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Universidade Federal do Ceará
Campus Cariri
3o Encontro Universitário da UFC no Cariri
Juazeiro do Norte-CE, 26 a 28 de Outubro de 2011
 
 
AULA NO ENSINO MÉDIO: TRABALHO E ALIENAÇÃO 
EM MARX 
 
Fabiana Lopes da Silva,
1
 Ivânia Alexandre da Silva,
2
 Fátima Maria Nobre Lopes
3 
 
1
Aluna do Curso de Licenciatura em Filosofia da UFC/Cariri, bolsista da FUNCAP - 
Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico, por meio 
do projeto Estudo e Pesquisa em Capacitação para o Estágio e Ensino de Filosofia na 
Educação Básica. E-mail: fabisilvamsn2@hotmail.com 
 
2
Aluna do Curso de Especialização em Ensino de Filosofia da UFC/Cariri, bolsista da 
FUNCAP por meio do projeto Estudo e Pesquisa em Capacitação para o Estágio e 
Ensino de Filosofia na Educação Básica. E-mail: ivaninha_as@hotmail.com 
 
3
Professora Adjunta do Curso de Filosofia da UFC/Cariri, Coordenadora do Curso de 
Especialização em Ensino de Filosofia da UFC/Cariri, Coordenadora do Projeto Estudo 
e Pesquisa em Capacitação para o Estágio e Ensino de Filosofia na Educação Básica. 
E-mail: fatimanobre@ufc.br 
 
 
 
Resumo 
 
O presente trabalho refere-se à proposta da aplicação, por meio de quatro horas/aulas, 
de uma unidade temática em Filosofia para alunos do segundo ano do Ensino Médio, 
cujo objetivo é fazer uma exposição sobre a questão do trabalho e da alienação na ótica 
marxiana. Segundo Marx, o trabalho no modo de produção capitalista adquire um duplo 
aspecto: criador de valor de uso, que consiste na sua dimensão ontológica, e criador de 
valor de troca e, nessa dimensão, o trabalhador torna-se uma mercadoria como outra 
qualquer. É nesse sentido que Marx fala de alienação do trabalhador, ou seja, ao alienar 
a sua atividade vital, o trabalhador aliena o seu ser genérico. A partir dessas 
considerações levaremos os alunos à seguinte reflexão: a escola prepara o aluno para o 
trabalho no sentido ontológico posto por Marx ou simplesmente o prepara segundo os 
parâmetros do capitalismo? Nesse sentido, e a partir da base teórica acerca do trabalho e 
da alienação tratada por Marx, pretendemos fazer uma exposição dialogada com os 
alunos durante quatro aulas, levando-os a uma compreensão e a uma reflexão acerca do 
tema em questão. Faremos uso de recursos audiovisuais, de análises e de elaboração de 
textos. Ao final da aula os alunos deverão compreender o duplo aspecto do trabalho 
posto por Marx e a gênese da alienação, que decorre da sua dimensão enquanto criador 
de valor de troca, capaz de saber relacionar tais conceitos em sua vida pratica. 
 
 
Palavras-Chave: Ontologia, Trabalho, Alienação, Capitalismo. 
 
 
Universidade Federal do Ceará
Campus Cariri
3o Encontro Universitário da UFC no Cariri
Juazeiro do Norte-CE, 26 a 28 de Outubro de 2011
 
Introdução 
 
O trabalho exerce na vida das pessoas uma função primordial, pois é por meio 
dele que homem produz os seus bens, ao mesmo tempo em que se auto-constrói. 
Partindo deste pressuposto, e a partir do estágio de regência, observamos a necessidade 
de trabalhar o tema em questão com alunos do ensino médio, uma vez que eles serão os 
futuros ingressos no mundo do trabalho. 
A base teórico-filosófica utilizada na unidade temática é a concepção de trabalho 
e alienação segundo o pensamento de Marx ao tratar do seu duplo aspecto: o trabalho no 
sentido geral, enquanto criador de valor de uso; e o trabalho alienado, enquanto criador 
de valor de troca. As questões levantadas por Marx acerca da sociedade capitalista é um 
conteúdo relevante para expor aos jovens o conceito de trabalho, a partir do qual eles 
possam perceber a necessidade de sua compreensão e consiga refletir sobre a 
importância de esclarecimentos acerca dessa questão tão presente na vida das pessoas, 
principalmente os jovens que serão futuros ingressantes no mundo do trabalho. 
 O jovem precisa estar ciente da cobrança que sofrerá na sociedade atual, em que 
o trabalho passa a ter uma forte significação para a sua existência, pois é colocado ao 
homem que a realização se dá no bom emprego, ou seja, a realização humana se dá no 
trabalho e não fora dele. 
 Nosso objetivo é contribuir para ampliar o conhecimento dos jovens, 
esclarecendo sobre o mundo do trabalho: as suas vantagens e desvantagens na 
atualidade, por meio da teoria de Marx, levando-os a tomar consciência da 
responsabilidade que tem enquanto ser social, enquanto sujeito ativo, para que possa 
refletir sobre o mundo do trabalho que o cerca e do qual fará parte. 
 
 
Metodologia 
 
Para ministrar as aulas da unidade temática foram feitos estudos da obra de 
Marx, os Manuscritos Econômico-Filosóficos, resultados das pesquisas realizadas 
através do Grupo de Pesquisa Ontologias do Ser Social, Ética e Formação Humana e 
do Grupo de Estudo e Pesquisa em Capacitação para o Estágio e Ensino de Filosofia 
na Educação Básica, dos quais fazemos parte. Neste último, enquanto bolsistas, 
tivemos a possibilidade de desenvolver um trabalho dessa natureza, visto que, na obra 
filosófica de Marx, podemos observar a riqueza dos conteúdos e das grandes questões 
filosóficas, destacando aqui a ontologia do ser social, cujo fundamento central consiste 
nas questões do trabalho e da alienação do homem, decorrente do tipo de trabalho 
predominante na sociedade capitalista. 
As aulas da unidade temática serão ministradas para uma turma de alunos do 
Ensino Médio, da rede pública, com a duração de 4 horas/aula. Tais aulas serão 
ministradas por nós, bolsistas da FUNCAP - Fundação Cearense de Apoio ao 
Desenvolvimento Científico e Tecnológico, por meio do supracitado projeto. 
 Para a realização da unidade temática, no primeiro momento será realizada uma 
dinâmica para socialização do grupo. Aplicaremos um teste escrito contendo três 
perguntas acerca do tema trabalho e da alienação. O intuito da aplicação da sondagem é 
termos um parâmetro, sobre as expectativas que os alunos têm acerca do mercado de 
Universidade Federal do Ceará
Campus Cariri
3o Encontro Universitário da UFC no Cariri
Juazeiro do Norte-CE, 26 a 28 de Outubro de 2011
trabalho. No desenvolvimento das aulas serão realizadas leituras de textos da obra de 
Marx os Manuscritos Econômico-Filosóficos, com os participantes. 
Através de exposições dialogadas faremos debates e discussões com os 
participantes. Nos comentários realizados faremos uma analogia entre a filosofia ou 
assunto tratado e a realidade do participante. Num segundo momento, exibiremos o 
filme Tempos Modernos de Charles Chaplin, articulando as idéias tratadas por Marx 
acerca do trabalho e da alienação, com as idéias apresentadas nessa obra 
cinematográfica. Usaremos a musicalidade para estimular a participação dos alunos, 
levantando questionamentos e articulando a música do grupo Legião Urbana 
composição de Renato Russo: Musica de Trabalho. Usaremos também uma crônica de 
Rubens Alves, na qual ele entrevista Marx numa cervejaria. 
 
 
Fundamentação teórico-filosófica 
 
Na pesquisa sobre a obra os Manuscritos Econômico-Filosóficos, buscamos 
analisar a visão marxiana sobre o trabalho, e a alienação que dele decorre, destacando o 
duplo aspecto do trabalho no sistema capitalista: o trabalho em geral, criador de valor de 
uso; e o trabalho alienado, estranhado, criador de valor de troca. Quando Marx coloca 
esse duplo aspecto do trabalho, evidencia uma das questões centrais da sua análise: a 
alienação que decorre do trabalho estranhado e que se estende aos demais complexos 
sociais da vida humana.Nesse sentido, Marx afirma que: 
 
O estranhamento do trabalhador em seu objeto se expressa, pelas leis 
nacional-econômica, em que quanto mais o trabalhador produz, menos 
tem para consumir; que quanto mais valores cria, mais sem valor e 
indigno ele se torna; quanto mais bem formado o seu produto, tanto 
mais deformado ele fica; quanto mais civilizado seu objeto, mais 
bárbaro o trabalhador; que quanto mais poderoso o trabalho, mais pobre 
de espírito e servo da natureza se torna o trabalhador. (Marx, 2004, 
p.82). 
 
Essa análise, tomada por Marx, refere-se aos padrões do modo de produção 
capitalista, no qual o homem passa a ser explorado por meio da sua força de trabalho. A 
situação humana desce à condição de alienação a tal ponto que o homem, passa a se 
confundir com a mercadoria que produz, sendo produtor de mercadoria e, ao mesmo 
tempo, transformando-se em mercadoria. 
Decorre, aí, a auto-alienação do trabalhador, estendendo-se para fora do 
trabalho, ou seja, estendendo-se às demais dimensões da sua vida social. Pois, na 
sociedade capitalista “as coisas – produto do trabalho humano – adquirem propriedade 
de valor, dinheiro, lucro, capital, salário, etc.” (Nobre, 2002, pp. 97 e 98); até mesmo o 
trabalhador torna-se uma mercadoria como outra qualquer. Aqui consiste a questão 
central da alienação do trabalhador, levando-o à alienação nas relações, ou seja, à 
reificação dos homens em sociedade, uma vez que tudo passa a ser tomado como 
mercadoria, inclusive o trabalhador. Desse modo, o homem torna-se escravo do sistema 
capitalista no qual não produz mais apenas por necessidade, mas para dar lucro ao 
sistema. O homem, ao ser explorado na sua atividade vital, não mais se realiza no 
trabalho, que segundo Marx é a essência do ser social, e tampouco se realiza fora dele. 
O trabalho e sua vida social tornam-se estranhos a ele, alienados do seu ser genérico. 
Universidade Federal do Ceará
Campus Cariri
3o Encontro Universitário da UFC no Cariri
Juazeiro do Norte-CE, 26 a 28 de Outubro de 2011
 
Conclusão 
 
Quando Marx pensa o trabalho como essência do homem, essa noção de trabalho 
é perfeitamente relacional: o trabalho é relação do homem com o mundo, com o meio 
pelo qual acontece a transformação da natureza em objetos de uso, valorizando-o. O 
valor atribuído pelo homem ao mundo diz respeito ao modo como o homem retira da 
natureza a sua subsistência, quer dizer, ao modo como cria, distribui e redistribui os 
seus bens. 
Desta forma podemos perceber o quanto o trabalho tem uma dimensão 
importante na vida do homem, nas relações sociais e observamos o quanto é importante 
para o jovem ter acesso a estas informações, mostrando que o trabalho não tem apenas a 
finalidade de dar condições de sobrevivência e subsistência, mas de transformar o meio 
no qual o homem interage, ao mesmo tempo em que estabelece as suas relações sociais. 
Enfim, o nosso propósito é esclarecer para os jovens que o trabalho não é apenas 
uma forma de sobrevivência, mas sim a atividade edificante do homem enquanto ser 
social, ser de relações. Nas exposições e estudos dos textos, temos a pretensão de fazer 
uma analogia das idéias marxista com a atualidade, observando o entendimento dos 
alunos acerca da sociedade capitalista que, por ser uma sociedade composta de 
competições, egoísmos e lucros, é regida pelo trabalho explorador e alienante. 
 
Agradecimentos 
À FUNCAP, por nos proporcionar a possibilidade da pesquisa. À UFC/Cariri que 
através destes encontros torna possível a apresentação da produção acadêmica. 
 
Referência bibliográfica 
MARX, Karl. Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844. Trad. Jesus Raniere, 1ª 
ed. São Paulo: Boitempo Editorial, 2004. 
RENÉ, J.T Silveira e Roberto Goto, Filosofia no Ensino Médio. Temas, problemas e 
proposta-A filosofia e seu Ensino: Conceitos e Transversalidade. São Paulo: Loyola 
2007. 
NOBRE Lopes, Fátima Maria. Trabalho e Estranhamento: Ruptura ou Continuidade 
do Pensamento de Marx. In: CEMARX:COLÓQUIO MARX E ENGELS, 2005, São 
Paulo. Disponível em: <http://www.unicamp.br/cemaxr/fatima.htm. Acesso em: 23 agosto 
de 2011. 
 
_____________,_______________. As duas faces do trabalho: constituição e negação 
do homem, IN: Trabalho e Educação face à crise global do capitalismo. Fortaleza: 
LCR, 2002, p. 87 a 91.

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