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Professora Esp. Irení Alves de Oliveira INTRODUÇÃO AO SERVIÇO SOCIAL 2025 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2025. Os autores. Copyright C Edição 2025 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel DIREÇÃO DE INOVAÇÃO Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal DIREÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosisnski NÚCLEO DE APOIO PSICOLÓGICO E PSICOPEDAGÓGICO Bruna Tavares Fernandes BIBLIOTECÁRIA Tatiane Viturino Oliveira PESQUISADOR INSTITUCIONAL Tiago Pereira da Silva COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE PRESENCIAL Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE EaD Prof. Me. Bruno Eckert Bertuol COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Isabelly Oliveira Fernandes de Souza Jéssica Eugênio Azevedo Louise Ribeiro Marcelino Fernando Rodrigues Santos Maria Clara da Silva Costa Stephanie Rodrigues da Mota Vieira Vinicius Rovedo Bratfisch PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Carlos Firmino de Oliveira Lucas Patrick Rodrigues Ferreira Estevão Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Felipe Souza Oliveira Leandro Tenório Maria Beatriz Paula da Silva Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP R175a Ramos, Bruna de Lima Arquitetura brasileira / Bruna de Lima Ramos. Paranavaí: EduFatecie, 2024. 121 p.: il. Color. ISBN n 978-65-5433-095-4 1. Arquitetura brasileira. 2. Arquitetura de igrejas. 3. Arquitetura indígena. 4. Arquitetura militar. 5. Neoclassicismo (Arquitetura). 6. Arquitetura moderna. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. . CDD: 23. ed. 720.981 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas do banco de imagens Shutterstock . 3 AUTORA • Especialista em Docência no Ensino Superior - Unicesumar (2016); • Tecnóloga em Marketing - Unicesumar (2016); • Bacharel em Serviço Social (2015); • Pós-graduanda em Design Thinking e Criatividade nas Organizações - Unicesumar; • Pós-graduanda em MBA em Coaching aplicado à Gestão de Pessoas - Unicesumar; • Professora Formadora EaD - Unicesumar; • Supervisora Acadêmica - Unicesumar; Informações e contato: Currículo Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/6087805875284804 Professora Esp. Irení Alves de Oliveira http://lattes.cnpq.br/6087805875284804 4 APRESENTAÇÃO Seja bem-vindo (a)! Caro(a) aluno(a), é um enorme prazer trabalhar com você a disciplina de Introdução ao Serviço Social, pois tenho certeza de que os assuntos abordados neste livro são de extrema importância para a sua formação acadêmica e profissional. A construção deste material tem com finalidade compreender o Serviço Social na contemporaneidade, abordando assuntos relevantes tanto para o processo formativo quanto na condução do exercício profissional. Sendo assim, na unidade I vamos conhecer o que é o Serviço Social, suas origens e conceitos, considerados aspectos importantes na compreensão das relações de trabalho e no surgimento da questão social no Brasil, destacando o papel do Estado e das instituições religiosas antes do Serviço Social se regulamentar enquanto profissão. Já na unidade II será apresentado os órgãos representativos que são o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e o Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) e às normas que regulamenta como o Código de Ética do Serviço Social; Constituição de 1988, mais especificamente sobre o artigo 203 e 204 e Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). Na unidade III iremos discutir sobre a formação, as competências e habilidades, também será apresentado sobre os objetos de trabalho do assistente social, o mercado de trabalho e o Projeto Ético Político da profissão. Por fim na unidade IV abordaremos o Serviço Social na contemporaneidade a proposta será de abordar assuntos atuais e relevantes na formação compreendendo que o profissional em Serviço Social precisa conhecer todos os conceitos que serão tratados ao longo deste livro, para poder ficar atento aos assuntos contemporâneos postos na sociedade. Espero que o conteúdo deste livro contribua no seu crescimento enquanto futuro(a) assistente social. Bons estudos e até a próxima. 5 SUMÁRIO O Serviço Social na Contemporaneidade Assistência Social: Identidade Profissional Normas e Órgãos Reguladores Serviço Social: Histórico e Conceito Professora. Esp. Irení Alves de Oliveira SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITO1UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 7 Plano de Estudos • O que é Serviço Social: origens e conceito. • As relações de trabalho e o surgimento da “questão social” no Brasil. • Antecedentes do Serviço Social no Brasil: o Estado e o papel das instituições religiosas. Objetivos da Aprendizagem • Compreender o que é o serviço social a partir da origem e do conceito. • Entender as relações de trabalho e como a questão social surgiu no Brasil. • Apresentar como o Estado, instituições religiosas antecederam no país e no Serviço Social. SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1 8 INTRODUÇÃO Caro (a) aluno (a), você deve estar se perguntando, mas o que é o Serviço Social, qual a sua origem e a relação com a igreja católica e o Estado? Partindo desta perspectiva, busquei sintetizar da forma mais clara possível sobre os assuntos que normalmente os estudantes do Serviço Social fazem e é evidente que se faça esses questionamentos, pois precisamos entender como tudo aconteceu. Assim, para que você possa compreender todo o contexto, dividi esta unidade em três momentos, os quais se encontram da seguinte forma. No primeiro momento, apresento o que é o Serviço Social, aqui, trago de uma forma breve sobre a atualidade até para que você possa entender como estará inserido na sociedade após a sua formação, depois destaco separadamente sobre a origem e o conceito da profissão, me aprofundei nas ideias de grandes autores referenciais da nossa profissão como Iamamoto, Yazbek e Montaño. Já no segundo momento, apresentarei sobre as relações de trabalhode trabalho do assistente social, os campos de atuação que mais contratam o assistente social. Finalizando assim a quarta parte desta unidade com o Projeto Ético-Político do Serviço Social apresentando uma breve contextualização histórica para compreender a importância deste projeto no processo de atuação profissional entendo que os assistentes sociais têm um Projeto Ético-Político, a qual deve compreender o processo de construção da sociedade. Desta forma podemos entender que os conteúdos aprendidos nesta unidade são relevantes, pois a partir do que estudamos é que você, enquanto futuro assistente social, poderá escolher o campo de atuação a qual tem interesse e assim construir o perfil profissional se diferindo dos demais profissionais. Bons estudos e até a próxima! CONSIDERAÇÕES FINAIS UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL 5252 LEITURA COMPLEMENTAR A análise dos espaços ocupacionais do assistente social – em sua expansão e metamorfoses – requer inscrevê-los na totalidade histórica, considerando as formas assumidas pelo capital no processo de revitalização da acumulação no cenário da crise mundial. Sob a hegemonia das finanças e na busca incessante da produção de super lucros, aquelas estratégias vêm incidindo radicalmente no universo do trabalho e dos direitos. As medidas para superação da crise sustentam-se no aprofundamento da exploração e expropriação dos produtores diretos, com a ampliação da extração do trabalho excedente e a expansão do monopólio da propriedade territorial, comprometendo simultaneamente recursos naturais necessários à preservação da vida e os direitos sociais e humanos das maiorias. Essas estratégias defensivas aliadas às características históricas particulares que presidiram a revolução burguesa no Brasil (Fernandes, 1975; Ianni, 1984, 2004) têm incidido na dinâmica das relações entre o Estado e a sociedade de classes, especialmente a partir da década de noventa do século XX, alterando a forma assumida pelo Estado e a destinação do fundo público; a tecnologia e as formas de organização da produção de bens e serviços; o consumo e controle da força de trabalho e as expressões associativas da sociedade civil, entendida enquanto sociedade de classe. (...) Fonte: IAMAMOTO, Marilda Villela. Os espaços sócio-ocupacionais do assistente social. Serviço Social: Direitos Sociais e Competências Profissionais. Edição CFESS e ABEPSS. 2009. UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL 5353 MATERIAL COMPLEMENTAR • FILME/VÍDEO • Título: À Procura da Felicidade. • Ano: 2006. • Sinopse: Will Smith estrela esta história inspirada em fatos sobre Chris Garner, um vendedor de São Francisco que vive no limite da linha da pobreza. Quando sua mulher Linda (Thandie Newton) o abandona, Chris deve criar sozinho o filho deles de 5 anos, Christopher (Jaden Smith). • LIVRO • Título: Serviço Social: Direitos Sociais e Competências Profissionais. • Autor: Diversos. • Editora: CFESS. • Ano: 2009. • Sinopse: Os textos reunidos neste livro abordam uma temática essencial ao trabalho dos assistentes sociais e, certamente, serão uma referência obrigatória nos debates sobre competências e atribuições profissionais no âmbito das políticas sociais e na realização de direitos. UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL Professora. Esp. Irení Alves de Oliveira O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADE4UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 55 Plano de Estudos • O Serviço Social na Contemporaneidade. • A “questão social” na atualidade brasileira. • Tendências atuais para o Serviço Social. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar o Serviço Social na contemporaneidade. • Apresentar a questão social na atualidade brasileira. • Destacar as tendências atuais para o Serviço Social. O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4 56 Caro(a) aluno(a), por incrível que pareça, o Serviço Social na contemporaneidade é um assunto pouco debatido ou não compreendida categoria profissional, entender as tendências na atualidade, bem como o mercado de trabalho requer do assistente social pensar e repensar no seu agir profissional, rompendo com o conservadorismo instaurado em interior da profissão e partindo desta concepção que esta unidade se propõem a discorrer, desta forma a dividimos em três partes. Na primeira parte será abordado o Serviço Social na contemporaneidade, a qual tem como intuito apresentar brevemente o momento que este assunto começou a ser discutido no seio da categoria profissional, ou seja, no movimento de reconceituação, destacando os conceitos acerca do fazer profissional e as exigências que o mundo contemporâneo nos apresenta em relação à prática profissional e que cabe somente ao assistente social decifrar realidade, propondo alternativa quanto a prática e o exercício profissional. Já na segunda parte pretende-se abordar um assunto que também não é muito discutido na categoria profissional, a questão social na atualidade brasileira, isto porque para entender este assunto deve-se compreender a dinâmica da relação entre o Estado e o sistema capitalista, pois somente assim que o assistente social conseguirá atuar frente a questão social e para isso nesta parte da unidade foi apresentado quatro aspectos que a autora Iamamoto considera relevantes ao atuar frente a questão social na atualidade. E por fim a terceira parte será apresentado as tendências atuais para o Serviço Social, o assunto abordado nesta parte da unidade confesso considerado um pouco polêmico, pois são assuntos que gera divisão na categoria profissional, porém necessário diante das mudanças que vêm ocorrendo na sociedade e que cabe ao assistente social se adequar sem perder o sentido da profissão. Bons estudos! INTRODUÇÃO O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4 57 Caro(a) aluno(a), como estudamos na unidade anterior, a intenção de ruptura foi um marco para a categoria profissional, principalmente com o movimento de reconceituação, no qual tivemos novas perspectivas em relação à prática profissional e à postura ética política. Portanto, iniciar esta unidade sem trazer esta informação não faz sentido, visto que o Serviço Social na contemporaneidade é compreendido após o movimento de reconceituação. Assim, o movimento de reconceituação trouxe fatores importantes que deram base para a categoria profissional, ou seja, entender o objeto de trabalho de forma analítica, atribuindo a competência crítica em relação ao pensamento social, tendo a objetividade reflexiva em decifrar a realidade da sociedade. Com isso, o assistente social na atualidade tem a competência técnico-político, que possibilita entender qualquer necessidade que a sociedade apresente a partir das múltiplas expressões da questão social, que expressa em nosso cotidiano nos mais distintos segmentos da classe trabalhadora, regido pelo sistema capitalista. Desta forma, o Serviço Social na contemporaneidade exige dos profissionais atenção no que se refere ao mundo contemporâneo, seja no âmbito econômico, social, político, cultural, tecnológico entre outros, e para isso os assistentes sociais precisam conhecer a realidade principalmente no enfrentamento e agravamento da desigualdade social causada pelo acúmulo do capital que continua se reafirmando na atualidade, além de participar de criações ou inovações modernizadoras que sejam favoráveis na atuação profissional. O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADE1 TÓPICO O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4 58O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4 Neste sentido, Iamamoto (2012, p. 20) destaca que os assistentes sociais precisam “romper com a visão endógena, focalista, uma visão ‘de dentro’ do Serviço Social, prisioneira em seus muros internos”, ou seja, expandir seus horizontes, ter uma visão além do que está exposto no espaço sócio-ocupacional, buscando alternativas para executar as competênciase habilidades com excelência, devendo “decifrar a realidade e construir proposta de trabalho criativas e capazes de preservar e efetivar direitos, a partir de demandas emergentes no cotidiano”, assim o assistente social deve ser um profissional que busca soluções, ou seja, propositivo e não executor da política a qual está inserido. Diante desta afirmação é importante considerar que o assistente social inserido em um espaço sócio-ocupacional precisa romper com as atividades burocráticas e rotineiras que de certa forma reduz a mero empregado ou um executor de tarefas e cumpridor de carga horária, além de realizar múltiplas tarefas posta pelo empregador com a visão de um profissional que atua na perspectiva de caridade ou ajuda, acabando não permitindo a este profissional que exerça as atribuições e competências privativas a qual se propôs a realizar. Caro(a) aluno(a), entender o Serviço Social na contemporaneidade requer uma análise minuciosa das possibilidades apresentadas na realidade atual, considerando que o assistente social é um profissional liberal, porém é um trabalhador especializado, a qual vende a sua força de trabalho tanto para entidades públicas quanto privadas, mas que cabe ao assistente social apropriar-se das possibilidades, transformando em projeto de trabalho em pleno exercício profissional. Desta forma, o exercício profissional na contemporaneidade precisa ir além do simples, fazer profissional, Segundo Iamamoto (2012), o assistente social deve aprender a negociar, apresentar condições favoráveis, defender a prática profissional Além das suas qualificações, e com isso deve romper com a visão tradicional e conservadora do Serviço Social, a qual impede de apresentar possibilidades inovadoras e se destacar no mercado de trabalho, a qual pretende ou esteja inserido. 59O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4 FIGURA 1 - EXERCÍCIO PROFISSIONAL ID da imagem: 1428830480 Em suma, o Serviço Social é considerado uma profissão especializada e inserida na divisão social e técnica do trabalho e que, a partir do movimento de reconceituação, os profissionais precisaram rever seus conceitos tradicionais e conservadores, tendo que adotar uma postura ética-política de competência crítica, porém, na sociedade contemporânea, o assistente social deve entender a dinâmica e a realidade na qual está inserido, propondo responder à necessidade da sociedade em um processo evolutivo. 60 A “QUESTÃO SOCIAL” NA ATUALIDADE BRASILEIRA2 TÓPICO O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4 Discutir a questão social na atualidade brasileira exige entender a dinâmica entre o Estado e o sistema capitalista, está relação que se destaca em prós e contra tanto para a sociedade quanto ao profissional do Serviço Social, pois de um lado temos o Estado que cria políticas públicas para minimizar a desigualdade social advinda do capitalismo e do outro lado temos um sistema monopolista cujo parâmetro é aumentar os lucros através do controle dos mercados. Desta forma, Netto (2011, p. 29) destaca que “o capitalismo monopolista pelas suas dinâmicas e contradições, cria condições tais que o Estado por ele capturado, ao buscar legitimação política através do jogo democrático, é permeável às demandas das classes subalternas”. Ou seja, o capitalismo monopolista provoca a desigualdade social e o Estado criar condições para atender as necessidades da sociedade, porém para manter a ordem econômica e política os programas sociais, como minha casa minha vida, bolsa família, entre outros desenvolvidos pelo governo ou até mesmo o incentivo pela recolocação no mercado de trabalho acaba beneficiando o sistema capitalista, pois se eleva a economia e, ao mesmo tempo, atende a questão social que por sua vez torna-se uma intervenção contínua e sistemática do Estado. Assim, Iamamoto (2013, p.332) corrobora enfatizando que “a raiz da questão social na atualidade, encontram-se políticas governamentais favorecedoras da esfera financeira e do grande capital produtivo”, ou seja, a causa da questão social provocada pelo sistema capitalista é controlada pelo Estado por meio de políticas governamentais, porém essas 61 Através da política social, o Estado burguês no capitalismo monopolista procura administrar as expressões da questão social para atender às demandas da ordem monopolista conformando, pela adesão que se recebe de categorias e setores cujas demandas incorpora, sistema de consenso variáveis, mas operante. Fonte: Netto (2011, p. 30). SAIBA MAIS O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4 políticas favorecem mais o capital e seu sistema produtivo que a própria sociedade que sofre pela desigualdade social originada pelo capital. De fato existe uma restrita relação entre o Estado e o capitalismo monopolista que por sua vez atua no país com poucas regulamentações e controles, tendo o lucro originário da produção e reprodução da sociedade valorizando o acúmulo de riquezas e com isso temos as múltiplas expressões da questão social expressa na sociedade atual, compreendendo o pauperismo e o desemprego como fatores predominantes no Brasil, tendo as políticas sociais para minimizar os problemas gerado pelo capital. Caro(a) aluno(a), para entender mais a fundo sobre a questão social, vamos nos pautar em um dos estudos de Iamamoto (2001), o qual apresenta quatro aspectos considerados importantes na intervenção da questão social na atualidade brasileira, reafirmando que cabe aos assistentes sociais entender os problemas sociais postos na sociedade para atuar frente a política a qual está inserido. O primeiro é considerar a lógica financeira de ampliar a desigualdade social distribuída territorialmente, ou seja, podemos encontrar maior concentração de exploração de mão de obra com rendimento salarial desproporcional em algumas regiões do país, bem como o desemprego e a busca por exército industrial de reserva para ampliar o lucro do capital. No segundo é o modo de produção e a substituição da força de trabalho por máquinas a qual proporciona ao sistema capitalista a redução de custo, porém gera o desemprego, com o enxugamento do quadro de funcionários as relações de trabalho tornam-se irreversíveis causando diversos problemas na vida do trabalhador, que muitas vezes precisa se qualificar e se especializar para se manter no mercado de trabalho. 62O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4 Já o terceiro é reconhecer que temos um Estado submetido aos interesses econômicos e políticos dominantes, que contrata assistente social para viabilizar os direitos, porém busca alternativas para redução de despesas, como, por exemplo, a diminuição de atendimentos, restringindo recursos para implementação de projetos em prol da sociedade o que se torna cada vez mais escasso os meios de trabalho. E por fim, o quarto aspecto trata-se do critério de racionalidade do mercado que eleva a produtividade e competitividade, reforçando o individualismo subordinado às leis mercantis que estimula atitudes isoladas, além de assumir riscos de uma sociedade desigual, com isso surge as diversas expressões da questão social, aspectos estes que ainda reflete na atualidade brasileira o que pode ser considerado novas expressões da questão social e que cabe ao assistente social entender a dinâmica que está inserido e atuar em prol da sociedade, na luta pelos direitos e pela equidade. 63 TENDÊNCIAS ATUAIS PARA O SERVIÇO SOCIAL3 TÓPICO O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4 Entender o Serviço Social na atualidade requer compreender alguns fatores predominantes da profissão, tais como, o contexto histórico do Serviço Social; a relação do Estado com o capital; as condições que circunscrevem o trabalho do assistente social nas relações sociais e as expressões da questão social, assuntos que abordamos nas unidades anteriores. Desta forma, para explanar as tendênciaspara o Serviço Social, vamos nos pautar na formação profissional e no mercado de trabalho. Assuntos que vêm sendo discutidos em congressos, seminários e debates do Serviço Social nos últimos anos, isso porque a modalidade de ensino e o mercado de trabalho tornaram-se assuntos da atualidade os profissionais das mais diversas categorias precisam se adequar ao novo formato instaurado na sociedade, principalmente os assistentes sociais. O processo formativo tem aumentado constantemente nos últimos anos, em uma pesquisa realizada por Iamamoto (2014) no ano de 2011 o MEC autorizou 358 cursos de graduação, sendo que 18 instituições ofertavam cursos de graduação em ensino à distância (EaD) com 68.742 vagas e 340 instituições ofertavam cursos presenciais com 39.290 vagas. Como pode averiguar, no ano de 2011 o número de instituições de ensino e as vagas ofertadas em ambas as modalidades é discrepante, porém esta diferença tem aumentado ainda mais nos últimos anos. Segundo o censo do INEP/MEC (2019, p. 22) “entre 2008 e 2018, as matrículas de cursos de graduação à distância aumentaram 182,5%, enquanto na modalidade presencial o crescimento foi somente de 25,9% nesse mesmo período” os motivos pela escolha do 64O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4 ensino à distância são diversos, porém o fato predominante é as exigências do mercado de trabalho por especialização e com isso causa uma divisão de opiniões na categoria profissional em relação ao ensino à distância. Ora, o Serviço Social, assim como qualquer profissão é inscrita na divisão social e técnica do trabalho, a prática profissional depende da utilidade social e com isso o assistente social precisa poder responder às necessidades sociais que são as fontes da demanda profissional e por mais que o processo formativo atual gera debates acerca da modalidade de ensino, não devemos deixar de enfatizar que o assistente social é um trabalhador assalariado e como os demais profissionais vende a sua força de trabalho para o mercado que exige especialização para exercer as atribuições e competências (Iamamoto, 2012, p. 172). Mas você, caro(a) aluno(a), deve estar se perguntando: por que alguns profissionais não são a favor do ensino à distância? FIGURA 2: QUESTIONAMENTO Fonte:Shutterstock 1182822646 O projeto de formação profissional foi idealizado no período ditatorial em um processo de ruptura com o conservadorismo, as diretrizes curriculares do curso de Serviço Social por sua vez foi aprovado em um momento que o ensino à distância não existia como nos dias atuais e a evolução que o mercado de trabalho tem se mostrado, acabou causando alguns pensares em relação à prática profissional, pois o assistente social precisa poder responder de forma crítica o seu fazer profissional além de ter a criatividade de atender aos desafios posto pelo sistema capitalista, o que gerou conflitos e divisão de opiniões. 65O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4 Ou seja, de um lado temos profissionais que compreendem o ensino à distância como a extensão do próprio capital que passou a ser uma exigência para aumentar o seu lucro e do outro lado temos profissionais que analisam o desvendar das tendências do Serviço Social na atualidade como reconhecer a realidade exposta na sociedade percebendo que o fazer profissional não depende do “como”, mas da capacidade de decifrar a realidade de forma crítica e interventiva. Em relação ao mercado de trabalho, as discussões são pautadas na evolução do capital, a qual gera novas profissões, entendendo que estas novas profissões podem desqualificar as profissões já existentes ou até mesmo substituí-las, causando preocupação para muitas profissões. Portanto, podemos compreender que na esfera do mercado de trabalho as refrações dessas mudanças indicam uma tendência ao redimensionamento do perfil profissional, entendendo a dinâmica da sociedade atual. Partindo desta lógica é que Iamamoto (2012) destaca que deve haver uma harmonia entre à formação profissional e o mercado de trabalho, principalmente nos dias atuais e cabe ao assistente social entender a dinâmica e as tendências contemporâneas, tendo como forma de preservar a própria sobrevivência do Serviço Social, porém é evidente que diante das próximas mudanças acontecendo na sociedade é necessário realizar uma revisão curricular, pautada nas transformações societárias a partir do que está exposto no mercado de trabalho. Assim, a autora supracitada corrobora que as mudanças no mercado de trabalho são um processo que desafia a sociedade toda, principalmente aos assistentes sociais que atuam frente às relações sociais nos mais diversos espaços sócio-ocupacionais, seja na esfera pública ou privada, desta forma, o Serviço Social na contemporaneidade deve ser considerado mais que um simples título formal, pois sintetiza no desafio de decifrar a realidade, compreendendo o seu exercício profissional a partir de uma análise crítica e interventiva. 66 Chegamos ao fim desta unidade e com isso aprendemos que o Serviço Social na contemporaneidade passou a ser considerado após o movimento de reconceituação que aconteceu no período do regime militar, com a intenção de ruptura os assistentes sociais precisaram romper com a visão endógena e conservadora que tinham na origem da profissão. Porém, a partir disso, ocorreram muitas mudanças na sociedade, principalmente na atualidade, a qual abordamos ao longo desta unidade. Como forma de recapitular os assuntos, tratarei brevemente, porém precisas para que você, caro(a) aluno(a), entenda que tanto a origem quanto a atualidade da profissão deve ser considerada para que assim possa forma o seu perfil profissional considerando que o Serviço Social é uma profissão inscrita na divisão social e técnica do trabalho que cabe ao assistente social atuar na perspectiva interventiva e crítica. Assim, na primeira parte, tivemos como proposta abordar o Serviço Social na contemporaneidade, trazendo assuntos atuais e relevantes para conseguir refletir no fazer profissional durante o período da sua formação. Já na segunda parte, tratamos sobre a questão social na atualidade brasileira, um assunto pouco discutido no meio acadêmico diante do cenário atual. Falar da questão social como objeto de trabalho deve ser refletido sempre a partir do contexto histórico atual. E por último abordamos sobre as tendências atuais para o Serviço Social a qual na introdução destaquei como um assunto polêmico na categoria profissional, porém o que deve ser considerado é o fazer profissional a partir do conceito profissional onde o assistente social inserido na sociedade contemporânea deve buscar alternativas para que a finalidade da profissão não seja confundida com discurso ideológico, mas sim a partir de uma análise crítica e investigativa considerando o contexto social atual a qual está inserido. CONSIDERAÇÕES FINAIS O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4 67 LEITURA COMPLEMENTAR Por que processos de trabalho e Serviço Social? (...) Ao se falar em “prática profissional” usualmente tem-se em mente “o que o assistente social faz”, ou seja, o conjunto de atividades desempenhadas pelo profissional. A leitura hoje predominante da “prática profissional” é de que ela não deve ser considerada “isoladamente”, “em si mesmo”, mas em seus “condicionantes” sejam eles “internos” - os que dependem do desempenho do profissional - ou “externos” - determinados pelas circunstâncias sociais nas quais se realiza a prática do assistente social. Os primeiros são geralmente referidos a competências do assistente social como, por exemplo, acionar estratégias e técnicas; a capacidade de leitura da realidade conjuntural, a habilidade no trato das relações humanas, a convivência numa equipe interprofissional, etc. Os segundos abrangem um conjunto de fatores que não dependem exclusivamente do sujeitoprofissional, desde as relações de poder institucional, os recursos colocados à disposição para o trabalho pela instituição ou empresa que contrata o assistente social; as políticas sociais específicas, os objetos e demandas da instituição empregadora, a realidade social da população usuária dos serviços prestados, etc. Em síntese, a prática profissional é vista como a atividade do assistente social na relação com o usuário, os empregadores e os demais profissionais. Mas, como esta atividade é socialmente determinada, consideram-se também as condições sociais nas quais se realiza, distintas da prática e a ela externas, ainda que nela interfiram. (...) Fonte: IAMAMOTO, Marilda Villela. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 22 ed. São Paulo. Cortez. 2012, p. 94. O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4 68 MATERIAL COMPLEMENTAR • FILME/VÍDEO • Título: O Coração Corajoso de Irena Sendler. • Ano: 2009 • Sinopse: baseado na verdadeira história de Irena Sendler, uma assistente social polaca que durante a Segunda Guerra Mundial ajudou a salvar cerca de 2500 crianças Judias, contrabandeando- as para fora do Gueto de Varsóvia. Depois, ela acabou presa pelos nazistas. • LIVRO • Título: Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional. • Autora: Marilda Villela Iamamoto. • Editora: Cortez. • Ano: 1998. • Sinopse: este livro comporta uma nova e inquietante agenda de questões para o trabalho e para a formação profissional do assistente social. O Serviço Social sente hoje os impactos de uma nova conjuntura, que lhe coloca o desafio de repensar a formação profissional em tempos de novas demandas e de investimentos. O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADEUNIDADE 4 69 CONCLUSÃO GERAL Caro(a) aluno(a)! Chegamos ao final de mais uma etapa. Espero que você tenha compreendido os temas abordados nas quatro unidades do livro de Introdução ao Serviço Social. Os assuntos tratados foram pensados no seu processo formativo. A intenção foi apresentar fatores atuais, porém resgatando contextos históricos para compreender a profissão. Desta forma, destaco que o Serviço Social é uma profissão inscrita na divisão social e técnica do trabalho, habilitado para atuar na esfera pública e privada, sendo considerado um profissional liberal, analítico e crítico, que teve a sua origem nas ações da igreja católica, mas regulamentou-se enquanto profissão, além de atuar nas relações sociais do trabalho, frente às mais diversas expressões da questão social advinda do sistema capitalista Além de conceituar alguns contextos históricos, também foi apresentado as alterações no Código de Ética do (a) Assistente Social que ocorreram nos anos de 1947, 1965, 1975, 1986 e o atual em 1993 e a Constituição Federal de 1988 e o LOAS que rege o exercício profissional frente às políticas públicas, além dos órgãos representativos que fiscaliza, orienta, disciplina e defende o exercício profissional. Também discutimos sobre a identidade profissional em relação à formação profissional, as competências e habilidades do assistente social, apresentando o mercado de trabalho e os principais campos de atuação profissão, destacando que devido às novas expressões da questão social está surgindo novos campos de atuação e que cabe ao assistente social tem um Projeto Ético Político para atuar frentes aos demais espaços sócio-ocupacionais, considerando o Serviço Social na contemporaneidade, principalmente o processo formativo e o mercado de trabalho a qual são tendências atuais da profissão. Um grande abraço e sucesso na sua vida acadêmica e profissional. 70 ABEPSS. Diretrizes gerais para o curso de Serviço Social. 1996. Disponível em: http:// www.abepss.org.br/arquivos/anexos/04-a-caderno-abess-n7-diretrizes-gerais-para-o- curso-de-servico-social-(com-base-no-curriculo-minimo-aprovado-em-assembleia -geral- extraordinaria-de-8nov-201702011415372855610.pdf. Acesso em: 17 jan. 2025 ABEPSS. Diretrizes gerais para o curso de Serviço Social. 1996. Disponível em: http:// www.abepss.org.br/arquivos/anexos/04-a-caderno-abess-n7-diretrizes-gerais-para-o- curso-de-servico-social-(com-base-no-curriculo-minimo-aprovado-em-assembleia-geral- extraordinaria-de-8nov-201702011415372855610.pdf. Acesso em: 15 jan. 2025. BARROCO, Maria Lúcia Silva; TERRA, Sílvia Helena. Código de Ética do/a assistente social comentado. Organização: Conselho Federal de Serviço Social - CFESS. São Paulo: Cortez, 2012. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Seção IV da Assistência Social. BRASIL. INEP/MEC. Censo da Educação Superior 2018: notas estatísticas. Brasília-DF, 2019. Disponível em: http://download.inepgov.br/educacao_superior/censo_superior/ documentos/2019/censo_da_educacao_superior_2018-notas_estatisticas .pdf. Acesso em: 23 jan. 2020. BRASIL. Lei n.º 8.662/93 de regulamentação da profissão. Código de ética do/a assistente social. 10. ed. Rev. e atual. Brasília: Conselho Federal de Serviço Social, 2012. BRASIL. Lei n.º 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Lei Orgânica da Assistência Social. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1993. CFESS. Histórico. Disponível em: http://www.cfess.org.br/visualizar/menu/local/o-cfess. Acesso em: 16 jan. 2020. REFERÊNCIAS 71 CFESS. Perguntas frequentes. Disponível em: http://www.cfess.org.br/visualizar /menu/ local/perguntas-frequentes . Acesso em: 16 jan. 2020. IAMAMOTO, Marilda Villela. A formação acadêmico-profissional no Serviço Social brasileiro. Servir. Soc. Soc., São Paulo, n. 120, p. 609 - 639, out./dez. 2014. Disponível em: http:// www.scielo.br/pdf/sssoc/n120/02.pdf. Acesso em: 23 jan. 2020. IAMAMOTO, Marilda Villela. O Brasil das desigualdades: “questão social”, trabalho e relações sociais. SER social, Brasília, v. 33, pág. 261-384, jul./dez. 2013. Disponível em: http://www.cressrn.org.br/files/arquivos/FaPa1Oy8kQ65voJ4T345.pdf. Acesso em: 22 jan. 2020. IAMAMOTO, Marilda Villela. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2012. IAMAMOTO, Marilda Villela. Os espaços sócio-ocupacionais do assistente social . Serviço Social: Direitos Sociais e Competências Profissionais. Edição CFESS e ABEPSS, 2009. IAMAMOTO, Marilda Villela. Pesquisa em Serviço Social. Ano 2, n. 3. Brasília: ABEPSS, Grafline, 2011. IAMAMOTO, Marilda Villela. Renovação e conservadorismo no Serviço Social . 6. ed. São Paulo: Cortez, 2002. IAMAMOTO, Marilda Villela. Serviço Social em tempo de Capital Fetiche: Capital financeiro, trabalho e questão social. 3.ed. São Paulo: Cortez, 2008. IAMAMOTO, Marilda Villela; CARVALHO, Raul de. Relações Sociais e Serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação histórica-metodológica. 16. ed. São Paulo: Cortez, 2006. LIMA, Daniela Alves. Introdução ao Serviço Social . São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. 72 MARX, Karl. O Capital. 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YAZBEK, Maria Carmelita. Pobreza e exclusão social: expressões da questão social. Temporalis, ano II, n. 3, p. 33 - 40, 2001. ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE Praça Brasil , 250 - Centro CEP 87702 - 320 Paranavaí - PR - Brasil TELEFONE (44) 3045 - 9898 Unidade 1 - 2024 Unidade 2 - 2024 Unidade 3 - 2024 Unidade 4 - 2024 Site UniFatecie 3: Botão 19: Botão 18: Botão 17: Botão 16:que são consideradas importantes na vida do ser humano, mas que muitas vezes são implicadas pelo sistema capitalista que reage na busca por aumento da riqueza comprometendo as relações sociais gerando a desigualdade social e o que chamamos de questão social, objeto de trabalho dos assistentes sociais outro ponto abordado nesta unidade. Por fim, apresento o Estado e o papel das instituições religiosas, antes do Serviço Social se regulamentar enquanto profissão. De um lado, tínhamos o Estado que não se preocupava com a classe trabalhadora e, do outro, a igreja que buscava nas instituições uma forma de ofertar as doutrinas religiosas. Desejo bons estudos e que aproveite o conteúdo desta unidade. SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1 9 O Serviço Social é uma profissão inscrita na divisão social e técnica do trabalho. Considerado uma profissão liberal, dispondo de estatutos legais e éticos, os quais atribui autonomia em relação à condução do exercício profissional e por meio das dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa, é que o assistente social torna-se habilitado para atuar tanto na esfera pública quanto na esfera privada, nos mais diversos campos sócio ocupacionais. A origem do Serviço Social sucedeu na sociedade capitalista madura, conceituado como especialização do trabalho coletivo a partir da articulação no processo de produção e reprodução das relações sociais, mas para entender a origem e o conceito do Serviço Social no Brasil é necessário apresentar de forma separada, conforme vejamos a seguir. 1.1 ORIGEM DO SERVIÇO SOCIAL De acordo com Montaño (2007), a base da profissão foi pautada no termo “ajuda”, encontrado nas obras de Tomás de Aquino e Vicente de Paula, primeiros precursores da assistência social. Os estudos do autor supracitado foram embasados nas obras de grandes pensadores, como Herman Kruse, Ezequiel Ander-Egg, Natálio Kisnerman, Boris Alexis Lima, Ana Augusta de Almeida, Balbina Ottoni Vieira, José Lucena Dantas, entre outros, que em sua maioria enfatizaram que o Serviço Social antecedeu na caridade e na filantropia, tese tratada como perspectiva endogenista. O QUE É SERVIÇO SOCIAL: ORIGENS E CONCEITO1 TÓPICO 1 SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1 10 No entanto, o autor destaca que considerar a origem do Serviço Social exclusivamente pautada nas práticas da filantropia e da caridade é um tanto quanto arbitrárias, de fato as práticas exercidas tinha um cunho doutrinário, muitas vezes com base na ajuda e caridade, mas a origem do Serviço Social sucedeu a partir das desigualdades sociais (conhecida pelos profissionais como “questão social”), causadas a partir do período da Revolução Industrial. Por tanto, a origem do Serviço Social enquanto profissão ficou marcada com a ascensão do capitalismo, principalmente no período de uma sociedade burguesa mais madura, a qual gera a desigualdade social e a divisão de classes, além da latente alienação e antagonismo social. E assim, surge a profissão de Serviço Social, articulada ao projeto hegemônico do poder burguês, com estratégia de controle social e a ilusão de servir à sociedade. IMAGEM 1: DIVISÃO DE CLASSES. ID da imagem: 1553930366 Em relação ao Brasil, Iamamoto e Carvalho (2006) destacam que a origem do Serviço Social esteve vinculada a iniciativas da igreja católica, as quais as chamadas “moças boazinhas” eram inseridas nos setores mais abundantes da sociedade, ou seja, vinculados à classe burguesa, para colocar em ação a sua missão política de apostolado social, juntamente às classes subalternas, em particular a família operária. SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1 11 Yazbek et al. (2008) corrobora que a origem do Serviço Social no Brasil esteve ligada a um pensamento conservador (doutrinário) da igreja católica, tinha cunho de ação educativa, atuando em entidades filantrópicas com o apoio do Estado, seguindo uma linha de prevenção aos problemas sociais, visto que a questão social culminou na Revolução Industrial e era vista como um problema causado pelo indivíduo que neste caso precisava de uma ação curativa, trabalhando a moral e a religiosidade. Iamamoto (2002, p.19) complementa que o “Serviço Social surge da iniciativa de grupos e frações de classes dominantes, que se expressam através da Igreja, como um dos desdobramentos do movimento do apostolado leigo”. Com isso, as assistentes sociais acabam tendo contato direto com o operário, a qual atendia diretamente no seu ambiente de habitação para renovar a moral da família, atuando principalmente com as mulheres e as crianças por meio de ações individuais. 1.2 CONCEITO DO SERVIÇO SOCIAL O processo de industrialização no Brasil iniciou-se no século XX, marcando profundamente a sociedade, com o desenvolvimento do capitalismo o mais rápido possível, cresce o número da classe operária nos centros urbanos e com isso o aumento da exploração do trabalho e a desigualdade social, condições propícias para o Serviço Social se profissionalizar, pois houve a necessidade de institucionalizar e legitimar como um dos recursos mobilizadores tanto do Estado quanto do capitalismo que tinha o suporte da igreja católica na perspectiva do enfrentamento da questão social. Fato este que só foi efetivo no ano de 1930 pelo ex-presidente Getúlio Vargas, que entendeu a questão social como dever do Estado e na intenção de legitimar a relação entre o capital e trabalho criou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o salário mínimo, as O trabalho do assistente social se insere numa relação de compra e venda de mercadorias onde a sua força de trabalho é mercantilizada. Aí se estabelece uma das linhas divisórias entre a atividade assistencial voluntária, desencadeada por motivações puramente pessoais idealistas, e a atividade profissional. Fonte: IAMAMOTO, Marilda Vilela; RAUL, de Carvalho. Relações Sociais e Serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação histórico-metodológica. 16 ed. São Paulo. Cortez. 2006. REFLITA SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1 12 legislações sindicais e entre outras legislações, de cunho controlador e paternalista, o Estado transformou a questão social em um problema de administração, desenvolvendo políticas públicas e agências estatais, que se tornaram campos de atuação para os assistentes sociais (Yazbek et al., 2008, p. 8). Não demorou muito para que a igreja católica se tornasse responsável pelo conjunto de ideias e conteúdos para o processo de formação das primeiras assistentes sociais, com isso surge no ano de 1932 o Centro de Estudo e Ação Social (CEAS) no estado de São Paulo, considerada a entidade fundadora e mantenedora das primeiras escolas de Serviço Social no Brasil, que aconteceu somente em 1936, mesclando as visões entre os estudos da França e Bélgica em uma perspectiva social, ética e técnica em relação à formação profissional. SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1 13 A evolução do capitalismo foi um marco para a sociedade e se analisarmos ao viés da profissão do Serviço Social pode-se considerar que a relação de trabalho em meio às mudanças do capitalismo trouxe grandes implicações, pois o modo de produção além de refletir diretamente no cotidiano dos indivíduos, as consequências foram irreversíveis, dentre as quais, a pauperização; o desemprego; a precarização nas condições de trabalho, sem contar na desigualdade social que foi gigantesca. Marx (1989) destaca que a relação do homem com trabalho é o que transforma enquanto ser humano, mas o processo de trabalho criado pelo sistema do capitalista, nas condições de regulador de salários, impede que o trabalhador eleve o valor da sua força de trabalho e mesmo com todo esse descompasso é importante considerarmos que o modo de produção aproxima o ser humano dele mesmo, mas como ele é desenvolvido pode afastar criando conflitos nas relações detrabalho. Iamamoto (2008) destaca que o trabalho produtivo é a base de toda a troca por dinheiro, na qual o capital detém a força de trabalho humana para expandir seu lucro, enquanto o trabalhador usa desta força para reproduzir o valor que de fato pertencente ao capital, ou seja, tudo gira em torno do sistema capitalista e por mais que o trabalhador venda a sua força de trabalho para garantir ao mínimo a sua sobrevivência ainda não é o suficiente, pois o capital dispõe da maior parte de todo o lucro da produção humana e à medida que o capitalismo expande a produção do trabalho se torna cada vez mais inalienável ao sistema, tendo o trabalho produtivo como um processo que repõem o capital e produz o consumo. AS RELAÇÕES DE TRABALHO E O SURGIMENTO DA “QUESTÃO SOCIAL” NO BRASIL2 TÓPICO SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1 14 Contudo, este processo fez com que o capitalismo torna-se um sistema central e dominante nas relações de trabalho, um sistema concentrado em grandes margens de lucro reduzido em pequenos monopólios e exaustivamente rentável, caracterizando assim o capitalismo dos monopólios, um sistema subdesenvolvido capaz de sugar cada vez mais o modo de produção, a forma de trabalho e suas condições para produzir em alta escala, tudo isso por deter a força produtiva do trabalhador a seu favor, considerando que o trabalho e o produto é propriedade do capitalismo, com isso gera-se a chamada questão social. A questão social sempre esteve presente no processo das relações de trabalho. De acordo com Santos (2017) a questão social surge no Brasil no período da República Velha (1889 – 1930) com a superexploração da força de trabalho marcando o país com uma jornada de trabalho exaustiva e com salários degradantes, gerando manifestações por parte da classe trabalhadora devido à desigualdade social, período este que a questão social não era reconhecida com um dever estatal. A autora supracitada nos apresenta que no período do governo Vargas (1930 – 1945) a valorização da produção agroexportadora era considerada forte, deixando as relações de trabalho uma lacuna seguida com a desigualdade social. Com isso, o governo regulamentou os direitos trabalhistas e sociais e passou a controlar por meio das entidades filantrópicas criadas para atender os problemas sociais. Porém, foi no período do regime militar que a questão social se intensificou, pois tivemos uma forte repressão e criminalização contra as lutas sociais, com o aumento da burocracia estatal a desigualdade social cresceu, outro fator predominante foi à exclusão da classe trabalhadora no processo político decisório do país, com isso o capitalismo monopolista se desenvolveu fortemente. A questão social é compreendida como um conjunto das expressões das desigualdades da sociedade capitalista madura, que tem uma raiz comum: a produção social e cada vez mais coletiva, o trabalho torna-se mais amplamente social, enquanto a apropriação dos seus frutos mantém-se privada. Fonte: IAMAMOTO, Marilda Vilela. O Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 22 ed. São Paulo. Cortez. 2012, p. 27. SAIBA MAIS SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1 15 Ainda no período do regime militar tivemos salários reduzidos e um elevado número de desemprego, com isso o Serviço Social passa a se deparar com as mais diversas expressões da questão social, a qual reflete até os dias atuais, sendo este o objeto da profissão em meio ao processo de produção e reprodução nas relações sociais. De acordo com Iamamoto (2012, p. 28) “os assistentes sociais trabalham com a questão social nas suas mais diversas expressões quotidianas”, sejam no trabalho, no âmbito familiar, na saúde, educação, habitação entre outros fatores que ocasionam os problemas sociais e que cabe ao assistente social atuar frente a estas situações. SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1 16 Caro(a) aluno(a), conforme os nossos estudamos, o Serviço social surgiu no Brasil para atender as necessidades do sistema capitalista e do Estado, vinculada nas iniciativas da igreja católica os profissionais passaram a atuar nas expressões das questões sociais causadas nas relações antagônicas e contraditórias entre o capital e o trabalho. Partindo desta perspectiva é que vamos nos aprofundar nesta parte da unidade, porém, vamos entender o Estado e o papel das instituições religiosas antes do surgimento do Serviço Social no Brasil. Cabe destacar que o Estado é o órgão que mais contrata profissionais para atuar frente às políticas públicas, seja na condução e/ou elaboração, sendo este fundamental para que o Serviço Social se profissionalizasse e se desvinculasse do cunho doutrinário e do modo conservador. Com o fim das oligarquias, a república velha foi importante para a formação do Estado brasileiro, uma vez que trouxe consigo inúmeros avanços políticos que se tornariam posteriormente importantes para o Serviço Social. No início do século XX o Estado deveria ser o intercessor entre o capital e o trabalho, porém não assumiu as suas funções como deveria, com isso tivemos exploração da mão-de-obra e jornada de trabalho exaustivo, além da precarização, neste período não tinha uma legislação que se respalda o trabalhador muito menos se tinha o Estado à compreensão de que a desigualdade social era um dever governamental. Com isso, temos a igreja católica que realizava as chamadas ações sociais para atender à classe operária, além de promover o ensino e cultura baseado na doutrina religiosa, conduzido pelas moças boazinhas vinculadas à igreja católica. Como neste período a igreja ANTECEDENTES DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL: O ESTADO E O PAPEL DAS INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS3 TÓPICO SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1 17 não tinha o apoio do Estado, acabava realizando as ações na própria igreja e/ou nos lares dos operários, que atuava na perspectiva da caridade, por meio da prática filantrópica e moralista. Mesmo o país sendo considerado um Estado laico, foi no governo Getulista que a igreja católica teve uma relação mais estreita com o ex-governo, levando uma grande massa da população a apoiar o governo e tendo consequentemente medidas a seu favor, como, por exemplo, o decreto que permite o ensino religioso nas escolas públicas e a criação das instituições religiosas, consideradas entidades filantrópicas para atender as necessidades da classe trabalhadora. O papel das instituições religiosas era de ofertar serviços especializados para as pessoas consideradas desassistidas pelo governo e a criação das instituições religiosas passou a ser importante, tanto para a sociedade, quanto para a igreja, pois de um lado tínhamos aqueles que lutavam por uma causa e do outro aqueles que em um presente momento da vida necessitava de atenção. Mas nós, enquanto assistentes sociais, devemos nos respaldar nos direitos humanos e sociais, dando ao indivíduo autonomia sobre a sua vida e apresentando os seus direitos enquanto cidadão. SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1 18 Caro(a) aluno(a) no decorrer desta unidade estudamos que o Serviço Social é uma profissão inserida na divisão social e técnica do trabalho, que atua na perspectiva interventiva no processo das relações sociais, esta profissão dispõe de legislação que respalda os profissionais a partir do seu exercício profissional. Porém, na origem do Serviço Social não tínhamos esta organização, isto porque o Serviço Social se originou no Brasil para atender as necessidades do sistema capitalismo tendo o Estado como um aliado, o qual buscou nos profissionais do Serviço Social uma forma de atender as necessidades da classe trabalhadora. Com o sistema capitalista, as relações do trabalho se tornaram frágeis e, com isso, o trabalhador era o que mais sofria diante das opressões vividas, gerando diversas expressões da questão social, objeto principalpara que o Serviço Social se fortalecesse enquanto profissão. De fato a origem e todo o processo da profissão, as quais estudamos nesta unidade nos faz perceber que assim como a sociedade o Serviço Social também evoluiu na condução do seu trabalho e acredito que este processo de evolução deve ser constante, tanto para você enquanto ao aluno e futuro assistente social. Em relação ao Estado e as instituições religiosas, podemos considerar que de um lado temos um Estado que transfere as suas obrigações para as instituições religiosas e do outro lado essas instituições que atuam com serviços especializados, o que de certa forma torna dois grandes campos de atuação para o profissional de Serviço Social. Além do Estado, exigir a profissionalização dos primeiros profissionais que buscaram alternativas para institucionalizar a profissão, é considerado um avanço para a categoria profissional. CONSIDERAÇÕES FINAIS SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1 19 (...) A “VELHA” E A “NOVA” QUESTÃO SOCIAL É sabido que muitas foram às transformações que a sociedade sofreu, inclusive no mundo capitalista, fazendo com que alguns autores definiram a “velha questão social” como sendo “nova questão social”. Fundamentando o novo: no aumento do desemprego, na miséria, nas diversas formas de exclusão social, nos novos sujeitos e principalmente em suas novas necessidades. Sobre tais mudanças, Pastorini (2010) destaca serem muito importantes, porém, que são novas formas de sua expressão e que mantêm traços de sua origem. O que há são diferentes versões da questão social para cada estágio capitalista, diferentes reações da sociedade frente a ela, buscando estabilidade e manutenção da ordem, além da preocupação com a reprodução das desigualdades e contradições capitalistas e o do reconhecimento social como partes fundamentais das diferentes versões da questão social. (...) Fonte: DAMASIO, Aline Medeiro. O Projeto Social como Resposta à Questão Social. S/d. Disponível em: https://cress-mg.org.br/hotsites/Upload/Pics/ff/ff4abc60-cd6e- 430b-abe1-cc5c5e7120dc.pdf. Acesso em: 16 jan. 2019. LEITURA COMPLEMENTAR SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1 https://cress-mg.org.br/hotsites/Upload/Pics/ff/ff4abc60-cd6e-430b-abe1-cc5c5e7120dc.pdf https://cress-mg.org.br/hotsites/Upload/Pics/ff/ff4abc60-cd6e-430b-abe1-cc5c5e7120dc.pdf 20 MATERIAL COMPLEMENTAR • FILME/VÍDEO • Título: Os Companheiros. • Ano: 1963. • Sinopse: a história de operários têxteis explorados em Turim, na Itália, na virada do século, que começam na luta por melhores condições de trabalho. O professor Sinigaglia (Marcello Mastroianni) é enviado pelos socialistas para organizar sua greve e dar forma à sua luta. • LIVRO • Título: NATUREZA DO SERVIÇO SOCIAL. • Autor: Carlos Montaño. • Editora: Cortez. • Ano: 2007. • Sinopse: o livro tem por objetivo, por um lado, apresentar sucintamente a discussão feita, ao longo das últimas três décadas, sobre a gênese do Serviço Social e, por outro, os rebatimentos da lógica positivista herdada da sua emersão, reposta no desenvolvimento atual da profissão. SERVIÇO SOCIAL: HISTÓRICO E CONCEITOUNIDADE 1 Professora. Esp. Irení Alves de Oliveira NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORES2UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 22 Plano de Estudos • CFESS (Conselho Federal de Serviço Social). • CRESS (Conselho Regional de Serviço Social). • Código de Ética do profissional do Serviço Social. • Constituição de 1988 e seus impactos para a assistência social. • Lei Orgânica da Assistência Social de 1993 – LOAS/93 (Lei N 12.435/11). Objetivos da Aprendizagem • Conhecer o surgimento do CFESS; • Compreender as atribuições do CRESS; • Aprofundar nas alterações dos Códigos de Ética Profissional; • Conhecer os impactos da Assistência Social a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988; • Se aprofundar na LOAS, Lei que regulamenta a Assistência Social. NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 23 Caro(a) aluno(a), como pode ter notado no título desta unidade, a partir de agora você irá aprender um pouco sobre as normas e os órgãos que regulamentam a profissão e o serviço socioassistencial, em que estará inserido quando atuar enquanto assistente social. Para entender os assuntos que serão abordados nesta unidade (que considero importante para você enquanto aluno do curso de Serviço Social), será necessário dividi- los em partes, mas já adianto que mesmo conhecendo e se apropriando dos conteúdos desta unidade, espero que você busque estudar mais sobre os assuntos, principalmente os órgãos competentes e a LOAS. Logo no início apresento sobre o Conselho Federal de Assistência Social (CFESS) e em seguida o Conselho Regional de Serviço Social (CRESS), ambos considerados autarquias públicas que visam orientar, disciplinar, normatizar, fiscalizar e defender o exercício profissional do(a) assistente social no Brasil. Depois, será abordado o assunto do Código de Ética profissional, realizando um contexto histórico e apresentando as alterações feitas desde a apresentação do primeiro C.E que foi em 1947 até a última em 1993, marcando assim a profissão considerado uma das primeiras a ter legislação na área social, regulamentando enquanto categoria profissional. Por fim, apresentarei brevemente sobre a Constituição Federal de 1988, mais especificamente os artigos 203 e 204 e os impactos causados na área da assistência social, levando a promulgação da Lei Orgânica da Assistência Social, regulamentando tanto os serviços prestados quanto os direitos do cidadão ao utilizar desses serviços ofertados pela política de assistência social. E, enquanto futuro assistente social, é de extrema importância que você, caro (a) aluno (a), conheça tanto das atribuições dos órgãos representativos quanto da legislação que regulamenta a profissional e o serviço prestado. Desejo bons estudos e sucesso! INTRODUÇÃO NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 24 Caro(a) aluno(a), conhecer os órgãos representativos da categoria é de extrema importância para a formação acadêmica. Neste sentido, vamos nos aprofundar sobre o papel de cada órgão. De acordo com site do CFESS, tanto este órgão quanto o Conselhos Regionais de Serviço Social - CRESS (assunto que vamos nos aprofundar mais a frente) são considerados uma autarquia pública federal, com a atribuição de orientar, disciplinar, normatizar, fiscalizar e defender o exercício profissional do (a) assistente social no Brasil. A criação do CFESS ocorreu no ano de 1950, período em que o Estado passa a regulamentar profissões consideradas liberais. Nesta época, os conselhos tinham a função burocrática, ou seja, eram considerados entidades sem autonomia, pois foram criadas no intuito de exercer apenas o papel de “controlador do Estado” em relação ao exercício profissional. O Serviço Social foi considerado uma das primeiras profissões da área social a ter uma legislação que regulamenta o exercício profissional, porém foi com o decreto 994 de 15 de maio de 1962 que o exercício profissional passou a ser fiscalizado pelo Conselho Federal de Assistentes Sociais (CFAS), hoje denominado como CFESS. CFESS (CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL)1 TÓPICO NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 25 Por que se comemora o 15 de maio como o Dia do/a Assistente Social? O dia é comemorado em virtude do Decreto 994/62 que regulamenta a profissão do/a assistente social e cria os Conselhos Federal e Regionais ter sido editado em 15 de maio de 1962. Assim, embora a profissão tenha sido legalmente reconhecida por meio da Lei n.º 3252 de 27 de agosto de 1957, somente em 15 de maio foram regulamentados e instituídos os instrumentos normativos e de fiscalização, na época Conselho Federal e Regional de Assistentes Sociais. Hoje, com a edição da Lei 8662 de 08 de junho de 1993 - Conselho Federal e Regionais de Serviço Social. Fonte: CFESS. Perguntas frequentes. Disponível em http://www.cfess.org.br/visualizar/menu/local/perguntas-frequentes. Acessado em 16/01/2020. SAIBA MAIS NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 Conforme o site do CFESS, o conselho profissional de modo geral, em seus primórdios, era constituído como entidades autoritárias, não tinha aproximação com os profissionais da categoria, muito menos era organizado como um espaço coletivo de interlocução. A fiscalização era restringida apenas na exigência da inscrição do profissional e pagamento dos tributos. Essas características também marcaram a origem do conselho no âmbito do Serviço Social. O processo de renovação do CFESS, tais como, mudança de nomenclatura e os instrumentos normativos ocorreram com as atualizações do código de ética profissional e atualmente este órgão constituído por lei tem funções que garante o exercício profissional dos assistentes sociais registrado no órgão competentes da sua região conhecido como Conselho Regional de Serviço Social - CRESS. 26 CRESS (CONSELHO REGIONAL DE SERVIÇO SOCIAL)2 TÓPICO NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 O surgimento do CRESS também ocorreu no ano de 1950, tendo a função burocrática, assim como o CFESS, este órgão também teve mudanças tanto na nomenclatura quanto às funções a partir das atualizações do Código de Ética profissional, considerado uma autarquia de personalidade jurídica e de direito público. Vinculado ao CFESS, este órgão de jurisdição estadual, ou seja, são alocados nos estados federativos do país, com espaços considerados regionais e seccionais para atender profissionais com registro neste conselho. Conforme previsto na Lei 8662/93, lei que vamos nos aprofundar mais adiante, o CRESS tem autonomia administrativa e financeira em sua área de jurisdição, podendo atuar na qualidade de órgão executivo de primeira instância, a qual provém das seguintes atribuições. • Organizar e manter o registro profissional dos Assistentes Sociais e o cadastro das instituições e obras sociais públicas e privadas, ou de fins filantrópicos; • Fiscalizar e disciplinar o exercício da profissão de assistente social na respectiva região; • Expedir carteiras profissionais de assistentes sociais, fixando a respectiva taxa; • zelar pela observância do Código de Ética Profissional, funcionando como Tribunais Regionais de Ética Profissional; • Aplicar as sanções previstas no Código de Ética Profissional; • Fixar, em assembleia da categoria, as anuidades que devem ser pagas pelos assistentes sociais; 27NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 • Elaborar o respectivo Regimento Interno e submetê-lo a exame e aprovação do fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/ CRESS. Além de suas atribuições, os CRESS regional deverá contar com membros efetivos, sendo considerados um presidente, um vice-presidente, dois secretários, dois tesoureiros e três membros do Conselho Fiscal e nove suplentes. As pessoas ocupantes destes cargos deverão ser assistentes sociais, eleitos de via direta, com mandato de três anos. Cabe destacar que o CFESS também atua nesta perspectiva. Já as seccionais deverão contar com três membros efetivos, sendo um delegado, um secretário e um tesoureiro, e três suplentes efetivos. Caro (a) aluno (a), é importante destacar que os assistentes sociais eleitos devem ser da área de sua jurisdição, ou seja, área de atuação e residência. Normalmente são realizados processos seletivos para a efetivação nas eleições. Segundo Lima (2014), atualmente o CRESS atua em quase todos os estados do país, considerado uma entidade de direito público tem o Tribunal de Contas da União como responsável por analisar todos as contas e ao compreendermos a sua plenitude entendemos a seriedade do CRESS e que os assistentes sociais devem-se respaldar quando necessário. É importante salientar que o CFESS além de orientar também fiscaliza o exercício profissional, podendo aplicar penalidades, tais como, multa; suspensão e até cancelamento do registro profissional, além de pena das medidas judiciais cabíveis para os infratores, o que nos leva a compreender o quão competente são os órgãos - CFESS e CRESS. 28 CÓDIGO DE ÉTICA DO PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL3 TÓPICO NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 Como estudamos anteriormente, o Serviço Social foi uma das primeiras profissões a ter uma Lei de Regulamentação Profissional. Desde o sancionamento do primeiro código de ética, esta Lei passou por diversas alterações e, partindo deste preceito, é que vamos nos aprofundar nesta parte da unidade. E para que você, caro(a) aluno(a), possa entender sobre essas alterações, irei apresentá-las, fazendo um breve resgate histórico a partir das ideias das autoras Barroco e Terra (2012), uma referência para o Serviço Social. O primeiro código foi em 1947, aqui tinha-se uma estreita vinculação com a igreja católica, era atrelado especificamente no aspecto doutrinário, sendo considerado subordinado aos dogmas religiosos. Já o segundo foi em 1965, neste já podia compreender um traço na renovação profissional, principalmente no contexto da modernização conservadora posta pela burguesia, porém aqui não houve o rompimento com a base filosófica do neotomismo e do funcionalismo. O terceiro foi em 1975, houve o suprimento das referências democráticas liberais do código de ética anteriores, configurando com uma expressão da reatualização do conservadorismo, eliminando o dever relativo ao pluralismo. O quarto foi em 1986, neste já podia observar a descaracterização da tendência legalista ao Código anterior, construído coletivamente pela categoria por meio das entidades que os representavam, que hoje conhecemos como CFESS e CRESS. Além disso, o Código de 1986 ficou considerado parte do projeto profissional, articulado ao propósito da sociedade. Devido à descaracterização que o Código de 1986 teve, as autoras Barroco e Terra acabaram dando mais destaque, isso porque houve um conjunto de conquistas, tais 29NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 como: rompimento com a pretensão perspectiva imparcial dos códigos de ética anteriores, o desvelamento do caráter político da intervenção ética; a explicação do caráter de classe dos usuários, entre outros fatores que culminou com esta mudança, como, por exemplo, a conjuntura de democratização que a sociedade vivenciou no ano de 1980 e a dinâmica capitalismo no ano de 1970. E por fim, tivemos a reformulação do Código de Ética em 1993, este que nos respaldamos até os dias atuais, Lei n.º 8.622/93. A autora supracitada nos apresenta que a alteração do CE de 93 aconteceu em um cenário a qual se tinha o enfrentamento do neoliberalismo em meio a discussão das questões éticas, tema que era debatido nas mobilizações políticas da sociedade, o que ocasionou ao impeachment do presidente da república e um novo pensar para a profissão, levando a outro patamar. O processo de debates que estava acontecendo ocasionou a aprovação do Código de Ética de 1993, porém, esta aprovação levou aproximadamente 3 anos, isso porque foi considerado educativo e politizador. Portanto, pode-se entender que o Código de Ética de 1986 e 1993 foram um avanço para a categoria profissional, pois temos o primeiro que mesmo tendo resquícios do conservadorismo ainda foi uma evolução para a profissão e o segundo traz a proposta de valores emancipatórios cuja proposta é buscar estratégias para o enfrentamento dos problemas sociais. 30 CONSTITUIÇÃO DE 1988 E SEUS IMPACTOS PARA ASSISTÊNCIA SOCIAL4 TÓPICO NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 Com o fim do regime militar e o anseio pela recuperação da liberdade de um Estado de direito, o país passou pelo processo de redemocratização que ocorreu com a Constituição Federal 1988, conhecida com “Carta Cidadã”. Assim, instaura-se a luta pelos direitos sociais e individuais na defesa de uma sociedade mais justa e igualitária. A Constituição Federal de 1988 provém de direitos e garantias, além de deveres dos órgãoscompetentes para com a sociedade. Lima (2014) nos apresenta que a CF nos trouxe inovações e avanços em relação à assistência social no Brasil, como a promulgação da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), assunto que vamos estudar mais a frente, mas que acabou regulamentando os artigos 203 e 204 da Constituição Federal, o quais asseguram o exercício dos direitos sociais como um de seus valores supremos. Assim, a assistência social passou a ser reconhecida como política pública, sendo integrada no tripé da seguridade social (Previdência Social, Assistência Social e Saúde). Considerada responsabilidade do Estado, de gestão descentralizada e participativa. 31 Previdência Social: mecanismo público de proteção social e subsistência proporcionado mediante contribuição. Assistência Social: política pública de proteção gratuita a quem dela necessitar (não é contributiva). Saúde pública: destinada a promover redução de risco de doenças e acesso a serviços básicos de saúde e saneamento (não é contributiva). Fonte: Lima (2014, p. 116). SAIBA MAIS NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 Em relação à assistência social, a Constituição Federal de 1988 foi um divisor de águas, pois trouxe impactos relevantes, principalmente para os profissionais da área social. Isto porque o Estado teve que assumir responsabilidades e adotar medidas concretas para a redução da desigualdade econômica e social do país. A partir disso, foi criado o programa transferência de Renda, a fim de combater a pobreza e as diversas formas de desigualdade, visto que mesmo com os seus altos e baixos este programa foi considerado positivo, assim o Programa Bolsa Família passa a ser considerado queda da desigualdade social e o aumento da renda das pessoas consideradas “mais pobres”, ou seja, com uma renda inferior a ¼ do salário mínimo por pessoa. Em linhas gerais podemos considerar que a Constituição Federal foi um marco para a sociedade, principalmente para os assistentes sociais, pois seus impactos foram importantes para concretizar as regulamentações das demais legislações, como a LOAS e Políticas Nacional da Assistência Social (PNAS) e o Sistema Único de Assistência Social. 32 LEI ORGÂNICA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL DE 1993 – LOAS/93 (LEI N.° 12.435/11)5 TÓPICO NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 Em 07 de setembro de 1993, foi promulgada a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) para regulamentar os artigos 203 e 204 da Constituição Federal de 1988, assuntos abordados anteriormente, mas que iremos nos aprofundar nesta parte da Unidade. A Assistência Social foi definida na LOAS como direito do cidadão e dever do Estado, sendo considerada uma política prevista na seguridade social, a qual tem caráter não contributivo e o cidadão só poderá utilizar dos serviços prestados por esta política, quando necessitar, prevê o mínimo social, ou seja, atende somente as necessidades básicas. Conforme o previsto na LOAS, a assistência social visa à proteção social, a qual deve garantir a vida, reduzindo os danos causados e prevenindo os riscos gerados por algum problema social. Além da proteção à família, seja na maternidade, na infância, adolescência ou na velhice. Ainda nos objetivos da assistência social, deve-se ter o amparo às crianças e adolescentes que são considerados carentes, a promoção ao mercado de trabalho, a habitação e reabilitação às pessoas com deficiência, a garantia de um salário-mínimo para pessoas com deficiência e ao idoso que não provém do seu próprio sustento, a vigilância socioassistencial que visa analisar a territorialidade e a capacidade protetiva das famílias, aqui podemos considerar os órgãos como CRAS (Centro de Referência da Assistência Social), o CREAS (Centro de Referências de Especialização da Assistência Social), entre outros. E, por fim, a defesa dos direitos, que deve garantir o acesso. 33 Para o enfrentamento da pobreza, a assistência social realiza-se integradamente às políticas setoriais, garantindo mínimos sociais e provimento de condições para atender contingências sociais e promovendo a universalização dos direitos sociais. Fonte: Brasil (1993). REFLITA NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 Na LOAS, também podemos encontrar, os princípios, as diretrizes e dos programas e projetos da assistência social o Benefício de Prestação Continuada (BPC), os benefícios eventuais, os serviços, os programas de assistência social e os projetos de enfrentamento da pobreza, os quais concretiza o que está previsto nos artigos 203 e 204 da Constituição Federal de 1988. Conforme a Yazbek (2004) a LOAS veio para possibilitar o reconhecimento da assistência social como política pública, a qual legitima as demandas dos beneficiados pelo serviço, bem como o próprio serviço que visa cumprir o que estava previsto na CF, assim a proposta da LOAS é estabelecer hegemonia estatal a partir do gerenciamento das políticas pública e concretizar a assistência social como política social. 34 Caro(a) aluno(a), ao longo desta unidade, estudamos os principais conceitos dos órgãos representativos da categoria profissional, bem como a legislação que regulamenta a profissão e os serviços prestados pelos assistentes sociais. Ao viés da profissão, e você enquanto aluno de Serviço Social, deve considerar as normativas como assunto importante, pois é o que irá orientá-lo no campo de atuação profissional. Como estudamos nesta unidade, o CFESS e o CRESS são órgãos considerados autarquias públicas, a qual tem um papel importante, pois não é somente fiscalizar o exercício profissional, mas de respaldar e orientar o profissional que luta pelos direitos sociais e individuais, conforme previsto na Constituição Federal de 1988 e no código de ética profissional, que prevê os nossos direitos e deveres de assistentes sociais. De fato, os assuntos apresentados nesta unidade são relevantes e importantes, pois fideliza o fazer profissional em meio a sociedade e conhecer as alterações que aconteceram no Código de Ética profissional e o avanço que a assistência social teve com a Constituição Federal 1988, tornando-se reconhecida como política pública e tendo o Estado como instituição de responsabilidade, a qual necessitou adotar medidas concretas para atender as desigualdades sociais tendo o impacto por meio da criação de programas sociais, reduzindo as mazelas causadas pelo capitalismo. Assim, acredito que conhecer as normativas e os órgãos competentes no que se refere à profissão nos faz entender que o Serviço Social ao longo de todos esses anos se modificou em meio à sociedade. Porém, devemos sempre nos aprofundar no fazer profissional por meio dos estudos e aprendizagem tendo a certeza de que assim como a sociedade evoluiu, o profissional em Serviço Social também precisa evoluir e entender os direitos do cidadão por meio das legislações, isso é o que nos diferencia em meio à categoria. Espero que os breves conceitos lhe estimule a se apropriar do que aprendemos nesta unidade. Bons estudos! CONSIDERAÇÕES FINAIS NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 35 LEITURA COMPLEMENTAR (...) A natureza da ética profissional A ética profissional é uma dimensão específica do Serviço Social, suas determinações são mediadas pelo conjunto de necessidades e possibilidades, de demandas e respostas que legitimam a profissão na divisão social do trabalho da sociedade capitalista, marcando a sua origem e a sua trajetória histórica. A ética profissional se objetiva como ação moral, através da prática profissional, como normatização de deveres e valores, através do código de ética profissional, como teorização ética, através das filosofias e teorias que fundamentam sua intervenção e reflexão e como ação ético política. Cabe destacar que essas não são formas puras e/ ou absolutas e que sua realização depende de uma série de determinações,não se constituindo na mera reprodução da intenção dos seus sujeitos. A moral profissional diz respeito à relação entre a ação profissional do indivíduo singular (derivada de determinado comportamento prático objetivador de decisões, escolhas, juízos e ações de valor moral), os sujeitos nela envolvidos (usuários, colegas, etc.) e o produto concreto da intervenção profissional (avaliado em função de suas consequências éticas, da responsabilidade profissional, tendo por parâmetros valores e referenciais dados pela categoria profissional, como o Código de Ética, etc.). (...) Fonte: BARROCO, Maria Lúcia Silva. Fundamentos éticos do Serviço Social. 2009. Disponível em: http://www.cressrn.org.br/files/arquivos/8QQ0Gyz6x815V3u07yLJ.pdf. Acesso em 16 jan. 2020. NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 36 MATERIAL COMPLEMENTAR • FILME/VÍDEO • Título: Laranjas e Sol. • Ano: 2011. • Sinopse: baseado em fatos, o filme conta a história de Margaret Humphreys, uma assistente social do Reino Unido responsável por descobrir um dos maiores esquemas de tráfico infantil da Europa, envolvendo o governo da Grã-Bretanha, que deportava crianças pobres de maneira forçada para países como a Austrália e o Canadá. • LIVRO • Título: Código de ética do/a Assistente Social comentado. • Autor: Maria Lucia Silva Barroco e Sylvia Helena Terra. • Editora: Cortez. • Ano: 1993. • Sinopse: este livro preenche uma lacuna. Não havia até agora um texto acadêmico destinado a comentar o Código de Ética em vigor, de 1993, na sua totalidade. As autoras comentam o Código em seus fundamentos sócio-históricos e ontológicos, bem como em suas reais possibilidades de materialização, no contexto de uma sociabilidade fundada na acumulação e na propriedade privada. NORMAS E ÓRGÃOS REGULADORESUNIDADE 2 Professora. Esp. Irení Alves de Oliveirav ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL3UNIDADEUNIDADE 38 PLANO DE ESTUDO 38 Plano de Estudos • Formação, competências e atribuições. • Objetos de trabalho do assistente social. • Mercado de trabalho: os espaços de atuação. • Projeto ético-político: caminhos para formação do assistente social. Objetivos da Aprendizagem • Apresentar o processo de formação, bem como as competências e atribuições profissionais; • Destacar os objetos de trabalho do assistente social, considerando no novo formato de sociedade; • Expor os campos de atuações profissionais em relação ao mercado de trabalho; • Compreender o Projeto Ético Político e os caminhos para formação profissional; UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL 3939 Caro (a) aluno (a), a identidade profissional deve ser considerada um fator importante na construção da sua formação enquanto futuro assistente social, pois é a partir desta perspectiva que você conseguirá identificar o campo de atuação a qual tem interesse, além de construir o perfil profissional a partir das atribuições e competências, compreendendo a importância do Projeto Ético Político. Partindo desta análise que esta unidade tem como proposta apresentar alguns pontos relevantes para que você consiga construir o seu perfil profissional e identificar o campo de atuação a qual terá interesse, destacando que o mercado de trabalho do assistente social tem expandindo constantemente a partir das novas expressões da questão social. Assim, na primeira parte desta unidade, será apresentado o processo de formação, destacando o motivo pelo qual devemos cursar Serviço Social e em qual momento se materializou na profissão, além de conhecer as atribuições e competências privativas dos assistentes sociais. Já na segunda parte da unidade, serão destacados os objetos profissionais, sabendo que a questão social é o objeto da profissão, porém, com o modelo societário atual, existem novos objetos da profissão e cabe ao assistente social identificá- los. Na terceira parte tem como viés expor o mercado de trabalho e os espaços de atuação que tem expandido constantemente devido às novas expressões da questão social e por fim será apresentado o Projeto ético-político e os caminhos para formação do assistente social, o que este projeto se difere no fazer profissional e como os assistentes sociais atuam mediante as bases que o fundamentam. Assim, convido você a se apropriar dos conteúdos desta unidade e desejo bons estudos e sucesso na sua escolha enquanto futuro assistente social. INTRODUÇÃO UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL 4040 Caro(a) aluno(a), o assistente social, enquanto profissional inserido na divisão social e técnica do trabalho, precisa assumir alguns requisitos para exercer a sua atuação nos mais diversos campos sócio ocupacionais. Como estudamos na primeira e na segunda unidade, o Serviço Social passou por diversas mudanças ao longo dos seus 90 anos de existência, surgindo como condutor das práticas assistencialistas e se regulamentando enquanto profissão, sendo considerado um profissional liberal e interventivo nas relações sociais do trabalho. Mas para entender tudo isso, é importante conhecer o processo formativo, as competências e as atribuições que irá realizar quando solicitar a carteira profissional após a conclusão do curso. Desta forma, irei apresentá-los a seguir separadamente. 1.1 FORMAÇÃO Segundo a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS) O processo de consolidação das diretrizes de 1996, surgiu no debate do III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS), a qual foi realizado no ano de 1979, que conhecemos como “Congresso da Virada”, neste congresso foi discutido sobre a construção das bases para o currículo mínimo que aconteceu em 1982, sendo considerado um marco do projeto profissional que é a formação profissional. Porém, somente em 1996 é que tivemos a diretrizes gerais do curso de Serviço Social, as quais dispõem dos pressupostos da formação, os princípios e diretrizes da FORMAÇÃO, COMPETÊNCIAS E ATRIBUIÇÕES1 TÓPICO UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL 4141UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL formação, a nova lógica curricular e as observações e recomendações, nesta última, dispõem de que o curso de Serviço Social deve ter duração de 4 anos, sendo considerado bacharel em Serviço Social. De acordo com Iamamoto (2012) o debate sobre a formação profissional que ocorreu nos anos 1980 apresentaram-se alguns eixos e dentre eles o de fundamentos do processo formativo, o qual foi discutido ao longo de mais de uma década a necessidade de direcionar a formação para a criação de um perfil profissional firmado em competências teórico-crítica, aproximando as principais matrizes do pensamento social, destacando na atualidade as expressões teórico-práticas no Serviço Social. A autora supracitada ainda destaca que a necessidade de re-construir o projeto de formação profissional do assistente social requer entender o dilema da sociedade contemporânea e para isso é exigido conciliar o projeto formativo com a história, bem como as tendências contraditórias tanto de curto quanto de longo prazo, exigindo do processo formativo a apropriação das informações relacionadas a sociedade como um requisito primordial para concretizar o que se pretende atingir na construção do projeto a qual está inserido, podendo atuar nos diversos momentos conjunturais e a capacidade de antecipar os problemas posto diante da prática profissional. 1.2 COMPETÊNCIAS Para compreender a competência profissional, irei destacar na íntegra o que o Código de Ética nos apresenta. Conforme previsto no Artigo 4º que constituem competências do Assistente Social: • Elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares; • Elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programase projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil; III - encaminhar providências e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população; • Orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de usar os mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos; • Planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais; 4242UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL • Planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais; • Prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II deste artigo; • prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade; • Planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Serviço Social; • Realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades. 1.3 ATRIBUIÇÕES O Código de Ética também dispõe das atribuições privativas do assistente social, previstas no artigo 5º, que serão apresentadas na íntegra a seguir: • Coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social; • Planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de Serviço Social; • Assessoria e consultoria e órgãos da Administração Pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social; • Realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a matéria de Serviço Social; • Assumir, no magistério de Serviço Social, tanto ao nível de graduação como pós-graduação, disciplinas e funções que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso de formação regular; • Treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários de Serviço Social; VII - dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de graduação e pós-graduação; • Dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em Serviço Social; 4343UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL • Elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras de concursos ou outras formas de seleção para assistentes sociais, ou onde sejam aferidos conhecimentos inerentes ao Serviço Social; • Coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assuntos de Serviço Social; • Fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regionais; • Dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas; • Ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e entidades representativas da categoria profissional. 4444 Como estudamos na primeira unidade deste livro, o objeto de trabalho do Serviço Social é a questão social, porém, nesta unidade vamos nos aprofundar nas múltiplas expressões da questão social, a qual faz parte do processo de produção e reprodução das relações sociais tendo o assistente social como profissional capacitado para atuar frente às diversas demandas apresentadas na sociedade. Segundo Yazbek (2001), o atual cenário que a sociedade está inserida apresenta impactos devastadores, tais como, desemprego, a precarização no modo de trabalho, a debilidade na saúde, moradia precária e muitas vezes insalubres, fome, criminalidade, favelização, analfabetismo, diferenças sociais, pessoas em situação de rua, pessoas usuárias de substâncias psicoativas, violência (idoso, crianças, adolescentes, pessoa com deficiência, mulheres, assaltos, mortes), entre outros que leva ao pauperismo extremo. É evidente que os impactos causados pelo sistema capitalista de certa forma foram destrutivos, marcando profundamente a população empobrecida. Netto (2001, p. 41) destaca que “as expressões da questão social não são semanticamente unívocas; ao contrário, registram-se em torno dela compreensões diferenciadas e atribuições de sentido muito diversos”. Por tanto entender as múltiplas expressões da questão social deve ir além do que está exposto, é preciso entender os desdobramentos sócio-políticos que envolve uma determinada expressão da questão social, é para isso preciso entender o contexto histórico que ocasionou a situação que muitas vezes leva o indivíduo ou um grupo de pessoas a uma condição degradante. OBJETOS DE TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL2 TÓPICO UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL 4545UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL Já Iamamoto (2012, p. 62) corrobora que “as expressões da questão social são a matéria-prima ou o objeto do trabalho profissional. Pesquisar e conhecer a realidade é conhecer o próprio objeto de trabalho, junto ao qual se pretende induzir ou impulsionar um processo de mudança”, ou seja, a ideia da autora vai de encontro com a de Netto quando destaca que compreender as diferenças expressões da questão social é conhecer a realidade, mas também ter a possibilidade de mudar a realidade e/ou de transformar por meio da ação realizada pelo trabalho profissional A autora supracitada ainda apresenta que conhecer as particularidades das múltiplas expressões da questão social na história da sociedade brasileira é o mesmo que esclarecer o processo social, o qual são produzidos e reproduzidos nas relações sociais cotidianamente, cabendo ao assistente social aprender e entender como as múltiplas expressões da questão social sucedem na sociedade e quais as ações devem ser conduzidas para atender ao problema posto ao profissional. Assim, Netto (2011) completou que o capitalismo está em constante mudança, ou seja, se reinventando frequentemente e com isso pode surgir novas expressões da questão social, levando os assistentes sociais a refletirem na atuação profissional frente a uma nova expressão da questão social. Segundo o autor, devemos investir para além da permanência de manifestação tradicional e, a cada novo estágio do desenvolvimento societário, são necessários novos estudos e aperfeiçoamentos, compreendendo o contexto no qual o profissional em Serviço Social está inserido. 4646 Com o aumento da desigualdade social e o surgimento das múltiplas expressões da questão social, houve uma ampliação no mercado de trabalho dos profissionais de Serviço Social nos últimos tempos. Assim, os assistentes sociais passaram a ocupar os espaços que retratavam as particularidades e condições no que se refere às relações de trabalho postas na sociedade brasileira, além de passar por profundas mudanças na forma de atuação, mediante as inovações tecnológicas. Iamamoto (2009) destaca que, além de ampliar o mercado de trabalho, é necessário que os assistentes sociais se reinventem no meio profissional, pois o próprio mercado exige novas habilidades, competências e atribuições, além das privativas, impondo ao profissional, especialidade e capacitação acadêmica, principalmente no que se refere ao direcionamento ético-político e técnico, capaz de se impulsionar no mercado inserido. O fato é que o mercado de trabalho para os assistentes sociais está em constante mudança, surgindo novos campos para atuar frente às novas expressões da questão social e cabe ao profissional se destacar no mercado de trabalho a partir de suas habilidades e competências. Mas para que você possa entender o mercado de trabalho do profissional em Serviço Social, faz-se necessário destacar os principais espaços sócios ocupacionais, considerados obrigatórios à contratação. Assim, segundo Iamamoto (2012) o setorpúblico é considerado o campo que mais contrata assistente sociais, é normalmente realizado concurso público para ocupar os espaços nas secretarias da assistência social, educação, habitação, saúde, entre outros, inseridos nas esferas municipais, estaduais e federal. Normalmente, os profissionais que MERCADO DE TRABALHO: OS ESPAÇOS DE ATUAÇÃO MERCADO DE TRABALHO: OS ESPAÇOS DE ATUAÇÃO3 TÓPICO UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL 4747UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL exercem nos serviços públicos atuam em territórios, seja na proteção básica e/ou alta complexidade. A autora ainda apresenta que temos outra fatia do mercado de trabalho que mais contrata assistentes sociais, que são as Organizações da Sociedade Civil (OSC’s) conhecidas como ONG’s. Para esta autora, estes campos de atuação necessitam dos profissionais maior atenção e qualificação para lidar com as mais diversas expressões da questão social. Os assistentes sociais também são contratados para atuar nos serviços ofertados pelo “sistema S” - SESC, SESI, SENAC, SENAI, SEBRAE, SENAR, SEST, SENAT E SESCOOP, seja como assistente social ou gestor de um determinado serviço, normalmente os assistentes sociais são contratados por processo seletivo. A previdência social é outro campo de atuação, a qual também contrata por meio de concurso público, sendo considerado um espaço de atuação com boa remuneração, este campo também atua no enfrentamento da questão social na perda dos direitos sociais universais, assegurados pela Constituição Federal de 1988. Não podemos deixar de destacar a atuação dos assistentes sociais nas empresas com a proposta de eliminar o foco de tensões sociais e criar um comportamento produtivo da força de trabalho, além dos assistentes sociais atuando em universidades em cursos de graduação em Serviço Social e especializações na área, bem como na publicação de livros e elaboração de materiais de pesquisas voltados para o Serviço Social. Sem contar que os assistentes sociais atuam na área jurídica nas diversas instâncias e nos conselhos representativos. É importante destacar que o profissional em Serviço Social, além de realizar um trabalho socioeducativo, também é qualificado para atuar nas diversas áreas que de certa forma estão ligadas às políticas públicas e sociais, bem como às privadas, como destacado acima. Dentro do seu exercício profissional, deve conter o planejamento, organização, execução, avaliação, gestão, pesquisa, assessoria, consultoria, entre outros requisitos, conforme previsto no Código de Ética Profissional. No exercício profissional, o assistente social pretende responder às demandas apresentadas pelos usuários dos serviços a qual atua, trabalhando na perspectiva de garantias e acessos aos direitos, conforme previsto na Constituição Federal de 1988, sendo necessário utilizar os instrumentos de trabalho, tais como, entrevistas, relatórios, visitas domiciliares, laudos, pareceres sociais, entres outros, sendo responsável por fazer análise da realidade social e institucional, intervindo na melhoria das condições em que o usuário 4848UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL do serviço se encontra e para o trabalho poder acontecer é necessário a busca constante de aperfeiçoamento, aprimorando os conhecimentos já adquiridos e compreendendo a dinâmica do mercado de trabalho. 4949 Para compreender o Projeto Ético-Político (PEP) do Serviço Social é necessário realizar uma breve contextualização do período que este projeto começa a ser gestado na categoria profissional e como os assistentes sociais devem priorizar seus objetivos e funções para que assim possam formular requisitos teóricos e práticos em pleno exercício profissional. Assim, de acordo com Netto (2005), o processo de renovação do Serviço Social surge entre os anos 1965 e 1985, período em que temos a autocracia burguesa no regime militar e a redemocratização do país. E é dentro deste contexto que acontece o movimento de reconceituação, considerado emblemático e importante para o Serviço Social, pois é a partir deste movimento que os assistentes sociais se desvincula da base tradicionalista e conservadora, adotando uma postura mais teórica e reflexiva diante do cenário societário e para explicar este processo o autor nos apresenta três direções primordiais para tal feito. A primeira é a perspectiva modernizadora que surgiu a partir dos estudos dos dois primeiros seminários de teorização (Araxá e Teresópolis), a qual tinha a intenção de adequar o Serviço Social em relação aos instrumentos de intervenção inseridos em um conjunto de técnicas sociais, porém era uma vertente tradicionalista. Já a segunda é a reatualização do conservadorismo, que buscava compreender as tendências da profissão no período do regime militar, além de recuperar os componentes estagnados da herança histórica e conservadora da profissão. Por fim, a terceira direção trata da perspectiva da intenção de ruptura, diferente das anteriores esta tem o viés central criticar de forma sistemática o desempenho tradicional, PROJETO ÉTICO-POLÍTICO: CAMINHOS PARA FORMAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL4 TÓPICO UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL 5050UNIDADE 3 ASSISTÊNCIA SOCIAL: IDENTIDADE PROFISSIONAL rompendo com a herança do pensamento conservador e adotando uma postura crítica, pautada nos referenciais teóricos-metodológicos da teoria marxista. E é nesta perspectiva que vamos nos pautar, pois é a partir da intenção de ruptura que a categoria profissional começa a construir o Projeto Ético Político do Serviço Social. Assim, o caminho para a formação profissional do assistente social aconteceu em 1979 com o Congresso da Virada é neste congresso que o Projeto Ético Político é criado, tendo uma perspectiva crítica, atendendo tanto a categoria profissional quanto a construção de um novo projeto societário, a qual está pautada em três perspectiva que é o Código de Ética Profissional de 1993; as Diretrizes Curriculares e a Lei que Regulamenta a Profissão 8.662/93 e, neste sentido, que os profissionais do Serviço Social devem buscar as possibilidades do enfrentamento das expressões da questão social que deve ir vai além do sistema capitalista. Cabe destacar que o Projeto Ético Político da Profissão não tem um parâmetro a seguir, é evidente que temos as legislações e diretrizes curriculares que dão um norte no fazer profissional, porém devemos considerar que o Projeto Ético Político vai além da prática profissional, pois segue no sentido de uma sociedade mais justa e igualitária a qual os assistentes sociais que se compromete no processo desta construção deve ser movido por uma postura ética diante do seu exercício profissional. 5151 Caro(a) aluno(a), chegamos ao fim de mais uma unidade e como pode averiguar existem alguns fatores considerados importantes para a identidade profissional, assim aprendemos na primeira parte da unidade, que a formação surgiu no Congresso da Virada, a qual foi discutido sobre a construção das bases para o currículo mínimo, porém somente em 1996 é que esta discussão foi concretizada e hoje temos as diretrizes que apresenta o currículo para formação profissional que devemos considerar como um marco para a profissão. Outro marco para a profissão foi o Código de Ética da profissão, a qual apresenta as competência e atribuições privativas dos assistentes sociais, e na primeira unidade os apresento na íntegra, mas é importante que você enquanto futuro assistente social conheça e se apropria de tudo o que está exposto em nosso Código de Ética. Na segunda parte da unidade, estudamos os objetos de trabalho do assistente social, que nada mais são do que as expressões da questão social, ou seja, as mais variadas desigualdades sociais geradas pelo capitalismo. Já na terceira parte da unidade, foi apresentado o mercado