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UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL Campus Gravataí Curso de Psicologia INTERVENÇÃO EM CRISE Psicologia Hospitalar Psic. Priscila Viegas Kercher Psic. Tadiela Lodéa Rodrigues CRISE A expressão “crise” provém da palavra grega krisis, que significa “decisão” e deriva do verbo krino, que quer dizer “eu decido, separo, julgo” Crise enquanto experiência de vida – tentativa de buscar equilíbrio Crises evolutivas x Crises Circunstanciais Estratégias previamente utilizadas fracassam – desorganização emocional Estado de crise – é limitado no tempo, evento desencadeador, sendo a resolução multifatorial (características do evento, fatores individuais e apoio social) - Pode ameaçar a saúde mental do indivíduo - Atentar para sinais e sintomas apresentados (Sá, Werlang & Paranhos, 2008) INTERVENÇÃO EM CRISE É um procedimento sistemático que visa minimizar o impacto emocional diante do evento potencialmente “traumático” Auxiliar o indivíduo na construção de estratégias de enfrentamento adaptativas Momento de crise – defesas psíquicas mais permeáveis Psicólogo é mais ativo e diretivo, além de ágil e flexível Estresse agudo – dificulta o estabelecimento de prioridades, bem como a capacidade de pensar e agir conforme as demandas da situação Geralmente o “estado de crise” se resolve entre 4 a 6 semanas (Sá, Werlang & Paranhos, 2008) TIPOS DE INTERVENÇÃO EM CRISE Supressoras de ansiedade (ou de apoio): diminuir ou eliminar a ansiedade através do uso de técnicas de apoio, tais como reasseguramento, técnicas de relaxamento e manipulação do ambiente. Provocadoras de ansiedade: proporcionar algum nível de insight, utilizando a clarificação, confrontação e perguntas que estimulam a pessoa se questionar. Neste caso, é fundamental a identificação de um foco Período máximo de 2 meses de duração para a Psicoterapia de Apoio em Crise (Cordiolli, 1998) PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM CRISE Sistematização Estabelecer contato psicológico Analisar o problema Analisar as possíveis soluções Assistir para executar ações concretas Seguimento para verificar o progresso (Sá, Werlang & Paranhos, 2008) PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM CRISE Primeiros socorros psicológicos Preparação- manejar focos de intervenção de acordo com os sujeitos de maior risco Primeiros contatos – apresentação profissional, atendimento de necessidades básicas e imediatas Segurança e conforto- rede social, acompanhamento, fornecimento de informações necessárias Estabilização- indivíduos emocionalmente no limite ou sobrecarregados (sofrimento intenso) Busca de informações- com cuidado, investigar histórico psicológico/psiquiátrico PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM CRISE Primeiros socorros psicológicos 6. Assistência prática- execução dos planos de ação 7. Contato com apoio social- busca de auxílio externo (familiares, comunidade) 8. Estratégias de manejo psicológico 9. Contato com serviços de colaboração – continuidade ao atendimento (Silva et al, 2013) SAÚDE MENTAL DO PROFISSIONAL DA SAÚDE No campo da relação entre saúde e trabalho, três modelos concentuais de destaque: estresse-adaptação – conceitos intimamente ligados. Enquanto uma definição operativa, estresse trata-se da resposta do organismo (corpo e mente) às pressões internas (desejos, ambições, expectativas, conflitos) e externas (pressões vinculadas ao exercício profissional, às condições de vida). burnout Sintomas somáticos fadiga,cefaléia, distúrbios gastrointestinais, alterações do sono, dores musculares Sintomas psicológicos exaustão emocional, falta de concentração, humor depressivo, ansiedade, rigidez, negativismo, ceticismo, desinteresse, baixa autoestima Sintomas comportamentais absenteísmo, erros profissionais, irritabilidade com pacientes e colegas ,etc (Botega, 2012) SAÚDE MENTAL DO PROFISSIONAL DA SAÚDE demanda-controle – a demanda psicológica do trabalho do profissional é relacionada com o grau de autonomia e controle que ele tem sobre sua atividade. BoB (Botega, 2012) Categoria Características Exemplo Alta exigência Alta demanda psicológicano exercício profissional e baixo controle sobre a atividade Trabalho em serviços públicos de emergência Trabalho ativo Alta demanda psicológica e alto controle da atividade Atividade de direção em instituições de saúde Trabalho passivo Baixa demanda psicológica e baixo controle Trabalhoburocrático repetitivo com pouca responsabilidade Baixa exigência Baixa demanda e alto controle Atividade com poucas solicitações e grandeautonomia SAÚDE MENTAL DO PROFISSIONAL DA SAÚDE Contratransferência (impotência, vergonha, embaraço, negação, raiva, hostilidade, tristeza, inquietação) Trauma secundário e/ou fadiga por compaixão (contágio emocional ou a angústia pessoal diante do sofrimento dos outros compreende reação pré-empáticas – trauma secundário profissional exposto repetidamente a vítimas ou situações traumáticas – experienciam sintomas de TEPT) Autocuidado: 1)Tratamento pessoal 2)Orientação e suporte de uma coordenação acessível antes e depois da atuação 3) Abertura à troca de percepções e sentimentos entre a equipe (Franco, 2015) ATIVIDADE PRÁTICA CASOS CLÍNICOS Contexto Hospitalar CASO INFANTIL UTI Pediátrica Equipe médica aciona a Psicologia para participar da comunicação de más notícias (morte cerebral) aos pais de uma criança de 7 anos. Devido a internação de emergência, não houve possibilidade de atendimento psicológico prévio. Segundo à equipe, pais referiram que não tinham compreensão do que havia acontecido com a criança, pois estava brincando e se comunicando normalmente no dia anterior CASO ADULTO Internação Adulto Equipe de enfermagem aciona psicologia com urgência para atender paciente do sexo masculino, 42 anos, com ideação suicida com plano de execução durante internação após confirmação do diagnóstico de câncer de pulmão. Paciente disse à equipe que não conseguirá lidar com o tratamento e prefere acabar com sua vida para não ter mais sofrimento. Paciente fica desacompanhado a maior parte do tempo. PERGUNTAS DISPARADORAS O que você sentiria ao se deparar com o contexto apresentado? De que forma você iniciaria sua abordagem? Qual seria a intervenção com a equipe? Qual seria a intervenção com a família? Qual seria a intervenção com o paciente? De que forma os sentimentos despertados na equipe (médico, enfermeira,psicólogo, etc) poderiam ser manejados? HOSPITAL E INTERVENÇÃO EM CRISE Óbito Más notícias Procedimento cirúrgico Abstinência de drogas Conflitos familiares Ideação suicida Psicose puerperal Risco à saúde da criança pela conduta de risco dos pais REFERÊNCIAS Botega, N. J. org (2012). Prática Psiquiátrica no Hospital Geral : Interconsulta e Emergência. 3. ed. Porto Alegre : Artmed. Franco, M. H. P. org. (2015). A Intervenção Psicológica em Emergências - Fundamentos para a Prática . São Paulo: Summus. SA, S. D., WERLANG, B. S. G., PARANHOS, M. E. Intervenção em crise. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, v. 4, n. 1, 2008. SILVA, T. L. G. da. et al. Primeiros Socorros Psicológicos-relato de intervenção em crise em Santa Maria. Revista Brasileira de Psicoterapia, v. 15, n. 1, p. 93-104, 2013.