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Direito Penal. Parte Geral. Prof. Gabriel Habib. 2018

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em prejuízo do réu. 
Vige a irretroatividade da lei penal mais severa, como decorrência do p. da legalidade 
na vertente nullum crimen sine praevia lege. Essa irretroatividade é absoluta, sem 
exceções. 
 
Lei mais benéfica – fato – advento da lei mais severa – julgamento - condenação 
Mesmo que o sujeito seja condenado hoje, se a lei atual é mais severa será aplicada a lei 
que vigia ao tempo da sua conduta. 
Note que, ao mesmo tempo em que vedamos à lei mais severa retroatividade, estamos 
dando à lei mais benéfica ultratividade. Ela está regendo o caso mesmo depois de ter 
sido revogada. 
A progressão de regime antigamente, como vimos, era de 1/6 para qualquer crime, 
inclusive hediondos e equiparados. Em 2007, adveio lei aumentando a fração para 2/5 
ou 3/5 em caso de crime hediondo ou equiparado. 
Quem praticou crime hediondo ou equiparado antes da vigência dessa nova lei 
11.464/2007 irá progredir quando completados 1/6 de cumprimento da pena, aplicando-
se a fração da lei anterior. Há irretroatividade absoluta da Lei 11.464/2007, que é mais 
severa. 
Súmula nº 471 STJ 
 
2. Lei posterior mais benéfica que a anterior (lex mitior, novatio legis in 
mellius) 
A lei mais benéfica posterior sempre retroagirá: é o p. da retroatividade da lei penal 
mais benéfica (art. 5º, inc. XL, CF + art. 2º, p. único, CP). 
Se houver uma condenação com trânsito em julgado4 e sobrevir lei mais benéfica, esse 
trânsito em julgado poderá ser desconstituído. 
 
 
4 Trânsito em julgado significa que acabado o processo, também acabou a discussão. O trânsito em 
julgado mata o contraditório e faz coisa julgada material, havendo uma pena definitivamente imposta. 
 
 
 
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DIREITO PENAL | Teoria da Norma, Teoria do Crime e Teoria da Pena 
Abolitio criminis 
 
3. Lei posterior aboliu o crime, tornando o fato impunível (abolitio criminis) 
Art. 2º, caput, CP. 
Trata-se de uma causa de extinção da punibilidade (art. 107, III, CP). Em decorrência, 
cessam os efeitos penais da condenação: se estiver cumprindo pena, esta cessa (se for 
PPL, é posto em liberdade; se for PPR, cessa o serviço comunitário), apaga a 
reincidência, volta a ter bons antecedentes, o nome é retirado do rol dos culpados… 
Os efeitos civis permanecem, como é o caso da obrigação de indenizar pelo dano. 
Abolitio criminis ocorre quando a lei posterior deixa de considerar a conduta como 
criminosa – ela passa a ser atípica. Isso não ocorre quando lei posterior prevê o mesmo 
crime, mas revoga a lei anterior, como é o caso do Crime de Corrupção de Menores. 
Antes, estava no art. 1º da Lei 2252/54. Esse delito passou a constar no art. 244-B do 
ECA. Houve a revogação da lei anterior, mas sem abolitio criminis, porque a conduta 
continua sendo considerada criminosa, embora a previsão agora conste de outro 
dispositivo legal. 
Também foi o que ocorreu com o antigo atentado violento ao puder, que passou a ser 
considerado como estupro. 
Chamamos essa mudança de dispositivo como princípio da continuidade 
normativo-típica. 
 
A mudança de tipo penal de um crime é chamada 
de princípio da continuidade normativo-típica, e 
ela não é considerada abolitio criminis 
 
A abolitio criminis tem natureza jurídica de causa de extinção da punibilidade. Mas 
quem tem competência para declarar extinta a punibilidade por abolitio criminis? 
 Nos processos em curso na 1ª ou 2ª instância => a competência para declarar a 
extinção da punibilidade é o juízo natural. O processo não deve ter seu curso em 
juízo com competência prévia prevista em lei antes da prática do fato delituoso? 
Então o juiz com competência para reconhecer a abolitio criminis é aquele 
natural para o julgamento da causa. Na 1ª instância, vai ser o juízo da Vara 
Criminal onde o processo estiver correndo. Na 2ª instância, seja a competência 
 
 
 
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DIREITO PENAL | Teoria da Norma, Teoria do Crime e Teoria da Pena 
originária ou recursal, a declaração se dará pelo relator do processo no Tribunal; 
se ele não fizer isso, o revisor pode fazê-lo. Se nenhum dos dois fizer isso, o 
vogal também pode declarar a abolitio. 
 
 Processos findos, com condenado cumprindo pena => depois que o juízo da 
condenação aplica a sentença, ele sai de cena – a partir dali, tudo se dará com o 
juízo da execução penal. Transitado em julgado o processo, a declaração de 
abolitio criminis e da extinção da punibilidade será o juízo da execução (art. 66, 
inc. I e II, LEP + S. 611 STF). 
 
Pt. 02 
 No curso do inquérito policial => o delegado de polícia não pode declarar a 
abolitio criminis. Lembre que ele não pode arquivar inquéritos policiais, e 
consequentemente não pode declarar extinta a punibilidade. Para exercer o jus 
puniendi, é preciso ter jurisdição. Quando declaramos a abolitio, é o inverso da 
moeda: para deixar de exercer o jus puniendi também é necessário ter jurisdição. 
Só quem o tem é o magistrado: todos os demais personagens do processo 
(delegados, defensores, membros do MP, membros das Procuradorias do Estado, 
Município, Fazenda, INSS, etc.) são destituídos de jurisdição e por isso não 
podem declarar extinta a punibilidade. Por isso, o delegado de polícia não pode 
arquivar inquérito: o IPL é obrigatório, e o delegado não pode deixar de exercer 
jus puniendi. Se o inquérito é instaurado e arquivado por causa de exclusão da 
ilicitude ou causa de exclusão da tipicidade, a decisão faz coisa julgada material. 
Em tese, o inquérito pode ser desarquivado desde que existam notícias de novas 
provas. Mas se for arquivado por causa de exclusão da tipicidade ou causa de 
exclusão da ilicitude, a decisão do juiz fará coisa julgada material, mesmo sem 
processo. Tais decisões tocam ao mérito do processo 
(questão de mérito), então o Estado já se pronunciou sobre a existência ou não 
do crime. Ocorrida a abolitio criminis no curso do IPL, o delegado deve remetê-
lo ao titular da ação penal (MP) para que este peça o arquivamento ao juiz. 
 
 Antes da instauração do inquérito policial => não é necessário fazer nada. Se 
houver um requerimento para a sua instauração e vem a abolitio nesse meio 
tempo, o delegado zeloso faz um relatório e ali menciona que adveio a Lei X, 
segundo a qual a conduta não é mais criminosa, então determina a não 
instauração do inquérito, mandando notificar o requerente. Deve haver justa 
causa mínima para instaurar IPL, e se a conduta não é mais criminosa inexiste 
essa justa causa, não podendo ser iniciado o inquérito. 
 
 
 
 
 
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DIREITO PENAL | Teoria da Norma, Teoria do Crime e Teoria da Pena 
Combinação de Leis 
 
4. A lei posterior tem alguns preceitos mais severos e outros mais benignos em 
relação à lei anterior 
Em suma, posso pegar uma parte da lei X e outra parte da lei Y, misturando-as? É a 
combinação de leis. 
Em 1997, adveio o CTB, que previu o crime de homicídio culposo na direção de veículo 
automotor (pena: 2 a 4 anos), que até então estava no art. 121, §3º, CP (pena: 1 a 3 
anos). 
A pena do CP é mais benéfica. 
 
Outro exemplo é a Lei de Drogas. A lei antiga, 6.368/76, previa para o crime de tráfico 
pena de menor (03 a 15 anos) do que a atual 11.343 (05 a 15 anos). Ocorre que esta, em 
seu §4º, tem causa de diminuição de 1/6 a 2/3, previsão que inexistia na lei antiga. 
Podemos aplicar a diminuição da nova lei à pena prevista na Lei 6.368/76? 
 
Outra hipótese é no Código Penal Militar, que prevê para o uso de drogas uma pena de 
até 05 anos. 
 
Uma 1ª posição diz que pode haver combinação de leis. Quando o juiz aplica partes 
benéficas de 2 leis diferentes, está aplicando os preceitos constitucionais dos princípios 
da retroatividade ou da ultratividade da lei penal mais benéfica. Ele retroage com uma 
lei e com a ultratividade de outra lei, atendendo

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