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DOENÇAS OCUPACIONAIS 1 
 ....................................................................................... 2 Aula 6: Entendendo as LER/DORT
 ...................................................................................................... 2 Introdução
 ........................................................................................................ 3 Conteúdo
LER e DORT ......................................................................................................................... 3 
Histórico sobre a prevenção de acidentes ................................................................... 3 
Dados estatísticos sobre as LER/DORT .......................................................................... 5 
Dados estatísticos de acidente de trabalho ........................................................... 5 
Fatores etiológicos identificados a estes distúrbios .................................................. 10 
Elementos básicos das condições de exposição ocupacional ............................... 10 
Áreas afetadas pela LER/DORT ...................................................................................... 11 
Quais ocupações você acha que representam maior risco ocupacional? ........... 11 
Ocupações que possuem risco ocupacional ......................................................... 11 
Incapacidade laboral temporária ou permanente .................................................... 13 
Incapacidade laboral temporária ou permanente ................................................. 13 
Abordagem inicial ao paciente ..................................................................................... 16 
Exame físico específico ................................................................................................... 16 
Após o exame físico específico ..................................................................................... 19 
Estágios evlutivos das LER/DORT ................................................................................. 20 
Atuação multiprofissional .............................................................................................. 21 
Principais grupos e patologias dentre as LER/DORT ................................................ 21 
Qual seria o papel do Enfermeiro do Trabalho na abordagem às LER/DORT? ... 23 
 ................................................................................................. 24 Aprenda Mais
 ..................................................................................................... 25 Referências
 ...................................................................................... 27 Exercícios de fixação
Notas ........................................................................................................................................... 34 
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 37 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 2 
 
Introdução 
O principal grupo de agravos à saúde do contingente de trabalhadores formais 
ou não, as chamadas LER/DORT, tem grande relevância social no Brasil e no 
mundo como um todo, e merecerá destaque na nossa sexta aula. 
 
Nesta aula, discutiremos aspectos conceituais, epidemiológicos, fatores de 
risco, mecanismos de produção dessas afecções musculoesqueléticas, que são 
um desafio quando falamos das avaliações diagnósticas, do nexo de 
causalidade, bem como do manejo terapêutico e previdenciário desse conjunto 
de doenças que podem ser comprovadamente relacionadas ao trabalho ou não. 
 
Objetivo: 
1. Demonstrar a definição, dados epidemiológicos, fatores etiológicos, 
patogenia das principais doenças ocasionadas por desgastes das estruturas do 
sistema musculoesquelético entre trabalhadores; 
2. Discutir os mecanismos de diagnóstico, confirmação de nexo de causalidade 
e manejo das principais doenças relacionadas ao grupo das LER e DORT. 
 
 
 
 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 3 
Conteúdo 
 
LER e DORT 
Dentre as doenças relacionadas ao trabalho, trataremos hoje daquelas 
relacionadas às Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios 
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). 
 
Estas são denominações adotadas tanto pelo Ministério da Saúde quanto da 
Previdência Social para designar essas patologias, de notificação compulsória 
em território nacional, decorrentes do trabalho, seja por sobrecarga excessiva 
ou por ausência de tempo adequado para recuperação após atividade laboral. 
Para iniciarmos nossa abordagem convidamos você a assistir ao vídeo a seguir, 
produzido pela FUNDACENTRO para prevenir as LER/DORT. Vamos assistir? 
 
 
Atenção 
 Como o vídeo que assistimos nesta aula bem apresenta, as 
LER/DORT são caracterizadas pela ocorrência de vários sintomas 
concomitantes ou não, tais como: dor, parestesia, sensação de 
peso, fadiga, de aparecimento insidioso, geralmente na 
coluna vertebral, nos membros superiores (maioria em 
ombros e pescoço) ou membros inferiores. As patologias 
conhecidas como tenossinovites, sinovites, compressões de nervos 
periféricos, síndromes miofasciais podem ser diagnosticadas ou não, 
veremos adiante. Portanto, podemos resumir que são manifestações 
clínicas do sistema musculoesquelético adquiridos pelo trabalhador 
exposto a determinadas condições de trabalho. 
 
Histórico sobre a prevenção de acidentes 
Conheça a linha do tempo sobre a prevenção de acidentes, clicando nas datas 
históricas. 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 4 
1973 
Os primeiros casos no Brasil foram descritos durante o XII Congresso Nacional 
de Prevenção de Acidentes do Trabalho (1973), onde foram apresentados casos 
de tenossinovites ocupacionais em lavadeiras, limpadoras e engomadeiras, que 
operavam intensamente com as mãos e não faziam pausas durante as jornadas 
laborais. 
 
1987 
Diversas conquistas no campo dos benefícios previdenciários foram 
conseguidas, sobretudo durante a década de 80 devido à atuação intensa dos 
Sindicatos de Trabalhadores para incluir as tenossinovites e demais patologias 
do grupo como doenças do trabalho. 
 
2000 
A partir de 2000 uma sucessão de publicações do MS do Brasil passa a atestar 
que diversas entidades nosológicas, além das tenossinovites, são consideradas 
como LER/DORT. 
 
2009 
O INSS contribui com os debates técnicos da área quando publicou um estudo 
que demonstrava a ocorrência de mais 200 atividades econômicas promotoras 
de LER/DORT (MS, 2012). 
 
Tempos atuais 
Segundo Ministério da Saúde (2012), área técnica de Saúde do Trabalhador, o 
processo de intensificação do trabalho, aumento das jornadas diárias, 
produtividade por metas e incremento da competitividade iniciados a 
partir da Revolução Industrial e agravados em tempos atuais, 
ocasionaram, sobretudo transformações do processo de trabalho marcadas 
por: 
• Grande demanda física e motora (aumentando movimentos repetitivos); 
• Impossibilidade de pausas espontâneas; 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 5 
• Manutenção em certas posições por tempo prolongado; 
• Monitoramento e controle de qualidade para evitar erros (pressão); 
• Exposição elevada a condições pouco ergonômicas. 
 
Dados estatísticos sobre as LER/DORT 
Os dados estatísticos oficiais de abrangência nacional do nosso país sobre as 
LER/DORT, utilizados para finalidade previdenciária, são originários da 
Previdência Social (DATAPREV) sendo, portanto, incompletos por considerarem 
somente a população trabalhadora do mercado formal e também pela realidade 
de subnotificação dos acidentes de trabalho e das doenças ocupacionais já 
diagnosticadas. 
 
No entanto,ainda assim, quando observamos esses números fica clara a 
magnitude do problema onde as Dorsalgias, as Sinovites/Tenossinovites e as 
Lesões do ombro são os agravos mais prevalentes (DATAPREV, 2012). 
 
Dados estatísticos de acidente de trabalho 
Vemos adiante na Tabela 1 que ocorreram 103.441 acidentes de trabalho 
(doenças ocupacionais) relacionadas ao sistema musculoesquelético e tecido 
conjuntivo durante o ano de 2012. Dados da Previdência Social de 1999 até 
2012 evidenciam a magnitude de 7.645.909 acidentados por LER/DORT, 
demonstradas nas patologias desse Capítulo da CID. 
 
Tabela 1 – Distribuição dos Acidentes de Trabalho no Brasil, classificados como 
LER/DORT, no ano de 2012. 
 
Distribuicao de Acidentes do 
Trabalho no Brasil em 2012 Motivo/Situação 
CID (Capítulo XIII - Sistm. 
Oesteomuscular/tec. Conjuntivo 
Típico-
Com Cat 
Trajeto-
Com Cat 
Doença do 
Trabalho-
Com Cat Sem Cat Total 
(M00)Artrite Piogenica 14 2 1 27 44 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 6 
(M01)Infecc Diretas Artic Doenc 
Infec Parasit 1 0 0 4 5 
(M02)Artropatias Reacionais 4 2 1 3 10 
(M03)Artropatias Pos-Infecc Reac 
Doenc Infecc 2 0 0 1 3 
(M05)Artrite Reumatoide Soro-
Positiva 6 1 3 28 38 
(M06)Outr Artrites Reumatoides 15 4 4 35 58 
(M07)Artropatias Psoriasicas e 
Enteropaticas 1 0 0 0 1 
(M08)Artrite Juvenil 4 0 0 1 5 
(M09)Artrite Juvenil em Doenc 
Cop 1 0 0 2 3 
(M10)Gota 6 0 2 18 26 
(M11)Outr Artropatias 
p/Deposicao de Cristais 1 1 1 3 6 
(M12)Outr Artropatias Espec 55 13 1 32 101 
(M13)Outr Artrites 41 14 8 60 123 
(M14)Artropatias em Outr Doenc 
Cop 25 5 3 5 38 
(M15)Poliartrose 66 21 20 107 214 
(M16)Coxartrose 16 4 8 207 235 
(M17)Gonartrose 74 20 13 549 656 
(M18)Artrose Prim Articulacao 
Carpometacarpia 9 1 1 11 22 
(M19)Outr Artroses 62 13 26 396 497 
(M20)Deform Adquir Dedos Maos 
e Pes 115 15 2 104 236 
(M21)Outr Deform Adquir dos 
Membros 38 13 5 38 94 
(M22)Transt da Rotula 98 41 22 198 359 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 7 
(M23)Transt Internos dos Joelhos 1205 370 104 2691 4370 
(M24)Outr Transt Articulares 
Especificos 171 46 11 167 395 
(M25)Outr Transt Articulares 
Ncop 2846 889 114 2271 6120 
(M30)Poliarterite Nodosa e 
Afeccoes Correlata 1 2 0 0 3 
(M31)Outr Vasculopatias 
Necrotizantes 1 0 0 0 1 
(M32)Lupus Eritematoso 
Disseminado 0 0 3 5 8 
(M33)Dermatopoliomiosite 1 0 2 0 3 
(M34)Esclerose Sistemica 2 2 0 3 7 
(M35)Outr Afeccoes Sistemicas 
do Tec Conjunti 6 3 0 2 11 
(M36)Doenc Sistemicas do Tec 
Conjuntivo Doenc 2 0 0 0 2 
(M40)Cifose e Lordose 16 0 0 6 22 
(M41)Escoliose 20 4 4 21 49 
(M42)Osteocondrose da Coluna 
Vertebral 2 0 0 0 2 
(M43)Outr Dorsopatias 
Deformantes 85 38 14 128 265 
(M45)Espondilite Ancilosante 9 2 0 9 20 
(M46)Outr Espondilopatias Inflam 20 5 2 20 47 
(M47)Espondilose 16 8 18 154 196 
(M48)Outr Espondilopatias 18 3 7 63 91 
(M49)Espondilopatias em Doenc 
Cop 5 1 1 3 10 
(M50)Transt dos Discos Cervicais 98 31 171 435 735 
(M51)Outr Transt de Discos 629 62 748 4559 5998 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 8 
Intervertebrais 
(M53)Outr Dorsopatias Ncop 118 29 84 422 653 
(M54)Dorsalgia 9790 1534 1037 23053 35414 
(M60)Miosite 67 11 3 15 96 
(M61)Calcificacao e Ossificacao 
do Musculo 27 2 3 5 37 
(M62)Outr Transt Musculares 1172 205 21 140 1538 
(M63)Transt de Musculo em 
Doenc Cop 14 4 1 4 23 
(M65)Sinovite e Tenossinovite 1550 278 2071 9289 13188 
(M66)Ruptura Espontanea de 
Sinovia e de Tenda 200 35 16 187 438 
(M67)Outr Transt das Sinovias e 
dos Tendoes 87 12 25 156 280 
(M68)Transt de Sinovias e de 
Tendoes em Doenc 37 4 10 28 79 
(M70)Transt Tec Moles Relac Uso 
Excess e Pres 153 28 205 512 898 
(M71)Outr Bursopatias 41 9 76 229 355 
(M72)Transt Fibroblasticos 28 7 22 132 189 
(M73)Transt dos Tec Moles em 
Doenc Cop 12 3 1 4 20 
(M75)Lesoes do Ombro 1514 356 3153 14619 19642 
(M76)Entesopatias dos Membros 
Infer Excl Pe 98 22 38 125 283 
(M77)Outr Entesopatias 398 63 675 3234 4370 
(M79)Outr Transt dos Tec Moles 
Ncop 1873 517 92 648 3130 
(M80)Osteoporose c/Frat 
Patologica 6 2 0 0 8 
(M81)Osteoporose s/Frat 3 0 1 3 7 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 9 
Patologica 
(M82)Osteoporose em Doenc Cop 3 2 0 0 5 
(M83)Osteomalacia do Adulto 6 4 2 4 16 
(M84)Transt da Continuidade do 
Osso 40 19 10 108 177 
(M85)Outr Transt da Densidade e 
Estrutura Oss 13 2 2 5 22 
(M86)Osteomielite 24 4 1 80 109 
(M87)Osteonecrose 5 3 0 32 40 
(M89)Outr Transt Osseos 10 4 1 15 30 
(M90)Osteopatias em Doenc Cop 8 2 3 0 13 
(M91)Osteocondrose Juvenil do 
Quadril e da Pe 5 2 0 1 8 
(M92)Outr Osteocondroses 
Juvenis 4 1 1 1 7 
(M93)Outr Osteocondropatias 121 35 7 18 181 
(M94)Outr Transt das Cartilagens 12 2 2 11 27 
(M95)Outr Deform Adquir Sist 
Osteomusc Tec Co 21 2 0 12 35 
(M96)Transt Osteomusculares 
Pos-Proced Ncop 297 76 15 45 433 
(M99)Lesoes Biomecanicas Ncop 326 100 3 132 561 
Total 23890 5015 8901 65635 103441 
 
Observemos que as Dorsalgias, as Sinovites e Tenossinovies bem como as 
Lesões de Ombro são as patologias mais frequentes entre os trabalhadores 
acidentados no ambiente de trabalho naquele período, segundo dados oficiais 
da Previdência. 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 10 
Fatores etiológicos identificados a estes distúrbios 
Dentre os fatores etiológicos identificados a esses distúrbios que estamos 
abordando nesta aula, podemos listar: 
 
Fatores biomecânicos 
Repetição de movimentos, força, posturas inapropriadas, entre outros. 
 
Fatores da organização do trabalho 
Carga horária, pausas laborais, frequência e intensidade. 
 
Fatores psicológicos 
Insatisfação com o trabalho, ansiedade e depressão. 
 
Fatores sociológicos 
Problemas pessoais, benefícios salariais, conflitos com empregador. 
 
Importante ressaltar que a particularidade no tema dessas patologias é que tem 
etiologia multifatorial, ou seja, é uma interação entre diferentes fatores que 
podem promover o aparecimento das lesões em si ou podem manifestar-se 
através das manifestações clínicas já descritas. Daí é que vem a importância da 
avaliação dos riscos e da atribuição do diagnóstico preciso no caso da 
abordagem das LER/DORT. 
 
Elementos básicos das condições de exposição ocupacional 
Em geral, considerando os determinantes dessas doenças em particular, o que 
deve ser avaliado nas condições de exposição ocupacional são sempre quatro 
elementos básicos descritos na Instrução Normativa do INSS específica sobre o 
tema (IN/DC nº 98, 2003): 
 
 Região anatômica da Lesão (MMSS, MMII); 
 Magnitude ou intensidade dos fatores de risco; 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 11 
 Variação do tempo dos fatores de risco (jornadas, pausas); 
 Tempo da exposição aos fatores de risco. 
 
Áreas afetadas pela LER/DORT 
Em resumo as LER/DORT podem afetar... 
 
Estruturas do sistema nervoso: mais comum das lesões, as compressivas, 
decorrem de posturas inadequadas, esforço repetitivo, sobrecarga, entre outros 
e podem acarretar estenoses das raízes nervosas, hérnias ou protusões dos 
discos intervertebrais. 
 
Estruturas musculares: uma das formas de lesão muscular ocorre pela fadiga 
inicial que provoca uma redução na capacidade de contração do músculo 
exigido, de forma progressiva, e pelo esforço de utilização de outras fibras 
musculares ocorre uma sobrecarga que leva à lesão. Neste caso o tempo de 
recuperação das estruturas musculares afetadas pode ser longo. 
 
Tendões e ligamentos (articulações): o esforço e/ou sobrecarga ocasiona 
rupturas das fibras dessas estruturas provocando uma disfunção na suacapacidade de resistência e de força normais. 
 
Quais ocupações você acha que representam maior risco 
ocupacional? 
Algumas populações de trabalhadores estão mais expostos a lesões ou 
distúrbios em regiões anatômicas específicas, como os cortadores de carnes. 
Segundo o “Protocolo sobre Dor relacionada ao trabalho” (MS, 2012), diversos 
estudos realizados nos últimos 30 anos por pesquisadores em diversos países 
americanos e europeus evidenciaram essas associações. 
 
Ocupações que possuem risco ocupacional 
Veja a tabela a seguir as ocupações que possuem um maior risco ocupacional. 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 12 
Lesões de Ombro Tendinites de mãos e 
punhos 
Epicondilites 
laterais 
Diversas 
localizações 
Soldadores de estaleiros. Empacotadores. Cortadores de 
carne. 
Digitadores. 
Chapeadores de 
estaleiros. 
Enchedores de linguiça. Empacotadoras. Costureiras. 
Trabalhadores industriais 
expostos a atividades 
com alta repetitividade e 
força. 
Cortadores de carne. Cortadores de 
carne. 
Montadores de 
componentes 
eletrônicos. 
Trabalhadores de linhas 
de montagem de 
embalagens. 
Trabalhadores 
industriais submetidos 
a atividades com alta 
repetitividade e força, 
alta força e baixa 
repetitividade, baixa 
força e alta 
repetitividade. 
Trabalhadores de 
manufatura. 
Trabalhadores 
de estaleiros. 
Trabalhadores de 
manufatura. 
Enchedores de linguiça. Cortadores de 
carne, 
empacotadores e 
enchedores de 
linguiça. 
Trabalhadores 
do setor de 
investimentos. 
Trabalhadoras de 
entrada de dados. 
Cortadores de carne. Empacotadoras. Trabalhadores 
do setor de 
vestuário. 
 
Não podemos esquecer ainda de muitas outras ocupações relativas à: tele 
atendimento; operadores de caixa em geral/ caixas de supermercado; 
escrituração; montagem de pequenas peças e componentes; confecção de 
manufaturados (calçados); costura; embalagem; passadeiras, cozinheiras, 
trabalhadores de limpeza; auxiliares de odontologia; cortadores de cana; 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 13 
profissionais de controle de qualidade; operadores de máquinas e de terminais 
de computador; auxiliares de administração e de contabilidade; operadores de 
telex, datilógrafos; pedreiros; secretárias e técnicos administrativos; eletricistas; 
recepcionistas; faxineiros, Ajudantes de laboratório, outras. 
 
Veja que a lista é extensa. Junto com ela também são diversos os grupos 
populacionais de trabalhadores potencialmente expostos aos esforços e 
comportamentos laborais que podem levar ao aparecimento das LER/DORT. 
 
Com essa esse cenário fica mais relevante que os profissionais de saúde 
estejam bem preparados para identificar os sintomas e diagnosticar essas 
patologias para melhor auxiliar no processo de tratamento, redução de dano e 
reabilitação física e laboral. Por isso, lhe convido a seguirmos adiante para 
nosso próximo objetivo e estaremos mais próximos desse conhecimento. 
 
Incapacidade laboral temporária ou permanente 
Já conhecemos o que são as LER/DORT e que estas são condições relativas ao 
trabalho que se manifestam através de uma série de manifestações clínicas, 
sintomas combinados, sendo com frequência causa de incapacidade laboral 
temporária ou permanente. 
 
Diante disso agora é o momento de discutirmos como se deve abordar o tema 
para assegurar um correto diagnóstico e manejo da saúde dos trabalhadores 
que sofrem com essas patologias, para isso: 
 
Incapacidade laboral temporária ou permanente 
Se partirmos da perspectiva de que são muitas os fatores de risco 
(biomecânicos, cognitivos, sensoriais, afetivos e de organização do trabalho) e 
as patologias que estão classificadas como LER/DORT, que são diversas as 
ocupações de risco para essas condições patológicas e que as manifestações 
clínicas (sintomas) também são múltiplas e, quase sempre aparecem 
combinadas, precisamos escolher uma forma de abordar a questão da 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 14 
investigação diagnóstica por um ponto de SIMILARIDADE entre esses distúrbios 
do sistema osteomuscular. 
 
Nesse instante, ocorrem dois pontos de similaridade mais comuns: o 
TRABALHO e a DOR. Por isso, segundo o “Protocolo sobre Dor relacionada ao 
trabalho” (MS, 2012) a abordagem conjugada a partir da queixa central de DOR 
relativa à ocupação do trabalhador deve ser a forma mais efetiva de tratarmos 
o assunto. Assim, caro aluno, apresentamos o fluxograma proposto pelo MS 
para orientar nossa atuação. 
 
Observe que o papel da ANEMNESE OCUPACIONAL é fundamental para 
diferenciar se há ou não presença de sintomas relacionados ao sistema 
musculoesquelético e se há evidência de fatores de riscos para LER/DORT. 
 
Lembrando que, segundo o protocolo do MS (2012) os fatores de risco são 
interdependentes por isso eles interagem entre si e devem ser sempre 
analisados de forma conjunta. Uma vez identificados irão direcionar o 
profissional de saúde a notificar o caso e encaminhar ao tratamento adequado. 
 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 15 
 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 16 
Abordagem inicial ao paciente 
A abordagem inicial ao paciente, para descobrir se ele tem a possibilidade de 
possuir alguma doença ocupacional, deve incluir necessariamente os seguintes 
momentos (MS, 2012): 
 
• História das queixas atuais; 
• Indagação sobre os diversos aparelhos; 
• Comportamentos e hábitos relevantes; 
• Antecedentes pessoais; 
• Antecedentes familiares; 
• Anamnese ocupacional; 
• Exame físico geral e específico (inspeção, palpação e manobras clínicas); 
• Exames complementares e/ou avaliação especializada (reumatologia, 
ortopedia, neurologia), se necessário; 
• Investigação do posto e/ou da atividade de trabalho in loco, se necessário. 
 
 
Atenção 
 Você sabia que o papel dos exames complementares no diagnóstico das 
LER/DORT é controverso? Segundo especialistas, tanto a Radiografia 
Simples quanto a Ultrassonografia das articulações são superestimados 
para a fase diagnóstica. Mas podem ser importantes posteriormente no 
acompanhamento da evolução das lesões musculoesqueléticas 
relacionadas às LER/DORT. Os exames laboratoriais (hemograma e provas 
de atividade reumática, hormônios T3, T4 e TSH) e da 
eletroneuromiografia podem ser necessários para o diagnóstico diferencial 
entre LER/DORT e neuropatias ou reumatopatias. 
 
Exame físico específico 
Sobre o exame físico específico, segundo o relato e queixas centrais do 
paciente devem ser realizada uma série de manobras para detectar prováveis 
diagnósticos conforme orienta explica o (2012) Ministério da Saúde na 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 17 
publicação especializada sobre LER/DORT, Protocolo de Complexidade 
Diferenciada. Segue alguns exemplos para que você conheça: 
 
Passo 01: Manobra de Finkelstein 
 
 
 
A mão deve ser fechada com os dedos envolvendo o polegar. Comumente 
presente na Tenossinovite de Quervain. 
 
Passo 02: Teste de Cozen 
 
 
 
Manobra com o cotovelo fletido em 90º com a mão posicionada em pronação; 
extensão do punho contra resistência provoca dor no epicôndilo lateral. Comum 
na Epicondilite lateral. 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 18 
Passo 03: Manobra 
 
 
 
Cotovelo fletido em 90º com a mão posicionada em supinação. A flexão do 
punho contra resistência provoca dor no epicôndilo medial. Comum na 
Epicondilite medial. 
 
Passo 04: Manobra - continuação 
 
 
 
Dor à palpação do músculo pronador. A percussão da região (Tinel) provoca 
parestesia na área do nervo mediano, isto é, do 1º à face radial do 4ºquirodáctilo. Síndrome do pronador redondo. 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 19 
Após o exame físico específico 
Quando as etapas posteriores foram concluídas, a equipe de saúde do 
trabalhador (essencialmente o Médico e o Enfermeiro do Trabalho) estão 
próximos da conclusão diagnóstica para efetivamente atribuir ao paciente o 
diagnóstico de LER/DORT. Nesse momento crucial, deparamo-nos com três 
potenciais desfechos da investigação clínica: 
 
 
(Esquema representativo da conclusão diagnóstica) 
 
 
Atenção 
 Estamos diante nessa etapa da caracterização do nexo causal, 
ou seja, identificação e estabelecimento de que as manifestações 
clínicas referidas pelo paciente e evidenciadas pela anamnese e 
exames guardam relação direta com os fatores de risco laborais, 
comentados na primeira parte da nossa aula. As condições de 
trabalho e as manifestações clínicas fecham o diagnóstico e 
estamos diante de um caso de doença relacionada ao trabalho. 
Essa tarefa é multidisciplinar. Precisa da atuação técnica não 
exclusiva do médico, mas em conjunto com profissional de 
enfermagem, entre outros, para realização de boa anamnese 
ocupacional. Lembre-se de que os quadros clínicos comumente 
referidos pelos trabalhadores afetados podem se confundir com 
outras patologias, sobretudo reumatológicas, por isso, em alguns 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 20 
casos, realizar provas diagnósticas (exames laboratoriais e de 
imagem) podem ser importantes para esclarecer se é ou não 
LER/DORT. Estamos falando basicamente de: artrite 
reumatoide, osteoartrose microcristalina (Gota), e dores 
musculares de origem metabólica (hipo e 
hipertireoidismo). 
 
Estágios evlutivos das LER/DORT 
Conheça os quatro estágios evolutivos das LER/DORT (INSS): 
 
Estágio I 
Sensação de peso e desconforto no membro afetado; dor espontânea localizada 
nos membros superiores; ausência de irradiação nítida da dor; melhora com 
repouso e pausa nos movimentos. 
 
Estágio II 
Presença de dor persistente e intensa; aparecimento da dor durante a jornada 
de trabalho; dor intermitente, localizada, porém tolerável e permite o 
desempenho das funções laborais; há redução da produtividade; distúrbios de 
sensibilidade e recuperação mais demorada. 
 
Estágio III 
Presença de dor persistente, forte e com irradiação definida; repouso atenua a 
intensidade da dor; presença de perda de força muscular; queda de 
produtividade; impossibilidade de exercer as funções laborais normais. Edema, 
hipertonia muscular permanente e perda de sensibilidade e da força muscular. 
 
Estágio IV 
Presença de dor forte, intensa e contínua, pode ser insuportável; sofrimento 
intenso do trabalhador; realização de movimentos acentua a dor que costuma 
irradiar por todo o membro afetado causando perda de força muscular e dos 
movimentos; atrofias que podem levar à incapacidade laboral. Comum 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 21 
aparecerem alterações psicológicas como quadros de depressão, ansiedade e 
angústia. 
 
 
Atenção 
 A determinação do grau da lesão ocasionada no trabalhador é 
essencial para dar seguimento ao próximo momento de definição 
do tratamento adequado e também da necessidade de 
afastamento do trabalho, seja ela temporária ou 
permanente. 
 
Atuação multiprofissional 
Assim como já comentamos, nessa fase de procedimentos terapêuticos, 
observe que a atuação multiprofissional é desejável, se não, imprescindível! 
Por isso, listamos aqui os profissionais que podem atuar de forma integrada 
para melhor tratar o paciente no caso das LER/DORT. Vejamos: 
 
• Médico; 
• Fisioterapeuta; 
• Terapeuta ocupacional; 
• Enfermeiro; 
• Assistente social; 
• Psicólogo; 
• Profissional de terapias complementares; e 
• Terapeuta corporal. 
 
Principais grupos e patologias dentre as LER/DORT 
Vamos agora ver algumas particularidades dos principais grupos e patologias 
dentre as LER/DORT que acometem trabalhadores brasileiros? Estamos falando 
das: Dorsalgias (M54), Sinovites e Tenosinovites (M65) e Lesões do 
Ombro (M75). Conheça-as a seguir: 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 22 
Dorsalgias – LOMBALGIA (M54.5): 
 
Conceito 
A lombalgia é a dor na região lombar (dor baixa) que pode ser ou não 
associadas às chamadas dores ciáticas. São em geral agudas e multifatoriais. 
No caso das relacionadas ao trabalho costumam aparecer em ocupações onde o 
trabalhador fica permanentemente em pé ou sentado, operadores de máquinas 
ou equipamentos que causam vibração intensa, ou que realizam tarefas acima 
ou na altura dos ombros, além dos trabalhadores que transportam pesos 
excessivos. 
 
Exemplo das ocupações 
Recepcionistas, administrativos, operadores de empilhadeiras, tratores e 
prensas hidráulicas, e profissionais de enfermagem. 
 
Sinovites e Tenosinovites – Tenosinovite estenosante ou Dedo em Gatilho 
(M65.3): 
 
Conceito 
O dedo em gatilho é uma tenosinovite estenosante que compromete os tendões 
flexores dos dedos das mãos onde a reação inflamatória, geralmente 
ocasionada pelo uso excessivo dessa articulação (movimentos repetitivos das 
mãos e dedos, vibração, pressão, força), levando ao aparecimento de nódulos 
ou edema na película que envolve os tendões. Os sintomas comuns são a dor 
localizada, inchaço, desconforto, espessamento do tendão e limitação dos 
movimentos com bloqueio do dedo afetado. 
 
Exemplo das ocupações 
Digitadores, datilógrafos, profissionais de computação, operadores de caixas 
registradoras, trabalhadores de linhas de montagem de indústrias diversas, 
costureiras, manicures, entre outros. 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 23 
Lesões do Ombro – Bursite do Ombro (M75.5): 
 
Conceito 
A bursite consiste em uma reação inflamatória frequentemente ocasionada por 
movimentação e elevação excessiva dos braços (ação mecânica/impacto). 
Acomete as bolsas sinoviais existentes na articulação do ombro (bolsas 
contendo líquido sinovial que protege as articulações dos desgastes e lesões). 
Em geral ocasionam dor intermitente principalmente no período noturno e de 
repouso, edema, limitação de movimentos de abdução, rotação e elevação dos 
membros superiores. 
 
Exemplo das ocupações 
Posições forçadas e gestos repetitivos; ritmo de trabalho penoso; condições 
difíceis de trabalho. Empacotadores, trabalhadores de linha de produção em 
indústrias, estoquistas, entre outros. 
 
Qual seria o papel do Enfermeiro do Trabalho na abordagem às 
LER/DORT? 
A abordagem da nossa disciplina sobre Doenças Ocupacionais tem foco na 
multidisciplinaridade profissional no cuidado da saúde do trabalhador. Contudo, 
estamos dialogando com você, profissional de Enfermagem, que está em 
processo de formação na área de Saúde Ocupacional e, por isso, em breve 
poderá contribuir no âmbito do atendimento e cuidados em saúde dos 
trabalhadores. 
 
Por isso, ao final dessa aula, queremos apenas salientar a grande importância 
que o papel do Enfermeiro do Trabalho possui diante das LER/DORT, 
especificamente. 
 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 24 
Aprenda Mais 
 
Material complementar 
 
 
Para saber mais sobre as doenças ocupacionais LER/DORT, leia os materiais: A LER é uma 
doença crônica e invisível, alerta Fundacentro, Lesão por Esforço Repetitivo (LER), 
Canadian Centre for Occupational Health and Safety, e assista o vídeo: LER/DORT 
- notificação compulsória pelo SUS, disponível em nossa biblioteca virtual. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 25 
Referências 
BRASIL. Ministério da Saúde,Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de 
Ações Programáticas e Estratégicas. Lista de Doenças Relacionadas ao 
Trabalho: Portaria N.1339/GM, de 18 de novembro de 1999. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2008. Disponível em: 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_relacionadas_t
rabalho_2ed_p1.pdf 
http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/Port99/GM/GM-
1339.html . Acesso em: 20 jan. 2015. 
 
BRASIL. Lei 8213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os planos de 
benefícios de previdência social e dá outras providências. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm Acesso em: 
19 jan. 2015. 
 
BRASIL. Ministério da Saúde do Brasil, Organização Pan-Americana da Saúde no 
Brasil; organizado por Elizabeth Costa Dias; colaboradores Idelberto Muniz 
Almeida et al. Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos 
para os serviços de saúde. Brasília: Ministério da Saúde do Brasil, 2001. 
Disponível em: 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_relacionadas_t
rabalho1.pdf Acesso em: 1º nov. 2014. 
 
BRASIL. Instrução Normativa INSS/DC nº 98, de 05 de dezembro de 2003 - 
DOU, 10 dez. 2003. Aprova Norma Técnica sobre Lesões por Esforços 
Repetitivos-LER ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho–
DORT. Disponível em: 
http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/38/INSS-
DC/2003/98.htm. Acesso em: 1º nov. 2014. 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de 
Ações Programáticas Estratégicas. Saber LER para prevenir DORT. 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 26 
Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações 
Programáticas Estratégicas. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2007. 20 
p.: il. (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Disponível em: 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saber_ler_prevenir_dort
.pdf Acesso em: 1º fev. 2015. 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento 
de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. Dor relacionada 
ao trabalho: lesões por esforços repetitivos (LER): distúrbios osteomusculares 
relacionados ao trabalho (DORT)/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância 
em Saúde, Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do 
Trabalhador. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012. 68 p. : il. – (Série 
A. Normas e Manuais Técnicos) (Saúde do Trabalhador ; 10. Protocolos de 
Complexidade Diferenciada). Disponível em: 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/dor_relacionada_trabalh
o_ler_dort.pdf 
 
LEITE, P. C. et al. A mulher trabalhadora de enfermagem e os distúrbios 
osteomusculares relacionados ao trabalho. Revista da Escola de 
Enfermagem da USP, 2007; 41(2):287-91. Disponível em: < 
www.ee.usp/reeusp Acesso em: 02 fev. 2015. 
 
MENDES, René (Org.). Patologia do trabalho. Ed. atual. e ampl. Rio de 
Janeiro: Atheneu, 2003. v. 1 e 2. 
 
SANTOS, M. R. S. et al. A Enfermagem do Trabalho frente lesões por esforços 
repetitivos/doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho. Revista 
Eletrônica de Enfermagem do Centro de Estudos de Enfermagem e 
Nutrição, jan.-jul. 2013, 2 (2), p. 1-15. Disponível em: < 
http://www.ceen.com.br/revistaeletronica. Acesso em: 1º fev. 2015. 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 27 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
Leia com atenção as sentenças abaixo e mediante os conhecimentos iniciais 
sobre as patologias conhecidas como LER, ou melhor, Distúrbios 
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (denominação sugerida pelo INSS 
em 1998), assinale a única opção incorreta. 
a) São patologias que acometem preferencialmente coluna vertebral, membros 
superiores e inferiores, sendo sempre ocasionadas por múltiplos fatores 
correlacionados. 
b) A prevalência dessas patologias entre os trabalhadores é elevada no caso do 
Brasil, determinando cerca de 60% dos afastamentos laborais e 75% das 
emissões de CAT pelo INSS. 
c) As LER/DORT algumas vezes são uma consequência das condições de trabalho, 
mas nem sempre, pois existem fatores sociais e psicológicos que também 
podem determinar seu aparecimento. 
d) Esses distúrbios osteomusculares acometem diversas categorias profissionais de 
distintos e variados setores da economia. 
e) A denominação LER/DORT é muito questionada por profissionais da saúde, 
Conselhos de categorias médica e de enfermagem, e pelo próprio INSS e MTE 
devido à sua inadequação, visto que os esforços repetitivos não são a única 
causa dessas patologias. 
 
Questão 2 
A seguir, estão listadas algumas justificativas acerca da importância do 
diagnóstico das LER/DORT quando analisamos sob ponto de vista dos 
trabalhadores, empregadores e da sociedade em geral. A alternativa que não 
apresenta uma dessas justificativas é a: 
a) São manifestações clínicas que podem ser dolorosas, crônicas, invisíveis e 
irreversíveis para a saúde do trabalhador, levando à deterioração de sua 
condição física e psicológica.. 
b) Podem afetar a capacidade produtiva do trabalhador acometido, dificultando 
sua reinserção no trabalho após eventual afastamento e recuperação clínica.. 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 28 
c) Permitir a padronização e adequação da interpretação pericial (médicos peritos) 
facilitando a determinação do nexo de causalidade.. 
d) Melhor tratamento, reabilitação e recuperação do trabalhador acometido.. 
e) Evitar especificamente confusões diagnósticas entre tarefas domésticas e 
atividades profissionais de limpeza, faxina ou cozinha industrial. 
 
Questão 3 
O Departamento Saúde-Segurança (HESA) do Instituto Sindical Europeu para 
Pesquisa, Formação e Saúde-Segurança (ETUI-RESH) afirma que as LER/DORT 
são a principal manifestação clínica ligada à organização do trabalho, sobretudo 
em países industrializados. Sobre os distúrbios musculoesqueléticos envolvidos 
nesse grupo podemos dizer que: 
a) Caracterizam-se por manifestações clínicas que afetam, além dos músculos e 
ossos, os ligamentos e tendões, sendo estes últimos somente relacionados aos 
quadros de sinovites e tenossinovites.. 
b) São, sobretudo, doenças do aparelho locomotor de origem inflamatória e 
degenerativa cujos sinais e sintomas não são específicos e o aparecimento não 
ocorre de forma súbita. 
c) São precedidas invariavelmente por fadiga e manifestações de desconforto 
relatadas pelos trabalhadores.. 
d) A dor é sintoma comum entre aquelas LER/DORT ocasionadas exclusivamente 
pelo esforço repetitivo no ambiente de trabalho independente da amplitude dos 
movimentos realizados, tempo de exposição ao risco, intensidade das tarefas 
desenvolvidas.. 
e) Os fatores psicossociais que em geral se associam a ocorrência das Dorsalgias 
entre trabalhadores não podem ser considerados fatores de risco para 
aparecimento de LER/DORT.. 
 
Questão 4 
Segundo a Instrução Normativa do INSS específica sobre o tema (IN/DC nº 98, 
2003) são aspectos básicos da investigação sobre a exposição ocupacional 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 29 
relacionada à ocorrência dos distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao 
trabalho, EXCETO: 
a) Caracterização exclusiva de existência de esforço repetitivo. 
b) Magnitude ou intensidade dos fatores de risco.. 
c) Região anatômica da Lesão (MMSS, MMII).). 
d) Variação do tempo dos fatores de risco (jornadas, pausas).). 
e) Tempo da exposição aos fatores de risco.. 
 
Questão 5 
Quando avaliamos os múltiplos fatores de risco ocupacionais relacionados as 
LER/DORT e suas manifestações sobre o trabalhador entendemos como é 
relevante o conhecimento das exposições laborais para orientar as ações de 
prevenção no ambiente detrabalho. Leia as afirmações abaixo listadas sobre 
estes fatores de risco e em seguida marque a alternativa correta. 
I. As posturas extremas ou inadequadas no trabalho são a um fator de 
risco bastante importante podendo causar afecções musculoesqueléticas graves 
por forcar as articulações, aumentar a carga ou estressar as estruturas 
musculares e esqueléticas de forma acentuada. 
II. A carga musculoesquelética mecânica (carga sobre os tecidos) e a 
carga estática (posição contra a gravidade) podem ser ocasionadas pela 
força, a repetitividade, a duração da carga, o tipo de preensão, a postura e o 
método de trabalho. 
III. Enquanto a invariabilidade da tarefa (monotonia de esforço sobre 
mesma região anatômica) é altamente lesiva ao trabalhador, a existência de 
funções com alta exigência cognitiva não se caracterizam propriamente 
por fator de risco para ocorrência das LER/DORT. 
IV. O posto de trabalho ocupado pelo trabalhador em si não ocasionam 
distúrbios musculoesqueléticos, mas levam ao trabalhador a adotar posturas, 
posições, comportamentos que o permitam a suportar cargas excessivas, 
pressões inadequadas, dimensões inapropriadas para exercer suas atividades 
podendo levar ao aparecimento das LER/DORT. 
a) Todas as afirmativas estão corretas. 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 30 
b) Alternativas I, II e III estão corretas. 
c) Alternativas I e IV estão incorretas. 
d) Somente a alternativa III está incorreta 
e) Todas as alternativas estão incorretas. 
 
Questão 6 
Segundo o Boletim de estatísticas do INSS dos últimos 5 anos, as categorias 
profissionais líderes entre os acidentados por LER/DORT são os digitadores, 
operadores de telemarketing, bancários, operadores de linha de montagem 
entre outros. Dentre os fatores de risco ocupacionais abaixo apresentados, 
todos são comuns a essas ocupações, exceto o que lista a alternativa: 
a) Carga osteomuscular mecânica excessiva (tensão, pressão, fricção e irritação).). 
b) Monotonia de esforço sobre a mesma região anatômica caracterizando a 
invariabilidade de tarefas laborais executadas.. 
c) Ambiente de trabalho organizado, porém com variação da intensidade do ritmo 
de trabalho. 
d) Exposição a condições pouco ergonômicas resultando em posturas laborais 
inadequadas.. 
e) Períodos prolongados de execução de tarefas e manutenção de posturas.. 
 
Questão 7 
Para responder essa e as próximas questões examine o Caso Clínico: 
A.M.L, 34 anos, casada, moradora de Niterói (RJ), enfermeira há 10 anos de 
ambiente hospitalar, empregada faz 2 anos pelo maior hospital privado da 
região com cerca de 350 leitos, atua na enfermaria de clínica cirúrgica de onde 
está afastada há 43 dias do trabalho por recomendação do médico do trabalho 
da empresa e o perito do INSS que a diagnosticaram com tenossinovite não 
especificada acometendo braço e antebraço bilateralmente, com 
incapacidade temporária para o trabalho (3 meses). Encontra-se em 
tratamento com atiinflamatórios e analgésicos combinados com fisioterapia 
diária domiciliar. Obteve melhora do quadro da dor e da parestesia desde que 
está afastada do trabalho, em repouso em casa, e sem realizar inclusive 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 31 
nenhuma tarefa doméstica. Contudo, permanece referindo cansaço excessivo 
nos membros superiores. Já havia apresentado a mesma sintomatologia 
em trabalhos anteriores, mas nunca com tamanha intensidade. Além 
das atribuições da função A.M.L. tinha assumido nos últimos 60 dias antes do 
afastamento a gerência de enfermagem geral do 3º andar (enfermaria 
cirúrgica, centro cirúrgico e CME) devido à saída da sua colega, enfermeira 
então responsável, para cumprimento de sua licença-maternidade. Além disso, 
eventualmente dava plantões do setor de emergência para complementar 
renda familiar. Sua maior preocupação ao retornar ao trabalho é com a notícia 
de que haverá uma reestruturação de RH no Hospital, pois já existe um déficit 
de recursos humanos de enfermagem e uma sobrecarga do trabalho 
da equipe atual que podem ser agravados com eventuais cortes de pessoal e 
implantação de retribuição por performance. Examinando o caso relatado, 
identifique a alternativa que aponta algumas das condições, atividades, fatores 
de risco ocupacionais, aos quais a A.M.L poderia estar exposta durante seu 
exercício profissional no posto de trabalho citado. 
a) Realização de curativos, manipulação e higienização de pacientes.. 
b) Jornada e cargas horárias extras excessivas de trabalho.. 
c) Preenchimento de formulários eletrônicos, escalas, formulários de 
movimentação cirúrgica, gráficos estatísticos de gerencia do setor.. 
d) Ambiente organizacional de incerteza e cobrança de produtividade.. 
e) Todas alternativas acima estão corretas. 
 
Questão 8 
Examinando o caso de A.M.L., quais das medidas abaixo podem ser indicadas 
imediatamente em seu retorno ao posto de trabalho para minimizar a 
ocorrência da lesão mencionada? 
I. Reintegração laboral com mudança de função. 
II. Finalização do acúmulo de função (enfermeira setor e gerência do andar) e 
dos plantões extras. 
III. Evitar as posturas inadequadas relativas ao posto de enfermagem e 
realização das atividades no leito dos pacientes. 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 32 
IV. Realização de pausas laborais durante a jornada de trabalho regular. 
a) Alternativa I. 
b) Alternativas II e III. 
c) Nenhuma das alternativas acima. 
d) Somente a alternativa IV. 
e) Todas alternativas, exceto a I. 
 
Questão 9 
Em referência ao fluxograma de abordagem e seguimento das LER/DORT, 
podemos concluir que no caso clínico apresentado anteriormente, sobre a 
primeira atuação da equipe de Saúde que a assistiu, houve: 
a) Conduta acertada, pois houve confirmação do diagnóstico, afastamento laboral 
e tratamento adequados.. 
b) Conduta acertada, pois houve notificação do caso através do SINAN e emitida a 
CAT no momento em que houve a confirmação diagnóstica de Tenossinovite.. 
c) Conduta incompleta, pois seria necessária a realização de exames 
complementares de laboratório e imagem para confirmar a suspeita de 
tenossinovite.. 
d) Conduta adequada, pois toda tenossinovite requer afastamento mínimo do 
trabalho por período igual ou superior a 60 dias.. 
e) Conduta acertada, pois diante do diagnóstico clínico epidemiológico sucedido 
por afastamento laboral, considerado naquele caso necessário, e condução da 
paciente para o INSS para perícia e avaliação do quadro do acidente de 
trabalho caracterizado. 
 
Questão 10 
No caso da enfermeira A.M.L., após o tratamento e reabilitação (medicação, 
fisioterapia e demais terapias complementares) retornando à sua função, as 
seguintes etapas do cuidado a saúde que devem ocorrer na abordagem 
realizada pela equipe de Saúde Ocupacional do Hospital onde ela trabalha, 
devem compreender: 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 33 
a) Atividades de educação em saúde no ambiente laboral (orientação sobre 
posturas e condições de exercício das atividades para prevenir recorrências), 
participação ativa no controle sobre as condições do seu posto de trabalho e 
acompanhamento pela equipe de saúde ocupacional (prevenção e promoção). 
b) Avaliação de capacidade laboral realizada pelo setor de recursos humanos e 
chefia de enfermagem do hospital, para avaliar a permanência no posto atual 
de trabalho.. 
c) Acompanhamento pelo médico perito do INSS a cada 15 dias para avaliar 
condição clínica até completar seis meses de retorno ao trabalho.. 
d) Continuidade do tratamento com profissional de fisioterapia e psicoterapia para 
evitar a ocorrência de outro processo de adoecimento visto que as condições de 
trabalho serão as mesmas.. 
e) Realizaçãode rodízio de função durante os próximos seis meses para assegurar 
a recuperação plena e perfeitas condições físicas e psíquicas para retorno à 
função de enfermeira do setor.. 
 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 34 
Anamnese ocupacional: Este é o momento de coletar informações e 
identificar no relato do paciente situações de sobrecarga ou estresse do 
sistema musculoesquelético, identificando condições de trabalho características 
com especial atenção para casos de atividades que demandem movimentos 
repetidos, jornadas excessivas sem pausas, posturas inadequadas, entre 
outros fatores de risco que já comentamos nessa aula. Atenção para um 
detalhe: questionar sobre postos de trabalho ocupados pelo paciente em 
ocupações anteriores também é vital para a investigação clínica diagnóstica. A 
escuta ao paciente, trabalhador, deve 
ser atenta. 
 
Enfermeiro: A atuação do Enfermeiro do Trabalho, segundo o MET e da 
Associação Nacional de Enfermagem em Saúde Ocupacional – ANENT e do 
Conselho Nacional de Enfermagem – COFEN, compreende: apoiar no 
diagnóstico das condições de trabalho, desenvolver programas de prevenção, 
promoção e reabilitação dos trabalhadores. E também, realizar o 
acompanhamento dos profissionais afastados do trabalho resguardando sua 
saúde no ambiente laboral. 
 
Ergonômicas: Segundo definição da Associação Internacional de Ergonomia, 
é ”uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre 
os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, 
princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem-estar humano 
e o desempenho global do sistema. Os ergonomistas contribuem para o 
planejamento, projeto e a avaliação de tarefas, postos de trabalho, produtos, 
ambientes e sistemas de modo a torná-los compatíveis com as necessidades, 
habilidades e limitações 
das pessoas”. 
 
Exposição ocupacional: Quando examinamos os agentes etiológicos das 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 35 
Dorsalgias, as Sinovites/Tenossinovites e as Lesões do Ombro basicamente 
estamos falando sobre posições de trabalho forçadas e gestos repetitivos; 
ritmo de trabalho penoso e intenso; condições difíceis de trabalho seja pela 
magnitude, intensidade ou por inadequações de mobiliários, equipamentos, 
ferramentas, entre outros. Assim, a lista de atividades laborais potencialmente 
nocivas certamente é bastante extensa. 
 
Fisioterapeuta: O tratamento das manifestações clínicas diversas que 
acometem o sistema osteomuscular quando realizado nos estágios iniciais (I e 
II), sendo ainda uma reação aguda do organismo, costumam ser mais fáceis 
combinando medicação adequada (analgésica, antinflamatória, psicotrópicos 
quando indicados) e fisioterapia, na maioria dos casos. A fisioterapia nesses 
casos é essencial para proporcionar ao paciente o alívio da dor, o relaxamento 
muscular e a prevenção de deformidades, proporcionando uma melhoria da 
capacidade funcional (MS, 2012). Devendo ser indicada individualmente pelo 
profissional fisioterapeuta que acompanha o paciente, avaliando duração e 
modalidade indicada para seu quadro clínico (agudo ou crônico). 
 
Papel do Enfermeiro: Um recente estudo realizado por enfermeiras 
especialistas em Enfermagem do Trabalho (Santos et al., 2013), cujo objetivo 
era o de analisar e conhecer as abordagens do enfermeiro do trabalho nas 
LER/DORT, através de revisão bibliográfica, alerta que o Enfermeiro deve ter 
ciência que os distúrbios referidos são de causa multifatorial. O 
profissional, então, poderá cuidar dos trabalhadores realizando a avaliação 
periódica auxiliando no diagnóstico, e, sobretudo, ajudando a eliminar 
os fatores causais promovendo as ações de promoção e prevenção 
definidas em cada ambiente de trabalho. Além disso, o Enfermeiro é 
responsável por avaliar e recomendar um ambiente de trabalho seguro. Assim, 
ao final dessa aula podemos destacar que na abordagem específica das 
LER/DORT que o Enfermeiro do Trabalho tem o papel fundamental de: 
participar em equipe da identificação das causas relacionadas; atuar na 
promoção de ações de prevenção; auxiliar na criação e manutenção de 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 36 
condições de trabalho seguro; auxiliar na não desregulamentação do direito 
dos trabalhadores diante da ocorrência de uma doença ocupacional. 
 
Profissional de terapias complementares: Além dos tratamentos 
fisioterápicos tradicionais como eletrotermofototerapia, massoterapia e 
cinesioterapia, há um aumento crescente do uso de inúmeras terapias 
complementares como acupuntura, reiki, do-in, shiatsu, cromoterapia no 
tratamento de pacientes com LER/DORT. 
 
Terapeuta ocupacional: A terapia ocupacional e psicoterapia de grupo ou 
individual também têm se mostrado importantes para a recuperação do 
trabalhador afetado pelas LER/DORT, desde que realizados por profissionais 
especializados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 37 
Aula 6 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - C 
Justificativa: As condições de trabalho são sempre causa do aparecimento das 
LER/DORT ainda que ela seja multifatorial. As LER/DORT são manifestações 
clínicas do sistema musculoesquelético adquiridos pelo trabalhador exposto a 
determinadas condições de trabalho que são especificamente nocivas quando 
em excesso, em graus inadequados, em tempos prolongados de exposição, 
entre outros fatores. 
 
Questão 2 - E 
Justificativa: A importância social, pública, individual, coletiva, científica, 
jurídica, previdenciária do adequado diagnóstico das LER/DORT estão 
relacionadas à adequada concessão de benefícios, proteção, tratamento e 
recuperação dos trabalhadores atingidos, independente de sua ocupação e das 
tarefas que desempenha. Trata-se de uma etapa indispensável, a de 
diagnóstico, para posterior causalidade, tratamento, afastamento laboral, 
intervenção na organização e condições laborais, e até nas medidas preventivas 
na medida em que mais informação estará disponível para permitir orientar as 
ações de prevenção. 
 
Questão 3 - B 
Justificativa: A segunda alternativa é a correta, pois esclarece que as DORT são 
manifestações clínicas silenciosas, muitas vezes decorrentes da relação entre 
tempo, exposição, esforços, repetitividade, condições da organização do 
trabalho. Dentre a lista de patologias relacionadas classificadas no Capítulo XIII 
da CID-10, são de origem inflamatória e/ou degenerativa afetando sistema 
osteomuscular e tecido conjuntivo. 
 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 38 
Questão 4 - A 
Justificativa: O esforço repetitivo é um dos fatores de risco que podem levar ao 
aparecimento dessas patologias, mas certamente não é o único. Na análise da 
exposição ocupacional recomenda-se, segundo a IN/DC nº 98 que sejam 
avaliados os quatro elementos centrais apresentados da segunda a quinta 
questão. 
 
Questão 5 - D 
Justificativa: As funções de alta exigência cognitiva podem ocasionar os 
distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, seja causando um 
aumento da tensão muscular, seja causando uma reação mais generalizada de 
estresse (MS, 2012) sendo, portanto, um fator de risco tão relevante quanto à 
repetitividade das tarefas laborais. 
 
Questão 6 - C 
Justificativa: Ambiente de trabalho organizado pressupõe: respeito às normas 
técnicas de desenvolvimento das tarefas; postos de trabalho em locais e 
condições adequadas; ritmo, jornada, intensidade, frequência e duração dos 
processos de trabalho orientados às pausas necessárias e características da 
tarefa; utilização de equipamentos/ferramentas/mobiliário em condições 
ergonômicascorretas. Portanto, dificilmente um ambiente com essas 
características, ainda que possuísse momentos de intensidade de trabalho, 
causaria por si só o aparecimento de LER/DORT. 
 
Questão 7 - E 
Justificativa: Sobrecarga de trabalho, pressão excessiva, aceleração do 
trabalho, polivalência de atividades, posturas inadequadas, fatores ambientais, 
ergonômicos, organizacionais, todos são potenciais fatores de risco para o 
profissional de enfermagem. 
 
 
 
 
 DOENÇAS OCUPACIONAIS 39 
Questão 8 - E 
Justificativa: Todas as alternativas descritas, exceto a primeira, constituem-se 
em opções para a Enfermeira A.M.L. melhorar suas condições de trabalho e 
impactam na redução da exposição aos riscos ocupacionais da função. A 
mudança de função é a última medida indicada para reinserção do trabalhador 
e deve ser recomendada quando da impossibilidade da adoção de outras 
medidas de prevenção e ajuste organizacional, pois envolve questões laborais 
mais complexas e mudança de posto de trabalho. 
 
Questão 9 - E 
Justificativa: Verificar o fluxograma apresentado na tela 9. 
 
Questão 10 - A 
Justificativa: Os profissionais de saúde ocupacional são responsáveis não só por 
proporcionar a melhor opção terapêutica como também por realizar orientação 
educacional preventiva aos acidentados controlando o ambiente laboral e a 
evolução clínica dos mesmos em retorno ao trabalho (ver fluxograma 
apresentado na tela 9).

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