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04 Prática Profissional

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Prática Profissional 
A prática profissional é um procedimento didático-pedagógico que contextualiza os saberes apreendidos, 
relacionando teoria e prática, viabilizando ações que conduzam ao aperfeiçoamento técnico-científico-
cultural e de relacionamento humano. 
É obrigatória a todos os estudantes de cursos técnicos de nível médio e superiores de graduação no IFRN, 
sendo condição para o direito ao diploma de conclusão do curso. 
O desenvolvimento da prática profissional deverá ter obrigatoriamente documentos de registro e orientação 
de um servidor do IFRN. 
Os servidores orientadores deverão possuir titulação acadêmica de nível superior e com formação na área 
da prática profissional, sendo responsáveis pelo controle da carga horária desenvolvida na atividade e pela 
avaliação do documento final de registro. 
No caso de realização de estágio, o orientador somente poderá ser um professor. 
Modalidades De Prática Profissional 
• Projetos integradores/técnicos (ou temáticos), de pesquisa ou de extensão; 
• Desenvolvimento de pesquisa acadêmico-científica e/ou tecnológica; 
• Desenvolvimento de atividades de metodologia do ensino; 
• Estágio curricular; 
• Atividades acadêmico-científico-culturais. 
Formalização Da Prática Profissional 
O mecanismo de planejamento, acompanhamento e avaliação da prática profissional deverá conter os 
seguintes itens: 
• Elaboração de um plano de atividades, aprovado pelo orientador; 
• Reuniões periódicas do estudante com o orientador; 
• Visita(s) periódica(s) do orientador ao local de realização da prática; 
• Elaboração do documento específico de registro da atividade pelo estudante; 
• A apresentação ou defesa pública do trabalho. 
Somente poderão ser contabilizadas as atividades que forem realizadas no decorrer do período em que o 
estudante estiver vinculado ao curso. 
Deverão ser registradas todas as atividades desenvolvidas pelo estudante, após aprovação, bem como as 
respectivas pontuações obtidas e cargas horárias, quando for o caso. 
Utilizar os seguintes formulários para formalizar a prática profissional: 
• Plano de Prática Profissional - Modalidade Projeto de Extensão 
 
Conclusão da Prática Profissional 
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O limite para a conclusão da prática profissional e para a entrega dos documentos de registro é de 02 
semestres após a integralização das disciplinas previstas na matriz curricular ou até o fim do tempo 
máximo para a conclusão do curso. 
No caso de estágio ou de projeto de pesquisa ou de extensão, o estudante terá um prazo máximo de 30 
dias, no caso dos cursos técnicos integrados, e de 90 dias, nos demais cursos, para apresentar ao 
orientador o relatório das atividades desenvolvidas. 
Os relatórios finais deverão ser escritos de acordo com as normas da ABNT estabelecidas para a redação 
de trabalhos técnicos e científicos, e farão parte do acervo bibliográfico da instituição na forma impressa e 
digital. 
A prática profissional terá uma nota final entre 0 e 100 e o estudante será aprovado com, no mínimo, 60 
pontos. Caso o estudante não alcance a nota mínima de aprovação na prática profissional, deverá ser 
reorientado com o fim de realizar as necessárias adequações/correções e submeter novamente o trabalho 
à aprovação. 
Caso a prática profissional não seja finalizada até o cumprimento das disciplinas do curso, o estudante 
deverá renovar a matrícula nos períodos seguintes, até o cumprimento da carga horária mínima de prática 
profissional, entrega e aprovação dos respectivos documentos de registro. 
 
A Prática Profissional Do Assistente Social 
A teoria define a intenção da prática profissional, sendo assim não existe prática profissional sem teoria, 
pois a teoria fundamenta a intervenção do profissional. O objeto de intervenção define onde o profissional 
irá atuar, desta forma a questão social é o objeto genérico do serviço social. A atuação do serviço social 
está intrisicamente ligada com as demandas do sistema capitalista. 
O serviço social surgiu no Brasil na década de 1930, no auge do reformismo conservador, interligada ao 
catolicismo, tendo uma concepção de caridade e como profissão inscrita na divisão social do trabalho, 
propendendo subsidiar o controle social a partir do agravamento dos conflitos entre capitalistas e 
trabalhadores. 
 
A teoria marxiana possibilitou considerar a questão social como objeto de intervenção do serviço social, 
uma vez que Marx considera que o processo de trabalho visa atender as necessidades humanas. 
Entretanto, o trabalhador fornece sua força de trabalho e o capital gerado vai para o capitalista, o que Marx 
chama de mais-valia. 
 
“O produto, de propriedade do capitalista, é um valor-de-uso, fios, calçados etc. Mas, embora calçados 
sejam úteis à marcha da sociedade e nosso capitalista seja um decidido progressista, não fabrica sapatos 
por paixão aos sapatos. Na produção de mercadorias, nosso capitalista não é movido por puro amor aos 
valores-de-uso. Produz valores-de-uso apenas por serem e enquanto forem substrato material, detentores 
de valor-de-troca. Tem dois objetivos. Primeiro, quer produzir um valor-de-uso, que tenha um valor-de-
troca, um artigo destinado à venda, uma mercadoria. E segundo, quer produzir uma mercadoria de valor 
mais elevado que o valor conjunto das mercadorias necessárias para produzi-la, isto é, a soma dos valores 
dos meios de produção e força de trabalho, pelos quais antecipou seu bom dinheiro no mercado. Além de 
um valor-de-uso quer produzir mercadoria, além de valor-de-uso, valor, e não só valor, mas também valor 
excedente (mais valia). Tratando-se agora de produção de mercadorias, só consideramos realmente até 
aqui um aspecto do processo. Sendo a própria mercadoria unidade de valor-de-uso e valor, o processo de 
produzi-la tem de ser um processo de trabalho ou um processe de produzir valor-de-uso e, ao mesmo 
tempo, um processo de produzir valor”. (MARX, Karl) 
 
Neste período, o profissional desempenhava um trabalho moral voltado para a igreja católica, tendo um 
papel de moralizador e educador da classe trabalhadora. Atualmente, o profissional é articulador e 
mediador, possui uma visão crítica e plena consciência de que os usuários são sujeitos históricos e de 
direitos. 
 
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Sendo assim, o projeto ético político da profissão resulta das constantes lutas de classes, que busca uma 
sociedade igualitária a prática profissional deve ser propositiva e estar embasada teoricamente. 
Atualmente, a profissão é regida pela lei 8.662 /93, que define os direitos e deveres do assistente social, ou 
seja, suas competências e atribuições. 
 
Os meios utilizados para intervenção do profissional são os instrumentos tais como: conhecimento, 
recursos técnicos, recursos materiais, recursos organizacionais e recursos financeiros. Podemos, então, 
definir como instrumentos as entrevistas grupais, individuais, visitas domiciliares, relatórios, levantamento 
sócio econômico, escuta ativa, dossiês, observação, pesquisa, análise institucional, visita domiciliar, etc. 
O Serviço Social Como Prática Social E Como Profissão 
O Serviço Social, a meu ver, foi uma das profissões mais impactadas pelos acontecimentos que marcaram 
os últimos trinta anos da nossa história. Antes de tudo, porque sofreu as mudanças ocorridas nesse 
período, e por causa da ruptura que realizou entre seu passado e seu presente. 
 
Antes da década de 1980, a atuação profissional dos assistentes sociais se caracterizava, sobretudo, por 
posições reativas e de adaptação passiva à realidade. 
 
A partir do final da década de 1970 e início da década de 1980, o Brasil vivia um processo sócio-político 
que exigia posicionamento políticoe afirmação clara de compromisso com relação aos interesses sociais 
em disputa. De um lado, os interesses das classes dominantes, representados e defendidos pelo Estado e 
suas instituições. De outro, os interesses dos trabalhadores e da maioria da população excluída 
econômica, social, cultural e politicamente. E os assistentes sociais, por sua vez, na condição de agentes 
institucionais operadores das políticas sociais públicas, tinham a função de mediar esses interesses 
contraditórios e de administrar os conflitos gerados. 
 
Foi exatamente essa realidade da profissão que começou a ser questionada pelos assistentes sociais 
comprometidos e engajados no processo político que culminou com o fim da ditadura militar e a 
redemocratização do país. 
 
A ruptura se deu com o “Congresso da Virada” (novembro de 1979), como resultado do acúmulo de forças 
que vinha sendo construído ao longo do processo de organização política da categoria e de preparação do 
III CBAS (Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais). 
 
Esse Congresso, portanto, foi um marco na história do Serviço Social no Brasil, a partir do qual o projeto 
profissional começou a ser repensado, não só por força das transformações em curso na sociedade 
brasileira, mas também em razão das contradições existentes no seio da própria profissão. Contradições 
essas que se explicitaram de forma aguda, ao se confrontarem durante os debates realizados no 
Congresso. 
 
Nós que tivemos o privilégio de protagonizar aquele momento temos consciência do seu significado 
histórico e político; da propriedade do que se convencionou chamar, entre os assistentes sociais, de 
“Congresso da Virada”. Expressão esta que, cada dia, ao longo dos últimos trinta anos, adquire mais força 
e sentido e que soa como um alerta para que estejamos sempre atentos às exigências da realidade e fiéis 
ao compromisso profissional de servirmos aos excluídos da sociedade e de contribuirmos na construção de 
uma sociedade justa e igualitária. 
 
Minha participação no processo de construção do III CBAS foi uma decorrência da longa trajetória que 
percorri, junto com meus colegas de profissão, desde que sai da Paraíba, fugindo da perseguição política 
da ditadura, e chegando a São Paulo em 28 de janeiro de 1971. De que me acusavam, então? Do crime de 
tentar ajudar os trabalhadores rurais a se conscientizarem dos seus direitos e a se organizarem para lutar 
por esses direitos. 
 
Trabalhando como assistente social nas favelas da periferia de São Paulo, onde se amontoavam os 
migrantes nordestinos, arrancados de suas raízes e expulsos pelo latifúndio, tive que enfrentar um outro 
desafio. Dessa vez, o de tentar organizar esses trabalhadores para travarem a luta pelo direito a moradia. 
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No campo, a luta era por terra para trabalhar; na cidade, a luta era por terra para morar. E o inimigo era e é 
sempre o mesmo: a apropriação privada dos meios de produção, dogma do capitalismo. Ao trabalharmos 
com os pobres e procurar abrir-lhes os olhos, ajudando-os a se organizarem, o cerco voltou a se fechar 
contra nós nos espaços institucionais onde exercíamos a profissão. 
 
Daí, então, tivemos que nos organizar políticamente, buscando criar outros espaços de luta profissional. Foi 
neste sentido que nos empenhamos na reativação da Associação Profissional dos Assistentes Sociais de 
São Paulo (APASSP), ponto de partida para a organização e articulação política dos assistentes sociais em 
todo o país, com a criação de associações profissionais e sindicatos da categoria em vários Estados e que 
passaram a ser coordenadas por uma entidade nacional, a Coordenação Executiva Nacional de Entidades 
de Assistentes Sociais (CENEAS). Portanto, minha participação no processo que culminou no movimento 
que deu origem ao “Congresso da Virada” se deu na condição de Presidenta da APASSP e da CENEAS. 
 
Esse Congresso, portanto, foi um marco na história do Serviço Social no Brasil, a partir do qual o projeto 
profissional começou a ser repensado, não só por força das transformações em curso na sociedade 
brasileira, mas também em razão das contradições existentes no seio da própria profissão. Contradições 
essas que se explicitaram de forma aguda, ao se confrontarem durante os debates realizados no 
Congresso. 
 
Para este 15 de maio, dia do Assistente Social, fica a oportunidade de reflexão que precisa ser feita tanto 
pelos que protagonizaram aquele momento histórico, quanto pelos que têm a responsabilidade pela 
construção do projeto profissional no presente, visto que o ciclo histórico que deu origem ao projeto 
profissional em questão entrou em uma fase de esgotamento que tem como sinal a atual crise político-
institucional, colocando novas exigências e desafios para os sujeitos políticos coletivos que devem 
repensar sua ação em todos os seus aspectos. 
 
Cumpre, pois, ao Serviço Social, como uma das expressões da sociedade brasileira e enquanto área de 
conhecimento e de ação profissional, atualizar seu referencial teórico e reciclar seus instrumentos de 
análise e de intervenção, com vistas a adequá-los às novas exigências de uma realidade complexa e em 
acelerado processo de mudança. 
 
No que tange aos assistentes sociais, como profissionais e enquanto sujeitos coletivos de ação política, é 
necessário que repensem sua prática e a contribuição que poderão dar à construção de um projeto político 
de sociedade, capaz de consolidar e ampliar as conquistas democráticas e de fazer do Brasil uma nação 
justa, livre e soberana. 
Avaliação Generalista - Assistente Social 
 
O Serviço Social e a administração de benefícios.Lei Orgânica de Assistência Social (LOA).Pesquisa em 
Serviço Social do Trabalho: metodologias aplicadas e técnicas de pesquisa.Proposta de intervenção na 
área social: planejamento estratégico, planos, programas, projetos e atividade de trabalho. Avaliação de 
programas e políticas sociais. 
 
Estratégias, instrumentos e técnicas de intervenção: sindicância, abordagem individual, técnicas de 
entrevista, abordagem coletiva, trabalho com grupos, em redes e com famílias, atuação na equipe 
interprofissional (relacionamento e competências). Ambiente de atuação do assistente social. Instrumental 
de pesquisa em processos de investigação social: elaboração de projetos, métodos e técnicas qualitativas 
e quantitativas. Diagnóstico. 
 
Estratégias de trabalho institucional: conceitos de Instituição. Estrutura brasileira de recursos sociais. Uso 
de recursos institucionais e comunitários. A prática profissional do Assistente Social na Instituição: 
possibilidades e limites. A Instituição e as Organizações Sociais. Análise e fundamentação das relações 
sociais no âmbito das Instituições. 
 
Prática profissional x prática social x prática institucional. Metodologia do Serviço Social: métodos utilizados 
na ação direta com indivíduos, grupos e segmentos populacionais, técnicas e entrevistas utilizadas na 
prática do Serviço Social. Redação e correspondências oficiais: laudo e parecer (sociais e psicossociais), 
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estudo de caso, informação e avaliação social. Atuação em programas de prevenção e tratamento: uso do 
álcool, tabaco e outras drogas: questão cultural, social e psicológica. 
 
Doenças sexualmente transmissíveis. AIDS. Atendimento às vítimas. Políticas sociais: relação 
Estado/sociedade Políticas de saúde brasileira, Sistema Único de Saúde (SUS) e agências reguladoras. 
Política Nacional do Idoso. Legislação de Serviço Social: níveis, áreas e limites de atuação do profissional 
de Serviço Social. Ética profissional. Políticas, diretrizes, ações e desafios na área da família, da criança e 
do adolescente: Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A defesa de direitos da criança e do 
adolescente. O papel dos conselhos, centrosde defesa e delegacias. 
 
A adoção e a guarda: normas, processo jurídico e psicossocial, adoção à brasileira e adoção internacional. 
Novas modalidades de família: diagnóstico, abordagem sistêmica e estratégias de atendimento e 
acompanhamento. Alternativas para resolução de conflitos: conciliação e mediação. Balanço social. Política 
social e planejamento: a questão social e a conjuntura brasileira; a instituição e técnicas de pesquisa; a 
Instituição e o Estado; movimentos sociais; a prestação de serviços e a assistência pública; projetos e 
programas em Serviço Social; saúde, habitação, criança/adolescente, trabalho, assistência pública . 
Contexto atual e o neoliberalismo. Políticas de seguridade e previdência social. Políticas da assistência 
brasileira, Administração e Serviço Social: concepção burocrática. 
 Conceito de Prática Social 
Todo ser humano que vive integrado no contexto de um grupo social faz parte de uma sociedade marcada 
por uma cultura. E toda cultura tem suas próprias regras, ou seja, condutas habituais que têm um 
significado concreto dentro dessa cultura, mas que não tem valor em outro grupo cultural. Desta forma, 
podemos falar de práticas sociais para referir a este tipo de comportamento social aceito por um grupo de 
indivíduos. Em certas ocasiões, existe a oposição, uma prática social que é válida para uma cultura pode 
ser recusada por outra. 
 
Este aspecto mostra como tem influência a percepção pessoal e a educação recebida. As práticas sociais 
mostram o poder da tradição transmitida de geração em geração. Para que uma prática social se consolide 
é importante a passagem dos anos. Entretanto, isso não significa que uma prática social seja eterna se 
levarmos em conta que existem costumes que chegam ao fim porque no contexto atual são interpretados 
com uma perspectiva totalmente diferente. 
 
Cada sociedade tem seus próprios códigos, ou seja, suas práticas sociais contribuem momentos de ilusão 
e vivências especiais aos cidadãos. Do ponto de vista emocional, é muito gratificante viajar com frequência 
para conhecer outras culturas, uma vez que é um hábito positivo para deixar a mente mais aberta, ou seja, 
para descobrir que não existe uma única forma de fazer as coisas e sim pontos de vista diferentes. 
Aprender sobre as outras culturas é um bom exemplo de superação pessoal para interiorizar valores que 
acrescentam bem-estar além de suas origens. 
 
Conhecer uma sociedade significa atender seus costumes, tradições e festas. Estes fatores externos 
interagem de modo individual em cada ser humano que faz parte de um grupo. Sem dúvida, um homem em 
particular pode ser contrário ou estar a favor das tradições. É positivo ter um critério pessoal para refletir 
sobre as práticas sociais de maneira externa, uma vez que, algo não precisa ser válido pelo simples fato do 
que a maioria faz. 
 
Como conclusão, vale lembrar que as práticas sociais se referem à forma que uma sociedade se estrutura 
através de normas e costumes. Estas tradições trazem sentido de grupo a uma comunidade unificada. 
Essas práticas sociais mostram precisamente que o ser humano é social por natureza. 
 
A Pratica Do Serviço Social 
1. O serviço social como profissão 
Na trajetória histórica do Serviço Social, podemos identificar várias correntes que discutem a questão da 
sua instrumentalidade, que trazem consigo um corpo conceitual específico que dá a esse tema um 
determinado significado. Entendemos por instrumentalidade a concepção desenvolvida por Guerra (2000) 
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que, a partir de uma leitura lukacsiana da obra de Marx, constrói o debate sobre a instrumentalidade do 
Serviço Social, compreendendo-a em três níveis: no que diz respeito à sua funcionalidade ao projeto 
reformista da burguesia; no que se refere à sua peculiaridade operatória (aspecto instrumental-operativo); e 
como uma mediação que permite a passagem das análises universais às singularidades da intervenção 
profissional. 
 
Desde o período em que o Serviço Social ainda fundava sua base de legitimidade na esfera religiosa, 
passando pela sua profissionalização e os momentos históricos que a constituiu, a dimensão técnica-
instrumental sempre teve um lugar de destaque, seja do ponto de vista do afirmar deliberadamente a 
necessidade de consolidação de um instrumental técnico-operativo "específico" do Serviço Social (falamos 
aqui em especial da tradição norte-americana, que teve forte influência sobre o Serviço Social brasileiro, 
sobretudo entre os anos 40 e 60), seja no sentido de afirmar o Serviço Social como um conjunto de 
técnicas e instrumentais em outras palavras, uma tecnologia social. 
 
Em outros momentos, no sentido de atribuir à instrumentalidade do Serviço Social um estatuto de 
subalternidade diante das demais dimensões que compõem a dimensão histórica da profissão. As 
profissões se criam como especializações do trabalho coletivo para atender necessidade, portanto, o 
Serviço Social surge num contexto de administração de carências materiais, sendo legitimado pelo capital 
na qualidade de principal requisitante institucional. 
 
Na empresa a prática do Serviço Social não escapa a essa generalização. Nela, a despeito de algumas 
singularidades, o Serviço Social também é assumido como um instrumento de intervenção nos "problemas 
sociais", entendidos como situações de carências do trabalhador que interferem na produtividade da força 
de trabalho. Assumindo assim, a função técnica específica no interior das empresas ? mediar soluções de 
carências e conflitos dos trabalhadores. 
 
Por esta razão, aspectos políticos e técnicos, intimamente relacionados, estarão presentes tanto no 
conjunto das ações do assistente social como na elaboração de suas referências teóricas-práticas, 
emergentes do próprio desenvolvimento da prática profissional na empresa, cujo destino não é apolítico 
nem histórico. 
 
Esta identidade aponta, portanto, para a existência de um projeto social, dentro do qual se inscreve a 
requisição da profissão, e exige que, diante dos diversos fenômenos que a empresa elege como passíveis 
de intervenção. Nesta ótica, pode-se, então, inferir que a ação do Serviço social nas empresas é polarizada 
entre a convivência objetiva com as condições de vida e trabalho do empregado e as prerrogativas da 
entidade. 
 
A justificativa da inserção do Serviço Social é discutida pelos profissionais a partir das funções da empresa 
capitalista e da significação dos problemas sociais do trabalhador na obstaculização/facilitação da 
produção. Essa relação se apresenta, como de natureza complementar, representada do empregador e 
dos empregados em função do que cada um necessita para satisfazer suas necessidades. Tais 
necessidades são, em tese, a compra da força de trabalho e o salário. 
 
Pensar o Serviço social enquanto processo de trabalho é um tema bastante discutido na categoria sendo 
motivo de divergência entre os vários autores que o discutem. Nesse sentido serão abordados 
pensamentos de autores que fazem discussões em torno desse tema, como Iamamoto (2007), Granemann 
(1999) e Lessa (2001). De acordo com esse último, o Serviço Social não se configura como um trabalho, 
pois não atua diretamente com a transformação dos recursos da natureza necessários para a reprodução 
social. 
 
Ele afirma que o Serviço Social se configura como um complexo social, responsável pela organização dos 
indivíduos para o trabalho. Entretanto, Iamamoto (2007) e Granemann (1999) afirmam que, o Serviço 
Social se materializa como processo de trabalho partindo da premissa de que possui um objeto no qual 
intervêm, sendo este, a questão social e suas refrações. Possui, também, instrumentos de intervenção 
firmados nas bases teórico-metodológicas, apreendidas enquanto profissão regulamentada, 
materializando-se em entrevistas sociais, reuniões, encaminhamentos,pareceres sociais, etc. 
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Um terceiro elemento que as autoras utilizam para compreender a profissão como processo de trabalho 
são os "produtos", ou seja, os resultados desse trabalho. O Serviço Social intervém nas relações sociais, e, 
a partir da execução de seu trabalho pode contribuir para a construção de uma outra sociedade onde haja 
a superação da contradição capital e trabalho que potencializa a questão social. 
 
Nesse sentido, o produto da intervenção profissional pode se configurar de forma diferenciada de acordo 
com o local no qual os assistentes sociais estão inseridos. Nessa perspectiva o serviço social não atua de 
forma isolada de outros profissionais, por estar inserido em um processo coletivo de trabalho para atender 
as demandas postas pelo sistema capitalista. Com a reestruturação do capitalismo, surgem novos desafios 
para todas as profissões, e o Serviço Social precisa interagir com as mesmas para atender às 
necessidades decorrentes da nova conjuntura e implementar estratégias de enfrentamento ao agravamento 
da questão social. 
 
Dessa forma, objetivamos evidenciar o Serviço Social enquanto processo de trabalho e sua inserção em 
um processo coletivo. A partir dos pontos elencados anteriormente, neste contexto capitalista, neoliberal, 
demarcado pela desigualdade sócio-econômica entre ricos e pobres, onde estes últimos sofrem com a 
discriminação, com a pobreza, com a focalização de políticas sociais, e em linhas gerais, com a má 
distribuição de renda socialmente produzida, o Serviço Social configura-se como processo de trabalho 
atuando no enfrentamento as seqüelas da Questão social,com profissionais embasados em referenciais 
teórico-metodológicos e comprometidos com o projeto ético-político da profissão, na defesa intransigente 
dos direitos da classe trabalhadora, mediando esses conflitos, e estando ao lado de outros profissionais 
para garantir a efetivação de políticas públicas. 
 
Nessa ótica, pode-se concluir que a problematização e intervenção do assistente social são pautadas nos 
limites dos objetivos da empresa, excluindo a possibilidade de tais manifestações serem expressão da 
negação do trabalhador. 
 
Ao assumir as representações dos fenômenos como evidências, nada mais coerente que ter nos entraves 
à produtividade seu objeto de conhecimento e intervenção. Razão pela qual a ação do assistente social na 
empresa privilegia a relação empregadora e empregada. Logo, seu âmbito de ação é limitado ao contexto 
da compra e venda da força de trabalho, construindo um referencial que ressalta as condições de vida de 
quem vende a força de trabalho e a necessária ação humanista da empresa, desconhecendo, pois a 
prática de resistência do trabalhador ao processo de exploração capitalista. 
 
2. O Potencial Negador Do Trabalhador 
 
Ao enfocar a participação do trabalhador como requisitante potencial do Serviço Social nas empresas, 
afirmamos a sua participação na construção da prática da profissão. Por outro lado, a presença das 
necessidades no cotidiano do trabalhador é problematizada na medida em que estas são expressas na 
consciência social, através do discurso da classe trabalhadora. Admitindo tais pressupostos, é possível 
concluir que as políticas sócio-assistenciais geridas pelas empresas não excluem a participação do 
trabalhador, na sua formulação, inclusive como estratégia de atendimento a interesses tanto do capital 
como do trabalho. 
 
Da mesma forma, na medida que o assistente social é requisitado pela instituição, para atuar na 
administração e execução dos serviços assistenciais, sua ação atende a prioritariamente ao capital sem, 
contudo, excluir o atendimento ao trabalhador, nos limites dados pelas condições objetivas existentes. Na 
verdade, a exploração de uma classe sobre a outra é condição para a acumulação e reprodução do capital, 
de um lado, e da reprodução da força de trabalho, por outro lado. Entretanto, as relações de produção 
capitalista têm uma natureza dialética e, por isso mesmo, somente podemos compreendê-las numa 
perspectiva global, a partir do próprio conceito de modo de produção. 
 
Temos de esclarecer que as idéias do trabalhador não se construiriam numa simples ratificação da 
ideologia dominante. Antes, são formas de manifestação que, por resultarem de uma relação dialética, 
podem permitir o surgimento, dentro de um projeto político de classe, de uma outra ideologia, de natureza 
contestadora. 
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Embora se esteja falando de um potencial negador, não se quer dizer que este potencial se transforme 
espontaneamente numa organização política de classe. Ao contrário, entendemos que tal superação 
somente poderia ocorrer a partir da emergência de situações sociais críticas agentes, em um determinado 
momento histórico objetivo; ou ainda, pela via da organicidade política com os intelectuais. 
 
Não se trata, pois, de reduzir a consciência social de uma classe a características internas. Trata-se de 
admitir uma categoria de trabalhadores enquanto possibilidade de virem a se transformar em força social, 
em havendo condições propícia ao desenvolvimento da práxis transformadora no meio incluso. O discurso 
dos trabalhadores, aqui utilizado, expressa o nível da consciência real da sua participação nas políticas 
sociais das empresas, enquanto suprimento de suas necessidades e quanto empregado de uma empresa 
capitalista. 
 
Ora, na medida em que o Serviço Social é requisitado tanto pelo capital como pelo trabalhador, a sua 
prática será necessariamente determinada e guiada pela opção ideológica dos seus agentes ao projeto de 
uma classe ou de outra. 
 
Dentro do contexto empresarial, o trabalhador é considerado como usuário dos serviços prestados pelo 
assistente social. Desse modo, a consideração do potencial negador da classe trabalhadora, inerente à 
problematização da realidade e presente na requisição potencial dos serviços do assistente social, 
constituiu o elemento básico para a construção de uma nova prática do Serviço Social na empresa 
capitalista. Dessa forma, é preciso penetrar no discurso dos trabalhadores, seguindo, inclusive, a sua 
própria maneira de ordenar seu universo de vida e trabalho, cuja hierarquia, em geral, principia sempre 
pela instituição empresa. 
 
Os trabalhadores identificam a empresa como seu empregador, especificamente no que se refere a 
pagamento de salário. Desse modo, o trabalhador aceita o objetivo e a posição da empresa, como uma 
condição para assegurar salário. Entretanto, ele reconhece as peculiaridades presentes na privatização do 
lucro. Todavia a relação entre capital e trabalho supõe alternativa de entendimento pelo trabalhador. São 
posições que se completam para haver produção, e não posições que se contrapõem. 
 
Ao reconhecer e identificar o controle e poder da empresa o trabalhador os transforma numa norma não 
apenas de trabalho, mas de vida, a partir do quê, numa dialética de afirmação e negação de práxis, parece 
emergir uma ideologia do desânimo e da fatalidade. 
 
Porém, por serem os serviços sociais situados na empresa e dirigidos para empregados assalariados, é 
possível também ver a questão a partir da existência de uma estratégia política da empresa para 
obscurecer o problema dos salários. neste sentido, seria admitido e, inclusive, institucionalizado o fato de 
os salários serem insuficientes para suprir as necessidades pela via do questionamento acerca do próprio 
"valor do trabalho", fato reforçado pela própria relação que o trabalhador estabelece entre serviços 
prestados e desgaste do trabalho. 
 
Por outro lado, a presença do assistente social na empresa é justificado pelo trabalhador com base na 
experiência vivenciada como "cliente" ou na transmissão de informações de pessoas que utilizaram osserviços. O Serviço Social na empresa passa também pela questão da produção, o trabalhador, na 
verdade, retifica o conceito sobre aquela função. 
 
Servindo-se de reais necessidades do trabalhador, o Serviço Social subordina-se, na realidade, aos 
interesses da empresa, constituindo pela ajuda, isto é, a promoção do homem, um mecanismo de 
dominação ideológica do capital sobre o trabalho. 
 
Ao caracterizar o assistente social como um agente subalterno, o trabalhador decifra a lógica da fidelidade 
do assistente social ao empresariado.reconhecendo limitações, mas distinguindo intenções, o trabalhador 
coloca as necessidades e o trabalho do assistente social como circunstâncias que fazem parte de uma 
situação. Embora não possamos falar de um projeto, é possível observar o potencial negador do 
trabalhador na sua prática cotidiana. Por outro lado, ao perceber o jogo da empresa, e do Serviço Social 
tradicional, o trabalhador, ao mesmo tempo em que requisita e se beneficia da "ajuda", constrói e afirma o 
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seu "potencial negador", apontando, inclusive, para uma nova prática do Serviço Social. 
 
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