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Apostila Agrobusiness

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entre a Receita e o Custo do Produto Vendido, podendo-se 
apurar o Lucro Bruto ( ver Demonstrativo C) 
 
 Contabilidade Agribusiness 
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3- Alguns comentários sobre a cultura permanente 
3.1- Custos Indiretos 
No período da “Cultura em Formação”, todos os custos voltados para a referida cultura 
serão acumulados nessa conta, inclusive a depreciação dos bens utilizados, desde a 
preparação do solo até a maturidade da plantação. Incluem-se também nessa conta os 
adiantamentos concedidos a fornecedores por conta de fornecimento de adubos, sementes, 
mudas etc. É evidente que, havendo mais culturas, os custos indiretos deverão ser rateados 
e apropriados à “Cultura Permanente em Formação”, conforme sua atribuição para essa à 
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cultura. Assim, considera-se o número de horas que o trator da fazenda destinou 
especificamente à cultura em análise; o número de horas que determinados funcionários 
estiveram disposição da cultura em formação, e assim sucessivamente. 
 
3.2- Perdas extraordinárias (involuntárias) 
As culturas, todavia, em formação ou formadas, estão constantemente sujeitas a perdas 
extraordinárias decorrentes de incêndios, geadas, inundação, granizo, tempestades, secas e 
outros eventos desta natureza. A ocorrência de um desses fatos provoca perda de 
capacidade parcial e, em alguns casos, até total; deve, sem dúvida, ser baixada do Ativo 
Permanente e ser considerado como perda do período, indo diretamente para o Resultado 
do Exercício, mesmo que tal perda esteja coberta por seguro, não importando culturas 
formadas ou em formação. Essas perdas serão classificadas como Despesas não 
Operacionais. 
Normalmente, não se caracterizam perdas extraordinárias as que apresentarem como 
simples frustração ou retardamento de safra agrícola. 
Todavia, tratando-se de perdas normais, inerentes à própria plantação seno previsíveis, 
fazendo parte da expectativa da empresa, farão parte do custo dos produtos agrícolas (não 
sendo baixado como perda extraordinária). 
 
3.3 Aumento da vida útil 
No que tange às culturas formadas, saliente-se que os gastos que beneficiam mais de uma 
safra, ou que a aumenta a vida útil da plantação, incrementando sua capacidade produtiva, 
devem ser adicionados ao valor da cultura formada para serem depreciados até o final da 
vida útil da cultura. 
 
3.4 Despesas Financeiras 
Quando se faz um financiamento para capital de giro, por exemplo, à medida que o tempo 
for decorrendo (mais comum é mensalmente), vai-se contabilizando a despesa financeira 
proporcional ao tempo decorrido, independentemente do pagamento de juros. 
Na agropecuária, esses financiamentos para capital de giro denominam-se financiamento 
para custeio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE III – DEPRECIAÇÃO, EXAUSTÃO e AMORTIZAÇÃO 
NA AGROPECUÁRIA 
 
1- Conceitos de DEPRECIAÇÃO, EXAUSTÃO E AMORTIZAÇÃO 
A depreciação ou desvalorização é o custo ou a despesa da obsolescência dos ativos 
imobilizados, como por exemplo máquinas, veículos, móveis, imóveis ou instalações. Ao 
longo do tempo, com a obsolescência natural ou desgaste com uso na produção, os ativos 
vão perdendo valor. Essa perda de valor é apropriada pela contabilidade periodicamente até 
que esse ativo tenha valor reduzido a zero. 
A depreciação do ativo imobilizado diretamente empregado na produção será alocada como 
custo. Por sua vez, os ativos que não forem usados diretamente na produção terão suas 
depreciações contabilizadas como despesa. 
 
Culturas permanentes 
Depreciação – somente em casos de empreendimentos próprios da empresa e dos quais 
serão extraídos apenas os frutos. 
O custo de aquisição ou formação da cultura é depreciado em tantos anos quantos forem os 
de produção de frutos. 
Ex.: café, laranja, uva, etc. 
Floresta própria ou vegetação em geral 
Exaustão – à medida que seus recursos forem 
exauridos dos custos de aquisição ou formação, excluído o solo. 
Ex.: reflorestamento, cana-de-açúcar, pastagens, etc. 
Aquisição de direitos sobre empreendimentos de propriedades de terceiros 
Amortização – apropriando-se o custo desses direitos ao longo do período contratado. 
 
2- Casos de depreciação 
2.1 – Cultura Agrícola 
Conforme os conceitos apresentados, toda a cultura permanente que produzir frutos será 
alvo de depreciação. Por um lado, a árvore produtora não é extraída do solo; seu produto 
final é o fruto e não a própria árvore, Um cafeeiro produz grãos de café (frutos), mantendo-
se a árvore intacta. 
Um canavial, por outro lado, tem sua parte externa extraída, mantendo-se a parte contida no 
solo para formar novas árvores. 
Segundo esse raciocínio, sobre o cafeeiro incidirá depreciação e sobre o canavial, exaustão. 
Assim, cafeeiro, laranjeiras, castanheiras, macieiras, jabuticabeiras, abacateiros, jaqueiras, 
mamoeiros etc. serão alvos de depreciação. 
A taxa de depreciação só pode ser respondida por agrônomos, técnicos em agronomia ou 
pelos próprios agricultores que conhecem a vida útil ou o número de anos de produção da 
árvore. 
Assim, se uma videira tipo Niágara rosada, na região de Valinhos – SP, produzir frutos, em 
média, durante 15 anos, a taxa de depreciação média anual será de 6,67% (100/15 anos). 
Pode-se também calcular a taxa de depreciação de acordo com a produção estimada da 
cultura permanente. Admitindo-se colher 1.000 de caixas de uva-itália de determinada 
videira, cuja produção do primeiro ano foi de 70.000 caixas, a depreciação será de 7% 
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(70.000/1.000.000) e variará anualmente. O uso desse método oferece, por um lado, a 
vantagem de se ter menos custo de depreciação nos anos de safras ruins (já que a taxa é 
calculada proporcionalmente à produção), de não haver redução excessiva de lucro (ou 
prejuízo) e de evitar grandes oscilações nos resultados no decorrer de vários anos. Por outro 
lado, no ano de maior produção a depreciação será maior. 
Todavia, fique bem definido que a depreciação para incidir sobre a cultura depois de 
formada (nunca em formação), a partir da primeira colheita inclusive. 
 
2.2 Implementos agrícolas (tratores, máquinas...) 
Uma área importante a ser observada com relação à depreciação no meio rural é a 
depreciação dos implementos utilizados na produção da agricultura, que com o 
desenvolvimento da mecanização tem aumentando sua participação na agricultura e na 
pecuária. 
Não há para implementos agrícolas taxas predeterminadas pela legislação, exceto para 
tratores, que é de 25% ao ano; recomenda-se, portanto, a apropriação da depreciação, em 
decorrência do uso, às respectivas culturas ou projetos, considerando que tais equipamentos 
não trabalham ininterruptamente. Fatores como geadas, chuvas, ociosidades devem ser 
considerados na apuração da depreciação, que preferencialmente deve ser apurada por hora 
de trabalho por equipamento. 
- tratores de pneus – 8.000 horas aproximadas de trabalho 
- tratores de esteira – 9.000 horas aproximadas de trabalho 
No cálculo do custo por hora pelo uso do trator, além do valor da depreciação, devem ser 
considerados fatores como manutenção e reparos, combustível, salário