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EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 1 COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO 1º PERÍODO Karylleila Andrade Klinger Kyldes B. Vicente PALMAS-TO EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 2 Fu nd aç ão U nive rsidade do Tocant i ns Tecnologia em educação continuada Fundação Universidade do Tocantins Reitor: Edison Nazareth Alves Pró-Reitor Acadêmico: Humberto Luiz Falcão Coelho Pró-Reitor de Pesquisa e Extensão: Maria Luiza C. P. do Nascimento Pró-Reitor de Administração e Finanças: Joaber Divino Macedo Diretor de Educação a Distância e Tecnologias Educacionais: Galileu Marcos Guarenghi Educon – Empresa de Educação Continuada Ltda Diretor Presidente: Luiz Carlos Borges da Silveira Diretor Executivo: Márcio Yamawaki Diretor de Desenvolvimento de Produto: Luiz Carlos da Silveira Filho Diretor Administrativo e Financeiro: Júlio César Algeri Coordenação de Educação a Distância: Eliane Garcia Duarte Coordenação Geral - Tocantins: Eugênio Leone Neto Equipe Pedagógica – Unitins Coordenação Pedagógica Geral: Geraldo da Silva Gomes Coordenação do Curso Administração: Claudemir Andreacci Criação de Imagens, diagramação e paginação: Edglei Dias Rodrigues Formatação: Kamylla Sylvia dos Santos Oliveira Valdirene Cássia da Silva Revisão: Denise Mendes França, Maurício Clementino, Kyldes B. Vicente Conteúdos da Disciplina: Karylleila Andrade Klinger Kyldes B. Vicente EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 3 SUMÁRIO AULA 1 07 Apresentação do programa e língua padrão AULA 2 10 A ligação lógica das idéias: coesão textual I AULA 3 17 A ligação lógica das idéias: coesão textual II AULA 4 25 A ligação lógica das idéias: coerência textual AULA 5 34 A redação do parágrafo: conceituação, redação e estruturação AULA 6 45 A redação do parágrafo: formas de ordenar e desenvolvimento AULA 7 54 O que é leitura AULA 8 59 Os níveis de leitura EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 4 Te lin ho é u m a cr ia çã o de E dg le i R od rig ue s. T od os o s di re ito s re se rv ad os EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 5 APRESENTAÇÃO Este caderno de conteúdo e atividades da disciplina de Comunicação e Expressão tem como objetivo a produção textual. Para que você possa desenvolver melhor o seu raciocínio, as atividades, ora apresentadas, fundamentam-se, sobretudo, no saber articular de forma lógica as idéias. Para combinar reflexões teóricas com propostas práticas, este caderno não só traz contribuições relevantes para o ensino de língua portuguesa, como também motivará você para um trabalho mais prazeroso com o texto. PLANO DE ENSINO CURSO: ADMINISTRAÇÃO PERÍODO: 1º Disciplina: COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO Crédito: 04 Ementa: A ligação lógica das idéias, por meio de articuladores; a estruturação do parágrafo por meio de mecanismos lingüísticos; os níveis de leitura; informações implícitas e explícitas: pressupostos e subtendidos; polifonia e intertextualidade; escritura de resumos; elaboração de fichamento; revisão gramatical. Objetivos - Incentivar o desenvolvimento reflexivo-teórico para a produção de textos; - Ler, interpretar e redigir variados tipos de textos (técnicos, acadêmicos, jornalísticos e outros); - Conhecer as condições de produção de um texto; - Reconhecer os níveis de leitura; - Saber ordenar parágrafos. Conteúdo programático - A ligação lógica das idéias, por meio de articuladores textuais - Coesão e coerência textual - Redação do parágrafo: conceituação, tópico frasal; formas de ordenar o desenvolvimento do parágrafo; conclusão - Os níveis de leitura: emocional, racional e sensorial; estrutura superficial, intermediária e profunda - Informações implícitas e explícitas: pressupostos e subtendidos - Polifonia e intertextualidade - Resumos; elaboração de fichamento - Revisão gramatical Leituras obrigatórias BLIKSTEIN, Izidoro. Técnicas de Comunicação Escrita. 12.ed. São Paulo: Ática, 1995. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. 2.ed. São Paulo: Brasiliense, 1983. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 6 Bibliografia Básica ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. 5.ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002.ABREU, Antônio Suárez. Curso de Redação. 12.ed, São Paulo: Ática, 2004.PLATÃO & FIORIN. Lições de Texto. São Paulo: Ática, 1997. Bibliografia Complementar BLIKSTEIN, Izidoro. Técnicas de Comunicação Escrita. 12.ed. São Paulo: Ática, 1995. FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e coerência textuais. 9.ed, São Paulo: Ática, 2002. FULGÊNCIO, Lúcia; LIBERATO, Yara. Como facilitar a leitura. 7.ed, São Paulo: Contexto, 2003. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. 2.ed. São Paulo: Brasiliense, 1983 PLATÃO & FIORIN. Para Entender o Texto: Leitura e Redação. São Paulo: Ática, 1998. Karylleila Andrade Klinger Mestre em Linguística Geral e Semiótica - USP Doutoranda em Línguística Geral e Semiótica - USP Kyldes B. Vicente Mestre em Estudos Literários - UFG EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 7 APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA E LÍNGUA PADRÃO Objetivo: Apresentar o programa e o cronograma de Comunicação e Expressão e compreender a importância da língua padrão e seus usos. Os livros O que é leitura (MARTINS, 1983) e Técnicas de Comunicação Escrita (BLISKSTEIN), que estão na bibliografia serão discutidos nas tele-aulas. Portanto, todos deverão lê-los antes das apresentações das aulas. Nesta primeira aula, vamos apresentar o programa da disciplina de Comunicação e Expressão e estudar sobre a importância da língua padrão e seus usos. Palavras-chaves: programa da disciplina, língua padrão, variedades lingüísticas. Mas antes de iniciarmos as discussões do nosso caderno de conteúdos e atividades, vamos conversar um pouco sobre o conceito de língua padrão. Esse é o nível de linguagem que iremos abordar e apresentar no decorrer do nosso estudo. Mas, o que é língua padrão? Toda e qualquer língua possui diferentes formas lingüísticas de se falar a mesma coisa. Ou seja, há várias formas de se falar determinado enunciado. Isso quer dizer que não há uma modalidade mais bonita ou mais feia que a outra. A não ser que adotemos o preconceito lingüístico de achar que existe apenas uma única maneira de se falar a nossa língua, uma forma mais bonita e prestigiada. Neste caso, estaríamos menosprezando as condições sociais, regionais e estilísticas de cada pessoa ou grupo. AULA 01 Enunciado: é toda manifestação concreta de uma frase, em situações de comunicação. Assim, por exemplo, “Como o dia está quente” é uma frase (gramatical) do português. Toda vez que ela for pronunciada, por indivíduos diferentes, ou pelo mesmo indivíduo, em momentos diferentes, tem-se o enunciado dessa frase. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 8 Preconceito lingüístico está ligado à confusão criada entre língua e gramática normativa. O preconceito existe quando acredita-se que existe uma única forma de se falar a língua portuguesa, excluindo assim todas as outras formas de se falar. Ex.: “Nós fomos”, “Nóis foi”, “A gente vai”, “Nóis fumo”. No entanto, não podemos nos esquecer que existe uma diferenciação valorativa, resultado do significado social, que certas formas lingüísticas adquirem nas sociedades. Assim, é preciso entender que para cada situação existe uma forma de se falar. Precisamos nos adequar e procurar aceitar e respeitar a linguagem do outro. Desse modo, estamos respeitando o lugar de onde o outro veio, sua história de vida Não podemos nos esquecer também de que o nosso ouvinte está sempre nos avaliando, nos julgando.Aprendemos que a linguagem é altamente reveladora e que ela nos expõe. Diz quem somos e o que queremos. Reflete nossa classe social, nossa procedência, revela nossa opinião, nossa intenção enquanto autores. Nesse caso, a linguagem é poder. Os manuais de gramática normativa contêm normas de bom uso da língua, para falar e escrever bem. Compreende-se o bom uso no sentido de utilizar a língua apenas em sua variedade culta, padrão. Toda e qualquer língua admite variações. É o que chamamos de variações lingüísticas. São formas, maneiras diferentes de se falar a mesma coisa. As variações lingüísticas são condicionadas por fatores geográficos, sociais e estilísticos. Geográfico - de região para região. Compare as pronúncias de um nordestino, um carioca um gaúcho, um português e um brasileiro, por exemplo. Há diferenças no vocabulário (tangerina, mimosa, bergamota) e de sintaxe (me dê a chave X dê-me a chave). Ex.: Em Portugal se diz “comboio”, e, no Brasil, “trem”. No nordeste se diz “sei não” e “não sei” (ou “não sei, não”, no sudeste). Social – vai depender da idade, sexo, profissão, posição social, grau de escolaridade, bairro onde reside. Este tipo de variação está relacionada à identidade dos falantes e também à organização sociocultural da comunidade de fala. Ex.: Uso da dupla negação, como em “ninguém não viu,” “eu não vi não”, “eu nem num fiz isto”. Presença do [r] no lugar do [l], “pranta”, planta, “fror”, flor. Estilística - podemos dizer que cada usuário da língua tem um estilo próprio que vai depender do ambiente ou situação. O estilo pode ser formal, informal, coloquial, familiar, Ex.: linguagem informal “vem cá, benzinho,” linguagem formal “Por favor, pegue isto para mim”. Assim fica mais fácil entender por que as línguas não são inertes, estáticas. Elas variam, elas se modificam continuamente com o tempo. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 9 Somos o que somos quando conquistamos nossa palavra entre milhares de outras. (Carlos Alberto Faraco) Vamos realizar algumas atividades para melhor fixar a discussão sobre língua padrão? 1 - Observe as frases abaixo considerando apenas a linguagem oral: a) A gente fomos para a feira. b) A gente foi para a feira. c) Nós fomos à feira. d) Nóis foi para a feira. e) Nóis fomo para a feira. 2 – Na sua vida cotidiana, como falante da língua portuguesa, responda as questões abaixo: a) Você considera uma dessas variedades mais correta que as outras? Por quê? E as outras, como você as classifica? b) Com qual delas você se identifica mais? Há alguma frase que você não se identifica de jeito nenhum? Por quê? c) Considerando as variedades acima decorrentes do nível social, produza um perfil desses falantes, observando o grau de escolaridade, procedência, idade, sexo, posição social etc. d) Considere as frases (a) “A gente fomos para a feira” e (b) “A gente foi para a feira”. As duas são aceitáveis no cotidiano? E mais, como falante nativo da língua portuguesa, você acha que há alguma regra que possa responder o uso dessas duas situações? Qual (is) seria (m)? e)Você acha que há alguma relação, uma regra que possa responder a inserção de um [i] nas palavras “nóis”, “feiz”, “veiz”? Qual seria? a b c d e EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, Antônio Suárez. Curso de Redação. 12.ed, São Paulo: Ática, 2004. FARACO, C.A. & TEZZA, C. Prática de Texto para estudantes universitários. Petrópolis: Vozes, 1992 MUSSALIN, Fernando; BENTES, Anna Christina. Introdução à Lingüística. Vol 1. São Paulo: Cortez, 2000. A LIGAÇÃO LÓGICA DAS IDÉIAS: COESÃO TEXTUAL I Objetivo: Identificar os elementos coesivos por retomada ou antecipação na produção textual. Coesão textual por retomada ou antecipação. Vamos estudar sobre a coesão textual, o uso dos elementos coesivos por retomada ou antecipação na produção textual. Palavras-chaves: coesão textual, retomada ou antecipação, anáfora e catáfora. Você já parou para refletir como os textos são construídos? Observe como, a todo instante, estamos produzindo textos, principalmente na oralidade. Essa produção oral depende de uma série de circunstâncias: grau de formalidade, objetivo da comunicação, relação entre os participantes e o canal utilizado para a realização de tal evento (telefone, rádio, televisão, internet, conversas formais e informais, palestras, chats, videoconferências e outros). Oralidade pode ser considerada como sinônimo de língua falada. AULA 02 EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 11 Já na produção escrita, que difere da oralidade, necessitamos ficar mais atentos a alguns elementos lingüísticos que estabelecem relações de sentidos, os quais já são utilizados na oralidade, mas em menor grau, pois quando falamos, fazemos uso não só de elementos verbais, mas também prosódicos (ritmo, velocidade da voz, pausas) e não lingüísticos (hum!, ahn!) que desempenham uma função interacional qualquer na fala. Lingüística é a ciência da linguagem Assim, nas situações comunicativas – oral e escrita -, fazemos uso de elementos que nos auxiliam na ligação das idéias que estão sendo ditas ou escritas. Esses elementos fazem o que chamamos de coesão textual. Vamos ler agora alguns textos para entender um pouco melhor o que seja a coesão textual. Texto 1 Bolo de Milho Ingredientes 3 copos de milho (natural) 2 copos de açúcar 3 copos de leite 6 ovos 3 colheres (sopa) de farinha de trigo 2 colheres (sopa) de manteiga 1 pitada de sal 1 colher (sopa) de fermento em pó Modo de Preparo Bata todos os ingredientes no liquidificador. Coloque em uma forma untada e enfarinhada. Leve ao forno quente por 1 hora. Texto 2 31/01/2005 - 17h09 Dólar perde para o real pelo 8º mês e bancos erram previsões SÉRGIO RIPARDO da Folha Online O real fechou o oitavo mês consecutivo de valorização frente ao dólar - para o desgosto dos exportadores, que perdem dinheiro na hora de trocar suas divisas. Mais EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 12 uma vez, os bancos erraram suas previsões para o câmbio. No último dia de janeiro, a moeda americana caiu 1,39% e encerrou vendida a R$ 2,61, bem abaixo da média projetada pelos analistas (R$ 2,70) para o período. Essa é a menor cotação desde o início de junho de 2002. No mês, a baixa acumulada foi de 1,65%. A queda da cotação nesta segunda-feira se acentuou após o anúncio do lançamento de uma captação externa pelo Tesouro Nacional, que ofereceu aos investidores um bônus de 20 anos. A oferta inicial era de US$ 1 bilhão, mas devido à forte demanda (acima de US$ 6 bilhões), o Brasil elevou o valor da emissão para US$ 1,25 bilhão. A operação indica que, lá fora, existe apetite dos grandes bancos por papéis de emergentes, um sinal de confiança na economia do país e uma garantia de acesso à capital externo. Ou seja, o ingresso de dólar tende a continuar forte, sem criar problemas graves de financiamento para o governo e empresas. A moeda americana chegou a exibir uma cotação mínima de R$ 2,609. Se por um lado a queda do dólar é positiva para aliviar as importações de matérias-primas e, por tabela, reduzir a pressão sobre a inflação, o real forte pode prejudicar o saldo da balança comercial no futuro. É por isso que os exportadores reclamam da queda do dólar, pois eles faturam menos na conversão da moeda. Desde o final do ano passado, o dólar no Brasil segue a tendência internacional da cotação. No mundo, a moeda dos EUA perde valor para o euro, iene e libra. A depreciação do dólar interessa aos EUA, pois estimula suas exportações e inibe as importações. Ou seja, fica mais barato comprar produtos americanos. A maior economia do planeta precisa atrair capital estrangeiro para reduzir seu déficit externo. O ingressode dólares no Brasil também é crescente. Os exportadores vendem mais, trazendo mais divisas para o país. Bancos e empresas estão captando mais recursos em empréstimos fechados no exterior. Em busca de ganhos maiores, os investidores estrangeiros também aplicam mais dinheiro na compra de papéis brasileiros, principalmente títulos públicos atrelados aos juros. Tomar empréstimo no exterior também ficou mais barato, o que ajuda a aumentar a oferta de dólares no país. O custo do crédito está menor porque a percepção sobre o risco de um calote na dívida brasileira caiu de forma significativa desde 2003. O governo Lula adotou medidas ortodoxas em troca da credibilidade com bancos credores: o país fez economia recorde para pagar juros da dívida e cumpriu metas com o FMI. Com isso, o risco Brasil desabou e reduziu o custo das captações no exterior. http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u93027.shtml Como você pôde observar, no primeiro texto, a receita divide-se em duas partes: inicialmente, apresenta os ingredientes e, em seguida, o modo como ela é preparada. Naquela, introduzem termos novos (novos do ponto de vista da comunicação, informações que estão sendo introduzidas pela primeira vez). Agora, no segundo momento, esses termos e informações que foram apresentados são retomados. O milho, o açúcar, o leite, os ovos, a farinha de trigo, a manteiga, referidos anteriormente, são retomados por artigos definidos, que possuem como função de denotar que o termo que eles precedem indicam o mesmo ser que outro termo idêntico presente no texto já mencionara. Quando dissemos o milho, o que se está indicando é que é aquele mesmo milho já mencionado anteriormente. O segundo texto também é construído por meio de retomadas, isto é, recupera-se, em uma sentença B, um termo presente em uma sentença A. No exemplo: EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 13 “Essa é a menor cotação desde o início de junho de 2002” o elemento essa recupera a informação contida na frase anterior. Há vários tipos de elementos coesivos. São chamados de conectores ou operadores discursivos, que são palavras ou expressões responsáveis pela concatenação, pela criação de relações entre os segmentos do texto. São exemplos de conectores: portanto, também, pois, então, já que, mas, com efeito, aliás, porque, etc. Na frase: “A oferta inicial era de US$ 1 bilhão, mas devido à forte demanda (acima de US$ 6 bilhões), o Brasil elevou o valor da emissão para US$ 1,25 bilhão” O elemento conectivo mas estabelece uma relação de oposição, isso quer dizer que contrapõe argumentos orientados para conclusões contrárias. Assim, caro aluno, para melhor construir um texto com unidade semântica, ou seja, com lógica, é necessário realizar a ligação, a conexão, a relação entre as palavras, frases e expressões. A isso chamamos de coesão textual. Texto não é uma unidade construída por uma soma de sentenças, mas pelo encadeamento semântico delas, criando, assim, uma redetrama semântica a que damos o nome de textualidade. O encadeamento semântico que produz a textualidade chama-se coesão. Semântica é um meio de representação do sentido dos enunciados. Que tal entendermos um pouco mais sobre a COESÂO TEXTUAL? De acordo com Platão e Fiorin (1997), há dois tipos de coesão: retomada ou antecipação e conexão. Coesão por retomada ou por antecipação Ex. 1: (...) a moeda americana caiu 1,39% e encerrou vendida a R$ 2,61 bem abaixo da média projetada pelos analistas (R$ 2,70) para o período. Essa é a menor cotação desde o início de junho de 2002. A expressão definida essa remete à expressão já posta, a moeda americana, levando você a fazer um movimento referencial de retrospectiva, ou seja, para trás. São chamados de anafóricos esses elementos, que podem ser os pronomes demonstrativos (este, esse, isso, aquele), os pronomes relativos (que, o qual, cujo, onde), certos advérbios e locuções adverbiais (nesse momento, então, aí, lá etc), os verbos fazer e ser, o artigo EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 14 definido, expressões nominais, sinônimos, o pronome pessoal de 3º pessoa (ele/ela, o/a, lhe). Vamos estudar outros exemplos: Ex. 2: Maria, Ana e João estudam muito, Antônio quase não o faz. (= estuda) Ex. 3: O Estatuto da Criança e do adolescente é claro. Lá está escrito: “É proibido qualquer trabalho a menores de 14 anos, salvo na condição de aprendiz.” (Cap. V, Art. 60.) Ex. 4: O governo Lula adotou medidas ortodoxas em troca da credibilidade com bancos credores: o país fez economia recorde para pagar juros da dívida e cumpriu metas com o FMI. Com isso, o risco Brasil desabou e reduziu o custo das captações no exterior. Ex. 5: Ela deveria ser erradicada do nosso país imediatamente, a exploração sexual. Mas, não podemos nos esquecer que da mesma forma que podemos retomar elementos já introduzidos no texto, podemos, também, antecipar, ou seja, anunciar elementos. Sabe como esses elementos são chamados? São denominados de catáforas. Vejamos um pouco mais sobre a antecipação de elementos lingüísticos. Ex 6: O presidente disse isto: o país é grande o suficiente para crescer mais na economia. Agora, vamos praticar a coesão e a interpretação textual, lendo o texto abaixo. Leia a propaganda retirada da Revista Veja, Edição 1888, ano 38, nº 3, 19 de janeiro de 2005 e responda o que se pede. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 15 EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 16 1. Os elementos coesivos, por retomada, alguns e ela, respectivamente, no 1º e 2º parágrafos, referem-se a que elementos? 2. A palavra Bohemia é substituída várias vezes no texto por pronomes ou expressões. Cite algumas delas. 3 – As expressões “Por tudo isso”, 4º parágrafo, “Tudo isso”, 6º parágrafo, são chamados de elementos anafóricos. Por quê? A que eles se referem? Vamos aplicar um pouco mais a coesão textual? 1. Construa uma nova versão dos textos a seguir, utilizando, em relação às palavras TVP e idéias, os mecanismos de coesão que julgar adequados, evitando repeti- las: a) TVP pode ter complicações fatais. Principalmente em casos de operação, hospitalização e desinformação. TVP significa Trombose profunda. Para milhares de pessoas, a TVP também pode significar a morte. A TVP pode surgir de maneira silenciosa, especialmente após cirurgias prolongadas. A TVP é grave – mas a avaliação de risco é simples, e o tratamento preventivo. Tire a TVP do seu caminho. b) Nós trabalhamos com idéias. As idéias não têm cheiro, mas as idéias são percebidas de longe. As idéias não têm tamanho, mas as idéias ocupam bibliotecas. As idéias não têm duração, mas algumas idéias não morrem jamais. Idéias que entrem por um ouvido e não saiam pelo outro. Idéias que ascendam a imaginação. Idéias que sensibilizem as pessoas e logo se transformam em ações. É um perigo trabalhar com idéias. Tem gente que morre de medo. (...)” (KOCK, Ingedore, Villaça. Inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1997.) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, Antônio Suárez. Curso de Redação. 12.ed, São Paulo: Ática, 2004 CHAVIER, Antônio Carlos dos Santos. Como se faz um texto: a construção da dissertação argumentativa. Recife: Editora do Autor, 2001. FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e coerência textuais. 9.ed, São Paulo: Ática, 2002. KOCH, Ingedore Villaça. A Inter-Ação pela Linguagem. São Paulo: Contexto, 1997. PLATÃO & FIORIN. Lições de Texto. São Paulo: Ática, 1997. _______________. Para Entender o Texto: Leitura e Redação. São Paulo: Ática, 1998. TERRA, Terezinha. Todo dia uma delícia. São Paulo: Ática, 1993. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 17 A LIGAÇÃO LÓGICA DAS IDÉIAS: COESÃO TEXTUAL II Coesão textual: conexão ou seqüencial. Objetivo: reconhecer os elementos coesivosna produção textual e identificar os elementos que fazem parte da coesão seqüencial. Nesta segunda etapa da coesão textual, vamos estudar a coesão seqüencial. O uso desses elementos conectores ou operadores discursivos na produção textual. Palavras-chaves: Coesão seqüencial ou por conexão, conectores ou operadores discursivos. Dando continuidade ao nosso estudo sobre a coesão textual, iremos agora para o segundo caso: coesão seqüencial ou por conexão. Esse tipo de coesão tem por objetivo realizar uma amarração semântica, isto é, fazer progredir, deixar fluir o texto. Já sabemos que o uso desses elementos é fundamental para facilitar a interpretação das idéias do autor. No entanto, sua má utilização pode produzir incoerências e contradições no raciocínio. Coesão é uma relação semântica entre um elemento do texto e algum outro elemento responsável pela sua interpretação. Assim, as palavras que ouvimos ou vemos estão ligadas entre si dentro de uma seqüência textual. Para facilitar a sua compreensão, utilizaremos a classificação de Koch (1997) e Platão e Fiorin (1997) referentes à classificação da coesão seqüencial. O que vem a ser, então, coesão seqüencial ou por conexão??? Acho que preciso de exemplos para entender melhor. AULA 03 EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 18 Coesão seqüencial São conectores, ou seja, palavras ou expressões responsáveis pelo estabelecimento de relações de sentido e concatenação entre os segmentos do texto. São exemplos: então, portanto, mas, contudo, já que, pois, aliás, daí, e, assim, dessa forma e outros. Que tal um texto para esclarecer melhor? Só uma “Revolução Americana” pode nos ajudar1 Arnaldo Jabor Para modernização do país, temos de abandonar velhos modos de pensar. Outro dia eu escrevi uma coisa que achei profunda. Desculpem a “máscara”, mas achei mesmo. Se quiserem um pouco de humildade, digo com falsa modéstia que foi apenas a faísca da ferradura. Eu estava galopando em minha condição de asno, quando a ferradura bateu numa pedra e eu tive uma fagulha de inteligência. Mas, a verdade é que achei legal e repito aqui: “A idéia de uma ‘solução geral’ para o crescimento da economia brasileira é herança dos velhos tempos da esquerda centralizadora. Para haver progresso, há que esquecer “planos B” ou algo assim; temos de abandonar a idéia de uma política “central, geral, total”, como nos planos qüinqüenais da URSS ou nos “saltos para a frente” da China de Mao. Somente uma política econômica indutiva, repito “indutiva”, descentrada e pragmática, com mudanças possíveis, pode ir formando um tecido de parcialidades que acabem por mudar o conjunto”. Não sou economista, mas sei que os fundamentos econômicos não podem ser “desconstruídos”. No entanto, em ações de governo, muitas vezes detalhes “micro” são mais importantes que uma lógica totalizante, geral. A palavra-chave é: “indução”, conceito que é uma das fobias do pensamento filosófico. Bom mesmo sempre foi um doce silogismo aristotélico, com premissas e conclusão. Ou então uma boa causa universal que abranja tudo, o “todo”, o “uno”, o “âmago” do qual se “deduz” o particular. Esse é o grande charme, o “baratão” do pensamento, que se sente “divino”, abarcando tudo, como um deus único. A filosofia européia “continental” sempre trabalhou mais assim. É uma herança da religião e do mito. Já o pensamento “indutivo” tem uma tradição mais anglo-saxônica (Hume, J.S. Mills) e depois americana (Peirce) e é mais pragmático, porém mais antipático do que a “dedução”, porque não serve para grandes causas nem grandes conclusões. Não é por acaso que o pensamento indutivo e pragmático nas ciências e filosofia aceleraram muito mais o progresso, de dentro do ventre da revolução comercial e conceitual inglesa. Regeram o ritmo do capitalismo e dominaram o mundo. Voltando ao chão brasileiro, vemos que o velho vício da dedução nos leva à paralisia, diminui a imaginação, o improviso, a coragem de experimentar, como já falei há semanas. Uma ideologia em bloco amarra uma coisa na outra. Por isso, se para fazer um ato político ou administrativo tenho de dar conta de todo o conjunto, nada rola. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 19 Aliás , a própria quebra do Estado brasileiro, no meio dos anos 80, foi ruim e boa. Deu-nos uma orfandade dolorosa diante do gigante quebrado, mas criou mais autonomia na sociedade civil. Deixou claro que o Estado tem de existir para a sociedade e não o contrário, como ainda é hoje. Já deixamos de ser vítimas e passamos a ser cúmplices. Ao contrário do simplismo de ver tudo por uma ótica generalizante, as mudanças na economia mundial nos mostraram a importância das pequenas causas que podem derrubar um universo inteiro. Trouxe a idéia de eficiência contra o delírio ideológico. Muito mais importante do que esperar o momento geral e total para uma ação política é a coragem indutiva de até errar e corrigir. Muito mais importante que lamentar a pobreza, é descobrir formas de combatê-la. Há grande distância entre diagnóstico e solução. Muitos se contentam com o apontamento deprimido dos problemas, como se conseqüências fossem causas (...). Ao elaborar um texto, as idéias são organizadas para que possamos transmitir a informação de acordo com o que desejamos. É nesse instante que utilizamos os conectores para estabelecer a relação de sentido desejado. Lendo o texto de Arnaldo Jabor, podemos verificar que alguns deles já foram destacados para que possamos compreender melhor o que estamos dizendo. Assim, teremos os conectores que introduzem um enunciado como sendo a condição para a ocorrência de um outro, constituindo a relação lógica se...então: caso, desde que, a menos que, a não ser que, se, logo. Exemplo: Se quiserem um pouco de humildade, (então) digo com falsa modéstia que foi apenas a faísca da ferradura. Nesse aspecto, o conector se estabelece um sentido de condicionalidade. Em um outro instante, o uso de conectores: mas e no entanto, já estabelece outro sentido, o de oposição, pois eles têm a função de contrapor argumentos orientando para conclusões contrárias: mas, porém, contudo, todavia, embora, ainda que, posto que, apesar de. Veja melhor: Não sou economista, mas sei que os fundamentos econômicos não podem ser “desconstruídos”. Observe que, inicialmente, poderíamos afirmar que a frase “não sou economista” indicaria que ele não poderia compreender os fundamentos economistas, só que, a presença do conectivo de oposição mas faz com que o sentido seja desviado. No caso: não sou economista, MAS sei que os fundamentos ... Já com o exemplo: Bom mesmo sempre foi um doce silogismo aristotélico, com premissas e conclusão. Ou então uma boa causa universal que abranja tudo, o “todo”, o “uno”, o “âmago” do qual se “deduz” o particular. Aqui teremos uma outra relação de sentido, a condicionalidade pois os conectores introduzem argumentos alternativos que levam a conclusões diferentes ou opostas: ou, ou então, quer...quer, seja...seja, caso contrário. É bom observar que, dependendo do sentido que quisermos, podemos comunicar de forma correta a informação que desejamos ou sermos traídos pelo sentido. Por isso, tenha bastante atenção com esses conectivos!!!! EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 20 No texto de Arnaldo Jabor, podemos encontrar também os conectores que estabelecem uma comparação de superioridade ou de igualdade entre dois elementos com vistas a uma dada conclusão: mais que, menos que, tão...como. Veja só: Já o pensamento “indutivo” tem uma tradição mais anglo-saxônica (Hume, J.S. Mills) e depois americana (Peirce) e é mais pragmático, porém mais antipático do que a “dedução” (...) Logo depois, podemos ver que os conectores que introduzem um explicação ou justificativa ao que foi dito anteriormente, são introduzidos no texto para completara idéia apresentada: porque, já que, que, pois, como, já que, visto que. É o que ocorre em: (...) a “dedução”, porque não serve para grandes causas nem grandes conclusões. Após a explicação, o autor nos encaminha para uma conclusão, utilizando conectores que marcam esta relação, isto é, que introduzem uma conclusão em relação a dois ou mais enunciados anteriores: logo, por conseguinte, portanto, por isso, assim, então, pois, de modo que, em vista disso. Por isso, se para fazer um ato político ou administrativo tenho de dar conta de todo o conjunto, nada rola. Além desses conectores, podemos encontrar ainda, aqueles que introduzem um argumento decisivo, apresentado como um acréscimo, como se fosse desnecessário, justamente para dar o golpe final no argumento contrário: aliás, além do mais, além de tudo, além disso, ademais. É o caso de: Aliás , a própria quebra do Estado brasileiro, no meio dos anos 80, foi ruim e boa. Podemos encontrar também, os conectores que marcam uma relação de conjunção argumentativa, isto é, que ligam argumentos em favor de uma mesma conclusão: e, também, ainda, nem, não só, mas também, além de, além disso, a par de. Deixou claro que o Estado tem de existir para a sociedade e não o contrário, como ainda é hoje. Já deixamos de ser vítimas e passamos a ser cúmplices. Temos os conectores que marcam uma relação de retificação, de correção, isto é, os que introduzem uma correção, um esclarecimento referente ao enunciado anterior: ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja. Ao contrário do simplismo de ver tudo por uma ótica generalizante, as mudanças na economia mundial nos mostraram a importância das pequenas causas que podem derrubar um universo inteiro. E os conectores que marcam o argumento mais forte orientado no sentido de uma determinada conclusão: até, mesmo, até mesmo, inclusive. Outros introduzem um argumento, deixando subtendida a existência de uma escala com outros argumentos mais fortes: ao menos, pelo menos, no mínimo, no máximo, quanto muito. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 21 Muito mais importante do que esperar o momento geral e total para uma ação política é a coragem indutiva de até errar e corrigir. É muito importante observarmos a diferença entre o mas e o embora, pois, mesmo tendo o mesmo sentido, há uma particularidade: primeiramente, o mas nunca inicia o período composto, salvo em situações particulares de estilo ou de mudança de assunto, já o embora sempre leva o verbo da oração iniciada por ele a flexionar-se no modo subjuntivo, diferenciando-se do mas que faz o verbo permanecer no indicativo. Vejamos: Ao me levantar, tomo um copo de água com meio limão, embora o limão seja ácido, ao ser digerido pelo organismo ele se transforma num sal. Para fixar melhor, que tal respondermos algumas questões voltadas à coesão seqüencial? 1 – A partir das tirinhas abaixo da Turma da Mônica, identifique os elementos coesivos por retomada e antecipação e por conexão (seqüencial). Não se esqueça de explicitar a relação de sentido dos conectores que fazem parte da coesão seqüencial. http://www.monica.com.br/comics/tirinhas/tira9.htm EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 22 http://www.monica.com.br/cookpage/cookpage.cgi?!pag=comics/tirinhas/tira322 http:// www.monica.com.br/cookpage/cookpage.cgi?!pag=comics/tirinhas/tira299 2 - Sabemos que a leitura eficiente de um texto pressupõe, entre outros cuidados, o de compreender as conexões estabelecidas pelos conectivos e anafóricos. O texto que segue traz bons exemplos desses elementos. A Contabilidade como instrumento do gerenciamento ambiental2 Infelizmente, as questões ambientais só se tornaram objeto de preocupação para alguns de seus principais agentes (empreendedores de atividades econômicas poluentes), quando os níveis de poluição sobre a água, solo e ar atingiram patamares mais alarmantes. Apesar de os prejuízos causados ao planeta terem ocorrido todos em nome do desenvolvimento econômico, em nome da eliminação da pobreza reinante entre os povos, o sistema ecológico já não suporta as agressões que lhe são feitas, qualquer que seja a justificativa apresentada. Tal constatação remete-nos ao confronto entre a continuidade do desenvolvimento econômico e a do sistema ecológico. Atingimos, portanto, o estágio em que a necessária convivência do desenvolvimento econômico com o meio ambiente torna-se ameaçada, embora não sejam mutuamente exclusivos, a questão ecológica se Maisa de Souza Ribeiro EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 23 impõe, pois constitui-se na base essencial do sistema de vida no planeta. Assim sendo, só resta aos mentores do processo de desenvolvimento econômico encontrar alternativas para adaptá-lo às limitações do atual estado da natureza. Na expressão Desenvolvimento Sustentável, está implícito que o desenvolvimento deve satisfazer às necessidades e aspirações do presente sem comprometer a capacidade e os recursos das futuras gerações. Considerando-se que esse comprometimento é provocado, entre outros fatores, pelos efluentes do processo produtivo de empresas poluidoras e pelo esgotamento dos recursos naturais, as empresas devem adaptar e melhorar seus sistemas de produção de forma a eliminar a quantidade de refugos poluentes. Investimentos estão sendo realizados em algumas áreas nas quais os recursos naturais foram exauridos, visando não só à sua recuperação e aos reflorestamentos, mas também à sua destinação a um novo uso ou, pelo menos, à restauração dos aspectos estéticos. As alternativas, ainda rudimentares perante as dimensões da degradação ambiental, não ganharam a adesão de importantes segmentos empresariais. Contudo, iniciativas já existentes podem conduzir, ainda que a longo prazo, a uma conscientização ampla da sociedade, inclusive do empresariado, de modo que o desenvolvimento econômico satisfaça às necessidades e aspirações presentes sem prejuízo para as gerações futuras. a) Quais são os elementos a que se referem os pronomes lhe (lhe são feitas) e lo (adaptá-lo) no segundo parágrafo? b) Os conectivos apesar de e embora, no segundo parágrafo, manifestam uma relação de contradição entre enunciados. Como você explica essas contradições? c) Portanto e pois, ainda no segundo parágrafo, estabelecem que tipo de relações de sentido? d) Explique quais são os argumentos que são orientados para uma determinada conclusão por meio dos conectores pelo menos e inclusive, nos parágrafos 4 e 5, respectivamente. e) Na oração: “Investimentos estão sendo realizados em algumas áreas nas quais os recursos naturais foram exauridos, visando não só à sua recuperação e aos reflorestamentos, mas também à sua destinação a um novo uso ou, pelo menos, à restauração dos aspectos estéticos”, o uso do elemento lingüístico mas também faz pressupor algum outro significado além do que está explicito no texto? Explique-o. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, Antônio Suárez. Curso de Redação. 12.ed, São Paulo: Ática, 2004 EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 24 CHAVIER, Antônio Carlos dos Santos. Como se faz um texto: a construção da dissertação argumentativa. Recife: Editora do Autor, 2001. DUBOIS et al. Dicionário de Lingüística. São Paulo: Cultrix, 1998. FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e coerência textuais. 9.ed, São Paulo: Ática, 2002. KOCH, Ingedore Villaça. A Inter-Ação pela Linguagem. São Paulo: Contexto, 1997. ____________________. A Coesão Textual. 7.ed.. São Paulo: Contexto, 1994. PLATÃO & FIORIN. Lições de Texto. São Paulo: Ática, 1997. _______________. Para Entender o Texto: Leitura e Redação. São Paulo: Ática, 1998. XAVIER, Antonio Carlos dos Santos Xavier. Como se faz um texto. A construção da Dissertação Argumentativa. Recife: Ed. Do Autor, 2001. EADUNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 25 A LIGAÇÃO LÓGICA DAS IDÉIAS: COERÊNCIA TEXTUAL Coerência textual Objetivo: conhecer como se estabelece a coerência textual, analisar as metas-regras da coerência e compreender a diferença entre a coesão e coerência textual. Nesta aula, iremos conhecer o elemento do texto a coerência textual. Para que isso aconteça, precisaremos entender como funcionam as meta-regras de coerência. Somente assim vamos compreender que relação existe entre coesão e coerência textual. Palavras-chaves: coerência, coesão, meta-regras. Antes de começarmos a trabalhar a noção de coerência, vamos discutir inicialmente a relação entre coesão e coerência. Coesão e coerência devem se distinguir? Então qual será a relação entre coesão e coerência textual? Há autores que distinguem dois níveis de análise, outros não. Como já vimos nas lições anteriores, módulo 1 e 2, a coesão é um conceito semântico referente às relações de sentido que se estabelecem entre os enunciados que compõem o texto. De acordo com Fávero (1995), a interpretação de um elemento depende da interpretação de outro. Desse modo, o sistema lingüístico está organizado em três níveis: o semântico (significado), o léxico-gramatical e o fonológico-ortográfico. A coesão é obtida, AULA 04 EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 26 sobretudo, por meio da gramática e parcialmente por meio do léxico. Isto quer dizer que as palavras que ouvimos ou vemos estão ligadas entre si dentro de uma seqüência. Vejamos alguns exemplos: Fonológico pertence à fonologia, a ciência que estuda os sons da língua. Léxico designa o conjunto de palavras que formam a língua de uma comunidade, de uma atividade, de uma pessoa, etc. Gramática é a descrição completa de uma língua, isto é, dos princípios de organização da língua. Ex. 1: Marcos e Antônio são excelentes advogados. Eles se formaram na melhor universidade do país. Ex. 2: Pedro comprou uma bicicleta nova e Carlos também. Conforme KOCK e TRAVAGLIA (1999), a coerência teria a ver com a boa formação do texto, mas num sentido que não tem nada a ver com qualquer idéia semelhante à noção de gramaticalidade usada no nível de frase, sendo mais ligada, talvez, a uma boa formação em termos de interlocução comunicativa. Você pode perceber então que a coerência se estabelece na interação, numa situação comunicativa entre dois falantes. Veja, é ela que faz com que o texto faça sentido para os falantes, devendo ser vista, pois, como um princípio de interpretabilidade do texto. É por isso que a coerência não necessariamente precisa da coesão para ser manifestada. A coesão contribui para estabelecer a coerência, mas não garante sua obtenção. Vejamos com mais clareza como isso acontece no poema “A Pesca”, de Affonso Romano de Sant’Anna. A Pesca o anil o anzol o azul o silêncio o tempo o peixe a agulha vertical mergulha EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 27 a água a linha a espuma o tempo a ancora o peixe a garganta a âncora o peixe a boca o arranco o rasgão aberta a água aberta a chaga o rasgão aquelíneo ágilclaro estabanado o peixe a areia o sol Podemos observar, neste texto, que os elementos coesivos não existem, mas isso não prejudica a unidade textual, ou seja, o título já produz o sentido que precisamos. Vejamos mais um exemplo. Cidadezinha qualquer1 Carlos Drummond de Andrade Casas entre bananeiras mulheres entre laranjeiras pomar amor cantar Um homem vai devagar Um cachorro vai devagar Um burro vai devagar Devagar... as janelas olham Eta vida Besta, meu Deus. Neste poema, vemos claramente a escassez de elementos coesivos. Destaca-se a presença da repetição “vai devagar”, dando ritmo e produzindo um caráter concreto. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 28 “Tudo vai devagar na cidadezinha”. Embora já no título verifiquemos a presença de uma paráfrase, isto é, o próprio título retrata a vida de uma cidadezinha. E no último verso o resumo sobre a vida que se leva no interior. Paráfrase objetiva reafirmar alguns dos sentidos citados por outro texto. Ou seja, um enunciado A é denominado de paráfrase de um enunciado B se A contém a mesma informação que B. Que tal estudarmos um pouco mais sobre a coerência ? A metas regras de coerência2 Um estudioso francês chamado Michel Charolles conseguiu descobrir quatro princípios fundamentais responsáveis pela coerência textual. Chamou-os de meta-regras da coerência. São as seguintes: a) Meta-regra da repetição - um texto coerente deve conter elementos repetidos. Essa meta refere-se à coesão textual. O fato de, em uma frase, recuperarmos termos, expressões contidos em frases anteriores, por meio de pronomes, elementos lexicais ou substitutos constitui um processo de repetição e recorrência. Não podemos nos esquecer de que a coesão textual é, portanto, a primeira condição, mas não a suficiente, para que a coerência seja estabelecida. Ex.: Irene3 Irene preta Irene boa Irene sempre de bom humor. Imagino Irene entrando no céu: - Com licença, meu branco! E São Pedro, bonachão: - Entra, Irene. Você não precisa pedir licença. b) Meta-regra da progressão - em um texto coerente, seu conteúdo deve apresentar progressão, informações novas à medida que vai sendo escrito. Vamos ver o exemplo. Me sinto vazia com a solidão, oca, sem vida, sem vontade de viver. A solidão não quer me deixar viver. Sinto a solidão em todo lugar e momento. O texto é circular, pois não apresenta informação nova nenhuma. Manoel Bandeira EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 29 c) Meta-regra da não-contradição – em um texto coerente, o que se diz depois não pode contradizer o que se disse antes ou o que ficou pressuposto, isso quer dizer que cada parte do texto deve fazer sentido. Podemos verificar de uma forma mais clara neste exemplo retirado de ABREU (2004). Para as tropas aliadas, o dia 4 de junho foi um dia terrível. Os homens da 4ª divisão da infantaria ficaram o dia inteiro no mar. Os navios-transporte e as embarcações de desembarque faziam círculos ao largo da Ilha de Wight. As ondas arrebentavam sobre os lados, cai uma chuva forte. Os homens estavam prontos para o combate, mas sem destino nenhum. Depois dessa exaustiva caminhada, todos estavam cansados. Nesse dia 3 de junho, ninguém queria jogar dados ou pôquer, ou ler um livro ou ouvir outra instrução. O desânimo tomava conta de todos. Veja, há uma certa incoerência no texto quando nele se diz que os soldados estavam exaustos depois de uma caminhada. Eles estavam em um navio-transporte. Além disso, a informação que no dia 3 ninguém estava disposto a jogar ou fazer qualquer outra atividade de descanso contradiz as informações contidas no início do parágrafo, que diz que a ação ocorreu no dia 4. d) Meta-regra da relação – em um texto coerente, seu conteúdo deve estar adequado a um estado de coisas no mundo real ou em mundos possíveis. Vamos ver este texto do Millôr Fernandes: O evento “O pai lia o jornal – notícias do mundo. O telefone tocou tirrim-tirrim. A mocinha, filha dele, dezoito, vinte, vinte e dois anos, sei lá, veio lá de dentro, atendeu: ‘Alô. Dois quatro sete um dois cinco quatro. Mauro!!! Puxa, onde é que você andou? Há quanto tempo! Que coisa! Pensei que tinha morrido! Sumiu! Diz! Não!?! É mesmo? Que maravilha! Meus parabéns!!! Homem ou mulher? Ah! Que bom!... Vem logo. Não vou sair não’ Desligou o telefone. O pai perguntou: ‘Mauro teve um filho? ‘A mocinha respondeu: ‘Não. Casou.’”. Moral: Já não se entendem os diálogos como antigamente. O pai possui um conhecimento de mundo que lhe permite supor que Mauro teve um filho, já que a filha dissera: “Meus parabéns!!! Homem ou mulher”. Não entendi oque é conhecimento de mundo! EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 30 Vejamos, o Conhecimento de Mundo é adquirido tanto formal como informalmente. É conhecido também como uma espécie de dicionário enciclopédico do mundo e da cultura que estão armazenados na memória. Vamos praticar a coerência? 1 – Identifique em cada um dos textos a seguir a meta-regra de coerência que foi infrigida2. a) É realmente apropriado que nos reunamos aqui hoje, para homenagear Abraham Lincoln, o homem que nasceu numa cabana de troncos que ele construiu com suas próprias mãos. (político, em um discurso, homenageando Lincoln) b) Mantle rebate com as duas mãos porque é anfíbio. (Idem) c) Alguma força sinistra entrou, aplicou uma outra fonte de energia e apagou as informações contidas na fita. (Alexander Haig, oferecendo ao juiz John Sirica uma teoria sobre um “buraco” de 18,5 minutos nas fitas de Nixon, durante o caso Watergate) d) Substituição de bateria: substitua a bateria velha por uma bateria nova. (Instrução em manual de aparelho elétrico) e)1 - considerando etc. etc., este Conselho resolve: que uma nova cadeia seja construída; 2 - que a nova cadeia seja construída com os materiais da velha cadeia; 3 - que a velha cadeia seja usada até que a nova esteja pronta. (Resolução da Junta dos Conselheiros, Canto, Mississipi, 1800) f) Por que os judeus e árabes não podem se reunir e discutir a questão como bons cristãos? (Arthur Balfour, estadista britânico, primeiro –ministro e ministro do Exterior) h) Precisamos de leis que protejam a todos. Homens e mulheres, normais e bichas, qualquer que seja sua perversão sexual ...ahn, preferência. (Bella Abzug, político de Nova York, em um comício em defesa da Emenda dos Direitos Iguais) 2 – Nesta música, do grupo Os Titãs, procure analisar como se estabelece a relação entre coesão e coerência. É bom relembrar que um texto pode conter mais do que o sentido das expressões, pode incorporar conhecimentos e experiências cotidianas, atitudes e intenções, isto é, fatores não-lingüísticos. Veja se consegue ouvir a música para poder compreender melhor os elementos textuais. Não se esqueça de observar o ritmo, pausa e a entonação. Titãs EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 31 O Pulso O pulso ainda pulsa O pulso ainda pulsa Peste bubônica, câncer, pneumonia Raiva, rubéola, tuberculose, anemia Rancor, cisticircose, caxumba, difteria Encefalite, faringite, gripe, leucemia O pulso ainda pulsa (pulsa) O pulso ainda pulsa (pulsa) Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia Toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia Úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria Sífilis, ciúmes, asma, cleptomania E o corpo ainda é pouco E o corpo ainda é pouco Reumatismo, raquitismo, cistite, disritmia Hérnia, pediculose, tétano, hipocrisia Brucelose, febre tifóide, arteriosclerose, miopia Catapora, culpa, cárie, câimbra, lepra, afasia O pulso ainda pulsa O corpo ainda é pouco Ainda pulsa http://titas.letras.terra.com.br/letras/48989/ E a coesão propriamente dita? Que tal recapitularmos? EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 32 Desafios para o desenvolvimento institucional Liliane G. da Costa Reis Quando se fala em desenvolvimento institucional, trata-se de pensar e planejar de forma orgânica o futuro de uma organização. Não é fruto do acaso, mas de uma série de ações que seus membros decidem tomar, com o intuito de alcançar determinados objetivos. Desta forma, o desenvolvimento institucional envolve a visão que a organização tem do contexto social, econômico, político e cultural onde atua, seu projeto político mais amplo, a definição (ou revisão) de suas formas de atuação, métodos de intervenção na realidade e do impacto que sua ação deve ser capaz de provocar. Permite que a organização atualize seus valores e missão, analise as parcerias desejáveis e que decisões sejam tomadas no presente levando em conta o que se quer alcançar no futuro previsto. Desta análise também decorrem decisões que dizem respeito aos aspectos internos: pessoas, procedimentos, estruturas de poder, recursos materiais etc. Se pudéssemos destacar um elemento em torno do qual o desenvolvimento institucional possa ser pensado, diríamos que é o papel que uma organização pretende cumprir em determinado momento histórico e pelo qual deseja ser reconhecida. Por exemplo, há alguns anos o papel das organizações não governamentais no Brasil era principalmente de denúncia quanto às arbitrariedades e autoritarismo do Estado com relação às questões políticas, sociais e trabalhistas. Hoje, ampliaram seu leque de atuação e desejam ser reconhecidas por sua atuação a favor da democratização das políticas públicas. Ao deslocar o foco, não se perderam os valores fundadores, mas os mesmos foram atualizados em vista de uma nova realidade. Não foi obra do acaso, mas resultado de reflexões que indicaram novas direções para o trabalho das ongs. No entanto, raramente se tem pleno controle sobre todas as variáveis que envolvem o desenvolvimento institucional na direção desejada, principalmente em se tratando de organizações da sociedade civil, que enfrentam uma série de restrições. Destacaria, aqui, as restrições de caráter cultural: não temos uma cultura dominante que valorize processos democráticos, a inclusão e a solidariedade. Tais valores predominam na esfera familiar e nos laços de amizade, mas não são facilmente estendidos ao domínio público. Isto faz com que o trabalho das organizações que se dedicam, das mais variadas formas, às questões sociais enfrente inúmeras barreiras ao reconhecimento da validade de suas propostas junto à sociedade mais ampla. http://www.rits.org.br/gestao_teste/ge_testes/ge_tmes_dez99.cfm 3 - Então, leia o texto acima e estabeleça, nos conectivos grifados, na primeira sequência as relações de sentido, e na segunda, as referências, substituições. a) Quando_________________________________________________ b) Mas____________________________________________________ c) Dessa forma_____________________________________________ EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 33 d) E______________________________________________________ e) Também________________________________________________ f) Que____________________________________________________ g) Se_____________________________________________________ h) Por exemplo_____________________________________________ i) No entanto_______________________________________________ a) Seus______________________________________________________ b) Seu_______________________________________________________ c) os mesmos_________________________________________________ d) tais valores_________________________________________________ e) isto_______________________________________________________ 4) Procure reescrever o texto abaixo, substituindo as palavras destacadas por sinônimos. Se houver necessidade, você poderá fazer adaptações. “Destacaria, aqui, as restrições de caráter cultural: não temos uma cultura dominante que valorize processos democráticos, a inclusão e a solidariedade.” 5) Em certas situações de comunicação, determinados elementos de uma frase dada podem deixar de ser expressos, sem por isso os destinatários deixarem de compreendê- la. Diz-se então que há uma elipse, que as frases são incompletas ou elípticas. Para que você não se esqueça, as elipses também são elementos de coesão. Como já foi dito, o elemento deixa de ser apresentado explicitamente, mas ele é conhecido no texto. No texto “Permite que a organização atualize seus valores e missão, analise as parcerias desejáveis e que decisões sejam tomadas no presente levando em conta o que se quer alcançar no futuro previsto” a elipse se encontra no início do texto. “Ø Permite..”. A que elemento se refere essa elipse? REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, Antônio Suárez. Curso de Redação. 12.ed, São Paulo: Ática, 2004 CHAVIER, Antônio Carlos dos Santos. Como se faz um texto: a construção da dissertação argumentativa. Recife: Editora do Autor, 2001. DUBOIS et al. Dicionario de Lingüística. São Paulo: Cultrix, 1998. FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e coerência textuais. 9.ed, São Paulo: Ática, 2002. KOCH, Ingedore Villaça. A Inter-Ação pela Linguagem. São Paulo: Contexto, 1997. ____________________. A Coesão Textual. 7.ed.. São Paulo: Contexto, 1994. KOCK, Ingedore Villaça. e TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Texto e Coerência. 6.ed. São Paulo: Cortez, 1999. PLATÃO & FIORIN. Lições de Texto. São Paulo: Ática, 1997. _______________. Para Entender o Texto: Leitura e Redação. São Paulo: Ática, 1998. SANT’ANNA, Affonso Romano. A pesca. Disponível em <http://www.geocities.com/ artuso.geo/42.htm> . Acesso em 17/2/2005. XAVIER, Antonio Carlos dos Santos Xavier. Como se faz um texto. A construção da Dissertação Argumentativa. Recife: Ed. Do Autor. 2001. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 34 Conceituação, redação e estruturação do parágrafo Objetivo: Conhecer a estrutura do parágrafo, ou seja, as suas partes, além de definir o assunto e o objetivo de se escrever textos. Palavras-chaves: parágrafo, estrutura, assunto e delimitação. Nas aulas anteriores, vimos que devemos ordenar as idéias para que o leitor acompanhe o raciocínio que estamos desenvolvendo. Isto é, nós - emissores - enviamos uma mensagem - no caso, o texto -- para um destinatário. Emissor: quem envia a mensagem Destinatário: quem recebe a mensagem É por isso que devemos sempre que ter em mente para quem estamos dirigindo nossa mensagem, pois é o destinatário quem vai ler, interpretar e compreender o que escrevemos, é ele quem vai preencher os espaços vazios, quem vai conectar as idéias, perceber as relações estabelecidas. Por isso é preciso termos o cuidado de elaborar mensagens claras para que haja melhor entendimento. Assim, caro aluno, para a escrita da mensagem, é importante que tenhamos um plano no qual seja definido o que vai ser dito – o assunto -, considerando onde se quer chegar com o texto a ser escrito - o objetivo. Devemos, ainda, observar que a correção lingüística do texto é indispensável para que o leitor seja capaz de entender a mensagem. Mas isso ainda não basta. É necessário, além disso: A REDAÇÃO DO PARÁGRAFO AULA 05 EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 35 · Organização do texto · Progressão das idéias · Conteúdo Pressuposições sobre o conhecimento e a capacidade do leitor E como posso desenvolver todas essas etapas??? Você sabe que, para elaborar um texto coerente, não basta reunir qualquer conjunto de frases, ordenadas de forma aleatória, mas organizá-las de tal forma que o leitor possa entender aquilo que desejamos comunicar. É para isso que organizamos nossas idéias em parágrafos. E o que é um parágrafo? A conceituação O parágrafo é uma estrutura superior à frase, que desenvolve, eficazmente, uma única idéia-núcleo. Antonio Suárez Abreu Devemos nos lembrar que o conceito acima aplica-se ao chamado parágrafo-padrão. Vamos percorrer as etapas prévias da escrita do parágrafo? Antes da redação do parágrafo, é preciso atentar para alguns procedimentos iniciais indispensáveis: a delimitação do assunto e a fixação do objetivo norteador do que será escrito. Só depois de ultrapassadas essas etapas, é que teremos condições de redigir o parágrafo. A delimitação do assunto: a restrição ou delimitação do assunto é necessária para que possamos organizar o parágrafo com mais facilidade. Se você vai escrever sobre VIOLÊNCIA, por exemplo, podem surgir muitas idéias, tornando--se difícil selecionar quais os aspectos do assunto serão escritos. Além disso, quando o assunto é muito amplo, você corre o risco de ficar divagando e construir um conjunto de frases muito gerais, sem apro-fundar nenhum aspecto do tema. Por isso, para escrever sobre VIOLÊNCIA, é importante delimitar o assunto, o que facilita a organização e a ordenação das idéias. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 36 Quando já se tem uma idéia do assunto, precisa-se conhecer o caminho a seguir. Dar- lhe uma rota. Vamos ver o exemplo??? Assunto: Violência Delimitações do assunto: 1. O problema da violência urbana 2. O problema da violência nas grandes metrópoles 3. O problema da violência em Palmas. Podemos perceber que o assunto violência apresenta aspectos muito gerais, pois poderíamos escrever um texto somente com impressões, sem ter um direcionamento, nem apresentar exemplos concretos ou fazer comparações. Já com a delimitação, nós poderemos desenvolver um bom texto, falando de elementos que compõem apenas uma parte do assunto. Você verá que isso tornará seu texto mais fácil de ser construído! Para praticar, vamos fazer a delimitação do seguinte assunto: PODER Delimitação 1: _____________________________________________ Delimitação 2: _____________________________________________ Delimitação 3: _____________________________________________ Depois de delimitado o assunto, é importante que pensemos em qual o objetivo que pretendemos alcançar com a escrita desse texto. É aí que entraremos na segunda etapa: a fixação do objetivo. A fixação do objetivo: estabelecer a finalidade da escrita de determinado assunto. A fixação clara do objetivo facilita a seleção e a ordenação das idéias. Para compreendermos melhor, vamos observar o exemplo abaixo. Para você escrever sobre a Violência em Palmas, poderá orientar-se por um dos seguintes objetivos: EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 37 - mostrar algumas das causas da violência em Palmas; - listar algumas das conseqüências da violência em Palmas; - comparar os aspectos da violência em Palmas e outras metrópoles; - indicar alguns exemplos da violência em Palmas. Observe que, se fixarmos um objetivo a alcançar, não correremos o risco de perdermos o caminho que nos propomos a seguir. Passadas as etapas de delimitação do assunto e de fixação do objetivo, é que vamos começar a escrever nosso texto. Nosso texto, então, será estruturado em um parágrafo (inicialmente) para que nossas idéias sejam desenvolvidas dentro do contexto temático escolhido. Vamos conhecer a estrutura do parágrafo? O chamado parágrafo-padrão é constituído de três partes essenciais: o tópico frasal, o de-senvolvimento e a conclusão. Na seqüência da nossa exposição, explicitaremos cada uma dessas par-tes. A estrutura do parágrafo TÓPICO FRASAL (introdução) DESENVOLVIMENTO CONCLUSÃO OU TRANSIÇÃO É importante ressaltarmos que nem todos os parágrafos apresentam essa estrutura. Em parágrafos curtos e naqueles cuja idéia central não apresenta complexidade, a conclusão costuma não aparecer. Para que você obtenha a prática da escrita de um bom parágrafo, é importante que você treine bastante a construção de parágrafos, procurando redigir o tópico frasal de forma clara, pois é nele que está contida a idéia que será desenvolvida. Então, vamos aos passos para a formulação de um tópico frasal? Delimitado o assunto, fixado o objetivo que deverá orientar o parágrafo, você poderá come-çar a escrever. É importante redigir, em primeiro lugar, uma ou mais frases que expressem o objetivo escolhido. Essa ou essas frases iniciais do parágrafo que traduzem, de maneira geral e sucinta, a idéia-tópico, a idéia-núcleo do parágrafo constituem o que se chama tópico frasal. É bom lembrar que é o tópico fra-sal que garante a você não se afastar do objetivo estabelecido, mantendo a coerência do texto. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 38 Exemplificando: se você forescrever sobre: Assunto delimitado - O problema da violência em Palmas Objetivo - Apresentar algumas das causas da violência em Palmas Então você poderá introduzir o assunto com uma das seguintes frases (tópicos frasais): A população de Palmas vem sofrendo muito com o surto de violência que se abateu sobre sua cidade. OU O surto de violência que se abateu sobre Palmas possui causas conhecidas. Note que a frase-tópico resume o assunto proposto. Isso torna fácil o desenvolvimento!!!! Ei, você se lembra das delimitações que você fez para o assunto poder? O próximo passo é escolher uma delas, fixar o objetivo e redigir o tópico frasal. Vamos tentar? Assunto: ______________________________________________________ Delimitação do Assunto: _________________________________________ Objetivo fixado: ________________________________________________ Tópico frasal: _________________________________________________________ Agora que nós já estudamos as etapas prévias e o tópico frasal, o próximo passo é desenvolver o parágrafo. Nessa etapa, desenvolvimento do parágrafo, o redator passa a expandir as idéias indicadas no tópico frasal. Para isso, em primeiro lugar, selecionamos os aspectos ou detalhes particulares que desen-volvam a frase-núcleo e, posteriormente, os ordenamos. Para ordená-los, construímos um plano de desenvolvimento, que servirá como forma de controle. Isso evitará a inclusão de aspectos ou detalhes desnecessários ou incoerentes com o objetivo fixado. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 39 Com o tópico frasal anteriormente apresentado, teríamos o seguinte plano: Exposição de algumas das causas da violência em Palmas: • Aumento da pobreza e do desemprego; • Falta do desenvolvimento de projetos sociais; • Fracassos e frustrações por não conseguir realizar sonhos na nova Capital. Para desenvolver seu parágrafo, você pode optar por diversas formas de ordenação, que irão variar conforme o objetivo fi-xado para a redação de seu texto. Veja: • Mostrando exemplos – exemplificação • Estabelecendo comparações – comparação • Enumerando detalhes- enumeração Mas lembre-se: Seja qual for a forma de ordenação empregada, a preocupação maior do autor deve ser a de fundamentar de maneira clara e convincente as idéias que defende ou expõe. As formas de ordenação do desenvolvimento do parágrafo serão estudadas mais profundamente na próxima aula!!! Como ficaria o plano de desenvolvimento das idéias do assunto que você delimitou? É bom retomar o caminho já percorrido para delimitar o assunto, fixar o objetivo e construir o tópico frasal. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 40 Então, depois de planejar o desenvolvimento das idéias, execute-o: Você já observou que, obedecendo as etapas para escrever o texto, as idéias podem ser melhor organizadas? A última etapa a percorrer é a conclusão. É nela que você fechará seu raciocínio. A formulação da conclusão pode ser feita de duas formas básicas: Assunto: ____________________________________________________ Delimitação do assunto: _______________________________________ Tópico frasal: ________________________________________________ ________________________________________________ Hipóteses: 1. __________________________________________________________ 2. _________________________________________________________ 3. _________________________________________________________ Plano de desenvolvimento das idéias Tópico frasal: ________________________________________________ ________________________________________________ Desenvolvimento: ____________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 41 1. Retomando o objetivo expresso na frase núcleo, recapi-tulando o conjunto de detalhes ou aspectos particulares que fazem parte do desenvolvimento. 2. Apresentando conseqüências e implicações daquilo que foi expresso no tópico frasal e no desenvolvimento. Em outras palavras, reorganizamos resumidamente os diversos aspectos da fase de desenvolvimento em uma frase final, que feche o parágrafo. E a transição entre o desenvolvimento e a conclusão do parágrafo é feita, geralmente, por meio de articuladores ou conectores que indiquem a relação de conclusão, tais como: Assim Logo Dessa forma Então Fique atento!!! Em algumas ocasiões, esses articuladores de conclusão não estão explícitos. Ah!! Existem parágrafos que apresentam apenas tópico frasal e desenvolvimento, desenvolvimento e conclusão ou somente desenvolvimento, quando inseridos num texto. Veja o parágrafo abaixo: Os descobridores, de Daniel J. Boorstin; Civilização Brasileira; 646 páginas - O caminho que o historiador americano Daniel Boorstin escolheu para escrever essa história compacta da ciência é duplamente inovador. Em primeiro lugar, ele deixou de lado os habituais catálogos de nomes e descrições de experimentos que costumam rechear as obras de referência, entediando o leitor não especializado. Preferiu fazer a crônica da luta surda que sempre se travou entre as fantasias que os séculos transformariam em ciência e a “intocável realidade” que os instrumentos científicos de uma época podiam detectar. A segunda novidade foi a opção por uma narrativa romanceada - e não burocraticamente cronológica - para descrever a trajetória da evolução de alguns instrumentos, como o relógio, a bússola e o microscópio. Com isso, algumas passagens da obra ganham sabor inesperado. É o caso da história dos despertadores digitais, que o leitor aprenderá, deliciosamente, ter sua origem numa engenhoca inventada nos mosteiros medievais com a finalidade de acordar os monges para as orações noturnas. Longe da sisudez dos textos técnicos, Boorstin consegue a proeza de unir precisão cientifica e leitura acessível. (Veja). EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 42 Assunto: A obra Os descobridores, de Daniel J. Boorstin. Delimitação do Assunto: Resenha crítica da obra. Objetivo Fixado: Mostrar a dupla inovação estabelecida pelo escritor Daniel Boorstin ao escrever a história da ciência. Tópico Frasal: Daniel Boorstin, ao escrever uma história compacta da ciência, procede a duas inovações. Plano de Desenvolvimento das Idéias: 1. Apresentação das duas novidades: • Abandono dos catálogos de nomes e descrições de experimentos e preferência pela crônica. • Opção por uma narrativa romanceada. Conclusão: o autor une precisão científica e leitura acessível. E assim, caro aluno, fique atento, pois, ao escrever, desejamos atingir um objetivo determinado, e todo texto (parágrafo) deve evidenciar isso. O tópico frasal, o desenvolvimento e a con-clusão devem constituir uma unidade organizada, coesa e coerente para facilitar a recepção do leitor. Só está faltando concluirmos o nosso parágrafo, vamos lá? Assunto (delimitado): __________________________________________ Tópico frasal: ________________________________________________ Desenvolvimento: _____________________________________________ Conclusão: __________________________________________________ Como você viu, o parágrafo possui as três partes essenciais à sua redação, ou seja: tópico frasal, desenvolvimento e conclusão. Agora que já estudamos a estrutura do parágrafo, vamos praticar um pouco??? EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 43 1. Proponha 4 delimitaçõespara os seguintes assuntos: - Sexo: - Dinheiro: 2. Vamos, agora, fazer a leitura dos parágrafos seguintes, identificar a estrutura de cada um (tópico frasal, desenvolvimento e conclusão) e especificar o assunto, a delimitação e o objetivo fixado. Não se esqueça de rever os conceitos estudados!!! 1. Sono dos anjos Uma pesquisa inglesa comprovou o que a sabedoria materna já pregava. Bebês que são bastante expostos à luz do dia dormem muito melhor à noite. De acordo com os cientistas, essa providência ajuda a regular o relógio biológico dos pequenos mais rapidamente. Portanto, nada de manter a janela fechada durante o dia. Istoé/1835-8/12/2004 2. Dinheiro Rural: uma revista que se propõem não só a mostrar tudo que o campo tem produzido, mas também as inovações e tecnologias que fazem do agro business o setor mais próspero da economia brasileira. Matérias completas, analíticas e dinâmicas sobre diferentes assuntos, desde a participação cada vez mais efetiva do Brasil no mercado internacional às mais recentes técnicas agropecuárias. Mais do que uma revista, Dinheiro Rural é um verdadeiro guia para quem trabalha, investe e faz do setor de agronegócios a locomotiva do país. Leia Dinheiro Rural: quem planta informações, colhe riquezas. ISTOÉ/1833-24/11/2004 3. Apresentar soluções ou sensações de engolir ar é sinal de que a digestão está realmente sendo mal feita. Normalmente isso está relacionado com maus hábitos alimentares. Por exemplo, fazer as refeições depressa e sem mastigar bem os alimentos. São sintomas que costumam piorar com a ingestão de alimentos mais gordurosos e frituras, quando naturalmente a digestão é mais lenta. Observe se come rapidamente ou se engole a comida sem mastigar o suficiente e tente se corrigir. Se o problema persistir, vá ao medico. ISTOÉ /1834-1º/12/2004 4. Um universo desconhecido Ao pesquisar os oceanos dos quatro cantos do planeta, o Censo da Vida Marinha anunciou 13 mil novas formas de vida aquática, sendo 106 espécies de peixes. Ao custo de US$ 1 bilhão e com a participação de mil cientistas de 70 países, o estudo começou em 2000 e deve acabar em 2010. O objetivo é traçar um mapa geral dos oceanos e mostrar um banco de dados de espécies marinhas, de bactérias e baleias. A expectativa é que nos próximos anos surjam outros milhares de organismos ainda desconhecidos. Há hoje cerca EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 44 de 230 mil espécies descritas na literatura científica e calcula-se que existam pelo menos dez vezes mais espécies a ser descobertas. Entre as estrelas do censo marinho estão o peixe-escorpião, o girassol aquático e a bactéria azul. Com o uso de transmissores presos a alguns peixes, os pesquisadores puderam acompanhar a trajetória de atuns e tartarugas. Istoé/1834-1º/12/2004 Referências Bibliográficas: ABREU, Antônio Soárez. Curso de Redação. São Paulo: Ática, 2002. BOAVENTURA, Edivaldo. Como Ordenar Idéias. São Paulo: Ática, 2001. FERREIRA, Marina & PELLEGRINI, Tânia. Redação: Palavra e Arte. São Paulo: Atual, 1999. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 45 A REDAÇÃO DO PARÁGRAFO Formas de Ordenar o Desenvolvimento do Parágrafo Objetivo: Conhecer as formas de ordenar o desenvolvimento do parágrafo. Palavras-chaves: parágrafo, ordenação, enumeração, causa, conseqüência, parágrafo misto Vimos na aula anterior que o parágrafo pode ser estruturado de tal forma que podemos expor nossas idéias de forma organizada, sem correr riscos de nos perdermos. Depois de compreendida a estrutura do parágrafo-padrão, passaremos agora ao estudo das formas de construir o desenvolvimento desse parágrafo. Não se esqueça de que vamos nos deter em uma parte do parágrafo-padrão, o desenvolvimento. Para isso, vamos compreender agora os principais elementos que compõem os diferentes tipos de ordenação do parágrafo? São eles: Ordenação por enumeração Ordenação por causa-conseqüência Ordenação por comparação: semelhança ou contraste Ordenação por tempo e/ou espaço Ordenação por definição Ordenação por exemplificação Além dessas formas de ordenação, iremos estudar também: AULA 6: EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 46 O parágrafo misto Vamos conhecê-los melhor? 1. Ordenação por enumeração O desenvolvimento ordenado por enumeração é organizado, freqüentemente, por meio de certos articuladores que têm a função de marcar certa ordem que se quer estabelecer, seja a enumeração de situações ou características de um fato. Devemos observar a presença de alguns conectivos que têm a característica de estabelecer a ordenação. Vejamos alguns destes articuladores de ENUMERAÇÃO: Primeiro, segundo, em primeiro lugar, em segundo lugar, inicialmente, após, a seguir, depois, em seguida, mais adiante, por fim, ainda, além, também etc. Para entendermos melhor, vamos ler o texto Segmentação do Ensino Superior: Podemos dividir o ensino superior hoje, dentro e fora do Brasil, em três grupos principais: (I) instituições elitizadas, destinadas a formar “elite intelectual” do país, (II) instituições que popularizam o ensino superior e (III) instituições de baixa qualidade acadêmica, que, na nossa opinião, formarão um grupo cada vez menor de pessoas. O primeiro grupo está crescendo, aproveitando suas fortes marcas para abrir novas unidades e novos cursos. O segundo grupo está crescendo, buscando as melhores localizações físicas, a melhor infra-estrutura e a maior integração possível com os empregadores próximos de cada uma de suas novas unidades. O terceiro grupo, composto por instituições com pouca preocupação acadêmica ou baixa capacidade administrativa, sempre existirá, como existe em todos os setores. Na nossa opinião, cabe ao governo garantir que o público-alvo do segmento do ensino superior (alunos e empregadores) perceba de maneira transparente se uma determinada instituição irá ou não agregar valor à sua carreira ou à força de trabalho. O provão é um destes mecanismos, mas ainda não leva em conta a nota de entrada do aluno na instituição. As notas dadas pelo MEC às instituições físicas e ao corpo docente são outros mecanismos, mas têm tido pouquíssima divulgação na mídia. (@prender Virtual/março/abril/2003, p. 15) O desenvolvimento do parágrafo é feito a partir da enumeração de elementos. Tal enumeração está clara a partir do uso dos articuladores: primeiro, segundo e terceiro. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 47 2. Ordenação por causa-conseqüência Nesse tipo de ordenação, o desenvolvimento tende indicar a(s) causa(s) do fato apresentado e o(s) resultado(s) ou efeito(s) produ-zido(s). Normalmente, a relação causa-conseqüência geralmente é evidenciada por expressões (articuladores) ou é percebida por meio da interpretação das idéias relacionadas. As expressões indicadoras de CAUSA são: porque, já que, visto que, uma vez que, pois, a razão disso, a causa disso, devido a, por motivo de, em virtude de, graças a. Já as que indicam CONSEQÜÊNCIA: tão que, tal que, tanto que, tamanho que, de forma que, de maneira que, de modo que, em conseqüência, como resultado, por isso, em vista disso etc. Exemplos: 1) parágrafo ordenado por CAUSA: A estrutura educacional brasileira também tem proporcionado várias injustiças sociais. O ensino público superior (3o grau), tido como gratuito, só é dado a uma pequena parcela da população brasileira. No entanto, seu custo é cobrado de toda a população por intermédio dos impostos embutidos. O governo usa o dinheiro de todos (dinheiro público) para dar ensino superior a alguns poucos cidadãos, enquanto a maioria tem que pagar faculdade particular se quiser ensino superior. Portanto, se o sistema atual não proporciona igualdade de oportunidade, dificilmente será bem-sucedido como instrumento social. O componente de justiça,entre todos os cidadãos, não pode ser desprezado em nenhuma atividade. O governo precisa reformular o sistema educacional tornando-o realmente justo para todos os cidadãos. Valvim M. Dutra/www.renascebrasil.com.br 2) parágrafo ordenado por CAUSA-CONSEQÜÊNCIA: Em pesquisa recente que revela o perfil do fraudador nas empresas, detecta-se que 43% fraudam por apropriação indébita, sendo que Caixas, Bancos e Estoques são os itens mais visados. As empresas norte-americanas perdem cerca de US$ 9,00 por dia devido a fraudes. Esse tipo de ação ilícita consome dezenas de bilhões de dólares por ano naquele país. As perdas das empresas podem chegar até 6% de seu faturamento com fraudes. Por aí, é possível ter uma idéia do campo de trabalho para o Investigador EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 48 Contábil, área ainda quase inexplorada pela profissão. Nos Estados Unidos e Europa, é rotina fazer o trabalho de investigação contábil duas vezes por ano; portanto, essa especialização profissional é bastante conhecida. No Brasil, temos ainda menos de 30 profissionais nessa área, com a remuneração em torno de R$ 100,00 por hora. http://www.fipecafi.com.br/public_artigos/marion/prepproffuturo.pdf 3. Ordenação por comparação: semelhança ou contraste Na ordenação por comparação, estabelecemos um confronto de idéias, seres, coisas, fatos ou fenômenos mostrando seus pontos comuns (semelhanças) ou seus contrastes (diferenças). Na comparação que assinala as semelhanças, desenvolvendo um paralelo entre os itens citados, evidenciam-se articuladores como: assim como... também, tanto como..., tanto quanto, além de..., também, não só... (como) também, de igual modo, em ambos os casos etc. Já na comparação que assinala os contrastes, aparecem as seguintes expressões: de um lado... de outro lado, por um lado... por outro lado, se por um lado... por outro lado, (para) uns... (para) outros, este... aquele, ao contrário..., em oposição..., enquanto..., já..., ao passo que..., mas..., porém etc. . Exemplo: Em português, é bom lembrar, educação à distância, ensino a distância e teleducação são termos utilizados para expressar o mesmo processo real. Contudo, algumas pessoas ainda confundem teleducação como sendo somente educação por televisão, esquecendo que tele vem do grego, que significa ao longe ou, no nosso caso, a distância. Há diferenças entre educação a distância e educação aberta, porém ainda prevalece, principalmente nos projetos universitários, forte ilusão de semelhança entre ambos os conceitos. No caso da educação aberta, esta pode ser a distância ou presencial, o que a diferencia da educação tradicional, é que todos podem nela ingressar, independentemente de escolaridade anterior. O aluno pode organizar seu próprio currículo e ir vencendo-o por seu próprio ritmo (Cirigliano, 1983, 11). Além disso, na expressão educação à distância, pode-se ou não usar a crase, pois ela é facultativa neste caso, sendo obrigatória somente quando define-se a distância, por exemplo: à distância de três metros. http://www.intelecto.net/ead_textos/ivonio1.html EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 49 4. Ordenação por tempo e/ou espaço As indicações de espaço são necessárias sempre que for conveniente mostrar o lugar em que aconteceram os fatos referidos. Já a ordenação temporal exprime a ordem segundo a qual o reda-tor teve a percepção ou o conhecimento de algo acontecido. Pode ocorrer o emprego simultâneo dos critérios de ordenação de idéias por tempo e espaço. Vamos examinar as expressões indicativas dessas formas de ordenação: TEMPO: agora, já, ainda, antes, depois, em seguida, breve, logo que, finalmente, freqüentemen-te, após, antes de, à medida que, à proporção que, enquanto, sempre que, assim que, ultima-mente, presentemente, no século tal, muitos anos atrás, naquele tempo etc. ESPAÇO: longe de, perto de, em frente de, atrás de, diante de, detrás de, abaixo de, dentro de, fora de, aí, ali, cá, além, à direita, à esquerda, no país tal, no local tal etc. Exemplos: Ordenação por tempo Na Idade Média, os livros eram manuscritos em pergaminhos e papiros pelos monges copistas, que passavam dias a fio nos conventos fazendo esse trabalho é por isso que o assunto das obras era quase sempre religioso. Esses monges eram ótimos desenhistas, mas a maioria não sabia ler. Da Idade Média à era moderna, o gosto literário mudou da água para o vinho. Tanto que o autor mais traduzido do mundo é o americano Sidney Sheldon, cujos romances foram vendidos em 51 línguas e distribuídos em 180 países. http://biblioteconomia.objectis.net/artigos/6coisas Ordenação por espaço O cozido é um prato muito simples, feito com legumes verdes e secos, carnes e água. Na França, o turista poderá optar por uma das 132 qualidades de cozido. Na Itália, ninguém contesta o sabor dos bollitos. E na Espanha, não há cozido sem grão, apesar do arroz não fazer parte dos ingredientes do prato. Já em Portugal, o prato do cozido é aproveitado para preparar um arroz delicioso. Na Itália, um molho saboroso, quase sempre feito à base de rabanete picante, caracteriza um estilo. Só o campo dos enchidos e carnes já daria um tratado de culinária. Não há qualquer semelhança entre um presunto de Bayoone, de Parma, de Trevélez ou de Monção. Também não se compara EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 50 um chorizo espanhol e um chouriço português. Cada um deles dá um caldo de sabor diferenciado, inconfundível que torna os cozidos de cada região singulares. (ZH Turismo) 5. Ordenação por tempo e espaço simultaneamente Não espanta que as lendas do Santo Graal tenham feito tanto sucesso na Idade Média. Acreditava-se que os restos mortais dos mártires fossem dotados de poderes físicos e espirituais. Durante as Cruzadas, um fragmento da “verdadeira cruz” costumava ser carregado pelos exércitos cristãos nas batalhas contra os sarracenos, como uma espécie de talismã da vitória. Em 1239, o rei francês São Luís pagou uma verdadeira fortuna pela suposta Coroa de Espinhos, construindo uma das obras-primas da arquitetura gótica (a Sainte-Chapelle de Paris) só para abrigá-la. Por toda Europa, fiéis diziam possuir itens famosos, como o dente de leite do menino Jesus, a cabeça de São João Batista, o prepúcio de Cristo, as lágrimas, o leite ou os cabelos (ruivos, louros, morenos...) de Maria. O costume de venerar relíquias continuou a contar com o apoio do Vaticano mesmo após o fim da Idade Média: no Concílio de Trento, em 1545, o poder dos objetos sagrados foi reafirmado como um dos dogmas da fé católica. Ainda assim, a Igreja jamais aceitou oficialmente a crença no Graal. Revista Superinteressante/fevereiro 2005 6. Ordenação por definição De todas as formas de ordenação esta é a mais abstrata, pois revela os atributos essenciais de um objeto por meio de sua definição, muito utilizada em textos técnicos ou científicos. Nesta forma de ordenação, é freqüente o emprego do verbo SER ou de verbos como CHAMAR-SE, DENOMINAR-SE, CONSIDERAR-SE, TRATAR-SE DE. Exemplo: A educação a distância é um recurso de incalculável importância como modo apropriado para atender a grandes contingentes de alunos de forma mais efetiva que outras modalidades e sem riscos de reduzir a qualidade dos serviços oferecidos em decorrência da ampliação da clientela atendida. http://www.intelecto.net/ead_textos/ivonio1.html 7. Ordenação por exemplificação Nessa modalidade, a exemplificação ou justificação de determinada afirmação é feita por meio de exemplos ilustrativos, para que seja estabelecida uma relação entre a definição e algo concreto. O parágrafo seguinte usa a exemplificação para justificar a afirmação feita no tópico frasal. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 51 Observe o emprego da expressão porexemplo. Exemplo: O Brasil tem gritantes problemas no campo da Educação. Há, por exemplo, uma preocupação crescente com a quantidade em prejuízo da qualidade do ensino. Abrem-se inúmeros estabelecimentos de ensino superior sem as mínimas condições de funcionamento. Daí as desistências, as repetências, a corrupção e outros males que denigrem a Educação em nossa Pátria. (MACEDO, Jorge Armando. A redação do vestibular. São Paulo, Ed. Moderna). 1. O parágrafo misto Alguns parágrafos caracterizam-se, no seu desenvolvimento, por serem mistos. Os parágrafos mistos são aqueles em que predomina mais de uma forma. Exemplo: Na luta contra a depressão fora do divã, os psiquiatras de todo o mundo decidi-ram investir em outros tipos de acompanhamentos médicos, além dos remédios e da aplicação do ECT. Nas regiões onde o inverno é longo e intenso, como os países nórdi-cos, crescem dia a dia as experiências à base das chamadas clínicas de luz. Nelas, as pessoas com problemas depressivos ou maníaco-depressivos são expostas a raios arti-ficiais que reproduzem a mesma freqüência da luz solar infravermelha. Com isso, a glândula pineal é ativada, o que gera um aumento da metabolização dos neurotransmissores antidepressivos. Uma outra técnica é a chamada “deprivação do sono”, que con-siste em manter o paciente acordado por até 36 horas, de forma que a produção de neu-rotransmissores seja regularizada. “Através de estímulos acústicos, luminosos, jogos e a presença de especialistas que se revezam, as pessoas em tratamento são mantidas acordadas”, explica o psiquiatra carioca Jorge Alberto da Costa e Silva, presidente do Comitê Internacional de Tratamento e Prevenção da Depressão. O autor cita as técnicas de cura para a depressão, exemplificando-as. Cada uma das técni-cas aponta para a causa e também para a conseqüência da sua aplicação. Em função disso, a ordena-ção desse parágrafo é classificada: por exemplificação e por causa e conseqüência, o que indica o parágrafo misto. Os parágrafos no contexto da dissertação Para concluir, convidamos você a observar a estrutura de cada um dos parágrafos do texto abaixo, conforme a sua posição no contexto da dissertação. Não se esqueça de examinar os elemen-tos de transição entre os diferentes parágrafos, ou seja, os seqüencializadores textuais. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 52 1. Analise agora os parágrafos abaixo e classifique-os quanto ao tipo de ordenação apresentada. 1. Vocação para o turismo Nos últimos anos, o setor turístico viveu uma grande transformação em Florianópolis. A busca por maior organização e crescimento planejado na área levaram a cidade a se tornar, segundo pesquisas recentes da Embratur, o segundo destino turístico de estrangeiros em todo o Brasil, atrás apenas do Rio de Janeiro, e o terceiro em número absoluto de visitantes. Além disso, a capital catarinense foi considerada, pela revista Exame, a terceira melhor cidade brasileira para se fazer negócios. Essa efervescência turística já mostra resultados definitivos: a construção de novos equipamentos para eventos, recreação e hospedagem e a ampliação e melhoria da infra-estrutura já existente e da oferta de serviços. Há também o surgimento de escolas e faculdades de turismo e hotelaria. Florianópolis, além de bela, torna-se eficiente. Parte desse aperfeiçoamento deu-se em parceria com a administração pública, considerada a melhor do Brasil por diferentes instituições de pesquisa. O esforço agradou os turistas: mais de 93% estão satisfeitos e pretendem voltar. (Brasil Travel News/Ano XVII/nº 171, p. 58) 2. Reforma da Providência Não se trata de uma reforma da previdência, mas sim de uma reforma de emergência. Ou melhor: para os aposentados da Austrália é uma reforma da Providência. Os aposentados daquele país passaram a gozar do direito de ter um desconto de 5% nos bordéis. As prostitutas australianas cobram em média US$ 140 por “benefícios” de uma hora. “Esse desconto caiu do céu”, diz o aposentado que passou a freqüentar o bordel Viper Room. “Todos os demais negócios do país dão promoção aos aposentados. Já estava na hora de fazer isso no nosso ramo de negócios, mesmo porque os lucros andam caindo”, diz o proprietário da casa, Neil Campbell. (Istoé, 25/06/2003, p.21) 3. O berço da Contabilidade é a Itália. No século XV, o cenário mundial da Contabilidade era a Itália. Praticamente, durante quatro séculos, esse país foi o grande formador da doutrina contábil, perdendo a primazia para os norte-americanos nos primórdios deste século. Se há um fator preponderante na mudança do cenário mundial da Contabilidade da Itália para os Estados Unidos, certamente, este fator foi o foco no cliente, no usuário principal da Contabilidade. Enquanto na Itália havia exagerado culto à personalidade, ou seja, aos grandes teóricos da Contabilidade, nos Estados Unidos o usuário era consultado, sendo proporcionado a ele a manifestação de seus anseios em relação às informações contábeis. Essa manifestação dos usuários estimulava o desenvolvimento da Contabilidade Gerencial, que se contrapunha à ênfase teórica dos italianos. Quando o foco está nos grandes estudiosos EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 53 (gênios) da Contabilidade, a Auditoria tem papel secundário. Todavia, quando o usuário é o centro das atenções, a Auditoria desenvolve-se, ganha papel proeminente. Auditoria continua sendo a ênfase maior no cenário mundial da Contabilidade, que são os Estados Unidos. http://www.fipecafi.com.br/public_artigos/marion/prepproffuturo.pdf Não se esqueça de delimitar o assunto e fixar o objetivo. 2. Para que possamos fixar melhor o conteúdo estudado, construa cinco parágrafos (tempo/espaço, exemplificação, enumeração, causa-conseqüência e definição) a respeito do seguinte assunto: Empreendedorismo. a) tempo/espaço b) exemplificação c) enumeração d) causa-conseqüência e) definição EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 54 O QUE É LEITURA? Os níveis de leitura: emocional, racional e sensorial. Objetivo: conhecer os níveis racional, emocional e sensorial da leitura. Palavras-chaves: leitura, ato de ler, emoção, razão e sensação. Vejamos a tirinha4 a seguir: Desde que entramos na escola, nossa atenção é chamada para o prazer ou a necessidade da prática da leitura. Mas poucas vezes somos levados a pensar o que é essa prática. O livro O Que é Leitura, de Maria Helena Martins, nos leva a compreender que começamos a ler bem antes da iniciação na escola ou no conhecimento do alfabeto, percebendo os elementos que nos cercam e decodificando-os. AULA 7: www.hq.cosmo.com.br/textos/quadrinex/qhagar EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 55 De acordo com MARTINS (1994), iniciamos os primeiros passos rumo à leitura quando ainda somos bebês, que é quando começamos a compreender o mundo a nossa volta. É quando nos irritamos com a luz forte e nos tranqüilizamos quando há penumbra. Sentimos a pulsação de quem nos amamenta, o cheiro agradável e o colo da mãe. Procedendo assim, começamos a atribuir sentidos às coisas que nos cercam, as quais constituem nossas leituras iniciais e nos preparam para o ato de ler a palavra escrita. A autora diz ainda que a leitura, apesar de se desencadear na convivência, é um ato solitário, ou seja, ninguém ensina ninguém a ler, cada um desenvolve sua leitura na interação com os outros e com o mundo. Apesar de ser um ato solitário, a leitura pode ser facilitada ou dificultada pelo modo como é direcionada, defendendo que as condições internas e externas também influenciam na leitura. É nesse aspecto que, muitas vezes no ensino da leitura na escola, ainda prevalece a pedagogia do sacrifício, do aprender por aprender, sem se colocar o porquê, como e para quê. Isso impede o aluno de compreender a funçãoda leitura, assim como sua importância dentro e fora da escola. Na tirinha de Hagar, o Terrível, vemos que o protagonista das aventuras bárbaras desconhece a importância da leitura, chegando a questionar a preferência do filho por leitura e não por conquistas. Mas o bárbaro logo se vê diante de um enigma: descobrir o que significa a palavra crepúsculo, cuja decodificação será primordial para resistir ao ataque viking. Observemos também que, enquanto Hagar lê demoradamente o bilhete, o sol se põe e a noite chega, levando, assim, implicitamente, o bárbaro e seus companheiros ao perigo. Nesse caso, a leitura considerada inútil pelo bárbaro é condição para vencer ou perder uma batalha. Então, o que é leitura? Ler é uma atividade muito mais complexa do que a simples interpretação dos símbolos gráficos, de códigos, requer que o indivíduo seja capaz de interpretar o material lido, comparando-o e incorporando-o à sua bagagem pessoal, ou seja, requer que o indivíduo mantenha um comportamento ativo diante da leitura. Para que isso aconteça, é necessário que haja maturidade para a compreensão do material lido, senão tudo cairá no esquecimento ou ficará armazenado em nossa memória sem uso, até que tenhamos condições cognitivas para utilizar. As nossas experiências culturais, sociais e políticas interferem no processo de compreensão da leitura. Dessa forma, é importante que tenhamos em mente que o ato de ler não se restringe à decodificação mecânica de textos escritos, pois, segundo a autora, o processo da leitura se configura gradualmente. Inicialmente, devemos observar que em um primeiro momento, ler é uma capacidade cerebral e requer experiência: não basta apenas conhecermos os códigos, a gramática, a semântica - é preciso que tenhamos um bom domínio da língua. Posteriormente, é interessante que façamos uma pré-leitura ou leitura inspecional, que tem duas funções específicas: primeiro, prevenir para que a leitura posterior não nos surpreenda e, segundo, para que tenhamos chance de escolher qual material leremos, efetivamente. Na verdade, é nossa primeira impressão sobre o livro, na qual perguntamos: EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 56 • Por que ler este livro? • Será uma leitura útil? • Dentro de que contexto ele poderá se enquadrar? Tais perguntas devem ser revistas durante as etapas que se seguem, procurando usar de imparcialidade quanto ao ponto de vista do autor e o assunto, evitando preconceitos, já que se você se propuser a ler um livro sem interesse, com olhar crítico, rejeitando-o antes de conhecê-lo, provavelmente o aproveitamento será muito baixo. LER é: · Armazenar informações · Desenvolver e ampliar horizontes · Compreender o mundo · Comunicar-se melhor · Escrever melhor · Relacionar-se melhor com o outro Caro aluno, depois de vasculharmos e analisarmos bem o livro na pré-leitura é imprescindível que saibamos em qual gênero o livro se enquadra: trata-se de um romance, um tratado, um livro de pesquisa e, neste caso, existe apenas teoria ou são inseridas práticas e exemplos5. É bom lembrar que, de uma forma geral, passamos por diferentes níveis ou etapas até termos condições de aproveitar totalmente o assunto lido. Essas etapas ou níveis são cumulativos e vão sendo adquiridas pela vida, estando presente em praticamente toda a nossa leitura. Maria Helena Martins argumenta também sobre o caráter dinâmico e circunstancial da leitura, apresentando os três níveis de leitura – nível sensorial, nível emocional e nível racional – os quais constituem uma inter-relação e simultaneidade, desencadeadas e percebidas conforme a experiência, o interesse do leitor, das expectativas e das condições do contexto em que se insere. O primeiro deles é o Nível Sensorial, cuja característica relaciona-se às respostas que damos aos estímulos. É assim que a criança começa a “ler”: percebendo o cheiro, o gosto, sentindo o que é quente ou frio, e é assim que nós desenvolvemos esse aspecto da leitura, já que mesmo na leitura de um livro, primeiramente ele é tateado, tem suas páginas cheiradas e as gravuras, vistas. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 57 Logo após, o Nível Emocional. É nesse nível que nossas emoções são despertadas conforme as situações, os ambientes, as conversas causais, levando-nos a lugares ou tempos outros, causando satisfação ou insatisfação. Nesse aspecto, o leitor se deixa envolver pelos sentimentos que o texto lhe desperta. Sua atitude é de formação de opinião, tendendo ao irracional. Já no Nível Racional, a leitura liga-se aos aspectos intelectuais, buscando do texto apenas o objeto lido, sem considerar o contexto em que foi criado: ocorrerá a valorização do caráter reflexivo, dialético. É interessante não perdermos a noção de que a leitura racional acrescenta à sensorial e à emocional o fato de estabelecer uma ponte entre o leitor e o conhecimento, a reflexão, a reordenação do mundo objetivo, possibilitando-lhe, no ato de ler, atribuir significado ao texto e questionar tanto a própria individualidade como o universo das relações sociais. Assim, caro aluno, a leitura sensorial tende ao imediatismo, o emocional ao conservadorismo e o racional ao progressismo, mas que em função da dinamicidade da leitura, inter-relacionam-se no ato de ler. Vamos praticar um pouco? O texto que vem a seguir é um fragmento da peça “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna. Vamos lê-lo para responder as questões seguintes? CHICÓ – Mas, padre, não vejo nada de mal em se benzer o bicho. JOÃO GRILO – No dia em que chegou o motor novo do major Antônio Morais o senhor não benzeu? PADRE – Motor é diferente, é uma coisa que todo mundo benze. Cachorro é que eu nunca ouvi falar. CHICÓ – Eu acho cachorro uma coisa muito melhor do que motor. PADRE – É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo o cachorro. Benzer motor é fácil, todo mundo faz isso, mas benzer cachorro? JOÃO GRILO – É, Chicó, o padre tem razão. Quem vai ficar engraçado é ele e uma coisa é benzer motor do major Antônio Morais e outra benzer o cachorro do major Antônio Morais. PADRE – (mão em concha no ouvido) Como? JOÃO GRILO – Eu disse que uma coisa era o motor e outra o cachorro do major Antônio Morais. PADRE – E o dono do cachorro de quem vocês estão falando é Antônio Morais? JOÃO GRILO – É. Eu não queria vir, com medo de que o senhor se zangasse, mas o major é rico e poderoso e eu trabalho na mina dele. Com medo de perder meu emprego, fui forçado a obedecer, mas disse a Chicó: o padre vai se zangar. PADRE – (desfazendo-se em sorrisos) Zangar nada, João! Quem é um ministro de Deus para ter direito de se zangar? Falei por falar, mas também vocês não tinham dito de quem era o cachorro! JOÃO GRILO – (cortante) Quer dizer que benze, não é? PADRE – (a Chicó) Você o que é que acha? JOÃO GRILO – (a Chicó) Você o que é que acha? CHICÓ – Eu não acho nada demais. PADRE – Nem eu. Não vejo mal nenhum em se abençoar as criaturas de Deus. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 58 1. No início do texto, há uma discussão entre Chicó, João Grilo e o padre sobre o ato de benzer um cachorro. De acordo com sua experiência, qual dos três debatedores representa a autoridade mais credenciada para decidir sobre a questão posta em debate? Explique por quê. 2. Levando em conta as opiniões que circulam durante a discussão, qual é o parecer do padre sobre a validade de benzer o cachorro? Que argumento ele usa para apoiar sua opinião? 3. Qual é o parecer de Chicó e de João Grilo? Que argumento os dois utilizam a favor de benzer o cachorro? 4. Até esta altura do debate, o padre demonstra em seu ponto de vista uma atitude autônoma? Por quê? 5. Numa outra intervenção, João Grilo apela nesta altura de maneira explícita para um argumento. Qual é esse argumento? Como o padre reage a esse argumento? 6. Napenúltima fala de João Grilo, ele revela que não queria vir, mas veio por pura submissão ao major, pois sabia que o padre ia zangar-se. O padre se zangou, conforme previa João Grilo? Por quê? 7. Em que sentido o texto apresentado encerra uma crítica ao modo como o padre comanda a sua paróquia? Você chegou a essa resposta fazendo uma leitura sensorial, emocional ou racional? Explique. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, Antônio Suárez. Curso de Redação. 12.ed, São Paulo: Ática, 2004 FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1988. FULGÊNCIO, Lucia e LIBERATO, Yara. Como Facilitar a Leitura. 7.ed.São Paulo: Contexto, 2003. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. 2.ed. São Paulo: Brasiliense, 1998 PLATÃO & FIORIN. Lições de Texto. São Paulo: Ática, 1997. _______________. Para Entender o Texto: Leitura e Redação. São Paulo: Ática, 1998. MOISÉS, Massaud. Dicionário de Termos Literários. São Paulo: Cultrix, 1998. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 59 Os níveis de leitura Estruturas superficial, intermediária e profunda. Objetivo: Conhecer os níveis de leitura de um texto: estruturas superficiais, intermediárias e profundas. Palavras-chaves: níveis de leitura, conhecimento de mundo. Como fazer uma boa leitura? Conhecimento lingüístico é o conhecimento que faz com que o indivíduo fale uma língua como falante nativo. É o que acontece quando falamos português, obedecendo a todas as regras da língua. O conhecimento sobre o uso da língua. Já sabemos que todos nós precisamos adotar alguns procedimentos, hábitos para melhorar o rendimento possível da leitura de um texto. Mas para respondermos a essa pergunta é preciso antes destacar que não existe uma resposta única e fechada, ou seja, uma solução ou fórmula mágica. Conhecimento de Mundo é uma espécie de dicionário enciclopédico do mundo e da cultura, armazenado na memória. Pode-se afirmar que para que haja uma leitura proveitosa, além do conhecimento lingüístico propriamente dito, é necessário que tenhamos um repertório de informações exteriores ao texto, o que se costuma chamar de conhecimento de mundo. Ambíguo: que tem dois ou mais sentidos. Devemos nos lembrar que, às vezes, quando um texto é ambíguo, é o conhecimento de mundo que o leitor tem dos fatos que permite fazer uma interpretação adequada do que se lê. Para exemplificar, vamos observar a questão seguinte, extraída de um vestibular da UNICAMP: “As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fitas de sexo explícito. A decisão atende a uma portaria de dezembro de 1991, do Juizado de Menores, que proíbe que as casas de vídeo aluguem, exponham e vendam fitas pornográficas a menores de 18 anos. A portaria proíbe ainda os menores de 18 anos de irem a motéis e rodeios sem a companhia ou autorização dos pais.” AULA 8: EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 60 Pela posição em que se situa a expressão: sem a companhia ou autorização dos pais permite a interpretação de que com a companhia ou autorização dos pais os menores podem ir a rodeios ou motéis. Só que o nosso conhecimento de mundo nos adverte de que essa interpretação é estranha e só pode ter sido produzida por engano do redator. É muito provável que ele tenha tido a intenção de dizer que: os menores estão proibidos de ir a rodeios sem a companhia ou autorização dos pais e de freqüentarem motéis. Percebemos, então, que é o conhecimento de mundo que nos permite reconhecer a ambigüidade do texto em questão. Platão2 assinala que o aluno deve observar três questões básicas durante a leitura de um texto. I - Qual é a questão de que o texto está tratando? Ao tentar responder a essa pergunta, o leitor será obrigado a distinguir as questões secundárias da principal, isto é, aquela em torno da qual gira o texto inteiro. Quando o leitor não sabe dizer do que o texto está tratando, ou sabe apenas de maneira genérica e confusa, é sinal de que ele precisa ser lido com mais atenção ou de que o leitor não tem repertório suficiente para compreender o que está diante de seus olhos. II - Qual é a opinião do autor sobre a questão posta em discussão? Pelo texto, é possível notar vários indicadores da opinião de quem escreve. Por isso, uma leitura competente não terá dificuldade em identificar essa opinião. Não saber dar resposta a essa questão é um sintoma de leitura desatenta e dispersiva. III - Quais são os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a opinião dada? EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 61 Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para convencer o leitor de que ele está falando a verdade. Saber reconhecer os argumentos do autor é também um sintoma de leitura bem feita, um sinal claro de que o leitor acompanhou o desenvolvimento das idéias. Na verdade, entender um texto significa acompanhar com atenção o seu percurso argumentativo. É bom lembrar que no primeiro contato com qualquer texto, por mais simples que ele pareça, normalmente nos defrontamos com a dificuldade de encontrar determinada unidade por trás de tantos significados que ocorrem na superfície. É por isso que Platão e Fiorin acreditam que há três níveis de leitura: uma estrutura superficial, em que afloram os significados mais concretos e diversificados. É nesse momento que podem ser destacados o narrador, os personagens, os cenários, o tempo e as ações concretas; uma estrutura intermediária, em que se definem basicamente os valores com que os diferentes sujeitos entram em acordo ou desacordo; uma estrutura profunda, em que ocorrem os significados mais abstratos e mais simples. É nesse nível que se podem postular dois significados abstratos que se opõem entre si e garantem a unidade do texto inteiro. Vamos entender um pouco mais sobre esses três níveis de leitura analisando a fábula a seguir? O Vento e o Sol “O vento e o sol estavam disputando qual dos dois era o mais forte. De repente, viram um viajante que vinha caminhando. - Sei como decidir nosso caso. Aquele que conseguir fazer o viajante tirar o casaco, será o mais forte. Você começa, propôs o sol, retirando-se para trás de uma nuvem. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 62 O vento começou a soprar com toda a força. Quanto mais soprava, mais o homem ajustava o casaco ao corpo. Desesperado, então o vento retirou-se. O sol saiu de seu esconderijo e brilhou com todo o esplendor sobre o homem, que logo sentiu calor e despiu o paletó.” (O amor constrói, a violência arruína) Podemos depreender, a partir do primeiro nível de leitura, os seguintes significados: • Os personagens vento e o sol disputam qual dos dois é o mais forte; • O vento acredita que pode resolver a disputa quem fizer o viajante tirar o casaco mais depressa; • O sol propõe que o vento seja o primeiro, já pensando em uma estratégia; • O viajante não tira o casaco, pois o vento é forte demais; • O sol, articulista, aparece “com todo o esplendor sobre o homem”, que logo retira o casaco. Em um nível intermediário, os dados concretos podem ser organizados e definidos em um plano mais abstrato: • O vento acredita que usando a força, a violência vai conseguir fazer com que o viajante tire o casaco; • O sol utilizou uma estratégia mais simples, mais pacífica; • No desespero, o vento percebeu que sua estratégia não tinha dado certo e o sol, que tinha se afastado atrás das nuvens, observa a ação incoerente do vento e arma-se com uma nova estratégia. Em um nível mais profundo, podemos imaginar uma leitura ainda mais abstrata, que resume o texto todo: • Num primeiro momento existe a disputa de quem é o mais forte; • Afirmação da força (vento) negação da forma, da violência • Afirmação da pacificaçãoVamos trabalhar os níveis de leitura? Na fábula abaixo, analise os três níveis de leitura: estrutura superficial, intermediária e profunda: EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 63 O Camundongo da Cidade e o do Campo3 Um camundongo que morava na cidade foi, uma vez, visitar um primo que vivia no campo. Aquele era um pouco arrogante e espevitado, mas o camundongo do campo queria muito bem ao primo, de maneira que o recebeu com muita satisfação. Ofereceu- lhe o que tinha de melhor: feijão, toucinho, pão e queijo. O camundongo da cidade torceu o nariz e disse:- Não posso entender, primo, como você consegue viver com estes pobres alimentos. Naturalmente, aqui no campo, é difícil obter coisa melhor. Venha comigo e eu lhe mostrarei como se vive na cidade. Depois que passar lá uma semana, você ficará admirado de ter suportado a vida no campo. Os dois puseram-se, então, a caminho. Tarde da noite, chegaram à casa do camundongo da cidade. Certamente você gostará de tomar um refresco, após esta caminhada, disse ele polidamente ao primo.Conduziu-o à sala de jantar, onde encontraram os restos de uma grande festa. Puseram-se a comer geléias e bolos deliciosos. De repente, ouviram rosnados e latidos. - O que é isto? Perguntou, assustado, o camundongo do campo. - São, simplesmente, os cães da casa, respondeu o da cidade. - Simplesmente? Não gosto desta música, durante o meu jantar. Neste momento, a porta se abriu e apareceram dois enormes cães. Os camundongos tiveram que fugir a toda pressa. - Adeus, primo, disse o camundongo do campo. Vou voltar para minha casa no campo. - Já vai tão cedo? perguntou o da cidade. - Sim, já vou e não pretendo voltar, concluiu o primeiro.”(Mais vale o pouco certo, que o muito duvidoso) 1 – Estrutura superficial 2 – Estrutura intermediária 3 – Estrutura profunda Neste outro exercício, você deverá ler o texto e responder as questões abaixo: Os Moralistas Luis Fernando Veríssimo — Você pensou bem no que vai fazer, Paulo? — Pensei. Já estou decidido. Agora não volto atrás. — Olhe lá, hein, rapaz... EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 64 Paulo está ao mesmo tempo comovido e surpreso com os três amigos. Assim que souberam do seu divórcio iminente, correram para visitá-lo no hotel. A solidariedade lhe faz bem. Mas não entende aquela insistência deles em dissuadi-lo. Afinal, todos sabiam que ele não se acertava com a mulher. — Pense um pouco mais, Paulo. Reflita. Essas decisões súbitas... — Mas que súbitas? Estamos praticamente separados há um ano! — Dê outra chance ao seu casamento, Paulo. — A Margarida é uma ótima mulher. — Espera um pouquinho. Você mesmo deixou de freqüentar nossa casa por causa da Margarida. Depois que ela chamou vocês de bêbados e expulsou todo mundo. — E fez muito bem. Nós estávamos bêbados e tínhamos que ser expulsos. Outra coisa, Paulo. O divórcio. Sei lá. — Eu não entendo mais nada. Você sempre defendeu o divórcio! — É. Mas quando acontece com um amigo... — Olha, Paulo. Eu não sou moralista. Mas acho a família uma coisa importantíssima. Acho que a família merece qualquer sacrifício. — Pense nas crianças, Paulo. No trauma. — Mas nós não temos filhos! — Nos filhos dos outros, então. No mau exemplo. — Mas isto é um absurdo! Vocês estão falando como se fosse o fim do mundo. Hoje, o divórcio é uma coisa comum. Não vai mudar nada. — Como, não muda nada? — Muda tudo! — Você não sabe o que está dizendo, Paulo! Muda tudo. — Muda o quê? — Bom, pra começar, você não vai poder mais freqüentar as nossas casas. — As mulheres não vão tolerar. — Você se transformará num pária social, Paulo. — O quê?! — Fora de brincadeira. Um reprobo. — Puxa. Eu nunca pensei que vocês... — Pense bem, Paulo. Dê tempo ao tempo. — Deixe pra decidir depois. Passado o verão. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 65 — Reflita, Paulo. É uma decisão seriíssima. Deixe para mais tarde. — Está bem. Se vocês insistem... — Na saída, os três amigos conversam: — Será que ele se convenceu? — Acho que sim. Pelo menos vai adiar. — E no solteiros contra casados da praia, este ano, ainda teremos ele no gol. — ambém, a idéia dele. Largar o gol dos casados logo agora. Em cima da hora. Quando não dava mais para arranjar substituto. — Os casados nunca terão um goleiro como ele. — Se insistirmos bastante, ele desiste definitivamente do divórcio. — Vai agüentar a Margarida pelo resto da vida. — Pelo time dos casados, qualquer sacrifício serve. — Me diz uma coisa. Como divorciado, ele podia jogar no time dos solteiros? — Podia. — Impensável. — É. — Outra coisa. — O quê? — Não é reprobo. É réprobo. Acento no “e”. — Mas funcionou, não funcionou? 1 – O produtor do texto construiu uma narrativa com vários personagens. No nível superficial, situe e explicite as características básicas dos personagens de Paulo e seus amigos. 2 – Num nível mais abstrato da leitura, os personagens da narrativa cultivam os mesmos valores referentes à atitude de Paulo? 3 – O texto é construído a partir da oposição: moralismo x falso moralismo. Num nível mais profundo, esses conceitos se confundem, são relativos ou eles são absolutos na narrativa? Fábula é uma narrativa curta, geralmente protagonizada por animais irracionais, cujo comportamento deixa transparecer uma alusão aos seres humanos. É, muitas vezes, identificada com a parábola ou com o apólogo, em razão da moral, implícita ou explícita. EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 66 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, Antônio Suárez. Curso de Redação. 12.ed, São Paulo: Ática, 2004 DUBOIS et al. Dicionario de Lingüística. São Paulo: Cultrix, 1998. FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e Coerência Textuais. 9.ed, São Paulo: Ática, 2002. FULGÊNCIO, Lucia e LIBERATO, Yara. Como Facilitar a Leitura. 7.ed.São Paulo: Contexto, 2003. KLEIMAN, Ângela. Leitura: Ensino e Pesquisa. Campinas: Pontes, 1989. KOCH, Ingedore Villaça. A Inter-Ação pela Linguagem. São Paulo: Contexto, 1997. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. 2.ed. São Paulo: Brasiliense, 1983 PLATÃO & FIORIN. Lições de Texto. São Paulo: Ática, 1997. _______________. Para Entender o Texto: Leitura e Redação. São Paulo: Ática, 1998. VERÍSSIMO, Luis Fernando. As Mentiras que os Homens Contam, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, pág. 41. Aula 2 Dólar perde para o real pelo 8º mês e bancos erram previsões http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u93027.shtml Aula 3 Só uma “Revolução Americana” pode nos ajudar Este texto não está na íntegra. Pode ser encontrado na página http://www.geocities.com/ cronistaarnaldo/index2.htm A Contabilidade como instrumento do gerenciamento ambiental Texto capturado do site http://www.fipecafi.com.br/public_artigos/maisa/ portugal_anais.pdf Aula 4 A Pesca http://www.pead.letras.ufrj.br/tema09/textoecoerencia.html Cidadezinha qualquer http://biblioweb.dgsca.unam.mx/horizonte/brasil/drumm6.html Irene Manuel Bandeira in http://educaterra.terra.com.br/literatura/poesiamoderna/ poesiamoderna_2.htm A metas regras de coerência ABREU, Antonio Suaréz. Curso de Redação. São Paulo: Ática, 2004. Identifique em cada um dos textos a seguir a meta-regra de coerência que foi infrigida EAD UNITINS / EDUCON - COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - ADMINISTRAÇÃO 67 Esses textos foram retirados da obra de Ross e Kathryn Petras, traduzida por Ruy Jungmann, intitulada O Melhor do Besteirol apud ABREU, Antonio Suaréz. Oficina de redação. São Paulo: Ática,2004, p. 45 e 46. O Pulso http://titas.letras.terra.com.br/letras/48989/ Desafios para o desenvolvimento institucional http://www.rits.org.br/gestao_teste/ge_testes/ge_tmes_dez99.cfm Aula 6 Segmentação do Ensino Superior: @prender Virtual/março/abril/2003,p. 15 aula 7 http://www.portrasdasletras.com.br Auto da Compadecida Suassuna, Ariano. Auto da Compadecida. São Paulo: Agir, 2001 Aula 8 Platão e Fiorin Francisco Platão Savioli é Professor e Autor de Português do Anglo Vestibulares e também Professor Assistente Doutor de Língua Portuguesa, Redação e Expressão Oral do Departamento de Comunicações e Artes da ECA-USP. O vento e o sol http://www.mundoimaginario.com/Contos/vento_sol.htm O Camundongo da Cidade e o do Campo Fábula retirada do site http://www.clubedobebe.com.br/HomePage/Fabulas/ fabulasdeesopo1.htm Os Moralistas http://www.releituras.com/lfverissimo_moralistas.asp