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INSTITUTO PEDAGÓGICO DE MINAS GERAIS ódulo Básico Ética no Serviço Público CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL Belo Horizonte SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................. 03 1 O QUE É ÉTICA? ......................................................................................... 07 1.1 Origens ....................................................................................................... 07 1.2 Definições ................................................................................................... 10 1.3 O pensamento dos filósofos ....................................................................... 12 1.4 Valores éticos ............................................................................................. 16 2 ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO ................................................................... 20 2.1 O Código de Ética do Servidor Público ...................................................... 21 3 RELAÇÕES HUMANAS, TRABALHO EM EQUIPE, QUALIDADE NO ATENDIMENTO PÚBLICO ................................................. 24 3.1 O que a sociedade espera do servidor público .......................................... 25 3.2 Primar pela qualidade no atendimento ....................................................... 26 REFERÊNCIAS CONSULTADAS E UTILIZADAS .......................................... 29 ANEXOS .......................................................................................................... 31 AVALIAÇÃO .................................................................................................... 39 3 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" INTRODUÇÃO Sejam bem vindos ao módulo de Ética no Serviço Público, que compõe os cursos oferecidos pelo Instituto Pedagógico de Minas Gerais. As ideias aqui expostas, como não poderiam deixar de ser, não são neutras, afinal, opiniões e bases intelectuais fundamentam o trabalho dos diversos institutos educacionais, mas deixamos claro que não há intenção de fazer apologia a esta ou aquela vertente, estamos cientes e primamos pelo conhecimento científico, testado e provado pelos pesquisadores. Não obstante, o curso tenha objetivos claros, positivos e específicos, nos colocamos abertos para críticas e para opiniões, pois temos consciência que nada está pronto e acabado e com certeza críticas e opiniões só irão acrescentar e melhorar nosso trabalho. Como os cursos baseados na Metodologia da Educação a Distância, vocês são livres para estudar da melhor forma que possam organizar-se, lembrando que: aprender sempre, refletir sobre a própria experiência se somam e que a educação é demasiado importante para nossa formação e, por conseguinte, para a formação dos nossos/ seus alunos. Deste modo, o módulo em questão traz os seguintes conteúdos: Ética: origens, definições, o pensamento dos filósofos, valores éticos. As regras deontológicas. A ética no serviço público: conflitos, interesses, o decreto n. 1171/94. As relações humanas, o trabalho em equipe, os fatores positivo do relacionamento e a qualidade no atendimento público. O módulo tem como objetivo geral levar o profissional a Perceber que a ética permeia toda a vida do sujeito, quer seja no ambiente pessoal quanto profissional. Trata-se de uma reunião do pensamento de vários autores que entendemos serem os mais importantes para a disciplina. Para maior interação com o aluno deixamos de lado algumas regras de redação científica, mas nem por isso o trabalho deixa de ser científico. 4 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" Desejamos a todos uma boa leitura e caso surjam algumas lacunas, ao final da apostila encontrarão nas referências consultadas e utilizadas aporte para sanar dúvidas e aprofundar os conhecimentos. Inferências iniciais... A Ética é a ciência da verdade; não existe uma ética da mentira, nem a meia ética e ambas, ética e verdade são a essência da consciência humana. Ninguém lhes pode ser indiferente. 5 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" A omissão da consciência é tão dolorosa que o homem, quando não consegue seguir seus ditamos, inventa simulacros de ética e de verdade. Cria caricaturas da ética, sacrificando a verdade por meio de retóricas ideológicas, assim, prevalecem as exteriorizações que nada mais são do que a relativização da ética, que corresponde à elasticidade da consciência. A ética e a verdade, por habitarem a consciência, vêm de dentro, têm a ver com o ser: ou é ou não se é! (MATOS, 2008). A ética é o fundamento da sociedade! Não há possibilidade de vida social sem que haja observância de princípios éticos. A sociedade apoia-se em três conceitos, seus pilares éticos: 1. É essencial que ela seja justa – que haja oportunidade para todos; 2. É essencial que ela seja livre – que a vontade educada torne a liberdade responsável; 3. É vital que ela seja solidária – que haja compromisso com o bem pessoal e o bem comum. Ética da simulação ou meia-ética são mentiras inteiras que não resistem à verdade, no tempo, mas estão ai camufladas no meio social e nosso interesse é justamente levá-los a refletir que o compromisso com a sociedade, o respeito à dignidade humana passam necessariamente pela ética, onde quer que esteja o profissional, na educação, nos serviços de saúde, na administração pública, no meio empresarial, ele deve permear seu viver na ética. Para que sejam cumpridas as funções básicas da sociedade, são imprescindíveis desenvolverem-se, igualmente, três capacidades, eminentemente éticas: Liderança integrada – não basta que haja líderes, eles devem estar integrados por verdades comuns; Organização flexível – que as estruturas estimulem a participação, a criatividade, a descentralização e a delegação de autoridade; 6 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" Visão e ação estratégicas – que se desenvolva simultaneamente a percepção diagnóstica (saber o que está acontecendo) e o pensamento estratégico (saber definir cenários do porvir e tomar decisões eficazes) (MATOS, 2008). 1 O QUE É ÉTICA? Desde suas origens entre os filósofos da antiga Grécia, a Ética é um tipo de saber normativo, isto é, um saber que pretende orientar as ações dos seres 7 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" humanos. A moral também é um saber que oferece orientações para a ação, mas enquanto ela propõe ações concretas em casos concretos, a Ética – como Filosofia moral – remonta à reflexão sobre as diferentes morais e as diferentes maneiras de justificar racionalmente a vida moral, de modo que sua maneira de orientar a ação é indireta: no máximo, pode indicar qual concepção moral é mais razoável para que, a partir dela, possamos orientar nossos comportamentos (CORTINA; MARTÍNEZ, 2009). Portanto, em princípio, a Filosofia moralou Ética não tem motivos para ter uma incidência imediata na vida cotidiana, pois seu objetivo último é esclarecer reflexivamente o campo da moral. No entanto, esse esclarecimento, certamente pode servir de modo indireto como orientação moral para os que pretendam agir racionalmente no conjunto da sua vida. 1.1 Origens Ética é uma palavra de origem grega, com duas origens possíveis. A primeira é a palavra grega éthos, com e curto, que pode ser traduzida por costume, a segunda também se escreve éthos, porém com e longo, que significa propriedade do caráter. A primeira é a que serviu de base para a tradução latina Moral, enquanto que a segunda é a que, de alguma forma, orienta a utilização atual que damos a palavra Ética (GOLDIM, 2000). Ética é a investigação geral sobre aquilo que é bom. Ética significa modo de ser, caráter, comportamento. É o ramo da filosofia que busca estudar e indicar o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade. Diferencia-se da moral, pois enquanto esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano. Na filosofia clássica, a ética não se resume ao estudo da moral (entendida como “costume”, do latim mos, mores), mas a todo o campo do conhecimento que não é abrangido na física, metafísica, estética, na lógica e nem na retórica. 8 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" Assim, a ética abrangia os campos que atualmente são denominados antropologia, psicologia, sociologia, economia, pedagogia, educação física e até mesmo política, em suma, campos direta ou indiretamente ligados a maneiras de viver. Porém, com a crescente profissionalização e especialização do conhecimento que se seguiu à revolução industrial, a maioria dos campos que eram objeto de estudo da filosofia, particularmente da ética, foram estabelecidos como disciplinas científicas independentes. Deste modo, é comum que atualmente a ética seja definida como “a área da filosofia que se ocupa do estudo das normas morais nas sociedades humanas” e busca explicar e justificar os costumes de um determinado agrupamento humano, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns. Neste sentido, ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana e a moral é a qualidade desta conduta, quando julga- se do ponto de vista do Bem e do Mal. A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas no escopo da ética. Modernamente, a maioria das profissões tem o seu próprio código de ética profissional, que é um conjunto de normas de cumprimento obrigatório, derivadas da ética, frequentemente incorporados à lei pública. Nesses casos, os princípios éticos passam a ter força de lei; note-se que, mesmo nos casos em que esses códigos não estão incorporados à lei, seu estudo tem alta probabilidade de exercer influência, por exemplo, em julgamentos nos quais se discutam fatos relativos à conduta profissional. Ademais, o seu não cumprimento pode resultar em sanções executadas pela sociedade profissional, como censura pública e suspensão temporária ou definitiva do direito de exercer a profissão. A Ética tem por objetivo facilitar a realização das pessoas. Que o ser humano chegue a realizar-se a si mesmo como tal, isto é, como pessoa. (...) A Ética se ocupa e pretende a perfeição do ser humano. 9 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" Ética existe em todas as sociedades humanas, e, talvez, mesmo entre nossos parentes não humanos mais próximos. Podemos abandonar o pressuposto de que a Ética é unicamente humana. A Ética pode ser um conjunto de regras, princípios ou maneiras de pensar que guiam, ou chamam a si a autoridade de guiar, as ações de um grupo em particular (moralidade), ou é o estudo sistemático da argumentação sobre como nós devemos agir (filosofia moral). É extremamente importante saber diferenciar a Ética da Moral e do Direito. Estas três áreas de conhecimento se distinguem, porém têm grandes vínculos e até mesmo sobreposições (GOLDIM, 2003). Tanto a Moral como o Direito baseiam-se em regras que visam estabelecer uma certa previsibilidade para as ações humanas. Ambas, porém, se diferenciam. A Moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma forma de garantir o seu bem-viver. A Moral independe das fronteiras geográficas e garante uma identidade entre pessoas que sequer se conhecem, mas utilizam este mesmo referencial moral comum. O Direito busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada pelas fronteiras do Estado. As leis tem uma base territorial, elas valem apenas para aquela área geográfica onde uma determinada população ou seus delegados vivem. O Direito Civil, que é referencial utilizado no Brasil, baseia-se na lei escrita. A Common Law, dos países anglo-saxões, baseia-se na jurisprudência. As sentenças dadas para cada caso em particular podem servir de base para a argumentação de novos casos. O Direito Civil é mais estático e a Common Law mais dinâmica. Alguns autores afirmam que o Direito é um sub-conjunto da Moral. Esta perspectiva pode gerar a conclusão de que toda a lei é moralmente aceitável. Inúmeras situações demonstram a existência de conflitos entre a Moral e o Direito. A desobediência civil ocorre quando argumentos morais impedem que uma pessoa acate uma determinada lei. Este é um exemplo de que a Moral e o Direito, apesar de referirem-se a uma mesma sociedade, podem ter perspectivas discordantes. Sintetizando: A Ética é o estudo geral do que é bom ou mau. Um dos objetivos da Ética é a busca de justificativas para as regras propostas pela Moral e 10 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" pelo Direito. Ela é diferente de ambos - Moral e Direito - pois não estabelece regras. Esta reflexão sobre a ação humana é que a caracteriza (GOLDIM, 2003). 1.2 Definições Ético (ethos): disciplina filosófica que estuda o valor das condutas humanas, seus motivos e finalidades. Reflexão sobre os valores e justificativas morais, aquilo que se considera o bem. Análise da capacidade humana de escolher, ser livre e responsável por sua conduta entre os demais. Para alguns autores, o mesmo que moral (MARTINS, 2002). Anti-ético: contra uma ética estabelecida ou contra a ideia (da ética) de estabelecer o que devemos fazer ou quem queremos ser levando os outros em consideração. Muitas vezes, o antiético têm ideias éticas próprias. Aético: sem ética, mas não contra uma ou outra ética. Para o Professor de Filosofia Alfredo de Oliveira Moraes (2000) o termo ética provém de outro, mais especificamente de ethos, o qual por sua vez corresponde, em nosso idioma, a uma transliteração dos dois vocábulos gregos, sejam: ethos com eta inicial cuja raiz semântica remete ao significado de morada do homem, sendo o ethos designativo da casa do homem, resumido na bela expressão – o homem habita sobre a terra acolhendo-se ao recesso seguro do ethos. Na visão doteólogo Leonardo Boff (2000) “O centro do ethos é o bem (Platão), pois somente ele permite que alcancemos nosso fim, que consiste em sentirmo-nos em casa. E nos sentirmos bem em casa (temos um ethos, realizamos o fim almejado) quando criarmos mediações adequadas, como hábitos, certas normas e maneiras constantes de agir. Por elas, habitamos o mundo, que pode ser a casa concreta, ou o nosso nicho ecológico local, regional ou nossa casa maior, o planeta Terra”. Ética é a ciência da moral (SILVA, 1999). Dalai Lama (2000), de maneira simples nos diz que ético “é aquele que não prejudica a experiência ou a expectativa de felicidade de outras pessoas”. 11 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" Robert Henry Srour (2000) ensina que a moral vem a ser um conjunto de valores e de regras de comportamento, um código de conduta que coletividades adotam, quer sejam uma nação, uma categoria social, uma comunidade religiosa ou uma organização. Enquanto a ética diz respeito à disciplina teórica, ao estudo sistemático, a moral correspondente às representações imaginárias que dizem aos agentes sociais o que se espera deles, quais comportamentos são bem-vindos e quais não. Em resumo, as pautas de ação ensinam o “o bem fazer” ou o “fazer virtuoso”, a melhor maneira de agir coletivamente; qualificam o bem e o mal, o permitido e o proibido, o certo e o errado, a virtude e o vício. Para José Renato Nalini (1999) a ética é uma ciência, pois tem objeto próprio, leis próprias e método próprio. O objeto da ética é a moral. A moral é dos aspectos do comportamento humano. A expressão deriva da palavra romana mores, com o sentido de costumes, conjunto de normas adquiridas pelo hábito reiterado de sua prática. A ética e a moral não devem ser confundidas. Segundo os estudiosos do assunto, a ética não cria a moral (MARTINS, 2002). O Professor de ética Mário Alencastro (2000) assevera que toda moral supõe determinados princípios, normas ou regras de comportamento, não é a ética que os estabelece numa determinada comunidade. A ética depara com uma experiência histórico-social no terreno da moral, ou seja, com uma série de práticas morais já em vigor e, partindo delas, procura determinar a essência da moral, sua origem, as condições objetivas e subjetivas do ato moral, as fontes da avaliação moral, a natureza e a função dos juízos morais, os critérios de justificação destes juízos e o princípio que rege a mudança e a sucessão de diferentes sistemas morais. “Os problemas éticos, ao contrário dos prático-morais são caracterizados pela sua generalidade. Por exemplo, se um indivíduo está diante de uma determinada situação, deverá resolvê-la por si mesmo, com a ajuda de uma norma que reconhece e aceita intimamente, pois o problema do que fazer numa dada situação é um problema prático-moral e não teórico-ético. Mas, quando estamos diante de uma situação, como, por exemplo, definir o conceito de Bem, já ultrapassamos os limites dos problemas morais e estamos num problema geral de 12 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" caráter teórico, no campo de investigação da ética. Tanto assim, que diversas teorias éticas organizaram-se em torno da definição do que é Bem. Muitos filósofos acreditaram que, uma vez entendido o que é Bem, descobriríamos o que fazer diante das situações apresentadas pela vida. As respostas encontradas não são unânimes e as definições de Bem variam muito de um filósofo para outro. Para uns, Bem é o prazer, para outros é o útil e assim por diante” (ALENCASTRO, 2000). 1.3 O pensamento dos filósofos Na antiguidade, todos os filósofos entendiam a ética como o estudo dos meios de se alcançar a eudaimonia1 e investigar o que significa felicidade. Porém, durante a Idade Média, a filosofia foi dominada pelo cristianismo e pelo islamismo, e a ética se centralizou na moral (interpretação dos mandamentos e preceitos religiosos). No renascimento e no século XVII, os filósofos redescobriram os temas éticos da antiguidade, e a ética foi entendida novamente como o estudo dos meios de se alcançar o bem estar e a felicidade. A seguir são descritas brevemente as teorias éticas de alguns filósofos clássicos: Para a escola cirenaica2, a felicidade consistia no gozo de todo prazer imediato. Defendia, porém, um controle racional sobre o prazer para que não se desenvolvesse uma dependência dos prazeres. Demócrito de Abdera afirmava que, ao buscarmos ser felizes, devemos fazer poucas coisas afim de que o que fizermos não ultrapasse nossas forças e não nos leve à inquietação. Dizia que “é sábio quem não se aflige com o que lhe falta e se alegra com o que possui” e que “a moderação aumenta o gozo e acresce o prazer”. 1 O fenômeno da felicidade 2 Escola de pensamento fundada em Atenas, por Aristipo de Cirene. Foi a partir do nome desta cidade que os cirenaicos receberam sua denominação. É considerada pela tradição uma das chamadas escolas socráticas, juntamente com os cínicos e os megáricos. Tais escolas recebem esta denominação por se configurar, cada uma delas, como uma determinada interpretação dos ensinamentos de Sócrates, especialmente no que concerne à correlação entre conhecimento e virtude. 13 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" Afirmava que a agressividade é insensata porque “enquanto se busca prejudicar o inimigo, esquecemos o nosso próprio interesse”. Aristóteles, em sua obra Ética a Nicômaco, afirma que a felicidade (eudemonia) não consiste nem nos prazeres, nem nas riquezas, nem nas honras, mas numa vida virtuosa. A virtude (areté), por sua vez, se encontra num justo meio entre os extremos, que será encontrada por aquele dotado de prudência (phronesis) e educado pelo hábito no seu exercício. Aristóteles faz uma distinção entre os saberes teóricos, poiéticos e práticos que nos levam a entender melhor que tipo de saber constitui a ética. Os saberes teóricos (do grego theorein: ver, contemplar) ocupam-se de averiguar o que são as coisas, o que ocorre de fato no mundo e quais são as causas objetivas dos acontecimentos. São saberes descritivos, mostram-nos o que existe, o que é, o que acontece. As diferentes ciências da natureza (Física, Química, Biologia, Astronomia, etc.) são saberes teóricos na medida em que o que buscam é, simplesmente, mostrar-nos como é o mundo. Aristóteles dizia que os saberes teóricos versam sobre “o que não pode ser de outra maneira”, ou seja, o que é assim porque assim o encontramos no mundo, não porque assim o dispôs a nossa vontade: o sol aquece, os animais respiram a água se evapora, as plantas crescem... tudo isso é assim e não podemos mudá-lo a nosso bel-prazer. Podemos tentar impedir que uma coisa concreta seja aquecida pelo sol, utilizando para tanto quaisquer meios que tenhamos a nosso alcance, mas que o sol aqueça ou não aqueça não depende de nossa vontade: pertence ao tipo de coisas que “não podem ser de outra maneira”. Em contrapartida, os saberes poiéticos e práticos versam, segundo Aristóteles, sobre “o que pode ser de outra maneira”, ou seja, sobre o que podemos controlar à vontade. Os saberes poiéticos (do grego poiein: fazer, fabricar, produzir) são aqueles que nos servem de guia para a elaboração de algum produto, de alguma obra, quer seja algum tipo de artefato útil (como construir uma roda ou tecer uma manta)ou simplesmente um objeto belo (como uma escultura, uma pintura ou um poema) (CORTINA; MARTÍNEZ, 2009). 14 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" As técnicas e as artes são saberes desse tipo. O que hoje chamamos de “tecnologias” são igualmente saberes que abarcam tanto a simples técnica - baseada em conhecimentos teóricos - como a produção artística. Os saberes poiéticos, diferentemente dos saberes teóricos, não descrevem o que existe, mas procuram estabelecer normas, padrões e orientações sobre como se deve agir para atingir o fim desejado (ou seja, uma roda ou uma manta bem feitas, uma escultura, uma pintura ou um poema belos). Os saberes poiéticos são normativos, porém não pretendem servir de referência para toda a nossa vida, mas unicamente para a obtenção de certos resultados que supostamente buscamos. Por sua vez, os saberes práticos (do grego práxis: atividade, tarefa, negócio), que também são normativos, são aqueles que procuram orientar-nos sobre o que devemos fazer para conduzir nossa vida de uma maneira boa e justa, como devemos agir, qual decisão é a mais correta em cada caso concreto para que a própria vida seja boa em seu conjunto. Tratam do que deve existir, do que deveria ser (embora ainda não seja), do que seria bom que acontecesse (segundo alguma concepção do bem humano). Tentam nos mostrar como agir bem, como nos conduzir adequadamente no conjunto de nossa vida (CORTINA; MARTÍNEZ, 2009). Na classificação aristotélica, os saberes práticos eram agrupados sob o rótulo “filosofia prática”, rótulo que abarcava não só a Ética (saber prático destinado a orientar a tomada de decisões prudentes que nos levam a conseguir uma vida boa), mas também a Economia (saber prático encarregado da boa administração dos bens da casa e da cidade) e a Política (saber prático que tem por objeto o bom governo da pólis). Para Epicuro3 a felicidade consiste na busca do prazer, que ele definia como um estado de tranquilidade e de libertação da superstição e do medo (ataraxia), assim como a ausência de sofrimento (aponia). Para ele, a felicidade não é a busca desenfreada de bens e prazeres corporais, mas o prazer obtido pelo conhecimento, amizade e uma vida simples. Por exemplo, ele argumentava que ao comermos, obtemos prazer não pelo excesso ou pelo luxo culinário (que leva a um prazer fortuito, seguido pela insatisfação), mas pela moderação, que torna o prazer um 3 Um filósofo grego do período helenístico. Seu pensamento foi muito difundido e numerosos centros epicuristas se desenvolveram na Jônia, no Egito e, a partir do século I, em Roma, onde Lucrécio foi seu maior divulgador. 15 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" estado de espírito constante, mesmo se nos alimentarmos simplesmente de pão e água. Para os filósofos cínicos, a felicidade era identificada com o poder sobre si mesmo ou autossuficiência (em grego, autárkeia) e é alcançada eliminando-se da vontade todo o supérfluo, tudo aquilo que fosse exterior. Defendiam um retorno à vida da natureza, errante e instintiva, como a dos cães. Desacreditavam as conquistas da civilização, suas estruturas jurídicas, religiosas e sociais. Para os estóicos, a felicidade consiste em viver de acordo com a lei racional da natureza e aconselha a indiferença (apathea) em relação a tudo que é externo. O homem sábio obedece à lei natural reconhecendo-se como uma peça na grande ordem e propósito do universo, devendo assim manter a serenidade e indiferença perante as tragédias e alegrias. Espinoza, em sua obra Ética, afirma que a felicidade é encontrada através da alegria ativa, que nos possibilita ultrapassar as paixões (tristeza e alegria passivas). A alegria ativa consiste em compreender e ativamente criar as condições/oportunidades exteriores que levam à alegria e ao amor (o amor é definido por ele como a alegria que associamos a uma causa exterior a nós), contra a tristeza e o ódio (o ódio é definido por ele como a tristeza que associamos a uma causa exterior a nós). Ele criticava severamente os filósofos cristãos medievais que afirmavam que a tristeza e o sofrimento são bons (como em Cristo). Para Espinoza, unicamente a alegria nos leva ao amor no cotidiano e na convivência com os outros, enquanto a tristeza nunca é boa, intrinsecamente relacionada ao ódio, à tristeza sempre é destrutiva para nós e para os outros. 1.4 Valores éticos A ética aristotélica afirma que existe moral porque os seres humanos buscam inevitavelmente a felicidade, a ventura, e para alcançar plenamente esse objetivo necessitam das orientações morais. Mas, além disso, ela nos proporciona critérios racionais para averiguar que tipo de comportamentos, quais virtudes, em suma, que tipo de caráter moral é o adequado para essa finalidade. 16 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" Desse modo, Aristóteles entende a vida moral como um modo de “auto- realização” e por isso dizemos que a ética aristotélica pertence ao grupo de éticas eudemonistas, porque assim se aprecia melhor a diferença em relação a outras éticas. Para ele os valores seriam: 1-Próprias do intelecto teórico: Inteligência (nous) Ciência (episteme) Sabedoria (Sofia) 2-Próprias do intelecto prático: Prudência (frónesis) Arte ou técnica (tekne) Discrição (gnome) Perspicácia (euboulía) 3-Próprias do autodomínio: Fortaleza ou coragem (andreía) Temperança ou moderação (sofrosine) Pudor (aidos) 4-Próprias das relações humanas: Justiça (dikaiosine) Generosidade ou liberdade (eleutheríotes) Amabilidade (filia) Veracidade (aletheía) Bom humor (eutrapelía) Afabilidade ou doçura (praotes) 17 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" Magnificência (megaloprepéia) Magnanimidade (megalofijía) (CORTINA; MARTÍNEZ, 2009). Para Scheler4, existe uma ciência pura dos valores, uma axiologia pura, que se sustenta em três princípios: 1. Todos os valores são negativos ou positivos; 2. Valor e dever estão relacionados, pois a captação de um valor não realizado é acompanhada pelo dever de realizá-lo; 3. Nossa preferência por um valor e não por outro verifica-se porque nossa intuição emocional capta os valores já hierarquizados. A vontade de realizar um valor moral superior em vez de um inferior constitui o bem moral, e seu contrário é o mal. Não existem, portanto, valores especificamente morais. Esse modelo ético foi seguido e ampliado por pensadores como Nicolai Hartmann, Hans Reiner, Dietrich Von Hildebrand e José Ortega y Gasset, que chamou a intuição emocional de “estimativa” e incluiu os valores morais na hierarquia objetiva, diferentemente de Scheler, como mostra o quadro abaixo. Valores positivos e negativos Úteis Capaz – incapaz Caro – barato Abundante – escasso Vitais Saudável – doente Selecionado – vulgar Cheio de energia – inerte 4 Max Scheller (1874-1928) foi um filósofo fenomenologista, preocupado especialmente com a filosofia dos valores. 18 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO"Forte – fraco Espirituais Intelectuais Conhecimento – erro Exato – aproximado Evidente – provável Morais Bom – mau Bondoso – maldoso Justo – injusto Escrupuloso – negligente Leal – desleal Estéticos Bonito – feio Gracioso – tosco Elegante – deselegante Harmonioso – desamôrnico Religiosos Santo ou sagrado – profano Divino – demoníaco Supremo – derivado Milagroso – mecânico Fonte: ORTEGA y GASSET (1993, p. 334) Surgida na década de 1970 a ética do discurso propõe encarnar na sociedade os valores e liberdade, justiça e solidariedade por meio do diálogo, como único procedimento capaz de respeitar a individualidade das pessoas e, ao mesmo tempo, sua inegável dimensão solidária, porque em um diálogo precisamos contar com pessoas, mas também com a relação que existe entre elas, a qual, para ser humana, deve ser justa. 19 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" Esse diálogo nos permitirá questionar as normas vigentes em uma sociedade e distinguir quais são moralmente válidas, porque acreditamos realmente que humanizam. Obviamente, não é qualquer forma de diálogo que nos levará a distinguir o socialmente vigente do moralmente válido, por isso a ética discursiva tentará apresentar o procedimento dialógico adequado para alcançar essa meta, e mostrar como ele deveria funcionar nos diferentes âmbitos da vida social. Por isso, divide sua tarefa em duas partes: uma dedicada à fundamentação – à descoberta do princípio ético – e outra à aplicação deste à vida cotidiana (CORTINA; MARTÍNEZ, 2009). 2 ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO A insatisfação com a conduta ética no serviço público é um fato que vem sendo constantemente criticado pela sociedade brasileira. De modo geral, o país enfrenta o descrédito da opinião pública a respeito do comportamento dos administradores públicos e da classe política em todas as suas esferas: municipal, 20 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" estadual e federal. A partir desse cenário, é natural que a expectativa da sociedade seja mais exigente com a conduta daqueles que desempenham atividades no serviço e na gestão de bens públicos (MULLER, 2006). Para discorrer sobre o tema, vamos relembrar rapidamente os conceitos de moral, moralidade e ética. A moral pode ser entendida como o conjunto de regras consideradas válidas, de modo absoluto, para qualquer tempo ou lugar, grupo ou pessoa determinada, ou, ainda, como a ciência dos costumes, a qual difere de país para país, sendo que, em nenhum lugar, permanece a mesma por muito tempo. Portanto, observa-se que a moral é mutável, variando de acordo com o desenvolvimento de cada sociedade. Em consequência, deste conceito, surgiria outro: o da moralidade, como a qualidade do que é moral. A ética, no entanto, representaria uma abordagem sobre as constantes morais, aquele conjunto de valores e costumes mais ou menos permanente no tempo e uniforme no espaço. A ética é a ciência da moral ou aquela que estuda o comportamento dos homens na sociedade. A falta de ética, tão criticada pela sociedade, na condução do serviço público por administradores e políticos, generaliza a todos, colocando-os no mesmo patamar, além de constituir-se em uma visão imediatista. É certo que a crítica que a sociedade tem feito ao serviço público, seja ela por causa das longas filas ou da morosidade no andamento de processos, muitas vezes tem fundamento. Também, com referência ao gerenciamento dos recursos financeiros, têm-se notícia, em todas as esferas de governo, de denúncias sobre desvio de verbas públicas, envolvendo administradores públicos e políticos em geral (MULLER, 2006). A questão deveria ser conduzida com muita seriedade, porque desfazer a imagem negativa do padrão ético do serviço público brasileiro é tarefa das mais difíceis. Refletindo sobre a questão, acredita-se que um alternativa, para o governo, poderia ser a oferta à sociedade de ações educativas de boa qualidade, nas quais os indivíduos pudessem ter, desde o início da sua formação, valores arraigados e trilhados na moralidade. Dessa forma, seriam garantidos aos mesmos, 21 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" comportamentos mais duradouros e interiorização de princípios éticos (MULLER, 2006). Outros caminhos seriam a repreensão e a repressão, e nesse ponto há de se levar em consideração as leis punitivas e os diversos códigos de ética de categorias profissionais e de servidores públicos, os quais trazem severas penalidades aos maus administradores. As leis, além de normatizarem determinado assunto, trazem, em seu conteúdo, penalidades de advertência, suspensão e reclusão do servidor público que infringir dispositivos previstos na legislação vigente. Uma das mais comentadas na atualidade é a Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal. 2.1 O Código de Ética do Servidor Público Já os códigos de ética5 trazem, em seu conteúdo, o conjunto de normas a serem seguidas e as penalidades aplicáveis no caso do não cumprimento das mesmas. Normalmente, os códigos lembram aos funcionários que estes devem agir com dignidade, decoro, zelo e eficácia, para preservar a honra do serviço público. Enfatizam que é dever do servidor ser cortês, atencioso, respeitoso com os usuários do serviço público. Também, é dever do servidor ser rápido, assíduo, leal, correto e justo, escolhendo sempre aquela opção que beneficie o maior número de pessoas. Os códigos discorrem, ainda, sobre as obrigações, regras, cuidados e cautelas que devem ser observadas para cumprimento do objetivo maior que é o bem comum, prestando serviço público de qualidade à população. Afinal, esta última é quem alimenta a máquina governamental dos recursos financeiros necessários à prestação dos serviços públicos, através do pagamento dos tributos previstos na legislação brasileira – ressalta-se, aqui, a grande carga tributária imposta aos contribuintes brasileiros. Também, destaca-se nos códigos que a função do servidor deve ser exercida com transparência, competência, seriedade e compromisso com o bem estar da coletividade (MULLER, 2006). 5 Em anexo o Decreto n. 1171/94 22 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" Os códigos não deixam dúvidas quanto às questões que envolvem interesses particulares, as quais, jamais, devem ser priorizadas em detrimento daquelas de interesses públicos, ainda mais se forem caracterizadas como situações ilícitas. Dentre as proibições elencadas, tem-se o uso do cargo para obter favores, receber presentes, prejudicar alguém através de perseguições por qualquer que seja o motivo, a utilização de informações sigilosas em proveito próprio e a rasura e alteração de documentos e processos. Todas elas evocam os princípios fundamentais da administração pública: legalidade, impessoalidade, publicidade e moralidade – este último princípio intimamente ligado à ética no serviço público. Além desses, também se podem destacar os princípios da igualdade e da probidade. Criada pelo Presidente da República em maio de 2000,a Comissão de Ética Pública entende que o aperfeiçoamento da conduta ética decorreria da explicitação de regras claras de comportamento e do desenvolvimento de uma estratégia específica para a sua implementação. Na formulação dessa estratégia, a Comissão considera que é imprescindível levar em conta, como pressuposto, que a base do funcionalismo é estruturalmente sólida, pois deriva de valores tradicionais da classe média, onde ele é recrutado. Portanto, qualquer iniciativa que parta do diagnóstico de que se está diante de um problema endêmico de corrupção generalizada será inevitavelmente equivocada, injusta e contraproducente, pois alienaria o funcionalismo do esforço de aperfeiçoamento que a sociedade está a exigir. Afinal, não se poderia responsabilizar nem cobrar algo de alguém que sequer teve a oportunidade de conhecê-lo (PIQUET, 2000). Do ponto de vista da Comissão de Ética Pública, a repressão, na prática, é quase sempre ineficaz. O ideal seria a prevenção, através de identificação e de tratamento específico, das áreas da administração pública em que ocorressem, com maior frequência, condutas incompatíveis com o padrão ético almejado para o serviço público. Essa é uma tarefa complicada, que deveria ser iniciada pelo nível mais alto da administração, aqueles que detém poder decisório. A Comissão defende que o administrador público deva ter Código de Conduta de linguagem simples e acessível, evitando termos jurídicos excessivamente técnicos, que norteie o seu comportamento enquanto permanecer no cargo e o proteja de acusações infundadas. E vai mais longe ao defender que, na 23 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" ausência de regras claras e práticas de conduta, corre-se o risco de inibir o cidadão honesto de aceitar cargo público de relevo. Além disso, afirma ser necessária a criação de mecanismo ágil de formulação dessas regras, assim como de sua difusão e fiscalização. Deveria existir uma instância à qual os administradores públicos pudessem recorrer em caso de dúvida e de apuração de transgressões, que seria, no caso, a Comissão de Ética Pública, como órgão de consulta da Presidência da República (MULLER, 2006). Diante dessas reflexões, a ética deveria ser considerada como um caminho no qual os indivíduos tivessem condições de escolha livre e, nesse particular, é de grande importância a formação e as informações recebidas por cada cidadão ao longo da vida (LOPES, 1993). A moralidade administrativa constitui-se, atualmente, num pressuposto de validade de todo ato da administração pública. A moral administrativa é imposta ao agente público para sua conduta interna, segundo as exigências da instituição a que serve, e a finalidade de sua ação: o bem comum. O administrador público, ao atuar, não poderia desprezar o elemento ético de sua conduta (MULLER, 2006). A ética tem sido um dos mais trabalhados temas da atualidade, porque se vem exigindo valores morais em todas as instâncias da sociedade, sejam elas políticas, científicas ou econômicas. É a preocupação da sociedade em delimitar legal e ilegal, moral e imoral, justo e injusto. Desse conflito é que se ergue a ética, tão discutida pelos filósofos de toda a história mundial (MULLER, 2006). 3 RELAÇÕES HUMANAS, TRABALHO EM EQUIPE, QUALIDADE NO ATENDIMENTO PÚBLICO Segundo Pepe (2008), cada pessoa tem uma história de vida, uma maneira de pensar a vida e assim também o trabalho é visto de sua forma especial. Há pessoas mais dispostas a ouvir, outras nem tanto, há pessoas que se interessam em aprender constantemente, outras não, enfim as pessoas têm objetivos diferenciados e nesta situação muitas vezes priorizam o que melhor lhes convém e às vezes estará em conflito com a própria empresa. 24 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" Como observado por Bom Sucesso, o autoconhecimento e o conhecimento do outro são componentes essenciais na compreensão de como a pessoa atua no trabalho, dificultando ou facilitando as relações. Dentre as dificuldades mais observadas, destacam-se: a falta de objetivos pessoais, dificuldade em priorizar e dificuldade em ouvir. É bom lembrar também que o ser humano é individual, é único e que, portanto também reage de forma única e individual a situações semelhantes. Para Bom Sucesso (1997, p. 176) no cenário idealizado de pleno emprego, mesmo de ótimas condições financeiras, conforto e segurança, alguns trabalhadores ainda estarão tomados pelo sofrimento emocional. Outros, necessitados, cavando o alimento diário com esforço excessivo, ainda assim se declaram felizes, esperançosos. Nesse contexto e de acordo com os processos dinâmicos e interativos de gerir pessoas (agregar, recompensar, desenvolver, manter e monitorar) estabelecidos por Chiavenato (2005), a promoção da socialização do funcionário ou colaborador também agrega valor às inter-relações no ambiente de trabalho, ou seja, as empresas precisam promover a socialização dos novos funcionários, o que pode acontecer através de vários programas de integração, quer sejam do tipo formal ou informal; individual ou coletivo; uniforme ou variável, dentre outros. Um ambiente saudável, rico, tranquilo e ao mesmo tempo desafiador, que leve o indivíduo a buscar novas conquistas, a satisfazer novas necessidades favorece não só as relações pessoais, mas o bom desenvolvimento, a fruição dos trabalhos e o atendimento dos objetivos da administração quer seja ela pública ou privada. 3.1 O que a sociedade espera do servidor público De um lado encontramos o Estado que precisa implementar suas políticas, seus programas e projetos para atender as demandas da sociedade, precisando ainda, ser eficiente e eficaz em suas ações. De outro lado, encontramos a 25 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" sociedade, que hoje se encontra alerta, crítica e vigilante em relação aos seus direitos. Estas considerações levam a entender que existem inúmeras relações entre cidadania, ética, qualidade e legalidade e o serviço público, relações estas que são encontradas ao longo do texto ou código de ética do servidor público. Entre elas, temos que a remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou indiretamente por todos, até por ele próprio, e por isto se exige, que a moralidade se integre no Direito. O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem estar, já que, como cidadão, integrante da sociedade, o êxito deste trabalho pode ser considerado seu maior patrimônio. A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se integra na vida particular de cada servidor público. O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional, respeitando seus colegas e cada concidadão, colabora e de todos pode receber colaboração, pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento e engrandecimento da Nação. Especificamente, os artigos IX e X do código de ética do servidor público chamam a atenção. IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando- o, pordescuido ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado, mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas esperanças e seus esforços para construí-los. X - Deixar o servidor público, qualquer pessoa à espera de solução que compete ao setor em que exerça suas funções, permitindo a formação de longas filas, ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço, não caracteriza 26 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade, mas principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos (DECRETO 1.171/94). Assim, se torna de extrema relevância que o servidor público (que um dia, por critérios de seleção e por meio de concurso público, se destacou entre seus inúmeros pares, foi aprovado e vislumbrou a possibilidade de fazer carreira na atividade de governo, com segurança e estabilidade, características inexistentes na iniciativa privada), atue, de modo perene, com a consciência voltada à importância de seu trabalho, assíduo e permanente, para o desenvolvimento de seu país, de seu Estado e de sua cidade, além de seu crescimento interior, dignificando o seu nome e sua atividade laborativa, tanto para conhecimento próprio e servir de exemplo à sua linha ascendente como para sua descendência, destacando-se entre seus pares (SOUZA, 2007). 3.2 Primar pela qualidade no atendimento Um dos desafios institucionais que parecem exigir transformações urgentes está relacionado com a qualidade do serviço de atendimento ao público no contexto da realidade brasileira, tanto no âmbito estatal quanto da iniciativa privada. Um local onde encontramos cotidianamente um número sem fim de reclamações, traduzidas pela insatisfação dos usuários-consumidores, tanto em relação aos serviços de atendimento em instituições públicas quanto privadas, são os espaços que os jornais dedicam aos leitores e mesmo nas conversas lado a lado, nas filas de espera, onde percebe-se pelas falas, a insatisfação dos usuários- consumidores. Segundo Ferreira (2007), a “situação de atendimento” nada mais é do que a “porta de entrada” para a investigação das origens da falta ou da perda de qualidade do serviço prestado ao usuário. Tal situação é a ocasião em que se manifestam os problemas e as dificuldades dos diferentes sujeitos, cujas raízes estão em outras instâncias ou momentos, por exemplo, na falta de treinamento do funcionário; na desinformação do usuário; e/ou no planejamento ineficaz da empresa / instituição. Contribuir para transformar positivamente tais situações críticas existentes nas instituições constitui um desafio para a intervenção profissional. 27 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" Os problemas existentes no atendimento se manifestam por intermédio de diferentes indicadores críticos. Eles são o ponto de partida da investigação e o diagnóstico de suas causas mais profundas é o ponto de chegada. Por exemplo, o tempo demasiado de espera do usuário pode ser (e frequentemente o é) um indicador crítico da perda de qualidade do serviço de atendimento. Nesse caso, um dos problemas que se coloca é não só caracterizar a processualidade da variável (tempo de espera), mas também identificar e recuperar os fatores (materiais, organizacionais, técnicos, humanos, etc.) que podem estar na gênese de tal indicador crítico (FERREIRA, 2007). O atendimento ao público é um serviço complexo; sua simplicidade é apenas aparente. Trata-se de uma atividade social mediadora que coloca em cena a interação de diferentes sujeitos em um contexto específico, visando responder a distintas necessidades. A “tarefa de atendimento” é, frequentemente, uma “etapa terminal”, resultante de um processo de múltiplas facetas que se desenrola em um contexto institucional, envolvendo dois tipos de personagens principais: o funcionário (atendente) e o usuário. O caráter social do atendimento ao público se manifesta, sobretudo, pela via da comunicação entre os sujeitos participantes, dando visibilidade às suas necessidades, experiências e expectativas. A instituição, enquanto palco onde se desenrola o atendimento como atividade social, não é neutra; ao contrário, os objetivos, os processos organizacionais e a estrutura existentes, são elementos essenciais conformadores da situação de atendimento. Eles têm a função de no contexto institucional ser o facilitador e/ou dificultador da interação entre os sujeitos, da qualidade do serviço, e imprimem uma dinâmica singular no cenário onde se efetua o atendimento (FERREIRA, 2007). Assim, o serviço de atendimento ao público é um processo resultante da sinergia de diferentes variáveis: O comportamento do usuário; A conduta dos funcionários envolvidos (direta ou indiretamente) na situação; A organização do trabalho e, As condições físico-ambientais/ instrumentais. 28 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" Tais fatores funcionam como propulsores desse processo, alimentando a dinâmica de transformações internas e externas das situações de atendimento sob a base de regulações permanentes. Em se tratando de atender com qualidade no setor público, o servidor, antes de tudo precisa estar motivado, comprometido e ciente de que é a partir do seu atendimento, do cumprimento de suas atribuições que os anseios e necessidades do cliente-cidadão serão ou não satisfeitos. Outro ponto importante: ele precisa conhecer e dominar o serviço que está prestando para que não incorra em erros que podem custar caro para o cliente. REFERÊNCIAS CONSULTADAS E UTILIZADAS ALENCASTRO, Mário. A importância da ética na formação dos recursos humanos (2000). Disponível em: <http://pessoal.onda.com.br/alencastro/texto_etica_rh.htm#2> Acesso em: 23 jul. 2010. BOFF, Leonardo. Ethos mundial: um consenso mínimo entre os humanos. Brasília: Letra Viva, 2000. 29 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" BOM SUCESSO, Edina de Paula. Trabalho e qualidade de vida. 1 ed. Rio de Janeiro: Dunya, 1997. BRASIL. Presidência da República. Decreto n. 1171 de 22 de junho de 1994. Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil.../decreto/d1171.htm> Acesso em: 22 jul. 2010. CHAUI, Marilena. Brasil. Mito fundador e sociedade autoritária. São Paulo: Perseu Abramo, 2000. CHAUI, Marilena. Ética e Violência. Palestra apresentada no Colóquio Interlocuções com Marilena Chaui, São Paulo, 1998. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas. 2 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. CORTINA, Adela; MARTÍNEZ, Emilio. Ética. Tradução: Silvana Cobucci Leite. 2 ed. São Paulo: Loyola, 2009. FERREIRA, Mário César. Serviço de Atendimento ao Público: O que é? Como analisá-lo? Esboço de uma Abordagem Teórico-Metodológica em Ergonomia. Revista Multitemas, n. 16, maio, 2000, pp. 128-144, Campo Grande –MS, UCDB. Disponível em: <www.unb.br/ip/labergo/sitenovo/mariocesar/artigosNovos/Artigo2Abordagem.pdf.> Acesso em: 15 jul.2007. 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ANEXO O Decreto n. 1171/94 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, e ainda tendo em vista o disposto no art. 37 da Constituição, bem como nos arts. 116 e 117 da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e nos arts. 10, 11 e 12 da Lei n° 8.429, de 2 de junho de 1992, 31 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" DECRETA: Art. 1° Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, que com este baixa. Art. 2° Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta implementarão, em sessenta dias, as providências necessárias à plena vigência do Código de Ética, inclusive mediante a Constituição da respectiva Comissão de Ética, integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente. Parágrafo único. A constituição da Comissão de Ética será comunicada à Secretaria da Administração Federal da Presidência da República, com a indicação dos respectivos membros titulares e suplentes. Art. 3° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 22 de junho de 1994, 173° da Independência e 106° da República. ITAMAR FRANCO Romildo Canhim Este texto não substitui o publicado no DOU de 23.6.1994. Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal CAPÍTULO I Seção I Das Regras Deontológicas I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos. II - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput, e § 4°, da Constituição Federal. III - A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal, devendo ser acrescida da ideia de que o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo. 32 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" IV- A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou indiretamente por todos, até por ele próprio, e por isso se exige, como contrapartida, que a moralidade administrativa se integre no Direito, como elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade, erigindo-se, como consequência, em fator de legalidade. V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão, integrante da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser considerado como seu maior patrimônio. VI - A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional. VII - Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior do Estado e da Administração Pública, a serem preservados em processo previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade, ensejando sua omissão comprometimento ético contra o bem comum, imputável a quem a negar. VIII - Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la, ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou da mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação. IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando- o, por descuido ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado, mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas esperanças e seus esforços para construí-los. X - Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que compete ao setor em que exerça suas funções, permitindo a formação de longas filas, ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço, não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade, mas principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos. 33 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Geraiswww.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" XI - 0 servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus superiores, velando atentamente por seu cumprimento, e, assim, evitando a conduta negligente. Os repetidos erros, o descaso e o acúmulo de desvios tornam-se, às vezes, difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo imprudência no desempenho da função pública. XII - Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de desmoralização do serviço público, o que quase sempre conduz à desordem nas relações humanas. XIII - O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional, respeitando seus colegas e cada concidadão, colabora e de todos pode receber colaboração, pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da Nação. Seção II Dos Principais Deveres do Servidor Público XIV - São deveres fundamentais do servidor público: a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego público de que seja titular; b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento, pondo fim ou procurando prioritariamente resolver situações procrastinatórias, principalmente diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na prestação dos serviços pelo setor em que exerça suas atribuições, com o fim de evitar dano moral ao usuário; c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu caráter, escolhendo sempre, quando estiver diante de duas opções, a melhor e a mais vantajosa para o bem comum; d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição essencial da gestão dos bens, direitos e serviços da coletividade a seu cargo; e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços aperfeiçoando o processo de comunicação e contato com o público; f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que se materializam na adequada prestação dos serviços públicos; g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a capacidade e as limitações individuais de todos os usuários do serviço público, sem 34 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" qualquer espécie de preconceito ou distinção de raça, sexo, nacionalidade, cor, idade, religião, cunho político e posição social, abstendo-se, dessa forma, de causar- lhes dano moral; h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar contra qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal; i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes, interessados e outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais, ilegais ou aéticas e denunciá-las; j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas da defesa da vida e da segurança coletiva; l) ser assíduo e frequente ao serviço, na certeza de que sua ausência provoca danos ao trabalho ordenado, refletindo negativamente em todo o sistema; m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato contrário ao interesse público, exigindo as providências cabíveis; n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, seguindo os métodos mais adequados à sua organização e distribuição; o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do exercício de suas funções, tendo por escopo a realização do bem comum; p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função; q) manter-se atualizado com as instruções, as normas de serviço e a legislação pertinentes ao órgão onde exerce suas funções; r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores, as tarefas de seu cargo ou função, tanto quanto possível, com critério, segurança e rapidez, mantendo tudo sempre em boa ordem. s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito; t) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe sejam atribuídas, abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos usuários do serviço público e dos jurisdicionados administrativos; 35 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, poder ou autoridade com finalidade estranha ao interesse público, mesmo que observando as formalidades legais e não cometendo qualquer violação expressa à lei; v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência deste Código de Ética, estimulando o seu integral cumprimento. Seção III Das Vedações ao Servidor Público XV - E vedado ao servidor público; a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e influências, para obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem; b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de cidadãos que deles dependam; c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro ou infração a este Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão; d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de direito por qualquer pessoa, causando-lhe dano moral ou material; e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu conhecimento para atendimento do seu mister; f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores; g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira, gratificação, prêmio, comissão, doação ou vantagem de qualquer espécie, para si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua missão ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim; h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para providências; i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em serviços públicos; j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular; 36 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente autorizado, qualquer documento, livro ou bem pertencente ao patrimônio público; m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros; n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente; o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, a honestidade ou a dignidade da pessoa humana; p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendimentos de cunho duvidoso. CAPÍTULO II DAS COMISSÕES DE ÉTICA XVI - Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, indireta autárquica e fundacional, ou em qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições delegadas pelo poder público, deverá ser criada uma Comissão de Ética, encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética profissional do servidor, no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público, competindo-lhe conhecer concretamentede imputação ou de procedimento susceptível de censura. XVII -- Cada Comissão de Ética, integrada por três servidores públicos e respectivos suplentes, poderá instaurar, de ofício, processo sobre ato, fato ou conduta que considerar passível de infrigência a princípio ou norma ético- profissional, podendo ainda conhecer de consultas, denúncias ou representações formuladas contra o servidor público, a repartição ou o setor em que haja ocorrido a falta, cuja análise e deliberação forem recomendáveis para atender ou resguardar o exercício do cargo ou função pública, desde que formuladas por autoridade, servidor, jurisdicionados administrativos, qualquer cidadão que se identifique ou quaisquer entidades associativas regularmente constituídas. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007) XVIII - À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos organismos encarregados da execução do quadro de carreira dos servidores, os registros sobre sua conduta ética, para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para todos os demais procedimentos próprios da carreira do servidor público. XIX - Os procedimentos a serem adotados pela Comissão de Ética, para a apuração de fato ou ato que, em princípio, se apresente contrário à ética, em 37 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" conformidade com este Código, terão o rito sumário, ouvidos apenas o queixoso e o servidor, ou apenas este, se a apuração decorrer de conhecimento de ofício, cabendo sempre recurso ao respectivo Ministro de Estado. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007). XX - Dada a eventual gravidade da conduta do servidor ou sua reincidência, poderá a Comissão de Ética encaminhar a sua decisão e respectivo expediente para a Comissão Permanente de Processo Disciplinar do respectivo órgão, se houver, e, cumulativamente, se for o caso, à entidade em que, por exercício profissional, o servidor público esteja inscrito, para as providências disciplinares cabíveis. O retardamento dos procedimentos aqui prescritos implicará comprometimento ético da própria Comissão, cabendo à Comissão de Ética do órgão hierarquicamente superior o seu conhecimento e providências. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007). XXI - As decisões da Comissão de Ética, na análise de qualquer fato ou ato submetido à sua apreciação ou por ela levantado, serão resumidas em ementa e, com a omissão dos nomes dos interessados, divulgadas no próprio órgão, bem como remetidas às demais Comissões de Ética, criadas com o fito de formação da consciência ética na prestação de serviços públicos. Uma cópia completa de todo o expediente deverá ser remetida à Secretaria da Administração Federal da Presidência da República. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007). XXII - A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de censura e sua fundamentação constará do respectivo parecer, assinado por todos os seus integrantes, com ciência do faltoso. XXIII - A Comissão de Ética não poderá se eximir de fundamentar o julgamento da falta de ética do servidor público ou do prestador de serviços contratado, alegando a falta de previsão neste Código, cabendo-lhe recorrer à analogia, aos costumes e aos princípios éticos e morais conhecidos em outras profissões; (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007). XXIV - Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se por servidor público todo aquele que, por força de lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, preste serviços de natureza permanente, temporária ou excepcional, ainda que sem retribuição financeira, desde que ligado direta ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal, como as autarquias, as fundações públicas, as entidades paraestatais, as empresas públicas e as sociedades de economia mista, ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse do Estado. XXV - Em cada órgão do Poder Executivo Federal em que qualquer cidadão houver de tomar posse ou ser investido em função pública, deverá ser prestado, 38 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" perante a respectiva Comissão de Ética, um compromisso solene de acatamento e observância das regras estabelecidas por este Código de Ética e de todos os princípios éticos e morais estabelecidos pela tradição e pelos bons costumes. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007). AVALIAÇÃO 1)A sociedade se apoia em três pilares éticos. É vital que ela seja solidária é um dos pilares. Qual das opções abaixo explica esse pilar? A( )é preciso haver oportunidade para todos. B( )é preciso educar a vontade para que a liberdade se torne responsável. C( )é preciso haver compromisso com o bem pessoal e o bem comum. D( )n.r.a. 39 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" 2)Organização flexível enquanto capacidade ética quer dizer que: A( )as estruturas estimulem a participação, a criatividade, a descentralização e a delegação da autoridade. B( )não basta haver líderes, eles devem estar integrados por verdades comuns. C( )deve se desenvolver simultaneamente a percepção diagnóstica e o pensamento estratégico. D( )n.r.a. 3)Ética é a investigação geral sobre aquilo que é bom. Pois bem, assinale a opção falsa: A( ) Ética significa modo de ser, caráter, comportamento. B( ) É o ramo da biologia que busca estudar e indicar o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade. C( ) É o ramo da filosofia que busca estudar e indicar o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade. D( ) Diferencia-se da moral, pois enquanto esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano. 4) Tanto a Moral como o Direito baseiam-se em regras que visam estabelecer uma certa previsibilidade para as ações humanas. Ambas, porém, se diferenciam. Qual das opções abaixo fala da moral de acordo com o texto? A( )estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma forma de garantir o seu bem-viver. B( )independe das fronteiras geográficas e garante uma identidade entre pessoas que sequer se conhecem, mas utilizam este mesmo referencial moral comum. 40 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" C( ) busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada pelas fronteiras do Estado. D( )estão corretas as opções A e B. 5)Qual das opções abaixo refere-se a “sem ética, mas não contra uma ou outra ética”? A( )anti-ético B( )aético C( )ético D( )n.r.a. 6)Aristóteles faz distinção entre alguns tipos de saberes. Quais os saberes correspondem a: “ocupam-se de averiguar o que são as coisas, o que ocorre de fato no mundo e quais são as causas objetivas dos acontecimentos. São saberes descritivos, mostram-nos o que existe, o que é, o que acontece”. A( )poiético B( )práticos C( )teóricos D( )n.r.a. 7)São valores éticos próprios do intelecto teórico segundo Aristóteles: A( )prudência – arte - discrição B( )fortaleza – temperança - pudor C( )justiça – amabilidade – bom humor D( )inteligência – ciência - sabedoria41 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" 8) Para Scheler, existe uma ciência pura dos valores, uma axiologia pura, que se sustenta em três princípios. Leia as afirmativas abaixo e assinale a opção correta. I – Todos os valores são negativos ou positivos II – Valor e dever estão relacionados, pois a captação de um valor não realizado é acompanhada pelo dever de realizá-lo III – Nossa preferência por um valor e não por outro verifica-se porque nossa intuição emocional capta os valores já hierarquizados. A vontade de realizar um valor moral superior em vez de um inferior constitui o bem moral, e seu contrário é o mal. Não existem, portanto, valores especificamente morais A( )Somente está correta a afirmativa I B( )Somente está correta a afirmativa II C( )Todas as afirmativas são falsas D( )Todas as afirmativas são verdadeiras 9) “Propõe encarnar na sociedade os valores e liberdade, justiça e solidariedade por meio do diálogo, como único procedimento capaz de respeitar a individualidade das pessoas e, ao mesmo tempo, sua inegável dimensão solidária, porque em um diálogo precisamos contar com pessoas, mas também com a relação que existe entre elas, a qual, para ser humana, deve ser justa”. Esta definição pertence a qual das éticas abaixo? A( )Ética da falação B( )Ética do Discurso C( )Ética da falácia D( )Ética Poiética 10) O serviço de atendimento ao público é um processo resultante da sinergia de diferentes variáveis. Qual das opções abaixo representa uma destas variáveis? 42 IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais www.ipemig.com.br (31) 3484-4334 - (31) 8642-1801 "É mais que educação, é EVOLUÇÃO" A( )comportamento do usuário B( )organização do trabalho C( )condições físico-ambientais e instrumentais D( )todas as opções acima.