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Inflação Ocorre quando há aumento generalizado e contínuo de preços. A contrapartida desse aumento é a perda de poder aquisitivo da moeda. Aceleração inflacionária: quando os preços estão em média subindo cada vez mais, ou melhor, a inflação é cada vez mais alta. Hiperinflação: quando a inflação é tão alta que a perda do poder aquisitivo da moeda faz com que as pessoas abandonem aquela moeda. Deflação: redução generalizada dos preços. Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. As fontes de inflação costumam se diferir em função das condições de cada país: tipo de estrutura de mercado (oligopolista, concorrencial), que condiciona a capacidade dos vários setores de repassar os aumentos de custos aos preços dos produtos. grau de abertura da economia ao comércio exterior: quanto mais aberta à economia à competição externa, maior a concorrência interna entre fabricantes, e menores os preços dos produtos. estrutura das organizações trabalhistas: quanto maior o poder de barganha dos sindicatos, maior a capacidade de obter reajuste dos salários acima dos índices de produtividade, e maior a pressão sobre os preços. Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Tipos de inflação: Inflação de demanda: deve-se a existência de excesso de demanda em relação à produção disponível. Essa inflação ocorre quando ocorre aumento da demanda não acompanhado pela oferta; portanto é mais provável que ela apareça quanto maior for o grau de utilização da capacidade produtiva da economia, isto é, quanto maior estiver do pleno emprego. Para combater um processo de inflação de demanda, a política econômica deve basear-se em instrumentos que provoquem redução da procura agregada por bens e serviços (como redução dos gastos do governo, aumento da carga tributária, arrocho salarial, controle de crédito e elevação da taxa de juros). Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Inflação de custos: pode ser considerada uma inflação de oferta, que ocorre do aumento de custos das empresas repassadas para preços. Com isso, ocorre uma retração da produção, deslocando a curva de oferta do produto para trás, provocando um aumento dos preços de mercado. As causas mais comuns dos aumentos de custos são: - aumento dos preços das matérias-primas: aumentos dos preços agrícolas, não sazonais, devido os fatores como geadas e secas, se caracterizam como uma inflação de custos. Outro exemplo foi a crises do petróleo do petróleo na década de 1970, ao elevar os preços dessa matéria-prima, provocaram um aumento brutal nos custos de produção. - aumentos salariais: um aumento das taxas de salários que supere os aumentos na produtividade da mão-de-obra acarreta um aumento dos custos unitários de produção, que são normalmente repassados aos preços dos produtos. - estrutura de mercado: a inflação de custos também está associada ao fato de algumas empresas, com elevado poder de monopólio ou oligopólio, terem condições de elevar seus lucros acima da elevação dos custos de produção. - elevação da taxa de juros. Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Inflação inercial – quando a inflação se mantêm no mesmo patamar sem aceleração inflacionária e é decorrente de mecanismos de indexação. Mecanismos de indexação – atrelam os preços do presente à inflação passada. Estes podem ser: formais - regras específicas e legais de aumento, por exemplo de aluguéis, mensalidades escolares etc.; informais - quando os agentes aumentam os preços porque os outros também o fizeram · Inflação de expectativas: estaria associada aos aumentos de preços provocados pelas expectativas dos agentes de que a inflação futura tende a crescer, e eles procuram resguardar suas margens de lucro. No Brasil, esse fator tem sido muito presente antes de mudanças de governo, com os empresários precavendo-se contra eventuais congelamentos de preços e salários, que tem sido uma estratégia frequente nos planos pós-86 (chamados choques heterodoxos). Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Consequências da inflação distorções na alocação de recursos da economia, os preços relativos deixam de ser sinalizadores da escassez e dos custos relativos de produção. efeito negativo sobre o incentivo a investir pela dificuldades dos agentes em prever o retorno dos investimentos. parte dos agentes não consegue se proteger da inflação. aumento dos custos de transação na economia. Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. As medidas de inflação Índices de preço – são usados para saber a variação conjunta de bens que são fisicamente diferentes e/ou que variam a taxas diferentes. Existem vários tipos de índices de preços como: Índices de Preços no Atacado Índices de Preços de Varejo Índices de Gerais de Preços Índices de preço ao consumidor Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Diferenças entre os Índices A. Variação de Preços no período, que envolve o período no qual os preços são coletados e a região abrangida e quais produtos constam da amostra; B. Importância relativa (peso) de cada bem, definida por meio de uma Pesquisa de Orçamento familiar (POF) e que varia dependendo: da época da pesquisa e das classes de renda consideradas C. Fórmula de cálculo, que pode ser: média aritmética, harmônica ou geométrica ponderada * Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Composição do IPCA Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Alguns Índices de Preços no Brasil * Nota: * Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Belém, Fortaleza, Salvador, Recife e Goiânia. Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. A saga dos planos heterodoxos: a economia brasileira de 1985 à 1994 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. A Economia na Nova República Combate à inflação meta principal Diferentes planos de estabilização Cruzado (1986), Bresser(1987), Verão (1989) Collor I (1990) e Collor II (1991) Real (1994) Elementos principais: heterodoxia e inflação inercial Oscilações na inflação e no crescimento Ambiente de redemocratização Até governo Collor – Brasil excluído do fluxo de capitais internacional Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. * * * Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Governo Sarney: quadro inicial Economia voltando a crescer depois da recessão do início da década Balança de Transações Correntes em relativo equilíbrio Inflação acelerando Finanças públicas deteriorando Incertezas políticas Início: indefinições na condução política econômica Donelles - gradualismo ortodoxo (predomina inicialmente) Sarney – heterodoxia Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Plano Cruzado: medidas Substituição da moeda: cruzeiro por cruzado Conversão salários: poder de compra últimos 6 meses + abono 8% + gatilho Congelamento preços (exc. energia elétrica) Fixação da taxa de cambio sem desvalorização prévia Alugueis – recomposição por fatores multiplicativos com base relações média pico Diferentes regras para ativos financeiros - Tablita para contratos prefixados Não metas monetárias e fiscais - expansão Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Plano Cruzado: evolução e dificuldades Congelamento – queda imediata da inflação Crescimento econômico em função Crescimento já vinha antes Aumento da renda real Ilusão monetária Expansão da oferta de moeda e taxas de juros baixas Crescimento: pressão sobre vários mercados: Pressiona alguns setores de bens de consumo –escassez e filas – ágios e maquiagens Problemas na Balança Comercial e nas contas externas Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Do Cruzado à moratória Cruzadinho – primeira tentativa tímida de conter a demanda Imobilismos – questões políticas Cruzado II Contenção déficit público Realinhamento de preços Saída descoordenada do congelamento Elevação da taxa de juros real Reintrodução de mecanismos de indexação Moratória Cruzado: problemas de concepção e execução Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Plano Bresser Sequelas do Cruzado: expectativade congelamento, perda de apoio político Ensinamentos: necessidade controlar DA, atenção com contas externas, cuidado com problemas distributivos, congelamento não por tempo indefinido e cuidado com descongelamento Plano Bresser medidas: Conter aceleração inflacionária Congelamento salários e preços (3 meses) e Tablita Cria URP para reajuste de salários pós congelamento Desvalorização cambial Política monetária e fiscal ortodoxa – juros positivos Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Rumo ao Plano Verão Problemas do plano Bresser no descongelamento: reposições salariais, reindexação Fragilidade da contenção monetária e fiscal Fragilidade política : passagem de 4 para 5 anos de mandato Mailson: início arroz com feijão Nenhuma mágica – contenção da aceleração inflacionária de modo ortodoxo - dificuldades Plano Verão Ortodoxia: controle DA – juros altos e queda no déficit público Heterodoxia: congelamento, URP, Tablita Reforma monetária – Cruzado Novo Desvalorização e fixação da taxa de cambio Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. O fim do Governo Sarney Verão: curta duração Não ajuste fiscal e descontrole monetário Reaceleração inflacionária – rumo a hiperinflação Governo Sarney Descontrole das contas públicas – aumento déficit operacional Endividamento interno crescente, prazos mais curtos, taxas de juros e liquidez crescentes Política monetária: necessidade de sustentação juros elevados Subindexação de contratos para reduzir valor real da dívida pública Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. O Governo Collor: problemas iniciais insucesso dos planos heterodoxos elevação da liquidez dos haveres não monetários Zeragem automática possibilidade de monetização com pressão inflacionária em função de: Ilusão monetária, riscos e antecipações de consumo Política monetária passiva Moeda Indexada Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. O Plano Collor Reforma monetária e redução drástica de liquidez (confisco de liquidez): bloqueio de depósitos a vista, poupanças, aplicações e fundos de curto prazo Reforma administrativa e fiscal - eliminação de déficit diminuição do custo de rolagem da dívida, suspensão de subsídio e incentivos, ampliação da base tributária, impostos extraordinários, fim do anonimato fiscal, privatizações Congelamento de preços e desindexação de salários Adoção de um regime cambial de taxas flutuantes Abertura comercial Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Do Collor I ao Collor II Impacto inicial: Desestruturação do sistema produtivo – retração do PIB “Nova agenda”: Abertura e privatização Problemas: expansão da liquidez posterior : Não se viabilizaram mecanismos para controle dos novos fluxos monetários acerto no estoque comprometido com “torneirinhas” Deterioração da balança comercial sem financiamento na Balança de capitais Forte desvalorização cambial persistência da aceleração inflacionária no início de 1991, com dificuldade crescente de financiamento do governo: Collor II Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. A transição Collor - Itamar Collor II: reforma financeira que visava eliminar o overnight (substituído por FAF) e outras formas de indexação (criação da TR) congelamento de preços e salários Marcílio – Plano Nada Não tratamento de choque ou heterodoxia Controle de fluxo de caixa e meios de pagamento Descongelamento e preparo para desbloqueio Reaproximação do Brasil com mercado financeiro internacional Elevação das taxas de juros – forte ingresso de capitais e ampliação das reservas esterilização – aumento da dívida interna Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Itamar Franco Impeachment Collor – substituição por vice: Itamar Franco – governo de transição Demora inicial para definir política econômica Maio de 1993 assume FHC – início da preparação para Plano Real Preparo das contas públicas: PAI, IPMF, FSE Acumulo de reservas externas Manutenção da abertura financeira e comercial Período anterior – reindexação da economia, sem grandes choques – volta ideia de inércia Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Pressupostos do Plano Real Inflação: caráter inercial – aproxima-se da proposta Larida (reforma monetária) Cuidado com erros anteriores: Adoção gradualista ; não congelamento mas substituição natural da moeda Problemas com déficit público, explosão do crescimento, crises externas Contexto diferente: Existência de reservas, ambiente competitivo (abertura comercial), possibilidade de financiamento externo Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. O Plano Real Plano Real: 3 fases: Ajuste fiscal prévio Corte de despesas (PAI), aumento de impostos (IPMF), diminuição de transferências (FSE) b) Indexação completa da economia URV URV – unidade de conta com paridade fixa com o dólar conversão dos preços e rendimentos Sistema bi-monetário, tentativa de simular efeitos de uma hiperinflação em um moeda sem prejudicar a outra e alcançar sincronia de preços c) Reforma monetária – Real Quando preços “urvizados” troca URV por Real Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Plano Real: aspectos ortodoxos Plano Real em si – preocupação com aspectos tendenciais da inflação. Necessário impedir que novos choques se transformem em processos inflacionários: Sinalização de preocupação com controle de DA Metas (ancoras) monetárias – não cumpridas Manutenção de juros elevados e entrada de recursos Ancora cambial e abertura comercial Na verdade existe um super ancora cambial – pois entrada de recursos externos fez com houvesse uma valorização cambial – principal aspecto na estabilização pós Real Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. Impactos do Plano Real Queda rápida da inflação Mais lento que Cruzado Valorização cambial (real e nominal), entrada de recursos externos e abertura comercial – camisa de força para preços Bens tradeables x não tradeables – trajetórias diferentes Crescimento da demanda: Consumo e Investimento Aumento do poder aquisitivo – fim do imposto inflacionário Recomposição dos mecanismos de crédito Demanda reprimida Aumento do horizonte de previsão Ilusão monetária Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. *