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Questões norteadoras Para melhor compreender a questão 909, ideal que possamos responder algumas perguntas para dirigir o nosso pensamento: 1. O que é uma má inclinação? 2. Por que as más inclinações são tão difíceis de se combater (Ver Questão 895) 3. O que é a Vontade? a. Quando eu digo “estou com vontade de comer xxx” e me movimento para fazer isso, usamos da vontade nesse caso? Se sim, qual a diferença entre a vontade e o desejo? b. Qual a relação entre a questão 909 e a 911? 4. Em quais momentos de nossa vida usamos a Vontade? 5. Existe um método para desenvolver a Vontade? Qual? Segue abaixo algumas referências mais ou menos em ordem para uma melhor compreensão do tema. O livro dos Espíritos 911. Não haverá paixões tão vivas e irresistíveis, que a vontade seja impotente para dominá-las? “Há muitas pessoas que dizem: Quero, mas a vontade só lhes está nos lábios. Querem, porém muito satisfeitas ficam que não seja como ‘querem’. Quando o homem crê que não pode vencer as suas paixões, é que seu Espírito se compraz nelas, em conseqüência da sua inferioridade. Compreende a sua natureza espiritual aquele que as procura reprimir. Vencê-las é, para ele, uma vitória do Espírito sobre a matéria.” Momentos de paz — Emmanuel 13 - Vontade e direção Se não acreditas no poder da própria vontade, observa um barco em movimento. Não é o vento que lhe assegura a direção e sim o critério do remador. Livro de respostas — Emmanuel 23 - Esforço máximo Ninguém se eleva, sem esforço máximo da vontade, dos campos do hábito para as regiões iluminadas da experiência. Entretanto, ninguém atinge as múltiplas regiões da experiência sem passaportes adquiridos nas agências da dor. Rumo certo — Emmanuel 26 - Decisão e vontade Incerteza parece coisa de pouca monta, mas é assunto de importância fundamental no caminho de cada um. As criaturas entram na instabilidade moral, habituam-se a ela, e passam ao domínio das forças negativas sem perceber. Dizem-se confiantes pela manhã e acabam indecisas à noite. Frequentemente rogam em prece: — Senhor! Eis-me diante de tua vontade!… Mostra-me o que devo fazer!… E quando o Senhor lhes revela, através das circunstâncias, o quadro de serviço a expressar-se, conforme as necessidades a que se ajustam, exclamam em desconsolo: — Quem sou eu para realizar semelhante tarefa? Não tenho forças. Ai de mim que sou inútil!… Sabem que é preciso servir para se renovarem, mas paradoxalmente esperam renovar-se sem servir. Dispõem de verbo fácil e muitas vezes se proclamam inabilitadas para falar auxiliando a alguém nas construções do Espírito. Possuem dedos ágeis, quais filtros inteligentes engastados nas mãos; entretanto, costumam asseverar-se inseguras na execução das boas obras. Ouvem preleções edificantes ou mergulham-se na assimilação de livros nobres, prometendo heroísmo para o dia seguinte, mas, passada a emoção, volvem à estaca zero, à maneira de viajante que desiste de avançar nos primeiros passos de qualquer jornada. Louvam na rua o equilíbrio e a serenidade e, às vezes, dentro de casa, disputam campeonatos de irritação. O dever jaz à frente, a oportunidade de elevação surge brilhando, os recursos enfileiram- se para o êxito e realizações chamam urgentes, mas preferem a fuga da obrigação sob o pretexto de que é preciso cautela para evitar o mal, quando o bem francamente lhes bate à porta. Trabalho, ação, aprendizado, melhoria?… Não te ponhas à espera deles sob a imaginária incapacidade de procurá-los, à vista de imperfeições e defeitos que te marcaram ontem. Realização pede apoio da fé. Mãos à obra. Tudo o que serve para corrigir, elevar, educar e construir, nasce primeiramente no esforço da vontade unida à decisão. Segue-me — Emmanuel 78 - Vontade e renovação “Não vos escrevi porque não sabeis a verdade, mas porque a sabeis…” — (1 João, 2.21) Evidentemente o Espírito encarnado surpreende na vida física muitas dificuldades que não consegue evitar, sejam as que se originam dos constrangimentos educativos da evolução, sejam aquelas outras que se lhe vinculam à liquidação dos desajustes por ele próprio perpetrados em existências anteriores. Ponderemos, no entanto, que muito mais numerosas são as dificuldades outras que ele mesmo cria, no trato da experiência comum, agravando o acervo dos compromissos menos felizes que carreia para a frente na jornada espiritual. Esse, em consequência de deslizes no pretérito, traz determinadas peças orgânicas em condições delicadas; entretanto, se persiste abusando das próprias forças, de que forma se lhe socorrer a saúde? Outro se revela, no dia a dia, por exagerada agressividade, e, por isso mesmo, como subtraí-lo ao perigo se acalenta declarada inclinação ao desastre? Muitos anseiam por ternura e calor humano, transformando-se em azedume e incompreensão para os melhores amigos… Queremos todos a felicidade e a paz; todavia é preciso reconhecer que a paz e a felicidade se nos levantam do íntimo. Eis porque as lições do Evangelho — desde que aceitemos Jesus por Mestre — nos percutem a inteligência, a todos os instantes da vida, não porque desconheçamos a verdade, mas justamente porque não a ignoramos, já que nos achamos informados de que, para sanar débitos e desacertos, é forçoso que a nossa vontade funcione, sem o que será sempre impossível qualquer ação em nós mesmos no sentido de corrigir ou de resgatar. Pão nosso — Emmanuel 79 - O “mas” e os discípulos “Tudo posso naquele que me fortalece.” — PAULO (Filipenses, 4.13) O discípulo aplicado assevera: — De mim mesmo, nada possuo de bom, mas Jesus me suprirá de recursos, segundo as minhas necessidades. — Não disponho de perfeito conhecimento do caminho, mas Jesus me conduzirá. O aprendiz preguiçoso declara: — Não descreio da bondade de Jesus, mas não tenho forças para o trabalho cristão. — Sei que o caminho permanece em Jesus, mas o mundo não me permite segui-lo. O primeiro galga a montanha da decisão. Identifica as próprias fraquezas, entretanto, confia no Divino Amigo e delibera viver-lhe as lições. O segundo estima o descanso no vale fundo da experiência inferior. Reconhece as graças que o Mestre lhe conferiu, todavia, prefere furtar-se a elas. O primeiro fixou a mente na luz divina e segue adiante. O segundo parou o pensamento nas próprias limitações. O “mas” é a conjunção que, nos processos verbalistas, habitualmente nos define a posição íntima perante o Evangelho. Colocada à frente do Santo Nome, exprime-nos a firmeza e a confiança, a fé e o valor, contudo, localizada depois dele, situa-nos a indecisão e a ociosidade, a impermeabilidade e a indiferença. Três letras apenas denunciam-nos o rumo. — Assim recomendam meus princípios, mas Jesus pede outra coisa. — Assim aconselha Jesus, mas não posso fazê-lo. Através de uma palavra pequena e simples, fazemos a profissão de fé ou a confissão de ineficiência. Lembremo-nos de que Paulo de Tarso, não obstante apedrejado e perseguido, conseguiu afirmar, vitorioso, aos filipenses: — “Tudo posso naquele que me fortalece.” Agora é o tempo — Emmanuel 29 - Uma pergunta simples O discípulo solicitara ao orientador algo falasse, acerca da vontade e o amigo esclareceu, sorrindo: — Não precisamos de longas digressões. Basta lhe diga que, há dias, fui chamado com urgência para cooperar na extinção de um incêndio que ameaçava muitas vidas. Atingimos o lugar que inspirava compaixão. As chamas devoravam grande construção. Turmas socorristas do Plano Espiritual seuniram aos bombeiros presentes e todos os moradores foram colocados fora de perigo. Restava o prédio. Paredes ruíam e as estruturas de madeira alimentavam o fogo implacável. Vimos a destruição de preciosas peças de arte. Cortinas e tapetes raros desapareciam aos nossos olhos. Pertences de valor se convertiam em cinza. O telhado desabou para consumir-se num lago de labaredas. Entretanto, os homens de serviço ali congregados eram dos mais competentes. Todo um sistema de socorro jazia ali aparelhado, pronto a funcionar. Mangueiras enormes foram inteligentemente assestadas contra o fogaréu. Mas no instante da ação, faltava água. Claro seja desnecessário dizer que o prédio foi destruído. Em seguida, o mentor rematou: — Aí está o símbolo da vontade. Temos milhares de irmãos equipados com todos os recursos culturais para se defenderem da delinquência, do desequilíbrio, da irritação e do desânimo… E, sorrindo, terminou a lição com uma pergunta simples: — Mas se não usam a própria vontade, o que se há de fazer?