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Blockchain e criptomoedas   A carreira em tecnologias que vai mudar o mundo

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impossível encontrar a localização e o conteúdo preciso dos 
arquivos de um usuário sem que ele explicitamente o autorizasse 
mediante o fornecimento de sua chave privada de criptografia. 
As possibilidades não param por aí. Se o blockchain fosse tão descentra-
lizado quanto o do Bitcoin, qualquer pessoa poderia oferecer espaço em 
seu computador para que o sistema armazenasse arquivos. Isso abriria 
as portas para a criação de um “marketplace” de armazenamento. O 
espaço vago no HD do seu computador poderia gerar alguns trocados a 
mais no fim do mês.
Já há uma empresa chamada Storj fazendo justamente isso. O serviço 
que eles oferecem é o de armazenamento descentralizado de dados via 
blockchain – e está fazendo sucesso. No momento de redação desse texto, 
a página de criação de novas contas mostra o seguinte aviso: “Devido à 
demanda extrema, estamos limitando a ativação de novas contas”. 
AS APLICAÇÕES DE BLOCKCHAIN
BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS: A CARREIRA EM TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO
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Escassez digital
Dentre todas as mudanças que a internet trouxe, uma das mais marcantes 
foi o fato de que alguns bens físicos (como livros ou discos musicais) 
passaram a circular digitalmente. E em seu formato digital, eles podiam 
ser copiados e compartilhados de maneira muito rápida, levando a uma 
situação de abundância desses bens. 
No entanto, o blockchain traz uma nova possibilidade para bens digitais: 
que eles sejam escassos. Por conta da natureza descentralizada e 
compartilhada dos registros feitos em um blockchain, é possível que 
uma pessoa compre um bem virtual (uma criptomoeda, por exemplo) 
e não seja capaz de reproduzir indiscriminadamente o bem que ela 
comprou.
Embora moedas sejam a aplicação mais óbvia dessa possibilidade, ela 
pode ser usada de outras maneiras muito interessantes. Uma delas é 
o jogo CryptoKitties, criado pela empresa Axiom Zen em 2017 e que 
já arrecadou mais de US$ 23 milhões desde seu lançamento apenas 
comercializando “gatinhos” que vivem em um blockchain.
Inicialmente, a empresa criará 50 mil gatinhos (um novo a cada 15 
minutos) que podem ser comprados usando ether, a moeda virtual da 
rede Ethereum. Quem compra um desses gatinhos é o único dono dele 
e é dono de um gatinho diferente de todos os demais. Isso traz um 
apelo de bem colecionável que, antes do blockchain, era impensável em 
um produto digital. 
Os donos desses gatinhos também podem cruzá-los com outros, gerando 
seres novos e únicos. As características do gatinho gerado, chamadas 
de “cattributes”, dependem das características de seus pais, como se 
fossem heranças genéticas. 
Isso leva alguns colecionadores (há cerca de 1600 atualmente) a fazer 
cruzamentos selecionados em busca de um “gatinho ideal” que eles 
queiram ter ou vender. A tendência é que esses e outros tipos de bens 
colecionáveis se multipliquem.
Supply chain
Pense em um diamante: como é possível se assegurar de que não se trata 
de um “diamante de sangue”, como são conhecidos aqueles extraídos 
de zonas de guerra? Ao longo dos anos, essa se tornou uma grande 
preocupação da indústria de joias como um todo. 
Foi pensando nisso que a joalheria De Beers Group, uma das maiores 
do mundo, resolveu desenvolver uma nova plataforma de blockchain, 
a Tracr, para acompanhar as pedras preciosas desde o começo e evitar 
que isso aconteça. Recentemente, a Signet Jewelers, a maior varejista 
global de diamantes, se juntou ao programa.
AS APLICAÇÕES DE BLOCKCHAIN
BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS: A CARREIRA EM TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO
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Ainda em desenvolvimento, a plataforma acompanhará a jornada de um 
diamante ao longo de toda a cadeia de produção. Cada diamante registra-
do na plataforma terá seu próprio certificado digital, o que permitirá que 
ele seja acompanhado da mina à vitrine. Segundo a De Beers, a versão 
beta da Tracr já acompanhou com sucesso uma centena diamantes de 
alto valor – e não é difícil imaginar como um sistema do tipo pode ser 
útil para acompanhar cadeias de produção de outras indústrias.
Gestão pública
Em maio de 2018, o governo do Piauí anunciou que Teresina será a 
primeira cidade do mundo a implementar blockchain para a gestão de 
transporte público. O sistema será acessível a todos e guardará todas 
as informações sobre transporte coletivo, como relatórios de viagens e 
ordens de serviços.
A implementação será feita em parceria com a Organização dos Estados 
Americanos e a Fundação Hyperledger, que tem diversas blockchains de 
código aberto e ferramentas relacionadas. A ideia é facilitar o monitora-
mento e controle de operação de infraestrutura – e estar atento a 
qualquer modificação.
O céu é o limite
Por se tratar de um campo muito novo, cujas implicações ainda não são 
totalmente compreendidas, aplicações de blockchain para melhorar 
serviços que já usamos compõem uma área com enorme potencial de 
crescimento. Além dos exemplos já citados, essa tecnologia pode ser 
usada também para as áreas de logística, hospedagem de sites, garantia 
de autenticidade de obras de arte e uma série de outras utilidades.
Via de regra, os blockchains podem ser usados de maneira vantajosa 
em qualquer situação em que seja desejável armazenar de maneira 
distribuída informações importantes e que nunca devem ser alteradas 
ou apagadas. 
No entanto, cabem dois avisos. Primeiro, justamente por sua novidade, as 
limitações do blockchain ainda não são bem compreendidas. Ainda não 
há casos de problemas graves que apareceram em serviços inovadores, 
mas isso não significa que esses problemas não existam, apenas que 
ainda não tiveram a chance de ser identificados. 
Segundo, embora os blockchains possam ser criados de acordo com as 
necessidades de seus criadores, precisam reter suas características de 
distribuição e segurança para que retenham também seus benefícios. 
Um blockchain centralizado e totalmente sob monopólio de uma única 
organização nada mais é do que um banco de dados – no máximo, é um 
banco de dados distribuído com um nome bem famoso. 
AS APLICAÇÕES DE BLOCKCHAIN
BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS: A CARREIRA EM TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO INTRO
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O que são 
criptomoedas?
BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS: A CARREIRA EM TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO
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O QUE SÃO CRIPTOMOEDAS
Uma “quimera tecnológica”. É assim que os jornalistas do Quartz 
descrevem o sistema por trás da Bitcoin, a primeira moeda global 
descentralizada da história, no livro The objects that power the global 
economy.
À primeira vista, parece mesmo algo que só existe em contos. “Uma 
versão puramente peer-to-peer (P2P) de dinheiro eletrônico [que] 
permitiria o envio de pagamentos online diretamente de uma pessoa 
para outra sem ter que passar por uma instituição financeira”, resume 
o white paper do engenhoso criador da Bitcoin, Satoshi Nakamoto. 
Não foi a primeira tentativa de moeda virtual da história, mas foi a 
primeira a vingar. “A ideia era um sistema digital que simulasse dinheiro 
vivo e fizesse pagamentos pequenos com grande facilidade e de maneira 
anônima”, diz Marco Aurélio Amaral Henriques, professor livre-docente 
da Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação da Unicamp.
“É como enviar uma mensagem de e-mail”, continua, explicando as 
transações em si. “É preciso saber o endereço – o que, no caso da Bitcoin, 
significa a chave pública da pessoa.”
Cada usuário tem uma carteira digital, que funciona como um banco de 
dados de endereços e chaves alfanuméricas. As chaves, por sua vezes, 
vêm em pares: públicas (todos podem ver) e privadas (que funcionam 
como senhas e devem ser secretas). 
Hoje, há cerca de 28,5 milhões de carteiras de Bitcoin com mais de 0,001 
da moeda pelo mundo. Há diversas empresas que oferecem esse serviço 
gratuitamente e é possível guardá-las no computador, celular, nuvem 
ou num hardware.