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Professora Esp. Irení Alves de Oliveira 
INTRODUÇÃO AO 
SERVIÇO SOCIAL 
2025 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2025. Os autores. Copyright C Edição 2025 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
 REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
 DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença 
 DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
 DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
 DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
 DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
 DIREÇÃO DE INOVAÇÃO Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
 DIREÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosisnski
 NÚCLEO DE APOIO PSICOLÓGICO E PSICOPEDAGÓGICO Bruna Tavares Fernandes
 BIBLIOTECÁRIA Tatiane Viturino Oliveira
 PESQUISADOR INSTITUCIONAL Tiago Pereira da Silva
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE PRESENCIAL Profa. Ma. Luciana Moraes
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE EaD Prof. Me. Bruno Eckert Bertuol
 COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
 REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
 Isabelly Oliveira Fernandes de Souza
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Louise Ribeiro 
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
 Maria Clara da Silva Costa
 Stephanie Rodrigues da Mota Vieira
 Vinicius Rovedo Bratfisch
 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
 Carlos Firmino de Oliveira
 Lucas Patrick Rodrigues Ferreira Estevão 
 Vitor Amaral Poltronieri
 ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
 DE VÍDEO Felipe Souza Oliveira
 Leandro Tenório
 Maria Beatriz Paula da Silva
 Thassiane da Silva Jacinto
 FICHA CATALOGRÁFICA
 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
 R175a Ramos, Bruna de Lima
 Arquitetura brasileira / Bruna de Lima Ramos.
 Paranavaí: EduFatecie, 2024.
 121 p.: il. Color.
 ISBN n 978-65-5433-095-4
 1. Arquitetura brasileira. 2. Arquitetura de igrejas. 3. Arquitetura 
 indígena. 4. Arquitetura militar. 5. Neoclassicismo (Arquitetura).
 6. Arquitetura moderna. I. Centro Universitário UniFatecie. II.
 Núcleo de Educação a Distância. III. Título. 
 
.
 CDD: 23. ed. 720.981
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas do banco de imagens 
Shutterstock .
3
AUTORA
• Especialista em Docência no Ensino Superior - Unicesumar (2016);
• Tecnóloga em Marketing - Unicesumar (2016);
• Bacharel em Serviço Social (2015);
• Pós-graduanda em Design Thinking e Criatividade nas Organizações - 
Unicesumar; 
• Pós-graduanda em MBA em Coaching aplicado à Gestão de Pessoas - 
Unicesumar;
• Professora Formadora EaD - Unicesumar;
• Supervisora Acadêmica - Unicesumar;
Informações e contato:
 Currículo Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/6087805875284804
 
Professora Esp. Irení Alves de Oliveira 
http://lattes.cnpq.br/6087805875284804 
4
APRESENTAÇÃO
Seja bem-vindo (a)!
Caro(a) aluno(a), é um enorme prazer trabalhar com você a disciplina de Introdução 
ao Serviço Social, pois tenho certeza de que os assuntos abordados neste livro são de 
extrema importância para a sua formação acadêmica e profissional. A construção deste 
material tem com finalidade compreender o Serviço Social na contemporaneidade, 
abordando assuntos relevantes tanto para o processo formativo quanto na condução do 
exercício profissional. 
Sendo assim, na unidade I vamos conhecer o que é o Serviço Social, suas origens e 
conceitos, considerados aspectos importantes na compreensão das relações de trabalho e 
no surgimento da questão social no Brasil, destacando o papel do Estado e das instituições 
religiosas antes do Serviço Social se regulamentar enquanto profissão. Já na unidade II 
será apresentado os órgãos representativos que são o Conselho Federal de Serviço Social 
(CFESS) e o Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) e às normas que regulamenta 
como o Código de Ética do Serviço Social; Constituição de 1988, mais especificamente 
sobre o artigo 203 e 204 e Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS).
Na unidade III iremos discutir sobre a formação, as competências e habilidades, 
também será apresentado sobre os objetos de trabalho do assistente social, o mercado de 
trabalho e o Projeto Ético Político da profissão. Por fim na unidade IV abordaremos o Serviço 
Social na contemporaneidade a proposta será de abordar assuntos atuais e relevantes na 
formação compreendendo que o profissional em Serviço Social precisa conhecer todos 
os conceitos que serão tratados ao longo deste livro, para poder ficar atento aos assuntos 
contemporâneos postos na sociedade.
Espero que o conteúdo deste livro contribua no seu crescimento enquanto futuro(a) 
assistente social. 
Bons estudos e até a próxima. 
5
SUMÁRIO
O Serviço Social na Contemporaneidade
Assistência Social: Identidade Profissional 
Normas e Órgãos Reguladores 
Serviço Social: Histórico e Conceito
Professora. Esp. Irení Alves de Oliveira
SERVIÇO SOCIAL: 
HISTÓRICO E 
CONCEITO1UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
7
Plano de Estudos 
• O que é Serviço Social: origens e conceito.
• As relações de trabalho e o surgimento da “questão social” no Brasil.
• Antecedentes do Serviço Social no Brasil: o Estado e o papel das instituições 
religiosas.
Objetivos da Aprendizagem
• Compreender o que é o serviço social a partir da origem e do conceito.
• Entender as relações de trabalho e como a questão social surgiu no Brasil.
• Apresentar como o Estado, instituições religiosas antecederam no país e no 
Serviço Social.
SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1
8
INTRODUÇÃO
Caro (a) aluno (a), você deve estar se perguntando, mas o que é o Serviço Social, 
qual a sua origem e a relação com a igreja católica e o Estado?
Partindo desta perspectiva, busquei sintetizar da forma mais clara possível sobre 
os assuntos que normalmente os estudantes do Serviço Social fazem e é evidente que se 
faça esses questionamentos, pois precisamos entender como tudo aconteceu. Assim, para 
que você possa compreender todo o contexto, dividi esta unidade em três momentos, os 
quais se encontram da seguinte forma.
No primeiro momento, apresento o que é o Serviço Social, aqui, trago de uma 
forma breve sobre a atualidade até para que você possa entender como estará inserido 
na sociedade após a sua formação, depois destaco separadamente sobre a origem e o 
conceito da profissão, me aprofundei nas ideias de grandes autores referenciais da nossa 
profissão como Iamamoto, Yazbek e Montaño.
Já no segundo momento, apresentarei sobre as relações de trabalhode trabalho do assistente social, os campos de atuação que 
mais contratam o assistente social. 
Finalizando assim a quarta parte desta unidade com o Projeto Ético-Político do 
Serviço Social apresentando uma breve contextualização histórica para compreender a 
importância deste projeto no processo de atuação profissional entendo que os assistentes 
sociais têm um Projeto Ético-Político, a qual deve compreender o processo de construção 
da sociedade. Desta forma podemos entender que os conteúdos aprendidos nesta unidade 
são relevantes, pois a partir do que estudamos é que você, enquanto futuro assistente 
social, poderá escolher o campo de atuação a qual tem interesse e assim construir o perfil 
profissional se diferindo dos demais profissionais. 
Bons estudos e até a próxima!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
5252
LEITURA COMPLEMENTAR
A análise dos espaços ocupacionais do assistente social – em sua expansão e 
metamorfoses – requer inscrevê-los na totalidade histórica, considerando as formas 
assumidas pelo capital no processo de revitalização da acumulação no cenário da crise 
mundial. Sob a hegemonia das finanças e na busca incessante da produção de super lucros, 
aquelas estratégias vêm incidindo radicalmente no universo do trabalho e dos direitos. 
As medidas para superação da crise sustentam-se no aprofundamento da exploração 
e expropriação dos produtores diretos, com a ampliação da extração do trabalho excedente 
e a expansão do monopólio da propriedade territorial, comprometendo simultaneamente 
recursos naturais necessários à preservação da vida e os direitos sociais e humanos das 
maiorias.
Essas estratégias defensivas aliadas às características históricas particulares 
que presidiram a revolução burguesa no Brasil (Fernandes, 1975; Ianni, 1984, 2004) têm 
incidido na dinâmica das relações entre o Estado e a sociedade de classes, especialmente 
a partir da década de noventa do século XX, alterando a forma assumida pelo Estado e 
a destinação do fundo público; a tecnologia e as formas de organização da produção de 
bens e serviços; o consumo e controle da força de trabalho e as expressões associativas 
da sociedade civil, entendida enquanto sociedade de classe. 
(...)
Fonte: IAMAMOTO, Marilda Villela. Os espaços sócio-ocupacionais do assistente 
social. Serviço Social: Direitos Sociais e Competências Profissionais. Edição CFESS e 
ABEPSS. 2009. 
 
UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
5353
MATERIAL COMPLEMENTAR
• FILME/VÍDEO
• Título: À Procura da Felicidade.
• Ano: 2006.
• Sinopse: Will Smith estrela esta história inspirada em fatos sobre 
Chris Garner, um vendedor de São Francisco que vive no limite 
da linha da pobreza. Quando sua mulher Linda (Thandie Newton) 
o abandona, Chris deve criar sozinho o filho deles de 5 anos, 
Christopher (Jaden Smith).
• LIVRO
• Título: Serviço Social: Direitos Sociais e Competências 
Profissionais.
• Autor: Diversos.
• Editora: CFESS.
• Ano: 2009.
• Sinopse: Os textos reunidos neste livro abordam uma temática 
essencial ao trabalho dos assistentes sociais e, certamente, serão 
uma referência obrigatória nos debates sobre competências e 
atribuições profissionais no âmbito das políticas sociais e na 
realização de direitos.
UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
Professora. Esp. Irení Alves de Oliveira
O SERVIÇO SOCIAL NA 
CONTEMPORANEIDADE4UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
55
Plano de Estudos
• O Serviço Social na Contemporaneidade.
• A “questão social” na atualidade brasileira.
• Tendências atuais para o Serviço Social.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar o Serviço Social na contemporaneidade. 
• Apresentar a questão social na atualidade brasileira. 
• Destacar as tendências atuais para o Serviço Social.
O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4
56
Caro(a) aluno(a), por incrível que pareça, o Serviço Social na contemporaneidade 
é um assunto pouco debatido ou não compreendida categoria profissional, entender as 
tendências na atualidade, bem como o mercado de trabalho requer do assistente social 
pensar e repensar no seu agir profissional, rompendo com o conservadorismo instaurado em 
interior da profissão e partindo desta concepção que esta unidade se propõem a discorrer, 
desta forma a dividimos em três partes. 
Na primeira parte será abordado o Serviço Social na contemporaneidade, a qual tem 
como intuito apresentar brevemente o momento que este assunto começou a ser discutido 
no seio da categoria profissional, ou seja, no movimento de reconceituação, destacando 
os conceitos acerca do fazer profissional e as exigências que o mundo contemporâneo 
nos apresenta em relação à prática profissional e que cabe somente ao assistente social 
decifrar realidade, propondo alternativa quanto a prática e o exercício profissional. 
Já na segunda parte pretende-se abordar um assunto que também não é muito 
discutido na categoria profissional, a questão social na atualidade brasileira, isto porque 
para entender este assunto deve-se compreender a dinâmica da relação entre o Estado e 
o sistema capitalista, pois somente assim que o assistente social conseguirá atuar frente 
a questão social e para isso nesta parte da unidade foi apresentado quatro aspectos que 
a autora Iamamoto considera relevantes ao atuar frente a questão social na atualidade. 
E por fim a terceira parte será apresentado as tendências atuais para o Serviço Social, 
o assunto abordado nesta parte da unidade confesso considerado um pouco polêmico, 
pois são assuntos que gera divisão na categoria profissional, porém necessário diante das 
mudanças que vêm ocorrendo na sociedade e que cabe ao assistente social se adequar 
sem perder o sentido da profissão. 
Bons estudos!
INTRODUÇÃO
O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4
57
Caro(a) aluno(a), como estudamos na unidade anterior, a intenção de ruptura foi um 
marco para a categoria profissional, principalmente com o movimento de reconceituação, no 
qual tivemos novas perspectivas em relação à prática profissional e à postura ética política. 
Portanto, iniciar esta unidade sem trazer esta informação não faz sentido, visto que o Serviço 
Social na contemporaneidade é compreendido após o movimento de reconceituação. 
Assim, o movimento de reconceituação trouxe fatores importantes que deram base 
para a categoria profissional, ou seja, entender o objeto de trabalho de forma analítica, 
atribuindo a competência crítica em relação ao pensamento social, tendo a objetividade 
reflexiva em decifrar a realidade da sociedade. 
Com isso, o assistente social na atualidade tem a competência técnico-político, 
que possibilita entender qualquer necessidade que a sociedade apresente a partir das 
múltiplas expressões da questão social, que expressa em nosso cotidiano nos mais distintos 
segmentos da classe trabalhadora, regido pelo sistema capitalista. 
Desta forma, o Serviço Social na contemporaneidade exige dos profissionais 
atenção no que se refere ao mundo contemporâneo, seja no âmbito econômico, social, 
político, cultural, tecnológico entre outros, e para isso os assistentes sociais precisam 
conhecer a realidade principalmente no enfrentamento e agravamento da desigualdade 
social causada pelo acúmulo do capital que continua se reafirmando na atualidade, além 
de participar de criações ou inovações modernizadoras que sejam favoráveis na atuação 
profissional.
O SERVIÇO SOCIAL NA 
CONTEMPORANEIDADE1
TÓPICO
O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4
58O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4
Neste sentido, Iamamoto (2012, p. 20) destaca que os assistentes sociais precisam 
“romper com a visão endógena, focalista, uma visão ‘de dentro’ do Serviço Social, prisioneira 
em seus muros internos”, ou seja, expandir seus horizontes, ter uma visão além do que está 
exposto no espaço sócio-ocupacional, buscando alternativas para executar as competênciase habilidades com excelência, devendo “decifrar a realidade e construir proposta de trabalho 
criativas e capazes de preservar e efetivar direitos, a partir de demandas emergentes no 
cotidiano”, assim o assistente social deve ser um profissional que busca soluções, ou seja, 
propositivo e não executor da política a qual está inserido. 
Diante desta afirmação é importante considerar que o assistente social inserido em 
um espaço sócio-ocupacional precisa romper com as atividades burocráticas e rotineiras 
que de certa forma reduz a mero empregado ou um executor de tarefas e cumpridor de 
carga horária, além de realizar múltiplas tarefas posta pelo empregador com a visão de um 
profissional que atua na perspectiva de caridade ou ajuda, acabando não permitindo a este 
profissional que exerça as atribuições e competências privativas a qual se propôs a realizar. 
Caro(a) aluno(a), entender o Serviço Social na contemporaneidade requer uma 
análise minuciosa das possibilidades apresentadas na realidade atual, considerando que 
o assistente social é um profissional liberal, porém é um trabalhador especializado, a qual 
vende a sua força de trabalho tanto para entidades públicas quanto privadas, mas que cabe 
ao assistente social apropriar-se das possibilidades, transformando em projeto de trabalho 
em pleno exercício profissional. 
Desta forma, o exercício profissional na contemporaneidade precisa ir além do 
simples, fazer profissional, Segundo Iamamoto (2012), o assistente social deve aprender a 
negociar, apresentar condições favoráveis, defender a prática profissional Além das suas 
qualificações, e com isso deve romper com a visão tradicional e conservadora do Serviço 
Social, a qual impede de apresentar possibilidades inovadoras e se destacar no mercado 
de trabalho, a qual pretende ou esteja inserido. 
59O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4
FIGURA 1 - EXERCÍCIO PROFISSIONAL 
ID da imagem: 1428830480
Em suma, o Serviço Social é considerado uma profissão especializada e inserida 
na divisão social e técnica do trabalho e que, a partir do movimento de reconceituação, os 
profissionais precisaram rever seus conceitos tradicionais e conservadores, tendo que adotar 
uma postura ética-política de competência crítica, porém, na sociedade contemporânea, o 
assistente social deve entender a dinâmica e a realidade na qual está inserido, propondo 
responder à necessidade da sociedade em um processo evolutivo. 
60
A “QUESTÃO SOCIAL” NA 
ATUALIDADE BRASILEIRA2
TÓPICO
O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4
Discutir a questão social na atualidade brasileira exige entender a dinâmica entre 
o Estado e o sistema capitalista, está relação que se destaca em prós e contra tanto para 
a sociedade quanto ao profissional do Serviço Social, pois de um lado temos o Estado que 
cria políticas públicas para minimizar a desigualdade social advinda do capitalismo e do 
outro lado temos um sistema monopolista cujo parâmetro é aumentar os lucros através do 
controle dos mercados. 
Desta forma, Netto (2011, p. 29) destaca que “o capitalismo monopolista pelas suas 
dinâmicas e contradições, cria condições tais que o Estado por ele capturado, ao buscar 
legitimação política através do jogo democrático, é permeável às demandas das classes 
subalternas”. Ou seja, o capitalismo monopolista provoca a desigualdade social e o Estado 
criar condições para atender as necessidades da sociedade, porém para manter a ordem 
econômica e política os programas sociais, como minha casa minha vida, bolsa família, 
entre outros desenvolvidos pelo governo ou até mesmo o incentivo pela recolocação no 
mercado de trabalho acaba beneficiando o sistema capitalista, pois se eleva a economia 
e, ao mesmo tempo, atende a questão social que por sua vez torna-se uma intervenção 
contínua e sistemática do Estado. 
Assim, Iamamoto (2013, p.332) corrobora enfatizando que “a raiz da questão social 
na atualidade, encontram-se políticas governamentais favorecedoras da esfera financeira 
e do grande capital produtivo”, ou seja, a causa da questão social provocada pelo sistema 
capitalista é controlada pelo Estado por meio de políticas governamentais, porém essas 
61
Através da política social, o Estado burguês no capitalismo monopolista procura administrar as expressões 
da questão social para atender às demandas da ordem monopolista conformando, pela adesão que se 
recebe de categorias e setores cujas demandas incorpora, sistema de consenso variáveis, mas operante. 
Fonte: Netto (2011, p. 30).
SAIBA
MAIS
O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4
políticas favorecem mais o capital e seu sistema produtivo que a própria sociedade que 
sofre pela desigualdade social originada pelo capital. 
De fato existe uma restrita relação entre o Estado e o capitalismo monopolista 
que por sua vez atua no país com poucas regulamentações e controles, tendo o lucro 
originário da produção e reprodução da sociedade valorizando o acúmulo de riquezas e 
com isso temos as múltiplas expressões da questão social expressa na sociedade atual, 
compreendendo o pauperismo e o desemprego como fatores predominantes no Brasil, 
tendo as políticas sociais para minimizar os problemas gerado pelo capital. 
Caro(a) aluno(a), para entender mais a fundo sobre a questão social, vamos 
nos pautar em um dos estudos de Iamamoto (2001), o qual apresenta quatro aspectos 
considerados importantes na intervenção da questão social na atualidade brasileira, 
reafirmando que cabe aos assistentes sociais entender os problemas sociais postos na 
sociedade para atuar frente a política a qual está inserido. 
O primeiro é considerar a lógica financeira de ampliar a desigualdade social 
distribuída territorialmente, ou seja, podemos encontrar maior concentração de exploração 
de mão de obra com rendimento salarial desproporcional em algumas regiões do país, bem 
como o desemprego e a busca por exército industrial de reserva para ampliar o lucro do 
capital. 
No segundo é o modo de produção e a substituição da força de trabalho por 
máquinas a qual proporciona ao sistema capitalista a redução de custo, porém gera o 
desemprego, com o enxugamento do quadro de funcionários as relações de trabalho 
tornam-se irreversíveis causando diversos problemas na vida do trabalhador, que muitas 
vezes precisa se qualificar e se especializar para se manter no mercado de trabalho. 
62O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4
Já o terceiro é reconhecer que temos um Estado submetido aos interesses 
econômicos e políticos dominantes, que contrata assistente social para viabilizar os direitos, 
porém busca alternativas para redução de despesas, como, por exemplo, a diminuição de 
atendimentos, restringindo recursos para implementação de projetos em prol da sociedade 
o que se torna cada vez mais escasso os meios de trabalho. 
E por fim, o quarto aspecto trata-se do critério de racionalidade do mercado que 
eleva a produtividade e competitividade, reforçando o individualismo subordinado às 
leis mercantis que estimula atitudes isoladas, além de assumir riscos de uma sociedade 
desigual, com isso surge as diversas expressões da questão social, aspectos estes que 
ainda reflete na atualidade brasileira o que pode ser considerado novas expressões da 
questão social e que cabe ao assistente social entender a dinâmica que está inserido e 
atuar em prol da sociedade, na luta pelos direitos e pela equidade. 
63
TENDÊNCIAS ATUAIS PARA O 
SERVIÇO SOCIAL3
TÓPICO
O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4
Entender o Serviço Social na atualidade requer compreender alguns fatores 
predominantes da profissão, tais como, o contexto histórico do Serviço Social; a relação do 
Estado com o capital; as condições que circunscrevem o trabalho do assistente social nas 
relações sociais e as expressões da questão social, assuntos que abordamos nas unidades 
anteriores. 
Desta forma, para explanar as tendênciaspara o Serviço Social, vamos nos pautar 
na formação profissional e no mercado de trabalho. Assuntos que vêm sendo discutidos 
em congressos, seminários e debates do Serviço Social nos últimos anos, isso porque a 
modalidade de ensino e o mercado de trabalho tornaram-se assuntos da atualidade os 
profissionais das mais diversas categorias precisam se adequar ao novo formato instaurado 
na sociedade, principalmente os assistentes sociais. 
O processo formativo tem aumentado constantemente nos últimos anos, em uma 
pesquisa realizada por Iamamoto (2014) no ano de 2011 o MEC autorizou 358 cursos 
de graduação, sendo que 18 instituições ofertavam cursos de graduação em ensino à 
distância (EaD) com 68.742 vagas e 340 instituições ofertavam cursos presenciais com 
39.290 vagas. Como pode averiguar, no ano de 2011 o número de instituições de ensino 
e as vagas ofertadas em ambas as modalidades é discrepante, porém esta diferença tem 
aumentado ainda mais nos últimos anos. 
Segundo o censo do INEP/MEC (2019, p. 22) “entre 2008 e 2018, as matrículas de 
cursos de graduação à distância aumentaram 182,5%, enquanto na modalidade presencial 
o crescimento foi somente de 25,9% nesse mesmo período” os motivos pela escolha do 
64O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4
ensino à distância são diversos, porém o fato predominante é as exigências do mercado 
de trabalho por especialização e com isso causa uma divisão de opiniões na categoria 
profissional em relação ao ensino à distância. 
Ora, o Serviço Social, assim como qualquer profissão é inscrita na divisão social e 
técnica do trabalho, a prática profissional depende da utilidade social e com isso o assistente 
social precisa poder responder às necessidades sociais que são as fontes da demanda 
profissional e por mais que o processo formativo atual gera debates acerca da modalidade 
de ensino, não devemos deixar de enfatizar que o assistente social é um trabalhador 
assalariado e como os demais profissionais vende a sua força de trabalho para o mercado 
que exige especialização para exercer as atribuições e competências (Iamamoto, 2012, p. 
172). Mas você, caro(a) aluno(a), deve estar se perguntando: por que alguns profissionais 
não são a favor do ensino à distância? 
FIGURA 2: QUESTIONAMENTO
Fonte:Shutterstock 1182822646
O projeto de formação profissional foi idealizado no período ditatorial em um 
processo de ruptura com o conservadorismo, as diretrizes curriculares do curso de Serviço 
Social por sua vez foi aprovado em um momento que o ensino à distância não existia como 
nos dias atuais e a evolução que o mercado de trabalho tem se mostrado, acabou causando 
alguns pensares em relação à prática profissional, pois o assistente social precisa poder 
responder de forma crítica o seu fazer profissional além de ter a criatividade de atender aos 
desafios posto pelo sistema capitalista, o que gerou conflitos e divisão de opiniões. 
65O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4
Ou seja, de um lado temos profissionais que compreendem o ensino à distância como 
a extensão do próprio capital que passou a ser uma exigência para aumentar o seu lucro 
e do outro lado temos profissionais que analisam o desvendar das tendências do Serviço 
Social na atualidade como reconhecer a realidade exposta na sociedade percebendo que 
o fazer profissional não depende do “como”, mas da capacidade de decifrar a realidade de 
forma crítica e interventiva.
Em relação ao mercado de trabalho, as discussões são pautadas na evolução 
do capital, a qual gera novas profissões, entendendo que estas novas profissões podem 
desqualificar as profissões já existentes ou até mesmo substituí-las, causando preocupação 
para muitas profissões. Portanto, podemos compreender que na esfera do mercado de 
trabalho as refrações dessas mudanças indicam uma tendência ao redimensionamento do 
perfil profissional, entendendo a dinâmica da sociedade atual. 
Partindo desta lógica é que Iamamoto (2012) destaca que deve haver uma 
harmonia entre à formação profissional e o mercado de trabalho, principalmente nos dias 
atuais e cabe ao assistente social entender a dinâmica e as tendências contemporâneas, 
tendo como forma de preservar a própria sobrevivência do Serviço Social, porém é evidente 
que diante das próximas mudanças acontecendo na sociedade é necessário realizar uma 
revisão curricular, pautada nas transformações societárias a partir do que está exposto no 
mercado de trabalho. 
Assim, a autora supracitada corrobora que as mudanças no mercado de trabalho 
são um processo que desafia a sociedade toda, principalmente aos assistentes sociais 
que atuam frente às relações sociais nos mais diversos espaços sócio-ocupacionais, seja 
na esfera pública ou privada, desta forma, o Serviço Social na contemporaneidade deve 
ser considerado mais que um simples título formal, pois sintetiza no desafio de decifrar a 
realidade, compreendendo o seu exercício profissional a partir de uma análise crítica e 
interventiva. 
66
Chegamos ao fim desta unidade e com isso aprendemos que o Serviço Social 
na contemporaneidade passou a ser considerado após o movimento de reconceituação 
que aconteceu no período do regime militar, com a intenção de ruptura os assistentes 
sociais precisaram romper com a visão endógena e conservadora que tinham na origem da 
profissão. Porém, a partir disso, ocorreram muitas mudanças na sociedade, principalmente 
na atualidade, a qual abordamos ao longo desta unidade. 
Como forma de recapitular os assuntos, tratarei brevemente, porém precisas para 
que você, caro(a) aluno(a), entenda que tanto a origem quanto a atualidade da profissão 
deve ser considerada para que assim possa forma o seu perfil profissional considerando 
que o Serviço Social é uma profissão inscrita na divisão social e técnica do trabalho que 
cabe ao assistente social atuar na perspectiva interventiva e crítica. 
Assim, na primeira parte, tivemos como proposta abordar o Serviço Social na 
contemporaneidade, trazendo assuntos atuais e relevantes para conseguir refletir no fazer 
profissional durante o período da sua formação. Já na segunda parte, tratamos sobre a 
questão social na atualidade brasileira, um assunto pouco discutido no meio acadêmico 
diante do cenário atual. Falar da questão social como objeto de trabalho deve ser refletido 
sempre a partir do contexto histórico atual. 
E por último abordamos sobre as tendências atuais para o Serviço Social a qual 
na introdução destaquei como um assunto polêmico na categoria profissional, porém o 
que deve ser considerado é o fazer profissional a partir do conceito profissional onde o 
assistente social inserido na sociedade contemporânea deve buscar alternativas para que 
a finalidade da profissão não seja confundida com discurso ideológico, mas sim a partir de 
uma análise crítica e investigativa considerando o contexto social atual a qual está inserido.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4
67
LEITURA COMPLEMENTAR
Por que processos de trabalho e Serviço Social? 
(...)
Ao se falar em “prática profissional” usualmente tem-se em mente “o que o assistente 
social faz”, ou seja, o conjunto de atividades desempenhadas pelo profissional. A leitura hoje 
predominante da “prática profissional” é de que ela não deve ser considerada “isoladamente”, 
“em si mesmo”, mas em seus “condicionantes” sejam eles “internos” - os que dependem 
do desempenho do profissional - ou “externos” - determinados pelas circunstâncias sociais 
nas quais se realiza a prática do assistente social. Os primeiros são geralmente referidos 
a competências do assistente social como, por exemplo, acionar estratégias e técnicas; a 
capacidade de leitura da realidade conjuntural, a habilidade no trato das relações humanas, 
a convivência numa equipe interprofissional, etc. Os segundos abrangem um conjunto de 
fatores que não dependem exclusivamente do sujeitoprofissional, desde as relações de 
poder institucional, os recursos colocados à disposição para o trabalho pela instituição ou 
empresa que contrata o assistente social; as políticas sociais específicas, os objetos e 
demandas da instituição empregadora, a realidade social da população usuária dos serviços 
prestados, etc. 
Em síntese, a prática profissional é vista como a atividade do assistente social 
na relação com o usuário, os empregadores e os demais profissionais. Mas, como esta 
atividade é socialmente determinada, consideram-se também as condições sociais nas 
quais se realiza, distintas da prática e a ela externas, ainda que nela interfiram. 
(...)
Fonte: IAMAMOTO, Marilda Villela. O Serviço Social na Contemporaneidade: 
trabalho e formação profissional. 22 ed. São Paulo. Cortez. 2012, p. 94.
O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4
68
MATERIAL COMPLEMENTAR
• FILME/VÍDEO
• Título: O Coração Corajoso de Irena Sendler.
• Ano: 2009
• Sinopse: baseado na verdadeira história de Irena Sendler, uma 
assistente social polaca que durante a Segunda Guerra Mundial 
ajudou a salvar cerca de 2500 crianças Judias, contrabandeando-
as para fora do Gueto de Varsóvia. Depois, ela acabou presa pelos 
nazistas.
• LIVRO
• Título: Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e 
formação profissional.
• Autora: Marilda Villela Iamamoto.
• Editora: Cortez. 
• Ano: 1998.
• Sinopse: este livro comporta uma nova e inquietante agenda 
de questões para o trabalho e para a formação profissional do 
assistente social. O Serviço Social sente hoje os impactos de uma 
nova conjuntura, que lhe coloca o desafio de repensar a formação 
profissional em tempos de novas demandas e de investimentos.
O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4
69
CONCLUSÃO GERAL
Caro(a) aluno(a)! 
Chegamos ao final de mais uma etapa. Espero que você tenha compreendido 
os temas abordados nas quatro unidades do livro de Introdução ao Serviço Social. Os 
assuntos tratados foram pensados no seu processo formativo. A intenção foi apresentar 
fatores atuais, porém resgatando contextos históricos para compreender a profissão.
Desta forma, destaco que o Serviço Social é uma profissão inscrita na divisão social 
e técnica do trabalho, habilitado para atuar na esfera pública e privada, sendo considerado 
um profissional liberal, analítico e crítico, que teve a sua origem nas ações da igreja católica, 
mas regulamentou-se enquanto profissão, além de atuar nas relações sociais do trabalho, 
frente às mais diversas expressões da questão social advinda do sistema capitalista
Além de conceituar alguns contextos históricos, também foi apresentado as 
alterações no Código de Ética do (a) Assistente Social que ocorreram nos anos de 1947, 
1965, 1975, 1986 e o atual em 1993 e a Constituição Federal de 1988 e o LOAS que rege 
o exercício profissional frente às políticas públicas, além dos órgãos representativos que 
fiscaliza, orienta, disciplina e defende o exercício profissional.
Também discutimos sobre a identidade profissional em relação à formação 
profissional, as competências e habilidades do assistente social, apresentando o mercado 
de trabalho e os principais campos de atuação profissão, destacando que devido às novas 
expressões da questão social está surgindo novos campos de atuação e que cabe ao 
assistente social tem um Projeto Ético Político para atuar frentes aos demais espaços 
sócio-ocupacionais, considerando o Serviço Social na contemporaneidade, principalmente 
o processo formativo e o mercado de trabalho a qual são tendências atuais da profissão. 
Um grande abraço e sucesso na sua vida acadêmica e profissional.
70
ABEPSS. Diretrizes gerais para o curso de Serviço Social. 1996. Disponível em: http://
www.abepss.org.br/arquivos/anexos/04-a-caderno-abess-n7-diretrizes-gerais-para-o-
curso-de-servico-social-(com-base-no-curriculo-minimo-aprovado-em-assembleia -geral-
extraordinaria-de-8nov-201702011415372855610.pdf. Acesso em: 17 jan. 2025
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BARROCO, Maria Lúcia Silva; TERRA, Sílvia Helena. Código de Ética do/a assistente 
social comentado. Organização: Conselho Federal de Serviço Social - CFESS. São Paulo: 
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2019. Disponível em: http://download.inepgov.br/educacao_superior/censo_superior/
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social. 10. ed. Rev. e atual. Brasília: Conselho Federal de Serviço Social, 2012.
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CFESS. Histórico. Disponível em: http://www.cfess.org.br/visualizar/menu/local/o-cfess. 
Acesso em: 16 jan. 2020.
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71
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IAMAMOTO, Marilda Villela. A formação acadêmico-profissional no Serviço Social brasileiro. 
Servir. Soc. Soc., São Paulo, n. 120, p. 609 - 639, out./dez. 2014. Disponível em: http://
www.scielo.br/pdf/sssoc/n120/02.pdf. Acesso em: 23 jan. 2020.
IAMAMOTO, Marilda Villela. O Brasil das desigualdades: “questão social”, trabalho e 
relações sociais. SER social, Brasília, v. 33, pág. 261-384, jul./dez. 2013. Disponível em: 
http://www.cressrn.org.br/files/arquivos/FaPa1Oy8kQ65voJ4T345.pdf. Acesso em: 22 jan. 
2020.
IAMAMOTO, Marilda Villela. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação 
profissional. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2012.
IAMAMOTO, Marilda Villela. Os espaços sócio-ocupacionais do assistente social . Serviço 
Social: Direitos Sociais e Competências Profissionais. Edição CFESS e ABEPSS, 2009.
IAMAMOTO, Marilda Villela. Pesquisa em Serviço Social. Ano 2, n. 3. Brasília: ABEPSS, 
Grafline, 2011.
IAMAMOTO, Marilda Villela. Renovação e conservadorismo no Serviço Social . 6. ed. São 
Paulo: Cortez, 2002.
IAMAMOTO, Marilda Villela. Serviço Social em tempo de Capital Fetiche: Capital financeiro, 
trabalho e questão social. 3.ed. São Paulo: Cortez, 2008.
IAMAMOTO, Marilda Villela; CARVALHO, Raul de. Relações Sociais e Serviço Social no 
Brasil: esboço de uma interpretação histórica-metodológica. 16. ed. São Paulo: Cortez, 
2006.
LIMA, Daniela Alves. Introdução ao Serviço Social . São Paulo: Pearson Education do 
Brasil, 2014.
72
MARX, Karl. O Capital. Volume 1, Cap. I. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.
MONTAÑO, Carlos. A Natureza do Serviço Social: um ensaio sobre a gênese, a 
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NETO, José Paulo. Cinco notas a propósito da questão social. Temporalis, ano II, n. 3, p. 
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64. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2005.
SANTOS, Josiane Soares. Questão Social: particularidades no Brasil. 1. ed. São Paulo: 
Cortez, 2017.
YAZBEK, Maria Carmelita et al. O Serviço Social brasileiro em movimento: fortalecendo a 
profissão na defesa de direitos. Revista Serviço Social e Sociedade, São Paulo: Cortez, 
2008.
YAZBEK, Maria Carmelita. As ambiguidades da Assistência Social Brasileira após 10 anos 
de LOAS . Revista Serviço Social & Sociedade, São Paulo, ano XXV, n.77, p. 11 - 29, mar. 
2004.
YAZBEK, Maria Carmelita. Pobreza e exclusão social: expressões da questão social. 
Temporalis, ano II, n. 3, p. 33 - 40, 2001.
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	Botão 19: 
	Botão 18: 
	Botão 17: 
	Botão 16:que são 
consideradas importantes na vida do ser humano, mas que muitas vezes são implicadas 
pelo sistema capitalista que reage na busca por aumento da riqueza comprometendo as 
relações sociais gerando a desigualdade social e o que chamamos de questão social, objeto 
de trabalho dos assistentes sociais outro ponto abordado nesta unidade.
Por fim, apresento o Estado e o papel das instituições religiosas, antes do Serviço 
Social se regulamentar enquanto profissão. De um lado, tínhamos o Estado que não se 
preocupava com a classe trabalhadora e, do outro, a igreja que buscava nas instituições 
uma forma de ofertar as doutrinas religiosas. 
Desejo bons estudos e que aproveite o conteúdo desta unidade.
SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1
9
O Serviço Social é uma profissão inscrita na divisão social e técnica do trabalho. 
Considerado uma profissão liberal, dispondo de estatutos legais e éticos, os quais atribui 
autonomia em relação à condução do exercício profissional e por meio das dimensões 
teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa, é que o assistente social torna-se 
habilitado para atuar tanto na esfera pública quanto na esfera privada, nos mais diversos 
campos sócio ocupacionais. 
A origem do Serviço Social sucedeu na sociedade capitalista madura, conceituado 
como especialização do trabalho coletivo a partir da articulação no processo de produção 
e reprodução das relações sociais, mas para entender a origem e o conceito do Serviço 
Social no Brasil é necessário apresentar de forma separada, conforme vejamos a seguir. 
1.1 ORIGEM DO SERVIÇO SOCIAL
De acordo com Montaño (2007), a base da profissão foi pautada no termo “ajuda”, 
encontrado nas obras de Tomás de Aquino e Vicente de Paula, primeiros precursores 
da assistência social. Os estudos do autor supracitado foram embasados nas obras de 
grandes pensadores, como Herman Kruse, Ezequiel Ander-Egg, Natálio Kisnerman, Boris 
Alexis Lima, Ana Augusta de Almeida, Balbina Ottoni Vieira, José Lucena Dantas, entre 
outros, que em sua maioria enfatizaram que o Serviço Social antecedeu na caridade e na 
filantropia, tese tratada como perspectiva endogenista.
O QUE É SERVIÇO SOCIAL: 
ORIGENS E CONCEITO1
TÓPICO
1
SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1
10
No entanto, o autor destaca que considerar a origem do Serviço Social exclusivamente 
pautada nas práticas da filantropia e da caridade é um tanto quanto arbitrárias, de fato as 
práticas exercidas tinha um cunho doutrinário, muitas vezes com base na ajuda e caridade, 
mas a origem do Serviço Social sucedeu a partir das desigualdades sociais (conhecida 
pelos profissionais como “questão social”), causadas a partir do período da Revolução 
Industrial.
Por tanto, a origem do Serviço Social enquanto profissão ficou marcada com a 
ascensão do capitalismo, principalmente no período de uma sociedade burguesa mais 
madura, a qual gera a desigualdade social e a divisão de classes, além da latente alienação 
e antagonismo social. E assim, surge a profissão de Serviço Social, articulada ao projeto 
hegemônico do poder burguês, com estratégia de controle social e a ilusão de servir à 
sociedade.
IMAGEM 1: DIVISÃO DE CLASSES.
ID da imagem: 1553930366
Em relação ao Brasil, Iamamoto e Carvalho (2006) destacam que a origem do 
Serviço Social esteve vinculada a iniciativas da igreja católica, as quais as chamadas 
“moças boazinhas” eram inseridas nos setores mais abundantes da sociedade, ou seja, 
vinculados à classe burguesa, para colocar em ação a sua missão política de apostolado 
social, juntamente às classes subalternas, em particular a família operária.
SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1
11
 Yazbek et al. (2008) corrobora que a origem do Serviço Social no Brasil esteve 
ligada a um pensamento conservador (doutrinário) da igreja católica, tinha cunho de ação 
educativa, atuando em entidades filantrópicas com o apoio do Estado, seguindo uma linha 
de prevenção aos problemas sociais, visto que a questão social culminou na Revolução 
Industrial e era vista como um problema causado pelo indivíduo que neste caso precisava 
de uma ação curativa, trabalhando a moral e a religiosidade. 
Iamamoto (2002, p.19) complementa que o “Serviço Social surge da iniciativa de 
grupos e frações de classes dominantes, que se expressam através da Igreja, como um 
dos desdobramentos do movimento do apostolado leigo”. Com isso, as assistentes sociais 
acabam tendo contato direto com o operário, a qual atendia diretamente no seu ambiente 
de habitação para renovar a moral da família, atuando principalmente com as mulheres e 
as crianças por meio de ações individuais.
1.2 CONCEITO DO SERVIÇO SOCIAL
O processo de industrialização no Brasil iniciou-se no século XX, marcando 
profundamente a sociedade, com o desenvolvimento do capitalismo o mais rápido possível, 
cresce o número da classe operária nos centros urbanos e com isso o aumento da 
exploração do trabalho e a desigualdade social, condições propícias para o Serviço Social 
se profissionalizar, pois houve a necessidade de institucionalizar e legitimar como um dos 
recursos mobilizadores tanto do Estado quanto do capitalismo que tinha o suporte da igreja 
católica na perspectiva do enfrentamento da questão social.
Fato este que só foi efetivo no ano de 1930 pelo ex-presidente Getúlio Vargas, que 
entendeu a questão social como dever do Estado e na intenção de legitimar a relação entre 
o capital e trabalho criou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o salário mínimo, as 
O trabalho do assistente social se insere numa relação de compra e venda de mercadorias onde a sua 
força de trabalho é mercantilizada. Aí se estabelece uma das linhas divisórias entre a atividade assistencial 
voluntária, desencadeada por motivações puramente pessoais idealistas, e a atividade profissional. 
Fonte: IAMAMOTO, Marilda Vilela; RAUL, de Carvalho. Relações Sociais e Serviço Social no Brasil: 
esboço de uma interpretação histórico-metodológica. 16 ed. São Paulo. Cortez. 2006.
REFLITA
SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1
12
legislações sindicais e entre outras legislações, de cunho controlador e paternalista, o Estado 
transformou a questão social em um problema de administração, desenvolvendo políticas 
públicas e agências estatais, que se tornaram campos de atuação para os assistentes 
sociais (Yazbek et al., 2008, p. 8).
Não demorou muito para que a igreja católica se tornasse responsável pelo conjunto 
de ideias e conteúdos para o processo de formação das primeiras assistentes sociais, com 
isso surge no ano de 1932 o Centro de Estudo e Ação Social (CEAS) no estado de São 
Paulo, considerada a entidade fundadora e mantenedora das primeiras escolas de Serviço 
Social no Brasil, que aconteceu somente em 1936, mesclando as visões entre os estudos 
da França e Bélgica em uma perspectiva social, ética e técnica em relação à formação 
profissional. 
SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1
13
A evolução do capitalismo foi um marco para a sociedade e se analisarmos ao 
viés da profissão do Serviço Social pode-se considerar que a relação de trabalho em meio 
às mudanças do capitalismo trouxe grandes implicações, pois o modo de produção além 
de refletir diretamente no cotidiano dos indivíduos, as consequências foram irreversíveis, 
dentre as quais, a pauperização; o desemprego; a precarização nas condições de trabalho, 
sem contar na desigualdade social que foi gigantesca.
Marx (1989) destaca que a relação do homem com trabalho é o que transforma 
enquanto ser humano, mas o processo de trabalho criado pelo sistema do capitalista, nas 
condições de regulador de salários, impede que o trabalhador eleve o valor da sua força de 
trabalho e mesmo com todo esse descompasso é importante considerarmos que o modo de 
produção aproxima o ser humano dele mesmo, mas como ele é desenvolvido pode afastar 
criando conflitos nas relações detrabalho. 
Iamamoto (2008) destaca que o trabalho produtivo é a base de toda a troca por 
dinheiro, na qual o capital detém a força de trabalho humana para expandir seu lucro, 
enquanto o trabalhador usa desta força para reproduzir o valor que de fato pertencente 
ao capital, ou seja, tudo gira em torno do sistema capitalista e por mais que o trabalhador 
venda a sua força de trabalho para garantir ao mínimo a sua sobrevivência ainda não é 
o suficiente, pois o capital dispõe da maior parte de todo o lucro da produção humana 
e à medida que o capitalismo expande a produção do trabalho se torna cada vez mais 
inalienável ao sistema, tendo o trabalho produtivo como um processo que repõem o capital 
e produz o consumo.
AS RELAÇÕES DE TRABALHO 
E O SURGIMENTO DA 
“QUESTÃO SOCIAL” NO BRASIL2
TÓPICO
SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1
14
Contudo, este processo fez com que o capitalismo torna-se um sistema central 
e dominante nas relações de trabalho, um sistema concentrado em grandes margens de 
lucro reduzido em pequenos monopólios e exaustivamente rentável, caracterizando assim o 
capitalismo dos monopólios, um sistema subdesenvolvido capaz de sugar cada vez mais o 
modo de produção, a forma de trabalho e suas condições para produzir em alta escala, tudo 
isso por deter a força produtiva do trabalhador a seu favor, considerando que o trabalho e o 
produto é propriedade do capitalismo, com isso gera-se a chamada questão social.
A questão social sempre esteve presente no processo das relações de trabalho. 
De acordo com Santos (2017) a questão social surge no Brasil no período da República 
Velha (1889 – 1930) com a superexploração da força de trabalho marcando o país com 
uma jornada de trabalho exaustiva e com salários degradantes, gerando manifestações 
por parte da classe trabalhadora devido à desigualdade social, período este que a questão 
social não era reconhecida com um dever estatal. 
A autora supracitada nos apresenta que no período do governo Vargas (1930 
– 1945) a valorização da produção agroexportadora era considerada forte, deixando as 
relações de trabalho uma lacuna seguida com a desigualdade social. Com isso, o governo 
regulamentou os direitos trabalhistas e sociais e passou a controlar por meio das entidades 
filantrópicas criadas para atender os problemas sociais.
Porém, foi no período do regime militar que a questão social se intensificou, pois 
tivemos uma forte repressão e criminalização contra as lutas sociais, com o aumento da 
burocracia estatal a desigualdade social cresceu, outro fator predominante foi à exclusão 
da classe trabalhadora no processo político decisório do país, com isso o capitalismo 
monopolista se desenvolveu fortemente. 
A questão social é compreendida como um conjunto das expressões das desigualdades da sociedade 
capitalista madura, que tem uma raiz comum: a produção social e cada vez mais coletiva, o trabalho torna-se 
mais amplamente social, enquanto a apropriação dos seus frutos mantém-se privada. 
Fonte: IAMAMOTO, Marilda Vilela. O Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e formação 
profissional. 22 ed. São Paulo. Cortez. 2012, p. 27. 
SAIBA
MAIS
SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1
15
Ainda no período do regime militar tivemos salários reduzidos e um elevado número 
de desemprego, com isso o Serviço Social passa a se deparar com as mais diversas 
expressões da questão social, a qual reflete até os dias atuais, sendo este o objeto da 
profissão em meio ao processo de produção e reprodução nas relações sociais. 
De acordo com Iamamoto (2012, p. 28) “os assistentes sociais trabalham com a 
questão social nas suas mais diversas expressões quotidianas”, sejam no trabalho, no 
âmbito familiar, na saúde, educação, habitação entre outros fatores que ocasionam os 
problemas sociais e que cabe ao assistente social atuar frente a estas situações. 
SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1
16
Caro(a) aluno(a), conforme os nossos estudamos, o Serviço social surgiu no Brasil 
para atender as necessidades do sistema capitalista e do Estado, vinculada nas iniciativas 
da igreja católica os profissionais passaram a atuar nas expressões das questões sociais 
causadas nas relações antagônicas e contraditórias entre o capital e o trabalho. 
Partindo desta perspectiva é que vamos nos aprofundar nesta parte da unidade, 
porém, vamos entender o Estado e o papel das instituições religiosas antes do surgimento 
do Serviço Social no Brasil. Cabe destacar que o Estado é o órgão que mais contrata 
profissionais para atuar frente às políticas públicas, seja na condução e/ou elaboração, 
sendo este fundamental para que o Serviço Social se profissionalizasse e se desvinculasse 
do cunho doutrinário e do modo conservador. 
Com o fim das oligarquias, a república velha foi importante para a formação do 
Estado brasileiro, uma vez que trouxe consigo inúmeros avanços políticos que se tornariam 
posteriormente importantes para o Serviço Social. No início do século XX o Estado deveria 
ser o intercessor entre o capital e o trabalho, porém não assumiu as suas funções como 
deveria, com isso tivemos exploração da mão-de-obra e jornada de trabalho exaustivo, além 
da precarização, neste período não tinha uma legislação que se respalda o trabalhador 
muito menos se tinha o Estado à compreensão de que a desigualdade social era um dever 
governamental.
Com isso, temos a igreja católica que realizava as chamadas ações sociais para 
atender à classe operária, além de promover o ensino e cultura baseado na doutrina religiosa, 
conduzido pelas moças boazinhas vinculadas à igreja católica. Como neste período a igreja 
ANTECEDENTES DO SERVIÇO 
SOCIAL NO BRASIL: O ESTADO 
E O PAPEL DAS INSTITUIÇÕES 
RELIGIOSAS3
TÓPICO
SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1
17
não tinha o apoio do Estado, acabava realizando as ações na própria igreja e/ou nos lares 
dos operários, que atuava na perspectiva da caridade, por meio da prática filantrópica e 
moralista. 
Mesmo o país sendo considerado um Estado laico, foi no governo Getulista que 
a igreja católica teve uma relação mais estreita com o ex-governo, levando uma grande 
massa da população a apoiar o governo e tendo consequentemente medidas a seu favor, 
como, por exemplo, o decreto que permite o ensino religioso nas escolas públicas e a 
criação das instituições religiosas, consideradas entidades filantrópicas para atender as 
necessidades da classe trabalhadora.
O papel das instituições religiosas era de ofertar serviços especializados para as 
pessoas consideradas desassistidas pelo governo e a criação das instituições religiosas 
passou a ser importante, tanto para a sociedade, quanto para a igreja, pois de um lado 
tínhamos aqueles que lutavam por uma causa e do outro aqueles que em um presente 
momento da vida necessitava de atenção. Mas nós, enquanto assistentes sociais, devemos 
nos respaldar nos direitos humanos e sociais, dando ao indivíduo autonomia sobre a sua 
vida e apresentando os seus direitos enquanto cidadão.
SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1
18
Caro(a) aluno(a) no decorrer desta unidade estudamos que o Serviço Social é 
uma profissão inserida na divisão social e técnica do trabalho, que atua na perspectiva 
interventiva no processo das relações sociais, esta profissão dispõe de legislação que 
respalda os profissionais a partir do seu exercício profissional.
Porém, na origem do Serviço Social não tínhamos esta organização, isto porque o 
Serviço Social se originou no Brasil para atender as necessidades do sistema capitalismo 
tendo o Estado como um aliado, o qual buscou nos profissionais do Serviço Social uma 
forma de atender as necessidades da classe trabalhadora. Com o sistema capitalista, as 
relações do trabalho se tornaram frágeis e, com isso, o trabalhador era o que mais sofria 
diante das opressões vividas, gerando diversas expressões da questão social, objeto 
principalpara que o Serviço Social se fortalecesse enquanto profissão.
De fato a origem e todo o processo da profissão, as quais estudamos nesta unidade 
nos faz perceber que assim como a sociedade o Serviço Social também evoluiu na condução 
do seu trabalho e acredito que este processo de evolução deve ser constante, tanto para 
você enquanto ao aluno e futuro assistente social.
Em relação ao Estado e as instituições religiosas, podemos considerar que de um 
lado temos um Estado que transfere as suas obrigações para as instituições religiosas e 
do outro lado essas instituições que atuam com serviços especializados, o que de certa 
forma torna dois grandes campos de atuação para o profissional de Serviço Social. Além 
do Estado, exigir a profissionalização dos primeiros profissionais que buscaram alternativas 
para institucionalizar a profissão, é considerado um avanço para a categoria profissional. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1
19
(...)
A “VELHA” E A “NOVA” QUESTÃO SOCIAL
 
 É sabido que muitas foram às transformações que a sociedade sofreu, inclusive 
no mundo capitalista, fazendo com que alguns autores definiram a “velha questão social” 
como sendo “nova questão social”. Fundamentando o novo: no aumento do desemprego, 
na miséria, nas diversas formas de exclusão social, nos novos sujeitos e principalmente em 
suas novas necessidades.
Sobre tais mudanças, Pastorini (2010) destaca serem muito importantes, porém, 
que são novas formas de sua expressão e que mantêm traços de sua origem. O que há são 
diferentes versões da questão social para cada estágio capitalista, diferentes reações da 
sociedade frente a ela, buscando estabilidade e manutenção da ordem, além da preocupação 
com a reprodução das desigualdades e contradições capitalistas e o do reconhecimento 
social como partes fundamentais das diferentes versões da questão social.
(...)
 
Fonte: DAMASIO, Aline Medeiro. O Projeto Social como Resposta à Questão 
Social. S/d. Disponível em: https://cress-mg.org.br/hotsites/Upload/Pics/ff/ff4abc60-cd6e-
430b-abe1-cc5c5e7120dc.pdf. Acesso em: 16 jan. 2019.
 
LEITURA COMPLEMENTAR
SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1
https://cress-mg.org.br/hotsites/Upload/Pics/ff/ff4abc60-cd6e-430b-abe1-cc5c5e7120dc.pdf
https://cress-mg.org.br/hotsites/Upload/Pics/ff/ff4abc60-cd6e-430b-abe1-cc5c5e7120dc.pdf
20
MATERIAL COMPLEMENTAR
• FILME/VÍDEO
• Título: Os Companheiros.
• Ano: 1963.
• Sinopse: a história de operários têxteis explorados em Turim, 
na Itália, na virada do século, que começam na luta por melhores 
condições de trabalho. O professor Sinigaglia (Marcello Mastroianni) 
é enviado pelos socialistas para organizar sua greve e dar forma à 
sua luta.
• LIVRO
• Título: NATUREZA DO SERVIÇO SOCIAL.
• Autor: Carlos Montaño.
• Editora: Cortez.
• Ano: 2007.
• Sinopse: o livro tem por objetivo, por um lado, apresentar 
sucintamente a discussão feita, ao longo das últimas três décadas, 
sobre a gênese do Serviço Social e, por outro, os rebatimentos 
da lógica positivista herdada da sua emersão, reposta no 
desenvolvimento atual da profissão.
SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1
Professora. Esp. Irení Alves de Oliveira
NORMAS E ÓRGÃOS 
REGULADORES2UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
22
Plano de Estudos
• CFESS (Conselho Federal de Serviço Social).
• CRESS (Conselho Regional de Serviço Social).
• Código de Ética do profissional do Serviço Social.
• Constituição de 1988 e seus impactos para a assistência social.
• Lei Orgânica da Assistência Social de 1993 – LOAS/93 (Lei N 12.435/11).
Objetivos da Aprendizagem
• Conhecer o surgimento do CFESS; 
• Compreender as atribuições do CRESS; 
• Aprofundar nas alterações dos Códigos de Ética Profissional;
• Conhecer os impactos da Assistência Social a partir da promulgação da 
Constituição Federal de 1988; 
• Se aprofundar na LOAS, Lei que regulamenta a Assistência Social. 
NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
23
Caro(a) aluno(a), como pode ter notado no título desta unidade, a partir de agora 
você irá aprender um pouco sobre as normas e os órgãos que regulamentam a profissão 
e o serviço socioassistencial, em que estará inserido quando atuar enquanto assistente 
social. Para entender os assuntos que serão abordados nesta unidade (que considero 
importante para você enquanto aluno do curso de Serviço Social), será necessário dividi-
los em partes, mas já adianto que mesmo conhecendo e se apropriando dos conteúdos 
desta unidade, espero que você busque estudar mais sobre os assuntos, principalmente os 
órgãos competentes e a LOAS. 
Logo no início apresento sobre o Conselho Federal de Assistência Social (CFESS) 
e em seguida o Conselho Regional de Serviço Social (CRESS), ambos considerados 
autarquias públicas que visam orientar, disciplinar, normatizar, fiscalizar e defender o 
exercício profissional do(a) assistente social no Brasil. 
Depois, será abordado o assunto do Código de Ética profissional, realizando um 
contexto histórico e apresentando as alterações feitas desde a apresentação do primeiro 
C.E que foi em 1947 até a última em 1993, marcando assim a profissão considerado uma das 
primeiras a ter legislação na área social, regulamentando enquanto categoria profissional. 
Por fim, apresentarei brevemente sobre a Constituição Federal de 1988, mais 
especificamente os artigos 203 e 204 e os impactos causados na área da assistência social, 
levando a promulgação da Lei Orgânica da Assistência Social, regulamentando tanto os 
serviços prestados quanto os direitos do cidadão ao utilizar desses serviços ofertados pela 
política de assistência social. E, enquanto futuro assistente social, é de extrema importância 
que você, caro (a) aluno (a), conheça tanto das atribuições dos órgãos representativos 
quanto da legislação que regulamenta a profissional e o serviço prestado. Desejo bons 
estudos e sucesso! 
INTRODUÇÃO
NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
24
Caro(a) aluno(a), conhecer os órgãos representativos da categoria é de extrema 
importância para a formação acadêmica. Neste sentido, vamos nos aprofundar sobre o 
papel de cada órgão. De acordo com site do CFESS, tanto este órgão quanto o Conselhos 
Regionais de Serviço Social - CRESS (assunto que vamos nos aprofundar mais a frente) 
são considerados uma autarquia pública federal, com a atribuição de orientar, disciplinar, 
normatizar, fiscalizar e defender o exercício profissional do (a) assistente social no Brasil. 
A criação do CFESS ocorreu no ano de 1950, período em que o Estado passa a 
regulamentar profissões consideradas liberais. Nesta época, os conselhos tinham a função 
burocrática, ou seja, eram considerados entidades sem autonomia, pois foram criadas 
no intuito de exercer apenas o papel de “controlador do Estado” em relação ao exercício 
profissional. O Serviço Social foi considerado uma das primeiras profissões da área social 
a ter uma legislação que regulamenta o exercício profissional, porém foi com o decreto 994 
de 15 de maio de 1962 que o exercício profissional passou a ser fiscalizado pelo Conselho 
Federal de Assistentes Sociais (CFAS), hoje denominado como CFESS. 
CFESS (CONSELHO FEDERAL 
DE SERVIÇO SOCIAL)1
TÓPICO
NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
25
Por que se comemora o 15 de maio como o Dia do/a Assistente Social?
O dia é comemorado em virtude do Decreto 994/62 que regulamenta a profissão do/a assistente social e 
cria os Conselhos Federal e Regionais ter sido editado em 15 de maio de 1962. Assim, embora a profissão 
tenha sido legalmente reconhecida por meio da Lei n.º 3252 de 27 de agosto de 1957, somente em 15 de 
maio foram regulamentados e instituídos os instrumentos normativos e de fiscalização, na época Conselho 
Federal e Regional de Assistentes Sociais. Hoje, com a edição da Lei 8662 de 08 de junho de 1993 - 
Conselho Federal e Regionais de Serviço Social.
Fonte: CFESS. Perguntas frequentes. Disponível em http://www.cfess.org.br/visualizar/menu/local/perguntas-frequentes. Acessado em 16/01/2020. 
SAIBA
MAIS
NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
Conforme o site do CFESS, o conselho profissional de modo geral, em seus 
primórdios, era constituído como entidades autoritárias, não tinha aproximação com os 
profissionais da categoria, muito menos era organizado como um espaço coletivo de 
interlocução. A fiscalização era restringida apenas na exigência da inscrição do profissional 
e pagamento dos tributos. Essas características também marcaram a origem do conselho 
no âmbito do Serviço Social. 
O processo de renovação do CFESS, tais como, mudança de nomenclatura e os 
instrumentos normativos ocorreram com as atualizações do código de ética profissional e 
atualmente este órgão constituído por lei tem funções que garante o exercício profissional 
dos assistentes sociais registrado no órgão competentes da sua região conhecido como 
Conselho Regional de Serviço Social - CRESS. 
26
CRESS (CONSELHO 
REGIONAL DE SERVIÇO 
SOCIAL)2
TÓPICO
NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
O surgimento do CRESS também ocorreu no ano de 1950, tendo a função burocrática, 
assim como o CFESS, este órgão também teve mudanças tanto na nomenclatura quanto 
às funções a partir das atualizações do Código de Ética profissional, considerado uma 
autarquia de personalidade jurídica e de direito público. Vinculado ao CFESS, este órgão 
de jurisdição estadual, ou seja, são alocados nos estados federativos do país, com espaços 
considerados regionais e seccionais para atender profissionais com registro neste conselho. 
Conforme previsto na Lei 8662/93, lei que vamos nos aprofundar mais adiante, 
o CRESS tem autonomia administrativa e financeira em sua área de jurisdição, podendo 
atuar na qualidade de órgão executivo de primeira instância, a qual provém das seguintes 
atribuições. 
• Organizar e manter o registro profissional dos Assistentes Sociais e o cadastro 
das instituições e obras sociais públicas e privadas, ou de fins filantrópicos; 
• Fiscalizar e disciplinar o exercício da profissão de assistente social na respectiva 
região;
• Expedir carteiras profissionais de assistentes sociais, fixando a respectiva taxa;
• zelar pela observância do Código de Ética Profissional, funcionando como 
Tribunais Regionais de Ética Profissional; 
• Aplicar as sanções previstas no Código de Ética Profissional; 
• Fixar, em assembleia da categoria, as anuidades que devem ser pagas pelos 
assistentes sociais; 
27NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
• Elaborar o respectivo Regimento Interno e submetê-lo a exame e aprovação do 
fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/ CRESS. 
 
Além de suas atribuições, os CRESS regional deverá contar com membros efetivos, 
sendo considerados um presidente, um vice-presidente, dois secretários, dois tesoureiros e 
três membros do Conselho Fiscal e nove suplentes. As pessoas ocupantes destes cargos 
deverão ser assistentes sociais, eleitos de via direta, com mandato de três anos. Cabe 
destacar que o CFESS também atua nesta perspectiva. 
Já as seccionais deverão contar com três membros efetivos, sendo um delegado, 
um secretário e um tesoureiro, e três suplentes efetivos. Caro (a) aluno (a), é importante 
destacar que os assistentes sociais eleitos devem ser da área de sua jurisdição, ou seja, 
área de atuação e residência. Normalmente são realizados processos seletivos para a 
efetivação nas eleições. 
Segundo Lima (2014), atualmente o CRESS atua em quase todos os estados 
do país, considerado uma entidade de direito público tem o Tribunal de Contas da União 
como responsável por analisar todos as contas e ao compreendermos a sua plenitude 
entendemos a seriedade do CRESS e que os assistentes sociais devem-se respaldar 
quando necessário. É importante salientar que o CFESS além de orientar também fiscaliza 
o exercício profissional, podendo aplicar penalidades, tais como, multa; suspensão e até 
cancelamento do registro profissional, além de pena das medidas judiciais cabíveis para 
os infratores, o que nos leva a compreender o quão competente são os órgãos - CFESS e 
CRESS. 
28
CÓDIGO DE ÉTICA DO 
PROFISSIONAL DO SERVIÇO 
SOCIAL3
TÓPICO
NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
Como estudamos anteriormente, o Serviço Social foi uma das primeiras profissões 
a ter uma Lei de Regulamentação Profissional. Desde o sancionamento do primeiro código 
de ética, esta Lei passou por diversas alterações e, partindo deste preceito, é que vamos 
nos aprofundar nesta parte da unidade. E para que você, caro(a) aluno(a), possa entender 
sobre essas alterações, irei apresentá-las, fazendo um breve resgate histórico a partir das 
ideias das autoras Barroco e Terra (2012), uma referência para o Serviço Social. 
O primeiro código foi em 1947, aqui tinha-se uma estreita vinculação com a igreja 
católica, era atrelado especificamente no aspecto doutrinário, sendo considerado subordinado 
aos dogmas religiosos. Já o segundo foi em 1965, neste já podia compreender um traço na 
renovação profissional, principalmente no contexto da modernização conservadora posta 
pela burguesia, porém aqui não houve o rompimento com a base filosófica do neotomismo 
e do funcionalismo. 
O terceiro foi em 1975, houve o suprimento das referências democráticas liberais 
do código de ética anteriores, configurando com uma expressão da reatualização do 
conservadorismo, eliminando o dever relativo ao pluralismo. O quarto foi em 1986, neste já 
podia observar a descaracterização da tendência legalista ao Código anterior, construído 
coletivamente pela categoria por meio das entidades que os representavam, que hoje 
conhecemos como CFESS e CRESS. Além disso, o Código de 1986 ficou considerado 
parte do projeto profissional, articulado ao propósito da sociedade.
Devido à descaracterização que o Código de 1986 teve, as autoras Barroco e 
Terra acabaram dando mais destaque, isso porque houve um conjunto de conquistas, tais 
29NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
como: rompimento com a pretensão perspectiva imparcial dos códigos de ética anteriores, 
o desvelamento do caráter político da intervenção ética; a explicação do caráter de classe 
dos usuários, entre outros fatores que culminou com esta mudança, como, por exemplo, 
a conjuntura de democratização que a sociedade vivenciou no ano de 1980 e a dinâmica 
capitalismo no ano de 1970. 
E por fim, tivemos a reformulação do Código de Ética em 1993, este que nos 
respaldamos até os dias atuais, Lei n.º 8.622/93. A autora supracitada nos apresenta 
que a alteração do CE de 93 aconteceu em um cenário a qual se tinha o enfrentamento 
do neoliberalismo em meio a discussão das questões éticas, tema que era debatido nas 
mobilizações políticas da sociedade, o que ocasionou ao impeachment do presidente da 
república e um novo pensar para a profissão, levando a outro patamar. 
O processo de debates que estava acontecendo ocasionou a aprovação do Código 
de Ética de 1993, porém, esta aprovação levou aproximadamente 3 anos, isso porque foi 
considerado educativo e politizador. Portanto, pode-se entender que o Código de Ética de 
1986 e 1993 foram um avanço para a categoria profissional, pois temos o primeiro que 
mesmo tendo resquícios do conservadorismo ainda foi uma evolução para a profissão e o 
segundo traz a proposta de valores emancipatórios cuja proposta é buscar estratégias para 
o enfrentamento dos problemas sociais.
30
CONSTITUIÇÃO DE 1988 
E SEUS IMPACTOS PARA 
ASSISTÊNCIA SOCIAL4
TÓPICO
NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
Com o fim do regime militar e o anseio pela recuperação da liberdade de um 
Estado de direito, o país passou pelo processo de redemocratização que ocorreu com a 
Constituição Federal 1988, conhecida com “Carta Cidadã”. Assim, instaura-se a luta pelos 
direitos sociais e individuais na defesa de uma sociedade mais justa e igualitária.
A Constituição Federal de 1988 provém de direitos e garantias, além de deveres 
dos órgãoscompetentes para com a sociedade. Lima (2014) nos apresenta que a CF nos 
trouxe inovações e avanços em relação à assistência social no Brasil, como a promulgação 
da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), assunto que vamos estudar mais a frente, 
mas que acabou regulamentando os artigos 203 e 204 da Constituição Federal, o quais 
asseguram o exercício dos direitos sociais como um de seus valores supremos. Assim, 
a assistência social passou a ser reconhecida como política pública, sendo integrada no 
tripé da seguridade social (Previdência Social, Assistência Social e Saúde). Considerada 
responsabilidade do Estado, de gestão descentralizada e participativa. 
31
Previdência Social: mecanismo público de proteção social e subsistência proporcionado mediante 
contribuição. 
Assistência Social: política pública de proteção gratuita a quem dela necessitar (não é contributiva). 
Saúde pública: destinada a promover redução de risco de doenças e acesso a serviços básicos de saúde 
e saneamento (não é contributiva). 
Fonte: Lima (2014, p. 116).
SAIBA
MAIS
NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
Em relação à assistência social, a Constituição Federal de 1988 foi um divisor de 
águas, pois trouxe impactos relevantes, principalmente para os profissionais da área social. 
Isto porque o Estado teve que assumir responsabilidades e adotar medidas concretas para 
a redução da desigualdade econômica e social do país. 
A partir disso, foi criado o programa transferência de Renda, a fim de combater 
a pobreza e as diversas formas de desigualdade, visto que mesmo com os seus altos e 
baixos este programa foi considerado positivo, assim o Programa Bolsa Família passa a ser 
considerado queda da desigualdade social e o aumento da renda das pessoas consideradas 
“mais pobres”, ou seja, com uma renda inferior a ¼ do salário mínimo por pessoa. 
Em linhas gerais podemos considerar que a Constituição Federal foi um marco 
para a sociedade, principalmente para os assistentes sociais, pois seus impactos foram 
importantes para concretizar as regulamentações das demais legislações, como a LOAS 
e Políticas Nacional da Assistência Social (PNAS) e o Sistema Único de Assistência Social. 
32
LEI ORGÂNICA DA 
ASSISTÊNCIA SOCIAL DE 1993 
– LOAS/93 (LEI N.° 12.435/11)5
TÓPICO
NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
Em 07 de setembro de 1993, foi promulgada a Lei Orgânica da Assistência Social 
(LOAS) para regulamentar os artigos 203 e 204 da Constituição Federal de 1988, assuntos 
abordados anteriormente, mas que iremos nos aprofundar nesta parte da Unidade.
A Assistência Social foi definida na LOAS como direito do cidadão e dever do Estado, 
sendo considerada uma política prevista na seguridade social, a qual tem caráter não 
contributivo e o cidadão só poderá utilizar dos serviços prestados por esta política, quando 
necessitar, prevê o mínimo social, ou seja, atende somente as necessidades básicas.
Conforme o previsto na LOAS, a assistência social visa à proteção social, a qual 
deve garantir a vida, reduzindo os danos causados e prevenindo os riscos gerados por 
algum problema social. Além da proteção à família, seja na maternidade, na infância, 
adolescência ou na velhice. 
Ainda nos objetivos da assistência social, deve-se ter o amparo às crianças e 
adolescentes que são considerados carentes, a promoção ao mercado de trabalho, a 
habitação e reabilitação às pessoas com deficiência, a garantia de um salário-mínimo para 
pessoas com deficiência e ao idoso que não provém do seu próprio sustento, a vigilância 
socioassistencial que visa analisar a territorialidade e a capacidade protetiva das famílias, 
aqui podemos considerar os órgãos como CRAS (Centro de Referência da Assistência 
Social), o CREAS (Centro de Referências de Especialização da Assistência Social), entre 
outros. E, por fim, a defesa dos direitos, que deve garantir o acesso.
33
Para o enfrentamento da pobreza, a assistência social realiza-se integradamente às políticas setoriais, 
garantindo mínimos sociais e provimento de condições para atender contingências sociais e promovendo a 
universalização dos direitos sociais. 
Fonte: Brasil (1993).
REFLITA
NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
Na LOAS, também podemos encontrar, os princípios, as diretrizes e dos programas 
e projetos da assistência social o Benefício de Prestação Continuada (BPC), os benefícios 
eventuais, os serviços, os programas de assistência social e os projetos de enfrentamento 
da pobreza, os quais concretiza o que está previsto nos artigos 203 e 204 da Constituição 
Federal de 1988. 
Conforme a Yazbek (2004) a LOAS veio para possibilitar o reconhecimento da 
assistência social como política pública, a qual legitima as demandas dos beneficiados pelo 
serviço, bem como o próprio serviço que visa cumprir o que estava previsto na CF, assim a 
proposta da LOAS é estabelecer hegemonia estatal a partir do gerenciamento das políticas 
pública e concretizar a assistência social como política social.
34
Caro(a) aluno(a), ao longo desta unidade, estudamos os principais conceitos dos 
órgãos representativos da categoria profissional, bem como a legislação que regulamenta 
a profissão e os serviços prestados pelos assistentes sociais. Ao viés da profissão, e você 
enquanto aluno de Serviço Social, deve considerar as normativas como assunto importante, 
pois é o que irá orientá-lo no campo de atuação profissional. 
Como estudamos nesta unidade, o CFESS e o CRESS são órgãos considerados 
autarquias públicas, a qual tem um papel importante, pois não é somente fiscalizar o 
exercício profissional, mas de respaldar e orientar o profissional que luta pelos direitos 
sociais e individuais, conforme previsto na Constituição Federal de 1988 e no código de 
ética profissional, que prevê os nossos direitos e deveres de assistentes sociais. 
De fato, os assuntos apresentados nesta unidade são relevantes e importantes, 
pois fideliza o fazer profissional em meio a sociedade e conhecer as alterações que 
aconteceram no Código de Ética profissional e o avanço que a assistência social teve 
com a Constituição Federal 1988, tornando-se reconhecida como política pública e tendo o 
Estado como instituição de responsabilidade, a qual necessitou adotar medidas concretas 
para atender as desigualdades sociais tendo o impacto por meio da criação de programas 
sociais, reduzindo as mazelas causadas pelo capitalismo. 
Assim, acredito que conhecer as normativas e os órgãos competentes no que se 
refere à profissão nos faz entender que o Serviço Social ao longo de todos esses anos 
se modificou em meio à sociedade. Porém, devemos sempre nos aprofundar no fazer 
profissional por meio dos estudos e aprendizagem tendo a certeza de que assim como 
a sociedade evoluiu, o profissional em Serviço Social também precisa evoluir e entender 
os direitos do cidadão por meio das legislações, isso é o que nos diferencia em meio à 
categoria. 
Espero que os breves conceitos lhe estimule a se apropriar do que aprendemos 
nesta unidade. Bons estudos!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
35
LEITURA COMPLEMENTAR
 (...)
A natureza da ética profissional 
 A ética profissional é uma dimensão específica do Serviço Social, suas 
determinações são mediadas pelo conjunto de necessidades e possibilidades, de 
demandas e respostas que legitimam a profissão na divisão social do trabalho da sociedade 
capitalista, marcando a sua origem e a sua trajetória histórica.
 A ética profissional se objetiva como ação moral, através da prática profissional, 
como normatização de deveres e valores, através do código de ética profissional, como 
teorização ética, através das filosofias e teorias que fundamentam sua intervenção e 
reflexão e como ação ético política. Cabe destacar que essas não são formas puras e/
ou absolutas e que sua realização depende de uma série de determinações,não se 
constituindo na mera reprodução da intenção dos seus sujeitos.
 A moral profissional diz respeito à relação entre a ação profissional do indivíduo 
singular (derivada de determinado comportamento prático objetivador de decisões, 
escolhas, juízos e ações de valor moral), os sujeitos nela envolvidos (usuários, 
colegas, etc.) e o produto concreto da intervenção profissional (avaliado em função de 
suas consequências éticas, da responsabilidade profissional, tendo por parâmetros 
valores e referenciais dados pela categoria profissional, como o Código de Ética, etc.). 
(...) 
Fonte: BARROCO, Maria Lúcia Silva. Fundamentos éticos do Serviço Social. 2009. 
Disponível em: http://www.cressrn.org.br/files/arquivos/8QQ0Gyz6x815V3u07yLJ.pdf. 
Acesso em 16 jan. 2020. 
NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
36
MATERIAL COMPLEMENTAR
• FILME/VÍDEO
• Título: Laranjas e Sol.
• Ano: 2011.
• Sinopse: baseado em fatos, o filme conta a história de Margaret 
Humphreys, uma assistente social do Reino Unido responsável por 
descobrir um dos maiores esquemas de tráfico infantil da Europa, 
envolvendo o governo da Grã-Bretanha, que deportava crianças 
pobres de maneira forçada para países como a Austrália e o 
Canadá.
• LIVRO
• Título: Código de ética do/a Assistente Social comentado.
• Autor: Maria Lucia Silva Barroco e Sylvia Helena Terra.
• Editora: Cortez.
• Ano: 1993.
• Sinopse: este livro preenche uma lacuna. Não havia até agora 
um texto acadêmico destinado a comentar o Código de Ética em 
vigor, de 1993, na sua totalidade. As autoras comentam o Código 
em seus fundamentos sócio-históricos e ontológicos, bem como em 
suas reais possibilidades de materialização, no contexto de uma 
sociabilidade fundada na acumulação e na propriedade privada.
NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2
Professora. Esp. Irení Alves de Oliveirav
ASSISTÊNCIA 
SOCIAL: 
IDENTIDADE 
PROFISSIONAL3UNIDADEUNIDADE
38
PLANO DE ESTUDO
38
Plano de Estudos
• Formação, competências e atribuições.
• Objetos de trabalho do assistente social.
• Mercado de trabalho: os espaços de atuação.
• Projeto ético-político: caminhos para formação do assistente social.
Objetivos da Aprendizagem
• Apresentar o processo de formação, bem como as competências e atribuições 
profissionais; 
• Destacar os objetos de trabalho do assistente social, considerando no novo 
formato de sociedade; 
• Expor os campos de atuações profissionais em relação ao mercado de trabalho; 
• Compreender o Projeto Ético Político e os caminhos para formação profissional; 
UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
3939
Caro (a) aluno (a), a identidade profissional deve ser considerada um fator importante 
na construção da sua formação enquanto futuro assistente social, pois é a partir desta 
perspectiva que você conseguirá identificar o campo de atuação a qual tem interesse, além 
de construir o perfil profissional a partir das atribuições e competências, compreendendo a 
importância do Projeto Ético Político. 
Partindo desta análise que esta unidade tem como proposta apresentar alguns 
pontos relevantes para que você consiga construir o seu perfil profissional e identificar o 
campo de atuação a qual terá interesse, destacando que o mercado de trabalho do assistente 
social tem expandindo constantemente a partir das novas expressões da questão social. 
Assim, na primeira parte desta unidade, será apresentado o processo de formação, 
destacando o motivo pelo qual devemos cursar Serviço Social e em qual momento se 
materializou na profissão, além de conhecer as atribuições e competências privativas 
dos assistentes sociais. Já na segunda parte da unidade, serão destacados os objetos 
profissionais, sabendo que a questão social é o objeto da profissão, porém, com o modelo 
societário atual, existem novos objetos da profissão e cabe ao assistente social identificá-
los. 
Na terceira parte tem como viés expor o mercado de trabalho e os espaços de 
atuação que tem expandido constantemente devido às novas expressões da questão 
social e por fim será apresentado o Projeto ético-político e os caminhos para formação do 
assistente social, o que este projeto se difere no fazer profissional e como os assistentes 
sociais atuam mediante as bases que o fundamentam. 
Assim, convido você a se apropriar dos conteúdos desta unidade e desejo bons 
estudos e sucesso na sua escolha enquanto futuro assistente social.
INTRODUÇÃO
UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
4040
Caro(a) aluno(a), o assistente social, enquanto profissional inserido na divisão 
social e técnica do trabalho, precisa assumir alguns requisitos para exercer a sua atuação 
nos mais diversos campos sócio ocupacionais. Como estudamos na primeira e na segunda 
unidade, o Serviço Social passou por diversas mudanças ao longo dos seus 90 anos de 
existência, surgindo como condutor das práticas assistencialistas e se regulamentando 
enquanto profissão, sendo considerado um profissional liberal e interventivo nas relações 
sociais do trabalho. 
Mas para entender tudo isso, é importante conhecer o processo formativo, as 
competências e as atribuições que irá realizar quando solicitar a carteira profissional após 
a conclusão do curso. Desta forma, irei apresentá-los a seguir separadamente. 
1.1 FORMAÇÃO 
Segundo a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social 
(ABEPSS) O processo de consolidação das diretrizes de 1996, surgiu no debate do III 
Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS), a qual foi realizado no ano de 1979, 
que conhecemos como “Congresso da Virada”, neste congresso foi discutido sobre a 
construção das bases para o currículo mínimo que aconteceu em 1982, sendo considerado 
um marco do projeto profissional que é a formação profissional. 
Porém, somente em 1996 é que tivemos a diretrizes gerais do curso de Serviço 
Social, as quais dispõem dos pressupostos da formação, os princípios e diretrizes da 
FORMAÇÃO, COMPETÊNCIAS 
E ATRIBUIÇÕES1
TÓPICO
UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
4141UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
formação, a nova lógica curricular e as observações e recomendações, nesta última, 
dispõem de que o curso de Serviço Social deve ter duração de 4 anos, sendo considerado 
bacharel em Serviço Social. 
De acordo com Iamamoto (2012) o debate sobre a formação profissional que 
ocorreu nos anos 1980 apresentaram-se alguns eixos e dentre eles o de fundamentos do 
processo formativo, o qual foi discutido ao longo de mais de uma década a necessidade 
de direcionar a formação para a criação de um perfil profissional firmado em competências 
teórico-crítica, aproximando as principais matrizes do pensamento social, destacando na 
atualidade as expressões teórico-práticas no Serviço Social. 
A autora supracitada ainda destaca que a necessidade de re-construir o projeto 
de formação profissional do assistente social requer entender o dilema da sociedade 
contemporânea e para isso é exigido conciliar o projeto formativo com a história, bem como 
as tendências contraditórias tanto de curto quanto de longo prazo, exigindo do processo 
formativo a apropriação das informações relacionadas a sociedade como um requisito 
primordial para concretizar o que se pretende atingir na construção do projeto a qual está 
inserido, podendo atuar nos diversos momentos conjunturais e a capacidade de antecipar 
os problemas posto diante da prática profissional. 
1.2 COMPETÊNCIAS 
Para compreender a competência profissional, irei destacar na íntegra o que o 
Código de Ética nos apresenta. Conforme previsto no Artigo 4º que constituem competências 
do Assistente Social: 
• Elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da 
administração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organizações 
populares; 
• Elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programase projetos que sejam 
do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil; 
III - encaminhar providências e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à 
população;
• Orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de 
identificar recursos e de usar os mesmos no atendimento e na defesa de seus 
direitos; 
• Planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais; 
4242UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
• Planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da 
realidade social e para subsidiar ações profissionais; 
• Prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta 
e indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias 
relacionadas no inciso II deste artigo; 
• prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às 
políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da 
coletividade; 
• Planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade 
de Serviço Social; 
• Realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de benefícios 
e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, 
empresas privadas e outras entidades. 
1.3 ATRIBUIÇÕES
O Código de Ética também dispõe das atribuições privativas do assistente social, 
previstas no artigo 5º, que serão apresentadas na íntegra a seguir:
• Coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, 
planos, programas e projetos na área de Serviço Social; 
• Planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de Serviço 
Social; 
• Assessoria e consultoria e órgãos da Administração Pública direta e indireta, 
empresas privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social; 
• Realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres 
sobre a matéria de Serviço Social; 
• Assumir, no magistério de Serviço Social, tanto ao nível de graduação como 
pós-graduação, disciplinas e funções que exijam conhecimentos próprios e 
adquiridos em curso de formação regular; 
• Treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários de Serviço Social; 
VII - dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de 
graduação e pós-graduação; 
• Dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em 
Serviço Social; 
4343UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
• Elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras 
de concursos ou outras formas de seleção para assistentes sociais, ou onde 
sejam aferidos conhecimentos inerentes ao Serviço Social;
• Coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre 
assuntos de Serviço Social;
• Fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regionais; 
• Dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas; 
• Ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em 
órgãos e entidades representativas da categoria profissional. 
4444
Como estudamos na primeira unidade deste livro, o objeto de trabalho do Serviço 
Social é a questão social, porém, nesta unidade vamos nos aprofundar nas múltiplas 
expressões da questão social, a qual faz parte do processo de produção e reprodução das 
relações sociais tendo o assistente social como profissional capacitado para atuar frente às 
diversas demandas apresentadas na sociedade. 
Segundo Yazbek (2001), o atual cenário que a sociedade está inserida apresenta 
impactos devastadores, tais como, desemprego, a precarização no modo de trabalho, a 
debilidade na saúde, moradia precária e muitas vezes insalubres, fome, criminalidade, 
favelização, analfabetismo, diferenças sociais, pessoas em situação de rua, pessoas 
usuárias de substâncias psicoativas, violência (idoso, crianças, adolescentes, pessoa com 
deficiência, mulheres, assaltos, mortes), entre outros que leva ao pauperismo extremo. É 
evidente que os impactos causados pelo sistema capitalista de certa forma foram destrutivos, 
marcando profundamente a população empobrecida. 
Netto (2001, p. 41) destaca que “as expressões da questão social não são 
semanticamente unívocas; ao contrário, registram-se em torno dela compreensões 
diferenciadas e atribuições de sentido muito diversos”. Por tanto entender as múltiplas 
expressões da questão social deve ir além do que está exposto, é preciso entender os 
desdobramentos sócio-políticos que envolve uma determinada expressão da questão 
social, é para isso preciso entender o contexto histórico que ocasionou a situação que 
muitas vezes leva o indivíduo ou um grupo de pessoas a uma condição degradante. 
OBJETOS DE TRABALHO DO 
ASSISTENTE SOCIAL2
TÓPICO
UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
4545UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
Já Iamamoto (2012, p. 62) corrobora que “as expressões da questão social são 
a matéria-prima ou o objeto do trabalho profissional. Pesquisar e conhecer a realidade é 
conhecer o próprio objeto de trabalho, junto ao qual se pretende induzir ou impulsionar 
um processo de mudança”, ou seja, a ideia da autora vai de encontro com a de Netto 
quando destaca que compreender as diferenças expressões da questão social é conhecer 
a realidade, mas também ter a possibilidade de mudar a realidade e/ou de transformar por 
meio da ação realizada pelo trabalho profissional
A autora supracitada ainda apresenta que conhecer as particularidades das múltiplas 
expressões da questão social na história da sociedade brasileira é o mesmo que esclarecer o 
processo social, o qual são produzidos e reproduzidos nas relações sociais cotidianamente, 
cabendo ao assistente social aprender e entender como as múltiplas expressões da questão 
social sucedem na sociedade e quais as ações devem ser conduzidas para atender ao 
problema posto ao profissional. 
Assim, Netto (2011) completou que o capitalismo está em constante mudança, ou 
seja, se reinventando frequentemente e com isso pode surgir novas expressões da questão 
social, levando os assistentes sociais a refletirem na atuação profissional frente a uma nova 
expressão da questão social. Segundo o autor, devemos investir para além da permanência 
de manifestação tradicional e, a cada novo estágio do desenvolvimento societário, são 
necessários novos estudos e aperfeiçoamentos, compreendendo o contexto no qual o 
profissional em Serviço Social está inserido. 
 
4646
Com o aumento da desigualdade social e o surgimento das múltiplas expressões 
da questão social, houve uma ampliação no mercado de trabalho dos profissionais de 
Serviço Social nos últimos tempos. Assim, os assistentes sociais passaram a ocupar os 
espaços que retratavam as particularidades e condições no que se refere às relações de 
trabalho postas na sociedade brasileira, além de passar por profundas mudanças na forma 
de atuação, mediante as inovações tecnológicas. 
Iamamoto (2009) destaca que, além de ampliar o mercado de trabalho, é necessário 
que os assistentes sociais se reinventem no meio profissional, pois o próprio mercado 
exige novas habilidades, competências e atribuições, além das privativas, impondo ao 
profissional, especialidade e capacitação acadêmica, principalmente no que se refere ao 
direcionamento ético-político e técnico, capaz de se impulsionar no mercado inserido.
O fato é que o mercado de trabalho para os assistentes sociais está em constante 
mudança, surgindo novos campos para atuar frente às novas expressões da questão social 
e cabe ao profissional se destacar no mercado de trabalho a partir de suas habilidades e 
competências. Mas para que você possa entender o mercado de trabalho do profissional 
em Serviço Social, faz-se necessário destacar os principais espaços sócios ocupacionais, 
considerados obrigatórios à contratação.
Assim, segundo Iamamoto (2012) o setorpúblico é considerado o campo que mais 
contrata assistente sociais, é normalmente realizado concurso público para ocupar os 
espaços nas secretarias da assistência social, educação, habitação, saúde, entre outros, 
inseridos nas esferas municipais, estaduais e federal. Normalmente, os profissionais que 
MERCADO DE TRABALHO: OS 
ESPAÇOS DE ATUAÇÃO MERCADO 
DE TRABALHO: OS ESPAÇOS DE 
ATUAÇÃO3
TÓPICO
UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
4747UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
exercem nos serviços públicos atuam em territórios, seja na proteção básica e/ou alta 
complexidade. 
A autora ainda apresenta que temos outra fatia do mercado de trabalho que 
mais contrata assistentes sociais, que são as Organizações da Sociedade Civil (OSC’s) 
conhecidas como ONG’s. Para esta autora, estes campos de atuação necessitam dos 
profissionais maior atenção e qualificação para lidar com as mais diversas expressões da 
questão social. 
Os assistentes sociais também são contratados para atuar nos serviços ofertados 
pelo “sistema S” - SESC, SESI, SENAC, SENAI, SEBRAE, SENAR, SEST, SENAT E 
SESCOOP, seja como assistente social ou gestor de um determinado serviço, normalmente 
os assistentes sociais são contratados por processo seletivo. 
A previdência social é outro campo de atuação, a qual também contrata por meio 
de concurso público, sendo considerado um espaço de atuação com boa remuneração, 
este campo também atua no enfrentamento da questão social na perda dos direitos sociais 
universais, assegurados pela Constituição Federal de 1988. 
Não podemos deixar de destacar a atuação dos assistentes sociais nas empresas 
com a proposta de eliminar o foco de tensões sociais e criar um comportamento produtivo 
da força de trabalho, além dos assistentes sociais atuando em universidades em cursos 
de graduação em Serviço Social e especializações na área, bem como na publicação de 
livros e elaboração de materiais de pesquisas voltados para o Serviço Social. Sem contar 
que os assistentes sociais atuam na área jurídica nas diversas instâncias e nos conselhos 
representativos. 
É importante destacar que o profissional em Serviço Social, além de realizar um 
trabalho socioeducativo, também é qualificado para atuar nas diversas áreas que de certa 
forma estão ligadas às políticas públicas e sociais, bem como às privadas, como destacado 
acima. Dentro do seu exercício profissional, deve conter o planejamento, organização, 
execução, avaliação, gestão, pesquisa, assessoria, consultoria, entre outros requisitos, 
conforme previsto no Código de Ética Profissional. 
No exercício profissional, o assistente social pretende responder às demandas 
apresentadas pelos usuários dos serviços a qual atua, trabalhando na perspectiva de 
garantias e acessos aos direitos, conforme previsto na Constituição Federal de 1988, sendo 
necessário utilizar os instrumentos de trabalho, tais como, entrevistas, relatórios, visitas 
domiciliares, laudos, pareceres sociais, entres outros, sendo responsável por fazer análise 
da realidade social e institucional, intervindo na melhoria das condições em que o usuário 
4848UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
do serviço se encontra e para o trabalho poder acontecer é necessário a busca constante 
de aperfeiçoamento, aprimorando os conhecimentos já adquiridos e compreendendo a 
dinâmica do mercado de trabalho. 
4949
Para compreender o Projeto Ético-Político (PEP) do Serviço Social é necessário 
realizar uma breve contextualização do período que este projeto começa a ser gestado 
na categoria profissional e como os assistentes sociais devem priorizar seus objetivos e 
funções para que assim possam formular requisitos teóricos e práticos em pleno exercício 
profissional.
Assim, de acordo com Netto (2005), o processo de renovação do Serviço Social 
surge entre os anos 1965 e 1985, período em que temos a autocracia burguesa no regime 
militar e a redemocratização do país. E é dentro deste contexto que acontece o movimento 
de reconceituação, considerado emblemático e importante para o Serviço Social, pois é a 
partir deste movimento que os assistentes sociais se desvincula da base tradicionalista e 
conservadora, adotando uma postura mais teórica e reflexiva diante do cenário societário 
e para explicar este processo o autor nos apresenta três direções primordiais para tal feito.
A primeira é a perspectiva modernizadora que surgiu a partir dos estudos dos 
dois primeiros seminários de teorização (Araxá e Teresópolis), a qual tinha a intenção de 
adequar o Serviço Social em relação aos instrumentos de intervenção inseridos em um 
conjunto de técnicas sociais, porém era uma vertente tradicionalista. Já a segunda é a 
reatualização do conservadorismo, que buscava compreender as tendências da profissão 
no período do regime militar, além de recuperar os componentes estagnados da herança 
histórica e conservadora da profissão. 
Por fim, a terceira direção trata da perspectiva da intenção de ruptura, diferente das 
anteriores esta tem o viés central criticar de forma sistemática o desempenho tradicional, 
PROJETO ÉTICO-POLÍTICO: 
CAMINHOS PARA FORMAÇÃO 
DO ASSISTENTE SOCIAL4
TÓPICO
UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
5050UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL
rompendo com a herança do pensamento conservador e adotando uma postura crítica, 
pautada nos referenciais teóricos-metodológicos da teoria marxista. E é nesta perspectiva 
que vamos nos pautar, pois é a partir da intenção de ruptura que a categoria profissional 
começa a construir o Projeto Ético Político do Serviço Social. 
Assim, o caminho para a formação profissional do assistente social aconteceu 
em 1979 com o Congresso da Virada é neste congresso que o Projeto Ético Político é 
criado, tendo uma perspectiva crítica, atendendo tanto a categoria profissional quanto a 
construção de um novo projeto societário, a qual está pautada em três perspectiva que é o 
Código de Ética Profissional de 1993; as Diretrizes Curriculares e a Lei que Regulamenta a 
Profissão 8.662/93 e, neste sentido, que os profissionais do Serviço Social devem buscar 
as possibilidades do enfrentamento das expressões da questão social que deve ir vai além 
do sistema capitalista. 
Cabe destacar que o Projeto Ético Político da Profissão não tem um parâmetro 
a seguir, é evidente que temos as legislações e diretrizes curriculares que dão um norte 
no fazer profissional, porém devemos considerar que o Projeto Ético Político vai além da 
prática profissional, pois segue no sentido de uma sociedade mais justa e igualitária a qual 
os assistentes sociais que se compromete no processo desta construção deve ser movido 
por uma postura ética diante do seu exercício profissional. 
5151
Caro(a) aluno(a), chegamos ao fim de mais uma unidade e como pode averiguar 
existem alguns fatores considerados importantes para a identidade profissional, assim 
aprendemos na primeira parte da unidade, que a formação surgiu no Congresso da Virada, 
a qual foi discutido sobre a construção das bases para o currículo mínimo, porém somente 
em 1996 é que esta discussão foi concretizada e hoje temos as diretrizes que apresenta 
o currículo para formação profissional que devemos considerar como um marco para a 
profissão. Outro marco para a profissão foi o Código de Ética da profissão, a qual apresenta 
as competência e atribuições privativas dos assistentes sociais, e na primeira unidade os 
apresento na íntegra, mas é importante que você enquanto futuro assistente social conheça 
e se apropria de tudo o que está exposto em nosso Código de Ética. 
Na segunda parte da unidade, estudamos os objetos de trabalho do assistente 
social, que nada mais são do que as expressões da questão social, ou seja, as mais 
variadas desigualdades sociais geradas pelo capitalismo. Já na terceira parte da unidade, 
foi apresentado o mercado

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