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Imuno Geral – aula 19/05/2016 ONTOGENIA DE LINFÓCITOS B Ontogenia – Trata da diferenciação das células B, na medula óssea. A medula óssea é voltada para a formação das células de defesa do sistema imunológico e ela varia de acordo com a idade do indivíduo: indivíduos recém-nascidos, até mais ou menos o final da infância e início da adolescência, possui a formação de todas as células de defesa, no que chamamos de esqueleto axial (vértebras, coluna, costelas, ossos do ilíaco) e na criança, temos também os ossos longos como área de formação. No adulto, os ossos longos perdem a sua importância, mas de qualquer maneira, mesmo tendo uma área menor, a área do esqueleto axial já é suficiente para formar as células que precisamos. O órgão linfoide primário para a formação dos linfócitos B é então, a medula óssea. Temos células precursoras pluripotentes na medula óssea e essas células vão originar um progenitor linfoide comum, que vai dar origem as células B, células T e células NK e essas células depois migram para os linfonodos periféricos, onde desempenharão seu papel na defesa. Em relação as células T e B: o processo de formação possui eventos comuns, onde na medula óssea, tem-se os precursores dos linfócitos B e T (precursores de linfócitos T serão vistos melhor em aulas posteriores). As células T migraram para o timo, onde teremos a formação dos linfócitos T CD4 positivos e CD8 positivos, que são importantes para a defesa. Em relação aos linfócitos B: Toda a sua formação ocorre na medula óssea e da medula eles migram, ainda não totalmente formados, para os tecidos periféricos (linfonodo, baço e mucosas). Na medula óssea existem células de origem ectodérmicas (células de estroma), elas são fibroblastos e outras células que preenchem o estroma da parte interna da medula óssea. Essas células servem de base onde, os precursores de qualquer linhagem hematopoiética, vão crescer. Além disso, essas células produzem uma série de fatores de citosinas, que vão levar a diferenciação de diferentes linhagens celulares. O que se tem no final, são formadas diferentes áreas de diferentes tipos celulares, como exemplo, o linfócito B. Essas células precursoras vão sofrer uma série de mudanças no conjunto de genes que são expressos, de maneira que se tem uma célula, que depois é exportada da medula óssea, ainda não funcional, porém já com alguma especificidade. Existe, entre as células do estroma e o linfócito B em formação, um contato membrana- membrana, pelas moléculas de adesão (integrinas da superfamília das imunoglobulinas), que fazem uma adesão firme entre o precursor linfoide e a célula de estroma. As células de estroma produzirão uma série de citosinas, por exemplo: interleucina-7, fator SCF... – são todos produzidos na medula óssea, porém em uma quantidade muito pequena. Portanto, se a célula não estivesse em contato com a célula de estroma, ela não conseguiria receber essas citosinas na concentração adequada para a sua diferenciação. Vamos ter então, três moléculas importantes: interleucina-7: Função de diferenciação entre mitoses, quimiocinas: ligam em um receptor presente nas células B e ajuda também, na diferenciação; e sinais iniciais (ela disse que não precisamos saber, especificamente, todos os sinais iniciais), basta saber que, a célula B recebe uma série de sinais que farão com que ela progrida no processo de diferenciação e que esses sinais são produzidos em concentrações baixas. Esse contato da célula B com o estroma é muito coeso e é essencial para que a célula B progrida no processo. A partir do momento em que ela vai se diferenciando, ela passa a expressar uma quantidade menor dessas moléculas de adesão, se tornando então, uma célula B madura. No quadro a baixo, mostra a célula, desde o seu início de formação até uma célula B madura e em vermelho, no quadro, marcando em que etapas determinados genes são expressos, por exemplo, o fator FLT3 que é importante nas etapas iniciais (aqui ela cita algumas moléculas do quadro abaixo, porém não entra em detalhes e diz que não precisamos saber isso a fundão, ainda). Existem estudos que vão identificar cada uma dessas moléculas, porém, o que é importante que saibamos, é que ocorre um processo de diferenciação e essa célula vai montando estruturas capazes de fazer com que as células B possam depois, responder a diferentes estímulos em diferentes tecidos. Existe um tipo de molécula que é muito importante nesse processo de diferenciação, que é a imunoglobulina de superfície, que será o tema da próxima aula, porém, apenas para adiantar, a célula B não tem montado, como tem uma célula precursora, nem o gene que codifica a cadeia leve, nem o gene que codifica a cadeia pesada da imunoglobulina. Além disso, ela sofre um processo em que primeiro, ela organiza os genes de cadeia pesada e depois ela organiza os genes de cadeia leva, levando a uma reorganização na sequência dos íntrons e finalmente, ela consegue então, ter uma Igm na membrana, que será uma molécula funcional e que consegue se organizar. A imunoglobulina é formada e tem, como já sabemos, uma cadeia leve e outra pesada, com uma especificidade aleatória. Essas células possuem moléculas de Igm que podem: não serem funcionais – não estarem adequadamente organizadas na membrana, de maneira que elas não consigam sinalizar. As células B, quando são formadas, terão um receptor na membrana. Esse receptor (na célula B ainda na medula óssea) pode ter qualquer tipo de especificidade. Por exemplo: um receptor que interaja com a proteína albumina ou uma proteína de membrana... dizemos então que, qualquer linfócito que interaja com alguma coisa do nosso organismo é chamado de Linfócito auto reativo, ou seja, ele reage com algum antígeno (antígenos self) que está presente em nosso organismo. As consequências disso, geram doenças autoimunes, por exemplo, o Lúpus: o portador dessa doença produz anticorpos que reconhecem proteínas do próprio portador. O nosso organismo possui um sistema de controle de forma que, qualquer linfócito B que venha a expressar, no processo de diferenciação, uma imunoglobulina que reconhece alguma molécula que tenhamos no nosso organismo, esse linfócito B é então eliminado. Portanto, podem ser formadas células B auto reativas. O que que acontecem com essas células? Onde essas células são eliminadas? E por que processo elas são eliminadas? Vamos tentar entender isso, com o auxílio de alguns modelos: Temos uma proteína em todas as nossas células chamadas moléculas de MHC – classe 1. Essa proteína tem uma função importante no sistema imunológico e é uma proteína de membrana. No caso do experimento, os camundongos utilizados (cada um, de uma espécie diferente) possuem moléculas de MHC de classe 1 diferente uns dos outros. Sabemos que, todo linfócito B, uma vez maduro, tem a imunoglobulina na superfície e ela aparece já rearranjada em uma fase final da diferenciação, e que o linfócito B, nesse ponto, já está quase pronto para ser uma célula funcional. Nos anos 70, por meio de camundongos transgênicos, foi possível fazer com que os linfócitos B deles expressassem imunoglobulina com a mesma região pareável, ou seja, fizeram com que esses linfócitos não expressassem um gene endógeno. Por conta disso, foi possível desenvolver camundongos que tinham diferentes moléculas de MHC, onde todos os linfócitos B tinham uma especificidade e reconheciam um antígeno conhecido. No experimento então, eles forçaram os linfócitos B, a terem imunoglobulinas que reconhecem moléculas de MHC específica de uma espécie específica de camundongo. Se essas moléculas fossem colocadas emum embrião de uma outra espécie de camundongo que expressasse outro tipo de molécula MHC de outra classe, em sua medula óssea, as imunoglobulinas não reconheceriam essas moléculas e faria com que esses camundongos criassem anticorpos contra as moléculas de MHC. Portanto, tinha-se linfócitos B que reconheciam essas moléculas de membrana e por conta disso, via-se que os linfócitos B se formavam produzindo anticorpos contra as moléculas de MHC, fazendo com que esse animal não tenha uma capacidade de defesa muito boa. O linfócito B tem imunoglobulina na sua superfície, porém, como qualquer célula, ele não tem só isso. Existe uma proteína que é chamada de B220, que nada mais é do que a CD45 e tem a seguinte característica: na célula B, que ainda não está pronta, existem poucas cópias dessa proteína. Já em uma célula B madura, ela aparece em grande quantidade. Ao ver essas moléculas na medula óssea de certos camundongos, viram que eles possuíam células B imaturas, com pouco CD45, porém, se eles procuravam por células já maduras, eles não achavam: nem na medula óssea, nem no baço e nem no linfonodo. Ou seja, de alguma maneira eles provaram que quando as células chegam nessa etapa final, elas desaparecem. Se ela desaparece, provavelmente, ela está morrendo por apoptose e isso foi mostrado depois. Elas acabam morrendo, por que elas acabam tendo imunoglobulinas que reconhecem antígenos próprios. A célula então é auto reativa e reconhece uma proteína de membrana e é eliminada na medula óssea. Porém, existem proteínas que não são expressas na medula óssea. Será que existe um processo de eliminação dessas células fora da medula óssea? Sim, isso ocorre e esses pesquisadores viram isso: Eles fizeram um camundongo transgênico em que, o gene da molécula de MHC que o linfócito B iria reconhecer, ele é codificado junto com o promotor que é expresso em células hepáticas. Ou seja, moral da história: os linfócitos B auto reativos reconhecem essa proteína de membrana da célula, que só aparece no fígado. Portanto, o processo de diferenciação, leva à uma eliminação das células B auto reativas na medula óssea, porém, existe um período de uns 4 dias que se a célula B ainda encontra seu ligante na periferia, essa célula B vai ser eliminada. Os linfócitos B podem reconhecer antígenos de todas as formas que pudermos imaginar e reconhecem essas moléculas de superfície, podendo ter dois destinos diferentes: ou eles continuam auto reativos e morrem na medula óssea ou eles sofrem processo de edição de receptor, mudando a especificidade da imunoglobulina pela troca da cadeia leve. Fica então a informação de que, as células auto reativas são deletadas, porém, algumas conseguem permanecer pois essas, conseguem mudar sua especificidade, por conta das características do processo de formação das moléculas de imunoglobulina de superfície. Os linfócitos B, que reconhecem essas moléculas de superfície, podem ter dois destinos diferentes: ou eles continuam auto reativos e morrem na medula óssea ou morrem antes de chegar nos tecidos; ou eles sofrem um processo de edição de receptor, mudando a especificidade da imunoglobulina pela troca da cadeia leve e só então, essas células conseguem chegar nos tecidos, como células B normais. Existe uma população de linfócitos B que reconhecem proteínas solúveis, por exemplo, albumina, hormônios.... Em qualquer situação teremos sinalização com a imunoglobulina de superfície, tanto na célula madura, quanto na imatura. Uma célula B normal é capaz de durar nos tecidos por mais ou menos um mês, desde que não sejam ativadas. Células de animas transgênicos, cujo os linfócitos B não sejam normais, duram menos, em torno de 5 dias apenas. Os linfócitos B ficam nos folículos linfoides. Eles ficam lá, por que temos uma célula chamada célula folicular e essa célula produz uma série de fatores que são importantes para que as células consigam ficar vivas, por exemplo, uma proteína que é chamada de BAF acho que é isso, não entendi (proteína importante para que a célula B não morra rapidamente, sobrevivendo por um mês ou mais). Essa célula B normal, vai ter uma grande quantidade de receptor para essa proteína, já as células que reconhecem auto antígeno, tem uma quantidade pequena de receptores dessa proteína, por isso, células que reconhecem auto antígeno (auto reativa) morrem rápido. O esquema abaixo, resume todo o conceito dessa aula: se o linfócito B reconhece proteínas endógenas, que aparecem na medula óssea na superfície de células, esses linfócitos B vão morrer. Porém, pode existir a situação que, na medula óssea, essas células reconheçam antígenos solúveis. Essas células então saem da medula óssea, tenho uma quantidade muito maior de IgD do que de IgM – não sendo, portanto, células funcionais, já que não têm capacidade de se localizar nos órgãos linfoides de maneira adequada, como uma célula normal. O que vai sobrar, são os linfócitos B que não são auto reativos. Essas células, para sobreviverem, não podem ser auto reativas, porém, precisam ter um certo nível de estimulação basal, que é necessário para que ela sobreviva. Sem a estimulação de seus receptores, células normais vão morrer de qualquer forma. Esquema que resume toda a aula. Existem subpopulações de células B diferentes e algumas delas são muito importantes para o controle de infecções bacterianas. As células B1 aparecem na pleura, em grande quantidade. Estão em mucosas, baço entre outras regiões, mais principalmente em mucosas. Essas células vêm de precursores formados, durante o período embrionário, e o indivíduo ao nascer, já nasce com elas pré-formadas. Por que elas estão nas mucosas? Por que é lá que teremos o primeiro contato com os microrganismos. Essas células, estimuladas por microrganismos, produzem grande quantidade de IgM (que ativa o sistema complemento) e respondem em grande velocidade. Outra população importante em termos de controle de infecções bacterianas, são os linfócitos B de zona marginal e só aparecem no baço (na polpa branca). Ao contrário das células B1, as células de zonas marginais produzem grande quantidade de IgD e pouco IgM na membrana.