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CENTRO UNIVERSITÁRIO ESTÁCIO DE SÁ
Barbara Maria Conceição Santiago
Munean
Sua importância para enfermagem e representatividade negra
Salvador-Bahia
2018
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Introdução
O presente trabalho é sobre o Museu Nacional de Enfermagem Ana Nery (Munean) e sua importância para enfermagem no Brasil e a representatividade negra na história da enfermagem, ocultada durante a construção da profissão no país.
É objetivo deste trabalho contar sobre a criação do Munean,as modificações sofridas ao longo do tempo,características que o faz tão importante para a Enfermagem no Brasil.Relatar fatos ocultados pelo preconceito e apagados pelo tempo que o museu expõe de forma claro e reveladora.
A metodologia utilizada foi a visitação na instituição histórica, relatos do guia que me acompanhou na visitação,agregada de pesquisas feitas na internet.
Visita ao Munean
Data -21/05/2018
Guia - Denis
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Dedico este trabalho primeiramente а Deus, pоr ser essencial еm minha vida, autor dе mеυ destino, mеυ guia, socorro presente nа hora dа angústia, ао mеυ pai, minha mãе , meus irmãos e em especial as minhas filhas que são meu motivo para continuar.
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Resumo
Este trabalho tem como objetivo relatar a historia do museu nacional de enfermagem Ana Nery (Munean),suas características importantes ,além de colocar em pauta a participação de mulheres negras na criação e desenvolvimento da enfermagem ocultada pelo preconceito ao longo do tempo,sabiamente exposto no museu.Pretendo com o mesmo explicitar o grau de importância do museu e a relevante participação de enfermeiras negras na história e construção da profissão da enfermagem no Brasil.Com o intuito de contar e preservar a contribuição da mulher negra no desenvolvimento do cuidado.Colocando em discussão a necessidade de políticas afirmativas,para que estudantes mulheres negras se reconheçam e se espelhem em enfermeiras negras que marcaram a história da enfermagem pelos seus feitos até então ocultados pelo racismo e preconceito.
O Munean
O Museu Nacional de Enfermagem Ana Nery é um museu histórico que fala das origens da profissão .Um centro de referência da memória da enfermagem,que reverência os ícones da profissão,mas faz reconhecer os heróis anônimos .Sobre tudo ,o Munean é um museu contemporâneo ,em que o profissional de hoje pode se reconhecer. O Munean é uma instituição privada, sem fins lucrativos, decaráter histórico e científico, estar localizado na Rua João de Deus, nº 05, Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, fundado em 20/05/10. Está situado numa edificação do século XIX, protegida por tombamento nacional. O museu traz para a sociedade uma nova concepção de instituição museológica, que assume o compromisso de fomentar diálogos, ser nacional, enxergando as diferenças, envolvendo-se com questões reais ao mundo da Enfermagem para preservar opatrimônio cultural desta profissão.
No Munean ,histórias de personagens afrodescendentes pertencentes ao mundo da enfermagem são contados .As mães de leite,as amas,e mulheres negras que participaram de guerras ou conflitos ,como Maria Soldado,enfermeira da Legião Negra,comissão que arrecadava bens para a comunidade negra paulista,são representadas no museu através da exposição.A memória das mulheres negras do Brasil,cuidadoras de crianças ,parteiras,nutrizes,chamadas de amas de leite e mães de criação,resistiram aos imperativos da escrita oficial da história da enfermagem que insiste em renegá-las ,não as citando como forma de referência da profissão.A exposição é importante para manter viva a condição histórica da negra na enfermagem ,resgatando e reconhecendo a contribuição afro. 
Responsabilidade com os negros
O museu vem com a responsabilidade de atiçar a curiosidade,o conhecimento e o interesse de pessoas negras pela profissão de enfermagem.Creio que a partir do momento em que percebem a contribuição de personalidades da mesma etnia na história de enfermagem,previamente omitidas pela escrita oficial da mesma .Passam a se reconhecer na profissão e criam interesse em fazer parte da sua evolução.
Com a visita feita ao museu pude observar uma realidade alarmante porém verdadeira,em que o número de estudantes negros matriculados no ensino superior não ultrapassa a casa dos 4%.Quando se fala de cursos ligados a área de saúde,como medicina,odontologia e enfermagem os dados são ainda mais perversos .Os afro-brasileiros correspondem a 0,8 e 1% do corpo discente.
Onde começou o preconceito na enfermagem
As escolas de enfermagem no Brasil que assumiam o modelo nightingaleano não admitiam mulheres negras e tampouco homens,esses brancos ou negros na formação profissional.Um dos requisitos para ter acesso as escolas de enfermagem na época um dos requisitos era ser “branca e Culta”.
Relato do guia sobre a conduta da escola de enfermagem perante a mulher negra.
“Toda vez em que moças negras se candidatavam para entrar na escola,havia sempre boas razões para que elas não fossem qualificadas ,por isso nenhum problema havia surgido até então.Na verdade havia já na escola três estudantes que ,apesar e brancas,mostravam alguns traços de sangue negro.Foi enviada á imprensa comunicado que nenhuma pretendente havia sido rejeitada por causa da cor ,mas não foi convincente,e o departamento de saúde achou que seria aconselhável permitir o ingresso de uma moça negra,se acaso se apresentasse alguma que preenchesse todos os requisitos para a admissão.Esta candidata apareceu algum tempo depois,juntamente com outras candidatas.
A invisibilidade da mulher negra na enfermagem
A população negra teve uma longa e difícil trajetória nas várias áreas e na enfermagem não foi diferente .A mulher negra por sua vez foi e ainda é duplamente discriminada,tanto como mulher,quanto por ser negra,por trazer consigo a marca da construção social do que é ser mulher e o mito da inferioridade da raça.A história da enfermagem no Brasil teve o período dos cuidados não institucionalizados que eram desenvolvidos por leigos e irmãs de caridades.Neste cenário,estavam as mulheres e em particular as negras que além de cuidar dos serviços domésticos ,cabiam a tarefa de serem amas de leite assistência aos doentes e velhos.Faziam partos ,cuidavam de recém nascidos e das moléstias de outras mulheres.Não existia um sistema de ensino e as “enfermeiras”aprendiam o serviço na prática e na observação,não havendo assim uma exigência de escolaridade para o desenvolvimento do trabalho.A Europa associava a situação da pobreza do Brasil a inferioridade do negro e a miscigenação ,tornando-o inviável economicamente.Deste modo passa a ter uma grande preocupação com a saúde publica com intuito de reverter esta representação do país.Assim sob a influencia Eugenista e inspirada no modelo de Florence Nightingale,a enfermagem começa a ganhar corpo.
A enfermagem moderna brasileira nasce eletista e sob a égide da eugenia discriminando classe e principalmente etnia.Sendo os negros e mestiços considerados não dignos e causadores de grandes males foram assim relegados as funções menos valorizados.E nesse contexto,encontrava-se a mulher negra impedida de ingressar na Escola profissional,pois ,estava fora da representação social construída para “Boa Enfermagem” mulher branca,jovem,saudável,de boa conduta e moral.
Se para as mulheres brancas e de classe menos favorecidas era difícil o ingresso na enfermagem moderna,quanto mais ainda era para as mulheres negras que nunca eram consideradas,qualificadas o suficiente ,contrariando concepção da época que no Brasil se vivia em uma democracia racial,na qual negros ,mulatos e brancos viviam em igualdade social e jurídica.
Motivos para a exclusão do negro da história da enfermagem
Como afirmado outrora,se a historiografiageral omite ,ignora ou distorce a atuação do negro no desenvolvimento da sociedade brasileira,na história da enfermagem não seria diferente.Nesse sentido historiadores afirmam que trabalhos acadêmicos apontam Florence Nightingale como a fundadora da enfermagem moderna,mas não mencionam a enfermeira negra que a acompanhou como enfermeira na guerra da Climéria.Se a presença da mulher negra daria a enfermagem a imagem de uma profissão desqualificada,então a saída foi tornar a sua invisível.
Mulher negra no ensino superior
Da entrada da enfermagem brasileira na era moderna,muitos anos se passaram,mas não trouxeram grandes transformações na condição do negro no Brasil.Algumas conquistas foram obtidas,mais ainda persiste grande hiato social entre negros e brancos.A situação do negro é marcada ainda,por discriminação e desigualdade refletidas em baixos salários,trabalho informal,maior tempo para ascensão na carreira e acesso as carreiras de menor prestígio social e menos anos de estudos.
Nesse sentido foi possível analisar que o campo da educação a mulher teve conquistas significativas apresentando maior média de estudos em relação aos homens.Porém ,quando se refere a categoria negra há uma grande distinção entre as mulheres negras e brancas,sendo que a negra quando se refere ao ensino superior encontra-se em uma posição ainda inferior em relação a branca.Enquanto 19,8% das mulheres brancas chegam ao ensino superior ,apenas 5,6% das negras também conseguem.
Foi possível analisar que a mulher negra tem sido encaminhada para carreiras secundárias e com características específicas,como a formação de profissionais que ocupam posição de subordinação.No caso da enfermagem,a taxa de estudantes negras ainda é muito pequena chegando somente a 9%do total de matrículas.
Considerações finais
A invisibilidade da mulher negra na enfermagem se reflete na dificuldade de se encontrar literatura científica sobre a questão.A falta de dados sobre o perfil profissional da enfermagem brasileira,não permite melhor análise sobre o problema.
As perguntas vão surgindo.Quantas mulheres negras fazem parte da enfermagem como enfermeiras,técnicas e auxiliares de enfermagem?Quantas enfermeiras negras ocupam hoje cargos de diretoria de enfermagem nos grandes hospitais do país?Quantas são secretárias de saúde?Não sabemos.
Reforço a importância de dar visibilidade a essas mulheres que construíram e constroem a profissão e a todos os instrumentos que aguçam esse tipo de pesquisa.
E nesse aspecto é de total relevância a visitação ao museu de enfermagem.Pois a partir do momento em que Eu ,mulher ,negra,estudante de enfermagem,não tinha ideia da contribuição histórica de lutas e glórias da mulher negra para a criação e construção da enfermagem.
Espero ter trazido á tona a necessidade de refletir e discutir,propor ações afirmativas que permitam a mulher ,negra ,a cidadania plena.
Glossário
Munean= Museu Nacional De Enfermagem Ana Nery
Explicitar=Tonar explicito,claro,sem margem para ambiguidades
Nutrizes=Aquela cuja função é amamentar,ama ou ama de leite
Eugenista= Bem nascido
Égide= Que protege,ampara
Etnia= Coletividade de indivíduos que se diferencia por sua especificidade
Relegados=Afastado de um lugar para outro,banido,expatriado
Hiato=Falta, Intervalo,lacuna
Referências Bibliográficas
Andrews,G.R. Democracia Racial Brasileira 1900-1990.
Baia ,D.C.P. A Universidade pública reproduzida nas desigualdades sociais
Castro,E.C. Identidade e trajetórias de alunos negros da UFMT nos cursos de nutrição ,enfermagem e medicina.
Conselho Federal de Enfermagem.Estatística 2005
Mai.Liliane,Denise. Análise de produção do conhecimento em Eugenia na revista Brasileira de Enfermagem-REBEn,1939-2002.
Visitação ao Museu Nacional De Enfermagem Ana Nery.

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