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CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 1 Projeto Pós-graduação Curso MBA Gestão Hospitalar Disciplina Auditoria Hospitalar Tema Introdução à Auditoria em Saúde Professor Joy Ganem Longhi Introdução Neste tema, você vai estudar os conceitos de auditoria médica e de enfermagem e o papel de outros profissionais de saúde como auditores. Além disso, você vai conhecer os aspectos éticos que a auditoria demanda e o perfil que um auditor deve apresentar. Desse modo, você conhecerá os fundamentos básicos da auditoria em saúde. Bons estudos! Antes de iniciar seus estudos, assista ao vídeo no material on-line, no qual a professora Joy apresentará os tópicos que serão estudados neste tema. Problematização Parabéns, você é o mais novo diretor de um plano de saúde de referência em sua região! Esse plano detém 65% do mercado, com 4.000 médicos associados, uma rede credenciada de 62 hospitais, 70 laboratórios e 190 clínicas e possui sobre sua responsabilidade 600.000 vidas, aproximadamente. Para os próximos anos você prevê o aumento da lucratividade. No entanto, a qualidade dos serviços prestados, a incorporação de novas tecnologias e a satisfação do cliente desse plano de saúde também deverão ser crescentes. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 2 Dentre as diversas mudanças a serem realizadas, haverá a reestruturação do serviço de auditoria. Qual é a melhor maneira para realizar tais mudanças? Não responda agora. Vamos voltar ao conteúdo teórico do nosso tema e, ao final, retomaremos a nossa história e apresentaremos as possibilidades de solução para o problema. Introdução à auditoria em saúde A auditoria é uma prática originária da contabilidade, surgida entre os séculos XV e XVI na Itália (SANTI, 1998). Na área de saúde, a auditoria foi introduzida no início do século XX, como ferramenta de verificação da qualidade da assistência, por meio da análise de registro em prontuários (CAMACHO; RUBIN, 1996). Atualmente, a auditoria é adotada como ferramenta de controle e regulação da utilização de serviços de saúde, especialmente na área privada, e tem seu foco dirigido para o controle de custos da assistência prestada (PINTO; MELO, 2010). No Brasil, a auditoria médica e de enfermagem surgiu na década de 1970. Desde então, tem-se ampliado a prática de auditoria em saúde. E, com a globalização e o atual cenário político-financeiro do país, o setor de saúde passou a procurar novas alternativas para gestão. As organizações de saúde tiveram que adaptar-se a um mercado cada vez mais competitivo. A necessidade de garantir resultados positivos e clientes satisfeitos requer que as organizações aprendam a associar baixos custos com excelência de qualidade para seus clientes. A fim de garantir a qualidade dos serviços prestados aos clientes, grandes empresas têm se preocupado em utilizar a auditoria, de forma contínua em suas organizações, visto que os clientes estão cada vez mais convictos de seus direitos (CAMELO et al., 2009). Um sistema de auditoria bem estruturado é aquele que, além de permitir o exercício de atividade de padronização, controle e normatização da área CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 3 assistencial, também possa prover, ao corpo diretivo, informações e conhecimentos que permitam a avaliação do momento presente da empresa e indicam tendências que apontem alternativas para o futuro (MORAIS, 2014). Considera-se que “A vida não tem preço”, no entanto, para sua manutenção há um custo diário. E, isso justifica a necessidade de ações preventivas, educativas e gerenciais, a fim de garantir a sustentabilidade do negócio dos prestadores de serviço e a satisfação dos usuários com um atendimento adequado a sua realidade. É nesse contexto que a auditoria no setor de Saúde Suplementar tem um papel fundamental, avaliando a eficiência, economia, adequação e qualidade dos serviços (UNIMED VITÓRIA b, 2009). Definições básicas, conceitos e termos de uso em auditoria Prontuário Documento único, constituído de um conjunto de informações, sinais e imagens registradas, geradas com bases em fatos, acontecimentos e situações sobre a saúde do paciente e a assistência a ele prestada. É de caráter legal, sigiloso e científico, que possibilita a comunicação entre os membros da equipe multiprofissional e a continuidade da assistência prestada ao indivíduo. Destina-se ao subsídio dos processos de gestão; ao ensino e à pesquisa em saúde; à formulação, implementação e avaliação de políticas públicas; além de documentar demandas legais (VASCONCELOS; GRIBEL; MORAES, 2008) A auditoria é fundamental para detectar os problemas apresentados nos prontuários, pois possibilita a orientação para a equipe e a instituição por meio dos relatórios de avaliação. Ela é o registro apropriado das ações profissionais e o respaldo ético e legal, frente aos conselhos, às associações de classe e a justiça (SETZ & D’INOCENZZO, 2009) Erro Juízo incorreto acerca de uma coisa ou de um fato derivado da CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 4 ignorância ou do imperfeito conhecimento da realidade das circunstâncias concretas ou dos princípios legais aplicáveis. Ato involuntário de omissão, desatenção, desconhecimento ou má interpretação de fatos na elaboração de registros e demonstrações contábeis (DENASUS, 2004). Impropriedade Qualidade daquilo que não é mais próprio, que não é adequado, que é inexato e inoportuno; consiste em falhas de natureza formal que não causam danos ao erário (DENASUS, 2004). Irregularidade Qualidade daquilo que é irregular, não conformidade com as normas gerais observadas por todos, como regras e leis. Caracteriza-se pelo prejuízo ou malversação do dinheiro público, pelo desvio da finalidade do objetivo ajustado e pela não observância dos princípios de legalidade, legitimidade, eficiência, eficácia e economia. É constatada, a existência de desfalque, alcance, desvio de bens ou outra ação que resulte prejuízo quantificável para o erário (DENASUS, 2004). Fraude Ato voluntário de omissão e manipulação de transações; adulteração de documentos, registros e demonstrações contábeis, tanto em termos físicos quanto monetários; logro, ação praticada de má-fé. Dolo Artifício ou expediente astucioso, empregado para a prática de um ato que traz proveito ao seu autor ou a terceiro (DENASUS, 2004). Glosa Rejeição total ou parcial de recursos financeiros, cobrados CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 5 indevidamente por prestadores de serviços. Cancelamento ou recusa parcial ou total de um orçamento, de uma conta ou de uma verba, por serem ilegais ou indevidos (FERREIRA, 2010). Referem-se aos itens que o auditor do plano de saúde não considera cabível o pagamento. As glosas são aplicadas quando qualquer situação gera dúvidas em relação à regra e à prática adotada pela instituição de saúde (FRANCISCO, 1993). Responsabilidades do auditor A auditoria busca informações e as associa ao conhecimento técnico, a fim de proporcionar mais qualidade à sua execução. Segundo Morais (2014), o emprego da função de auditor, especialmente na área da saúde possibilitou: o entendimento das motivações de determinadas ações; a correção (ou não) das justificativas técnicas adotadas para a execução de um procedimento. o confronto de diversas propostas de atuação para a solução de um mesmo problema, o estabelecimento de diversos modelos de atenção às atividades dos auditados, gerandoum grande volume de análises e de propostas de melhorias para a assistência em saúde. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 6 Para que a prática da auditoria em saúde seja realizada com segurança, garantindo a qualidade no atendimento dos serviços hospitalares, pode-se citar como responsabilidades dos auditores: Agir dentro de princípios éticos e legais. Conhecer e dominar o contrato firmado entre o prestador de serviço e a operadora, assim como os aditivos contratuais. Atualizar seus conhecimentos sobre os temas médicos, que sofrem mudanças constantes devido ao desenvolvimento tecnológico. Aprimorar seus conceitos sobre os novos produtos lançados no mercado, materiais ou medicamentos. Ter embasamento e conhecimento para conversar e negociar. Fundamentar com conteúdo baseado em evidências seus conceitos, antes de expô-los. Conhecer todos os documentos que compõem o prontuário do paciente, começando pela familiarização com as guias de procedimentos médicos e demais formulários impressos. Ser claro e transparente no momento da análise das contas hospitalares. Não é mais aceito que o auditor estabeleça pareceres com base apenas em seu próprio conhecimento ou na opinião pontual de um colega especialista. Ao tomar uma decisão ou fazer um contato com os profissionais responsáveis pela assistência, o auditor deve estar respaldado em informações técnico- científicas que lhe permitam discutir indicações e adequações ou informar com conhecimento e isenção (MORAIS, 2014). Como você notou, o auditor tem algumas responsabilidades que estão relacionadas à ética e ao conhecimento de suas funções. Para se aprofundar neste tema, assista ao vídeo no material on-line. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 7 O perfil do auditor Independentemente de sua formação profissional, o auditor deve possuir conhecimento, capacidade e prática, essenciais à realização das atividades de controle e avaliação. Em algumas atividades especiais como a autorização de procedimentos especiais ou de alta complexidade, o auditor deverá possuir profundo conhecimento acerca do assunto ou especializações. (UNIMED VITÓRIA b, 2009) O auditor deve conhecer princípios básicos de administração para reconhecer e avaliar a relevância de eventuais desvios em relação às práticas empresariais, bem como, ter a capacidade de resolver situações. A natureza e a complexidade do seu trabalho requerem uma alta capacidade de adaptação, a fim de adquirir conhecimentos teóricos e práticos sobre os mais variados temas e atividades, objetos de suas análises. Desse modo, este profissional necessita de aprimoramento contínuo, tendo a responsabilidade de manter-se atualizado (UNIMED VITÓRIA b, 2009). Um auditor em saúde, deve necessariamente apresentar: Valores Morais e Éticos Independência Imparcialidade Objetividade Discrição Cautela Zelo Profissional As competências desejadas em um auditor em saúde são: Humanas: comunicação, relacionamento e pró-atividade Funcionais: domínio de processos, inovação, liderança e orientação para o cliente. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 8 Auditoria de enfermagem As leis do exercício profissional sobre a regulamentação do exercício da enfermagem são a Lei 7.498 de 25 de junho de 1986 e o Decreto nº 94.406 de 08 de junho de 1987. O artigo 10º da Lei do Exercício Profissional cita: “O enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo- lhe: privativamente consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre a matéria de enfermagem”. Em 2001, as atividades desenvolvidas pelo enfermeiro auditor foram aprovadas pelo Conselho Federal de Enfermagem por meio da Resolução 266/2001. A auditoria de enfermagem faz a avaliação sistemática da qualidade da assistência de enfermagem prestada ao cliente. Ela utiliza a análise dos prontuários, o acompanhamento do cliente “in loco” e a verificação da compatibilidade entre o procedimento realizado e os itens que compõem a conta hospitalar cobrados, para garantir o pagamento justo e a cobrança adequada (MOTTA, 2004; UNIMED VITÓRIA, 2009a). A auditoria de enfermagem contribui especialmente para a avaliação do domínio das técnicas de atuação e do treinamento pessoal do prestador. Ela causa impacto direto na qualidade do serviço prestado e também permite avaliar a racionalização do uso de materiais, de gases terapêuticos e de equipamentos, bem como a correta aplicação de medicamentos (MORAIS, 2014). Atualmente, observa-se na área privada um maior número de enfermeiros auditores, cujos conhecimentos e experiências profissionais são particularmente utilizados para a racionalização dos custos envolvidos na prática assistencial, atuando em instituições hospitalares ou em operadoras de planos de saúde (MOTTA, 2004). Basicamente, o enfermeiro auditor pode realizar dois tipos de auditoria: concorrente e recorrente (MOTTA, 2004). CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 9 Para o desempenho de suas atividades, o enfermeiro auditor deve seguir algumas condutas, a citar: Agir dentro de princípios éticos e legais. Trabalhar com honestidade, ponderação, bom senso e parceria. Não fazer julgamentos prévios, sem ter pleno conhecimento do fato. Conhecer e identificar os aspectos que envolvem o ambiente no qual está inserido. Conhecer os aspectos técnicos e científicos da área em que atua. O enfermeiro auditor atua em diversos setores do serviço de saúde, e o caráter abrangente das funções exercidas por ele garante sua atuação em sugerir ajustes contratuais na forma de adendos e/ou protocolos. Isso para coibir divergências, rotinas organizacionais e subsidiar a educação continuada como cerne na prestação de serviços de qualidade e controle de perdas econômicas. Auditoria médica O médico auditor da operadora de planos de saúde realiza trabalhos periciais para dar seu parecer sobre a recomendação dos procedimentos médicos solicitados. Ele também analisa as solicitações dos procedimentos e os prontuários médicos, e realiza visitas hospitalares (MOTTA, 2004). A resolução nº 1466, de 13 de setembro de 1996, do Conselho Federal de Medicina descreve sobre as atividades do médico auditor: Orientar os serviços próprios, contratados ou credenciados, quanto à padronização do procedimento. Obter subsídios para a reformulação de procedimentos e de processos antigos. Identificar as distorções e implantar medidas corretivas, visando uma melhor distribuição de recursos. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 10 Acompanhar os procedimentos frente aos padrões previamente estabelecidos. Promover um atendimento racionalizado e humanizado, proporcionando uso apropriado dos recursos disponíveis para atendimento. Tornar possível associar a lógica social com a lógica econômica. Avaliar o desempenho médico com relação aos aspectos éticos, técnicos e administrativos, da qualidade, eficiência e eficácia das ações de proteção e atenção à saúde e promover o processo educativo com vistas à melhoria da qualidade do atendimento. Enfim, cabe à auditoria médica a função de tentar oferecer uma assistência médica de boa qualidade dentro de um custo compatível com os recursos financeiros disponíveis (UNIMED VITÓRIA, 2009b). Perícia médica Realizada nos casos de solicitações de cirurgias eletivas em que se queira avaliar as condições do paciente para a liberação do procedimento (MOTTA, 2004). Serviço de autorização O médico auditordeverá dar suporte ao serviço de autorizações, realizando as seguintes atividades: Verificar se os códigos solicitados estão de acordo com o procedimento a ser realizado; Comunicar engano aos médicos solicitantes de procedimentos; Realizar esclarecimento de dúvidas; Documentar irregularidades frequentes que sejam dolosas e controlar a emissão de notas fiscais de órteses, próteses, sínteses e outros materiais liberados para procedimentos. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 11 Análise de prontuários médicos Durante a análise de prontuários, cabe ao médico auditor: Verificar se o prontuário médico está completo com as devidas guias preenchidas, folha de história clínica, evolução médica diária, descrição cirúrgica e ficha anestésica com os dados completos, legíveis, assinadas e carimbadas. Observar se existe coerência entre o diagnóstico definitivo ou hipótese diagnóstica, com as condutas definidas durante a internação; quando necessário, preencher as guias de prorrogação. Avaliar as solicitações de procedimentos; orientar o prestador quanto aos equívocos nas cobranças e estudar os valores praticados em tabelas e contratos. Visita hospitalar Quando houver acordo estabelecido entre a operadora de saúde e o prestador de serviço, cabe ao médico auditor da do plano de saúde visitar os pacientes conveniados nas dependências do hospital, sem interferir na conduta do médico assistente. Ele deve também avaliar o prontuário dos pacientes internados e quando julgar necessário, solicitar o prontuário de pacientes já de alta hospitalar (MOTTA, 2004). O médico auditor desenvolve seu trabalho internamente e suas principais atividades são: Verificar se o prontuário médico está completo, com as devidas guias preenchidas, folha de história clínica, evolução médica diária, descrição cirúrgica e ficha anestésica com dados completos, legíveis, assinadas e carimbadas. Observar se existe coerência entre o diagnóstico definitivo ou hipótese CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 12 diagnóstica, com condutas definidas durante a internação. Desenvolver um trabalho de orientação de toda a equipe hospitalar. Receber o médico auditor da operadora de planos de saúde sempre que necessário. Fazer estudos de gastos e custos hospitalares, com equipe especializada, com base nos contratos e tabelas vigentes, procedimentos realizados, minimizando erros e evitando glosas. Negociar as correções observadas pela auditoria da operadora de planos de saúde. A participação de outros profissionais na auditoria em saúde A equipe de auditoria geralmente é composta por diferentes profissionais, que realizam a análise qualitativa e quantitativa do prontuário, previamente ao faturamento e posterior a ele, verificando as glosas efetuadas e redigindo relatórios finais para a tomada de decisão (SCARPARO, 2005) A auditoria em saúde é uma atividade que exige conhecimento técnico, pleno e integrado das diversas profissões. Corroborando com isto, as regulamentações para as profissões de odontologia, farmácia e contabilidade destacam questões acerca da capacidade do auditor como um ponto importante no exercício da auditoria (SANTOS, et.al.; 2011). Fisioterapia O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) afirma que o profissional fisioterapeuta possui habilidades e competências para atuar multiprofissionalmente, interdisciplinarmente e transdisciplinarmente no desempenho de atividades de planejamento, organização e gestão de serviços de saúde, públicos e privados, entre outras, além de assessorar, prestar consultorias e auditorias no âmbito de sua competência profissional, conforme disposto no inciso V e IX da lei 6.316, de 17 de dezembro de 1975. No entanto, CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 13 o COFFITO ainda não dispõe de uma regulamentação que atribua aos fisioterapeutas o exercício da auditoria (SANTOS, et.al; 2011). O fisioterapeuta deve estar presente na elaboração de planos de cuidados e de protocolos de indicações para o tratamento fisioterápico e auditoria concorrente. Note como isso ocorre, clicando no link a seguir. http://www.crefito8.org.br/site/artigos_textos/auditoria_em_fisioterapia_a.pdf Farmácia O Conselho Federal de Farmácia dispõe as competências do farmacêutico auditor na Resolução nº508/09. A auditoria de farmácia permite verificar se a dispensação de medicamentos aos pacientes está sendo feita de maneira correta, se estes estão sendo utilizados adequadamente, quais são as reações oriundas de tal uso e como se pode racionalizar os custos com medicamentos (MORAIS, 2014). O auditor farmacêutico tem como foco a elaboração de listas e tabelas de medicamentos para a padronização de farmácias hospitalares ou ambulatoriais e na avaliação de fornecedores de materiais para a assistência (MORAIS, 2014). Odontologia Segundo Costa & Alevato (2010), as responsabilidades do auditor odontológico se desenvolvem em um campo de ação amplo e a ele competem diferentes funções, a citar: A análise da situação da saúde oral da população. A elaboração de políticas de saúde oral. A identificação das necessidades e expectativas do usuário frente ao serviço odontológico. A análise da oferta odontológica e avaliação dos serviços de saúde. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 14 A auditoria como controle de qualidade dos tratamentos realizados é reconhecida na legislação vigente: o Código de Ética Odontológica (Resolução CFO 42/2003); a Resolução RDC 85/2001 da ANS, a Lei 8.689/1993 e a Resolução CFO 20/2001 (COSTA, ALEVATO; 2010). Saiba mais sobre a auditoria odontológica, clicando no link a seguir: http://goo.gl/WPy2el Nutrição O nutricionista tem como foco a seleção e a metodologia para a utilização de vários tipos de dietas enterais e parenterais, e em especial, na auditoria concorrente. Participa também as elaboração de planos de cuidados a pacientes crônicos e assistência domiciliar (MORAIS, 2014). Ética profissional De modo geral, as atividades de auditoria são regidas por princípios éticos e legais. Uma prática que envolve padrões de excelência, obediência às regras e consecução dos bens. Os profissionais de saúde devem dominar os conhecimentos, os saberes, as técnicas e as habilidades relacionadas à auditoria. Mas, devem também ter compaixão para compreender maneira que a pessoa/a coletividade de quem cuida sente a experiência do processo saúde-doença e quais são seus valores e crenças (SCHIRMER, 2006). O desenvolvimento da ciência, regras de mercado, as leis civis e penais e as normas deontológicas das profissões de saúde nem sempre são respostas atualizadas aos problemas éticos que surgem no dia a dia. De fato, o profissional de saúde deve considerar tanto a deontologia, como as consequências que as escolhas e as práticas em saúde podem acarretar ao bem-estar individual e coletivo. Assim sendo, nas situações concretas em que o profissional deve intervir quando interesses legítimos estão em conflito, é que se analisam as possíveis consequências de privilegiar um ou outro princípio bioético CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 15 (SCHIRMER, 2006): Autonomia: teve grande crescimento após a 2ª Guerra Mundial com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. No Brasil, só recentemente este princípio vem sendo respeitado, pois encontra muita resistência no meio médico que ainda utiliza o modelo tradicional, em que o médico é aautoridade e o paciente é passivo (D’AVILLA, 2010). Beneficência: foi a primeira condição a se estabelecer entre os homens, antes mesmo do que a justiça, rege a medicina e as demais profissões da área de saúde, pois à estas está intrínseca a necessidade de ajuda e cuidado para com os seres humanos (D’AVILLA, 2010). Não maleficência: escrita no Copus Hippocraticum, por Hipócrates, consignado no clássico “primum non noccere” (primeiramente não prejudicar). Ao invés de condutas invasivas, intempestivas e não menos iatrogênicas, é possível não intervir para não provocar o mal. Trata-se da avaliação de risco x benefício (D’AVILLA, 2010). Justiça: traz em seu bojo outros dois princípios, o da equidade e o da universalidade; neles, esse princípio ganha corpo o aforismo “todos são iguais perante a lei” (D’AVILLA, 2010). A tomada de decisão perante dilemas e conflitos éticos exige competência e aperfeiçoamento profissional, os quais terão se der para os enfermeiros os compromissos cotidianos no desempenho de sua profissão (SCHIRMER, 2006). A assistência dos planos e seguros privados de saúde, denominados de Saúde Suplementar no Brasil, foram regulamentados há mais de 10 anos com o objetivo de equacionar conflitos, expostos na justificação do projeto que deu origem às Leis 9656/1998 e 9961/2000, que criaram a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Leia o artigo do link a seguir e reflita a respeito desses conflitos que tangem em temas bioéticos. http://www.scielo.br/pdf/ramb/v59n6/v59n6a15.pdf CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 16 Não só na área de auditoria, mas a ética é importante para toda profissão. Cada área porém, tem pontos específicos a serem considerados aos compromissos éticos. No vídeo no material on-line, reflita sobre a ética ligada ao trabalho do auditor. Revendo a problematização Com base no que você estudo neste tema, quais são as soluções para a reestruturação da auditoria? Caso queira ver o problema novamente antes de responder, assista ao vídeo de problematização. Caso contrário, escolha uma das alternativas: a. Reestruturar a auditoria somente com profissionais de enfermagem, uma vez que estes possuem amplo conhecimento nas diversas áreas da saúde, alocando pelo menos 01 (um) profissional em cada prestador de serviço. b. Suprir a auditoria com enfermeiros, médicos, contratando outros profissionais de saúde para aporte de casos específicos e para dar auxílio na definição de protocolos. Investir na educação continuada desses profissionais. c. Estruturar a auditoria com enfermeiros e médicos e investir massivamente na educação continuada aos prestadores de saúde. Para consultar o feedback de cada uma das alternativas, acesse o material on-line. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 17 Síntese Neste tema você se familiarizou com os termos básicos utilizados na auditoria em saúde, identificou as principais atividades a serem realizadas pelos auditores e pôde compreender o papel de cada profissional nessa atividade. Você também identificou os princípios éticos e o perfil necessário para que a auditoria seja realizada de forma séria, lícita e correta. A partir dos tópicos estudados neste tema, você entendeu que o papel realizado pela auditoria tem foco na qualidade, na redução de custo e no atendimento correto ao beneficiário, desmistificando a ideia de que as operadoras de saúde têm como único objetivo as glosas para redução de gastos, sem critérios ou orientações. Para encerrarmos este tema, assista ao vídeo de síntese no material on- line. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 18 Referências CAMACHO, L. A. B.; RUBIN, H. R. Reliabity of Medical Audit in Quality Assessment of Medical Care. Caderno de Saúde Pública, 12(Supl.2): 85-93, Rio de Janeiro, 1996. CAMELO, S. H. H.; PINHEIRO, A.; CAMPOS, D.; OLIVEIRA, T. L. Auditoria de Enfermagem e a Qualidade da Assistência à Saúde: uma revisão de literatura. Revista Eletrônica Enfermagem [Internet] 11(4): 1018-25; 2009. COSTA, M. T. 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São Paulo: Iátria; 2004. PAIM, C. DA R. P.; ZUCCHI, P. Auditoria de Avaliação dos Serviços de Saúde no Processo de Credenciamento. Ciências e Saúde Coletiva, 16 (Supl1):1163-1171, 2011. PINTO, K. A.; MELO, C. M. M. A Prática da Enfermeira em Auditoria em Saúde. Revista da Escola de Enfermagem. USP. 44(3): 671-8. São Paulo, 2010 SANTI, P. A. Introdução à Auditoria. São Paulo: Atlas, 1998. SANTOS, F. C.; ALELUIA, I. R. S.; SANTOS, I. N.; MOURA, L. G. F.; CARVALHO, M. DE A. Participação do Fisioterapeuta na Equipe Multiprofissional de Auditoria em Saúde. Revista de Administração em Saúde. 51(13): 95-102, Abril-Junho, 2011. SCARPARO, A. F. Auditoria de Enfermagem: revisão de literatura. Revista Nursing. 80(8): 46-50, 2005. SCHIRMER, J. Ética Profissional. In: OGUISSO, T.; ZOBOLI, E. Ética e Bioética: desafios para a enfermagem e a saúde. São Paulo: Manole, 2006, p.61-67. SETZ, V. G.; D’INOCENZZO, M. Avaliação da Qualidade dos Registros de Enfermagem no Prontuário por meio da Auditoria. 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A criação de protocolos, o atendimento do beneficiário com as melhores tecnologias e a glosas. 2. Dentre as diversas atividades designadas ao médico auditor e em respeito ao Código de Ética de Medicina, podemos dizer que não é de sua responsabilidade: a. Glosar medicamentos e procedimentos que julgar como uso indevido.b. Discutir com o médico assistente a prática mais adequada para a realização de um procedimento em seu paciente. c. Intervir diretamente no paciente, evoluindo em prontuário a fim de comunicar ao médico assistente e aos demais membros da equipe. d. Estabelecer os protocolos e os critérios para realização de procedimentos e o uso de materiais. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 22 3. Sobre a atualização e a educação continuada para os profissionais da auditoria hospitalar, podemos afirmar que: a. O auditor, detendo seus conhecimentos específicos e tendo como base protocolos que respaldem suas avaliações, não necessita de atualizações constantes, desde que estes protocolos sejam periodicamente atualizados pela operadora de saúde. b. A oferta da educação continuada deve ser de responsabilidade da operadora de saúde a seus profissionais. Deste modo, caso esta não ocorra, os protocolos poderão se tornar fonte única de consulta para deliberação de pareceres. c. A operadora de saúde não precisa coparticipar do processo de atualização do seu auditor, desde que contrate profissionais comprometidos, experts na área a ser auditada e devidamente empenhados no processo de conhecimento. d. A atualização dos profissionais auditores deve partir dos próprios profissionais, considerando sua atualização e as normas que norteiam a profissão, no entanto essa responsabilidade pode ser divida com a operadora de saúde, a qual tem o dever de comunicá- los sempre que novas leis, regimentos e regras surgirem, assim como, é aconselhável que esta tenha uma equipe que realize estudos de novas tecnologias e que atualize os protocolos estabelecidos periodicamente. 4. Em relação ao papel do auditor, podemos afirmar: a. Ele subsidia a educação continuada, uma vez que contribui para avaliação do domínio de técnicas de enfermagem, atua em treinamentos por parte do prestador e sugere ajustes de adendos CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 23 contratuais e de protocolos, a fim de coibir divergências. b. Um profissional pode ser considerado punitivo na auditoria, uma vez que glosa as discrepâncias identificadas. c. Por ser um profissional que atua de forma abrangente nas instituições hospitalares, não necessita possuir conhecimentos específicos e especialistas como no caso dos médicos auditores. d. Definem as técnicas de enfermagem a serem empregadas em um prestador de saúde credenciado. 5. Considerando as atividade realizadas dentro da auditoria em saúde e os princípios da bioética, pode-se afirmar que: a. A não liberação de um procedimento ou medicamento deve ser considerada maleficência. b. A não liberação de um procedimento ou medicamento fere o princípio de beneficência c. A não liberação de um procedimento ou medicamento deve ser considerada injustiça. d. A não liberação de um procedimento ou medicamento pode ser considerada não-maleficência. Para consultar o gabarito das questões, acesse o material on-line.