Logo Passei Direto
Buscar
Material

Prévia do material em texto

SEMANA 1 
( ALGUMAS ORIENTAÇÕES INICIAIS (
Compor conflitos de interesses é uma das funções primordiais do Direito. Tais conflitos costumam advir de divergentes formas de se interpretar um determinado fato jurídico. É nessa instância que se legitima o texto argumentativo�.
A argumentação jurídica caracteriza-se, especialmente, por servir de instrumento para expressar a interpretação sobre uma questão do Direito, que se desenvolve em um determinado contexto espacial e temporal. Ao operar a interpretação, impõe-se considerar esses contextos, ater-se aos fatos, às provas e aos indícios extraídos do caso concreto e sustentá-la nos limites impostos pelas fontes do Direito�.
Parece claro que nenhum juiz pode apreciar um pedido sem conhecer os fatos que lhe servem de fundamento. A narração ganha status de maior relevância, porque serve de requisito essencial à produção de uma argumentação eficiente�. É por essa razão que se costuma dizer que a narração está a serviço da argumentação.
Resumidamente, um profissional do Direito deve recorrer ao texto argumentativo para defender seu ponto de vista, mas para o sucesso dessa tarefa, precisa ter, antes, uma boa narração, na qual foram expostos os fatos de maior relevância sobre o conflito debatido. Na disciplina Interpretação e produção de textos aplicadas ao Direito, você desenvolveu de forma mais consistente o estudo da narração (simples e valorada); é chegada a hora de aprofundar o estudo da argumentação.
Para melhor compreender as características que distinguem narração e argumentação, observe a tabela.
	
	NARRAÇÃO
	ARGUMENTAÇÃO
	
Qual o Objetivo?
	Expor os fatos importantes do caso concreto a ser solucionado no Judiciário.
	Defender uma tese (ponto de vista) compatível com o interesse da parte que o advogado representa.
	
Como o fato é tratado?
	Cada fato representa uma informação que compõe a história da lide a ser conhecida no processo.
	O fato (informação) narrado é aqui retomado com o status de elemento de persuasão; é um elemento de prova com o qual defende a tese.
	
Qual o tempo verbal utilizado?
	Pretérito – é o mais utilizado, porque todos os fatos narrados já ocorreram. (Ex.: o empregado sofreu um acidente);
Presente – fatos que se iniciaram no passado e que perduram até o momento da narração. (Ex.: o empregado está sem capacidade laborativa);
Futuro – não é utilizado porque fatos futuros são incertos.
	Presente – tempo verbal mais adequado para sustentar o ponto de vista. (Ex.: o autor deve ser indenizado por seu empregador);
Pretérito – deve ser usado para retomar os fatos (provas / indícios) relevantes da narração, com os quais defenderá a tese. (Ex.: o autor deve ser indenizado por seu empregador porque sofreu um acidente no local de trabalho);
Futuro – deve ser usado ao desenvolver as hipóteses argumentativas. (Ex.: o trabalhador deve receber o benefício do INSS, pois, caso contrário, não terá como se sustentar).
	Qual a pessoa do discurso?
	Utiliza-se a 3ª pessoa, por traduzir a imparcialidade necessária à atividade jurídica.
	Também se utiliza a 3ª pessoa, pela mesma razão.
	
Como os fatos são organizados?
	Os fatos são dispostos em ordem cronológica, ou seja, na mesma ordem em que aconteceram no mundo natural.
	Os fatos e as idéias são organizados em ordem lógica, ou seja, da maneira mais adequada para alcançar a persuasão do auditório.
	
Quais seus elementos constitutivos?
	Uma narrativa bem redigida deve responder, sempre que possível, às seguintes perguntas: a) O quê? (fato gerador); b) quem? (partes); c) onde? (local do fato); d) quando? (momento do fato); e) como? (maneira como os fatos ocorreram); f) por quê? (motivações da lide).
	Antes de redigir uma argumentação consistente, tente refletir sobre, pelo menos, as seguintes questões: a) Qual o fato gerador do conflito? b) qual a tese que será defendida? C) com que fatos sustentará essa tese? d) Que tipos de argumento deverá utilizar?
	
Qual a natureza do texto?
	O texto narrativo tem natureza predominantemente informativa. Sua função persuasiva está atrelada à fundamentação.
	O texto argumentativo tem função persuasiva por excelência.
	Quanto à parcialidade...
	Uma narrativa pode ser simples (imparcial) ou valorada, dependendo da peça a produzir.
	Não há como defender uma tese sem adotar um posicionamento. Toda argumentação é valorada.
Caso Concreto
São apresentados dois textos adiante. O primeiro fragmento foi extraído do Recurso Especial nº 100067/SP; o segundo foi utilizado na prova do XLII Concurso para Ingresso na Magistratura de Carreira do Estado do Rio de Janeiro. Em primeiro lugar, identifique se esses textos são narrativos ou argumentativos. Procure justificar sua resposta por meio da cópia de alguns fragmentos. Você pode usar como parâmetro a tabela explicativa anterior.
Caso Concreto 1
Ana Maria Santos ingressou com ação de indenização de responsabilidade civil� por dano material e moral em face de Transportadora Caminho do Céu, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº 01.000.999/0000-50.
A autora afirma, na inicial, que, no dia 21 de setembro de 2001, às 22h 10 min, ela, juntamente com duas crianças e seu filho, Rodrigo dos Santos Gomes, embarcaram no ônibus da empresa requerida, partindo da cidade de Marabá/PA em direção a Palmas/TO.
Diz, também, que em determinado momento, na altura do povoado Alacilândia�, um dos passageiros levantou-se da poltrona e gritou dizendo ser um assalto. Rendeu o motorista do veículo e, sem piedade, dirigiu-se ao jovem Rodrigo dos Santos Gomes, desferindo-lhe um tiro que, atingindo a cabeça da vítima, provocou a sua morte instantânea.
Expõe que, no ônibus, uma jovem foi estuprada�, tudo aos olhos dos demais passageiros que nada puderam fazer.
A autora aponta que, com a perda do seu filho, que contribuía para sua manutenção, ficou sem condições de prover o seu sustento em condições dignas.
Tutela antecipada concedida a fls. 25/31. Contestação apresentada a fls. 51/58.
Na contestação, a requerida não nega que a autora, com os seus netos e filho (a vítima), tenham sido transportados em seu ônibus.
Também não nega que houve o assalto e assassinato do filho da autora.
Não nega, ainda, que o assaltante vinha sendo transportado no próprio ônibus das vítimas.
Alega apenas tratar-se de causa excludente de responsabilidade�, fundada na cláusula do caso fortuito ou força maior.
A audiência de instrução foi realizada, com a oitiva da autora, representante legal da requerida e uma testemunha.
Não obstante ser desnecessária a apresentação de memoriais escritos face ao que determina o artigo 454 do CPC, este magistrado, a pedido do advogado da requerida, concedeu o prazo de quarenta e oito horas para apresentação dos memoriais. Os memoriais foram apresentados tempestivamente.
Eis o relatório.
Caso Concreto� 2
O operário Luiz Genoíno da Silva fazia, diariamente, o trajeto entre sua casa, na Baixada Fluminense, e o local de trabalho, no centro da Capital. Em 04 de abril de 2006, quando o ônibus da Viação Antunes S.A. trafegava pela Linha Vermelha, ocorreu um tiroteio entre traficantes de cocaína. Um dos projéteis atingiu Luiz Genoíno e o matou, no interior do coletivo superlotado. Os dependentes do passageiro ajuizaram, em 18 de janeiro de 2008, ação contra a companhia pedindo reparação por danos materiais e morais. Os direitos pretendidos podem ser deferidos?� Explique com objetividade. Fica dispensada a forma de sentença.
( CONSULTA À JURISPRUDÊNCIA� (
Para uma maior compreensão da discussão que pode ser travada acerca do tema, sugerimos a leitura das fontes que seguem e de outras que julgar necessárias.
RESP 100067/SP
DJ DATA: 25/08/1997
Data da Decisão 25/03/1997
Quarta Turma
Relator: Min. Fontes de Alencar.
RESPONSABILIDADE CIVIL. FERROVIA. O ATO DE TERCEIRO QUE SE NÃO RELACIONE COM O CONTRATO DE TRANSPORTE NÃO IMPLICA A RESPONSABILIDADECIVIL DO TRANSPORTADOR.
A idéia de que “o ato de terceiro que não se relacione com o contrato de transporte não implica a responsabilidade civil do transportador” não é inteiramente verdadeira. Basta a leitura da súmula 187 do STF para se chegar a essa conclusão. Ora, o ato culposo de terceiro que, p. ex., deixa cair um poste sobre o veiculo da transportadora, ferindo passageiros não é, com certeza, um ato que se relacione com o contrato de transporte. Ele não é esperado, não é previsto e nem é evitável. Ainda assim está coberto pelo teor da súmula 187 do STF e, portanto, deve a transportadora indenizar os lesados.
Podemos fazer uma análise enfocando outro ângulo. Vamos aceitar a idéia de que o ato de terceiro que não se relacione com o contrato de transporte não implica a responsabilidade civil do transportador. A decisão foi precisa ao positivar a expressão “não se relacione”, ou seja, não tenha relação, não tenha liame com o fato danoso. Relacionar é ligar uma coisa à outra.
Nesse contexto, não podemos enxergar a subsunção do fato concreto à jurisprudência acima citada, pois o assassino que vitimou o filho da autora estava sendo transportado comodamente no ônibus da empresa ré. Não se trata de tiro deflagrado a esmo, não se trata de “bala perdida”, não foi um disparo que veio da rua para o veículo. Havia um homem que portava arma de fogo dentro do ônibus. E esse homem, deliberada e conscientemente atirou no rosto da vítima dentro do ônibus e em pleno trajeto. Será que isso não tem qualquer relação com o contrato de transporte? A empresa não tem qualquer responsabilidade por um homem munido de arma de fogo que ela transportava?
RESP 200808/RJ
DJ DATA: 12/02/2001
Data da decisão: 16 11 2000
TERCEIRA TURMA
Relator: Min. Ari Pargendler
Civil. Responsabilidade Civil. Transporte Coletivo de Passageiros. O transportador só responde pelos danos resultantes de fatos conexos com o serviço que presta, mas nestes se inclui o assalto, propiciado pela parada do veículo em ponto irregular, de que resultou vítima com danos graves.
Votação: Unânime
Resultado: Conhecido e provido
TJRJ. Apelação Cível 2001.001.15218, Rel. Des. Gilberto Fernandes, em 16/10/2002:
PROCESSUAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ASSALTO A ÔNIBUS. VÍTIMA QUE É ATINGIDA EM INTERIOR DE COLETIVO EM TROCA DE TIROS ENTRE PASSAGEIROS E ASSALTANTES. ALEGADO FATO DE TERCEIRO EVIDENCIADOR DE FORTUITO EXTERNO. INOCORRÊNCIA EM FACE DA PREVISIBILIDADE DO EVENTO DANOSO. OMISSÃO DOS EMPRESÁRIOS NA TOMADA DE PROVIDENCIAS QUE MINOREM OU EVITEM AS OCORRENCIAS. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. PENSÃO QUE DEVE LEVAR EM CONTA OS GASTOS DA VÍTIMA COM A SUA MANUTENÇÃO. JUROS, QUE POR SE TRATAR DE RELAÇÂO CONTRATUAL, CONTAM-SE DA CITAÇÃO. RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO PARCIAL.
I – Se o caso fortuito é a expressão especialmente usada, na linguagem jurídica, para indicar todo caso que acontece imprevisivelmente, atuado por força que não se pode evitar, revela-se inocorrente o caso fortuito nos assaltos a ônibus numa região como a da avenida Brasil em Bonsucesso onde, infelizmente, os assaltos se sucedem. Relembrando Planiol, “os juízes devem viver com sua época, se não querem que esta viva sem eles”.
II – o questionamento do “como se evitar” não deve se dirigir ao Judiciário, mas às empresas de segurança que, graças ao avanço tecnológico conhecem muito bem as formas de se coibirem eventos semelhantes ao que se encontram narrados nos autos, a menos que essas empresas sejam primárias na área de segurança, incapazes, imperitas. A simples colocação de câmeras em alguns coletivos do Rio de Janeiro já diminuiu as ocorrências.
III – Por outro lado, como lembra o eminente Desembargador Pimentel Marques em apelação julgada pela egrégia quarta câmara cível, “nunca se ouve falar de fortuito interno relativo à guarda de dinheiro, sabendo-se do elogiável cuidado e a quase impossibilidade de meliantes e marginais agredirem o patrimônio financeiro do transportador, ante o óbice de verdadeira barreira humana de segurança a cuidar dos emolumentos, que ficam, na hipótese de verificação (inteiramente inaceitável, convém frisar) desse fortuito, sem os correspectivos ônus, se e quando ocorrem fatos no interior do automotor. Mais que previsíveis assaltos e homicídios no interior de veículos de transporte coletivos, o risco de trafegar em horas da madrugada impõe ao transportador o dever de proteger os passageiros, que as empresas de ônibus bem devem saber de que espécie de proteção a ser desenvolvida, para que seja efetivado o contrato de transporte. O fato de terceiro não serve de arredar a cláusula de incolumidade física do passageiro que, ao ingressar no coletivo, firma contrato de transporte que tem por escopo levá-lo ao destino da viagem com suas normais e regulares condições de vida. O dolo de terceiro jamais se presta a elidir a responsabilidade do transportador, pois é previsível, e passa a estar diretamente relacionado com o fato do transporte diferentemente do que entende a digna maioria”.
IV – Enquanto o Judiciário, divorciado do real papel no contexto social, continuar entendendo que não são indenizáveis os assaltos no interior de coletivos, as empresas de ônibus, nababescamente, continuarão indiferentes às lagrimas, às dores, ao luto e ao desamparo daqueles que as sustentam através de contrato de transporte regiamente retribuído – ubi periculum, ibi et lucrum collocetur – onde está o perigo, aí seja colocado o lucro. Locado o lucro. Ou seja, as vantagens e as comodidades devem tocar a quem arrisca. O fato era é perfeitamente previsível e faz parte do risco da atividade econômica.
Apenas devemos acrescentar que não é somente em Bonsucesso, Rio de Janeiro, que os assaltos são previsíveis e corriqueiros. Aqui mesmo, no Estado do Tocantins, os assaltos a ônibus já fazem parte do cotidiano da nossa população. Todas as semanas, somos informados de algum assalto a ônibus (leia-se, na verdade, aos passageiros). Como a maior parte da população não tem condições de viajar por meio de transporte aéreo, criou-se um clima de “salve-se quem puder”. Viajar de ônibus hoje não é mais uma questão de necessidade apenas. É, sobretudo, um ato de coragem e desafio. O tocantinense ainda traz em seu espírito a bravura de um bandeirante. Viajar tem sido um ato de coragem, e chegar vivo ao seu destino, um ato de heroísmo. 
Questão Objetiva 1
É fato que a maioria dos alunos do Curso de Direito tenta fazer algum tipo de concurso, tendo em vista a grande oferta que a área possibilita. É inegável, também, a necessidade de os graduandos se prepararem para os exames da OAB e do Enade. Tentando colaborar com essa preparação, a cada aula, teremos uma questão objetiva de concursos da área jurídica e questão do Enade para resolvermos.
Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM) – 20/01/2008
Considere que o aniversário de Mariana ocorre no mês de janeiro, cujo mês/calendário do ano de 2007 é mostrado a seguir.
	Janeiro / 2007
	Domingo
	Segunda
	Terça
	Quarta
	Quinta
	Sexta
	Sábado
	
	1
	2
	3
	4
	5
	6
	7
	8
	9
	10
	11
	12
	13
	14
	15
	16
	17
	18
	19
	20
	21
	22
	23
	24
	25
	26
	27
	28
	29
	30
	31
	
	
	
Nessa situação, se o número correspondente à data do aniversário de Mariana tem dois algarismos, a diferença entre eles é igual a 6 e, em 2007, o seu aniversário não ocorreu em uma quarta-feira, então o aniversário de Mariana ocorreu em uma segunda-feira.
COMENTÁRIO: a questão insere-se na prova de “conhecimentos básicos” e exige do aluno a seguinte habilidade: leitura e compreensão de dados de uma tabela. Como esta prova é da CESPE, o candidato deve marcar, no cartão de respostas “certo” ou “errado”.
Exame do Enade - Curso de Direito – 2006.
INDICADORES DE FRACASSO ESCOLAR NO BRASIL
(Disponível em http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0173/aberto/fala_exclusivo.pdf)
Observando os dados fornecidosno quadro, percebe-se:
(A) um avanço nos índices gerais da educação no País, graças ao investimento aplicado nas escolas.
(B) um crescimento do Ensino Médio, com índices superiores aos de países com desenvolvimento semelhante.
(C) um aumento da evasão escolar, devido à necessidade de inserção profissional no mercado de trabalho.
(D) um incremento do tempo médio de formação, sustentado pelo índice de aprovação no Ensino Fundamental.
(E) uma melhoria na qualificação da força de trabalho, incentivada pelo aumento da escolaridade média.
COMENTÁRIO: a questão exige do examinado as seguintes habilidades: Interpretação de texto e compreensão de tabelas e dados.
�
SEMANA 2
( ALGUMAS ORIENTAÇÕES INICIAIS (
O ensino de Direito no Brasil fundou suas raízes em forte influência do chamado Positivismo jurídico. Segundo essa doutrina, os profissionais que atuam na solução de conflitos levados ao Judiciário deveriam encontrar o sentido do direito no sistema de normas escritas (direito positivo�) que regulam a vida social de um determinado povo.
De acordo com os adeptos dessa teoria, portanto, a prática jurídica deveria limitar-se à aplicação objetiva das normas vigentes ao caso concreto que se pretendia analisar, por meio de um método denominado silogismo. Esse método caracteriza-se por uma operação lógica em que compete ao juiz amoldar os acontecimentos da vida cotidiana à norma proposta pelo Estado.
Na prática, o silogismo� apresenta três proposições – premissa maior, premissa menor e conclusão – que se dispõem de tal forma que a conclusão deriva de maneira lógica das duas premissas anteriores. Mas será que a lei deve ser aplicada a qualquer custo, ou cabe ao magistrado interpretar a vontade do legislador e usar a norma com razoabilidade? Nesse sentido, vamos refletir sobre o caso concreto que se lê.
TEXTO
Lavrador é preso por raspar casca de árvore
Ele usava a casca de árvore para fazer chá para sua mulher, que está doente�
O ministro José Sarney Filho (Meio Ambiente) e as entidades ambientalistas Greenpeace e ISA (Instituto Socioambiental) criticaram a prisão�, em flagrante, do lavrador José dos Anjos, 58 anos, que, durante dois anos, raspou a casca de uma árvore para fazer chá para sua mulher, que está doente.
José raspava a casca de uma árvore chamada almesca, em uma área de preservação permanente que fica às margens do córrego Pindaíba, em Planaltina (a 44 km de Brasília).
O lavrador disse que usava a casca para fazer chá para a mulher, Helena dos Anjos. Ela tem Doença de Chagas. José conta que soube que o chá melhorava as condições dos acometidos pela doença�.
Em 20 de junho de 2000, José foi surpreendido com um tiro para o alto, dado por soldados da Polícia Florestal, quando raspava a almesca. Preso em flagrante delito, algemado e levado para a delegacia, o lavrador foi enquadrado na Lei do Meio Ambiente (Lei 9.605, de 1998). Segundo o delegado Ivanilson Severino de Melo, José provocou "danos diretos ao patrimônio ambiental”, crime previsto no artigo 40 da lei. O delito, inafiançável, é punido com 1 a 5 anos de prisão.
José foi colocado numa cela com outros cinco presos, acusados de homicídio e roubo.
ESTRUTURA DO SILOGISMO
Agora que compreendemos algumas questões teóricas importantes para nosso estudo, passemos ao exercício desta aula.
Caso Concreto 
O caso concreto que versa sobre paternidade sócio-afetiva é interessante não apenas pela atualidade da discussão sobre esse instituto jurídico: tente reconhecer, pela jurisprudência, a “evolução” do entendimento dos magistrados, ao longo dos tempos, e comente, em até 10 linhas, qual(is) a(s) informação(ões) que podem funcionar como premissa maior para os silogismos desenvolvidos neste caso.
Caso Concreto� 1
Márcia, vendedora domiciliada na cidade de São Paulo – SP, alega ter engravidado após relacionamento amoroso exclusivo com Pedro, representante de vendas de empresa sediada em Porto Alegre – RS. Em 5 de outubro de 2002, nasceu João, filho de Márcia. Pedro manteve o referido relacionamento com Márcia até o quinto mês da gravidez, custeou despesas da criança em algumas oportunidades, além de ter proporcionado ajuda financeira eventual e estado, também, nas três primeiras festas de aniversário de João, tendo sido, inclusive, fotografado, nessas ocasiões, com o menino, seu suposto filho, no colo.
No entanto, Pedro se nega a reconhecer a paternidade� ao argumento de que tem dúvidas acerca da fidelidade da mãe da criança, já que ele chegava a ficar um mês sem ir a São Paulo durante o relacionamento que tivera com ela. Sabe-se, ainda, acerca de Pedro, que seu o salário bruto, com as comissões recebidas, chega a R$ 5.000,00 mensais, bem como que arca com o sustento de uma filha, estudante de 22 anos, e que não tem domicílio fixo em razão de sua profissão demandar deslocamentos constantes entre São Paulo – SP, Rio de Janeiro – RJ e Porto Alegre – RS.
Márcia, que já esgotou as possibilidades de manter entendimento com Pedro, ganha, no presente momento, cerca de dois salários mínimos. As despesas mensais de João totalizam R$ 1.000,00.
Questão Objetiva 1 
(Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região – Técnico Judiciário – 11/11/2007) Considerando que uma argumentação é correta quando, partindo-se de proposições resumidamente verdadeiras, se chega a conclusões também verdadeiras, julgue o próximo item como “certo” ou “errado”.
Suponha-se que as seguintes proposições sejam verdadeiras.
I Todo brasileiro é artista.
II Joaquim é um artista.
Questão Objetiva 2 
(Exame do Enade - Curso de Direito – 2006)
Jornal do Brasil, 3 ago. 2005.
Tendo em vista a construção da idéia de nação no Brasil, o argumento da personagem expressa:
(A) a afirmação da identidade regional.
(B) a fragilização do multiculturalismo global.
(C) o ressurgimento do fundamentalismo local.
(D) o esfacelamento da unidade do território nacional.
(E) o fortalecimento do separatismo estadual.
COMENTÁRIO: a questão exige do examinado a seguinte habilidade: Interpretação de texto.
�
SEMANA 3
( ALGUMAS ORIENTAÇÕES INICIAIS (
Vamos reconhecer uma situação prática em que a demonstração pode auxiliar a argumentação a alcançar seus objetivos. Não se esqueça de que a demonstração caracteriza-se por ser um “meio de prova, fundado na proposta de uma racionalidade matemática”�, a qual é operacionalizada pela lógica formal – silogismo.
	RACIOCÍNIO DE NATUREZA ARGUMENTATIVA
	Quem quer?
Menor representado pela mãe.
	
	Requerente (autor).
	O quê?
Alimentos�
(pensão a título de provisão para mantença do menor).
	
	Pedido.
	
De quem?
Do pai do menor.
	
	Requerido (réu).
	
Por quê?
A lei estabelece essa obrigação
	
	Fundamento jurídico do pedido:
Art. 1.696, CC: o direito à prestação de alimentos é recíproco entre país e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau, uns em falta de outros.
	
	
	
	DEMONSTRAÇÃO – MEIOS DE PROVA
	Para desenvolver uma argumentação que convença o magistrado da procedência do pedido de alimentos, é necessário demonstrar que realmente o requerido tem essa obrigação de alimentar o requerente, ou seja, é fundamental que a parte autora demonstre a paternidade para o juiz, sem a qual não tem qualquer serventia o fundamento jurídico selecionado.
Quais os meios de prova admitidos pelo Direito no tocante à comprovação (demonstração) da paternidade?
Art. 1605, CC: na falta, ou defeito, do termo de nascimento (certidão), poderá provar-se a filiação por qualquer modo admissível em direito:
I - quando houver começo de prova por escrito, proveniente dos pais, conjunta ou separadamente;
II - quando existirem veementes presunções resultantes de fatos já certos."
	
	
	
	
Conclusão:
	Sem a demonstração da paternidade, não terá sucesso a argumentação de que o requerido tem a obrigação de prestar alimentosao requerente, com fundamento no art. 1696, CC.
Caso Concreto 
A possibilidade de indenização da consumidora depende da demonstração de culpa do profissional liberal que prestou o serviço (art. 14, §4º, CDC). Produza um parágrafo argumentativo de aproximadamente seis linhas em que o procedimento demonstrativo está a serviço da argumentação.
Caso Concreto� 1
Ana Julia, de 23 anos, submeteu-se a cirurgia plástica� para a implantação de próteses mamárias, com o intuito de se sentir mais bonita, sendo encorajada pelo cirurgião plástico, Dr. Pedro Augusto, profissional de renome, que nas consultas anteriores à operação ressaltou os benefícios estéticos do implante pretendido.
Realizado o ato cirúrgico com sucesso por esse mesmo profissional e recebendo Ana Julia alta hospitalar, iniciou-se o calvário: apesar de a paciente se queixar de fortes dores, o referido cirurgião, pelo telefone, avaliou que se tratava de quadro compatível com a cirurgia e persistiu na prescrição de analgésicos.
Entretanto, duas semanas após, constatou-se que a paciente apresentava quadro de rejeição das próteses, com grave processo infeccioso e problemas de cicatrização, que culminaram com a necessidade de retirada dos implantes, em procedimento de emergência, o que acarretou importante seqüela estética.
Ainda traumatizada com o ocorrido, Ana Julia promoveu ação indenizatória, postulando a condenação do cirurgião Pedro Augusto no pagamento de indenização pelos danos materiais, correspondentes ao custeio de cirurgia plástica reparadora, conforme se apurar em liquidação, como também a devolução de tudo o que foi desembolsado relativamente à cirurgia mal sucedida, além de danos morais e estéticos.
Sustentou, em síntese, a falta de informação� adequada sobre os riscos da cirurgia e o descaso e o desinteresse do médico no período pós-operatório, que não impediu o desenvolvimento do ruinoso quadro clínico observado.
SE JULGAR PERTINENTE, RECORRA ÀS SEGUINTES FONTES:
Código de Defesa do Consumidor
Art. 6° - São direitos básicos do consumidor:
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem;
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiência;
Art. 14 - O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
Lei n° 8.078, de 11 de setembro de 1990.
§ 4° - A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa.
( CONSULTA À JURISPRUDÊNCIA (
2008.001.12021 - APELACÃO - DES. SERGIO CAVALIERI FILHO - Julgamento: 14/05/2008 - DECIMA TERCEIRA CAMARA CIVEL TJ/RJ
SEGURO SAÚDE - ERRO MÉDICO - CIRURGIA MAL SUCEDIDA - RESPONSABILIDADE OBJETIVA - OBRIGACAO DE INDENIZAR - MAJORACÃO DA CONDENACÃO.
RESPONSABILIDADE POR ERRO MÉDICO. Responsabilidade do Plano de Saúde. Dano Moral e Estético. Arbitramento. Equilíbrio no Binômio Compensação-Punição. Majoração da Indenização. A autora entrou andando e com poucas dores na sala de cirurgia e de lá saiu em cadeira de rodas, com problemas na realização de suas necessidades fisiológicas, as quais se realizam, até hoje, mediante cateterismo. Erro médico gravíssimo, reconhecido pelo CREMERJ, a merecer reparação exemplar - compensatória e punitiva. Certamente, a reparação por dano moral não pode ser fonte de lucro indevido àquele que a postula, sob pena de se ensejar novo dano. Entretanto, não é menos certo que sua fixação não pode ser tão moderada a ponto de estimular a continuidade de comportamentos abusivos, contrários aos maiores interesses da sociedade. Daí a afirmação de a indenização possuir natureza dúplice: compensatório-punitivo. Esses dois aspectos da reparação merecem equilibrada consideração, quando da apreciação judicial dos fatos. Provimento do apelo autoral.
Ementário: 34/2008 - N. 19 - 18/09/2008
Relator: Luiz Antonio de Godoy 
Apelação com Revisão 2850624700
Comarca: Guarujá
Órgão julgador: 1ª Câmara de Direito Privado
Data do julgamento: 16/09/2008
Data de registro: 25/09/2008
Ementa: RESPONSABILIDADE CIVIL - Dano moral, estético e lucros cessantes - Erro médico - Consolidação viciada de fratura - Perícia� conclusiva no sentido de não ter havido falha de procedimento - Ausência dos pressupostos da ilicitude da conduta e do dano indenizável - Recurso desprovido. 
RESPONSABILIDADE CIVIL POR ERRO MÉDICO - CIRURGIA PLÁSTICA DE NATUREZA ESTÉTICA - OBRIGAÇÃO MÉDICA DE RESULTADO - A cirurgia plástica de natureza meramente estética objetiva embelezamento. Em tal hipótese o contrato médico-paciente é de resultado, não de meios. A prestação do serviço médico há que corresponder ao resultado buscado pelo paciente e assumido pelo profissional da medicina. Em sendo negativo esse resultado ocorre presunção de culpa do profissional. Presunção só afastada fizer ele prova inequívoca tenha agido observando estritamente os parâmetros científicos exigidos, decorrendo, o dano, de caso fortuito ou força maior, ou outra causa exonerativa o tenha causado, mesmo desvinculada possa ser à própria cirurgia ou posterior tratamento. Forma de indenização correta. Dano moral. Sua correta mensuração. (TJRS - AC 595068842 - 6ª C. Cív. - Rel. Des. Osvaldo Stefanello - J. 10.10.95)
ERRO MÉDICO - CC, ART. 1.538 - Não confirmado a prova produzida, a pericial e testemunhal, que o mal de que padece o autor foi fruto de erro médico, não é possível determinar-se o pagamento de indenização por tal motivo. (TRF 4ª R. - AC 91.04.23994-6 - RS - 1ª T. - Rel. Juiz Vladimir Freitas - DJU 24.06.92) (RJ 182/131)
RESPONSABILIDADE CIVIL - ATENDIMENTO MÉDICO - Negligência e imperícia. As pessoas jurídicas respondem pelos danos que seus agentes, nesta qualidade, causarem a terceiros (CF, art. 37, § 6º), sendo de natureza objetiva a responsabilidade, somente ilidível por prova exclusiva da parte contrária. Comete erro profissional, sob a modalidade de negligência e imperícia, o médico que, ao atender criança vítima de desastre por queda sobre uma cerca, faz sutura em sua face sem constatar a presença de estrepe encravado na carne e ainda deixa de ministrar vacina antitetânica, causando a morte do infante. (TRF 1ª R. - AC 89.01.22648-0 - AM - 3ª T. - Rel. Juiz Vicente Leal - DJU 29.10.90) (RJ 159/148).
Questão Objetiva 1
(Analista Ambiental do IBAMA – Ministério do Meio Ambiente – 03/07/2005)
As religiões e o meio ambiente
“Tudo o que vive e se move será alimento para vós.
da mesma forma que lhes dei as plantas, agora dou-lhes tudo”.
Gênesis (9; 3).
Essa passagem da Bíblia tem sido interpretada como uma visão antropocêntrica, profundamente antiambientalista, do judeo-cristianismo, que contrasta com a visão budista e hinduísta do mundo, que ensina que os seres humanos devem viver em harmonia com a natureza.
Alguns cristãos têm tentado atenuar a frase do Gênesis, explicando que a intenção do Senhor sempre foi a de proteger a biodiversidade, como quando ordenou a Noé que levasse na Arca um casal de cada criatura viva, para que sobrevivessem ao dilúvio.
Esta podia ser uma questão secundária 5 ou 10 mil anos atrás, quando a população mundial era de alguns milhões de habitantes, mas passou a ser uma questão central nos dias de hoje,em que existem sobre a Terra mais de 6 bilhões de seres humanos. A ação do homem sobre a natureza atualmente é comparável, em força destrutiva, à das forças geológicas, como terremotos, erupções vulcânicas, inundações e tempestades, e estamos até provocando o aquecimento do planeta, com conseqüências imprevisíveis sobre a vida como a conhecemos.
O uso e o abuso da natureza pelo homem põem hoje em risco sua própria sobrevivência.
José Goldemberg. O Estado de São Paulo. Editorial Espaço
Aberto, caderno A, 17/5/2005, p. 2 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a amplitude do tema que ele aborda, julgue os itens subseqüentes como “certos” ou “errados”.
1) De acordo com a argumentação do texto, a proteção à biodiversidade tornou-se uma questão central a partir do impacto que as ações de bilhões de habitantes causam sobre a natureza.
2) Respeita-se o desenvolvimento da textualidade, reforçando-se a coesão com o parágrafo anterior, e mantém-se a correção gramatical ao se substituir a expressão “Alguns cristãos” (2º parágrafo) por “A visão cristã”.
3) Respeita-se a argumentação textual, a correção gramatical, a clareza e a concisão de linguagem ao se transformar o período sintático “A ação do homem (...) sobre a vida como a conhecemos” em dois períodos sintáticos: A força destrutiva da ação do homem sobre a natureza é hoje comparável à força geológica de terremotos, erupções vulcânicas, inundações e tempestades; que tem, como nós, conseqüências imprevisíveis sobre o aquecimento do planeta na vida que conhecemos.
4) A organização dos argumentos no texto permite a substituição do pronome “sua” (última frase do texto) por “nossa”, sem que isso prejudique a coerência textual ou a correção gramatical.
Questão Objetiva 2
(Exame do Enade - Curso de Direito – 2006)
A legislação de trânsito brasileira considera que o condutor de um veículo está dirigindo alcoolizado quando o teor alcoólico de seu sangue excede 0,6 gramas de álcool por litro de sangue. O gráfico abaixo mostra o processo de absorção e eliminação do álcool quando um indivíduo bebe, em um curto espaço de tempo, de 1 a 4 latas de cerveja.
	
	Considere as afirmativas a seguir.
I - O álcool é absorvido pelo organismo muito mais lentamente do que é eliminado.
II - Uma pessoa que vá dirigir imediatamente após a ingestão da bebida pode consumir, no máximo, duas latas de cerveja.
III - Se uma pessoa toma rapidamente quatro latas de cerveja, o álcool contido na bebida só é completamente eliminado após se passarem cerca de 7 horas da ingestão.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
(A)II, apenas.
(B)I e II, apenas.
(C)I e III, apenas.
(D)II e III, apenas.
(E)I, II e III.
�
SEMANA 4
( ALGUMAS ORIENTAÇÕES INICIAIS (
A produção do texto argumentativo pressupõe um raciocínio extremamente complexo, que seleciona e organiza várias informações. O advogado já experiente realiza esse procedimento mentalmente, mas para o estudante de Direito, por questões de ordem didática, é importante que essa preparação seja feita, por escrito, passo a passo. Nesta aula, seguiremos as três primeiras tarefas: a) identificação da situação de conflito; b) escolha da tese a ser defendida; c) seleção dos fatos por meio dos quais a tese será defendida.
Segundo os autores, na página 100, registrar a situação de conflito é fundamental para delimitar a questão sobre a qual se argumentará. Isso porque serão fornecidos os elementos indispensáveis para compor o caso concreto e inseri-lo no contexto jurídico. Nesta, o orador definirá a centralidade da questão jurídica que estará sob apreciação, isto é, o fato jurídico. Em seguida, identificará as partes envolvidas na lide, devidamente qualificadas, determinando aquele que, em tese, representa o sujeito passivo e o que será considerado sujeito ativo. Por fim, estabelecerá quando e onde esta ocorreu.
A tese representa o ponto de vista a ser defendido, com base em todas as informações (fatos) disponíveis sobre o caso concreto e nos limites permitidos pela norma.
Para conseguir sustentar a tese, torna-se necessário extrair do caso concreto todas as informações que, explícita ou implicitamente, concorrem para comprová-la. Compreender o caso concreto, interpretar todas as suas sutilezas, valorá-las, apreender os diversos sentidos que um mesmo fato, prova ou indício promovem é fundamental para a produção de um texto argumentativo consistente. É essa seleção de fatos que representa a contextualização do real.
Leia o caso concreto e, em seguida, faça o que se pede.
Caso Concreto 
O torneiro mecânico José Ramalho morava em uma casa humilde, no interior de Alagoas, com sua mulher e dois filhos. A renda mensal da família era de, aproximadamente, R$ 1.300,00 (hum mil e trezentos reais). O único bem que possuíam era a casa onde residiam, avaliada em R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais).
Em março de 2008, Joaquina da Silva Ramalho, mulher de José Ramalho, começou a desconfiar do comportamento de seu marido. Durante a exibição do jornal noturno – programa preferido da família – desligava a televisão e tirava o telefone da tomada durante o dia. Deixou de trabalhar. Além disso, mostrava-se pensativo e agressivo. Dois dias após a mudança de hábitos, José Ramalho pediu a separação judicial a Joaquina, que não entendeu o porquê do comportamento do marido.
A separação foi consensual�. Joaquina não queria obrigar o marido a continuar com ela se não a amava mais. Afirma que passou por intenso sofrimento, teve depressão grave e perdeu mais de 15 quilos. “O pior de tudo”, afirma a mulher, é que “vivíamos bem e enfrentávamos juntos todas as nossas dificuldades. Não sei onde foi que errei”�. Joaquina e os filhos continuaram residindo no único imóvel da família.
Em agosto de 2008, Joaquina descobriu que José comprara um outro imóvel para morar, no valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais). De imediato, Joaquina cobrou explicações do ex-marido, que disse que ela era muito fofoqueira e estava se metendo na vida dele. Insistiu que as atitudes dele não lhe competiam mais, já que estavam separados.
Viciado em jogo, José Ramalho passou a freqüentar uma roda de carteado, o que lhe fez perder grandes quantias em dinheiro. Joaquina estima, pelos relatos dos demais freqüentadores com quem conversou, que o ex-marido tenha perdido no jogo cerca de R$ 100.000,00 (cem mil reais).
Intrigada, Joaquina investigou melhor a história com alguns amigos e descobriu que José havia recebido um prêmio de loteria no valor de R$ 550.000,00 (quinhentos e cinqüenta mil reais), quando ainda eram casados. Essa era a razão pela qual, antes da separação, adotou o comportamento de não atender ao telefone e querer manter a televisão desligada; tinha receio de que a mulher desconfiasse do prêmio, o maior já recebido naquela pequena cidade.
Diante do contexto, Joaquina propôs ação judicial em face de José Ramalho, na qual pediu: a) partilha do valor recebido no sorteio, ou seja, R$ 275.000,00 (duzentos e setenta e cinco mil reais), já que eram casados pelo regime de comunhão parcial de bens; b) indenização por danos morais, fixada em R$ 20.000,00 (vinte mil reais), tendo em vista a humilhação e o sofrimento a que foi submetida. Afirma que não pretende a indenização pelo término do casamento, mas pela dor de ter sido ludibriada pelo ex-marido que pretendia ficar com o prêmio sozinho, mesmo após tantos anos de companheirismo incondicional.
Em contestação, o réu alegou, em primeiro lugar, que o bilhete de loteria fora comprado por ele e que a mulher não contribuiu em nada para o recebimento do prêmio. Soma-se a esse o argumento de que a autora sempre se manifestava contrária ao réu jogar. Dizia que ele era um “viciado em jogo”. “Agora vem querer repartir a bolada? Sempre me reprimiu...”.
Ademais, mesmo que quisesse repartir a metade do prêmio, não poderia, já que a compra do imóvel em que reside atualmente consumiu, sozinha,mais que a metade do valor recebido. Afirma, ainda, que as perdas em carteado e os gastos pessoais já consumiram R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais). Restam do prêmio, apenas, R$ 130.000,00 (cento e trinta mil reais).
Em segundo lugar, alegou que o imóvel que comprou não pode ser penhorado para pagar à mulher o valor pedido, na medida em que está resguardado pelo instituto “bem de família�” (Lei 8.009/90), já que esse é o único bem que possui e onde reside atualmente.
Quanto à indenização, afirma que se separou da ex-mulher porque ela o infernizava e o controlava. A convivência tornou-se insuportável. Não há que se falar em indenização por danos morais.
Caso Concreto 1
	Destaque:
a) o fato gerador do conflito sobre o qual o caso concreto discorre (o quê?);
b) as partes, devidamente identificadas (quem?);
c) quando e onde esse fato ocorreu.
Com base nessas informações, produza o parágrafo relativo à situação de conflito.
Caso Concreto 2
Decida qual tese pretende defender. Tendo em visa que a tese deve estar circunscrita pelos limites da norma, caso entenda necessário, recorra aos recortes abaixo.
Código Civil de 2002
CAPÍTULO X - Da Dissolução da Sociedade e do vínculo Conjugal
Art. 1.575, CC: a sentença de separação judicial importa a separação de corpos e a partilha de bens.
Art. 1.658, CC: no regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal, na constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes.
Art. 1.659, CC: excluem-se da comunhão:
I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar;
II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares;
III - as obrigações anteriores ao casamento;
IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal;
V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão;
VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge;
VII - as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes.
Art. 1.664, CC: os bens da comunhão respondem pelas obrigações contraídas pelo marido ou pela mulher para atender aos encargos da família, às despesas de administração e às decorrentes de imposição legal.
Art. 1.711, CC: podem os cônjuges, ou a entidade familiar, mediante escritura pública ou testamento, destinar parte de seu patrimônio para instituir bem de família, desde que não ultrapasse um terço do patrimônio líquido existente ao tempo da instituição, mantidas as regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial estabelecida em lei especial.
Art. 1.712, CC: o bem de família consistirá em prédio residencial urbano ou rural, com suas pertenças e acessórios, destinando-se em ambos os casos a domicílio familiar, e poderá abranger valores mobiliários, cuja renda será aplicada na conservação do imóvel e no sustento da família.
Art. 1.717, CC: o prédio e os valores mobiliários, constituídos como bem da família, não podem ter destino diverso do previsto no art. 1.712 ou serem alienados sem o consentimento dos interessados e seus representantes legais, ouvido o Ministério Público.
Do dano moral�
Art. 927, CC Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Art. 5°, CRFB/88: todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
Bem de família (Lei 8.009/90) é o nome dado ao imóvel de um casal, ou de uma entidade familiar, que, por proteção legal, não pode ser penhorado. Tal garantia pode ser instituída voluntariamente pelos cônjuges ou entidade familiar, por meio de escritura pública devidamente registrada no Registro de Imóveis, observadas as formalidades legais.
(Fonte: http://pt.wikipedia.org/ wiki/Bem_de_fam%C3%Adlia).
Caso Concreto 3
Selecione, em tópicos, as informações que possam colaborar com a defesa da tese que você escolheu. Indique, pelo menos, cinco itens.
( CONSULTA À JURISPRUDÊNCIA (
Tipo do Processo: Apelação Cível
Número do Acórdão: 64754-7
Comarca: Recife
Número de Origem: 9906076086
Relator: Adalberto de Oliveira Melo
Relator do Acórdão: Adalberto de Oliveira Melo
Revisor: Cândido José da Fonte Saraiva de Moraes
Órgão Julgador: 2ª Câmara Cível
Data de Julgamento: 19/3/2008 14:00:00
Publicação: 72 
Ementa: PROCESSUAL CIVIL. «EXECUÇÃO». PENHORA. NULIDADE. BEM DE FAMÍLIA. EMBARGOS. PROCEDÊNCIA. Se o «bem» penhorado é efetivamente considerado um bem de família nos termos da Lei nº 8.009/90, revela-se incabível sua constrição quando ele serve de residência familiar. Apelação improvida. Manutenção da sentença que julgou procedente os embargos oferecidos pelo devedor tornando nula a penhora. DECISÃO: À UNANIMIDADE DE VOTOS NEGOU-SE PROVIMENTO AO RECURSO, TENDO O RELATOR MODIFICADO SEU ENTENDIMENTO, ACOMPANHANDO AS CONCLUSÕES DO DOUTO REVISOR.
Tipo do Processo: Agravo de Instrumento
Número do Acórdão: 157711-3
Comarca: Recife
Número de Origem: 0100183079
Relator: Antenor Cardoso Soares Junior
Relator do Acórdão: Antenor Cardoso Soares Junior
Órgão Julgador: 1ª Câmara Cível
Data de Julgamento: 8/4/2008 14:00:00
Publicação: 86 
Ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CÉDULA RURAL HIPOTECÁRIA. NEGATIVA DE PROVIMENTO. Exclusão da penhora do apartamento litigioso: atitude judicial desarrazoada, pois, ainda que se trate de bem de família, tal exclusão não é possível, pois a própria Lei n. 8.009/90 (que dispõe sobre a impenhorabilidade do bem de família), em seu art. 3º, inciso V, prevê como exceção à impenhorabilidade em tela a execução de hipoteca sobre imóvel oferecido como garantia pela entidade familiar. - Outrossim, a ausência de citação do executado Sérgio de A. M. N. tem como efeito apenas o óbice do início do prazo para apresentação de embargos. Logo, não poderia ser suprimida a constrição por tal motivo. - Ainda, não obstante a avaliação judicial realizada, não se pode, no presente momento, asseverar que o valor dos dois primeiros imóveis, dados em garantia é, em verdade, suficiente para garantir o pagamento da dívida em questão, uma vez que se trata de bens de gravame de 2º e 3º graus e, como se sabe, a preferência nascida da penhora não afasta a incidência de preferências nascidas anteriormente, as quais serão respeitadas, a exemplo da hipoteca. - Assim, só após o pagamento de todas as preferências existentes sobre os imóveis hipotecados é que se poderá verificar se o dinheiro arrecadado é ou não capaz de garantir o pagamento do débito em tela. - Exclusão do gravame existente sobre o apartamento litigioso: atitude judicial também equivocada, eis que, no ordenamento jurídico pátrio, só é possível a exclusão da hipoteca nas hipóteses legalmente previstas (CC/16, art. 849; CC/02, art. 1.499), nas quais não se enquadram as justificativas aduzidas pelo julgador. - Unanimemente, deu-se provimento ao Agravo de Instrumento, nos termos do voto do Des. Relator.
Questão Objetiva 1
(Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ/DF) – cargo de Analista Judiciário)
Leia o texto seguinte para responder à questão.
A questão do Pereira estava dormindo no cartório, esperando que o Juiz de Direito desse uma penada nos autos. João Nogueira disse-me isso uma tarde. Eu então, ligando o caso do Pereira aos predicados de D. Marcela, desci no dia seguinte à cidade, resolvido a visitar o Dr. Magalhães.
Encontrei-o à noitinha no salão, que servia de gabinete de trabalho, com a filha e três visitantes: João Nogueira, uma senhora de preto, alta,velha, magra, outra senhora moça, loura e bonita.
Estavam calados, em dois grupos, os homens separados das mulheres.
O Dr. Magalhães é pequenino, tem um nariz grande, um pince-nez e por detrás do pince-nez uns olhinhos risonhos. Os beiços, delgados, apertam-se. Só se descolam para o Dr. Magalhães falar a respeito da sua pessoa. Também quando entra neste assunto, não pára.
Naquele momento, porém, como já disse, conservavam-se todos em silêncio. D. Marcela sorria para a senhora nova e loura, que sorria também, mostrando os dentinhos brancos. Comparei as duas, e a importância da minha visita teve uma redução de cinqüenta por cento.
Larguei, pois, D. Marcela e procurei, por meios indiretos, arrancar do juiz as linhas indispensáveis ao advogado.
Graciliano Ramos. São Bernardo.
 Rio de Janeiro, Record, 1978, p. 58-9.
Com base na tipologia textual e nos recursos estilísticos utilizados no texto, assinale a opção correta.
A) O texto apresenta uma argumentação, em linguagem predominantemente direta e denotativa.
B) Em “A questão do Pereira estava dormindo no cartório”, verifica-se a figura de linguagem denominada metonímia.
C) O texto oscila entre passado e presente e demonstra que o narrador não está certo do tempo verbal a ser usado.
D) O texto, por estar em primeira pessoa do singular, demonstra pessoalização, inserção da visão do narrador nos fatos narrados.
E) Apesar de tratar-se de um recorte de uma obra literária, o texto apresenta características próprias da linguagem jurídica.
COMENTÁRIO: a questão exige do candidato a seguinte habilidade: interpretação de texto e compreensão dos recursos gramaticais que contribuíram para a produção do texto (tempo verbal, pessoa, figuras de linguagem, etc.).
Questão Objetiva 2
(Exame do Enade - Curso de Direito – 2006)
O Superior Tribunal de Justiça proferiu decisão da qual se extrai o seguinte:
Tributário. IPTU e ITR. Incidência. Imóvel urbano. Imóvel rural.
Critérios a serem observados. Localização e destinação.
Decreto-lei no 57/1966. Vigência.
........................................................................................................
3. O Decreto-Lei no 57/1966, recebido pela Constituição de 1967 como lei complementar, por versar sobre normas gerais de direito tributário, particularmente sobre o ITR, abrandou o princípio da localização do imóvel, consolidando a prevalência do critério da destinação econômica. O referido diploma legal permanece em vigor, sobretudo porque, alçado à condição de lei complementar, não poderia ser atingido pela revogação prescrita na forma do art. 12 da Lei no 5868/1972.
4. O ITR não incide somente sobre os imóveis localizados na zona rural do Município, mas também sobre aqueles que, situados na área urbana, são comprovadamente utilizados em exploração extrativa, vegetal, pecuária ou agroindustrial.
5. Recurso especial a que se nega provimento.
(Resp no 472.628/RS, Relator Ministro João Otávio de Noronha,
Segunda Turma, julgado em 17.08.2004, DJ de 27.09.2004 p. 310).
É possível concluir desse julgamento que:
A) o imposto federal incide sobre imóvel localizado na zona urbana, se tiver destinação agrícola.
B) o imposto municipal incidirá sempre sobre imóvel situado na zona urbana, qualquer que seja sua destinação.
C) o imposto federal e o imposto municipal incidem sempre cumulativamente sobre os imóveis destinados à atividade rural, se situados na zona urbana.
D) somente o imposto municipal incidirá sobre os imóveis rurais, mesmo que situados na zona urbana.
E) o imposto federal sempre incidirá sobre os imóveis urbanos, qualquer que seja usa destinação.
COMENTÁRIO: a questão exige do candidato a seguinte habilidade: compreensão de textos e documentos jurídicos.
SEMANA 5
( ALGUMAS ORIENTAÇÕES INICIAIS (
Hipóteses são raciocínios previamente construídos que poderão ser utilizados no texto argumentativo como estratégia persuasiva. Partindo de fatos comprovados, o argumentador tira uma inferência. Há, assim, uma relação lógica entre as duas partes da hipótese.
Observe o esquema que representa a hipótese causal:
		 +				 +
Agora, conheça o esquema que representa a hipótese condicional:
		 +				 +
Para esclarecer como são produzidas essas hipóteses, conheça o exemplo extraído de Lições de argumentação jurídica: imagine que uma casa tenha sido assaltada. A tese a provar é que houve participação, no assalto, de alguém da família ou da empregado da casa. Digamos que foram destacados do real os seguintes elementos:
Fato: somente o quarto da dona da casa foi vasculhado;
Prova testemunhal (depoimento de Sueli, a dona da residência furtada): “No mês passado, trouxe todas as minhas jóias, que guardava no cofre do banco, a fim de dividi-las com as minhas três filhas”;
Indício: o assaltante sabia o que desejava furtar.
Hipóteses causais:
1ª) utilizando-se do fato:
Já que somente o quarto da dona da casa havia sido vasculhado, o assalto teria sido planejado.
2º) utilizando-se da prova testemunhal:
Uma vez que Sueli afirmou que trouxera as jóias para casa a fim de dividi-las com as filhas, o assaltante teria conhecimento da atual localização das jóias.
3ª) utilizando-se do indício:
Tendo em vista que o assaltante sabia o que desejava furtar, seria alguém íntimo da família.
Com base nessas hipóteses, todas relacionadas pelo mesmo objetivo - provar que houve a participação, no furto, de alguém conhecido da família - o texto argumentativo será estruturado. Nele, as suposições se transformarão em afirmações, isso é, em inferências das quais não se tem dúvida. Tais afirmações ainda deverão estar acompanhadas das justificativas que representarão como se processou a conexão entre o fato, a prova, o indício e a conclusão, que se extraiu a partir dessa conexão.
Caso Concreto 
O autor, desde os sete anos de idade, passou a demonstrar tendências a comportamento comum ao sexo feminino e enfrentou inúmeros constrangimentos e preconceitos. Quando entrou na adolescência, iniciou radical mudança, com a ingestão de hormônios femininos e cirurgias plásticas, como silicone, lipoaspiração, correção do pomo-de-adão.
Sua família sempre o aceitou como tal, sem qualquer discriminação. Passou, então, pelo Programa de Atendimento dos Transtornos de Identidade de Gênero (Protig) do Hospital de Clínicas do Rio Grande do Sul. Após avaliação psicológica e psiquiátrica, ele foi submetido à cirurgia gratuita de alteração de sexo, na instituição hospitalar.
As obrigações de trabalho e de vida social passam a caracterizar verdadeiros tormentos quando se faz necessário uma pessoa com aparência e voz femininas apresentar-se como Adalberto Matias. “Preencher fichas de cadastro, então, é um verdadeiro martírio para mim”, argumenta o autor.
Em razão da cirurgia, o autor pretende autorização judicial para alterar, junto ao Registro Civil de Pessoas Naturais, o sexo e o prenome, como forma de salvaguardar a própria dignidade.
O autor entende adequado, ainda, que o Registro Civil seja impedido de anotar qualquer referência quanto às razões que motivaram as retificações e, tampouco, fornecer informação ou certidão a terceiros, salvo ao próprio interessado ou em atendimento de requisição judicial. Requer, ainda, providências no sentido de que a Receita Federal, a Delegacia da Polícia Federal, a Secretaria de Segurança Pública/RS e o Cartório Eleitoral das Comarcas onde nasceu e onde está domiciliado façam as alterações necessárias.
Foram juntados aos autos do processo: a) certidões negativas dos distribuidores cíveis e criminais; b) estudo social; c) avaliação psicológica; d) laudo de perito, nomeado pelo juiz. O Ministério Público opinou pela procedência da pretensão autoral.
Ao apreciar a questão, o juiz de primeiro grau manifestou-se nos seguintes termos: “não se pode esconder, no registro, a alteração de sexo, sob pena de validaragressão à verdade que ele deve preservar, ou seja, que a mudança decorreu de ato judicial nascido da vontade do autor e que tornou necessário ato cirúrgico complexo”.
Em grau de recurso, assim contra-argumenta o autor: “infelizmente, o magistrado parece ignorar o conceito de ‘transexualidade’. Ocorre que agressão à verdade é constar no registro civil sexo distinto do que a medicina, a psiquiatria e a psicologia comprovaram após cumprir todo o protocolo que precede a cirurgia.
O ato judicial é iniciado pelo autor, mas sua simples vontade, embora seja causa necessária, não é causa suficiente da cirurgia. Ela só acontece se a equipe interdisciplinar entende que se trata de transexualidade e há casos relatados em que a equipe negou o pedido do autor, contrariando sua vontade. Ninguém pode, apenas por sua vontade, fazer a cirurgia de redesignação de sexo.
Portanto, deve haver o reconhecimento de peritos habilitados a dizer, em caso duvidoso, o verdadeiro sexo da pessoa. Assim, é o registro original que agrediu a verdade - embora por ignorância - e sua correção apenas recupera a verdade dos fatos. Logo, deve ser sanado radicalmente, sem anotação de que a mudança ocorreu mediante ato judicial, visto que essa menção manterá a pessoa permanentemente à mercê de discriminação e preconceito dos quais não têm culpa alguma, tendo que, a cada ocorrência, buscar socorro na justiça”.
Pretende a reforma da decisão, nos termos já indicados.
SE JULGAR CONVENIENTE, RECORRA ÀS FONTES:
Até 1997, cirurgias de mudança de sexo eram proibidas no Brasil. Pessoas que desejassem passar pela mesma eram obrigadas a recorrer a clínicas clandestinas ou, mais freqüentemente, a médicos no exterior. Neste ano, com a aprovação pelo Conselho Federal de Medicina da cirurgia de transgenitalização em caráter experimental, os casos confirmados de transexualismo puderam passar a se beneficiar da mesma. Todavia, não pode ser usada por pessoas que desejem apenas adquirir características sexuais secundárias (através de hormônios e implante de próteses de silicone): tais pessoas não são consideradas pelos serviços oficiais de saúde como "verdadeiros transexuais", mas apenas como travestis�.
A questão da mudança do nome civil pelo transexual submetido à cirurgia de mudança de sexo tem sido alvo de grandes discussões e tem comportado entendimentos diversos no sistema jurídico brasileiro pelo fato de não termos leis específicas regulando a matéria. Todavia, é preciso que os legisladores, que representam o ordenamento jurídico pátrio, atenham-se a essa realidade, que está cada vez menos rara.
Atualmente, temos em tramitação no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 70-B, elaborado pelo Deputado Federal José Coimbra, visando a regulamentar a situação dos transexuais, sobretudo positivar a possibilidade da mudança do nome e do sexo nos registros públicos. Entretanto, este projeto tem sido alvo de algumas críticas, em virtude da ausência, no seu texto, de pontos primordiais para a análise da questão. Peres, ao se reportar ao tema, teceu as seguintes considerações�:
O referido projeto foi omisso quanto à necessidade ou não de autorização judicial para a realização da cirurgia. Não explicitou os destinatários da norma; não determinou o estado civil do transexual para que possa se submeter à operação e deixou de estabelecer as garantias para que ele exerça os direitos decorrentes de seu novo estado sexual. Conseqüentemente, não delimitou o alcance jurídico desse reconhecimento e, por fim, também deixou de fixar os respectivos deveres.
(Fonte: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=6504)
Caso Concreto 1
Após analisar a estrutura das hipóteses (conectores e tempos verbais) na pequena parte teórica introdutória, elabore uma hipótese causal e outra condicional sobre o caso concreto oferecido. Lembre-se de que as hipóteses têm por função intensificar o caráter persuasivo de sua tese.
Questão Objetiva 1
(Corregedoria Geral da Justiça do Estado do Rio de Janeiro - Poder Judiciário)
A VERDADE E A FANTASIA
Miguel Pachá – Presidente do TJ/RJ
Um espectro ronda a Justiça brasileira neste final de ano: a Reforma do Judiciário�. Espectro porque a realidade do Judiciário e a necessidade da sua reforma foram, nos últimos meses, deformados pelo “manto diáfano da fantasia”.
Comemoramos o nosso dia (8 de dezembro) sob o fogo cruzado da má-vontade e da desinformação. O Judiciário não pode ser culpabilizado pelo que a mídia chama com exagero de impunidade. A polícia não prende, não investiga e nós, presos à aplicação da lei, pagamos o pato. Além disso, há um cipoal de leis, medidas provisórias e atos normativos que acabam por atravancar nossos corredores.
Temos oferecido à sociedade idéias e propostas de melhoria da prestação de Justiça. Um exemplo: o julgamento virtual, que acelera a tramitação, elimina papel e dispensa deslocamentos de advogados. Quanto ao apregoado controle do Judiciário, pensamos que deveria antes vir de dentro que de fora, pelo ajuste de normas e práticas processuais, bem como pela supervisão sistemática. A autonomia financeira deu ao nosso Tribunal a possibilidade de ser um dos melhores do país: um dos mais ágeis e seguros, em condições objetivas de enfrentar o descrédito geral da Justiça.
A autonomia dos poderes – lembremos ainda uma vez – é a única garantia que temos da estabilidade da República e, em última instância, da continuidade do regime democrático – o pior de todos, com exceção dos outros. Falar em cidadania é falar em Judiciário. Em muitas sociedades tradicionais a norma de estabilidade é a do “poder trava poder”. Ao invés do controle externo, sempre perigoso, talvez se pudesse confiar mais nesse controle sistêmico. De resto, temos à disposição diversos mecanismos endógenos, eficazes, de controle (os tribunais de conta, as corregedorias etc.).
A sociedade global, estimulada pelos formadores de opinião, não tem sido capaz de captar a verdade do Judiciário. Sob um cerco total de má-vontade e desinformação, vemos exageradas as nossas deficiências e erros. “Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia” – parodiemos o slogan do velho Eça de Queiroz. E qual é a nossa verdade? Antes de enunciá-la, reconheçamos nossos erros e dificuldades, algumas conjunturais, de mais fácil correção, outras estruturais, mais difíceis. Recente pesquisa da OAB mostrou que 55% da população mal conhece o Judiciário. E é ela a segunda instituição menos confiável do país.
Nosso programa para o ano que se inicia é, pois, estabelecer a verdade da distribuição de Justiça em nosso Estado e vê-la reconhecida, senão por todos, ao menos pela maioria de nossos concidadãos.
Informativo TJ/RJ e EMERJ, n.12.
O texto é claramente argumentativo e se estrutura em torno de uma tese, que é explicitada em:
A) “...a realidade do Judiciário e a necessidade da sua reforma foram, nos últimos meses, deformados pelo ‘manto diáfano da fantasia’ ”;
B) “...reconheçamos nossos erros e dificuldades, algumas conjunturais, de mais fácil correção, outras estruturais, mais difíceis.”;
C) “Em muitas sociedades tradicionais a norma de estabilidade é a do ‘poder trava poder’ ”;
D) “Nosso programa para o ano que se inicia é, pois, estabelecer a verdade da distribuição de Justiça em nosso Estado...”;
E) “A autonomia dos poderes – lembremos ainda uma vez – é a única garantia que temos da estabilidade da República e, em última instância, da continuidade do regime democrático...”.
Questão Objetiva 2
(Prova do Enade – Direito – 2006)
Samba do Approach
Venha provar meu brunch
Saiba que eu tenho approach
Na hora do lunch
Eu ando de ferryboat
Eu tenho savoir-faire
Meu temperamento é light
Minha casa é hi-tech
Toda hora rola um insight
Já fui fã do Jethro Tull
Hoje me amarro no Slash
Minha vida agora é cool
Meu passado é que foi trash
Fica ligada no link
Que eu vou confessar, my love
Depois do décimo drink
Só um bom e velhoengov
Eu tirei o meu green card
E fui pra Miami Beach
Posso não ser pop star
Mas já sou um nouveau riche
Eu tenho sex-appeal
Saca só meu background
Veloz como Damon Hill
Tenaz como Fittipaldi
Não dispenso um happy end
Quero jogar no dream team
De dia um macho man
E de noite uma drag queen.
(Zeca Baleiro)
I - “(...) Assim, nenhum verbo importado é defectivo ou simplesmente irregular, e todos são da primeira conjugação e se conjugam como os verbos regulares da classe.”
(POSSENTI, Sírio. Revista Língua. Ano I, n.3, 2006.)
II - “O estrangeirismo lexical é válido quando há incorporação de informação nova, que não existia em português.”
(SECCHIN, Antonio Carlos. Revista Língua, Ano I, n.3, 2006.)
III - “O problema do empréstimo lingüístico não se resolve com atitudes reacionárias, com estabelecer barreiras ou cordões de isolamento à entrada de palavras e expressões de outros idiomas. Resolve-se com o dinamismo cultural, com o gênio inventivo do povo. Povo que não forja cultura dispensa-se de criar palavras com energia irradiadora e tem de conformar-se, queiram ou não queiram os seus gramáticos, à condição de mero usuário de criações alheias.”
(CUNHA, Celso. A língua portuguesa e a realidade brasileira.
Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1972.)
IV - “Para cada palavra estrangeira que adotamos, deixa-se de criar ou desaparece uma já existente.”
(PILLA, Éda Heloisa. Os neologismos do português e a
face social da língua. Porto Alegre: AGE, 2002.)
O Samba do Approach, de autoria do maranhense Zeca Baleiro, ironiza a mania brasileira de ter especial apego a palavras e a modismos estrangeiros. As assertivas que se confirmam na letra da música são, apenas:
(A)I e II.
(B)I e III.
(C)II e III.
(D)II e IV.
(E)III e IV.
�
SEMANA 6
( ALGUMAS ORIENTAÇÕES INICIAIS (
Os argumentos são recursos lingüísticos que visam à persuasão, ao convencimento. O argumento não é uma prova inequívoca da verdade. Argumentar não significa impor uma forma de demonstração, como nas ciências exatas. O argumento implica um juízo do quanto é provável ou razoável.
A) ARGUMENTO PRÓ-TESE
Caracteriza-se por ser extraído dos fatos reais contidos no relatório. Deve ser o primeiro argumento a compor a fundamentação. A estrutura adequada para desenvolvê-lo seria: Tese + porque + e também + além disso. Cada um desses elos coesivos introduzem fatos distintos favoráveis à tese escolhida.
B) DE AUTORIDADE (EX AUCTORITATE OU AB AUCTORITATE)
Argumento constituído com base nas fontes do Direito, em pesquisas científicas comprovadas.
C) ARGUMENTO DE SENSO COMUM
Consiste no aproveitamento de uma afirmação que goza de consenso geral; está amplamente difundido na sociedade.
D) ARGUMENTO DE CAUSA E CONSEQÜÊNCIA / CAUSA E EFEITO
Estabelece a relação de causalidade. São apresentadas as causas e as conseqüências de um ato praticado.
E) ARGUMENTO DE PROVA
É construído a partir de um indício extraído de um fato real.
Observe o esquema adiante:
Fato real	>	Indício	>	Argumento
Caso Concreto 
André da Silva Pinto, ator de filmes pornôs, 21 anos de idade, solteiro, procurou o urologista Marcelino de Oliveira, profissional liberal, para a realização de uma cirurgia de correção de fimose�. Seu objetivo era acabar com uma série de constrangimentos que a fimose lhe causava em seu ambiente de trabalho e em sua vida pessoal. Acrescenta que perdeu vários contratos por conta do problema.
Após a cirurgia, o autor verificou que seu pênis havia diminuído cerca de 0,8 cm. Alega que o fato causou-lhe imenso transtorno psicológico e dificuldades de relacionamento, pois sua virilidade foi diretamente afetada.
Segundo o autor, houve imperícia do profissional que realizou a cirurgia. Caracterizou-se falha na prestação de serviços�, marcada por um dano irreversível. Requer indenização por danos morais no valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) e lucros cessantes apurados em R$ 7.000,00 (sete mil reais), relativos aos cachês de dois filmes que realizaria no mês seguinte à cirurgia. Afirma que não atuou nos trabalhos por dificuldades de ereção motivadas pelo problema causado pelo réu.
Como prova de suas alegações, o autor juntou aos autos diversas cópias de seus filmes, onde se pode verificar, segundo alega, evidente redução do tamanho do pênis. Foram juntados, também, receitas médicas e recibos de pagamento, fornecidos pelo réu.
Em contestação, o réu alega que não há possibilidade de nexo causal entre a cirurgia e a eventual redução do tamanho do pênis. Indica que a literatura médica não registrou, em qualquer momento de sua história, tamanho absurdo. Ainda que assim o fosse, argumenta que a única forma de conseguir demonstrar o fato seria a realização de perícia, o que o autor não requereu.
Quanto às dificuldades de ereção e aos lucros cessantes, o réu manifestou-se no sentido de que o evento nada tem a ver com a cirurgia realizada. Trata-se de problema psicológico; portanto alheio à sua área e à sua responsabilidade.
Sustenta a improcedência do pedido.
SE JULGAR NECESSÁRIO, PARA RESPONDER À QUESTÃO,
RECORRA ÀS SEGUINTES FONTES:
Código de Defesa do Consumidor
Art. 6° - São direitos básicos do consumidor:
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem;
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiência;
Art. 14 - O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
Caso Concreto 1
Leia o caso concreto indicado para esta aula e recorra às fontes indicadas ou sugeridas. Redija três parágrafos argumentativos. Escolha os argumentos entre as opções elencadas na pequena parte teórica que inicia a aula.
Questão Objetiva
(Comissão Nacional de Energia Nuclear – NCE / UFRJ)
“Um dos argumentos a favor da implantação sexual nas escolas é o grande número de gestações na adolescência e o problema da Aids.”; daí se pode dizer que:
A) se não houvesse grande número de gestações na adolescência e preocupações com a Aids, a educação sexual não seria implantada;
B) o grande número de gestações na adolescência tem íntimas relações com o problema da Aids;
C) o fundamento da implantação da educação sexual é de base moral;
D) apesar da implantação da educação sexual, a Aids e as gestações na adolescência continuarão preocupando;
E) a preocupação demonstrada pelos autores da proposta se centraliza na saúde do adolescente.
COMENTÁRIO: a questão exige do candidato o conhecimento das noções de “causa-conseqüência”; “relevância”, “inferência”. É necessária, também, a capacidade de interpretação de enunciados.
Questão Objetiva 2
(Exame do Enade – Direito – 2006)
A tabela abaixo mostra como se distribui o tipo de ocupação dos jovens de 16 a 24 anos que trabalham em 5 Regiões Metropolitanas e no Distrito Federal.
(Fonte: Convênio DIEESE / Seade, MTE / FAT e convênios regionais.
PED - Pesquisa de Emprego e Desemprego Elaboração: DIEESE)
Das regiões estudadas, aquela que apresenta o maior percentual de jovens sem carteira assinada, dentre os jovens que são assalariados do setor privado, é:
(A)BeloHorizonte.
(B)Distrito Federal.
(C)Recife.
(D)Salvador .
(E)São Paulo.
COMENTÁRIO: a questão exige do examinado as seguintes habilidades: leitura de dados em tabela; distinção entre valores absolutos e percentuais; comparação de valores; identificação de conjuntos e/ou grupos afins.
�
SEMANA 7 
( ALGUMAS ORIENTAÇÕES INICIAIS (
O argumento de oposição serve ao profissional do Direito como uma estratégia discursiva eficiente para a redação de uma boa fundamentação. Compõe-se da introdução de uma perspectiva oposta ao ponto de vista defendido pelo argumentador, admitindo-o como uma possibilidade de conclusão, para depois apresentar, como argumento decisivo, a perspectiva contrária.
Apoiada no uso dos conectores argumentativos concessivos e adversativos, essa estratégia permite antecipar as possíveis manobras discursivas que formarão a argumentação da outra parte durante a busca de solução jurisdicional para o conflito, enfraquecendo, assim, os fundamentos mais fortes da parte oposta.
Observe o quadro abaixo:
	Estrutura do argumento de oposição concessiva
	Operador argumentativo Concessivo
	Ponto de vista contrário à tese defendida
	Ponto de vista favorável à tese defendida
	Embora ...
	...não exista lei que obrigue alguém a ser pai, nem que garanta reaproximações indesejadas, ...
	... a Justiça pode, sim, fazer valer o direito de um filho em relação aos cuidados paternais, por meio de uma reparação afetiva.
	Conector sintático que põe em foco a evidência contrária
	Evidência que apóia a argumentação contrária à tese em defesa
	Argumento decisivo, contrário à perspectiva anterior
	Estrutura do argumento de oposição restritiva
	Ponto de vista contrário à tese defendida
	Operador argumentativo adversativo
	Ponto de vista favorável à tese defendida
	Não existe lei que obrigue alguém a ser pai, nem que garanta reaproximações indesejadas, ...
	... mas ...
	... a Justiça pode, sim, fazer valer o direito de um filho em relação aos cuidados paternais, por meio de uma reparação afetiva.
	Evidência que apóia a argumentação contrária à tese em defesa
	Conector sintático que permite uma manobra discursiva, que desarticula o argumento introdutório
	Argumento que anula a proposição inicial do parágrafo, gerando uma quebra de expectativa
Para ficar ainda mais clara essa estrutura, os parágrafos anteriores foram desenvolvidos. Compreenda que as estruturas sugeridas não são, de forma alguma, instrumentos que impedem a liberdade redacional do argumentador; ao contrário, a partir delas novas informações podem ser acrescidas – sem descaracterizar a estratégia.
Argumento de oposição concessiva
Embora haja quem argumente ser impossível pensar a afetividade como valor jurídico, pois não existe lei que obrigue alguém a ser pai, nem garanta reaproximações indesejadas, a Justiça pode, sim, fazer valer o direito de um filho em relação aos cuidados paternais, por meio de uma reparação afetiva. Essa reparação André Júlio deve a Alexandre, por sua luta inglória desde quase os sete anos de idade, a fim de reaver o afeto do pai. Falta de carinho, de atenção e de presença não se quantifica, mas pode ser compensada para amenizar o sofrimento de Alexandre, por ter tido um pai ausente.
Também podemos redigir o argumento desta maneira:
Argumento de oposição restritiva
Há quem argumente ser impossível pensar a afetividade como valor jurídico, ou seja, que não existe lei que obrigue alguém a ser pai, nem garanta reaproximações indesejadas, mas a Justiça pode, sim, fazer valer o direito de um filho em relação aos cuidados paternais, por meio de uma reparação afetiva. Essa reparação André Júlio deve a Alexandre, por sua luta inglória desde quase os sete anos de idade, a fim de reaver o afeto do pai. Falta de carinho, de atenção e de presença não se quantifica, mas pode ser compensada para amenizar o sofrimento de Alexandre, por ter tido um pai ausente.
Caso Concreto� 
Maria Ventuinha, empregada da empresa de desinfetantes Bom Ar, foi demitida na grande São Paulo, por justa causa�, em virtude de se exceder em flatulências no ambiente de trabalho.
A empregada propôs ação trabalhista em face de seu empregador por entender que a demissão fora injusta. Além da readmissão, a autora pediu indenização por danos morais no valor de R$ 10.000,00, já que sofreu constrangimentos e foi desmoralizada diante de colegas de trabalho. Assinala, ainda, que a questão, pelo ineditismo, foi comentada em vários programas de rádio e de televisão, inclusive no Fantástico, da Rede Globo. A Voz do Brasil, nas notícias sobre o Judiciário, também divulgou o caso.
Na reclamação trabalhista, a autora afirmou que “a flatulência constitui uma reação orgânica natural à ingestão de ar e de determinados alimentos com alto teor de fermentação, os quais, combinados com elementos diversos, presentes no corpo humano, resultam em gases que se acumulam no tubo digestivo e necessitam ser expelidos, via oral ou anal, respectivamente sob a forma de eructação (arroto) e flatos”�.
Seu advogado argumenta que o judiciário vem entendendo que, se o incômodo causado pelo empregado não for propositalmente provocado, mas fruto de doença ou de ato involuntário, não pode o acontecimento ensejar demissão por justa causa. Esse entendimento se aplica, em certos casos, inclusive, ao ébrio� habitual.
Afirma, também, que “a eliminação involuntária pode gerar constrangimentos e até mesmo piadas e brincadeiras, mas não há de ter reflexo para a vida contratual. Desse modo, não se tem como presumir má-fé por parte da empregada, quanto ao ocorrido, mostrando-se insubsistente, por injusta e abusiva, a advertência, e bem assim, a justa causa que lhe sobreveio”. Arremata dizendo: “É de experiência comum a todos que, nem sempre pode haver controle da pessoa sobre tais emanações”.
A autora relata que, além do tratamento jocoso que recebia por parte dos colegas de trabalho, havia certa animosidade imotivada com ela por parte de uma das sócias da empresa e de sua superior hierárquica, o que reforça a necessidade de ser indenizada pelos danos morais.
A empresa, em resposta, garante que a reiterada emanação de gases não é o único constrangimento causado pela autora. Segundo o advogado da ré, a autora alava sobre imoralidades com colegas no horário de trabalho, provocando ambiente impróprio para o convívio social e para a produtividade da empresa. Testemunhas ouvidas na audiência de instrução reiteram que a autora “não era bem quista dentro da empresa”.
Quanto ao fundamento jurídico que sustenta a demissão, o advogado da empresa assim se manifestou: “a propulsão de gases pode ser debitada aos responsáveis se comprovadamente provocada, ultrapassando, assim, o limite do razoável. A imposição deliberada aos circunstantes, dos ardores da flora intestinal, configura, no limite, incontinência de conduta, passível de punição e de demissão pelo empregador”.
Não foi apresentada qualquer prova quanto à acusação de falar imoralidades no horário de trabalho.
A ré sustenta a improcedência do pedido.
SE JULGAR NECESSÁRIO, PARA RESPONDER À QUESTÃO,
RECORRA À SEGUINTE FONTE:
Art. 482, CLT - Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador:
a) ato de improbidade;
b) incontinência de conduta ou mau procedimento;
c) negociação habitual por conta própria ou alheia sem permissão do empregador, e quando constituir ato de concorrência à empresa para a qual trabalha o empregado, ou for prejudicial ao serviço;
d) condenação criminal do empregado, passada em julgado, caso não tenha havido suspensão da execução da pena;
e) desídia no desempenho das respectivas funções;
f) embriaguez habitual ou em serviço;
g) violação de segredo da empresa;
h) ato de indisciplina ou de insubordinação;
i) abandono de emprego;
j) ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra qualquer pessoa, ou ofensas físicas,nas mesmas condições, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem;
k) ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas físicas praticadas contra o empregador e superiores hierárquicos, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem;
l) prática constante de jogos de azar.
Parágrafo único. Constitui igualmente justa causa para dispensa de empregado, a prática, devidamente comprovada em inquérito administrativo, de atos atentatórios à segurança nacional.
( CONSULTA À JURISPRUDÊNCIA (
JUSTA CAUSA. ATO DE IMPROBIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Sendo a justa causa a mais grave penalidade que pode ser aplicada contra o empregado, buscou o legislador trabalhista tipificar as faltas que podem lhe render ensejo, cercando-as de cautelas e requisitos indispensáveis à sua caracterização, exigindo prova inconteste da autoria do ato gravoso imputado ao trabalhador, a qual não foi produzida nestes autos. Na hipótese, a vindicada pretendia provar o suposto ato de improbidade exclusivamente por meio de 'Boletim de Ocorrência', impróprio para tanto, haja vista que o registro de ocorrência trata-se de mera notitia criminis, a qual não tem o condão de fazer prova conclusiva acerca do fato objeto do referido boletim. Recurso a que nega provimento. (TRT23. RO - 00480.2007.041.23.00-3. Publicado em: 13/06/08. 1ª Turma. Relator: DESEMBARGADOR ROBERTO BENATAR)
JUSTA CAUSA. EMBRIAGUEZ EM SERVIÇO. Embora o consumo desmedido de bebidas alcoólicas e a conseqüente embriaguez possam estar associados à doença do alcoolismo, tão deletérios são seus efeitos que na esfera trabalhista não se tem admitido qualquer mitigação do rigor do disposto no art. 482, 'f', da CLT, ao capitular tal comportamento como falta das mais graves, hábil a justificar, ainda que verificada uma única vez em serviço, a dispensa por justa causa. Recurso obreiro a que nega provimento, mantendo-se a justa causa, porquanto demonstrada cabalmente a embriaguez em serviço. (TRT23. RO - 00518.2007.003.23.00-1. Publicado em: 13/06/08. 1ª Turma. Relator: DESEMBARGADOR ROBERTO BENATAR)
Caso Concreto 1
Após a leitura do caso concreto, selecione, em tópicos, as informações favoráveis e as desfavoráveis à tese de demissão por justa causa.
Caso Concreto 2
Agora, redija dois parágrafos argumentativos, um de oposição concessiva e outro de oposição restritiva.
Questão Objetiva
(Prova para o Senado Federal – cargo de Consultor Legislativo e Consultor de Orçamentos)
Considere que cada um dos itens a seguir constitua um parágrafo, identificado por uma expressão em negrito; esta especifica a sua função textual, com vistas à construção de um todo coerente que trata da atuação da imprensa na vida atual. Em cada item, julgue a correção gramatical e a correspondência entre a função do parágrafo e as idéias apresentadas nele. Para esclarecer: marque “certo” ou “errado” para cada item.
Item 1: Apresentação do assunto – A televisão, o rádio e principalmente a imprensa trazem inúmeros benefícios à vida moderna, desde a simples função de entretenimento até as notáveis colaborações de caráter educativo, político ou social. 
Item 2: Discussão inicial do assunto – O tempo destinado aos prazeres é uma das características da sociedade pós-industrial. Tudo deve ser feito para dar ao homem um pouco mais de tranqüilidade e evitar os desequilíbrios e as neuroses. E, nesse particular, a imprensa desempenha oportuno papel. Os momentos escolhidos, por exemplo, para a leitura constituem intervalos repousantes: o descanso após o almoço, antes de dormir; nos transportes, nas salas de espera, nos dias feriados, quando chove etc.
Item 3: Argumentação favorável – Essa função educativa da imprensa é exercida de diversas maneiras: publicação de noticiário internacional, debates, editoriais, páginas especializadas e reportagens atinentes às múltiplas atividades humanas. Muitos têm sido os acontecimentos históricos em que a imprensa tem atuação destacada. Sua participação, inegável na orientação dos destinos de um país, tanto nas democracias quanto nos países de regimes fortes, a ação mais delicada e decisiva da imprensa consiste justamente na expressão e no controle da opinião pública.
Item 4: Argumentação contrária – Pode a imprensa, eventualmente, prestar-se a distorções lamentáveis, o que só acontecem em decorrência da irresponsabilidade com que a dirija um determinado grupo humano. Todavia, não podemos negar a paixão do escândalo pela pura intenção de tiragem, o comércio das emoções e as concessões às vezes excessivas a determinada faixa de público medíocre que ela tende a aceitar tal como é. Felizmente, essa nem sempre é a regra.
Item 5: Conclusão do texto – A imprensa, por excelência, nasceu livre e deve continuar livre. Cabendo-lhe orientar a opinião pública, será menos desastroso o risco de errar ou distorcer os fatos que a possibilidade de submeter-se a uma censura poderosa. Os órgãos de imprensa devem assumir o controle natural da responsabilidade sobre seus atos. Aliás, somente em função dessa responsabilidade se concebem os privilégios de que geralmente goza a imprensa em uma sociedade. Itens adaptados de A imprensa na vida atual.
In: Português básico I. Porto Alegre: EMMA, 1975, p. 32-4.
Questão Objetiva 2
(Questão 6 do Enade - prova de 2007)
Vamos supor que você recebeu de um amigo de infância e seu colega de escola um pedido, por escrito, vazado nos seguintes termos:
“Venho mui respeitosamente solicitar-lhe o empréstimo do seu
livro de Redação para Concurso, para fins de consulta escolar”.
Essa solicitação em tudo se assemelha à atitude de uma pessoa que:
(A) comparece a um evento solene vestindo smoking completo e cartola.
(B) vai a um piquenique engravatado, vestindo terno completo, calçando sapatos de verniz.
(C) vai a uma cerimônia de posse usando um terno completo e calçando botas.
(D) freqüenta um estádio de futebol usando sandálias de couro e bermudas de algodão.
(E) veste terno completo e usa gravata para proferir uma conferência internacional.
�
SEMANA 8
( ALGUMAS ORIENTAÇÕES INICIAIS (
Os elos coesivos entre parágrafos reforçam a tessitura do texto, permitindo uma maior eficiência discursiva por parte do argumentador. Eles podem ser utilizados de acordo com o objetivo de cada parágrafo elaborado, devendo-se levar em consideração algumas possibilidades interpretativas:
	Por enumeração
	Por oposição
	Por causa
	Por conseqüência
	Ressalta(m)-se 
	É bem verdade que...
	Como se há verificar...
	Neste sentido, deve-se dizer...
	Além desses fatores...
	Não se pode olvidar que...
	Como se pode notar...
	Oportuno se torna dizer que...
	É de verificar-se que...
	Não há olvidar-se que...
	É de verificar-se que...
	Cumpre-nos assinalar que...
	Registre-se, ainda, que...
	Bom é dizer que...
	Devido a...
	Diante do exposto...
	Assinale-se, ainda, que...
	Por outro lado...
	Em virtude de...
	Diante disso...
	Convém ressaltar...
	Ao contrário do que foi dito...
	Em face de...
	Em face de tal situação...
	Além desses fatores...
	Conectores de oposição: conjunções adversativas e concessivas.
	Substantivos: causa, motivo, razão, explicação, pretexto, base, fundamento, gênese, origem, o porquê.
	Em virtude desses fatos...
	Soma(m)-se a esses aspectos o(s) fato(s)...
	Verbos que indicam oposição (contrariar, impedir, obstar, vedar...)
	Verbos que indicam causa (determinar, permitir, causar, gerar...)
	Em face dessa questão...
	Mister se faz ressaltar que...
	
****
	Locuções prepositivas: em virtude de..., em razão de..., por causa de..., em vista de..., por motivo de...
	Substantivos: efeito, produto, decorrência, fruto, reflexo, desfecho.
	Registre-se, ainda, que...
	
****
	Conjunções: porque, pois, já que, uma vez que, porquanto, como.
	Verbos que indicam conseqüência (ocasionar, gerar, provocar...)
	É de ser relevado...
	
****
	
****
	Locuções e conjunções: logo, então, portanto,por isso, por conseguinte, pois.
Caso Concreto 
Adriana Mendes ajuizou ação indenizatória� em face da empresa MC Donald´s. A autora deseja que a ré seja condenada a lhe pagar R$ 10 mil de indenização� porque encontrou uma formiga grudada na batata frita.
Alega que, ao se deparar com o inseto, experimentou um sentimento de repugnância e nojo que lhe gerou danos morais. Adriana destacou na Inicial que houve, também, “violação ao princípio da confiança, outro norte a ser perseguido nas relações de consumo”�.
A consumidora contou que, ao começar a comer, encontrou um corpo estranho grudado na batata e, logo depois, constatou que era uma formiga. Depois do ocorrido, procurou o gerente da loja para reclamar. Como nada foi feito, tirou uma foto e recorreu à Justiça. No pedido, alegou que tal situação criou um grande constrangimento de natureza moral.
O MC Donald's, para se defender, alegou que o Juizado não poderia processar a questão porque era necessária prova pericial e que tal requisito se torna incompatível com a Lei 9.099/95, que dispõe sobre a competência dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais.
O réu sustentou, ainda, que não existe a menor possibilidade de haver qualquer tipo de corpo estranho nos lanches da empresa e que não há que se falar em qualquer tipo de indenização.
Caso deseje redigir um argumento por autoridade, é possível recorrer aos dispositivos a seguir:
Art. 2°, CDC - Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.
Art. 3°, CDC - Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
§ 2° - Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.
Art. 6, CDC - São direitos básicos do consumidor:
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiência;
Art. 14, CDC. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
Caso Concreto 1
Selecione algumas das expressões do quadro anterior e produza três parágrafos argumentativos que defendam uma tese sobre a situação de conflito apresentada no caso concreto. O tipo de argumento é de sua livre escolha.
Questão Objetiva 1
“Os determinantes da globalização podem ser agrupados em três conjuntos de fatores: tecnológicos, institucionais e sistêmicos”.
Reinaldo Gonçalves. Globalização e desnacionalização. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
“A ortodoxia neoliberal não se verifica apenas no campo econômico. Infelizmente, no campo social, tanto no âmbito das idéias como no terreno das políticas, o neoliberalismo fez estragos (...).
Laura T. Soares. O desastre social. Rio de Janeiro: Record, 2003.
“Junto com a globalização do grande capital, ocorre a fragmentação do mundo do trabalho, a exclusão de grupos humanos, o abandono de continentes e regiões, a concentração da riqueza em certas empresas e países, a fragilização da maioria dos Estados, e assim por diante (...). O primeiro passo para que o Brasil possa enfrentar esta situação é parar de mistificá-la.”
Cesar Benjamin et al. A opção brasileira. Rio de Janeiro: Contraponto, 1998.
Diante do conteúdo dos textos apresentados acima, algumas questões podem ser levantadas.
1 A que está relacionado o conjunto de fatores de “ordem tecnológica”?
2 Considerando que globalização e opção política neoliberal caminharam lado a lado nos últimos tempos, o que defendem os críticos do neoliberalismo?
3 O que seria necessário fazer para o Brasil enfrentar a situação da globalização no sentido de “parar de mistificá-la”?
Assinale a alternativa que responde corretamente às três questões acima, na ordem em que foram apresentadas.
A) A revolução da informática / reforma do Estado moderno com nacionalização de indústrias de bens de consumo / assumir que está em curso um mercado de trabalho globalmente unificado.
B) revolução nas telecomunicações / concentração de investimentos no setor público com eliminação gradativa de subsídios nos setores da indústria básica / implementar políticas de desenvolvimento a médio e longo prazos que estimulem a competitividade das atividades negociáveis no mercado global.
C) revolução tecnocientífica / reforço de políticas sociais com presença do Estado em setores produtivos estratégicos / garantir níveis de bem-estar das pessoas considerando que uma parcela de atividades econômicas e de recursos é inegociável no mercado internacional.
D) revolução da biotecnologia / fortalecimento da base produtiva com subsídios à pesquisa tecnocientífica nas transnacionais / considerar que o aumento das barreiras ao deslocamento de pessoas, o mundo do trabalho e a questão social estão circunscritos aos espaços regionais.
E) Terceira Revolução Industrial / auxílio do FMI com impulso para atração de investimentos estrangeiros / compreender que o desempenho de empresas brasileiras que não operam no mercado internacional não é decisivo para definir o grau de utilização do potencial produtivo, o volume de produção a ser alcançado, o nível de emprego e a oferta de produtos essenciais.
�
SEMANA 9
Caso Concreto�
Pedro foi acusado de roubo qualificado� por denúncia do Promotor de Justiça da comarca, no dia 1 de julho de 2006. Dela constou que ele subtraiu importância em dinheiro de Antônio, utilizando-se de um revólver de brinquedo�. Arrolou, para serem ouvidos, a vítima e dois policiais militares.
O Juiz ouviu-o no dia 5 de setembro de 2006, sem a presença de defensor�, ocasião em que ele confessou, com detalhes, a prática delituosa, descrevendo a vítima e afirmando que o dinheiro fora utilizado na compra de drogas. Afirmou, ainda, que havia sido internado várias vezes para tratamento.
O defensor nomeado arrolou três testemunhas na defesa prévia. A vítima, ao ser ouvida, confirmou o fato e afirmou que não viu o rosto do autor do crime porque estava encoberto e, por isso, não tinha condições de reconhecê-lo. Os dois policiais afirmaram que ouviram a vítima gritando que havia sido roubada, mas nada encontraram; contudo, no dia seguinte, houve, no mesmo local, outro roubo, sendo o acusado preso quando estava fugindo e, por isso, ligaram o fato com o do dia anterior; o acusado, por estar visivelmente “drogado”, não teve condições de esclarecer o fato.
As testemunhas� de defesa nada disseram sobre o fato; confirmaram que o acusado tinha problemas com drogas e, por isso, era sempre internado. Na fase do artigo 499, do CPP, nada foi requerido pelas partes. O Promotor de Justiça pediu a condenação, alegando que a materialidade estava provada e que a confissão do acusado, pelos informes que continha, mostrava ser ele o autor do crime.
Quanto às penas, entendeu que poderiam ser aplicadas nos patamares mínimos. Intimado o acusado para os fins do artigo 500, do CPP, seus pais resolveram contratar um advogado para defendê-lo.
Se julgar conveniente, recorra às fontes indicadas.
Roubo
Art. 157, CP - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem,mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa.
§ 1° - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.
Roubo qualificado
§ 2° - A pena aumenta-se de um terço até metade:
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância;
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior;
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.
§ 3° Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de cinco a quinze anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa.
Art. 261, CPP - Nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou julgado sem defensor.
Parágrafo único. A defesa técnica, quando realizada por defensor público ou dativo, será sempre exercida através de manifestação fundamentada.
Art. 500, CPP - Esgotados aqueles prazos, sem requerimento de qualquer das partes, ou concluída as diligências requeridas e ordenadas, será aberta vista dos autos, para alegações, sucessivamente, por 3 (três) dias:
I - ao Ministério Público ou ao querelante;
II - ao assistente, se tiver sido constituído;
III - ao defensor do réu.
Doutrina:
Cancelada a súmula nº 174 do Superior Tribunal de Justiça�
Agravação da pena em face do emprego de arma de brinquedo
na execução do crime de roubo
Nos termos do art. 157, § 2.º, I, do Código Penal, a pena deve ser agravada de um terço até metade "se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma".
E quando se trata de arma de brinquedo ("arma finta")?
Há duas orientações:
1ª) o emprego de arma de brinquedo não agrava a pena do roubo: RT, 580/464, 591/360 e 667/305; JTACrimSP, 76/283, 72/23, 73/222, 75/54 e 202 e 99/275; STF, HC n. 69.515, 1.ª Turma, rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJU, 12.3.1993, p. 3561; RT, 705/416;
2ª) o roubo é agravado: RTJ, 106/838, 109/285, 91/179, 95/299 e 103/443; RJTJSP, 14/488 e 40/367; RT, 540/419, 553/349, 555/377, 576/480, 588/439 e 592/434; JTACrimSP, 66/257, 67/258, 69/242 e 79/447; Justitia, 105/181; JTJ, 164/321. Era a orientação da Súmula n. 174 do STJ:
"No crime de roubo, a intimidação feita com arma de brinquedo autoriza o aumento da pena".
Sempre entendemos que o emprego de arma de brinquedo não aumenta a pena do crime de roubo, respondendo o sujeito pelo tipo simples, sendo inadequada a Súmula n. 174. Nossa argumentação se fundamenta no sistema da tipicidade. O CP somente agrava a pena do delito quando o sujeito emprega arma. Revólver de brinquedo não é arma(1). Logo, o fato é atípico diante da circunstância. Caso contrário, por coerência, o porte de revólver de brinquedo constituiria o crime do art. 10, caput, da Lei n. 9.437, de 20.2.1997 (porte ilegal de arma de fogo). Se, no roubo, configura a circunstância "arma", por que não constituiria a elementar do crime especial? Como disse o Ministro Sepúlveda Pertence no HC n. 69.515, julgado pela 1.ª Turma do STF, em 1.º.12.1992, "a melhor doutrina tem oposto crítica demolidora" à tese de que o roubo, na espécie, é circunstanciado(2).
A Terceira Seção do STJ, no REsp n. 213.054, de São Paulo, em 24.10.2001, relator o Ministro José Arnaldo da Fonseca, decidiu cancelar a Súmula n. 174, considerando que o emprego de arma de brinquedo, embora não descaracterize o crime, não agrava o roubo, uma vez que não apresenta real potencial ofensivo. Ficou assentado que a incidência da referida circunstância de exasperação da pena:
1º) fere o princípio constitucional da reserva legal (princípio da tipicidade);
2º) configura bis in idem;
3º) deve ser apreciada na sentença final como critério diretivo de dosagem da pena (circunstância judicial do art. 59 do CP);
4º) lesa o princípio da proporcionalidade(3).
De notar-se que a decisão apenas cancelou a referida Súmula, não havendo impedimento a que juízes e tribunais ainda continuem adotando a segunda orientação, que determina o agravamento da pena. Além disso, há o perigo de que, cancelada a mencionada Súmula, venham a reconhecer, no roubo agravado pelo concurso de pessoas, o concurso material entre esse tipo e o crime de utilização de arma de brinquedo na execução do fato (art. 10, § 1.º, II, da Lei n. 9.437/97). Se isso ocorrer, teremos a seguinte situação: se os assaltantes empregarem arma verdadeira, a pena mínima abstrata será de 5 anos e 4 meses de reclusão (art. 157, § 2.º, I e II, do CP); se roubarem com revólver de brinquedo, aplicando-se a regra do concurso material, a pena mínima abstrata será maior, qual seja, 6 anos e 4 meses de privação da liberdade (5 anos e 4 meses pelo roubo agravado pelo concurso de pessoas e 1 ano pelo crime da lei especial). Então, se os assaltantes receberem a mensagem, irão usar somente armas verdadeiras.
A Lei 10.826/2003�
A única disciplina jurídica que possui a nova Lei de Armas sobre o brinquedo perigoso é o art. 26, no qual prescreve que: "São vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos, réplicas e simulacros de armas de fogo, que com elas se possam confundir".
Com isso chega-se a seguinte conclusão: é proibida a prática de atos comerciais tendo por objeto arma de brinquedo que possa ser confundida com arma de fogo. Logo, se for cometido algum crime com a utilização de arma de brinquedo, o agente só responderá pelo crime que efetivamente cometer, não podendo a utilização da arma de brinquedo ser objeto de elementar ou circunstância do crime.
A falta de técnica legislativa para a elaboração da Lei está muito aquém do aclamado pela sociedade. Explico.
Se o legislador proibiu a prática empresarial de arma de brinquedo é porque esta possui uma lesividade considerada. Então, porque não impor uma sanção própria como fez a revogada Lei?
Chega-se ao absurdo de se proibir a prática de comércio com a arma de brinquedo e ser totalmente livre a sua utilização na prática de crimes. Seria o mesmo que considerar proibida a venda de entorpecente e ser liberado o seu uso.
( CONSULTA À JURISPRUDÊNCIA (
2006.0000.0945-8/0 - APELAÇÃO CRIME – Tribunal de Justiça do Ceará
Data Protocolo: 14/02/2006
Data Distribuição: 02/05/2006
Órgão Julgador: 1ª CÂMARA CRIMINAL
Relator: Des. FRANCISCO HAROLDO R. DE ALBUQUERQUE
Ementa: APELAÇÃO CRIMINAL. ROUBO DUPLAMENTE QUALIFICADO. AUTORIA DO CRIME COMPROVADA. ABSOLVIÇÃO INVIÁVEL. PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA. DESCLASSIFICAÇÃO PARA A FORMA TENTADA. INVIÁVEL. INEXISTÊNCIA DE CONCURSO MATERIAL. INOCORRÊNCIA. DIMINUIÇÃO DE PENA. IMPOSSIBILIDADE. DECOTE DE QUALIFICADORA. ARMA DE BRINQUEDO. PROVIMENTO PARCIAL. I - Inviável a absolvição pleiteada, quando as provas coletadas durante a instrução, especialmente os depoimentos testemunhais e as declarações das vítimas, comprovam, sem eiva de dúvidas, que o apelante cometeu os crimes pelos quais foi condenado. II - Não se pode considerar como sendo de menor importância a participação do acusado que, empunhando a arma do crime, anunciou o assalto. III - A consumação do crime de roubo se dá no momento em que o agente, mediante violência ou grave ameaça, retira o bem da posse do ofendido, embora tenha sido logo após devolvido. IV - O acusado, mediante duas ações distintas, ocorridas em ruas e horários diversos, cometeu dois crimes de roubo, o que se amolda, perfeitamente, no conceito de concurso material, definido no art. 69 do Código Penal. V - Não se reputa severa a pena aplicada no mínimo legal, quando presentes as circunstâncias do art. 59 do código repressivo. VI - O empregode arma de brinquedo não qualifica o crime de roubo, devendo ser retirada dita qualificadora, sem alterar, contudo, a pena fixada, haja vista que o juiz sentenciante, pela incidência de duas qualificadoras, estabeleceu o aumento mínimo de 1/3. VII - Apelo parcialmente provido, apenas para decotar a qualificadora do emprego de arma, mantendo-se inalterada, entretanto, a pena aplicada. 
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Nº Processo	213992002
Acórdão	0431882003
Relator	NELMA SARNEY COSTA
Data	25/02/2003 00:00:00
Órgão	SÃO LUÍS
Processo	APELAÇÃO CRIMINAL
Ementa	Apelação criminal. Crime de roubo. Defesa pleiteia desclassificação para o crime de furto, dado a inexistência de potencialidade lesiva na arma de brinquedo. Inadmissibilidade. Desclassificação para crime para modalidade tentada. Procedência. Pena definitiva não superior a dois anos. Concessão da suspensão condicional da pena. I - a utilização de simulacro de arma de fogo, quando causa intimidação à vítima, é meio idôneo para a caracterização da vis compulsiva e, conseqüentemente, do crime de roubo. II - para a consumação do delito de roubo, assim, como no de furto, é necessário que haja inversão do título da posse da res furtiva. Tendo sido, os agentes, presos por populares quando tentavam fugir com a coisa subtraída, interrompido está o iter criminis, restando configurado apenas o delito na sua forma tentada. III- presentes os pressupostos da suspensão condicional do processo impõe-se a sua concessão. IV - recurso parcialmente provido à unanimidade.
Caso Concreto 1
Para que se compreenda a importância das disciplinas de Português Jurídico para o Exame das OAB, transcrevemos a “grade de comentários” utilizada pelos examinadores. Atente para os critérios a serem comentados. Dos seis existentes, quatro são trabalhados diretamente por nossas disciplinas.
Adequação da Peça ao problema apresentado:
Raciocínio jurídico:
Fundamentação e sua consistência:
Capacidade de interpretação e exposição:
Correção gramatical:
Técnica profissional:
Produza fundamentação e conclusão para a questão apresentada pelo caso concreto.
Questão Objetiva 1
(Prova da Agência Nacional do Petróleo)
PETRÓLEO
Monteiro Lobato
Esse produto é o sangue da terra; é a alma da indústria moderna; é a eficiência do poder militar; é a soberania; é a dominação. Tê-lo é ter o sésamo abridor de todas as portas. Não tê-lo é ser escravo.
O que é explícito num enunciado pode gerar informações implícitas; os dois primeiros períodos do texto 1 nos permitem deduzir alguns dados implícitos, EXCETO:
Monteiro Lobato defendia a existência de petróleo no país;
nem sempre as posições de Monteiro Lobato tinham apoio nos fatos;
Monteiro Lobato era figura conhecida na época de elaboração do texto;
os fatos não são apoio incontestável de argumentos;
(E) os fatos a que alude o texto dizem respeito à descoberta de petróleo no Brasil.
Questão Objetiva 2
(Prova do Enade 2005)
As ações terroristas cada vez mais se propagam pelo mundo, havendo ataques em várias cidades, em todos os continentes. Nesse contexto, analise a seguinte notícia:
No dia 10 de março de 2005, o Presidente de Governo da Espanha José Luis Rodriguez Zapatero em conferência sobre o terrorismo, ocorrida em Madri para lembrar os atentados do dia 11 de março de 2004, “assinalou que os espanhóis encheram as ruas em sinal de dor e solidariedade e dois dias depois encheram as urnas, mostrando assim o único caminho para derrotar o terrorismo: a democracia. Também proclamou que não existe álibi para o assassinato indiscriminado. Zapatero afirmou que não há política, nem ideologia, resistência ou luta no terror, só há o vazio da futilidade, a infâmia e a barbárie. Também defendeu a comunidade islâmica, lembrando que não se deve vincular esse fenômeno com nenhuma civilização, cultura ou religião. Por esse motivo apostou na criação pelas Nações Unidas de uma aliança de civilizações para que não se continue ignorando a pobreza extrema, a exclusão social ou os Estados falidos, que constituem, segundo ele, um terreno fértil para o terrorismo”.
(MANCEBO, Isabel. Madri fecha conferência sobre terrorismo e relembra os mortos de 11-M. (Adaptado).
Disponível em: http://www2.rnw.nl/rnw/pt/atualidade/europa/at050311_onzedemarco?Acesso em Set. 2005)
A principal razão, indicada pelo governante espanhol, para que haja tais iniciativas do terror está explicitada na seguinte afirmação:
(A) O desejo de vingança desencadeia atos de barbárie dos terroristas.
(B) A democracia permite que as organizações terroristas se desenvolvam.
(C) A desigualdade social existente em alguns países alimenta o terrorismo.
(D) O choque de civilizações aprofunda os abismos culturais entre os países.
(E) A intolerância gera medo e insegurança criando condições para o terrorismo.
�
SEMANA 10
( ALGUMAS ORIENTAÇÕES INICIAIS (
A argumentação jurídica, para ter sucesso, deve recorrer a estratégias que expressem a interpretação sobre uma questão do Direito que se desenvolve em um contexto espacial e temporal. Portanto, antes de argumentar, é necessário que se proceda a um planejamento, considerando-se os contextos, os fatos, as provas e os indícios extraídos do caso concreto, sustentando-se sempre nas fontes do Direito. Torna-se necessário, também, ter em mente os prováveis argumentos do opositor, a fim de neutralizá-los.
Após a análise minuciosa do caso concreto, são escolhidos os recursos argumentativos para a produção do texto jurídico. Assim, o texto será construído não instintiva e espontaneamente, mas apoiado em um planejamento, a fim de manter a unidade e a coerência necessárias ao convencimento. Somente com organização é possível traçar estratégias persuasivas capazes de fazer com que a tese defendida seja aceita.
Caso Concreto 1
Analise os elementos constitutivos da argumentação jurídica que seguem e escreva a fundamentação e a conclusão pertinentes.
Situação de conflito
Dois bebês – Daniel Martins e Marcio Gusmão – foram trocados na maternidade Nossa Senhora do Bom Parto, em Sergipe. As crianças nasceram em 02 de fevereiro de 2003 e receberam alta quarenta e oito horas após o parto.
Tese
As crianças devem ser mantidas nas famílias em que vivem atualmente.
Contextualização do real
Fatos favoráveis à tese:
- Daniel e Márcio vivem em famílias trocadas há quase seis anos;
- As famílias viviam harmonicamente até que Daniel precisou realizar um transplante de medula e um exame de DNA foi realizado;
- Após decisão judicial, as crianças foram encaminhadas para suas famílias biológicas, mas não se adaptaram: a psicóloga que os acompanha afirmou que os meninos choram o dia todo e que a adaptação ao recente núcleo familiar ainda apresenta resistência, tanto pelas crianças quanto pelos pais;
- O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que a guarda e o poder familiar devem ser estabelecidos levando-se em consideração o melhor interesse da criança.
- Não há laços afetivos estabelecidos entre as crianças e as novas famílias;
Fatos contrários à tese:
- Laços sangüíneos são eternos;
- As crianças nessa idade costumam se adaptar rapidamente a novas situações;
- Em conversa com as assistentes sociais, as famílias demonstraram que não têm certeza se querem destrocar ou não as crianças.
( CONSULTA À JURISPRUDÊNCIA (
Questão que tangencia a discussão, mas em outro processo, de responsabilidade civil da empresa pela troca dos bebês.
Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
2007.001.62394 - APELACAO 
DES. ELTON LEME - Julgamento: 30/01/2008 - DECIMA SETIMA CAMARA CIVEL 
TROCA DE BEBES DURANTE AS PRIMEIRAS HORAS DE VIDA
PRIMEIRO ALEITAMENTO REALIZADO POR MAE DIVERSA
MA PRESTACAO DE SERVICOS
DANO MORAL
REDUCAO DO VALOR
AÇÃO INDENIZATÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DE ESTABELECIMENTO HOSPITALAR. TROCA DE BEBÊS DURANTE AS PRIMEIRAS HORAS DE VIDA. PRIMEIRO ALEITAMENTOREALIZADO POR MÃE DIVERSA. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. 1. A troca de bebês nas primeiras horas de vida, que acarretou o primeiro aleitamento por mães diversas, não deixa dúvida acerca do serviço defeituoso prestado pelo estabelecimento hospitalar que, por isso, responde pelos danos morais causados aos respectivos pais. 2. Não obstante haja diferenças na percepção do vício do serviço pelos pais dos bebês, não há motivos plausíveis para arbitrar valores diferenciados, eis que a intensidade da mácula moral não se aufere por fórmulas matemáticas, mas decorre da análise circunstanciada e equilibrada do episódio lesivo como um todo. 3. Danos morais que devem ser reduzidos à luz dos critérios da razoabilidade e da proporcionalidade. 4. Recurso parcialmente provido. 
Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
2007.001.28856 - APELACAO - 1ª Ementa 
DES. ADEMIR PIMENTEL - Julgamento: 22/08/2007 - DECIMA TERCEIRA CAMARA CIVEL
ACAO DE INDENIZACAO POR ATO ILICITO
TROCA DE CRIANCAS EM MATERNIDADE
MORTE DE UMA DAS CRIANCAS
DANO MORAL
PRINCIPIO DA PRESERVACAO DA SOCIEDADE EMPRESARIAL
Processual Civil. Ação para reparação de danos morais por ato ilícito. Criança trocada na maternidade e que se constatou haver falecido, quando da troca promovida em sede judicial. Ao invés do filho querido, uma certidão de óbito."Daminum in re ipsa". Valor indenizatório que, ao lado do aspecto reparatório, deve atender aos aspectos pedagógicos da condenação, sem, contudo, colocar em risco a saúde financeira da instituição. Parcial provimento ao primeiro e improvimento ao segundo recurso. I- Indiscutível a culpa de estabelecimento hospitalar que em maternidade troca os bebês nascidos, cabendo-lhe responder pelo ato negligente de seus prepostos; II- Ainda que a morte do bebê não decorra de ato do nosocômio, a troca ocorrida retirou dos verdadeiros pais a oportunidade de conviver nas poucas horas de vida, com o filho querido. Afagar-lhe, beijar-lhe a face gélida e lhe dar um sepulcro como eles, verdadeiros pais, gostariam de dar. Não que aqueles que o detinham tivessem agido culposamente e não lhe tenha dado sepulcro digno; III- A "via crucis" experimentada pelos Autores, principalmente a mãe se submetendo à humilhação de exames de DNA em face da dúvida da paternidade, culminou com o triste desenlace: quando da troca entregaram um filho e receberam no lugar de seu filho uma certidão de óbito; IV- "Damnum in re ipsa",cujo valor indenizatório, sem se afastar dos aspectos da reparação, deve atender aos princípios pedagógicos da condenação, a tentativa de, através de condenações significativas, se evitarem novos sofrimentos para aquelas mães que trazem ao mundo filhos queridos. Contudo, esse valor não pode traduzir risco à sobrevivência da instituição; V- Parcial provimento ao primeiro e improvimento ao segundo recurso.
Questão Objetiva 1
(Advogado Júnior da Petrobrás – maio / 2008)
FRUSTRAÇÃO:
A HORA DA VERDADE
Um fracasso pode ser para você um sinal para desistir ou um estímulo para continuar lutando. Depende de sua interpretação. O mundo teve muitos gênios, mas você só tem notícia dos que, mesmo gênios, tinham a humildade e perseverança dos simples. Assim eles venceram as frustrações maciças.
Esse é o diferencial para o sucesso. Vários estudos sobre homens e mulheres de sucesso mostram como ponto em comum a capacidade de persistir além dos fracassos, de suportar a frustração.
Os imigrantes que vieram para o Brasil (sujeitos a condições subumanas, abaixo da linha da pobreza) se tornaram empresários prósperos e, melhor, ensinaram seus filhos a crescerem ainda mais. Transformaram a cultura do sul do país e de São Paulo.
Eles venceram o desafio interior. Venceram a voz que falava: desista, não tem jeito, você não é nem será nunca ninguém...Encontraram uma voz maior que dizia: acredite, vá adiante, não pare agora...
Artistas que sofrem toda uma vida, cientistas que mofam junto com suas culturas bacterianas, pesquisadores que quase desaparecem da história, um dia, têm sua busca recompensada.
Eles venceram porque suportaram o fracasso. Eles venceram na vida porque venceram a luta interior.
A primeira — e mais importante — vitória é sobre a atitude negativa. A atitude negativa destrói a autodisciplina. E quando a disciplina se vai, os alvos também se vão. A chave do sucesso está na capacidade de resistir à frustração maciça.
AYLMER, Roberto. Escolhas.
 RJ: Proclama Editora. 2001.
É INCORRETO afirmar que, no texto, o(a):
(A) desafio interior está em resistir à tentação de não desistir.
(B) referência feita aos imigrantes é um argumento a favor da persistência.
(C) vitória depende de um condicionamento positivo interior do indivíduo.
(D) frustração pode constituir-se num estímulo ao sucesso.
(E) persistência é um dos requisitos que caracterizam a autodisciplina.
Questão Objetiva 2
(Questão 6 do Enade - objetiva – prova de 2004)
Muitos países enfrentam sérios problemas com seu elevado crescimento populacional. Em alguns destes países, foi proposta (e por vezes colocada em efeito) a proibição de as famílias terem mais de um filho. Algumas vezes, no entanto, esta política teve conseqüências trágicas (por exemplo, em alguns países houve registros de famílias de camponeses abandonarem suas filhas recém-nascidas para terem uma outra chance de ter um filho do sexo masculino). Por essa razão, outras leis menos restritivas foram consideradas. Uma delas foi: as famílias teriam o direito a um segundo (e último) filho, caso o primeiro fosse do sexo feminino.
Suponha que esta última regra fosse seguida por todas as famílias de um certo país (isto é, sempre que o primeiro filho fosse do sexo feminino, fariam uma segunda e última tentativa para ter um menino). Suponha ainda que, em cada nascimento, sejam iguais as chances de nascer menino ou menina. Examinando os registros de nascimento, após alguns anos de a política ter sido colocada em prática, seria esperado que
A) o número de nascimentos de meninos fosse aproximadamente o dobro do de meninas.
B) cada família, em média, tivesse 1,25 filho.
C) aproximadamente 25% das famílias não tivessem filhos do sexo masculino.
D) aproximadamente 50% dos meninos fossem filhos únicos.
E) aproximadamente 50% das famílias tivessem um filho de cada sexo.
�
SEMANA 11 
( ALGUMAS ORIENTAÇÕES INICIAIS (
Vimos, ao longo do semestre, as características do texto jurídico-argumentativo e suas condições de produção. Refletimos, ainda, sobre as principais estratégias argumentativas e conhecemos os tipos de argumento disponíveis ao profissional do direito.
Adiante, você encontrará um texto que trata de mais uma questão polêmica: a indenização por danos morais decorrente de falha em dispositivo contraceptivo que possibilita a gravidez de consumidora.
Caso Concreto 
Leia o primeiro caso concreto e identifique cada um dos elementos da argumentação: situação de conflito, tese, contextualização do real e hipóteses. Produza também, em um texto de até 30 linhas, a fundamentação e a conclusão para esse primeiro caso concreto. Sugerimos a leitura do segundo caso concreto para que este lhe sirva de base para a construção do argumento de analogia.
Caso Concreto�1
Letícia dos Santos Pinho, estudante de administração de empresas, 23 anos, moveu uma ação de indenização por danos morais e materiais em face da empresa LKM Contraceptivos, fabricante de uma marca de DIU (Dispositivo Intra-Uterino). Letícia ficou grávida em fevereiro de 2006, após utilizar o produto defeituoso fabricado pela empresa ré. Esse fato obrigou a autora a trancar matrícula no meio do sexto período de seu curso universitário para a realização do parto e posterior período de resguardo. O bebê nasceu em 11 de novembro de 2006.
Certamente, a falta de anseio por um filho naquele momento evidenciou-se pela própria atitude da autora em procurar um método contraceptivo para evitar a gravidez.Tal decisão denota uma conduta consciente, cuidadosa e responsável por parte da autora. A negligência da empresa-ré, ao fabricar um produto defeituoso, resultou em transtornos para a vida acadêmica, afetiva e social da requerente, que pleiteia, além de indenização, pensão alimentícia mensal para a criança até que esta atinja a maioridade.
A autora recusou a solução, aparentemente mais fácil, de praticar um aborto, por ser contrária às suas convicções íntimas e criminosa em face da legislação brasileira. O dano de difícil reparação está ligado ao próprio nascimento da criança. Isso só faz aumentar a necessidade de pensão fixada, para que fique garantida uma boa qualidade de vida à criança, além do pagamento dos gastos com o parto.
Embora a empresa-ré argumente que não haja provas de que o DIU fora de fato usado, nem mesmo que haja nexo causal entre a utilização o produto e a gravidez, foi comprovada a existência de provas da aplicação do DIU na paciente em setembro de 2005, fornecidas por depoimento do médico da paciente e por relatório de médico perito. Além disso, um exame de ultra-sonografia da autora realizado na Clínica Ecomedical, em maio de 2006, comprovou a gravidez de 13 semanas.
Ainda depõe contra a credibilidade da empresa a publicação, em 14 de março de 2006, do edital de n° 32 da Consultoria Técnica e Vigilância Sanitária (COVISA), informando sobre a interdição cautelar de todos os lotes do produto usado, por causa da presença de reações adversas, como gravidez indesejada. Basta haver indícios da existência de nexo causal entre a conduta da empresa-ré de disponibilizar no mercado produto de confiabilidade duvidosa e a gravidez indesejada pela autora, para se exigir a antecipação dos efeitos de tutela.
Em face do exposto, a empresa LKM Contraceptivos deve ser condenada a pagar a Letícia dos Santos Pinho uma indenização por danos morais e materiais no valor de R$ 10.000,00 para ressarcir os gastos com o parto, além de fazer depósitos mensais equivalentes a dois salários mínimos na conta da autora, como garantia de pensão para o sustento da criança até que esta atinja a idade de dezoito anos.
Caso Concreto 2
Eduardo e Mônica estavam casados há quase três anos. No início do casamento, Mônica adotou como método contraceptivo o uso de pílulas, mas problemas de natureza hormonal e vascular levaram a mulher a procurar um médico que a aconselhou a adotar outras formas de evitar a gravidez. Sugeriu que o casal fizesse uso de preservativos.
Pensando na saúde e no bem-estar da mulher, Eduardo não se opôs à utilização do preservativo, ainda que, segundo afirmou na época, não gostasse muito da idéia de continuar a usar preservativos, mesmo depois de casado.
A partir de então, o casal passou a adquirir regularmente camisinhas da empresa Johnson e Johnson Indústria e Comércio Ltda. O produto comprado foi Jontex lubrificado, adquirido na Farmácia Vida Longa. Em 20 de abril de 2007, durante uma relação sexual, a camisinha rompeu e, cerca de quarenta dias depois, Mônica descobriu que estava grávida.
O casal ajuizou ação de indenização por danos morais e pedido de pensão mensal pelo período de 20 anos em face da empresa, sob a alegação de que o produto que utilizava apresentou defeito e isso trouxe graves alterações na dinâmica conjugal, bem como desistência de seus sonhos. Mônica e Eduardo juntavam dinheiro para a aquisição da casa própria e faziam um curso de Pós-graduação, visando melhora salarial e aprimoramento profissional. Segundo os autores, todos esses projetos foram desfeitos de uma só vez.
“Não é que não quiséssemos filhos, mas somente pensávamos nisso a daqui uns cinco ou sete anos; até lá, muita coisa precisava ser preparada. Não sei como vamos nos virar!”, disse Mônica.
A empresa, em contestação, afirmou que a gravidez de uma mulher casada, em decorrência do rompimento do preservativo durante a relação sexual, enquadra-se nos limites do perigo assumido ao utilizar, como método contraceptivo, "um produto que não é cem por cento eficaz".
O Inmetro/RS, o Inmetro/RJ, a Cientec, o Instituto Nacional de Tecnologia, a Fundação Carlos Vanzolini, o Instituto Falcão Bauer de Qualidade e o Instituto Betontec de Avaliação da Conformidade informaram não ser possível a realização da perícia em preservativo já utilizado.
A fabricante apontou, ainda, que “outras questões podem interferir diretamente no desempenho da camisinha: a experiência do usuário no uso de preservativo, tempo e tipo de relação sexual, e tamanho do pênis".
Se julgar conveniente, utilize as fontes a seguir:
De acordo com o advogado Marcos Rosembauer, o rompimento de camisinhas é "caso fortuito que exclui a responsabilidade do fabricante".
Art. 393, CC: O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado.
Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir.
Em caso análogo, a Juíza da 2ª Vara Cível de Porto Alegre dispôs que "em situações como essa, o risco é inerente ao produto, tornando-se impossível falar em responsabilidade decorrente da falta de informação, porquanto a própria bula traz as informações, razão pela qual fica claro que a situação narrada pelos autores caracteriza-se como caso fortuito".
O Desembargador Pedro Kretzmann admitiu que "sendo a ré a fabricante do produto objeto da presente controvérsia, e os autores destinatários finais do bem, a relação havida entre as partes se amolda ao conceito de relação de consumo, estando sujeita, pois, à tutela especial do sistema consumerista". O Magistrado defendeu também que, em casos de rompimento de camisinha, "a responsabilidade da empresa, ante a alegação de vício do produto, é objetiva, bastando a comprovação do dano e do nexo de causalidade, não se discutindo sequer a culpa".
Art. 12, CDC: o fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.
§ 1° - O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:
I - sua apresentação;
II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
III - a época em que foi colocada em circulação.
Art. 6°, CDC: são direitos básicos do consumidor:
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiência;
Questão Objetiva
(TRE Pará – Analista Judiciário – 21/08/2005)
Existe no meio rural uma violência estrutural. Uma violência que decorre da estrutura da posse da terra, do poder econômico dela resultante, do controle político que os senhores das terras exercem sobre a população local. Essa violência mantém enormes contingentes populacionais condenados à miséria, à fome, à dependência, à mendicância, impede que seus filhos tenham acesso à escola, controla seus votos, sua participação política. Impede, em muitas regiões de sertão semi-árido, que pessoas tenham acesso à água, como forma de mantê-las dependentes da boa vontade do senhor das terras e das águas.
Essa violência permanente e estrutural, que impede que os trabalhadores rurais sejam de fato cidadãos independentes, que possam ter um futuro, e melhorar suas condições de vida, é a pior violência que pode existir contra os sem-terra, porque os transforma em excluídosde tudo. Eles são excluídos da própria consciência dos direitos a uma vida com dignidade. Vítimas de uma subjugação atávica, os próprios oprimidos passam a vê-la como natural, ou buscam no sobrenatural religioso as únicas explicações para tanto sofrimento.
João Pedro Stédile. O latifúndio. In: Emir Sader (org.).
Sete pecados do capital. Rio de Janeiro: Record, 1999.
Assinale a opção em que o fragmento de texto conclui, sob a forma de parágrafo, o texto I de modo coerente e em conformidade com a direção argumentativa a ele conferida.
A) A propriedade da terra determina também as relações sociais entre as pessoas no meio rural. Quem tem uma pequena parcela de terra pode trabalhar por conta própria com sua família, garantir pelo menos o sustento de sua família, fruto do próprio suor.
B) A palavra latifúndio vem do latim latifundiu, e era utilizada, já na Roma antiga, para caracterizar o domínio de uma grande área de terra por um único proprietário.
C) Isso explica a ganância dos grandes proprietários que continuam se apropriando de grandes extensões de terra. Quanto mais terra têm, mais terra querem ter. A terra no Brasil é refém da exploração capitalista.
D) Por outro lado, é de se reconhecer que os atuais grandes proprietários de terra adquiriram suas propriedades com o suor do seu trabalho. É injusto, portanto, que espertalhões e exploradores queiram tomar, à força, o fruto do seu trabalho, construído durante gerações.
E) É, portanto, impossível construir uma sociedade mais democrática no Brasil sem questionar o latifúndio. É impossível resolver os problemas da pobreza no meio rural, da desigualdade social no Brasil, sem uma política de redistribuição de terras.
�
SEMANA 12
( ALGUMAS ORIENTAÇÕES INICIAIS (
Vimos, ao longo do semestre, as características do texto jurídico-argumentativo e suas condições de produção. Refletimos, ainda, sobre as principais estratégias argumentativas e conhecemos os tipos de argumento disponíveis ao profissional do direito.
Produza o que se pede na questão.
Caso Concreto 1
Produza fundamentação e conclusão completas a partir do caso concreto:
	Maria Helena Assis e José de Almeida mantiveram um relacionamento estável durante quase 12 anos, e sempre sonharam em se casar. Por serem pessoas simples e de poucos recursos, a noiva (doméstica) e o noivo (tecelão) adiaram o casamento até que pudessem realizá-lo da forma como pretendiam. 
	A cerimônia foi marcada para o dia 21 de janeiro de 2008 na Igreja de São Francisco de Assis, em Juiz de Fora, MG. Em maio de 2007, na empresa Cinderela Modas e Imagens, de propriedade de Joana Araújo, onde Maria Helena alugou um vestido de noiva, o casal contratou o serviço de filmagem e fotografia com o estúdio que funciona no mesmo local. O valor da filmagem (R$180,00) e do álbum (R$150,00) começaram a ser pagos em agosto de 2007, em cinco prestações, juntamente com as prestações relativas ao aluguel do vestido. 
	No dia do casamento, ao chegarem à igreja, os noivos imediatamente procuraram pelos contratados para que pudessem iniciar a sessão de fotos e filmagem, mas eles não haviam chegado. Após 20 minutos de espera, a noiva foi incentivada pelos familiares a entrar na igreja e não esperar mais pelos profissionais, que de fato não apareceram.
	A noiva alegou ter entrado na igreja atônita, sentindo-se ofendida, frustrada, envergonhada e triste, pois o momento sonhado há mais de 10 anos “havia-se tornado um pesadelo”. Por meio de provas testemunhais, comprovou-se que os noivos não puderam desfrutar da festa de casamento; saíram mais cedo da recepção em razão do nervosismo e do constrangimento por que passaram.
	Procurada pelo casal, a proprietária da Cinderela Modas e Imagens disse nada ter com o problema, pois havia cumprido a sua parte que era o aluguel do vestido, não cabendo a ela responsabilidade pelo estúdio de fotografia, embora ele funcione no mesmo local, tenha o mesmo telefone de contato e as mesmas funcionárias de sua empresa.
Se julgar pertinente, recorra às fontes:
Art. 6 - São direitos básicos do consumidor:
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiência;
Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
De acordo com o Código Civil:
Art. 927 - Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.
Art. 186 - Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
Art. 187 - Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.
( CONSULTA À JURISPRUDÊNCIA (
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO DE JANEIRO
2008.001.40436 - APELACAO - DES. CARLOS SANTOS DE OLIVEIRA - Julgamento: 26/08/2008 - NONA CAMARA CIVEL
AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ALEGADA FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE BUFFET E DECORAÇÃO DE CASAMENTO. PROVA CARREADA AOS AUTOS QUE NÃO DEMONSTRA A VIOLAÇÃO A DIREITO DA PERSONALIDADE DA AUTORA. MERO INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. SÚMULA 75 DO TJERJ. DESPROVIMENTO DO RECURSO.- Não se depreende das provas carreadas aos autos a prática de qualquer ato ilícito pela parte ré, a caracterizar a violação de direito assegurado pelo estatuto consumerista, ou suposto descompasso quanto à qualidade e quantidade do serviço efetivamente prestado e do que fora contratado. As fotografias acostadas pela própria autora e a prova testemunhal colhida demonstram que o serviço foi adequadamente prestado. - A única afirmação da exordial confirmada na instrução probatória foi a substituição de um dos itens do jantar por outro, o que foi, no entanto, justificado pela ré. Por outro lado, mesmo que não tivesse a ré apresentado justificativa plausível para a substituição e se considerasse que a alteração do jantar importou em descumprimento contratual, tal fato não bastaria, por si só, para configuração do dano moral afirmado pela autora, uma vez que, na forma de entendimento assentado por este Tribunal de Justiça na súmula nº 75, o simples descumprimento de dever legal ou contratual, por caracterizar mero aborrecimento, em princípio, não configura dano moral, salvo se da infração advém circunstância que atenta contra a dignidade da parte.- Eventual transtorno suportado pela autora decorreu tão-somente de seu fragilizado estado emocional no dia da cerimônia, que extrapolou o previsível nervosismo decorrente da ocasião, convertendo-se em agressividade contra a ré. 
2008.001.08654 - APELACÃO
DES. ROGERIO DE OLIVEIRA SOUZA - Julgamento: 08/04/2008 - DECIMA OITAVA CAMARA CIVEL
FOTOGRAFIA – RESTAURAÇÃO - FATO DO SERVIÇO - DANO MORAL.
Direito do consumidor. Responsabilidade civil. Prestação de serviço de laboratório fotográfico. Restauração. Perda de fotografias antigas. Bem de natureza infungível. Defeito do serviço. Dever de indenizar. Danos morais in re ipsa. A presença dos elementos da responsabilidade civil importa no reconhecimento do dever de indenizar. Na hipótese, o dano moral decorre simplesmente da conduta ilícita, cujas conseqüências danosas são presumíveis, isto é, decorrem do próprio fato.Valor da indenização bem fixado. Conhecimento e desprovimento do recurso. 
Questão Objetiva
(Questão 5 do Enade – objetiva – prova de 2004)
Crime contra Índio Pataxó comove o país (...) Em mais um triste “Dia do Índio”, Galdino saiu à noite com outros indígenas para uma confraternização na Funai. Ao voltar, perdeu-se nas ruas de Brasília (...). Cansado, sentou-se num banco de parada de ônibus e adormeceu. Às 5 horas da manhã, Galdino acordou ardendo numa grande labareda de fogo. Um grupo “insuspeito” de cinco jovens de classe média alta, entre eles um menor de idade, (...) parou o veículo na avenida W/2 Sul e, enquanto um manteve-se ao volante, os outros quatro dirigiram-se até a avenida W/3 Sul, local onde se encontrava a vítima. Logo após jogar combustível, atearam fogo no corpo. Foram flagrados por outros jovens corajosos, ocupantes de veículos que passavam no local e prestaram socorro à vítima. Os criminosos foram presos e conduzidos à 1ª Delegacia de Polícia do DF onde confessaram o ato monstruoso. Aí, a estupefação: ‘os jovens queriam apenas se divertir’ e ‘pensavam tratar-se de um mendigo, não de um índio,’ o homem a quem incendiaram. Levado ainda consciente para o Hospital Regional da Asa Norte – HRAN, Galdino, com 95% do corpo com queimaduras de 3º grau, faleceu às 2 horas da madrugada de hoje. 
Conselho Indigenista Missionário - Cimi, Brasília-DF, 21/4/1997.
A notícia sobre o crime contra o índio Galdino leva a reflexões a respeito dos diferentes aspectos da formação dos jovens. Com relação às questões éticas, pode-se afirmar que elas devem:
A) manifestar os ideais de diversas classes econômicas.
B) seguir as atividades permitidas aos grupos sociais.
C) fornecer soluções por meio de força e autoridade.
D) expressar os interesses particulares da juventude.
E) estabelecer os rumos norteadores de comportamento.
SEMANA 13
( ALGUMAS ORIENTAÇÕES INICIAIS (
Os exames da OAB e as provas para o Enade têm exigido dos formandos capacidade de interpretar textos (jurídicos e não-jurídicos); correlacionar as informações lidas e defender pontos de vista com base nesse repertório de informações.
Visando a uma preparação mais consistente de nossos alunos, desde o início de seus estudos, e esperando que aproveitem essas habilidades para o aprimoramento de sua formação acadêmica, selecionamos os exercícios das três últimas aulas desta disciplina.
Acreditamos que sirvam, também, como excelente oportunidade para revisar o conteúdo estudado em Teoria da Argumentação.
Caso Concreto 1
Texto 1: caso concreto da prova prático-profissional, de direito penal, do Exame de Ordem aplicado em 09/03/2008.
O Ministério Público ofereceu denúncia contra Alexandre Silva, brasileiro, casado, taxista, nascido em 21/01/1986, pela prática de infração prevista no art. 121, caput, do CP.
Consta, na denúncia, que, no dia 10/10/2006, aproximadamente às 21 horas, em via pública da cidade de Brasília – DF, o acusado teria efetuado um disparo contra a pessoa de Filipe Santos, que, em razão dos ferimentos, veio a óbito.
No laudo de exame cadavérico acostado aos autos, os peritos do Instituto Médico Legal registraram a seguinte conclusão: “morte decorrente de anemia aguda, devido a hemorragia interna determinada por transfixação do pulmão por ação de instrumento perfurocontundente (projétil de arma de fogo)”.
Consta da folha de antecedentes penais de Alexandre, um inquérito policial por crime de porte de arma, anterior à data dos fatos e ainda em apuração.
No interrogatório judicial, o acusado afirmou que, no horário dos fatos, encontrava-se em casa com sua esposa e dois filhos; que só saiu por volta das 22 horas para comprar refrigerante, oportunidade em que foi preso quando adentrava no bar; que conhecia a vítima apenas de vista; que não responde a nenhum processo.
Na instrução criminal, Paulo Costa, testemunha arrolada pelo Ministério Público, em certo trecho do seu depoimento, disse que era amigo de Filipe, que aparentemente a vítima não tinha inimigos; que deve ter sido um assalto; que estava a aproximadamente cinqüenta metros de distância e não viu o rosto da pessoa que atirou em Filipe, mas que certamente era alto e forte, da mesma compleição física do acusado; que não tem condições de reconhecer com certeza o ora acusado.
André Gomes, também arrolado pela acusação, disse que a noite estava muito escura e o local não tinha iluminação pública; que estava próximo da vítima, mas havia bebido; que hoje não tem condições de reconhecer o autor dos disparos, mas tem a impressão de que o acusado tinha o mesmo porte físico do assassino.
Breno Oliveira, policial militar, testemunha comum, afirmou que prendeu o acusado porque ele estava próximo ao local dos fatos e suas características físicas correspondiam à descrição dada pelas pessoas que teriam presenciado os fatos; que, pela descrição, o autor do disparo era alto, forte, moreno claro, vestia calça jeans e camiseta branca; que o céu estava encoberto, o que deixava a rua muito escura, principalmente porque não havia iluminação pública; que, na delegacia, o acusado permaneceu em silêncio; que a arma do crime não foi encontrada.
Maíra Silva, esposa de Alexandre, arrolada pela defesa, confirmou, em seu depoimento, que o marido permanecera em casa a noite toda, só tendo saído para comprar refrigerante, oportunidade em que foi preso e não mais voltou para casa; que só tomou conhecimento da acusação na delegacia e, de imediato, disse ao delegado que aquilo não era possível, mas este não acreditou; que o acusado vestia calça e camiseta clara no dia dos fatos; que Alexandre é um bom marido, trabalhador e excelente pai.
Após a audiência, o juiz abriu vista dos autos ao Ministério Público, que requereu a pronúncia do réu nos termos da denúncia.
TEXTO 2: Texto extraído da prova de ingresso para a Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro – 1º semestre de 2007.
Da violência de nossos dias
“[...]
A palavra portuguesa “violência” (como também em outras línguas latinas e mesmo no inglês) vem do latim “violentia”, que significava a “força que se usa contra o direito e a lei”. Violento (violentus) é quem agia com força impetuosa, excessiva, exagerada. O emprego retórico da palavra passou a lhe conferir significados cada vez mais amplos: a violência dos ventos, a violência das paixões, a violência da expressão. E não é senão por violência da expressão primitiva que o termo passou a significar qualquer ruptura da ordem ou qualquer emprego de meios para impor uma ordem. Em alemão, a palavra “gewalt” significa ao mesmo tempo “poder” (no sentido da origem do direito) e “violência” (no sentido de força imposta). Nas línguas latinas, a mesma ambigüidade permeia o emprego de palavras como “poder” e “dominação”, que só conseguem superar plenamente seu duplo sentido quando transformadas em “autoridade”. O que faz a diferença, aqui como em qualquer outra língua, é o quanto de legitimidade (isto é, de anuência ou concordância da parte de quem se encontra sob o poder e a dominação, neste caso sob a autoridade) que se confere ao uso do poder e da violência. A violência, assim, significa o emprego da força ou da dominação sem legitimidade, isto é, na impossibilidade do conflito e da resistência.
As duas características que se mantiveram, através dos tempos, no emprego da palavra “violência”, dizem respeito, portanto, a como se usa e contra quem se usa essa expressão. Raramente alguém diz de si mesmo ser violento, a não ser por expiação de sentimento de culpa. Violento é sempre o Outro, aquele a quem aplicamos a designação. O emprego da palavra é, assim, performativo, isto é, ao empregá-la nós agimos socialmente sobre outrem – seja denunciando uma ação ou uma pessoa, seja acusando um evento ou um sujeito. Violência não é uma expressão apenas descritiva ou neutra, ela já toma partido, se engaja na própria definição do ato ou do ator. O emprego socialmentedenunciador da palavra violência, por isso, tende a reter através dos tempos um significado duro, que em última análise não pode ser negociado ou atenuado: o de um ato que viola (do latim violens) a integridade de um indivíduo, que não lhe permite a reação e que, portanto, transforma-o em mero objeto, numa coisa qualquer a que se pode fazer o que se quiser”.
Michel Misse
TEXTO 3: Texto extraído da prova de ingresso para a Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro – 1º semestre de 2007.
PMs matam jovem que buscava socorro para o pai
Trata-se do caso de dois policiais militares do 3º BPM (Méier) que mataram, na tarde do dia 3 de novembro, o entregador de pizzas Bruno Ribeiro de Macedo, de 19 anos, com um tiro no rosto, num acesso à Favela do Jacarezinho. O rapaz, que estava numa moto, abordou um táxi para que o motorista fosse até a favela socorrer seu pai, João Rodrigues Ribeiro, de 77 anos, pois este estava sofrendo um derrame. Os policiais alegaram que  atiraram no jovem pensando que ele estava assaltando o taxista. O pai acabou morrendo e a mãe, desesperada com as duas perdas, teve um princípio de infarto.O crime aconteceu por volta das 14h30min, na Rua Viúva Cláudio. 
[...] Na delegacia, o soldado disse ter dado dois tiros para o alto primeiramente, mas depois disparou na direção da moto na qual Bruno estava, para evitar que ele fugisse.O policial, autor do disparo, poderá ser indiciado por homicídio doloso, cuja pena é 12 a 30 anos.
A família, revoltada com o acontecido, protestou afirmando que pedirá uma indenização ao estado, pois a polícia não pode sair atirando de forma irresponsável. O advogado indicado pela comunidade para cuidar do caso afirmou que indenização é o de menos:
– O que queremos é justiça para um inocente morto de forma brutal. Falam muito em cidadania, mas que cidadania é essa que têm essas pessoas da comunidade?
Marcus Alencar e Gabriela Moreira
 (Texto adaptado: Jornal O Globo, 4 -5 de nov. 2006)
Texto 4: 
Da falta de prova
Desejo aqui fazer uma reflexão em torno do alcance e das conseqüências de alguém vir a ser absolvido por “falta de provas” na forma do disposto no art. 386, Inc. VI do CPP.
É evidente que para haver condenação há necessidade de que disponha o juiz de prova da materialidade do delito e de que, aproveitando Carrara, a prova seja certa como a lógica e exata como a matemática, no sentido de que o acusado efetivamente foi o autor do delito em julgamento. 
Penso que a denominada falta de provas deva traduzir-se pela existência de alguma prova, mas não de provas suficientes para ensejar uma condenação que é, justamente, hipótese contemplada no art. 386, inc. VI do CPP acima referido. 
A alternativa, “inexistência de provas”, é hipótese contemplada no mesmo artigo 386, par. 4º, do CPP. 
Como se pode aferir a insuficiência de provas?
Claro que é matéria para exame caso a caso.
Vamos supor o caso concreto de alguém que é acusado da prática de um delito juntamente com outros elementos o que, em princípio, faria a autoridade pensar – acredito eu – em ocorrência de concurso de pessoas. 
Que elementos seriam suficientes para afirmar-se como razoável a suposição de que essa pessoa foi de alguma forma partícipe do crime?
Bastaria a acusação de pessoas ouvidas na condição de testemunhas?
Aí, justamente, parece-me, ocorre a primeira dificuldade, o primeiro perigo. 
É que tais testemunhas precisariam sê-lo do fato o que nem sempre acontece tanto pode acontecer por dificuldades naturais da investigação policial quanto por uma má avaliação daqueles que num primeiro momento são arrolados como testemunhas de algo sem, na verdade, o serem.
Poderia aqui lembrar casos práticos, mas certamente basta um exemplo clamoroso daquilo que aqui pretendo dizer.
Refiro-me ao chamado “Caso Daudt” em que seus amigos foram arrolados e mais ou menos disseram a mesma coisa:
A relação entre Daudt e a ex-esposa do então deputado Antônio Dexheimer estaria provocando fortes ciúmes neste último a ponto de Dexheimer tê-lo seguido até seu apartamento e haver encetado fuga ao ver que Daudt o reconhecera.
A questão é que nenhuma das testemunhas assistiu a tal ocorrência ouvindo todas a mesma versão, se assim se pode chamar, do próprio Daudt interessado, acima de tudo, em criar pelo menos dúvidas entre os que o conheciam como homossexual o que não teria fundamento estivesse ele efetivamente a namorar.
No dia do crime, outra “testemunha” foi ouvida que informou ter estado a jantar num restaurante existente nas proximidades e haver ouvido aos disparos que feriram de morte ao ex-deputado... teria corrido para a porta do estabelecimento tendo tempo de ouvir apenas o ruído de um automóvel que rapidamente afastava-se do local. 
Mais ou menos nesse diapasão foram os demais depoimentos colhidos e, ao fim e ao cabo, Antônio Dexheimer acabou sendo absolvido por falta de provas. 
Significa dizer:
Sobre o então Deputado Antônio Dexheimer ficou o estigma de haver assassinado a José Antônio Daudt coisa que muitos ainda hoje afirmam. 
Se me afigura, aí, um caso evidente da necessidade de uma aplicação mais cautelosa do citado parágrafo do art. 386 de sorte a que a absolvição torne-se muito mais clara no sentido de realmente isentar o acusado da prática do crime sempre que a prova ou o que suas vezes faça seja precária e haja de outra parte a negativa de autoria de parte do acusado de forma a não deixar nos espíritos os questionamentos que a aplicação do art. 386, VI do CPP via de regra gera. 
Onde não houver pelo menos um início de prova – que não será a simples afirmativa da autoridade – cabível por uma questão de justiça a absolvição por não haver o réu praticado o delito. 
Na forma do art. 386, Inc. VI sempre resta uma mancha a macular o nome de uma pessoa.
O que aqui vai sendo afirmado naturalmente tem a ver com os casos em que houve negativa de autoria. Sem dúvida, quando o acusado nega a autoria de um delito e a prova colhida não é de molde a justificar uma condenação estou convencido de que impõe-se a solução aqui aventada.
Frederico Eduardo Sobbé
 (Advogado criminalista, ex-chefe de polícia
 do Estado RS)
Articule os textos e elabore uma dissertação argumentativa, de aproximadamente 30 linhas, a respeito do tema:
NOSSO SISTEMA JURÍDICO PERMITE QUE UM CULPADO SEJA JULGADO INOCENTE, MAS NUNCA TOLERA QUE UM INOCENTE SEJA JULGADO CULPADO!
Observação: para desenvolver o texto argumentativo, utilize todo os tipos de argumento que julgar conveniente. Recorra a todo o conteúdo acumulado ao longo da disciplina.
Questão Objetiva 1
(Questão 5 do Enade – prova objetiva – 2005)
Leia trechos da carta-resposta de um cacique indígena à sugestão, feita pelo Governo do Estado da Virgínia (EUA), de que uma tribo de índios enviasse alguns jovens para estudar nas escolas dos brancos.
“(...) Nós estamos convencidos, portanto, de que os senhores desejam o nosso bem e agradecemos de todo o coração. Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa idéia de educação não é a mesma que a nossa. (...) Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltaram para nós, eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportar o frio e a fome. Não sabiam caçar o veado, matar o inimigo ou construir uma cabana e falavam nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, inúteis. (...) Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão concordamos que os nobres senhores de Virgínia nos enviem alguns de seus jovens, que lhes ensinaremos tudo que sabemos e faremos deles homens”.
A relação entre os dois principais temas do texto da carta e a forma de abordagem da educação privilegiada pelo cacique está representadapor:
(A) sabedoria e política / educação difusa.
(B) identidade e história / educação formal.
(C) ideologia e filosofia / educação superior.
(D) ciência e escolaridade / educação técnica.
(E) educação e cultura / educação assistemática.
�
SEMANA 14 
( ALGUMAS ORIENTAÇÕES INICIAIS (
Em continuidade à proposta já explicitada na aula 13, trazemos, adiante, uma questão de prova anterior do Enade.
Caso Concreto 1
(Questão 10 do Enade – discursiva – 2007)
Sobre o papel desempenhado pela mídia nas sociedades de regime democrático, há várias tendências de avaliação com posições distintas. Vejamos duas delas:
Posição I – A mídia é encarada como um mecanismo em que grupos ou classes dominantes são capazes de difundir idéias que promovem seus próprios interesses e que servem, assim, para manter o status quo. Desta forma, os contornos ideológicos da ordem hegemônica são fixados, e se reduzem os espaços de circulação de idéias alternativas e contestadoras.
Posição II – A mídia vem cumprindo seu papel de guardiã da ética, protetora do decoro e do Estado de Direito. Assim, os órgãos midiáticos vêm prestando um grande serviço às sociedades, com neutralidade ideológica, com fidelidade à verdade factual, com espírito crítico e com fiscalização do poder onde quer que ele se manifeste.
Leia o texto a seguir, sobre o papel da mídia nas sociedades democráticas da atualidade - exemplo do jornalismo.
“Quando os jornalistas são questionados, eles respondem de fato: ‘nenhuma pressão é feita sobre mim, escrevo o que quero’. E isso é verdade. Apenas deveríamos acrescentar que, se eles assumissem posições contrárias às normas dominantes, não escreveriam mais seus editoriais. Não se trata de uma regra absoluta, é claro. Eu mesmo sou publicado na mídia norte-americana. Os Estados Unidos não são um país totalitário. (...) Com certo exagero, nos países totalitários, o Estado decide a linha a ser seguida e todos devem-se conformar. As sociedades democráticas funcionam de outra forma: a linha jamais é anunciada como tal; ela é subliminar. Realizamos, de certa forma, uma “lavagem cerebral em liberdade”. Na grande mídia, mesmo os debates mais apaixonados se situam na esfera dos parâmetros implicitamente consentidos – o que mantém na marginalidade muitos pontos de vista contrários”.
Revista Le Monde Diplomatique Brasil, ago. 2007 –
texto de entrevista com Noam Chomsky.
Sobre o papel desempenhado pela mídia na atualidade, faça, em no máximo, 6 linhas, para cada item, o que se pede:
a) escolha entre as posições I e II a que apresenta o ponto de vista mais próximo do pensamento de Noam Chomsky e explique a relação entre o texto e a posição escolhida;
b) apresente uma argumentação coerente para defender seu posicionamento pessoal quanto ao fato de a mídia ser ou não livre.
Questão Objetiva 1
(Questão 7 da prova do Enade – objetiva – 2007)
Desnutrição entre crianças quilombolas
“Cerca de três mil meninos e meninas com até 5 anos de idade, que vivem em 60 comunidades quilombolas em 22 Estados brasileiros, foram pesados e medidos. O objetivo era conhecer a situação nutricional dessas crianças.(...).
De acordo com o estudo,11,6% dos meninos e meninas que vivem nessas comunidades estão mais baixos do que deveriam,considerando-se a sua idade, índice que mede a desnutrição. No Brasil, estima-se uma população de 2 milhões de quilombolas.
A escolaridade materna influencia diretamente o índice de desnutrição. Segundo a pesquisa, 8,8% dos filhos de mães com mais de quatro anos de estudo estão desnutridos. Esse indicador sobe para 13,7% entre as crianças de mães com escolaridade menor que quatro anos. A condição econômica também é determinante. Entre as crianças que vivem em famílias da classe E (57,5% das avaliadas), a desnutrição chega a 15,6%; e cai para 5,6% no grupo que vive na classe D, na qual estão 33,4% do total das pesquisadas.
Os resultados serão incorporados à política de nutrição do País. O Ministério de Desenvolvimento Social prevê ainda um estudo semelhante para as crianças indígenas.”
BAVARESCO, Rafael. UNICEF/BRZ. Boletim, ano 3, n. 8, jun. 2007.
O boletim da UNICEF mostra a relação da desnutrição com o nível de escolaridade materna e a condição econômica da família. Para resolver essa grave questão de subnutrição infantil, algumas iniciativas são propostas:
I − distribuição de cestas básicas para as famílias com crianças em risco;
II − programas de educação que atendam a crianças e também a jovens e adultos;
III − hortas comunitárias, que ofereçam não só alimentação de qualidade, mas também renda para as famílias.
Das iniciativas propostas, pode-se afirmar que:
(A) somente I é solução dos problemas a médio e longo prazo.
(B) somente II é solução dos problemas a curto prazo.
(C) somente III é solução dos problemas a curto prazo.
(D) I e II são soluções dos problemas a curto prazo.
(E) II e III são soluções dos problemas a médio e longo prazo.
�
SEMANA 15 
( ALGUMAS ORIENTAÇÕES INICIAIS (
Em continuidade à proposta já explicitada na aula 13, trazemos, adiante, uma questão de prova anterior do Enade.
Caso Concreto 1
(Questão 9 do Enade – discursiva – 2007)
Leia, com atenção, os textos a seguir.
	“Amo as árvores, as pedras, os passarinhos. Acho medonho que a gente esteja contribuindo para destruir essas coisas.”
“Quando uma árvore é cortada, ela renasce em outro lugar. Quando eu morrer, quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz.”
Antônio Carlos Jobim. JB Ecológico. Ano 4, no 41, jun. 2005, p.65.
	Desmatamento cai e tem baixa recorde
O governo brasileiro estima que cerca de 9.600 km2 da floresta amazônica desapareceram entre agosto de 2006 e agosto de 2007, uma área equivalente a cerca de 6,5 cidades de São Paulo. Se confirmada a estimativa, a partir de análise de imagens no ano que vem, será o menor desmatamento registrado em um ano desde o início do monitoramento, em 1998, representando uma redução de cerca de 30% no índice registrado entre 2005 e 2006. (...)
Com a redução do desmatamento entre 2004 e 2006, “o Brasil deixou de emitir 410 milhões de toneladas de CO2 (gás do efeito estufa). Também evitou o corte de 600 milhões de árvores e a morte de 20 mil aves e 700 mil primatas. Essa emissão representa quase 15% da redução firmada pelos países desenvolvidos para o período 2008-2012, no Protocolo de Kyoto.” (...)
“O Brasil é um dos poucos países do mundo que tem a oportunidade de implementar um plano que protege a biodiversidade e, ao mesmo tempo, reduz muito rapidamente seu processo de aquecimento global”.
SELIGMAN, Felipe. Folha de S. Paulo - Editoria de Ciência, 11 ago. 2007
(Adaptado).
	Soja ameaça a tendência de queda, diz ONG
Mesmo se dizendo otimista com a queda no desmatamento, Paulo Moutinho, do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), afirma que é preciso esperar a consolidação dessa tendência em 2008 para a “comemoração definitiva”.
“Que caiu, caiu. Mas, com a recuperação nítida do preço das commodities, como a soja, é preciso ver se essa queda acentuada vai continuar”, disse o pesquisador à Folha. 
“O momento é de aprofundar o combate ao desmatamento”, disse Paulo Adário, coordenador de campanha do Greenpeace.
Só a queda dos preços e a ação da União não explicam o bom resultado atual, diz Moutinho. “Estados como Mato Grosso e Amazonas estão fazendo esforços particulares. E parece que a ficha dos produtores caiu. O desmatamento, no médio prazo, acaba encarecendo os produtos deles”.
GERAQUE, Eduardo. Folha de S. Paulo. Editoria de Ciência. 11 ago. 2007 (Adaptado)
A partir da leitura dos textos motivadores, redija uma proposta, fundamentada em dois argumentos, sobre o seguinte tema:
Em defesa do meio ambiente
Procure utilizar os conhecimentos adquiridos, ao longo de sua formação, sobre o tema proposto.
Questão Objetiva 1 
(Questão 2 da prova do Enade– objetiva – 2005)
	
	
O Governo Federal deve promover a inclusão digital, pois a falta de acesso às tecnologias digitais acaba por excluir socialmente o cidadão, em especial a juventude.
(Projeto Casa Brasil de inclusão digital começa em 2004. In: MAZZA, Mariana. JB online.)
	Comparando a proposta acima com a charge, pode-se concluir que:
(A) o conhecimento da tecnologia digital está democratizado no Brasil.
(B) a preocupação social é preparar quadros para o domínio da informática.
(C) o apelo à inclusão digital atrai os jovens para o universo da computação.
(D) o acesso à tecnologia digital está perdido para as comunidades carentes.
(E) a dificuldade de acesso ao mundo digital torna o cidadão um excluído social.
	
Tese B (réu)
Tese A (autor)
Interpretação B
Interpretação A
FATO
JURÍDICO
fato ou prova extraídos da contextualização do real.
conector de causa: “já que”, “uma vez que”, etc.
a possibilidade redigida com o verbo no futuro do pretérito.
fato ou prova extraídos da contextualização do real.
conector de condição: “se”, “caso”, etc.
a possibilidade redigida com o verbo no futuro do pretérito.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: leia sobre as formas de composição (judicial e extrajudicial) de conflitos.
� A esse respeito, leia, também, CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org.). Interpretação e produção de textos aplicadas ao Direito. Projeto Livro Universitário (WWW.livrouniversitario.com.br). Rio de Janeiro: Forense, 2008, capítulo 1.
� CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org.). Lições de argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense, 2008, capítulo 2.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: a esse respeito, leia, também, CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de Responsabilidade Civil. 6. ed. Rio de Janeiro: Malheiros, 2008.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: leia um pouco sobre a questão da competência para julgar esse tipo de caso.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: leia um pouco sobre concurso de crimes.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: a esse respeito, ler, também, no art. 14, §3º, CDC, as causas excludentes de responsabilidade do prestador de serviços.
� Caso concreto disponível na prova do XLII Concurso para Ingresso na Magistratura de Carreira do Estado do Rio de Janeiro.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: ainda é um pouco polêmica a atribuição de responsabilidade civil às empresas de ônibus (transporte) em decorrência de certos eventos como assalto dentro do coletivo e morte de passageiros por bala perdida. Aconselhamos uma pesquisa jurisprudencial comparativa em diversos tribunais.
� Disponível em: <http://www.ibedec.org.br/cons_ver_julgados.asp?id=6&tipo=2>. Acesso em: 22 de outubro de 2008.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: leia, a esse respeito, a bibliografia sugerida na disciplina Introdução ao estudo do direito, que trata dos conceitos de “direito positivo, subjetivo, natural, etc.”. Sugerimos, também, a leitura da obra O caso dos exploradores de cavernas, que recorre, em certos pontos, a esses conceitos.
� CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org). Lições de argumentação jurídica. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2008, capítulo 1.
� Diário de Cuiabá. Capa. Domingo, 17 de fevereiro de 2008. Edição nº 9641 24/06/2000. Disponível em: <http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=9595&edicao=9641&anterior= 1> Acesso em: 17 de fevereiro de 2008.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: reflita sobre a razoabilidade dessa prisão, com base nas idéias de potencial ofensivo do delito, princípio da bagatela ou da insignificância, grau de lesividade ao bem jurídico alheio, etc.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: reflita sobre a importância dos costumes como fonte do direito.
� Caso concreto adaptado e extraído do Exame da OAB de 2008.1 - 2ª fase - Direito Civil e Direito Processual Civil.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: A ação de reconhecimento de paternidade popularizou-se, em especial, com o advento da realização do exame de DNA e o acesso da população mais carente a esse exame. Leia também sobre “vínculo jurídico” e sobre a obrigação de o homem realizar esse exame. Quais as conseqüências jurídicas se o teste não for realizado?
� Trecho disponível na bibliografia recomendada para esta aula.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: sugerimos a leitura do subtítulo referente aos alimentos no Código Civil (art. 1694 ao art. 1710)
� Caso concreto adaptado a partir da Prova de Direito Civil do XLII Concurso para a Magistratura do Estado do Rio de Estado.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: no estudo das obrigações, busque se informar sobre as diferenças entre obrigação de meio e obrigação de resultado. Na prestação de serviços na área médica, essa questão terá especial relevância.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: leia a respeito do princípio da informação que se insere no estudo dos direitos do consumidor (art. 6º, III, CDC).
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: para refletir sobre a questão da demonstração, investigue, também, sobre os meios de prova disponíveis em direito.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: pesquise sobre as formas de composição extra judicial.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: busque, com seu professor de Psicologia Aplicada ao Direito, informações sobre como a Psicologia pode contribuir com a ciência jurídica na composição dos conflitos na área de direito de família.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: busque na Internet algumas informações sobre o instituto denominado “bem de família”.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: o dano moral decorrente das relações familiares é tese recente, ainda em discussão tanto na doutrina quanto na jurisprudência. Alguns autores entendem que o sofrimento decorrente dos conflitos familiares são inerentes a esse tipo de relação, ou seja, são aborrecimento natural e, portanto, não podem motivar indenização.
� Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/ wiki/Mudan%C3%A7a_de_sexo)>. Acesso em: 20 de novembro de 2008.
� Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=6504>. Acesso em: 20 de novembro de 2008.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: a “reforma do judiciário” engloba uma série de temas de grande relevância não apenas para os profissionais do direito, como também para os estudantes dessa párea do conhecimento: celeridade processual, efetividade da justiça, razoabilidade, nepotismo, justiça social, etc. Há vários informativos nos sites dos Tribunais de Justiça de cada estado a respeito de temas dessa natureza. Sugerimos fazer uma visita a esses locais e conferir.
� Fimose é a condição da impossibilidade de a criança ou de o adulto exteriorizar a glande (cabeça) do pênis pela presença de uma alteração da pele que recobre o órgão genital masculino chamada de prepúcio, que de forma congênita (o indivíduo nasce com ela) ou adquirida ao longo dos anos, apresenta um estreitamento localizado. Disponível em: <http://www.fimose.com.br/index.php?modulo=oquee>. Acesso em: 07 de novembro de 2008.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: a temática enfrentada sugere a necessidade de se rever uma série de normas de natureza estruturante: arts. 186, 187 e 927, CC.
� O caso concreto foi adaptado a partir de reportagem disponível no “Jornal da Ordem”, sobre processo julgado pela 4ª Turma do TRT-2, de São Paulo, em uma reclamação trabalhista julgada em dezembro de 2007. Disponível em <http://www.jornaldaordem.com.br/noticia_ler.php?idnoticia=9922>. Acesso em: 20 de novembro de 2008. Nomes e elementos de identificação dos envolvidos foram alterados, mas a essência dos argumentos discutidos no processo (Proc. nº 0.129.020.052.420.200-9) foram mantidos.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: as razões que motivam a demissão por justa causa, na justiça trabalhista, estão listadas em rol taxativo, no art. 482, da CLT.
� Os trechos entre aspas, no texto, foram copiados do voto do Relator.
� Sinônimo de “embriagado”, “bêbedo”.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: em Introdução ao Estudo do Direito, estudam-se os conceitos de “vínculo jurídico” e “vínculo processual”.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR:a indenização apresenta caráter compensatório para a vítima do evento, mas também não deve ser afastado o caráter pedagógico da indenização.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: o Código de Defesa do Consumidor é um microssistema que possui princípios próprios. Conhecer os princípios que regem determinada disciplina é fundamental para o sucesso do profissional do direito; além de coerência nos raciocínios, a principiologia favorece a razoabilidade.
� O caso concreto utilizado nesta aula foi transcrito da segunda fase do 133º Exame de Ordem - SP.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: vale conferir os conceitos de tipicidade; causas de aumento e de diminuição da pena; atenuantes e agravantes; lesividade, etc.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: discute-se a possibilidade de a arma de brinquedo caracterizar o previsto no art. 157, § 2º, I, CP.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: leia sobre os princípios da ampla defesa e do contraditório.
� ESTUDO INTERDISCIPLINAR: verifique na doutrina e na jurisprudência a importância e a validade das falas das testemunhas no processo criminal.
� Texto de Damásio de Jesus. Disponível em <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=2590>. Acesso em: 20 de novembro de 2008.
� Disponível em: < http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7474>. Acesso em: 20 de novembro de 2008.
� Texto adaptado.

Mais conteúdos dessa disciplina