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Aula 4 – Clínica de Pequenos Animais Sistema Digestório Importante saber o aspecto do vômito. Ex: Vômito Fecalóide vai para cirurgia de emergência. Quando ocorre o vômito pode pensar que seja uma toxina no sangue (que estimula a zona quimiorreceptora de disparo) ou alguma irritação no estômago que estimula o vômito. Ex: Álcool irrita a mucosa do estômago por isso causa vômito. Vômito de Cinetose: Relacionado ao movimento, quando está dentro de ônibus, curvas, ... Um cachorro pode vomitar por estresse. Centro do vômito - mediada pela via histaminérgica e colinérgica muscarínica. O fato do alimento não estar digerido, não significa que é regurgitação, pode ser vômito. Regurgitação - Alimento está no esôfago, anda não chegou ao estômago. Vômito – Alimento vem do estômago e até mesmo do intestino. Estômago – Ácido clorídrico é quase virtual, só irá ser acionado após comer, não é “piscina” como em desenhos. Tem que tratar animais com êmese, diarreias, primeiros sintomas e depois pesquisar a causa deles e tratar por completo. Antiemético – Para animal parar de vomitar, pois a mucosa do esôfago não é preparada para receber ácido clorídrico advindo do estômago através do vômito. Exemplo: Ondansetrona. Maropitant (Cerenia) – É um anti emético mais efetivo, em casos refratários, ou seja, que não respondem o tratamento com ondansetrona, porem tem um alto valor. O vômito só pode ser provocado se o animal estiver consciente, se a substância não for irritante e se ele ingeriu em curto espaço de tempo. Caso seja para eliminar algo tóxico, será um único vômito (dar água oxigenada via oral para provocar vômito), e se a substância for irritante, o animal será anestesiado, e fará abertura no estômago para uma limpeza. Se a substância tóxica for um metal aplica um quelante. Diarreia – Deixa o animal ter, e vai repondo líquidos realizando uma fluido. Produção do ácido clorídrico Produzido fora das células parentais, porque senão seria um “suicídio celular”, juntar dentro dela Hidrogênio + Cloreto = Ácido Clorídrico. Troca o Potássio pelos íons Hidrogênio, então joga o hidrogênio dentro da luz do estômago e o cloreto já estava lá. Bomba de prótons é estimulada pelo HORMÔNIO GASTRINA para estimular ácido clorídrico nas células parentais. Ela é ativada quando se alimenta, e o pH do estômago muda ficando mais alcalino. A gastrina ela faz a produção do ácido clorídrico diretamente pela célula parental ou indiretamente pela via muscarínica. Ranitidina e Omeprazol são antiácidos – protetores de mucosas. Cloridrato de Ranitidina – Antagonista H2. É menos potente comparado ao Omeprazol, porque mesmo inibindo antagonista, terá outra via para ser produzido o ácido clorídrico. Omeprazol/ Nexium – Inibidor de Bomba de prótons. É o mais potente, porque o ácido clorídrico não conseguira ser produzido. Nexium é mais potente de todas, em casos de gastrites fortes. Ação em 1 hora. As vezes faz associação de Omeprazol com Ranitidina, porque o pico de ação máximo do Omeprazol demora de 3 a 5 dias. Para gastrites a Ranitidina não serve de nada. Omeprazol (tomar pela manhã e em jejum, potencializa o efeito). Quando com inflamações, como gastrite, não se deve tomar leite, porque tem cálcio, e o mesmo produz mais a produção de ácido clorídrico. Mucosas cicatrizam rapidamente, desde que tenha nutrientes e oxigênio, ambos via circulação sanguínea. Úlceras já perderam a mucosa, submucosa e está inflamando a muscular. ATB para sistema digestório – METRONIDAZOL porque pega bactérias anaeróbias. Ajuda a pegar GIÁRDIA e tem mecanismos que auxiliam a desinflamar o intestino. Doenças do Sistema Digestório Gatos são animais que param de comer por qualquer motivo. Examinar sempre a cavidade oral deles quando o mesmo parar de comer. Pode ter estomatite (como se fosse afta) – que é uma doença secundária a calicivirose (doença do trato respiratório felino), granuloma eosinofilico (doença a doença imunomediada, com formação de placas com infiltrado eosinofilico) ou neoplasias (malignas ou benignas). Esofagite - Inflamação da parede esofágica pode ocorre de tanto vomitar. Animal apresenta perda de apetite, sialorreia, vômito. Tem que fazer uma boa anamnese para saber de seu histórico, porque esofagite em si não se diagnostica. Vômitos crônicos não são normais, indicio de esofagite. Etiologia – Refluxo gastroesofágico, ingestão de substâncias irritantes. Diagnóstico: Raios-X ou US não diagnosticam a esofagite, e sim a endoscopia. Tratamento para esofagite: Anti - emético (ondansetrona), antiácido (ranitidina e omeprazol), protetor de mucosa (sucralfato). Megaesôfago/ Dilatação Esofágica – Acomete animais adultos jovens. É uma dilatação total ou parcial do esôfago, geralmente decorrente de alteração de sua motilidade esofágica (esôfago não contrai mais e a comida volta e ocorre regurgitação) ou doença esofágica obstrutiva. Regurgitação ocorre com muita frequência. Diagnostico: Radiografia simples ou contrastada. Sintomas: Anorexia ou apetite voraz, regurgitação, emagrecimento, fraqueza muscular que pioram com exercícios e tosse produtiva e secreção nasal em caso de pneumonia aspirativa. Tratamento: Alimentação pastosa em posição bipedal, porem tem que manter animal nessa posição de 20-30 minutos, senão causa pneumonia aspirativa, devido a ele engolir saliva. Em casos de pneumonia aspirativa, realizar antibioticoterapia, correção cirúrgica e ATB em casos envolvendo pneumonia. Colocação de tubo esofágico ou gástrico, não é recomendada porque ele vai continuar tendo pneumonia aspirativa, devido a engolir saliva. Em casos envolvendo filhotes pode ser um megaesôfago, decorrente da persistência do 4º arco aórtico direito. Vai ocorrer regurgitação pós desmame caquexia, prejuízo de crescimento, tosse produtiva e secreção nasal. Radiografia também usa para diagnostico, e usa o mesmo tratamento para outros casos. Megaesôfago idiopático pode acometer cães e gatos. As raças schnauzer, Fox terrier, pastor alemão, dogue alemão, setter irlandês e sharpey são predispostas. Gastrite Aguda - inflamação da mucosa gástrica, decorrente da quebra da barreira protetora da mucosa gástrica e aumento da produção de HCl. Vômitos não são os maiores sintomas. Causas – AINES (maior causa), corticosteroides, dieta inadequada, agentes irritantes, doenças metabólicas, corpo estranho, pancreatite, doenças metabólicas, corticosteroides. Sintomas – Anorexia, emese e melena (Fezes enegrecidas, advindas de um sangramento intestinal ou gastrointestinal, são o mais importante). Em casos graves hematêmese, raramente dor abdominal e postura anti-álgica. Diagnostico – Tratar os sintomas e boa anamnese para saber o histórico. Tratamento – Manejo alimentar (não pode dar gordura, ração gastrointestinal, ou comida caseira sem muitos temperos, com arroz, frango cozido, cenoura), ondansetrona, ranitidina, omeprazol (em casos mais graves). Não dar AIE principalmente em animais velhinhos, porque causa insuficiência renal. Gastrites Inflamatórias/ Crônicas – Doença inflamatória da mucosa gástrica, de causa geralmente desconhecida, caracterizada por um infiltrado inflamatório na mucosa e submucosa. Vômitos crônicos (recorrentes por longos períodos) que não respondem a nenhum tratamento podem estar relacionados a esse tipo de gastrite, e o ideal é realizar uma biópsia por laparotomia (melhor método) ou por endoscopia (como o vômito é longo período, então o animal terá uma inflamação na mucosa), mas existem outras possibilidades, como manejo alimentar, neoplasias (linfoma, carcinoma), doenças renais ou hepáticas, hipoadrenocorticismo, uso crônico de AINES. Realizam-se exames complementares como eliminação de doenças e chegar ao diagnóstico. Ao realizar a biópsia, terá um infiltrado inflamatório na mucosa e submucosa, que pode ter como base linfócitos, plasmócitos, os dois (linfocitica-plasmocitica), eosinofilos (estes relacionados à resposta alérgica). Após realizar a biópsia, fazerhistopatológico. Linfócitos – Células de defesa do sistema imune. Eosinófilos – Células de defesa de respostas alérgicas. Gastrite Linfocitica Plasmocitica (principal sintoma o vômito) é a doença inflamatória intestinal. Enterite (principal sintoma a diarreia). Comum em gatos. Proteína da dieta na qual o animal tem sensibilidade. Relacionada a Triadite Felina (pega 3 órgãos diferentes uma mesma doença). Diagnostico: Biópsia para diferenciar de um linfoma (uma neoplasia). Gatos não devem vomitar. Os gatos que vomitam cronicamente, muito provável que tenham uma gastrite inflamatória (doença local) ou doença inflamatória intestinal (continuação de gastrite). Eles acabam adquirindo essa doença devido a uma resposta imune mediada, devido alguma proteína advinda da dieta. A dieta nova para o animal terá que ser uma proteína inédita ou hidrolisada para ele, uma proteína que ele nunca comeu. Se não tratar essa inflamação pode recorrer para uma neoplasia (por exemplo, linfoma gástrico – comum em gatos, carcinoma). Tratar com ondansetrona e omeprazol (devido aos vômitos). Doença imune mediada trata com cortisona (prednisona), mas tem que prestar atenção, porque se ocorrer de ser um tumor e aplicar cortisona acaba por atrapalhar a quimioterapia. Se sair sangue nas fezes, mas for pouquíssimo e no próximo não se repetir, o motivo é porque o intestino é muito vascularizado, mas se tiver volume grande de sangue nas fezes, então motivo de preocupação. Intestino Delgado – Digestão e absorção do alimento. Diarreia mais grossa dá uma vez e depois fica bem. Tem gases. Intestino Grosso – Absorção de água. Diarreia em spray, totalmente liquida e ocorre novamente em questões de minutos. Muco está presente no intestino grosso para ajudar na lubrificação das fezes. Colite – Fezes com muco. Fica amarelado e com sangue. A diarreia em si não mata o que morre é a desidratação que ela causa, com perda de liquido nas fezes. Geralmente ocorre quando é a diarreia de intestino grosso. Animal esta com diarreia e precisa mudar a alimentação, tem que falar para proprietário que o animal tem que evitar dar gordura, e dar alimentos com maior digestibilidade, como uma ração gastrointestinal, comida caseira com arroz, frango cozido, cenoura tudo com pouco tempero. Perguntar sempre proprietário o que ele notou de diferente no animal, assim o mesmo dará bastantes detalhes. Parvovirose / Coronavirose (é uma gastroenterite hemorrágica viral) também tem como sinal clinico a diarreia (fezes pastosas ou liquidas, de odor fétido, associado à anorexia total ou parcial, emese e desidratação). Afeta filhotes e jovens. Há uma evolução progressiva e rápida. Após odor fétido (dado pelo sangue), o final do cheiro é ferrugem (devido Ferro perdido nas fezes, advindos da hemoglobina que é perdida no sangue). Diagnostico para Gastroenterite hemorrágica viral – Hemograma é para monitorar a paciente, mas não para dar diagnostico. Glicemia (porque na maioria dos casos estarão hiperglicêmicos). Tratamento – Fluidoterapia (base do tratamento), ondansetrona e ranitidina, ATB (para evitar sepse). Verminoses – Acometem animais filhotes ou jovens. Animais com verminoses não param de comer, e ainda eles podem ter apetites depravados, comendo terras, paredes, entre outros. Animais com Giárdia também não param de comer, continuam felizes e brincando. Realiza o exame Coproparasitologico para o diagnóstico. Se der positivo, ele tem a doença, porem se der negativo, não significa que eles estão livres da doença, porque giárdia é um verme intermitente, que realizar novamente exame para ter certeza. Faz o Coproparasitologico 3 vezes (3 dias seguidos) e se todas as vezes der negativo, então pode afirmar que ele não tem esse parasita. Tratamentos para giárdia tem que ser feito em todos os animais da casa, e lavando seus pertences e eles mesmos, pois é um parasita que reinfesta. Todas as verminoses são tratadas da mesma maneira. Exame Coproparasitologico para ver ovos, esse exame para saber se há vermes ou não, mas se o animal defecar vermes, não será necessário. Os que causam mais problemas são os nematoides (ancylostoma, trichuris, toxicara), podem causar diarreia. Vacinação para GIARDIA e TOSSE DOS CANIS não são obrigatórias, não são essenciais, pois não há uma eficácia comprovada. Medicamento GIARDICID contem metronidazol e sulfa para pegar Giárdia e coccídeos. NEMATOIDES OU VERMES REDONDOS (parecem grãos de arroz) - São eliminados com FENBENDAZOL. CESTOIDES - São eliminados com PRAZIQUANTEL. Usado em dose única e depois de 14 dias repetir a dose, para pegar o ciclo do verme. Não pega ovos somente adultos, e tem que ser antes de 15 dias para não dar tempo de o verme amadurecer. Os animais que usam vermífugos CANEX, DRONTAL, são aqueles assintomáticos ou preventivos. São de amplo espectro. Da uma dose e após 14 dias de outra dose. Quando o animal devido aos vermes, tem uma doença clínica – sintomas, não adianta dar dose única, tem que fazer 3 dias seguidos e após 14 dias repetir mais 3 dias seguidos. Animal com verminoses podem apresentar anemia ferropriva porque os parasitas grudam na parede intestinal. A função do vermífugo é de paralisar o verme, e ele soltara da parede e será eliminada nas fezes, por isso anemia ferropriva porque perde sangue para o ambiente. Úlcera Gástrica – Animal chega a clinica com muita dor abdominal, ofegantes, mas eles ficam apáticos, não ficam gritando de dor. É uma lesão na mucosa gástrica que atinge alem da submucosa, vai ate a muscular. As causas mais comuns são: uso de anti-inflamatórios, corpos estranhos, insuficiência renal ou hepático, neoplasias gástricas. Sintomas: Anorexia, Vômito, Hematemese, melena, dor abdominal, postura anti-álgica. O animal com dor fica prostrado, apático e ofegante. Pode complicar com casos de peritonite e abdômen agudo. Diagnóstico: Endoscopia e biopsia não se fazem em caso de úlcera. Faz uma US. Tratamento: Fluido, diminuir a acidez gástrica e proteger a mucosa. Ondansetrona e maropitan. Ranitidina associado ao omeprazol. Sucralfato. Cirurgia (em caso de peritonite e ou má resposta no tratamento médico). Insuficiência Pancreática Exócrina – deficiência de enzimas pancreáticas (elas fazem a digestão). Causa geralmente idiopática. Ocorre em animais jovens (1 a 5 anos de idade). Animal come muito, mas não engorda. Ele é caquético (muito magro). Tem muita diarreia (de intestino delgado). É um animal feliz, não está mal no sentindo clinico. Não atinge o pâncreas endócrino. Geralmente o animal não tem diabetes associada. Sintomas: Diarreia (no começo é volumosa e vai se tornando muito liquida) e emagrecimento. A polifagia não é muito frequente porque o alimento chega ao estômago, então ele tem saciedade, o contrario de megaesôfago. Diagnostico: TLI em jejum (pelo sangue). Ele tem alta sensibilidade e especificidade. Se der abaixo de 5 ele é considerado IPE. Tratamento: Suplementação com enzima pancreática (pancreatina) e cobalamina (vitamina do complexo B). Não ocorre melhora do dia para noite. Demora por volta de 30 dias, saberá que anima esta melhorando fazendo o monitoramento pelo ganho de peso. Dieta com alta digestibilidade (restrição de gordura e evitar fibras), mas com carboidratos e proteínas. Entrar com ATB (metronidazol) para controlar o crescimento da flora intestinal, em dose muito baixa. Probioticos também pode ser utilizado. Abdômen Agudo (Pancreatite): É muito importante e emergencial. Presença súbita de desconforto ou dor abdominal. O animal fica apático, respira com dificuldade, mas ele não grita. Pancreatite – Inflamação do pâncreas por ativação das enzimas pancreáticas dentro do pâncreas ocorre à autodigestão do pâncreas. Fusão das enzimas. Sempre ao pensar na doença, primeiro pensar em pancreatite, porque é a mais comum. Gorduras estimulam mais o risco de ter pancreatite, porque estimula mais a produção de enzimas pancreáticas por ter menor digestibilidade. Dar anti-inflamatórios, em muitos casos é mais importante para controle do que querercontrolar as próprias enzimas. Se ocorrer sepse o animal morre. Tem que entrar com ATB de amplo espectro. A raça Schnauzer tem grande predisposição. Hiperlipidemia (muita gordura), também faz predisposição. Pancreatite, os sintomas dependem da severidade do quadro. Leve/assintomático – só vomita, estará bem clinicamente. Moderado/Severo – anorexia, êmese, diarreia, dor abdominal, ictérico. Fatal – Choque, dispneia aguda, SIRS (síndrome da resposta inflamatória sistêmica), CID (coagulação intravascular disseminada). Diagnóstico – Dosar a lipase pancreática especifica (PL ou PLI). Ultrassom (dá o diagnostico em 2/3 dos casos e pode verificar outras causas). Tratamento: Analgesia com opiodes, ondansetrona/ranitidina, fluido agressiva com cristaloide (HCl) - para melhorar a perfusão tecidual. Dar dieta sem gorduras, e com batata cozida e macarrão cozido, não é alho e óleo, tudo sem tempero, não é para fazer purê de batata – após ele parar de vomitar. ATB de amplo espectro (enrofloxacina). Não dar plasma porque causa morte por muita reação alérgica que ele pode causar, como edemas pulmonares. Alterações renais, hepáticos, acido-base, pâncreas endócrino, plaquetas – quanto maior as alterações acabam tendo uma maior mortalidade. Se tiver alteração em 4 parâmetros a possibilidade de morte é de 60%. Nesses casos, tem que ficar em cima do paciente o tempo todo monitorando, para conseguir salvá-lo.