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Técnico em Logística 
Larissa Martins Maia 
 
 
 
 
2014 
Economia Internacional 
 
 
 
 
 
 
 
Presidenta da República 
Dilma Vana Rousseff 
 
Vice-presidente da República 
Michel Temer 
 
Ministro da Educação 
José Henrique Paim Fernandes 
 
Secretário de Educação Profissional e 
Tecnológica 
Aléssio Trindade de Barros 
 
Diretor de Integração das Redes 
Marcelo Machado Feres 
 
Coordenação Geral de Fortalecimento 
Carlos Artur de Carvalho Arêas 
 
Coordenador Rede e-Tec Brasil 
Cleanto César Gonçalves 
 
Governador do Estado de Pernambuco 
João Soares Lyra Neto 
 
Secretário de Educação e Esportes de 
Pernambuco 
José Ricardo Wanderley Dantas de Oliveira 
 
Secretário Executivo de Educação Profissional 
Paulo Fernando de Vasconcelos Dutra 
 
Gerente Geral de Educação Profissional 
Luciane Alves Santos Pulça 
 
Coordenador de Educação a Distância 
George Bento Catunda 
 
 
 
 
Coordenação do Curso 
Maria Helena Cavalcanti 
 
Coordenação de Design Instrucional 
Diogo Galvão 
 
Revisão de Língua Portuguesa 
Eliane Azevedo 
 
Diagramação 
Roberta Cursino 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 3 
1. COMPETÊNCIA 01 | CONHECER OS FUNDAMENTOS DE MACROECONOMIA 
(CONCEITO DE JUROS, INFLAÇÃO, MOEDA, CÂMBIO ETC) ........................................... 8 
1.1 Medidas da Atividade Econômica .................................................... 13 
1.1.1 Fluxo Circular da Renda................................................................. 13 
1.1.2 Renda (RN) e Produto (PN) ........................................................... 16 
1.1.3 Valor Adicionado (VA) ................................................................... 17 
1.1.4 O Conceito de Despesa Nacional (DN) .......................................... 19 
1.1.5 Formação de Capital: Poupança (S) e Investimento (I) ................ 19 
1.1.6 Outras Medidas Agregadas ........................................................... 21 
1.2 O Cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) ou Renda Nacional (RN) 24 
1.2.1 Os Elementos do PIB (Renda Nacional) ........................................ 28 
1.3 Sistema Monetário (Moeda) ............................................................ 33 
1.3.1 Considerações ........................................................................... 33 
1.3.2 Características da Moeda .............................................................. 36 
1.3.3 Funções da Moeda ........................................................................ 36 
1.3.4 Tipos de Moeda ............................................................................. 38 
1.3.5 Os Motivos da Demanda por Moeda ............................................ 38 
1.3.6 Intermediários Financeiros ........................................................... 39 
1.3.6.1 Intermediários Bancários ........................................................... 39 
1.3.6.2 Intermediários não Bancários .................................................... 40 
1.3.6.3 Banco Central ............................................................................. 40 
1.3.7 Política Monetária ......................................................................... 41 
1.3.7.1 Como a Política Monetária Influencia a Demanda Agregada (PIB)
 ................................................................................................................ 43 
1.3.8 Os Agregados Monetários no Brasil .............................................. 45 
 
 
Sumário 
 
 
 
 
 
1.3.9 Política Fiscal ................................................................................. 46 
1.3.10 Política Cambial ........................................................................... 48 
1.4 Inflação ............................................................................................. 50 
1.4.1 Distorções Provocadas por Altas Taxas de Inflação ...................... 50 
1.4.1.1 Efeito sobre a Distribuição de Renda ......................................... 50 
1.4.1.2 Efeito sobre o Balanço de Pagamentos ..................................... 51 
1.4.1.3 Efeito sobre o Mercado de Capitais ........................................... 51 
1.4.2 Causas Clássicas de Inflação .......................................................... 52 
1.5 Mercado de Trabalho ....................................................................... 58 
1.5.1 Taxa Natural de Desemprego........................................................ 62 
1.5.2 Tipos de Desemprego ................................................................... 63 
2. COMPETÊNCIA 02 | ENTENDER A TEORIA E A PRÁTICA EM OPERAÇÕES CAMBIAIS
 ..................................................................................................................................... 65 
2.1 Mercado Cambial ............................................................................. 67 
2.1.1 A Importância da Taxa de Câmbio na Economia e os Regimes 
Cambiais ................................................................................................. 68 
2.2 Monopólio de Câmbio ...................................................................... 71 
2.3 Mercado Cambial do Brasil .............................................................. 72 
2.3.1 Composição do Mercado de Câmbio ............................................ 73 
2.3.1.1 Produtos do Mercado de Câmbio .............................................. 74 
2.3.1.2 Condições para a Realização das Transações ............................ 75 
2.3.2 Setor Público: Principais Atores .................................................... 75 
2.3.3 Agentes do Mercado de Câmbio ................................................... 76 
2.3.3.1 Agentes Autorizados .................................................................. 76 
2.3.3.2 Outros ......................................................................................... 77 
2.4 Funcionamento ................................................................................ 77 
2.4.1 Cotações ........................................................................................ 78 
2.4.2 Posição .......................................................................................... 78 
 
 
 
 
 
2.4.3 Contrato de Câmbio ...................................................................... 79 
2.4.4 Registro no Sistema Câmbio ......................................................... 83 
2.4.5 Operações Destinadas a Atender Gastos Pessoais em Viagens 
Internacionais ......................................................................................... 86 
2.4.6 Cartões de Uso Internacional ........................................................ 87 
2.4.7 Operações no Mercado de Câmbio Relativas às Exportações de 
Mercadorias e de Serviços ..................................................................... 88 
3. COMPETÊNCIA 03 | CONHECER E INTERPRETAR O BALANÇO DE PAGAMENTOS 
(BP) ............................................................................................................................ 108 
3.1 Conceito ......................................................................................... 108 
3.2 Estrutura ......................................................................................... 109 
3.2.1 Transações Correntes .................................................................. 112 
3.2.1.1 Balança Comercial .................................................................... 112 
3.2.1.2 Balança de Serviços (Serviços) .................................................117 
3.2.1.3 Balança de Rendas (Rendas) .................................................... 118 
3.2.1.4 Transferências Unilaterais Correntes....................................... 119 
3.2.2 Conta Capital ............................................................................... 119 
3.2.3 Conta Financeira ......................................................................... 121 
3.2.4 Erros e Omissões ......................................................................... 125 
3.2.5 Saldos Déficits (-) ou Superávits (+) ............................................ 125 
3.3 Contabilidade Nacional .................................................................. 126 
3.4 Transações Autônomas e Compensatórias .................................... 127 
3.5 Solução para os Déficits ................................................................. 128 
3.5.1 Solução para os Déficits Conjunturais ........................................ 128 
3.5.2 Solução para os Déficits Estruturais ............................................ 128 
3.6 Reservas Cambiais .......................................................................... 129 
3.6.1 Nível Ideal de Reservas ............................................................... 131 
REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 134 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
Economia Internacional 
INTRODUÇÃO 
Caríssimo aluno, trataremos aqui tema interessantíssimo para o 
entendimento das notícias econômicas que correm o mundo a fora na 
atualidade. Então vocês devem estar se perguntando de que trata a Economia 
Internacional? Isso será fácil descobrir porque nossa disciplina trará a teoria e 
a prática das relações entre nações. Sempre que possível traremos exemplos 
práticos para um melhor entendimento. 
Primeiro pensemos um pouco sobre o que vem a ser Economia. Não podemos 
avançar para o assunto Economia Internacional sem falar do que trata, 
propriamente, a Ciência Econômica. Você deve ouvir muito este tema em 
jornais, revistas, noticiários, conversações etc. Buscando na literatura (digo, 
pesquisando em livros sobre o assunto), o autor Vasconcellos (2007) define 
economia como sendo a ciência social que estuda como o indivíduo e a 
sociedade decidem utilizar recursos produtivos escassos, na produção de bens 
e serviços, de modo a distribui-los entre as várias pessoas e grupos da 
sociedade, com a finalidade de satisfazer às necessidades humanas. 
Etimologicamente falando, a palavra economia vem do grego oikos (casa) e 
nomos (norma, lei), seria "administração da casa", generalizando, 
"administração da coisa pública". Na prática, é fazer com que os recursos 
encontrados na natureza, a matéria prima (material em estado natural e 
bruto, utilizado para o processo de fabricação de bens industriais e semi-
industriais), que não está em abundância, totalmente livre na natureza, seja 
extraída e transformada em produtos; estes produtos, por sua vez, irão 
atender ao mercado consumidor. São exemplos de materiais brutos o aço 
(utilizado na fabricação de máquinas, equipamentos em geral), o petróleo 
(combustíveis e tantos outros produtos, muitos produtos que usamos são 
derivados do petróleo), a madeira (móveis, artesanato, etc.), a sílica (para a 
produção do vidro), os grãos (ração, massas para macarrão, bolos, pães) etc. 
 
 
 4 
Técnico em Logística 
Segundo Jayme Maia (2004), o ser humano precisa satisfazer algumas 
necessidades para sobreviver, sem isso atendido ele morreria. Precisa de 
alimentos, agasalho para se proteger do frio, lugar para se abrigar. Então 
vemos aqui as três necessidades básicas (primárias) de um ser humano: 
alimentos, vestuário e habitação. Mas à medida que evoluímos, outras 
necessidades começam a surgir como: a educação, o lazer, conforto etc. E 
para atender a todas essas necessidades, são precisos diversos fatores, são os 
chamados Fatores de Produção ou Fatores Produtivos (Souza, 2007). São eles: 
i) terra ou recursos naturais, incluindo água, minerais, madeiras, peixes, solos 
para as fábricas e terra fértil para a agricultura; ii) trabalho ou recursos 
humanos, são os trabalhadores qualificados e não qualificados, pessoal 
administrativo, técnicos, engenheiros, gerentes e administradores; iii) capital, 
isto é, conjunto de bens e serviços como máquinas, equipamentos, prédios, 
ferramentas e dinheiro, necessários para a produção destes e de outros bens 
e serviços; iv) capacidade empresarial, quem assume os riscos de perder seu 
capital ou o capital tomado emprestado, ao empreender um negócio; e mais 
recentemente a v) capacidade tecnológica. De forma mais simples, são os 
fatores produtivos e as relações necessárias para que um Negócio* possa 
existir. Explicando melhor, seria a terra (local para a implantação do negócio), 
trabalho (são os funcionários), capital (as máquinas, o prédio para fabricação 
e/ou armazenagem, equipamentos, ferramentas e dinheiro), capacidade 
empresarial (alguém que queira se arriscar a investir para abrir o negócio) e 
capacidade tecnológica (a tecnologia a ser utilizada nesse empreendimento). 
Vimos aqui dois grandes fatos econômicos, o consumo e a produção, ou seja, 
as pessoas que consomem, que compram produtos e serviços, e as pessoas 
que produzem esses produtos e serviços. 
Em algum momento, um determinado indivíduo produzia um só tipo de 
objeto, em quantidade para atender às suas necessidades, o que 
excedia/sobrava, ele trocava com outros grupos, pegava o que precisava e 
entregava o que não iria mais necessitar. Em épocas pré-históricas era isso 
que acontecia entre pessoas de uma mesma tribo. Com o desenvolvimento 
das relações humanas, essas trocas passaram a serem feitas entre cidades, 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
Economia Internacional 
nações e, por fim, mundo. O ser humano percebeu que era difícil produzir 
tudo o que precisava, de forma rápida e com qualidade, havia um crescente 
aumento das necessidades de consumo. Surge então a divisão do trabalho, 
que gerou não apenas o aumento da produtividade, mas também a melhoria 
da qualidade do produto. Então era melhor confeccionar dez objetos iguais, 
por exemplo, do que sete diferentes. 
O estudo da Economia Internacional envolve todos os aspectos ligados a essas 
atividades econômicas entre as nações; suas regras de funcionamento, 
aspectos legais, trocas monetárias, fluxos de mercadorias, serviços etc. Com o 
fenômeno da globalização, cada vez mais a interação e interdependência 
entre as nações torna urgente o perfeito funcionamento destas relações e, 
neste sentido, a solução comumente adotada, é a criação de organismos 
internacionais que intercedam para equilibrar estas relações e promover o 
desenvolvimento de todos os participantes, todos os envolvidos. 
Jayme Maia (2004) menciona ainda que não só o comércio se tornou 
internacional, mas também outros atos humanos relacionados às atividades 
econômicas. Estas atividades não respeitaram mais as fronteiras nacionais, 
formando assim, o conjunto de atividades que constituem a Economia 
Internacional. Para ele, a Economia Internacional abrange e engloba 
importação e exportação, serviços, transferências de rendas, transferências 
unilaterais, movimentos de capitais. E todas essas atividades econômicas se 
desenvolveram mais e melhor com o progresso dos meios de comunicação e 
dos meios de transportes, transformando o mundo de hoje numa “Aldeia 
Global”. 
De acordo com Paul Krugman (2004), a Economia Internacional utiliza os 
mesmos fundamentos de análise que outras áreas de estudo da economia. 
Por exemplo: um queijo francês será distribuído para dois países,Itália e 
Portugal. A sequência de eventos que leva esse queijo até esses dois países 
não é diferente de se levar uma massa italiana aos restaurantes suíços, por 
 
 
 6 
Técnico em Logística 
exemplo, o que muda apenas são as distâncias percorridas. Em relação ao 
Comércio Internacional, o que poderá alterar essas relações entre países, será 
se qualquer um desses governos resolver proteger seu produto (nacional) 
impondo algum tipo de alíquota (imposto) ou limites/barreiras à importação 
de um produto estrangeiro. Exemplo de uma limitação: o governo de um 
desses países decide aumentar o imposto de importação de produtos e o 
mesmo se torna mais caro em relação ao nacional. Então passa a ser menos 
vantajoso comprar o produto importado. Percebe a manobra do governo? Ele 
aumentou o imposto do produto estrangeiro que, ficando mais caro, gera a 
preferência pelo produto nacional. Com isso as pessoas e empresas passam a 
consumir mais o produto nacional. É uma manobra de proteção que cada país 
faz para que seu produto seja mais comprado e, desta forma, os governos 
conseguem dinamizar a indústria local e, por conseguinte, a economia. 
Na Macroeconomia observa-se o comportamento da economia como um 
todo. As variáveis-chaves estudadas representam o produto total da 
economia como: a renda e o produto nacional, o nível de preços, o emprego e 
o desemprego, as taxas de juros, as taxas salariais, as taxas de câmbio e os 
investimentos externos (estrangeiros). 
É a parte da economia voltada às políticas econômicas, como essas variáveis 
macroeconômicas são afetadas pelas políticas governamentais, citadas no 
parágrafo anterior, e como essa questão afeta as decisões dos investidores 
estrangeiros. Você poderá conhecer alguns fundamentos e conceitos mais 
gerais na prática, bem como as políticas governamentais visando fazer com 
que um país cresça e se desenvolva de forma mais sustentável. Vamos tratar 
essas variáveis com maior generalidade e simplicidade no decorrer de nossa 
disciplina e, ao final da Competência sobre Macroeconomia, o aluno estará 
apto a entender os princípios, fundamentos e mecanismos usados pelos 
governos para controlar taxas de juros, câmbio, inflação, investimento, 
consumo, poupança etc. (Richard Froyen, 2001). 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
Economia Internacional 
Cada país possui sua moeda própria, com valores diferentes, necessitando de 
um local para os compradores e vendedores negociarem suas trocas. Esse 
ponto de encontro é chamado de Mercado Cambial. As transações seriam 
desnecessárias se todos os países adotassem uma moeda única, o que seria 
muito difícil porque cada país possui características e ritmos próprios em 
termos de economia. A União Europeia, bloco econômico formado por 28 
países, por exemplo, enfrenta muita dificuldade pela diversidade dos 
problemas econômicos. Esse bloco possui uma moeda única, o Euro. Você 
poderá entender como essas trocas funcionam, quem as coordena e regula no 
Mercado de Câmbio. 
À medida que o Comércio Internacional começou a se desenvolver mais e 
mais, os países envolvidos começaram a sentir a necessidade de registrá-lo, 
de medir as transações realizadas entre si. Desta forma nasceram os primeiros 
registros que hoje chamamos de Balanço de Pagamentos. Assemelha-se a um 
balanço patrimonial (balanço contábil), onde são apresentados os Ativos 
(bens e direitos) e Passivos (exigibilidades e obrigações) de uma empresa. O 
primeiro país a inventariar (relacionar, enumerar) seu comércio internacional 
foi a Inglaterra, e o primeiro registro remonta ao ano de 1355. Nessa parte de 
nossa disciplina, entenderemos como se dá esse registro, sua estrutura, quem 
o padronizou e regula (Jayme Maia, 2004). 
Esperamos que, com essa abordagem mais simples e prática, você aluno, 
possa compreender mais a fundo as relações econômicas entre países e 
analisar, com mais clareza e juízo de valor, assuntos concernentes à 
Macroeconomia e a alguns dos seus fundamentos e conceitos mais gerais, a 
teoria e a prática das operações cambiais e interpretar um Balanço de 
Pagamentos. 
 
 
 
Saiba mais sobre a 
União Europeia: 
 
http://europa.eu/in
dex_pt.htm 
 
 
 8 
Técnico em Logística 
1. COMPETÊNCIA 01 | CONHECER OS FUNDAMENTOS DE 
MACROECONOMIA (CONCEITO DE JUROS, INFLAÇÃO, MOEDA, 
CÂMBIO ETC) 
O estudo da economia internacional é dividido em dois vastos segmentos: a 
análise do comércio internacional e da moeda internacional. O primeiro 
segmento estuda, principalmente, as transações reais da economia 
internacional, ou seja, as operações que envolvem o movimento físico de 
bens e serviços ou um compromisso tangível dos recursos econômicos (a 
promessa de compra e venda, a garantia de fornecimento de bens e serviços 
regido por acordos mútuos).O segundo segmento acima mencionado trata 
das transações financeiras, como compras estrangeiras de dólares norte-
americanos. Na verdade não há uma divisão entre os dois segmentos, porque 
a maior parte do comércio internacional envolve as transações monetárias e 
muitos eventos monetários que, por sua vez, geram consequências 
importantes para o comércio. Então você pode perguntar, aluno, por que os 
países fazem comércio e quais os benefícios disso? Bem, comércio 
internacional promove um crescimento na produção mundial, permitindo a 
cada país especializar-se na produção do bem no qual apresenta vantagens 
comparativas. Um país tem vantagens na produção de um determinado bem, 
se o custo de oportunidade da produção deste produto, em termos 
comparativos a outros bens, é mais baixo que em outro país. Ou seja, o 
comércio entre dois países pode beneficiar a ambos, se cada um produzir os 
bens nos quais possui vantagens competitivas. Exemplos de vantagens 
comparativas: o Japão não tem terras aráveis, ou seja, para plantio (é um país 
muito pequeno, um arquipélago), mas produz tecnologias avançadas com o 
seu capital intelectual (esta é a vantagem comparativa dele); Brasil possui 
vastas terras para a produção agrícola (vantagem comparativa do Brasil); 
Estados Unidos produz computadores em larga escala, etc. (Paul Krugman, 
2004). 
Na economia, tudo deve ser contabilizado e registrado de acordo com as 
relações já existentes e as possíveis de se realizarem. Ocorre que há um termo 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
Economia Internacional 
chamado de custo de oportunidade que é representado pelo valor das 
oportunidades sacrificadas (não escolhidas), é o que se pode perder deixando 
de fazer algo, para fazer outra coisa. Exemplos de Custo de Oportunidade - 
Custo de Oportunidade do Capital: 
 Um empresário investe R$ 100 mil em um negócio que tem um lucro 
anual de R$ 5 mil. Se o empresário tivesse escolhido a alternativa de 
fazer uma aplicação bancária poderia ganhar algo em torno de 8% ao 
ano, ou seja, R$ 8 mil, esse, portanto, é o custo de oportunidade do 
capital. É abrir mão de fazer algo, para fazer outra coisa também 
vantajosa. 
Atualmente um dos grandes problemas do comércio internacional, são os 
subsídios (ajuda) que os governos fornecem aos seus produtos, visando 
protegê-los no mercado. Isso acontece muito, aluno! E o que pode parecer 
ajuda também pode ser muito prejudicial! Essa proteção provoca (gera) uma 
vantagem econômica diante dos produtos de países que não recebem 
também subsídios, que perdem em termos de competitividade nos mercados 
externos. Temos como exemplo a China, os produtores chineses de tecidos e 
roupas contam com 27 tipos de apoio diferentes, concedidos pelos governos 
federal, provinciais e municipais. A partir dos anos 2000, a China se tornou no 
principal parceirocomercial do Brasil, porém, além de comprar as 
commodities brasileiras, passou a vender mais para o nosso país. Esse cenário 
comercial entre China e Brasil começou a preocupar a indústria brasileira. A 
invasão de produtos importados foi iniciada após o lançamento do Plano Real 
em meados dos anos 1990, e intensificada nos anos 2000. A China é um país 
que produz com baixos custos tributários, e com baixo nível de barreiras 
comerciais em comparação ao Brasil. Com essa invasão dos produtos baratos 
da China, nos anos 2000, diversas empresas nacionais fecharam a partir do 
crescimento dessas importações chinesas. Não sei se era da época de você, 
mas nessa época havia lojas chamadas de R$ 1,99, ou seja, qualquer produto 
da loja era vendido por R$ 1,99 (um real e noventa e nove centavos de real), 
 Competência 01 
 
 
 10 
Técnico em Logística 
todos, sem exceção, produtos chineses. A falência da indústria nacional 
atingiu empresas de diferentes setores: peças, tecidos, brinquedos, 
ferramentas, eletroeletrônico e até de escovas de dente (higiene pessoal). E a 
falência de uma fábrica, gera perda de postos de trabalhos para técnicos e 
especialistas. Para alguns economistas dessa época pode ter havido um 
processo de desindustrialização. 
A compra de um produto chinês, por exemplo, gera emprego na China e não 
no Brasil. Mas esta escolha é determinada pelo preço do produto importado 
em detrimento (comparação) ao do nacional. Os Estados Unidos também 
realizam essa manobra em sua produção agrícola por meio de lei específica de 
subsídios à agricultura, por exemplo, além de outros subsídios. 
Ainda segundo Krugman (2004), a Macroeconomia é o ramo da teoria 
econômica que trata da evolução da economia como um todo, analisando 
como se determina e como se comportam os grandes agregados, isto é, renda 
e produtos nacionais, investimento, poupança, e consumo agregado (parte da 
renda destinada à aquisição de bens e serviços para a satisfação de 
necessidades imediatas), nível geral de preços, emprego e desemprego, 
estoque de moeda e taxas de juros, balanço de pagamentos e taxa de câmbio. 
Enquanto a Microeconomia estuda e analisa, em profundidade, o 
comportamento das unidades econômicas individuais, tais como famílias 
(indivíduos) e empresas/firmas (os agentes econômicos interagindo entre si), 
a fixação de preços nos mercados específicos, os efeitos de oligopólios em 
mercados individuais etc., a Macroeconomia trata os mercados de forma 
global. Ela (Macroeconomia) estuda, por exemplo, a oferta e a demanda por 
mão de obra, com a determinação de salários e o nível de emprego, mas não 
considera a qualificação, o sexo, a idade e a origem da força de trabalho (do 
empregado) etc.; quando estuda o nível da taxa de juros, não leva em 
consideração os vários tipos de aplicações financeiras existentes no mercado. 
Essa abstração tem, de certa forma um custo, pois os pormenores (as 
pequenas coisas) omitidos seriam muitas vezes importantes, se fossem 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
Economia Internacional 
também analisados. Mas a vantagem é o estabelecimento das relações entre 
os grandes agregados para uma melhor compreensão de algumas interações 
mais relevantes da economia. 
Os agentes econômicos na economia são representados pelas famílias, 
empresas, governo e resto do mundo (países estrangeiros). As famílias 
compram produtos das empresas, e estas, por sua vez, ofertam seus produtos 
e também compram de outras empresas; as famílias ofertam (oferecem) sua 
mão de obra (seu trabalho) às empresas em troca de salários e, com essas 
rendas, compram às empresas bens e serviços; os governos também 
compram às empresas e também contratam mão de obra das famílias 
(indivíduos), ofertam (fornecem) serviços às famílias e empresas e recebem 
pagamento (renda) por essas atividades; o resto do mundo também negocia, 
no mercado internacional, bens, serviços e mão de obra, dos quais também 
auferem (recebem) rendas por essa movimentação. Quando a economia se 
diz fechada (quase não existe na atualidade), ele não negocia com o resto do 
mundo (o exterior); portanto, o agente econômico “resto do mundo”, só 
existe nas economias abertas (aquelas que realizam exportações e 
importações). Toda esta movimentação de rendas e de fatores produtivos é 
chamada de “Fluxo Circular de Renda”. O que veremos mais à frente. 
A teoria macroeconômica, propriamente dita, preocupa-se mais com as 
questões conjunturais de curto prazo. São considerados questões de curto 
prazo, o desemprego e a inflação, por exemplo. São consideradas questões 
estruturais, problemas como desenvolvimento econômico, distribuição de 
renda, globalização, progresso tecnológico, cujas análises extrapolam as 
questões meramente econômicas, envolvendo também questões políticas, 
históricas etc., que não são resolvidas no curto prazo (Vasconcellos, 2007). 
A palavra Macroeconomia vemdo grego “μακρύ-ς/ma΄kri-s” = grande, amplo, 
largo e “οικονομία /ikono΄mia” = lei ou administração do lar (Fonte: 
Wikipédia). 
 
 
Segundo o Manual 
de Professores da 
USP (2011), 
oligopólio é uma 
estrutura de 
mercado que hoje 
prevalece no 
mundo ocidental 
(inclusive no Brasil), 
na indústria e no 
transporte aéreo e 
rodoviário, nos 
setores químico e 
siderúrgico e 
outros; caracteriza-
se pela existência 
de reduzido 
número de 
produtores e 
vendedores 
fabricando bens 
que são substitutos 
próximos entre si. 
 Competência 01 
 
 
 12 
Técnico em Logística 
A Teoria Macroeconômica ganhou impulso a partir da década de 30, com um 
economista britânico John Maynard Keynes, cujos ideais serviram de 
influência para a macroeconomia moderna, tanto na teoria quanto na prática. 
Ele defendeu uma política econômica de Estado intervencionista, através da 
qual os governos usariam medidas fiscais e monetárias para mitigar (reduzir) 
os efeitos adversos dos ciclos econômicos. Os economistas anteriores a ele 
acreditavam que as economias de mercado tinham a capacidade de, sem a 
interferência do governo, utilizarem de maneira eficiente todos os recursos 
disponíveis, isto é, produzirem em nível de pleno emprego desses recursos. 
No entanto, havia um grau de insatisfação com esses resultados que a 
macroeconomia oferecia, a existência de uma tendência automática ao pleno 
emprego e, consequentemente, inexistência de desemprego dos 
trabalhadores. Mas as evidências empíricas mostravam pessoas buscando 
emprego sem terem sucesso. 
O objetivo do keynesianismo era manter o crescimento da demanda em 
paridade com o aumento da capacidade produtiva da economia (a capacidade 
da oferta), de forma suficiente para garantir o pleno emprego, mas sem 
excesso, pois isto provocaria um aumento da inflação (muitagenteempregada 
e com renda para gastar, termina por consumir mais, podendo provocar uma 
pressão de aumento dos preços). Na década de 1970 o keynesianismo (Escola 
Keynesiana) sofreu severas críticas por parte de uma nova doutrina 
econômica: o monetarismo. Em quase todos os países industrializados o pleno 
emprego e o nível de vida crescente alcançados nos 25 anos posteriores à II 
Guerra Mundial foram seguidos pela inflação. Os keynesianos admitiram que 
seria difícil conciliar o pleno emprego e o controle da inflação, considerando, 
sobretudo, as negociações dos sindicatos com os empresários por aumentos 
salariais. Por esta razão, foram tomadas medidas que evitassem o 
crescimento dos salários e preços, mas a partir da década de 1960 os índices 
de inflação foram acelerarados de forma alarmante. 
Em linhas gerais, a situação de pleno emprego causaria inflação, pois supõe-seque, estando todos trabalhando e ganhando seus salários, ou seja, toda a 
 
 
Numa economia 
em pleno emprego 
há um equilíbrio no 
mercado de 
trabalho, refere-se 
ao pleno emprego 
de trabalhadores. É 
uma situação em 
que existe emprego 
para todos aqueles 
que queiram 
trabalhar e que 
aceitem o salário 
ofertado, situação 
ideal de emprego, 
onde a quantidade 
de postos de 
trabalho ofertados 
é igual à 
quantidade de 
trabalhadores que 
desejam trabalhar. 
Na vida real não é o 
que acontece, pois 
há também 
trabalhadores que 
só aceitam 
trabalhar por um 
salário mais alto 
que o de equilíbrio. 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
Economia Internacional 
população em plena condição/disposição para comprar produtos e serviços; 
eles vão ao mercado à procura desses bens e serviços; com a constante 
demanda (procura) por bens e serviços, as empresas não teriam o tempo 
necessário para ajustar a sua produção (aumentar a fabricação de bens); e 
para aumentar produção, elas precisam melhorar seus euquipamentos, 
aumentar o espaço físico e contratar mais mão de obra, e isso representa 
aumento no custo da produção; esse aumento de custo produtivo pode ser 
repassado ao preço dos produtos/serviços, provocando a tão temida inflação; 
a inflação nada mais é do que o aumento generalizado dos preços. 
Keynes então mostrou que contrariamente aos resultados apontados, as 
economias capitalistas não tinham a capacidade de promover 
automaticamente o pleno emprego. Mas não vamos aqui falar de todas as 
teorias da macroeconomia, nossa proposta é tratá-la mais no âmbito 
internacional, falando de forma mais atual, simples e prática (Froyen, 2001). 
1.1 Medidas da Atividade Econômica 
Quando se fala do conceito de Macroeconomia visamos o estudo dos 
agregados econômicos, de seus comportamentos e das relações que guardam 
entre si. Os agregados que têm recebido maior atenção dos estudiosos são o 
produto nacional (PN), que é o valor monetário de todos os bens finais 
produzidos na economia, num dado período de tempo, o nível de emprego e a 
taxa de crescimento dos preços. A Macroeconomia difere da Microeconomia 
no que diz respeito à pequena importância que dá às ocorrências internas 
desses agregados. 
1.1.1 Fluxo Circular da Renda 
Podemos medir o desempenho de uma economia pelo produto nacional (PN), 
consumo de energia, pelo número de empresas que pediram falências e 
concordatas etc.; no entanto estes indicadores são muito utilizados como 
 
 
Keynesianismo ou 
Escola Keynesiana é 
a teoria econômica 
consolidada pelo 
economista inglês 
John Mauard 
Keynes, que 
consiste numa 
ornanização 
político-econômica, 
oposta às 
concepções liberais, 
fundamentada na 
afirmação do 
Estado como 
agente 
indispensável de 
controle da 
economia, com 
objetivo de 
conduzir a um 
sistema de pleno 
emprego. 
 Competência 01 
 
 
 14 
Técnico em Logística 
instrumentos auxiliares nessa medição. Há uma preferência por medir a 
economia pelo produto nacional (PN), pois é considerado mais completo, uma 
vez que podese contabilizar o valor total das transações realizadas com bens 
finais (produto que não sofre mais nenhuma alteração). Exemplo: o tecido, os 
botões e a linha, na fabricação de uma calça, vestido, saia etc., são 
considerados bens intermediários, o próprio produto já acabado (a calça, 
vestido e saia) é o bem final. 
É importante falar brevemente o que são bens em economia. Numa definição 
rápida, pode ser tudo aquilo capaz de atender a uma necessidade humana; 
são ativos reais utilizados na satisfação das necessidades humanas; são 
produzidos através da combinação dos fatores produtivos Terra (terras 
cultiváveis, florestas, minas, terrenos e edificações); Trabalho (mãodeobra); 
Capital (máquinas, equipamentos, instalações etc.); Capacidade Tecnológica 
(conhecimento e habilidades); Capacidade Empresarial (disposição do 
empresariado em investir). Sobre estes fatores, explicaremos melhor no 
decorrer da Competência 3 (Professores da USP, 2011). Os bens podem ser 
classificados conforme figura abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.1 - Os Bens em Economia 
Fonte: Professores da USP, 2011. Elaboração própria. 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
Economia Internacional 
Para facilitar o entendimento, existe um modelo simplificado de economia, 
sem as transações com o governo e o exterior. Nesse modelo são utilizadas 
apenas as operações entre as empresas e as famílias (os indivíduos). É o que 
chamamos Fluxo Circular de Renda. 
As figuras 1.1 e 1.2 ilustram bem essas transações. A segunda figura tem a 
representação de um mercado mais completo, com a inclusão do governo e as 
transações com o exterior (resto do mundo). 
Se apenas existisse o fluxo circular de renda simpes, teríamos uma economia 
básica de apenas dois mercados, sendo o primeiro o mercado de bens e 
serviços, onde empresas vendem produtos e as famílias (indivíduos) compram 
com sua renda, observem as setas de despesas das famílias com a compra de 
bens e serviços; e o segundo mercado de fatores de produção, onde as 
famílias vendem sua mão de obra e recebem o pagamento em forma de 
salários, conforme a Figura 1.2. Nesse mercado de fatores produtivos, as 
empresas são as compradoras (adquirem a mão de obra). 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.2 - Diagrama do Fluxo Circular de Renda (economia básica) 
Fonte: Mankiu, 2001. Elaboração própria. 
 Competência 01 
 
 
 16 
Técnico em Logística 
A figura acima representa o diagrama de um fluxo simplificado porque não 
estão inseridas as transações com o governo (G) e a interação com os países 
estrangeiros (EL). Representa também, um fluxo de uma economia fechada 
(que não fazem importações e exportações). No entanto, o mais comum é a 
relação das famílias, empresas e resto do mundo. O governo entra no fluxo 
real, quando as famílias, empresas e os países estrangeiros pagam impostos e 
tributos ao governo e este deve fornecer, em contrapartida, serviços públicos 
e ou serviço terceirizado contratando empresas privadas. Note, aluno, que as 
linhas brancas representam a circulação de rendas/moeda (salários, alugueis e 
lucros) e as linhas azuis, o fluxo de bens e serviços (Figura 1.2). 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.3 - Fluxo Circular de Renda de uma economia aberta 
Fonte:https://www.google.com.br/search?q=fluxo+circular+de+renda&es_sm=122&source=lnms
&tbm=isch&sa=X&ei=6TNQU9-
1H6m_sQS4uYG4Dg&ved=0CAgQ_AUoAQ&biw=1280&bih=619#facrc=_&imgdii=_&imgrc=-
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2_09_01_archive.html%3B640%3B392) 
1.1.2 Renda (RN) e Produto (PN) 
Já dissemos que produto nacional (PN) é o valor monetário de todos os bens 
finais produzidos na economia em dado período (geralmente um ano). 
Chama-se renda nacional (RN) o total de pagamentos feitos aos fatores de 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
Economia Internacional 
produção que foram utilizados para a obtenção desse produto. Imaginemos 
comoexemplo uma economia composta de uma única empresa X. Para 
produzir, ela necessitará dos fatores trabalho, local para a sua instalação, 
máquinas, equipamentos, e capital de giro. Medindo essa economia, o 
resultado seria a soma de todos os gastos que nossa empresa X teve para 
produzir. Entretanto, nessa economia, não está incorporado um fenômeno 
fundamental do mundo real, o uso de insumos, intermediários no processo de 
produção.Um processo de produção de trigo e soja, por exemplo, exige o uso 
de sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas etc. À medida que esses 
insumos não sejam contabilizados nem no mercado de bens finais e nem no 
mercado de fatores de produção, então não serão incluídos nos cálculos da 
renda e nem do produto nacional (PN). 
Resumindo: Renda Nacional (RN) é a soma dos rendimentos pagos às famílias, 
que são proprietárias dos fatores de produção, pela utilização de seus serviços 
produtivos. 
RN = salários (w) + juros (j) + aluguéis (a) + lucros (l) 
Produto Nacional (PN) é o valor de todos os bens e serviços finais produzidos 
em determinado período de tempo, não se considerando os bens e serviços 
intermediários (o PN pode ser medido por mês e ano). 
1.1.3 Valor Adicionado (VA) 
Da necessidade de se excluir essas transações intermediárias da contabilidade 
do produto e renda, surge então o conceito de valor adicionado. Em termos 
macroeconômicos, é o valor dos bens produzidos por uma economia, depois 
de deduzidos os custos dos insumos adquiridos de terceiros (matérias-primas, 
serviços, bens intermediários), utilizados na produção. As transações 
intermediárias são retiradas porque no preço dos produtos finais já está 
incluído o que foi utilizado na sua fabricação. Se fôssemos registrar os bens 
 Competência 01 
 
 
 18 
Técnico em Logística 
finais mais os bens intermediários, haveria uma dupla contabilização (as 
matérias-primas entrariam no cáculo do produto duas vezes). 
Valor adicionadop = vendasp ou produção – custo das matérias-primas 
produzidasp 
Sendo: P= no período 
Você deve estar se perguntando para que serve essa variável! De acordo com 
o artigo da USP, entitulado “A Eficácia Informativa da Demonstração do Valor 
Adicionado”, publicado na Revista Contabilidade & Finanças (2003), o valor 
adicionado é uma demonstração contábil-financeira e tem sua importância 
para a aplicação em estudos macroeconômicos, é uma excelente fonte de 
informações sobre a geração e distribuição da renda das empresas. Tem sua 
importância também como um bom instrumento de análise para a tomada de 
decisão e é usado para o cálculo da renda nacional (RN) e do PIB (Produto 
Interno Bruto). Apesar de o valor adicionado (VA) ser um tema que já se 
encontra relativamente maduro na literatura contábil-financeira, ainda não se 
despertou para a sua utilidade como fonte de informação para o processo de 
análise econômica, finaceira e social das entidades; entretanto, vem 
crescendo o interesse para a explicação econômica e financeira a partir das 
informações contidas nessa demonstração, tanto por parte dos contadores 
como dos analistas financeiros e economistas. 
VALOR ADICIONADO: Consiste no cálculo do que cada ramo da atividade 
adicionou ao valor do produto final, em cada etapa do processo produtivo. 
VA = VBP - consumo de produtos intermediários; 
Sendo VBP = valor bruto de produção 
 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
Economia Internacional 
1.1.4 O Conceito de Despesa Nacional (DN) 
Despesa Nacional é o gasto dos agentes econômicos com o Produto Nacional. 
Esse dado mostra quais são os setores compradores do produto nacional. 
Apresenta o mesmo valor do produto nacional, só que medido agora pelo 
lado de quem compra o produto, e não de quem vende. 
Produto Nacional (PN) = Renda Nacional (RN) = Despesa Nacional (DN) 
Dizemos que são iguais porque quando algum produto é fabricado, este tem 
um valor, paga-se pela sua compra (o comprador) e o vendedor recebe. A 
Despesa Nacional (DN) é dada pela despesa com a venda do produto final, 
que são os bens de consumo. É o valor das despesas dos vários agentes na 
compra de bens e serviços finais. Se adicionarmos as despesas com os bens de 
capital, os gastos do setor público e as despesas líquidas do setor externo 
(exportações – importações), teremos: 
Despesa Nacional = Despesa de Consumo (despesas das famílias com bens de 
consumo) + Despesa de bens de Capital (despesas com investimentos das 
empresas) + Despesa de Governo (gastos do governo) + Despesas líquidas do 
setor externo (gastos do setor externo) 
1.1.5 Formação de Capital: Poupança (S) e Investimento (I) 
Levemos em consideração agora, que as famílias não gastam toda sua renda 
em bens de consumo (elas também poupam para o futuro), e as empresa não 
produzem apenas bens de consumo, mas também bens de capital, que 
elevarão a capacidade produtiva da economia. Então devemos passar a 
estudar também os conceitos de três variáveis: a poupança (S), investimentos 
(I) e depreciação (todos agregados). 
 Competência 01 
 
 
 20 
Técnico em Logística 
POUPANÇA (S): É a parcela da RN não consumida no período, isto é, da renda 
gerada (salários, juros, aluguéis, lucros), onde parte não é gasta em bens de 
consumo, ou seja, de toda a renda que as famílias (indivíduos) não gastam 
consumindo, é considerado poupança agregada (não importa o que elas farão 
com esse dinheiro não gasto). Poupança é o ato de não consumir no presente 
(no período analisado), deixando para consumir no futuro (depois). 
Poupança agregada (S) 
(S de saving em inglês) 
É a parcela da Renda Nacional (RN) que não é consumida no período: 
S = RN – C 
Onde C = consumo agregado 
S = poupança agregada 
RN = Renda Nacional 
Investimento agregado(I) 
É o gasto com bens que foram produzidos, mas não foram consumidos no 
período, que aumenta a capacidade produtiva da economia para períodos 
seguintes. É chamado também de Taxa de Acumulação de Capital e é 
composto por investimento em bens de capital (máqinas e imóveis) e pela 
variação de estoques de produtos que não são consumidos. Os bens de capital 
são chamados, nas Contas Nacionais, de Formação Bruta de Capital Fixo. 
Investimento (I) = Investimento em Bens de Capital + Variação de Estoques 
IMPORTANTE, aluno, não confundir como Investimento, bens de capital com 
“investimento em ações”, por exemplo. Quando uma empresa faz a opção de 
Investir em ações, essa transação não é considerada um investimento no 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
Economia Internacional 
sentido econômico. Este investimento em ações é apenas uma transferência 
financeira, não aumenta a capacidade produtiva da empresa. Mas (ATENÇÃO), 
quando a empresa passa a utilizar parte desse investimento para a compra de 
equipamentos, por exemplo, aí sim temos um investimento no sentido 
macroeconômico (trata-se aqui da compra do equipamento e não da 
transação na bolsa). 
Observação: O investimento em ativos (máquinas, equipamentos, imóveis) de 
segunda mão (usados), não entra no cálculo do investimento agregado 
porque esses bens já foram computados no passado. IMPORTANTE, não se 
pode falar de “desinvestimento” na contabilização dessa variável 
macroeconômica. 
INVESTIMENTO (I): É o gasto em bens que representam aumento da 
capacidade produtiva da economia, isto é, da capacidade de gerar rendas 
futuras; é o gasto em bens produzidos, que não foram consumidos no próprio 
período e que serão utilizados para consumo futuro. 
1.1.6 Outras Medidas Agregadas 
Existe ainda uma série de outras medidas derivadas dos mesmos conceitos, 
que já vimos e que também são muito utilizadas. Uma delas é o produto 
nacional bruto (PNB). Então você pode querer me perguntar “qual é a 
diferença entre o produto nacional bruto e o produto nacional líquido”? 
Precisamos olhar agora a questão da depreciação. De um total de bens finais 
produzidos pela economia, num determinado período, parte desses bens 
refere-se a máquinas e equipamentos produzidos, e que vão incorporar-se ao 
estoque de capital da economia. Só que partedesses equipamentos irá repor 
a parcela de equipamentos desgatada no período anterior ao processo 
produtivo. O valor dessa parcela de equipamentos e máquinas desgatada pelo 
processo de produção no período anterior é chamado de depreciação. Então 
 Competência 01 
 
 
 22 
Técnico em Logística 
devemos contabilizar o total geral de bens e serviços produzidos numa 
economia, dado um período de tempo, abatendo a depreciação. 
Desta forma o produto nacional bruto considera o total geral de bens e 
serviços finais produzidos pela economia, menos os equipamentos e 
máquinas de reposição para os já desgastados após o processo produtivo. 
Então temos: 
PNB = PNL + Depreciaçãoou PNL = PNB – depreciação 
DEPRECIAÇÃO: É o desgaste de capital físico por um período determinado, ou 
seja, é o custo dos equipamentos (capital fisico) quando é utilizado na 
produção das empresas. Os bens móveis, imóveis e semoventes (bovinos, 
ovinos, suínos, caprinos, equinos, etc., que constituem patrimônio), estão 
sujeitos à depreciação, conforme a expectativa de vida útil de cada bem. 
Exemplo simples: Uma empresa compra uma empilhadeira por R$ 50 mil. Se a 
taxa de depreciação é de 10 % ao ano, qual o valor do custo de depreciação e 
em quanto tempo ele deverá trocar esse equipamento? Resposta: 10% de R$ 
50 mil é R$ 5 mil/ano (por ano), então em 10 anos o valor contábil da 
empilhadeira (deste bem) é 0 (zero). 
Falemos também do produto interno, que é diferente do produto nacional. 
Alguns fatores de produção utilizados no processo são de propriedade de 
residentes no exterior, da mesma forma alguns residentes no país têm fatores 
de produção sendo utilizados em outros países. Como levar esse fato em 
consideração nas medidas de renda e de produto? A solução é abrir mais uma 
conta de produto (produto interno), na qual apenas se considera o 
pagamento a fatores de produção de residentes. 
Então temos: 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 
Economia Internacional 
PI (porduto interno) = PN + Renda líquida enviada ao exterior (é igual renda 
enviada para pagamento de fatores de propriedade de não residentes menos 
a renda recebida do exterior para pagamento de fatores de produção de 
residentes) 
Em outras palavras, o produto nacional mais a renda enviada para pagamento 
de fatores de propriedade de não residentes, menos a renda recebida do 
exterior para pagamento de fatores de produção de residentes, será igual ao 
produto interno. 
Em termos de produto bruto temos: 
PIB (Produto Interno Bruto) = PNB + Renda líquida enviada ao exterior 
Outra medida é o produto nacional a preços de mercado ou o produto 
nacional a custos dos fatores de produção. 
Nas diversas etapas de comecialização há cobrança de diversos impostos 
indiretos (IPI e ICMS), tanto dos produtos intermediários como dos produtos 
finais. O governo permite que a cada etapa da produção ocorram abatimentos 
relativos aos impostos indiretos pagos sobre as matérias-primas utilizadas. 
Por esta razão, quanto chegamos aos produtos finais, seus preços serão não 
apenas o valor adicionado nos diversos estágios de produção, mas também o 
total de impostos indiretos pagos e diretos não abatidos até a obtenção desse 
produto. Portando, para calcular o produto nacional a preços de fatores, é 
preciso incluir os impostos pagos em cada estágio do proceso produtivo. 
Podemos definir o produto nacional a custos de mercado como sendo o 
produto nacional a custo de fatores acrescido dos impostos indiretos. 
PNpm (produto nacional a preço de mercado) = PNcf (produto nacional a custo 
dos fatores) + impostos indiretos 
 Competência 01 
 
 
 24 
Técnico em Logística 
Observação¹: PN a custo de fatores (PNcf): é o PN medido a partir dos valores 
que refletem os custos de produção, o que se gasta com os fatores, a 
remuneração aos fatores. 
Observação²: PN a preços de mercado (PNpm): é o PN medido a partir dos 
valores transacionados no mercado (ou seja, mede o preço pago pelo 
consumidor final). 
Uma última medida de larga utilização em economia é a da Renda Disponível 
do Setor Privado. É o resultado da renda nacional, deduzidas as contribuições 
compulsórias que o Setor Público faz do Setor Privado (os impostos diretos 
como: o Imposto de renda de pessoas físicas, contribuições para o INSS etc) e 
acrescidas de todas as transferências que o Setor Público faz para o Setor 
Privado (pagamentos de aposentadorias, subsídios, etc.). Essa medida mostra 
quanto o Setor Privado tem a seu dispor, para consumo e poupança, como 
resultado da atividade econômica do período analisado (Equipe de 
Professores da USP, 2011). 
1.2 O Cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) ou Renda Nacional (RN) 
Se fôssemos julgar o sucesso de uma pessoa, observaríamos em primeiro 
lugar sua renda. Pessoas com uma renda mais elevada desfrutam de um 
padrão de vida mais alto, possui boa moradia, melhor cuidado com a saúde, 
possui carros luxuosos, férias mais opulentas e outros benefícios a mais. A 
mesma lógica se aplica à economia nacional, ao julgarmos o sucesso de uma 
economia, é natural observarmos a renda total gerada. Essa é a natureza 
principal do Produto Interno Bruto (PIB) de uma nação, esse é um dos motivos 
de estudarmos esta variável macroeconômica. 
O PIB mede duas coisas simultaneamente: a renda total gerada e a despesa 
total com os bens e serviços produzidos na economia. A razão pela qual o PIB 
pode medir as duas variáveis ao mesmo tempo é que as duas contas são 
iguais, como já foi dito antes. Para a economia como um todo, a renda deve 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
Economia Internacional 
ser igual à despesa (estamos tratando de uma igualdade). A renda ser igual à 
despesa só é possivel porque sempre temos duas partes nas transações 
comerciais: um comprador e um vendedor. Digamos que João é contratado 
para lavar os bancos dos carros de uma residência. Esse serviço custa R$ 
1.000,00, então João é o vendedor do serviço e a residência é a compradora 
dos serviços do João. O Diagrama do Fluxo Circular da Renda demonstra bem 
essa questão porque quando a renda está saindo para pagamento de algum 
fator de produção, ela ao mesmo tempo está entrando em algum lugar. Então 
uma despesa em certo momento da transação corresponde a uma renda para 
a outra parte. 
Mostramos o significado do PIB, agora daremos uma definição: 
“Produto Interno Bruto (PIB) é o valor de mercado de todos os bens e serviços 
finais produzidos em um país em dado período” (Mankiw, 2001). 
Parece simples definição, mas há detalhes sutis, a saber: você já deve ter 
ouvido o adágio (provérbio popular com uma mensagem de teor moral) que 
diz: “não se somam maçãs com laranjas”. Mas o PIB faz exatamente isso, 
soma vários tipos de bens diferentes em uma única medida de valor da 
atividade econômica. Medem o valor que as pessoas estão dispostas a gastar 
de suas rendas através do preço do mercado. Então quando se diz “valor de 
mercado de todos os bens”, na definição significa exatamente isso. Portanto 
se o valor de uma maçã for o dobro do valor da laranja, a contribuição de uma 
maçã para o PIB será sempre, também, o dobro da contribuição da laranja. 
O PIB também iclui itens produzidos na economia e vendidos legalmente no 
mercado. Ele mede o valor de mercado de todos os produtos de uma 
economia: não só laranjas e maçãs, mas bananas, abacaxis, livros, 
mensalidades escolares, serviços de saúde, seguros, serviços de restaurantes, 
etc. O governo inclui alugueis e até imóveis próprios, estimando o valor do 
aluguel dos mesmos (partem do princípio de que o proprietário, que mora e 
 Competência01 
 
 
 26 
Técnico em Logística 
não paga aluguel, paga esse aluguel a si próprio). Mas há alguns produtos que 
são excluídos do PIB porque sua medição é extremamente difícil. São os itens 
produzidos e vendidos ilicitamente, fazem parte as drogas ilegais e produtos 
contrabandeados, por exemplo. Excluem-se também os itens produzidos e 
consumidos nos lares, agricultura de subsistência, que não entram no 
mercado de consumo. Exemplo: as frutas e verduras compradas nos 
mercadinhos entram no PIB, mas as plantadas em um pomar e/ou horta 
domésticas, não entram. Algumas exclusões podem levar a resultados 
confusos, paradoxais porque, por exemplo, se um eletricista formalizado é 
contratado por uma dona de casa, e ela o paga pelos seus serviços, esse valor 
entra no cálculo do PIB, mas se a dona de casa se casa com esse profissional e 
não paga mais pelos serviços dele, esse valor já não entra mais no PIB (não 
está mais sendo vendido no mercado). 
O PIB inclui tanto os bens tangíveis (alimentos, móveis, carros, eletrônicos, 
etc.) quanto os serviços, que são intangíveis (faxinas, corte de cabelo, 
consultas médicas, etc.). Quando se compra um DVD (bem tangível) de um 
cantor, o valor pago entra no PIB, assim como o valor do ingresso para assistir 
ao show (bem intangível) do mesmo cantor, também. 
Quando a Ondunorte (fábrica de papel sediada em Recife) produz o papel 
para caixas de embalagens dos fornecedores de supermercados, por exemplo, 
o papel é um bem intermediário e a caixa é um bem final. O PIB só inclui os 
bens finais, a razão é que a riqueza dos bens intermediários já está 
incluída/registrada no valor dos bens finais. Se somássemos o valor do papel 
mais o valor da caixa, haveria uma dupla contagem e levaria a um cálculo 
incorreto. No entanto, quando um bem que é qualificado como intermediário, 
mas for produzido para ser vendido futuramente, ou seja, se ele for 
considerado estoque hoje, então o valor referente ao investimento desse 
estoque entra no PIB e depois quando esse estoque é usado/vendido pela 
empresa, o valor será negativo no calculo do PIB. 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
Economia Internacional 
O PIB inclui bens e serviços produzidos no presente, não inclui itens 
produzidos no passado, então quando a FIAT, por exemplo, vende um carro 
novo (0 km), o valor desse carro entra no PIB, mas a venda dele depois como 
carro usado, não entra. Outra característica do cálculo do PIB é que mede os 
valores da produção gerada dentro dos limites de um país. Então, por 
exemplo, quando um cidadão italiano trabalha temporariamente no Canadá, 
sua produção é parte do PIB do Canadá. Portanto, todo item produzido 
internamente, é incluído no PIB dessa nação, sem considerar a nacionalidade 
do produtor. O PIB mede o valor da produção em um intervalo de tempo 
específico, geralmente de um ano ou de um trimestre, que vai medir o fluxo 
de renda e de despesa da economia durante esses intervalos, dessa forma, é 
possível perceber que a economia produz mais bens e serviços em algumas 
épocas do ano do que em outras. Abaixo podemos ver uma tabela real, 
atualizada, do PIB dos estados brasileiros e sua participação percentual no PIB 
Nacional (quanto cada valor representa no PIB brasileiro). O PIB mais recente 
foi calculado em 2011, podemos encontrar dados mais recentes, porém são 
apenas estimados (baseado em aproximações). 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.4 - PIB dos estados preços de mercado e sua participação (%) 
 Competência 01 
 
 
 28 
Técnico em Logística 
A partir dessa tabela podemos obter os valores do PIB de cada estado e o 
quanto ele representa no PIB brasileiro. Por exemplo, o PIB de Pernambuco 
representa 2,5% do PIB nacional. A maior participação percentual (%) é a do 
estado de São Paulo, 32,6% de toda riqueza (PIB) do Brasil. 
1.2.1 Os Elementos do PIB (Renda Nacional) 
Para entender como a economia está usando seus recursos escassos, os 
economistas em geral se interessam em estudar a composição do PIB, 
segundo os vários tipos de despesas. Chamaremos o PIB de Y, e está dividido 
em quatro componentes: consumo (C), investimento (I), aquisições do 
governo (G) e exportações líquidas (EL). 
Assim temos: 
Y = C + I + G + EL Onde:EL = Exportações – Importações 
Portanto: Y = C + I + G + (X – M) 
Consumo (C) é a despesa das famílias com bens e serviços; investimento (I) é a 
aquisição de capital, estoques e construção; aquisições do governo (G) são as 
compras de bens e serviços dos governos federal, estadual e local (Ex.: 
compra do submarino e dos caças Gripen NG, pela presidente Dilma 
Rousseff); as exportações líquidas (EL) são iguais às compras por parte de 
estrangeiros de bens produzidos internamente (exportação) menos as 
compras internas. As importações (M) representam saídas de capitais (divisas) 
do país, compras de bens e serviços estrangeiros, por este motivo entram no 
cáculo do PIB com sinal negativo. Então teremos sempre: 
Y = C + I + G + ELquanso X > M ou 
Y = C + I + G – ELquando X < M 
 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
Economia Internacional 
I. O Consumo Nacional de Equilíbrio (C) 
De acordo com o Manual de Economia de Professores da USP (2011), 
imaginemos uma economia bem simples, na qual se consome tudo o que é 
produzido (Y = C). Não existe investimento (I), neste caso não há formação de 
estoque, portanto o capital produzido é indepreciável, não existe nem 
governo (G) e nem comércio exterior (que são as exportações e importções). 
Podemos acreditar então que o resultado dessa economia está apenas na 
decisão das famílias de consumirem ou não. Portanto a renda de equilíbrio 
somente será obtida se as depesas de consumo programadas, por parte das 
famílias, coincidirem com o valor da produção programada pelos empresários. 
Então o que determinará o consumo será a renda das famílias. De forma 
genérica, a função consumo então pode ser assim escrita: 
C = C(y) onde C é consumo e y é a renda das famílas. O consumo (C) está em 
função da renda (y) 
C = C (y renda das famílias) onde consumo (C) estará em função da renda (y) 
das famílias 
Ex.: Maria decide comprar um tablet e tem para gastar nessa compra apenas 
R$ 2.000,00 (y). 
Então:Se C = C (y) C (consumo) = C (2.000) (a renda disponível para gastar) 
II. O Investimento (I) 
Antes de introduzirmos a repercussão do segundo componente do PIB, o 
investimento (I), vamos definir a poupança da coletividade. Como já falamos 
em item anterior, a poupança nacional é a parcela da renda nacional não 
gasta em bens e serviços de consumo produzidos na economia. Por força 
dessa definição, da mesma forma que o consumo, a renda é o fator que, 
 Competência 01 
 
 
 30 
Técnico em Logística 
isoladamente, tem maior influência na determinação do nível de poupança da 
coletividade. Portanto a função poupança pode ser obtida por meio da renda 
menos a função consumo: 
S = y – C (as pessoas poupam a parte da renda que não usam para consumir, 
por este motivo a igualdade) 
Pensemos um pouco: digamos agora aluno, que o nível de renda gerado na 
economia seja y, o consumo desejado C e o fluxo de renda não gasta em 
consumo, ou seja, a poupança programada pela coletividade seja igual a S. Se 
apenas parte da produção for consumida, isto siginifica que a diferença não 
consumida será estocada. Como os empresários já possuem mesmo os custos 
com essa produção, já assumiram esses custos no momento de decidir 
produzir, terão perdas e para que honrem seus compromissos financeiros, 
deverão, então, recorrer aos empréstimos, no valor correspondente ao 
volume da poupançarealizada pela coletividade, ou seja, o que a coletividade 
deixa de consumir para poder poupar é exatamente o valor do estoque do 
produto que deixou de ser vendido pelos empresários. Se o empresário usa 
esse valor das poupanças tomado como empréstimos, podemos dizer então 
que o investimento (I) realizado pelos empresários na economia é igual à 
poupança (S). Se os empresários, por sua vez, desejarem reduzir o 
investimento em estoque, até o nível de renda em que as pessoas irão 
consumir, haverá queda da produção, e com a redução dos níveis de 
produção, a renda e o emprego da economia se contraem (pág. 346 Manual 
de Economia, 2011). 
Com essa conclusão, podemos dizer que o nível de investimento (I) depende 
da quantidade da renda poupada das famílias. A parte poupada equivale à 
parcela da produção (do investimento) que deixou de ser realizado, logo: 
S = I 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
Economia Internacional 
Se o nível de renda (Y) depende das varíaveis C + I + G + EL, logo, se qualquer 
dessas variáveis forem alteradas, haverá mudança na renda (Y). 
Claro que essa igualdade (S = I) poderia não ocorrer, basta que os investidores 
desejem fazer um investimento menor, então o nível de equilíbrio estável da 
renda nacional somente aconteceria quando os valores programados fossem 
iguais aos realizados. Nas economias modernas a probabilidade de haver uma 
coincidência de programações é bem reduzida, pois os agentes econômicos 
que poupam (indivíduos) são diferentes dos que investem (empresas), mesmo 
levando em consideração o fato de serem bastante expressivas as poupanças 
realizadas pelas empresas na forma de lucros não distribuídos. 
A título de informação, existe um coeficiente (número) associado à variação 
dos investimentos que determina a magnitude de variação no nível da renda 
nacional (Y). É chamado de Multiplicador de Investimentos (k) e equivale à 
expressão: 
 
 
Podemos verificar que, quanto maior a PMgC (propensão marginal a 
consumir) ou menor a PMgS (propensão marginal a poupar), maior será o 
multiplicador. Essas propensões indicam a disposição das famílias em 
consumir (PMgC) ou a poupar (PMgS). 
Ex.: Uma empresa resolve investir (I) $ 100.000,00 na fabricação de 10 
contêiners para cargas de grande porte. O multiplicador serve para calcular o 
impacto de um investimento de valor ‘X’ (neste exemplo é $ 100.000,00), em 
uma economia. Considerando que os recebedores de renda adicional 
possuam uma PMgC = 0,8, veremos que estes primeiros fornecedores 
gastarão 80% dos $ 100.000,00 ($ 80.000,00) em bens de consumo (lâminas 
 Competência 01 
 
 
 32 
Técnico em Logística 
de ferro, solda, etc.). Os $ 80.000,00 recebidos por outros fornecedores, 
também gastarão, por sua vez, na mesma propensão, 80% dos $ 80.000,00. 
Desses $ 80.000,00, 80% ($ 64.000,00) também serão gastos no mercado com 
compra de materiais para a execução do trabalho e assim por diante. Então o 
investimento de $ 100.000,00 gerou $ 500.000,00 nessa economia (efeito 
multiplicador): 
 
 
III. Os Gastos do Governo 
As despesas de investimentos do governo como: construir estradas, portos, 
esgotos, irrigação, parques, ruas, bibliotecas públicas, entre outros, 
constituem-se no terceiro elemento da renda nacional (PIB). Acréscimos 
nestes gastos governamentais possuem o mesmo efeito multiplicador dos 
investimentos privados, expandindo o nível de renda nacional. Entretando os 
gastos do governo (G) são, predominantemente, financiados pela arrecadação 
de tributos (T). A partir de agora os indíduos da coletividade farão suas 
parcelas de consumo baseados somente no montante de renda que lhes 
chega às mãos, ou seja, sua renda após o pagamento dos tributos 
governamentais (T). Teremos então: 
C = C (y – T) 
IV. A Demanda de Exportação (X) e de Importação (I) 
Ao abrirmos a nossa economia para o comércio exterior, o modelo 
macroeconômico de curto prazo se completa, bastando incorporarmos à 
demanda agregada as despesas com a exportação (X) e a importação (M) de 
bens e serviços. Não podemos esquecer que as operações de importação têm 
um efeito negativo sobre a renda de um país. Essas movimentações 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
33 
Economia Internacional 
(exportação e importação) com o resto do mundo (os países estrangeiros) são 
registradas na conta de Transações Correntes / Balança Comercial do Balanço 
de Pagamentos. Fenômeno contrário se verifica quando exportamos produtos 
ao exterior, pois o efeito multiplicador provoca impactos muito positivos para 
a economia. 
1.3 Sistema Monetário (Moeda) 
 
 
Fontes: 
http://veja4.abrilm.com.br/assets/images/2010/7/12081/dolares-saida-cortada-size-598.jpg 
http://toquenobrasil-uploads.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2011/07/ESCAMBO_SELO_CINZA-
4e2db576013b6.jpg 
https://encrypted-
tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQbWrKtKAqWXyvwy5PGQYlWbt1NY6BVhLCzEHw5jOvbcKAjTgAU 
1.3.1 Considerações 
Em uma Economia que dependia do escambo (prática ancestral de se realizar 
uma troca comercial sem o envolvimento de moeda ou objeto que se passe 
por esta, e sem equivalência de valor), havia muita dificuldade para alocar 
(distribuir) eficientemente seus recursos escassos; diz-se então que o 
comércio teria que exigir a dupla coincidência de desejos, mas à medida que o 
dinheiro flui de pessoa para pessoa numa economia, ocorre a facilitação da 
produção e do comércio, permitindo assim que cada pessoa se especialize 
naquilo que tem mais aptidão, aumentando o padrão de vida de toda a 
coletividade. 
Conceito de Moeda 
É o conjunto de ativos ou dinheiro de uma economia, que as pessoas usam 
em geral para comprar bens e serviços de outras pessoas. 
 
 
Demanda Agregada 
são as despesas da 
coletividade (das 
famílias) em bens e 
serviços de 
consumo (C), 
investimento (I), 
despesas 
governamentais (G) 
e exportações (X). 
Para obter o 
resultado, é 
necessário subtrair 
o montante total 
das importações 
(M). A demanda 
agregada depende 
da quantidade de 
moeda em poder 
dos agentes 
econômicos 
(famílias, empresas, 
governo e resto do 
mundo), das 
despesas e 
impostos a que 
estão sujeitos e de 
outras variáveis. 
 Competência 01 
 
 
 34 
Técnico em Logística 
Origens e Conceito de Moeda 
É difícil imaginar o funcionamento de um sistema econômico sem 
instrumentos monetários. Os nômades sobreviviam sob padrões muito 
simples de atividade econômica. Estes grupos não haviam conhecido a moeda 
e recorriam a trocas diretas de mercadorias (escambo). Satisfaziam apenas às 
necessidades básicas de alimentação e proteção (através da exploração da 
natureza), isso explica o nomadismo. A alimentação era a caça, a pesca, a 
coleta de frutos selvagens; para a proteção utilizavam cavernas e peles de 
animais selvagens, tanto para se protegerem dos animais quanto das 
hostilidades do tempo e do clima; desenvolveram primitivo processo de 
conservação dos produtos extraídos da natureza – acumulavam excedente 
para a garantia de suprimento – e o que sobrava, faziam as trocas, 
primeiramente com o próprio grupo e, depois, em grupos com os quais 
passavam a manter contato. 
 
 
 
Fontes: 
https://setimodia.files.wordpress.com/2012/02/homem-das-cavernas.jpg 
https://encrypted-
tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTN6ANPBnAR1nLpViBoqpisThjCRGfucv6oeLfQiEDt3OkGVeDY 
http://2.bp.blogspot.com/-Qc7JXSgk8Bs/T4s9L5zyHAI/AAAAAAAAArI/a-
8MEbJZq2s/s400/HOMEM+PRIMITIVO.jpg 
http://2.bp.blogspot.com/_VdVhcxzW91s/TU8AcnbDVoI/AAAAAAAAAEg/jmMS_-Pzws4/s400/neander.jpg 
Dada à pequena diversidade dos produtos disponíveis, era maisfácil ocorrer à 
dupla coincidência de desejos e às trocas (escambo); era uma característica 
típica de sociedades primitivas, sem intervenção de instrumentos monetários. 
Esse relacionamento econômico primitivo ruiu com a primeira revolução 
agrícola, quando alguns grupos se fixaram em determinadas áreas: os deltas 
do rio Nilo, Tigre e Eufrates. Esses grupos começaram a praticar a agricultura 
organizada e a domesticação de animais. 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
35 
Economia Internacional 
Mas aí a vida social começou a ficar mais complexa com o surgimento de 
outras atividades e a diversificação da produção. Novas funções passaram a 
ser definidas com a criação de novos instrumentos de trabalho e utensílios 
exigidos pelas novas formas de produção. Começou a surgir a especialização e 
divisão do trabalho (ainda em estágio primitivo), e as novas funções como: 
guerreiros, agricultores, pastores, artesãos, sacerdotes. 
 
 
 
Fontes: 
https://encrypted-
tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQUeMZ9S7_EEh6DeLB8B12_ohb4w8nPboazsWR8nN5Fp49bMsA6 
http://www.midiagospel.com.br/http://www.midiagospel.com.br/images/stories/geral/biblicos/davi/davi-
e-as-ovelhas.jpg 
http://www2.uol.com.br/historiaviva/noticias/img/castelo_medieval_maior.jpg 
http://www.aascj.org.br/home/wp-content/uploads/2013/06/Escola_Medieval.jpg 
O processo de divisão do trabalho provocou grandes mudanças na vida 
econômica: a atividade econômica tornou-se mais complexa; o número de 
bens e serviços, agora exigidos para a satisfação das necessidades, aumentou; 
a dupla coincidência de desejos, agora, torna-se mais difícil e as trocas passam 
a ser de fundamental importância para a sobrevivência; o escambo foi tendo 
que dar lugar a um processo indireto de pagamento; a aceitação de 
determinados produtos como pagamento das transações econômicas, dia a 
dia foi ficando mais intensa, configurando a origem da moeda; os demais 
bens, a partir daí, passam a ser medidos com relação aos produtos-padrão; 
esses produtos passam de aceitação geral no ambiente social (são as 
primitivas expressões monetárias). 
 
 
Um produto só se 
converte em um 
ativo monetário se 
os membros do 
grupo o aceitarem 
em pagamento nas 
transações que se 
efetivam. 
 Competência 01 
 
 
 36 
Técnico em Logística 
1.3.2 Características da Moeda 
a. Indestrutibilidade e Inalterabilidade: a moeda deve ser 
suficientemente durável, no sentido de que não se destrua ou se 
deteriore, à medida que os agentes econômicos a manuseiem na 
intermediação de troca; 
b. Homogeneidade: duas unidades monetárias distintas, de igual valor, 
devem ser, rigorosamente, iguais para que a moeda possa exercer suas 
funções essenciais; 
c. Divisibilidade: a moeda deve possuir múltiplos e submúltiplos em 
quantidade e variedade, que tanto as transações de grande porte 
quanto as de pequena possam realizar-se sem dificuldades (devem 
existir cédulas e moedas de diversos valores); 
d. Transferibilidade: diz respeito à facilidade com que deve processar-se 
sua transferência de um possuidor a outro; 
Exemplo: A marca feita no gado nas fazendas, depois de certo tempo, 
torna as transações com essa moeda-mercadoria complicadas, pois o 
gado fica com muitas marcas (marca de cada fazenda), dificultando a 
identificação do proprietário. 
e. Facilidade de manuseio e transporte: o manuseio e o transporte da 
moeda não podem prejudicar nem dificultar a sua utilização. 
1.3.3 Funções da Moeda 
a. A Moeda como meio (instrumento) de trocas: permite a superação da 
economia de escambo e a passagem à economia monetária. A 
descoberta e a aceitação generalizada de um instrumento de trocas 
facilita o processo da produção e distribuição: 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
37 
Economia Internacional 
I. Torna possível um maior grau de especialização e de divisão 
social do trabalho; 
II. Possibilita sensível redução do tempo empregado em 
transações; 
III. Eliminam-se os inconvenientes decorrentes da necessidade da 
dupla coincidência de desejos exigida nas economias de 
escambo. 
b. A Moeda como unidade de conta (medida de valor): serve para 
comparar o valor de diversas mercadorias; instrumento que as pessoas 
usam para anunciar preços e registrar débitos: 
I. Racionaliza e aumenta o número de informações econômicas 
via sistema de preços; 
II. Torna possível a contabilização da atividade econômica e a 
administração racional das unidades de produção; 
III. Permite a construção de sistemas de contabilidade social para 
cálculo dos valores agregados da produção. 
c. A Moeda como reserva de valor: representa um direito que seu 
possuidor tem sobre as mercadorias; seu possuidor não precisa gastá-la 
imediatamente, podendo guardá-la para uso posterior. A moeda é a 
liquidez por excelência (ela é a própria liquidez). 
As duas principais razões que levam as pessoas a preferirem moeda 
como reserva de valor: 
I. Sua pronta e imediata aceitação quando da decisão em 
convertê-la em outros ativos, financeiros ou reais; 
 Competência 01 
 
 
 38 
Técnico em Logística 
II. A imprevisibilidade do valor futuro de outros ativos, sobretudo 
os não financeiros. Ex. Automóveis e Imóveis. 
d. A Moeda como poder liberatório (função liberatória): é o poder de 
saldar dívidas, de liquidar débitos. Livra seu detentor de uma situação 
passiva. Há um forte vínculo entre a função liberatória da moeda e o 
grau em que esta é aceita pela sociedade. 
e. A Moeda como padrão de pagamentos diferidos (adiados): capacidade 
de facilitar a distribuição de pagamentos ao longo do tempo (para a 
concessão de crédito ou de diferentes formas de adiantamentos). 
f. A Moeda como instrumento de poder: instrumento de poder político, 
econômico e social. É uma função um tanto perniciosa, que não pode 
ser negligenciada. Ela existe à medida que se admite a moeda como um 
título de crédito. 
1.3.4 Tipos de Moeda 
a. Moeda-mercadoria: toma a forma de um bem com valor intrínseco. 
Ex.: O ouro, o gado, etc. 
Quando uma economia usa o ouro como moeda (ou usa papel-moeda 
que pode ser convertido em ouro), diz-se que opera no padrão-ouro. 
b. Moeda de curso forçado: moeda sem valor intrínseco, que é usado 
como moeda por determinação do governo. 
1.3.5 Os Motivos da Demanda por Moeda 
a. Demanda para transações: como os recebimentos e pagamentos são 
sincronizados, as pessoas precisam reter moeda para pagar suas 
despesas. 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
39 
Economia Internacional 
b. Demanda por precaução: refere-se àquela parte da renda das pessoas 
retida para fazer frente a imprevistos. 
c. Demanda para especulação: ocorre quando aquela parcela da renda 
das pessoas que poderia ser aplicada em títulos fica retida pelo fato de 
a taxa de juros está baixa para comprar títulos. 
As notas emitidas pelo governo podem ser usadas porque é o próprio governo 
quem a decreta, é o governo que determina sua utilização como meio 
liberatório para todas as dívidas públicas e privadas. 
1.3.6 Intermediários Financeiros 
Todo empreendimento tem momentos deficitários (despesas maiores do que 
as receitas) e superavitários (receitas maiores que as despesas), isso decorre 
do seu ciclo de produção, sazonalidade, maturação de investimentos, etc. 
Seus responsáveis podem usar apenas seus próprios recursos, no entanto seu 
crescimento ficará restrito à sua capacidade de acumular e de proteger-se dos 
riscos. Podem também recorrer a recursos de terceiros, como também 
transferir riscos. Isso acarreta uma série de vantagens, mas demanda tempo 
de pesquisa, conhecimentoe custo. 
O setor financeiro realiza essa atividade por meio de seus intermediários 
financeiros. As operações são realizadas com uma variedade de instrumentos 
financeiros. Esses intermediários financeiros são divididos em bancários (que 
criam moeda) e não bancários. 
1.3.6.1 Intermediários Bancários 
Os intermediários bancários mais importantes no Brasil são os bancos 
comerciais (Bradesco, Banco do Brasil, Itaú, Santander, Caixa Econômica 
Federal, etc.) e múltiplos (Bradesco é tanto comercial como múltiplo). 
 Competência 01 
 
 
 40 
Técnico em Logística 
1.3.6.2 Intermediários não Bancários 
Diferenciam-se dos bancos porque não captam recursos por meio de 
depósitos à vista. São todas as instituições financeiras com exceção dos 
bancos. Os principais intermediários financeiros não bancários brasileiros são: 
I. Bancos de investimentos; 
II. Sociedades de crédito, financiamento e investimento (financeiras); 
III. Sociedades de créditos imobiliários; 
IV. Sociedades de arrendamento mercantil – firmas de leasing; 
V. Sociedades corretoras e distribuidoras. 
Existem ainda instituições oficiais como Banco do Brasil, o Banco Nacional de 
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e bancos de desenvolvimento. 
1.3.6.3 Banco Central 
 
 
Fonte: https://encrypted-
tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR8skq5fj0wtz1iwI86niHLAsUXB6
WIIqI5d0B9pgxkS8pbQFxW 
A estrutura administrativa e jurídica dos diversos bancos centrais varia muito 
entre países. No Reino Unido, o Banco Central é o Banco da Inglaterra, que 
originariamente era privado. Nos Estados Unidos, encontramos o Sistema 
Federal de Reserva. No Brasil,as funções do Banco Central são 
desempenhadas pelo Banco Central do Brasil e pelo Conselho Monetário. Suas 
funções são: 
 banco dos bancos, ele recebe depósitos dos bancos comerciais e 
transfere fundos de um banco para outro; empresta dinheiro aos 
bancos comerciais (redesconto); 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
Economia Internacional 
 banco do governo, é onde grande parte dos fundos do governo é 
depositado; é por meio dele que o governo vende títulos de sua própria 
emissão ao público; é o agente financeiro do governo; 
 executor da política monetária, é responsável pelo controle da oferta 
da moeda por vários instrumentos. 
1.3.7 Política Monetária 
Uma das principais funções do poder público no Brasil é zelar pelo bem 
comum; no entanto, para realizar essa função, o governo, enquanto agente 
econômico do sistema, precisa intervir sobre determinadas variáveis no 
intuito de prover condições favoráveis à população. Nesse contexto, a política 
econômica brasileira é formada pelas ações do governo que busca atingir 
esses objetivos através de instrumentos econômicos, divididos entre as 
políticas monetária, fiscal e cambial. 
Os governos federal, estadual e municipal atuam em conjunto para a 
consolidação das políticas econômicas adotadas no país. A política monetária 
controla a quantidade de moeda em circulação no país, a política cambial 
regula as operações de exportação e importação e a política fiscal determina 
as fontes de arrecadação e os gastos públicos brasileiros. 
Esse conjunto de medidas econômicas adotadas pelo governo visa adequar os 
meios de pagamentos disponíveis às necessidades da economia do país. Você 
me pergunta: “como?”. Já sabemos que é o Banco Central o executor da 
política monetária, e também sabemos que ele se utiliza de vários 
instrumentos tais como: controle da taxa de juros, imposição aos bancos o 
sistema de reservas obrigatórias (depósitos compulsórios), limita prazos para 
empréstimos, etc. 
 Competência 01 
 
 
 42 
Técnico em Logística 
Em outras palavras, a Política Monetária age diretamente sobre o controle da 
quantidade de dinheiro em circulação, esta medida visa defender o poder de 
compra da moeda. Tal prática pode ser expansionista ou restritiva. Em uma 
política monetária restritiva, o governo diminui a quantidade de dinheiro em 
circulação, ou mantém estável, com o objetivo de desaquecer a economia e 
evitar o aumento dos preços (inflação); na política monetária expansionista, a 
quantidade de dinheiro em circulação é aumentada, com o objetivo de 
aquecer a demanda e incentivar o consumo e, por conseguinte, o crescimento 
econômico. Cabe ressaltar que a política monetária expansionista visa criar 
condições para o crescimento econômico, porém não o determina 
propriamente. 
Vamos falar um pouco mais apenas sobre três desses instrumentos da política 
monetária: 
 Reservas obrigatórias: os bancos comerciais guardam uma parcela dos 
depósitos como reservas, a finalidade é atender o movimento de caixa 
(atender as solicitações de recursos por parte dos bancos comerciais, 
etc.). Em geral, os bancos centrais forçam os bancos comerciais a 
guardarem reservas superiores às que seriam recomendáveis. Essa 
medida retira moeda (dinheiro) da economia, à medida que os bancos 
comerciais ficam com menos dinheiro para emprestar. 
 Operações de mercado aberto: este é outro instrumento para o 
controle da oferta de moeda, operações de mercado aberto. Consiste 
em operações de compra e venda por parte do Banco Central de títulos 
governamentais no mercado de capitais. Qual o efeito dessas compras e 
vendas sobre a oferta de moeda? A compra de títulos pelo Banco 
Central aumenta os depósitos nos bancos comerciais que ficam com 
mais dinheiro para emprestar, aumentando assim a circulação de 
dinheiro. Quando o Banco Central compra títulos, ele está colocando 
dinheiro na economia; na venda, ele está fazendo com que as pessoas e 
empresas, no lugar de consumir, poupem/invistam. 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
43 
Economia Internacional 
 Política de redesconto: outra importante forma de controlar a oferta 
de moeda, e a mais usada nas economias modernas, é o redesconto. 
Quando o Banco Central adota uma política expansionista, oferece 
empréstimos mais abundantes e a juros (taxa de redesconto) baixos. 
Como banco dos bancos, o Banco Central fornece aos bancos 
comerciais uma fonte acessível de empréstimos e, portanto, estes 
bancos comerciais fornecem também aos seus clientes. Caso o Banco 
Central queira limitar a oferta de moeda (dinheiro) na economia, ele 
pode diminuir a quantidade de operações de redesconto ou elevar suas 
taxas. Consequentemente, tomar emprestado se torna mais 
dispendioso. 
A oferta de moeda pode se dar de duas formas: 
1. Pelo Banco Central, como executor da política monetária; 
2. Pelos bancos comerciais, por meio dos depósitos à vista. 
Esse assunto é muitíssimo rico, mas não poderemos nos aprofundar mais, o 
tempo é curto e trata-se de curso técnico. O que você deve saber, aluno, é 
que a equipe econômica do governo pode promover, sempre que precisar, 
influência na macroeconomia, utilizando-se dessas diversas políticas e 
operações, injetando ou retirando moeda no mercado. 
1.3.7.1 Como a Política Monetária Influencia a Demanda Agregada (PIB) 
A curva de demanda agregada mostra a quantidade de bens e serviços 
demandada a cada nível de preço. 
Pelo efeito riqueza – imagine o dinheiro que você guarda em sua carteira e 
em sua conta bancária. O valor nominal deste dinheiro é fixo, mas seu valo 
real não, pois quando os preços caem, esses reais se tornam mais valiosos 
 Competência 01 
 
 
 44 
Técnico em Logística 
porque podem comprar mais bens e serviços. Assim, uma redução no nível de 
preços faz com que os consumidores se tornem mais ricos (riqueza real*). 
Pelo efeito taxa de juros – à medida que os agentes econômicos tentam 
converter seu dinheiro em ativos que rendemjuros (desejam poupar), o 
Banco Central tende a diminuir a taxa básica de juros da economia (Selic, essa 
é a taxa que regula a demanda e oferta da economia e, por conseguinte, a 
inflação) para estimular o consumo. Com menor taxa há um estímulo à 
tomada de empréstimos por parte de empresas e investidores que desejam 
ampliar a produção, assim como famílias desejam investir em novas moradias, 
etc. No entanto, não pode haver excesso de demanda para que a inflação não 
receba pressão de alta, então o Banco Central volta a elevar a taxa básica de 
juros para conter o consumo. 
Para evitar uma continuidade no aumento dos preços (contenção da inflação), 
o Banco Central atualmente defende que a política monetária “deve se 
manter vigilante” e agir com a “devida tempestividade” (que acontece no 
momento exato; oportuno). Foi quando o Copom (Comitê de Política 
Monetária) resolveu promover novo aumento da taxa básica de juros da 
economia (abril deste ano, 2014), de 10,75% para 11% ao ano (acredita-se 
não ser o último aumento deste ano). (Fonte: Boletim Focus do Banco Central, abr. 
2014). 
O Comitê de Política Monetária (Copom) é um órgão criado pelo Banco 
Central do Brasil. Foi instituído em 20 de junho de 1996, com o objetivo de 
estabelecer as diretrizes da política monetária e de definir a taxa de juros. A 
criação do Comitê buscou proporcionar maior transparência e ritual adequado 
ao processo decisório, a exemplo do que já era adotado pelo Federal Open 
Market Committee (FOMC) do banco central dos Estados Unidos e pelo 
Central Bank Council, do Banco Central da Alemanha. Em junho de 1998, o 
Banco da Inglaterra também instituiu o seu Monetary Policy Committee 
(MPC), assim como o Banco Central Europeu, desde a criação da moeda única 
em janeiro de 1999. Atualmente, uma vasta gama de autoridades monetárias 
 
 
* Riqueza real = 
poder de compra 
do salário. 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
45 
Economia Internacional 
em todo o mundo adota prática semelhante, facilitando o processo decisório, 
a transparência e a comunicação com o público em geral. O Copom é formado 
pelo presidente e os diretores do Banco Central, que se reúnem a cada 45 dias 
para fixar a taxa básica de juros, a Selic. 
Objetivos do Copom: 
O objetivo das mudanças nos juros é manter a inflação sob controle, ou seja, 
cumprir a meta de inflação para o ano. A decisão do BACEN sobre os juros é 
soberana e não precisa de aprovação do presidente da República nem do 
ministro da Fazenda. Já a meta de inflação é fixada pelo governo. 
Destaca-se a adoção, pelo Decreto 3.088, em 21 de junho de 1999, da 
sistemática de metas para a inflação como diretriz de política monetária 
(sobre a inflação trataremos mais à frente). Desde então, as decisões do 
Copom passaram a ter como objetivo cumprir as metas para a inflação 
definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Segundo o mesmo 
decreto, se as metas não forem atingidas, cabe ao presidente do Banco 
Central divulgar, em Carta Aberta ao Ministro da Fazenda, os motivos do 
descumprimento, bem como as providências e prazo para o retorno da taxa 
de inflação aos limites estabelecidos. 
1.3.8 Os Agregados Monetários no Brasil 
Existem muitos ativos (depósitos a prazo, bônus do Banco Central, caderneta 
de poupança, entre outros) de grande liquidez na economia, e costumam ser 
chamados de quase-moedas. Apesar de esse tipo de moeda não ser aceito 
normalmente em troca de bens e serviços, pode ser rapidamente convertido 
em moeda. 
É chamado de agregado monetário ou meios de pagamento, o total de moeda 
de um país, que pode ou não incluir as quase-moedas. Cada país classifica os 
 Competência 01 
 
 
 46 
Técnico em Logística 
M4 = M3 + títulos federais registrados no Selic
Quadro 1.1 Agregados Monetários (meios de pagamento)
M0 = moeda em poder do público (papel-moeda e moedas metálicas
MI = M0 + depósitos à vista nos bancos comerciais
M2 = M1 + depósitos para investimentos + depósitos de poupança + títulos emitidos por instituições depositárias
M3 = M2 + quotas de fundos de renda fixa + operações compromissadas com títulos federais 
seus agregados monetários por ondem de liquidez (refere-se à velocidade e 
facilidade com a qual um ativo pode ser convertido em dinheiro). No Brasil 
existem 5 agregados monetários: M0, M1, M2, M3 e M4. O Banco Central faz 
muita referência a esses códigos, em seus relatórios, para informar a posição 
do Brasil em relação ao estoque de moeda. Por este motivo, aluno, é bom 
apenas saber do que se trata cada código. O objetivo de estudar estas 
questões (termos e enunciados mais específicos), que não temos tanto 
contato no nosso dia a dia, é para que, ao nos depararmos com determinados 
assuntos, possamos discorrer melhor sobre eles. 
Em economia, base monetária se refere ao volume de dinheiro criado pelo 
Banco Central, ou seja, moeda (em papel ou metálica) e reservas bancárias 
em poder das entidades financeiras ou depositadas no Banco Central. 
 
 
 
 
Fonte: Professores da USP, 2011. 
1.3.9 Política Fiscal 
Compreende as escolhas do governo em relação ao nível geral das suas 
aquisições (compras) ou dos impostos (cobrança). O governo pode aumentar 
ou diminuir gastos, impostos e tributos. Assim, se a economia apresenta 
tendência para a queda no nível de atividade, o governo pode estimulá-la, 
diminuindo a cobrança de impostos e tributos ou elevando gastos. As medidas 
de consumo do governo também podem causar um efeito multiplicador, à 
medida que têm despesas comprando no mercado. Cada real gasto com 
compras causa um impacto maior ou menor na economia. Quando os 
governos diminuem ou aumentam impostos/tributos, também estão 
promovendo expansão ou retração da atividade econômica, uma vez que está 
colocando ou retirando dos agentes econômicos, poder de compra. 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
47 
Economia Internacional 
Dado um nível de renda, quanto maiores os impostos e tributos, menor será a 
renda disponível das famílias e, portanto, menor o consumo. Os gastos são 
diretamente um elemento de demanda; dessa forma, quanto maior o gasto 
público (do governo), maior a demanda por bens e serviços. É uma forma de 
estimular a atividade econômica. No entanto, um grande aumento nas 
aquisições do governo também pode provocar um aumento na taxa de juros, 
tendendo a reprimir a demanda por bens e serviços. Ocorre da seguinte 
forma: o aumento nas aquisições do governo eleva a renda dos trabalhadores 
e proprietários de empresas porque injeta dinheiro na economia, eleva 
também a renda de outras empresas (dado o efeito multiplicador, a cada real 
investido, dependendo da propensão dos agentes financeiros, pode gerar um 
impacto duas, quatro, dez ou mais vezes maior); com uma renda maior 
(dinheiro disponível), as famílias planejam comprar mais bens e serviços e 
também decidem ficar com uma parte líquida (moeda); como o BACEN não 
altera sua oferta de moeda, ele aumenta a taxa de juros para manter em 
equilíbrio a demanda e a oferta (equilíbrio da atividade econômica); como 
tomar empréstimo então fica mais caro, por causa da alta de juros, a 
demanda por investimento em imóveis e empresas cai; então por um lado as 
aquisições do governo aumenta a demanda por bens e serviços e por outro, 
expulsa investimentos. 
Conclusão: o impacto inicial do aumento das aquisições do governo é 
aumentar a demanda agregada, propiciando mais empregos e lucros, porém 
apenas até o efeito expulsão se instalar, veremos a seguir. 
Outro importante instrumento de política fiscal é o nível de tributação. 
Quando o governo reduz os impostos, ele aumenta a renda disponíveldas 
famílias. De forma análoga, um aumento de impostos deprime as despesas de 
consumo das famílias. Assim como ocorre na política monetária, na política 
fiscal também ocorrem dois efeitos: quando o governo corta impostos, sobra 
renda para as famílias e empresas, provocando aumento de empregos e 
lucros, que rebate em outras empresas e assim por diante, este é o efeito 
 Competência 01 
 
 
 48 
Técnico em Logística 
multiplicador. E quando o governo aumenta os impostos, ele reduz a 
capacidade de consumo das famílias e empresas. 
Basicamente, a forma de articular uma política fiscal dá-se através da efetiva 
arrecadação de impostos, aplicando seus recursos da forma mais racional e 
eficaz possível. Isso equivale a uma interferência também no setor tributário, 
modificando as despesas do setor privado. Uma maior arrecadação de 
impostos irá influenciar diretamente a disponibilidade de moeda no mercado, 
provocando uma redução de recursos que particulares poderão destinar ao 
consumo e à poupança. Assim, quanto maior a carga de impostos e tributos 
ditada pela política fiscal do governo, haverá menor renda disponível para a 
população em geral, inibindo o consumo. Esta é uma das armas disponíveis 
dos governos para controlarem a taxa de inflação, pois tem como objetivo 
atingir a demanda. 
1.3.10 Política Cambial 
 
 
 
Fontes: 
http://cdn.mundodastribos.com/wp-admin/uploads/2010/07/dolar-300x245.jpg 
http://2.bp.blogspot.com/_fhq9vm46EZQ/Su8WO1EB4OI/AAAAAAAAAUo/d5Mx1UWoxkQ/s400/c
asa_de_cambio1.jpg 
http://blogs.diariodonordeste.com.br/andarilho/wp-content/uploads/2011/06/moeda1.jpg 
Política cambial é o conjunto de ações e orientações destinadas a equilibrar o 
funcionamento da economia através de alterações das taxas de câmbio e do 
controle das operações cambiais. É o conjunto de ações governamentais 
diretamente relacionadas ao comportamento do mercado de câmbio, 
inclusive no que se refere à estabilidade relativa das taxas de câmbio e do 
equilíbrio no balanço de pagamentos. O Banco Central executa a política 
cambial definida pelo Conselho Monetário Nacional. Para tanto, regulamenta 
o mercado de câmbio e autoriza as instituições que nele operam. Também 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
49 
Economia Internacional 
compete ao Banco Central fiscalizar o referido mercado, podendo punir 
dirigentes e instituições mediante multas, suspensões e outras sanções 
previstas em lei. Além disso, o Banco Central pode atuar diretamente no 
mercado, comprando e vendendo moeda estrangeira de forma ocasional e 
limitada, com o objetivo de conter movimentos desordenados da taxa de 
câmbio (Fonte: BACEN, 2014). 
O regime cambial adotado no Brasil atualmente é o de câmbio flutuante. Ou 
seja, quanto mais dólar tiver em circulação no Brasil (por meio de 
investidores/investimentos estrangeiros, turistas/turismo de fora do país, 
etc.) menor a cotação do dólar. Quando há saída de dólares, a cotação sobe. 
O Banco Central muitas vezes compra muito dólar, o motivo é que, com muito 
dólar circulando no Brasil e muitos investidores chegando (também trazendo 
a moeda), o BC precisa comprar para não deixar haver um excesso de dólar, 
pois se isso ocorre, a taxa cairá muito, ficando bem abaixo do recomendável. 
Isso provoca uma supervalorização do real e prejudica as exportações de 
produtos brasileiros. Também provoca aumento das importações porque o 
produto estrangeiro ficará mais barato. 
Sem querer ser redundante, vale dizer que a principal virtude do regime de 
câmbio flutuante é sua flexibilidade. Estamos diante de um contexto 
internacional atual em que se observa um alto grau de incerteza associado à 
alta volatilidade de variáveis financeiras e de preços de commodities, a 
flexibilidade cambial permite a absorção de choques externos que poderiam, 
de outro modo, ter um forte impacto na economia doméstica. 
Por exemplo, as mudanças bruscas nos preços relativos, quando não 
absorvidas rapidamente pela taxa de câmbio, podem gerar pressões 
inflacionárias e assim sobrecarregar a política monetária. Portanto, diante do 
atual contexto internacional, a institucionalização de um regime de câmbio 
com alguma taxa de referência (meta, bandas cambiais ou zona alvo) pode 
gerar desequilíbrios macroeconômicos importantes. Se por um lado algum 
 Competência 01 
 
 
 50 
Técnico em Logística 
grau de flexibilidade é bem-vindo, por outro, o excesso de flexibilidade pode 
levar a distorções de diversas naturezas. 
1.4 Inflação 
Inflação pode ser conceituada como um aumento contínuo e generalizado no 
nível de preços, ou seja, os movimentos inflacionários representam elevações 
em todos os bens produzidos pela economia e não meramente o aumento de 
um determinado preço. Para o conceito, essa elevação deve ser contínua e 
não esporádica. A moeda perde o seu poder de compra, é por este motivo 
que a inflação é considerada um fenômeno monetário. 
Podemos de início interpretar que a inflação representa um conflito 
distributivo existente na economia mal administrada, ou seja, há uma disputa 
dos diversos agentes econômicos pela distribuição da renda. Dada à 
diversidade de agentes econômicos existentes, o processo inflacionário pode 
estar ligado a inúmeras facetas. No caso da economia brasileira um dos 
conflitos mais importantes refere-se às relações entre salários e preços. Neste 
caso o conflito estaria centrado numa disputa pelo produto entre 
trabalhadores e empresários. 
1.4.1 Distorções Provocadas por Altas Taxas de Inflação 
1.4.1.1 Efeito sobre a Distribuição de Renda 
A distorção mais séria provocada pela inflação diz respeito à redução relativa 
do poder aquisitivo das classes que dependem de salários (rendimentos) fixos. 
São os assalariados, que vão ficando com os salários cada vez mais reduzidos, 
até acontecer novo reajuste anual. Os trabalhadores de baixa renda são os 
que mais sofrem com a inflação, porque não têm como se defender fazendo 
aplicações financeiras (eles consomem quase a totalidade do que ganham). 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
51 
Economia Internacional 
1.4.1.2 Efeito sobre o Balanço de Pagamentos 
Elevadas taxas de inflação, em níveis superiores ao aumento de preços 
internacionais, encarecem o produto nacional relativamente ao produto 
estrangeiro. Esse fato estimula as importações em detrimento das 
exportações. O problema, aluno, é que quando os produtos estão muito caros 
no Brasil, as pessoas correm para comprar fora (importados), torna-se mais 
vantajoso porque a inflação eleva o preço dos produtos locais. 
1.4.1.3 Efeito sobre o Mercado de Capitais 
Num processo inflacionário intenso, o valor da moeda se deteriora 
rapidamente, então ocorre um desestímulo à aplicação no mercado de 
capitais financeiros. No Brasil essa distorção foi bastante minimizada pelo 
mecanismo da correção monetária; esses títulos passaram a ser reajustados 
(ou indexados) por índices que refletiam exatamente o crescimento da 
inflação. 
Consideramos quatro tipos principais de inflação: 
a. Inflação - É a categoria predominante de variação do valor da moeda. 
Trata-se de um fenômeno universal, comum a praticamente todos os 
países. Corresponde a uma alta generalizada dos preços dos bens e 
serviços, expressos pelo padrão monetário corrente; 
b. Desinflação – É a volta à linha de estabilidade dos preços. Os índices, 
por unidade de tempo, recuam seguidamente de patamares altos para 
mais baixos. Geralmente são induzidos por congelamento de preços ou 
prefixações de altas; 
c. Deflação – traduz-se pela queda generalizada dos preços, para níveis 
inferiores aos que vinham sendo correntementepraticados. A deflação 
geralmente é associada à estagnação econômica; 
 Competência 01 
 
 
 52 
Técnico em Logística 
d. Reflação – É a volta à estabilidade da economia como um todo, após 
períodos deflacionários. Recuperam-se os níveis de ociosidade, pela 
expansão dos dispêndios de investimento e de consumo. Os preços 
voltam para a linha de estabilidade. 
Níveis de ociosidade é a diferença entre o volume efetivo de produção e o que 
seria possível produzir com a capacidade instalada (máquinas, funcionários, 
equipamento, matérias-primas, etc.). Deste modo, a capacidade ociosa 
representa o quanto esta empresa poderia estar produzindo a mais para 
atingir sua capacidade de produção. Exemplo: digamos que uma empresa de 
computadores tenha a capacidade de produzir 500 mil tablets/mês, mas só 
produz 250 mil (metade / 50%), isso quer dizer que essa empresa está com 
uma capacidade ociosa de 50%. O que pode estar acontecendo é que não 
existe demanda. Ela só irá produzir mais se, de repente, a demanda por esse 
produto aumentar. 
1.4.2 Causas Clássicas de Inflação 
a. Inflação de demanda: refere-se ao excesso de demanda agregada em 
relação à produção disponível de bens e serviços na economia. É 
causada pelo crescimento dos meios de pagamento, que não é 
acompanhado pelo crescimento da produção. Ocorre apenas quando a 
economia está próxima do pleno-emprego, ou seja, não pode aumentar 
substancialmente a oferta de bens e serviços em curto prazo. 
b. Inflação de custos: tem suas causas nas condições de oferta de bens e 
serviços na economia. O nível da demanda permanece o mesmo, mas 
os custos de certos fatores importantes aumentam, levando à retração 
da oferta e provocando um aumento dos preços de mercado. 
c. Inflação inercial: é a aquela em que a inflação presente é uma função 
da inflação passada. Deve-se à inércia inflacionária, que é a resistência 
que os preços de uma economia oferecem às políticas de estabilização 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
53 
Economia Internacional 
que atacam as causas primárias da inflação. Seu grande vilão é a 
"indexação", o reajuste do valor das parcelas de contratos pela inflação 
do período passado. Em resumo, refere-se à ideia de memória 
inflacionária, onde o índice atual é a inflação passada mais a expectativa 
futura. 
d. Inflação estrutural: a corrente estruturalista supunha que a inflação em 
países em vias de desenvolvimento é essencialmente causada por 
pressões de custos, derivados de questões estruturais como a agrícola e 
a de comércio internacional. 
A Inflação no Brasil é medida por meio de vários índices, no entanto os mais 
importantes são: 
I. INPC - Índice Nacional de Preços ao Consumidor: calculado pelo IBGE 
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nas regiões 
metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, 
São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além do Distrito 
Federal e do município de Goiânia. Mede a variação nos preços de 
produtos e serviços consumidos pelas famílias com rendas entre 1 e 8 
salários mínimos. O período de coleta de preços vai do primeiro ao 
último dia do mês corrente e é divulgado aproximadamente após o 
período de oito dias úteis. 
 
 
 
 
 
Gráfico 1.1 - Evolução mensal do INPC 2013 
Fonte: Elaboração própria. IBGE, 2014 
 Competência 01 
 
 
 54 
Técnico em Logística 
Meses Jan Fev Mar
INPC 5,26 5,39 5,62
IPCA 5,59 5,68 6,15
Índices (%) - 2014
Quadro 1.2 Índices de Inflação
II. IPCA - Índice de Preço ao Consumidor Amplo (ampliado): calculado 
pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mede a 
variação dos preços para as famílias com renda entre 1 e 40 salários 
mínimos, logo este índice é caracterizado como a inflação pura. No IPCA 
é verificado o aumento do nível de preços nos seguintes setores: 
alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, 
transportes, comunicação, saúde e cuidados pessoais, despesas 
pessoais, educação, etc. Abaixo está um gráfico com a evolução do IPCA 
mês a mês em 2013. 
 
 
 
 
 
Gráfico 1.2 - Evolução mensal do IPCA 2013 
Fonte: Elaboração própria. IBGE, 2014 
 
 
 
Fonte: Elaboração própria. IBGE, 2014 
III. INCC - Índice Nacional do Custo da Construção Civil: calculado pela 
FGV, mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços 
atualizados pelo setor de construção civil. Este índice é calculado para 
três intervalos diferentes, e compõem os demais índices calculados pela 
FGV. Participa com 10% do IGP-M. Foi concebido com a finalidade de 
aferir a evolução dos custos de construções habitacionais, configurou-
se como o primeiro índice oficial de custo da construção civil no país. 
Foi divulgado pela primeira vez em 1950, mas sua série histórica 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
55 
Economia Internacional 
retroage a janeiro de 1944. De início, o índice cobria apenas a cidade do 
Rio de Janeiro, então capital federal e sua sigla era ICC. 
Nas décadas seguintes, a atividade econômica descentralizou-se e o 
IBRE passou a acompanhar os custos da construção em outras 
localidades. Além disso, em vista das inovações introduzidas nos estilos, 
gabaritos e técnicas de construção, o ICC teve que incorporar novos 
produtos e especialidades de mão de obra. 
Em fevereiro de 1985, para efeito de cálculo do IGP, o ICC deu lugar ao 
INCC, índice formado a partir de preços levantados em oito capitais 
estaduais. No processo de ampliação de cobertura, o INCC chegou a 
pesquisar preços em 20 capitais. Atualmente a coleta é feita em 7 
capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, 
Porto Alegre e Brasília (FGV, 2014). 
IV. IGP-M - Índice Geral de Preços de Mercado: calculado pela FGV 
(Fundação Getúlio Vargas), os preços do atacado têm maior 
participação na composição do índice: 
i. IPA – Índice de Preço de Atacado,participa com 60% do IGP-M 
ii. IPC – Índice Geral de Preço ao Consumidor, participa com 30% do 
IGP-M 
iii. INCC – Índice de Preço da Construção Civil, participa com 10% do 
IGP-M 
iv. INPC 
Em outras palavras, esse índice é formado por percentuais de outros 
índices (60% do IPA + 30% do IPC + 10% do INCC). 
 
 
 Competência 01 
 
 
 56 
Técnico em Logística 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quadro 1.3 - Índices de Inflação (utilização) 
Fonte: Mankiw, 2001 
 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
57 
Economia Internacional 
Segundo o boletim Focus, relatório divulgado pelo Banco Central (o mais 
recente foi divulgado em 04.04.2014), a expectativa para o IPCA deste ano 
prevê mais inflação e menos crescimento econômico. Esse levantamento do 
Banco Central, feito com mais de 100 bancos, mostra que a previsão para o 
IPCA (considerado a "inflação oficial" do país) de 2014 passou de 6,3% para 
6,35%. Foi a quinta elevação consecutiva deste indicador e, com esse 
aumento, o resultado se aproxima ainda mais do teto de 6,5%, vigente no 
sistema de metas. Nos últimos quatro anos, a inflação tem oscilado ao redor 
de 6%. Em 2010, somou 5,91%, passando para 6,50% em 2011, para 5,84% em 
2012 e para 5,91% no último ano (2013). 
O que é o Sistema de Metas? Segundo a Revista Econômica Contemporânea 
(Rio de Janeiro, 2012)* é um padrão de conduta da política monetária que 
passou a ser utilizado por vários países a partir da década de 1990. O Brasil 
adotou esse modelo em 1999, após uma crise cambial. Tem como principal 
característica o anúncio prévio de uma meta numérica para a inflação, esteregime passou a ser adotado por países que buscavam alcançar a estabilidade 
de seus preços. É este sistema que vigora no Brasil, e é o Banco Central quem 
deve calibrar os juros para atingir as metas, tendo por base o IPCA. Para 2014 
e 2015, a inflação deverá ficar em 4,5%, com um intervalo de tolerância de 
dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode 
oscilar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida. 
Para conter o avanço da inflação, o Banco Central realiza a elevação da taxa 
básica da economia (Selic). Esse aumento vem avançando desde abril do ano 
passado (2013) para conter pressões inflacionárias. Veja abaixoa tabela de 
metas para a inflação brasileira, disponibilizada pelo Banco Central 
atualmente em seu site: 
 
 
 
 
*A Revista de 
Economia 
Contemporânea 
(REC) destina-se à 
publicação de 
trabalhos 
científicos originais 
nas áreas de Teoria 
Econômica, 
Economia Aplicada, 
História Econômica, 
História do 
Pensamento 
Econômico, 
Metodologia 
Econômica e em 
áreas afins, cujos 
temas sejam 
relevantes para a 
economia. Foi 
criada no segundo 
semestre de 1997, 
pelo Instituto de 
Economia da 
Universidade 
Federal do Rio de 
Janeiro. 
 Competência 01 
 
 
 58 
Técnico em Logística 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.5 - Tabela de Metas de Inflação – Banco Central 
Fonte: https://www.bcb.gov.br/Pec/metas/TabelaMetaseResultados.pdf 
1.5 Mercado de Trabalho 
Com o surgimento do sistema capitalista de produção e, consequente, 
utilização do trabalho assalariado em larga escala, surge o mercado de 
trabalho como uma instituição fundamental ao funcionamento da economia. 
Pode-se entender esse mercado como sendo trabalhadores 
vendendo/ofertando (recebendo salários) sua mão de obra e empresas 
comprando/demandando (pagando) por essa mão de obra. É chamado 
mercado formal de trabalho, o qual contempla as relações contratuais de 
trabalho. Em contraposição, existe o chamado mercado informal de trabalho, 
onde prevalecem regras de funcionamento com um mínimo de interferência 
governamental. Do ponto de vista macroeconômico, esse mercado contribui 
para a determinação do nível de demanda agregada, do produto e do 
emprego, que tem um papel fundamental ao lado dos mercados de bens e 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
59 
Economia Internacional 
serviços, monetário e também de títulos. Ao lado desse mercado formam-se 
inúmeras variáveis a respeito do cotidiano dos trabalhadores, tais como: 
salários, desemprego, rotatividade, produtividade, etc. O emprego cresce 
porque se ampliam as oportunidades de trabalho, seja pelo surgimento de 
novas ocupações, seja pelo aumento de novas vagas em firmas já instaladas 
(Professores da USP, 2011). 
O mercado de trabalho é cíclico, com períodos de expansão e de recessão no 
curto prazo. Quando analisamos seu resultado, podemos avaliar se a 
economia está em boa fase ou não. Portanto,outrobom determinante do 
padrão de vida de uma sociedade pode ser observado através do nível de 
desemprego, frequentemente encontrado em um país. Pessoas que estariam 
dispostas a trabalhar, mas que não encontram emprego, não contribuem para 
a produção de bens e serviços da economia, concorda? 
Para entender o mercado de trabalho é necessário então, inicialmente, 
classificar a população segundo a atividade econômica que cada um exerce. 
A partir do total da população residente em um país, podemos definir a 
chamada População em Idade Ativa – PIA, esta se divide entre: 
I. População Economicamente Ativa – PEA = Força de trabalho: é o 
conjunto de elementos empregados (E) e desempregados (D), num 
certo momento; 
II. População Ativa não Integrada ao Mercado de Trabalho: 
- Capacitados para o trabalho: a. trabalhadores desalentados (dispostos 
a trabalhar, mas desestimulados a buscar emprego): Ex. pessoas 
dedicando-se a afazeres domésticos, estudantes, aposentados, 
pensionistas, rentistas e outros; b. inativos (não buscam trabalho nem 
desejam trabalhar); 
- Incapacitados para o trabalho: a. inválidos física e mentalmente; b. 
idosos, réus e outros. 
 Competência 01 
 
 
 60 
Técnico em Logística 
Podemos obter dados sobre emprego e desemprego a partir da Pesquisa de 
Emprego e Desemprego (PED). É um levantamento domiciliar contínuo, 
realizado mensalmente, desde 1984, na Região Metropolitana de São Paulo, 
em convênio entre o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e 
Estudos) e a Fundação Seade. O reconhecimento da importância da PED como 
instrumento de análise da realidade socioeconômica concretizou-se com 
solicitações da implantação da Pesquisa em outras regiões do país, a partir de 
1987. As atividades de assessoria e acompanhamento das PEDs regionais por 
parte da Fundação Seade e do DIEESE têm se dado de forma contínua, em 
convênio com diversas instituições. Atualmente, a PED é realizada no Distrito 
Federal e nas Regiões Metropolitanas de São Paulo, Porto Alegre, Belo 
Horizonte, Salvador, Recife e mais recentemente Fortaleza, constituindo o 
Sistema PED. O apoio financeiro e o reconhecimento institucional da PED 
como parte integrante do Sistema Público de Emprego, por parte do Fundo de 
Amparo do Trabalhador (FAT) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 
foram inestimáveis na consolidação deste novo sistema de produção 
estatística. 
Então se quisermos fazer uma pesquisa desse indicador, ao entrarmos no site, 
vemos essas telas, onde encontraremos dados mensais, anuais, mulheres, etc. 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.6 - Página de pesquisa site Dieese 
Fonte: http://www.dieese.org.br/analiseped/ped.html 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
61 
Economia Internacional 
Entrando em resultados mensais, por exemplo, temos: 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.7 - Página de pesquisa site Dieese 
Fonte: Dieese, 2014. 
Clicando em PED - Região Metropolitana do Recife: 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.8 - Página de pesquisa site Dieese 
Fonte: Dieese, 2014. 
 Competência 01 
 
 
 62 
Técnico em Logística 
No Brasil, é considerado desempregado todo aquele maior de 10 anos (em 
outros países a idade mínima é 15 anos) que procura emprego, mas não o 
encontra. As estatísticas relativas a emprego e desemprego e outras 
relacionadas são de responsabilidade do IBGE – Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística, e são divulgadas no Anuário Estatístico do Brasil. O 
IBGE calcula as referidas taxas nas Regiões Metropolitanas de Recife, 
Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. É o 
Dieese/Seade que calcula a taxa de emprego e desemprego nas principais 
Regiões Metropolitanas do país. 
1.5.1 Taxa Natural de Desemprego 
A taxa de desemprego é definida como sendo a relação entre o número de 
desempregados (D - força de trabalho que não está empregada) e a população 
economicamente ativa – PEA (força de trabalho): 
Taxa de desemprego (TD) = D / PEA |É a força de trabalho (D) dividida pela 
população economicamente ativa (PEA)| 
Outra relação importante é a taxa de participação da força de trabalho ou a 
taxa de atividade, que vem a ser a relação entre a população 
economicamente ativa e a população em idade ativa: 
Taxa de atividade: PEA/PIA 
Taxa natural de desemprego da economia refere-se ao nível de desemprego 
que a economia registra normalmente, ocorre devido ao desemprego 
friccional e estrutural, não sendo devida ao ciclo de negócios. 
 
 
 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
63 
Economia Internacional 
 
 
 
 
 
 
 
Quadro 1.4 - Populaçãototal no Mercado de Trabalho 
Fonte: Mankiw, 2001. 
1.5.2 Tipos de Desemprego 
I. O desemprego cíclico ou conjuntural refere-se às flutuações (variações) 
que se verificam de ano para ano em torno da taxa natural e está 
estritamente relacionado aos altos e baixos da atividade econômica no 
curto prazo; 
II. O desemprego friccional é aquele decorrente do tempo necessário para 
que o mercado de trabalho se ajuste: resulta da mobilidade da mão de 
obra; ocorre quando um ou mais indivíduos se desempregam de um 
trabalho para procurar outro. Também poderá ocorrer quando se 
atravessa um período de transição, de um trabalho para outro, dentro 
da mesma área (exemplo: construção civil). 
III. O desemprego estrutural é aquele decorrente de mudanças estruturais 
em certos setores da economia que eliminam empregos, sem que haja 
ao mesmo tempo a criação de novos empregos em outros setores. 
Exemplo: Desemprego causado pelas novas tecnologias como a robótica e a 
informática, o desemprego ocorre em função da grande mecanização das 
 Competência 01 
 
 
 64 
Técnico em Logística 
indústrias, reduzindo os postos de trabalho. Existem duas causas para este 
tipo de Desemprego: insuficiência da procura de bens e de serviços e 
insuficiência de investimento em torno da combinação de fatores produtivos 
desfavoráveis. 
São esses e outros os motivos que levam os governos aimplementarem 
políticas econômicas diversas, no sentido de promoverem o desenvolvimento 
econômico de um país. Tentam minimizar os efeitos nocivos advindos das 
políticas implementadas por países estrangeiros, que visam concorrerem no 
mercado internacional. Com a globalização e o crescente desenvolvimento 
dos meios de comunicação, qualquer movimentação de uma nação, interfere 
na economia global. Por isso a importância de se entender, verificar e medir 
as informações da economia internacional. Muitas vezes basta uma pequena 
mudança em uma das variáveis macroeconômicas, para causar um efeito 
devastador ou um fenômeno agregador em uma economia. Mas na verdade, 
o grande objetivo de todas as nações no mundo é promover desenvolvimento 
socioeconômico e, portanto, bem estar ao seu povo. 
 
 
 Competência 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
65 
Economia Internacional 
2. COMPETÊNCIA 02 | ENTENDER A TEORIA E A PRÁTICA EM 
OPERAÇÕES CAMBIAIS 
 
 
Fonte:http://static.assimsefaz.com.br/images/3/71/994/400745/2/
taxa-de-ca_1355839229096.jpg 
O Mercado de Câmbio é o ambiente onde se realizam as operações de câmbio 
entre os agentes autorizados pelo Banco Central e seus clientes, diretamente 
ou por meio de correspondentes. Câmbio, como o próprio nome diz, é a 
operação de troca de moeda de um país pela moeda de outro país. Quando 
vamos viajar para o exterior, precisamos de moeda estrangeira, o agente 
autorizado pelo Banco Central a operar no mercado de câmbiorecebe nosso 
dinheiro (real) moeda nacional, e nos entrega (vende) a moeda estrangeira. 
Quando um turista estrangeiro quer converter moeda estrangeira em reais, o 
agente autorizado compra a moeda estrangeira do turista, entregando-lhe os 
reais correspondentes. Como já dissemos, esse mercado é regulamentado e 
fiscalizado pelo Banco Central, que coordena as seguintes operações: de 
compra e de venda; as operações em moeda nacional entre residentes 
domiciliados com sede no país e residentes domiciliados com sede no 
exterior; as operações com ouro-instrumento cambial realizadas por 
intermédio das instituições autorizadas, ou direto pelo Banco Central. 
O ouro-instrumento cambial é aquele constante da posição de câmbio das 
instituições autorizadas a operarem no mercado de câmbio integrantes do 
Sistema Financeiro Nacional. Uma vez incorporado à posição de câmbio da 
instituição, o ouro somente pode ser negociado com outra instituição 
integrante do sistema financeiro autorizada a operar no mercado de câmbio. 
 
 
Correspondente 
bancário é qualquer 
pessoa jurídica, ou 
seja, qualquer 
empresa que entre 
suas atividades 
atue também como 
agente 
intermediário entre 
os bancos e 
instituições 
financeiras 
autorizadas a 
operarem pelo 
Banco Central e 
seus clientes finais 
(SEBRAE/SP)(http://
www.sebraesp.com
.br/). 
 Competência 02 
 
 
 66 
Técnico em Logística 
Taxa cambial: a taxa de câmbio é o valor de uma moeda estrangeira em 
relação à nacional, ou seja, é o valor que uma moeda correspondente tem em 
relação à outra. 
Exemplo: O dólar hoje (15/04/2014) está a R$ 2,23, quer dizer que US$ 1 = R$ 
2,23 ou vice e versa, R$ 2,23 equivale a US$ 1. A cotação do dólar foi 
pesquisada no site do Banco Central, conforme imagens abaixo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2.1 - Site do BACEN para consulta da cotação 
 
 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
67 
Economia Internacional 
Você deve estar se perguntando: quais os tipos de operações que podemos 
realizar no mercado de câmbio? O Banco Central, órgão que regulamenta e 
fiscaliza essas operações, responde: podem ser realizados quaisquer 
pagamentos ou recebimentos em moeda estrangeira, inclusive as 
transferências para fins de constituição de disponibilidades no exterior e seu 
retorno ao País e aplicações no mercado financeiro. As pessoas físicas e as 
pessoas jurídicas podem comprar e vender moeda estrangeira ou realizar 
transferências internacionais em reais, de qualquer natureza, sem limitação 
de valor, observada a legalidade da transação, tendo como base a 
fundamentação econômica e as responsabilidades definidas na respectiva 
documentação. 
Embora do ponto de vista cambial não exista restrição para a movimentação 
de recursos, os agentes do mercado e seus clientes devem observar eventuais 
restrições legais ou regulamentares existentes para determinados tipos de 
operação. Como exemplo, relativamente à colocação de seguros no exterior, 
devem ser observadas as disposições dos órgãos e entidades responsáveis 
pela regulação do segmento segurador. 
2.1 Mercado Cambial 
 
 
Fonte:http://economia.culturamix.com/blog/wp-
content/uploads/2010/03/mercado-de-cambio-no-brasil-3.jpg 
Como cada país possui sua moeda própria, com seus respectivos valores, há a 
necessidade de um ponto para a troca dessas moedas (compradores e 
vendedores). Esse local é chamado de Mercado Cambial. No mercado de 
câmbio são realizados três tipos de operações: a compra (entrega da moeda 
nacional em troca da moeda estrangeira); a venda (entrega da moeda 
 Competência 02 
 
 
 68 
Técnico em Logística 
estrangeira em troca da nacional) e a arbitragem (entrega da moeda 
estrangeira por outra moeda estrangeira). 
2.1.1 A Importância da Taxa de Câmbio na Economia e os Regimes Cambiais 
Taxa de câmbio é o valor que uma moeda nacional possui em termos de outra 
moeda nacional; é a taxa pela qual duas moedas de países diferentes podem 
ser trocadas (cambiadas). Exemplo: A taxa de câmbio do real (moeda nacional 
brasileira) em relação ao dólar norte-americano (moeda nacional dos EUA) 
era, em junho de 2006, de aproximadamente 2.30R$/U$, ou seja, cada 1 dólar 
valia 2.30 reais. Por meio das taxas de câmbio torna-se possível realizar as 
transações entre os países. As taxas de câmbio são determinadas pelo 
mercado cambial. Nesse mercado, existem ofertas e demandas pelas várias 
moedas. 
O equilíbrio entre a oferta e a demanda das diferentes moedas estabelece as 
taxas de câmbio, isto é, os preços relativos entre as moedas nacionais, assim 
como as quantidades de moedas nacionais transacionadas com o resto do 
mundo. Como exemplo, um aumento dos investimentos norte-americanosno 
Brasil significam aumento na oferta de dólares e também um aumento na 
demanda de reais. Esses aumentos fazem com que a taxa de câmbio se 
modifique, valorizando o real e desvalorizando o dólar (com o excesso de 
dólares na economia, o preço tende a cair). Ou seja, o preço do real em 
relação ao dólar deve crescer, e a quantidade de reais que se compra com um 
dólar deve ser menor. Assim, define-se uma valorização da moeda nacional, 
quando o poder de compra desta em relação às demais cresce, e uma 
desvalorização, quando seu poder de compra cai. 
Existem diferentes regimes cambiais. Entende-se por regime ou sistema 
cambial o conjunto de regras, acordos e instituições por meio dos quais são 
feitos os pagamentos internacionais e, portanto, pelos quais se regula e acaba 
funcionando o mercado cambial. Assim, para efeito de transações 
internacionais, uma moeda nacional pode ser conversível, quando é 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
69 
Economia Internacional 
livremente trocada por outras moedas estrangeiras (ou antigamente por 
ouro), ou inconversível, quando não tem aceitação fora de seu país, não tendo 
conversibilidade garantida em outra moeda nacional (ou ouro). 
De modo geral, há dois grandes tipos de regime cambial, o de taxas fixas e o 
de taxas flexíveis: os regimes de taxas de câmbio fixas, no qual, como o 
próprio nome sugere, a taxa de câmbio do país (ou o valor da moeda do país 
em relação às outras divisas) é fixa, e o que se ajusta no mercado é apenas a 
quantidade demandada e ofertada àquele valor. Na verdade, nesse regime, o 
governo, geralmente por meio de seu Banco Central, intervém, de modo a 
equilibrar a oferta e a demanda de divisas no nível da taxa de câmbio 
estabelecida. Quando, no mercado, em relação à dada taxa de câmbio, há 
excesso de oferta de divisas, o governo entra no mercado adquirindo divisas 
pela taxa de câmbio fixada. Desse modo, no regime de câmbio fixo, as 
oscilações nas demandas e ofertas de divisas não repercutem sobre a taxa de 
câmbio, mas apenas sobre o volume de reservas internacionais do país e 
também sobre a oferta de moeda primária nesse país, pois a oferta de moeda 
dentro do país aumenta quando o governo compra divisas e diminui quando 
há venda de divisas, as trocas por moeda nacional, colocando tal moeda em 
circulação; e quando as vende, recebe em troca moeda nacional, que, assim, é 
retirada de circulação. 
O regime de taxas de câmbio flutuante, em que háum regime de liberdade do 
mercado cambial e o governo intervém apenas como ofertante e demandante 
de divisas em função de suas necessidades, do mesmo modo que o setor 
privado. Dessa forma, as alterações na oferta e na demanda de divisas têm 
efeito sobre a taxa de câmbio, que deverá valorizar-se ou desvalorizar-se em 
função de tais alterações. Nesse regime, porém o mercado cambial não afeta 
diretamente o nível de reservas de divisas possuídas pelo país. 
Esse assunto (câmbio) em economia é muito debatido. Preço fundamental 
para regular as transações de uma nação com o resto do mundo, o tema taxa 
 Competência 02 
 
 
 70 
Técnico em Logística 
de câmbio é recorrente nas mesas de discussão mundo afora, sendo 
discutido, criticado, negociado, etc. Para começar, há que se admitir que os 
regimes cambiais dividem-se basicamente em fixos e flexíveis, e que não é 
possível usufruir simultaneamente das vantagens dos dois. Entre a adoção de 
uma moeda estrangeira (o extremo da rigidez) e as flutuações totalmente 
desimpedidas da taxa de câmbio (o máximo da flexibilidade), existem 
soluções intermediárias, como a chamada “flutuação suja”, em que há 
intervenções discricionárias das autoridades econômicas. Mas, caro aluno, 
mesmo considerando as variantes, há um claro conflito entre os regimes de 
câmbio fundamentalmente flexíveis e aqueles basicamente administrados. A 
constatação de que o câmbio flutuante é o mais indicado para o Brasil, e aí 
todos ficam comentando: “o problema é que a moeda flutua”, está longe de 
esgotar a discussão no país. Os defensores de um real mais desvalorizado 
costumam passar por cima de todas essas considerações formais e de 
fundamentos (conhecimento básico) para alegar, simplesmente, que “o 
câmbio está errado”. Por este raciocínio, o governo deveria tomar quaisquer 
atitudes necessárias a colocar o real no seu devido lugar, seja comprando 
dólares maciçamente, ou através da queda drástica na taxa de juro, ou ainda 
controlando a entrada de capitais. Dizemos controlando a taxa básica de juros 
do país porque, quando o governo aumenta essa taxa, por exemplo, termina 
provocando aumento de investimento estrangeiro e isso causa aumento de 
divisas estrangeiras (dólar) na economia. 
A taxa de câmbio é uma variável importante dentro de uma economia, pois 
pode influenciar o nível de produção e de inflação dessa economia, além do 
próprio comércio externo e dos movimentos de capital relacionados a esse 
país, e de vários outros aspectos de sua economia. Quando os residentes de 
dois países comercializam entre si, uma das partes normalmente usa o 
mercado de câmbio para trocar a moeda de um país pela moeda do outro. 
Nesse mercado, os ofertantes de uma moeda interagem com seus 
demandantes uma taxa de câmbio - o preço de uma moeda em termos de 
troca. Na prática, a moeda de cada país é negociada em diversos mercados ao 
redor do mundo. As taxas cambiais são determinadas por uma conjunção de 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
71 
Economia Internacional 
fatores intrínsecos ao país, principalmente a política econômica vigente. No 
caso brasileiro, a rede bancária liderada pelo Banco do Brasil é intermediária 
nas transações cambiais. Os exportadores, ao receberem moeda estrangeira 
vendem-na aos Bancos; e os Bancos revendem essa moeda aos importadores 
para que paguem as mercadorias compradas. E essas transações são sempre 
reguladas pelo governo, que fixa os preços de compra e venda das moedas 
estrangeiras (MANOLESCU, 2006). 
2.2 Monopólio de Câmbio 
Em alguns países, o mercado também é monopólio do governo, além de ser 
controlado, funcionando da seguinte forma: 
Entradas de divisas (exportações, entradas de capitais, etc.): recebe a divisa 
(dinheiro) e pode fechar câmbio (promover contrato troca das moedas) em 
qualquer banco autorizado. Esse banco, no entanto, repassa ao Banco Central 
a moeda estrangeira recebida, ficam em poder do governo todas as divisas. 
Saídas de divisas (importação, retorno de capitais, etc.): o importador e o 
investidor também podem fechar câmbio para as operações permitidas pelo 
governo, em qualquer banco autorizado a operar no mercado cambial desde 
que solicite ao Banco Central cobertura para as divisas vendidas, ou seja, os 
importadores e investidores precisam comunicar antecipadamente a 
quantidade de moeda necessária para sua importação. 
O Artigo 4º da Lei 4.595/64 fala sobre as atribuições ao Conselho Monetário 
Nacional (CMN), que compete outorgar (conceder) ao Banco Central do Brasil 
(BC) o monopólio das operações de câmbio quando ocorrer grave 
desequilíbrio no Balanço de Pagamentos (BP) ou houver sérias razões para 
prever a iminência de tal situação. São de competência do CMN as atribuições 
de caráter normativo da legislação cambial vigente e de responsabilidade do 
 Competência 02 
 
 
 72 
Técnico em Logística 
BC as atribuições executivas. O CMN escreve a lei cambial e o BC fiscaliza a 
execução desta lei. 
2.3 Mercado Cambial do Brasil 
As economias de pequeno porte sofrem muito com oscilações no mercado de 
câmbio, a considerar um país do tamanho do Brasil que,apesar de uma 
economia em desenvolvimento, tem sidoatingido diretamente pelas fortes 
mudanças cambiais advindas do mercado internacional. 
A relação do Brasil com o comércio exterior está protegida também pelas 
legislações que tratam do direito público internacional. Atualmente, essa 
relação permanece comsua estrutura legalista num estágio avançado, no que 
diz respeito ao seu controle, mas ainda frágil e suscetível a crises econômicas 
mundiais. 
Também podemos destacar que o mundo está mais voltado pra um 
gerenciamento eficaz no que tange ao controle de sua moeda nacional, dadas 
as coordenadas que os organismos internacionais impõem em respeito ao 
próprio controle básico e de regulação cambial. 
Essa regulação entre mercados de câmbio, suprimento por capitais 
estrangeiros, a valorização/desvalorização da moeda nacional, perfazem um 
conjunto de normas e instituições que se referem à dinâmica das relações 
internacionais no campo "econômico". Tais atributos são fiscalizados por 
entidades internacionais a exemplo da Organização para Cooperação e 
Desenvolvimento Econômico (OCDE); do Fundo Monetário Internacional 
(FMI); do Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) 
e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entes mundiais que 
monitoram a transparência do comércio exterior em suas diversas operações 
e formas de atuação. 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
73 
Economia Internacional 
Podemos usar como exemplo o governo brasileiro que deve ser cobrado por 
uma política cambial moderada, apesar das oscilações e incertezas do 
mercado de câmbio, protegendo a nossa moeda nacional de possíveis crises 
mundiais, perfazendo um conjunto de variáveis que possa oferecer melhores 
condições no mercado de commodities no país. 
Considerando que a produção é crescente, mas muitos dos insumos são 
atrelados ao dólar americano, daí que os segmentos agrícolas sofrem com 
essa volatilidade cambial, sobretudo pelos flexíveis modelos adotados pelos 
países que buscam no mercado internacional uma saída para melhores 
ganhos com a importação e exportação de seus produtos. 
Sendo assim, à vista dessas diferenciações econômicas e de mercado, o poder 
público e o setor privado, fugindo às generalizações, são forçados ao estudo 
mais detalhado das condições locais de se operar uma taxa de câmbio 
coerente, em busca de soluções mais corretas para a economia local. 
Por fim, esse fracionamento das verbas cambiais em múltiplas e pequenas 
oscilações, muitas vezes sem base em estudos e sem classificação prioritária, 
resulta na dispersão dos esforços, na deficiência da fiscalização e no 
desperdício e perda pelas flutuações da valoração da moeda nacional. 
2.3.1 Composição do Mercado de Câmbio 
Incluem-se no mercado de câmbio brasileiro as operações relativas aos 
recebimentos, pagamentos e transferências do e para o exterior mediante a 
utilização de cartões de uso internacional, bem como as operações referentes 
às transferências financeiras postais internacionais, inclusive vales postais e 
reembolsos postais internacionais. 
Como já foi dito anteriormente, existe um segmento do mercado cambial 
denominado mercado paralelo realizado por pessoas não autorizadas. 
 Competência 02 
 
 
 74 
Técnico em Logística 
Curiosamente, há transações em espécie e em saques, mas é importante 
destacar que é mercado ilegal o câmbio paralelo, bem como a posse de 
moeda estrangeira oriunda de atividades ilícitas. 
2.3.1.1 Produtos do Mercado de Câmbio 
 
 
Figura: https://encrypted-
tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTJIMEGxildupLeMoussJ
vHuFfRzIIzQGc1bgHjKyXqYH0NC2Xb 
- Operações de compra e venda de moeda estrangeira ou de títulos que a 
represente (conversíveis e inconversíveis) 
- Cartões de crédito e de débito de uso internacional 
- Transferências financeiras postais internacionais 
- Conta em moeda estrangeira no país 
- Operações em moeda nacional entre residentes no país e residentes no 
exterior 
- Operações com ouro-instrumento cambial 
O ouro é classificado como instrumento cambial por instituições autorizadas a 
operar no mercado de câmbio integrantes do Sistema Financeiro Nacional. O 
ouro-instrumento cambial é decorrente das operações: 
- de compra de ouro-ativo financeiro da própria instituição; 
- de compra ou de venda de ouro do Banco Central do Brasil com essa 
finalidade; 
- de compra ou de venda de ouro-instrumento cambial entre as 
instituições autorizadas a operarem no mercado de câmbio integrantes 
do Sistema Financeiro Nacional; ou 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
75 
Economia Internacional 
- de arbitragem com outra instituição integrante do Sistema Financeiro 
Nacional ou com instituição do exterior, na forma da regulamentação 
cambial. 
Uma vez incorporado à posição de câmbio da instituição, o ouro somente 
pode ser negociado com outra instituição integrante do sistema financeiro 
autorizada a operar no mercado de câmbio, com instituição externa ou com o 
Banco Central do Brasil, observadas as mesmas condições estabelecidas para 
a negociação de moeda estrangeira. 
As disposições normativas relativas às operações com ouro-instrumento 
cambial são as mesmas das operações de compra e de venda de moeda 
estrangeira, inclusive no tocante à composição e aos limites de posição de 
câmbio e à possibilidade de operações de arbitragem. 
2.3.1.2 Condições para a Realização das Transações 
- Ser uma transação legal 
- Ter fundamentação econômica 
- Estar amparada em documentação 
2.3.2 Setor Público: Principais Atores 
- CMN: Conselho Monetário Nacional 
- MF: Ministério da Fazenda 
- MP: Ministério do Planejamento 
- BCB ou Bacen: Banco Central do Brasil 
- MDIC: Ministério do Desenvolvimento, indústria e Comércio Exterior 
- MRE: Ministério das Relações Exteriores 
- MS: Ministério da Saúde 
- SRF: Secretaria da Receita Federal 
 
 
No glossário do 
Banco Central: 
chama-se “Posição 
de câmbio” a 
posição (saldo) que 
cada banco 
autorizado a operar 
em câmbio 
mantém, em 
moeda estrangeira, 
apurada após todas 
as negociações 
efetuadas pela 
instituição 
(exportações, 
importações, 
remessas e 
ingressos 
financeiros). A 
posição de uma 
instituição pode 
assumir os 
seguintes 
resultados: a. 
nivelada: quando o 
total de compras é 
igual ao total de 
vendas; b. 
comprada: quando 
o total de compras 
é maior que o total 
de vendas; c. 
vendida: quando o 
total de compras é 
menor que o total 
de vendas. 
 Competência 02 
 
 
 76 
Técnico em Logística 
2.3.3 Agentes do Mercado de Câmbio 
2.3.3.1 Agentes Autorizados 
I. Integrantes do Sistema Financeiros Nacional: 
- Bancos: Comerciais/Múltiplos/Desenvolvimento. Exceto os bancos de 
desenvolvimento, os demais bancos podem realizar todas as operações 
previstas no regulamento. Os bancos de desenvolvimento só podem realizar 
operações específicas autorizadas. 
- Caixas Econômicas (podem realizar operações específicas autorizadas). 
II. Demais integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN): 
- Sociedades de Crédito Financiamento e Investimento 
- Corretoras de câmbio ou de títulos e valores mobiliários 
- Distribuidoras de títulos e valores mobiliários 
Podem realizar compra e venda de moeda estrangeira: 
- em cheques vinculados a transferências unilaterais 
- em espécie, cheques e cheques de viagem relativos a viagens internacionais 
- natureza financeira sem registro no BC de até US$ 10 mil 
- câmbio simplificado de exportação e importação 
 - em operações interbancárias e arbitragens no país 
- arbitragens externas, por meio de bancos 
Arbitragem cambial: é uma operação decompra e venda de uma moeda em 
duas praças financeiras diferentes, com o objetivo de obter lucro derivado da 
diferença de preços que possa existir durante pequenos intervalos de tempo. 
Por exemplo: se o preço das ações de uma empresa é de US$ 20 no Bovespa e 
de US$ 21 nos Estados Unidos, há uma oportunidade de comprar aqui, efetuar 
a conversão e vender lá no mesmo momento, embolsando a diferença. Para 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
77 
Economia Internacional 
isso, é preciso que o papel tenha uma boa liquidez, para que o negócio se 
concretize no tempo correto, o que é crucial para este tipo de operação. 
2.3.3.2 Outros 
- Agências de Turismo: realizam operações de compra e venda de moeda 
estrangeira em espécie, cheques e cheques de viagem relativos a viagens 
internacionais. 
- Meios de Hospedagem de Turismo: realizam compra de residentes no 
exterior de moeda estrangeira em espécie, cheques ou cheques de viagem 
relativos a turismo no país. 
Excetuados os meios de hospedagem de turismo, os demais agentes podem 
abrir postos para realizar operações de câmbio manual. “Câmbio manual” são 
as operações de compra e venda de moedas estrangeiras para entregarem 
espécie: o mercado inclui nessa modalidade também as operações para 
entrega em traveler’s cheques, embora conceitualmente essas sejam de 
câmbio sacado. Como exemplo, pode-se citar a venda ou a compra de moeda 
para aqueles que vão deixar o país ou estão retornando de suas viagens. 
"Câmbio sacado" são as operações de câmbio liquidadas por débito ou crédito 
nas contas em moedas estrangeiras mantidas no exterior pelos bancos 
vendedores ou compradores, por meio de ordens de pagamento, cheques, 
autorizações de crédito e de débito, etc. Obviamente, a grande maioria das 
operações de valor expressivo são de “câmbio sacado”. 
2.4 Funcionamento 
Devido à existência de fusos horários diferentes, o Mercado Cambial funciona 
24 horas por dia. Assim, quando um grande mercado está fechando, outro 
está abrindo. Podemos citar alguns mercados com fusos horários bem 
diferentes: Tóquio, Londres, Nova York e San Francisco. 
 Competência 02 
 
 
 78 
Técnico em Logística 
2.4.1 Cotações 
Quando o mercado abre, os bancos cotam as taxas de compra e de venda. No 
momento que alguém vende moeda estrangeira a um banco, a taxa é de 
compra (conhecida internacionalmente por bid rate). Já quando alguém 
compra moeda de um banco, a taxa é a de venda (conhecida 
internacionalmente por offer rate). A denominação é dada pela posição do 
banco e não a do cliente. A diferença entre a taxa de venda e a de compra 
equivale ao lucro do banco. Sendo um agente financeiro autorizado e 
constituindo pessoa jurídica, onde necessita de lucro, faturamento oriundo da 
diferença existente nessa transação de compra e venda. Essa diferença é 
chamada de spread. Em um mercado livre, essas taxas variam a todo 
momento. A formação de taxa, veremos mais à frente. 
2.4.2 Posição 
Os bancos podem ter posição comprada, vendida ou nivelada. 
i. Posição comprada: durante o dia um banco comprou de vários clientes 
um montante de US$ 8 milhões, mas também vendeu, nesse mesmo 
momento, US$ 5 milhões. Partindo do princípio de que ele iniciou o dia 
sem nenhum dólar, terminou o expediente com US$ 3 milhões em 
caixa. 
ii. Posição vendida: o mesmo banco, na manhã seguinte, compra US$ 6 
milhões e vende US$ 12 milhões. Como ele já tinha em caixa US$ 3 
milhões (saldo do dia anterior), com essa nova compra ficou com US$ 9 
milhões. Vendendo US$ 12 milhões, fica com um furo de caixa de US$ 3 
milhões. É o que chamamos de posição vendida. 
iii. Posição nivelada: ele reabre no terceiro dia com posição vendida de 
US$ 3 milhões, durante o expediente ele vende US$ 1 milhão e compra 
US$ 4 milhões. Seu saldo fica zerado. É o que denominamos posição 
nivelada. 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
79 
Economia Internacional 
A posição acima é global e não por moeda. Temos a posição por moeda: 
quando um banco tem uma posição comprada em euros e vendida em 
dólares, esse fato não cria empecilho para honrar uma ordem de pagamento 
em dólares por exemplo. O banco transforma o euro em dólares, por meio da 
operação chamada de arbitragem (entrega da moeda estrangeira por outra 
moeda estrangeira). 
2.4.3 Contrato de Câmbio 
Contrato de câmbio é o instrumento específico firmado entre o vendedor e o 
comprador de moeda estrangeira, no qual são estabelecidas as características 
e as condições sob as quais se realiza a operação de câmbio. Essas operações 
de câmbio são formalizadas por meio de contrato (existe um modelo na 
Circular nº 3.691, de 16 de dezembro de 2013) e seus dados devem ser 
registrados no Sistema Câmbio. A data do registro deve corresponder ao dia 
da celebração do referido contrato. 
Alguns detalhes importantes relativos à assinatura dos contratos de câmbio: 
I - o Banco Central somente reconhece como válida a assinatura digital dos 
contratos de câmbio por meio de utilização de certificados digitais; 
II - no caso de assinatura manual, esta é colocada só após a impressão do 
contrato de câmbio, em pelo menos duas vias originais, destinadas ao 
comprador e ao vendedor da moeda estrangeira. 
Para a certificação digital (emitidos no âmbito da Infraestrutura de Chaves 
Públicas – ICP Brasil), a instituição autorizada a operar no mercado de câmbio, 
negociadora da moeda estrangeira, deve: 
 Competência 02 
 
 
 80 
Técnico em Logística 
- utilizar aplicativo para a assinatura digital de acordo com padrão divulgado 
pelo Departamento de Tecnologia da Informação (Deinf) do Banco Central do 
Brasil; 
- estar apto a tornar disponível, de forma imediata, ao Banco Central do 
Brasil, pelo prazo de cinco anos, contados do término do exercício em que 
ocorra a contratação ou, se houver a liquidação, o cancelamento ou a baixa, a 
impressão do contrato de câmbio e dele fazer constar a expressão “contrato 
de câmbio assinado digitalmente”; 
- manter pelo mesmo prazo, em meio eletrônico, o arquivo original do 
contrato de câmbio, das assinaturas digitais e dos respectivos certificados 
digitais. 
Observação: existe assinatura manual de contrato de câmbio. 
 
 
Fonte: 
https://www.google.com.br/search?q=fluxo+circular+de+rend
a&es_sm=122&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ei=6TNQU9-
1H6m_sQS4uYG4Dg&ved=0CAgQ_AUoAQ&biw=1280&bih=61
9#q=icp+brasil&tbm=isch&facrc=_&imgdii=_&imgrc=Tb3ofrCQ
8Ybl1M%253A%3BUeYR6WQ0ntS77M%3Bhttp%253A%252F%
252Fwww2.unifap.br%252Fnti%252Ffiles%252F2014%252F03
%252Ficp-
brasil.jpeg%3Bhttp%253A%252F%252Fwww2.unifap.br%252F
nti%252F2014%252F03%252F26%252Ficp-brasil-cotec-se-
reune-em-brasilia%252F%3B230%3B226 
São os seguintes os tipos de contratos de câmbio e suas aplicações: 
- compra: destinado às operações de compra de moeda estrangeira realizadas 
pelas instituições autorizadas a operarem no mercado de câmbio; 
- venda: destinado às operações de venda de moeda estrangeira realizadas 
pelas instituições autorizadas a operarem no mercado de câmbio. 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
81 
Economia Internacional 
Observação: cláusulas ajustadas entre as partes devem ser inseridas nos 
contratos de câmbio e somente devem ser informadas ao Banco Central do 
Brasil quando solicitadas. 
Liquidação, alteração, cancelamento ou baixa de contrato de câmbio 
A liquidação (a operação propriamente dita) de contrato de câmbio ocorre 
quando da entrega de ambas as moedas, nacional e estrangeira, objeto da 
contratação ou de títulos que as representem. 
Liquidação é o processo por meio do qual a transação é completada pela 
transferência definitiva (incondicional)dos títulos do vendedor para o 
comprador (entrega) e a transferência definitiva de fundos do comprador 
para o vendedor (pagamento). (Relatório do Comitê de Sistemas de 
Pagamento e de Liquidação (CSPL) dos bancos centrais dos países do Grupo 
dos Dez. Basiléia, set. 1992). 
As operações de câmbio contratadas para liquidação pronta devem ser 
liquidadas em até 2 dias úteis da data da contratação, excluídos os dias não 
úteis nas praças das moedas envolvidas. A operação de câmbio (compra ou 
venda) para liquidação futura é a operação a ser liquidada em prazo maior 
que 2 dias. 
A liquidação no mesmo dia da contratação de câmbio é obrigatóriapara a 
compra ou venda de moeda estrangeira em espécie, em cheques de viagem 
ou para carregamento ou descarregamento de cartões pré-pagos. 
As operações de câmbio abaixo indicadas podem ser contratadas para 
liquidação futura, devendo a liquidação ocorrer em até: 
 Competência 02 
 
 
 82 
Técnico em Logística 
a. 1.500 dias, no caso de operações interbancárias e de arbitragem, bem 
como nas operações de natureza financeira em que o cliente seja a 
Secretaria do Tesouro Nacional; 
b. 360 no caso de operações de câmbio de importação e de natureza 
financeira, com ou sem registro no Banco Central. 
Observação: Na exportação o contrato de câmbio pode ser celebrado 
para liquidação pronta ou futura, prévia ou posteriormente ao 
embarque da mercadoria ou da prestação do serviço, observado o 
prazo máximo de 750 dias entre a contratação e a liquidação, bem 
como o seguinte: 
- no caso de contratação prévia, o prazo máximo entre a contratação 
de câmbio e o embarque da mercadoria ou da prestação do serviço é de 
360 dias; 
- o prazo máximo para liquidação do contrato de câmbio é o último dia 
útil do 12º mês subsequente ao do embarque da mercadoria ou da 
prestação do serviço. 
O prazo mínimo para liquidação das operações de venda de moeda 
estrangeira realizadas a título de doações de valor igual ou superior a 
R$100.000,00 (cem mil reais) é de 1 dia útil. 
As operações de câmbio interbancárias podem ser contratadas para 
liquidação a termo em até 1.500 (mil e quinhentos) dias. 
As operações com prazo de liquidação superior a 2 dias são conhecidas por 
câmbio a termo. No jargão bancário é câmbio futuro e no mercado 
internacional forward exchance. O câmbio é negociado e fechado hoje e deve 
ser liquidado em “x” dias (geralmente 30, 60, 90, 180 ou 360 dias). Exemplo: 
fechamento de câmbio de uma exportação a prazo, ou seja, o exportador 
 
 
Existem operações 
à vista e a termo. À 
vista são operações 
conhecidas por 
câmbio pronto, 
internacionalmente 
chamadas de spot 
exchange. Devem 
ser liquidadas em 
até 2 dias úteis e 
contra pagamento. 
Exemplo de compra 
à vista: entrada de 
capital; e venda à 
vista é o retorno 
desse capital. 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
83 
Economia Internacional 
fechou o câmbio hoje, mas sua liquidação ocorrerá somente no vencimento 
do saque, que poderá ser em 30, 60 ou 90 dias. 
IMPORTANTE ALUNO: No contrato de câmbio não são suscetíveis de 
alteração o comprador, o vendedor, o valor em moeda estrangeira, o valor em 
moeda nacional, o código da moeda estrangeira e a taxa de câmbio. 
O cancelamento de contrato de câmbio ocorre mediante consenso das 
partes e é formalizado por meio de novo contrato, no qual as partes 
declaram o desfazimento da relação jurídica anterior, com a observância aos 
princípios de ordem legal e regulamentar, aplicáveis. 
Observação: nos casos em que não houver consenso para o cancelamento, 
podem os bancos autorizados a operar em câmbio proceder à baixa do 
contrato de câmbio de sua posição cambial, observadas as exigências e os 
procedimentos regulamentares aplicáveis a cada tipo de operação.A baixa na 
posição de câmbio representa operação contábil bancária e não implica 
rescisão unilateral do contrato nem alteração da relação contratual existente 
entre as partes. 
2.4.4 Registro no Sistema Câmbio 
As instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionarem 
pelo Banco Central, autorizadas a operarem no mercado de câmbio, devem 
observar grade horária de utilização do Sistema Câmbio (pelo horário de 
Brasília): 
I - grade padrão; 
II - grade de exceção; 
III - operações negociadas após o fechamento da grade. 
 
 Competência 02 
 
 
 84 
Técnico em Logística 
 
 
 
 
 
Figura 2.2 - Consulta de posição de câmbio no site do Bacen 
Fonte: Bacen, 2014. 
Observação: contratação de cancelamento de operação de câmbio é efetuada 
mediante o consenso das partes e observância aos princípios de ordem legal e 
regulamentar, aplicáveis. Sobre posição de câmbio (comprada, vendida, 
nivelada), aluno, vimos no item anterior. 
São registradas no Sistema Câmbio e dispensadas da formalização do contrato 
de câmbio: 
a. As operações de câmbio relativas a arbitragens celebradas com 
instituições bancárias no exterior ou com o Banco Central do Brasil; 
b. As operações de câmbio em que o próprio banco seja o comprador e o 
vendedor da moeda estrangeira; 
c. Os cancelamentos de saldos de contratos de câmbio cujo valor seja 
igual ou inferior a US$5.000,00 (cinco mil dólares dos Estados Unidos) 
ou seu equivalente em outras moedas; 
d. As operações cursadas no mercado interbancário e com instituições 
financeiras do exterior; 
e. Operações de compra e de venda de moeda estrangeira de até 
US$3.000,00 (três mil dólares dos Estados Unidos) ou do seu 
equivalente em outras moedas. 
As instituições autorizadas a operarem em câmbio devem manter a base de 
dados de suas operações de câmbio atualizada e disponível ao Banco Central 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
85 
Economia Internacional 
do Brasil, observado que a referida base de dados substitui, para todos os fins 
e efeitos, o documento Registro Geral de Operações de Câmbio (RGO). 
As agências de turismo que ainda detenham autorização para operar no 
mercado de câmbio pelo Banco Central do Brasil devem registrar, a cada dia 
útil, no Sisbacen, até às 12h, horário de Brasília, as informações referentes às 
suas operações realizadas no dia útil anterior ou, caso não as tenham 
realizado, a indicação expressa de tal inocorrência. 
 
 
 
 
 
Fonte: https://www.google.com/search?hl=pt-
BR&site=imghp&tbm=isch&source=hp&biw=1280&bih=576&q=Fluxo+Circular+
de+Renda+de+uma+economia+aberta&oq=Fluxo+Circular+de+Renda+de+uma+
economia+aberta&gs_l=img.3...1671.1671.0.2531.1.1.0.0.0.0.216.216.2-
1.1.0....0...1ac.1.41.img..1.0.0.VbTNkrJV_28#hl=pt-
BR&q=c%C3%A2mbio+nas+ag%C3%AAncias+de+turismo&tbm=isch&facrc=_&i
mgdii=_&imgrc=myDu9BH5uO_dwM%253A%3BBgh8vchLtPgHBM%3Bhttp%253
A%252F%252Fmorumbishopping.com.br%252Fportal%252Fwp-
content%252Fuploads%252Fimage-store%252Fvip-turismo%252Fimage-
1.jpg%3Bhttp%253A%252F%252Fmorumbishopping.com.br%252Fportal%252Fl
ojas%252F%253Fl%253Dvip-turismo%3B510%3B294) 
As autorizações para operar no mercado de câmbio por agências de turismo e 
meios de hospedagem de turismo expiraram em 31.12.2009. Apenas as 
agências que apresentaram o pedido de autorização ao Banco Central nessa 
data, podem operar no mercado cambial atualmente até segunda ordem. 
Você pode encontrar este assunto completo na Circular de número 003527 do 
BACEN, no Capítulo II (Agentesdo Mercado), item 5 (de 3 de março de 2011). 
 Competência 02 
 
 
 86 
Técnico em Logística 
2.4.5 Operações Destinadas a Atender Gastos Pessoais em Viagens 
Internacionais 
 
 
Fonte: https://www.google.com/search?hl=pt-
BR&site=imghp&tbm=isch&source=hp&biw=1280&bih=576&q=Fluxo+Circul
ar+de+Renda+de+uma+economia+aberta&oq=Fluxo+Circular+de+Renda+de+uma+economia+aberta&gs_l=img.3...1671.1671.0.2531.1.1.0.0.0.0.216.21
6.2-1.1.0....0...1ac.1.41.img..1.0.0.VbTNkrJV_28#hl=pt-
BR&q=c%C3%A2mbio+nas+ag%C3%AAncias+de+turismo&tbm=isch&facrc=_
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RM%253A%3BaB9v2zS9RxV1bM%3Bhttp%253A%252F%252Fcambio.levyca
m.com.br%252Fimg%252Fcambio_img.jpg%3Bhttp%253A%252F%252Fcam
bio.levycam.com.br%252Fcambio_turismo.php%3B569%3B243) 
Tomando como exemplo, um estrangeiro que retorna ao seu país, quando da 
saída do território nacional, é permitida a ele a aquisição da moeda 
estrangeira com a moeda (real) não utilizada, não gasta. Quando os valores 
são superiores a R$10.000,00 (dez mil reais), é exigida a apresentação: 
I. Da declaração prestada à RFB quando do ingresso no País; ou 
II. Do comprovante de venda anterior de moeda estrangeira, feita pelo 
cliente, à instituição autorizada a operar no mercado de câmbio. 
Aos residentes e domiciliados no exterior, transitoriamente no País, e aos 
brasileiros residentes ou domiciliados no exterior é permitido o recebimento 
de moeda estrangeira, em espécie ou em cheques de viagem, referentes a 
ordens de pagamento a seu favor ou decorrente de utilização de cartão de 
uso internacional, devendo tais operações ser realizadas sem a formalização 
de contrato de câmbio. 
 
 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
87 
Economia Internacional 
2.4.6 Cartões de Uso Internacional 
 
 
Fonte: https://www.google.com/search?hl=pt-
BR&site=imghp&tbm=isch&source=hp&biw=1280&bih=576&q=Fluxo+Circul
ar+de+Renda+de+uma+economia+aberta&oq=Fluxo+Circular+de+Renda+de
+uma+economia+aberta&gs_l=img.3...1671.1671.0.2531.1.1.0.0.0.0.216.21
6.2-1.1.0....0...1ac.1.41.img..1.0.0.VbTNkrJV_28#hl=pt-
BR&q=cart%C3%B5es+de+cr%C3%A9dito+internacionais&tbm=isch&facrc=_
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3A%252F%252Fwww.educacao.cc%252Fwp-
content%252Fuploads%252F2011%252F10%252Fcartoes-de-credito-
nacional-
internacional.jpg%3Bhttp%253A%252F%252Fwww.educacao.cc%252Ffinanc
eira%252Ftipos-de-cartoes-de-credito-nacional-e-
internacional%252F%3B630%3B198 
É permitida a utilização de cartão de uso internacional, no Brasil ou no 
exterior, para saque e para aquisição de bens e serviços, bem como para 
pagamento/recebimento ao/do exterior. 
Com relação à utilização de cartão de uso internacional emitido no Brasil, a 
administradora do cartão transmite ao Banco Central do Brasil, até o dia 10 de 
cada mês, via internet ou via sistema Connect, as operações efetuadas no mês 
anterior por titular de cartão, os dados relativos a saques e aquisições de bens 
e serviços, indicando o CNPJ ou o CPF do titular do cartão, identificados o 
proprietário do esquema de pagamento (bandeira) e o valor por beneficiário. 
No caso de cartão de crédito, a fatura dos gastos deve ser emitida em reais, 
discriminando o subtotal relativo aos saques e o subtotal referente às 
aquisições de bens e serviços, informando ao cliente: 
 Competência 02 
 
 
 88 
Técnico em Logística 
I. Gastos em moeda estrangeira: a moeda em que foi realizado cada 
gasto, devendo a fatura ser paga pelo valor equivalente em reais do dia 
do pagamento; 
II. Gastos em reais: a discriminação de cada gasto, sendo proibida 
indexação a qualquer moeda estrangeira. 
Quanto à utilização de cartão de uso internacional emitido no exterior: 
a. pode ser aceito por estabelecimento credenciado a aceitar referido 
instrumento por empresa credenciadora ou proprietária do esquema 
de pagamento domiciliada no Brasil; 
b. também pode ser aceito por banco múltiplo com carteira comercial ou 
de crédito imobiliário, banco comercial e a Caixa Econômica Federal. 
A aquisição no exterior de bens e serviços por meio de empresas facilitadoras 
de pagamentos internacionais é permitida somente mediante o uso de cartão 
de crédito de uso internacional. 
2.4.7 Operações no Mercado de Câmbio Relativas às Exportações de 
Mercadorias e de Serviços 
O exportador de mercadorias ou de serviços pode manter, no exterior, a 
integralidade dos recursos relativos ao recebimento de suas exportações. 
O ingresso, no País, dos valores de exportação pode se dar em moeda 
nacional ou estrangeira, independentemente da moeda constante da 
documentação que ampara a exportação, prévia ou posteriormente ao 
embarque da mercadoria ou à prestação dos serviços, e os contratos de 
câmbio podem ser celebrados para liquidação pronta ou futura, observada a 
regulamentação em vigor. 
Os contratos de câmbio de exportação são liquidados mediante a entrega da 
moeda estrangeira ou do documento que a represente ao banco com o qual 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
89 
Economia Internacional 
tenham sido celebrados. Quer dizer, as operações estarão finalizadas com 
sucesso quando a moeda referente à transação efetuada está nas mãos do 
exportador. 
O recebimento do valor decorrente de exportação deve ocorrer: 
a. mediante crédito do correspondente valor em conta no exterior 
mantida em banco pelo próprio exportador; 
b. a critério do exportador e do importador, mediante crédito em conta 
mantida no exterior por banco autorizado a operar no mercado de 
câmbio no País, na forma da regulamentação em vigor; ou 
c. por meio de transferência internacional em reais, aí incluídas as ordens 
de pagamento oriundas do exterior em moeda nacional, na forma da 
regulamentação em vigor. 
O recebimento da receita de exportação pode ocorrer em qualquer moeda, 
inclusive em reais, independentemente da moeda constante da 
documentação que amparou o embarque (compra do produto) ou a 
prestação do serviço. 
A regularização de contrato de câmbio de exportação ocorre mediante 
prorrogação, liquidação, cancelamento ou baixa, observados os prazos e 
demais condições estabelecidos na regulamentação. 
O contrato de câmbio e o registro de transferência internacional em reais 
referentes a receitas de exportação podem ser realizados por pessoa 
diferente do exportador nos casos de: 
I. fusão, cisão ou incorporação de empresas e em outros casos de 
sucessão previstos em lei; 
II. decisão judicial; 
 Competência 02 
 
 
 90 
Técnico em Logística 
III. outras situações em que fique documentalmente comprovado que o 
beneficiário dos recursos possui a prerrogativa, considerando os 
aspectos de legalidade e fundamentação econômica, de ser o 
recebedor das receitas de exportação. 
O contrato de câmbio de exportação pode ser celebrado para liquidação 
pronta ou futura, já vimos anteriormente o que é liquidação pronta e futura, 
antes ou depois do embarque da mercadoria ou da prestação do serviço, 
observado o prazo máximo de 750 (setecentos e cinquenta) dias entre a 
contratação e a liquidação, bem como o seguinte: 
a. no caso de contratação prévia, o prazo máximo entre a contratação de 
câmbio e o embarque da mercadoria ou da prestação do serviço é de 
360 (trezentos e sessenta) dias; 
b. o prazo máximo para liquidação do contrato de câmbio é o último dia 
útil do 12º mês subsequente ao do embarque da mercadoria ou da 
prestação do serviço. 
No caso de já ter ocorrido o embarque da mercadoria ou a prestação do 
serviço, o cancelamento ou a baixa do contrato de câmbio de exportação 
deve ser efetuado até o último dia útil do 12º mês subsequente ao do 
embarque da mercadoria ou da prestação do serviço. 
Observação: Ocorrendo o recebimento da exportação, o contrato de câmbio 
baixado deve ser restabelecido e liquidado. 
Bem, aluno, o Mercado de Câmbio é bastante complexo e extremamente 
vasto, com muitas expressões e termos diferentes, é preciso ler sempre e com 
bastante atenção. Aprendemos até o momentosua principal estrutura e 
algumas particularidades do seu funcionamento. São várias as operações de 
câmbio e há muito detalhe até a sua finalização com sucesso. Mas vamos 
imaginar uma operação cambial, vamos aprender a perceber o que é mais 
importante atentar. Tomemos como exemplo uma compra ou venda no 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
91 
Economia Internacional 
Comércio Exterior, essa atividade como qualquer outra, deve ser muito bem 
planejada. Por ser atividade de características peculiares, é correto afirmar 
que tal atividade deve ser precedida de um rigorosíssimo planejamento. 
Mas, devido a circunstâncias diversas, muitas empresas brasileiras, por vezes, 
simplesmente "atiram-se" ao Comércio Exterior sem refletir sobre possíveis 
problemas no mercado doméstico, resultantes de planos e "pacotes" 
econômicos, possível retração da economia nacional, especulação (pessoas 
desejam obter lucros provenientes da variabilidade ou instabilidade do 
mercado), ágio. São fatos inerentes à vontade do empresário. 
Muitas vezes o empresário pequeno e médio, principalmente, não é alertado 
para os riscos decorrentes das operações de comércio exterior, das suas 
particularidades, da sua complexidade. Não observa que comprar ou vender 
no mercado externo é muito diferente de praticar comércio em território 
brasileiro. Quando se compra ou se vende a outras nações, convive-se com 
“distâncias” (diferenças) muitas vezes incalculáveis: geográficas, culturais, 
comerciais, éticas e de costumes, regulamentares. O empresário também 
pode ser surpreendido com questões de natureza política, como embargos 
econômicos, moratórias e, até mesmo, por restrições de natureza religiosa. 
Tudo isso deve ser observado bem antes de realizar esse tipo de operação. 
A realidade, no entanto, é que, com a globalização da economia, o comércio 
exterior passou a ser uma atividade necessária e indispensável para muitas 
empresas. Para outras, uma questão de sobrevivência. Além do que, a 
participação no mercado internacional é de fundamental importância para o 
crescimento empresarial, particularmente no que tange à incorporação e ao 
desenvolvimento de novas tecnologias. Produtividade e qualidade são 
palavras de ordem. É imperativo ser competente, competir! E não se tornar 
competente por acaso. E mais: é necessário entender o planejamento como 
sendo a administração de um processo, portanto, um procedimento 
dinâmico. 
 
 
Ágio - Os ganhos 
(lucros) recebidos 
pelos cambistas 
e/ou por 
banqueiros ao 
trocarem moedas 
(nacionais por 
estrangeiras). Juro 
acima do normal, 
cobrado por 
empréstimos feitos 
em dinheiro; usura. 
 Competência 02 
 
 
 92 
Técnico em Logística 
É de importância capital que todo empresário que se disponha a comerciar 
com o exterior busque junto aos órgãos governamentais e empresas 
especializadas, informações mínimas que lhe permitam conhecer as 
peculiaridades do negócio comercial que pretende realizar. 
I. O primeiro passo para um futuro exportador, por exemplo, é fazer uma 
análise competitiva da inserção de seus produtos no mercado 
internacional. Em seguida, é necessário selecionar os mercados (países) 
que tenham carência do produto a ser exportado ou para os quais seu 
produto apresente um diferencial competitivo em função de aspectos 
tributários, econômicos, políticos, culturais, logísticos, entre outros. 
Exemplo: Uma indústria brasileira produtora de petróleo e gás natural, 
que pretende entrar no mercado da Noruega, deve considerar que, 
além de encontrar dificuldades logísticas, devido à localização 
geográfica dos países nórdicos, terá uma forte concorrência com a 
Rússia vizinha, forte produtora de gás natural. 
II. O segundo passo é verificar se o produto a ser exportado não tem 
nenhum tipo de restrição para comercialização internacional, ou seja, 
checar se a legislação brasileira e a legislação vigente no país de destino 
permitem a comercialização do produto em questão. 
Exemplo: De acordo com a legislação vigente nos EUA, para exportar 
produtos do segmento alimentício, farmacêutico e cosmético, é 
necessário que o exportador efetue um cadastro tanto do produto, 
quanto da empresa, junto ao F.D.A. –Food and Drug Administration 
(Administração de Comidas e Remédios - em português). 
http://www.fda.gov/. FDA é um órgão do governo dos Estados Unidos, 
criado em 1862, com a função de controlar os alimentos e 
medicamentos, através de diversos testes e pesquisas. O objetivo do 
FDA é ter o controle dos alimentos e medicamentos, que podem ser de 
humanos e animais, suplementos alimentares, cosméticos, 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
93 
Economia Internacional 
equipamentos médicos e materiais biológicos. Cada novo produto, 
antes de ser lançado, tem que ser testado e aprovado pelo órgão, senão 
não tem sua comercialização liberada, e caso a empresa insista, pode 
ser autuada e, inclusive ter de pagar uma multa. 
Essa verificação pode ser realizada junto à Secretaria de Comércio 
Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e 
junto à Secretaria da Receita Federal, órgão responsável pelo 
gerenciamento de todas as alfândegas nacionais. As Câmaras de 
Comércio Bilaterais, como por exemplo, a Câmara de Comércio e 
Indústria Brasil - Alemanha ou a Câmara Americana de Comércio 
fornecem informações sobre certificados e documentos exigidos para 
importação em seus respectivos países. 
No link (http://www.exporta.sp.gov.br/2004/pages/ccomint.asp) você 
pode visualizar os contatos de todas as Câmaras Bilaterais de Comércio 
sediadas no Estado de São Paulo. 
Exemplos de Leis (Resoluções): 
Comércio de produtos Farmacêuticos e Farmoquímicos dentro do 
MERCOSUL - De acordo com a Resolução GMC nº 27/98 - Tratado de 
Asunción, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 
somente poderão exportar e importar produtos Farmacêuticos e 
Farmoquímicos dentro dos Mercados do Cone Sul, as empresas 
munidas dos formulários e prazos de validade das autorizações de 
exportação ou importação e do certificado de não-objeção de 
entorpecentes e substâncias psicotrópicas (ANVISA) 
Exemplos de Certificados que podem ser exigidos pelo importador: 
 Competência 02 
 
 
 94 
Técnico em Logística 
a. Certificado de Fitosanidade - documento oficial emitido pelo 
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, através do 
Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), por 
exigência do importador. É um atestado que produtos de origem 
vegetal ou animal estão isentos de quaisquer doenças parasitárias 
ou infectológicas e foram manipulados em condições higiênicas, sob 
controle de autoridades federais (vigiagro@agricultura.gov.br). 
b. Certificado de Origem - O Certificado de Origem é o documento que 
comprova a origem da mercadoria para fins de obtenção de 
tratamento preferencial (conforme Acordos Comerciais 
Internacionais), ou apenas para o cumprimento de exigência 
estabelecida através da legislação do país importador (Certificado de 
Origem Comum). De acordo com informações da Federação das 
Indústrias do Estado de São Paulo, o Certificado de Origem é emitido 
em 24 horas, sendo necessário, apenas, a apresentação da Fatura 
Comercial. 
III. O terceiro passo será analisar o mercado para avaliar a viabilidade da 
exportação. Uma vez identificado o mercado e não havendo restrições 
legais, a empresa deve efetuar uma análise com relação a preços 
praticados no país, diferenças cambiais, nível de demanda, 
sazonalidade, embalagens, exigências técnicas e sanitárias, custo de 
transporte, entre outras. Ou seja, aprofundar a análise realizadano 
primeiro passo, focando cada um dos países pré-selecionados, visando 
à captação de importadores. 
Existem sites que fornecem informações úteis à análise da viabilidade 
das transações: 
- BrazilTradeNet – www.braziltradenet.gov.br; 
- Aliceweb – http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br; 
- Vitrine do Exportador – www.exportadoresbrasileiros.gov.br; 
- Rede de Negócios – www.redenegocios.rs.gov.br. 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
95 
Economia Internacional 
Outra forma de identificar importadores e estabelecer contato com 
eles, é participar de feiras internacionais, rodadas de negócios e 
missões comerciais. O SEBRAE/SP por exemplo (www.sebraesp.com.br) 
disponibiliza um calendário de rodadas de negócios e missões 
comerciais que serão organizadas pelo SEBRAE, além de oferecer um 
serviço de consultoria em comércio exterior e questões jurídicas e 
tributárias totalmente gratuito. 
No site da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo é possível 
consultar o calendário de feiras internacionais e nacionais, rodadas de 
negócios e missões comerciais. 
APEX – www.apexbrasil.com.br 
IV. Quarto passo é efetuar o primeiro contato com o importador. 
Identificado o cliente, é imprescindível que seja enviado a ele o maior 
número de informações possíveis sobre o produto. Para tanto, pode-se 
utilizar catálogos, lista de preços e amostras. O exportador deverá 
sempre se colocar à disposição do cliente (importador) para 
esclarecimentos técnicos e comerciais sobre o produto. 
V. O quinto passo é efetuar o credenciamento como exportador. Para 
obter plena habilitação para exportar, o interessado deverá efetuar 
credenciamento no Registro de Exportadores e Importadores (R.E.I.), no 
Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX) e também no 
Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros 
(RADAR). O REI é um cadastro regido pela Secretaria da Receita Federal 
para identificar os exportadores e importadores brasileiros. O 
SISCOMEX é um instrumento que integra as atividades de registro, 
acompanhamento e controle das operações de comércio exterior, 
através de um único fluxo computadorizado de informações. O sistema 
é administrado pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), pela 
 Competência 02 
 
 
 96 
Técnico em Logística 
Secretaria da Receita Federal (SRF) e pelo Banco Central (BACEN), 
órgãos gestores no comércio exterior. O RADAR é um sistema que visa 
agilizar as informações sobre operações efetuadas por exportadores e 
importadoresquando exigido por algum fiscal em um posto aduaneiro. 
Como efetuar credenciamento no R.E.I./SISCOMEX/RADAR? Para 
efetuar o credenciamento em ambos os sistemas/cadastros, é 
necessário que a pessoa que responda pelo CNPJ da empresa 
compareça à Unidade da Secretaria da Receita Federal de seu domicílio 
fiscal. 
Clicando no link a seguir é possível visualizar a relação de domicílios 
fiscais (jurisdição) e municípios jurisdicionados no Estado de São Paulo: 
http://www.receita.fazenda.gov.br 
Observação: Antes de se dirigir a uma Unidade da Secretaria da Receita 
Federal acesse as orientações ao contribuinte disponibilizadas no link 
http://www.receita.fazenda.gov.br. Os procedimentos e modalidades 
estão regidos pela Instrução Normativa SRF nº 650, de 12 de maio de 
2006, http://www.receita.fazenda.gov.br. 
VI. O próximo passo (6º) é analisar aspectos tributários, nacionais e 
internacionais. Informações referentes à tributação para exportação 
sobre qualquer produto podem ser fornecidas pela Secretaria da 
Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br). As exportações 
brasileiras são beneficiadas por incentivos fiscais e tributários 
oferecidos pelo Governo, tais como: 
a. Não-incidência de IPI e ICMS - O exportador tem imunidade de 
pagamento do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) e a não-
incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços 
(ICMS). 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
97 
Economia Internacional 
b. Manutenção de créditos fiscais de IPI e ICMS - O exportador estará 
apto a realizar manutenção dos créditos fiscais de IPI e ICMS, 
relativos à compra de matérias-primas, produtos intermediários, 
materiais de embalagem, entre outros, que são efetivamente 
utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação. 
c. Isenção do COFINS e PIS - O exportador é isento do pagamento da 
Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da 
Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS). 
d. Crédito presumido do IPI - O exportador poderá receber crédito 
presumido do IPI quando produzir e exportar mercadorias que 
utilizem insumos nacionais, que sofreram incidência de PIS e COFINS. 
e. Redução da alíquota do Imposto de Renda - Remessas de divisas 
para o exterior, destinadas exclusivamente ao pagamento de 
despesas relacionadas com pesquisa de mercado para produtos 
brasileiros de exportação, bem como aquelas decorrentes de 
participação em exposições, feiras e eventos semelhantes são 
dedutíveis do Imposto de Renda. Despesas com aluguéis e 
arrendamentos de estandes e locais de exposição, vinculadas à 
promoção de produtos brasileiros, bem como propagandas 
realizadas no âmbito desses eventos, também possuem este 
benefício. 
f. Drawback (Reembolso de Direitos Aduaneiros) - O exportador 
poderá utilizar-se também do regime aduaneiro especial de 
Drawback, que pode ser definido como um instrumento de estímulo 
às exportações, permitindo às empresas brasileiras o 
aperfeiçoamento e a modernização de seus produtos. Caracterizado 
como incentivo, compreende a suspensão ou isenção do 
recolhimento de taxas e impostos, incidentes sobre a importação de 
mercadorias utilizadas na industrialização, ou acondicionamento de 
produtos exportados ou a exportar. 
 Competência 02 
 
 
 98 
Técnico em Logística 
VII. O sétimo passo: selecionar Canal de Distribuição. O exportador deve 
definir um canal de distribuição. As exportações podem ser cursadas: 
diretamente, indiretamente ou por intermédio de Trading Companies. 
a. Exportação direta 
A venda de produtos diretamente ao consumidor no exterior possibilita 
a eliminação de intermediários. O contato entre exportador e 
importador é direto, o exportador fatura a mercadoria em nome do 
importador, providencia todos os trâmites necessários para a 
exportação e recebe o pagamento diretamente do importador, 
eliminando a atuação de Comerciais Exportadoras ou Trading 
Companies. 
b. Exportação indireta 
São as exportações realizadas por meio de intermediários, conforme 
segue: i. Empresa comercial exclusivamente exportadora; ii. Empresa 
comercial de atividade mista (que opera tanto nas atividades de 
mercado interno como da importação e exportação); iii. Cooperativas 
ou consórcios de fabricantes ou exportadores; iv. Indústria cuja 
atividade comercial de exportação seja desenvolvida com produtos 
fabricados por terceiros. 
c. Exportações por intermédio de Trading Companies 
Trading Company é a empresa que compra mercadoria em um mercado 
para revendê-la em outro. 
VIII. Definir Vias de Embarque, Condição de Venda (INCOTERMS) e 
Modalidade de Pagamento. Após a aceitação do produto por parte do 
cliente (importador), é preciso negociar três pontos fundamentais para 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
99 
Economia Internacional 
concretizar a exportação. A condição de venda (INCOTERMS), a via de 
embarque e a modalidade de pagamento. 
IX. Formas e Vias de Embarque: o transporte internacional pode ser 
realizado pelos meios aéreo, marítimo e terrestre, ou pela combinaçãodos mesmos em uma mesma remessa que denominamos 
Multimodalidade. Definidas as condições de transporte com o cliente 
(importador), o exportador deve providenciar, com antecedência, a 
reserva de praça (local) para a carga no meio de transporte 
selecionado. 
Fatores a serem analisados: 
 Pontos de embarque e desembarque; 
 Urgência na entrega; 
 Características da carga: peso, volume, formato, dimensão, 
periculosidade, cuidados especiais, refrigeração, etc.; 
 Possibilidade do uso dos meios de transporte, tais como 
disponibilidade, frequência, adequação, exigências legais. 
Multimodalidade - A opção vincula o percurso da carga a um único 
documento de transporte, designado Documento ou Conhecimento de 
Transporte Multimodal, independente das diferentes combinações de 
meios de transportes, como por exemplo, terrestre e aéreo. A lei nº. 
9.611/98, 20.02.1998, mais conhecida como Lei do OTM, disciplina a 
utilização dos serviços de transporte multimodal. 
 
 
 Competência 02 
 
 
 100 
Técnico em Logística 
 
 
 
Fonte: 
https://www.google.com.br/search?q=fluxo+circular+de+renda&es_s
m=122&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ei=6TNQU9-
1H6m_sQS4uYG4Dg&ved=0CAgQ_AUoAQ&biw=1280&bih=619#q=exp
ortador&tbm=isch&facrc=_&imgdii=_&imgrc=QiTCgUuumF1SVM%253
A%3BWuLqmzxnHHiRZM%3Bhttp%253A%252F%252Fcomercioexterior
descomplicado.files.wordpress.com%252F2013%252F06%252Fexporta
c3a7c3b5es-
brasileiras.jpg%3Bhttp%253A%252F%252Fcomercioexteriordescomplic
ado.wordpress.com%252F2013%252F07%252F03%252Fbrasil-sao-
paulo-foi-o-maior-exportador-do-pais-em-maio%252F%3B800%3B600 
Como você já sabe, ou acredito saber, em função de outras disciplinas 
já vistas, os modais (meios de transportes) podem ser: aéreo; 
ferroviário; marítimo e terrestre/rodoviário. 
Condição de Venda – INCOTERMS - Os INCOTERMS 
(InternationalCommercialTerms - Condições Internacionais de 
Comércio) definem os direitos e obrigações mínimas do vendedor 
(exportador) e do comprador (importador), no que diz respeito a fretes, 
seguros, movimentações em terminais, liberações em alfândegas, 
pagamento de direitos aduaneiros e obtenção de documentos de um 
contrato internacional de venda de mercadorias. As regras 
estabelecidas internacionalmente são uniformes e imparciais, servindo 
de base para negociações entre países. 
Modalidades de Pagamento - as principais modalidades de pagamento 
no comércio exterior são: 
 - Pagamento antecipado (AdvancedPayment); 
 - Remessa direta ou sem saque (Clean Collection); 
 - Cobrança documentária (Sight Draft / Term Draft); 
 - Carta de crédito (L/C –LetterofCredit). 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
101 
Economia Internacional 
i. Pagamento Antecipado 
É realizado antes do embarque da mercadoria e é caracterizado como 
uma garantia contra o cancelamento do pedido. Geralmente é parcial, 
ou seja, um percentual sobre o valor total da transação. 
ii. Remessa Direta ou Remessa sem Saque 
O exportador embarca a mercadoria e envia diretamente ao importador 
todos os documentos da operação. O importador, ao receber os 
documentos, promove o desembaraço da mercadoria na alfândega e 
posteriormente, providencia a remessa das divisas para o pagamento 
da operação. 
iii. Cobrança Documentária 
O exportador, após o embarque da mercadoria, emite uma Letra de 
Câmbio, também denominada “saque” ou “cambial”, que será enviada 
a um banco no país do importador, juntamente com os documentos de 
embarque. O pagamento poderá ser à vista ou a prazo, conforme 
acordado entre as partes. No caso da cobrança a prazo, o importador só 
poderá retirar os documentos do banco para desembaraço da 
mercadoria se aceitar (assinar, manifestando concordância) a cambial, 
que lhe será apresentada para pagamento no prazo oportuno. 
Observação: A Câmara de Comércio Internacional (CCI) estabeleceu 
regras e usos uniformes para a cobrança documentária, chamada 
Publicação nº 522, que define as responsabilidades das partes nesse 
processo. A publicação é adotada pela maioria dos bancos que prestam 
esse serviço. 
iv. Carta de Crédito 
 Competência 02 
 
 
 102 
Técnico em Logística 
A carta de crédito, também conhecida por “crédito documentário”, é a 
modalidade de pagamento mais praticada pelos comerciantes 
internacionais, porque oferece maiores garantias tanto ao exportador 
quanto ao importador. 
Podemos defini-la como uma ordem de pagamento condicional, emitida 
por um banco, a pedido de seu cliente importador, em favor de um 
exportador, que somente faz jus ao recebimento se cumprir todas as 
exigências por ela estipulada. O exportador tem garantia de pagamento 
de dois ou mais bancos, e o importador, a certeza de que só haverá 
pagamento se suas exigências forem cumpridas. 
A carta de crédito pode ser emitida para pagamento à vista ou a prazo e 
por se constituir em uma garantia bancária, acarreta custos adicionais 
para o importador, que paga taxas e comissões para a abertura do 
crédito, além de contra-garantias exigidas pelo banco emissor. 
A carta de crédito pode sofrer alterações, chamadas de “emendas”, que 
somente terão validade se forem aceitas por todas as partes 
intervenientes no crédito, a saber: banco emissor, banco confirmador, 
tomador do crédito e beneficiário. 
Observação: A Câmara de Comércio Internacional (CCI) estabeleceu 
normas para a emissão e utilização de créditos documentários, 
amparados pela publicação nº 500 - “Regras e Usos Uniformes para 
Créditos Documentários”, aceitas internacionalmente. 
X. Formalizar a negociação. Confirmado o fechamento do negócio, o 
exportador deve formalizar a negociação enviando uma fatura pró-
forma. Esta fatura é um pré-contrato, semelhante a um pedido de 
compra, contendo o logotipo da empresa, informações sobre o 
importador e o exportador, descrição da mercadoria, peso líquido e 
bruto, quantidade, preço unitário e total, condição de venda, 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
103 
Economia Internacional 
modalidade de pagamento, meio de transporte e tipo de embalagem. A 
fatura pró-forma garante as informações necessárias para a emissão da 
Carta de Crédito e para o fechamento de câmbio no caso de pagamento 
antecipado. Não existe nenhum padrão de pró-forma, cada exportador 
pode montar o seu, desde que contenha todas as informações descritas 
acima. 
XI. Preparar a mercadoria para embarque. Caso não haja mercadoria em 
estoque, o exportador deve agilizar a produção e informar previsão de 
entrega ao cliente, para que o mesmo possa tomar as providências 
necessárias quanto ao pagamento e iniciar os processos aduaneiros 
cabíveis de acordo com a legislação vigente no país. 
XII. Solicitar a autorização de embarque. Concluída a produção da 
mercadoria, o exportador deverá confirmar com o importador se o 
pagamento ou a abertura da L/C (LetterofCredit = carta de crédito) já foi 
efetuado(a) e solicitar autorização para proceder com o embarque. 
XIII. Providenciar a documentação para embarque. De posse da autorização 
de embarque do importador, é necessário iniciar a emissão da 
documentação que irá amparar a mercadoria. Esta documentação é 
composta por: 
a. Romaneio ou PackingList - Documento que indica os volumes e 
respectivos conteúdos do embarque. Este documento é necessário 
para o desembaraço da mercadoria, tanto na saída promovida pelo 
exportador como também para orientar o importador, quando da 
chegada da mercadoria no país de destino. 
b. Registro de Exportação - RE - De posse do romaneio torna-se 
possível o preenchimento do RE, no SISCOMEX. 
c. Nota Fiscal - Preparado o RE, o passo seguinte é a emissão da Nota 
Fiscal que acompanhará amercadoria desde a saída do 
estabelecimento até a efetiva liberação para o exterior. 
 Competência 02 
 
 
 104 
Técnico em Logística 
d. Conhecimento de Embarque - Este documento é emitido pelo 
agente de carga ou transportador internacional da mercadoria. 
e. Certificados - Dependendo da mercadoria que se esteja embarcando 
para o exterior, poderá ser exigido algum certificado que ateste a 
qualidade, a origem ou certas especificações do produto. Exemplo: 
Certificado de Origem, Certificado Fitosanitário, Certificado de 
Registro Genealógico, Certificado de Inspeção, etc. Solicitar a 
autorização de embarque. Concluída a produção da mercadoria, o 
exportador deverá confirmar com o importador se o pagamento ou 
a abertura da L/C já foi efetuada e solicitar autorização para 
proceder com o embarque. 
XIV. Embarque da mercadoria e despacho aduaneiro. Após a emissão da 
documentação, deverá ser efetuado o embarque da mercadoria e 
desembaraço na aduana (alfândega). O despacho de embarques aéreos 
ou marítimos é efetuado por agentes aduaneiros mediante o 
pagamento da taxa de capatazia. O embarque rodoviário é efetuado no 
próprio estabelecimento do produtor, ou em local pré-estabelecido 
pelo importador. A liberação da mercadoria para embarque é feita 
mediante a verificação física e da documentação realizadas por agentes 
da Receita Federal nos terminais aduaneiros. Todas as etapas do 
despacho aduaneiro são feitas através do SISCOMEX, pelos 
despachantes devidamente credenciados. 
Informações referentes a despachos e regimes aduaneiros podem ser 
obtidas junto ao SINDASP - Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de 
São Paulo. 
XV. Preparar a documentação pós-embarque. Embarcada a mercadoria 
para o exterior, inicia-se uma nova fase, que é a preparação dos 
documentos necessários para o recebimento dos recursos provenientes 
da exportação junto ao banco. 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
105 
Economia Internacional 
Documentos exigidos junto aos Bancos: 
a. Fatura Comercial - Documento contendo todos os elementos 
básicos da operação como: descrição da mercadoria, logotipo da 
empresa, informações sobre o importador e o exportador, peso 
líquido e bruto, quantidade, preço unitário e total, condição de 
venda, modalidade de pagamento, meio de transporte, tipo de 
embalagem. 
b. Registro de Exportação (RE) - O Registro de Exportação deve 
seguir com o conjunto de documentos para o banco no exterior. 
c. Solicitação de Despacho (SD) - Documento emitido no SISCOMEX, 
que reúne um conjunto de informações referentes ao 
procedimento fiscal de liberação da mercadoria junto à 
alfândega. 
d. Saque ou Cambial - Também denominado de Draft, representa o 
título de crédito da operação, deve ser enviado ao banco 
correspondente do importador no exterior. 
e. Certificado ou Apólice de Seguro - É necessária sua apresentação 
nas operações conduzidas sob a modalidade Custo Seguro e Frete 
(CIF). O certificado de seguro é emitido pela seguradora 
contratada pelo exportador. 
f. Fatura e/ou Visto Consular - É necessária quando o país de 
destino da mercadoria impuser este documento. A Fatura e/ou 
Visto Consular é validada em um consulado do país do 
importador no Brasil. 
g. Conhecimento de Embarque - Seus originais são documentos 
básicos para a negociação, uma vez que o importador os utilizará 
para o desembaraço da mercadoria no destino. 
h. Carta de Crédito - Nas operações conduzidas sob esta condição 
de pagamento, o original deste documento é imprescindível para 
que o exportador possa concretizar a entrega e o recebimento de 
seu valor junto ao banco. 
 Competência 02 
 
 
 106 
Técnico em Logística 
i. Certificados - Tanto aqueles certificados porventura exigidos para 
o embarque da mercadoria para o exterior como também 
aqueles que atestam a origem do produto exportado. 
j. Carta de Entrega - Consiste em uma carta na qual são 
relacionados todos os documentos que estão sendo negociados 
(entregues ao banco). A cópia desta carta, devidamente 
protocolada pelo banco, representa a prova de que o exportador 
cumpriu o compromisso de negociar os documentos, exigidos 
pelo Banco Central do Brasil. 
Obs.: Para negociação amparada pela modalidade de pagamento 
antecipado, esses documentos devem ser providenciados juntamente 
com os documentos de embarque. 
XVI. Efetuar a Contratação de Operação de Câmbio. Para efetuar a operação 
de câmbio, é necessário negociar com uma instituição financeira 
autorizada ou uma corretora de câmbio o pagamento, em reais ou a 
conversão da moeda estrangeira, recebida pela aquisição das 
mercadorias exportadas. Esta operação é formalizada mediante um 
contrato de câmbio. 
Após a confirmação da transferência para o banco do exportador 
deverá ser feita a liquidação do câmbio conforme as condições descritas 
no contrato de câmbio. O recebimento deverá ser em reais. 
Mecanismo de proteção cambial 
As corretoras de mercadorias da Bolsa de Mercadorias e Futuros 
(BM&F) podem oferecer um apoio importante às empresas nacionais 
que se dedicam à comercialização externa de seus produtos, inclusive 
para aquelas de pequeno e médio porte, que buscam ingressar no 
universo do comércio exterior ou firmar uma posição competitiva nos 
mercados globais. As corretoras que têm experiência e tradição na 
 Competência 02 
 
 
 
 
 
 
 
 
107 
Economia Internacional 
realização de operações de câmbio representam inestimável suporte 
para o exportador, seja pelo apurado expertise que detêm no negócio 
de intermediação de divisas, seja pelo aconselhamento técnico 
especializado que podem prestar à empresa exportadora, orientando-a 
no caminho frequentemente intrincado que conduz ao comércio 
internacional de bens e serviços. As corretoras da BM&F também 
podem ajudar o exportador apresentando alternativas de operações de 
hedge (operações de proteção de preço realizadas nos mercados de 
derivativos da Bolsa), por intermédio das quais o exportador pode 
minimizar os riscos de variação cambial adversa ou de uma 
flutuação,não prevista, das taxas de juros, a que ele está normalmente 
exposto no seu cotidiano de negócios. 
Simulador BM&F 
O Simulador BM&F é um programa educativo gratuito on-line 
direcionado a todos aqueles que gostariam de conhecer ou aprofundar 
seus conhecimentos sobre os mecanismos de proteção cambial e de 
preço da BM&F. Você mesmo, via internet, faz simulações de 
negociações de minicontratos futuros de boi, café, dólar e Ibovespa e 
aprende como operações de proteção com esses minicontratos podem 
minimizar os riscos que afetam os ganhos do seu negócio. 
 
 
 Competência 02 
 
 
 108 
Técnico em Logística 
3. COMPETÊNCIA 03 | CONHECER E INTERPRETAR O BALANÇO DE 
PAGAMENTOS (BP) 
3.1 Conceito 
Atualmente adota-se a definição do FMI (Fundo Monetário Internacional, 
2004): 
Balanço de Pagamentos é o registro sistemático de 
todas as transações econômicas realizadas entre os 
residentes em determinado país e os residentes no 
resto do mundo, durante certo período, geralmente de 
um ano. 
Um economista chamado P. T. Ellsworth fornece a seguinte definição: 
“O Balanço de Pagamentos Internacionais de um país é um balancete 
resumido, ou conta corrente, de todas as transações de seus residentes com 
os residentes do resto do mundo". (Jayme Maia, p. 249, 2004) 
Quando se fala em agentes econômicos, estão inseridas também nesse rol, as 
pessoas (alguns autores chamam indivíduos) e empresas (alguns autores 
chamam firmas) domiciliadas ou não no país. Dadas essas definições, pode-se 
dizer que Balanço de Pagamentos(BP) é o levantamento, por critérios 
contábeis, de todas as transações econômicas, reais e financeiras, realizadas 
durante determinado período de tempo, entre os agentes econômicos 
residentes no país e os não residentes, domiciliados ou estabelecidos em 
outros países (Rossetti, 2003). 
Para saber qual o papel do FMI na estrutura do BP, faz-se necessário que o 
aluno leia o Texto Complementar sobre esse organismo internacional. 
Ademais, o BP possui alguns termos e conceitos um pouco mais específicos, 
que serão minuciosamente tratados mais à frente. 
 
 
Lembrando que 
agentes 
econômicos são 
todos os entes que 
interagem no 
mercado 
(famílias/firmas, 
empresas/, governo 
e resto do mundo). 
 Competência 03 
 
 
 
 
 
 
 
 
109 
Economia Internacional 
3.2 Estrutura 
A estrutura de um BP é definida pela natureza das transações, em duas 
grandes categorias (dois grupos de contas que registram os fluxos entre um 
determinado país e o exterior): as Transações Correntes e os Movimentos de 
Capitais. O primeiro concentra o comércio de bens e serviços e todas as 
transações não financeiras, o segundo são registradas as movimentações 
financeiras. 
É importante saber que no Brasil, o BP é elaborado pelo Banco Central – 
BACEN, que usa como base a metodologia definida no Manual do Balanço de 
Pagamentos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Como já dito, as 
transações são quantificadas na forma de registros contábeis, que destacam 
os direitos (créditos) e as obrigações (débitos) entre as nações (Nascimento e 
Souza, 2007). 
Na prática, aluno, quando uma pessoa ou empresa compra algum produto 
fora do país ou exporta (vende) algum produto ou serviço, essas transações 
são registradas nesse tipo de documento (no BP). Quando se remete dinheiro 
para alguém que estuda fora do país, contrata um seguro estrangeiro ou um 
empréstimo em um banco estrangeiro, estas e muitas outras operações são 
registradas também no BP. Veremos a seguir a subdivisão dessas contas. 
A tabela seguinte mostra como estão distribuídas as contas em um BP. O 
resultado final das entradas e saídas foi positivo, o que representa um 
superávit no BP. Nesse caso, as entradas (receitas) no país foram maiores do 
que as saídas (despesas fora do país). Veremos adiante o que significa cada 
conta relacionada. 
 
 
 Competência 03 
 
 
 110 
Técnico em Logística 
Rendas de Investimentos (Juros, Lucros e Dividendos)
1.800
590
450 450
450
8.563 8.563
-813 -813
Quadro 3.1 Balanço de Pagamentos - Estrutura
-135
1. Transações Correntes -7.477
14.362
60.362
-46.000
-5.038
1.1 Balança Comercial
Exportação
Importação
1.2 Balança de Serviços
Viagens
Transportes 
Seguros
Financeiros
-500
-720
-1.000
-1.020
-240
3. Conta Financeira
-600
-700
-123
-19.191
-8.191
-11.000
1.4 Transferências Unilaterais Correntes
Donativos
Manutenção de residentes no país
2. Conta Capital
Transferência de patrimônio
Investimentos em Carteira
Derivativos
Outros Investimentos
4. Erros e Omissões
5. Saldo = déficit (-) ou superávit (+)
 US$ milhões
Nota: Dados fictícios/Elaboração própria
Salários e Ordenados
2.000
1.185
2.300
3.078
723
2.390
Computação e Informações
Royalties e Licenças
Aluguel de equipamentos
Serviços Governamentais
Outros Serviços
1.3 Balança de Rendas
Investimentos Diretos
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A seguir temos um quadro real divulgado pelo Banco Central do Brasil do 
Balanço de Pagamentos, onde o público poderá ter acesso pela internet aos 
resultados mais atualizados de todas as contas e seus registros. Na tabela real 
existem poucas diferenças em relação à tabela fictícia acima, uma delas está 
nas Contas de Capital e Financeira, na tabela real essas contas estão 
registradas conjuntamente. A tabela do BACEN (Banco Central) apresenta 
uma comparação do mês de fevereiro de 2013 em relação ao mesmo período 
de 2014. O último dado anual divulgado é 2013, ou seja, a defasagem é de 
apenas um ano. 
 Competência 03 
 
 
 
 
 
 
 
 
111 
Economia Internacional 
Quadro I – Balanço de pagamentos
US$ milhõ es
D iscriminação 2013* 2014*
F ev Jan-fev A no F ev Jan-fev
 Balança comercial (FOB) - 1 279 - 5 319 2 558 - 2 125 - 6 183
 Exportações 15 549 31 516 242 179 15 934 31 960
 Importações 16 828 36 835 239 621 18 059 38 143
 Serviços - 3 132 - 6 788 - 47 523 - 3 480 - 6 839
 Rendas - 2 667 - 6 511 - 39 772 - 1 954 - 6 299
 Transferências unilaterais correntes (líquido) 502 692 3 364 114 286
T ransaçõ es co rrentes - 6 576 - 17 926 - 81 374 - 7 445 - 19 036
C o nta capital e f inanceira 8 023 21 215 74 614 7 627 21 563
 Conta capital 52 171 1 194 49 136
 Conta financeira 7 971 21 043 73 420 7 578 21 427
 Investimento direto (líquido) 3 000 6 410 67 541 4 714 9 686
 No exterior - 814 - 1 107 3 496 582 456
 Participação no capital - 968 - 1 657 - 14 760 - 723 - 4 805
 Empréstimos intercompanhias 155 550 18 256 1 305 5 261
 No país 3 814 7 517 64 045 4 132 9 230
 Participação no capital 2 291 4 997 41 644 3 264 6 796
 Empréstimos intercompanhias 1 523 2 520 22 401 868 2 434
 Investimentos em carteira 1 597 4 353 25 691 2 250 6 188
 Ativos - 263 - 1 195 - 8 974 85 1 314
 Ações - 50 - 79 - 1 462 101 15
 Títulos de renda fixa - 213 - 1 116 - 7 512 - 17 1 299
 Passivos 1 860 5 548 34 664 2 166 4 874
 Ações 1 600 5 244 11 636 - 393 - 984
 Títulos de renda fixa 260 304 23 028 2 559 5 858
 Derivativos - 10 4 110 42 56
 Ativos 22 40 382 439 457
 Passivos - 31 - 36 - 271 - 396 - 402
 Outros investimentos
1/
 3 383 10 276 - 19 922 572 5 498
 Ativos - 4 049 1 325 - 39 558 - 2 227 352
 Passivos 7 432 8 950 19 636 2 799 5 146
Erros e omissões 417 - 49 833 41 587
Variação de reservas ( - = aumento ) - 1 865 - 3 240 5 926 - 222 - 3 114
M emo:
R esultado glo bal do balanço 1 865 3 240 - 5 926 222 3 114
Transações correntes/PIB (%) - - 5,15 - 3,62 - - 5,45
IED/PIB (%) - 2,16 2,85 - 2,64
1/ Registra créditos comerciais, emprést imos, moeda e depósitos, e outros at ivos e passivos.
* Dados preliminares.
Fonte: Banco Central do Brasil, 2014
Acesso: https:/ /www.bcb.gov.br/?ECOIM PEXT
Quadro 3.2 Balanço de Pagamentos atual
Nota: FOB (Free on Board ): designa uma modalidade de repart ição de responsabilidades, direitos e custos entre comprador e vendedor, no 
comércio de mercadorias. O termo é incluído na listagem dos Incoterm (Internat ional Commercial Terms ).
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Competência 03 
 
 
 112 
Técnico em Logística 
3.2.1 Transações Correntes 
O Balanço de Pagamentos em Transações Correntes corresponde aos registros 
da Balança Comercial, da Balança de Serviços (ou simplesmente Serviços), 
Balança de Rendas (ou Rendas) e das Transferências Unilaterais Correntes. 
Assim temos: 
TC = BC + BS + BR + TUC 
TC = Saldo do BP em Transações Correntes 
BC = Saldo da Balança Comercial 
BS = Saldo da Balança de Serviços 
BR = Saldo da Balança de Rendas 
TUC = Saldo de Transferências Unilaterais Correntes 
3.2.1.1 Balança Comercial 
Esta é a primeira conta das Transações Correntes. É o local onde são 
registradas as exportações, contabilizadas como receitas (+), são as vendasrealizadas para as nações estrangeiras; e importações, compras realizadas por 
pessoas e empresas fora do país, contabilizadas como despesas (-). Segundo 
Rossetti (2003), a Balança Comercial é o resultado líquido das operações de 
exportação (+) e importação (-) de mercadorias, é a única conta do BP onde as 
movimentações são visíveis, físicas, entre as fronteiras nacionais. São elas: a 
compra e venda de produtos primários, semiacabados ou de utilização final, 
destinados ao consumo e à formação de capital fixo (consiste no capital físico 
que não é consumido durante um ciclo de produção. São os edifícios, 
máquinas e equipamentos, corresponde ao ativo fixo de uma empresa). 
Esta é a conta internacional de maior expressão, que tem o maior peso no BP, 
e termina por influenciar nas demais contas. Quando as importações 
(despesas) são maiores que as exportações (receitas), ocorre um déficit e os 
países tentam equalizar esse resultado por meio das demais contas, é quando 
 Competência 03 
 
 
 
 
 
 
 
 
113 
Economia Internacional 
os governos dos países tentam reverter a situação por meio da abertura para 
investimentos estrangeiros ou ainda via tomada de empréstimos e 
financiamentos no exterior. Entretanto, quando os governos decidem tomar 
empréstimos e financiamentos de outros países, terminam se endividando 
externamente (é o que chamamos hoje dívida externa brasileira). 
Portanto o saldo da Balança Comercial é a diferença entre a exportação (+) e a 
importação (-) de bens e serviços: 
BC = Xb – Mb 
Onde: 
BC = Saldo da Balança Comercial 
Xb = Exportação de bens 
Mb = Importação de bens 
É importante saber que as mercadorias são classificadas, na balança 
comercial, por códigos numéricos, é dada uma nomenclatura. No Ministério 
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), podemos 
encontrar uma explicação sobre essa nomenclatura: 
Nomenclatura é uma "linguagem" criada pelo homem 
para a identificação de mercadorias no comércio 
internacional. Essa linguagem foi criada porque se 
tornou necessária a existência de um sistema que 
pudesse facilitar o processo de troca comercial entre as 
nações, independentemente de diferenças linguísticas 
ou culturais. 
Em decorrência dessa necessidade, foi elaborado um 
sistema para harmonizar a Designação e a Codificação 
de Mercadorias, conhecido como "Sistema 
Harmonizado", ou simplesmente SH. Com o advento do 
Mercosul, foi criada a Nomenclatura Comum do 
Mercosul - NCM, composta de 8 dígitos e baseada no 
Sistema Harmonizado... 
 Competência 03 
 
 
 114 
Técnico em Logística 
Em outras palavras, aluno, são códigos criados para identificar com mais 
rapidez e segurança os produtos que estão sendo comercializados em todo o 
mundo. Sendo assim, uma importadora da Nova Zelândia operacionaliza 
madeira em um contêiner, o mesmo código é usado por uma empresa 
exportadora de madeira brasileira. 
As mercadorias são identificadas por um conjunto de números, em ordem 
crescente, de acordo com o seu grau de elaboração, ou seja, quanto maior a 
complexidade do processo produtivo do produto, maior é seu número no 
Sistema Harmonizado. 
Dessa forma, as mercadorias estão ordenadas de forma 
progressiva, iniciando com animais vivos e terminando 
com as obras de arte, passando por matérias-primas e 
produtos semielaborados. Quanto maior a participação 
do homem na elaboração da mercadoria, mais elevado 
é o número do capítulo em que ela será classificada. 
(Fonte: MDIC, 2014) 
http://www.mdic.gov.br/sistemas_web/aprendex/defau
lt/index/conteudo/id/20 
As figuras 3.3 e 3.4 são exemplos de tabelas de nomenclaturas (NCM): 
 
 
 
 
 
Figura 3.3 - Visualização de tela 
Fonte: http://www.brasilglobalnet.gov.br/classificacaoncm/pesquisa/frmpesqncm.aspx 
 
 Competência 03 
 
 
 
 
 
 
 
 
115 
Economia Internacional 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3.4 - Visualização de tela 
Fonte: http://www.brasilglobalnet.gov.br/classificacaoncm/pesquisa/frmpesqncm.aspx 
A figura abaixo é uma página extraída do site do MDIC, onde vemos uma 
notícia recente sobre o resultado de nossa Balança Comercial, observe. No 
entanto, a sugestão é que você dê uma navegada no próprio site 
(www.mdic.gov.br) para conhecer. Inicia-se a pesquisa na aba ‘COMÉRCIO 
EXTERIOR’ e depois no menu à esquerda “Estatísticas de comércio exterior – 
DEAEX”. Lá você encontrará diversos dados das estatísticas dessa conta do BP. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3.5 - Página site do MDIC 
 
 
O Ministério do 
Desenvolvimento, 
Indústria e 
Comércio Exterior – 
MDIC é um órgão 
integrante da 
estrutura da 
administração 
pública federal 
direta. Sua missão é 
formular, executar 
e avaliar políticas 
públicas para a 
promoção da 
competitividade, do 
comércio exterior, 
do investimento e 
da inovação nas 
empresas e do 
bem-estar do 
consumidor. 
 Competência 03 
 
 
 116 
Técnico em Logística 
Total 242.179 100% Total 239.620 100%
Básicos (produtos 
primários)
113.023 46,7% Bens Intermediários 106.502 44,4%
Manufaturados 93.090 38,4% Bens de Capital 51.653 21,6%
Semimanufaturados 30.526 12,6% Bens de Consumo 40.963 17,1%
Petróleo e Combustíveis 40.502 16,9%
Desempenho das Exportações
Quadro 3.3 Exportações e Importações
Desempenho das Importações
Fonte: MDIC, 2014
Part %Valor (US$ milhões) Valor (US$ milhões) Part %
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3.6 - Capa da Balança Comercial - MDIC 
Fonte: MDIC: http://www.mdic.gov.br//arquivos/dwnl_1394635352.pdf 
É no site do MDIC que obtemos todas as Balanças Comerciais brasileiras. A 
periodicidade das informação é: semanal, mensal, dados consolidados (ano a 
ano); e de cooperativas, por países e blocos econômicos, por município, 
Unidade da Federação (Estado). Podemos encontrar dados estatísticos, 
empresas brasileiras importadoras e exportadoras, etc.A Figura 4, acima, 
refere-se à capa da Balança Comercial Brasileira, divulgada pelo MDIC, onde 
podemos verificar os dados consolidados de 2013. Ele é apresentado em três 
idiomas: português, espanhol e inglês. 
As mercadorias que compõem as importações e exportações do Brasil são: 
 
 
 
 Competência 03 
 
 
 
 
 
 
 
 
117 
Economia Internacional 
3.2.1.2 Balança de Serviços (Serviços) 
Chama-se Balança de Serviços ou simplesmente Serviços, a conta das 
Transações Correntes do BP que registra as receitas e despesas cambiais com 
seis categorias de transações: 
i. as viagens internacionais, que registra os gastos líquidos (receitas 
menos despesas com as viagens) de residentes em viagens ao exterior e 
dos não residentes em viagem dentro do país; 
Vamos ao exemplo: João é brasileiro e deseja viajar ao Japão, levará 
moeda estrangeira, quase sempre dólar; esse valor transportado será 
registrado nesta conta Serviços como despesa porque João não gastará 
no Brasil e sim no Japão; digamos agora que Jennifer, americana, vem 
para o Brasil e gasta seus dólares aqui, essa quantia entra como receita 
porque ela gastará dentro do Brasil. 
ii. transportes (fretes), registro dos gastos de não residentes com a 
utilização de equipamentos de bandeira nacional, para a movimentação 
de pessoas e cargas, e registro dos gastos de residentes com a utilização 
de equipamentos de bandeira estrangeira; 
iii. além dos seguros relacionados à movimentação de pessoas e cargas (os 
seguros de saúde feitos para que as pessoas viagem, seguro de 
equipamentos e máquinas, de bagagens, etc.), registra também o saldo 
líquido de repasses internacionais referentes aos seguros dos 
residentes contratados de empresas seguradorasexternas, e os seguros 
de não residentes, contratados nas seguradoras estabelecidas no país; 
iv. serviços governamentais, são registrados os saldos líquidos gastos com 
representação diplomática ou de efetivos militares no exterior, também 
as contribuições nacionais para fundos e organizações multilaterais; 
 Competência 03 
 
 
 118 
Técnico em Logística 
v. outros serviços, registram-se os saldos líquidos de um heterogêneo 
conjunto de transações, direitos autorais, telecomunicações, patentes 
industriais (Rossetti, 2003). 
Portanto o saldo da Balança de Serviços é a diferença entre as receitas e as 
despesas decorrentes das operações de venda e compra de serviços. 
BS = X – M 
Onde: 
BS = Saldo da Balança de Serviços 
X = Receita de exportação de serviços 
M = Despesa de importação de serviços 
3.2.1.3 Balança de Rendas (Rendas) 
São relacionadas nessa conta as seguintes rendas: 
i. os salários e ordenados pagos; 
ii. os lucros e dividendos de Investimentos Diretos (Investimentos 
Externos Diretos – IED, são os investimentos dos estrangeiros); 
iii. juros de empréstimos; 
iv. juros e dividendos* de investimentos em carteira, estes últimos podem 
ser: ações, fundos, títulos públicos, debentures, aplicações imobiliárias, 
entre outros; 
v. juros de títulos da dívida (renda fixa); e 
vi. rendas de outros investimentos. 
Na estrutura anterior a que usamos atualmente, as rendas de investimentos 
(lucros) eram registradas na conta Serviços. Esses lucros são as remessas 
feitas por empresas internacionais, com operação no país, decorrentes de 
dividendos pagos a seus acionistas não residentes (Jayme Maia, 2004). 
 Competência 03 
 
 
 
 
 
 
 
 
119 
Economia Internacional 
3.2.1.4 Transferências Unilaterais Correntes 
São também denominadas transferências não retribuídas, é o resultado 
líquido de doações de fontes privadas, de governos ou de instituições 
multilaterais, sem a contrapartida prévia ou futura. Na prática, são as 
transferências onde não há retorno, ela segue unilateralmente (para uma 
única direção ou para um favorecido). 
São exemplos dessas transferências unilaterais: 
i. os donativos; 
ii. as operações das ONGs* (organizações não governamentais); 
iii. auxílios a instituições beneficentes e religiosas; 
iv. reparações de guerra; 
v. as ajudas dos países de Primeiro Mundo aos do Terceiro Mundo; 
vi. remessas internacionais entre unidades familiares (destinado à 
manutenção de residentes que se encontram no exterior), um filho que 
estuda fora do país, por exemplo; 
vii. remessas provindas de trabalhadores temporariamente emigrados (que 
estão fora do país), que tendem a enviar parte de seus ganhos no 
exterior para o seu país de origem. 
Estas contas não criam contrapartidas de obrigações, ou seja, o país que 
recebe a quantia enviada, não precisa efetuar nenhum retorno, 
diferentemente do que ocorre com a importação (-) e exportação (+). 
3.2.2 Conta Capital 
Conforme Jayme Maia (2004), essa conta só foi criada com essa metodologia 
na quinta edição do Manual de Balanço de Pagamentos do FMI, ela não existia 
na antiga estrutura. Ela registra as transferências unilaterais de patrimônio 
 Competência 03 
 
 
 120 
Técnico em Logística 
(aquisição/alienação de bens não financeiros não produzidos, tais como 
cessão de patentes e marcas). 
As marcas e patentes não poderiam ser produzidas, pois são bens imateriais, 
intangíveis, nelas estão impressas/inseridas atividades intelectual e de 
criação. Então você pode me perguntar: professora, “por que unilateral?”. 
Porque não tem que haver uma contrapartida de mesmo valor. 
Rossetti (p. 887, 2003) afirma: 
Os movimentos de capitais são representados por 
entradas e saídas de ativos financeiros de três 
categorias básicas: movimentos autônomos de risco, 
atraídos pelas oportunidades de investimentos e de 
reinvestimentos nos setores real e financeiro do país 
receptor; os financiamentos concedidos por bancos e 
fornecedores estrangeiros para transações correntes, 
preponderantemente exportações e importações; e os 
empréstimos de curto e de longo prazo tomados junto a 
organismos internacionais, agências governamentais e 
instituições financeiras privadas de outros países. 
Rossetti (2003) ainda cita outra categoria de fluxo financeiro, que expressa as 
amortizações de dívidas externas contraídas. O que quer dizer isso? Existem 
países que são credores (emprestam) de outros que tomam esses 
empréstimos e financiamentos, os juros a pagar são registrados na conta 
Rendas e as amortizações do capital (da dívida, do principal) são registradas 
nesta Conta Capital. É uma única operação com registro em contas 
distintas/diferentes. Vamos pensar um pouco... Digamos que você, aluno, 
contraia uma dívida. Você terá que pagar o valor da dívida mais os juros, 
sendo este registrado em uma conta (Conta Renda) e a amortização em outra 
conta (a Conta Capital). Lembre-se que a amortização é um processo de 
extinção de uma dívida através de pagamentos periódicos, que são realizados 
em função de um planejamento, de modo que cada prestação corresponde à 
soma do reembolso do capital ou do pagamento dos juros do saldo devedor, 
 Competência 03 
 
 
 
 
 
 
 
 
121 
Economia Internacional 
podendo ser o reembolso de ambos, sendo que os juros são sempre 
calculados sobre o saldo devedor (Fonte: Wikipédia). 
Vejamos o exemplo de outra forma: Um empréstimo é tomado (feito), e o 
tomador (devedor) pagará o valor acrescido de juros. O parcelamento da 
dívida é feito dividindo-se o valor desejado (principal) pela quantidade de 
parcelas a serem pagas, e cada parcela é composta de valor principal dividido 
em parcelas + juros em cada parcela. Quando o tomador vai pagando as 
parcelas, a dívida vai se extinguindo (diminuindo até a sua completa 
quitação), é o que ocorre, as amortizações (redução) do capital emprestado 
no período contratado. 
3.2.3 Conta Financeira 
Essa conta registra os fluxos das seguintes transações financeiras (subcontas): 
i. investimentos diretos; 
ii. investimentos em carteira; 
iii. derivativos; 
iv. outros investimentos. 
Explicando com mais detalhe, temos: 
i. Investimentos diretos: registra a aplicação e o retorno dos 
investimentos diretos de brasileiros no exterior, de estrangeiros no 
Brasil e empréstimos intercompanhias (de brasileiros para o exterior e 
de estrangeiros para o Brasil). Empréstimos intercompanhias são os 
créditos enviados das matrizes de empresas para as suas filiais, também 
os créditos de filiais, brasileiras ou estrangeiras, às suas matrizes. 
ii. Investimentos em carteira: registra a entrada e saída de divisas relativas 
à negociação de títulos de crédito comumente negociados em 
 Competência 03 
 
 
 122 
Técnico em Logística 
mercados secundários de papeis. Você deve estar se perguntando “O 
que são esses títulos de crédito?”. Assaf Neto (2003) descreve, em seu 
livro ‘Mercado Financeiro’ que, quando o governo decide retirar moeda 
da economia (reduz a oferta monetária da economia – promove a 
política monetária), na tentativa de controlar a demanda por bens e 
serviços e, portando, conter a inflação, ele negocia seus títulos 
(vendendo - é uma espécie de título de crédito), no Mercado Aberto. 
Desta forma, como já vimos na Competência sobre a Macroeconomia, o 
governo retira das famílias (indivíduos) e das empresas (agentes 
econômicos) o poder de compra (moeda/dinheiro) de bens e serviços, à 
medida que torna mais atrativo investir nesses títulos. As Ofertas 
públicas (leilões) são realizadas semanalmente pelo Tesouro Nacional e 
operacionalizadas peloBanco Central. Este efetua sua venda no 
mercado primário (venda primária/leilão primário), as instituições 
financeiras emitem propostas de compra por meio de seus dealers 
(instituições escolhidas como representantes do BACEN no mercado); 
essas instituições financeiras que adquirem os títulos podem renegociá-
las no mercado secundário de papeis. 
Quando ocorrem aplicações brasileiras em títulos estrangeiros, negociados no 
país ou no exterior, ou quando ocorrem aplicações estrangeiras em títulos 
brasileiros, negociados no país e no exterior, esses registros são feitos nesta 
conta Financeira. 
Observação¹: Os investimentos em ações, quando negociadas no país, são 
feitos pelas Bolsas de Valores Brasileiras, as ações negociadas no exterior são 
representadas pelas DR (Depositary Receipts). DRs (Depositary Receipts) são 
recibos de depósitos lastreados em ações ordinárias. São títulos negociáveis 
no mercado e lastreados na existência de ações de uma sociedade instalada 
em outro país. Lastreado quer dizer que são títulos financeiros vinculados a 
uma commodity como ouro, soja ou gado, garantindo um valor mínimo ao 
papel. A ação constitui na menor parcela (fração) do capital social de uma 
sociedade anônima; parcela de capital que se toma de uma sociedade, título 
 
 
Mercado Aberto é o 
Mercado no qual o 
banco central de 
cada país opera de 
modo a regular o 
fluxo de moeda, 
comprando e 
vendendo seus 
títulos. O open 
opera com grande 
flexibilidade e sem 
limitações. As 
transações 
geralmente são 
feitas por telefone 
ou por meios 
eletrônicos. 
Também conhecido 
por mercado 
secundário, é onde 
são negociados 
títulos públicos já 
emitidos (Fonte: 
Wikipédia). 
 Competência 03 
 
 
 
 
 
 
 
 
123 
Economia Internacional 
que representa os direitos de um associado de comprar ou vender ações. As 
ações podem ser: i) nominativas, a transferência é feita mediante assinatura 
do termo; ii) à ordem, a transferência é feita por endosso; iii) ao portador, a 
transferência se faz pela própria tradição do título; iv) preferencial, possui 
direitos preferenciais sobre outras categorias de ações emitidas pela 
sociedade. Na prática, quando um agente financeiro (pessoa ou empresa) 
adquire ações de uma determinada empresa, a depender do tipo, ele está 
ganhando direitos de votar as decisões da empresa e/ou receber dividendos 
(ver significado de dividendos no glossário). Ações podem ser classificadas de 
acordo com a natureza dos direitos e vantagens que conferem a seus 
titulares. São três espécies: ordinárias, preferenciais e de fruição ou gozo. As 
citadas acima, as ordinárias, apresentam como principal característica o 
direito de voto, seu possuidor (acionista dono dessas ações) pode influir nas 
diversas decisões da empresa (Assaf Neto, 2003). 
Observação2: Não esquecer que os juros de investimentos em carteira, são 
registrados na Conta Rendas (Transações Correntes), a Conta Financeira 
registra apenas a aplicação e o retorno dos investimentos diretos 
(investimentos em carteira). 
iii. Derivativos: essa subconta registra as entradas e saídas de capitais 
decorrentes de swaps, opções e futuros, registra também os prêmios 
de opções. Foi incluída recentemente na metodologia do FMI para 
registrar, em separado, as receitas e despesas associadas a 
instrumentos financeiros cujo valor depende do valor de outros 
instrumentos financeiros, e sobre o qual não há pagamento de juros 
nem adiantamento ou repagamento de capital. São contratos 
financeiros cujo valor deriva do preço de outros ativos ou índices, como 
por exemplo, contratos de dólar futuro, opções de compra de ações e 
swaps de taxa de juro. Por sua vez swaps em finanças, (em português, 
"permuta") é uma operação em que há troca de posições quanto ao 
risco e à rentabilidade, entre investidores. O contrato de troca pode ter 
 
 
Commodity é um 
termo de língua 
inglesa que 
significa, 
literalmente, 
“mercadoria”. É 
utilizado para 
designar bens. Seu 
plural é 
commodities. Uma 
commodity é um 
bem fungível, ou 
seja, é equivalente 
e trocável por outra 
igual, 
independentement
e de quem a 
produz, como por 
exemplo, o 
petróleo, a resma 
de papel, o leite, o 
cobre e os imóveis. 
Fungibilidade é o 
atributo 
pertencente aos 
bens móveis que 
podem ser 
substituídos por 
outros da mesma 
espécie, qualidade 
e quantidade. O 
dinheiro é o bem 
fungível por 
excelência, dado 
que quando se 
empresta uma 
quantia a alguém, 
não se está 
exigindo de volta 
aquelas mesmas 
cédulas, mas sim 
um valor, que pode 
ser pago com 
quaisquer notas de 
Real (moeda). 
(Fonte: Wikipédia) 
 Competência 03 
 
 
 124 
Técnico em Logística 
como objeto moedas, commodities ou ativos financeiros. As swaps mais 
comuns no mercado brasileiro são: a) swap de taxa de juros, que é a 
troca da taxa de juros prefixados por juros pós-fixados, ou o inverso, 
para quem quer evitar o risco de uma futura alta nos juros; b) swap 
cambial, troca de taxa de variação cambial (variação do preço do dólar 
americano) por taxa de juros pós-fixados. 
iv. Outros investimentos: é uma conta residual que registra todos os fluxos 
de capitais que não se enquadram em nenhuma das definições 
anteriores. Contabiliza os fluxos de empréstimos, moedas e depósitos e 
outros ativos, e outros passivos. 
- Estão incluídos os empréstimos e financiamentos brasileiros (curto e 
longo prazo) cedidos a beneficiários do exterior e empréstimos obtidos 
no exterior por beneficiários brasileiros. Não estão incluídos aqui os 
empréstimos intercompanhias, que já estão sendo contabilizados na 
subconta Investimentos diretos (ver item i desta sessão). 
- Moedas e Depósitos estão incluídas as disponibilidades monetárias de 
não residentes no país e de residentes no exterior, como moeda em 
espécie e depósitos bancários. 
- Outros Ativos e Outros Passivos. De acordo com informações do Banco 
Central estão contabilizados neste tópico os fluxos de participação do 
Brasil no capital de organismos internacionais, depósitos de cauções de 
longo prazo, depósitos de margens de garantia relacionados a 
operações de derivativos, cauções judiciais realizadas por não 
residentes no país com prazo superior a um ano, variação do saldo 
devedor do Convênio de Crédito Recíproco (CCR), depósitos de margem 
de garantia relativos às operações em bolsa de mercadorias no país. 
Observação: Não esquecer que os juros de empréstimos já estão sendo 
registrados na Conta Rendas das Transações Correntes. 
 
Ativo é um termo 
básico utilizado 
para expressar o 
conjunto de bens, 
valores, créditos, 
direitos e 
assemelhados que 
forma o patrimônio 
de uma pessoa, 
singular ou coletiva, 
num determinado 
momento, avaliado 
pelos respectivos 
custos. 
 Competência 03 
 
 
 
 
 
 
 
 
125 
Economia Internacional 
Caro aluno, não se preocupe com esse assunto de Mercado Financeiro, 
porque para entendê-lo bem, faz-se mesmo necessário se aprofundar e 
estudar bastante. As informações adicionais que colocamos neste caderno, 
foram apenas para que entenda melhor o conceito dos termos relativos aos 
lançamentos da Conta Capital. Reforçando, é meramente informativo, mas 
que você precisará entender um pouco para que possa compreender e 
analisar melhor um Balanço de Pagamentos. 
3.2.4 Erros e Omissões 
Registram-se nesta conta as discrepâncias (divergências) entre fluxos de 
entrada e saída de recursos e as variações nos estoques de reservas cambiais 
do país. Um exemplo de registro nessa conta é quando um turista retorna ao 
seu país de origem commoedas / divisas adquiridas no mercado interno de 
câmbio (moeda nacional/local/Real). Quando eles não realizam a operação 
inversa, isto é, não vendem ou não “devolvem” a nossa moeda, essa diferença 
é registrada aqui nesta conta. 
3.2.5 Saldos Déficits (-) ou Superávits (+) 
O resultado final do Balanço de Pagamentos revela a posição do país em suas 
transações externas. As situações de déficit revelam saídas de reservas 
cambiais superiores às entradas, implicando quase sempre queda das 
reservas cambiais do país; superávit indica o contrário, ingresso/aumento 
desses ativos externos no país. Ocorrendo uma situação de superávit 
persistente, por longo tempo, pode implicar numa acumulação de haveres 
financeiros externos. Quando esta acumulação de reservas cambiais se 
transforma em fator de expansão da base monetária (aumento de dinheiro 
nas mãos dos agentes financeiros) geralmente ocorrem consequências 
internas muito prejudiciais de conteúdo inflacionário. É por este motivo, como 
já vimos em Macroeconomia, que os governos controlam a circulação não 
apenas da oferta de moeda local (nacional) como também a oferta da moeda 
 Competência 03 
 
 
 126 
Técnico em Logística 
1. Importação 150 1a.
Redução de saldos bancários no 
exterior
150
2a.
Aumento de saldos bancários no 
exterior
300 2. Exportações 300
3a. Idem 45 3. Serviços pretados 45
4. Serviços recebidos 75 4a.
Redução de saldos bancários no 
exterior
75
5a.
Aumento de saldos bancários no 
exterior
60 5. Donativos recebidos 60
Total 630 Total 630
Débitos Créditos
Quadro 3.4 Contabilidade do Balanço de Pagamentos
US$ milhões
Nota: Dados hipotéticos
estrangeira. Já os déficits levam o país à perda de sua liquidez internacional 
(não conseguem obter dinheiro para honrar suas dívidas e compromissos 
internacionais), e então terão que recorrer a empréstimos compensatórios, 
aumentando seu endividamento externo. Diante do exposto, qualquer 
desequilíbrio para mais (superávit) ou para menos (déficit) no Balanço de 
Pagamentos, pode ocasionar sérios danos à solvência (cumprir com suas 
obrigações) das relações financeiras internacionais de um país (Rossetti 2003). 
3.3 Contabilidade Nacional 
O Balanço de Pagamentos fornece subsídios à Contabilidade Nacional que 
funciona de acordo com o princípio das partidas dobradas, ou seja, para cada 
débito, há um crédito de igual valor. 
Vamos supor uma situação com os seguintes lançamentos: 
i. Importação de US$ 150 milhões; 
ii. Exportação de US$ 300 milhões; 
iii. Prestação de serviços a outros países: US$ 45 milhões; 
iv. Recebimento de serviços de outros países: US$ 75 milhões; 
v. Recebimento de donativos de outros países: US$ 60 milhões. 
 
 
 
 
 
 
 Competência 03 
 
 
 
 
 
 
 
 
127 
Economia Internacional 
Análise: Para todo lançamento de crédito, há uma contrapartida de débito de 
igual valor. Por exemplo, no item (1.) ocorre a Importação de um bem, então 
uma empresa estrangeira que está comprando um produto brasileiro 
(importando), terá que pagar pela compra (débito - redução de saldos 
bancários no exterior, ou seja, a nação estrangeira paga (debita de seu saldo) 
e recebe a mercadoria, o Brasil recebe o pagamento (crédito) referente ao 
produto vendido. Então para toda Importação, há uma exportação de igual 
valor. Uma nação paga (debita seu saldo) e outra recebe (credita); uma está 
comprando e a outra vendendo (Jayme Maia, 2004). 
3.4 Transações Autônomas e Compensatórias 
O BP registra operações tanto autônomas quanto, eventualmente, 
compensatórias. É muito simples aluno, ora se contabiliza as operações usuais 
relativas à Economia Internacional (importação, exportação, serviços, rendas, 
transferências unilaterais e movimento de capitais), são as Autônomas, ora as 
eventuais/Compensatórias, quando os governos precisam realizar operações 
especiais para saldar déficits do BP. 
Os saldos das operações autônomas podem ser: 
a) Nivelado: quando o total dos débitos e créditos das transações 
autônomas for igual (é a situação ideal porque não afeta a oferta 
monetária, a oferta de moeda, e nem as reservas cambiais). 
b) Superavitário: quando o total de créditos das operações autônomas 
(entradas) for maior do que o total dos débitos (saídas) dessas 
operações, é simples. Esse superávit pode ser conjuntural (ligado a uma 
situação momentânea), é aquele que ocorre eventualmente em 
determinado período e depois não se repete. Exemplo: o aumento das 
exportações para países arrasados por catástrofes naturais; e superávit 
 Competência 03 
 
 
 128 
Técnico em Logística 
estrutural, aquele que se torna constante, que não decorre de fato 
acidental. 
c) Deficitário: quando o total de débitos das transações autônomas (saídas 
de divisas) for superior ao total de créditos dessas transações (entradas 
de divisas). O déficit também pode ser de natureza conjuntural ou 
estrutural. 
3.5 Solução para os Déficits 
Jayme Maia (2004) menciona que o déficit é um sintoma e não um problema 
básico, então ele seria o efeito e não a causa, é um alerta de que alguma coisa 
precisa ser modificada na política econômica do país, ou seja, quando uma 
economia apresenta uma recorrência de déficit, os governos necessitam agir 
para reverter esse resultado. 
3.5.1 Solução para os Déficits Conjunturais 
Neste caso a causa desaparece espontaneamente nos próximos exercícios e 
podem ser solucionados das seguintes formas: 
i. O país pode pagar o déficit com suas divisas disponíveis no exterior; 
ii. O país não possui saldos bancários no exterior, mas possui ouro, então 
ele poderá trocar o metal por divisas ou entregar diretamente o ouro; 
iii. O país não possui reservas cambiais e nem ouro, neste caso poderá 
solicitar um empréstimo a um banqueiro no exterior para saldar (pagar) 
o déficit (é o chamado empréstimo compensatório). 
3.5.2 Solução para os Déficits Estruturais 
Aqui a situação é bem diferente porque exige mudanças mais profundas 
diretamente na estrutura da economia. Precisa-se de alterações também nas 
questões sociais do país. Exemplo: se grande parte do déficit decorre da 
 Competência 03 
 
 
 
 
 
 
 
 
129 
Economia Internacional 
importação de algum produto, é necessário que se mudem hábitos para que a 
dependência por ele diminua. Há a necessidade de se criar produtos e ou 
serviços alternativos para que o país saia de sua dependência. Se a causa do 
déficit estrutural é a inflação, o governo pode influenciar para que haja 
reajuste na taxa cambial, porque a moeda local (Real) muito valorizada, vai 
impactar diretamente nas exportações e no turismo, ou seja, fica mais caro 
para o turista do exterior viajar para o Brasil. Enquanto o país tiver boa 
quantidade de reservas cambiais ou reservas em ouro, ou tiver a confiança 
para obter créditos compensatórios, será mais fácil para os governos 
liquidarem os débitos do BP. Se não mais dispuser desses recursos, ele 
deverá: desvalorizar a moeda nacional para gerar entrada de divisa (dólar); ou 
deixar de pagar seus compromissos externos, declarando moratória 
unilateral. Esta última medida pode gerar sérias consequências para o país. 
Exemplo de moratória foi quando a Argentina se negou a negociar com seus 
credores. “O governo argentino informou que não negociará com os 24% de 
credores que recusaram sua oferta de troca da dívida pública, em moratória 
desde 2001”. Esse acontecimento ficou conhecido como “Tango sem fim” 
(Fonte: Folha de São Paulo, 2005). 
3.6 Reservas Cambiais 
Um Balanço de Pagamentos superavitário cria reservas que permitem a uma 
nação enfrentar dificuldades. Da mesmaforma que as famílias (indivíduos) e 
as empresas necessitam de um fundo de reservas, os países precisam de um 
saldo de divisas para enfrentar problemas cambiais. Os cuidados aumentaram 
com o progresso dos meios de comunicação e a popularização do uso dos 
computadores, pois os mercados financeiros podem sofrer mudanças 
repentinas, em apenas alguns minutos pode haver saques de valores 
elevadíssimos. 
 
Divisa: Qualquer 
valor comercial 
sobre o estrangeiro 
que permita a 
efetuação de 
pagamentos na 
forma de 
compensação. 
Moratória em 
termos econômicos 
pode ser de dois 
sentidos: um 
sentido pode estar 
relacionado ao 
direito tributário, e 
o outro, ao direito 
internacional 
público, que 
consiste no ato 
unilateral de um 
Estado declarar a 
suspensão do 
pagamento dos 
serviços da sua 
dívida externa. 
 Competência 03 
 
 
 130 
Técnico em Logística 
As reservas, geralmente, são compostas por divisas em ouro e DES (Direitos 
Especiais de Saques). Estes direitos foram idealizados em 1967, entretanto, 
somente em 1969 foi formalizada a sua criação. No ano seguinte (1970) teve 
início a primeira distribuição desses direitos. Nessa ocasião o dólar, que era a 
moeda-chave da economia mundial, passava por uma crise de confiança 
muito grande, foi nesse momento que se pensou em criar uma moeda que o 
substituísse. O DES guarda muita semelhança com a ideia de Keynes, de criar 
uma moeda internacional, o Bancor, que seria gerida por um organismo 
internacional. 
De acordo com dados do Banco Central, as reservas cambiais estão em US$ 
377.203 milhões, posição em 04 de abril de 2014. Temos um confortável nível, 
o país nunca teve um volume tão significativo de reservas em toda a sua 
história. Diferentemente da nossa vizinha Argentina, que tem visto suas 
reservas minguarem mês após mês. O cenário desse país é calamitoso, 
contrasta com a situação brasileira. Podemos ver claramente por que estamos 
longe de uma crise cambial. 
O Banco Central publica, diariamente, dados sobre as reservas cambiais 
brasileiras, abaixo estão umas figuras da página que mostra esses resultados: 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3.7 - Site com a consulta das reservas 
Fonte: https://www.bcb.gov.br/?RESERVAS 
 Competência 03 
 
 
 
 
 
 
 
 
131 
Economia Internacional 
 
 
 
 
 
Figura 3.8 - Site com a consulta das reservas 
Fonte: https://www.bcb.gov.br/?RESERVAS 
3.6.1 Nível Ideal de Reservas 
De acordo com o FMI, os países precisam ter reservas de segurança. Visa fazer 
face à: 
 Cobrir, no mínimo, três meses de importação; ou 
 Pelo menos dois terços dos déficits dos pagamentos externos em conta 
corrente. 
Jayme Maia (2004) ainda concorda que, para o caso brasileiro, as reservas 
deveriam ser maiores do que o proposto pelo FMI: 
 Para poder corrigir algum desequilíbrio cambial, o governo precisa 
tomar algumas medidas cujo efeito nem sempre é instantâneo; 
 Uma parte de nossas reservas foi formada por capitais estrangeiros 
aplicados, a curto prazo, que poderão retornar ao exterior a qualquer 
momento. 
Atualmente no site do Banco Central a composição das reservas cambiais é a 
que se segue na figura seguinte: 
 Competência 03 
 
 
 132 
Técnico em Logística 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3.9 
Fonte: https://www.bcb.gov.br/pec/sdds/port/templ1p.shtm 
 
 
 Competência 03 
 
 
 
 
 
 
 
 
133 
Economia Internacional 
GLOSSÁRIO 
1 - Sinônimos de “Negócio” é Empreendimento, empresa (privada, pública e 
de economia mista), sociedade comercial. 
2 - Dividendos - Uma parcela do lucro apurado por uma sociedade anônima, 
distribuída aos acionistas por ocasião do encerramento do exercício social, de 
acordo, no Brasil, com o § 2º do art. 202 da Lei das Sociedades Anônimas (Lei 
no 6.404, de 15 de dezembro de 1976). 
3 - ONG - Significa um grupo social organizado, sem fins lucrativos, constituído 
formal e autonomamente, caracterizado por ações de solidariedade no campo 
das políticas públicas e pelo legítimo exercício de pressões políticas em 
proveito de populações excluídas das condições da cidadania. 
4 - Commodity é um termo de língua inglesa que significa, literalmente, 
mercadoria. É utilizado para designar bens. Seu plural é commodities. Uma 
commodity é um bem fungível, ou seja, é equivalente e trocável por outra 
igual independentemente de quem a produz, como por exemplo, o petróleo, 
a resma de papel, o leite, o cobre e os imóveis. Fungibilidade é o atributo 
pertencente aos bens móveis que podem ser substituídos por outros da 
mesma espécie, qualidade e quantidade. O dinheiro é o bem fungível por 
excelência, dado que quando se empresta uma quantia a alguém (por 
exemplo, R$100,00), não se está exigindo de volta aquelas mesmas cédulas, 
mas sim um valor, que pode ser pago com quaisquer notas de Real (moeda). 
(Wikipédia). 
SIGLAS 
BP- Balanço de Pagamentos 
MDIC - Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior 
FMI - Fundo Monetário Internacional 
BACEN – Banco Central do Brasil 
DR – Depositary Receipts 
 
 
 
 134 
Técnico em Logística 
REFERÊNCIAS 
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CARRARA, Aniela Fagundes; CORREAB, André Luiz. O regime de metas de 
inflação no Brasil: uma análise empírica do IPCA. Revista Econômica 
Contemporânea, Rio de Janeiro, v. 16, n. 3, p. 441-462, set-dez/2012. 
Disponível:<http://www.ie.ufrj.br/images/blog/REC_16.3_04_Regime-de-
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COSENZA, José Paulo. A eficácia informativa da demonstração do valor 
adicionado. Revista Contabilidade & Finanças - USP, São Paulo, Edição 
Comemorativa, p. 7 - 29, out./2003. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/pdf/rcf/v14nspe/v14nspea01.pdf> Acesso em: 05 abr. 
2014. 
EQUIPE DE PROFESSORES DA USP. Manual de Economia. 6. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2011. 
FROYEN, Richard T. Microeconomia. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2001. 
KRUGMAN, Paul R. ; OBSTFELD, Maurice. Economia Internacional – Teoria e 
Política. 5. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2001. 
MAIA, Jayme de Mariz. Economia Internacional e Comércio Exterior. 9. ed. São 
Paulo: Atlas, 2004. 
MANKIW, N. Gregory. Introdução à Economia: princípios de micro e macro. 2 
ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2001. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Economia Internacional 
MANOLESCU, F. M.K.; OLIVEIRA, A. A. dos Santos; SILVA, R. C. F da. A 
importância da taxa de câmbio na economia. São José dos Campos, 2006. 
Disponível em: 
<http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2006/inic/inic/06/INIC000006.ok.pdf. 
Acesso em 15.04.2014. 
NASCIMENTO, Ronaldo Edson. SOUZA, André Fábio de. Uma Breve Análise da 
Evolução do Balanço de Pagamentos no Brasil. Brasília, 2012. Disponível em: 
<http://alice.desenvolvimento.gov.br/arquivos/dwnl_1196954731.pdf> 
Acesso em: 07 abr. 2014. 
ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à Economia. 20. ed. São Paulo: Atlas, 
2003. 
ROSSI, Pedro. Política Cambial no Brasil: um esquema analítico. São Paulo, 
2012. Disponível em: 
http://eesp.fgv.br/sites/eesp.fgv.br/files/file/Pedro%20Rossi%20-
%20Politica%20Cambial.pdf Acesso em: 14 abr. 2014. 
SOUZA, Nali de Jesus de. Economia Básica. São Paulo: Atlas, 2007. 
VANCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. 4. ed. 3. Reimpr. São Paulo: 
Atlas, 2007. 
 
 
 
 
 136 
Técnico em Logística 
MINICURRÍCULO DA PROFESSORA PESQUISADORA CONTEUDISTA: LARISSA 
MAIA 
Graduação (2005) em Ciências Econômicas (laureada) pela Faculdade Boa 
Viagem (FBV) em Recife; Mestre (2010) em Gestão Empresarial tambémpela 
mesma faculdade (FBV). Trabalhou por sete anos (2005 a 2012) como 
Assessora Econômica da Agência de Desenvolvimento Econômico de 
Pernambuco (AD Diper), na área de Inteligência Comercial (atraindo 
investimentos nacionais e estrangeiros para o Estado de Pernambuco); na 
ocasião recebeu treinamento do Banco Mundial durante dois anos e meio 
para essa atividade. Foi compor uma equipe de economistas para também 
assessorar um Ministro de Estado de Angola/África em assuntos econômicos e 
criação de um Centro de Iniciação Científica, numa das maiores Universidades 
de Angola, a IMETRO (Instituto Politécnico Metropolitano de Angola); 
ministraria aulas também na mesma faculdade (Disciplina de Finanças 
Internacionais). De 2010 a 2012 ministrou aulas nos cursos de Direito 
(Disciplina de Introdução à Economia) e Turismo com ênfase em Gastronomia 
(Economia do Turismo) na FBV e Faculdade Santa Helena (FSH). Mais 
recentemente (2013) trabalhou como Gestora da Unidade de Produtos e 
Serviços (UPS) da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE), 
onde concebia eventos de capacitação para o empresariado industrial e 
estudantes.

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