organização do Estado e dos Poderes
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AULAS 11 E 12 \u2013 ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E DOS PODERES 
 
X. ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E DOS PODERES 
a) Notas preliminares 
b) União, Estados, Distrito Federal e Municípios 
c) Repartição de competências 
d) Poder Judiciário 
e) Poder Legislativo 
e.1) Poder de julgar 
e.2) Deputados e senadores 
e.3) Atribuições do Congresso Nacional 
e.4) Comissões parlamentares 
e.5) Garantias dos parlamentares 
e.6) Reuniões; 
e.7) Tribunal de contas; 
f) Poder Executivo 
f.1) Substituição e sucessão do Presidente da República 
f.2) Decreto autônomo 
f.3) Decretos regulamentares 
f.4) Crimes de responsabilidade 
f.5) Chefe de Estado, de Governo e da Administração 
g) Intervenção federal 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo VIII 
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E DOS PODERES 
 
 a) Notas preliminares 
Antes do estudo específico sobre os Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, faz-se 
necessário arregimentar alguns estudos e conceitos objetivos e preliminares, para a boa compreensão 
do Estado e da sua organização político-administrativa. 
 
Povo. Território. Governo. Soberania. Bem comum. Fato social. 
 
O próprio Estado deve ser visto como um agrupamento humano radicado em uma base 
espacial, que se submete ao comando de uma autoridade forte e que não se sujeita a nenhuma outra. O 
agrupamento humano é o povo; a base espacial é o território; a autoridade é o poder; a não sujeição 
deste a qualquer outro é a soberania. 
Este foi o conceito mais divulgado, depois que o italiano Nicolau Maquiavel 
(03.05.1469-21.06.1527) começou a escrever, nas suas principais obras (\u201cO Príncipe\u201d e \u201cDiscursos sobre 
a primeira década de Tito Lívio\u201d), como são e como deveriam ser o Estado e o Governo. O Estado, então, 
é uma Instituição que se organiza soberanamente em determinado território, que um determinado 
povo e um governo. 
Hoje em dia, é comum acrescentar ao conceito de Estado, o elemento finalístico, no 
sentido de que ele só pode ser constituído para o bem comum. 
Também é comum, por ser a mais pura verdade, afirmar que o Estado é antes de tudo 
um fator social, porque é estefator que força o surgimento do Estado Os homens, percebendo que a \u201clei 
do mais forte\u201d começava a deturpar a vida social, com ameaça e extinção de direitos básicos 
(propriedade, vida e liberdade, em especial), eles próprios forjaram a figura do Estado, para ser a 
autoridade para fazer-lhes a proteção devida. Assim, como negar que o Estado é um fator social? A 
comprovação está na história da humanidade: basta olhar para trás e perceber que o Estado surge, se 
desenvolve, se fortalece e se enfraquece em consequência dos movimentos sociais. 
Povo não se confunde com população, porque nele não estão inseridos os estrangeiros. 
População inclui os estrangeiros porque é o conjunto de habitantes do país, do estado, do município, da 
região, do bairro etc. Vê-se, pois, que o conceito de população é meramente geográfica: quantidade de 
seres humanos que estão em determinado território. 
Nação também se diferencia de povo e população, porque nação significa o conjunto de 
pessoas que estão fixados em determinado território, e que têm entre si um maior vínculo emocional, 
causado por questões culturais, históricas e até religiosas. Nação, então, pressupõe o agrupamento 
humano com consciência coletiva e sentimento de que todos têm a mesma origem. 
O que é, então, o povo? É o conjunto de cidadãos estabelecido em determinado 
território e governado soberanamente. Por isso é que só podem entrar no conceito de povo as pessoas 
que têm condições de transferir o poder para que o governo seja soberano, e esta condição se dá pela 
capacidade eleitoral ativa. Isto é assim porque o titular da soberania e do poder constituinte é o povo 
(não é nação ou a população). Não por outro motivo que o parágrafo único do art. 1º da CF/88 diz que é 
o povo o responsável por fazer emanar o poder para seus representantes. 
Apesar de não destacar expressamente os mesmos termos, a CF/88, art. 1º, parágrafo 
único, abarcou o espírito da Declaração de Direitos do Bom Povo da Virgínia, de 1776 (\u201cTodo poder 
reside no povo e, por consequência, deriva do povo; os magistrados são seus mandatários e servidores 
são responsáveis a todo o tempo perante ele\u201d), da posterior Declaração de Independência dos Estados 
Unidos (\u201cOs governos são estabelecidos entre os homens para assegurar estes direitos e os seus justos 
poderes derivam do consentimento dos governados; quando qualquer forma de governo se torna 
ofensiva destes fins, é direito do povo alterá-la ou aboli-la, e instituir um novo governo, baseando-o nos 
princípios e organizando os seus poderes pela forma que lhe pareça mais adequada a promover a sua 
segurança e felicidade\u201d) e da França Revolucionária de 1789 (\u201cO princípio de toda a soberania reside 
essencialmente na Nação. Nenhuma corporação, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que 
daquela não emane expressamente\u201d). 
A diferença primordial entre Estado e nação é que esta é uma realidade sociológica, e 
Estado é realidade sociológica e jurídica. 
 
Soberania e Estado Imperfeito 
 
O governo tem por característica a soberania, em relação aos poderes externos. 
Quando há restrição em qualquer dos elementos constitutivos do Estado, o Estado não é perfeito. 
Ocorre a figura do Estado imperfeitoem algumas formas estatais, hoje vigentes, como é o caso da 
pequena república de San Marino, cravada na Itália, com Constituição própria, e também de Porto Rico, 
denominado \u201cEstado Livre Associado\u201d, porque associado aos Estados Unidos (conquistado pela Espanha 
em 1493 e cedido aos EUA em 1898, com referendo em 1998 para manter este status). O caso mais 
conhecido de Estado imperfeito é o Principado de Mônaco, incrustado no território francês. 
Soberania se expressa conceitualmente na relação internacional, e não na relação 
interna. Assim, os Estados brasileiros têm autonomia, mas a República Federativa do Brasil, verdadeiro 
Direito das Gentes em relação ao mundo, tem soberania. 
No plano internacional, há quem defenda a limitação da soberania no princípio da 
coexistência pacífica das soberanias. No plano interno, o jusnaturalismo quer limitá-lo, mas é aceita a 
sua ausência de limitação. 
Por isso, é comum dividir a soberania do Estado, então, em interna e externa. Interna 
para sobrepor soberanamente as decisões e normas para todos que estejam no território nacional, e 
externa para revelar a capacidade do Estado em negociar com outros países em pé de igualdade, sem 
submissão, inclusive para fazer Tratados Internacionais. 
Não se pode negar, entretanto, que o conceito de soberania está em crise, visto que os 
países já estão chegando a um consenso de que, sozinhos, não conseguem resolver os inúmeros 
problemas globais que, de uma forma ou de outra, afetam as questões internas de todos eles (tráfico 
internacional de drogas, aquecimento global, escassez de alimentos e água etc.). Assim, ganha força 
cada vez mais um constitucionalismo global, em que parcelas das soberanias nacionais são limitadas ou 
divididas, permitindo Tribunais de Justiça com jurisdição para mais de um país, como é o caso do 
Tribunal de Justiça da União Europeia e o Tribunal Penal Internacional, além dos Blocos Econômicos com 
regras próprias (Mercosul, NAFTA, União Europeia, ALCA etc). 
 
A soberania, então, passa a ser dual: uma parcela para o Estado Nacional, e outra 
parcela para os demais Estados que compõem o mesmo conglomerado, ou ainda para o restante da 
humanidade. 
 
Formas de Estado. 
 
A formação de um Estado (daí \u201cFormas de Estado\u201d) pode se dá pela centralização da 
responsabilidade de prestar serviços e decidir politicamente sobre os principais temas nacionais. Ao se 
formatar um Estado, logo se pensa nas formas de