Prévia do material em texto
SISTEMATIZAÇÃO DO CUIDAR I Noções básicas de manuseio de materiais estéreis Profa. Enfª Msc. Raíssa Pires DESINFECÇÃO É o processo físico (ex: raios ultravioleta) ou químico (solução germicida) que elimina muitos ou todos os micro-organismos na forma vegetativa em objetos inanimados com exceção de esporos bacterianos. PROCESSO DE ESTERILIZAÇÃO Esterilização – é o processo pelo quais os micro-organismos são mortos a tal ponto que não seja mais possível detectá-los no meio de cultura padrão no qual previamente haviam proliferado. Um artigo é considerado estéril quando a probabilidade de sobrevivência dos micro-organismos que o contaminam é menor do que 1: 1.000.000 (Graziano; Silva; Bianchi, 2000). AREA DE ESTERILIZAÇÃO setor responsável pela esterilização de todo material hospitalar, que já passou pelas áreas anteriores, está limpo, selecionado e acondicionado de maneira a ser submetido ao agente esterilizante. Nessa área estão localizados as autoclaves, estufas, esterilizador a óxido de etileno, aparelhos destinados à esterilização do material. Tipos de processo de esterilização A esterilização pode ser realizada por meio de processos físicos, químicos ou físico- químicos: PROCESSOS FÍSICOS: Calor úmido – Esterilização por vapor d’água sob pressão (autoclave- varia de 121 °C a 134 °C). Calor seco – ar quente (estufa). Radiação - raio gama cobalto 60. Estufa Radiação - raio gama cobalto 60 QUÍMICOS: Líquidos: produtos químicos: ex: formaldeído aquoso a 10%; formaldeido alcoólico a 8%. Esterilização química por meio da imersão dos artigos médicos hospitalares em um germicida químico, conhecida amplamente como esterilização a frio, é a opção de eleição quando os demais métodos de esterilização, não estejam disponíveis. Físico-químico Óxido de Etileno: Essa esterilização é um processo físico-químico que utiliza o gás óxido de etileno, sendo realizado em autoclave com temperatura entre 50ºC e 60ºC. É um gás tóxico, inflamável, incolor, miscível em água, acetona, éter, benzeno e na maioria dos solventes orgânicos. Possui odor semelhante ao éter. Adição de estabilizante para redução de risco de explosão e fogo Esterilização pelo processo de Peróxido de Hidrogênio: Ciclo de esterilização rápido trabalha com baixas temperaturas, permitindo que a maioria dos materiais termos-sensíveis seja esterilizada por esse método. É compatível com determinadas ligas metálicas, como alumínio, ferro, vidros, acrílicos, borracha e plásticos (Ferraz, 1995). E o produto não é tóxico. ESTERILIZAÇÃO PELO VAPOR SATURADO SOB PRESSÃO A esterilização pelo calor úmido ou pelo vapor dágua sob pressão é processada na autoclave, aparelho de formas e tamanhos diferentes. A construção do aparelho é baseada na água aquecida em recipiente fechado, onde o vapor fica retido sob pressão, podendo atingir temperaturas elevadas. A temperatura interna atinge mais de 100°C e junto com o vapor, fazem a destruição dos germes pela termocoagulação das proteínas em seu citoplasma. Os materiais a serem esterilizados devem ser classificados em dois grupos: Material de superfície - é constituído de material pouco denso, em cuja superfície circula o vapor d água sob pressão, sem que haja penetração do mesmo. Exemplo: cubas redondas, cuba rim, jarros, frasco de vidros, instrumental e outros. Material de densidade é constituído de material espesso, formado de fibras e que exige penetração do vapor d água sob pressão em todas as camadas de sua espessura. Exemplo: gaze, compressa, campos, aventais, ataduras de crepe, algodão ortopédico e outros. Conceitos básicos Classificação dos artigos segundo o risco potencial de contaminação: Artigos críticos; Artigos semi-críticos; Artigos não críticos. Conceitos básicos Artigos críticos: São aqueles que penetram nos tecidos sub-epiteliais da pele e mucosa, sistema vascular ou outros órgãos isentos de microbiota própria sendo necessário passar pelo processo de esterilização (alto risco para infecção). Ex: instrumentais cirúrgicos de corte ou ponta, outros artigos cirúrgicos (pinças, afastadores, catéteres, drenos...) Conceitos básicos Artigos semi-críticos: São aqueles que entram em contato com a mucosa íntegra e/ou pele não íntegra necessitando do processo de esterilização ou desinfecção de alto nível. Ex: sondas, espelho bucal... Conceitos básicos Artigos não críticos: são aqueles que entram em contato com a pele íntegra ou não entram em contato direto com o paciente, necessitando passar pelo processo de desinfecção de nível intermediário/baixo ou apenas limpeza Ex: bacias, comadres, cubas, termômetro... Pontos importantes Níveis de processamento: Esterilização: eliminação de esporos Desinfecção de alto nível: eliminação de microbactérias Desinfecção de nível intermediário: eliminação de fungos e vírus. Desinfecção de nível baixo: desinfecção de bactérias vegetativas e vírus lipídicos e médios. Preparo do material TIPOS DE EMBALAGENS PARA ESTERILIZAÇÃO TECIDO DE ALGODÃO ESTOJO METÁLICO VIDRO REFRATÁRIO CONTAINER RÍGIDO PAPEL GRAU CIRÚRGICO PAPEL CREPADO SMS TYVEK® Embalagens Esterilização por calor úmido: Caixas perfuradas e embaladas Papel grau cirúrgico Papel crepado Tecido não tecido (SMS) Esterilização por calor seco: Caixas metálicas Esterilização por óxido de etileno: Papel grau cirúrgico + filme plástico Cuidados durante a esterilização Seguir rigorosamente as instruções de funcionamento e manuseio. Contar o tempo de exposição a partir do momento que o aparelho atingir a temperatura desejada de acordo com o tipo de material exposto; Verificar se a pressão e temperatura mantêm níveis adequados; Invalidar a esterilização e providenciar a revisão do aparelho a qualquer sinal de defeito; Não interromper o processo durante a esterilização. Cuidados no descarregamento do material da autoclave Para realizá-lo, o funcionário deverá estar usando máscara, gorro e luvas apropriadas; Não colocar o material ainda quente em superfície fria, o que acarretaria a condensação do vapor, umedecendo o material e contaminando-o; Os pacotes devem estar completamente frios antes de serem manipulados ou removidos do carrinho da autoclave porque as bactérias das mãos podem penetrar no pacote podendo contaminar seu interior (AORNE, 2002). Datar o material, guardando em local apropriado; Depois da última esterilização do dia, promover a limpeza da autoclave por dentro e por fora, desligando antes as chaves. Características recomendadas para a área de armazenagem Deve ser adjacente à área de esterilização A arquitetura deve ser elaborada de modo a limitar o tráfego, facilitar a identificação de materiais, promover a limpeza e proteger os pacotes; Estocar os artigos em área de acesso restrito, separadamente de artigos não estéreis, em ambiente bem ventilado e com controle de temperatura e umidade. Considerar como contaminados pacotes caídos no chão, comprimidos, torcidos ou úmidos. Estocar os artigos de modo a não comprimir, torcer, perfurar e não comprometer a esterilidade, longe de umidade. Prateleiras de madeiras não devem ser utilizadas; A constituiçãodas prateleiras pode ser de aço inoxidável, cestos aramados de aço inoxidável, fórmica tratada, plástico rígido. Armazenamento e distribuição dos artigos esterilizados A área de estocagem deve facilitar a localização do item e manter a integridade da esterilização e do conteúdo. Usar prateleiras fechadas ou coberturas sobre os pacotes. Proteger os artigos de contaminação, danos físicos e perda durante o transporte; Proceder a liberação dos lotes mais antigos antes dos mais novos; Adotar sistema de registro para controle de distribuição dos artigos esterilizados; O local de armazenagem deve ser distante de fonte de água, janelas abertas, portas e tubulações expostas; Estabelecer frequência de limpeza da área de estoque, dos carros ou das caixas de transporte. Observar os seguintes itens antes da utilização de um artigo: Lavar as mãos antes de manusear; Integridade do pacote e da selagem; Ausência de sujidade no material e no pacote; Data de validade do processo de esterilização; Verificar o resultado do indicador de processo. Atenção: Artigos estéreis não devem ser transportados com artigos sujos. A embalagem deve assegurar o conteúdo estéril até sua abertura com técnica asséptica, sem risco de contaminação. Art. 78 As embalagens utilizadas para a esterilização de produtos para saúde devem estar regularizadas junto à Anvisa, para uso especifico em esterilização. RDC 15, DE 15 DE MARÇO DE 2012 Papel Grau Cirúrgico Apresenta características físicas, químicas e biológicas que permitem a esterilização e manutenção da esterilidade do produto. Exemplo de abertura de materiais Abrir a seringa e agulha sem romper a embalagem, sem tocar nas mesmas e colocá-las sobre a mesa coberta com campo estéril ABERTURA DA EMBALAGEM DA SERINGA APOIO DA SERINGA Alguns cuidados devem ser tomados na execução de procedimentos na sala cirúrgica, tais como: Estar certo de que realizou a lavagem cirúrgica as mãos antes de iniciar os procedimentos; Manter certa distância da mesa do instrumentador ao oferecer o material; Passar sempre com a frente do corpo voltada para o local que concentre a maior quantidade de material esterilizado aberto, como é o caso da mesa do instrumentador; Não passar o braço e não falar sobre o material esterilizado aberto. Medidas para manuseio do material estéril Lavar as mãos Reduz o risco de transmissão de microorganismos. Verificar a data de validade da esterilização e integridade do pacote Garantir a integridade e esterilização do material, de forma a minimizar o risco de contaminação para o paciente. Colocar o material estéril antes de abri-lo em local limpo e seco Evitar a contaminação do material. Segurar o pacote com mão dominante, abrir para fora a primeira dobra do mantendo-o afastado do seu corpo Evitar cruzar sobre o campo estéril, minimizado o potencial de contaminação ao manuseio. Desdobrar um lado (direito), depois o outro (esquerdo) e, por último, desdobrar a ponta voltada para si, ou Evitar cruzar sobre o campo estéril, minimizado o potencial de contaminação ao manuseio. Segurar firmemente o invólucro descartável, puxar pelas pontas e abrir cuidadosamente, sem tocar o material; Colocar o material em um campo estéril ou oferecer a alguém paramentado; Ter o cuidado para não contaminar o campo estéril ou o profissional que irá receber o material com as pontas do invólucro. Deixar o material estéril, após ter sido aberto, protegido com o próprio campo ou com outro campo estéril; Não passar o braço sobre o material estéril, quando exposto. Observações importantes Não conversar, tossir ou espirrar sobre o material estéril; Mantendo as mãos para trás, diminui a possibilidade de esbarrar ou encostar acidentalmente no material estéril; Deixar o material exposto o mínimo de tempo possível; Não tendo necessidade de usar as duas mãos, uma deve ficar para trás; Qualquer dúvida sobre as condições de esterilização do material, despreza-lo; Qualquer material, uma vez retirado do invólucro estéril e não utilizado, deverá ser novamente esterilizado para novo uso; Após o uso, se o material for descartável, despreza-lo em recipiente adequado, se for reprocessado, encaminhar para o setor de esterilização. USO DE BARREIRAS – EPI´S Máscaras cirúrgicas De barreira USO DE BARREIRAS – EPI´S Aventais USO DE BARREIRAS – EPI´S Gorros/sapatilhas USO DE BARREIRAS – EPI´S Óculos de proteção USO DE BARREIRAS – EPI´S Luvas: estéril e de procedimentos não estéreis EPI Remoção de Luvas ABERTURA DE ITENS ESTÉREIS REFERÊNCIAS SOBECC, Sociedade Brasileira de Enfermermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização. Práticas Recomendadas - SOBECC. 4.ª ed. 2007 BRASIL, Ministério da Saúde- Processamento de Artigos e Superfícies em Estabelecimento de Saúde, Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar, Brasília, 1a edição, Brasília, 1992.