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FUNGOS Caracteristicas: Eucariontes organismos que possuem um núcleo definido, que contém o material genético (DNA), envolto por um envelope especial chamado de membrana nuclear. Os fungos são aeróbicos ou anaeróbicos facultativos. podem ser unicelulares ou multicelulares Os maiores fungos multicelulares, como os cogumelos, podem parecer algumas vezes com plantas, mas não realizam fotossíntese, característica da maioria das plantas. Os fungos verdadeiros têm parede celular composta principalmente por uma substância chamada de quitina. As formas unicelulares dos fungos, as leveduras, são micro-organismos ovais que são maiores que as bactérias. Os fungos mais típicos são os bolores (fungos filamentosos). Os bolores formam massas visíveis chamadas de micélios, compostas de longos filamentos (hifas) que se ramificam e se entrelaçam. células multicelulares Os crescimentos cotonosos (semelhantes ao algodão) que algumas vezes são vistos sobre o pão e as frutas são micélios de fungos. Os fungos podem se reproduzir sexuada e assexuadamente. Eles obtêm a alimentação por meio da absorção de soluções de matéria orgânica presente no ambiente, que pode ser o solo, a água do mar, a água doce, um animal ou uma planta hospedeira. Os organismos conhecidos como fungos gelatinosos apresentam características tanto de fungos quanto de amebas. A maioria das leveduras, pode se reproduzir por brotamento. Algumas leveduras, como a Candida Albicans, podem produzir brotos que não se detectam e se tornam alongados, produzindo uma cadeia de células leveduriformes alongadas, denominadas pseudo-hifas. Os micélios consistem em filamentos semelhantes a fios (hifas) que crescem e se dividem em suas pontas. Elas podem produzir células redondas, denominadas conídios, que são facilmente transmitidos pelo ar, disseminando o fungo. Muitos fungos clinicamente importantes são dimórficos, existindo como leveduras ou micélios, dependendo das condições ambientais (leveduras se forma, á temperatura do corpo humano e micélio se forma á temperatura ambiente). As infecções fúngicas, também denominadas MICOSES, são de 4 tipos: 1: Micoses superficiais e cutâneas, as quais são comuns e limitadas ás camadas bastante superficiais e queratinizadas da pele, cabelo e unha. 2: Micoses subcutâneas, as quais envolvem a pele, tecidos subcutâneos e linfáticos e raramente de disseminam sistemicamente. 3: Micoses endêmicas, as quais são causadas por fungos dimórficos, que podem produzir doenças sistêmicas sérias em indivíduos saudáveis, 4: Micoses oportunistas, as quais podem causar doenças sistêmicas ameaçadoras á vida em indivíduos que estão imunossuprimidos ou que carregam dispositivos proteicos implantados ou cateteres vasculares. Estruturas vegetativas As colônias dos fungos são descritas como estruturas vegetativas porque são compostas de células envolvidas no catabolismo e no crescimento. Fungos filamentosos e fungos carnosos: O talo (corpo) de um fungo filamentoso ou de um fungo carnoso consiste em filamentos longos de células conectadas; esses filamentos são denominados hifas, que podem crescer até imensas proporções. Na maioria dos fungos filamentosos, as hifas contêm paredes cruzadas denominadas septos, que dividem as hifas em distintas unidades celulares uninucleadas (um único núcleo). Essas hifas são chamadas de HIFAS SEPTADAS. Em algumas poucas classes de fungos, as hifas não contêm septos e se apresentam como células longas e contínuas com muitos núcleos. Elas são chamadas de HIFAS CENOCÍTICAS. Mesmo nos fungos com hifas septadas, geralmente há aberturas nos septos que fazem com que o citoplasma de “células” adjacentes seja contíguo; esses fungos também são, na verdade, organismos cenocíticos. As hifas crescem por alongamento das extremidades. Cada parte de uma hifa é capaz de crescer, e quando um fragmento é quebrado, ele pode se alongar para formar uma nova hifa. A porção de uma hifa que obtém nutriente é chamada de hifa vegetativa; a porção envolvida com a reprodução é a hifa reprodutiva ou aérea, assim chamada porque se projeta acima da superfície sobre a qual o fungo está crescendo. As hifas aéreas frequentemente sustentam os esporos reprodutivos. Quando as condições ambientais são favoráveis, as hifas crescem formando uma massa filamentosa chamada de micélio, que é visível a olho nu Leveduras. As leveduras são fungos unicelulares, não filamentosos, tipicamente esféricos ou ovais. Da mesma forma que os fungos filamentosos, as leveduras são amplamente distribuídas na natureza: com frequência são encontradas como um pó branco cobrindo frutas e folhas. AS LEVEDURAS DE BROTAMENTO, como as Saccharomyces, dividem-se formando células desiguais. No brotamento, a célula parental forma uma protuberância (broto) na sua superfície externa. À medida que o broto se alonga, o núcleo da célula parental se divide, e um dos núcleos migra para o broto. O material da parede celular é então sintetizado entre o broto e a célula parental, e o broto acaba se separando. Uma célula de levedura pode produzir mais de 24 células-filhas por brotamento. Algumas leveduras produzem brotos que não se separam uns dos outros; esses brotos formam uma pequena cadeia de células denominada pseudo-hifa. Candida albicans se fixa a células epiteliais humanas na forma de levedura, mas normalmente necessita estar na forma de pseudo-hifas para invadir os tecidos mais profundos. AS LEVEDURAS DE FISSÃO, como Schizosaccharomyces, dividem-se produzindo duas novas células iguais. Durante a fissão binária, as células parentais se alongam, seus núcleos se dividem, e duas células-filhas são produzidas. O aumento do número de células de leveduras em meio sólido produz uma colônia similar às colônias de bactérias. As leveduras são capazes de crescimento anaeróbico facultativo, podendo utilizar oxigênio ou um composto orgânico como aceptor final de elétrons; esse é um atributo valioso porque permite que esses fungos sobrevivam em vários ambientes. Se houver acesso ao oxigênio, as leveduras respiram aerobicamente para metabolizar hidratos de carbono formando dióxido de carbono e água; na ausência de oxigênio, elas fermentam os hidratos de carbono e produzem etanol e dióxido de carbono. Essa fermentação é usada na fabricação de cerveja e vinho e nos processos de panificação. Espécies de Saccharomyces produzem etanol nas bebidas fermentadas e dióxido de carbono para fermentar a massa do pão. Fungos Dimórficos. Alguns fungos, mais notadamente as espécies patogênicas, exibem dimorfismo – duas formas de crescimento. Tais fungos podem crescer tanto na forma de fungos filamentosos quanto na forma de levedura. A forma de fungo filamentoso produz hifas aéreas e vegetativas; a forma de levedura se reproduz por brotamento. O dimorfismo nos fungos patogênicos é dependente de temperatura: a 37°C, o fungo apresenta forma de levedura; a 25°C, de fungo filamentoso. Contudo, o aparecimento de dimorfismo muda com a concentração de CO2. Ciclo de vida Fungos filamentosos podem reproduzir-se assexuadamente pela fragmentação de suas hifas. Além disso, tanto a reprodução sexuada quanto a assexuada em fungos ocorrem pela formação de esporos. Na realidade, os fungos normalmente são identificados pelo tipo de esporo. Os esporos de fungos, entretanto, são completamente diferentes dos endosporos de bactérias. Os endosporos bacterianos permitem que as células sobrevivam a condições ambientais adversas. Uma única célula bacteriana vegetativa forma um endosporo, que eventualmente germina para produzir uma única célula bacteriana. Esse processo não é reprodução, uma vez que o número total de células não aumenta. Entretanto, após um fungo filamentoso formar um esporo, o mesmo se separa da célula parental e germina, originando um novo fungo filamentoso. Ao contrário dos endosporos de bactérias, esse processo é uma verdadeira reprodução por meio de esporos, pois um segundo organismo cresce a partirdo esporo. Embora os esporos de fungos possam sobreviver por períodos extensos em ambientes secos ou quentes, a maioria não exibe a mesma tolerância extrema e longevidade apresentadas pelos endosporos bacterianos. Os esporos são formados a partir das hifas aéreas de diferentes maneiras, dependendo da espécie. Os esporos de fungos podem ser assexuais ou sexuais. Os esporos assexuais são formados pelas hifas de um organismo. Quando esses esporos germinam, tornam-se organismos geneticamente idênticos ao parental. Os esporos sexuais resultam da fusão de núcleos de duas linhagens opostas de cruzamento de uma mesma espécie do fungo. Os fungos produzem esporos sexuais com menos frequência que os esporos assexuais. Os organismos que crescem a partir de esporos sexuais apresentarão características de ambas as linhagens parentais. Como os esporos são de considerável importância na identificação dos fungos, examinaremos a seguir alguns dos vários tipos de esporos assexuais e sexuais. ESPOROS ASSEXUAIS: Os esporos assexuais são produzidos pelos fungos por mitose e subsequente divisão celular; não há fusão de núcleos de células. Dois tipos de esporos assexuais são produzidos pelos fungos. Um deles é o conidiósporo ou conídio, um esporo unicelular ou multicelular que não é armazenado em uma bolsa. Os conídios são produzidos em cadeias na extremidade do conidióforo. Tais esporos são produzidos por Aspergillus. Os conídios formados pela fragmentação de uma hifa septada em células únicas, levemente espessas, são denominados artroconídios. Uma espécie que produz esses esporos é o Coccidioides immitis. Outro tipo de conídio, o blastoconídio, consiste em um broto originado de uma célula parental. Esses esporos são encontrados em algumas leveduras, como Candida albicans e Cryptococcus. Um clamidoconídio é um esporo com paredes espessas, formado pelo arredondamento e alargamento no interior de um segmento de hifa (Figura 12.5d). Um fungo que produz clamidoconídios é a levedura C. albicans. Outro tipo de esporo assexual é o esporangiósporo, formado no interior de um esporângio, ou bolsa, na extremidade de uma hifa aérea denominada esporangióforo. O esporângio pode conter centenas de esporangiósporos. Esses esporos são produzidos por Rhizopus. ESPOROS SEXUAIS. Um esporo sexual fúngico resulta da reprodução sexuada, consistindo de três etapas: 1. Plasmogamia. Um núcleo haploide de uma célula doadora (+) penetra no citoplasma da célula receptora (–). 2. Cariogamia. Os núcleos (+) e (–) se fundem para formar um núcleo zigoto diploide. 3. Meiose. O núcleo diploide origina um núcleo haploide, esporos sexuais, dos quais alguns podem ser recombinantes genéticos. Os esporos sexuais produzidos pelos fungos caracterizam os filos. Em laboratório, a maioria dos fungos apresenta apenas esporos assexuais. Consequentemente, a identificação clínica é baseada no exame microscópico dos esporos assexuais. Adaptações nutricionais Os fungos geralmente são adaptados a ambientes que poderiam ser hostis a bactérias. Os fungos são quimio-heterotróficos e, assim como as bactérias, absorvem nutrientes em vez de ingerí-los, como fazem os animais. Todavia, os fungos diferem das bactérias em determinadas necessidades ambientais e nas características nutricionais apresentadas a seguir: Os fungos normalmente crescem melhor em ambientes em que o pH é próximo a 5, que é muito ácido para o crescimento da maioria das bactérias comuns. Quase todos os fungos são aeróbicos. A maioria das leveduras é anaeróbica facultativa. A maioria dos fungos é mais resistente à pressão osmótica que as bactérias; muitos, consequentemente, podem crescer em concentrações relativamente altas de açúcar ou sal. Os fungos podem crescer em substâncias com baixo grau de umidade, em geral tão baixo que impede o crescimento de bactérias. Os fungos necessitam de menos nitrogênio para um crescimento equivalente ao das bactérias. Os fungos com frequência são capazes de metabolizar carboidratos complexos, como a lignina (um dos componentes da madeira), que a maioria das bactérias não pode utilizar como nutriente. Essas características permitem que os fungos se desenvolvam em substratos diversos como paredes de banheiro, couro de sapatos e jornais velhos. Devido a ausência de clorofila nos fungos, torna-se necessário que o substrato forneça as substâncias elaboradas indispensáveis á alimentação, obrigando os fungos a viverem em estado de saprofitismo, parasitismo, simbiose (liquens, por exemplo) ou mutualismo. Eles podem ser subdivididos em: • Saprófitas obrigatórios: Fungos que vivem exclusivamente em matéria orgânica morta, não podendo parasitar organismos vivos. • Parasitas facultativos ou saprófitas facultativos: Fungos capazes de causar doenças ou de viver em restos orgânicos, de acordo com as circunstâncias. Parasitas obrigatórios: Fungos que vivem exclusivamente atacando organismos vivos. Filos de fungos de importância médica Zigomiceto Os zigomicetos, ou fungos de conjugação, são fungos filamentosos saprofíticos que apresentam hifas cenocíticas. Um exemplo é o Rhizopus stolonifer, o conhecido mofo preto do pão. Os esporos assexuais do Rhizopus são esporangiósporos. Os esporangiósporos pretos dentro do esporângio conferem ao Rhizopus seu nome comum. Quando o esporângio se abre, os esporangiósporos se dispersam. Se eles caírem em um meio adequado, irão germinar, originando um novo talo de fungo. Os esporos sexuais são zigósporos. Um zigósporo é um esporo grande no interior de uma parede espessa. Esse tipo de esporo resulta da fusão de núcleos de duas células que são morfologicamente similares. Ascomiceto Os ascomicetos, ou “fungos de saco”, incluem fungos com hifas septadas e algumas leveduras. Seus esporos assexuais normalmente são poros são produzidos em uma estrutura em forma de saco conhecida como asco. Os membros deste filo são chamados de “fungos de saco” por causa dos ascos. conídios produzidos em longas cadeias a partir do conidióforo. O termo conídio significa pó, e esses esporos são facilmente liberados da cadeia formada no conidióforo ao menor contato e flutuam no ar como poeira. Um ascósporo se origina da fusão do núcleo de duas células que podem ser morfologicamente similares ou diferentes. Esses es Basidiomiceto Os basidiomicetos também possuem hifas septadas. Esse filo inclui fungos que produzem cogumelos. Os basidiósporos são formados externamente em um pedestal conhecido como basídio. (O nome comum do fungo é derivado da forma de clava do basídio.) Existem normalmente quatro basidiósporos por basídio. Alguns dos basidiomicetos produzem conidiósporos assexuais. Os fungos que apresentamos até agora são teleomorfos, isto é, eles produzem esporos sexuais e assexuais. Alguns ascomicetos perderam a capacidade de se reproduzir sexuadamente. Esses fungos assexuais são chamados de anamorfos. Penicillium é um exemplo de um anamorfo que surgiu da mutação em um teleomorfo. Historicamente, os fungos cujo ciclo sexual ainda não havia sido observado eram colocados em uma “categoria de espera” denominada Deuteromiceto. Atualmente, os micologistas estão usando o sequenciamento de rRNA para classificar esses organismos. Muitos dos que foram previamente classificados como deuteromicetos são fases anamórficas dos ascomicetos, e alguns são basidiomicetos. Doenças causadas por fungos Qualquer infecção de origem fúngica é chamada de micose. As micoses geralmente são infecções crônicas (de longa duração) porque os fungos crescem lentamente. As micoses são classificadas em cinco grupos de acordo com o grau de envolvimento no tecido e o modo de entrada no hospedeiro: sistêmica, subcutânea, cutânea, superficial ou oportunista. Consequentemente, as drogas que afetam as células fúngicas também podem afetar as células animais. Esse fato torna difícil o tratamento das infecções fúngicas em humanos e em outros animais. Micoses sistêmicas são infecções fúngicas profundas no interior do corpo. Não são restritas a nenhuma região particular,mas podem afetar vários tecidos e órgãos. As micoses sistêmicas normalmente são causadas por fungos que vivem no solo. A inalação dos esporos é a rota da transmissão; essas infecções em geral se iniciam nos pulmões e se difundem para outros tecidos do corpo. Elas não são contagiosas entre animais e humanos ou entre indivíduos. Micoses subcutâneas são infecções fúngicas localizadas abaixo da pele causadas por fungos saprofíticos que vivem no solo e na vegetação. A esporotricose é uma infecção subcutânea adquirida por jardineiros e fazendeiros. A infecção ocorre por implantação direta dos esporos ou de fragmentos de micélio em uma perfuração na pele. Os fungos que infectam apenas a epiderme, o cabelo e as unhas são chamados de dermatófitos, e suas infecções são chamadas de dermatomicoses ou micoses cutâneas. Os dermatófitos secretam queratinase, uma enzima que degrada a queratina, uma proteína encontrada no cabelo, na pele e nas unhas. A infecção é transmitida entre humanos ou entre animal e humanos por contato direto ou contato com fios e células epidérmicas infectadas (como tesoura de cabeleireiro ou pisos de banheiros). Os fungos que causam as micoses superficiais estão localizados ao longo dos fios de cabelos e em células epidérmicas superficiais. Essas infecções são prevalentes em climas tropicais. Um patógeno oportunista geralmente é inofensivo em seu habitat normal, mas pode se tornar patogênico em um hospedeiro que se encontra debilitado ou traumatizado; indivíduos sob tratamento com antibióticos de amplo espectro; indivíduos cujo sistema imune esteja suprimido por drogas ou por distúrbios, ou aqueles que tenham alguma doença pulmonar. Pneumocystis é um patógeno oportunista encontrado em indivíduos com o sistema imune comprometido e é a infecção competentes. As infecções por leveduras, ou candidíases, frequentemente são causadas por Candida albicans e podem ocorrer como candidíase vulvovaginal ou como “sapinho”, uma candidíase mucocutânea. A candidíase com frequência ocorre em recém-nascidos, pacientes com Aids e indivíduos em tratamento com antibióticos de amplo espectro. Principais micoses internas e as suas características. Candidiase interna A candichase interna é uma infecção, normalmente crónica, provocada pela Candida albicans, uma espécie de fungo que habita naturalmente na superfície cutânea e nas mucosas dos animais de sangue quente, incluindo o ser humano, mesmo que em condições normais não origine problemas. Todavia, perante algumas circunstâncias, por exemplo, condições de excessiva humidade e calor, em caso de diabetes mellitus mal controlada ou após a administração prolongada de antibióticos, estes fungos podem provocar uma infecção superficial. Uma das localizações mais frequentes corresponde à mucosa do esófago, sendo designada candidíase esofágica, muito comum nos pacientes com SIDA e nas crianças afectadas por eritema das fraldas, uma infecção provocada pela mesma espécie de fungos. Como raramente manifesta sintomas, a candidíase esofágica passa. na maioria dos casos, despercebida. Todavia, acaba por dificultar, mais cedo ou mais tarde, a deglutição dos alimentos e gerar uma sensação de ardor por trás do esterno e dor torácica. Um outro tipo de candidíase interna, mais grave do que a anterior, é a candidíase disseminada, originada pela penetração dos fungos na circulação sanguínea e pela consequente invasão de vários órgãos e tecidos internos, onde provocam o desenvolvimento de inúmeros pequenos abcessos, ou seja, cavidades anómalas repletas de pus. As cândidas tanto podem penetrar na circulação de forma directa, como acontece frequentemente nos toxicodependentes de drogas de administração intravenosa que utilizam seringas contaminadas, como a partir de lesões provocadas pelos próprios fungos na pele e nas mucosas, como ocorre muitas vezes entre as pessoas imunodeprimidas. As manifestações variam consoante a localização das lesões e a gravidade da infecção. Os tecidos e órgãos mais vezes afectados são os rins, com manifestações que variam desde o aparecimento de febre, acompanhada pela emissão de urina turva, e um quadro de insuficiência renal; o sistema nervoso central, provocando uma meningite que origina desde dor de cabeça e vómitos espontâneos até alucinações ou estado de coma; as articulações, que ficam inflamadas e dolorosas; o coração, com manifestações que indicam a inflamação das válvulas cardíacas; e o globo ocular, através da afectação do nervo óptico que pode provocar cegueira. O tratamento da candidíase interna consiste na administração, durante alguns meses, de vários tipos de medicamentos que actuem contra os fungos causadores. Na candidíase esofágica, estes medicamentos podem ser administrados por via oral e, eventualmente, por via intravenosa. Por outro lado, na candidíase disseminada ou quando afecta outro órgão interno, deve-se proceder à administração dos fármacos por via intravenosa. Histoplasmose A histoplasmose é uma doença infecciosa provocada pelo Histoplasma capsulatum, um fungo habitualmente presente nos solos e, sobretudo, em lugares contaminados com excrementos de aves, como os galinheiros e pombais, ou de morcegos, em especial nas grutas onde habitam. O contágio efectua-se através da absorção de esporos de H. capsulatum, uma espécie de sementes resistentes às condições adversas do meio externo que, ao encontrarem uma situação mais favorável, germinam de forma a originarem novos fungos. A doença é particularmente frequente em várias regiões da América, onde é endémica. Embora o problema possa evoluir de forma assintomática, normalmente evidencia várias manifestações que indiciam o desenvolvimento de lesões pulmonares, nomeadamente dor torácica, dificuldade em respirar e febre acompanhada por arrepios e suores. Por outro lado, em alguns casos, sobretudo nas pessoas imunodeprimidas, os fungos conseguem penetrar na circulação sanguínea, através da qual chegam a outros órgãos. À excepção dos casos assintomáticos em que não é necessário, o tratamento consiste na administração de medicamentos antifúngicos, normalmente por via intravenosa, durante algumas semanas ou até vários meses. Por outro lado, em alguns casos, é necessário recorrer-se à cirurgia para reparar os tecidos danificados. Esporotricose A esporotricose é uma doença infecciosa provocada pelo Sporotrix schenkii, um fungo que vive, sobretudo, nos vegetais e nos solos, nomeadamente nas regiões húmidas e quentes. Dado que o contágio se costuma efectuar através de feridas cutâneas provocadas por espinhos e objectos cortantes contaminados, as pessoas mais afectadas são os trabalhadores rurais, jardineiros e floristas, embora também se possa realizar através da absorção dos esporos do fungo. Quando o contágio se efectua através de uma ferida na pele, as lesões localizam-se na pele e estendem-se aos vasos e gânglios linfáticos mais próximos. De início, evidencia-se através de um pequeno nódulo indolor que, à medida que vai aumentando de tamanho, vai-se tinindo à pele, a qual fica vermelha e forma uma úlcera, propiciando a secreção de um líquido amarelado. Em simultâneo, vão-se produzindo pequenos abcessos ao longo dos vasos linfáticos e nos gânglios linfáticos que drenam o tecido onde se encontra a lesão inicial (por exemplo, numa perna ou antebraço), com uma evolução semelhante, já que tem a tendência para se unirem à pele, propiciando a formação de úlceras. Embora as lesões não costumem manifestar sinais e sintomas gerais, caso não sejam devidamente tratadas, podem adoptar uma evolução crónica durante meses ou anos. O tratamento consiste na administração oral de iodeto de potássio e na aplicação deste produto sobre a zona afectada até à cicatrização da pele. Quando o contágio se efectua através da absorção de esporos do fungo, as lesões iniciais consistem em pequenos abcessos pulmonares, originando sinais e sintomas sistémicos como mal-estar geral e febre, tosse e, por vezes, expectoração mucosa com vestígios de sangue. Posteriormente,os fungos podem propagar-se às articulações e outras partes do corpo, com sinais e sintomas próprios de cada localização. Nestes casos, o tratamento consiste na administração de medicamentos antifúngicos por via intravenosa durante várias semanas ou até alguns meses. Aspergilose A aspergilose é um problema provocado por vários tipos de fungos do género Aspergillus que se encontram disseminados nos solos e presentes no ar, alimentos, matérias orgânicas em decomposição e também em construções rurais sobretudo nas áreas húmidas, embora alguns também pertençam à flora normal da mucosa respiratória. A doença pode adoptar três formas distintas. A aspergilose alérgica é uma reacção de hipersensibilidade desencadeada pelo contacto frequente dos fungos com as mucosas respiratórias, afectando essencialmente os trabalhadores rurais com antecedentes de alergias. As suas manifestações mais comuns são episódios de obstrução brônquica semelhantes aos provocados pela asma, ou seja, sensação de Falta de ar e dificuldade em respirar, ataques de tosse e, por vezes, febre e mal-estar geral, que se evidenciam e desaparecem cada vez que se inalam fungos, embora tenham a tendência para se repetirem ao longo dos anos e provocarem, nos casos mais graves, o desenvolvimento de um enfisema pulmonar. O tratamento consiste em evitar o contacto com os fungos responsáveis, enquanto que nos episódios agudos costuma-se recorrer aos corticosteróides. O aspergiloma é um tumor pulmonar de crescimento progressivo proporcionado pela proliferação de fungos e tecido fibroso em cavidades anómalas anteriormente existentes, normalmente como sequela de tuberculose, abcessos ou quistos pulmonares. A lesão costuma evoluir de forma assintomática até adquirir um volume considerável, altura cm que se manifesta através de tosse, expectoração mucosa ou sanguinolenta, hemorragias nasais e, por vezes, febre e mal-estar geral. Embora o tratamento consista, na maioria das vezes, na extracção cirúrgica do aspergiloma, caso a mesma não seja possível, baseia-se na administração de medicamentos antifúngicos por via intravenosa durante um período de tempo prolongado. A aspergilose disseminada, que normalmente corresponde a uma infecção oportunista que afecta as pessoas imunodeprimidas, caracteriza-se pela extensão dos fungos das vias respiratórias até vários tecidos e órgãos, invadindo o próprio tecido alveolar dos pulmões, sangue, sistema nervoso central, coração, olhos e tecido celular subcutâneo, onde formam abcessos e outras lesões que podem provocar uma grande diversidade de manifestações. Nestes casos, o tratamento consiste essencialmente na administração de medicamentos antifúngicos por via intravenosa durante longos períodos de tempo, às vezes durante toda a vida, embora também se possa recorrer à realização de uma intervenção cirúrgica para reparar algum tecido danificado. Criptococose A criptococose é uma doença infecciosa crónica provocada pelo Cryptococcus neoformans, um fungo bastante comum nos solos e presente, sobretudo, nos excrementos dos pombos e outras aves, onde consegue sobreviver durante vários anos. O contágio efectua-se através da inalação de partículas de pós contaminadas com os fungos arrastados pelas correntes de ar. Embora as lesões se desenvolvam inicialmente no tecido pulmonar, onde podem persistir durante vários anos sem originar manifestações, por vezes podem provocar dor torácica, tosse e expectoração mucosa ou até sanguinolenta. Apesar de os fungos terem a tendência para se restringirem ao pulmão, acabando por ser eliminados, quer seja de forma espontânea ou com a ajuda do tratamento adequado, em alguns casos, sobretudo entre os pacientes imunodeprimidos, propagam-se através do sangue até outros órgãos, originando uma criptococose disseminada, complicação bastante frequente da SIDA. As principais manifestações desta forma da doença, para além de algumas gerais como febre ligeira e mal-estar, correspondem à afectação das meninges e encéfalo: dor de cabeça acompanhada por vómitos e rigidez da nuca, sonolência, défice de memória, locomoção cambaleante, convulsões e, nos casos mais graves, estado de coma. Podem igualmente manifestar-se sinais e sintomas visuais, como perda da visão e tonturas, ou abcessos nos ossos e articulações, nódulos no tecido celular subcutâneo e lesões na pele. Caso não se proceda ao devido tratamento, o prognóstico é muito grave, com um elevado índice de mortalidade. O tratamento consiste basicamente na administração de medicamentos antifúngicos por via intravenosa durante um período prolongado. Sinais e sintomas de doenças causadas por fungos A coceira e o parecimento de vermelhidão e feridas no local afetado são os principais sintomas de uma doença fúngica. Normalmente o paciente começa a sentir ardor e irritabilidade na pele, nos pés, na unha ou seja qual for o local comprometido. No caso de infecções causadas por fungos internamente, o paciente pode apresentar ainda náuseas, vômito, enjoo e até dificuldade para respirar. E importante ficar sempre atento aos sintomas, já que quanto maior a população de fungos instalada no organismo maior o risco do paciente ter seu quadro evoluído par problemas mais sérios. Imunidade contra fungos As infecções fúngicas, também chamadas de micoses, são importantes causadas de morbilidade e mortalidade em seres humanos. Algumas infecções fúngicas são endêmicas e estas infecções são infecções são normalmente causada por fungos presentes presentes no ambiente e cujo os esporos penetram nos humanos. A imunidade comprometida é um fator predisponente mais importante para infecções fúngicas mais importante para infecções fúngicas clinicamente significativas. A deficiência de neutrófilos como um resultado da supressão ou de um dano na medula óssea é frequentemente associada a tais infecções. Diferentes fungos infectam os seres humanos e podem viver em tecidos extracelulares e dentro de fagócitos. Como é escasso os modelos de animais para micoses, o nosso organismo não tem uma resposta imunológica eficaz. IMUNIDADE INATA E ADAPTATIVA CONTRA FUNGOS. - Os principais mediadores da resposta inata contra os fungos são os NEUTRÓFILOS e os MACRÓFAGOS. - Os pacientes com neutropenia são extremamente suscetíveis a infecção por fungos oportunistas. - Os FAGÓCITOS e as CÉLULAS DENDRITICAS reconhecem os organismos fúngicos através do TLRs (receptores do tipo toll, fazendo parte da imunidade inata) e dos receptores do tipo lectina, chamados DECTINAS. - Os neutrófilos presumivelmente liberarm substâncias fungicidas, tais como as espécies reativas de oxigênio e as enzimas lisossomais e FAGOCITAM os fungos para a morte intracelular. - Cepas virulentas inibem a produção de CITOCINAS, como TNF e a IL-12 e estimulam a produção de IL-10, INIBINDO A AÇÃO A AÇÃO DOS MACRÓFAGOS. - A imunidade celular é o principal os de imunidade adaptativa contra infecções fúngicas. - As células T CD4 e CD8 cooperam para eliminar a forma de levedura de C. neoformans, que tendem a colonizar os pulmões e o cérebro do hospedeiro imunossuprimido. - Muitos fungos extracelulares provocam fortes reações Th17, impulsionadas em parte pela ativação de células dendríticas, pela ligação de glucanas fúngicas pa dectina-1, um receptor para esse polissacarídeo fúngico. As células dendríticas ativadas através este receptor de lectina, produzem citocinas indutoras de Th17, como IL-6 e IL-26. - As células Th17 estimulam a inflamação e os neutrófilos e monócitos recrutados destroem os fungos. - As respostas Th1 são protetoras em infecções fúngicas intracelulares, como a histoplasmose, mas estas respostas podem provocar a inflamação granulomatosa, que é uma importante causa de lesão tecidual no hospedeiro nessas infecções.