A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
105 pág.
APOSTILA MIDIA

Pré-visualização | Página 15 de 22

Entretanto, somente com a exibição 
de vídeos em alta definição em MPEG-2, toda a banda disponível é consumida, já 
que são necessários de 17Mbps a 20Mbps para esse tipo de vídeo. Já com o 
formato MPEG-4, os vídeos em HDTV consomem apenas de 7Mbps a 8Mbps da 
banda total. Com isso, a emissora poderá transmitir, no mesmo canal, vídeos em 
HDTV, SDTV e LDTV simultaneamente, o que possibilita assistir ao mesmo 
programa em televisores HDTV, SDTV ou em dispositivos móveis e portáteis 
(LDTV), como celulares equipados com um receptor ISDTV. 
 
Esta evolução do padrão ISDTV tornou o sistema brasileiro um dos mais 
modernos do mundo e fez até mesmo os japoneses pensarem em atualizar o seu 
padrão para utilizar o formato MPEG-4. 
 77 
 
 
9.3 - Cronograma de implantação 
 
Por enquanto, a implantação da TV digital está de acordo com o cronograma 
proposto pelo governo e a primeira cidade a receber oficialmente o sinal foi São 
Paulo. 
 
Entre 2008 e 2009, as cidades beneficiadas serão Brasília, Belo Horizonte, 
Fortaleza, Rio de Janeiro e Salvador e, até 2010, a implantação segue para 
Belém, Curitiba, Goiânia, Manaus, Porto Alegre e Recife. 
 
9.4 - O tal do set-top-box 
 
Para assistir à TV digital é preciso ter um televisor ISDTV. Como ainda são poucos 
os televisores comercializados atualmente que contam com um receptor digital – 
existem hoje seis modelos no total -, é necessário utilizar um set-top-box para 
isso. Basicamente, este aparelho é responsável por receber e decodificar o sinal 
digital das emissoras e convertê-lo em um sinal compatível com a sua TV. 
 
Para quem já tem um televisor de alta definição, como um plasma ou LCD, os 
modelos com conexão HDMI são os mais indicados. Nesse caso, você poderá 
receber o sinal de alta definição, quando disponibilizado pela emissora, e usufruir 
todos os benefícios do HDTV: qualidade de imagem até seis vezes superior à 
qualidade do DVD e cenas no formato widescreen (padrão igual ao utilizado nas 
telas de cinema). Hoje, os modelos de set-top-boxes digitais de alta definição 
podem ser encontrados nas lojas com preços que variam de R$700 a R$1.100. 
 
Já para aqueles que ainda não possuem um televisor de alta definição, como o 
velho TV de tubo, a opção é o set-top-box analógico. Esse tipo de set-top-box é 
capaz de receber o sinal digital e convertê-lo em sinal analógico, enviando as 
imagens para o televisor através de uma conexão de vídeo composto ou via RF 
(saída de antena), assim como é feito pelos videocassetes. Os modelos mais 
baratos de set-top-box analógico podem ser encontrados por R$500. 
 
DEFINIÇÃO DE CANAIS 
Os canais analógicos continuarão a ser transmitidos 
normalmente em VHF (Very High Frequency) entre a 
numeração 2 e 13. Já a transmissão digital será feita em 
UHF (Ultra High Frequency). As transmissões com fins 
comerciais receberão a numeração entre 14 e 59. Já os 
canais entre 60 e 69 serão usados para a transmissão de 
TVs públicas, das quais o governo terá emissoras para o 
Poder Executivo, Educação, Cultura e Cidadania. A 
numeração adotada por cada emissora ainda não foi 
divulgada oficialmente. 
 78 
 
9.5 - Middleware 
 
Batizado de Ginga, o middleware é o sistema operacional do set-top-box, 
responsável pela comunicação, pelo diálogo com os aplicativos da TV digital e 
pela aplicação do sistema de compressão. Parte do Ginga foi desenvolvida pela 
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) utilizando a 
linguagem NCL, que traz, entre outros benefícios, facilidades na parte de 
interatividade e suporte a múltiplos dispositivos. A outra parte do Ginga foi 
desenvolvida pela Universidade Federal da Paraíba e promove uma infra-estrutura 
de execuções de aplicações baseadas em Java e voltadas para a TV digital. 
 
De todos os set-top-boxes e televisores lançados no mercado, nenhum conta com 
o Ginga. Isso porque além de ser necessário definir algumas especificações do 
Ginga, ele precisa ser exaustivamente testado. Por ser um software, as falhas são 
comuns e, no caso da TV, isso não pode acontecer. Imagine você assistindo a 
uma partida de futebol e o set-top-box travar bem no meio de um momento 
decisivo do jogo. Seria algo frustante. 
 
A previsão é que os primeiros set-top-boxes com o Ginga só devam ser 
comercializados no final de 2008. Quem comprar os atuais set-top-boxes e 
televisores com receptor embutido terá que trocar de equipamento, caso queira 
usufruir os recursos de interatividade proporcionados pelo Ginga. 
 
 
9.6 – Interatividade 
 
Além de entretenimento, a interatividade poderá realizar um dos principais desejos 
do governo, o que é o de promover a inclusão digital. Hoje, estima-se que 98% 
dos lares possuem um aparelho de TV e por meio dele, o usuário poderá acessar 
e-mail, fazer compras, solicitar serviços e até mesmo realizar operações 
bancárias, como visualizar saldos, extratos e pagar contas, tudo pelo controle 
remoto e pelo televisor. 
 
E este recurso está mais perto do que parece. Em junho de 2007, o CPqD (Centro 
de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações) apresentou uma solução 
chamada CPqD T-banking, qu já permite que operações bancárias sejam 
executadas pela TV. 
 
Entretanto, para que isso seja viabilizado, é preciso definir qual será o canal de 
retorno do set-top-box. As opções possíveis são a linha telefônica convencional, a 
telefonia celular ou qualquer outro meio de comunicação capaz de transferir 
dados. 
 
Além da interatividade por meio de um canal de retorno, é possível ter acesso à 
interatividade local. Isso porque as emissoras poderão transmitir, por meio de seus 
 79 
canais, informações de trânsito da cidade (como pontos de congestionamento ou 
problemas em geral), previsão do tempo, informações de utilidade pública, sinopse 
de filmes que serão exibidos durante a programação, entre outras informações. 
Estes dados ficarão armazenados automaticamente na memória do set-top-box e 
poderão ser acessados pelo usuário a qualquer momento gratuitamente. 
 
INCLUSÃO DIGITAL 
O governo pretende utilizar a TV 
digital como forma de inclusão 
digital, já que 98% dos lares 
brasileiros têm uma TV e menos de 
10%, computador. 
 
 
9.7 - O que muda? 
 
O prazo estipulado pelo governo para o término das transmissões analógicas 
termina em 2016. Durante este período, chamado de Simulcast, as emissoras são 
obrigadas a exibir a mesma programação tanto no sinal digital quando no 
analógico. Até lá, o consumidor poderá optar se deseja ou não entrar para a era 
digital. Basta, para isso, adquirir um set-top-box. 
 
Para receber o sinal digital, não há mudanças. Você poderá utilizar a mesma 
antena VHF-UHF existente. Isso porque o sinal continua sendo distribuído de 
forma analógica. O que muda é que o vídeo é capturado e comprimido 
digitalmente. Antes de ser transmitido, ele é multiplexado e transmitido via 
radiofreqüência, através da banda de 6 MHz da emissora. Ao receber o sinal, o 
set-top-box possui um desmultiplexador, que converte o vídeo novamente à sua 
forma digital, não existe a presença de fantasmas ou ruídos. Se houver alguma 
interferência que prejudique o sinal, o vídeo simplesmente não é exibido. 
 
O televisor também não precisa ser substituído para receber o sinal digital, já que 
a maioria dos equipamentos de set-top-box lançados conta com uma saída de 
vídeo composto para os televisores analógicos. Com isso, no mínimo, você terá o 
benefício de um sinal de TV com qualidade de DVD. 
 
Se você optar por um televisor de alta definição, a mudança passa a ser ainda 
maior. Será possível assistir à programação da TV com resolução de 720p ou 
1080i com formato de tela em 16:9 (widescreen). Além disso, o áudio poderá ser 
surround de 5.1 canais. Entretanto, o formato escolhidos para a TV digital 
brasileira é o AAC. Hoje, dos set-top-boxes,