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Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar 
 
TEMA 1 – Patologías de las construcciones 
 
Pontes: Patologias dos Aparelhos de Apoio 
Rafael Navalho Machado1,a, Artur Lenz Sartorti2,b 
1 UNASP, Estrada Municipal Pr. Walter Boger, s/n Lagoa Bonita - Engenheiro Coelho – SP, 
Caixa Postal 11, Departamento de Engenharia Civil, CEP: 13165-970, Brasil. 
2 UNASP, Estrada Municipal Pr. Walter Boger, s/n Lagoa Bonita - Engenheiro Coelho – SP, 
Caixa Postal 11, Departamento de Engenharia Civil, CEP: 13165-970, Brasil. 
a
 rafa_navalho@hotmail.com, b artur.sartorti@iltruk.com.br 
Palavras-chave: Aparelho de Apoio, Pontes, Neoprene, Manutenção, Patologias. 
 
Resumo. 
Desde os tempos remotos, a humanidade necessita ultrapassar 
obstáculos para realizar suas tarefas, e foi com esse propósito que as primeiras 
pontes surgiram. No início as pontes, na maioria das vezes em estruturas de 
pedra e madeira, tinham dimensões pequenas, portanto não havia a 
necessidade de cuidados especiais. Entretanto com o emprego de estruturas 
de aço e concreto, vãos cada vez maiores foram sendo projetados e em face 
dos decorrentes problemas nas estruturas em transmitir esforços, teve-se a 
necessidade de pensar em um dispositivo que não modificasse a estrutura 
original, desta forma surgem os aparelhos de apoio. Naturalmente nota-se que 
os aparelhos de apoio são de grande valia para as pontes, entretanto vale 
ressaltar que as patologias encontradas nestes dispositivos têm afetado 
grandemente as estruturas das pontes. Atualmente tem-se observado a grande 
preocupação com os problemas patológicos na construção civil. Portanto, este 
artigo tem como objetivo mostrar, através de ampla revisão bibliográfica e 
exemplos de casos reais, as patologias, métodos corretivos e formas de 
prevenção de problemas nos aparelhos de apoio. São também apresentados 
no artigo conceitos referentes à manutenção estratégica e excepcional bem 
como os programas de inspeção de obras-de-arte com foco nos aparelhos de 
apoio. 
Introdução 
Através dos tempos a engenharia tem contribuído de forma significativa 
para o bem estar da humanidade, visando sempre à melhoria dos mais 
diversos meios, tanto no âmbito científico como social. Um exemplo de 
engenharia que une ciência e sociedade são as pontes. As pontes têm por 
finalidade interligar pontos não acessíveis, separados por obstáculos naturais 
ou artificiais. 
Naturalmente o projeto de uma ponte inicia-se pelo conhecimento de 
sua finalidade, ou seja, é necessária primeiramente uma análise dos 
carregamentos solicitados pelo conjunto da obra além de informações 
topográficas, hidrológicas e geotécnicas. Particularmente o presente artigo se 
deterá em um dos elementos estruturais das pontes, os aparelhos de apoio. 
 
Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar 
 
O aparelho de apoio é o elemento colocado entre a superestrutura e 
mesoestrutura e tem como principal função a transmissão de reações da 
superestrutura para a mesoestrutura, que por sua vez transfere à infra-
estrutura (fundação), e até o solo. Embora os aparelhos de apoio sejam 
apenas uma parte da estrutura, deve-se atentar aos possíveis problemas de 
sua não utilização, ou mesmo a falta de atenção em seu projeto e execução, 
pois este é o elemento que está entre a viga e o pilar, e qualquer problema 
nesta etapa da construção, elevará o custo total da obra. 
Aparelhos de Apoio 
Os aparelhos de apoio surgiram em meados do século XIX, na época os 
vãos eram pequenos e as estruturas de alvenaria de pedra, pelas grandes 
dimensões, inclusive nos apoios, não impunham na maior parte dos casos, a 
necessidade de cuidados especiais. As estruturas foram sendo projetadas para 
vãos cada vez maiores, e em face dos grandes problemas das estruturas em 
transmitir os esforços de um ponto a outro ou mesmo levar em consideração a 
variação da temperatura, retração e expansão dos materiais, movimentos de 
rotação ou de translação, etc., teve-se a necessidade de pensar em um 
dispositivo que visasse não deixar que tais problemas modificassem os 
elementos constituintes das estruturas, para isso são utilizados os aparelhos 
de apoio. 
Nas estruturas de edifícios não se utilizam este tipo de dispositivo, 
apesar de que o cálculo dos esforços tenha sido feito com a hipótese de 
existirem articulações. Esta simplificação de cálculo, criando articulações onde 
não existem, só é admissível em estruturas com vãos e carregamentos 
pequenos, onde as ações secundárias gerados pela ausência das articulações 
na estrutura real podem ser desprezados [El Debs e Takeya (2009)1]. 
Já nas estruturas de pontes e nas construções de grande porte, há a 
necessidade de se utilizar os aparelhos de apoio pelos diversos movimentos 
que a estrutura está submetida. 
Desta forma, os aparelhos de apoio podem ser definidos como 
dispositivos que fazem a transição entre a superestrutura e a mesoestrutura ou 
a infra-estrutura [DNIT (2006)2]. Suas principais funções são: 
� Transmitir as cargas da superestrutura à mesoestrutura ou à infra-
estrutura; 
� Permitir os movimentos longitudinais da superestrutura, devidos a 
retração própria da superestrutura e aos efeitos da temperatura, 
expansão e retração; 
� Permitir as rotações da superestrutura, motivadas pelas deflexões 
provocadas pela carga permanente e pela carga móvel. 
Os movimentos de rotação tendem a girar a estrutura e o de translação 
faz um movimento deslizante, e desta forma os aparelhos de apoio podem ser 
classificados: 
� Articulações fixas, que apenas permitem os movimentos de rotação, 
gerando reações verticais e horizontais; 
� Articulações móveis, que permitem tanto a rotação como a translação, 
gerando apenas reação vertical, na realidade a reação horizontal surge 
 
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por atrito, entretanto pode ser desprezada pelo valor relativamente 
pequeno. 
� As articulações elásticas permitem também os dois movimentos, a 
rotação e a translação, gerando reações verticais. 
Tipologia dos Aparelhos de Apoio 
A) Aparelhos de Apoio Metálicos 
Os aparelhos de apoio metálicos podem ser obtidos combinando-se 
adequadamente chapa e roletes metálicos. 
As articulações fixas, conforme Fig °1, possuem cavidades usinadas e 
lubrificadas onde se encaixa o rolete. Podem ser obtidas também se 
combinando duas chapas metálicas, uma com a superfície plana e outra com a 
superfície curva e convexa. Já as articulações móveis (Fig °2) possuem um ou 
mais roletes entre chapas planas [El Debs e Takeya (2009)1]. 
 
Figura 1 - Aparelhos de apoio metálico do tipo fixo 
FONTE: [El Debs e Takeya (2009)1] 
 
O grande questionamento devido ao uso das articulações metálicas é 
que são totalmente dependentes de manutenção cuidadosa e permanente, 
para que as mesmas não sejam prejudicadas no seu funcionamento pelo 
bloqueio de detritos e pela corrosão, que muitas das vezes torna a peça 
insatisfatória, podendo até chegar ao colapso. Quando há a possibilidade de 
reparos na articulação devem-se levar em consideração alguns pontos como: 
� Inspeção minuciosa; 
� Verificação estrutural; 
� Remoção dos detritos, liberando todos os elementos componentes 
da articulação metálica dos obstáculos ao seu funcionamento; 
� Tratamento de corrosões superficiais e jateamento de areia e 
pintura anti-corrosão. 
 
 
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Figura 2 - Aparelhos de apoio metálico do tipo móvel 
FONTE: [El Debs e Takeya (2009)1] 
B) Aparelhos de apoio de concreto 
O grande fator de relevância dos aparelhos de apoio de concreto é que 
além de serem construídos junto com a própria estrutura, utilizando os mesmo 
materiais, conseguem suportar maioressolicitações do que os aparelhos 
metálicos. Entretanto vale salientar que este tipo de dispositivo está em desuso 
por causa da sua fragilidade sendo apenas mencionados no texto deste artigo. 
Os aparelhos de apoio de concreto podem ser divididos em: 
� Articulação de contato de superfície, Fig °3; 
� Articulação Mesnager, Fig °4; 
� Articulação Freyssinet, Fig °5; 
� Pêndulo de concreto, Fig °6. 
 
Figura 3 - Articulação de contato de superfície 
FONTE: [El Debs e Takeya (2009)1] 
 
 
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Figura 4 – Articulação Mesnager 
FONTE: [El Debs e Takeya (2009)1] 
 
 
Figura 5 - Sistema construtivo de uma articulação Freyssinet 
FONTE: [El Debs e Takeya (2009)1] 
 
 
Figura 6 - Pêndulos de concreto 
FONTE: [El Debs e Takeya (2009)1] 
 
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C) Aparelhos de Apoio de Neoprene 
Os tipos de aparelhos de apoio retratados (metálico e de concreto) 
sofrem com alguns problemas que os impeçam de serem comumente usados, 
seja o fator custo, manutenção ou propriedades do material. Assim pela busca 
do aperfeiçoamento do dispositivo surgiram os aparelhos de apoio de 
elastômero (borracha sintética) à base de policloropreno, mais conhecidos 
como neoprene (Fig °7). 
A utilização deste tipo de aparelho de apoio gera, entre a superestrutura 
e a mesoestrutura, uma ligação flexível apresentando grandes deformações e 
deslocamentos. 
As principais características destes elementos são: 
� Módulo de deformação transversal de valor muito baixo; 
� Módulo de deformação longitudinal, também de valor muito baixo; 
� Grande resistência a intempéries. 
 
 
 
Figura 7 – Aparelho de apoio de neoprene 
FONTE: Foto retirada pelo autor em um viaduto localizado em Sumaré-SP, em 01/06/2009. 
 
As duas primeiras características implicam os movimentos de translação 
e de rotação e a última retrata a dispensa de manutenção periódica, que nos 
outros tipos de aparelhos são indispensáveis para o uso correto do dispositivo. 
Para reações de pequena intensidade utiliza-se apenas o neoprene, 
entretanto para estruturas de grande porte há a necessidade de se empregar 
uma junção entre o neoprene e chapas de aço vulcanizado, formando um único 
bloco. Na realidade este tipo de dispositivo usado mostra a intercalação entre 
chapa de aço e neoprene (Fig. °8), assim é feito um tipo de “sanduíche” onde 
as chapas de aço exercem uma função de cintamento sobre as placas de 
neoprene, reduzindo o seu achatamento excessivo, e aumentando as tensões 
admissíveis no apoio. 
 
 
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Figura 8 – Aparelho de apoio neoprene com chapa de aço (cintado) 
FONTE: [Neoprex Manual Técnico (2009)3] 
 
Há um tipo de dispositivo que associado com o neoprene reduz reações 
horizontais nos apoios, assim tornando a estrutura com maior mobilidade 
horizontal. Para que essa situação ocorra é empregada uma articulação 
elástica deslizante conhecida como Neoflon (Fig. °9), que nada mais é do que 
a junção entre o neoprene e o teflon (resina que sob altas pressões apresenta 
coeficientes de atrito muito baixos). 
 
(a) 
 
 (b) (c) 
 
Figura 9 – Articulação elástica deslizante Neoflon: (a) parte superior com chapa 
de aço revestida com aço inox; (b) Parte inferior revestida na face superior por 
folha de teflon; (c) conjunto de placas que forma o neoflon. 
FONTE: [El Debs e Takeya (2009)1] 
 
Existem outros tipos de aparelhos de apoio de neoprene, como o 
aparelho de apoio de neoprene de panela. É utilizado para apoios que tenham 
cargas muito elevadas. 
 
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Além deste tipo de aparelho especial, temos os aparelhos que se 
diferenciam pela sua forma, conforme Fig. °10: 
� Tipo circular; 
� Tipo octogonal; 
� Tipo anti-deslizamento. 
 
 
Figura 10 – Aparelhos de apoio especiais 
FONTE: [Neoprex Manual Técnico (2009)3] 
Patologias dos Aparelhos de Apoio e Métodos Corretivos 
Atualmente observa-se a grande preocupação com os problemas 
patológicos na construção civil, uma vez que, toda estrutura para corresponder 
a vida útil para qual foi projetada, deve passar por uma manutenção. As causas 
para a deterioração das estruturas podem ser das mais diversas, desde o 
“envelhecimento natural da estrutura até mesmo a irresponsabilidade de alguns 
profissionais que optam pela utilização de materiais fora das especificações” 
[Souza e Ripper (1998)4]. 
Sabendo que o estudo sobre patologias é um campo muito amplo, serão 
comentadas apenas as informações básicas para que se possa ter uma noção 
de quando se deve executar a troca de um material ou apenas a sua 
recuperação. 
As causas das patologias nas estruturas podem ser divididas em dois 
grandes grupos, a saber: 
� Causas intrínsecas: referentes aos processos de deterioração inerentes 
à própria estrutura, ou seja, sua origem é dada na execução, utilização, 
por falhas humanas, etc. 
� Causas Extrínsecas: Externa ao corpo do material, “podem ser 
entendidas como fatores que atacam as estruturas de fora para dentro, 
ao longo do processo da concepção, execução ou da vida útil” [Sartorti 
(2008)5]. 
Tendo em vista estes aspectos, o estudo das patologias engloba a 
análise detalhada do problema, descrevendo suas causas, as formas de 
manifestação, os mecanismos de ocorrência, a profilaxia e a manutenção 
estrutural. Assim podem-se identificar os possíveis danos causados nos 
aparelhos de apoio e seus respectivos métodos corretivos. 
A) Patologias e Métodos Corretivos nos Aparelhos de Apoio Metálicos 
A principal fonte de patologias nos aparelhos de apoio metálicos são as 
causas denominadas extrínsecas, mais precisamente pela corrosão. A 
 
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corrosão nos aparelhos de apoio metálico é dada principalmente pela variação 
da umidade do meio ambiente com os gases corrosivos, como gás carbônico, 
anidrido sulfuroso, amônia, dentre outros (Fig. °11) [Lourenço e Mendes 
(2009)6]. 
 
 
Figura 11 – Aparelho de apoio metálico danificado (corrosão) 
FONTE: [Lourenço e Mendes (2009)6] 
 
A corrosão pode ser classificada segundo a natureza do processo, em 
corrosão química, ou simplesmente oxidação, não provocando deterioração 
substancial das superfícies metálicas e corrosão eletroquímica que é a que 
efetivamente trás problemas para as estruturas. Trata-se de um ataque de 
natureza eletroquímica, que ocorre em meio aquoso, como resultado de 
formação de uma pilha, com eletrólito e diferença de potencial entre trechos da 
superfície metálica [Cascudo (1997)7]. 
A idade avançada da estrutura e a falta de proteção, também são outros 
fatores. Ainda se analisado um material cuja resistência a corrosão for alta, 
assim mesmo está sujeito a tal condição, pois um material considerado 
bastante resistente a corrosão pode ser deteriorado com um meio de corrosão 
específico, desta forma deve-se fazer um estudo específico do material 
metálico, meio corrosivo e condições operacionais [ Gentil (2003)8]. 
Este tipo de patologia ocasiona-se nos dois tipos de articulações 
metálicas, tanto a móvel quanto a fixa, portanto o método corretivo vale para 
ambas. 
Quando se opta por escolher este tipo de dispositivo em uma ponte, 
deve-se valer como fator principal a execução, como sendo o melhor método 
preventivo, já que o ponto culminante para que um aparelho de apoio metálico 
deixe de estar no seu perfeito funcionamento, é a não aplicação de produtos 
anti-corrosão. Desta forma, se faz valer de algumas observações importantes[DNIT (:2006)9]: 
� Deve-se fazer a limpeza por jateamento; 
� Aplicação de epóxi primer anti-corrosivo de zinco; 
� Aplicação de duas camadas de revestimento com pintura epóxica de alta 
dureza; 
 
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� As superfícies deslizantes (articulação móvel) devem ser engraxadas 
com graxa a base de silicone e as superfícies de contato com o concreto 
recebem a pintura somente em sua periferia, obedecendo à largura 
mínima de 50 mm. 
B) Patologias e Métodos Corretivos nos Aparelhos de Apoio de 
Concreto 
Os aparelhos de apoio de concreto sofrem com os dois tipos de causas, 
tanto a intrínseca como a extrínseca, deste a falha humana na execução até as 
causas naturais (físicas, químicas e biológicas). Assim este dispositivo esta 
sujeito há uma verificação mais detalhada, tanto na sua execução como na 
manutenção, entretanto para este estudo deve-se atentar apenas na 
identificação dos problemas corriqueiros, e seus métodos corretivos. 
Atualmente não são mais utilizados os aparelhos de apoio de concreto 
devido a sua grande fragilidade e pelo fato de sofrerem diversos problemas 
patológicos como, por exemplo: fissuras, quebras de cantos, a falta de limpeza 
no concreto, e pelas diversas falhas na sua execução. Desta maneira podem-
se definir cada um desses problemas e seus respectivos métodos corretivos, 
lembrando que os dispositivos (aparelhos de apoio de concreto tipo: 
Freyssinet, articulação de contato de superfície, Mesnager e pêndulo de 
concreto) sofrem, normalmente, das mesmas patologias. 
Não é objetivo do presente artigo descrever as patologias destes 
aparelhos nem seus métodos corretivos por estarem em desuso. Entretanto, 
pode-se pontuar que a manifestação patológica e métodos de reparo e reforço 
destes elementos seguem os critérios básicos para as estruturas de concreto. 
Uma chamada geral é própria neste momento. Verifica-se que um dos 
maiores problemas que ocorre nos aparelhos de apoio (metálicos, de concreto 
e de elastômero) é a falta de limpeza do dispositivo. Desta forma, para que 
ocorra o bom funcionamento do aparelho de apoio, devem-se retirar todos os 
resíduos, manchas de cimento, graxas, ferrugens, ou qualquer tipo de objeto 
que venha a prejudicar sua utilização. 
C) Patologias e Métodos Corretivos nos Aparelhos de Apoio de 
Neoprene 
O que diferencia os aparelhos de apoio de neoprene dos demais é a sua 
grande capacidade de sobreviver à falta de manutenção, questão que os 
demais aparelhos estão sujeitos periodicamente. E mesmo se o dispositivo for 
fabricado com materiais de baixa qualidade, é muito difícil que entre em 
colapso total [DNIT (2006)2]. Entretanto, como todo dispositivo não é perfeito, 
deve salientar que os aparelhos de apoio podem tornar-se prematuramente 
inservíveis em virtude de uma série de causas, tais como: 
� Danos intrínsecos não detectados durante a instalação; 
� Assentamento irregular, provocando uma sobrecarga adicional 
localizada; 
� Deslocamentos, rotações e cargas em serviço muito superiores aos 
estimados; 
 
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� Agressividade não prevista do meio ambiente; 
� Ataque por produtos químicos; 
� Baixa expectativa de vida útil; 
� Mal assentamento no berço, conforme retrata Fig. °12. 
 
 
 
Figura 12 – Aparelho de apoio de neoprene deslocado para fora do berço 
FONTE: [Siqueira (2009)10] 
 
Em virtude das dificuldades e dos custos da substituição dos aparelhos 
de apoio, as deficiências anteriores tem sido abrandadas para certa tolerância 
com as deficiências dos antigos aparelhos de apoio elastoméricos, desta forma 
o [DNIT (2006)2] afirma que “se há uma separação nítida entre a superestrutura 
e a mesoestrutura ou infra-estrutura, se as deficiências do aparelho de apoio 
não causam prejuízos ao comportamento da estrutura e se não há trincas ou 
fissuras localizadas na região do apoio, em princípio, pode-se adiar a 
substituição do aparelho de apoio dependendo, porém, dos resultados de 
verificações estruturais e de uma inspeção minuciosa”. 
Estas verificações devem seguir o procedimento abaixo: 
� Inspecionar visualmente as faces acessíveis do aparelho; após alguns 
anos de serviço, pequenas fissuras de 2 a 3mm de profundidade e de 2 
a 3mm de comprimento são toleráveis; 
� Verificar se o aparelho de apoio foi corretamente vulcanizado e se há 
chapas de aço fretantes visíveis e oxidadas; 
� Se houver deslocamento da estrutura, medir os ângulos entre as 
superfícies das estruturas em contato com o aparelho de apoio; 
� Medir as alturas do aparelho de apoio nas arestas e nos pontos centrais; 
� Medir as distorções do aparelho de apoio; 
� Verificar se o aparelho de apoio foi deslocado de sua posição original; 
 
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� Verificar se há indícios da presença de óleos, graxas ou qualquer outra 
substância nociva ao elastômero; 
� Verificar se há juntas de dilatação defeituosas na superestrutura, muito 
próximas do aparelho de apoio ou diretamente sobre o aparelho. 
De acordo com essa inspeção e verificados os eventuais 
comprometimentos da estrutura pode-se decidir pelo aproveitamento do 
aparelho existente ou sua substituição, sendo que destes dois deve-se 
destacar o quão importante seria o aproveitamento do material, já que a 
possibilidade de troca influi em fatores extras, como por exemplo, a interdição 
da ponte. 
Substituição dos Aparelhos de Apoio 
O [DER (2006)11] faz menção de que a substituição deve ser feita de 
acordo com o projeto executivo especifico. Este termo complementa se 
necessário, o projeto de recuperação. O tráfego deve ser desviado antes do 
inicio dos serviços, só podendo retornar após a conclusão do mesmo. Existem 
alguns procedimentos para a troca de aparelhos de apoio como: 
� O procedimento exige operações de macaqueamento; 
� É obrigatório que as juntas de dilatação estejam limpas antes do inicio 
dos procedimentos de macaqueamento; 
� Para substituir aparelhos de apoio extremos, a estrutura deve ser 
liberada dos aterros através da remoção de uma faixa do aterro de 
cabeceira, com posterior preenchimento com solo-cimento e 
compactação manual para consolidação; 
� A presença da laje de aproximação dificulta o procedimento de 
substituição por que impede o acesso à interface da estrutura com o 
aterro, neste caso a laje deve ser demolida; 
� À medida que a estrutura se desliga do apoio, devem ser inseridos 
calços ou equipamentos de alto-travamento de modo a evitar acidentes; 
� Após a substituição dos aparelhos de apoio, a operação deve se dar de 
modo inverso, com a retirada gradual dos calços. 
Conclusões 
Através das considerações levantadas neste estudo, pode-se identificar 
os aparelhos de apoio, suas vantagens, patologias, manutenção ou 
recuperação quando possível. Desta forma, pode-se ponderar por qual o 
melhor dispositivo a ser adotado. 
Naturalmente percebe-se que os aparelhos de apoio são de grande valia 
para as pontes, entretanto vale ressaltar que a escolha do dispositivo a ser 
adotado influi num melhor, ou pior, o aspecto global da obra realizada. Se 
analisado o fator custo inicial percebe-se que os aparelhos mais econômicos, 
e, portanto os mais usados são: Freyssinet e o neoprene. Em contra partida o 
estudo mostra que os aparelhos de concreto, no caso em questão o Freyssinet, 
sofrem com problemas de fissuras, e pelo fato do dispositivo fazer parte 
integrante da estrutura (apoio fixo), assim, sua execução na maioria das vezes 
é comprometida por falhas humanas e de utilização. Já o neoprene é um 
 
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dispositivo que usualmente não tem problemas com patologia ou manutençãoperiódica, porém quando mal dimensionado e posicionado, pode trazer tantos 
problemas quanto os outros aparelhos de apoio. 
Os aparelhos que estão em desuso são os metálicos e de concreto, 
além de terem um custo elevado para a sua execução, sofrem com problemas 
periódicos de manutenção preventiva. 
Finalmente, pode-se destacar o uso crescente do aparelho de apoio de 
neoprene, este dispositivo em vista dos outros leva vantagem em todos os 
aspectos, portanto fica a indicação para um estudo mais detalhado deste 
dispositivo, ou mesmo a verificação e constatação de outro que seja o mais 
perto do ideal. 
Referências 
[1] EL DEBS, M. K.; TAKEYA, T. Apostila de Pontes - ANEXO 6. São Carlos, 
USP – Universidade de São Paulo, 2009. Notas de aula. 
[2] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRA-ESTRUTURA DE 
TRANSPORTE. Tratamento de aparelhos de apoio: concreto, neoprene e 
metálicos – Especificação de serviço, Norma 091. Rio de Janeiro, 2006. 
[3] NEOPREX MANUAL TÉCNICO. Disponível em 
<http://www.neoprex.com.br>. Acesso em: 11/10/2009. 
[4] SOUZA, V. C. M; RIPPER, T. Patologia, Recuperação e Reforço de 
Estruturas de Concreto. 1 ed. São Paulo: Pini, 1998. 
[5] SARTORTI, A. L. Identificação de patologias em pontes de vias urbanas e 
rurais no município de Campinas-SP. Campinas: Faculdade de Engenharia 
Civil – UNICAMP, 2008. 203p. Dissertação (mestrado) – Faculdade de 
Engenharia Civil, UNICAMP, 2008. 
[6] LOURENÇO, L. C.; MENDES, L. C. Verificação da corrosão e de outras 
patologias em pontes metálicas, Teoria e Prática na Engenharia, Rio de 
Janeiro: n 14, p.25-29, Outubro/2009. 
[7] CASCUDO, O. O controle da corrosão de Armaduras de concreto Armado. 
Goiânia: Editora PINI, 1997. 
[8] GENTIL, V. Corrosão. 3 ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 
2003. 
[9] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRA-ESTRUTURA DE 
TRANSPORTE. Tratamento de trincas e fissuras – Especificação de 
serviço, Norma 083. Rio de Janeiro, 2006. 
[10] SIQUEIRA, C. H. Aparelhos de apoio e juntas de dilatação para pontes e 
viadutos: Problemas e soluções. In:CINPAR – 5° Congresso Internacional 
sobre Patologia e Reabilitação de Estruturas, 11 à 13/06/2009, Curitiba-PR. 
[11] DEPARTAMENTO DE ESTRADAS E RODAGEM. Substituição de 
aparelhos de apoio e juntas de dilatação – Código 020. São Paulo, 2006.

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