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Professor: Dr. Reginaldo Gomes Nobre 
CCTA - Centro de Ciências e Tecnologia Agroalimentar 
UAGRA - Unidade Acadêmica de Ciências Agrárias 
Campus de Pombal - PB 
DISCIPLINA 
TOLERÂNCIA DAS CULTURAS À SALINIDADE 
 A tolerância de uma cultura aos sais é a 
capacidade que ela tem de suportar os efeitos do 
excesso de sais na zona radicular. 
 
 Nem todas as plantas respondem igualmente à 
salinidade, algumas produzem rendimentos 
aceitáveis a níveis altos de salinidade e outras são 
sensíveis a níveis relativamente baixos. 
 
 A tolerância à salinidade de algumas culturas pode 
alcançar valores entre 8 e 10 vezes a tolerância de 
outras. 
Fatores que Afetam a Tolerância das Culturas 
Fase de 
Desenvolvimento 
da Cultura. 
Espécie entre 
Plantas. 
Clima. 
Tipo de Sistema 
de Irrigação. 
CRITÉRIOS PARA AVALIAR A TOLERÂNCIA 
1) capacidade da planta sobreviver em 
solo salino; 
2) rendimento da planta em solo 
salino; 
3) rendimento relativo obtido em solo 
salino em relação ao solo não salino 
cultivado em condições semelhantes. 
CRITÉRIOS PARA AVALIAR A TOLERÂNCIA 
 CONSIDERAÇÕES 
 
 No caso de espécies florestais a produção 
satisfatória é a própria sobrevivência da espécie; 
 Para a agricultura deve-se considerar a produção e 
seus componentes como germinação, crescimento 
de planta, stand populacional, etc. - ótimo 
parâmetro para selecionar variedades de uma 
mesma espécie; 
 A produção relativa é um critério que determina o 
nível de tolerância da cultura, porém, nem sempre 
uma variedade tolerante a salinidade é mais 
produtiva do que uma sensível da mesma espécie. 
DETERMINAÇÃO DOS VALORES DE TOLERÂNCIA 
 O nível máximo de salinidade média na zona 
radicular que pode ser tolerado pelas plantas, sem 
afetar negativamente o seu desenvolvimento, é 
conhecido como salinidade limiar (SL). 
 
 Valores de tolerância foram adaptados por Maas & 
Hoffman (1977) cujo estudos indicam que o 
crescimento vegetativo diminui linearmente com o 
aumento da salinidade acima do valor da 
salinidade limiar e deixa de ser linear quando o 
efeito da salinidade causa rendimento bastante 
inferiores a 50% do rendimento potencial da 
cultura 
DETERMINAÇÃO DOS VALORES DE TOLERÂNCIA 
 Bresler et al. (1982), o decréscimo na produção 
das culturas pode ser descrito segundo um dos 
três padrões básicos, apresentados na Figura 1, 
quando a salinidade do solo aumenta em relação 
ao nível limiar. 
Entretanto, algumas culturas 
podem ser tratadas como 
pertencentes a um grupo que 
segue o decréscimo de 
produtividade assintótico (curva 
b) e outras com um decréscimo 
semelhante ao representado na 
curva c. 
DETERMINAÇÃO DOS VALORES DE TOLERÂNCIA 
 Maas (1984) propôs representar as curvas da 
Figura 1 por dois segmentos lineares [Platô de 
Resposta Linear (PRL)]: um constituído por um 
platô de declividade nula e o outro por uma reta 
cuja declividade indica a redução da produção 
relativa por unidade de acréscimo na salinidade do 
solo 
Y = 100 - b (CEes - SL)
0
20
40
60
80
100
0 1 2 3 4 5 6 7 8
CEes (dS m
-1
)
Pr
od
uç
ão
 re
lat
iv
a (
%
)
Sa
lin
id
ad
e L
im
ia
r (
SL
)
x
y
b = 100 (x/y)
DETERMINAÇÃO DOS VALORES DE TOLERÂNCIA 
 A relação linear entre o rendimento da cultura e a 
condutividade elétrica do extrato da pasta 
saturada do solo pode ser estabelecida, conforme 
Maas e Hoffman (1977), pela equação: 
 
 
 Os valores de CEes, exceto os relacionados com 0 
e 100% do rendimento potencial, têm-se calculado 
reorganizando a Equação acima da seguinte 
maneira: 
SL) - (CEes b 100 Y 
 
b
Y SL b. 100
 CEes


DETERMINAÇÃO DOS VALORES DE TOLERÂNCIA 
A salinidade tolerada por algumas 
culturas, a qual refere-se à CEa na 
zona radicular, medida no extrato da 
pasta saturada do solo (CEes) pode 
ser encontradas em tabelas ou em 
diagramas: 
 
DETERMINAÇÃO DOS VALORES DE TOLERÂNCIA 
 O valor de b pode ser obtido de duas maneiras: 
com os dados da Tabela 1, para Y = 0% e a 
equação para b, seria: 
 
 
 
 Ou através da seguinte expressão: 
 
 
 
Y = 100 - b (CEes - SL)
0
20
40
60
80
100
0 1 2 3 4 5 6 7 8
CEes (dS m
-1
)
Pr
od
uç
ão
 re
lat
iv
a (
%
)
Sa
lin
id
ad
e L
im
ia
r (
SL
)
x
y
b = 100 (x/y)
 SL - CEes
100
 b
0% Y para 

y
x
100. b 
DETERMINAÇÃO DOS VALORES DE TOLERÂNCIA 
 CONSIDERAÇÕES: 
 
 Os valores de CEa são equivalentes à salinidade 
do extrato de saturação (CEes = 1,5 CEa). 
 O fator de concentração de 0,15 é o mesmo 
utilizado no desenvolvimento de diretrizes e 
corresponde ao fator para fração de lixiviação 
entre 0,15 e 0,20. 
 A condutividade elétrica da solução do solo, 
apresentada na Tabela 1, foi calculada com base 
no padrão de extração de água pelas raízes de 40, 
30, 20 e 10%. 
 
Manutenção da Salinidade do Solo Dentro de 
Limites Toleráveis para as Culturas 
 A medida que a salinidade da água (CEa) aumenta 
os rendimentos das culturas podem ser limitados 
pela impraticabilidade da lixiviação requerida. 
 
 A fração de água de irrigação que atravessa e 
percola a zona radicular é conhecida como a 
fração de lixiviação (FL) ou necessidade de 
lixiviação (NL) ou fração de lavagem, podendo ser 
calculada através das seguintes equações: 
 
 
Ln
Lx
 FL
CEa - 5CEes
CEa
 NL 
Manutenção da Salinidade do Solo Dentro de 
Limites Toleráveis para as Culturas 
A necessidade de 
lixiviação para distintos 
grupos de culturas pode 
ser estimada através da 
Figura ao lado, onde 
considera-se o 
rendimento potencial de 
100%. 
 
 uma necessidade de lixiviação acima de 25 ou 
30% não é realmente prático, devido a quantidade 
excessivamente grande de água de que se 
necessitaria. 
Manutenção da Salinidade do Solo Dentro de 
Limites Toleráveis para as Culturas 
 Após várias irrigações sucessivas, a concentração 
de sais acumulados aproxima-se da concentração 
de equilíbrio, cujo valor depende da fração de 
lixiviação e da salinidade da água de irrigação. 
 A salinidade da água de drenagem pode ser 
estimada conhecendo-se a CE da água de 
irrigação e a fração de lixiviação, mediante a 
seguinte equação: 
 
 
 A CEd é considerada igual à salinidade média da 
água contida na zona radicular (CEzr) no momento 
de iniciar-se irrigação. 
 
 
FL
CEa
 CEd 
Manutenção da Salinidade do Solo Dentro de 
Limites Toleráveis para as Culturas 
 A CEes é aproximadamente igual a metade do 
valor da concentração da solução do solo, quando 
este encontra-se na capacidade de campo. 
 Daí, é possível estimar CEzr e a CEes 
correspondente a esta salinidade média, 
utilizando-se a CEa. 
 Assim, para a fração de lixiviação de 0,15, pode-se 
utilizar as seguintes aproximações: 
 CEzr = 3,2CEa; CEzr = 2,0CEes; CEes = 1,5CEa 
Manutenção da Salinidade do Solo Dentro de 
Limites Toleráveis para as Culturas 
O teor de sais na zona radicular varia com 
a profundidade, onde próximo da superfície 
do solo é aproximadamente igual ao da 
água de irrigação e muito elevado no limite 
inferior da zona radicular. 
Supõe-se que o padrão de absorção de 
água normal dar-se da seguinte maneira: 
40% da ETc é extraído do primeiro quarto 
superior da zona radicular, 30% do 
segundo, 20% do terceiro e 10% do quarto 
inferior, notando-se que, a absorção é 
maior na parte superior devido a presença 
das raízes. 
EXEMPLOS 
 Para a cultura do algodoeiro, determinar as 
CEes para os rendimentos potenciais de 100, 
90, 75, 50 e 0%. 
 a) Segundo a Tabela 21, a salinidadelimiar (SL), 
que é a CEes máxima para 100% de rendimento, 
é igual a 7,7 dS m-1. 
 b) Da Tabela 21 e da Equação: 
 
 
 
 
 de perda de rendimento por 
aumento unitário da salinidade acima do valor SL 
 SL - CEes
100
 b
0% Y para 

 
%2,5
7,7 - 72
100
 b 
EXEMPLOS 
 c) Substituindo-se os valores de SL e de “b” na 
Equação: 
 
 
 d) Para diferentes valores de Y, dá os seguintes 
resultados: 
 
   











2,5
9,26
5,2
Y 40,04 100
b
Y SL b. 100
 CEes
Y
Valores de Y Valores de CEes (dS/m) 
100 7,7 
90 9,6 
75 12,5 
50 17,3 
0 27,0 
EXEMPLOS 
 A água de irrigação tem CE de 1 dS m-1. A 
fração de lixiviação (FL) é de 0.15. Pede-se a 
salinidade da água de drenagem. 
 
 SOLUÇÃO: CEd = CEzr = CEa/FL 
 CEd = 1/0,15 = 6,7 dS m-1. 
 
EXEMPLOS 
 Cálculo da concentração da água que 
percola abaixo da zona radicular 
 A água de irrigação tem condutividade elétrica 
(CEa) de 1 dS m-1, a fração de lixiviação (FL) é de 
0,15. Determinar a concentração da água de 
drenagem (CEd). 
 Dados: CEa = 1 dS m-1; FL = 0,15 
 A concentração média da água contida na zona 
radicular (CEzr) é equivalente à da água de 
drenagem (CEd) que percola abaixo da zona 
radicular a profundidades maiores. 
 Desta forma, e segundo a Equação, temos: 
 CEd = 6,7 dS m-1. 
 
FL
CEa
CEzrCEd 
EXEMPLOS 
 Cálculo da salinidade média da zona 
radicular 
 O seguinte procedimento explica a forma de se 
determinar a salinidade média da água contida na 
zona radicular de determinada cultura. 
 DADOS: 
 Salinidade da água aplicada: CEa = 1 dS m-1; 
 Evapotranspiração da cultura: ETc = 1000 mm ano-1 
 Padrão de extração normal de absorção de água. O 
consumo de água pela cultura aumenta a concentração 
de sais na água que drena ao quarto inferior seguinte 
 FL = 0,15. 
 
EXEMPLOS 
 SOLUÇÃO: 
 
 1. O procedimento considera os seguintes 
pontos (Figura 3): 
 (1) Superfície do solo (CEzr0); 
 (2) No fundo do quarto superior (CEzr1); 
 (3) No fundo do segundo quarto (CEzr2); 
 (4) No fundo do terceiro quarto (CEzr3); 
 (5) No fundo do quarto inferior (CEzr4). 
EXEMPLOS 
 SOLUÇÃO: 
 
 2. A lâmina anual de irrigação que se deve 
aplicar para satisfazer tanto à demanda das 
culturas como à necessidade de lixiviação, 
pode ser estimada pela seguinte equação: 
NL 1
ETc

LA
 
mmLA 1176
0,15 1
1000



EXEMPLOS 
 SOLUÇÃO: 
 
 3. Como toda a água aplicada atravessa a 
superfície do solo, lixiviando os sais, 
considera-se que a salinidade da superfície é 
igual à salinidade da água de irrigação. 
 
 CEzr0 = CEa = 1 dS m
-1. 
EXEMPLOS 
 SOLUÇÃO: 
 
 3. Como toda a água aplicada atravessa a 
superfície do solo, lixiviando os sais, 
considera-se que a salinidade da superfície é 
igual à salinidade da água de irrigação. 
 
 CEzr0 = CEa = 1 dS m
-1. 
 
 4. Considerando-se 
n
x
L
L
 FL FL
CEa
CEd 
EXEMPLOS 
 Temos: 
 
 
Para o quarto superior: Para o segundo quarto: 
FL1 = 
 
0,66 
1176
776
 
1176
1000 x 0,40 1176


 FL2 = 
 
0,40 
1176
476
 
1176
1000 x 0,30 776


 
CEzr1 = mdS / 5,1 
66,0
1
 
FL
CEa
1
 CEzr2 = mdS / 5,2 
40,0
1
 
FL
CEa
1
 
Para o terceiro quarto: Para o fundo da zona radicular: 
FL3 = 
 
0,23 
1176
276
 
1176
1000 x 0,20 1176


 FL4= 
 
0,15 
1176
176
 
1176
1000 x 0,10 1176


 
CEzr3 = mdS / 3,4 
23,0
1
 
FL
CEa
1
 CEzr4 = mdS / 7,6 
15,0
1
 
FL
CEa
1
 
EXEMPLOS 
 5. A salinidade média da água contida em 
toda zona radicular, obtém-se mediante a 
média aritmética das cinco salinidades 
previamente determinadas: 
 
 CEzr = (1,0 + 1,5 + 2,5 + 4,3 + 6,7)/5 = 3,2 dS m-1. 
 
 Os cálculos anteriores mostram que a 
salinidade média da água do solo contida na 
zona radicular é 3,2 vezes a salinidade da 
água de irrigação 
EXEMPLOS 
- Calcule a produção relativa da laranjeira (Citrus sinensis L.) 
para uma salinidade média na zona radicular de 2,5 dS m-1. 
Conforme dados tabelados sabe-se que a salinidade limiar 
para esta cultura é de 1,7 dS m-1. Para o cálculo do “b” tem-
se que a CEes que proporciona o rendimento de 0% para esta 
cultura é de 8 dS m-1. 
 
EXEMPLOS 
 Calcule a salinidade média da zona radicular 
O seguinte procedimento explica a forma de se determinar a salinidade 
média da água contida na zona radicular de determinada cultura. 
 DADOS: 
 Salinidade da água aplicada: CEa = 1,5 dS m-1; 
 Evapotranspiração da cultura: ETc = 1150 mm ano-1 
 Padrão de extração normal de absorção de água. 
 FL = 0,20. 
 
EXEMPLOS 
- Uma cultura de milho semeado em solo uniforme e franco, é irrigada 
por sulcos, com água de CEa = 1,2 dS m-1 e eficiência de aplicação de 
65 %. Se a evapotranspiração anual da cultura (ETc) é de 800 mm, 
determinar a lâmina anual requerida para satisfazer a ETc e a lixiviação 
dos sais. Considere 1,7 dS m-1 a condutividade elétrica do extrato de 
saturação para o rendimento potencial de 100 %. 
 
- Descreva: 
1) Critérios para avaliação da tolerância das culturas à salinidade 
2) Rendimento potencial 
3) Tolerância das culturas à salinidade 
 
EXEMPLOS 
- Quais as principais práticas de manejo que permitem o manejo de áreas afetadas por 
sais e controle da salinidade em áreas cultivadas sob irrigação? 
 
- Calcular a produção relativa do tomateiro para uma salinidade média na zona 
radicular de 4,0 dS m-1 
 
- Para a cultura do algodão, determinar as CEes do solo para os rendimentos potenciais 
de 100, 90, 75, 50 e 0%. 
 
 
RECOMENDAÇÕES PARA UMA BOA PREVENÇÃO DO 
PROBLEMA DE SALINIDADE 
• Utilização de quant. limitadas de água de acordo c/ o uso consultivo. 
• Evitar as perdas excessivas de água na condução e distribuição para 
não agravar o problema de drenagem. 
• Revestimento de canais para minimizar as perdas de águas. 
• Bombeamento de água subterrânea para proporcionar um controle 
direto do lençol freático. 
• Lixiviar os sais, preferencialmente durante as estações frias. 
• Utilizar culturas de maior tolerância à salinidade, implicando numa 
menor FL. 
• Preparar o solo para diminuir o escoamento e destruir as fendas que 
deixem passar água através de poros grandes. 
• Irrigar com intesidades de aplicação inferiores à velocidade de 
infiltração. 
• Evitar períodos de repouso, particularmente durante os verões 
quentes 
 Manejo dos solos afetados por sais 
- Uso de plantas tolerantes à salinidade; 
- Métodos de irrigação; 
- Colocação das sementes; 
-Fração de lixiviação (Lavagem de manutenção); 
- Mistura das água; 
- Irrigação com maior frequência. 
Práticas de manejo 
Aplicação de lâminas com maior frequência 
A diminuição dos intervalos de irrigação 
mantém o potencial osmótico do solo alto, 
permitindo assim a absorção normal de água e 
nutrientes pelas plantas. 
Práticas de Manejo 
Colocação das sementes 
Devido a evapotranspiração e ao 
fluxo capilar a concentração de sais 
é máxima no centro do camalhão. 
Em casos de sulcos alternados o 
semeio no centro do camalhão ou 
no sulco irrigado, uma vez que os 
sais se concentram no extremooposto do camalhão. 
Aumentando a profundidade da 
água nos sulcos, a germinação 
tende a melhorar. 
Recomendações feitas por Bernstein et al., 1955 
Uma prática ainda melhor contra a salinidade, é a construção de 
sulcos em declive 
Nesses se colocam as 
sementes imediatamente acima 
do nível da água, continuando a 
irrigação até a frente molhada 
atravessar as fileiras das 
sementes. 
Recomendações feitas por Bernstein & Fireman, 1957 
MÉTODO DE IRRIGAÇÃO 
O método de irrigação recomendado para solos que apresentem 
problemas de salinidade é a inundação ou aspersão quando se tem 
boa drenagem. 
Caso a água para irrigação apresente alto teor de sais, a irrigação 
por gotejamento será a mais indicada no controle a salinidade.

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