém, para identificar algumas questões que merecem atenção durante 
o processo de construção do Protocolo.
CONSIDERAÇÕES SOBRE A METODOLOGIA
documento deve sempre estar basea-
do nas legislações internacionais (CDB 
– Nagoia – OIT 169) e nas legislações 
nacionais (atual 2.186-16/2001, Esta-
duais e Municipais quando houver). 
Para que isso aconteça, é preci-
so que o primeiro passo desse processo 
de construção do Protocolo Comunitá-
rio seja o “Consentimento Livre, Prévio, 
e Informado”. O Consentimento deve 
ser livre, sem nenhuma pressão interna 
e externa, coações ou intimidações, de-
vendo ser de espontânea vontade das 
comunidades. Sempre deve ser prévio, 
ou seja, antes dos fatos ocorridos ou de 
qualquer atividade de impacto. Por úl-
timo, deve ser sempre informado, ten-
do a comunidade o direito de conhe-
cer profundamente o projeto que está 
posto à discussão, lembrando que não 
inclui somente as lideranças ou repre-
sentantes, mas todos os comunitários 
que queiram participar, por livre e es-
pontânea vontade (não custa lembrar). 
Portanto, é de extrema impor-
tância que a comunidade dê o seu 
consentimento para que o protocolo 
seja legítimo e funcional desde o início. 
Para isso, a primeira coisa é fazer uma 
Oficina Consulta [ver quadro na pág. 
anterior] com três etapas: capacitação, 
consentimento comunitário e discus-
são de temas do Protocolo.
* Um fato preponderante para o êxito é 
a escolha da Organização Animadora 
do Processo: é preciso ter uma rela-
ção de extrema confiança entre ela e 
a comunidade. Esta Organização deve 
ter muito respeito ao registrar as infor-
mações da comunidade. Não se pode 
induzir, de maneira alguma, muito me-
nos impor qualquer tema ou assunto 
que não seja de interesse das pessoas 
que estão construindo o Protocolo.
Passo 2
Apresentação do 
Ciclo de Oficinas 
Uma vez adquirido o consentimento 
livre, prévio e informado da comuni-
dade, inicia-se o processo, em si, de 
construção do Protocolo Comunitário. 
Essa construção acontece através de 
quatro rodadas de oficinas que tratam 
de temas diferentes. Além dessas ofi-
cinas, ocorrem também dois grandes 
encontros, que aqui vamos chamar de 
Encontrão. 
Para participar dessas oficinas, 
a comunidade deve escolher lideran-
ças ou representantes que devem ter 
a legitimidade para representar toda a 
comunidade. O número de represen-
2
15
tantes por comunidade pode ser 
pré-definido a partir do número total 
de moradores ou das organizações 
locais. Maior número de moradores 
e organizações locais, maior número 
de representantes.
Entretanto, é importante con-
siderar a possibilidade de deixar aber-
to o convite para não só lideranças 
participarem mas também comuni-
tários interessados, o que aumenta a 
participação nas oficinas.
Veja tabela abaixo com a or-
dem das oficinas:
OFICINA 1
Diagnóstico sócio/econômico/ambiental/cultural
OFICINA 2
Legislações internacionais, nacionais, conceitos, políticas 
públicas voltadas PCTs
I ENCONTRÃO
Devolução da oficina 1 (através do documento consulta)
Roda de conversa com gestores públicos das políticas 
direcionadas a PCTs (demanda da oficina 2)
Criação do Comitê Gestor do Protocolo Comunitário
OFICINA 3
Capacitação de ABS
Políticas Públicas para PCTs
OFICINA 4
Devolução do material gerado no Encontrão 1 (através do 
documento consulta do encontrão)
Discussão de prioridades para protocolo
Riscos e oportunidades
II ENCONTRÃO
Fechamento final dos acordos para o Protocolo Comunitário
CONSIDERAÇÕES SOBRE A METODOLOGIA2
COMITÊ GESTOR DO 
PROTOCOLO COMUNITÁRIO
A plenária do I Encontrão escolhe os representantes das comunidades 
paracompor a instância comunitária que irá coordenar e executar as 
atividades ou ações deliberadas pelo Protocolo Comunitário. De acordo 
com as demandas que aparecerem no processo, este Comitê poderá 
constituir coordenações para serem responsáveis pela execução das 
demandas expressas no Protocolo Comunitário, (ex: Regularização 
Fundiária, Relações Institucionais, Desenvolvimento Tecnológico para os 
arranjos produtivos, etc.) 
Cabe ao Comitê Gestor ajudar na construção do seu Protocolo 
Comunitário. Para isso ele deve, gradativamente, assumir a tarefa 
de repassar para as famílias das comunidades e para as escolas 
comunitárias, todos os conteúdos apresentados nas oficinas. Assim como 
executar as atividades referentes à “devolução” dos resultados das oficinas 
e dos encontrões.
A organização apoiadora (animadora do Processo) deve ir 
repassando gradativamente a responsabilidade para o Comitê Gestor 
do Protocolo Comunitário, no sentido de construir o sentimento do 
pertencimento local das ações. O êxito deste processo depende desta 
apropriação pelo Comitê.
A instância maior de poder do Protocolo Comunitário é a plenária 
das comunidades envolvidas no processo.
17
É importante ressaltar que 
são os resultados dessas quatro ofi-
cinas que irão formar o conteúdo do 
protocolo comunitário. 
No I Encontrão, por estarem 
reunidas todas as comunidades en-
volvidas no processo, é o momento 
para a criação do Comitê Gestor do 
Protocolo Comunitário
Repassando a 
informação
A k CARTOLINA
Na primeira rodada de oficina, quan-
do é feito o diagnóstico das comu-
nidades, todos os resultados das 
atividades são colocados pelas lide-
ranças/representantes em cartoli-
nas (informação mais permanente). 
Essas cartolinas são levadas de vol-
ta pelos representantes para serem 
apresentadas às famílias de sua 
comunidade, com o intuito de dar 
retorno dos resultados obtidos na 
oficina. Assim as lideranças podem 
envolver as famílias que queiram 
participar do processo e, ao mesmo 
tempo, dar o direito de elas valida-
rem ou não as informações. Esta é a 
forma mais eficiente para socializar 
a informação e dar também o direito 
da participação a todas famílias. Es-
tas passarão também a ser multipli-
cadoras das informações. A ideia é 
criar o sentimento de pertencimento.
B k BANNERS 
IMPERMEÁVEIS
Nas oficinas 2, 3 e 4, onde existe 
um conteúdo a ser repassado para 
as comunidades, o projeto traz es-
sas informações em banners de 
material impermeável, que permite 
molhar sem ficar danificado. Cada 
comunidade recebe um banner 
com as informações para poderem 
levar de volta a suas comunidades 
e repassarem para outras famílias, 
como foi feito com as cartolinas na 
primeira oficina. 
C k DOCUMENTO CONSULTA 
(INOVAÇÃO)
A Rede GTA prioriza o princípio da 
participação. Neste sentido, desen-
volveu uma inovação criando um 
processo simples, mas eficiente, 
que possibilita a inclusão de todos 
aqueles que estejam interessados 
em participar. 
Para que todas as famílias 
membros da comunidade possam 
ter o direito de participar da cons-
CONSIDERAÇÕES SOBRE A METODOLOGIA
trução do diagnóstico comunitário, um 
Documento Consulta deve ser elabo-
rado após a oficina 1. Este documento 
é a sistematização das respostas da-
das pela liderança durante a oficina. 
Com esse documento consulta 
em mãos, a equipe de campo do pro-
jeto visita todas as famílias da comu-
nidade. Deste modo, todas as famílias 
receberão a informação sobre como a 
sua liderança respondeu às perguntas 
e poderão dizer se concordam ou não 
com o que foi dito. Além disso, na di-
vergência ou na complementariedade, 
terão a chance de adicionar as suas 
contribuições ao documento. (Este 
material será sistematizado pela equi-
pe técnica do projeto e será o material 
a ser discutido nos Encontrões).
Com esse processo, todos os 
comunitários terão a oportunidade de 
se manifestarem a respeito da cons-
trução do Protocolo Comunitário. 
EQUIPE DE APOIO
Considerando a necessidade de aplicar 
o documento consulta para o maior 
número de famílias possível, e pensan-
do na necessidade de envolver a juven-
tude no projeto, criou-se uma equipe de 
apoio que é formado por jovens da co-
munidade, de preferência aqueles que 
já estão participando das oficinas. 
Esse grupo é treinado pelas 
pessoas que fazem parte da equipe 
de campo do projeto e acompanha 
a equipe na aplicação do documento 
consulta. Isso tem como resultado o 
maior número de documento consulta 
aplicados, mas também contribui para 
o envolvimento desses jovens no pro-
jeto, possibilitando o desenvolvimento 
de um interesse da juventude pela pró-
pria comunidade. Além disso, através 
desse trabalho, esse grupo de jovens 
acaba conhecendo outras comunida-
des da sua região, o que gera uma tro-
ca muito importante de experiências 
entre comunidades. 
No documento consulta do 
protocolo comunitário do Bailique, fo-
ram consultados mais de 70% das fa-
mílias das comunidades participantes 
do projeto, um número extremamente 
alto e que reflete um empoderamento 
e participação real no projeto.
2
19
BOAS PRÁTICAS 
NA CONDUTA DA OFICINA
, Sempre pedir ao mais velho/presidente da comunidade para dar as 
boas vindas.
, Iniciar com uma oração, convidando todas as religiões presentes a 
se manifestarem.
, Apresentar todos os participantes. 
, Fazer acordo de convivência antes de iniciar as atividades: horário 
de início e fim de oficinas, do almoço, de retorno, do jantar etc. Todas 
essas decisões devem ser feitas pelos comunitários.
, Sempre fazer avaliação ao final das oficinas.
, Produzir todo o material em cartolinas, fazer fotos para registro e 
entregar tudo para a comunidade.
, As fotografias tiradas em uma oficina devem ser impressas e 
entregues à comunidade na próxima oficina como uma forma de 
devolução. 
, Todas as oficinas têm que ter um relator para tomar nota do processo.
3
21
OFICINA 13
OFICINA 13
E ssa oficina tem como objetivo fazer um diagnóstico social, ambiental, cultural e econô-
mico das comunidades.
Passo 1
Identidade 
Este passo propõe discutir e responder 
as seguintes questões:
1. Se alguém de fora lhe perguntar: 
Quem é você? O que você diz?
2. Como seus avós e pais se 
identificavam/reconheciam?
3. Você se identifica/reconhece 
do mesmo modo que eles? 
Se não, por quê?
4. Como você se identifica/
reconhece?
COMO DESENVOLVER 
A ATIVIDADE?
O facilitador apresenta as quatro per-
guntas escritas em uma cartolina. E 
entrega um pedaço de papel para que 
os participantes as respondam. 
A última pergunta é o foco des-
sa atividade, portanto o facilitador tem 
duas opções para desenvolvê-la. A pri-
meira é pedir que todas as perguntas 
sejam respondidas no pedaço de papel. 
A segunda opção é pedir que os partici-
pantes discutam as três primeiras per-
guntas com o colega do lado e então 
respondam no papel a última pergunta. 
Todos os papéis são recolhidos 
e colados em um mural para que todos 
tenham acesso às respostas individu-
ais. Essas respostas serão revisadas 
em outro momento da construção do 
Protocolo.
JUSTIFICATIVA DA 
ATIVIDADE
Aqui se busca um entendimento sobre 
como os participantes se identificam 
em um contexto individual, para então 
levar essa discussão para a comuni-
dade. É importante que seja uma ati-
vidade de auto-identificação, sem que 
o facilitador influencie na resposta. A 
identidade é algo que é fluido e pode 
modificar com o tempo, principalmen-
te frente a desafios. Por isso também, a 
auto-identificação pode vir em forma-
to de várias respostas. Uma pessoa se 
identifica de vários modos. 
As perguntas 2 e 3 trazem uma 
reflexão sobre modos de identificação 
passados, seja através das profissões 
dos pais, seja atravésda situação po-
lítica vivida na época. Ela serve para 
pensar sobre como a identidade pode 
mudar de uma geração para outra.
23
Passo 2
Como se define a 
comunidade? 
Este passo propõe discutir e respon-
der as seguintes questões:
1. Como definir quem é da 
comunidade? 
2. Como definir quem não é da 
comunidade?
3. Quais são os critérios de inclusão? 
4. Quais são os critérios de exclusão?
5. Quais são os valores da 
comunidade?
COMO DESENVOLVER 
A ATIVIDADE?
Essa atividade deve ser feita em 
grupo. Se existirem comunidades 
diferentes fazendo a oficina, cada 
comunidade deverá responder as 
perguntas separadamente. Após res-
ponder as perguntas, cada grupo de-
verá apresentar suas respostas para 
o restante dos participantes. Pode-se 
abrir um espaço de discussões sobre 
as caraterísticas comuns e diferentes 
entre as comunidades.
JUSTIFICATIVA DA 
ATIVIDADE
O objetivo dessa atividade é estabe-
lecer os critérios que fazem um indi-
víduo pertencer a uma comunidade 
e as regras que definem esse perten-
cimento. Isso é importante porque 
ajuda na construção da definição de 
comunidade, saindo da discussão do 
ser individual e passando para uma 
discussão mais coletiva. 
A pergunta sobre valores da 
comunidade se torna importante 
porque também entra na própria de-
finição da comunidade e de como os 
comunitários se enxergam. Isso vai 
influenciar o modo como essas pes-
soas vão criar regras internas para 
lidarem com o ator externo.
Passo 3
Refletindo sobre 
sua história 
Este passo propõe discutir e responder 
as seguintes questões:
1. Quando se fundou a comunidade?
2. De onde vieram os primeiros 
moradores?
3. De onde vieram os demais 
moradores da minha comunidade? 
(de qual Estado, cidade etc.)
4. Onde estão os parentes?
5. Quais são as principais tradições 
da sua comunidade? (festa religiosa, 
dança etc.)
6. Na sua comunidade tem parteira, 
benzedeira, conhecimento de 
plantas, raizeiro, puxador etc.? 
Diga os nomes dessas pessoas.
COMO DESENVOLVER 
A ATIVIDADE?
Essa atividade deve ser feita em grupo. 
Se existirem comunidades diferentes 
fazendo a oficina, cada comunidade 
deverá responder as perguntas sepa-
radamente. Os grupos passam as res-
postas para uma cartolina para serem 
apresentadas para o restante dos par-
ticipantes em plenária.
JUSTIFICATIVA DA 
ATIVIDADE
O objetivo dessa atividade é iniciar um 
registro e um resgate histórico da co-
munidade. Tem o objetivo de trabalhar 
o sentido coletivo de identidade co-
munitária. A pergunta número 6 tem 
como objetivo identificar grupos tra-
dicionais dentro da comunidade que 
também fazem parte da história dessa 
comunidade. 
Passo 4
Linha do tempo
COMO DESENVOLVER 
A ATIVIDADE?
Essa atividade deve ser desenvolvida 
em conjunto, por todos os participan-
tes da oficina. Em uma cartolina, de-
ve-se desenhar uma linha do tempo 
indicando os momentos discutidos na 
atividade anterior. Essa atividade pode 
ser feita durante a oficina ou ela pode 
ser apresentada para o grupo durante 
o Encontrão para ser discutida, avalia-
da e aprovada. 
JUSTIFICATIVA DA 
ATIVIDADE
Essa atividade tem como objetivo visu-
OFICINA 13
25
alizar a história da comunidade que 
foi contada anteriormente. Quando 
apresentada no Encontrão, os par-
ticipantes poderão adicionar infor-
mações que acharem importante. 
Desde um evento particular até a 
chegada de um símbolo, como um 
sino, uma imagem de santa etc, tudo 
o que for lembrado sobre a história 
da comunidade.
Passo 5
O que é ser..... ?
COMO DESENVOLVER 
A ATIVIDADE?
Aqui a pergunta é o que é ser de uma 
comunidade especifica. Por exem-
plo, o que é ser Bailiquiense (pessoa 
do Bailique). Para desenvolver essa 
atividade, coloca-se em uma cartoli-
na a seguinte frase: 
Ser é 
Por exemplo: Ser Bailiquiense é…..
Essa atividade é respondida 
individualmente. Os participantes 
podem discutir a questão com o co-
lega do lado, mas as respostas são 
individuais. As respostas são coloca-
das em um pedaço de papel e são 
pregadas na parede. Não é preciso 
colocar o nome. Uma vez na pare-
de, os participantes são convidados 
a levantar e olhar as respostas da-
das. Pode-se fazer uma primeira 
sistematização das respostas mais 
comuns e agrupá-las.
JUSTIFICATIVA DA 
ATIVIDADE
Essa atividade fecha o ciclo de dis-
cussão sobre identidade. Ela tem o 
objetivo de entender se existe uma 
definição coletiva do que significa 
fazer parte dessa comunidade ou 
região. É importante que a equipe do 
projeto veja se existe uma similari-
dade de respostas que possam vir a 
definir a comunidade. Essas respos-
tas poderão ser colocadas no docu-
mento do Protocolo Comunitário. 
Passo 6
Organização da 
comunidade
Este passo visa a discutir e responder 
as seguintes questões:
1. Quais são as instituições presentes 
na comunidade? (Igreja, escola, 
associação de moradores etc.)
2. Existe a necessidade de criar mais 
instituições? Se sim, quais?
3. De acordo com as fases da 
árvore, classifique o nível de 
desenvolvimento da instituição que 
você citou. 
4. Quantas famílias tem sua 
comunidade?
5. Quantas famílias participam dessas 
instituições? É suficiente?
6. A associação tem algum convênio 
ou projeto?
7. Faz prestação de contas?
COMO DESENVOLVER 
A ATIVIDADE?
Essa atividade deve ser desenvolvida 
em grupo. Se existirem comunidades 
diferentes fazendo a oficina, cada co-
munidade deverá responder as per-
guntas separadamente. O facilitador 
irá explicar todas as perguntas para 
OFICINA 13
Organização/
instituição
Precisa de nova 
instituição? Nível da árvore
Número de 
famílias da 
comunidade
Participação 
em cada 
organização
A participação 
é suficiente?
Tem convênios/ 
projetos?
Prestação de 
contas?
27
os participantes e irá apresentar o 
desenho da árvore [ver págs. 28 e 29] 
que deverá ficar exposto durante 
toda a atividade. As respostas serão 
feitas em um papel onde o quadro 
já está pronto [ver quadro abaixo]. Os 
grupos passam as respostas para 
uma cartolina para ser apresentada 
para o restante dos participantes 
em plenária. Pode-se abrir espaço 
para discussão e esclarecimentos.
JUSTIFICATIVA DA 
ATIVIDADE
O objetivo dessa atividade é fazer 
um levantamento de todas as orga-
nizações presentes na comunidade. 
A partir daí começa a se pensar se 
há uma carência de organizações na 
comunidade e avaliar em que nível 
de desenvolvimento as instituições 
locais se encontram (de acordo 
com nível da árvore). As perguntas 
4 e 5 geram uma discussão a res-
peito do nível de participação dos 
comunitários nessas organizações 
e é parte essencial desse processo. 
As perguntas 6 e 7 têm o objetivo de 
levantar algumas questões da trans-
parência nas atividades de gestão 
dessas organizações. 
Organização/
instituição
Precisa de nova 
instituição? Nível da árvore
Número de 
famílias da 
comunidade
Participação 
em cada 
organização
A participação 
é suficiente?
Tem convênios/ 
projetos?
Prestação de 
contas?
OFICINA 13
1 Embrionário, Nascente, dormente
2 Emergente, Crescente, Brotando
3 Jovem, Alguns frutos, PRECISA DE NUTRIENTES
4 BEM DESENVOLVIDA, COMEÇA A DAR BONS FRUTOS
5 COMPLETAMENTE MADURA, FORTE, 
AUTO–SUFICIENTE, RESISTENTE
4
321
29
5
Passo 7
Processo de tomada 
de decisão
Esta atividade se propõe a discutir e 
responder as perguntas a seguir:
1. Como são tomadas as decisões 
importantes na sua comunidade?
2. Quem está envolvido na tomada 
de decisão? 
3. Existem decisões que devem ser 
tomadas só pelas lideranças? Quais?
4. Quais são os valores centrais 
que guiam essas decisões? 
5. Quem são consideradas as 
autoridades comunitárias?6. Como você se envolve no processo 
de tomada de decisão?
7. Você sente que tem oportunidades 
suficientes de expressar suas 
preocupações e opiniões durante 
reuniões ou quando tem que decidir 
algo na comunidade? Por quê?
8. Você gostaria de mudar algo 
no sistema ou estrutura existente? 
Por quê?
COMO DESENVOLVER 
A ATIVIDADE?
Essa atividade deve ser desenvolvida 
em grupo. Se existirem comunidades 
diferentes fazendo a oficina, cada co-
munidade deverá responder as pergun-
tas separadamente. Os grupos passam 
as respostas para uma cartolina para 
ser apresentado para o restante dos 
participantes em plenária. 
JUSTIFICATIVA DA 
ATIVIDADE
O objetivo dessa atividade é criar uma 
discussão entre os grupos sobre o pro-
cesso de tomada de decisão e sobre o 
nível de participação, em geral, nas reu-
niões. Busca entender até que ponto as 
pessoas se sentem envolvidas e possui-
doras de direitos iguais de participação.
Passo 8
Mapa mental do 
território comunitário
Esta atividade se propõe a discutir e 
responder as perguntas a seguir:
1. Onde começa o território da 
comunidade? 
2. Onde termina o território da 
comunidade?
3. Existem áreas coletivas de uso? 
E áreas de reserva, de roçado, 
plantios e pastagens? 
4. Qual a situação fundiária de 
seu território?
OFICINA 13
31
5. Existem grandes propriedades 
no território da comunidade? 
Onde estão?
6. Identifique os recursos naturais 
existentes no território da sua 
comunidade (Ex: açaí, madeira, 
pescado etc.).
7. Quais são os recursos naturais 
que são usados pela comunidade?
8. Como são usados esses recursos? 
9. Esses recursos vêm de qual área? 
Coletiva? Particular? 
10. Faça uma lista de plantas da mata 
que se usa para remédios caseiros 
e identifique onde está no mapa.
COMO DESENVOLVER 
A ATIVIDADE?
Essa atividade deve ser desenvolvida 
em grupo. Se existirem comunidades 
diferentes fazendo a oficina, cada co-
munidade deverá responder as per-
guntas separadamente. O facilitador 
apresenta todas as perguntas abaixo 
para os participantes, explicando o 
seu significado. Cada grupo recebe 
uma folha de papel em branco onde 
deve desenhar um rascunho do 
mapa da sua comunidade, de acordo 
com as perguntas da atividade. Cada 
comunidade passa então o rascunho 
do mapa para uma cartolina, que 
será apresentado no final da ativida-
de para o restante dos participantes.
Aqui é importante lembrar 
que o mapa mental do território não 
é apenas um mapa da comunidade 
no sentido de identificar onde estão 
as casas. Esse mapa visa a identificar 
todas as áreas utilizadas pela comuni-
dade para sua sobrevivência, seja áre-
as de florestas, campo, igarapé, rios ou 
até mesmo áreas de particulares. Por 
exemplo: as áreas utilizadas para caça 
e extrativismo devem ser identificadas 
no mapa, mesmo que não estejam no 
território oficial da comunidade. 
JUSTIFICATIVA DA 
ATIVIDADE
O objetivo dessa atividade é identificar 
geograficamente a comunidade, algu-
mas de suas características principais 
no que se refere ao uso coletivo, ques-
tão fundiária, a localização e uso de 
recursos naturais. É importante lem-
brar que toda essa discussão de ter-
ritorialidade é uma preparação para a 
discussão futura quanto às formas de 
uso de recursos naturais e o relacio-
namento com os atores externos que 
querem acessar esses territórios e 
suas riquezas. É para ajudar a comu-
nidade a fazer uma gestão eficiente 
sobre seu território e seus recursos 
naturais. Conhecer para defender!
Passo 9
Tabela de atividades 
rotineiras
COMO DESENVOLVER 
A ATIVIDADE?
Essa atividade é feita com todos 
os participantes ao mesmo tempo. 
Em um quadro, o facilitador dese-
nha uma tabela como a que está 
abaixo. E vai perguntando aos par-
ticipantes em que época do ano 
os recursos estão disponíveis para 
a comunidade. A tabela vai sendo 
preenchida em grupo. 
JUSTIFICATIVA DA 
ATIVIDADE
O objetivo dessa atividade é iniciar 
um mapeamento dos recursos na-
turais conhecidos e utilizados pela 
comunidade. Isso será importante 
para uma discussão futura de uso 
sustentável. Esses dados também 
poderão ser utilizados nos anos 2 
e 3 do projeto (quando serão discu-
tidos arranjos produtivos e a certifi-
cação socioambiental).
OFICINA 13
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
A
N
IM
A
IS
 
P
EC
U
Á
R
IA
P
LA
N
TA
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A
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33
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
A
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Passo 10
Uso sustentável
COMO DESENVOLVER 
A ATIVIDADE?
Essa atividade é feita individualmen-
te. O facilitador conversa com o gru-
po e busca saber o que eles pensam 
a respeito da expressão “uso susten-
tável”. Em uma folha de papel, cada 
participante escreve uma palavra, 
uma frase ou até mesmo um exem-
plo para ilustrar o que significa “uso 
sustentável”. As folhas de papel são 
recolhidas e algumas são lidas para 
a assembleia. 
JUSTIFICATIVA DA 
ATIVIDADE
Essa atividade não visa a um enten-
dimento aprofundado do que seria 
“uso sustentável”. A ideia é começar 
uma conversa sobre este assunto. 
Em outro momento, mais à frente, 
na construção do Protocolo, o tema 
voltará a ser debatido.
4
35
OFICINA 24
OFICINA 24
E sta oficina traz informações sobre as definições e con-ceitos relacionados a povos 
e comunidades tradicionais, sobre os 
regulamentos internacionais e nacio-
nais de acesso ao patrimônio genético, 
ao conhecimento tradicional associa-
do e à repartição de benefícios, assim 
como sobre as políticas públicas rela-
cionadas a PCTs.
Atividade 1
Conceitos e Definições 
Essa atividade trabalha com o esclare-
cimento e entendimento de conceitos 
e definições-chave. Os conceitos são:
Biodiversidade
‘Bio’ significa ‘vida’ e diversidade signi-
fica ‘variedade’. Então, biodiversidade 
ou diversidade biológica compreende 
a totalidade de variedade de formas de 
vida que podemos encontrar na Terra 
(plantas, aves, mamíferos, insetos, mi-
cro-organismos etc.).
Sociobiodiversidade
Bens e serviços, gerados a partir da 
biodiversidade, que promovam a ma-
nutenção e a valorização das práticas 
e saberes, gerem renda e melhorem a 
qualidade de vida e do ambiente.
Agroecologia
Busca a integração entre capacidade 
produtiva, uso e conservação da bio-
diversidade e dos demais recursos 
naturais, equilíbrio ecológico, eficiência 
econômica e justiça social.
Agrobiodiversidade
Agrega a diversidade entre as espécies 
e entre os ecossistemas, representa a 
interação de sistemas de cultivo, de 
espécies, de variedades e raças, assim 
como diversidade humana e cultural.
Agroextrativismo
É representado pelas atividades eco-
nômicas de grupos sociais que incor-
poram o progresso técnico e novas 
tecnologias na transformação e agre-
gação de valor aos produtos da econo-
mia florestal não madeireira. Também 
abrange atividades agropastoris, extra-
tivistas e silviculturais, envolvendo tan-
to os processos produtivos como os de 
transformação e de comercialização.
Desenvolvimento 
Sustentável
É o desenvolvimento capaz de suprir 
as necessidades da geração atual, sem 
37
comprometer a capacidade de aten-
der as necessidades das futuras ge-
rações. É o desenvolvimento que não 
esgota os recursos para o futuro.
COMO FAZER ESSA 
ATIVIDADE?
Antes de a oficina começar, é preciso 
pegar cada um desses seis conceitos 
(biodiversidade, sociobiodiversidade, 
agro eco lo gia, agro bio di ver si da de, 
agro ex tra ti vis mo, desenvolvimento 
sustentável) e identificar palavras-
chaves, similares ou sinônimas às 
usadas na definição original que 
possamser usadas para construir a 
definição do conceito. Por exemplo: 
definição de biodiversidade : “‘Bio’ 
significa ‘vida’ e diversidade significa 
‘variedade’. Então, biodiversidade ou 
diversidade biológica compreende 
a totalidade de variedade de formas 
de vida que podemos encontrar na 
Terra (plantas, aves, mamíferos, in-
setos, micro-organismos etc).”
Escreve-se então as seguin-
tes palavras: vida, variedade, formas 
de vida, plantas, aves, peixes, animais 
da mata e terra em pedaços de papel, 
sendo uma palavra em cada pedaço 
de papel. O segundo passo é colocar 
essas palavras dentro de um envelo-
pe intitulado BIODIVERSIDADE. Fazer 
isso com cada um dos seis conceitos. 
Na oficina, inicia-se a ativi-
dade fazendo uma leitura dos con-
ceitos que estão nos cartazes, mas 
sem estender muito na explicação 
do sentido das definições. Após uma 
leitura inicial, os comunitários se di-
videm em três grupos de trabalho e 
cada grupo recebe dois envelopes 
com dois conceitos contendo as pa-
lavras que já foram preparadas an-
teriormente. A atividade consiste em 
cada grupo tentar formar a definição 
daquele conceito que está no envelo-
pe utilizando as palavras dadas (não 
necessariamente utilizando todas) e 
também podendo acrescentar novas 
palavras. Pede-se que cada grupo 
pense em um exemplo para os con-
ceitos. Cada grupo escreve na carto-
lina sua definição e exemplos.
A segunda etapa da atividade 
é a apresentação de cada grupo, em 
plenária, e depois leitura da definição 
original e discussão com todo o gru-
po, para ver se houve diferença de 
definição e se ficou claro para todos. 
Na página a seguir há uma 
tabela com a sugestão de palavras a 
serem usadas nos envelopes.
OFICINA 24
Conceito Palavras
Biodiversidade
vida / variedade / formas de vida / 
plantas / aves / peixes / 
animais da mata / terra
Sociobiodiversidade
Meio ambiente / qualidade de vida / 
renda / saberes / promoção / 
manutenção / vida / variedade / 
pessoas / valorização / práticas
Agroecologia
Produção / plantio / integração / 
equilíbrio ecológico / ecologia / 
economia / justiça social / BOM USO / 
conservação / biodiversidade
Agrobiodiversidade
Diversidade / espécies / 
ecoSsistemas / interação / cultivo / 
variedade / diferentes pessoas / 
diferentes culturas
Agroextrativismo
Cultivo / plantio / produção / 
atividades econômicas / 
grupos de pessoas / comÉrcio / 
transformação / agregar valor / 
florestal / manejo
Desenvolvimento 
Sustentável
Pais, filhos e netos / futuro / 
recursos naturais / crescimento / 
comprometer / utilizar / esgotar
Importante ressaltar aqui que esses conceitos são sugestões que faze-
mos como temas importantes de discussão. É possível adicionar outros conceitos, 
como por exemplo agrofloresta, que sejam relevantes para a comunidade que está 
desenvolvendo o Protocolo. 
39
Atividade 2
Comunidades 
tradicionais
Essa atividade tem por objetivo es-
clarecer o conceito de comunidades 
tradicionais usado pelo governo bra-
sileiro. É importante que a comuni-
dade se entenda como tal para que 
possa acessar as políticas públicas 
dos PCTs e, para isso, sugere-se que 
essa atividade seja desenvolvida da 
seguinte maneira:
Primeiramente dá-se o tem-
po de alguns minutos para uma con-
versa com o colega do lado sobre o 
que é entendido na expressão co-
munidades tradicionais. Se for me-
lhor, esse exercício pode ser feito em 
conjunto, puxado pelo facilitador. 
Após essa primeira reflexão, 
parte-se para a análise da definição 
que está no banner. Pensando em 
associar a comunidade com a ideia 
de comunidade tradicional, o facilita-
dor vai lendo cada parte da definição 
e perguntando se tem relevância 
para a comunidade.
A definição de comunidades 
tradicionais colocada no banner é:
Comunidades Tradicionais 
São grupos culturalmente diferen-
ciados e que se reconhecem como 
tais, que possuem formas próprias 
de organização social, que ocupam 
e usam territórios e recursos naturais 
como condição para sua reprodução 
cultural, social, ancestral, econômica 
e religiosa, utilizando conhecimentos, 
inovações e práticas gerados e trans-
mitidos pela tradição. Há uma gran-
de sociodiversidade entre os PCTs 
do Brasil, entre eles estão os Povos 
Indígenas, Quilombolas, Seringueiros, 
Castanheiros, Quebradeiras de coco 
de babaçu, Pescadores Artesanais, 
Marisqueiras, Ribeirinhos, Campeiros, 
Pantaneiros, entre outros. 
 
O facilitador inicia a leitura 
propondo as seguintes reflexões:
, Essa comunidade pode ser enten-
dida como grupos que são cultu-
ralmente diferenciados? Vocês são 
diferentes do pessoal da cidade?
, Vocês ocupam um território es-
pecífico?
, Vocês usam recursos naturais para 
sua sobrevivência?
, Vocês utilizam de conhecimentos 
tradicionais que foram passados 
de pais para filhos?
OFICINA 24
Essas perguntas devem ser 
adaptadas a cada comunidade, mas a 
ideia é utilizar as perguntas e as res-
postas dadas para que a comunidade 
termine essa atividade se identifican-
do na definição, como uma comunida-
de tradicional.
Após essas perguntas e o de-
bate, o facilitador deve perguntar se 
essa comunidade se entende como 
comunidade tradicional após esclare-
cer esse conceito. 
Atividade 3
Definição de material 
genético e recurso 
genético
Os conceitos utilizados nos banners e 
que são definições utilizadas nas leis 
brasileiras são:
Material Genético
Todo material de origem vegetal, ani-
mal, microbiana ou outra que contenha 
unidades funcionais de hereditariedade.
Recurso Genético
Material genético de valor real ou po-
tencial. Todos os organismos vivos: 
plantas, animais e micro-organismos 
carregam material genético potencial-
mente útil aos seres humanos. Esses 
recursos podem ser originários do 
mundo selvagem, da fauna domesti-
cada ou de plantas cultivadas. Eles são 
provenientes de ambientes em que 
ocorrem naturalmente (in situ), ou de 
coleções criadas pelos seres humanos, 
como os jardins botânicos, bancos de 
sementes ou coleções de culturas mi-
crobianas (ex situ).
COMO FAZER ESSA 
ATIVIDADE?
Para explicar o que é um recurso ge-
nético, busca-se um produto que seja 
muito comum e usado pela comuni-
dade. Como exemplo, podemos citar 
a andiroba e o uso do seu azeite para 
fins medicinais. 
Atividade 4
Definição de 
Conhecimentos 
Tradicionais Associados 
e sua importância
O facilitador pergunta para o grupo o 
que eles entendem por conhecimen-
to tradicional. É preciso dar bastante 
tempo para que participantes cons-
41
truam suas definições e também 
citem exemplos. 
Depois que todo o grupo esti-
ver com bastante clareza sobre o sig-
nificado de Conhecimentos Tradicio-
nais (CT), o facilitador deve adicionar 
a palavra ASSOCIADO e perguntar 
o que seria um CONHECIMENTO 
TRADICIONAL ASSOCIADO. 
Caso os participantes não 
saibam explicar, o facilitador dá a 
dica e diz que a palavra ASSOCIADO 
se refere a conhecimentos que são 
associados/ligados a recursos gené-
ticos. E diz que o melhor modo de 
explicar é através de exemplos.
Após esse esclarecimento, é 
feita a leitura da definição do banner:
Conhecimentos 
Tradicionais Associados
Referem-se a saberes, inovações e 
práticas das comunidades indígenas 
e locais relacionadas aos recursos 
genéticos. Esses conhecimentos 
tradicionais são frutos da luta pela 
sobrevivência e da experiência ad-
quirida ao longo dos séculos pelas 
comunidades, adaptadas às neces-
sidades locais, culturais e ambien-
tais. E devem ser transmitidos de 
geração em geração.
Após essa leitura, o facilita-
dor abre a discussão para a impor-
tância dos CTAs. É muito importante 
incentivar que os comunitários real-
mente contribuam para essa discus-
são. Instigar essas respostas atravésde perguntas e exemplos que sejam 
relevantes é o papel do facilitador. 
Após algumas respostas da-
das, a leitura da definição do banner 
é feita:
, CTs são importantes porque…
, Eles têm ajudado a preservar, man-
ter e até aumentar a diversidade 
biológica ao longo dos séculos. 
, As comunidades indígenas e lo-
cais dependem dos recursos bio-
lógicos para uma variedade de 
propósitos cotidianos, como ali-
mentação, remédio etc. 
, Constituem uma fonte vital de in-
formações para identificar o uso 
dos recursos genéticos com os 
quais a humanidade, como um 
todo, pode se beneficiar. Sem es-
ses conhecimentos tradicionais, 
muitas espécies atualmente usa-
das em pesquisas e em produtos 
comercializados poderiam nunca 
ter sido identificadas. 
OFICINA 24
Atividade 5
Conceitos relacionados 
ao acesso e repartição 
de benefícios
Para essa atividade, a equipe do projeto 
prepara uma pequena encenação (te-
atro) para introduzir os conceitos que 
estão nos banners. O texto abaixo do 
teatro é uma sugestão de roteiro. Mas 
o produto, recurso genético e persona-
gens, devem ser adaptados para a rea-
lidade local. O teatro feito na comuni-
dade do Bailique teve o seguinte texto:
Narrador Dona Maria Bailique é 
uma senhora muito sabida. Vive em 
um lugar muito bonito, cheio de árvo-
res, plantas e muitos animais. Dona 
Maria Bailique é conhecedora das 
plantas, especialmente da andiroba, 
de onde ela tira o óleo.
Um dia, o Dr. Naturex chegou na co-
munidade da Dona Maria Bailique. Ele 
veio querendo saber um pouco mais 
da andiroba e do seu óleo.
Dr. Naturex Boa tarde, como a se-
nhora se chama?
Dona Maria Bailique Boa tar-
de, meu nome é Maria Bailique, quem 
é o senhor?
Dr. Naturex Eu sou o Dr. Naturex, 
não sou da comunidade não, mas vim 
conhecer um pouco. Dona Maria Baili-
que, o que é isso que a senhora está fa-
zendo com essa cesta aí? O que é isso?
DONA M. Bailique Isso aqui não 
é uma cesta não, isso é um paneiro! E 
isso é andiroba, seu Dr. Naturex. 
Dr. Naturex Olha que interessante! 
Conte mais, para que você usa essa 
castanha da andiroba então?
DONA M. Bailique Ih, para muita 
coisa. E um ótimo anti-inflamatório e 
muito bom para baque!
Dr. Naturex Baque? O que é isso ?
DONA M. Bailique Baque é quan-
do você machuca alguma coisa, bate 
o braço, tem uma ferida, essas coisas. 
Narrador O Dr. Naturex gostou mui-
to da andiroba e pensou que poderia 
usar da BIOTECNOLOGIA para colo-
car o óleo da andiroba em algum de 
seus produtos. A BIOTECNOLOGIA é 
um tipo de tecnologia muito moderna 
que ajuda a fabricar alguns produtos 
através de recursos naturais. Mas, an-
tes de pegar a andiroba e levar para 
seu laboratório, o Dr. Naturex foi con-
versar com Dona Maria Bailique por-
que ele sabia que precisava fazer uma 
ANUÊNCIA PRÉVIA.
DONA M. Bailique ANU o quê?
Dr. Naturex Uma anuência prévia, 
dona Maria Bailique. Para eu acessar 
43
a andiroba, nós precisamos fazer 
um documento que chama anuên-
cia prévia.
Narrador Sr. Naturex explicou que 
anuência previa é um documento 
que os dois têm que assinar dizen-
do que dona Maria Bailique aceita 
que ele pesquise a andiroba da co-
munidade dela. A anuência prévia 
acontece porque a andiroba que o Dr. 
Naturex vai retirar é da comunidade 
da Dona Maria Bailique. Por isso, ele 
precisa pedir permissão primeiro.
DONA M. Bailique Mas Sr. Na-
turex, eu acho que a gente tem que 
conversar primeiro com toda a co-
munidade porque andiroba está em 
uma área de uso coletivo. E tem ou-
tros comunitários que também tiram 
o óleo da andiroba.
Narrador Assim, eles fizeram 
uma reunião com toda a comunida-
de e fizeram uma ANUÊNCIA PRE-
VIA, ou seja, assinaram um acordo 
de consentimento prévio da comu-
nidade, no qual constava que os 
comunitários conheciam o projeto 
do Sr. Naturex e aceitavam que ele 
utilizasse o óleo da andiroba.
O Dr. Naturex, então, fez a BIOPROS-
PECÇÃO! Isso quer dizer: ele coletou 
a andiroba e o seu óleo e levou para 
seu laboratório, a fim de determinar 
para o que serve a andiroba. Ele fez 
o que a legislação chama de ACES-
SO AO PATRIMONIO GENETICO. 
O Patrimônio genético é a mesma 
coisa que recurso genético, ou seja, 
é aquela parte da planta, ou do 
animal, que pode ser útil para o ser 
humano. Por exemplo: tem alguns 
remédios de farmácia que são oriun-
dos de algumas plantas. Você sabia, 
por exemplo, que o remédio contra a 
malária vem da árvore quina?
Mas, voltando à nossa história… 
Como o Dr. Naturex já tinha conver-
sado muito com Dona Maria Baili-
que, ele sabia das propriedades da 
andiroba, de ser boa para baque, e 
por isso resolveu que ia tentar fazer 
um creme de massagem com andi-
roba! Daí, levou para seu laboratório 
a andiroba e óleo, testou e deu cer-
to! Então, voltou para a comunidade 
para conversar com Dona Maria 
Bailique para contar para ela o que 
tinha decidido e que queria desen-
volver o produto!
Dr. Naturex Dona Maria Baili-
que, resolvi que vou fazer um óleo 
de massagem com andiroba e vou 
vender! Então, queria agora fazer 
um contrato com vocês, já que eu 
peguei o óleo de andiroba de vocês 
e também usei seu conhecimento 
OFICINA 24
tradicional. Fiz um ACESSO DO SEU 
CONHECIMENTO TRADICIONAL so-
bre o óleo para descobrir que podia 
colocar o óleo no creme de massa-
gem! O seu conhecimento sobre a 
andiroba foi muito importante para a 
minha pesquisa!
DONA M. Bailique Contrato de 
repartição de benefícios… hum, acho 
que já sei o que é isso.
Narrador Dona Maria Bailique já 
sabia que esse era um CONTRATO 
DE UTILIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO 
GENÉTICO E DE REPARTIÇÃO DE BE-
NEFÍCIOS. Esse contrato falava que o 
Dr. Naturex ia dividir alguns benefícios 
com a comunidade quando ele come-
çasse a vender produtos feitos com 
óleo de andiroba. Além disso, Dona 
Maria Bailique também sabia que o Dr. 
naturex tinha feito o ACESSO AO CO-
NHECIMENTO TRADICIONAL dela, ou 
seja, ele aprendeu, com o conhecimen-
to dela, benefícios da andiroba.
Então, Dona Maria Bailique conversou 
de novo com a comunidade e todos 
concordaram que o Dr. Naturex iria pa-
gar em dinheiro por esse benefício. Mas 
disseram também que ele iria ajudar a 
comunidade em um projeto de manejo 
da andiroba para proteger suas árvo-
res. Isso se chama REPARTICAO DE 
BENEFICIOS. E assim foi feito!
O Sr. Naturex produziu então o andiro-
bex, um creme de massagem com an-
diroba. E parte do dinheiro das vendas 
desse produto foi para a comunidade 
da Dona Maria. Além disso, o Sr. na-
turex ajudou no projeto de manejo da 
andiroba da comunidade!
Para ajudar no entendimento 
dos conceitos colocados no texto, são 
feitos cartazes com as palavras que 
estão grafadas com letra maiúscu-
la. Sempre que ela aparece no teatro, 
uma pessoa da equipe levanta esse 
cartaz para chamar atenção ao con-
ceito. É, mais ou menos, como aconte-
cia no cinema mudo. 
Os conceitos que estarão nos 
banners são:
Biotecnologia
Qualquer aplicação tecnológica que 
utilize sistemas biológicos, organismos 
vivos ou seus derivados para fabricar 
produtos ou processos para utilização 
específica.
Bioprospecção
Atividade exploratória que visa a iden-
tificar componente do patrimônio 
genético e informação sobre conhe-
cimento tradicional associado, com 
potencial de uso comercial.
45
Recursos genéticos e 
sua importância
O uso de recursos genéticos, seja 
de plantas, animais ou micro-orga-
nismos, se refere ao processo de 
pesquisa de suas propriedade poten-
cialmente benéficas, a sua utilização 
para o aumento do saber e do conhe-
cimento científico, ou para o desen-
volvimento de produtos comerciais.
O rápido desenvolvimento 
da biotecnologia moderna nas úl-
timas décadas nos permitiu o uso 
de recursos genéticos de tal forma 
que levou ao desenvolvimento denovos produtos e processos que 
contribuem para o bem-estar do 
ser humano. Estes vão desde me-
dicamentos vitais até métodos que 
melhoraram a nossa segurança ali-
mentar e métodos de conservação 
que contribuem para preservar a 
biodiversidade global.
Acesso ao 
Patrimônio Genético
Acessar o patrimônio genético 
é usar a informação contida nas 
amostras das plantas, animais, mi-
cro-organismos ou substâncias de-
las derivadas para estudá-las. Ou 
para testar os usos possíveis e de-
senvolver produto ou processo co-
mercializável, como medicamentos, 
perfumes e cosméticos.
Acesso ao Conhecimento 
Tradicional Associado
É a obtenção de informação sobre 
conhecimento ou prática individual 
ou coletiva, associada ao patrimônio 
genético, de comunidade indígena 
ou de comunidade local, também 
com finalidade de pesquisa científi-
ca, desenvolvimento tecnológico ou 
bioprospecção, visando a sua aplica-
ção industrial ou de outra natureza.
Anuência Prévia
A Anuência Prévia baseia-se no 
princípio do consentimento prévio 
fundamentado, garantindo aos pro-
vedores o acesso às informações 
relativas ao projeto que se preten-
de desenvolver, para que possam 
ou não consentir sua execução. O 
ponto de partida é a elaboração de 
um Termo de Anuência Prévia, do-
cumento formal de concordância, 
elaborado em linguagem clara e 
acessível, firmado entre aqueles que 
provêm o patrimônio genético e/ou 
o conhecimento tradicional associa-
do e aqueles que pretendem estudá- 
-los para desenvolver um produto 
comercial.
OFICINA 24
Repartição de benefícios
Consiste na divisão dos benefícios pro-
venientes da exploração econômica de 
produto ou processo desenvolvido a par-
tir do acesso ao patrimônio genético ou 
ao conhecimento tradicional associado.
As formas e o montante dessa 
repartição são acordados entre as ins-
tituições de pesquisa e os provedores, 
podendo ser monetárias ou não, in-
cluindo a transferência de tecnologias.
Contrato de Utilização 
do Patrimônio Genético 
e Repartição de Benefícios
Contrato a ser firmado entre as partes 
envolvidas em atividades que envol-
vam acesso e remessa a componente 
do patrimônio genético ou acesso aos 
conhecimentos tradicionais providos 
por comunidades indígenas ou locais.
CGEN – Conselho de Gestão 
do Patrimônio Genético
Responsável pela emissão de autoriza-
ção de acesso ao patrimônio genético ou 
ao conhecimento tradicional associado.
Após o teatro, o facilitador faz 
uma leitura sobre os conceitos dos 
banners. Ele explica o significado de 
cada um, sempre usando a história do 
teatro para ilustrar os conceitos. 
Atividade 6
Legislações 
Internacionais e 
Nacionais
Nessa atividade são apresentadas 
legislações nacionais e internacio-
nais importantes para a discussão de 
acesso a repartição de benefícios. Os 
conceitos estão abaixo (para serem 
colocados nos banners) seguidos de 
sugestões sobre como apresentá-los 
para a comunidade.
Convenção sobre 
Diversidade Biológica (CDB)
A CDB foi estabelecida durante a ECO 
–92, no Rio de Janeiro, em junho de 
1992. Esse tratado das Nações Unidas 
é um dos mais importantes instru-
mentos internacionais sobre o meio 
ambiente. Seus objetivos são:
, Conservação da diversidade bio-
lógica;
, Utilização sustentável dos seus 
componentes;
, Repartição justa e equitativa dos 
benefícios.
47
COMO DESENVOLVER ESSA 
ATIVIDADE?
Facilitador explica história e origem 
da CDB e esclarece os seus objetivos 
principais. Comunidade é dividida em 
três grupos onde cada grupo vai dis-
cutir um objetivo da CDB, elaborando 
exemplos locais. Cada grupo apre-
senta sua discussão em plenária.
CDB – artigo 15 – Acesso 
a Recursos Genéticos
O acesso aos recursos genéticos 
deve estar sujeito ao consentimento 
prévio fundamentado da Parte Con-
tratante provedora destes recursos, 
a menos que tenha sido determina-
do de outra forma por esta parte.
Saiba mais http://goo.gl/Na3HXi
COMO DESENVOLVER ESSA 
ATIVIDADE?
Aqui o facilitador faz uma leitura do 
artigo, dando foco na importância do 
consentimento prévio no acesso.
Protocolo de NagoIa
O Protocolo de Nagoia sobre Acesso 
aos Recursos Genéticos e a Reparti-
ção Justa e Equitativa dos Benefícios 
Advindos de sua Utilização (ABS) é 
um acordo suplementar à Conven-
ção sobre a Diversidade Biológica.
Foi adotado em 29 de outu-
bro de 2010 em Nagoia, no Japão, 
e se aplica aos recursos genéticos 
e aos conhecimentos tradicionais, 
bem como aos benefícios decorren-
tes de sua utilização. O Protocolo de 
Nagoia foi assinado pelo Brasil em 2 
de fevereiro de 2011 em Nova York 
e ainda precisa ser aprovado pelo 
Congresso Nacional.
Saiba mais www.cbd.int/abs
COMO DESENVOLVER ESSA 
ATIVIDADE?
O facilitador conta a história desse 
Protocolo, sua origem e importância. 
Pode-se utilizar esse espaço para 
discutir com comunidades sobre a 
posição do Brasil na implementação 
desse Protocolo que, até 2014, ainda 
não tinha sido ratificado. 
Protocolo de NagoIa – 
Artigo 12
As partes deverão apoiar o desen-
volvimento de protocolos comu-
nitários relativos a acesso ao co-
nhecimento tradicional associado 
a recursos genéticos e à repartição 
justa e equitativa dos benefícios de-
rivados de tal conhecimento.
OFICINA 24
COMO DESENVOLVER ESSA 
ATIVIDADE?
O facilitador faz a leitura do banner. O 
enfoque será no fato de que protoco-
los comunitários estão na lei interna-
cional e que, portanto, é um direito das 
comunidades. Não é algo inventado.
A CDB e o Protocolo de 
NagoIa reconhecem...
, O direito dos povos e comunidades 
tradicionais aos seus conhecimen-
tos tradicionais associados ao re-
cursos genéticos;
, A importância do conhecimento, 
inovações e práticas dos povos e 
comunidades tradicionais para a 
conservação e a utilização susten-
tável da diversidade biológica; 
, O respeito aos costumes e proce-
dimentos dos povos e comunidades 
tradicionais, bem como o uso ha-
bitual dos recursos ou intercâmbio 
que fazem entre si; 
, O direito dos povos e comunidades 
tradicionais a outorgarem Consen-
timento Prévio Informado para o 
acesso a recursos genéticos e seus 
conhecimentos tradicionais; 
, O direito de povos e comunidades 
tradicionais em receberem benefícios 
oriundos da utilização de inovações 
e práticas de seus conhecimentos.
COMO DESENVOLVER ESSA 
ATIVIDADE?
Os comunitários fazem a leitura dos 
banners e o facilitador conversa com 
todo o grupo para esclarecer dúvidas 
sobre as frases. 
A consulta Livre, Prévia 
e Informada na Convenção 
169 da OIT
O direito dos povos indígenas e tribais 
serem consultados, de forma livre e 
informada, antes de serem tomadas 
decisões que possam afetar seus direi-
tos, foi previsto pela primeira vez, em 
âmbito internacional, em 1989, quando 
a Organização Internacional do Traba-
lho (OIT) adotou sua Convenção de 
número 169.
A Convenção 169 veio para 
propor um novo modelo de coorde-
nação política entre Estados e povos 
indígenas e tribais. Um modelo mais 
simétrico e justo que, por isso, repre-
senta, até hoje, o mais completo instru-
mento de direito internacional com ca-
ráter vinculante sobre povos indígenas 
e tribais no mundo. Necessariamente, 
deve ser interpretado no contexto dos 
demais instrumentos relativos a direi-
tos humanos do sistema internacional, 
especificamente a Declaração das 
Nações Unidas sobre os Direitos dos 
49
Povos Indígenas, aprovada em se-
tembro de 2007.
COMO DESENVOLVER ESSA 
ATIVIDADE?
O facilitador explica a origem da OIT 
e da 169, focalizando na importância 
de as comunidades serem consul-
tadas. O foco deve ser novamente 
sobre o fato de que consulta já é um 
direito adquirido das comunidades. 
Medida Provisória 
2.186–16/2001
No Brasil, a Constituição Federal de 
1988 estabeleceque o meio am-
biente é bem de uso comum do 
povo e essencial à sadia qualidade 
de vida. Por conta disso, é dever do 
poder público e da coletividade de-
fendê-lo e preservá-lo para as pre-
sentes e futuras gerações.
A regulamentação de alguns 
desses deveres e a implementação 
da Convenção sobre Diversidade 
Biológica no país resultam da aplica-
ção da Medida Provisória no 2.186-
16/2001 (MP) e seus regulamentos.
Essa norma estabelece direi-
tos e obrigações relativos ao acesso 
ao patrimônio genético, ao conheci-
mento tradicional associado e à repar-
tição justa e equitativa de benefícios.
COMO DESENVOLVER ESSA 
ATIVIDADE?
O facilitador explica a história da 
criação da MP, algumas das suas ca-
racterísticas. E faz a leitura do banner. 
Atividade 7
Políticas Públicas 
relacionadas a 
Povos e Comunidades 
Tradicionais 
Todas essas políticas são coloca-
dos em banners para apresentação. 
Nessa atividade, o facilitador convida 
participantes da oficina para lerem 
as descrições, esclarece os termos 
e identifica exemplos locais quando 
possível. As políticas públicas são:
PNPCT – Política Nacional 
de Desenvolvimento 
Sustentável dos Povos e 
Comunidades Tradicionais
A PNPCT reafirma a importância 
do conhecimento, da valorização e 
do respeito à diversidade socioam-
biental do País. Promove o desen-
volvimento sustentável dos povos 
e comunidades tradicionais, com 
ênfase no reconhecimento, forta-
OFICINA 24
lecimento e garantia de seus direitos 
territoriais, sociais, ambientais, econô-
micos e culturais.
Saiba mais Decreto N° 6.040/2007
CNPCT – Comissão Nacional 
de Desenvolvimento 
Sustentável dos Povos e das 
Comunidades Tradicionais
Os principais pontos da CNPCT são: 
, Coordenar a elaboração e a imple-
mentação de uma Política Nacional 
voltada para o desenvolvimento 
sustentável dos povos e comuni-
dades tradicionais, estabelecendo 
princípios e diretrizes para políticas 
públicas relevantes no âmbito do 
Governo Federal e dos demais ní-
veis de Governo;
, Propor e orientar as ações neces-
sárias para a articulação, execução 
e consolidação de políticas públicas 
relevantes para o desenvolvimento 
sustentável de povos e comunida-
des tradicionais, estimulando a des-
centralização da execução dessas 
ações e a participação da sociedade 
civil, com especial atenção ao aten-
dimento das situações que exijam 
providências especiais ou de caráter 
emergencial;
, Identificar a necessidade e propor 
a criação ou modificação de ins-
trumentos necessários à boa im-
plementação de políticas públicas 
relevantes para o desenvolvimento 
sustentável dos povos e comunida-
des tradicionais;
, Identificar, propor e estimular ações 
de capacitação de recursos huma-
nos, fortalecimento institucional e 
sensibilização, voltadas tanto para 
o poder público quanto para a so-
ciedade civil, visando ao desenvol-
vimento sustentável dos povos e 
comunidades tradicionais;
, Promover debates e consultas pú-
blicas sobre os temas relacionados 
à formulação e execução de políti-
cas voltadas para o desenvolvimen-
to sustentável dos povos e comuni-
dades tradicionais.
, PCTs estão representadas em 15 
categorias eleitas pelos participan-
tes que se auto identificam (Serta-
nejos, Seringueiros, Comunidades 
de Fundo de Pasto, Povo de Terrei-
ro, Ciganos, Pomeranos, Indígenas, 
Pantaneiras, Quebradeiras de Coco, 
Caiçaras, Gerazeiros, Quilombo-
las, Agroextrativistas da Amazônia, 
Faxinais, Pescadores Artesanais)
51
Plano Nacional das 
Cadeias de Produtos da 
Sociobiodiversidade – 
Plano da Sociobio
O Plano da Sociobio fortalece e inte-
gra ações, numa estratégia de estru-
turação de mercados sustentáveis 
para os produtos da Sociobiodiversi-
dade com atuação nacional, regional 
e local. É fruto de um processo co-
letivo, com participação dos povos e 
comunidades tradicionais, sociedade 
civil, empresas e governo.
Saiba mais http://goo.gl/blx2m3
Praça da 
Sociobiodiversidade
É uma estratégia do Plano da Socio-
bio para a promoção comercial de 
produtos orgânicos ou oriundos de 
manejo sustentável que respeitam 
questões ambientais e sociais.
É um local itinerante de expo-
sição, comercialização e diálogo com 
consumidores, empresários, formado-
res de opinião, imprensa e população 
em geral. É criado para ampliar a di-
vulgação de produtos e serviços de di-
versos biomas. Tem como princípios:
, A sustentabilidade econômica de 
empresas e empreendimentos, fir-
mando relações comerciais trans-
parentes e de cooperação entre to-
dos os elos das cadeias produtivas;
, A sustentabilidade social das po-
pulações que vivem em cada bio-
ma brasileiro e de reconhecimen-
to junto ao público consumidor;
, A sustentabilidade ambiental atra-
vés de processo de gestão do uso 
de recursos naturais;
, A geração de trabalho e renda para 
os povos e comunidades tradicio-
nais e agricultores familiares.
Produtos da 
Sociobiodiversidade
São os bens e serviços (produtos 
finais, matérias primas ou beneficia-
das) gerados a partir de recursos da 
biodiversidade, voltados à formação 
de cadeias produtivas de interesse 
dos povos e comunidades tradicio-
nais e de agricultores familiares.
Estes produtos promovem a 
manutenção e a valorização de prá-
ticas e saberes tradicionais, gerando 
renda e promovendo a melhoria da 
qualidade de vida e do ambiente 
dessas comunidades.
Representam oportunidades 
pa ra o investimento em negócios 
sustentáveis e em inovações de pro-
dutos em diversas áreas:
OFICINA 24
, Alimentos
, Cosméticos
, Medicamentos
, Moda
, Decoração
, Ecoturismo
, Serviços
APLs – Arranjos 
Produtivos Locais
O Plano da Sociobiodiversidade atua 
localmente por meio dos Arranjos Pro-
dutivos Locais (APLs), um agrupamen-
to de empreendimentos de um mes-
mo ramo localizado em um mesmo 
território, com articulação, interação, 
cooperação e aprendizagem entre si e 
com os demais atores locais.
Em todo o Brasil são reconhe-
cidos 18 APLs, que envolvem mais de 
16 espécies da sociobiodiversidade.
Os APLs estão inseridos nos 
biomas Cerrado, Caatinga, Mata dos 
Cocais, Mata Atlântica e Amazônia, 
incluindo em seus territórios povos e 
comunidades tradicionais e agricultu-
ras familiares.
Exemplo: Amazônia
, Borracha – Vale do Acre – AC
, Castanha – Sul do Amazonas – AM
, Piaçaba – Alto e médio Rio Negro 
– AM
, Castanha – Oriximiná – PA
, Açaí e Andiroba – Ilha de Marajó 
– PA
, Óleo de Andiroba e Copaíba – 
BR-163 – PA
 
PNAPO – Política Nacional 
de Agroecologia e 
Produção Orgânica
A PNAPO tem o objetivo de integrar, 
articular e adequar políticas, progra-
mas e ações indutoras da transição 
agroecológica e da produção orgâni-
ca e de base agroecológica. Contribui 
para o desenvolvimento sustentável 
e a qualidade de vida sustentável dos 
recursos naturais e a oferta e consumo 
de alimentos saudáveis.
Transição agroecológica é o 
processo gradual de mudança de prá-
ticas e de manejo dos agroecossiste-
mas, tradicionais ou convencionais, por 
meio da transformação das bases pro-
dutivas e sociais do uso da terra e dos 
recursos naturais. Essa mudança deve 
levar a sistemas de agricultura que in-
corporem princípios e tecnologias de 
base ecológicas.
PAA – Programa de 
Aquisição de Alimentos
O PAA propicia aquisição de alimentos 
de agricultores familiares a preços com-
53
patíveis com o mercado. Os produtos 
são destinados a entidades assisten-
ciais, governo e famílias em situação 
de vulnerabilidade social. Trata-se, 
também, de um mercado institucio-
nal, onde o agricultor pode comercia-
lizar diretamente sua produção.
Pronaf – Programa 
Nacional de 
Fortalecimento da 
Agricultura Familiar
O Pronaf financia projetos individu-
ais e coletivos que gerem renda aos 
agricultoresfamiliares e assenta-
mentos da reforma agrária.
O programa mantém as taxas 
de juros mais baixas para financia-
mentos rurais. Em contrapartida, afe-
re as menores taxas de inadiplência 
entre os sistemas de créditos do País.
PNAE – Programa Nacional 
de Alimentação Escolar
O PNAE consiste na utilização de, no 
mínimo, 30% dos recursos repas-
sados para alimentação escolar na 
compra de produtos da agricultura fa-
miliar, priorizando os assentamentos 
da reforma agrária, as comunidades 
tradicionais, indígenas e quilombolas.
PMCF – Programa Federal 
de Manejo Florestal 
Comunitário e Familiar
O PMCF foi criado para coordenar 
ações de gestão e incentivos ao ma-
nejo florestal sustentável. É voltado 
para povos e comunidades tradi-
cionais e agricultores familiares que 
tiram sua subsistência das florestas.
Este programa oferece ca-
pacitação, apoio técnico e recursos 
financeiros, de modo a organizar a 
retirada de madeira e dos produtos 
florestais não madeireiros sem es-
gotar a floresta.
Assistência Técnica – 
ATER Rural Extrativista
As ações de apoio à produção e à 
garantia de conservação ambiental 
receberam assistência técnica na 
Região Norte.
Em 2013, foi realizada a pri-
meira chamada pública exclusiva 
para contratação de assistência téc-
nica e extensão rural extrativista, que 
considera as especificidades da pro-
dução e laços de coletividade destas 
comunidades.
5
55
I ENCONTRÃO5
I ENCONTRÃO5
E ncontrão é uma reunião amplia-da com a participação de todas as comunidades envolvidas no 
processo de construção do Protocolo Co-
munitário. Dependendo do tamanho da 
comunidade, existe a necessidade de divi-
di-la em polos (levando em conta a apro-
ximação geográfica) para que o número 
de participantes em cada oficina não seja 
muito alto, o que dificultaria a metodolo-
gia. O Encontrão é o momento em que 
todas as comunidades se encontram para 
participarem das atividades e discutirem, 
em conjunto, detalhes do Protocolo. 
Atividade 1
Diminuindo a distância 
entre poder público e 
comunidades
Considerando que muitas das políticas 
públicas voltadas aos PCTs são ainda 
desconhecidas pelos povos e comunida-
des tradicionais, vê-se a necessidade de 
diminuir a distância entre a comunidade 
e essas políticas.
A organização moderadora do 
processo, portanto, deve servir de ponte 
junto aos ministérios proponentes desta 
política, convidando-os para participa-
rem do I Encontrão, no intuito de trazer 
algumas informações preliminares. 
A escolha de quais gestores con-
vidar fica a critério das demandas identi-
ficadas na Oficina 2. 
Atividade 1.1
Roda de Conversa 
Roda de Conversa com gestores públicos 
relacionadas às políticas públicas para os 
povos e comunidades tradicionais para 
que eles expliquem os caminhos que as 
comunidades devem seguir para acessar 
estas políticas. 
O Encontrão é um evento de três 
dias. É importante que essa roda de con-
versa aconteça no primeiro dia e que os 
gestores públicos fiquem no evento até o 
final. O motivo é que a presença deles no 
evento possibilita o surgimento de peque-
nas rodas de conversas informais com os 
comunitários durante o processo. Conside-
rando que esses gestores nunca, ou quase 
nunca, ficam na comunidade, é importan-
te dar a chance aos comunitários de con-
versarem com eles o máximo possível.
É papel do moderador da mesa 
identificar algumas possíveis demandas 
das comunidades durante a roda de con-
versa. Essas demandas, ao final do En-
contrão, deverão ser postas para votação 
57
pela assembleia para ver como devem 
agir (por exemplo, enviando um ofício 
pedindo ajuda ao Ministério Público so-
bre questão fundiária, convidando ou-
tros gestores para próxima oficina etc).
Atividade 2
Devolução da 
Sistematização dos 
Documentos Consultas
Todos os documentos-consultas (con-
sulta a todas as unidades familiares) 
referentes à oficina 1 são sistemati-
zados por comunidades e por polo, 
tentando ter uma visão geral do grupo. 
Deste modo, cada comunidade terá 
uma informação referente às respos-
tas da Oficina 1, que é agora um re-
flexo, não somente das respostas das 
lideranças, mas também das outras 
pessoas da comunidade.
A sistematização por polo deve 
ser impressa em um material mais 
permanente e impermeável (depen-
dendo do número de comunidades, é 
preciso produzir um caderno para cada 
polo). Deve-se imprimir em papel A 4 
os resultados para cada comunidade. 
Assim, a liderança pode fazer a devo-
lução às famílias de sua comunidade.
No Encontrão, este caderno 
do polo será avaliado pelas lideran-
ças, para observar as mudanças que 
aconteceram com as contribuições das 
famílias. Sendo feita por polos, a siste-
matização possibilita que cada comuni-
dade se enxergue no documento. Des-
se modo, tanto as divergências quanto 
as convergências são identificadas. 
Cada polo deve discutir o resul-
tado. Os comunitários têm a oportuni-
dade de concordar com as mudanças 
feitas ou alterar ainda mais o resultado, 
modificando ou adicionando informa-
ções. Este debate gera um produto de 
consenso das lideranças que é apre-
sentado em plenária no Encontrão.
Esse caderno irá retornar com 
as lideranças ou representantes das 
comunidades para que as famílias to-
mem conhecimento do resultado. 
Após o Encontrão, a equipe 
técnica do projeto sistematiza essas 
novas informações que foram apre-
sentadas em plenária. Com esses da-
dos, constroem um novo documento-
consulta que irá passar a cada unidade 
familiar das comunidades para reco-
lher suas contribuições. 
A sistematização destas in-
formações irá alimentar o debate da 
quarta Rodada de Oficinas, antes de 
ir para o II Encontrão.
6
59
OFICINA 36
OFICINA 36
A Oficina 3 é dedicada à capa-citação de ABS (Acesso ao Patrimônio Genético e Repar-
tição de Benéficos) e de Políticas Pú-
blicas de interesses aos PCTs.
Atividade 1
Apresentação de 
políticas públicas
Durante a oficina 2 e durante o Encon-
trão devem ser identificadas algumas 
necessidades de conhecimento de po-
líticas públicas específicas. Isso pode 
surgir também a partir de demandas 
feitas pela comunidade. 
Uma vez identificadas as ne-
cessidades, os representantes dos 
ministérios são convidados a participa-
rem dessa oficina, no intuito de apre-
sentar algumas políticas públicas.
O material gerado por esses 
gestores deverá ser impresso nos ban-
ners do projeto, pois estes seguirão para 
as comunidades. É importante aconse-
lhar esses órgãos na produção do texto 
desse material para que seja algo obje-
tivo e de linguagem acessível a todos. 
Na oficina, cada órgão apresen-
ta o material para as comunidades e 
abre para perguntas e debate. O tempo 
dessa atividade depende do número de 
apresentações, mas é muito importan-
te que se deixe tempo suficiente para 
as comunidades tirarem as dúvidas 
sobre a melhor maneira de acessar as 
políticas públicas apresentadas.
É importante que essa seja a 
primeira atividade para que a comu-
nidade tenha os outros dias da oficina 
para manter conversas informais com 
esses gestores sobre políticas públicas 
e como acessá-las.
Atividade 2
Capacitação de 
acesso ao patrimônio 
genético, conhecimento 
tradicional e repartição 
de benefícios
Para desenvolver essa atividade, o faci-
litador deve tentar, o máximo possível, 
criar uma conversa com o grupo para 
trazer o esclarecimento sobre o tema. 
É importante o uso de exemplos locais 
para facilitar a explicação. Somente 
após uma discussão inicial é que o faci-
litador deve iniciar a leitura do material, 
que deve conter figuras para facilitar o 
entendimento.
61
MATERIAL APRESENTADO
PÁgina 1 
Por que os recursos genéticos são importantes?
Porque eles podem ajudar no desenvolvimento de medicamentose de cosmé-
ticos, nas técnicas agrícolas e ambientais.
ANDIROBA COSMÉTICO DE ANDIROBA
VENENO DE JARARACA
REMÉDIO PARA PRESSÃO 
ALTA SINTETIZADO 
A PARTIR DO VENENO
OFICINA 36
Página 2
Por que os conhecimentos tradicionais são importantes? 
Conhecimentos tradicionais têm ajudado a preservar, manter e até aumentar a 
diversidade biológica ao longo dos séculos. Além disso, populações tradicionais 
utilizam desse conhecimento na agricultura e também na saúde, através de medi-
camentos tradicionais. 
 
 
AZEITE DE 
ANDIROBA
PARTEIRAS UTILIZANDO SEU 
CONHECIMENTO TRADICIONAL DE ERVAS
63
Página 3
O que é acesso aos recursos genéticos?
É a atividade realizada sobre plantas, animais ou micro-organismos com o ob-
jetivo de se identificar propriedades potencialmente benéficas para o aumento 
do saber, do conhecimento científico ou para o desenvolvimento de produtos 
comerciais. 
 
 
SABONETE 
DE AÇAÍ
OFICINA 36
Página 4
O que é acesso ao conhecimento tradicional associado?
, É quando se obtém informação sobre um conhecimento tradicional (que pode 
ser individual ou coletivo) relacionado a um recurso genético.
, Essas informações podem ser usadas para estudo acadêmico, para a pesquisa 
científica ou para o desenvolvimento comercial de um produto. 
 
REMÉDIO DE FARMÁCIA 
À BASE DE ANDIROBA
, Os conhecimentos tradicionais são uma fonte vital de informações para identificar 
os usos dos recursos genéticos com os quais a humanidade pode se beneficiar. 
Sem esses conhecimentos tradicionais muitas espécies atualmente usadas em 
pesquisas e em produtos comercializados poderiam nunca ter sido identificadas. 
65
Página 5
Setores envolvidos no acesso aos recursos genéticos e conhecimento tradicional
, Provedores: os Estados Nacionais possuem direitos soberanos sobre os re-
cursos naturais que estão em seu território nacional. No Brasil, as comunida-
des indígenas e tradicionais também são responsáveis por dar autorização 
para esse acesso, principalmente se ocorrer o acesso aos conhecimentos 
tradicionais associados
, Usuários: são os responsáveis por repartir os benefícios derivados do uso dos 
recursos genéticos com os provedores. Inclui indústria far macêutica, cosmé-
tica, agrícola, uni versidades, jardim botânico etc. 
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Termo de Anuência Prévia (TAP)
Documento assinado pelo pesquisador/empresa e comunidade antes de se iniciar 
o projeto. Se a comunidade assinar o TAP significa que os comunitários aceitaram 
o projeto. O que precisa ter no TAP?
, O TAP precisa estar em linguagem acessível
, Precisa ter explicação sobre o que é realmente o projeto: objetivo, metodologia, 
orçamento, duração, comunidade envolvida, etc.
, Precisa explicar como o projeto pode beneficiar a comunidade
, Precisa explicar como recurso genético e conhecimento tradicional vão ser usa-
dos na pesquisa
, Precisa esclarecer quais serão os impactos sociais, ambientais, econômicos, cul-
turais do projeto.
, O TAP precisa garantir a comunidade o direito de recusar o acesso ao recurso 
genético e conhecimento tradicional 
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O que é o Contrato de Utilização e Repartição de Benefícios, o Curb?
É um contrato feito entre a comunidade e o pesquisador /empresa. Isso acon-
tece quando o acesso ao recurso genético e conhecimento tradicional tem um 
objetivo comercial e financeiro. 
 
Parte importante do Curb é a repartição de benefícios, que pode ser:
monetária (% dos lucros de venda do produto)
NÃO monetária
OFICINA 36
Algumas perguntas orientadoras nesse processo (utilizar exemplos locais):
, Como se chama aquilo que fica dentro do azeite de andiroba que cura dor de 
garganta? (Buscar esclarecimento sobre recurso genético).
, Quais são os outros usos do azeite da andiroba?
, A comunidade usa muitos remédios da terra? Quais? (Incentivar a contação de 
histórias e explorar a diferença entre usar remédios da farmácia e usar remédios 
da terra).
, O que vocês entendem por conhecimentos tradicionais? (Incentivar que os co-
munitários deem exemplos).
, O que vocês acham que significa a expressão justa e equitativa? Como seria 
uma repartição justa? (Explorar esses conceitos e as lacunas na lei).
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Atividade 3
Encenação
Após terem discutido bastante os 
termos de ABS e feito a leitura, to-
dos os participantes fazem um cír-
culo para essa atividade.
Aqui, os comunitários são 
convidados a reproduzir uma situa-
ção real de uma empresa chegan-
do na comunidade para prospectar 
um recurso genético associado ao 
conhecimento tradicional. Uma pes-
soa da equipe do projeto vai fazer o 
papel do representante da empresa 
e outra será o moderador, que vai 
acompanhar a discussão e auxiliar a 
comunidade caso eles tenham algu-
ma dúvida do processo.
A pessoa que fizer o papel 
do empresário/pesquisador deve 
atuar como uma empresa que quer 
enganar a comunidade, não garan-
tindo nenhum dos seus direitos. Se-
rão exploradas, portanto, algumas 
possibilidades como: tentar acessar 
conversando somente com um co-
munitário; não querer fazer reunião 
com toda a comunidade; tentar 
convencer comunitários de que não 
houve acesso ao CTA; tentar fazer 
uma anuência em pouco tempo e 
em uma linguagem difícil; não que-
rer informar a comunidade sobre o 
acesso; oferecer uma repartição de 
benefícios que seja muito ruim para 
comunidade etc.
O papel do moderador é 
orientar os moradores, quando ne-
cessário, para as áreas da discus-
são sobre as quais eles precisam 
ficar mais atentos. Se a empresa 
consegue algo deles que não seja o 
cenário ideal, o moderador pode in-
tervir para mostrar aos comunitários 
como ela os está enganando.
Nesse caso, deve-se deixar a 
comunidade responder à empresa/
pesquisador sem muito auxílio para 
poder averiguar o nível de entendi-
mento do processo. Durante a ence-
nação deve-se passar pelas etapas 
de conversa com a comunidade, 
anuência prévia, bioprospecção e 
contrato. 
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OFICINA 47
OFICINA 47
E ssa oficina é o momento em que as comunidades iniciam os seus acordos para a cons-
trução do seu protocolo e identificam 
riscos e oportunidades locais.
Atividade 1
Devolução do 
documento–consulta 
pós–Encontrão I 
Será apresentado para as comunida-
des o resultado da última devolução 
do documento-consulta que foi circu-
lado em todas as unidades familiares 
após o Encontrão. Esse material estará 
exposto em banners que serão entre-
gues a cada polo. 
O objetivo dessa atividade é 
dar chance às lideranças e represen-
tantes presentes que conheçam as 
discussões feitas nos últimos meses 
com as comunidades. Abre-se espaço 
para debate e ponderações.
Atividade 2
Acordos e prioridades
Após a discussão do documento-con-
sulta pós Encontrão, as comunidades 
presentes identificam que perguntas 
presentes nesse documento devem 
estar no documento final do protocolo 
e quais devem ir para um anexo.
Após essa identificação, as co-
munidades tentam unificar as suas res-
postas no máximo possível, deixando 
ainda espaço para outras discussões 
que surgirão durante o segundo Encon-
trão, que chamaremos de Encontrão II. 
O resultado desses acordos fi-
nais devem ser guardados pela equipe 
do projeto porque será apresentado no 
Encontrão II.
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Atividade 3
Riscos e 
Oportunidades
Em plenária, os participantes dis-
cutem quais seriam os riscos e as 
oportunidades da criação do Proto-
colo Comunitário. Uma lista deve ser 
colocada em uma cartolina.
Essa informação será levada 
para o Encontrão II. 
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II ENCONTRÃO8
II ENCONTRÃO8
O II Encontrão reúne mais uma vez todas as comunidades envolvidas, para a finalização 
dos acordos para construção do Proto-
colo Comunitário., fechando o ciclo de 
atividades dessametodologia. 
Atividade 1
Apresentação das 
decisões da oficina 4
, As discussões feitas na oficina 4 so-
bre sistematização dos documen-
tos-consultas deverão ser apre-
sentadas para todo o grupo com o 
intuito de visualizar a região como 
um todo.
, Deverão ser apresentados também 
o material de riscos e oportunidades 
gerado na oficina 4 e o material de 
prioridades para estar no Protocolo.
Com essas informações já 
compartilhadas para todo o grupo, os 
participantes do II Encontrão deverão 
iniciar o debate para decidir o que vai 
estar no Protocolo Comunitário. Aqui 
será necessário um moderador no pro-
cesso para poder facilitar esses acordos 
e uma pessoa responsável por colocar 
todas as informações em um cartaz.
Atividade 2
ABS no protocolo
Após os acordos feitos com o material 
vindo da oficina 4, a comunidade deve 
considerar adicionar ao seu protocolo 
informações relacionadas a ABS, como 
um modo de garantir seus direitos den-
tro dessa discussão. O texto abaixo é 
uma sugestão para a comunidade, ba-
seada nas atividades da terceira rodada 
de oficina. Esse texto deve ser discutido 
e adaptado se necessário. O importan-
te é que ele reflita as legislações na-
cionais e internacionais vigentes sobre 
acesso e repartição de benefício.
Texto de ABS – sugestão 
para o Protocolo
Considerando a atual legislação brasi-
leira de acesso ao patrimônio genético 
e conhecimento tradicionais associado 
(MP 2.186/16), a OIT 169, a Conven-
ção da Diversidade Biológica e o Pro-
tocolo de Nagoia, afirmamos que para 
qualquer acesso ao recurso genético 
do nosso território e/ou conhecimento 
tradicional associado, é necessário res-
peitar e acatar as seguintes decisões:
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1. O Comitê Gestor do Protocolo 
Comunitário é o primeiro ponto 
de contato para qualquer organi-
zação externa que queira acessar 
recurso genético e/ou CTA;
2. Antes de qualquer acesso é ne-
cessário iniciar um diálogo com os 
comunitários, no intuito de conse-
guir seu consentimento (Anuência 
Prévia). Para isso, é necessário que 
todos sejam informados sobre 
todo o projeto em questão, inclusi-
ve qual o tipo de acesso feito (PG 
e/ou CTA), como requerido pela 
atual legislação brasileira;
3. Os comunitários têm o direito de 
pedir maiores esclarecimentos 
quanto ao projeto. Não deve haver 
um tempo mínimo para que eles 
decidam sobre a questão; 
4. O consentimento dos comunitários 
deve ser livre, prévio e informado; 
5. O Contrato de utilização e repar-
tição de benefício deve ser apre-
sentado aos comunitários, com o 
objetivo de haver uma negociação 
entre essas pessoas e o órgão 
prospector. A comunidade enten-
de que tem o direito de negociar 
detalhes do contrato, incluindo va-
lores da repartição de benefícios, 
podendo pedir auxílio a outras ins-
tituições, se achar necessário. 
Todas as informações colo-
cadas na cartolina deverão ser orga-
nizadas e apresentadas no final do 
terceiro dia para a plenária, a fim de 
obter aprovação.
APOIO
PARCERIA INSTITUCIONAL
Metodologia 
para construção 
de Protocolos 
Comunitários
Protocolos comunitários são regras internas criadas pela própria 
comunidade. Tais regras refletem as suas características tradicionais, 
o modo como a comunidade se relaciona interna e externamente. 
definem também alguns procedimentos, critérios e instrumentos de 
gestão territorial e de manejo e uso sustentável de recursos naturais. 
Essa cartilha descreve a metodologia de construção de protocolos 
comunitários que foi desenvolvida pela Rede GTA no arquipélago do 
Bailique, Amapá. Esperamos que esse modelo de protocolo comunitário 
possa ser replicado em outros territórios, transformando-se em um 
instrumento de empoderamento dos povos e comunidades tradicionais.
Ciclo das Oficinas 
e dos Encontrões

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