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Estrutura interna da Terra O Big Bang e a formação do Universo Teoria do Big Bang •Ocorreu há ~ 13 ou 14 bilhões de anos atrás; • Em um milionésimo de segundo, toda a matéria que formaria o Universo estava condensada em um único ponto, ainda em forma de energia, a uma temperatura altíssima. Essa situação (ou estado) é chamada de singularidade. •No milionésimo de segundo seguinte, algo rompeu essa singularidade, provocando uma expansão fenomenal. Resfriamento e matéria •No instante seguinte, a temperatura caiu rapidamente. • A energia espalhada esfriou. Esse esfriamento causou um desequilíbrio que acelerou ainda mais a expansão, mas também permitiu que a matéria começasse a se estruturar. •Quanto tempo isso tudo levou? Os cientistas acreditam que apenas outro milionésimo de segundo. A formação do Sistema Solar •Hipótese da nebulosa (Immanuel Kant, 1755); •Uma nuvem (de gases e poeira fina) difusa em rotação lenta contraiu-se devido à força da gravidade (ação entre os corpos por causa de suas massas); • Contração acelerou a rotação das partículas (ex.: patinadores no gelo); • Rotação mais rápida achatou a nuvem; • Sob a atração da gravidade, a matéria começou a deslocar-se para o centro comprimido, acumulando-se como uma protoestrela (protossol), precursora do nosso Sol atual; • A matéria que sobrou (gás e poeira) na nebulosa começa a se resfriar (gases condensam e solidificam-se). • Atração gravitacional causou agregação (por meio de colisões “pegajosas”) de poeira e material condensado em pequenos blocos ou planetesimais de 1 Km; • A colisão e agregação desses planetesimais gerou corpos maiores, com o tamanho da Lua. Num estágio final, uma pequena quantidade desses corpos maiores (e com maior atração gravitacional) arrastou outros corpos para formar os planetas que compõem o nosso Sistema Solar. Organizando as ideias... 1) Ocorre o Big Bang e tem origem o Universo; 2) Bilhões de anos após o surgimento do Universo, uma nuvem de gases e poeira fina (nebulosa) dá origem ao nosso Sistema Solar. O Sol será formado pelo material concentrado no centro da nebulosa e os planetas pelo material restante na periferia; 3) Os planetas se formaram a partir de colisões pegajosas entre blocos rochosos (planetesimais) que varriam a periferia do Sistema Solar, dando origem a grandes porções de matéria (protoplanetas). A medida que os protoplanetas colidiam com outros corpos menores, estes passavam a fazer parte de sua massa, processo este chamado de acreção. Tais colisões também foram importantes fontes de calor no início da existência da Terra. Os primeiros momentos de existência da Terra... • Os primeiros 700 milhões dos ~ 4,6 bilhões de anos de vida da Terra são conhecidos como “ÉON HADEANO”, em referência a Hades (do grego antigo, o “inferno”). O nome parecia se enquadrar bem à percepção comum de que a Terra em seus primórdios era uma paisagem seca, quente e desolada, entremeada por mares de magma. • A nova conclusão dos cientistas foi que o ÉON HADEANO, marcado por intensa e constante atividade vulcânica, não durou tanto quanto se imaginava. Em até menos de 100 milhões de anos após seu surgimento, a Terra já estava com a presença de quantidades maciças de vapor e água líquida e já apresentava uma crosta sólida e relativamente estável, com grande atividade sísmica e vulcânica, mas nada comparado ao caldo homogêneo e borbulhante de rocha fundida (magma) que dominava os primórdios de sua existência. Nos primórdios de sua existência, a Terra era dominada por intensa atividade vulcânica... Resfriamento • Com o resfriamento, os minerais externos começam a se solidificar primeiro; • Ocorre a formação da crosta (a camada mais externa da Terra); • O material mais denso (como o níquel e o ferro) mergulhou para o interior para tornar-se o núcleo, e o material mais leve flutuou para a superfície e formou a crosta. A esse processo dá-se o nome de diferenciação; • Dessa forma, a Terra resfriou-se e grande parte dela solidificou-se e foi transformada em um planeta organizado internamente em 3 camadas principais: um núcleo central e uma crosta externa separados por um manto. Com o resfriamento, forma-se a crosta primitiva... A EVOLUÇÃO DO PLANETA TERRA ASSOCIA-SE A DIFERENCIAÇÃO, QUE CONSISTE NA TRANSFORMAÇÃO DE UMA MISTURA CAÓTICA DE MATERIAIS EM UM CORPO ESTRUTURADO EM CAMADAS CONCÊNTRICAS QUE SE DIFEREM ENTRE SI QUIMICAMENTE E FISICAMENTE... Consequência principal da diferenciação: Estruturação interna O material pesado (Ni e Fe) mergulhou para o interior, formando o núcleo; e o material mais leve (Si, Al e Mg) flutuou para a superfície e formou a crosta. Reorganização de compostos químicos com base na densidade dos elementos Como conhecer a estrutura e a dinâmica interna da Terra? Métodos diretos •Fornecem dados a partir da observação direta das rochas e dos fenômenos geológicos. • A observação das paisagens geológicas As desigualdades encontradas na superfície terrestre, desde os fundos marinhos até os altos cumes continentais, permitem obter dados sobre a estrutura interna da Terra, uma vez que as cadeias montanhosas se formam em decorrência do movimento das placas tectônicas. Deste modo, alguns materiais do interior surgem na superfície terrestre. • A exploração de jazidas minerais Explorações realizadas em minas permitem conhecer zonas do interior da crosta terrestre. • As sondagens - Perfurações efetuadas em diversos locais, que chegam a atingir vários quilômetros de profundidade, permitem obter dados de zonas mais profundas da crosta terrestre. - O furo de sondagem mais profundo feito até hoje (em Kola, na Rússia) atingiu 12 Km, uma fração insignificante pois o raio da Terra é de 6.370 Km. • A atividade vulcânica Os materiais expelidos para o exterior, provenientes do interior da Terra, podem ser usados para o estudo da sua estrutura. Apesar das alterações que o magma possa sofrer na sua ascensão (subida para a superfície), é possível tirar conclusões sobre a composição químico-mineralógica dos materiais que constituem o interior da Terra. Métodos Indiretos •Quase toda a informação que permite determinar, com algumas reservas, as características estruturais do interior da Terra, é fornecida, essencialmente, por métodos indiretos. • Propagação de ondas sísmicas • A trajetória das ondas sísmicas está sujeita a alterações; • Sempre que as características do meio em que se propagam sofrem modificações, a trajetória varia, por exemplo, com a rigidez dos materiais que atravessam, decorrente de mudanças no estado físico; • O estudo das velocidades e das trajetórias das ondas sísmicas, no interior da Terra, permite concluir que esta apresenta uma grande heterogeneidade na sua constituição; • As zonas onde se produzem alterações bruscas na propagação das ondas sísmicas, em diferentes profundidades, indicam uma mudança na composição, estrutura e rigidez do material. • Ondas sísmicas são vibrações que se propagam em todas as direções na forma de ondas (liberação rápida de energia); • Ondas sísmicas se propagam graças à elasticidade das rochas que vibram da mesma maneira que o ar ou qualquer outro meio (sólido ou líquido); • A velocidade de propagação está diretamente relacionada à rigidez (estado físico) e densidade do material; • Assim, como a velocidade depende das propriedades dos materiais através dos quais passam as ondas, as mudanças de velocidades em diferentes profundidades são atribuídas a diferentescomposições e densidades. Tipos de ondas sísmicas (de acordo com o sentido de propagação) Longitudinal (P) e Transversal (S) 1) Longitudinal (ondas P) - Propaga-se nos meios sólidos, líquidos e gasosos (as variações nos oferecem um panorama da estrutura interna da Terra); - Maior velocidade em materiais com maior densidade; - Velocidade média: 3,2 a 13,8 Km/s (mais rápida). 2) Transversal (ondas S) - Não se propaga em meios líquidos e gasosos; - Velocidade média: 3,2 a 7,3 Km/s (mais lenta). • A diferença entre as velocidades sísmicas da crosta e manto indica uma mudança na composição rochosa. No caso do manto, vale ressaltar que uma pequena fração das rochas está fundida (fusão parcial), diminuindo a rigidez do material nessa profundidade. Em geral, quanto maior a densidade de uma rocha, maior a velocidade das ondas sísmicas. • É justamente essa propriedade (velocidade) que permite usar as ondas sísmicas para obter informações sobre a estrutura e a composição em grandes profundidades. • Desta maneira, a crosta, junto com uma parte do manto superior, formam uma camada mais dura e rígida, chamada litosfera. Logo abaixo, há uma camada denominada astenosfera, na qual as rochas são mais maleáveis (plásticas, deformáveis). O limite litosfera/astenosfera é gradual e indica mudança de propriedades físicas: aumento de temperatura, fusão parcial e grande diminuição da viscosidade (resistência ao fluxo). • Dados fornecidos por satélites • Através do estudo de outros astros do Sistema Solar, que se supõe terem a mesma origem da Terra, os cientistas fazem deduções sobre a estrutura interna do nosso planeta. Ilustração científica da sonda Juno em Júpiter. • Analogia entre os materiais terrestres e de planetas e satélites (naturais) vizinhos da Terra, ou mesmo corpos celestes que orbitam nosso Sistema Solar, como asteroides e cometas. • Planetologia comparada Astronauta da missão Apollo 17, examinando uma grande rocha lunar nas proximidades do local de pouso da nave espacial, em dezembro de 1972. •Através do estudo dos dados obtidos pelos métodos diretos e indiretos, os cientistas elaboraram dois modelos da estrutura interna da Terra: um baseado nas propriedades químicas dos materiais; e outro nas propriedades físicas dos materiais. Modelo segundo as propriedades químicas (densidade) dos materiais Crosta Núcleo Manto * ondas P são ondas longitudinais, ou seja, as partículas do meio vibram paralelamente à direção de propagação. contato • As descontinuidades são zonas onde ocorre uma bruta variação das propriedades elásticas do material terrestre, isto é, são camadas de transição, nas quais há diferença na densidade da rocha constituinte. • Dentre as mais importantes descontinuidades terrestres, estão: a de Mohorovicic, que separa a crosta e o manto. O nome foi dado em homenagem ao seu descobridor, o sismólogo iugoslavo Andrija Mohorovicic. Não possui profundidade constante por toda a Terra mas a cerca de 5-10 km nas áreas oceânicas e a 30-80 km nas áreas continentais, variando com o relevo. a de Gutenberg, que separa o manto e o núcleo, a cerca de 2900 km de profundidade. Estudando as ondas S, verificou-se que elas não se propagavam no núcleo (externo), o que levou à conclusão de que a rigidez do material é nula, ou seja, o meio é líquido. Modelo segundo as propriedades físicas (rigidez) dos materiais •Os cientistas admitem que, por baixo da litosfera, existe uma camada menos rígida, denominada astenosfera. •Devido à sua plasticidade, isto é, o fato das rochas que compõem a astenosfera serem menos rígidas, as placas tectônicas (ou litosféricas) que estão sobre esta camada, se deslocam graças ao movimento convectivo do magma. •Por baixo da astenosfera, o manto superior é novamente rígido. Endosfera (Núcleo) - Ocupa o centro da Terra, a partir dos 2900 km de profundidade. É dividido em duas camadas: o núcleo interno e o núcleo externo formam uma camada designada endosfera. - Núcleo externo - Líquido, devido às enormes temperaturas que se fazem sentir nesta camada, e é constituído por ferro e níquel. Estende-se até uma profundidade de 5170 km, com temperatura na casa dos 2.200º C. - Núcleo interno - Sólido, devido às enormes pressões que está sujeito. É constituído, essencialmente, por ferro e níquel e tem um raio aproximado de 1200 km, com temperaturas na casa dos 5.000º C. A: modelo segundo as propriedades químicas. B: modelo segundo as propriedades físicas. A B A astenosfera corresponde à zona de baixa velocidade (rochas parcialmente fundidas). • A litosfera não é contínua, falhas profundas dividem a litosfera em fragmentos rochosos que são chamados de placas tectônicas (do grego tekton, que significa “construtor”). • É onde se manifestam os fenômenos geológicos relacionados à dinâmica interna, como movimentos tectônicos, abalos sísmicos, episódios de vulcanismo, metamorfismo, etc. • Conforme dito anteriormente, o movimento das placas tectônicas deve-se as correntes convectivas de magma, em constante movimento de ascensão (subida) e subsidência (descida) entre as camadas de rochas da litosfera. Se o manto é sólido, como se forma o magma? Fusão parcial: uma rocha nunca se funde totalmente (minerais apresentam pontos de fusões diferentes). - Pressão * Quanto maior a pressão, maior o ponto de fusão, pois são necessárias maiores temperaturas para fundir a rocha. A pressão aumenta com a profundidade (camadas de rochas superiores exercem pressão sobre as inferiores), logo, em maiores profundidades são necessárias maiores temperaturas para fusão das rochas. ** Quanto menor a pressão, menor o ponto de fusão: fusão por descompressão. Bibliografia PRESS, F. et al. Para entender a Terra. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. TEIXEIRA, W. et al. Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000.