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DOENÇAS OCUPACIONAIS 1 ....................................................................................... 2 Aula 6: Entendendo as LER/DORT ...................................................................................................... 2 Introdução ........................................................................................................ 3 Conteúdo LER e DORT ......................................................................................................................... 3 Histórico sobre a prevenção de acidentes ................................................................... 3 Dados estatísticos sobre as LER/DORT .......................................................................... 5 Dados estatísticos de acidente de trabalho ........................................................... 5 Fatores etiológicos identificados a estes distúrbios .................................................. 10 Elementos básicos das condições de exposição ocupacional ............................... 10 Áreas afetadas pela LER/DORT ...................................................................................... 11 Quais ocupações você acha que representam maior risco ocupacional? ........... 11 Ocupações que possuem risco ocupacional ......................................................... 11 Incapacidade laboral temporária ou permanente .................................................... 13 Incapacidade laboral temporária ou permanente ................................................. 13 Abordagem inicial ao paciente ..................................................................................... 16 Exame físico específico ................................................................................................... 16 Após o exame físico específico ..................................................................................... 19 Estágios evlutivos das LER/DORT ................................................................................. 20 Atuação multiprofissional .............................................................................................. 21 Principais grupos e patologias dentre as LER/DORT ................................................ 21 Qual seria o papel do Enfermeiro do Trabalho na abordagem às LER/DORT? ... 23 ................................................................................................. 24 Aprenda Mais ..................................................................................................... 25 Referências ...................................................................................... 27 Exercícios de fixação Notas ........................................................................................................................................... 34 Chaves de resposta ..................................................................................................................... 37 DOENÇAS OCUPACIONAIS 2 Introdução O principal grupo de agravos à saúde do contingente de trabalhadores formais ou não, as chamadas LER/DORT, tem grande relevância social no Brasil e no mundo como um todo, e merecerá destaque na nossa sexta aula. Nesta aula, discutiremos aspectos conceituais, epidemiológicos, fatores de risco, mecanismos de produção dessas afecções musculoesqueléticas, que são um desafio quando falamos das avaliações diagnósticas, do nexo de causalidade, bem como do manejo terapêutico e previdenciário desse conjunto de doenças que podem ser comprovadamente relacionadas ao trabalho ou não. Objetivo: 1. Demonstrar a definição, dados epidemiológicos, fatores etiológicos, patogenia das principais doenças ocasionadas por desgastes das estruturas do sistema musculoesquelético entre trabalhadores; 2. Discutir os mecanismos de diagnóstico, confirmação de nexo de causalidade e manejo das principais doenças relacionadas ao grupo das LER e DORT. DOENÇAS OCUPACIONAIS 3 Conteúdo LER e DORT Dentre as doenças relacionadas ao trabalho, trataremos hoje daquelas relacionadas às Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). Estas são denominações adotadas tanto pelo Ministério da Saúde quanto da Previdência Social para designar essas patologias, de notificação compulsória em território nacional, decorrentes do trabalho, seja por sobrecarga excessiva ou por ausência de tempo adequado para recuperação após atividade laboral. Para iniciarmos nossa abordagem convidamos você a assistir ao vídeo a seguir, produzido pela FUNDACENTRO para prevenir as LER/DORT. Vamos assistir? Atenção Como o vídeo que assistimos nesta aula bem apresenta, as LER/DORT são caracterizadas pela ocorrência de vários sintomas concomitantes ou não, tais como: dor, parestesia, sensação de peso, fadiga, de aparecimento insidioso, geralmente na coluna vertebral, nos membros superiores (maioria em ombros e pescoço) ou membros inferiores. As patologias conhecidas como tenossinovites, sinovites, compressões de nervos periféricos, síndromes miofasciais podem ser diagnosticadas ou não, veremos adiante. Portanto, podemos resumir que são manifestações clínicas do sistema musculoesquelético adquiridos pelo trabalhador exposto a determinadas condições de trabalho. Histórico sobre a prevenção de acidentes Conheça a linha do tempo sobre a prevenção de acidentes, clicando nas datas históricas. DOENÇAS OCUPACIONAIS 4 1973 Os primeiros casos no Brasil foram descritos durante o XII Congresso Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (1973), onde foram apresentados casos de tenossinovites ocupacionais em lavadeiras, limpadoras e engomadeiras, que operavam intensamente com as mãos e não faziam pausas durante as jornadas laborais. 1987 Diversas conquistas no campo dos benefícios previdenciários foram conseguidas, sobretudo durante a década de 80 devido à atuação intensa dos Sindicatos de Trabalhadores para incluir as tenossinovites e demais patologias do grupo como doenças do trabalho. 2000 A partir de 2000 uma sucessão de publicações do MS do Brasil passa a atestar que diversas entidades nosológicas, além das tenossinovites, são consideradas como LER/DORT. 2009 O INSS contribui com os debates técnicos da área quando publicou um estudo que demonstrava a ocorrência de mais 200 atividades econômicas promotoras de LER/DORT (MS, 2012). Tempos atuais Segundo Ministério da Saúde (2012), área técnica de Saúde do Trabalhador, o processo de intensificação do trabalho, aumento das jornadas diárias, produtividade por metas e incremento da competitividade iniciados a partir da Revolução Industrial e agravados em tempos atuais, ocasionaram, sobretudo transformações do processo de trabalho marcadas por: • Grande demanda física e motora (aumentando movimentos repetitivos); • Impossibilidade de pausas espontâneas; DOENÇAS OCUPACIONAIS 5 • Manutenção em certas posições por tempo prolongado; • Monitoramento e controle de qualidade para evitar erros (pressão); • Exposição elevada a condições pouco ergonômicas. Dados estatísticos sobre as LER/DORT Os dados estatísticos oficiais de abrangência nacional do nosso país sobre as LER/DORT, utilizados para finalidade previdenciária, são originários da Previdência Social (DATAPREV) sendo, portanto, incompletos por considerarem somente a população trabalhadora do mercado formal e também pela realidade de subnotificação dos acidentes de trabalho e das doenças ocupacionais já diagnosticadas. No entanto,ainda assim, quando observamos esses números fica clara a magnitude do problema onde as Dorsalgias, as Sinovites/Tenossinovites e as Lesões do ombro são os agravos mais prevalentes (DATAPREV, 2012). Dados estatísticos de acidente de trabalho Vemos adiante na Tabela 1 que ocorreram 103.441 acidentes de trabalho (doenças ocupacionais) relacionadas ao sistema musculoesquelético e tecido conjuntivo durante o ano de 2012. Dados da Previdência Social de 1999 até 2012 evidenciam a magnitude de 7.645.909 acidentados por LER/DORT, demonstradas nas patologias desse Capítulo da CID. Tabela 1 – Distribuição dos Acidentes de Trabalho no Brasil, classificados como LER/DORT, no ano de 2012. Distribuicao de Acidentes do Trabalho no Brasil em 2012 Motivo/Situação CID (Capítulo XIII - Sistm. Oesteomuscular/tec. Conjuntivo Típico- Com Cat Trajeto- Com Cat Doença do Trabalho- Com Cat Sem Cat Total (M00)Artrite Piogenica 14 2 1 27 44 DOENÇAS OCUPACIONAIS 6 (M01)Infecc Diretas Artic Doenc Infec Parasit 1 0 0 4 5 (M02)Artropatias Reacionais 4 2 1 3 10 (M03)Artropatias Pos-Infecc Reac Doenc Infecc 2 0 0 1 3 (M05)Artrite Reumatoide Soro- Positiva 6 1 3 28 38 (M06)Outr Artrites Reumatoides 15 4 4 35 58 (M07)Artropatias Psoriasicas e Enteropaticas 1 0 0 0 1 (M08)Artrite Juvenil 4 0 0 1 5 (M09)Artrite Juvenil em Doenc Cop 1 0 0 2 3 (M10)Gota 6 0 2 18 26 (M11)Outr Artropatias p/Deposicao de Cristais 1 1 1 3 6 (M12)Outr Artropatias Espec 55 13 1 32 101 (M13)Outr Artrites 41 14 8 60 123 (M14)Artropatias em Outr Doenc Cop 25 5 3 5 38 (M15)Poliartrose 66 21 20 107 214 (M16)Coxartrose 16 4 8 207 235 (M17)Gonartrose 74 20 13 549 656 (M18)Artrose Prim Articulacao Carpometacarpia 9 1 1 11 22 (M19)Outr Artroses 62 13 26 396 497 (M20)Deform Adquir Dedos Maos e Pes 115 15 2 104 236 (M21)Outr Deform Adquir dos Membros 38 13 5 38 94 (M22)Transt da Rotula 98 41 22 198 359 DOENÇAS OCUPACIONAIS 7 (M23)Transt Internos dos Joelhos 1205 370 104 2691 4370 (M24)Outr Transt Articulares Especificos 171 46 11 167 395 (M25)Outr Transt Articulares Ncop 2846 889 114 2271 6120 (M30)Poliarterite Nodosa e Afeccoes Correlata 1 2 0 0 3 (M31)Outr Vasculopatias Necrotizantes 1 0 0 0 1 (M32)Lupus Eritematoso Disseminado 0 0 3 5 8 (M33)Dermatopoliomiosite 1 0 2 0 3 (M34)Esclerose Sistemica 2 2 0 3 7 (M35)Outr Afeccoes Sistemicas do Tec Conjunti 6 3 0 2 11 (M36)Doenc Sistemicas do Tec Conjuntivo Doenc 2 0 0 0 2 (M40)Cifose e Lordose 16 0 0 6 22 (M41)Escoliose 20 4 4 21 49 (M42)Osteocondrose da Coluna Vertebral 2 0 0 0 2 (M43)Outr Dorsopatias Deformantes 85 38 14 128 265 (M45)Espondilite Ancilosante 9 2 0 9 20 (M46)Outr Espondilopatias Inflam 20 5 2 20 47 (M47)Espondilose 16 8 18 154 196 (M48)Outr Espondilopatias 18 3 7 63 91 (M49)Espondilopatias em Doenc Cop 5 1 1 3 10 (M50)Transt dos Discos Cervicais 98 31 171 435 735 (M51)Outr Transt de Discos 629 62 748 4559 5998 DOENÇAS OCUPACIONAIS 8 Intervertebrais (M53)Outr Dorsopatias Ncop 118 29 84 422 653 (M54)Dorsalgia 9790 1534 1037 23053 35414 (M60)Miosite 67 11 3 15 96 (M61)Calcificacao e Ossificacao do Musculo 27 2 3 5 37 (M62)Outr Transt Musculares 1172 205 21 140 1538 (M63)Transt de Musculo em Doenc Cop 14 4 1 4 23 (M65)Sinovite e Tenossinovite 1550 278 2071 9289 13188 (M66)Ruptura Espontanea de Sinovia e de Tenda 200 35 16 187 438 (M67)Outr Transt das Sinovias e dos Tendoes 87 12 25 156 280 (M68)Transt de Sinovias e de Tendoes em Doenc 37 4 10 28 79 (M70)Transt Tec Moles Relac Uso Excess e Pres 153 28 205 512 898 (M71)Outr Bursopatias 41 9 76 229 355 (M72)Transt Fibroblasticos 28 7 22 132 189 (M73)Transt dos Tec Moles em Doenc Cop 12 3 1 4 20 (M75)Lesoes do Ombro 1514 356 3153 14619 19642 (M76)Entesopatias dos Membros Infer Excl Pe 98 22 38 125 283 (M77)Outr Entesopatias 398 63 675 3234 4370 (M79)Outr Transt dos Tec Moles Ncop 1873 517 92 648 3130 (M80)Osteoporose c/Frat Patologica 6 2 0 0 8 (M81)Osteoporose s/Frat 3 0 1 3 7 DOENÇAS OCUPACIONAIS 9 Patologica (M82)Osteoporose em Doenc Cop 3 2 0 0 5 (M83)Osteomalacia do Adulto 6 4 2 4 16 (M84)Transt da Continuidade do Osso 40 19 10 108 177 (M85)Outr Transt da Densidade e Estrutura Oss 13 2 2 5 22 (M86)Osteomielite 24 4 1 80 109 (M87)Osteonecrose 5 3 0 32 40 (M89)Outr Transt Osseos 10 4 1 15 30 (M90)Osteopatias em Doenc Cop 8 2 3 0 13 (M91)Osteocondrose Juvenil do Quadril e da Pe 5 2 0 1 8 (M92)Outr Osteocondroses Juvenis 4 1 1 1 7 (M93)Outr Osteocondropatias 121 35 7 18 181 (M94)Outr Transt das Cartilagens 12 2 2 11 27 (M95)Outr Deform Adquir Sist Osteomusc Tec Co 21 2 0 12 35 (M96)Transt Osteomusculares Pos-Proced Ncop 297 76 15 45 433 (M99)Lesoes Biomecanicas Ncop 326 100 3 132 561 Total 23890 5015 8901 65635 103441 Observemos que as Dorsalgias, as Sinovites e Tenossinovies bem como as Lesões de Ombro são as patologias mais frequentes entre os trabalhadores acidentados no ambiente de trabalho naquele período, segundo dados oficiais da Previdência. DOENÇAS OCUPACIONAIS 10 Fatores etiológicos identificados a estes distúrbios Dentre os fatores etiológicos identificados a esses distúrbios que estamos abordando nesta aula, podemos listar: Fatores biomecânicos Repetição de movimentos, força, posturas inapropriadas, entre outros. Fatores da organização do trabalho Carga horária, pausas laborais, frequência e intensidade. Fatores psicológicos Insatisfação com o trabalho, ansiedade e depressão. Fatores sociológicos Problemas pessoais, benefícios salariais, conflitos com empregador. Importante ressaltar que a particularidade no tema dessas patologias é que tem etiologia multifatorial, ou seja, é uma interação entre diferentes fatores que podem promover o aparecimento das lesões em si ou podem manifestar-se através das manifestações clínicas já descritas. Daí é que vem a importância da avaliação dos riscos e da atribuição do diagnóstico preciso no caso da abordagem das LER/DORT. Elementos básicos das condições de exposição ocupacional Em geral, considerando os determinantes dessas doenças em particular, o que deve ser avaliado nas condições de exposição ocupacional são sempre quatro elementos básicos descritos na Instrução Normativa do INSS específica sobre o tema (IN/DC nº 98, 2003): Região anatômica da Lesão (MMSS, MMII); Magnitude ou intensidade dos fatores de risco; DOENÇAS OCUPACIONAIS 11 Variação do tempo dos fatores de risco (jornadas, pausas); Tempo da exposição aos fatores de risco. Áreas afetadas pela LER/DORT Em resumo as LER/DORT podem afetar... Estruturas do sistema nervoso: mais comum das lesões, as compressivas, decorrem de posturas inadequadas, esforço repetitivo, sobrecarga, entre outros e podem acarretar estenoses das raízes nervosas, hérnias ou protusões dos discos intervertebrais. Estruturas musculares: uma das formas de lesão muscular ocorre pela fadiga inicial que provoca uma redução na capacidade de contração do músculo exigido, de forma progressiva, e pelo esforço de utilização de outras fibras musculares ocorre uma sobrecarga que leva à lesão. Neste caso o tempo de recuperação das estruturas musculares afetadas pode ser longo. Tendões e ligamentos (articulações): o esforço e/ou sobrecarga ocasiona rupturas das fibras dessas estruturas provocando uma disfunção na suacapacidade de resistência e de força normais. Quais ocupações você acha que representam maior risco ocupacional? Algumas populações de trabalhadores estão mais expostos a lesões ou distúrbios em regiões anatômicas específicas, como os cortadores de carnes. Segundo o “Protocolo sobre Dor relacionada ao trabalho” (MS, 2012), diversos estudos realizados nos últimos 30 anos por pesquisadores em diversos países americanos e europeus evidenciaram essas associações. Ocupações que possuem risco ocupacional Veja a tabela a seguir as ocupações que possuem um maior risco ocupacional. DOENÇAS OCUPACIONAIS 12 Lesões de Ombro Tendinites de mãos e punhos Epicondilites laterais Diversas localizações Soldadores de estaleiros. Empacotadores. Cortadores de carne. Digitadores. Chapeadores de estaleiros. Enchedores de linguiça. Empacotadoras. Costureiras. Trabalhadores industriais expostos a atividades com alta repetitividade e força. Cortadores de carne. Cortadores de carne. Montadores de componentes eletrônicos. Trabalhadores de linhas de montagem de embalagens. Trabalhadores industriais submetidos a atividades com alta repetitividade e força, alta força e baixa repetitividade, baixa força e alta repetitividade. Trabalhadores de manufatura. Trabalhadores de estaleiros. Trabalhadores de manufatura. Enchedores de linguiça. Cortadores de carne, empacotadores e enchedores de linguiça. Trabalhadores do setor de investimentos. Trabalhadoras de entrada de dados. Cortadores de carne. Empacotadoras. Trabalhadores do setor de vestuário. Não podemos esquecer ainda de muitas outras ocupações relativas à: tele atendimento; operadores de caixa em geral/ caixas de supermercado; escrituração; montagem de pequenas peças e componentes; confecção de manufaturados (calçados); costura; embalagem; passadeiras, cozinheiras, trabalhadores de limpeza; auxiliares de odontologia; cortadores de cana; DOENÇAS OCUPACIONAIS 13 profissionais de controle de qualidade; operadores de máquinas e de terminais de computador; auxiliares de administração e de contabilidade; operadores de telex, datilógrafos; pedreiros; secretárias e técnicos administrativos; eletricistas; recepcionistas; faxineiros, Ajudantes de laboratório, outras. Veja que a lista é extensa. Junto com ela também são diversos os grupos populacionais de trabalhadores potencialmente expostos aos esforços e comportamentos laborais que podem levar ao aparecimento das LER/DORT. Com essa esse cenário fica mais relevante que os profissionais de saúde estejam bem preparados para identificar os sintomas e diagnosticar essas patologias para melhor auxiliar no processo de tratamento, redução de dano e reabilitação física e laboral. Por isso, lhe convido a seguirmos adiante para nosso próximo objetivo e estaremos mais próximos desse conhecimento. Incapacidade laboral temporária ou permanente Já conhecemos o que são as LER/DORT e que estas são condições relativas ao trabalho que se manifestam através de uma série de manifestações clínicas, sintomas combinados, sendo com frequência causa de incapacidade laboral temporária ou permanente. Diante disso agora é o momento de discutirmos como se deve abordar o tema para assegurar um correto diagnóstico e manejo da saúde dos trabalhadores que sofrem com essas patologias, para isso: Incapacidade laboral temporária ou permanente Se partirmos da perspectiva de que são muitas os fatores de risco (biomecânicos, cognitivos, sensoriais, afetivos e de organização do trabalho) e as patologias que estão classificadas como LER/DORT, que são diversas as ocupações de risco para essas condições patológicas e que as manifestações clínicas (sintomas) também são múltiplas e, quase sempre aparecem combinadas, precisamos escolher uma forma de abordar a questão da DOENÇAS OCUPACIONAIS 14 investigação diagnóstica por um ponto de SIMILARIDADE entre esses distúrbios do sistema osteomuscular. Nesse instante, ocorrem dois pontos de similaridade mais comuns: o TRABALHO e a DOR. Por isso, segundo o “Protocolo sobre Dor relacionada ao trabalho” (MS, 2012) a abordagem conjugada a partir da queixa central de DOR relativa à ocupação do trabalhador deve ser a forma mais efetiva de tratarmos o assunto. Assim, caro aluno, apresentamos o fluxograma proposto pelo MS para orientar nossa atuação. Observe que o papel da ANEMNESE OCUPACIONAL é fundamental para diferenciar se há ou não presença de sintomas relacionados ao sistema musculoesquelético e se há evidência de fatores de riscos para LER/DORT. Lembrando que, segundo o protocolo do MS (2012) os fatores de risco são interdependentes por isso eles interagem entre si e devem ser sempre analisados de forma conjunta. Uma vez identificados irão direcionar o profissional de saúde a notificar o caso e encaminhar ao tratamento adequado. DOENÇAS OCUPACIONAIS 15 DOENÇAS OCUPACIONAIS 16 Abordagem inicial ao paciente A abordagem inicial ao paciente, para descobrir se ele tem a possibilidade de possuir alguma doença ocupacional, deve incluir necessariamente os seguintes momentos (MS, 2012): • História das queixas atuais; • Indagação sobre os diversos aparelhos; • Comportamentos e hábitos relevantes; • Antecedentes pessoais; • Antecedentes familiares; • Anamnese ocupacional; • Exame físico geral e específico (inspeção, palpação e manobras clínicas); • Exames complementares e/ou avaliação especializada (reumatologia, ortopedia, neurologia), se necessário; • Investigação do posto e/ou da atividade de trabalho in loco, se necessário. Atenção Você sabia que o papel dos exames complementares no diagnóstico das LER/DORT é controverso? Segundo especialistas, tanto a Radiografia Simples quanto a Ultrassonografia das articulações são superestimados para a fase diagnóstica. Mas podem ser importantes posteriormente no acompanhamento da evolução das lesões musculoesqueléticas relacionadas às LER/DORT. Os exames laboratoriais (hemograma e provas de atividade reumática, hormônios T3, T4 e TSH) e da eletroneuromiografia podem ser necessários para o diagnóstico diferencial entre LER/DORT e neuropatias ou reumatopatias. Exame físico específico Sobre o exame físico específico, segundo o relato e queixas centrais do paciente devem ser realizada uma série de manobras para detectar prováveis diagnósticos conforme orienta explica o (2012) Ministério da Saúde na DOENÇAS OCUPACIONAIS 17 publicação especializada sobre LER/DORT, Protocolo de Complexidade Diferenciada. Segue alguns exemplos para que você conheça: Passo 01: Manobra de Finkelstein A mão deve ser fechada com os dedos envolvendo o polegar. Comumente presente na Tenossinovite de Quervain. Passo 02: Teste de Cozen Manobra com o cotovelo fletido em 90º com a mão posicionada em pronação; extensão do punho contra resistência provoca dor no epicôndilo lateral. Comum na Epicondilite lateral. DOENÇAS OCUPACIONAIS 18 Passo 03: Manobra Cotovelo fletido em 90º com a mão posicionada em supinação. A flexão do punho contra resistência provoca dor no epicôndilo medial. Comum na Epicondilite medial. Passo 04: Manobra - continuação Dor à palpação do músculo pronador. A percussão da região (Tinel) provoca parestesia na área do nervo mediano, isto é, do 1º à face radial do 4ºquirodáctilo. Síndrome do pronador redondo. DOENÇAS OCUPACIONAIS 19 Após o exame físico específico Quando as etapas posteriores foram concluídas, a equipe de saúde do trabalhador (essencialmente o Médico e o Enfermeiro do Trabalho) estão próximos da conclusão diagnóstica para efetivamente atribuir ao paciente o diagnóstico de LER/DORT. Nesse momento crucial, deparamo-nos com três potenciais desfechos da investigação clínica: (Esquema representativo da conclusão diagnóstica) Atenção Estamos diante nessa etapa da caracterização do nexo causal, ou seja, identificação e estabelecimento de que as manifestações clínicas referidas pelo paciente e evidenciadas pela anamnese e exames guardam relação direta com os fatores de risco laborais, comentados na primeira parte da nossa aula. As condições de trabalho e as manifestações clínicas fecham o diagnóstico e estamos diante de um caso de doença relacionada ao trabalho. Essa tarefa é multidisciplinar. Precisa da atuação técnica não exclusiva do médico, mas em conjunto com profissional de enfermagem, entre outros, para realização de boa anamnese ocupacional. Lembre-se de que os quadros clínicos comumente referidos pelos trabalhadores afetados podem se confundir com outras patologias, sobretudo reumatológicas, por isso, em alguns DOENÇAS OCUPACIONAIS 20 casos, realizar provas diagnósticas (exames laboratoriais e de imagem) podem ser importantes para esclarecer se é ou não LER/DORT. Estamos falando basicamente de: artrite reumatoide, osteoartrose microcristalina (Gota), e dores musculares de origem metabólica (hipo e hipertireoidismo). Estágios evlutivos das LER/DORT Conheça os quatro estágios evolutivos das LER/DORT (INSS): Estágio I Sensação de peso e desconforto no membro afetado; dor espontânea localizada nos membros superiores; ausência de irradiação nítida da dor; melhora com repouso e pausa nos movimentos. Estágio II Presença de dor persistente e intensa; aparecimento da dor durante a jornada de trabalho; dor intermitente, localizada, porém tolerável e permite o desempenho das funções laborais; há redução da produtividade; distúrbios de sensibilidade e recuperação mais demorada. Estágio III Presença de dor persistente, forte e com irradiação definida; repouso atenua a intensidade da dor; presença de perda de força muscular; queda de produtividade; impossibilidade de exercer as funções laborais normais. Edema, hipertonia muscular permanente e perda de sensibilidade e da força muscular. Estágio IV Presença de dor forte, intensa e contínua, pode ser insuportável; sofrimento intenso do trabalhador; realização de movimentos acentua a dor que costuma irradiar por todo o membro afetado causando perda de força muscular e dos movimentos; atrofias que podem levar à incapacidade laboral. Comum DOENÇAS OCUPACIONAIS 21 aparecerem alterações psicológicas como quadros de depressão, ansiedade e angústia. Atenção A determinação do grau da lesão ocasionada no trabalhador é essencial para dar seguimento ao próximo momento de definição do tratamento adequado e também da necessidade de afastamento do trabalho, seja ela temporária ou permanente. Atuação multiprofissional Assim como já comentamos, nessa fase de procedimentos terapêuticos, observe que a atuação multiprofissional é desejável, se não, imprescindível! Por isso, listamos aqui os profissionais que podem atuar de forma integrada para melhor tratar o paciente no caso das LER/DORT. Vejamos: • Médico; • Fisioterapeuta; • Terapeuta ocupacional; • Enfermeiro; • Assistente social; • Psicólogo; • Profissional de terapias complementares; e • Terapeuta corporal. Principais grupos e patologias dentre as LER/DORT Vamos agora ver algumas particularidades dos principais grupos e patologias dentre as LER/DORT que acometem trabalhadores brasileiros? Estamos falando das: Dorsalgias (M54), Sinovites e Tenosinovites (M65) e Lesões do Ombro (M75). Conheça-as a seguir: DOENÇAS OCUPACIONAIS 22 Dorsalgias – LOMBALGIA (M54.5): Conceito A lombalgia é a dor na região lombar (dor baixa) que pode ser ou não associadas às chamadas dores ciáticas. São em geral agudas e multifatoriais. No caso das relacionadas ao trabalho costumam aparecer em ocupações onde o trabalhador fica permanentemente em pé ou sentado, operadores de máquinas ou equipamentos que causam vibração intensa, ou que realizam tarefas acima ou na altura dos ombros, além dos trabalhadores que transportam pesos excessivos. Exemplo das ocupações Recepcionistas, administrativos, operadores de empilhadeiras, tratores e prensas hidráulicas, e profissionais de enfermagem. Sinovites e Tenosinovites – Tenosinovite estenosante ou Dedo em Gatilho (M65.3): Conceito O dedo em gatilho é uma tenosinovite estenosante que compromete os tendões flexores dos dedos das mãos onde a reação inflamatória, geralmente ocasionada pelo uso excessivo dessa articulação (movimentos repetitivos das mãos e dedos, vibração, pressão, força), levando ao aparecimento de nódulos ou edema na película que envolve os tendões. Os sintomas comuns são a dor localizada, inchaço, desconforto, espessamento do tendão e limitação dos movimentos com bloqueio do dedo afetado. Exemplo das ocupações Digitadores, datilógrafos, profissionais de computação, operadores de caixas registradoras, trabalhadores de linhas de montagem de indústrias diversas, costureiras, manicures, entre outros. DOENÇAS OCUPACIONAIS 23 Lesões do Ombro – Bursite do Ombro (M75.5): Conceito A bursite consiste em uma reação inflamatória frequentemente ocasionada por movimentação e elevação excessiva dos braços (ação mecânica/impacto). Acomete as bolsas sinoviais existentes na articulação do ombro (bolsas contendo líquido sinovial que protege as articulações dos desgastes e lesões). Em geral ocasionam dor intermitente principalmente no período noturno e de repouso, edema, limitação de movimentos de abdução, rotação e elevação dos membros superiores. Exemplo das ocupações Posições forçadas e gestos repetitivos; ritmo de trabalho penoso; condições difíceis de trabalho. Empacotadores, trabalhadores de linha de produção em indústrias, estoquistas, entre outros. Qual seria o papel do Enfermeiro do Trabalho na abordagem às LER/DORT? A abordagem da nossa disciplina sobre Doenças Ocupacionais tem foco na multidisciplinaridade profissional no cuidado da saúde do trabalhador. Contudo, estamos dialogando com você, profissional de Enfermagem, que está em processo de formação na área de Saúde Ocupacional e, por isso, em breve poderá contribuir no âmbito do atendimento e cuidados em saúde dos trabalhadores. Por isso, ao final dessa aula, queremos apenas salientar a grande importância que o papel do Enfermeiro do Trabalho possui diante das LER/DORT, especificamente. DOENÇAS OCUPACIONAIS 24 Aprenda Mais Material complementar Para saber mais sobre as doenças ocupacionais LER/DORT, leia os materiais: A LER é uma doença crônica e invisível, alerta Fundacentro, Lesão por Esforço Repetitivo (LER), Canadian Centre for Occupational Health and Safety, e assista o vídeo: LER/DORT - notificação compulsória pelo SUS, disponível em nossa biblioteca virtual. DOENÇAS OCUPACIONAIS 25 Referências BRASIL. Ministério da Saúde,Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho: Portaria N.1339/GM, de 18 de novembro de 1999. Brasília: Ministério da Saúde, 2008. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_relacionadas_t rabalho_2ed_p1.pdf http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/Port99/GM/GM- 1339.html . Acesso em: 20 jan. 2015. BRASIL. Lei 8213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os planos de benefícios de previdência social e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm Acesso em: 19 jan. 2015. BRASIL. Ministério da Saúde do Brasil, Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil; organizado por Elizabeth Costa Dias; colaboradores Idelberto Muniz Almeida et al. Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília: Ministério da Saúde do Brasil, 2001. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_relacionadas_t rabalho1.pdf Acesso em: 1º nov. 2014. BRASIL. Instrução Normativa INSS/DC nº 98, de 05 de dezembro de 2003 - DOU, 10 dez. 2003. Aprova Norma Técnica sobre Lesões por Esforços Repetitivos-LER ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho– DORT. Disponível em: http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/38/INSS- DC/2003/98.htm. Acesso em: 1º nov. 2014. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Saber LER para prevenir DORT. DOENÇAS OCUPACIONAIS 26 Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2007. 20 p.: il. (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saber_ler_prevenir_dort .pdf Acesso em: 1º fev. 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. Dor relacionada ao trabalho: lesões por esforços repetitivos (LER): distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT)/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012. 68 p. : il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Saúde do Trabalhador ; 10. Protocolos de Complexidade Diferenciada). Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/dor_relacionada_trabalh o_ler_dort.pdf LEITE, P. C. et al. A mulher trabalhadora de enfermagem e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 2007; 41(2):287-91. Disponível em: < www.ee.usp/reeusp Acesso em: 02 fev. 2015. MENDES, René (Org.). Patologia do trabalho. Ed. atual. e ampl. Rio de Janeiro: Atheneu, 2003. v. 1 e 2. SANTOS, M. R. S. et al. A Enfermagem do Trabalho frente lesões por esforços repetitivos/doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho. Revista Eletrônica de Enfermagem do Centro de Estudos de Enfermagem e Nutrição, jan.-jul. 2013, 2 (2), p. 1-15. Disponível em: < http://www.ceen.com.br/revistaeletronica. Acesso em: 1º fev. 2015. DOENÇAS OCUPACIONAIS 27 Exercícios de fixação Questão 1 Leia com atenção as sentenças abaixo e mediante os conhecimentos iniciais sobre as patologias conhecidas como LER, ou melhor, Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (denominação sugerida pelo INSS em 1998), assinale a única opção incorreta. a) São patologias que acometem preferencialmente coluna vertebral, membros superiores e inferiores, sendo sempre ocasionadas por múltiplos fatores correlacionados. b) A prevalência dessas patologias entre os trabalhadores é elevada no caso do Brasil, determinando cerca de 60% dos afastamentos laborais e 75% das emissões de CAT pelo INSS. c) As LER/DORT algumas vezes são uma consequência das condições de trabalho, mas nem sempre, pois existem fatores sociais e psicológicos que também podem determinar seu aparecimento. d) Esses distúrbios osteomusculares acometem diversas categorias profissionais de distintos e variados setores da economia. e) A denominação LER/DORT é muito questionada por profissionais da saúde, Conselhos de categorias médica e de enfermagem, e pelo próprio INSS e MTE devido à sua inadequação, visto que os esforços repetitivos não são a única causa dessas patologias. Questão 2 A seguir, estão listadas algumas justificativas acerca da importância do diagnóstico das LER/DORT quando analisamos sob ponto de vista dos trabalhadores, empregadores e da sociedade em geral. A alternativa que não apresenta uma dessas justificativas é a: a) São manifestações clínicas que podem ser dolorosas, crônicas, invisíveis e irreversíveis para a saúde do trabalhador, levando à deterioração de sua condição física e psicológica.. b) Podem afetar a capacidade produtiva do trabalhador acometido, dificultando sua reinserção no trabalho após eventual afastamento e recuperação clínica.. DOENÇAS OCUPACIONAIS 28 c) Permitir a padronização e adequação da interpretação pericial (médicos peritos) facilitando a determinação do nexo de causalidade.. d) Melhor tratamento, reabilitação e recuperação do trabalhador acometido.. e) Evitar especificamente confusões diagnósticas entre tarefas domésticas e atividades profissionais de limpeza, faxina ou cozinha industrial. Questão 3 O Departamento Saúde-Segurança (HESA) do Instituto Sindical Europeu para Pesquisa, Formação e Saúde-Segurança (ETUI-RESH) afirma que as LER/DORT são a principal manifestação clínica ligada à organização do trabalho, sobretudo em países industrializados. Sobre os distúrbios musculoesqueléticos envolvidos nesse grupo podemos dizer que: a) Caracterizam-se por manifestações clínicas que afetam, além dos músculos e ossos, os ligamentos e tendões, sendo estes últimos somente relacionados aos quadros de sinovites e tenossinovites.. b) São, sobretudo, doenças do aparelho locomotor de origem inflamatória e degenerativa cujos sinais e sintomas não são específicos e o aparecimento não ocorre de forma súbita. c) São precedidas invariavelmente por fadiga e manifestações de desconforto relatadas pelos trabalhadores.. d) A dor é sintoma comum entre aquelas LER/DORT ocasionadas exclusivamente pelo esforço repetitivo no ambiente de trabalho independente da amplitude dos movimentos realizados, tempo de exposição ao risco, intensidade das tarefas desenvolvidas.. e) Os fatores psicossociais que em geral se associam a ocorrência das Dorsalgias entre trabalhadores não podem ser considerados fatores de risco para aparecimento de LER/DORT.. Questão 4 Segundo a Instrução Normativa do INSS específica sobre o tema (IN/DC nº 98, 2003) são aspectos básicos da investigação sobre a exposição ocupacional DOENÇAS OCUPACIONAIS 29 relacionada à ocorrência dos distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho, EXCETO: a) Caracterização exclusiva de existência de esforço repetitivo. b) Magnitude ou intensidade dos fatores de risco.. c) Região anatômica da Lesão (MMSS, MMII).). d) Variação do tempo dos fatores de risco (jornadas, pausas).). e) Tempo da exposição aos fatores de risco.. Questão 5 Quando avaliamos os múltiplos fatores de risco ocupacionais relacionados as LER/DORT e suas manifestações sobre o trabalhador entendemos como é relevante o conhecimento das exposições laborais para orientar as ações de prevenção no ambiente detrabalho. Leia as afirmações abaixo listadas sobre estes fatores de risco e em seguida marque a alternativa correta. I. As posturas extremas ou inadequadas no trabalho são a um fator de risco bastante importante podendo causar afecções musculoesqueléticas graves por forcar as articulações, aumentar a carga ou estressar as estruturas musculares e esqueléticas de forma acentuada. II. A carga musculoesquelética mecânica (carga sobre os tecidos) e a carga estática (posição contra a gravidade) podem ser ocasionadas pela força, a repetitividade, a duração da carga, o tipo de preensão, a postura e o método de trabalho. III. Enquanto a invariabilidade da tarefa (monotonia de esforço sobre mesma região anatômica) é altamente lesiva ao trabalhador, a existência de funções com alta exigência cognitiva não se caracterizam propriamente por fator de risco para ocorrência das LER/DORT. IV. O posto de trabalho ocupado pelo trabalhador em si não ocasionam distúrbios musculoesqueléticos, mas levam ao trabalhador a adotar posturas, posições, comportamentos que o permitam a suportar cargas excessivas, pressões inadequadas, dimensões inapropriadas para exercer suas atividades podendo levar ao aparecimento das LER/DORT. a) Todas as afirmativas estão corretas. DOENÇAS OCUPACIONAIS 30 b) Alternativas I, II e III estão corretas. c) Alternativas I e IV estão incorretas. d) Somente a alternativa III está incorreta e) Todas as alternativas estão incorretas. Questão 6 Segundo o Boletim de estatísticas do INSS dos últimos 5 anos, as categorias profissionais líderes entre os acidentados por LER/DORT são os digitadores, operadores de telemarketing, bancários, operadores de linha de montagem entre outros. Dentre os fatores de risco ocupacionais abaixo apresentados, todos são comuns a essas ocupações, exceto o que lista a alternativa: a) Carga osteomuscular mecânica excessiva (tensão, pressão, fricção e irritação).). b) Monotonia de esforço sobre a mesma região anatômica caracterizando a invariabilidade de tarefas laborais executadas.. c) Ambiente de trabalho organizado, porém com variação da intensidade do ritmo de trabalho. d) Exposição a condições pouco ergonômicas resultando em posturas laborais inadequadas.. e) Períodos prolongados de execução de tarefas e manutenção de posturas.. Questão 7 Para responder essa e as próximas questões examine o Caso Clínico: A.M.L, 34 anos, casada, moradora de Niterói (RJ), enfermeira há 10 anos de ambiente hospitalar, empregada faz 2 anos pelo maior hospital privado da região com cerca de 350 leitos, atua na enfermaria de clínica cirúrgica de onde está afastada há 43 dias do trabalho por recomendação do médico do trabalho da empresa e o perito do INSS que a diagnosticaram com tenossinovite não especificada acometendo braço e antebraço bilateralmente, com incapacidade temporária para o trabalho (3 meses). Encontra-se em tratamento com atiinflamatórios e analgésicos combinados com fisioterapia diária domiciliar. Obteve melhora do quadro da dor e da parestesia desde que está afastada do trabalho, em repouso em casa, e sem realizar inclusive DOENÇAS OCUPACIONAIS 31 nenhuma tarefa doméstica. Contudo, permanece referindo cansaço excessivo nos membros superiores. Já havia apresentado a mesma sintomatologia em trabalhos anteriores, mas nunca com tamanha intensidade. Além das atribuições da função A.M.L. tinha assumido nos últimos 60 dias antes do afastamento a gerência de enfermagem geral do 3º andar (enfermaria cirúrgica, centro cirúrgico e CME) devido à saída da sua colega, enfermeira então responsável, para cumprimento de sua licença-maternidade. Além disso, eventualmente dava plantões do setor de emergência para complementar renda familiar. Sua maior preocupação ao retornar ao trabalho é com a notícia de que haverá uma reestruturação de RH no Hospital, pois já existe um déficit de recursos humanos de enfermagem e uma sobrecarga do trabalho da equipe atual que podem ser agravados com eventuais cortes de pessoal e implantação de retribuição por performance. Examinando o caso relatado, identifique a alternativa que aponta algumas das condições, atividades, fatores de risco ocupacionais, aos quais a A.M.L poderia estar exposta durante seu exercício profissional no posto de trabalho citado. a) Realização de curativos, manipulação e higienização de pacientes.. b) Jornada e cargas horárias extras excessivas de trabalho.. c) Preenchimento de formulários eletrônicos, escalas, formulários de movimentação cirúrgica, gráficos estatísticos de gerencia do setor.. d) Ambiente organizacional de incerteza e cobrança de produtividade.. e) Todas alternativas acima estão corretas. Questão 8 Examinando o caso de A.M.L., quais das medidas abaixo podem ser indicadas imediatamente em seu retorno ao posto de trabalho para minimizar a ocorrência da lesão mencionada? I. Reintegração laboral com mudança de função. II. Finalização do acúmulo de função (enfermeira setor e gerência do andar) e dos plantões extras. III. Evitar as posturas inadequadas relativas ao posto de enfermagem e realização das atividades no leito dos pacientes. DOENÇAS OCUPACIONAIS 32 IV. Realização de pausas laborais durante a jornada de trabalho regular. a) Alternativa I. b) Alternativas II e III. c) Nenhuma das alternativas acima. d) Somente a alternativa IV. e) Todas alternativas, exceto a I. Questão 9 Em referência ao fluxograma de abordagem e seguimento das LER/DORT, podemos concluir que no caso clínico apresentado anteriormente, sobre a primeira atuação da equipe de Saúde que a assistiu, houve: a) Conduta acertada, pois houve confirmação do diagnóstico, afastamento laboral e tratamento adequados.. b) Conduta acertada, pois houve notificação do caso através do SINAN e emitida a CAT no momento em que houve a confirmação diagnóstica de Tenossinovite.. c) Conduta incompleta, pois seria necessária a realização de exames complementares de laboratório e imagem para confirmar a suspeita de tenossinovite.. d) Conduta adequada, pois toda tenossinovite requer afastamento mínimo do trabalho por período igual ou superior a 60 dias.. e) Conduta acertada, pois diante do diagnóstico clínico epidemiológico sucedido por afastamento laboral, considerado naquele caso necessário, e condução da paciente para o INSS para perícia e avaliação do quadro do acidente de trabalho caracterizado. Questão 10 No caso da enfermeira A.M.L., após o tratamento e reabilitação (medicação, fisioterapia e demais terapias complementares) retornando à sua função, as seguintes etapas do cuidado a saúde que devem ocorrer na abordagem realizada pela equipe de Saúde Ocupacional do Hospital onde ela trabalha, devem compreender: DOENÇAS OCUPACIONAIS 33 a) Atividades de educação em saúde no ambiente laboral (orientação sobre posturas e condições de exercício das atividades para prevenir recorrências), participação ativa no controle sobre as condições do seu posto de trabalho e acompanhamento pela equipe de saúde ocupacional (prevenção e promoção). b) Avaliação de capacidade laboral realizada pelo setor de recursos humanos e chefia de enfermagem do hospital, para avaliar a permanência no posto atual de trabalho.. c) Acompanhamento pelo médico perito do INSS a cada 15 dias para avaliar condição clínica até completar seis meses de retorno ao trabalho.. d) Continuidade do tratamento com profissional de fisioterapia e psicoterapia para evitar a ocorrência de outro processo de adoecimento visto que as condições de trabalho serão as mesmas.. e) Realizaçãode rodízio de função durante os próximos seis meses para assegurar a recuperação plena e perfeitas condições físicas e psíquicas para retorno à função de enfermeira do setor.. DOENÇAS OCUPACIONAIS 34 Anamnese ocupacional: Este é o momento de coletar informações e identificar no relato do paciente situações de sobrecarga ou estresse do sistema musculoesquelético, identificando condições de trabalho características com especial atenção para casos de atividades que demandem movimentos repetidos, jornadas excessivas sem pausas, posturas inadequadas, entre outros fatores de risco que já comentamos nessa aula. Atenção para um detalhe: questionar sobre postos de trabalho ocupados pelo paciente em ocupações anteriores também é vital para a investigação clínica diagnóstica. A escuta ao paciente, trabalhador, deve ser atenta. Enfermeiro: A atuação do Enfermeiro do Trabalho, segundo o MET e da Associação Nacional de Enfermagem em Saúde Ocupacional – ANENT e do Conselho Nacional de Enfermagem – COFEN, compreende: apoiar no diagnóstico das condições de trabalho, desenvolver programas de prevenção, promoção e reabilitação dos trabalhadores. E também, realizar o acompanhamento dos profissionais afastados do trabalho resguardando sua saúde no ambiente laboral. Ergonômicas: Segundo definição da Associação Internacional de Ergonomia, é ”uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho global do sistema. Os ergonomistas contribuem para o planejamento, projeto e a avaliação de tarefas, postos de trabalho, produtos, ambientes e sistemas de modo a torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas”. Exposição ocupacional: Quando examinamos os agentes etiológicos das DOENÇAS OCUPACIONAIS 35 Dorsalgias, as Sinovites/Tenossinovites e as Lesões do Ombro basicamente estamos falando sobre posições de trabalho forçadas e gestos repetitivos; ritmo de trabalho penoso e intenso; condições difíceis de trabalho seja pela magnitude, intensidade ou por inadequações de mobiliários, equipamentos, ferramentas, entre outros. Assim, a lista de atividades laborais potencialmente nocivas certamente é bastante extensa. Fisioterapeuta: O tratamento das manifestações clínicas diversas que acometem o sistema osteomuscular quando realizado nos estágios iniciais (I e II), sendo ainda uma reação aguda do organismo, costumam ser mais fáceis combinando medicação adequada (analgésica, antinflamatória, psicotrópicos quando indicados) e fisioterapia, na maioria dos casos. A fisioterapia nesses casos é essencial para proporcionar ao paciente o alívio da dor, o relaxamento muscular e a prevenção de deformidades, proporcionando uma melhoria da capacidade funcional (MS, 2012). Devendo ser indicada individualmente pelo profissional fisioterapeuta que acompanha o paciente, avaliando duração e modalidade indicada para seu quadro clínico (agudo ou crônico). Papel do Enfermeiro: Um recente estudo realizado por enfermeiras especialistas em Enfermagem do Trabalho (Santos et al., 2013), cujo objetivo era o de analisar e conhecer as abordagens do enfermeiro do trabalho nas LER/DORT, através de revisão bibliográfica, alerta que o Enfermeiro deve ter ciência que os distúrbios referidos são de causa multifatorial. O profissional, então, poderá cuidar dos trabalhadores realizando a avaliação periódica auxiliando no diagnóstico, e, sobretudo, ajudando a eliminar os fatores causais promovendo as ações de promoção e prevenção definidas em cada ambiente de trabalho. Além disso, o Enfermeiro é responsável por avaliar e recomendar um ambiente de trabalho seguro. Assim, ao final dessa aula podemos destacar que na abordagem específica das LER/DORT que o Enfermeiro do Trabalho tem o papel fundamental de: participar em equipe da identificação das causas relacionadas; atuar na promoção de ações de prevenção; auxiliar na criação e manutenção de DOENÇAS OCUPACIONAIS 36 condições de trabalho seguro; auxiliar na não desregulamentação do direito dos trabalhadores diante da ocorrência de uma doença ocupacional. Profissional de terapias complementares: Além dos tratamentos fisioterápicos tradicionais como eletrotermofototerapia, massoterapia e cinesioterapia, há um aumento crescente do uso de inúmeras terapias complementares como acupuntura, reiki, do-in, shiatsu, cromoterapia no tratamento de pacientes com LER/DORT. Terapeuta ocupacional: A terapia ocupacional e psicoterapia de grupo ou individual também têm se mostrado importantes para a recuperação do trabalhador afetado pelas LER/DORT, desde que realizados por profissionais especializados. DOENÇAS OCUPACIONAIS 37 Aula 6 Exercícios de fixação Questão 1 - C Justificativa: As condições de trabalho são sempre causa do aparecimento das LER/DORT ainda que ela seja multifatorial. As LER/DORT são manifestações clínicas do sistema musculoesquelético adquiridos pelo trabalhador exposto a determinadas condições de trabalho que são especificamente nocivas quando em excesso, em graus inadequados, em tempos prolongados de exposição, entre outros fatores. Questão 2 - E Justificativa: A importância social, pública, individual, coletiva, científica, jurídica, previdenciária do adequado diagnóstico das LER/DORT estão relacionadas à adequada concessão de benefícios, proteção, tratamento e recuperação dos trabalhadores atingidos, independente de sua ocupação e das tarefas que desempenha. Trata-se de uma etapa indispensável, a de diagnóstico, para posterior causalidade, tratamento, afastamento laboral, intervenção na organização e condições laborais, e até nas medidas preventivas na medida em que mais informação estará disponível para permitir orientar as ações de prevenção. Questão 3 - B Justificativa: A segunda alternativa é a correta, pois esclarece que as DORT são manifestações clínicas silenciosas, muitas vezes decorrentes da relação entre tempo, exposição, esforços, repetitividade, condições da organização do trabalho. Dentre a lista de patologias relacionadas classificadas no Capítulo XIII da CID-10, são de origem inflamatória e/ou degenerativa afetando sistema osteomuscular e tecido conjuntivo. DOENÇAS OCUPACIONAIS 38 Questão 4 - A Justificativa: O esforço repetitivo é um dos fatores de risco que podem levar ao aparecimento dessas patologias, mas certamente não é o único. Na análise da exposição ocupacional recomenda-se, segundo a IN/DC nº 98 que sejam avaliados os quatro elementos centrais apresentados da segunda a quinta questão. Questão 5 - D Justificativa: As funções de alta exigência cognitiva podem ocasionar os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, seja causando um aumento da tensão muscular, seja causando uma reação mais generalizada de estresse (MS, 2012) sendo, portanto, um fator de risco tão relevante quanto à repetitividade das tarefas laborais. Questão 6 - C Justificativa: Ambiente de trabalho organizado pressupõe: respeito às normas técnicas de desenvolvimento das tarefas; postos de trabalho em locais e condições adequadas; ritmo, jornada, intensidade, frequência e duração dos processos de trabalho orientados às pausas necessárias e características da tarefa; utilização de equipamentos/ferramentas/mobiliário em condições ergonômicascorretas. Portanto, dificilmente um ambiente com essas características, ainda que possuísse momentos de intensidade de trabalho, causaria por si só o aparecimento de LER/DORT. Questão 7 - E Justificativa: Sobrecarga de trabalho, pressão excessiva, aceleração do trabalho, polivalência de atividades, posturas inadequadas, fatores ambientais, ergonômicos, organizacionais, todos são potenciais fatores de risco para o profissional de enfermagem. DOENÇAS OCUPACIONAIS 39 Questão 8 - E Justificativa: Todas as alternativas descritas, exceto a primeira, constituem-se em opções para a Enfermeira A.M.L. melhorar suas condições de trabalho e impactam na redução da exposição aos riscos ocupacionais da função. A mudança de função é a última medida indicada para reinserção do trabalhador e deve ser recomendada quando da impossibilidade da adoção de outras medidas de prevenção e ajuste organizacional, pois envolve questões laborais mais complexas e mudança de posto de trabalho. Questão 9 - E Justificativa: Verificar o fluxograma apresentado na tela 9. Questão 10 - A Justificativa: Os profissionais de saúde ocupacional são responsáveis não só por proporcionar a melhor opção terapêutica como também por realizar orientação educacional preventiva aos acidentados controlando o ambiente laboral e a evolução clínica dos mesmos em retorno ao trabalho (ver fluxograma apresentado na tela 9).