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ANATOMIA MACROSCÓPICA DO TELENCÉFALO

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Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● NEUROANATOMIA 
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www.medresumos.com.br 
 
 
ANATOMIA MACROSCÓPICA DO TELENCÉFALO 
 
 
 O cérebro, que compõe o SNC junto à medula espinhal, ao tronco encefálico e ao cerebelo, é dividido em diencéfalo e 
telencéfalo. O telencéfalo compreende os dois hemisférios cerebrais, direito e esquerdo, e uma pequena parte mediana situada na 
porção anterior do III ventrículo. Esses dois hemisférios são incompletamente separados entre si pela fissura longitudinal do cérebro 
(fissura inter-hemisférica), cujo assoalho é formado pelo corpo caloso, formado por uma larga faixa de fibras comissurais (que 
atravessam o plano mediano) interligando regiões simétricas do telencéfalo. Os hemisférios cerebrais possuem ainda cavidades, os 
ventrículos laterais esquerdo (I ventrículo) e direito (II ventrículo), que se comunicam com o III ventrículo por meio dos forames 
interventriculares (forame de Monro). 
 Cada hemisfério possui três pólos: frontal, occipital e temporal; e três faces: face súpero-lateral (convexa); face medial (plana) 
e face inferior ou base do cérebro (de formato irregular) repousando anteriormente nos andares anterior e médio da base do crânio e 
posteriormente na tenda do cerebelo. 
 
 
SULCOS E GIROS – DIVISÃO DO TELENCÉFALO EM LOBOS 
 A superfície do cérebro humano, assim como a de vários animais, apresenta depressões denominadas sulcos responsáveis 
por delimitar os giros (circunvoluções cerebrais). A existência desses sulcos permite considerável aumento de superfície sem grande 
aumento do volume cerebral e sabe-se que cerca de dois terços da área ocupada pelo córtex estão abrigados nesses sulcos. A 
existência desses sulcos armazenando área de tecido nervoso dos giros serve como uma questão estética da natureza: se não 
houvessem essas circunvoluções de tecido nervoso, para abrigar a mesma quantidade de células nervosas, a cabeça humana deveria 
ter uma circunferência cerca de 10 vezes maior que o normal. 
 Muitos desses sulcos não são constantes, não recebendo qualquer denominação. Já outros, que aparecem com maior 
frequência, recebem denominações especiais e ajudam a delimitar os lobos e as áreas cerebrais. De qualquer modo, o padrão de 
sulcos e giros do cérebro varia em cada cérebro, podendo ser diferente nos dois hemisférios de um mesmo indivíduo. Em cada 
hemisfério cerebral, são mais visíveis e mais importantes o sulco lateral (de Sylvius) e o sulco central (de Rolando): 
 Sulco lateral (de Sylvius): amplo sulco, melhor observado na face súpero-lateral do cérebro, que divide o lobo frontal e 
parte do parietal do temporal. Inicia-se ainda na face inferior do telencéfalo, lateralmente à substância perfurada anterior 
(localizada entre as duas estrias olfatórias) como uma fenda profunda que, separando o lobo frontal do temporal, dirige-se 
(em trajeto ascendente) para a face súpero-lateral do cérebro, onde termina dividindo-se em três ramos: anterior, 
ascendente e posterior. Os ramos ascendente e anterior são curtos e penetram no lobo frontal; o ramo posterior é muito 
mais longo, e dirige-se para trás e para cima, terminando no lobo parietal. O sulco lateral é responsável, então, por separar o 
lobo temporal, situado abaixo, dos lobos frontal e parietal, situados acima. 
 Sulco central (de Rolando): é um sulco profundo e geralmente contínuo que percorre obliquamente a face súpero-lateral do 
hemisfério, separando os lobos frontal e parietal. Tem início na face medial do hemisfério cerebral, bem na região do lóbulo 
paracentral, aproximadamente no meio da borda dorsal desse hemisfério e, a partir desse, ponto dirige-se para diante e para 
baixo, em direção ao ramo posterior do sulco lateral, do qual é separado, na maioria dos casos, por uma pequena prega 
cortical. Esse sulco é delimitado por dois grandes giros paralelos a ele: giro pré-central (anteriormente) e o giro pós-central 
(posteriormente). De um modo geral, as áreas situadas adiante do sulco central relacionam-se com a motricidade, enquanto 
que as situadas atrás deste sulco, relacionam-se com a sensibilidade. 
 
 Os lobos cerebrais, delimitados por sulcos e 
linhas imaginárias, recebem sua denominação de 
acordo com os ossos do crânio com os quais se 
relacionam. Assim, temos os lobos frontal, temporal, 
parietal e occipital. Além destes, existe um quinto 
lobo, a ínsula, situado profundamente no sulco lateral e 
que não tem, por conseguinte, relação imediata com os 
ossos do crânio. 
 O lobo frontal localiza-se acima do sulco lateral 
e anterior ao sulco central. 
 Na face medial do cérebro, o limite anterior do 
lobo occipital é o sulco parieto-occipital. Já na 
face súpero-lateral este limite é arbitrariamente 
situado em uma linha imaginária que une a 
terminação do hemisfério, localizada na borda 
superior do hemisfério cerebral, à incisura pré-
occipital, situada na borda ínfero-lateral, cerca de 
4cm adiante do pólo occipital. 
 Do ponto médio desta linha, parte uma segunda 
linha imaginária em direção no ramo posterior do 
sulco lateral e que, juntamente com esse ramo, 
separa o lobo temporal do lobo parietal. 
 
Arlindo Ugulino Netto. 
NEUROANATOMIA 2016 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● NEUROANATOMIA 
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MORFOLOGIA DAS FACES DOS HEMISFÉRIOS CEREBRAIS 
 
FACE SÚPERO-LATERAL 
 A face súpero-lateral do cérebro, ou face convexa, é a maior das faces cerebrais, relacionando-se com todos os ossos que 
formam a abóbada craniana. Nela, estão representados os cincos lobos cerebrais que serão estudados a seguir. 
 
1. Lobo frontal 
 Identificam-se em sua superfície três sulcos principais: 
 Sulco pré-central: mais ou menos paralelo ao sulco central, está localizado logo anteriormente ao giro pré-central, sendo, 
por muitas vezes, dividido em dois segmentos. 
 Sulco frontal superior: inicia-se geralmente na porção superior do sulco pré-central e tem direção aproximadamente 
perpendicular a ele. 
 Sulco frontal inferior: partindo da porção inferior do sulco pré-central, dirige-se para frente e para baixo. 
 
 Entre o sulco central e o sulco pré-central está o giro pré-central, onde se localiza a área motora principal do cérebro (área 4 
de Brodmann). Acima do sulco frontal superior, continuando, pois, na face medial do cérebro, localiza-se a face súpero-lateral do 
giro frontal superior e a face medial do giro frontal superior, respectivamente. Entre os sulcos frontal superior e frontal inferior 
está o giro frontal médio. Logo abaixo do sulco frontal inferior, temos o giro frontal inferior que é ainda subdividido pelos ramos 
anterior e ascendente do sulco lateral em três partes: parte orbital (anteriormente ao ramo anterior do sulco lateral), parte triangular 
(entre o ramo anterior e o ramo ascendente) e a parte opercular (entre o ramo ascendente e a parte inferior do sulco pré-central). 
 
OBS: O giro frontal inferior do hemisfério cerebral esquerdo é denominado giro de Broca, pois aí se localiza, na maioria dos 
indivíduos, o centro cortical da palavra falada. 
 
2. Lobo Temporal 
 Apresenta na face súpero-lateral do cérebro dois sulcos principais: 
 Sulco temporal superior: inicia-se próximo ao pólo temporal e dirige-se para trás, paralelamente ao ramo posterior do sulco 
lateral, terminando no lobo parietal (bem no giro angular). 
 Sulco temporal inferior: paralelo ao sulco temporal superior, é geralmente formado por duas ou mais partes descontínuas. 
 
 Entre os sulcos lateral e temporal superior está o giro temporal superior; entre os sulcos temporal superior e temporal 
inferior situa-se o giro temporal médio; abaixo do sulco temporal inferior localiza-se o giro temporal inferior, que se limita com o 
sulco occipito-temporal, geralmente situado na face inferior do hemisfério. Afastando-se os lábios do sulco lateral, aparece seu 
assoalho, que é parte do giro temporal superior. A porção posterior deste assoalho é atravessada por pequenos giros transversais, os
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