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Coordenadores 
Rosemary de Oliveira Pires Afonso 
Geraldo Magela Melo 
Platon Teixeira de Azevedo Neto 
Renato César Cardoso 
Rômulo Soares Valentini 
Cynthia Lessa da Costa 
Direito, Trabalho e Justiça: 
Novos Horizontes 
Estudos em homenagem , 
ao Professor Antônio Alvares da Silva 
Belo Horizonte 
2021 
~~STJTLÍTO IRT~ 
f DE DIREITO 00 TRABALHO 
; E GESTÃO SINDICAL 
INSTITUTO IRTM" ! 
Todos os direitos reservados à Editora RTM. 
OE DIREITO 00 TRABALHO 
E GESTÃO SINDICAL 
Proibida a reprodução total ou parcial, sem a autorização da Editora e do( a) Autor( a). 
As opiniões emitidas em artigos de Revistas, Site e livros publicados pela Ed itora RTM 
(Instituto RTM de Direito do Trabalho e Gestão Sindical) são de inteira responsabilidade de seus autores. 
e não refletem necessariamente, a posição da nossa editora e de seu editor responsável. 
D598 Direito, trabalho e justiça: novos horizontes. Estudos em 
homenagem ao professor Antônio Álvares da Silva I 
Rosemary de Oliveira Pires Afonso(coord.) ... [et. al.] - Belo 
Horizonte: RTM, 2021 . 
323 p.: il. - Inclui bibliografia. 
I. Direito do trabalho - Brasil. 2. Justiça do trabalho ­
Brasil. 3. Silva,Antônio Álvares da. L Afonso, Rosemary de 
Oliveira Pires (coord.). 
li. Título. 
CDU331 (81) 
Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Me ire Luciane Lorena Queiroz CRB 6/2233. 
JSBN: 978-65-5509-076-5 
Editoração Eletrônica e Projeto Gráfico: 
Equipe RTM 
Capa: Equipe RTM 
Editor Responsável: Mário Gomes da Silva 
Revisão: os articulistas 
Conselho Editorial: 
Adriane Reis de Araújo 
Adriano Jannuzzi Moreira 
Amauri César Alves 
Andréa d~ Campos Vasconcellos 
Antônio Alvares da Silva 
Antônio Fabrício de Matos Gonçalves 
Bruno Ferraz Hazan 
Carlo Cosentino 
Carlos Henrique Bezerra Leite 
Cláudio Jannotti da Rocha 
Cléber Lúcio de Almeida 
Daniela Muradas Reis 
Delaíde Alves Miranda Arantes 
Elaine Noronha Nassif 
Ellen Mara Ferraz Hazan 
Fernado Maciel 
Gabriela Neves Delgado 
Giovani Clark 
Gustavo Seferian 
Jorge Luiz Souto Maior 
José Reginaldo Inácio 
Juliana Teixeira Esteves 
Leonardo Tibo Barbosa Lilila 
Lívia Mendes Moreira Miraglia 
Editora RTM- Instituto RTM de Direito do Trabalho 
e Gestão Sindical 
Rua João Euflásio, 80- Bairro Dom Bosco BH­
MG - Brasil - Cep 30850-050 
Te I: 31-3417-1628- WhatsApp: (31) 99913-9998 
E-mail: rtmeducacional@yahoo.com.br 
Site: www.editorartm.com.br 
Loja Virtual: www.rtmeducacional.com.br 
Lorena Vasconcelos Porto 
Lutiana Nacur Lorentz 
Marcella Pagani 
Marcelo Fernando Borsio 
Márcio Túlio Viana 
Maria Aparecida Gugel 
Maria Cecília de Almeida Monteiro Lemos 
Maria Cecília Máximo Teodoro 
Maria Rosaria Barbato 
Nasser Ahmad Allan 
Ney Maranhão 
Raimundo Cezar Britto 
Raimundo Simão de Mello 
Renato César Cardoso 
Ricardo José Macedo de Britto Pereira 
Rômulo Soares Valentini 
Ronaldo Lima dos Santos 
Rosemary de Oliveira Pires Afonso 
Rúbia Zanotelli de Alvarenga 
Sandro Lunard Nicoladeli 
Sayonara Grillo Coutinho Leonardo da Silva 
Valdete Souto Severo 
Vitor Salino de Moura Eça 
Wânia Guimarães Rabê llo de Almeida 
Direito, Trabalho e Justiça: Novos Horizontes- Estudos em homenagem ao Professor Antônio Álvares da Silva 
AS PROVAS DIGITAIS E O FUTURO DO PROCESSO DO TRABALHO 
Platon Teixeira de Azevedo Neto 1 
Carolina Vieira de Oliveira1 
1 INTRODUÇÃO 
Em primeiro lugar, não podemos deixar de expressar a nossa imensa satisfação em 
participar dessa justíssima homenagem ao eminente Professor Antônio Álvares da Silva. 
Sobre o ponto a ser desenvolvido, vale dizer, de plano, que há um ponto de conexão entre a 
tecnologia digital e a prova: ambas informam fatos. Pela tecnologia, é hodiernamente possí­
vel saber o trajeto, a rotina, os contatos, os hábitos, os gostos de um indivíduo. A sociedade 
em rede, movimentada pela conexão entre seus membros, materializa-se em sociedade de 
redes sociais. Redes que informam. Como livros que estampam não apenas faces, mas a 
totalidade da vida daqueles que os compõem, não sendo meros facebooks. Ao dizer muito 
sobre indivíduos e suas conexões, a tecnologia paulatinamente tornou-se meio de "contar a 
verdade". Ou de expor a verdade que lhe é contada. Não fica difícil, então, perceber por que 
a tecnologia poderia interessar tanto aos meios probatórios em ritos processuais, que pre­
tendem informar ao juiz e às partes (adotando a concepção contemporânea de que as provas 
também se dirigem a elas), uma verdade formal que se aproxime cada vez mais da "verdade 
real". E a verdade sempre foi algo caro e bastante buscado pelo nosso querido homenageado, 
Professor Antônio Álvares, em sua brilhante carreira como professor e magistrado. 
Algo que certamente permeará o futuro do processo do trabalho é a prova digital. 
Seguramente trata-se de meio mais fidedigno para se alcançar a verdade, pois a prova teste­
munhal, como se sabe, pode nem sempre ser a ponte mais fiel para se chegar à realidade dos 
fatos. E a discussão, no ramo trabalhista, possui extremo relevo, diante da centralidade da 
instrução na Justiça especializada. 
Fazendo uso do método indutivo, o estudo parte da discussão de alguns casos singula­
res, visando conclusões plurais acerca do uso das provas digitais, no sentido de que as 1~ovas 
tecnologias importarão na remodelação da instrução trabalhista, matizando uma realidade 
em que a tecnoprova seja a principal interface entre a verdade dos fatos e o processo. Para 
confirmação desta hipótese, a discussão percorrerá o seguinte encadeamento: primeiramen­
te, serão apresentados os novos meios de provas digitais, oriundas das novas tecnologias (as 
então tecnoprovas), que têm sido crescentemente utilizadas na Justiça do Trabalho, introdu­
zindo o interlocutor a essa nova realidade. 
Em seguida, discutir-se-á como ocorre a formação da convicção em torno das tec­
noprovas, ou seja, sua valoração, margeada por possíveis adequações decorrentes da ne­
cessária observância à ética digital e às fronteiras da nova Lei Geral de Proteção de Dados. 
Após, como meio de ampliar a discussão acerca da viabilidade do uso das tecnoprovas, serão 
abordados os meios de registro, autenticação e validação destas técnicas capazes de lhes 
conferir maior confiabilidade. Por fim, o mote central do texto: a discussão, sob um olhar 
prospectivo, do possível futuro cenário de prevalência das provas digitais em processo do 
1 Platon Teixeira de Azevedo Neto é Doutor em Direito pela UFMG. Mestre em Direitos Humanos pela 
UFG. Professor Adjunto de Direito Processual do Trabalho da UFG. Titular da Cadeira no 3 da Academia 
Goiana de Direito. Juiz Auxiliar da Direção da ENAMAT (Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento 
de Magistrados do Trabalho) . Juiz Titular da Vara do Trabalho de São Luís de Montes Belos/GO do TRT da 
18a Região/GO. 
2 Carolina Vieira de Oliveira é Advogada. Mestranda do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em 
Direitos Humanos da Universidade Federal de Goiás. Pós-graduanda em Direito e Processo do Trabalho pela 
Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduada em Direito pela U niversidade Federal de Goiás. 
242 
Direito, Trabalho e Justiça: Novos Horizontes- Estudos em homenagem ao Professor Antônio Álvares da Silva 
trabalho, abarcando a hipótese da transição dos meios probantes tradicionais para a instrução 
high tech. 
2 INSTRUÇÃO HIGH TECH: A "TECNOPROVA" COMO NOVO MEIO PRO­
BANTE NA JUSTIÇA DO TRABALHO 
Desde o seu nascedouro, na década de 40 do século passado, a Justiça do Trabalho 
conferiu considerável valor à prova testemunhal. Não obstante, é relevante consignar que, 
com exceção da confissão real (considerada a "rainha das provas"), não há supremacia a 
priori de qualquer das provas no processo do trabalho. Além disso, vale ressaltar que a pecu­
liaridade do direito material trabalhista, com a necessidade de proteção à parte mais fraca da 
relação laboral , com o constante receio de perda de emprego por parte do trabalhador, leva a 
um sistemático questionamento da prova pré-constituída nos autosdos processos trabalhis­
tas. Ademais, diante do princípio da primazia da realidade que norteia o direito material, a 
prova testemunhal possui importância destacada, por trazer vivacidade às realidades fáticas. 
Assim, frequentemente, a prova documental é desconstituída por depoimentos testemunhais 
que, contudo, nem sempre, expressam a verdade. 
No dia a dia das audiências trabalhistas, seja nas presenciais seja nas realizadas por 
videoconferência em meio à pandemia do coronavírus (COVID-19), as testemunhas ma­
nifestam percepções do que presenciaram nas relações intersubjetivas materiais, às vezes 
comprovando fatos verdadeiros, e às vezes - obnubiladas por percepções equivocadas, até 
mesmo influenciadas pelo seu próprio subconsciente ou premida pelas pressões vindas de 
diversas formas, chegando a coações físicas e psicológicas, e até mesmo estimuladas por 
vantagens ou promessas de benefícios financeiros - manifestam inverdades ao magistrado 
instrutor do feito. 
As possibilidades de condenação por crime de falso testemunho (Código Penal, art. 
342) e de imposição de multa à testemunha mentirosa ou que omite fatos essenciais ao julga­
mento da causa (CLT, art. 793-D, conforme previsão incluída pela Reforma Trabalhista- Lei 
13.467/20 17) não se mostraram suficientes para inibir condutas inadequadas de pessoas que 
trazem mentiras aos autos processuais motivadas por pressões de terceiros ou pela própria 
intenção de beneficiar ou prejudicar alguém. 
Desse modo, trazendo perspectiva do fim das incertezas causadas pela frágil prova 
testemunhal, a internet e as redes sociais têm sido campo extremamente fértil para produção 
de provas por meios digitais. Sabemos que o uso de informações extraídas da internet, de re­
des sociais e, também, de aplicativos de comunicação instantânea não é novidade. Inúmeros 
casos já foram resolvidos com base em informações constantes de páginas de internet ou de 
perfis em redes sociais, bem como por sistemas de comunicação como o Whatsapp. A título 
de exemplo, podemos mencionar o caso de um empregado dispensado por justa causa por 
ter divulgado mensagem difamatória contra a empresa em sua página pessoal no FacebooF 
Além deste, houve o caso de uma empregada que se ausentou do trabalho por um suposto 
problema de saúde, tendo apresentado atestado médico falso, porém ficou provado, por meio 
de registros em redes sociais que, na realidade, a trabalhadora estava participando da 16a 
Maratona do Rio de Janeiro4
• E um terceiro caso a ser citado, dentre tantos outros, é de um 
assédio sexual comprovado por meio de conversas pelo WhatsApp e degravação de áudios5
• 
Ou seja, com base em provas digitais colhidas em fontes abertas na internet, a Justiça 
do Trabalho vem resolvendo vários casos, como de justa causa e de assédio moral e sexual, 
3 Cf.: https://www.conjur.com.br/20 18-jan-16/juiz-confirma-justa-causa-ofensa-empresa-redes-sociais# . 
Acesso em : 30 jun . 2021. 
4 C f.: https :/I og I o bo . g I o bo .com/economia/enfermeira-usa -atestado-para-justificar-f ai ta-ao-trabalho-mas-de­
mitida-apos-publicar-fotos-de-maratona-14230490. Acesso em: 30 jun. 2021. 
5 C f.: http ://www.csjt.jus.br/web/csjt/notici as-dos-trts/ -/asset_publ isher/ q2W d/ content/ conversa-no-whatsa­
pp-e-considerada-como-prova-de-assedio-sexual-em-goiania. Acesso em: 30 jun. 2021. 
243 
Direito, Trabalho e Justiça: Novos Horizontes- Estudos em homenagem ao Professo r Antônio Álvares da Si lva 
mas é possível ainda avançar para a solução de outros casos como referentes a horas extras 
mo~ente usan~o dados de geolocalização, e sobre essas n~vas fontes de prova aptas a so~ 
luc1onar novas Situações falaremos a seguir. 
3 J?A VALORAÇÃO DA PROVA DIGITAL E POSSÍVEIS INCONSISTÊNCIAS. 
A ETICA DIGITAL E AS FRONTEIRAS DA LGPD 
O valor de uma prova consiste na força que possui como formadora de convicção em 
um processo. Seu propósito é demonstrar o fato e eliminar controvérsias sendo portanto 
el~mento das inúmeras situações que po­
dem ser atingidas pela LGPD quando falamos em relações de trabalho. Entrevistas 
de emprego; recebimento de currículos; f ormalização de contratos e aditivos; re­
alização de exames; recebimento de atestados; compartilhamento de dados com 
seguradoras, planos de saúde, entidades sindicais; rescisão contratual; acesso ao 
Poder Judiciário, entre tantas outras, fazem parte do cotidiano de qualquer empre­
gador e/ou contratante, já que em qualquer das hipóteses ocorre o "tratamento" 
de dados. Ultrapassado o momento inicial que antecede a formalização da relação 
(envio de currículos e entrevistas), bem assim o ato da própria admissão e/ou 
contratação, ora abrangidas pelos dispositivos acima suscitados, outras situações 
específicas, e que podem ocorrer no curso ou no término dos contratos, também 
foram objeto de autorização expressa do legislador, tais como: (a) exercício re­
gular de direito em processo judicial (artigo 7~ VI, e artigo 11, inciso 11, alínea 
''d " - utilização de dados em eventual reclamação trabalhista, por exemplo) e 
(b) para proteção da vida e incolumidade física do próprio titular (artigo 7°, V li, e 
artigo 11 , inciso li, alínea ' e ' ) (grifos nossos). 
A utilização dos dados do trabalhador em eventual reclamação trabalhista é tema afeto 
à produção de provas, bem como dados relacionados ao interesse legítimo do empregador, 
que se encaixa no art. 7°, inciso IX, da LGPD. Pela previsão deste inciso, "o empregador 
poderá obter dados pessoais sem o consentimento quando houver um interesse legítimo do 
controlador no uso desses dados, desde que não haja violação de direitos e liberdades funda­
mentais do ti tu lar que exijam a proteção dos dados 7 ." A celeuma existe em torno da definição 
do que se configuraria como " interesse legítimo" a justificar a obtenção de dados pessoais. 
Fato é que, configurando-se a LGPD como uma lei que preconiza a proteção à privacidade e 
à intimidade, seus dispositivos devem ser utilizados com o fim único de proteção do titular 
dos dados pessoais, remetendo novamente à discussão de provas digitais que se caracterizam 
como ilícitas por se configurarem como meios ilegítimos de obtenção de dados, sem obser­
vância de direitos e liberdades fundamentais. 
A problemática em torno da prova digital no Processo do Trabalho gira especialmente 
em torno da temática da violação da esfera da intimidade e privacidade, quando obtidas por 
meios não legítimos, ou em ocasiões em que, a despeito da possibilidade de obtenção de 
dados ressaltada pela LGPD, o empregador o faz com interesse ilegítimo, violando direitos 
e liberdades fundamentais. Tais questões sensíveis devem ser consideradas pelo julgador 
quando da valoração da prova, sendo elemento para a formação de convicção e confiabili­
dade sobre eventual tecnoprova apresentada. Quanto à confiabilidade, destaca-se também 
a autenticidade da prova digital apresentada. É quando entram em tela os mecanismos de 
reg istro e validação das provas digitais, aliados indispensáveis para pensar a remodelação da 
arquitetura processual pela inteligência artificial com a devida segurança. 
6 ALV ES, Amauri Cesar; ESTRELA, Catarina Galvão. Consentimento do trabalhador para o tratamento de 
seus dados pelo empregador: análise da subordinação jurídica, da higidez da manifestação de vontade e da 
vulnerabilidade do trabalhador no contexto daLGPD. Síntese. V. 31 , n. 375,2020. p. 25-39. 
7 BOLDRIN, Paulo Henrique Martinucci ; CORREIA, Henrique. Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e 
o Dire ito do Trabalho. Disponível em Acesso em: 30 jun. 2020. 
245 
Direito, Trabalho e Justiça: Novos Horizontes- Estudos em homenagem ao Professor Antônio Álvares da Silva 
4 BLOCKCHAIN E ATA NOTARIAL: MECANISMOS DE REGISTRO E VALI­
DAÇÃO DAS PROVAS DIGITAIS 
Diante da possibilidade de falseamento de provas eletrônicas, o próprio ordenamento 
jurídico buscou instrumentos para garantir sua validação e autenticidade. De fato , os prin­
cípios constitucionais permeiam a sistemática processual, e o princípio do contraditório é 
estruturante quando da apresentação de provas em juízo. 
A citada infraestrutura de chaves públicas brasileira foi instituída pela MP 2200-
2/2001, para garantia da autenticidade, integridade e validade jurídica de documentos em 
forma eletrônica, das aplicações de suporte e das aplicações habilitadas que utilizem certi­
ficados digitais, bem como a realização de transações eletrônicas seguras. Instrumentos que 
devem ser utilizados quando da autenticação das provas eletrônicas. 
O diploma processual, por sua vez, garante instrumento capaz de preservar e dar pre­
sunção de autenticidade às mídias digitais. Trata-se da Ata Notarial, que vem insculpida no 
art. 384 do Código de Processo Civil. Por se tratar de um instrumento público, a ata notarial 
é dotada de fé pública, gozando de presunção de autenticidade. A declaração de autentici­
dade do tabelião confere presunção de veracidade à prova, mas não absoluta. Isto é, não se 
pode, a partir dela, inferir a autenticidade do conteúdo apenas porque a ata lavrou o que era 
exibido. Deve, como tal , ser considerada como presunção relativa, que pode ser questionada 
em juízo. Nessa forma, poderão ser registradas em ata notarial conversas telefônicas, tro­
cas de mensagens em chats privados, publicações nas redes sociais da web, conteúdos de 
e-mails, imagens e vídeos. Novamente, quanto a conversas, e-mails, trocas de mensagens, 
necessário observar a existência de bilateralidade, da participação daquele que utiliza a 
prova nas comunicações acostadas, para que não haja configuração de prova ilícita. Os 
ditames da ética digital , orientando a não divulgação de conversas alheias e a não violação 
da privacidade do trabalhador através da obtenção de provas por meios escusos, devem ser 
observados. 
Por sua vez, a própria inteligência artificial encarregou-se de elaborar meios de au­
tenticação eletrônica, destacando-se, entre eles, o blockchain. 
O advento do blockchain traz possíveis soluções para a segurança e autenticação dos 
dados porque a criptografia se torna uma parte padrão de suas aplicações. Repositórios 
centrais de informações são menos vulneráveis a perdas de dados ou violações, porque o 
armazenamento se baseia na criptografia. Usando tal sistemática em provas digitais, ga­
nha-se em aumento de grau de confiabilidade e segurança acerca da autenticidade. 
Atuando como elemento de informação, a confiabilidade da prova afetará a presença 
de conceitos como verossimilhança e verdade real. Provas digitais falsas assemelham-se à 
mesma tônica de corrupção de provas testemunhais que se associam a interesses a favor do 
conflito. O controle de autenticidade das tecnoprovas é meio de conferir a confiabilidade 
necessária para que estas se apresentem como mais vantajosas para obtenção da verdade 
dos fatos com precisão. Seguindo essa tendência, as provas digitais convidam a repensar 
a arquitetura da instrução em processo do trabalho, podendo importar na preterição dos 
meios probatórios tradicionais até então prestigiados. 
5 "TECNOPROVA" E REVOLUÇÃO: LOGOUT DA PROVA TESTEMUNHAL 
E OUTROS MEIOS INSTRUTÓRIOS TRADICIONAIS? 
Não se vislumbra, a curto e médio prazo, o fim da prova testemunhal na Justiça do 
Trabalho. Até porque sempre haverá espaço para discussão da veracidade das pretensas com­
provações feitas por outros meios. No entanto, é certo que há uma tendência cada vez mais 
fotte de utilização de provas digitais nos autos de ações trabalhistas. E novas possibilidades 
começam a surgtr. 
246 
Direito, Trabalho e Justiça: Novos Horizontes- Estudos em homenagem ao Professor Antônio Álvares da Silva 
É preciso, no entanto, estabelecer alguns limites para o tratamento de dados e de infor­
mações acessíveis. Podemos classificar, de forma geral, em três espécies o que pode ser, em 
tese, utilizadono processo: I) mensagens e conversas interceptadas; 2) dados armazenados 
em.formato digital ou base de dados digitais, que podem estar em: a) fontes abertas e b) fon­
tes fechadas; e 3) dados de registro, que podem ser subdivididos, por sua vez, em: a) registro 
de conexão e b) registro de acesso a aplicações de internet. 
A primeira espécie (mensagens e conversas interceptadas) não deve ser utilizada em 
processos trabalhistas, sob pena de violação ao dispositivo constitucional , insculpido no ar­
tigo 5°, XII, da CRFB/1988. Ou seja, somente para fins de investigação criminal e mediante 
autorização judicial é admissível interceptação telefônica, de modo a se preservar o direito 
à intimidade. Diferentemente, a conversa gravada por um dos interlocutores pode ser usada 
para, por exemplo, fazer prova de assédio sexual, justa causa ou rescisão indireta, sendo que 
o acesso a dados armazenados em formato digital também pode ser admitido para comprovar 
alegações judiciais em certos casos, mormente se estiver em fontes abertas. Vale salientar 
que fontes abertas são aquelas disponíveis publicamente, enquanto as fontes fechadas depen­
dem de autorização especial para serem acessadas, seja judicial, seja proveniente de algum 
órgão ou empresa. 
Não há dúvidas que o magistrado trabalhista pode acessar e levar em consideração 
para julgamento do processo, respeitado o contraditório, informações disponíveis em fontes 
abertas. A discussão cingiria aos dados restritos, ou seja, aqueles constantes de fontes fecha­
das. O acesso aos dados armazenados nessas fontes, a princípio, deve ser evitado, de modo 
a não ferir a intimidade (direito fundamental assegurado constitucionalmente). Ademais, a 
intimidade somente poderia ser violada, a princípio, para fins de investigação criminal. De 
todo modo, caso a caso, realizada a devida ponderação, e observada a necessidade, a ade­
quação e a proporcionalidade, deve ser analisada a possibilidade de acesso a dados sigilosos 
para fins de apuração, por exemplo, de casos de assédio sexual, punível também criminal­
mente, seguindo-se o procedimento correto na esfera judicial própria. 
Já o acesso a alguns dados de registro, que embora possam, de certa maneira, atingir a 
privacidade das pessoas (diga-se, de passagem, a intimidade que está mais ligada ao segredo 
é mais restrita do que a privacidade), tem um potencial invasivo bem menor e pode ser bas­
tante esclarecedor na solução de casos trabalhistas. Guardada a observância à necessidade, 
à adequação e à proporcionalidade na busca desses registros, pode o magistrado trabalhista, 
com vistas à busca da "verdade real", que norteia sua atuação, e amparado no artigo 765 da 
CLT, requisitar dados de registro (sendo adequado, a critério do juiz, que o processo tramite 
em segredo de justiça) visando averiguar, respeitando-se o contraditório, situações relativas 
ao teletrabalho, horas extras, justa causa e rescisão indireta, dentre outras, ampliando-se, 
assim , o espectro de provas na Justiça do Trabalho. Atualmente, dados de geolocalização 
podem também ser usados para verificar jornada de trabalho ou mesmo se uma testemunha 
estava realmente num local que disse estar presenciando, por exemplo, um acidente de tra­
balho, reduzindo-se, por conseguinte, a simples dependência da frágil prova testemunhal. 
6 CONCLUSÃO 
O presente texto não tem a pretensão- nem de longe- de esgotar toda a problemática 
envolvendo produção e análise de prova digital no processo laboral. O que se pretende é­
tão somente - colocar luzes sobre uma possibilidade que se descortina diante do uso cada 
vez mais frequente e indiscriminado de programas e aplicativos que deixam rastros acerca 
do acesso, da localização e do tempo de uso pelos partícipes das relações de trabalho. 
Partindo de uma investigação que vinha sendo feita aos poucos, em casos isolados, 
com acesso a fontes abertas, para solução dos mais diversos casos apresentados aos magis­
trados trabalhistas, chega-se, no atual contexto, a um leque de opções bastante vasto para 
apuração da verdade dos fatos ocorridos na realidade fática vivenciada. Assim, a busca de 
247 
Direito, Trabalho e Justiça: Novos Horizontes- Estudos em homenagem ao Professor Antônio Álvares da Si lva 
dados de registro que podem ser solicitados a operadoras de telefonia ou a empresas de ser­
viços online ou de softwares pelos juízes instrutores abre um vasto campo de investigação, 
assegurando maior certeza às partes e à sociedade na solução justa dos conflitos. 
Portanto, numa análise prospectiva, acredita-se que a análise de provas digitais poderá 
oferecer maior credibilidade à Justiça Trabalhista, que deixará de confiar tanto na prova tes­
temunhal, que se mostrou, ao longo do tempo, frágil e inconsistente, para se fiar a uma prova 
mais robusta e fidedigna, menos suscetíve l a imprecisões e que guarda registros que, sendo 
preservados corretamente, oferecem, no mínimo, uma checagem com as afirmações das tes­
temunhas, chegando até a uma confiabilidade máxima por trazer exatamente dados relativos 
a localização e atividade de empregados, servindo à solução mais precisa dos inúmeros casos 
que aportam ao órgão judiciário especializado em tela. 
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