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Controle de vocabulário   Recuperação da informação   Arquivologia   Aguiar

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relação entre as atividades, funções e objetivos 
desempenhados pelos Arquivos, Bibliotecas e Centros de Documentação. 
Nessa perspectiva, pode-se afirmar que os Arquivos, Bibliotecas e 
Centros de Documentação, possuem semelhanças em comum ao 
compartilharem de problemas dedicados à organização, preservação e o uso 
social de conteúdos informativos. 
Já que na atualidade, a informação é percebida e compreendida como 
um paradigma dominante tanto para a Arquivística como para a 
Biblioteconomia. 
Desse modo, tanto os arquivos como as bibliotecas encontram-se diante 
de um contexto sócio-informacional caracterizado pelos fluxos de informação, e 
cada vez mais são forçados a valorizar o poder dos fluxos e as práticas sociais 
de informação em detrimento dos estoques. 
Portanto, a adoção dessa perspectiva sugere uma visão integradora, a 
partir da 'complementaridade' como assinalou (SMIT, 2002), é claro, desde que 
se respeitem os princípios e as especificidades organizativas de cada uma 
dessas instituições, visto que os objetivos e as funções são: coletar, preservar, 
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armazenar, organizar, representar e recuperar conteúdos de documentos com 
potencial informativo para o uso social. 
Nessa perspectiva, supõe compreender as ‘3instituições coletoras da 
cultura’ como sistemas de recuperação e comunicação de informações ao 
operacionalizarem abordagens teóricas em comuns, e serem atores 
participantes na construção e na evolução da dita sociedade da informação. 
Na tentativa de identificar e delinear com mais propriedade as 
similaridades, diferenças e especificidades das práticas organizativas das 
institucionais das bibliotecas, arquivos e centros de documentação, poder-se-ia 
apontar a formulação de alguns questionamentos orientados a partir das 
seguintes abordagens, no sentido de identificar: 
? O que eram os arquivos e bibliotecas no passado? Qual o seu(s) 
papel(is)? 
? Quem foi o profissional responsável através dos tempos? 
? Como se desenvolveu a institucionalização dos Centros de 
Documentação? 
? Quais as abordagens teóricas, conceituais e metodológicas que 
orientam as práticas de organização, tratamento e recuperação de 
documentos dessas instituições? 
? Como se desenvolveu os espaços e os diálogos da formação e 
configuração da Arquivística, Biblioteconomia, Documentação e 
Ciência da Informação como disciplinas científicas? 
 
Não pretendemos analisar e responder tais questionamentos, mas 
acredita-se que tais orientações permitirão identificar com mais clareza como 
se deu o processo de constitucionalização e institucionalização cognitiva e 
social das respectivas áreas e instituições informativas. Ao compreender quais 
são os objetos de estudos e problemáticas; os paradigmas; a agenda 
investigativa; as práticas profissionais; as associações profissionais; os 
métodos e os construtos teórico-conceituais. Acreditamos que tais orientações 
reflexivas poderão contribuir na construção de conhecimentos para evidenciar 
 
3 Compõem o elenco das instituições Arquivos, Bibliotecas, Centros de Documentação e 
Museus, conforme salienta o autor Homulus, 1990, p.13. 
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as interfaces, similaridades, diferenças e especificidades de cada uma delas 
através da compreensão das disciplinas Biblioteconomia e Arquivística como 
áreas aplicadas da CI. Para reafirmar os argumentos citados anteriormente, 
nos apoiamos nas abordagens defendidas por Nanci Oddone (2002) citada 
anteriormente e na citação de Smit (2003) ao afirmar que: 
 
A área de conhecimento denominada da "Ciência da 
informação" (suas modalidades pragmáticas, como a 
arquivística e a biblioteconomia) somente será reconhecida em 
sua utilidade social quando a mesma conseguir propor 
soluções para problemas de acesso à informação; propor 
soluções novas para problemas tão velhos quanto à própria 
humanidade; supor o domínio de princípios, teorias, regras 
gerais, ou seja, o domínio dos conceitos norteadores da 
Ciência da Informação, além da competência específica para, 
em função de contextos e situações específicas, conseguir 
avaliar as melhores soluções, saber implantá-las e avaliá-las 
criticamente em seu retorno para a sociedade. Propõe-se, em 
síntese, a imperiosa necessidade de competências específicas 
aliadas ao conhecimento da função e importância da 
informação para a sociedade. Enquanto interfaces das 
Ciências da Informação, em suma (SMIT, 2003, p.11). 
 
 
Diante do que foi exposto, concluímos que o estabelecimento de diálogo 
com a área da Organização e Tratamento da Informação poderá contribuir para 
diluir as diferenças institucionais e avançar na construção de uma visão 
centrada no tripé: informação; usuário e função. Visto que a área da 
Organização e Tratamento da Informação possui acúmulo teórico-conceitual e 
metodológico para orientar práticas de organização e tratamento da informação 
independentemente da natureza da informação e do lugar onde ela esteja 
armazenada. 
Não é demais afirmar que uma não é mais importante que a outra, 
apenas operam com especificidades e abordagens teórico-metodológico, mas 
comungam o mesmo objetivo - validar a ‘informação’ para o uso social. As 
possibilidades de diálogos interdisciplinares são infinitas, portanto, interessa-
nos nessa pesquisa estabelecer um diálogo interdisciplinar com os princípios e 
fundamentos da área da Organização e Tratamento da Informação, utilizando-
se como dispositivo metodológico o controle de vocabulário e vocabulário 
controlado para organizar e recuperar a informação arquivística. Pressupõe 
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que o uso do vocabulário controlado como recurso metodológico pode ampliar 
a visibilidade social das instituições arquivísticas por ativar de modo 
consistente a linguagem de um conjunto documental arquivístico e oferecer a 
possibilidade de busca e recuperação temática da informação arquivística. 
 
1.2 Momentos e movimentos do fazer e do pensar arquivístico: evolução e 
tendências 
 
Conhecer com precisão a evolução das práticas arquivísticas na 
antiguidade é um desafio a ser enfrentado pelos que se aventuram a pesquisar 
a trajetória histórica das instituições arquivísticas. Essa dificuldade pode estar 
relacionada à evidência de imensas lacunas temporais, perdas de contextos 
dentre outros fatores. Destaca-se a constante evolução dos suportes de 
registros e, conseqüentemente, sua perda devido à fragilidade material, 
utilizados durante diversos períodos históricos. 
A invenção e a utilização da escrita desde os tempos remotos 
desempenharam papel primordial ao permitir a cristalização do pensar, da ação 
e da experiência humana a partir de representações simbólicas e gráficas, 
codificadas e sistematizadas em um suporte. 
De acordo com McGarry (1999) o advento da escrita possibilitou a 
ampliação das cidades e estados, além de contribuir para a criação da 
burocracia. Através da escrita foi possível desenvolver modelos sistemáticos de 
“ordens e instruções”. Os registros escritos contribuíram, fundamentalmente, 
para subsidiar a tomada de decisões e garantir a manutenção da burocracia. 
“A partir do momento em que se registra o pensamento em formas que 
lhe são externas, estabelece-se um sentido de tempo histórico e a mitologia 
tribal adquire um novo rival que é a história registrada” (McGarry, 1999, p. 74), 
em substituição à “imaginação coletiva acumulada”, preservada nas 
sociedades orais. 
Diante da produção e, posteriormente, a acumulação dos registros 
documentais, o homem instituiu a necessidade de organizá-los e preservá-los 
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para subsidiar a tomada de decisões, prova de fatos e atos e, servir também 
como fonte para pesquisa; instaura-se

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