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Trecho explicativo sobre espécies de sucessão (legítima e testamentária) no Código Civil. Cita os arts. 1.786, 1.788, 1.829, 1.845, 1.850, 1789, 426 e 2.018; aborda cônjuge supérstite, liberdade de testar, partilha entre vivos e sucessões irregulares.

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Espécies de sucessão e de sucessores
SUCESSÃO LEGÍTIMA E TESTAMENTARIA
Proclama o art. 1.786 do código civil “A sucessão dá-se por lei ou por disposição de última vontade”.
Por isso se diz que a sucessão, considerando-se a sua fonte, pode ser legítima ou “ab intestato e testamentaria. Quando se dá em virtude da lei, denomina-se sucessão legítima; quando decorre de manifestação de última vontade, expressa em testamento ou codicilo, chama-se sucessão testamentaria.
Prescreve o art. 1.788 do Código Civil ‘Morrendo a pessoa sem testamento, transmite a herança aos herdeiros legítimos; o mesmo ocorrerá quanto aos bens que não forem compreendidos no testamento; e subsiste a sucessão legítima se o testamento caducar, ou for julgado nulo”. 
Já o art. 1.829, dispõe “A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:                          
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
III - ao cônjuge sobrevivente;
IV - aos colaterais”.
De acordo com uma ordem preferencial, denominada ordem de vocação hereditária. Costuma-se dizer, por isso, que a sucessão legitima representa a vontade presumida do de cujus de transmitir o seu patrimônio para as pessoas indicadas na lei, pois teria deixado testamento se fosse outra sua intenção.
O CC de 2002 não alterou a ordem de vocação hereditária estabelecida no diploma de 1916, mas incluiu o cônjuge supérstite no rol dos herdeiros necessários, como dispõem o art. 1.845 “São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge”. Determinando que concorra com os herdeiros das classes descendentes e ascendentes como menciona os incisos I e II do art. 1.829 relacionado acima, e faça parte da terceira classe, com exclusividade.
	Cônjuge Supérstite: Aquele que sobrevive; o cônjuge sobrevivente, viúvo ou viúva.
Será, ainda, legitima a sucessão se o testamento caducar ou for julgado nulo, como consta da parte final do retrotranscrito art. 1.788 “...e subsiste a sucessão legítima se o testamento caducar, ou for julgado nulo”. O testamento originalmente válido pode vir a caducar, isto é, a tornar-se ineficaz por causa ulterior, como a falta do beneficiário nomeado pelo testador ou dos bens deixados. Acrescente-se a essas hipóteses a revogação do testamento.
LIBERDADE DE TESTAR
Não havendo herdeiros necessários, plena será a liberdade de testar, podendo o testador afastar da sucessão herdeiros colaterais “Art. 1.850. Para excluir da sucessão os herdeiros colaterais, basta que o testador disponha de seu patrimônio sem os contemplar”. 
Estabelece, com efeito, o art. 1789 do CC:
“Havendo herdeiros necessários, o testador só poderá dispor da metade da herança”.
Se o testador for casado no regime da comunhão universal de bens, o patrimônio do casal será dividido em duas meações, e só poderá dispor, em testamento, integralmente, da sua, se não tiver herdeiros necessários, e da metade, correspondente a um quarto do patrimônio do casal, se os tiver.
SUCESSÃO A TÍTULO UNIVERSAL E A TÍTULO SINGULAR
SUCESSÃO CONTRATUAL
O nosso direito não admite outras formas de sucessão, especialmente a contratual, por estarem expressamente proibidos os pactos sucessórios, não podendo ser objeto de contrato herança de pessoa viva. “Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva”. Aponta-se, no entanto, uma exceção: podem os pais, por ato entre vivos, partilhar o seu patrimônio entre os descendentes.
Dispõe, efetivamente, o art. 2.018 do CC:
“É válida a partilha feita por ascendente, por ato entre vivos ou de última vontade, contanto que não prejudique a legítima dos herdeiros necessários”.
A sucessão contratual era também condenada no direito romano. Por isso, era chamada de pacta corvina.
SUCESSÕES IRREGULARES
Sucessão anômala ou irregular é a disciplina por normas peculiares e próprias, não observando a ordem da vocação hereditária estabelecida no art. 1.829 do Código Civil para a sucessão legítima.
“Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:                          
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
III - ao cônjuge sobrevivente;
IV - aos colaterais”.
Podem ser elencadas as seguintes hipóteses de sucessão anômala, a lei n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que regula os direitos autorais, prescrevendo que pertence ao domínio público as obras de autores falecidos que não tenham deixado sucessores (art. 45 n.I), segundo o qual, na falta de beneficiário, nomeado, pagar-se-á o seguro de vida metade à mulher e metade aos herdeiros do segurado.
ESPÉCIES DE SUCESSORES
Em relação aos herdeiros, legitimo é o indicado pela lei, em ordem preferencial.
Testamentário ou instituído é o beneficiado pelo testador no ato de última vontade com uma parte ideal do acervo, sem individuação de bens. A pessoa contemplada em testamento com coisa certa e determinada, como já foi dito, não é herdeiro instituído ou testamentário, mas legatário.
Herdeiro necessário, legitimário ou reservatário é o descendente ou ascendente sucessível e o cônjuge “Art. 1.845. São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge”, ou seja, todo parente em linha reta não excluído da sucessão por indignidade ou deserdação.
Costuma-se chamar de herdeiro universal o herdeiro único, que recebe a totalidade da herança, mediante auto de adjudicação (e não de partilha) lavrado no inventário, seja em virtude de lei, seja em virtude de renúncia dos outros herdeiros ou de testamento.
LUGAR EM QUE SE ABRE A SUCESSÃO
Dispõe o at. 1.785
“A sucessão abra-se no lugar do último domicílio do falecido”.
É esse o foro competente para o processamento do inventario, mesmo que o óbito tenha ocorrido em outro local, ou, até, no exterior e ainda que outros sejam os locais da situação dos bens.
Cumpre salientar que a abertura da sucessão não é o mesmo que abertura do inventário.
Tendo em vista que o domicilio do falecido pode ser incerto, houve por bem o legislador processual, outrossim, especificar a regra, no tocante ao local da abertura do inventario, fazendo-o incidir, nesse caso, no local da situação dos bens. Prescreve, com efeito, o parágrafo único, I, do aludido art. 96 que “é, porém, competente o foro da situação dos bens, se o autor da herança não possuía domicilio certo”.
Se, porventura, os bens que compõem a herança se situarem em locais diversos, tem aplicação o disposto no inciso II do mencionado parágrafo único, segundo o qual é competente o foro “do lugar em que ocorreu o óbito, se o autor da herança não tinha domicilio certo e possuía bens em lugares diferentes”.
Nos casos em que se processem inventários conjuntos. Quando falecer o cônjuge meeiro supérstite antes da partilha dos bens do pré-morto, as duas heranças serão inventariadas e partilhadas cumulativamente, desde que os herdeiros de ambas sejam os mesmos.
Efetivamente, a herança, como universalidade de bens deixados pelo casal, é uma só. Por conseguinte, não mostra razoável a abertura de dois inventários distintos, com a noeação de dois inventariantes para a administração da mesma e única herança indivisa.
Ocorrendo o falecimento de algum herdeiro no curso do inventario em que foi admitido, não possuindo outros bens além do seu quinhão na herança, poderá este ser partilhado juntamente com os bens do monte.
Na esfera da competência internacional, art.23 NCPC “proceder o inventário e partilha de bens, situados no Brasil, ainda que o autorda herança seja estrangeiro e tenha residido fora do território nacional”.
Somente, portanto, se o brasileiro ou estrangeiro, falecido no exterior, deixar bens no Brasil é que o foro competente será o da Justiça brasileira. Se os bens deixados estão localizados no exterior, o processamento do inventario e partilha, quanto a esses bens, escapará à jurisdição brasileira, competindo ao país onde se situem. Se forem feitos inventário e partilha de bens situados no Brasil em país estrangeiro, a sentença não terá validade no Brasil, nem induzirá litispendência.

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