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Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar TEMA 1 – Patologías de las construcciones Pontes: Patologias dos Aparelhos de Apoio Rafael Navalho Machado1,a, Artur Lenz Sartorti2,b 1 UNASP, Estrada Municipal Pr. Walter Boger, s/n Lagoa Bonita - Engenheiro Coelho – SP, Caixa Postal 11, Departamento de Engenharia Civil, CEP: 13165-970, Brasil. 2 UNASP, Estrada Municipal Pr. Walter Boger, s/n Lagoa Bonita - Engenheiro Coelho – SP, Caixa Postal 11, Departamento de Engenharia Civil, CEP: 13165-970, Brasil. a rafa_navalho@hotmail.com, b artur.sartorti@iltruk.com.br Palavras-chave: Aparelho de Apoio, Pontes, Neoprene, Manutenção, Patologias. Resumo. Desde os tempos remotos, a humanidade necessita ultrapassar obstáculos para realizar suas tarefas, e foi com esse propósito que as primeiras pontes surgiram. No início as pontes, na maioria das vezes em estruturas de pedra e madeira, tinham dimensões pequenas, portanto não havia a necessidade de cuidados especiais. Entretanto com o emprego de estruturas de aço e concreto, vãos cada vez maiores foram sendo projetados e em face dos decorrentes problemas nas estruturas em transmitir esforços, teve-se a necessidade de pensar em um dispositivo que não modificasse a estrutura original, desta forma surgem os aparelhos de apoio. Naturalmente nota-se que os aparelhos de apoio são de grande valia para as pontes, entretanto vale ressaltar que as patologias encontradas nestes dispositivos têm afetado grandemente as estruturas das pontes. Atualmente tem-se observado a grande preocupação com os problemas patológicos na construção civil. Portanto, este artigo tem como objetivo mostrar, através de ampla revisão bibliográfica e exemplos de casos reais, as patologias, métodos corretivos e formas de prevenção de problemas nos aparelhos de apoio. São também apresentados no artigo conceitos referentes à manutenção estratégica e excepcional bem como os programas de inspeção de obras-de-arte com foco nos aparelhos de apoio. Introdução Através dos tempos a engenharia tem contribuído de forma significativa para o bem estar da humanidade, visando sempre à melhoria dos mais diversos meios, tanto no âmbito científico como social. Um exemplo de engenharia que une ciência e sociedade são as pontes. As pontes têm por finalidade interligar pontos não acessíveis, separados por obstáculos naturais ou artificiais. Naturalmente o projeto de uma ponte inicia-se pelo conhecimento de sua finalidade, ou seja, é necessária primeiramente uma análise dos carregamentos solicitados pelo conjunto da obra além de informações topográficas, hidrológicas e geotécnicas. Particularmente o presente artigo se deterá em um dos elementos estruturais das pontes, os aparelhos de apoio. Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar O aparelho de apoio é o elemento colocado entre a superestrutura e mesoestrutura e tem como principal função a transmissão de reações da superestrutura para a mesoestrutura, que por sua vez transfere à infra- estrutura (fundação), e até o solo. Embora os aparelhos de apoio sejam apenas uma parte da estrutura, deve-se atentar aos possíveis problemas de sua não utilização, ou mesmo a falta de atenção em seu projeto e execução, pois este é o elemento que está entre a viga e o pilar, e qualquer problema nesta etapa da construção, elevará o custo total da obra. Aparelhos de Apoio Os aparelhos de apoio surgiram em meados do século XIX, na época os vãos eram pequenos e as estruturas de alvenaria de pedra, pelas grandes dimensões, inclusive nos apoios, não impunham na maior parte dos casos, a necessidade de cuidados especiais. As estruturas foram sendo projetadas para vãos cada vez maiores, e em face dos grandes problemas das estruturas em transmitir os esforços de um ponto a outro ou mesmo levar em consideração a variação da temperatura, retração e expansão dos materiais, movimentos de rotação ou de translação, etc., teve-se a necessidade de pensar em um dispositivo que visasse não deixar que tais problemas modificassem os elementos constituintes das estruturas, para isso são utilizados os aparelhos de apoio. Nas estruturas de edifícios não se utilizam este tipo de dispositivo, apesar de que o cálculo dos esforços tenha sido feito com a hipótese de existirem articulações. Esta simplificação de cálculo, criando articulações onde não existem, só é admissível em estruturas com vãos e carregamentos pequenos, onde as ações secundárias gerados pela ausência das articulações na estrutura real podem ser desprezados [El Debs e Takeya (2009)1]. Já nas estruturas de pontes e nas construções de grande porte, há a necessidade de se utilizar os aparelhos de apoio pelos diversos movimentos que a estrutura está submetida. Desta forma, os aparelhos de apoio podem ser definidos como dispositivos que fazem a transição entre a superestrutura e a mesoestrutura ou a infra-estrutura [DNIT (2006)2]. Suas principais funções são: � Transmitir as cargas da superestrutura à mesoestrutura ou à infra- estrutura; � Permitir os movimentos longitudinais da superestrutura, devidos a retração própria da superestrutura e aos efeitos da temperatura, expansão e retração; � Permitir as rotações da superestrutura, motivadas pelas deflexões provocadas pela carga permanente e pela carga móvel. Os movimentos de rotação tendem a girar a estrutura e o de translação faz um movimento deslizante, e desta forma os aparelhos de apoio podem ser classificados: � Articulações fixas, que apenas permitem os movimentos de rotação, gerando reações verticais e horizontais; � Articulações móveis, que permitem tanto a rotação como a translação, gerando apenas reação vertical, na realidade a reação horizontal surge Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar por atrito, entretanto pode ser desprezada pelo valor relativamente pequeno. � As articulações elásticas permitem também os dois movimentos, a rotação e a translação, gerando reações verticais. Tipologia dos Aparelhos de Apoio A) Aparelhos de Apoio Metálicos Os aparelhos de apoio metálicos podem ser obtidos combinando-se adequadamente chapa e roletes metálicos. As articulações fixas, conforme Fig °1, possuem cavidades usinadas e lubrificadas onde se encaixa o rolete. Podem ser obtidas também se combinando duas chapas metálicas, uma com a superfície plana e outra com a superfície curva e convexa. Já as articulações móveis (Fig °2) possuem um ou mais roletes entre chapas planas [El Debs e Takeya (2009)1]. Figura 1 - Aparelhos de apoio metálico do tipo fixo FONTE: [El Debs e Takeya (2009)1] O grande questionamento devido ao uso das articulações metálicas é que são totalmente dependentes de manutenção cuidadosa e permanente, para que as mesmas não sejam prejudicadas no seu funcionamento pelo bloqueio de detritos e pela corrosão, que muitas das vezes torna a peça insatisfatória, podendo até chegar ao colapso. Quando há a possibilidade de reparos na articulação devem-se levar em consideração alguns pontos como: � Inspeção minuciosa; � Verificação estrutural; � Remoção dos detritos, liberando todos os elementos componentes da articulação metálica dos obstáculos ao seu funcionamento; � Tratamento de corrosões superficiais e jateamento de areia e pintura anti-corrosão. Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar Figura 2 - Aparelhos de apoio metálico do tipo móvel FONTE: [El Debs e Takeya (2009)1] B) Aparelhos de apoio de concreto O grande fator de relevância dos aparelhos de apoio de concreto é que além de serem construídos junto com a própria estrutura, utilizando os mesmo materiais, conseguem suportar maioressolicitações do que os aparelhos metálicos. Entretanto vale salientar que este tipo de dispositivo está em desuso por causa da sua fragilidade sendo apenas mencionados no texto deste artigo. Os aparelhos de apoio de concreto podem ser divididos em: � Articulação de contato de superfície, Fig °3; � Articulação Mesnager, Fig °4; � Articulação Freyssinet, Fig °5; � Pêndulo de concreto, Fig °6. Figura 3 - Articulação de contato de superfície FONTE: [El Debs e Takeya (2009)1] Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar Figura 4 – Articulação Mesnager FONTE: [El Debs e Takeya (2009)1] Figura 5 - Sistema construtivo de uma articulação Freyssinet FONTE: [El Debs e Takeya (2009)1] Figura 6 - Pêndulos de concreto FONTE: [El Debs e Takeya (2009)1] Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar C) Aparelhos de Apoio de Neoprene Os tipos de aparelhos de apoio retratados (metálico e de concreto) sofrem com alguns problemas que os impeçam de serem comumente usados, seja o fator custo, manutenção ou propriedades do material. Assim pela busca do aperfeiçoamento do dispositivo surgiram os aparelhos de apoio de elastômero (borracha sintética) à base de policloropreno, mais conhecidos como neoprene (Fig °7). A utilização deste tipo de aparelho de apoio gera, entre a superestrutura e a mesoestrutura, uma ligação flexível apresentando grandes deformações e deslocamentos. As principais características destes elementos são: � Módulo de deformação transversal de valor muito baixo; � Módulo de deformação longitudinal, também de valor muito baixo; � Grande resistência a intempéries. Figura 7 – Aparelho de apoio de neoprene FONTE: Foto retirada pelo autor em um viaduto localizado em Sumaré-SP, em 01/06/2009. As duas primeiras características implicam os movimentos de translação e de rotação e a última retrata a dispensa de manutenção periódica, que nos outros tipos de aparelhos são indispensáveis para o uso correto do dispositivo. Para reações de pequena intensidade utiliza-se apenas o neoprene, entretanto para estruturas de grande porte há a necessidade de se empregar uma junção entre o neoprene e chapas de aço vulcanizado, formando um único bloco. Na realidade este tipo de dispositivo usado mostra a intercalação entre chapa de aço e neoprene (Fig. °8), assim é feito um tipo de “sanduíche” onde as chapas de aço exercem uma função de cintamento sobre as placas de neoprene, reduzindo o seu achatamento excessivo, e aumentando as tensões admissíveis no apoio. Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar Figura 8 – Aparelho de apoio neoprene com chapa de aço (cintado) FONTE: [Neoprex Manual Técnico (2009)3] Há um tipo de dispositivo que associado com o neoprene reduz reações horizontais nos apoios, assim tornando a estrutura com maior mobilidade horizontal. Para que essa situação ocorra é empregada uma articulação elástica deslizante conhecida como Neoflon (Fig. °9), que nada mais é do que a junção entre o neoprene e o teflon (resina que sob altas pressões apresenta coeficientes de atrito muito baixos). (a) (b) (c) Figura 9 – Articulação elástica deslizante Neoflon: (a) parte superior com chapa de aço revestida com aço inox; (b) Parte inferior revestida na face superior por folha de teflon; (c) conjunto de placas que forma o neoflon. FONTE: [El Debs e Takeya (2009)1] Existem outros tipos de aparelhos de apoio de neoprene, como o aparelho de apoio de neoprene de panela. É utilizado para apoios que tenham cargas muito elevadas. Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar Além deste tipo de aparelho especial, temos os aparelhos que se diferenciam pela sua forma, conforme Fig. °10: � Tipo circular; � Tipo octogonal; � Tipo anti-deslizamento. Figura 10 – Aparelhos de apoio especiais FONTE: [Neoprex Manual Técnico (2009)3] Patologias dos Aparelhos de Apoio e Métodos Corretivos Atualmente observa-se a grande preocupação com os problemas patológicos na construção civil, uma vez que, toda estrutura para corresponder a vida útil para qual foi projetada, deve passar por uma manutenção. As causas para a deterioração das estruturas podem ser das mais diversas, desde o “envelhecimento natural da estrutura até mesmo a irresponsabilidade de alguns profissionais que optam pela utilização de materiais fora das especificações” [Souza e Ripper (1998)4]. Sabendo que o estudo sobre patologias é um campo muito amplo, serão comentadas apenas as informações básicas para que se possa ter uma noção de quando se deve executar a troca de um material ou apenas a sua recuperação. As causas das patologias nas estruturas podem ser divididas em dois grandes grupos, a saber: � Causas intrínsecas: referentes aos processos de deterioração inerentes à própria estrutura, ou seja, sua origem é dada na execução, utilização, por falhas humanas, etc. � Causas Extrínsecas: Externa ao corpo do material, “podem ser entendidas como fatores que atacam as estruturas de fora para dentro, ao longo do processo da concepção, execução ou da vida útil” [Sartorti (2008)5]. Tendo em vista estes aspectos, o estudo das patologias engloba a análise detalhada do problema, descrevendo suas causas, as formas de manifestação, os mecanismos de ocorrência, a profilaxia e a manutenção estrutural. Assim podem-se identificar os possíveis danos causados nos aparelhos de apoio e seus respectivos métodos corretivos. A) Patologias e Métodos Corretivos nos Aparelhos de Apoio Metálicos A principal fonte de patologias nos aparelhos de apoio metálicos são as causas denominadas extrínsecas, mais precisamente pela corrosão. A Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar corrosão nos aparelhos de apoio metálico é dada principalmente pela variação da umidade do meio ambiente com os gases corrosivos, como gás carbônico, anidrido sulfuroso, amônia, dentre outros (Fig. °11) [Lourenço e Mendes (2009)6]. Figura 11 – Aparelho de apoio metálico danificado (corrosão) FONTE: [Lourenço e Mendes (2009)6] A corrosão pode ser classificada segundo a natureza do processo, em corrosão química, ou simplesmente oxidação, não provocando deterioração substancial das superfícies metálicas e corrosão eletroquímica que é a que efetivamente trás problemas para as estruturas. Trata-se de um ataque de natureza eletroquímica, que ocorre em meio aquoso, como resultado de formação de uma pilha, com eletrólito e diferença de potencial entre trechos da superfície metálica [Cascudo (1997)7]. A idade avançada da estrutura e a falta de proteção, também são outros fatores. Ainda se analisado um material cuja resistência a corrosão for alta, assim mesmo está sujeito a tal condição, pois um material considerado bastante resistente a corrosão pode ser deteriorado com um meio de corrosão específico, desta forma deve-se fazer um estudo específico do material metálico, meio corrosivo e condições operacionais [ Gentil (2003)8]. Este tipo de patologia ocasiona-se nos dois tipos de articulações metálicas, tanto a móvel quanto a fixa, portanto o método corretivo vale para ambas. Quando se opta por escolher este tipo de dispositivo em uma ponte, deve-se valer como fator principal a execução, como sendo o melhor método preventivo, já que o ponto culminante para que um aparelho de apoio metálico deixe de estar no seu perfeito funcionamento, é a não aplicação de produtos anti-corrosão. Desta forma, se faz valer de algumas observações importantes[DNIT (:2006)9]: � Deve-se fazer a limpeza por jateamento; � Aplicação de epóxi primer anti-corrosivo de zinco; � Aplicação de duas camadas de revestimento com pintura epóxica de alta dureza; Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar � As superfícies deslizantes (articulação móvel) devem ser engraxadas com graxa a base de silicone e as superfícies de contato com o concreto recebem a pintura somente em sua periferia, obedecendo à largura mínima de 50 mm. B) Patologias e Métodos Corretivos nos Aparelhos de Apoio de Concreto Os aparelhos de apoio de concreto sofrem com os dois tipos de causas, tanto a intrínseca como a extrínseca, deste a falha humana na execução até as causas naturais (físicas, químicas e biológicas). Assim este dispositivo esta sujeito há uma verificação mais detalhada, tanto na sua execução como na manutenção, entretanto para este estudo deve-se atentar apenas na identificação dos problemas corriqueiros, e seus métodos corretivos. Atualmente não são mais utilizados os aparelhos de apoio de concreto devido a sua grande fragilidade e pelo fato de sofrerem diversos problemas patológicos como, por exemplo: fissuras, quebras de cantos, a falta de limpeza no concreto, e pelas diversas falhas na sua execução. Desta maneira podem- se definir cada um desses problemas e seus respectivos métodos corretivos, lembrando que os dispositivos (aparelhos de apoio de concreto tipo: Freyssinet, articulação de contato de superfície, Mesnager e pêndulo de concreto) sofrem, normalmente, das mesmas patologias. Não é objetivo do presente artigo descrever as patologias destes aparelhos nem seus métodos corretivos por estarem em desuso. Entretanto, pode-se pontuar que a manifestação patológica e métodos de reparo e reforço destes elementos seguem os critérios básicos para as estruturas de concreto. Uma chamada geral é própria neste momento. Verifica-se que um dos maiores problemas que ocorre nos aparelhos de apoio (metálicos, de concreto e de elastômero) é a falta de limpeza do dispositivo. Desta forma, para que ocorra o bom funcionamento do aparelho de apoio, devem-se retirar todos os resíduos, manchas de cimento, graxas, ferrugens, ou qualquer tipo de objeto que venha a prejudicar sua utilização. C) Patologias e Métodos Corretivos nos Aparelhos de Apoio de Neoprene O que diferencia os aparelhos de apoio de neoprene dos demais é a sua grande capacidade de sobreviver à falta de manutenção, questão que os demais aparelhos estão sujeitos periodicamente. E mesmo se o dispositivo for fabricado com materiais de baixa qualidade, é muito difícil que entre em colapso total [DNIT (2006)2]. Entretanto, como todo dispositivo não é perfeito, deve salientar que os aparelhos de apoio podem tornar-se prematuramente inservíveis em virtude de uma série de causas, tais como: � Danos intrínsecos não detectados durante a instalação; � Assentamento irregular, provocando uma sobrecarga adicional localizada; � Deslocamentos, rotações e cargas em serviço muito superiores aos estimados; Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar � Agressividade não prevista do meio ambiente; � Ataque por produtos químicos; � Baixa expectativa de vida útil; � Mal assentamento no berço, conforme retrata Fig. °12. Figura 12 – Aparelho de apoio de neoprene deslocado para fora do berço FONTE: [Siqueira (2009)10] Em virtude das dificuldades e dos custos da substituição dos aparelhos de apoio, as deficiências anteriores tem sido abrandadas para certa tolerância com as deficiências dos antigos aparelhos de apoio elastoméricos, desta forma o [DNIT (2006)2] afirma que “se há uma separação nítida entre a superestrutura e a mesoestrutura ou infra-estrutura, se as deficiências do aparelho de apoio não causam prejuízos ao comportamento da estrutura e se não há trincas ou fissuras localizadas na região do apoio, em princípio, pode-se adiar a substituição do aparelho de apoio dependendo, porém, dos resultados de verificações estruturais e de uma inspeção minuciosa”. Estas verificações devem seguir o procedimento abaixo: � Inspecionar visualmente as faces acessíveis do aparelho; após alguns anos de serviço, pequenas fissuras de 2 a 3mm de profundidade e de 2 a 3mm de comprimento são toleráveis; � Verificar se o aparelho de apoio foi corretamente vulcanizado e se há chapas de aço fretantes visíveis e oxidadas; � Se houver deslocamento da estrutura, medir os ângulos entre as superfícies das estruturas em contato com o aparelho de apoio; � Medir as alturas do aparelho de apoio nas arestas e nos pontos centrais; � Medir as distorções do aparelho de apoio; � Verificar se o aparelho de apoio foi deslocado de sua posição original; Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar � Verificar se há indícios da presença de óleos, graxas ou qualquer outra substância nociva ao elastômero; � Verificar se há juntas de dilatação defeituosas na superestrutura, muito próximas do aparelho de apoio ou diretamente sobre o aparelho. De acordo com essa inspeção e verificados os eventuais comprometimentos da estrutura pode-se decidir pelo aproveitamento do aparelho existente ou sua substituição, sendo que destes dois deve-se destacar o quão importante seria o aproveitamento do material, já que a possibilidade de troca influi em fatores extras, como por exemplo, a interdição da ponte. Substituição dos Aparelhos de Apoio O [DER (2006)11] faz menção de que a substituição deve ser feita de acordo com o projeto executivo especifico. Este termo complementa se necessário, o projeto de recuperação. O tráfego deve ser desviado antes do inicio dos serviços, só podendo retornar após a conclusão do mesmo. Existem alguns procedimentos para a troca de aparelhos de apoio como: � O procedimento exige operações de macaqueamento; � É obrigatório que as juntas de dilatação estejam limpas antes do inicio dos procedimentos de macaqueamento; � Para substituir aparelhos de apoio extremos, a estrutura deve ser liberada dos aterros através da remoção de uma faixa do aterro de cabeceira, com posterior preenchimento com solo-cimento e compactação manual para consolidação; � A presença da laje de aproximação dificulta o procedimento de substituição por que impede o acesso à interface da estrutura com o aterro, neste caso a laje deve ser demolida; � À medida que a estrutura se desliga do apoio, devem ser inseridos calços ou equipamentos de alto-travamento de modo a evitar acidentes; � Após a substituição dos aparelhos de apoio, a operação deve se dar de modo inverso, com a retirada gradual dos calços. Conclusões Através das considerações levantadas neste estudo, pode-se identificar os aparelhos de apoio, suas vantagens, patologias, manutenção ou recuperação quando possível. Desta forma, pode-se ponderar por qual o melhor dispositivo a ser adotado. Naturalmente percebe-se que os aparelhos de apoio são de grande valia para as pontes, entretanto vale ressaltar que a escolha do dispositivo a ser adotado influi num melhor, ou pior, o aspecto global da obra realizada. Se analisado o fator custo inicial percebe-se que os aparelhos mais econômicos, e, portanto os mais usados são: Freyssinet e o neoprene. Em contra partida o estudo mostra que os aparelhos de concreto, no caso em questão o Freyssinet, sofrem com problemas de fissuras, e pelo fato do dispositivo fazer parte integrante da estrutura (apoio fixo), assim, sua execução na maioria das vezes é comprometida por falhas humanas e de utilização. Já o neoprene é um Cinpar 2010 - www.cinpar2010.com.ar - cinpar2010@scdt.frc.utn.edu.ar dispositivo que usualmente não tem problemas com patologia ou manutençãoperiódica, porém quando mal dimensionado e posicionado, pode trazer tantos problemas quanto os outros aparelhos de apoio. Os aparelhos que estão em desuso são os metálicos e de concreto, além de terem um custo elevado para a sua execução, sofrem com problemas periódicos de manutenção preventiva. Finalmente, pode-se destacar o uso crescente do aparelho de apoio de neoprene, este dispositivo em vista dos outros leva vantagem em todos os aspectos, portanto fica a indicação para um estudo mais detalhado deste dispositivo, ou mesmo a verificação e constatação de outro que seja o mais perto do ideal. Referências [1] EL DEBS, M. K.; TAKEYA, T. Apostila de Pontes - ANEXO 6. São Carlos, USP – Universidade de São Paulo, 2009. Notas de aula. [2] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTE. 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[9] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTE. Tratamento de trincas e fissuras – Especificação de serviço, Norma 083. Rio de Janeiro, 2006. [10] SIQUEIRA, C. H. Aparelhos de apoio e juntas de dilatação para pontes e viadutos: Problemas e soluções. In:CINPAR – 5° Congresso Internacional sobre Patologia e Reabilitação de Estruturas, 11 à 13/06/2009, Curitiba-PR. [11] DEPARTAMENTO DE ESTRADAS E RODAGEM. Substituição de aparelhos de apoio e juntas de dilatação – Código 020. São Paulo, 2006.