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Craque NetoCraque Neto

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ FEDERAL DA ___ VARA DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Francisco, nacionalidade, estado civil, motorista, portador do RG, inscrito no CPF, com endereço eletrônico, residente e domiciliado, nos autos do processo, proposta por Mateus, já qualificado nos autos, vem, por seu advogado representado, com procuração anexa e endereço profissional, vem respeitosamente na presença de Vossa Excelência onde serão encaminhadas as intimações do feito, apresentar:
 CONTESTAÇÃO 
em face do Autor, pelos fatos e fundamentos a seguir.
I-DO CABIMENTO:
É cabível a presente contestação, com fulcro no Art. 297 e seguintes do CPC, por se trata de defesa em ação indenizatória.  
II-DOS FATOS:
O servidor público Francisco, que exerce o cargo de motorista do Ministério Público Federal da 3ª Região, localizada em São Paulo, há tempo vinha alertando o setor competente de que alguns carros oficiais estavam apresentando constantes problemas na pane elétrica e no sistema de frenagens, razão pela qual deveriam ser retirados temporariamente da frota oficial até que tais problemas fossem solucionados. Contudo, nesse ínterim, durante uma diligência oficial, em razão de tais problemas, Francisco perdeu o controle do veículo que dirigia e acabou destruindo completamente a moto de Mateus, estudante do 3º período do curso de direito, que estava estacionada da calçada. Por essa razão, quatro anos depois do evento danoso, assim que obteve sua inscrição, como advogado, nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil, Mateus ingressou, em causa própria, perante o Juízo da Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, com ação de responsabilidade civil, com fulcro no Art. 37, § 6º, da CF/88, em face de Francisco e da União Federal, com o intuito de ser ressarcido pelos danos causados à sua moto. Na referida ação, Mateus alega que (i) não há que se falar em prescrição da pretensão ressarcitória, tendo em vista não terem decorridos mais de cinco anos do evento danoso, nos termos do Dec. 20.910/32; (ii) que, nos termos do Art. 37, § 6º, da CF/88, as pessoas jurídicas de direito público responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, com fulcro na teoria do risco administrativo; (ii) que estão presentes todos os elementos necessários para configuração da responsabilidade civil.
III-DA PRELIMINAR DE CARENCIA DE AÇÃO:
Primeiramente, o artigo 301, do Código de Processo Civil, determina que seja discutida preliminarmente a carência de ação, qual seja, a ausência de alguma das condições da ação. Vejamos: “Compete-lhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar:
X - carência de ação”. O Art. 37, § 6º, da Constituição Federal, por sua vez, determina que a ação indenizatória deva ser proposta somente em face do Estado, e não diretamente contra o agente público. Com efeito, o STF definiu a existência da dupla garantia no que tange a norma do texto constitucional (artigo 37, § 6º), sendo que, de um lado, a vítima tem direito de acionar o Estado e, de outro lado, o agente público tem a garantia de somente ser acionado pelo Poder Público, ou pessoa jurídica a qual é vinculado. Desse modo, Francisco não é legitimo para figurar no polo passivo da ação que lhe move o Autor, uma vez que isso contraria o disposto na norma do artigo 37, § 6º, da CRFB/88, e na Jurisprudência da Corte Suprema, a qual estabelece que a ação de indenização seja proposta diretamente em face do Estado, e não do agente público. Portanto, à luz do Art. 37, § 6º, da CRFB e da jurisprudência do STF, não é possível que Francisco figure no polo passivo da ação de indenização, como ocorre no caso em epígrafe. Logo, deve ser extinto o processo, com resolução do mérito, em relação a Francisco.
IV-DA PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO RESSARCITÓRIA:
O Art. 206, § 3º, inciso V, do Código Civil, define que a ação de responsabilidade civil prescreve em 3 (três) anos. 
É cediço que a prescrição quinquenal, definido no Decreto n. 20.910/32, se aplica somente às ações contra a Fazenda Pública, não se estendendo àquelas que o agente público figura como réu. Na situação em apreço, tendo em vista que se decorreram mais de 3 (três) anos do evento danoso, está prescrita a pretensão do Autor, devendo ser extinta a ação em relação a Francisco, nos termos do artigo 269, IV do CPC. Na hipótese de serem superadas essas preliminares, em respeito aos princípios da eventualidade e da concentração da defesa, passa-se à análise do mérito.
V-DO MÉRITO:
Primeiramente, o Art. 37, § 6º, da CRFB, define que a responsabilidade civil do agente público perante o Estado depende de comprovação de dolo ou culpa. Vejamos: “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.” Trata-se, porém, da aplicação da responsabilidade subjetiva ao agente público que não respondem de forma objetiva pelos danos causados, tendo em vista que a teoria do risco administrativo somente é aplicada às pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado, prestadoras de serviços públicos. Desse modo, a responsabilidade de Francisco é subjetiva, que é aquela segundo a qual deve ser comprovada, além da ação, dano e nexo causal, a culpa em sentido amplo, devendo ser comprovado que este agiu com negligência, imprudência, imperícia (culpa em sentido estrito) ou com intenção de causar o dano (dolo). Além do mais, o acidente foi causado em razão dos problemas mecânicos que, inclusive, já havia sido informado previamente por Francisco ao setor competente, razão pela qual não há se falar em culpa ou dolo do servidor. Ademais, na situação apresentada, trata-se da aplicação da teoria objetiva ou teoria do risco administrativo em face do Estado, no caso a União Federal, que se caracteriza pela necessidade de serem comprovadas, apenas, a ação do agente, o dano e o nexo causal entre ambos. Portanto, como dito anteriormente, esta teoria não pode ser aplicada a Francisco. Sendo assim, está afetada a responsabilidade civil do agente público, ora Réu, devendo, portanto, ser extinto o processo em relação a Francisco.
VI-DOS PEDIDOS.
Pelo exposto, requer:
1. a declaração de carência da ação pela ilegitimidade de parte, extinguindo o processo sem resolução de mérito em relação a Francisco, nos termos do Art. 267, VI, do CPC;
2. o reconhecimento da prescrição da ação em face de Francisco, extinguindo o feito com resolução de mérito, em razão do acolhimento da preliminar de prescrição da pretensão ressarcitória, nos termos do Art. 269, IV, CPC;
3. em sendo superada as preliminares, sejam julgados improcedentes os pedidos do Autor, em razão da manifesta ausência do elemento subjetivo, necessário à configuração do dever de indenizar de Francisco.
4. a produção de todos os meios de provas admitidos em direito e necessários à solução da controvérsia, inclusive a juntada dos documentos anexos;
5. a condenação do Autor ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios.
Nesses termos,
Pede deferimento.
São Paulo-SP, 15 de junho de 2018.
Advogado/OAB.

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